Mégara

Rei: Timalco
Território: Cária
Símbolo: Foice de Arado

Károly_Brocky_-_Ceres_and_TriptolemosA antiga cidade de Cária, que mais tarde se chamaria Mégara, foi fundada pelo filho do primeiro homem que nasceu no Hélade após o Grande Dilúvio de Zeus, cujo nome era Car. Doze gerações depois, a cidade foi dominada por um invasor estrangeiro chamado Lélex, que trouxe consigo um grande exército vindo do leste. Este foi sucedido por seu caçula Clesão, que ascendeu ao trono após ser vitorioso numa violenta guerra contra seus irmãos. O rei seguinte foi Pilas, filho de Clesão, que ficou famoso por ter recebido os quatro filhos do rei Pandião, que fora assassinado e deposto do trono por uma terrível conspiração. Esses quatro filhos eram Egeu, Niso, Lico e Palas, que se aliaram com Pilas para retomar a cidade de Atenas de volta aos seus verdadeiros herdeiros. No fim, o príncipe Egeu se tornou rei de Atenas e príncipe Niso se tornou rei da Cária após se casar com a filha do covarde rei Pilas que abandonou a cidade no momento de maior necessidade do seu povo.

Quando o império de Creta avançou contra a cidade de Atenas por uma contenda entre o rei Egeu e o rei Minos, suas forças primeiro conquistaram a Cária. O então rei Pilas abandonou a sua cidade e seu genro Niso, que assumiu o trono no seu lugar, acabou assassinado pela conspiração orquestrado por sua própria filha. A cidade só foi resgatada das mãos cretenses graças a dois grandes generais vindos do sul: Megareu de Sicião e Maraton de Corinto. Juntos, eles combateram o rei Minos numa guerra que custou a vida de Megareu. A derrota forçou o rei Minos a aceitar uma caminho diplomático para o fim da guerra e o trono da Cária foi entregue a Timalco, filho de Megareu, que era casado com outra filha do rei Niso. Foi o rei Timalco quem renomeou a cidade para homenagear o sacrifício paterno.

Não há dúvidas que a influência da Cária foi extremamente importante para equilibrar os conflitos na região, tanto no apoio que teve com os filhos de Pandião quanto na guerra contra Creta. Essa influência começou com o forte crescimento político e econômico que a deusa Deméter proporcionou. Ela foi recebida pelo rei Celeu nas terras de Eleusina, que ficam vizinhas à Mégara, e lá ensinou grandes segredos divinos da agricultura. Esses ensinamentos fizeram a região da Cária crescer enormemente seu cultivo de trigo e outros grãos. A região também se tornou um centro social e cultural com o obscuro festival em homenagem à deusa: os “Mistérios Eleusianos”. Atualmente, com a morte do rei Celeu de Eleusina e a renúncia do seu filho Triptolemo ao trono, a cidade de Eleusina hoje está sob o controle do rei de Mégara e do seu maior sacerdote Eumolpo.

 

Alcatoo

O rei ancião Pélope de Olímpia, ao longo da sua extensa vida, infiltrou os seus filhos nas principais cidades do Hélade através de casamentos e alianças políticas. Para alguém que não nasceu de uma família nobre, sempre foi o seu maior desejo engrandecer sua Casa e seus filhos sempre o deixaram extremamente orgulhoso como a ambição, frieza e coragem que lhes são características. A coragem, em especial, é uma das principais características do príncipe Alcatoo, que vem conseguindo grande admiração por seus feitos.

A zona agrícola da Cária estava sofrendo ataques constantes de um feroz leão, que matava o gado e destruía plantações. Todos que o enfrentaram acabaram mortos, incluindo o filho do rei de Mégara, o que fez a fama do terrível “Leão de Cíteron” se espalhar por todo o Hélade. O único capaz de derrotar a criatura foi o príncipe Alcatoo. Assim, como recompensa, o rei Timalco de Mégara ofereceu a mão de sua irmã Evecme em casamento mesmo sabendo que ele já era casado com a ninfa chamada Pirgo. No entanto, se enganam aqueles que pensam que a ninfa seja uma vítima. Na verdade, com a recente notícia de que a esposa de Timalco está grávida, ela deseja assassina-la para que o ambicioso Alcatoo se mantenha como herdeiro do trono.

[Apd.2.4.11, 3.12.7; Pau.1.41.3-4, 1.42.6, 1.43.4].

 

Escironte

O maligno Escironte já foi o antigo herdeiro do trono de Mégara por ser filho do antigo rei Pilas, mas sua linhagem caiu em desgraça quando seu pai abandonou a cidade defronte aos exércitos invasores de Creta. Esse ato de traição fez a sucessão ser entregue ao seu genro Niso que morreu no confronto contra este mesmo inimigo. Não sem antes o novo rei ter disputado e vencido pela sucessão contra o próprio Escironte.

Hoje, o exilado Escironte não deseja mais o trono para si. Ele tomou um caminho ainda mais negro. Ele se tornou um cultista que realiza sacrifícios humanos em troca de poder. É o mesmo culto que os igualmente maléficos Procrustes e Sínis de Corinto fazem parte. No caso de Escironte, este costuma enganar viajantes até a beira-mar para fazer deles alimento para ura uma tartaruga gigante. Muitos foram aqueles que morreram em razão destas artimanhas deste maligno homem e muitos mais surgirão se nada for feito para o impedir. Exatamente por causa de Escirontes e seus companheiros de culto que o caminho por ter entre a cidade de Corinto e Atenas, que necessariamente passa pela Cária, se tornou uma das estradas mais perigosas do mundo.

[Apd.3.12.6; Apd.Ep.1.2; Dio.4.59.4; Hyg.Fab.38; Pau.1.39.6; Plu.The.10.3, 25.4-5, 32.5].

 

Eumolpo

Eumolpo nunca conheceu os seus pais. Ele foi abandonado na infância, sendo arremessado ao mar no mar da Trácia para morrer. Felizmente, foi salvo por Bentesekime, filha do próprio deus dos mares, que adotou e cuidou dele como seu próprio. Mais do que isso, ela o ensinou a ser um grande guerreiro que passou a vagar pelo mundo com um grupo de aventureiros. Eumolpo por fim tomou morada nas terras de Eleusina, pois estava fascinado com os mistérios que eram ensinados pelo famoso Triptolemo, o maior sacerdote de Deméter. O herói se converteu ao culto da deusa da natureza e decidiu viver uma vida pacífica dedicada à agricultura.

Infelizmente, o destino tinha outros planos para o heroico Eumolpo. Anos após sua conversão, Eumolpo recebeu a notícia de que a cidade de Eleusina sofreu um covarde ataque do exército ateniense liderado pelo imortal rei Erecteu. O herói tomou novamente a lança em suas mãos e levou consigo um exército de guerreiros trácios para defender a cidade. A guerra entre Atenas e Eleusina foi lendária. O habilidoso Eumolpo primeiro derrotou e matou o general das forças atenienses chamado de Íon, neto de Erecteu. No entanto, o rei Ateniense se utilizou de rituais macabros para vencer a guerra. Ele sacrificou a própria filha em troca das forças necessárias para combater o herói Eleusino e assim Eumolpo morreu por suas mãos.

O rei Erecteu de Atenas foi longe demais na sua ânsia pela vitória. Ele que, séculos antes fora abençoado por Zeus com a vida eterna, caiu em desgraça por seu crime contra própria filha e por seu orgulho desmedido. Um raio celestial enviado por esse deus caiu sobre o rei ateniense e o fulminou. O herói Emoulpo foi então abençoado pela deusa Deméter com uma nova vida. Ele foi escolhido pela deusa para guiar os sacerdotes de Eleusina em sua missão de disseminar os mistérios da natureza para todos os interessados. Hoje, Eumolpo é um respeitado veterano de guerra, sacerdote de Demeter e um habilidoso mestre de armas, que continua a proteger a cidade de Eleusina contra todas as ameaças.

[Apd.2.5.12, 3.15.4; Hyg.Fab.46; Pau.1.38.3].

 

The_golden_fleece_and_the_heroes_who_lived_before_Achilles_(1921)_(14743889696)

Padraic, Colum (1881-1972) e Willy Pogány (1882-1955)

Triptolemo

Houve uma época, não tão distante, em que a deusa Deméter vagou pela Terra por muitos anos. Estava à procura de sua filha desaparecida Perséfone.  A deusa da agricultura foi assim recebida pelo rei Celeu na cidade de Elêusis. O príncipe Triptolemo, filho deste rei, consolou a deusa nesse seu período de sofrimento. Ambos acabaram por dividir a mesma cama, de forma que Triptolemo amou Deméter até o dia em que a deusa partiu novamente em busca da filha perdida. Durante o período que foram amantes, a deusa o ensinou os segredos da natureza e da agricultura. O príncipe ficou inquieto com tanto conhecimento. Resolveu deixar a cidade de Eleusina com uma importante missão. Ele deveria disseminar os segredos que havia recebido pelo mundo.

Os mistérios de Eleusina se destinam a elevar o homem acima da esfera humana para que este alcance o divino e tenha sua redenção assegurado. Busca ensinar como fazer o espírito humano se tornar divino para que alcance a imortalidade. É um culto cheio de simbolismo, o tornando impossível de ser entendido pelos seus iniciados. Só os veteranos são capazes de compreender que os ritos são divididos em ciclo de três fases: a “descida”, a “busca” e a “ascensão” com emoções contrastadas de tristeza a alegria, tendo como tema principal a ascensão de Perséfone e a reunião com sua mãe Deméter. O próprio Triptolemo também se invoca como uma criança divina que foi colocado em fogo divino pela própria Deméter para renascer. 

As celebrações ensinadas por Triptolemo tem seu ponto ao cortar a espiga de trigo em silêncio para representar a morte e a força da nova vida, que renasce da semente enterrada. A imagem recorrente de sua religião está na Perséfone sem braços e pernas, que cresce do chão e cuja cabeça se transforma numa grande flor. Tudo é comemorado a cada quatro anos com um esplendor especial na sua cidade de origem, numa celebração que ele estimula todos os seus seguidores a participarem pelo menos uma vez na vida. No entanto, todos os anos no início da primavera com peças de teatros, procissões religiosas e muita devoção à deusa da natureza e à sua filha que habita o submundo.

[Apd.1.5.2; Hyg.Ast.2.14, 2.22; Hyg.Fab.147; Nonn.13.190; Ov.Fast.4.508ff., Ov.Met.650ff.; Pau.1.14.2-3]