Cnosso

A Capital Ultramarina

Rainha: Pasifae
Território: Arquipélago de Creta
Cidades: Festos, Licasto, Tarra e Lictos e Cidônia.

A ilha de Creta foi dizimada pela Grande Destruição que ocorreu há quinze gerações atrás quando o vulcão de Thera explodiu em razão da ira divina.  Desde este evento, a ilha passou despovoada por séculos até que um povoamento foi iniciado por Astério da Beócia na geração anterior a Perseu. Ele se casou com princesa Europa, a irmã raptada do grande herói Cádmo de Tebas e gerou três filhos de imensa sabedoria. São eles: Minos, Ramadanto e Sarpedão. A rainha Europa se converteu ao culto da Deusa-Mãe que hoje se espalha por todas as ilhas do mar Egeu e se tornou sua primeira sumo-sacerdotisa.

Quando o rei Astério faleceu, o príncipe Minos prometeu o sacrifício do seu amado touro branco caso sucedesse o trono da cidade. O pedido foi atendido e o príncipe Minos  se casando com a sacerdotisa Protogeneia na ilha de Creta. Ele assim emitiu a ordem de banir os seus irmãos da ilha para que não conspirassem contra ele. Em pouco tempo, o rei Minos transformou a recém-fundada Cnosso numa potência tecnológica. O sábio rei desenvolveu o sistema de irrigação e aperfeiçoou o poder das suas forjas. Assim, Cnosso se tornou o maior centro de agricultura e metalurgia do mundo. O rei Minos cometeu um único erro. Ele decidiu manter seu amado touro branco e sacrificou outro no lugar. A desobediência causou a ira divina que transformou o touro branco numa criatura demoníaca que assassinou o desobediente rei.

Palacio de Cnossos
Palácio de Cnosso

Sociedade

Décadas após a morte do rei Minos e deste ser sucedido por seu filho Licasto, a nova sumo-sacerdotisa da Deusa-Mãe, chamada Pasifae, desejou um esposo para governar o trono de Cnossos. Através de rituais sagrados, ela conseguiu trazer Minos de volta à vida para com ele se casar. Pasifae é filha do titã Hélio, o deus sol, com uma oceanida. Ela cresceu ao lado de seu irmão Eetes nas terras Cólquidas do extremo Leste, mas desde que se tornou adulta deixou essas terras para trás para se converter ao culto da Deusa-Mãe.

O esposo Minos teve sua importância no aprimoramento da irrigação e das forjas da ilha de Creta. A habilidade de mesclar o ouro com o bronze faz o metal minoano ser ao mesmo tempo resistente e leve. O sistema de irrigação criado pelo rei Minos torna o cultivo de grãos da cevada e a criação de animais bastante eficiente, tornando Creta totalmente autossuficiente. E o comércio cresceu enormemente nas últimas décadas pelo comércio destes produtos. No entanto, hoje a rainha Pasifae não suporta sua presença do esposo, pois está enojada por sua arrogância e infidelidade.

 

Deucalião e Catreu

O rei Minos e a rainha Pasifae tiveram muitos filhos. Desde Androgeu cuja morte foi causada pelo rei Egeu até as filhas caçulas: as belas princesas Fedra e Ariadne. Os seus outros três filhos homens são chamados Deucalião, Catreu e Glauco.

Deucalião é o primogênito e herdeiro do velho do casal governante de Creta. Ele tem se mostrado sábio seguindo os passos paternos e, embora muitos digam que nunca alcançará sua grandeza, Deucalião está disposto a provar o contrário.

Catreu, por outro lado, teme uma terrível profecia. Os augúrios da Deusa-Mãe leh revelaram que seria morto por um de seus descendentes. Por esse motivo, ele enviou seus filhos para longe de Creta. Sua filha Climene está casada com o capitão Nauplio em Eubéia. A outra filha Erope casou com o príncipe Atreu em Micenas. Por fim, Altamenes e Apemosine foram enviados para a ilha Rodes, que hoje governam.

 

Francisco Goya 1746 – 1828

Glauco

Quando criança, esse filho do rei Minos e da rainha Pasifae causou um grande trauma aos seus pais. Glauco estava brincando de se esconder quando caiu em uma jarra de mel e morreu sufocado. O garoto ficou desaparecido por dias, deixando seus pais desesperados. O rei Minos procurou todos os investigadores, oráculos e arcanos de Micenas, mas foi o mago Poleído, irmão do famoso arcano Idmon da Attica, que conseguiu localizar a criança morta.

Inconformado com a morte do seu filho, o rei Minos ofereceu fortunas àquele que conseguisse ressuscitá-lo. Ele ameaçou Poleído com sua espada, confiando que o mago conseguiria tal façanha. Após meses de estudos, o arcano Poleído criou um ritual que conseguiu enfim trazer o pequeno Glauco de volta à vida. No entanto, o rei Minos ainda não estava disposto a permitir que Poleído deixasse a ilha. O mago só poderia partir caso ensinasse seus segredos arcanos para o pequeno Glauco.

Depois de mais alguns anos, Glauco já estava tão poderoso quanto o próprio Poleído. Enfim, o feiticeiro poderia partir, mas em sua despedida, segundos antes de deixar a ilha, o arcano ativou uma magia oculta. Ele cuspiu na boca de Glauco, o que fez ele esquecer tudo o que aprendera. Em seguida, fugiu para o grande deserto e, apesar das buscas do rei Minos, nunca mais foi visto. O pequeno Glauco cresceu e se tornou um grande guerreiro e herói. Ele ainda possui os poderes arcanos dentro de si, mas não consegue ativá-los. Em mais de um momento de tensão, estes poderes se manifestaram para ajudá-lo. No entanto, mesmo depois de muito esforço, os poderes de Glauco continuam incontroláveis.

 

Minotauro

O pequeno Astério II é o verdadeiro nome do Minotauro nascido do ventre de Pasifae, esposa do rei Minos. Ele nasceu metade homem e metade touro, o que sua mãe considera uma benção, mas fez o pai rejeitar sua paternidade em razão de sua terrível aparência. Por esse motivo, o prendeu no labirinto construído pelo engenheiro Dédalo.

O Minotauro é poderoso no combate e possui uma força descomunal. Os seus chifres afiados são verdadeiras armas mortais. A sua ferocidade é inigualável. E, apesar de sua aparência, ele também é possuidor de um extremo senso de direção. Certamente, é um adversário sem igual.

O rei Minos sempre maltratou o seu filho rejeitado, fazendo-o passar por períodos de fome. Isso ocorre principalmente no período que antecede a vinda dos heróis de Atenas. Esses atenienses são levados para o labirinto para servirem de alimento ao Minotauro a cada nove anos como punição ao rei Egeu.

 

Talos

O guerreiro Talos não é humano. Ele foi uma escultura viva forjada em bronze pelo deus Hefesto e entregue por Zeus para sua amante Europa. Ele vem servindo como sentinela da ilha de Creta há quatro gerações, pois sua carne metálica e seu sangue constituído de Ícor lhe concede a vida eterna.

Durante quase todo esse século em que cumpre a função de sentinela, o incansável Talos percorre toda a ilha de Creta trezes ao dia. Por várias vezes, ele enxergou intrusos e ameaças vidas do mar sempre arremessando pedras quando isso ocorre. Graças à sua ação, a ilha de Creta tem se mantido livre de piratas e invasores por todo esse tempo. Num situação em especial, quando o piratas da Sardínia o confrontaram em batalha, eles os matou enquanto dava altas risadas. Hoje, todos temem o poder da criatura.

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George Frederic Watts (1817–1904)

Minos

O rei Minos nasceu na atual ilha de Creta da primeira grande sumo-sacerdotisa da Deusa-Mãe chamada de Europa, que chegou na ilha trazida das terras do Leste pelo toura alado da deusa. A sumo-sacerdotisa Europa se casou com um rei local chamado Asterião com quem gerou o rei Minos e seus irmãos Radamanto e Sarpedão. A sucessão ao trono de Creta foi disputada entre esses três irmãos conforme um deles fosse escolhido para se casar com a sacerdotisa Itone. O príncipe Minos foi escolhido com ajuda dos deuses, prometendo-lhes que sacrificaria o seu amado touro branco.

A primeira ordem do rei Minos foi banir seus irmãos da ilha para evitar conspirações. As ordens seguintes o tornaram um rei adorado rei cretense. Considerado o homem mais sábio de sua geração, ele aprimorou o sistema de irrigação e as forjas da ilha de Creta. No entanto, cometeu um único erro. Ele se negou a sacrificar seu amado touro branco, entregando outro touro aos deuses em seu lugar. A desobediência fez os deuses transformarem o touro numa criatura monstruosa que lhe causou a morte. Ele foi assim sucedido em seu trono por seu filho Licasto, que nasceu da sacerdotisa Itone. No entanto, nem a morte foi capaz de segurar o sábio rei. Muitas décadas depois, a nova sumo-sacerdotisa da Deusa-Mãe chamada Pasifae, desejando um esposo para si, conjurou o renomado rei Minos do mundo dos mortos para sentar ao seu lado no trono.

Após retornar dos mortos, o rei Minos se tornou cada vez mais arrogante. Ele lançou uma guerra contra a cidade de Atenas para vingar seu filho Androgeu. O príncipe minoano confrontou o monstruoso Touro Branco após se instigado pelo rei Egeu de Atenas, mas acabou morto pela criatura. Ele fez de Atenas uma cidade vassala que deveria pagar tributos a Creta, incluindo sete mulheres e sete homens para serem sacrificados na ilha a cada nove anos como forma de humilhação. Essa ação o colocou em confronto direto com sua esposa Pasifae, que não concordou com ações tão arbitrárias. A situação entre ambos se tornou pior com o nascimento de seu sétimo filho, que apresentou um aspecto monstruoso metade humano, metade touro, que Pasifae considerou uma benção, mas que Minos o rejeitou e o aprisionou.

A relação de Minos e Pasifae sempre foi conturbada. A rainha sabia que o esposo fora infiel no passado, traindo sua então esposa Itone com a amante Androgênia inclusive fazendo um filho nela. No entanto, Pasifae tinha esperanças que em sua nova vida fosse ser diferente. Infelizmente, Minos a traiu com várias mulheres que incluíram Dexiteia, Pária e Prócris. Não ajudou em nada a situação, ele aprisionar o filho Minotauro e o colocar para assassinar os homens e mulheres atenienses.  Afinal, sacrifícios humanos sempre é algo considerado abominável pela rainha Pasifae e pela Deusa-Mãe. A rainha assim planeja o fim desse show de horrores que ocorre a cada nove anos com os tributos atenienses e a expulsão do rei Minos da ilha após a separação do casal.

Gustave Moreau 1826–1898