Cartago

Cidade do Deserto

Governante: Jarbas
Idioma: Egípcio

A região mais árida e inóspita de toda a Terra é Deserto de Faetonte, onde apenas escorpiões e serpentes são capazes de sobreviver. Mas nem sempre foi assim. O próprio nome do deserto recebeu esse nome quando o filho do deus-sol, chamado de Faetonte, descobriu sua ascendência divina. O garoto solicitou ao seu pai divino a oportunidade de conduzir a carruagem de fogo com a qual o deus atravessa o firmamento todos os dias. Enfim, o pai permitiu que o fizesse desde que tivesse cuidado. Foi um desastre! O jovem Faetonte foi incapaz de tomar as rédeas de tão poderoso transporte. Primeiro, ele conduziu a carruagem muito ao alto, causando o quase congelamento de toda a vegetação da Líbia. Depois, conduziu a carruagem muito próxima do solo, o que causou terríveis incêndios e ondas de calor que destruíram toda a vida animal e vegetal.

Quase duzentos anos no passado, um príncipe egípcio chamado Dánao encontrou uma região capaz de suportar a vida humana. Ele atravessou o deserto de Faetonte  e, poucos dias de viagem antes de alcançar as montanhas do Atlas, encontrou o território que chamou de Líbia. Ele montou um sistema de irrigação capaz de iniciar colheitas e conseguiu seu intento de gerar um povoado na região. No entanto, o sucesso atraiu outros problemas. O seu irmão Amenófis, que já alcançara o trono egípcio como o grande faraó do Egito, desejou tomar as terras para si. Ele obrigou as cinquenta filhas de Dánao a se casar com seus cinquenta filhos. O príncipe Dánao deixou suas terras a cargo de sua irmã Lâmia e fugiu com suas filhas para as terras do Hélade.   

Infelizmente, a nova governante Lâmia encontrou problemas de outra natureza. Ela viveu um romance com o divino Zeus e juntos tiveram muitos filhos. Quando a vingativa esposa Hera descobriu o romance, a deusa transformou Lâmia num monstro sanguinário. A verdade é que a própria princesa Lâmia massacrou os habitantes da Líbia. Nem mesmo os próprios filhos escaparam de sua sede de sangue. E, até hoje, a história de princesa sanguinária é contada para assustar crianças nas terras dos povos Medos. Desde então, a região da Líbia se tornou uma grande terra inóspita incapaz de sustentar cidades humanas.

O deserto da Líbia voltou a ser um local inóspito, sem qualquer cidade humana e povoada apenas por animais peçonhentos e tribos nômades. A mais feroz dessas tribos é liderada pelo líder nomádico chamado Jarbas. Os seus guerreiros Numídicos frequentemente ataca embarcações e mercadores que surgem do mar da Talassa. Felizmente, essa situação pode estar prestes a mudar com a chegada de uma princesa vinda do Leste chamada de Dido. Ela traz consigo um grande tesouro que herdou do seu finado esposo e possui o desejo de montar uma cidade no meio desta terra inóspita.

 

Dido e Ana

A princesa Elissa tinha uma vida tranquila nas terras da Fenícia que eram governadas por seu pai Mattan. Ela estava noiva e esperava o dia do seu casamento No entanto, tudo mudou quando elas presenciaram uma terrível cena. Eles viram o próprio irmão Pigmaleão assassinar o seu próprio pai e o noivo dela. A razão desse assassinato ocorreu quando o rei Mattan disse que retiraria o filho incompetente da linha sucessória para favorecer o futuro esposo de Elissa. O rapaz se sentiu traído e os assassinou.

A princesa percebeu os olhos sedentos de sangue do irmão. Percebeu que seria a próxima a morrer. Felizmente, ela conseguiu fugir da cidade levando consigo a irmã Ana e alguns homens ainda fieis ao antigo rei com suas famílias. Eles pagaram um navio cretense para os embarcar e assim desapareceram nos horizontes marinhos abandonando sua terra-natal. Eles desembarcaram nas terras da Líbia e adotaram novos nomes para não serem descobertos. A princesa tomou para si o nome de Dido, como era chamado pelo noivo, para nunca mais esquecer o que seu irmão lhe causou.

 

Ilioneu

O ancião Ilioneu era o fiel conselheiro do rei Mattan da Fenícia. Graças a ele, a princesa Dido e sua irmã Ana conseguiram sobreviver à fúria do seu irmão assassino. Ele quem pagou o navio mercante que os levaram para longe da Fenícia e amealhou todo o tesouro real que conseguiu guardar para a viagem. No entanto, sua missão para sua princesa ainda não acabou. Agora que desembarcaram nas terras da Líbias seus conselho são mais do que o necessário para erguer uma nova morada no povoado que batizaram de “Cartago”.

A princesa precisou se tornar rainha antes do esperado e em circunstância nada favoráveis. Ela não mais é a princesa Elissa. Agora atende pelo nome de rainha Dido. E, certamente, a vida na recém-fundada cidade não está sendo nada fácil. Eles primeiro tiveram que negociar com o sanguinário Jarbas da Numídia que domina a região com sua tribo bárbara. Felizmente, a única razão para não terem sido mortos de imediato por este líder ocorreu pelo desejo dele de se casar com a rainha. No entanto, isso é algo que a rainha abomina, pois não que manchar a lembrança do esposo morto. Ainda mais por alguém tão repugnante quanto Jarbas.  Essa é mais uma das situações que o conselheiro Ilioneu precisa manejar.

 

Bato

A ilha de Malta é um santuário pacífico, onde a hospitalidade sempre é oferecida e a paz é sempre duradoura. Afinal, p rei Bato é conhecido por sua aversão à violência. Mesmo quando o rei Pigmaleão da Fenícia enviou tropas para assassinar as irmãs Dido e Ana, os mercantes cretenses sabiam que nenhum lugar era mais confiável que a ilha de Malta. O rei Bato as recebeu como cordiais palavras: “Minha terra, embora pequena, é também sua!”.

O rei Bato tem se mostrado um excelente aliado para os recém-chegados que fundaram a cidade de Cartago.  Ele ofereceu despistou os assassinos enviados pelo rei Pigmaleão e ordenou que sua embarcação pessoal os levasse para segurança da costa da Líbia. Não há palácios em Malta, nem templos. Eles vivem em cabanas e oram sob a sombra de estruturas rústicas de grandes pedras que se sustentam umas sobre as outras na forma de dólmen. É tudo muito humilde, mas é a recepção de seu rei que faz com que seus convidados voltem à ilha.   

 

Calipso

Cinquenta anos atrás, uma bela naiade da Arcádia que se chamava Pleione foi cortejada pelo guerreiro Órion que ficou obcecado por sua beleza. Ela fugiu de sua perseguição doentia fugindo para o oeste até chegar nas montanhas do Atlas onde se apaixonou pelas montanhas titânicas da região que seguravam o firmamento em seu lugar. O amor de Pleione com as montanhas fizeram com que engravidasse e tivesse muitos filhos. Em seu primeiro parto, ela gerou sete mulheres chamadas de plêiades, que deram origens a muitos povos. Em seu segundo parto, ela gerou cinco mulheres, chamadas de Híades, e um homem chamado Hias cuja morte fez as irmãs chorarem como a chuva. E o seu terceiro parto gerou as três Hesperides, as damas da tarde que guardam do oeste.

Já em idade avançada, a frutífera Pleione teve um novo parto que gerou uma única bela mulher chamada de Calipso. A moça cresceu mais bela que todas as outras, mas sempre se sentiu solitária. Nunca conseguiu criar um vínculo afetivo com suas irmãs que sempre se fecharam nos seus próprios grupos. E assim Calipso abandonou o lar onde nasceu para vagar pelo mundo. Hoje, ela vive na ilha de Malta, sob a proteção do rei Bato. No entanto, a moça sempre demonstrou uma personalidade difícil, provavelmente pelos problemas familiares. Ela se tornou uma mulher com dificuldade em se abrir com outras pessoas, mas quando o faz ela se entrega por completo como se nada mais existisse no mundo. Logo, o afeto se torna algo doentio cheio de ciúme e possessividade. Certamente, a bela Calipso não é alguém fácil de lidar.

 

Fama

Há uma mulher imortal que vive no Deserto de Faeton numa mansão de bronze construída com milhares de orifícios capazes de captar tudo o que se fala, por mais baixo que seja, até mesmos nos confins da Terra, do Céu e do Mar. Ela tem consigo uma trombeta divina capaz de amplificar e propalar suas mensagens. Por séculos, ela foi assim a divindade com o dever de divulgar todas as notícias que vem e que vão aos deuses. Para muitos, ela era a filha da esperança que sempre trazia boas notícias. Para outros, ela era um monstro horrendo que dissemina todo tipo de calamidades. Infelizmente, ela caiu em decadência por se deixar cercar por deuses menores como o Erro, a Falsidade, a Sedição e Boataria.

Antes tão bela e formosa, a divina Fama acreditou que era a supervisora do mundo, pois usava suas rápidas asas com intenção de averiguar a veracidade dos fatos. No entanto, por se preocupar mais com a versão do que com o fato, com fofoca do que com a verdade, o deus Hermes tomou o seu lugar com mensageira dos deuses. Hoje, ela se tornou uma mulher velha, de rosto magro, semioculto sob o manto que lhe cobre a cabeça. Ter o nome propalado pela poderosa trombeta de Fama é o desejo de muitos heróis que vivem na Terra, mas, para aqueles que a conhecem bem, o melhor é ficar bem longe dela.