Calidão

A Cidade cercada por Monstros

Rei: Oneu
Território: Calidônia
Símbolo: O Javali Selvagem

A região da Calidônia foi povoada pelo neto de Deukalião chamado Étlio. Essa região sempre foi a menos povoada dentre os sete territórios de Micenas. A razão disso foi o destino de Endimião, filho de Étlio, que viveu um longo romance com a titã Selene, a deusa-lua. Com o passar dos anos, Endimião foi envelhecendo enquanto a titã Selene se mantinha imortal e imutável. Por isso, a deusa-lua solicitou a Zeus a vida eterna ao amante, mas seu desejo só foi concedido parcialmente. Zeus permitiu que Endimião nunca envelhecesse enquanto estivesse adormecido. Assim, enquanto Endimião hibernava, a região da Calidônia ficou despovoada, livre para ser dominada por povos violentos e  monstros  selvagens.

Hoje, lagartos gigantes, filhos de Tifão, mortos-vivos, górgonas e monstros-javalis permeiam seu território. Só quando Endimião acordou de seu sono secular, o povoamento recomeçou com a fundação da cidade de Calidão por seu filho Étolo. Décadas depois, houve a chegada do grande herói Céfalo e Anfitrião com os exércitos micênicos. Ele livrou estas terras do domínio violento do povo Teleboa e dos ataques de monstros que a circundavam, o que assim assegurou a região. Hoje, o rei Oneus de Calidão, descendente de quinta geração após Endimião, é o representante deste território na aliança dos reis micênicos. No fim, Céfalo tomou a ilha de Ítaca para si, onde fundou uma cidade, hoje, governada pelo seu filho: o rei Arcésio de Ítaca.

A região da Calidôniaé a mais montanhosa de Micenas, o que dificulta a agricultura e o crescimento das cidades. Por essa razão, a maioria das comunidades está localizada na costa do mar Ioniano ou nas margens dos diversos lagos da região. No entanto, as terras da Calidônia são mais conhecidas pelos diversos monstros que nelas vivem do que por sua economia.

As ilhas Estrófades ao Leste são dominadas pelo o povo alado de Micenas de Micenas. No centro da Calidônia, é espantosa existência do grande número de monstros serpentiformes chamados Górgonas. No Norte do Calidônia , há uma passagem para o inferno de Hades, numa região que recebeu o nome de Aornum. Nesse local, o pantanoso rio Aqueronte, que banha o mundo dos mortos, entra em contato com o mundo dos vivos. Não são raros os relatos de mortos-vivos vagando por essa região. Mesmo nos arredores de Calidão, um monstro javali da linhagem do pavoroso Tifão ataca a população e destrói as propriedades. Isso tem sido uma grande dor de cabeça para o rei Oneu que pede ajuda ao Conselho dos Reis. Mesmo seus habilidosos e famosos filhos Meleagro e Toxeu foram incapazes de capturá-lo. Algo precisa ser feito urgentemente.

Assim vive o povo de Calidônia. De um lado, estão preocupados com seus afazeres diários. Do outro, tentam sobreviver aos ataques de tantos monstros. Na verdade, esses monstros são parte das suas vidas diárias da mesma forma que a pesca e o artesanato. Não há como terminar o dia sem ouvir as palavras górgonas, javalis, harpias, mortos-vivos ou lagartos terríveis em suas conversas.


Meleagro e Toxeu

Meleagro e Toxeu são filhos do rei Oneu da Calidão e caçadores reconhecidos em Micenas. Eles sempre defenderam a cidade de terríveis perigos e agora devem defendê-la de um monstro-javali, destruidor de plantações e matador de homens. Felizmente, todos confiam que este novo monstro também será derrotado pelos heróis.

Meleagro, no entanto, possui uma preocupação ainda maior que o monstro-javali. Ele não consegue parar de pensar na mulher guerreira chamada Atalanta desde a primeira que a viu lutar. Ele vem sentindo algo diferente por essa mulher. Poderia ser amor? Essa pergunta lhe tem tirado o sono.

Toxeu é o melhor arqueiro de Calidônia cuja pontaria é impecável. Também é o líder do exército de seu pai, impondo respeito por onde passa. Ele é arrogante, autoconfiante e não nutre amores por ninguém, apenas por si mesmo. Além disso, costuma zombar do irmão por gostar de uma mulher tão máscula quanto Atalanta.

Meleagro: Apd.1.8.1.-3; Dio.4.34.3; Hes.CWE.98; Hyg.Fab.14, 71, 239; Lib.Met.2; Nonn.13.89; Pau.4.2.7, 10.31.4; Plu.PS.26; Stra.10.3.6; Val.1.435.

Toxeus:  Ov.Met.8.299ff., 8.441.

 

Atalanta

Peter Paul Rubens 1577 – 1640

A guerreira Atalanta nunca conheceu o seu pai. Este desejava um filho homem e, quando sua filha nasceu, desapontado a rejeitou. Ela foi deixada nas montanhas para morrer, mas, nutrida por uma ursa que cuidou dela por muitos anos, sobreviveu até finalmente ser encontrada por caçadores locais.

Por ter crescido na vida selvagem, ela se tornou uma feroz caçadora. Ela atribui a sua sobrevivência aos deuses Hades e Perséfone que lhe enviaram a ursa-mãe. E, em respeito aos deuses, tomou um voto de virgindade. Hoje, ela vive em busca de emoção, percorrendo toda Micenas para nutrir esse vício.

Atalanta prefere viver nas florestas, ficando desconfortável em grandes centros urbanos. Assim, as terras da Calidônia são as suas preferidas devido o número de desafios que a proporcionam. Ela não sabe da paixão que Meleagro nutre por ela. Mesmo que soubesse, não faria diferença, pois não há espaço para romances em sua vida.

Apd.1.8.2, 3.9.2, 1.9.16; Cal.Ar.215; Dio.4.34.4; Hes.CWE.14; Hyg.Fab.71; Soph.OC.1320; Prop.1.1.15; Stat.Theb.4.309; Pau.8.35.10.

 

Drias

O heroico Drias nasceu nas terras selvagens da Trácia, algo percebido por suas atitudes rudes e maneiras grosseiras, mas vive nas florestas da Calidônia, onde sobrevive de sua caça. Ele percorre essas terras em busca de desafios. Ele adora combater os terríveis monstros da região.

Drias é considerado o maior guerreiro de Calidônia e um dos maiores de Micenas. Além disso, para incrementar a lenda sobre sua pessoa, quando perguntado sobre seu pai, ele fala ser filho de Ares, o deus da guerra. Para muitos, suas habilidades em combate são prova o bastante disso. No entanto, recentemente, ele recebeu uma profecia de que será morto pelo próprio irmão embora nem soubesse que tinha um irmão.

[Apd.1.8.2; Hes.SH.179; Hyg.Fab.45, 173].

 

Aqueloo

Aqueloo é considerado o mais poderoso guerreiro entre os povos que vivem sob as águas de Micenas. Ele reside no rio que recebeu seu nome na região ao norte da Calidônia onde comanda uma poderosa comunidade de oceanidas.

O príncipe Tritão pode até ser o sucessor dos domínios marinhos, mas o seu nome não causa o mesmo pavor e respeito quanto o nome de Aqueloo. Atualmente, este líder subaquático está noivo da princesa Dejanira, filha do rei Oneu da Calidão. Essa união fortalecerá os laços entre o povo submerso e o povo do da terra seca.

(Apd.1.7.3, 1.7.10, 3.7.5; Apd.Ep.7.18; Arg.4.893; Eur.Bacc.519; Hes.The.338ff.; Hyg.Fab.31; Pau.2.2.3, 10.8.9; Pla.Phae.263D).

 

Ártemis

Guillaume Seignac 1870 – 1924

Ártemis, filha de Zeus e de Leto, deusa titã do desconhecido, é irmã gêmea de Apolo e possui o controle sobre a vida selvagem e sobre a arte da caça. Ela aprendeu sua habilidade após ter sido presenteada por seu pai com o arco e flechas de prata construído por Hefesto, deus da forja. É conhecida como ‘Senhora-dos-Animais’ ou ‘das-Terras-Selvagens’. No entanto, as habilidades violentas de Ártemis não refletem na sua personalidade. Ela é a mais pura e casta das deusas e, como tal, foi ao longo dos tempos uma fonte inesgotável da inspiração dos artistas.

O seu mito começa logo ao nascimento quando Zeus tem um romance fora do casamento com a titã Leto, deusa de desconhecido. Quando Hera, esposa de Zeus, soube da traição do marido, incorreu-lhe uma ira perversa. Ela enviou a serpente Píton para perseguir a grávida Leto. Ao contrário de seu irmão gêmeo Apolo que nasceu depois, não houve dificuldade no parto de Ártemis, quando escondida da Píton na ilha de Ortigia. Ártemis traz o semblante de caçadora vestida de túnica, calçada de coturno, trazendo aljava cheia de flechas sobre a espádua e o arco de prata na mão. Ela é constantemente vista acompanhada pelas ninfas da floresta, tendo a fronte ornada de um crescente. Ela é conhecida como a rainha dos bosques.

Muitos pretendentes desejaram entrar embaixo dos lençóis de Ártemis. Otos e Efialtes, gigantes filhos de Poseidon, ameaçaram tomar Ártemis como esposa, mesmo que a força. A astuciosa deusa saltou em meio aos dois gigantes, os desafiando. Ambos faleceram atingindo um ao outro com suas lanças. Sipriotes acidentalmente entrou nos aposentos de Ártemis enquanto esta tomava banho e pensou que podia convencer a deusa para entrar na banheira. Ele acabou transformado em uma mulher. Boufagos também tentou dormir com ela à força, mas acabou arremessado até o outro lado do monte Foloe. Mesmo de outros que tentaram cortejá-la educadamente, ela acabava se escondendo como o insistente Alfeu, filho do titã Oceano, que a obrigou a se camuflar na lama.

O único homem que encantou Ártemis foi Orion, o amor de sua vida. A deusa estava perdidamente apaixonada por este hábil caçador com quem queria se desposar. No entanto, o enciumado irmão Apolo impediu o enlace desse romance com uma perfídia. Ártemis estava numa praia quando foi desafiada por Apolo a atingir, com sua flecha, um ponto negro na água que, de tão distante, mal se distinguia. Ártemis, toda vaidosa e orgulhosa de suas habilidades, prontamente retesou o arco e atingiu o alvo. Espumas ensanguentadas substituíram o azul do mar. Era Orion que ali nadava, fugindo de um imenso escorpião criado por Apolo para persegui-lo.

Ao descobrir do desastre, Ártemis, cheia de desespero pela morte de Orion, conseguiu de Zeus transformar, ambas a vítima e o escorpião, em constelações. Quando a constelação de Orion se põe no horizonte, a de escorpião nasce, sempre o perseguindo, mas sem nunca o alcançar. Depois de Orion, Ártemis nunca amou novamente.