Argos

A Capital em Decadência

Rei: Adrasto
Território: Argólida
Símbolo: A Serpente Sibilante

Argos foi a primeira cidade da Era de Bronze, fundada por Foroneu, o primeiro homem nascido em Micenas após o grande dilúvio. A família de Perseu só chegou nestas terras cinco gerações depois quando o rei fugitivo Dánao da desértica Líbia tomou asilo nela. Com ele, veio seu genro Linceu que se tornou regente da cidade e começou a dinastia cujo descendente mais proeminente seria o próprio Perseu.

A própria história da civilização é contada através dos soberanos da cidade, pois cada um dos quinze reis de Argos divide a história em quinze gerações desde o dilúvio ocasionado por Zeus até a época atual. São eles:

1o Reinado: Foroneu
2o Reinado: Argo, neto do anterior,
3o Reinado: Forbas, filho do anterior,
4o Reinado: Triopas, filho do anterior,
5o Reinado: Íaso, filho do anterior,
6o Reinado: Crotopo, sobrinho do anterior,
7o Reinado: Pelasgo, o sorridente “Gelanor”, neto do anterior,
8o Reinado: Dánao, nova dinastia (vindo do Egito),
9o Reinado: Linceu, genro do anterior,
10o Reinado: Abas, filho do anterior
11o Reinado: Acrísio, filho do anterior,
12o Reinado: Megapente, sobrinho do anterior,
13o Reinado: Bias, nova dinastia (irmão de Melampo),
14o Reinado: Talau, filho do anterior
15o Reinado: Adrasto, filho do anterior,

Infelizmente, a importância política da cidade começou a declinar quando os gêmeos Acrísio e Préto entraram em guerra pelo controle da cidade. As lendas contam que os irmãos brigaram desde o útero materno até a morte de ambos, já anciãos, em situações em nada relacionadas com o conflito. O rei Acrísio morreu quando o heroico Perseu participava de uma competição esportiva de arremesso de disco. O disco por puro azar ou providência divina acertou Acrísio na cabeça e o matou instantaneamente.

O heroico Perseu deveria ter sucedido o avô no governo da cidade, mas envergonhado renunciou ao trono e entregou a cidade ao seu primo Megapente, filho de Préto, o homem que tanto lutou para conquistá-la. Infelizmente, terríveis decisões tomadas por Megapente acabaram por acelerar a decadência da cidade, o que o levou a trair o próprio amigo Perseu, que o colocou no trono.

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Henry Fuseli 1741–1825

Sociedade

A razão de tão terrível ato de traição por parte do rei Megapente foi nada menos que o puro desespero. O seu filho Anaxágoras fez uma dívida com o famoso profeta Mélampo, que o obrigaria entregar dois terços de todo o seu reino. No entanto, Megapente não esperava que a vingança dos filhos de Perseu impedisse seus planos, o condenasse à morte e removesse seus filhos da linha sucessória.

A cidade foi assim entregue ao profeta Mélampo, cujos descendentes governam a cidade até hoje. Foi seu irmão Bias quem primeiro assumiu o trono. Este foi sucedido pelo filho Talau. E, seguindo essa linha sucessória, hoje é Adrasto quem governa a cidade. No entanto, recentemente, este rei se envolveu numa disputa bastante controversa. Ele casou suas duas filhas com dois príncipes desgraçados de diferentes cidades: Tideu de Calidão e Polinices de Teba, que foram ambos exilados por seus compatriotas. A controvérsia desses casamentos está no desejo de ambos os príncipes de reclamar o direito de Polinices ao trono de Tebas, que foi usurpado pelo seu irmão. Assim, uma guerra entre Tebas e Argos está prestes a acontecer e a população não está nada feliz com isso.

 

Tideu e Polinices

Quando o rei Édipo de Tebas cegou os próprios olhos e deixou sua cidade em auto-exílio, a sucessão da cidade passou para seus filhos Etéocles e Polinices. Infelizmente, a habilidade que Polinices possui para a guerra é tão grande quanto aquela que Etéocles possui para política. Com apenas um ano de governo conjunto, Etéocles baniu seu irmão de Tebas, que foi obrigado a buscar asilo em Argo.

Quando chegou na cidade de Argos, Polinices encontrou Tideu pela primeira vez numa taverna local. Eles se enfrentaram num duelo de espadas que causou tanta algazarra que o rei Adrasto da cidade foi chamado para intervir. O rei ficou espantado, pois tinha um sonho recorrente de um leão e um javali entrando em seu palácio. Como Polinices veio de Tebas, cujo símbolo da cidade é uma mulher-leão, e Tideu veio de Calidão, cujo símbolo é um javali gigante, o rei tomou esse ocorrido como um presságio e casou suas duas filhas Deipile e Árgia com eles.

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Giovanni Batista Tiepolo 1696 – 1770

Tideu é o filho primogênito do rei Oneus de Calidão, mas a fama de sua espada o procede. Todos creem que ele possui o potencial para se tornar o maior dos heróis micênicos. Infelizmente, lhe faltam a correta atitude e o necessário altruísmo. Afinal, ele já foi expulso de Calidão por assassinato, chegando em Argos como um criminoso no exato mesmo dia emque Polinices.

Tideu e Polinices acabaram criando uma amizade verdadeira e estão determinados a juntos atacar a cidade de Tebas. Depois, quem sabe, será a vez de Calidão também. Com esse fim, um grande exército está sendo erguido com a benção do sogro. São sete generais que estão prontos para atacar. São chamados de os “Sete contra Tebas”.

 

Ídmon

 Quando Megapente caiu em desgraça, dois terços das terras de Argos foram entregues ao profeta Mélampo. Este profeta, no entanto, nunca desejou a realeza para si ou para seus filhos. Ele entregou o total controle do governo e um terço das terras da cidade para seu irmão Bias e preferiu treinar seus filhos na arte da profecia.  Seus dois filhos, Abas poderoso e Mantio contraditório, morreram como heróis. Agora, a geração de seus netos é representada por Oicles, filho de Abas, que recentemente partiu ao lado do herói Héracles para combater perigos no mar de Troia, e por Ídmon, que embarcou no navio dos Argonautas para buscar o Tosão de Ouro nas terras Cólquidas.

Antes de partir, Ídmon teve uma profecia terrível. Ele teve a visão de sua própria morte em terras distantes do Leste. É exatamente o lugar para onde está decidido a partir na viagem com os demais Argonautas. No entanto, nem a morte é capaz de impedir o herói de faze o que é certo. Mesmo sabendo que está indo ao encontro de sua morte, ele embarcou rumo à terra dos Cólquidas.

 

Alector

Mesmo com a justificada morte de Megapente por seus crimes pelas mãos dos filhos de Perseu, um terço das terras de Argos ainda pertence à família de Megapente embora seus descendentes tenham perdido os direitos políticos ao trono. O patriarca da família é Alector, que hoje é um ancião que mal tem forças para caminhar através de sua casa. No entanto, bem se pode dizer que toda desgraça que recaiu sobre sua família foi por sua causa, visto que as dívidas que o rei Megapente contraiu foram para curar a infertilidade do seu filho Anaxágoras. O profeta Melampo foi tão bem sucedido em seu tratamento que Anaxágoras gerou o filho Alector.

Já no fim de sua vida, Alector não quer saber de intrigas políticas e guerras sangrentas, mas seus descendentes são mais ousados. Seu filho Ífis embarcou no navio dos Argonautas para buscar o Tosão de Ouro nas terras Cólquidas. O neto Capaneus deseja participar da guerra contra Tebas. E o neto Estenelo é uma criança ainda, mas já mostra o mesmo interesse pelas armas. O ancião tenta aconselhar os mais jovens para não buscarem caminhos violentos, mas estes parecem não querer escutá-lo.

 

Anfiarau

A família de Melampo realmente tem o heroísmo e o dom profecia correndo no sangue de seus descendentes. Mantio, Abas, Oicles e Ídmon são alguns dos seus filhos e netos que fizeram fama. No entanto, nenhum causou mais espanto quanto o bisneto Anfiarau. Mal completou vinte anos de idade e este jovem já tem se mostrado um prodígio. Ele já é comparado ao próprio Oráculo de Delfi. Infelizmente, nem sempre saber do futuro é uma dádiva. O rapaz está atualmente apaixonado pela bela Eurifile. No entanto, seus dons proféticos já revelaram que a moça só irá fazê-lo sofrer. Ela o maltratará, o trairá e o desrespeitará. O profeta Anfiarau sabe de tudo isso, mas seu amor pela moça é superior. Ele está determinado a suportar tudo para ficar ao lado dela.

Além disso, como seu aventureiro pai Oicles está em viagem pelas terras do Leste, Anfiarau está encarregado das decisões da sua Casa e o rei Adrasto está pressionando para que Anfiarau participe da campanha contra a cidade de Tebas. É algo que ele tem rejeitado com veemência. Afinal, ele considera desonrosa a decisão de Polinices em saquear a cidade de seus ancestrais; considera Tideu um assassino de língua venenosa; e considera que as intenções de Adrasto foram deturpadas pelos maus conselhos de ambos. Ainda assim, com a pressão para sua Casa os acompanhar aumentando, tem sido cada vez mais difícil manter essa negativa.