Revelação

I

Livros do Arbítrio

Capítulo 1 – Criação

  1. Quando não havia firmamento acima, nem terra abaixo, nem alturas, nem profundezas, muito menos qualquer nomeação, havia apenas as águas salgadas da DESORDEM, o útero do universo, e as águas doces do PRINCÍPIO, o iniciador da criação.
  2. Não havia para DEUS um nome, natureza ou propósito.
  3. Então a partir do PRINCÍPIO e da DESORDEM, nas águas dele e dela, os SOPROS DIVINOS foram exalados, e para dentro das águas a terra se precipitou.
  4. As ÁGUAS-SUPERIORES e as ÁGUAS-INFERIORES, foram então nomeadas; nem bem antigas, nem bem formadas.
  5. Então, DEUS, SENHOR DO CÉU E DA TERRA, as dominou, expandindo as linhas do céu e da terra, para onde os horizontes se encontram, separando o que era celestial do que era terreno.
  6. Dias seguiram outros dias, anos seguiram outros anos, até que o CÉU, o firmamento desabitado, herdeiro e conquistador, primeira criação de Deus, fez nascer o CRIADOR à imagem de sua própria natureza.
  7. Ele era a inteligência, a sabedoria, maior do que o horizonte dos céus, o mais forte dentre os seus pares.
  8. O CRIADOR então rasgou o manto de glória flamejante e a coroa do PRINCÍPIO, tomando para si a auréola de rei. Por sobre o abismo, à distância, ele construiu sua casa e templo.
  9. Ali, com toda magnificência, ele foi viver com sua consorte: a DIVINA PRESENÇA.
  10. Naquela sala, no ponto das decisões onde o que deve ser é pré-determinado, foi concebido o mais sagaz, aquele que veio do poder mais absoluto em ação.
  11. No abismo profundo, ele foi concebido; a PALAVRA foi concebida no coração do PRINCÍPIO. A PALAVRA foi criada no coração do sagrado PRINCÍPIO.
  12. O CRIADOR é seu pai. A DIVINA PRESENÇA a ela deu à luz, ambos pai e mãe. Ela foi amamentada pelas RESPIRAÇÕES DIVINAS, suas amas que lhe dotaram de grande poder.
  13. Ó PALAVRA, o maior de todos os grandes SOPROS DIVINOS, honra e fama, vontade da COROA CELESTIAL, grande no comando, palavra eterna e inalterada!”
  14. “Onde houver ação, a PALAVRA é o primeiro a agir. Onde houver governo, a PALAVRA é o primeiro a governar, para dar glória a uns, para humilhar outros.”
  15. O CRIADOR disse: – “Parta agora. Elimine a DESORDEM, e que os ventos carreguem seu sangue até os limites mais secretos do mundo!”
  16. Ele seguiu na direção do som crescente da ira da DESORDEM, com todos os SOPROS DIVINOS a seu lado.
  17. Mas a DESORDEM, sem virar seu pescoço, cuspiu em desafio: – Arrogante, pensas que és o maior de todos?
  18. Então ela encontrou a PALAVRA e engalfinhou-se com ele num combate corpo a corpo.
  19. A PALAVRA lançou sua rede para prender a DESORDEM, e o implacável vento da EXPIRAÇÃO veio por trás e bateu na face da DESORDEM.
  20. Quando ela abriu a boca para engolir a PALAVRA, o jovem SOPRO DIVINO empurrou a EXPIRAÇÃO para dentro dela, de modo que a boca não se fechasse e que o vento rugisse na sua barriga.
  21. A DESORDEM escancarou sua boca, e então a PALAVRA disparou a flecha que lhe cortou as entranhas, que atingiu seu estômago e o útero da criação.
  22. Agora que a PALAVRA havia conquistado a DESORDEM, ele terminou com a vida dela. Ele atirou-a ao chão, subindo em sua carcaça.
  23. O jovem SOPRO DIVINO enfim descansou. Ele olhou para o corpo amplo da DESORDEM, ponderando sobre como usá-lo, o que criar a partir da carcaça morta.
  24. Ele abriu o corpo da DESORDEM em dois. Com a primeira metade, a superior, ele construiu o arco dos céus, ele empurrou para baixo uma barra e fez uma guarda para as águas, para que estas jamais pudessem escapar.
  25. Ele cruzou o céu para examinar a distância infinita; ele se posicionou acima do PRINCÍPIO, aquele PRINCÍPIO construído pelo CRIADOR sobre o antigo abismo que agora ele examinou, medindo e marcando.
  26. Ele estendeu a imensidão do firmamento, ele fez o TABERNÁCULO, o Grande Palácio, à sua imagem terrena, e ali a COROA CELESTIAL, o TRONO DIVINO e o CRIADOR tiveram suas estações certas.
  27. Então, surgiu dentro da PALAVRA o desejo de criar um trabalho da mais completa de todas as artes.
  28. Ele contou para o CRIADOR os pensamentos profundos que estavam em seu coração: – Sangue com sangue, eu junto. Sangue a osso, eu formo.
  29. Ele disse: – “Eu crio algo original, cujo nome será HOMEM e MULHER, os seres humanos originais cuja feitura foi minha obra”.
  30. O PALAVRA chamou os Grandes SOPROS DIVINOS à Assembleia, ele presidiu a Assembleia com cortesia, ele deu instruções a todos eles, que o escutaram com grave atenção.
  31. O rei falou: – Declarem, sob juramento, que falem a verdade e respondam: quem instigou a rebelião? Quem despertou a DESORDEM? Quem liderou a batalha?
  32. Que o instigador da guerra seja entregue, que seja considerado culpado e receba punição, e que a paz reine entre vocês para sempre!
  33. Eles responderam ao Senhor do Universo, rei e conselheiro: – Foi o PECADO quem instigou a rebelião, ele levantou as águas da amargura e liderou a batalha por ela.
  34. Eles declararam o PECADO culpado, eles o prenderam e o fizeram se ajoelhar frente ao CRIADOR, eles cortaram suas artérias e do seu sangue criaram os homens e mulheres.

Capítulo 2 – Jardim do Éden

  1. Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
  2. Deus os abençoou, e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra”.
  3. Disse Deus: “Eis que lhes dou todas as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes. Elas servirão de alimento para vocês.
  4. E dou todos os vegetais como alimento a tudo o que tem em si fôlego de vida: a todos os grandes animais da terra, a todas as aves do céu e a todas as criaturas que se movem rente ao chão”. E assim foi.
  5. Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom.
  6. Ele colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo. E ordenou ao homem: “Coma livremente de qualquer árvore do jardim”
  7. “Mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá”.
  8. Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: “Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’? “
  9. Respondeu a mulher à serpente: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim”
  10. “Mas Deus disse: Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão”.
  11. Disse a serpente à mulher: “Certamente não morrerão!
  12. Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal”.
  13. Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também.
  14. Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus; então juntaram folhas de figueira para cobrir-se.
  15. Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Senhor Deus que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim.
  16. Mas o Senhor Deus chamou o homem, perguntando: “Onde está você? “
  17. E ele respondeu: “Ouvi teus passos no jardim e fiquei com medo, porque estava nu; por isso me escondi”.
  18. E Deus perguntou: “Quem lhe disse que você estava nu? Você comeu do fruto da árvore da qual lhe proibi comer? “
  19. Disse o homem: “Foi a mulher que me deste por companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi”.
  20. O Senhor Deus perguntou então à mulher: “Que foi que você fez? ” Respondeu a mulher: “A serpente me enganou, e eu comi”.
  21. Então o Senhor Deus declarou à serpente: “Já que você fez isso, maldita é você entre todos os rebanhos domésticos e entre todos os animais selvagens! Sobre o seu ventre você rastejará, e pó comerá todos os dias da sua vida.
  22. Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar”.
  23. À mulher, ele declarou: “Multiplicarei grandemente o seu sofrimento na gravidez; com sofrimento você dará à luz filhos. Seu desejo será para o seu marido, e ele a dominará”.
  24. E ao homem declarou: “Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual eu lhe ordenara que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida.
  25. Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das plantas do campo.
    Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó e ao pó voltará”.
  26. Adão deu à sua mulher o nome de Eva, pois ela seria mãe de toda a humanidade.
  27. O Senhor Deus fez roupas de pele e com elas vestiu Adão e sua mulher.
  28. Então disse o Senhor Deus: “Agora o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Não se deve, pois, permitir que ele também tome do fruto da árvore da vida e o coma, e viva para sempre”.
  29. Por isso o Senhor Deus o mandou embora do jardim do Éden para cultivar o solo do qual fora tirado.
  30. Depois de expulsar o homem, colocou a leste do jardim do Éden querubins e uma espada flamejante que se movia, guardando o caminho para a árvore da vida.

Capítulo 3 – Caim e Abel

  1. Adão teve relações com Eva, sua mulher, e ela engravidou e deu à luz Caim. Disse ela: “Com o auxílio do Senhor tive um filho homem”.
  2. Voltou a dar à luz, desta vez a Abel, irmão dele. Abel tornou-se pastor de ovelhas, e Caim, agricultor.
  3. Passado algum tempo, Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor.
  4. Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho. O Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta,
  5. mas não aceitou Caim e sua oferta. Por isso Caim se enfureceu e o seu rosto se transtornou.
  6. O Senhor disse a Caim: “Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto?
  7. Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo”.
  8. Disse, porém, Caim a seu irmão Abel: “Vamos para o campo”. Quando estavam lá, Caim atacou seu irmão Abel e o matou.
  9. Então o Senhor perguntou a Caim: “Onde está seu irmão Abel? ” Respondeu ele: “Não sei; sou eu o responsável por meu irmão? “
  10. Disse o Senhor: “O que foi que você fez? Escute! Da terra o sangue do seu irmão está clamando.
  11. Agora amaldiçoado é você pela terra, que abriu a boca para receber da sua mão o sangue do seu irmão.
  12. Quando você cultivar a terra, esta não lhe dará mais da sua força. Você será um fugitivo errante pelo mundo”.
  13. Disse Caim ao Senhor: “Meu castigo é maior do que posso suportar.
  14. Hoje me expulsas desta terra, e terei que me esconder da tua face; serei um fugitivo errante pelo mundo, e qualquer que me encontrar me matará”.
  15. Mas o Senhor lhe respondeu: “Não será assim; se alguém matar Caim, sofrerá sete vezes a vingança”. E o Senhor colocou em Caim um sinal, para que ninguém que viesse a encontrá-lo o matasse.
  16. Então Caim afastou-se da presença do Senhor e foi viver na terra de Node, a leste do Éden.
  17. Caim teve relações com sua mulher, e ela engravidou e deu à luz Enoque. Depois Caim fundou uma cidade, à qual deu o nome do seu filho Enoque.
  18. A Enoque nasceu-lhe Irade, Irade gerou a Meujael, Meujael a Metusael, e Metusael a Lameque.
  19. Lameque tomou duas mulheres: uma chamava-se Ada e a outra, Zilá.
  20. Ada deu à luz Jabal, que foi o pai daqueles que moram em tendas e criam rebanhos.
  21. O nome do irmão dele era Jubal, que foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta.
  22. Zilá também deu à luz um filho, Tubalcaim, que fabricava todo tipo de ferramentas de bronze e de ferro. Tubalcaim teve uma irmã chamada Naamá.
  23. Disse Lameque às suas mulheres: “Ada e Zilá, ouçam-me; mulheres de Lameque, escutem minhas palavras: Eu matei um homem porque me feriu, e um menino, porque me machucou.
  24. Se Caim é vingado sete vezes, Lameque o será setenta e sete”.
  25. Novamente Adão teve relações com sua mulher, e ela deu à luz outro filho, a quem chamou Sete, dizendo: “Deus me concedeu um filho no lugar de Abel, visto que Caim o matou”.
  26. Também a Sete nasceu um filho, a quem deu o nome de Enos. Nessa época começou-se a invocar o nome do Senhor.

Capítulo 4 – Azaziel

  1. Aconteceu depois que os filhos dos homens se multiplicaram naqueles dias, nasceram-lhe filhas, elegantes e belas.
  2. Quando os Guardiães, os filhos de Sete, viram-nas, enamoraram-se delas, dizendo uns para os outros: Vamos, selecionemos para nós mesmos esposas da progênie dos homens, e geremos filhos.
  3. Então seu líder Samyaza disse-lhes: Eu temo que talvez vocês possam indispor-se na realização deste empreendimento; e que só eu sofrerei por tão grave crime.
  4. Mas eles responderam-lhe e disseram: Nós todos juramos que nós não mudaremos nossa intenção mas executamos nosso empreendimento projetado.
  5. Então eles juraram todos juntos, e todos se amarraram por mútuo juramento. Todo seu número era duzentos, os quais descendiam de Ardis, nos dias de Jared, o qual é o topo do monte Armon.
  6. Aquele monte portanto foi chamado Hermon, porque eles tinham jurado sobre ele, e amarraram-se por mútuo juramento.
  7. Então eles tomaram esposas, cada um escolhendo por si mesmo; as quais eles começaram a abordar, e com as quais eles coabitaram, ensinando-lhes sortilégios, encantamentos, e a divisão de raízes e árvores.
  8. E as mulheres conceberam e geraram gigantes, cuja estatura era de trezentos cúbitos. Estes devoravam tudo o que o labor dos homens produzia e tornou-se impossível alimentá-los.
  9. Então eles voltaram-se contra os homens, a fim de devorá-los; e começaram a ferir pássaros, animais, répteis e peixes, para comer sua carne, um depois do outro, e para beber seu sangue.
  10. Então a terra reprovou os injustos.
  11. Azazyel ensinou os homens a fazerem espadas, facas, escudos, armaduras, a fabricação de espelhos e a manufatura de braceletes e ornamentos,
  12. Também o uso de pinturas, o embelezamento das sobrancelhas, o uso de todo tipo selecionado de pedras valiosas, e toda sorte de corantes, para que o mundo fosse alterado.
  13. A impiedade foi aumentada, a fornicação multiplicada; e eles transgrediram e corromperam todos os seus caminhos.
  14. Amazarak ensinou todos os sortilégios e divisores de raízes; e Armers ensinou a solução de sortilégios;
  15. Barkayal ensinou a observação das estrelas; e Akibeel ensinou sinais; Tamiel ensinou astronomia; e Asaradel ensinou o movimento da lua.
  16. E os homens, sendo destruídos, clamaram, e suas vozes romperam os céus.
  17. Enoque esteve escondido; e nenhum dos filhos dos homens sabia onde ele estava, onde ele havia estado, e o que havia acontecido.
  18. Ele esteve totalmente engajado com os santos, e com os Observadores em seus dias. Ele foi abençoado pelo grande Senhor e Rei da paz; e eis que os Observadores o chamaram “Enoque, o escriba”.
  19. Então o Senhor lhe disse: Enoque, escriba da retidão, vai e dize aos Observadores dos céus, os quais desertaram o alto céu e seu santo e eterno estado, os quais foram contaminados com mulheres.
  20. E fizeram como os filhos dos homens fazem, tomando para si esposas, e os quais têm sido grandemente corrompidos na terra;
  21. Que na terra eles nunca obterão paz e remissão de pecados. Pois eles não se regozijarão em sua descendência.
  22. Eles verão a matança dos seus bem-amados; lamentarão a destruição dos seus filhos; e farão petição para sempre; mas não obterão misericórdia e paz.
  23. Então Enoque, passando ali, disse a Azazyel: Tu não obterás paz. Uma grande sentença há contra ti. Ele te amarrará; Socorro, misericórdia e súplica não estarão contigo por causa da opressão que tens ensinado; por causa de todo ato de blasfêmia, tirania e pecado que tens revelado aos filhos dos homens.
  24. Então partindo dele, falei a eles todos juntos. E eles todos ficaram apavorados, e tremeram.
  25. E eis que um sonho veio a mim, e visões apareceram acima de mim. E caí e vi uma visão de castigos, para que eu pudesse relatá-la aos filhos dos céus, e reprová-los.
  26. Quando eu acordei fui até eles. Todos estavam reunidos chorando em Oubelseyael, que está situada entre o Libano e Seneser, com suas faces escondidas.
  27. E relatei em sua presença todas as visões que eu havia visto, e meu sonho; e comecei a pronunciar estas palavras de retidão, reprovando os Observadores do céu.
  28. Eu percebi em meu sonho que eu estava então falando com a língua da carne, e com meu fôlego, que o Poderoso colocou na boca dos homens, para que eles pudessem conversar com Ele.
  29. Eu entendi com o coração. Assim como Ele havia criado e dado aos homens o poder de compreender a palavra de entendimento, assim ele e deu a mim o poder de reprovar os Sentinelas, a geração dos céus.
  30. O Julgamento passou sobre eles: O pedido de vocês não será atendido. De agora em diante, nunca ascenderão ao céu; Ele o disse que na terra Ele vos amarrará, tanto tempo quanto o mundo existir.
  31. Mas antes destas coisas vocês verão a destruição dos seus bem-amados filhos; vocês não os possuirão,  eles cairão diante de vocês pela espada.
  32. Nem pedirão por eles, nem por vocês mesmos; assim também, a despeito de suas lágrimas e orações, não receberão nada, de tudo o que está contido nos registros que eu tenho escrito.
  33. Eis que nuvens e névoa me convidaram. Estrelas agitadas e brilho de relâmpagos impeliram-me e pressionaram-me adiante, enquanto ventos na visão assistiram meu voo, acelerando meu progresso.
  34. Eles elevaram-me no alto ao céu. Eu prossegui, até que cheguei próximo de um muro construído com pedras de cristal. Uma língua de fogo vibrante o rodeou, a qual começou a lhe golpear com terror.
  35. Nesta língua de fogo vibrante eu entrei; e aproximei-me de uma espaçosa habitação, também construída com pedras de cristal.
  36. Seus muros também, bem como o pavimento, eram formados com pedras de cristal, e de cristal também era o piso.
  37. Seu telhado tinha a aparência de estrelas agitadas e brilhos de relâmpagos; e entre eles haviam querubins de fogo num céu tempestuoso.
  38. Uma chama queimava ao redor dos muros; e seu portal queimava com fogo. Quando eu entrei nesta habitação, ela era quente como fogo e frio como o gelo.
  39. Nenhum traço de encanto ou de vida havia lá. O terror sobrepujou-me, e um tremor de medo apoderou-se de mim. Violentamente agitado e tremendo, eu caí sobre minha face.
  40. Na visão eu olhei. E vi que lá havia outra habitação mais espaçosa que a primeira, cada entrada da qual estava aberta diante de mim, elevada no meio da chama vibrante.
  41. Tão grandemente superou em todos os pontos, em glória, em magnificência, em magnitude, que é impossível descrever-vos o esplendor ou a extensão dela.
  42. Seus pisos eram de fogo, acima haviam relâmpagos e estrelas agitadas, enquanto o telhado exibia um fogo ardente. Eu examinei-a atentamente e vi que ela continha um trono exaltado.
  43. A aparência do qual era semelhante à da geada, enquanto que sua circunferência assemelhava-se à órbita do sol brilhante; e havia a voz de um querubim.
  44. Debaixo desse poderoso trono saíam rios de fogo flamejante. Olhar para ele foi impossível.
  45. Alguém grande em glória assentava-se sobre ele, cujo manto era mais brilhante que o sol, e mais branco que a neve.
  46. Nenhum anjo era capaz de penetrar para olhar a Sua face, o Glorioso e Fulgente; nem podia algum mortal o ver. Um fogo flamejante o rodeava.
  47. Também um fogo de grande extensão continuava a elevar-se diante Dele; de modo que nenhum daqueles que estavam ao redor eram capazes de se aproximar-se, entre as miríades de miríades que estavam adiante.
  48. Para Ele santa consulta era desnecessária. Contudo, o Santificado, que estava próximo Dele, não apartou-se Dele nem de noite nem de dia; nem eram eles tirados de diante Dele.
  49. Eu também estava tão adiantado, com um véu sobre minha face, e trêmulo. Então o Senhor com sua própria boca chamou-me, dizendo: Aproxima-se aqui acima, Enoque, ouve a minha santa palavra.
  50. E Ele ergueu-me, fazendo aproximar-me, mesmo até à entrada. Meus olhos estavam dirigidos para o chão.

Capítulo 5 – Noé

  1. Quando os homens começaram a multiplicar-se na terra e lhes nasceram filhas, os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram bonitas e escolheram para si aquelas que lhes agradaram.
  2. Então disse o Senhor: “Por causa da perversidade do homem, meu Espírito não contenderá com ele para sempre; e ele só viverá cento e vinte anos”.
  3. Naqueles dias havia nefilins na terra, e também posteriormente, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos. Eles foram os heróis do passado, homens famosos.
  4. O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal.
  5. Então o Senhor arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra; e isso cortou-lhe o coração.
  6. Disse o Senhor: “Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, os homens e também os animais grandes, os animais pequenos e as aves do céu. Arrependo-me de havê-los feito”.
  7. A Noé, porém, o Senhor mostrou benevolência.
  8. Esta é a história da família de Noé: Noé era homem justo, íntegro entre o povo da sua época; ele andava com Deus.
  9. Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.
  10. Ora, a terra estava corrompida aos olhos de Deus e cheia de violência.
  11. Ao ver como a terra se corrompera, pois toda a humanidade havia corrompido a sua conduta,
  12. Deus disse a Noé: “Darei fim a todos os seres humanos, porque a terra encheu-se de violência por causa deles. Eu os destruirei juntamente com a terra.”
  13. “Você, porém, fará uma arca de madeira de cipreste; divida-a em compartimentos e revista-a de piche por dentro e por fora.”
  14. “Eis que vou trazer águas sobre a terra, o Dilúvio, para destruir debaixo do céu toda criatura que tem fôlego de vida. Tudo o que há na terra perecerá.”
  15. “Mas com você estabelecerei a minha aliança, e você entrará na arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos.”
  16. “Faça entrar na arca um casal de cada um dos seres vivos, macho e fêmea, para conservá-los vivos com você.”
  17. “De cada espécie de ave, de cada espécie de animal grande e de cada espécie de animal pequeno que se move rente ao chão virá um casal a você para que sejam conservados vivos.”
  18. “E armazene todo tipo de alimento, para que você e eles tenham mantimento”.
  19. Noé fez tudo exatamente como Deus lhe tinha ordenado.
  20. Então o Senhor disse a Noé: “Entre na arca, você e toda a sua família, porque você é o único justo que encontrei nesta geração.”
  21. “Daqui a sete dias farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites, e farei desaparecer da face da terra todos os seres vivos que fiz”.
  22. E Noé fez tudo como o Senhor lhe tinha ordenado quando as águas do Dilúvio vieram sobre a terra.
  23. Noé, seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos entraram na arca, por causa das águas do Dilúvio.
  24. Casais de animais grandes, puros e impuros, de aves e de todos os animais pequenos que se movem rente ao chão vieram a Noé e entraram na arca, como Deus tinha ordenado a Noé.
  25. E depois dos sete dias, as águas do Dilúvio vieram sobre a terra.
  26. No dia em que Noé completou seiscentos anos, um mês e dezessete dias, nesse mesmo dia todas as fontes das grandes profundezas jorraram, e as comportas do céu se abriram.
  27. E a chuva caiu sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.
  28. Naquele mesmo dia, Noé e seus filhos, Sem, Cam e Jafé, com sua mulher e com as mulheres de seus três filhos, entraram na arca.
  29. Com eles entraram todos os animais de acordo com as suas espécies: todos os animais selvagens, todos os rebanhos domésticos, todos os demais seres vivos que se movem rente ao chão e todas as criaturas que têm asas: todas as aves e todos os outros animais que voam.
  30. Casais de todas as criaturas que tinham fôlego de vida vieram a Noé e entraram na arca.
  31. Os animais que entraram foram um macho e uma fêmea de cada ser vivo, conforme Deus ordenara a Noé. Então o Senhor fechou a porta.
  32. Quarenta dias durou o Dilúvio sobre a terra, e as águas aumentaram e elevaram a arca acima da terra.
  33. As águas prevaleceram, aumentando muito sobre a terra, e a arca flutuava na superfície das águas.
  34. As águas dominavam cada vez mais a terra, e foram cobertas todas as altas montanhas debaixo do céu.
  35. As águas subiram até quase sete metros acima das montanhas.
  36. Todos os seres vivos que se movem sobre a terra pereceram: aves, rebanhos domésticos, animais selvagens, todas as pequenas criaturas que povoam a terra e toda a humanidade.
  37. Tudo o que havia em terra seca e tinha nas narinas o fôlego de vida morreu.
  38. Todos os seres vivos foram exterminados da face da terra; tanto os homens, como os animais grandes, os animais pequenos que se movem rente ao chão e as aves do céu foram exterminados da terra. Só restaram Noé e aqueles que com ele estavam na arca.
  39. E as águas prevaleceram sobre a terra cento e cinquenta dias.

Capítulo 6 – Primeira Aliança

  1. Então Deus lembrou-se de Noé e de todos os animais selvagens e rebanhos domésticos que estavam com ele na arca, e enviou então um vento sobre a terra, e as águas começaram a baixar.
  2. As fontes das profundezas e as comportas do céu se fecharam, e a chuva parou.
  3. As águas foram baixando pouco a pouco sobre a terra.
  4. Ao fim de cento e cinquenta dias, as águas tinham diminuído, e, no décimo sétimo dia do sétimo mês, a arca pousou nas montanhas de Ararate.
  5. As águas continuaram a baixar até o décimo mês, e no primeiro dia do décimo mês apareceram os topos das montanhas.
  6. Passados quarenta dias, Noé abriu a janela que fizera na arca.
  7. Esperando que a terra já tivesse aparecido, Noé soltou um corvo, mas este ficou dando voltas.
  8. Depois soltou uma pomba para ver se as águas tinham diminuído na superfície da terra.
  9. Mas a pomba não encontrou lugar onde pousar os pés porque as águas ainda cobriam toda a superfície da terra e, por isso, voltou para a arca, a Noé. Ele estendeu a mão para fora, apanhou a pomba e a trouxe de volta para dentro da arca.
  10. Noé esperou mais sete dias e soltou novamente a pomba.
  11. Ao entardecer, quando a pomba voltou, trouxe em seu bico uma folha nova de oliveira. Noé então ficou sabendo que as águas tinham diminuído sobre a terra.
  12. Esperou ainda outros sete dias e de novo soltou a pomba, mas desta vez ela não voltou.
  13. No primeiro dia do primeiro mês do ano seiscentos e um da vida de Noé, secaram-se as águas na terra. Noé então removeu o teto da arca e viu que a superfície da terra estava seca.
  14. No vigésimo sétimo dia do segundo mês, a terra estava completamente seca.
  15. Então Deus disse a Noé: “Saia da arca, você e sua mulher, seus filhos e as mulheres deles.
  16. “Faça que saiam também todos os animais que estão com você: as aves, os animais grandes e os animais pequenos que se movem rente ao chão. Faça-os sair para que se espalhem pela terra, sejam férteis e se multipliquem”.
  17. Então Noé saiu da arca com sua mulher e seus filhos e as mulheres deles, e com todos os animais grandes, todos os animais pequenos que se movem rente ao chão e todas as aves.
  18. Tudo o que se move sobre a terra saiu da arca, uma espécie após outra.
  19. Depois Noé construiu um altar dedicado ao Senhor e, tomando alguns animais e aves puros, ofereceu-os como holocausto, queimando-os sobre o altar.
  20. O Senhor sentiu o aroma agradável e disse a si mesmo: “Nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, pois o seu coração é inteiramente inclinado para o mal desde a infância. E nunca mais destruirei todos os seres vivos como fiz desta vez.
  21. “Enquanto durar a terra, plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite jamais cessarão”.
  22. Deus abençoou Noé e seus filhos, dizendo-lhes: “Sejam férteis, multipliquem-se e encham a terra.
  23. Todos os animais da terra tremerão de medo diante de vocês: os animais selvagens, as aves do céu, as criaturas que se movem rente ao chão e os peixes do mar; eles estão entregues em suas mãos.
  24. Tudo o que vive e se move lhes servirá de alimento. Assim como lhes dei os vegetais, agora lhes dou todas as coisas.
  25. “Mas não comam carne com sangue, que é vida.
  26. A todo que derramar sangue, tanto homem como animal, pedirei contas; a cada um pedirei contas da vida do seu próximo.
  27. “Quem derramar sangue do homem, pelo homem seu sangue será derramado; porque à imagem de Deus foi o homem criado.
  28. “Mas vocês, sejam férteis e multipliquem-se; espalhem-se pela terra e proliferem nela”.
  29. Então disse Deus a Noé e a seus filhos, que estavam com ele:
  30. “Vou estabelecer a minha aliança com vocês e com os seus futuros descendentes,
  31. E com todo ser vivo que está com vocês: as aves, os rebanhos domésticos e os animais selvagens, todos os que saíram da arca com vocês, todos os seres vivos da terra.
  32. Estabeleço uma aliança com vocês: Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio; nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra”.
  33. E Deus prosseguiu: “Este é o sinal da aliança que estou fazendo entre mim e vocês e com todos os seres vivos que estão com vocês, para todas as gerações futuras:
  34. O meu arco que coloquei nas nuvens será o sinal da minha aliança com a terra.
  35. Quando eu trouxer nuvens sobre a terra e nelas aparecer o arco-íris, então me lembrarei da minha aliança com vocês e com os seres vivos de todas as espécies.
  36. Nunca mais as águas se tornarão um dilúvio para destruir toda forma de vida.
  37. Toda vez que o arco-íris estiver nas nuvens, olharei para ele e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies que vivem na terra”.
  38. Concluindo, disse Deus a Noé: “Esse é o sinal da aliança que estabeleci entre mim e toda forma de vida que há sobre a terra”.
  39. Os filhos de Noé que saíram da arca foram Sem, Cam e Jafé. Cam é o pai de Canaã.
  40. Esses foram os três filhos de Noé; a partir deles toda a terra foi povoada.

Capítulo 7 – Emencar

  1. Depois que o dilúvio passou e a realeza desceu do céu, a realeza foi em Kiš.
  2. O TRONO DIVINO ergueu o olhar sobre todas as terras, e as terras se elevaram até o TRONO DIVINO. Os quatro cantos do céu tornaram-se verdes para o TRONO DIVINO como um jardim.
  3. A cidade de Keš foi posicionada lá para ele com a cabeça erguida, e como Keš ergueu sua cabeça entre todas as terras, o TRONO DIVINO falou em louvor a Keš.
  4. A FERTILIDADE era o seu governo; com suas palavras, teceu intrincadamente como uma rede. Escrito em pequenas tábuas, estava em suas mãos: Casa, plataforma da Terra, importante touro feroz!
  5. Casa de Keš, plataforma da Terra, importante touro feroz! Crescendo tão alto quanto as colinas, abraçando os céus, crescendo tão alto quanto o Templo de Kiš erguendo sua cabeça entre as montanhas!
  6. Colorido como o PRINCÍPIO, verdejante como as montanhas! Alguém mais apresentará algo tão grande como Keš? Alguma outra mãe dará à luz alguém tão importante quanto seu guerreiro Ašgi?
  7. Quem já viu alguém tão grande quanto sua senhora, a Sagrada Montanha?
  8. Foram 23 reis que governaram Kiš. Então Kiš foi derrotada e a realeza foi levada para o Templo de Uruque.
  9. No Templo do Uruque, Mesquiagaser, filho do Sol, tornou-se senhor e rei. Ele entrou no mar e desapareceu. Sob o governo do seu filho Emencar. a cidade de Uruque é construída.
  10. Uruque Kulaba era o majestoso touro com vigor e grande esplendor impressionante; era peitoral da tempestade, onde o destino estava determinado; era grande montanha, onde a refeição noturna da grande morada da COROA CELESTIAL foi preparada.
  11. Naquela época, quando os destinos estavam determinados, os grandes príncipes permitiram que o Templo do Uruque em Uruque Kulaba levantasse sua cabeça.
  12. A abundância, inundações de carpas e a chuva que trazem cevada manchada aumentaram em Uruque Kulaba.
  13. Antes que a terra de Dilmun sequer existisse, O Templo do Uruque em Uruque Kulaba foi bem fundado, o sagrado tabernáculo da JUSTIÇA na Kulaba, construído de tijolos que brilhavam como a prata entre as rochas.
  14. Antes do comércio ser praticado; antes que ouro, da prata, do cobre, do estanho, dos blocos de lápis-lazúli e das pedras da montanha, antes dos animais serem banhados para o festival, já havia a cidade.
  15. O tempo passou até que templo da cidade de Aratta foi colorido adornado.
  16. O seu lugar santo foi adornado com impecável lápis-lazúli, seu interior foi belamente formado como uma branca árvore frutificada de autoridade.
  17. O senhor de Aratta colocou em sua cabeça a coroa de ouro para a JUSTIÇA. Mas ele não agradou a deusa como o senhor de Kulaba.
  18. Aratta não construiu o templo para a sagrada JUSTIÇA – ao contrário do Santuário no Templo do Uruque, o tabernáculo, o lugar sagrado, foram diferentes de Kulaba que o construiu em tijolos.
  19. Naquela época, o senhor escolhido pela JUSTIÇA em seu coração, escolhido pela JUSTIÇA em seu coração sagrado da montanha brilhante, Enmerkar, o filho do Sol, fez um apelo a senhora que concede desejos, a sagrada JUSTIÇA.
  20. Ele disse: – “Minha irmã, deixe a cidade de Aratta moldar o ouro e prata habilmente em meu nome para Uruque. Deixe-os cortar o lápis-lazúli perfeito dos blocos, deixe-os esculpir a translucidez do lápis-lazúli perfeito para construir uma montanha sagrada em Uruque.”
  21. “Deixe Aratta construir um templo trazido do céu – o seu local de culto, o Santuário no Templo do Uruque.
  22. Deixe Aratta modelar habilmente o interior do tabernáculo sagrado, sua morada; que eu, o jovem radiante, possa ser abraçado lá por você.”
  23. “Que Aratta se submeta ao jugo por Uruque em meu nome. Que o povo de Aratta traga traga para mim as pedras da montanha de sua montanha,”
  24. “Que o povo se maravilhe com admiração, e que o Sol testemunhe isso com alegria.”
  25. O senhor deu ouvidos às palavras da divina JUSTIÇA e escolheu entre as tropas como mensageiro alguém que falava eloquentemente e era dotado de perseverança.
  26. Onde e a quem ele levará a importante mensagem da sábia JUSTIÇA? O mensageiro deve levá-la para as montanhas Zubi e deve descer com ela das montanhas Zubi.
  27. Que Susin e a terra de Ancan saúdem humildemente a JUSTIÇA como pequenos camundongos.
  28. Nas grandes cadeias de montanhas, deixe as multidões abundantes rastejarem o pó para ela.
  29. O mensageiro deve falar com o senhor de Aratta e dizer-lhe: – “Não faça o povo fugir desta cidade como uma pomba selvagem de sua árvore para que eu não os faça fugir como um pássaro sobre seu ninho bem construído.”
  30. “Para que não os retribua como pelo atual preço de mercado, para que não o faça juntar poeira como uma cidade totalmente destruída, para que não seja como um povoado amaldiçoado pelo CRIADOR e totalmente destruído.”
  31. “Eu também posso destruir totalmente Aratta; para que, como a devastação que varreu destrutivamente, e em cujo rastro a JUSTIÇA surgiu, faça chorar e gritar alto.”
  32. “Mensageiro cante para ele a canção sagrada, o encantamento cantado em suas câmaras – o encantamento do CRIADOR:
  33. – “Naquele dia em que não houver cobra, quando não houver escorpião, quando não houver hiena, quando não houver leão, quando não há cachorro nem lobo, quando não há medo nem tremor, o homem não terá rival!”
  34. “Em tal momento, possam as terras de Cubur e Hamazi, aquelas de muitas línguas, e a terra de Sumer, a grande montanha da magnificência da autoridade, e Akkad, a terra possuidora de tudo o que é adequado, e a terra Martu, descansando em segurança,
  35. Também todo o universo e as pessoas bem guardadas, que todos eles se dirijam ao TRONO DIVINO juntos em um único idioma!”
  36. “Pois nessa época, para os senhores ambiciosos, para os príncipes ambiciosos, para os reis ambiciosos, Ó CRIADOR, mude a fala em suas bocas, tantos quantos ele havia colocado lá, e assim a fala da humanidade será verdadeiramente uma.”
  37. O mensageiro deu ouvidos às palavras de seu rei. Ele viajou pela noite estrelada e durante o dia viajou com o Sol do céu. Onde e para quem ele levará a importante mensagem da JUSTIÇA com seu tom cortante?
  38. Ele a levou para as montanhas Zubi, ele desceu com ela das montanhas Zubi.
  39. Susin e a terra de Ancan saudaram humildemente a JUSTIÇA como pequenos camudongos. Nas grandes cadeias de montanhas, as multidões abundantes rastejavam na poeira por ela.
  40. Ele atravessou cinco montanhas, seis montanhas, sete montanhas. Ele ergueu os olhos ao se aproximar de Aratta e entrou alegremente no pátio de Aratta, dando a conhecer a autoridade de seu rei.
  41. Ele falou abertamente as palavras em seu coração. O mensageiro transmitiu a mensagem ao senhor de Aratta:
  42. Ele disse: – “Seu pai, meu mestre, me enviou a você; o senhor de Uruque , o senhor de Kulaba, me enviou a você.”
  43. O senhor de Aratta respondeu: – “Mensageiro, fale com o seu rei, o senhor de Kulaba”.
  44. Diga-lhe que sou eu, o senhor adequado para a purificação, eu quem a senhora do céu e da terra, a deusa das numerosas autoridades, a sagrada JUSTIÇA, trouxe para Aratta, a montanha da brilhante autoridade.”
  45. “Eu sou aquele quem ela deixou barrar a entrada das montanhas como se com uma grande porta.”
  46. “Como então Aratta se submeterá a Uruque? A submissão de Aratta a Uruque está fora de questão! Diga isso a ele.”

Capítulo 8 – Sargão

  1. Para transformar a casa de Kiš, que era como uma cidade mal-assombrada, em um povoado vivo novamente – seu rei, o pastor Ur-Zababa, ergueu-se como o Sol sobre a casa de Kiš.
  2. A COROA CELESTIAL e o TRONO DIVINO, no entanto, com autoridade decidiram por seu sagrado comando alterar seu mandato de reinado e remover a prosperidade do palácio.
  3. Então Sargão – sua cidade era a cidade de Kiš, seu pai era La’ibum – Sargão nasceu com o coração feliz.
  4. Um dia, depois que a noite chegou e Sargão trouxe as entregas regulares para o palácio, Ur-Zababa estava dormindo e sonhando no quarto sagrado, sua residência sagrada.
  5. Ele percebeu do que se tratava o sonho, mas não o colocou em palavras, não o discutiu com ninguém.
  6. Depois que Sargão recebeu as entregas regulares para o palácio, Ur-Zababa o nomeou copeiro, encarregando-o do armário de bebidas. A sagrada JUSTIÇA não parou de ficar ao lado dele.
  7. Depois de cinco ou dez dias se passaram, o Rei Ur-Zababa ficou assustado em sua residência.
  8. Como um leão, ele urinou, borrifando as pernas, e a urina continha sangue e pus. Ele estava perturbado, perturbado como um peixe que vive em água salobra.
  9. Foi então que o copeiro da vinícola do SACIAÇÃO, Sargão, não se deitou para dormir, mas para sonhar.
  10. No sonho, a sagrada JUSTIÇA afogou Ur-Zababa em um rio de sangue. O Sargão adormecido gemeu e roeu o chão.
  11. Quando o rei Ur-Zababa ouviu sobre este gemido, ele foi levado à presença sagrada do rei, Sargão foi levado à presença de Ur-Zababa, que disse “Copeiro, um sonho foi revelado a você durante a noite?”
  12. Sargão respondeu ao seu rei: “Meu rei, este é o meu sonho, sobre o qual vou lhe contar: Havia uma jovem que era tão alta quanto os céus e tão larga como a terra”.
  13. “Ela estava firmemente assentada como a base de uma muralha . Para mim, ela o afogou em um grande rio, um rio de sangue. “
  14. Ur-Zababa mordeu os lábios e ficou com muito medo, falando com ao seu chanceler: “Minha irmã real, sagrada JUSTIÇA, vai transformar meu dedo em um …… de sangue; ela vai afogar Sargão, o copeiro, no grande rio.
  15. “Beliš-tikal, ferreiro-chefe, homem de minha escolha, que sabe escrever tabuinhas, eu lhe darei ordens, que minhas ordens sejam cumpridas! Que meu conselho seja seguido!
  16. “Agora então, quando o copeiro entregar meu espelho de bronze a você , no Templo de Esnuna, a casa predestinada, jogue-os, o espelho e Sargão, no molde como estátuas. “
  17. Beliš-tikal ouviu as palavras de seu rei e preparou os moldes no Templo de Esnuna, a casa predestinada.
  18. O rei falou a Sargão: “Vá e entregue meu espelho de mão de bronze Ao ferreiro-chefe!” e Sargão deixou o palácio de Ur-Zababa.
  19. A sagrada JUSTIÇA, no entanto, não parou de ficar ao seu lado direito.
  20. Antes de chegar a cinco ou dez nindans do Templo de Esnuna, a casa predestinada, a sagrada JUSTIÇA se virou em sua direção e bloqueou seu caminho.
  21. Ela disse: “O Templo de Esnuna é uma casa sagrada! Ninguém poluído com sangue deve entrar!”
  22. Assim, ele encontrou o ferreiro-chefe do rei apenas no portão da casa predestinada.
  23. Lá, ele entregou o espelho de mão de bronze do rei para o ferreiro-chefe, Beliš-tikal, o ferreiro-chefe, que jogou-o no molde como estátuas.
  24. Depois de cinco ou dez dias, Sargão foi à presença de Ur-Zababa, seu rei; ele entrou no palácio, firmemente fundado como uma grande montanha.
  25. Rei Ur-Zababa o viu ficou assustado em sua residência. Ele percebeu do que se tratava, mas não colocou em palavras, não discutiu o assunto com ninguém.
  26. Ur-Zababa ficou assustado no quarto de dormir, sua residência sagrada. Ele percebeu do que se tratava, mas não colocou em palavras, não discutiu o assunto com ninguém.
  27. Naquela época, embora existisse a escrita em tabletes, ainda não existia colocar tabletes em envelopes.
  28. O rei Ur-Zababa despachou Sargão, a criatura dos deuses, para Lugal-zage-si em Uruque com uma mensagem escrita em argila, que era sobre o assassinato de Sargão.
  29. Ur-Zababa, filho de Puzur-Suen, governou por 6 anos. Foram 131 são os anos da dinastia de Kug-Bau.
  30. Em Uruque, Lugal-zagesi tornou-se rei; ele governou por 25 anos. Então Uruque foi derrotada e o reinado de Uruque foi abolido sendo a realeza foi levada para Acádia.
  31. Sargão, rei da Acádia, supervisor da JUSTIÇA, rei de Kis, ungido da COROA CELESTIAL, rei da terra, governador do TRONO DIVINO; ele derrotou a cidade de Uruque e derrubou seus muros, na batalha de Uruque ele venceu.
  32. Ele tomou Lugalzagesi rei de Uruk no decorrer da batalha, e o conduziu em uma coleira até o portão do TRONO DIVINO.
  33. Sargão, rei da Acádia, venceu Ur na batalha, conquistou a cidade e destruiu sua muralha.
  34. Ele conquistou Eninmar, destruiu suas paredes e conquistou seu distrito e Lagash até o mar.
  35. Ele lavou suas armas no mar e  foi vitorioso sobre Umma na batalha; conquistou a cidade e destruiu suas paredes.
  36. Para Sargão, ao rei da terra, o deus TODO-PODEOSO não deu rival. O deus TRONO DIVINO deu a ele o Mar Superior e o Mar inferior.
  37. Houve o ano em que Sargão foi para Simurrum; houve o ano em que Sargão destruiu Uru’a, ano em que Uru’a foi destruída; houve o ano em que Sargão destruiu Elam; houve o ano em que Mari foi destruída.
  38. Sargão, o rei, curvou-se diante do deus Dagon em Tuttul. Dagon deu a Sargão a Terra Superior: Mari, Iarmuti e Ebla, até a Floresta de Cedro e as Montanhas Prateadas.
  39. Sargão, rei da Acádia, chegou ao poder durante o reinado da JUSTIÇA e ele não tinha rival nem igual.
  40. Seu esplendor, sobre as terras difundiu-se. Ele cruzou o mar no leste.
  41. No décimo primeiro ano, ele conquistou as terras ocidentais até o seu ponto mais distante.
  42. Ele o trouxe sob uma autoridade. Ele montou suas estátuas lá e transportou o butim do oeste em barcaças.
  43. Ele posicionou seus oficiais de tribunal em intervalos de cinco horas duplas e governou em unidade as tribos das terras.
  44. Ele marchou para Kazallu e transformou Kazallu em uma pilha de ruínas, de modo que não sobrou nem mesmo um poleiro para um pássaro.
  45. Depois, em sua velhice, todas as terras se rebelaram novamente e cercou-o em Agade.
  46. Sargão saiu para lutar e causou sua derrota. Ele os derrotou e dominou seu extenso exército.
  47. Posteriormente, Subartu atacou Sargão com força total e o chamou às armas. Sargão armou uma emboscada e os derrotou completamente.
  48. Ele dominou seu extenso exército e enviou seus pertences para a Acádia.
  49. Ele cavou a sujeira do poço da Babilônia e fez uma contrapartida de Babilônia ao lado de Agade.
  50. Por causa do erro que ele fez, o grande senhor Marduk ficou com raiva e exterminou sua família pela fome.
  51. De leste a oeste, os súditos se rebelaram contra ele e Marduk o afligiu com insônia.
  52. Em Acádia, Sargão, cujo pai era um jardineiro, o copeiro de Ur-Zababa, rei da Acádia, que construiu a cidade, ele governou por 56 anos.
  53. Rīmuš, o filho de Sargão, governou por nove anos. Man-ištiššu, o irmão mais velho de Rīmuš, o filho de Sargão, governou por 15 anos.
  54. Enfim, Narām-Sin, filho de Man-ištiššu, governou por 56 anos.

Capítulo 9 – Nara-Sim

  1. Depois que o olhar severo do TRONO DIVINO destruiu Kish como se fosse o Touro do Céu e abateu a casa da terra de Uruque na poeira como se fosse um touro poderoso, então o TRONO DIVINO deu o governo e a realeza do sul tanto quanto as terras altas de Sargão, o rei da Acádia.
  2. Naquela época, a sagrada JUSTIÇA estabeleceu o santuário de Acádia como seu domínio de mulher célebre; ela estabeleceu seu trono em Ulmac.
  3. Mas a declaração vinda do Templo de Kiš foi inquietante. Por causa do TRONO DIVINO toda a Acádia foi reduzida a tremer.
  4. O terror se abateu sobre a JUSTIÇA em Ulmac. Ela deixou a cidade, voltando para sua casa. A divina JUSTIÇA abandonou o santuário de Acádia como quem abandona as jovens do domínio de sua mulher.
  5. Como um guerreiro correndo para as armas, ela removeu o dom da batalha e da luta da cidade. Ela os entregou ao inimigo.
  6. Nem mesmo cinco ou dez dias se passaram e a GUERRA trouxe de volta as joias do governo. A coroa real, o emblema e o trono real concedidos a Acádia, voltaram ao seu E-cumeca.
  7. O Sol tirou a eloquência da cidade. O CRIADOR tirou sua sabedoria. Um elevou no meio do céu seu temor que chega ao céu.
  8. O CRIADOR arrancou seu poste sagrado de ancoragem bem ancorado no seu PRINCÍPIO. A JUSTIÇA irou suas armas.
  9. A vida do santuário de Acádia chegou ao fim. Era como apenas a vida de uma minúscula carpa nas águas profundas. Todas as cidades estavam olhando para isso.
  10. Como um poderoso elefante, ele curvou seu pescoço até o chão. Todos erguiam seus chifres como poderosos touros.
  11. Como um dragão moribundo, ele arrastou sua cabeça para a terra; Juntos o privaram de honra como em uma batalha.
  12. Naram-Sin viu em uma visão noturna que o TRONO DIVINO não deixaria o reino de Acádia ocupar morada agradável e duradoura, que ele tornaria seu futuro totalmente desfavorável, que faria seus templos tremerem e espalhariam seus tesouros.
  13. Ele percebeu do que se tratava o sonho, mas não o colocou em palavras, não o discutiu com ninguém. Por causa do Templo de Kiš, ele vestiu roupas de luto.
  14. Ele cobriu sua carruagem com um tapete de junco, arrancou o dossel de junco de sua barcaça cerimonial e deu sua parafernália real.
  15. Naram-Sin persistiu por sete anos! Quem já viu um rei enterrando a cabeça nas mãos por sete anos?
  16. Então ele foi realizar um espetáculo artístico em uma criança a respeito do templo. Mas o presságio não tinha nada a dizer sobre a construção do templo.
  17. Pela segunda vez, ele foi realizar um espetáculo em uma criança a respeito do templo. Mas o presságio novamente não tinha nada a dizer sobre a construção do templo
  18. A fim de mudar o que havia sido infligido, ele tentou alterar o pronunciamento do TRONO DIVINO.
  19. Como seus súditos foram dispersos, ele agora começou a mobilizar suas tropas.
  20. Como um lutador que está prestes a entrar no grande pátio, ele lançou suas mãos em direção ao Templo de Kiš.
  21. Como um atleta curvado para iniciar uma competição, ele tratou a giguna como se ela valesse apenas trinta shekels.
  22. Como um ladrão que saqueia a cidade, ele colocou escadas altas contra o templo. Ele demoliu o Templo de Kiš como se fosse um grande navio.
  23. Quebrou seu solo como nas montanhas de extração de metais. Estilhaçou-o como uma montanha de lápis-lazúli. Prostrou como uma cidade inundada por TEMPESTADE.
  24. Embora o templo não fosse uma montanha onde cedros são derrubados, ele mandou moldar grandes machados.
  25. Ele tinha machados agasilig de dois gumes afiados para serem usados contra ele. Ele colocou pás contra suas raízes e afundou tão baixo quanto a fundação da Terra.
  26. Ele colocou machados contra seu topo. O templo, como um soldado morto, curvou seu pescoço diante dele e todas as terras estrangeiras curvaram seus pescoços diante dele.
  27. Ele arrancou seus canos de drenagem, e toda a chuva voltou para os céus. Ele arrancou seu lintel superior e a Terra foi privada de seus ornamentos.
  28. De sua “Porta da qual os grãos nunca são desviados”, ele desviou os grãos, e a Terra foi privada de grãos.
  29. Ele atingiu o “Portão do Bem-Estar” com a picareta, e o bem-estar foi subvertido em todas as terras estrangeiras.
  30. Como grandes terrenos com muita água cheia de carpa, ele lançou grandes pás para serem usadas contra o Templo de Kiš.
  31. As pessoas puderam ver o quarto de dormir, seu quarto que não conhece a luz do dia. Os acadianos podiam olhar para o baú do tesouro sagrado dos deuses.
  32. Mesmo sem cometer nenhum sacrilégio, as estátuas lahmu nos pilares do templo foram jogados no fogo por Naram-Sin.
  33. O cedro, o cipreste, o zimbro e o buxo, as madeiras da seu Templo de Kiš, foram destruídas por ele.
  34. Ele colocou o ouro em recipientes e a prata em bolsas de couro. Ele encheu as docas com seu cobre, como se fosse um grande transporte de grãos.
  35. Os ourives reformavam sua prata. Os joalheiros reformavam suas pedras preciosas. Os ferreiros reformavam seu cobre.
  36. Grandes navios foram atracados no templo do TRONO DIVINO e seus pertences foram tirados da cidade, embora não fossem bens de uma cidade saqueada.
  37. Com os bens sendo retirados da cidade, o bom senso deixou Acádia. À medida que os navios se afastavam das docas, a inteligência de Acádia foi removida.
  38. O TRONO DIVINO, a tempestade violenta, que subjuga toda a terra, o dilúvio crescente que não pode ser enfrentado.
  39. Ele estava considerando o que deveria ser destruído em troca da destruição de seu amado Templo de Kiš.
  40. Ele ergueu o olhar para as montanhas Gubin, e fez descer todos os habitantes das grandes cordilheiras.
  41. O TRONO DIVINO tirou das montanhas aquelas pessoas diferentes, que não são considerados como parte da Terra.
  42. Os Gutianos, um povo desenfreado, com inteligência humana, mas instintos caninos e feições de macaco, como pequenos pássaros, voaram para o solo em grandes bandos.
  43. Por causa do TRONO DIVINO, eles estenderam os braços pela planície como uma rede para os animais.
  44. Nada escapou de suas garras, ninguém escapou de suas garras.
  45. Os mensageiros não viajavam mais pelas estradas. O barco do correio não passava mais ao longo dos rios.

Capítulo 10 – Lamentos

  1. Os Gutianos expulsaram as cabras de confiança dos rebanhos do TRONO DIVINO e obrigaram seus pastores a segui-las. Expulsaram as vacas de seus currais e obrigaram seus vaqueiros a segui-las.
  2. Os prisioneiros comandavam o relógio. Os assaltantes ocuparam as rodovias. As portas dos portões da cidade da Terra estavam desalojadas na lama.
  3. Todas as terras estrangeiras proferiram gritos amargos das muralhas de suas cidades. Eles estabeleceram jardins para si próprios dentro das cidades, e não como de costume na vasta planície lá fora.
  4. Como antes da da fundação e construção das cidades, as grandes áreas aráveis não produziam grãos. As áreas inundadas não produziam peixes, os pomares irrigados não produziam xarope ou vinho,
  5. As nuvens espessas não mais choveram, e a planta macgurum não cresceu.
  6. Naqueles dias, o óleo por um siclo era apenas meio litro. O grão por um siclo era apenas meio litro.
  7. A lã por um siclo era apenas uma mina. O peixe por um siclo preenchia apenas uma medida de proibição.
  8. Estes eram vendidos a tal preços nos mercados das cidades!
  9. Aqueles que deitaram no telhado morreram no telhado. Os que se deitaram em casa não foram sepultados. As pessoas estavam se debatendo de fome.
  10. Perto do Templo de Kiš, o grande lugar do TRONO DIVINO, os cães se agruparam nas ruas silenciosas.
  11. Se dois homens andassem ali, seriam devorados por eles. Se três homens andassem ali, seriam devorados por eles.
  12. Narizes foram perfurados, cabeças foram esmagadas. Narizes foram empilhados, cabeças foram semeadas como sementes.
  13. Pessoas honestas foram confundidas com traidores. Heróis jaziam mortos em cima de heróis. O sangue dos traidores corria sobre o sangue dos homens honestos.
  14. Naquela época, o TRONO DIVINO reconstruiu seus grandes santuários em pequenos santuários de junco; e de leste para oeste ele reduziu seus depósitos.
  15. As velhas que sobreviveram àqueles dias, os velhos que sobreviveram àqueles dias, o principal cantor de lamentações que sobreviveu àqueles anos, montou sete tambores de balaj.
  16. Como no horizonte, junto com os tambores, fez ressoar para o TRONO DIVINO como o TROVÃO por sete dias e sete noites.
  17. As velhas não contiveram o grito “Ai da minha cidade!”.
  18. Os velhos não contiveram o grito “Ai de seu povo!”.
  19. O cantor de lamentações não conteve o grito “Ai do Templo de Kiš!”.
  20. Suas jovens não se contiveram de arrancar os cabelos. Seus jovens não se abstiveram de afiar as facas. Seus lamentos eram como se os ancestrais do TRONO DIVINO estivessem lamentando.
  21. Assim, o faziam no impressionante Monte Sagrado perto dos joelhos sagrados do TRONO DIVINO. Por causa disso, TRONO DIVINO entrou em seu quarto sagrado e deitou-se em jejum.
  22. Naquela época, CONHECIMENTO, PODER, JUSTIÇA, GUERRA, TROVÃO, SOL, ARTE e EDUCAÇÃO, os grandes SOPROS DIVINOS, resfriaram o coração do TRONO DIVINO com água fria.
  23. Eles oraram a ele: “TRONO DIVINO, que esta cidade que destruiu sua morada seja tratada como sua morada foi tratada!”
  24. “Que aquele que contaminou seu Templo de Kiš seja tratado como Nippur! Nesta cidade, que cabeças encham os poços!”
  25. “Que ninguém encontre seus conhecidos lá, que irmão não reconheça irmão! Que sua jovem seja assassinado cruelmente nos domínios de sua mulher!”
  26. “Que seu velho chore de angústia por sua esposa assassinada! Que seus pombos gemam nos peitoris de suas janelas!”
  27. “Que seus pequenos pássaros sejam feridos em seus cantos! Que viva em constante ansiedade como um pombo tímido!”
  28. Mais uma vez, CONHECIMENTO, PODER, JUSTIÇA, GUERRA, TROVÃO, SOL, ARTE e EDUCAÇÃO, todos os SOPROS DIVINOS que fossem, voltaram sua atenção para a cidade.
  29. Eles amaldiçoaram Acádia severamente: “Cidade, você atacou o Templo de Kiš! É como se você tivesse se lançado sobre o TRONO DIVINO!”
  30. “Acádia, você se lançou contra o Templo de Kiš: é como se você tivesse se lançado sobre o TRONO DIVINO!”
  31. Se alguém decidir: “Vou morar nesta cidade!”, que não goze dos prazeres de seu lugar de descanso! “Se alguém decidir: “Vou descansar em Acádia!”, Que não goze dos prazeres de seu lugar de descanso!”
  32. Antes, o sol naquele mesmo dia, assim foi!
  33. Em seus caminhos às margens do canal do canal de embarcação, a grama cresceu longa.
  34. Em suas estradas preparadas para carroças, crescia a grama da lamentação.
  35. Além disso, onde percorriam as embarcações, nas margens do canal construídos em areia, os carneiros selvagens e cobras alertas das montanhas não permitiam a passagem de ninguém.
  36. Em suas planícies, onde crescia grama fina, agora cresciam os juncos de lamentação. O fluxo de água doce de Acádia fluiu como água salobra.
  37. Quando alguém decidir: “Vou morar naquela cidade!”, não poderá desfrutar dos prazeres de uma habitação.
  38. Quando alguém decidir: “Vou descansar em Acádia!”, não conseguirá desfrutar dos prazeres de um lugar de descanso!
  39. A JUSTIÇA seja louvada pela destruição de Acádia!

II

Livros da Legislação

Capítulo 1 – Abraão

  1. Esta é a história da família de Terá.: Terá gerou Abrão, Naor e Harã. Harã gerou Ló. Harã e morreu em Urkesh, sua terra natal, quando ainda vivia Terá, seu pai.
  2. Terá tomou seu filho Abrão, seu neto Ló, filho de Harã, e sua nora Sarai, esposa de Abrão, e juntos partiram de Urkesh para Canaã. Mas, ao chegarem a Harã, estabeleceram-se ali.
  3. Então o Senhor disse a Abrão: “Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai Terá, e vá para a terra que eu lhe mostrarei.”
  4. “Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção.”
  5. “Abençoarei os que o abençoarem, e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados”.
  6. Abrão atravessou a terra até o lugar do Carvalho de Moré, em Siquém. Naquela época os cananeus habitavam essa terra.
  7. O Senhor apareceu a Abrão e disse: “À sua descendência darei esta terra”. Abrão construiu ali um altar dedicado ao Senhor, que lhe havia aparecido.
  8. Dali prosseguiu em direção às colinas a leste de Betel, onde armou acampamento, tendo Betel a oeste e Ai a leste. Construiu ali um altar dedicado ao Senhor e invocou o nome do Senhor.
  9. Depois Abrão partiu e prosseguiu em direção ao Neguebe.
  10. Houve fome naquela terra, e Abrão desceu ao Egito para ali viver algum tempo, pois a fome era rigorosa.
  11. Quando estava chegando ao Egito, disse a Sarai, sua mulher: “Bem sei que você é bonita.
  12. Quando os egípcios a virem, dirão: ‘Esta é a mulher dele’. E me matarão, mas deixarão você viva.
  13. Diga que é minha irmã, para que me tratem bem por amor a você e minha vida seja poupada por sua causa”.
  14. Quando Abrão chegou ao Egito, viram os egípcios que Sarai era uma mulher muito bonita.
  15. Vendo-a, os homens da corte do faraó a elogiaram diante do faraó, e ela foi levada ao seu palácio.
  16. Ele tratou bem a Abrão por causa dela, e Abrão recebeu ovelhas e bois, jumentos e jumentas, servos e servas, e camelos.
  17. Mas o Senhor puniu o faraó e sua corte com graves doenças, por causa de Sarai, mulher de Abrão.
  18. Por isso o faraó mandou chamar Abrão e disse: “O que você fez comigo? Por que não me falou que ela era sua mulher?
  19. Por que disse que ela era sua irmã? Foi por isso que eu a tomei para ser minha mulher. Aí está a sua mulher. Tome-a e vá! “
  20. A seguir o faraó deu ordens para que providenciassem o necessário para que Abrão partisse, com sua mulher e com tudo o que possuía.
  21. Ele partiu do Neguebe em direção a Betel, indo de um lugar a outro, até que chegou ao lugar entre Betel e Ai onde já havia armado acampamento anteriormente;
  22. E onde, pela primeira vez, tinha construído um altar. Ali Abrão invocou o nome do Senhor.
  23. Abrão ficou na terra de Canaã, mas Ló mudou seu acampamento para um lugar próximo a Sodoma, entre as cidades do vale.
  24. Percorra esta terra de alto a baixo, de um lado a outro, porque eu a darei a você”.
  25. Então Abrão mudou seu acampamento e passou a viver próximo aos carvalhos de Manre, em Hebrom, onde construiu um altar dedicado ao Senhor.
  26. Naquela época Anrafel, rei de Sinear, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goim, foram à guerra contra Bera, rei de Sodoma, contra Birsa, rei de Gomorra, contra Sinabe, rei de Admá, contra Semeber, rei de Zeboim, e contra o rei de Belá, que é Zoar.
  27. Os vencedores saquearam todos os bens de Sodoma e de Gomorra e todo o seu mantimento, e partiram.
  28. Levaram também Ló, sobrinho de Abrão, e os bens que ele possuía, visto que morava em Sodoma.
  29. Mas alguém que tinha escapado veio e relatou tudo a Abrão, o hebreu. Abrão vivia próximo aos carvalhos de Manre, o amorreu, irmão de Escol e de Aner, aliados de Abrão.
  30. Quando Abrão ouviu que seu parente fora levado prisioneiro, mandou convocar os trezentos e dezoito homens treinados, nascidos em sua casa, e saiu em perseguição aos inimigos até Dã.
  31. Atacou-os durante a noite em grupos, e assim os derrotou, perseguindo-os até Hobá, ao norte de Damasco.
  32. Recuperou todos os bens e trouxe de volta seu parente Ló com tudo o que possuía, juntamente com as mulheres e o restante dos prisioneiros.
  33. Voltando Abrão da vitória sobre Quedorlaomer e sobre os reis que a ele se haviam aliado, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Savé, isto é, o vale do Rei.
  34. Então Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, trouxe pão e vinho e abençoou Abrão, dizendo: “Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra.
  35. E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou seus inimigos em suas mãos”. E Abrão lhe deu o dízimo de tudo.
  36. O rei de Sodoma disse a Abrão: “Dê-me as pessoas e pode ficar com os bens”.
  37. Mas Abrão respondeu ao rei de Sodoma: “De mãos levantadas ao Senhor, Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra, juro
  38. que não aceitarei nada do que lhe pertence, nem mesmo um cordão ou uma correia de sandália, para que você jamais venha a dizer: Eu enriqueci Abrão.
  39. Nada aceitarei, a não ser o que os meus servos comeram e a porção pertencente a Aner, Escol e Manre, os quais me acompanharam. Que eles recebam a sua porção”.

Capítulo 2 – Ismael

  1. Depois dessas coisas o Senhor falou a Abrão numa visão: “Não tenha medo, Abrão! Eu sou o seu escudo; grande será a sua recompensa! “
  2. Mas Abrão perguntou: “Ó Soberano Senhor, que me darás, se continuo sem filhos e o herdeiro do que possuo é Eliézer de Damasco? “
  3. E acrescentou: “Tu não me deste filho algum! Um servo da minha casa será o meu herdeiro! “
  4. Então o Senhor deu-lhe a seguinte resposta: “Seu herdeiro não será esse. Um filho gerado por você mesmo será o seu herdeiro”.
  5. Levando-o para fora da tenda, disse-lhe: “Olhe para o céu e conte as estrelas, se é que pode contá-las”. E prosseguiu: Assim será a sua descendência”.
  6. Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça.
  7. Disse-lhe ainda: “Eu sou o Senhor, que o tirei de Urkesh para dar-lhe esta terra como herança”.
  8. Perguntou-lhe Abrão: “Ó Soberano Senhor, como posso saber que tomarei posse dela?”
  9. Respondeu-lhe o Senhor: “Traga-me uma novilha, uma cabra e um carneiro, todos com três anos de vida, e também uma rolinha e um pombinho”.
  10. Abrão trouxe todos esses animais, cortou-os ao meio e colocou cada metade em frente à outra; as aves, porém, ele não cortou.
  11. Nisso, aves de rapina começaram a descer sobre os cadáveres, mas Abrão as enxotava.
  12. Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dera nenhum filho. Como tinha uma serva egípcia, chamada Hagar, disse a Abrão: “Já que o Senhor me impediu de ter filhos, possua a minha serva; talvez eu possa formar família por meio dela”. Abrão atendeu à proposta de Sarai.
  13. Quando isso aconteceu já fazia dez anos que Abrão, seu marido, vivia em Canaã. Foi nessa ocasião que Sarai, sua mulher, entregou sua serva egípcia Hagar a Abrão.
  14. Ele possuiu Hagar, e ela engravidou. Quando se viu grávida, começou a olhar com desprezo para a sua senhora.
  15. Então Sarai disse a Abrão: “Caia sobre você a afronta que venho sofrendo. Coloquei minha serva em seus braços, e agora que ela sabe que engravidou, despreza-me. Que o Senhor seja o juiz entre mim e você”.
  16. Respondeu Abrão a Sarai: “Sua serva está em suas mãos. Faça com ela o que achar melhor”. Então Sarai tanto maltratou Hagar que esta acabou fugindo.
  17. O Anjo do Senhor encontrou Hagar perto de uma fonte no deserto, no caminho de Sur,
  18. e perguntou-lhe: “Hagar, serva de Sarai, de onde você vem? Para onde vai? ” Respondeu ela: “Estou fugindo de Sarai, a minha senhora”.
  19. Disse-lhe então o Anjo do Senhor: “Volte à sua senhora e sujeite-se a ela”.
  20. Disse mais o anjo: “Multiplicarei tanto os seus descendentes que ninguém os poderá contar”.
  21. Disse-lhe ainda o Anjo do Senhor: “Você está grávida e terá um filho, e lhe dará o nome de Ismael, porque o Senhor a ouviu em seu sofrimento.
  22. Ele será como jumento selvagem; sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele, e ele viverá em hostilidade contra todos os seus irmãos”.
  23. Este foi o nome que ela deu ao Senhor que lhe havia falado: “Tu és o Deus que me vê”, pois dissera: “Teria eu visto Aquele que me vê? “
  24. Por isso o poço, que fica entre Cades e Berede, foi chamado Beer-Laai-Roi.
  25. Hagar teve um filho de Abrão, e este lhe deu o nome de Ismael.
  26. Abrão estava com oitenta e seis anos de idade quando Hagar lhe deu Ismael.
  27. Quando Abrão estava com noventa e nove anos de idade o Senhor lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus Todo-poderoso; ande segundo a minha vontade e seja íntegro.
  28. Estabelecerei a minha aliança entre mim e você e multiplicarei muitíssimo a sua descendência”.
  29. Abrão prostrou-se, rosto em terra, e Deus lhe disse:
  30.  “De minha parte, esta é a minha aliança com você. Você será o pai de muitas nações.
  31. Não será mais chamado Abrão; seu nome será Abraão, porque eu o constituí pai de muitas nações.
  32. Eu o tornarei extremamente prolífero; de você farei nações e de você procederão reis.
  33. Estabelecerei a minha aliança como aliança eterna entre mim e você e os seus futuros descendentes, para ser o seu Deus e o Deus dos seus descendentes.
  34. Toda a terra de Canaã, onde agora você é estrangeiro, darei como propriedade perpétua a você e a seus descendentes; e serei o Deus deles.
  35. “De sua parte”, disse Deus a Abraão, “guarde a minha aliança, tanto você como os seus futuros descendentes.
  36. Esta é a minha aliança com você e com os seus descendentes, aliança que terá que ser guardada: Todos os do sexo masculino entre vocês serão circuncidados na carne.
  37. Terão que fazer essa marca, que será o sinal da aliança entre mim e vocês.
  38. Da sua geração em diante, todo menino de oito dias de idade entre vocês terá que ser circuncidado, tanto os nascidos em sua casa quanto os que forem comprados de estrangeiros e que não forem descendentes de vocês.
  39. Sejam nascidos em sua casa, sejam comprados, terão que ser circuncidados. Minha aliança, marcada no corpo de vocês, será uma aliança perpétua.
  40. Qualquer do sexo masculino que for incircunciso, que não tiver sido circuncidado, será eliminado do meio do seu povo; quebrou a minha aliança”.
  41. Disse também Deus a Abraão: “De agora em diante sua mulher já não se chamará Sarai; seu nome será Sara.”
  42. “Eu a abençoarei e também por meio dela darei a você um filho. Sim, eu a abençoarei e dela procederão nações e reis de povos”.
  43. Abraão prostrou-se, rosto em terra; riu-se e disse a si mesmo: “Poderá um homem de cem anos de idade gerar filhos? Poderá Sara dar à luz aos noventa anos? “
  44. E Abraão disse a Deus: “Permite que Ismael seja o meu herdeiro!”
  45. Então Deus respondeu: “Na verdade Sara, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe chamará Isaque. Com ele estabelecerei a minha aliança, que será aliança eterna para os seus futuros descendentes.”
  46. “E no caso de Ismael, levarei em conta o seu pedido. Também o abençoarei; eu o farei prolífero e multiplicarei muito a sua descendência. Ele será pai de doze príncipes e dele farei um grande povo.”
  47. “Mas a minha aliança, eu a estabelecerei com Isaque, filho que Sara lhe dará no ano que vem, por esta época”.
  48. Quando terminou de falar com Abraão, Deus subiu e retirou-se da presença dele.
  49. Naquele mesmo dia Abraão tomou seu filho Ismael, todos os nascidos em sua casa e os que foram comprados, todos os do sexo masculino de sua casa, e os circuncidou, como Deus lhe ordenara.
  50. Abraão tinha noventa e nove anos quando foi circuncidado, e seu filho Ismael tinha treze;
  51. Abraão e seu filho Ismael foram circuncidados naquele mesmo dia.
  52. E com ele foram circuncidados todos os de sua casa, tanto os nascidos em casa como os comprados de estrangeiros.

Capítulo 3 – Sodoma e Gomorra

  1. O Senhor apareceu a Abraão perto dos carvalhos de Manre, quando ele estava sentado à entrada de sua tenda, na hora mais quente do dia.
  2. Abraão ergueu os olhos e viu três homens em pé, a pouca distância. Quando os viu, saiu da entrada de sua tenda, correu ao encontro deles e curvou-se até ao chão.
  3. Disse ele: “Meu senhor, se mereço o seu favor, não passe pelo seu servo sem fazer uma parada.
  4. Mandarei buscar um pouco d’água para que lavem os pés e descansem debaixo desta árvore.
  5. Vou trazer-lhes também o que comer, para que recobrem forças e prossigam pelo caminho, agora que já chegaram até este seu servo”. “Está bem; faça como está dizendo”, responderam.
  6. Abraão foi apressadamente à tenda e disse a Sara: “Depressa, pegue três medidas da melhor farinha, amasse-a e faça uns pães”.
  7. Depois correu ao rebanho e escolheu o melhor novilho, e o deu a um servo, que se apressou em prepará-lo.
  8. Trouxe então coalhada, leite e o novilho que havia sido preparado, e os serviu. Enquanto comiam, ele ficou perto deles em pé, debaixo da árvore.
  9. “Onde está Sara, sua mulher?“, perguntaram. “Ali na tenda”, respondeu ele.
  10. Então disse o Senhor: “Voltarei a você na primavera, e Sara, sua mulher, terá um filho”. Sara escutava à entrada da tenda, atrás dele.
  11. Abraão e Sara já eram velhos, de idade bem avançada, e Sara já tinha passado da idade de ter filhos.
  12. Por isso riu consigo mesma, quando pensou: “Depois de já estar velha e meu senhor já idoso, ainda terei esse prazer?”
  13. Mas o Senhor disse a Abraão: “Por que Sara riu e disse: ‘Poderei realmente dar à luz, agora que sou idosa? ’
  14. Existe alguma coisa impossível para o Senhor? Na primavera voltarei a você, e Sara terá um filho”.
  15. Sara teve medo, e por isso mentiu: “Eu não ri”. Mas ele disse: “Não negue, você riu”.
  16. Quando os homens se levantaram para partir, avistaram lá embaixo Sodoma; e Abraão os acompanhou para despedir-se.
  17. Então o Senhor disse: “Esconderei de Abraão o que estou para fazer?
  18. Abraão será o pai de uma nação grande e poderosa, e por meio dele todas as nações da terra serão abençoadas.
  19. Pois eu o escolhi, para que ordene aos seus filhos e aos seus descendentes que se conservem no caminho do Senhor, fazendo o que é justo e direito, para que o Senhor faça vir a Abraão o que lhe havia prometido”.
  20. Disse-lhe, pois, o Senhor: “As acusações contra Sodoma e Gomorra são tantas e o seu pecado é tão grave
    que descerei para ver se o que eles têm feito corresponde ao que tenho ouvido. Se não, eu saberei”.
  21. Os homens partiram dali e foram para Sodoma, mas Abraão permaneceu diante do Senhor.
  22. Abraão aproximou-se dele e disse: “Exterminarás o justo com o ímpio?
  23. E se houver cinqüenta justos na cidade? Ainda a destruirás e não pouparás o lugar por amor aos cinqüenta justos que nele estão?
  24. Longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Longe de ti! Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra? “
  25. Respondeu o Senhor: “Se eu encontrar cinqüenta justos em Sodoma, pouparei a cidade toda por amor a eles”.
  26. Mas Abraão tornou a falar: “Sei que já fui muito ousado a ponto de falar ao Senhor, eu que não passo de pó e cinza.
  27. Ainda assim pergunto: E se faltarem cinco para completar os cinqüenta justos? Destruirás a cidade por causa dos cinco? ” Disse ele: “Se encontrar ali quarenta e cinco, não a destruirei”.
  28. “E se encontrares apenas quarenta? “, insistiu Abraão. Ele respondeu: “Por amor aos quarenta não a destruirei”.
  29. Então continuou ele: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar. E se apenas trinta forem encontrados ali? ” Ele respondeu: “Se encontrar trinta, não a destruirei”.
  30. Prosseguiu Abraão: “Agora que já fui tão ousado falando ao Senhor, pergunto: E se apenas vinte forem encontrados ali? ” Ele respondeu: “Por amor aos vinte não a destruirei”.
  31. Então Abraão disse ainda: “Não te ires, Senhor, mas permite-me falar só mais uma vez. E se apenas dez forem encontrados? ” Ele respondeu: “Por amor aos dez não a destruirei”.
  32. Tendo acabado de falar com Abraão, o Senhor partiu, e Abraão voltou para casa.
  33. Os dois anjos chegaram a Sodoma ao anoitecer, e  estava sentado à porta da cidade. Quando os avistou, levantou-se e foi recebê-los.
  34. Prostrou-se, rosto em terra, e disse: “Meus senhores, por favor, acompanhem-me à casa do seu servo. Lá poderão lavar os pés, passar a noite e, pela manhã, seguir caminho. Não, passaremos a noite na praça”, responderam.
  35. Mas ele insistiu tanto com eles que, finalmente, o acompanharam e entraram em sua casa. Ló mandou preparar-lhes uma refeição e assar pão sem fermento, e eles comeram.
  36. Ainda não tinham ido deitar-se, quando todos os homens de toda parte da cidade de Sodoma, dos mais jovens aos mais velhos, cercaram a casa.
  37. Chamaram Ló e lhe disseram: “Onde estão os homens que vieram à sua casa esta noite? Traga-os para nós aqui fora para que tenhamos relações com eles”.
  38. Ló saiu da casa, fechou a porta atrás de si e lhes disse: “Não, meus amigos! Não façam essa perversidade!
  39. Olhem, tenho duas filhas que ainda são virgens. Vou trazê-las para que vocês façam com elas o que bem entenderem. Mas não façam nada a estes homens, porque se acham debaixo da proteção do meu teto”.
  40. “Saia da frente! “, gritaram. E disseram: “Este homem chegou aqui como estrangeiro, e agora quer ser o juiz! Faremos a você pior do que a eles”. Então empurraram Ló com violência e avançaram para arrombar a porta.
  41. Nisso, os dois visitantes agarraram Ló, puxaram-no para dentro e fecharam a porta.
  42. Depois feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, dos mais jovens aos mais velhos, de maneira que não conseguiam encontrar a porta.
  43. Os dois homens perguntaram a Ló: “Você tem mais alguém na cidade — genros, filhos ou filhas, ou qualquer outro parente? Tire-os daqui,
  44. Porque estamos para destruir este lugar. As acusações feitas ao Senhor contra este povo são tantas que ele nos enviou para destruir a cidade”.
  45. Então Ló foi falar com seus genros, os quais iam casar-se com suas filhas, e lhes disse: “Saiam imediatamente deste lugar, porque o Senhor está para destruir a cidade! ” Mas eles pensaram que ele estava brincando.
  46. Ao raiar do dia, os anjos insistiam com Ló, dizendo: “Depressa! Leve daqui sua mulher e suas duas filhas, ou vocês também serão mortos quando a cidade for castigada”.
  47. Tendo ele hesitado, os homens o agarraram pela mão, como também a mulher e as duas filhas, e os tiraram dali à força e os deixaram fora da cidade, porque o Senhor teve misericórdia deles.
  48. Assim que os tiraram da cidade, um deles disse a Ló: “Fuja por amor à vida! Não olhe para trás e não pare em lugar nenhum da planície! Fuja para as montanhas, ou você será morto! “
  49. Ló, porém, lhes disse: “Não, meu senhor!
  50. Seu servo foi favorecido por sua benevolência, pois o senhor foi bondoso comigo, poupando-me a vida. Não posso fugir para as montanhas, se não esta calamidade cairá sobre mim, e morrerei.
  51. Aqui perto há uma cidade pequena. Está tão próxima que dá para correr até lá. Deixe-me ir para lá! Mesmo sendo tão pequena, lá estarei a salvo”.
  52. “Está bem”, respondeu ele. “Também lhe atenderei esse pedido; não destruirei a cidade da qual você fala.
  53. Fuja depressa, porque nada poderei fazer enquanto você não chegar lá”. Por isso a cidade foi chamada Zoar.
  54. Quando Ló chegou a Zoar, o sol já havia nascido sobre a terra.
  55. Então o Senhor, o próprio Senhor, fez chover do céu fogo e enxofre sobre Sodoma e Gomorra.
  56. Assim ele destruiu aquelas cidades e toda a planície, com todos os habitantes das cidades e a vegetação.
  57. Mas a mulher de Ló olhou para trás e se transformou numa coluna de sal.
  58. Na manhã seguinte, Abraão se levantou e voltou ao lugar onde tinha estado diante do Senhor.
  59. E olhou para Sodoma e Gomorra, para toda a planície, e viu uma densa fumaça subindo da terra, como fumaça de uma fornalha.
  60. Quando Deus arrasou as cidades da planície, lembrou-se de Abraão e tirou Ló do meio da catástrofe que destruiu as cidades onde Ló vivia.
  61. Ló partiu de Zoar com suas duas filhas e passou a viver nas montanhas, porque tinha medo de permanecer em Zoar. Ele e suas duas filhas ficaram morando numa caverna.
  62. Um dia, a filha mais velha disse à mais jovem: “Nosso pai já está velho, e não há homens nas redondezas que nos possuam, segundo o costume de toda a terra.
  63. Vamos dar vinho a nosso pai e então nos deitaremos com ele para preservar a linhagem de nosso pai”.
  64. Naquela noite deram vinho ao pai, e a filha mais velha entrou e se deitou com ele. E ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou.
  65. No dia seguinte a filha mais velha disse à mais nova: “Ontem à noite deitei-me com meu pai. Vamos dar-lhe vinho também esta noite, e você se deitará com ele, para que preservemos a linhagem de nosso pai”.
  66. Então, outra vez deram vinho ao pai naquela noite, e a mais nova foi e se deitou com ele. E ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou.
  67. Assim, as duas filhas de Ló engravidaram do próprio pai.
  68. A mais velha teve um filho, e deu-lhe o nome de Moabe; este é o pai dos moabitas de hoje.
  69. A mais nova também teve um filho, e deu-lhe o nome de Ben-Ami; este é o pai dos amonitas de hoje.

Capítulo 4 – Isaque

  1. O Senhor foi bondoso com Sara, como lhe dissera, e fez por ela o que prometera.
  2. Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice, na época fixada por Deus em sua promessa.
  3. Abraão deu o nome de Isaque ao filho que Sara lhe dera.
  4. Quando seu filho Isaque tinha oito dias de vida, Abraão o circuncidou, conforme Deus lhe havia ordenado.
  5. Estava ele com cem anos de idade quando lhe nasceu Isaque, seu filho.
  6. E Sara disse: “Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo”.
  7. E acrescentou: “Quem diria a Abraão que Sara amamentaria filhos? Contudo eu lhe dei um filho em sua velhice! “
  8. O menino cresceu e foi desmamado. No dia em que Isaque foi desmamado, Abraão deu uma grande festa.
  9. Sara, porém, viu que o filho que Hagar, a egípcia, dera a Abraão estava rindo de Isaque,
  10. e disse a Abraão: “Livre-se daquela escrava e do seu filho, porque ele jamais será herdeiro com o meu filho Isaque”.
  11. Isso perturbou demais Abraão, pois envolvia um filho seu.
  12. Mas Deus lhe disse: “Não se perturbe por causa do menino e da escrava. Atenda a tudo o que Sara lhe pedir, porque será por meio de Isaque que a sua descendência há de ser considerada.
  13. Mas também do filho da escrava farei um povo; afinal ele é seu descendente”.
  14. Na manhã seguinte, Abraão pegou alguns pães e uma vasilha de couro cheia d’água, entregou-os a Hagar e, tendo-os colocado nos ombros dela, despediu-a com o menino. Ela se pôs a caminho e ficou vagando pelo deserto de Berseba.
  15. Quando acabou a água da vasilha, ela deixou o menino debaixo de um arbusto
  16. e foi sentar-se perto dali, à distância de um tiro de flecha, porque pensou: “Não posso ver o menino morrer”. Sentada ali perto, começou a chorar.
  17. Deus ouviu o choro do menino, e o anjo de Deus, do céu, chamou Hagar e lhe disse: “O que a aflige, Hagar? Não tenha medo; Deus ouviu o menino chorar, lá onde você o deixou.
  18. Levante o menino e tome-o pela mão, porque dele farei um grande povo”.
  19. Então Deus lhe abriu os olhos, e ela viu uma fonte. Foi até lá, encheu de água a vasilha e deu de beber ao menino.
  20. Deus estava com o menino. Ele cresceu, viveu no deserto e tornou-se flecheiro.
  21. Ele viveu no deserto de Parã, e sua mãe lhe conseguiu uma mulher da terra do Egito.
  22. Naquela ocasião, Abimeleque, acompanhado de Ficol, comandante do seu exército, disse a Abraão: “Deus está contigo em tudo o que fazes.
  23. Agora, jura-me, diante de Deus, que não vais enganar-me, nem a mim nem a meus filhos e descendentes. Trata a nação que te acolheu como estrangeiro com a mesma bondade com que te tratei”.
  24. Respondeu Abraão: “Eu juro! “
  25. Todavia Abraão reclamou com Abimeleque a respeito de um poço que os servos de Abimeleque lhe tinham tomado à força.
  26. Mas Abimeleque lhe respondeu: “Não sei quem fez isso. Nunca me disseste nada, e só fiquei sabendo disso hoje”.
  27. Então Abraão trouxe ovelhas e bois, deu-os a Abimeleque, e os dois firmaram um acordo.
  28. Abraão separou sete ovelhas do rebanho, pelo que Abimeleque lhe perguntou: “Que significam estas sete ovelhas que separaste das demais?“
  29. Ele respondeu: “Aceita estas sete ovelhas de minhas mãos como testemunho de que eu cavei este poço”.
  30. Por isso aquele lugar foi chamado Berseba, porque ali os dois fizeram um juramento.
  31. Firmado esse acordo em Berseba, Abimeleque e Ficol, comandante das suas tropas, voltaram para a terra dos filisteus.
  32. Abraão, por sua vez, plantou uma tamargueira em Berseba e ali invocou o nome do Senhor, o Deus Eterno.
  33. E morou Abraão na terra dos filisteus por longo tempo.
  34. Passado algum tempo, Deus pôs Abraão à prova, dizendo-lhe: “Abraão! ” Ele respondeu: “Eis-me aqui”.
  35. Então disse Deus: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei”.
  36. Na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento. Levou consigo dois de seus servos e Isaque seu filho. Depois de cortar lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicado.
  37. No terceiro dia de viagem, Abraão olhou e viu o lugar ao longe.
  38. Disse ele a seus servos: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorarmos, voltaremos”.
  39. Abraão pegou a lenha para o holocausto e a colocou nos ombros de seu filho Isaque, e ele mesmo levou as brasas para o fogo, e a faca.
  40. E caminhando os dois juntos, Isaque disse a seu pai Abraão: “Meu pai! ” “Sim, meu filho”, respondeu Abraão. Isaque perguntou: “As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto? “
  41. Respondeu Abraão: “Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho”. E os dois continuaram a caminhar juntos.
  42. Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha. Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.
  43. Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho.
  44. Mas o Anjo do Senhor o chamou do céu: “Abraão! Abraão! ” “Eis-me aqui”, respondeu ele.
  45. “Não toque no rapaz”, disse o Anjo. “Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho. “
  46. Abraão ergueu os olhos e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto. Foi lá, pegou-o e sacrificou-o como holocausto em lugar de seu filho.
  47. Abraão deu àquele lugar o nome de “O Senhor proverá”. Por isso até hoje se diz: “No monte do Senhor se proverá”.
  48. Pela segunda vez o Anjo do Senhor chamou do céu a Abraão e disse: “Juro por mim mesmo”, declara o Senhor, “que por ter feito o que fez, não me negando seu filho, o seu único filho, esteja certo de que o abençoarei e farei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar.
  49. Sua descendência conquistará as cidades dos que lhe forem inimigos e, por meio dela, todos povos da terra serão abençoados, porque você me obedeceu”.
  50. Então voltou Abraão a seus servos, e juntos partiram para Berseba, onde passou a viver.

Capítulo 5 – Rebeca

  1. Sara viveu cento e vinte e sete anos e morreu em Quiriate-Arba, que é Hebrom, em Canaã; e Abraão foi lamentar e chorar por ela.
  2. Depois Abraão deixou ali o corpo de sua mulher e foi falar com os hititas:
  3. “Sou apenas um estrangeiro entre vocês. Cedam-me alguma propriedade para sepultura, para que eu tenha onde enterrar a minha mulher”.
  4. Responderam os hititas a Abraão:
  5. “Ouça-nos, senhor; o senhor é um príncipe de Deus em nosso meio. Enterre a sua mulher numa de nossas sepulturas, na que lhe parecer melhor. Nenhum de nós recusará ceder-lhe sua sepultura para que enterre a sua mulher”.
  6. Abraão levantou-se, curvou-se perante o povo daquela terra, os hititas,
  7. e disse-lhes: “Já que vocês me dão permissão para sepultar minha mulher, peço que intercedam por mim junto a Efrom, filho de Zoar,
  8. a fim de que ele me ceda a caverna de Macpela, que lhe pertence e se encontra na divisa do seu campo. Peçam-lhe que a ceda a mim pelo preço justo, para que eu tenha uma propriedade para sepultura entre vocês”.
  9. Efrom, o hitita, estava sentado no meio do seu povo e respondeu a Abraão, sendo ouvido por todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade:
  10. “Não, meu senhor. Ouça-me, eu lhe cedo o campo e também a caverna que nele está. Cedo-os na presença do meu povo. Sepulte a sua mulher”.
  11. Novamente Abraão curvou-se perante o povo daquela terra
  12. e disse a Efrom, sendo ouvido por todos: “Ouça-me, por favor. Pagarei o preço do campo. Aceite-o, para que eu possa sepultar a minha mulher”.
  13. Efrom respondeu a Abraão:
  14. “Ouça-me, meu senhor: aquele pedaço de terra vale quatrocentas peças de prata, mas o que significa isso entre mim e você? Sepulte a sua mulher”.
  15. Abraão concordou com Efrom e pesou-lhe o valor por ele estipulado diante dos hititas: quatrocentas peças de prata, de acordo com o peso corrente entre os mercadores.
  16. Assim o campo de Efrom em Macpela, perto de Manre, o próprio campo com a caverna que nele há e todas as árvores dentro das divisas do campo, foi transferido
  17. a Abraão como sua propriedade diante de todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade.
  18. Depois disso, Abraão sepultou sua mulher Sara na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, que se encontra em Hebrom, na terra de Canaã.
  19. Assim o campo e a caverna que nele há foram transferidos a Abraão pelos hititas como propriedade para sepultura.
  20. Abraão já era velho, de idade bem avançada, e o Senhor em tudo o abençoara.
  21. Disse ele ao servo mais velho de sua casa, que era o responsável por tudo quanto tinha: “Ponha a mão debaixo da minha coxa
  22. e jure pelo Senhor, o Deus dos céus e o Deus da terra, que não buscará mulher para meu filho entre as filhas dos cananeus, no meio dos quais estou vivendo,
  23. mas irá à minha terra e buscará entre os meus parentes uma mulher para meu filho Isaque”.
  24. O servo lhe perguntou: “E se a mulher não quiser vir comigo a esta terra? Devo então levar teu filho de volta à terra de onde vieste?”
  25. “Se a mulher não quiser vir, você estará livre do juramento. Mas não leve o meu filho de volta para lá”.
  26. Então o servo pôs a mão debaixo da coxa de Abraão, seu senhor, e jurou cumprir aquela palavra.
  27. O servo partiu, com dez camelos do seu senhor, levando também do que o seu senhor tinha de melhor.
  28. Partiu para a Mesopotâmia, em direção à cidade onde Naor tinha morado.
  29. Ao cair da tarde, quando as mulheres costumam sair para buscar água, ele fez os camelos se ajoelharem junto ao poço que ficava fora da cidade.
  30. Então orou: “SENHOR, Deus do meu senhor Abraão, dá-me neste dia bom êxito e seja bondoso com o meu senhor Abraão.”
  31. Antes que ele terminasse de orar, surgiu Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, trazendo no ombro o seu cântaro.
  32. A jovem era muito bonita e virgem; nenhum homem tivera relações com ela. Rebeca desceu à fonte, encheu seu cântaro e voltou.
  33. O servo apressou-se ao encontro dela e disse: “Por favor, dê-me um pouco de água do seu cântaro”.
  34. “Beba, meu senhor”, disse ela, e tirou rapidamente dos ombros o cântaro e o serviu.
  35. Depois que lhe deu de beber, disse: “Tirarei água também para os seus camelos até saciá-los”.
  36. Assim ela esvaziou depressa seu cântaro no bebedouro e correu de volta ao poço para tirar mais água para todos os camelos.
  37. Sem dizer nada, o homem a observava atentamente para saber se o Senhor tinha ou não coroado de êxito a sua missão.
  38. Quando os camelos acabaram de beber, o homem deu à jovem um pendente de ouro de seis gramas e duas pulseiras de ouro de cento e vinte gramas,
  39. e perguntou: “De quem você é filha? Diga-me, por favor, se há lugar na casa de seu pai para eu e meus companheiros passarmos a noite”.
  40. “Sou filha de Betuel, o filho que Milca deu a Naor”, respondeu ela; e acrescentou: “Temos bastante palha e forragem, e também temos lugar para vocês passarem a noite”.
  41. Então o homem curvou-se em adoração ao Senhor, dizendo: “Bendito seja o Senhor, o Deus do meu senhor Abraão, que não retirou sua bondade e sua fidelidade do meu senhor.”
  42. “Quanto a mim, o Senhor me conduziu na jornada até a casa dos parentes do meu senhor”.
  43. A jovem correu para casa e contou tudo à família de sua mãe.
  44. Rebeca tinha um irmão chamado Labão. Ele saiu apressado à fonte para conhecer o homem,
  45. pois tinha visto o pendente, e as pulseiras no braço de sua irmã, e ouvira Rebeca contar o que o homem lhe dissera. Saiu, pois, e foi encontrá-lo parado junto à fonte, ao lado dos camelos.
  46. E disse: “Venha, bendito do Senhor! Por que ficar aí fora? Já arrumei a casa e um lugar para os camelos”.
  47. Assim o homem dirigiu-se à casa, e os camelos foram descarregados. Deram palha e forragem aos camelos, e água ao homem e aos que estavam com ele para lavarem os pés.
  48. Depois lhe trouxeram comida, mas ele disse: “Não comerei enquanto não disser o que tenho para dizer”. Disse Labão: “Então fale”.
  49. E ele disse: “Sou servo de Abraão. O Senhor o abençoou muito, e ele se tornou muito rico. Deu-lhe ovelhas e bois, prata e ouro, servos e servas, camelos e jumentos.”
  50. “Sara, mulher do meu senhor, na velhice lhe deu um filho, que é o herdeiro de tudo o que Abraão possui.”
  51. “E meu senhor fez-me jurar, dizendo: Você não buscará mulher para meu filho entre as filhas dos cananeus, em cuja terra estou vivendo,”
  52. “Mas irá à família de meu pai, ao meu próprio clã, buscar uma mulher para meu filho.”
  53. E depois de ouvir como o servo encontrou Rebeca junto ao poço que fica fora da cidade, Labão e Betuel responderam: “Isso vem do Senhor; nada lhe podemos dizer, nem a favor, nem contra.”
  54. “Aqui está Rebeca; leve-a com você e que ela se torne a mulher do filho do seu senhor, como disse o Senhor”.
  55. Quando o servo de Abraão escutou o que disseram, curvou-se até ao chão diante do Senhor.
  56. Então o servo deu joias de ouro e de prata e vestidos a Rebeca; deu também presentes valiosos ao irmão dela e à sua mãe.
  57. Depois ele e os homens que o acompanhavam comeram, beberam e ali passaram a noite. Ao se levantarem na manhã seguinte, ele disse: “Deixem-me voltar ao meu senhor”.
  58. Mas o irmão e a mãe dela responderam: “Deixe a jovem ficar mais uns dez dias conosco; então você poderá partir”.
  59. Mas ele disse: “Não me detenham, agora que o Senhor coroou de êxito a minha missão. Vamos despedir-nos, e voltarei ao meu senhor”.
  60. Então lhe disseram: “Vamos chamar a jovem e ver o que ela diz”.
  61. Chamaram Rebeca e lhe perguntaram: “Você quer ir com este homem?”. “Sim, quero”, respondeu ela.
  62. Despediram-se, pois, de sua irmã Rebeca, de sua ama, do servo de Abraão e dos que o acompanhavam.
  63. E abençoaram Rebeca, dizendo-lhe: “Que você cresça, nossa irmã, até ser milhares de milhares; e que a sua descendência conquiste as cidades dos seus inimigos”.
  64. Então Rebeca e suas servas se aprontaram, montaram seus camelos e partiram com o homem. E assim o servo partiu levando Rebeca.
  65. Isaque tinha voltado de Beer-Laai-Roi, pois habitava no Neguebe.
  66. Certa tarde, saiu ao campo para meditar. Ao erguer os olhos, viu que se aproximavam camelos.
  67. Rebeca também ergueu os olhos e viu Isaque. Ela desceu do camelo e perguntou ao servo: “Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro?”
  68. “É meu senhor”, respondeu o servo. Então ela se cobriu com o véu.
  69. Depois o servo contou a Isaque tudo o que havia feito.
  70. Isaque levou Rebeca para a tenda de sua mãe Sara; fez dela sua mulher, e a amou; assim Isaque foi consolado após a morte de sua mãe.

Capítulo 6 – Poços de Gerar

  1. Abraão deixou tudo o que tinha para Isaque. Mas para os filhos de suas concubinas deu presentes; e, ainda em vida, enviou-os para longe de Isaque, para a terra do Oriente.
  2. Abraão viveu cento e setenta e cinco anos.
  3. Morreu em boa velhice, em idade bem avançada, e foi reunido aos seus antepassados.
  4. Seus filhos, Isaque e Ismael, o sepultaram na caverna de Macpela, perto de Manre, no campo de Efrom, filho de Zoar, o hitita, campo que Abraão comprara dos hititas.
  5. Foi ali que Abraão e Sara, sua mulher, foram sepultados.
  6. Depois da morte de Abraão, Deus abençoou seu filho Isaque. Isaque morava próximo a Beer-Laai-Roi.
  7. Isaca aos quarenta anos havia se casado com Rebeca, filha de Betuel, o arameu de Padã-Arã, e irmã de Labão, também arameu.
  8. Isaque orou ao Senhor em favor de sua mulher, porque era estéril. O SENHOR respondeu à sua oração, e Rebeca, sua mulher, engravidou.
  9. Os meninos se empurravam dentro dela, pelo que disse: “Por que está me acontecendo isso? ” Foi então consultar o Senhor.
  10. Disse-lhe o Senhor: “Duas nações estão em seu ventre, já desde as suas entranhas dois povos se separarão; um deles será mais forte que o outro, mas o mais velho servirá ao mais novo”.
  11. Ao chegar a época de dar à luz, confirmou-se que havia gêmeos em seu ventre.
  12. O primeiro a sair era ruivo, e todo o seu corpo era como um manto de pêlos; por isso lhe deram o nome de Esaú.
  13. Depois saiu seu irmão, com a mão agarrada no calcanhar de Esaú; pelo que lhe deram o nome de Jacó. Tinha Isaque sessenta anos de idade quando Rebeca os deu à luz.
  14. Os meninos cresceram. Esaú tornou-se caçador habilidoso e vivia percorrendo os campos, ao passo que Jacó cuidava do rebanho e vivia nas tendas.
  15. Isaque preferia Esaú, porque gostava de comer de suas caças; Rebeca preferia Jacó.
  16. Certa vez, quando Jacó preparava um ensopado, Esaú chegou faminto, voltando do campo, e pediu-lhe: “Dê-me um pouco desse ensopado vermelho aí. Estou faminto! ” Por isso também foi chamado Edom.
  17. Respondeu-lhe Jacó: “Venda-me primeiro o seu direito de filho mais velho”.
  18. Disse Esaú: “Estou quase morrendo. De que me vale esse direito? “
  19. Jacó, porém, insistiu: “Jure primeiro”. Então ele fez um juramento, vendendo o seu direito de filho mais velho a Jacó.
  20. Então Jacó serviu a Esaú pão com ensopado de lentilhas. Ele comeu e bebeu, levantou-se e se foi. Assim Esaú desprezou o seu direito de filho mais velho.
  21. Houve fome naquela terra, como tinha acontecido no tempo de Abraão. Por isso Isaque foi para Gerar, onde Abimeleque era o rei dos filisteus.
  22. O Senhor apareceu a Isaque e disse: “Não desça ao Egito; procure estabelecer-se na terra que eu lhe indicar.
  23. Permaneça nesta terra mais um pouco, e eu estarei com você e o abençoarei. Porque a você e a seus descendentes darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a seu pai Abraão.
  24. Tornarei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e lhes darei todas estas terras; e por meio da sua descendência todos os povos da terra serão abençoados,
  25. porque Abraão me obedeceu e guardou meus preceitos, meus mandamentos, meus decretos e minhas leis”.
  26. Assim Isaque ficou em Gerar. Ele formou lavoura naquela terra e no mesmo ano colheu a cem por um, porque o Senhor o abençoou.
  27. O homem enriqueceu, e a sua riqueza continuou a aumentar, até que ficou riquíssimo.
  28. Possuía tantos rebanhos e servos que os filisteus o invejavam.
  29. Estes taparam todos os poços que os servos de Abraão, pai de Isaque, tinham cavado na sua época, enchendo-os de terra.
  30. Então Abimeleque pediu a Isaque: “Sai de nossa terra, pois já és poderoso demais para nós”.
  31. Então Isaque mudou-se de lá, acampou no vale de Gerar e ali se estabeleceu.
  32. Isaque reabriu os poços cavados no tempo de seu pai Abraão, os quais os filisteus fecharam depois que Abraão morreu, e deu-lhes os mesmos nomes que seu pai lhes tinha dado.
  33. Os servos de Isaque cavaram no vale e descobriram um veio d’água.
  34. Mas os pastores de Gerar discutiram com os pastores de Isaque, dizendo: “A água é nossa! ” Por isso Isaque deu ao poço o nome de Eseque, porque discutiram por causa dele.
  35. Então os seus servos cavaram outro poço, mas eles também discutiram por causa dele; por isso o chamou Sitna.
  36. Isaque mudou-se dali e cavou outro poço, e ninguém discutiu por causa dele. Deu-lhe o nome de Reobote, dizendo: “Agora o Senhor nos abriu espaço e prosperaremos na terra”.
  37. Dali Isaque foi para Berseba.
  38. Naquela noite, o Senhor lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus de seu pai Abraão. Não tema, porque estou com você; eu o abençoarei e multiplicarei os seus descendentes por amor ao meu servo Abraão”.
  39. Isaque construiu nesse lugar um altar e invocou o nome do Senhor. Ali armou acampamento, e os seus servos cavaram outro poço.
  40. Por aquele tempo, veio a ele Abimeleque, de Gerar, com Auzate, seu conselheiro pessoal, e Ficol, o comandante dos seus exércitos.
  41. Isaque lhes perguntou: “Por que me vieram ver, uma vez que foram hostis e me mandaram embora? “
  42. Eles responderam: “Vimos claramente que o Senhor está contigo; por isso dissemos: Façamos um juramento entre nós. Queremos firmar um acordo contigo:
  43. Tu não nos farás mal, assim como nada te fizemos, mas sempre te tratamos bem e te despedimos em paz. Agora sabemos que o SENHOR te tem abençoado”.
  44. Então Isaque ofereceu-lhes um banquete, e eles comeram e beberam.
  45. Na manhã seguinte os dois fizeram juramento. Depois Isaque os despediu e partiram em paz.
  46. Naquele mesmo dia os servos de Isaque vieram falar-lhe sobre o poço que tinham cavado, e disseram: “Achamos água! “
  47. Isaque deu-lhe o nome de Seba e, por isso, até o dia de hoje aquela cidade é conhecida como Berseba.
  48. Tinha Esaú quarenta anos de idade quando escolheu por mulher a Judite, filha de Beeri, o hitita, e também a Basemate, filha de Elom, o hitita.
  49. Elas amarguraram a vida de Isaque e de Rebeca.

Capítulo 7 – Esaú e Jacó

  1. Tendo Isaque envelhecido, seus olhos ficaram tão fracos que ele já não podia enxergar. Certo dia chamou Esaú, seu filho mais velho, e lhe disse: “Meu filho! ” Ele respondeu: “Estou aqui”.
  2. Disse-lhe Isaque: “Já estou velho e não sei o dia da minha morte.
  3. Pegue agora suas armas, o arco e a aljava, e vá ao campo caçar alguma coisa para mim.
  4. Prepare-me aquela comida saborosa que tanto aprecio e traga-me, para que eu a coma e o abençoe antes de morrer”.
  5. Ora, Rebeca estava ouvindo o que Isaque dizia a seu filho Esaú. Quando Esaú saiu ao campo para caçar,
    Rebeca disse a seu filho Jacó: “Ouvi seu pai dizer a seu irmão Esaú:
  6. ‘Traga-me alguma caça e prepare-me aquela comida saborosa, para que eu a coma e o abençoe na presença do Senhor antes de morrer’.
  7. Agora, meu filho, ouça bem e faça o que lhe ordeno:
  8. Vá ao rebanho e traga-me dois cabritos escolhidos, para que eu prepare uma comida saborosa para seu pai, como ele aprecia.
  9. Leve-a então a seu pai, para que ele a coma e o abençoe antes de morrer”.
  10. Disse Jacó a Rebeca, sua mãe: “Mas o meu irmão Esaú é homem peludo, e eu tenho a pele lisa.
  11. E se meu pai me apalpar? Vai parecer que estou tentando enganá-lo, fazendo-o de tolo e, em vez de bênção, trarei sobre mim maldição”.
  12. Disse-lhe sua mãe: “Caia sobre mim a maldição, meu filho. Faça apenas o que eu digo: Vá e traga-os para mim”.
  13. Então ele foi, apanhou-os e os trouxe à sua mãe, que preparou uma comida saborosa, como seu pai apreciava.
  14. Rebeca pegou as melhores roupas de Esaú, seu filho mais velho, roupas que tinha em casa, e colocou-as em Jacó, seu filho mais novo.
  15. Depois cobriu-lhe as mãos e a parte lisa do pescoço com as peles dos cabritos e por fim entregou a Jacó a refeição saborosa e o pão que tinha feito.
  16. Ele se dirigiu ao pai e disse: “Meu pai”. Respondeu ele: “Sim, meu filho. Quem é você? “
  17. Jacó disse a seu pai: “Sou Esaú, seu filho mais velho. Fiz como o senhor me disse. Agora, assente-se e coma do que cacei para que me abençoe”.
  18. Isaque perguntou ao filho: “Como encontrou a caça tão depressa, meu filho? ” Ele respondeu: “O Senhor, o seu Deus, a colocou no meu caminho”.
  19. Então Isaque disse a Jacó: “Chegue mais perto, meu filho, para que eu possa apalpá-lo e saber se você é realmente meu filho Esaú”.
  20. Jacó aproximou-se do seu pai Isaque, que o apalpou e disse: “A voz é de Jacó, mas os braços são de Esaú”.
  21. Não o reconheceu, pois seus braços estavam peludos como os de Esaú, seu irmão; e o abençoou.
  22. Isaque perguntou-lhe outra vez: “Você é mesmo meu filho Esaú? ” E ele respondeu: “Sou”.
  23. Então lhe disse: “Meu filho, traga-me da sua caça para que eu coma e o abençoe”. Jacó a trouxe, e o pai comeu; também trouxe vinho, e ele bebeu.
  24. Então seu pai Isaque lhe disse: “Venha cá, meu filho, dê-me um beijo”.
  25. Ele se aproximou e o beijou. Quando sentiu o cheiro de suas roupas, Isaque o abençoou, dizendo: “Ah, o cheiro de meu filho é como o cheiro de um campo que o Senhor abençoou.
  26. Que Deus lhe conceda do céu o orvalho e da terra a riqueza, com muito cereal e muito vinho.
  27. Que as nações o sirvam e os povos se curvem diante de você. Seja senhor dos seus irmãos, e curvem-se diante de você os filhos de sua mãe. Malditos sejam os que o amaldiçoarem e benditos sejam os que o abençoarem”.
  28. Quando Isaque acabou de abençoar Jacó, mal tendo ele saído da presença do pai, seu irmão Esaú chegou da caçada.
  29. Ele também preparou uma comida saborosa e a trouxe a seu pai. E lhe disse: “Meu pai, levante-se e coma da minha caça, para que o senhor me dê sua bênção”.
  30. Perguntou-lhe seu pai Isaque: “Quem é você? ” Ele respondeu: “Sou Esaú, seu filho mais velho”.
  31. Profundamente abalado, Isaque começou a tremer muito e disse: “Quem então apanhou a caça e a trouxe para mim? Acabei de comê-la antes de você entrar e a ele abençoei; e abençoado ele será! “
  32. Quando Esaú ouviu as palavras de seu pai, deu um forte grito e, cheio de amargura, implorou ao pai: “Abençoe também a mim, meu pai! “
  33. Mas ele respondeu: “Seu irmão chegou astutamente e recebeu a bênção que pertencia a você”.
  34. E disse Esaú: “Não é com razão que o seu nome é Jacó? Já é a segunda vez que ele me engana! Primeiro, tomou o meu direito de filho mais velho e agora recebeu a minha bênção!”
  35. Ele então perguntou ao pai: “O senhor não reservou nenhuma bênção para mim? “
  36. Isaque respondeu a Esaú: “Eu o constituí senhor sobre você, e a todos os seus parentes tornei servos dele; a ele supri de cereal e de vinho. Que é que eu poderia fazer por você, meu filho? “
  37. Esaú pediu ao pai: “Meu pai, o senhor tem apenas uma bênção? Abençoe-me também, meu pai! ” Então chorou Esaú em alta voz.
  38. Seu pai Isaque respondeu-lhe: “Sua habitação será longe das terras férteis, distante do orvalho que desce do alto céu.
  39. Você viverá por sua espada e servirá a seu irmão. Mas quando você não suportar mais, arrancará do pescoço o jugo”.
  40. Esaú guardou rancor contra Jacó por causa da bênção que seu pai lhe dera. E disse a si mesmo: “Os dias de luto pela morte de meu pai estão próximos; então matarei meu irmão Jacó”.
  41. Quando contaram a Rebeca o que seu filho Esaú dissera, ela mandou chamar Jacó, seu filho mais novo, e lhe disse: “Esaú está se consolando com a idéia de matá-lo.”
  42. “Ouça, pois, o que lhe digo, meu filho: Fuja imediatamente para a casa de meu irmão Labão, em Harã. Fique com ele algum tempo, até que passe o furor de seu irmão.”
  43. “Quando seu irmão não estiver mais irado contra você e esquecer o que você lhe fez, mandarei buscá-lo. Por que perderia eu vocês dois num só dia? “
  44. Então Isaque despediu Jacó e este foi a Padã-Arã, a Labão, filho de Betuel, o arameu, e irmão de Rebeca, mãe de Jacó e Esaú.

Capítulo 8 – Raquel

  1. Jacó partiu de Berseba e foi para Harã.
  2. Chegando a determinado lugar, parou para pernoitar, porque o sol já se havia posto. Tomando uma das pedras dali, usou-a como travesseiro e deitou-se.
  3. E teve um sonho no qual viu uma escada apoiada na terra; o seu topo alcançava os céus, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela.
  4. Ao lado dele estava o Senhor, que lhe disse: “Eu sou o Senhor, o Deus de seu pai Abraão e o Deus de Isaque. Darei a você e a seus descendentes a terra na qual você está deitado.
  5. Seus descendentes serão como o pó da terra, e se espalharão para o Oeste e para o Leste, para o Norte e para o Sul. Todos os povos da terra serão abençoados por meio de você e da sua descendência.
  6. Estou com você e cuidarei de você, aonde quer que vá; e eu o trarei de volta a esta terra. Não o deixarei enquanto não fizer o que lhe prometi”.
  7. Quando Jacó acordou do sono, disse: “Sem dúvida o Senhor está neste lugar, mas eu não sabia! “
  8. Teve medo e disse: “Temível é este lugar! Não é outro, senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus”.
  9. Na manhã seguinte, Jacó pegou a pedra que tinha usado como travesseiro, colocou-a de pé como coluna e derramou óleo sobre o seu topo.
  10. E deu o nome de Betel àquele lugar, embora a cidade anteriormente se chamasse Luz.
  11. Então Jacó fez um voto, dizendo: “Se Deus estiver comigo, cuidar de mim nesta viagem que estou fazendo, prover-me de comida e roupa,
  12. e levar-me de volta em segurança à casa de meu pai, então o Senhor será o meu Deus.
  13. E esta pedra que hoje coloquei como coluna servirá de santuário de Deus; e de tudo o que me deres certamente te darei o dízimo”.
  14. Então Jacó seguiu viagem e chegou à Mesopotâmia.
  15. Certo dia, olhando ao redor, viu um poço no campo e três rebanhos de ovelhas deitadas por perto, pois os rebanhos bebiam daquele poço, que era tapado por uma grande pedra.
  16. Por isso, quando todos os rebanhos se reuniam ali, os pastores rolavam a pedra da boca do poço e davam água às ovelhas. Depois recolocavam a pedra em seu lugar, sobre o poço.
  17. Jacó perguntou aos pastores: “Meus amigos, de onde são vocês? ” “Somos de Harã”, responderam.
  18. “Vocês conhecem Labão, neto de Naor? “, perguntou-lhes Jacó. Eles responderam: “Sim, nós o conhecemos”.
  19. Então Jacó perguntou: “Ele vai bem? ” “Sim, vai bem”, disseram eles, “e ali vem sua filha Raquel com as ovelhas”.
  20. Disse ele: “Olhem, o sol ainda vai alto e não é hora de recolher os rebanhos. Dêem de beber às ovelhas e levem-nas de volta ao pasto”.
  21. Mas eles responderam: “Não podemos, enquanto os rebanhos não se agruparem e a pedra não for removida da boca do poço. Só então daremos de beber às ovelhas”.
  22. Ele ainda estava conversando, quando chegou Raquel com as ovelhas de seu pai, pois ela era pastora.
  23. Quando Jacó viu Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas de Labão, aproximou-se, removeu a pedra da boca do poço e deu de beber às ovelhas de seu tio Labão.
  24. Depois Jacó beijou Raquel e começou a chorar bem alto.
  25. Então contou a Raquel que era parente do pai dela e filho de Rebeca. E ela foi correndo contar tudo a seu pai.
  26. Logo que Labão ouviu as notícias acerca de Jacó, seu sobrinho, correu ao seu encontro, abraçou-o e o beijou. Depois, levou-o para casa, e Jacó contou-lhe tudo o que havia ocorrido.
  27. Então Labão lhe disse: “Você é sangue do meu sangue”. Já fazia um mês que Jacó estava na casa de Labão,
    quando este lhe disse: “Só por ser meu parente você vai trabalhar de graça? Diga-me qual deve ser o seu salário”.
  28. Ora, Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha era Lia, e o da mais nova, Raquel.
  29. Lia tinha olhos meigos, mas Raquel era bonita e atraente.
  30. Como Jacó gostava muito de Raquel, disse: “Trabalharei sete anos em troca de Raquel, sua filha mais nova”.
    Labão respondeu: “Será melhor dá-la a você do que a algum outro homem. Fique aqui comigo”.
  31. Então Jacó trabalhou sete anos por Raquel, mas lhe pareceram poucos dias, pelo tanto que a amava.
  32. Então disse Jacó a Labão: “Entregue-me a minha mulher. Cumpri o prazo previsto e quero deitar-me com ela”.
  33. Então Labão reuniu todo o povo daquele lugar e deu uma festa.
  34. Mas quando a noite chegou, deu sua filha Lia a Jacó, e Jacó deitou-se com ela.
  35. Labão também entregou sua serva Zilpa à sua filha, para que ficasse a serviço dela.
  36. Quando chegou a manhã, lá estava Lia. Então Jacó disse a Labão: “Que foi que você me fez? Eu não trabalhei por Raquel? Por que você me enganou? “
  37. Labão respondeu: “Aqui não é costume entregar em casamento a filha mais nova antes da mais velha.
  38. Deixe passar esta semana de núpcias e lhe daremos também a mais nova, em troca de mais sete anos de trabalho”.
  39. Jacó concordou. Passou aquela semana de núpcias com Lia, e Labão lhe deu sua filha Raquel por mulher.
  40. Labão deu a Raquel sua serva Bila, para que ficasse a serviço dela.
  41. Jacó deitou-se também com Raquel, que era a sua preferida. E trabalhou para Labão outros sete anos.
  42. Depois de catorze anos, Jacó disse a Labão: “Deixe-me voltar para a minha terra natal.
  43. Dê-me as minhas mulheres, pelas quais o servi, e os meus filhos, e partirei. Você bem sabe quanto trabalhei para você”.
  44. Mas Labão lhe disse: “Se mereço sua consideração, peço-lhe que fique. Por meio de adivinhação descobri que o Senhor me abençoou por sua causa”, e acrescentou: “Diga o seu salário, e eu lhe pagarei”.
  45. Jacó lhe respondeu: “Você sabe quanto trabalhei para você e como os seus rebanhos cresceram sob os meus cuidados.
  46. O pouco que você possuía antes da minha chegada aumentou muito, pois o Senhor o abençoou depois que vim para cá. Contudo, quando farei algo em favor da minha própria família? “
  47. Então Labão perguntou: “Que você quer que eu lhe dê? ” “Não me dê coisa alguma”, respondeu Jacó. “Voltarei a cuidar dos seus rebanhos se você concordar com o seguinte:
  48. “Hoje passarei por todos os seus rebanhos e tirarei do meio deles todas as ovelhas salpicadas e pintadas, todos os cordeiros pretos e todas as cabras pintadas e salpicadas. Eles serão o meu salário.”
  49. “E a minha honestidade dará testemunho de mim no futuro, toda vez que você resolver verificar o meu salário.”
  50. “Se estiver em meu poder alguma cabra que não seja salpicada ou pintada, e algum cordeiro que não seja preto, poderá considerá-los roubados.”
  51. E disse Labão: “De acordo. Seja como você disse”.
  52. Naquele mesmo dia Labão separou todos os bodes que tinham listras ou manchas brancas, todas as cabras que tinham pintas ou manchas brancas, e todos os cordeiros pretos e os colocou aos cuidados de seus filhos.
  53. Afastou-se então de Jacó, à distância equivalente a três dias de viagem, e Jacó continuou a apascentar o resto dos rebanhos de Labão.
  54. Jacó pegou galhos verdes de estoraque, amendoeira e plátano e neles fez listras brancas, descascando-os parcialmente e expondo assim a parte branca interna dos galhos.
  55. Depois fixou os galhos descascados junto aos bebedouros, na frente dos rebanhos, no lugar onde costumavam beber água.
  56. Na época do cio, os rebanhos vinham beber e se acasalavam diante dos galhos. E geravam filhotes listrados, salpicados e pintados.
  57. Jacó separava os filhotes do rebanho dos demais, e fazia com que esses ficassem juntos dos animais listrados e pretos de Labão. Assim foi formando o seu próprio rebanho que separou do de Labão.
  58. Assim o homem ficou extremamente rico, tornando-se dono de grandes rebanhos e de servos e servas, camelos e jumentos.

Capítulo 9 – Labão

  1. Jacó, porém, ouviu falar que os filhos de Labão estavam dizendo: “Jacó tomou tudo que o nosso pai tinha e juntou toda a sua riqueza à custa do nosso pai”.
  2. E Jacó percebeu que a atitude de Labão para com ele já não era a mesma de antes.
  3. E o Senhor disse a Jacó: “Volte para a terra de seus pais e de seus parentes, e eu estarei com você”.
  4. Então Jacó mandou chamar Raquel e Lia para virem ao campo onde estavam os seus rebanhos,
  5. e lhes disse: “Vejo que a atitude do seu pai para comigo não é mais a mesma, mas o Deus de meu pai tem estado comigo.
  6. “Vocês sabem que trabalhei para seu pai com todo o empenho, mas ele tem me feito de tolo, mudando o meu salário dez vezes. Contudo, Deus não permitiu que ele me prejudicasse.”
  7. “Se ele dizia: As crias salpicadas serão o seu salário’, todos os rebanhos geravam filhotes salpicados; e se ele dizia: As que têm listras serão o seu salário’, todos os rebanhos geravam filhotes com listras.
  8. Foi assim que Deus tirou os rebanhos de seu pai e os deu a mim.”
  9. “Na época do acasalamento, tive um sonho em que olhei e vi que os machos que fecundavam o rebanho tinham listras, eram salpicados e malhados.”
  10. O anjo de Deus me disse no sonho: ‘Jacó! ’ Eu respondi: ‘Eis-me aqui! ’
  11. Então ele disse: ‘Olhe e veja que todos os machos que fecundam o rebanho têm listras, são salpicados e malhados, porque tenho visto tudo o que Labão lhe fez.
  12. Sou o Deus de Betel, onde você ungiu uma coluna e me fez um voto. Saia agora desta terra e volte para a sua terra natal’ “.
  13. Raquel e Lia disseram a Jacó: “Temos ainda parte na herança dos bens de nosso pai? “Não nos trata ele como estrangeiras? Não apenas nos vendeu como também gastou tudo o que foi pago por nós!”
  14. “Toda a riqueza que Deus tirou de nosso pai é nossa e de nossos filhos. Portanto, faça tudo quanto Deus lhe ordenou”.
  15. Então Jacó ajudou seus filhos e suas mulheres a montar nos camelos.
  16. E conduziu todo o seu rebanho, junto com todos os bens que havia acumulado em Padã-Arã, para ir à terra de Canaã, à casa de seu pai Isaque.
  17. Enquanto Labão tinha saído para tosquiar suas ovelhas, Raquel roubou de seu pai os ídolos do clã.
  18. Foi assim que Jacó enganou a Labão, o arameu, fugindo sem lhe dizer nada.
  19. Ele fugiu com tudo o que tinha e, atravessando o Eufrates, foi para os montes de Gileade.
  20. Três dias depois, Labão foi informado de que Jacó tinha fugido.
  21. Tomando consigo os homens de sua família, perseguiu Jacó por sete dias e o alcançou nos montes de Gileade.
  22. Então, de noite, Deus veio em sonho a Labão, o arameu, e o advertiu: “Cuidado! Não diga nada a Jacó, não lhe faça promessas nem ameaças”.
  23. Labão alcançou Jacó, que estava acampado nos montes de Gileade. Então Labão e os homens se acamparam ali também.
  24. Ele perguntou a Jacó: “Que foi que você fez? Não só me enganou como também raptou minhas filhas como se fossem prisioneiras de guerra.”
  25. “Por que você me enganou, fugindo em segredo, sem avisar-me? Eu teria celebrado a sua partida com alegria e cantos, ao som dos tamborins e das harpas.”
  26. “Você sequer me deixou beijar meus netos e minhas filhas para despedir-me deles. Você foi insensato.”
  27. “Tenho poder para prejudicá-los; mas, na noite passada, o Deus do pai de vocês me advertiu: Cuidado! Não diga nada a Jacó, não lhe faça promessas nem ameaças.”
  28. “Agora, se você partiu porque tinha saudade da casa de seu pai, por que roubou meus deuses? “
  29. Jacó respondeu a Labão: “Tive medo, pois pensei que você tiraria suas filhas de mim à força.”
  30. “Quanto aos seus deuses, quem for encontrado com eles não ficará vivo. Na presença dos nossos parentes, veja você mesmo se está aqui comigo qualquer coisa que lhe pertença, e, se estiver, leve-a de volta”. Ora, Jacó não sabia que Raquel os havia roubado.
  31. Então Labão entrou na tenda de Jacó, e nas tendas de Lia e de suas duas servas, mas nada encontrou.
  32. Depois de sair da tenda de Lia, entrou na tenda de Raquel.
  33. Raquel tinha colocado os ídolos dentro da sela do seu camelo e estava sentada em cima. Labão vasculhou toda a tenda, mas nada encontrou.
  34. Raquel disse ao pai: “Não se irrite, meu senhor, por não poder me levantar em sua presença, pois estou com o fluxo das mulheres”. Ele procurou os ídolos, mas não os encontrou.
  35. Jacó ficou irado e queixou-se a Labão: “Qual foi meu crime? Que pecado cometi para que você me persiga furiosamente?”
  36. “Você já vasculhou tudo o que me pertence. Encontrou algo que lhe pertença? Então coloque tudo aqui na frente dos meus parentes e dos seus, e que eles julguem entre nós dois.”
  37. “Vinte anos estive com você. Suas ovelhas e cabras nunca abortaram, e jamais comi um só carneiro do seu rebanho.”
  38. “Eu nunca levava a você os animais despedaçados por feras; eu mesmo assumia o prejuízo. E você pedia contas de todo animal roubado de dia ou de noite.”
  39. “O calor me consumia de dia, e o frio, de noite, e o sono fugia dos meus olhos.”
  40. “Foi assim nos vinte anos em que fiquei em sua casa. Trabalhei para você catorze anos em troca de suas duas filhas e seis anos por seus rebanhos, e dez vezes você alterou o meu salário.”
  41. “Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão, o Temor de Isaque, não estivesse comigo, certamente você me despediria de mãos vazias. Mas Deus viu o meu sofrimento e o trabalho das minhas mãos e, na noite passada, ele manifestou a sua decisão”.
  42. Labão respondeu a Jacó: “As mulheres são minhas filhas, os filhos são meus, os rebanhos são meus. Tudo o que você vê é meu. Que posso fazer por essas minhas filhas ou pelos filhos que delas nasceram?”
  43. “Façamos agora, eu e você, um acordo que sirva de testemunho entre nós dois”.
  44. Então Jacó tomou uma pedra e a colocou de pé como coluna.
  45. E disse aos seus parentes: “Juntem algumas pedras”. Eles apanharam pedras e as amontoaram. Depois comeram ali, ao lado do monte de pedras.
  46. Labão o chamou Jegar-Saaduta, e Jacó o chamou Galeede.
  47. Labão disse: “Este monte de pedras é uma testemunha entre mim e você, no dia de hoje”. Por isso foi chamado Galeede.
  48. Foi também chamado Mispá, porque ele declarou: “Que o Senhor nos vigie, a mim e a você, quando estivermos separados um do outro.
  49. Se você maltratar minhas filhas ou menosprezá-las, tomando outras mulheres além delas, ainda que ninguém saiba, lembre-se de que Deus é testemunha entre mim e você”.
  50. Disse ainda Labão a Jacó: “Aqui estão este monte de pedras e esta coluna que coloquei entre mim e você.
  51. São testemunhas de que não passarei para o lado de lá para prejudicá-lo, nem você passará para o lado de cá para prejudicar-me.
  52. Que o Deus de Abraão, o Deus de Naor, o Deus do pai deles, julgue entre nós”. Então Jacó fez um juramento em nome do Temor de seu pai Isaque.
  53. Ofereceu um sacrifício no monte e chamou os parentes que lá estavam para uma refeição. Depois de comerem, passaram a noite ali.
  54. Na manhã seguinte, Labão beijou seus netos e suas filhas e os abençoou, e depois voltou para a sua terra.

Capítulo 10 – Israel

  1. Jacó também seguiu o seu caminho, e anjos de Deus vieram ao encontro dele.
  2. Quando Jacó os avistou, disse: “Este é o exército de Deus! ” Por isso deu àquele lugar o nome de Maanaim.
  3. Jacó mandou mensageiros adiante dele a seu irmão Esaú, na região de Seir, território de Edom.
  4. E lhes ordenou: “Vocês dirão o seguinte ao meu senhor Esaú: assim diz teu servo Jacó: Morei na casa de Labão e com ele permaneci até agora.”
  5. “Tenho bois e jumentos, ovelhas e cabras, servos e servas. Envio agora esta mensagem ao meu senhor, para que me recebas bem”.
  6. “Quando os mensageiros voltaram a Jacó, disseram-lhe: “Fomos até seu irmão Esaú, e ele está vindo ao seu encontro, com quatrocentos homens”.
  7. Jacó encheu-se de medo e foi tomado de angústia. Então dividiu em dois grupos todos os que estavam com ele, bem como as ovelhas, as cabras, os bois, e os camelos,
  8. pois assim pensou: “Se Esaú vier e atacar um dos grupos, o outro poderá escapar”.
  9. Então Jacó orou: “Ó Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaque, ó Senhor que me disseste: Volte para a sua terra e para os seus parentes e eu o farei prosperar;”
  10. “Não sou digno de toda a bondade e lealdade com que trataste o teu servo. Quando atravessei o Jordão eu tinha apenas o meu cajado, mas agora possuo duas caravanas.
  11. Livra-me, rogo-te, das mãos de meu irmão Esaú, porque tenho medo que ele venha nos atacar, tanto a mim como às mães e às crianças.
  12. Pois tu prometeste: ‘Esteja certo de que eu o farei prosperar e farei os seus descendentes tão numerosos como a areia do mar, que não se pode contar’ “.
  13. Depois de passar ali a noite, escolheu entre os seus rebanhos um presente para o seu irmão Esaú:
  14. duzentas cabras e vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte carneiros, trinta fêmeas de camelo com seus filhotes, quarenta vacas e dez touros, vinte jumentas e dez jumentos.
  15. Colocou cada rebanho sob o cuidado de um servo, e disse-lhes: “Vão à minha frente e mantenham certa distância entre um rebanho e outro”.
  16. Ao que ia à frente deu a seguinte instrução: “Quando meu irmão Esaú encontrar-se com você e lhe perguntar: A quem você pertence, para onde vai e de quem é todo este rebanho à sua frente?”
  17. “Você responderá: É do teu servo Jacó. É um presente para o meu senhor Esaú; e ele mesmo está vindo atrás de nós”.
  18. Também instruiu o segundo, o terceiro e todos os outros que acompanhavam os rebanhos: “Digam também a mesma coisa a Esaú quando o encontrarem.”
  19. E acrescentem: Teu servo Jacó está vindo atrás de nós”. Porque pensava: “Eu o apaziguarei com esses presentes que estou enviando antes de mim; mais tarde, quando eu o vir, talvez me receba”.
  20. Assim os presentes de Jacó seguiram à sua frente; ele, porém, passou a noite no acampamento.
  21. Naquela noite Jacó levantou-se, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus onze filhos para atravessar o lugar de passagem do Jaboque.
  22. Depois de havê-los feito atravessar o ribeiro, fez passar também tudo o que possuía.
  23. E Jacó ficou sozinho. Então veio um homem que se pôs a lutar com ele até o amanhecer.
  24. Quando o homem viu que não poderia dominá-lo, tocou na articulação da coxa de Jacó, de forma que lhe deslocou a coxa, enquanto lutavam.
  25. Então o homem disse: “Deixe-me ir, pois o dia já desponta”. Mas Jacó lhe respondeu: “Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes”.
  26. O homem lhe perguntou: “Qual é o seu nome?” “Jacó”, respondeu ele.
  27. Então disse o homem: “Seu nome não será mais Jacó, mas sim Israel, porque você lutou com Deus e com homens e venceu”.
  28. Prosseguiu Jacó: “Peço-te que digas o teu nome”. Mas ele respondeu: “Por que pergunta o meu nome? ” E o abençoou ali.
  29. Jacó chamou àquele lugar Peniel, pois disse: “Vi a Deus face a face e, todavia, minha vida foi poupada”.
  30. Ao nascer do sol atravessou Peniel, mancando por causa da coxa.
  31. Por isso, até o dia de hoje, os israelitas não comem o músculo ligado à articulação do quadril, porque nesse músculo Jacó foi ferido.
  32. Quando Jacó olhou e viu que Esaú estava se aproximando, com quatrocentos homens, dividiu as crianças entre Lia, Raquel e as duas servas.
  33. Colocou as servas e os seus filhos à frente, Lia e seus filhos depois, e Raquel com José por último.
  34. Ele mesmo passou à frente e, ao aproximar-se do seu irmão, curvou-se até o chão sete vezes.
  35. Mas Esaú correu ao encontro de Jacó e abraçou-se ao seu pescoço, e o beijou. E eles choraram.
  36. Então Esaú ergueu o olhar e viu as mulheres e as crianças. E perguntou: “Quem são estes? ” Jacó respondeu: “São os filhos que Deus concedeu ao teu servo”.
  37. Então as servas e os seus filhos se aproximaram e se curvaram.
  38. Depois, Lia e os seus filhos vieram e se curvaram. Por último, chegaram José e Raquel, e também se curvaram.
  39. Esaú perguntou: “O que você pretende com todos os rebanhos que encontrei pelo caminho? ” “Ser bem recebido por ti, meu senhor”, respondeu Jacó.
  40. Disse, porém, Esaú: “Eu já tenho muito, meu irmão. Guarde para você o que é seu”.
  41. Mas Jacó insistiu: “Não! Se te agradaste de mim, aceita este presente de minha parte, porque ver a tua face é como contemplar a face de Deus; além disso, tu me recebeste tão bem!”
  42. Aceita, pois, o presente que te foi trazido, pois Deus tem sido favorável para comigo, e eu já tenho tudo o que necessito”. Jacó tanto insistiu que Esaú acabou aceitando.
  43. Então disse Esaú: “Vamos seguir em frente. Eu o acompanharei”.
  44. Jacó, porém, lhe disse: “Meu senhor sabe que as crianças são frágeis e que estão sob os meus cuidados ovelhas e vacas que amamentam suas crias. Se forçá-las demais na caminhada, um só dia que seja, todo o rebanho morrerá.”
  45. “Por isso, meu senhor, vai à frente do teu servo, e eu sigo atrás, devagar, no passo dos rebanhos e das crianças, até que eu chegue ao meu senhor em Seir”.
  46. Esaú sugeriu: “Permita-me, então, deixar alguns homens com você”. Jacó perguntou: “Mas para quê, meu senhor? Ter sido bem recebido já me foi suficiente!”
  47. Naquele dia Esaú voltou para Seir.
  48. Jacó, todavia, foi para Sucote, onde construiu uma casa para si e abrigos para o seu gado. Foi por isso que o lugar recebeu o nome de Sucote.
  49. Tendo voltado de Padã-Arã, Jacó chegou a salvo à cidade de Siquém, em Canaã, e acampou próximo da cidade.
  50. Por cem peças de prata comprou dos filhos de Hamor, pai de Siquém, a parte do campo onde tinha armado acampamento.
  51. Ali edificou um altar e lhe chamou El Elohe Israel.

Capítulo 11 – Simeão e Levi

  1. Certa vez, Diná, a filha que Lia dera a Jacó, saiu para conhecer as mulheres daquela terra.
  2. Siquém, filho de Hamor, o heveu, governador daquela região, viu-a, agarrou-a e violentou-a.
  3. Mas o seu coração foi atraído por Diná, filha de Jacó, e ele amou a moça e falou-lhe com ternura.
  4. Por isso Siquém foi dizer a seu pai Hamor: “Consiga-me aquela moça para que seja minha mulher”.
  5. Quando Jacó soube que sua filha Diná tinha sido desonrada, seus filhos estavam no campo, com os rebanhos; por isso esperou calado, até que regressassem.
  6. Então Hamor, pai de Siquém, foi conversar com Jacó.
  7. Quando os filhos de Jacó voltaram do campo e souberam de tudo, ficaram profundamente entristecidos e irados, porque Siquém tinha cometido um ato vergonhoso em Israel, ao deitar-se com a filha de Jacó — coisa que não se faz.
  8. Mas Hamor lhes disse: “Meu filho Siquém apaixonou-se pela filha de vocês. Por favor, entreguem-na a ele para que seja sua mulher.
  9. Casem-se entre nós; dêem-nos suas filhas e tomem para si as nossas.
  10. Estabeleçam-se entre nós. A terra está aberta para vocês: Habitem-na, façam comércio nela e adquiram propriedades”.
  11. Então Siquém disse ao pai e aos irmãos de Diná: “Concedam-me este favor, e eu lhes darei o que me pedirem.
  12. Aumentem quanto quiserem o preço e o presente pela noiva, e pagarei o que me pedirem. Tão-somente me dêem a moça por mulher”.
  13. Os filhos de Jacó, porém, responderam com falsidade a Siquém e a seu pai Hamor, por ter Siquém desonrado Diná, a irmã deles.
  14. Disseram: “Não podemos fazer isso; jamais entregaremos nossa irmã a um homem que não seja circuncidado. Seria uma vergonha para nós.
  15. Daremos nosso consentimento a vocês com uma condição: que vocês se tornem como nós, circuncidando todos os do sexo masculino.
  16. Só então lhes daremos as nossas filhas e poderemos casar-nos com as suas. Nós nos estabeleceremos entre vocês e seremos um só povo.
  17. Mas se não aceitarem circuncidar-se, tomaremos nossa irmã e partiremos”.
  18. A proposta deles pareceu boa a Hamor e a seu filho Siquém.
  19. O jovem, que era o mais respeitado de todos os da casa de seu pai, não demorou em cumprir o que pediram, porque realmente gostava da filha de Jacó.
  20. Assim Hamor e seu filho Siquém dirigiram-se à porta da cidade para conversar com os seus concidadãos. E disseram:
  21. “Esses homens são de paz. Permitam que eles habitem em nossa terra e façam comércio entre nós; a terra tem bastante lugar para eles. Poderemos casar com as suas filhas, e eles com as nossas.
  22. Mas eles só consentirão em viver conosco como um só povo sob a condição de que todos os nossos homens sejam circuncidados, como eles.
  23. Lembrem-se de que os seus rebanhos, os seus bens e todos os seus outros animais passarão a ser nossos. Aceitemos então a condição para que se estabeleçam em nosso meio”.
  24. Todos os que saíram para reunir-se à porta da cidade concordaram com Hamor e com seu filho Siquém, e todos os homens e meninos da cidade foram circuncidados.
  25. Três dias depois, quando ainda sofriam dores, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, pegaram suas espadas e atacaram a cidade desprevenida, matando todos os homens.
  26. Mataram ao fio da espada Hamor e seu filho Siquém, tiraram Diná da casa de Siquém e partiram.
  27. Vieram então os outros filhos de Jacó e, passando pelos corpos, saquearam a cidade onde sua irmã tinha sido desonrada.
  28. Apoderaram-se das ovelhas, dos bois e dos jumentos, e de tudo o que havia na cidade e no campo.
  29. Levaram as mulheres e as crianças, e saquearam todos os bens e tudo o que havia nas casas.
  30. Então Jacó disse a Simeão e a Levi: “Vocês me puseram em grandes apuros, atraindo sobre mim o ódio dos cananeus e dos ferezeus, habitantes desta terra. Somos poucos, e se eles juntarem suas forças e nos atacarem, eu e a minha família seremos destruídos”.
  31. Mas eles responderam: “Está certo ele tratar nossa irmã como uma prostituta? “
  32. Deus disse a Jacó: “Suba a Betel e se estabeleça lá, e faça um altar ao Deus que lhe apareceu quando você fugia do seu irmão Esaú”.
  33. Disse, pois, Jacó aos de sua casa e a todos os que estavam com ele: “Livrem-se dos deuses estrangeiros que estão entre vocês, purifiquem-se e troquem de roupa.
  34. Venham! Vamos subir a Betel, onde farei um altar ao Deus que me ouviu no dia da minha angústia e que tem estado comigo por onde tenho andado”.
  35. Então entregaram a Jacó todos os deuses estrangeiros que possuíam e os brincos que usavam nas orelhas, e Jacó os enterrou ao pé da grande árvore, próximo a Siquém.
  36. Quando eles partiram, o terror de Deus caiu de tal maneira sobre as cidades ao redor que ninguém ousou perseguir os filhos de Jacó.
  37. Jacó e todos os que com ele estavam chegaram a Luz, que é Betel, na terra de Canaã.
  38. Nesse lugar construiu um altar e lhe deu o nome de El-Betel, porque ali Deus havia se revelado a ele, quando fugia do seu irmão.
  39. Eles partiram de Betel, e quando ainda estavam a certa distância de Efrata, Raquel começou a dar à luz com grande dificuldade.
  40. E, enquanto padecia muito, tentando dar à luz, a parteira lhe disse: “Não tenha medo, pois você ainda terá outro menino”.
  41. Já ao ponto de sair-lhe a vida, quando estava morrendo, deu ao filho o nome de Benoni. Mas o pai deu-lhe o nome de Benjamim.
  42. Assim morreu Raquel e foi sepultada junto do caminho de Efrata, que é Belém.
  43. Sobre a sua sepultura Jacó levantou uma coluna, e até o dia de hoje aquela coluna marca o túmulo de Raquel.
  44. Israel partiu novamente e armou acampamento adiante de Migdal-Éder.
  45. Na época em que Israel vivia naquela região, Rúben deitou-se com Bila, concubina de seu pai. E Israel ficou sabendo disso. Jacó teve doze filhos:
  46. Estes foram seus filhos com Lia: Rúben, o filho mais velho de Jacó, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom.
  47. Estes foram seus filhos com Raquel: José e Benjamim.
  48. Estes foram seus filhos com Bila, serva de Raquel: Dã e Naftali.
  49. Estes foram seus filhos com Zilpa, serva de Lia: Gade e Aser. Foram esses os filhos de Jacó, nascidos em Padã-Arã.
  50. Depois Jacó foi visitar seu pai Isaque em Manre, perto de Quiriate-Arba, que é Hebrom, onde Abraão e Isaque tinham morado.
  51. Isaque viveu cento e oitenta anos.
  52. Morreu em idade bem avançada e foi reunido aos seus antepassados. E seus filhos Esaú e Jacó o sepultaram.

Capítulo 12 – José, o Escravo

  1. Quando José tinha dezessete anos, pastoreava os rebanhos com os seus irmãos. Ajudava os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e contava ao pai a má fama deles.
  2. Ora, Israel gostava mais de José do que de qualquer outro filho, porque lhe havia nascido em sua velhice; por isso mandou fazer para ele uma túnica longa.
  3. Quando os seus irmãos viram que o pai gostava mais dele do que de qualquer outro filho, odiaram-no e não conseguiam falar com ele amigavelmente.
  4. Certa vez, José teve um sonho e, quando o contou a seus irmãos, eles passaram a odiá-lo ainda mais.
  5. “Ouçam o sonho que tive”, disse-lhes.
  6. “Estávamos amarrando os feixes de trigo no campo, quando o meu feixe se levantou e ficou em pé, e os seus feixes se ajuntaram ao redor do meu e se curvaram diante dele”.
  7. Seus irmãos lhe disseram: “Então você vai reinar sobre nós? Quer dizer que você vai governar sobre nós? ” E o odiaram ainda mais, por causa do sonho e do que tinha dito.
  8. Depois teve outro sonho e o contou aos seus irmãos: “Tive outro sonho, e desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvavam diante de mim”.
  9. Quando o contou ao pai e aos irmãos, o pai o repreendeu e lhe disse: “Que sonho foi esse que você teve? Será que eu, sua mãe, e seus irmãos viremos a nos curvar até o chão diante de você?”
  10. Assim seus irmãos tiveram ciúmes dele; o pai, no entanto, refletia naquilo.
  11. Os irmãos de José tinham ido cuidar dos rebanhos do pai, perto de Siquém,
  12. e Israel disse a José: “Como você sabe, seus irmãos estão apascentando os rebanhos perto de Siquém. Quero que você vá até lá”. “Sim, senhor”, respondeu ele.
  13. Disse-lhe o pai: “Vá ver se está tudo bem com os seus irmãos e com os rebanhos, e traga-me notícias”.
  14. Jacó o enviou quando estava no vale de Hebrom. Mas José se perdeu quando se aproximava de Siquém.
  15. Um homem o encontrou vagueando pelos campos e lhe perguntou: “Que é que você está procurando? “
  16. Ele respondeu: “Procuro meus irmãos. Pode me dizer onde eles estão apascentando os rebanhos?”
  17. Respondeu o homem: “Eles já partiram daqui. Eu os ouvi dizer: ‘Vamos para Dotã’ “. Assim José foi em busca dos seus irmãos e os encontrou perto de Dotã.
  18. Mas eles o viram de longe e, antes que chegasse, planejaram matá-lo.
  19. “Lá vem aquele sonhador! “, diziam uns aos outros.
  20. “É agora! Vamos matá-lo e jogá-lo num destes poços, e diremos que um animal selvagem o devorou. Veremos então o que será dos seus sonhos. “
  21. Quando Rúben ouviu isso, tentou livrá-lo das mãos deles, dizendo: “Não lhe tiremos a vida! “
  22. E acrescentou: “Não derramem sangue. Joguem-no naquele poço no deserto, mas não toquem nele”. Rúben propôs isso com a intenção de livrá-lo e levá-lo de volta ao pai.
  23. Chegando José, seus irmãos lhe arrancaram a túnica longa, agarraram-no e o jogaram no poço, que estava vazio e sem água.
  24. Ao se assentarem para comer, viram ao longe uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade. Seus camelos estavam carregados de especiarias, bálsamo e mirra, que eles levavam para o Egito.
  25. Judá disse então a seus irmãos: “Que ganharemos se matarmos o nosso irmão e escondermos o seu sangue?
  26. Vamos vendê-lo aos ismaelitas. Não tocaremos nele, afinal é nosso irmão, é nosso próprio sangue”. E seus irmãos concordaram.
  27. Quando os mercadores ismaelitas de Midiã se aproximaram, seus irmãos tiraram José do poço e o venderam por vinte peças de prata aos ismaelitas, que o levaram para o Egito.
  28. Quando Rúben voltou ao poço e viu que José não estava lá, rasgou suas vestes e, voltando a seus irmãos, disse: “O jovem não está lá! Para onde irei agora? “
  29. Então eles mataram um bode, mergulharam no sangue a túnica de José e a mandaram ao pai com este recado: “Achamos isto. Veja se é a túnica de teu filho”.
  30. Ele a reconheceu e disse: “É a túnica de meu filho! Um animal selvagem o devorou! José foi despedaçado! “
  31. Então Jacó rasgou suas vestes, vestiu-se de pano de saco e chorou muitos dias por seu filho.
  32. Todos os seus filhos e filhas vieram consolá-lo, mas ele recusou ser consolado, dizendo: “Não! Chorando descerei à sepultura para junto de meu filho”. E continuou a chorar por ele.
  33. Nesse meio tempo, no Egito, os midianitas venderam José a Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda.

Capítulo 13 – Judá

  1. Por essa época, Judá deixou seus irmãos e passou a viver na casa de um homem de Adulão, chamado Hira.
  2. Ali Judá encontrou a filha de um cananeu chamado Suá, e casou-se com ela. Ele a possuiu, ela engravidou e deu à luz um filho, ao qual ele deu o nome de Er.
  3. Tornou a engravidar, teve um filho e deu-lhe o nome de Onã.
  4. Quando estava em Quezibe, ela teve ainda outro filho e chamou-o Selá.
  5. Judá escolheu uma mulher chamada Tamar, para Er, seu filho mais velho.
  6. Mas o Senhor reprovou a conduta perversa de Er, filho mais velho de Judá, e por isso o matou.
  7. Então Judá disse a Onã: “Case-se com a mulher do seu irmão, cumpra as suas obrigações de cunhado para com ela e dê uma descendência a seu irmão”.
  8. Mas Onã sabia que a descendência não seria sua; assim, toda vez que possuía a mulher do seu irmão, derramava o sêmen no chão para evitar que seu irmão tivesse descendência.
  9. O Senhor reprovou o que ele fazia, e por isso o matou também.
  10. Disse então Judá à sua nora Tamar: “More como viúva na casa de seu pai até que o meu filho Selá cresça”, porque pensou: “Ele também poderá morrer, como os seus irmãos”. Assim Tamar foi morar na casa do pai.
  11. Tempos depois morreu a mulher de Judá, filha de Suá. Passado o luto, Judá foi ver os tosquiadores do seu rebanho em Timna com o seu amigo Hira, o adulamita.
  12. Quando foi dito a Tamar: “Seu sogro está a caminho de Timna para tosquiar suas ovelhas”, ela trocou suas roupas de viúva, cobriu-se com um véu para se disfarçar e foi sentar-se à entrada de Enaim,
  13. que fica no caminho de Timna. Ela fez isso porque viu que, embora Selá já fosse crescido, ela não lhe tinha sido dada em casamento.
  14. Quando a viu, Judá pensou que fosse uma prostituta, porque ela havia encoberto o rosto.
  15. Não sabendo que era a sua nora, dirigiu-se a ela, à beira da estrada, e disse: “Venha cá, quero deitar-me com você”. Ela lhe perguntou: “O que você me dará para deitar-se comigo? “
  16. Disse ele: “Eu lhe mandarei um cabritinho do meu rebanho”. E ela perguntou: “Você me deixará alguma coisa como garantia até que o mande? “
  17. Disse Judá: “Que garantia devo dar-lhe? ” Respondeu ela: “O seu selo com o cordão, e o cajado que você tem na mão”. Ele os entregou e a possuiu, e Tamar engravidou dele.
  18. Ela se foi, tirou o véu e tornou a vestir as roupas de viúva.
  19. Judá mandou o cabritinho por meio de seu amigo adulamita, a fim de reaver da mulher sua garantia, mas ele não a encontrou,
  20. e perguntou aos homens do lugar: “Onde está a prostituta cultual que costuma ficar à beira do caminho de Enaim? ” Eles responderam: “Aqui não há nenhuma prostituta cultual”.
  21. Assim ele voltou a Judá e disse: “Não a encontrei. Além disso, os homens do lugar disseram que lá não há nenhuma prostituta cultual”.
  22. Disse Judá: “Fique ela com o que lhe dei. Não quero que nos tornemos motivo de zombaria. Afinal de contas, mandei a ela este cabritinho, mas você não a encontrou”.
  23. Cerca de três meses mais tarde, disseram a Judá: “Sua nora Tamar prostituiu-se, e na sua prostituição ficou grávida”. Disse Judá: “Tragam-na para fora e queimem-na viva! “
  24. Quando ela estava sendo levada para fora, mandou o seguinte recado ao sogro: “Estou grávida do homem que é dono destas coisas”. E acrescentou: “Veja se o senhor reconhece a quem pertencem este selo, este cordão e este cajado”.
  25. Judá os reconheceu e disse: “Ela é mais justa do que eu, pois eu devia tê-la entregue a meu filho Selá”. E não voltou a ter relações com ela.
  26. Quando lhe chegou a época de dar à luz, havia gêmeos em seu ventre.
  27. Enquanto ela dava à luz, um deles pôs a mão para fora; então a parteira pegou um fio vermelho e amarrou o pulso do menino, dizendo: “Este saiu primeiro”.
  28. Mas quando ele recolheu a mão, seu irmão saiu e ela disse: “Então você conseguiu uma brecha para sair!” E deu-lhe o nome de Perez.
  29. Depois saiu seu irmão que estava com o fio vermelho no pulso, e foi-lhe dado o nome de Zerá.

Capítulo 14 – Potifar

  1. José havia sido levado para o Egito, onde o egípcio Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda, comprou-o dos ismaelitas que o tinham levado para lá.
  2. O Senhor estava com José, de modo que este prosperou e passou a morar na casa do seu senhor egípcio.
  3. Quando este percebeu que o Senhor estava com ele e que o fazia prosperar em tudo o que realizava, ele agradou-se de José e tornou-o administrador de seus bens.
  4. Potifar deixou a seu cuidado a sua casa e lhe confiou tudo o que possuía.
  5. Desde que o deixou cuidando de sua casa e de todos os seus bens, o Senhor abençoou a casa do egípcio por causa de José. A bênção do Senhor estava sobre tudo o que Potifar possuía, tanto em casa como no campo.
  6. Assim, deixou ele aos cuidados de José tudo o que tinha, e não se preocupava com coisa alguma, exceto com sua própria comida. José era atraente e de boa aparência,
  7. e, depois de certo tempo, a mulher do seu senhor começou a cobiçá-lo e o convidou: “Venha, deite-se comigo!”
  8. Mas ele se recusou e lhe disse: “Meu senhor não se preocupa com coisa alguma de sua casa, e tudo o que tem deixou aos meus cuidados.
  9. Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como poderia eu, então, cometer algo tão perverso e pecar contra Deus? “
  10. Assim, embora ela insistisse com José dia após dia, ele se recusava a deitar-se com ela e evitava ficar perto dela.
  11. Um dia ele entrou na casa para fazer suas tarefas, e nenhum dos empregados ali se encontrava.
  12. Ela o agarrou pelo manto e voltou a convidá-lo: “Vamos, deite-se comigo! ” Mas ele fugiu da casa, deixando o manto na mão dela.
  13. Quando ela viu que, ao fugir, ele tinha deixado o manto em sua mão, chamou os empregados e lhes disse: “Vejam, este hebreu nos foi trazido para nos insultar! Ele entrou aqui e tentou abusar de mim, mas eu gritei.”
    “Quando me ouviu gritar por socorro, largou seu manto ao meu lado e fugiu da casa”.
  14. Ela conservou o manto consigo até que o senhor de José chegasse em casa.
  15. Então repetiu-lhe a história: “Aquele escravo hebreu que você nos trouxe aproximou-se de mim para me insultar.
  16. Mas, quando gritei por socorro, ele largou seu manto ao meu lado e fugiu”.
  17. Quando o seu senhor ouviu o que a sua mulher lhe disse: “Foi assim que o seu escravo me tratou”, ficou indignado.
  18. Mandou buscar José e lançou-o na prisão em que eram postos os prisioneiros do rei. José ficou na prisão,
    mas o Senhor estava com ele e o tratou com bondade, concedendo-lhe a simpatia do carcereiro.
  19. Por isso o carcereiro encarregou José de todos os que estavam na prisão, e ele se tornou responsável por tudo o que lá sucedia.
  20. O carcereiro não se preocupava com nada do que estava a cargo de José, porque o Senhor estava com José e lhe concedia bom êxito em tudo o que realizava.
  21. Algum tempo depois, o copeiro e o padeiro do rei do Egito fizeram uma ofensa ao seu senhor, o rei do Egito.
  22. O faraó irou-se com os dois oficiais, o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros.
  23. E mandou prendê-los na casa do capitão da guarda, na prisão em que José estava.
  24. O capitão da guarda os deixou aos cuidados de José, que os servia.
  25. Depois de certo tempo, o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que estavam na prisão, sonharam. Cada um teve um sonho, ambos na mesma noite, e cada sonho tinha a sua própria interpretação.
  26. Quando José foi vê-los na manhã seguinte, notou que estavam abatidos.
  27. Por isso perguntou aos oficiais do faraó que também estavam presos na casa do seu senhor: “Por que hoje vocês estão com o semblante triste? “
  28. Eles responderam: “Tivemos sonhos, mas não há quem os interprete”. Disse-lhes José: “Não são de Deus as interpretações? Contem-me os sonhos”.
  29. Então o chefe dos copeiros contou o seu sonho a José: “Em meu sonho vi diante de mim uma videira,
    com três ramos. Ela brotou, floresceu e deu uvas que amadureciam em cachos.
  30. A taça do faraó estava em minha mão. Peguei as uvas, e as espremi na taça do faraó, e a entreguei em sua mão”.
  31. Disse-lhe José: “Esta é a interpretação: Os três ramos são três dias.”
  32. “Dentro de três dias o faraó vai exaltá-lo e restaurá-lo à sua posição; e você servirá a taça na mão dele, como costumava fazer quando era seu copeiro.”
  33. “Quando tudo estiver indo bem com você, lembre-se de mim e seja bondoso comigo; fale de mim ao faraó e tire-me desta prisão,”
  34. “Pois fui trazido à força da terra dos hebreus, e também aqui nada fiz para ser jogado neste calabouço”.
  35. Ouvindo o chefe dos padeiros essa interpretação favorável, disse a José: “Eu também tive um sonho: Sobre a minha cabeça havia três cestas de pão branco.
  36. Na cesta de cima havia todo tipo de pães e doces que o faraó aprecia, mas as aves vinham comer da cesta que eu trazia na cabeça”.
  37. E disse José: “Esta é a interpretação: As três cestas são três dias.
  38. Dentro de três dias o faraó vai decapitá-lo e pendurá-lo numa árvore. E as aves comerão a sua carne”.
  39. Três dias depois era o aniversário do faraó, e ele ofereceu um banquete a todos os seus conselheiros. Na presença deles reapresentou o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros:
  40. Restaurou à sua posição o chefe dos copeiros, de modo que ele voltou a ser aquele que servia a taça do faraó.
  41. Mas ao chefe dos padeiros mandou enforcar, como José lhes dissera em sua interpretação.
  42. O chefe dos copeiros, porém, não se lembrou de José; ao contrário, esqueceu-se dele.

Capítulo 15 – Faraó

  1. Ao final de dois anos, o faraó teve um sonho: Ele estava em pé junto ao rio Nilo, quando saíram do rio sete vacas belas e gordas, que começaram a pastar entre os juncos.
  2. Depois saíram do rio mais sete vacas, feias e magras, que foram para junto das outras, à beira do Nilo.
  3. Então as vacas feias e magras comeram as sete vacas belas e gordas. Nisso o faraó acordou.
  4. Tornou a adormecer e teve outro sonho: Sete espigas de trigo, graúdas e boas, cresciam no mesmo pé. Depois brotaram outras sete espigas, mirradas e ressequidas pelo vento leste.
  5. As espigas mirradas engoliram as sete espigas graúdas e cheias. Então o faraó acordou; era um sonho.
  6. Pela manhã, perturbado, mandou chamar todos os magos e sábios do Egito e lhes contou os sonhos, mas ninguém foi capaz de interpretá-los.
  7. Então o chefe dos copeiros disse ao faraó: “Hoje me lembro de minhas faltas.
  8. Certa vez o faraó ficou irado com os seus dois servos e mandou prender-me junto com o chefe dos padeiros, na casa do capitão da guarda.
  9. Certa noite cada um de nós teve um sonho, e cada sonho tinha uma interpretação.
  10. Pois bem, havia lá conosco um jovem hebreu, servo do capitão da guarda. Contamos a ele os nossos sonhos, e ele os interpretou, dando a cada um de nós a interpretação do seu próprio sonho.
  11. E tudo aconteceu conforme ele nos dissera: eu fui restaurado à minha posição e o outro foi enforcado”.
  12. O faraó mandou chamar José, que foi trazido depressa do calabouço. Depois de se barbear e trocar de roupa, apresentou-se ao faraó.
  13. O faraó disse a José: “Tive um sonho que ninguém consegue interpretar. Mas ouvi falar que você, ao ouvir um sonho, é capaz de interpretá-lo”.
  14. Respondeu-lhe José: “Isso não depende de mim, mas Deus dará ao faraó uma resposta favorável”.
  15. Então o faraó contou o sonho a José: “Sonhei que estava de pé, à beira do Nilo, quando saíram do rio sete vacas, belas e gordas, que começaram a pastar entre os juncos.
  16. Depois saíram outras sete, raquíticas, muito feias e magras. Nunca vi vacas tão feias em toda a terra do Egito.
  17. As vacas magras e feias comeram as sete vacas gordas que tinham aparecido primeiro.
  18. Mesmo depois de havê-las comido, não parecia que o tivessem feito, pois continuavam tão magras como antes. Então acordei.
  19. “Depois tive outro sonho: Vi sete espigas de cereal, cheias e boas, que cresciam num mesmo pé.
  20. Depois delas, brotaram outras sete, murchas e mirradas, ressequidas pelo vento leste.
  21. As espigas magras engoliram as sete espigas boas. Contei isso aos magos, mas ninguém foi capaz de explicá-lo”.
  22. “O faraó teve um único sonho”, disse-lhe José. “Deus revelou ao faraó o que ele está para fazer.”
  23. “As sete vacas boas são sete anos, e as sete espigas boas são também sete anos; trata-se de um único sonho.”
  24. “As sete vacas magras e feias que surgiram depois das outras, e as sete espigas mirradas, queimadas pelo vento leste, são sete anos. Serão sete anos de fome.”
  25. “É exatamente como eu disse ao faraó: Deus mostrou ao faraó aquilo que ele vai fazer.”
  26. “Sete anos de muita fartura estão para vir sobre toda a terra do Egito, mas depois virão sete anos de fome. Então todo o tempo de fartura será esquecido, pois a fome arruinará a terra.”
  27. “A fome que virá depois será tão rigorosa que o tempo de fartura não será mais lembrado na terra.”
  28. “O sonho veio ao faraó duas vezes porque a questão já foi decidida por Deus, que se apressa em realizá-la.”
  29. “Procure agora o faraó um homem criterioso e sábio e coloque-o no comando da terra do Egito.”
  30. “O faraó também deve estabelecer supervisores para recolher um quinto da colheita do Egito durante os sete anos de fartura.”
  31. “Eles deverão recolher o que puderem nos anos bons que virão e fazer estoques de trigo que, sob o controle do faraó, serão armazenados nas cidades.”
  32. “Esse estoque servirá de reserva para os sete anos de fome que virão sobre o Egito, para que a terra não seja arrasada pela fome.”
  33. O plano pareceu bom ao faraó e a todos os seus conselheiros.
  34. Por isso o faraó lhes perguntou: “Será que vamos achar alguém como este homem, em quem está o espírito divino?”
  35. Disse, pois, o faraó a José: “Uma vez que Deus lhe revelou todas essas coisas, não há ninguém tão criterioso e sábio como você.
  36. Você terá o comando de meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens. Somente em relação ao trono serei maior que você”.
  37. E o faraó prosseguiu: “Entrego a você agora o comando de toda a terra do Egito”.
  38. Em seguida o faraó tirou do dedo o seu anel de selar e o colocou no dedo de José. Mandou-o vestir linho fino e colocou uma corrente de ouro em seu pescoço.
  39. Também o fez subir em sua segunda carruagem real, e à frente os arautos iam gritando: “Abram caminho! “
  40. Assim José foi colocado no comando de toda a terra do Egito.
  41. Disse ainda o faraó a José: “Eu sou o faraó, mas sem a sua palavra ninguém poderá levantar a mão nem o pé em todo o Egito”.
  42. O faraó deu a José o nome de Zafenate-Panéia e lhe deu por mulher Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. Depois José foi inspecionar toda a terra do Egito.
  43. José tinha trinta anos de idade quando começou a servir ao faraó, rei do Egito. Ele se ausentou da presença do faraó e foi percorrer todo o Egito.
  44. Durante os sete anos de fartura a terra teve grande produção.
  45. José recolheu todo o excedente dos sete anos de fartura no Egito e o armazenou nas cidades. Em cada cidade ele armazenava o trigo colhido nas lavouras das redondezas.
  46. Assim José estocou muito trigo, como a areia do mar. Tal era a quantidade que ele parou de anotar, porque ia além de toda medida.
  47. Antes dos anos de fome, Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, deu a José dois filhos.
  48. Ao primeiro, José deu o nome de Manassés, dizendo: “Deus me fez esquecer todo o meu sofrimento e toda a casa de meu pai”.
  49. Ao segundo filho chamou Efraim, dizendo: “Deus me fez prosperar na terra onde tenho sofrido”.
    Assim chegaram ao fim os sete anos de fartura no Egito.
  50. Começaram os sete anos de fome, como José tinha predito. Houve fome em todas as terras, mas em todo o Egito havia alimento.
  51. Quando todo o Egito começou a sofrer com a fome, o povo clamou ao faraó por comida, e este respondeu a todos os egípcios: “Dirijam-se a José e façam o que ele disser”.
  52. Quando a fome já se havia espalhado por toda a terra, José mandou abrir os locais de armazenamento e começou a vender trigo aos egípcios, pois a fome se agravava em todo o Egito.
  53. E de toda a terra vinha gente ao Egito para comprar trigo de José, porquanto a fome se agravava em toda parte.

Capítulo 16 – Rubén

  1. Quando Jacó soube que no Egito havia trigo, disse a seus filhos: “Por que estão aí olhando uns para os outros?”
  2. Disse ainda: “Ouvi dizer que há trigo no Egito. Desçam até lá e comprem trigo para nós, para que possamos continuar vivos e não morramos de fome”.
  3. Assim dez dos irmãos de José desceram ao Egito para comprar trigo.
  4. Jacó não deixou que Benjamim, irmão de José, fosse com eles, temendo que algum mal lhe acontecesse.
  5. Os filhos de Israel estavam entre outros que também foram comprar trigo, por causa da fome na terra de Canaã.
  6. José era o governador do Egito e era ele que vendia trigo a todo o povo da terra. Por isso, quando os irmãos de José chegaram, curvaram-se diante dele, rosto em terra.
  7. José reconheceu os seus irmãos logo que os viu, mas agiu como se não os conhecesse, e lhes falou asperamente: “De onde vocês vêm? “
  8. Responderam eles: “Da terra de Canaã, para comprar comida”.
  9. José reconheceu os seus irmãos, mas eles não o reconheceram.
  10. Lembrou-se então dos sonhos que tivera a respeito deles e lhes disse: “Vocês são espiões! Vieram para ver onde a nossa terra está desprotegida”.
  11. Eles responderam: “Não, meu senhor. Teus servos vieram comprar comida.
  12. Todos nós somos filhos do mesmo pai. Teus servos são homens honestos, e não espiões”.
  13. Mas José insistiu: “Não! Vocês vieram ver onde a nossa terra está desprotegida”.
  14. E eles disseram: “Teus servos eram doze irmãos, todos filhos do mesmo pai, na terra de Canaã. O caçula está agora em casa com o pai, e o outro já morreu”.
  15. José tornou a afirmar: “É como lhes falei: Vocês são espiões!”
  16. “Vocês serão postos à prova: Juro pela vida do faraó que vocês não sairão daqui, enquanto o seu irmão caçula não vier para cá.”
  17. “Mandem algum de vocês buscar o seu irmão enquanto os demais aguardam presos. Assim ficará provado se as suas palavras são verdadeiras ou não. Se não forem, juro pela vida do faraó que ficará confirmado que vocês são espiões!”
  18. E os deixou presos três dias.
  19. No terceiro dia, José lhes disse: “Eu tenho temor de Deus. Se querem salvar suas vidas, façam o seguinte:
  20. “Se vocês são homens honestos, deixem um dos seus irmãos aqui na prisão, enquanto os demais voltam, levando trigo para matar a fome das suas famílias.”
  21. “Tragam-me, porém, o seu irmão caçula, para que se comprovem as suas palavras e vocês não tenham que morrer”.
  22. Eles se prontificaram a fazer isso e disseram uns aos outros: “Certamente estamos sendo punidos pelo que fizemos a nosso irmão. Vimos como ele estava angustiado, quando nos implorava por sua vida, mas não lhe demos ouvidos; por isso nos sobreveio esta angústia”.
  23. Rúben respondeu: “Eu não lhes disse que não maltratassem o menino? Mas vocês não quiseram me ouvir! Agora teremos que prestar contas do seu sangue”.
  24. Eles, porém, não sabiam que José podia compreendê-los, pois ele lhes falava por meio de um intérprete.
  25. Nisso José retirou-se e começou a chorar, mas logo depois voltou e conversou de novo com eles. Então escolheu Simeão e mandou acorrentá-lo diante deles.
  26. Em seguida, José deu ordem para que enchessem de trigo suas bagagens, devolvessem a prata de cada um deles, colocando-a nas bagagens, e lhes dessem mantimentos para a viagem. E assim foi feito.
  27. Eles puseram a carga de trigo sobre os seus jumentos e partiram.
  28. No lugar onde pararam para pernoitar, um deles abriu a bagagem para pegar forragem para o seu jumento e viu a prata na boca da bagagem.
  29. E disse a seus irmãos: “Devolveram a minha prata. Está aqui em minha bagagem”. Seus corações se encheram de pavor e, tremendo, disseram uns aos outros: “Que é isto que Deus fez conosco?”
  30. Quando contarão a Jacó o que aconteceu, ele lhes disse: “Vocês estão tirando meus filhos de mim! Já fiquei sem José, agora sem Simeão e ainda querem levar Benjamim. Tudo está contra mim! “
  31. Então Rúben disse ao pai: “Podes matar meus dois filhos se eu não o trouxer de volta. Deixa-o aos meus cuidados, e eu o trarei”.
  32. Mas o pai respondeu: “Meu filho não descerá com vocês; seu irmão está morto, e ele é o único que resta. Se qualquer mal lhe acontecer na viagem que estão por fazer, vocês farão estes meus cabelos brancos descerem à sepultura com tristeza”.
  33. A fome continuava rigorosa na terra.
  34. Assim, quando acabou todo o trigo que os filhos de Jacó tinham trazido do Egito, seu pai lhes disse: “Voltem e comprem um pouco mais de comida para nós”.
  35. Mas Judá lhe disse: “O homem nos advertiu severamente: Não voltem à minha presença, a não ser que tragam o seu irmão.”
  36. “Se enviares o nosso irmão conosco, desceremos e compraremos comida para ti. Mas se não o enviares conosco, não iremos, porque foi assim que o homem falou: Não voltem à minha presença, a não ser que tragam o seu irmão”.
  37. Israel perguntou: “Por que me causaram esse mal, contando àquele homem que tinham outro irmão? “
  38. E lhe responderam: “Ele nos interrogou sobre nós e sobre nossa família. E também nos perguntou: O pai de vocês ainda está vivo? Vocês têm outro irmão? Nós simplesmente respondemos ao que ele nos perguntou. Como poderíamos saber que ele exigiria que levássemos o nosso irmão?”
  39. Então disse Judá a Israel, seu pai: “Deixa o jovem ir comigo e partiremos imediatamente, a fim de que tu, nós e nossas crianças sobrevivamos e não venhamos a morrer.
  40. Eu me comprometo pessoalmente pela segurança dele; podes me considerar responsável por ele. Se eu não o trouxer de volta e não o colocar bem aqui na tua presença, serei culpado diante de ti pelo resto da minha vida.
  41. Como se vê, se não tivéssemos demorado tanto, já teríamos ido e voltado duas vezes”.
  42. Então Israel, seu pai, lhes disse: “Se tem que ser assim, que seja! Coloquem alguns dos melhores produtos da nossa terra na bagagem e levem-nos como presente ao tal homem: um pouco de bálsamo, um pouco de mel, algumas especiarias e mirra, algumas nozes de pistache e amêndoas.”
  43. “Levem prata em dobro, e devolvam a prata que foi colocada de volta na boca da bagagem de vocês. Talvez isso tenha acontecido por engano.”
  44. “Peguem também o seu irmão e voltem àquele homem.”
  45. “Que o Deus Todo-poderoso lhes conceda misericórdia diante daquele homem, para que ele permita que o seu outro irmão e Benjamim voltem com vocês. Quanto a mim, se ficar sem filhos, sem filhos ficarei”.
  46. Então os homens desceram ao Egito, levando o presente, prata em dobro e Benjamim, e foram à presença de José.
  47. Quando José viu Benjamim junto com eles, disse ao administrador de sua casa: “Leve estes homens à minha casa, mate um animal e prepare-o; eles almoçarão comigo ao meio-dia”.
  48. Ele fez o que lhe fora ordenado e levou-os à casa de José.
  49. Eles ficaram com medo quando foram levados à casa de José, e pensaram: “Trouxeram-nos aqui por causa da prata que foi devolvida às nossas bagagens na primeira vez. Ele quer atacar-nos, subjugar-nos, tornar-nos escravos e tomar de nós os nossos jumentos”.
  50. Por isso, dirigiram-se ao administrador da casa de José e lhe disseram à entrada da casa: “Ouça, senhor! A primeira vez que viemos aqui foi realmente para comprar comida.”
  51. “Mas no lugar em que paramos para pernoitar, abrimos nossas bagagens e cada um de nós encontrou sua prata, na quantia exata.”
  52. “Por isso a trouxemos de volta conosco, além de mais prata, para comprar comida. Não sabemos quem pôs a prata em nossa bagagem”.
  53. “Fiquem tranqüilos”, disse o administrador. “Não tenham medo. O seu Deus, o Deus de seu pai, foi quem lhes deu um tesouro em suas bagagens, porque a prata de vocês eu recebi. ” Então soltou Simeão e o levou à presença deles.
  54. Em seguida os levou à casa de José, deu-lhes água para lavarem os pés e forragem para os seus jumentos.
  55. Eles então prepararam o presente para a chegada de José ao meio-dia, porque ficaram sabendo que iriam almoçar ali.
  56. Quando José chegou, eles o presentearam com o que tinham trazido e curvaram-se diante dele até o chão.
  57. Ele então lhes perguntou como passavam e disse em seguida: “Como vai o pai de vocês, o homem idoso de quem me falaram? Ainda está vivo? “
  58. Eles responderam: “Teu servo, nosso pai, ainda vive e passa bem”. E se curvaram para prestar-lhe honra.
  59. Olhando ao redor e vendo seu irmão Benjamim, filho de sua mãe, José perguntou: “É este o irmão caçula de quem me falaram? ” E acrescentou: “Deus lhe conceda graça, meu filho”.
  60. Profundamente emocionado por causa de seu irmão, José apressou-se em sair à procura de um lugar para chorar, e entrando em seu quarto, chorou.
  61. Depois de lavar o rosto, saiu e, controlando-se, disse: “Sirvam a comida”.
  62. Serviram a ele em separado dos seus irmãos e também dos egípcios que comiam com ele, porque os egípcios não podiam comer com os hebreus, pois isso era sacrilégio para eles.
  63. Seus irmãos foram colocados à mesa perante ele por ordem de idade, do mais velho ao mais moço, e olhavam perplexos uns para os outros.
  64. Então lhes serviram da comida da mesa de José, e a porção de Benjamim era cinco vezes maior que a dos outros. E eles festejaram e beberam à vontade.

Capítulo 17 – José do Egito

  1. José deu as seguintes ordens ao administrador de sua casa: “Encha as bagagens desses homens com todo o mantimento que puderem carregar e coloque a prata de cada um na boca de sua bagagem.
  2. Depois coloque a minha taça, a taça de prata, na boca da bagagem do caçula, juntamente com a prata paga pelo trigo”. E ele fez tudo conforme as ordens de José.
  3. Assim que despontou a manhã, despediram os homens com os seus jumentos.
  4. Ainda não tinham se afastado da cidade, quando José disse ao administrador de sua casa: “Vá atrás daqueles homens e, quando os alcançar, diga-lhes: Por que retribuíram o bem com o mal?
  5. Não é esta a taça que o meu senhor usa para beber e para fazer adivinhações? Vocês cometeram grande maldade!”
  6. Quando ele os alcançou, repetiu-lhes essas palavras.
  7. Mas eles lhe responderam: “Por que o meu senhor diz isso? Longe dos seus servos fazer tal coisa!
  8. Nós lhe trouxemos de volta, da terra de Canaã, a prata que encontramos na boca de nossa bagagem. Como roubaríamos prata ou ouro da casa do seu senhor?
  9. Se algum dos seus servos for encontrado com ela, morrerá; e nós, os demais, seremos escravos do meu senhor”.
  10. E disse ele: “Concordo. Somente quem for encontrado com ela será meu escravo; os demais estarão livres”.
  11. Cada um deles descarregou depressa a sua bagagem e abriu-a.
  12. O administrador começou então a busca, desde a bagagem do mais velho até a do mais novo. E a taça foi encontrada na bagagem de Benjamim.
  13. Diante disso, eles rasgaram as suas vestes. Em seguida, todos puseram a carga de novo em seus jumentos e retornaram à cidade.
  14. Quando Judá e seus irmãos chegaram à casa de José, ele ainda estava lá. Então eles se lançaram ao chão perante ele.
  15. E José lhes perguntou: “Que foi que vocês fizeram? Vocês não sabem que um homem como eu tem poder para adivinhar? “
  16. Respondeu Judá: “O que diremos a meu senhor? Que podemos falar? Como podemos provar nossa inocência? Deus trouxe à luz a culpa dos teus servos. Agora somos escravos do meu senhor, como também aquele que foi encontrado com a taça”.
  17. Disse, porém, José: “Longe de mim fazer tal coisa! Somente aquele que foi encontrado com a taça será meu escravo. Os demais podem voltar em paz para a casa do seu pai”.
  18. Então Judá dirigiu-se a ele, dizendo: “Por favor, meu senhor, permite-me dizer-te uma palavra. Não se acenda a tua ira contra o teu servo, embora sejas igual ao próprio faraó.”
  19. “Meu senhor perguntou a estes seus servos se ainda tínhamos pai e algum outro irmão.”
  20. “E nós respondemos: Temos um pai já idoso, cujo filho caçula nasceu-lhe em sua velhice. O irmão deste já morreu, e ele é o único filho da mesma mãe que restou, e seu pai o ama muito.”
  21. “Então disseste a teus servos que o trouxessem a ti para que os teus olhos pudessem vê-lo.
  22. “E nós respondemos a meu senhor que o jovem não poderia deixar seu pai, pois, caso o fizesse, seu pai morreria.”
  23. “Todavia disseste a teus servos que se o nosso irmão caçula não viesse conosco, nunca mais veríamos a tua face.”
  24. “Quando voltamos a teu servo, a meu pai, contamos-lhe o que o meu senhor tinha dito.”
  25. “Quando o nosso pai nos mandou voltar para comprar um pouco mais de comida, nós lhe dissemos: Só poderemos voltar para lá, se o nosso irmão caçula for conosco. Pois não poderemos ver a face daquele homem, a não ser que o nosso irmão caçula esteja conosco.”
  26. “Teu servo, meu pai, nos disse então: ‘Vocês sabem que minha mulher me deu apenas dois filhos.”
  27. “Um deles se foi, e eu disse: Com certeza foi despedaçado. E até hoje, nunca mais o vi.”
  28. “Se agora vocês também levarem este de mim, e algum mal lhe acontecer, a tristeza que me causarão fará com que os meus cabelos brancos desçam à sepultura.”
  29. “Agora, pois, se eu voltar a teu servo, a meu pai, sem levar o jovem conosco, logo que meu pai, que é tão apegado a ele, perceber que o jovem não está conosco, morrerá.”
  30. “Teus servos farão seu velho pai descer seus cabelos brancos à sepultura com tristeza.”
  31. “Além disso, teu servo garantiu a segurança do jovem a seu pai, dizendo-lhe: Se eu não o trouxer de volta, suportarei essa culpa diante de ti pelo resto da minha vida!”
  32. “Por isso agora te peço, por favor, deixa o teu servo ficar como escravo do meu senhor no lugar do jovem e permite que ele volte com os seus irmãos.”
  33. Como poderei eu voltar a meu pai sem levar o jovem comigo? Não! Não posso ver o mal que sobreviria a meu pai”.
  34. A essa altura, José já não podia mais conter-se diante de todos os que ali estavam, e gritou: “Façam sair a todos! ” Assim, ninguém mais estava presente quando José se revelou a seus irmãos.
  35. E ele se pôs a chorar tão alto que os egípcios o ouviram, e a notícia chegou ao palácio do faraó.
  36. Então disse José a seus irmãos: “Eu sou José! Meu pai ainda está vivo? ” Mas os seus irmãos ficaram tão pasmados diante dele que não conseguiam responder-lhe.
  37. “Cheguem mais perto”, disse José a seus irmãos. Quando eles se aproximaram, disse-lhes: “Eu sou José, seu irmão, aquele que vocês venderam ao Egito!”
  38. “Agora, não se aflijam nem se recriminem por terem me vendido para cá, pois foi para salvar vidas que Deus me enviou adiante de vocês.”
  39. “Já houve dois anos de fome na terra, e nos próximos cinco anos não haverá cultivo nem colheita.”
  40. “Mas Deus me enviou à frente de vocês para lhes preservar um remanescente nesta terra e para salvar-lhes as vidas com grande livramento.”
  41. “Assim, não foram vocês que me mandaram para cá, mas sim o próprio Deus. Ele me tornou ministro do faraó, e me fez administrador de todo o palácio e governador de todo o Egito.”
  42. “Voltem depressa a meu pai e digam-lhe: Assim diz o seu filho José: Deus me fez senhor de todo o Egito. Vem para cá, não te demores.”
  43. “Tu viverás na região de Gósen e ficarás perto de mim — tu, os teus filhos, os teus netos, as tuas ovelhas, os teus bois e todos os teus bens.”
  44. “Eu te sustentarei ali, porque ainda haverá cinco anos de fome. Do contrário, tu, a tua família e todos os teus rebanhos acabarão na miséria.”
  45. “”Vocês estão vendo com os seus próprios olhos, e meu irmão Benjamim também, que realmente sou eu que estou falando com vocês.”
  46. “Contem a meu pai quanta honra me prestam no Egito e tudo o que vocês mesmos testemunharam. E tragam meu pai para cá depressa”.
  47. Então ele se lançou chorando sobre o seu irmão Benjamim e o abraçou, e Benjamim também o abraçou, chorando.
  48. Em seguida beijou todos os seus irmãos e chorou com eles. E só depois os seus irmãos conseguiram conversar com ele.
  49. Quando se ouviu no palácio do faraó que os irmãos de José haviam chegado, o faraó e todos os seus conselheiros se alegraram.
  50. Disse então o faraó a José: “Diga a seus irmãos que ponham as cargas nos seus animais, voltem para a terra de Canaã e retornem para cá, trazendo seu pai e suas famílias.”
  51. “Eu lhes darei o melhor da terra do Egito e vocês poderão desfrutar a fartura desta terra.”
  52. “Mande-os também levar carruagens do Egito para trazerem as suas mulheres, os seus filhos e seu pai.”
  53. Não se preocupem com os seus bens, pois o melhor de todo o Egito será de vocês”.
  54. Assim fizeram os filhos de Israel. José lhes providenciou carruagens, como o faraó tinha ordenado, e também mantimentos para a viagem.
  55. A cada um deu uma muda de roupa nova, mas a Benjamim deu trezentas peças de prata e cinco mudas de roupa nova.
  56. E a seu pai enviou dez jumentos carregados com o melhor do que havia no Egito e dez jumentas carregadas de trigo, pão e outras provisões para a viagem.
  57. Depois despediu-se dos seus irmãos e, ao partirem, disse-lhes: “Não briguem pelo caminho! “
  58. Assim partiram do Egito e voltaram a seu pai Jacó, na terra de Canaã.
  59. E lhe deram a notícia: “José ainda está vivo! Na verdade ele é o governador de todo o Egito”. O coração de Jacó quase parou! Não podia acreditar neles.
  60. Mas, quando lhe relataram tudo o que José lhes dissera, e vendo Jacó, seu pai, as carruagens que José enviara para buscá-lo, seu espírito reviveu.
  61. E Israel disse: “Basta! Meu filho José ainda está vivo. Irei vê-lo antes que eu morra”.

Capítulo 18 – Terra de Gosen

  1. Israel partiu com tudo o que lhe pertencia. Ao chegar a Berseba, ofereceu sacrifícios ao Deus de Isaque, seu pai.
  2. E Deus falou a Israel por meio de uma visão noturna: “Jacó! Jacó! ” “Eis-me aqui”, respondeu ele.
  3. “Eu sou Deus, o Deus de seu pai”, disse ele. “Não tenha medo de descer ao Egito, porque lá farei de você uma grande nação.
  4. Eu mesmo descerei ao Egito com você e certamente o trarei de volta. E a mão de José fechará os seus olhos.”
  5. Então Jacó partiu de Berseba. Os filhos de Israel levaram seu pai Jacó, seus filhos e as suas mulheres nas carruagens que o faraó tinha enviado.
  6. Também levaram os seus rebanhos e os bens que tinham adquirido em Canaã. Assim Jacó foi para o Egito com toda a sua descendência.
  7. Levou consigo para o Egito seus filhos, seus netos, suas filhas e suas netas, isto é, todos os seus descendentes.
  8. Estes são os nomes dos israelitas, Jacó e seus descendentes, que foram para o Egito: Rúben, o filho mais velho de Jacó.
  9. Estes foram os filhos de Rúben: Enoque, Palu, Hezrom e Carmi.
  10. Estes foram os filhos de Simeão: Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar e Saul, filho de uma cananéia.
  11. Estes foram os filhos de Levi: Gérson, Coate e Merari.
  12. Estes foram os filhos de Judá: Er, Onã, Selá, Perez e Zerá. Er e Onã morreram na terra de Canaã. Estes foram os filhos de Perez: Hezrom e Hamul.
  13. Estes foram os filhos de Issacar: Tolá, Puá, Jasube e Sinrom.
  14. Estes foram os filhos de Zebulom: Serede, Elom e Jaleel.
  15. Foram esses os filhos que Lia deu a Jacó em Padã-Arã, além de sua filha Diná. Seus descendentes eram ao todo trinta e três.
  16. Estes foram os filhos de Gade: Zefom, Hagi, Suni, Esbom, Eri, Arodi e Areli.
  17. Estes foram os filhos de Aser: Imna, Isvá, Isvi e Berias, e a irmã deles, Sera. Estes foram os filhos de Berias: Héber e Malquiel.
  18. Foram esses os dezesseis descendentes que Zilpa, serva que Labão tinha dado à sua filha Lia, deu a Jacó.
  19. Estes foram os filhos de Raquel, mulher de Jacó: José e Benjamim.
  20. Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, deu dois filhos a José no Egito: Manassés e Efraim.
  21. Estes foram os filhos de Benjamim: Belá, Bequer, Asbel, Gera, Naamã, Eí, Rôs, Mupim, Hupim e Arde.
  22. Foram esses os catorze descendentes que Raquel deu a Jacó.
  23. O filho de Dã foi Husim.
  24. Estes foram os filhos de Naftali: Jazeel, Guni, Jezer e Silém.
  25. Foram esses os sete descendentes que Bila, serva que Labão tinha dado à sua filha Raquel, deu a Jacó.
  26. Todos os que foram para o Egito com Jacó, todos os seus descendentes, sem contar as mulheres de seus filhos, totalizaram sessenta e seis pessoas.
  27. Com mais os dois filhos que nasceram a José no Egito, os membros da família de Jacó que foram para o Egito chegaram a setenta.
  28. Ora, Jacó enviou Judá à sua frente a José, para saber como ir a Gósen.
  29. Quando lá chegaram, José, de carruagem pronta, partiu para Gósen para encontrar-se com seu pai Israel. Assim que o viu, correu para abraçá-lo e, abraçado a ele, chorou longamente.
  30. Israel disse a José: “Agora já posso morrer, pois vi o seu rosto e sei que você ainda está vivo”.
  31. Então José disse aos seus irmãos e a toda família de seu pai: “Vou partir e informar ao faraó que os meus irmãos e toda a família de meu pai, que viviam em Canaã, vieram para cá.
  32. Direi que os homens são pastores, cuidam de rebanhos, e trouxeram consigo suas ovelhas, seus bois e tudo quanto lhes pertence.
  33. Quando o faraó mandar chamá-los e perguntar: ‘Em que vocês trabalham? ’,
    respondam-lhe assim: ‘Teus servos criam rebanhos desde pequenos, como o fizeram nossos antepassados’.
  34. Assim lhes será permitido habitar na região de Gósen, pois todos os pastores são desprezados pelos egípcios”.

Capítulo 19 – Morte de José

  1. Algum tempo depois, disseram a José: “Seu pai está doente”; e ele foi vê-lo, levando consigo seus dois filhos, Manassés e Efraim.
  2. E anunciaram a Jacó: “Seu filho José veio vê-lo”. Israel reuniu suas forças e assentou-se na cama.
  3. Então disse Jacó a José: “O Deus Todo-poderoso apareceu-me em Luz, na terra de Canaã, e ali me abençoou, dizendo: Eu o farei prolífero e o multiplicarei. Farei de você uma comunidade de povos e darei esta terra por propriedade perpétua aos seus descendentes.
  4. “Agora, pois, os seus dois filhos que lhe nasceram no Egito, antes da minha vinda para cá, serão reconhecidos como meus; Efraim e Manassés serão meus, como são meus Rúben e Simeão.”
  5. “Os filhos que lhe nascerem depois deles serão seus; serão convocados sob o nome dos seus irmãos para receberem sua herança.”
  6. Quando eu voltava de Padã, para minha tristeza Raquel morreu em Canaã, quando ainda estávamos a caminho, a pouca distância de Efrata. Eu a sepultei ali, ao lado do caminho para Efrata, que é Belém”.
  7. Quando Israel viu os filhos de José, perguntou: “Quem são estes? “
  8. Respondeu José a seu pai: “São os filhos que Deus me deu aqui”. Então Israel disse: “Traga-os aqui para que eu os abençoe”.
  9. Os olhos de Israel já estavam enfraquecidos por causa da idade avançada, e ele mal podia enxergar. Por isso José levou seus filhos para perto dele, e seu pai os beijou e os abraçou.
  10. E Israel disse a José: “Nunca pensei que veria a sua face novamente, e agora Deus me concede ver também os seus filhos! “
  11. Em seguida, José os tirou do colo de Israel e curvou-se, rosto em terra.
  12. E José tomou os dois, Efraim à sua direita, perto da mão esquerda de Israel, e Manassés à sua esquerda, perto da mão direita de Israel, e os aproximou dele.
  13. Israel, porém, estendeu a mão direita e a pôs sobre a cabeça de Efraim, embora este fosse o mais novo e, cruzando os braços, pôs a mão esquerda sobre a cabeça de Manassés, embora Manassés fosse o filho mais velho.
  14. E abençoou a José, dizendo: “Que o Deus, a quem serviram meus pais Abraão e Isaque, o Deus que tem sido o meu pastor em toda a minha vida até o dia de hoje,
  15. o Anjo que me redimiu de todo o mal, abençoe estes meninos. Sejam eles chamados pelo meu nome e pelos nomes de meus pais Abraão e Isaque, e cresçam muito na terra”.
  16. Quando José viu seu pai colocar a mão direita sobre a cabeça de Efraim, não gostou; por isso pegou a mão do pai, a fim de mudá-la da cabeça de Efraim para a de Manassés,
  17. e lhe disse: “Não, meu pai, este aqui é o mais velho; ponha a mão direita sobre a cabeça dele”.
  18. Mas seu pai recusou-se e respondeu: “Eu sei, meu filho, eu sei. Ele também se tornará um povo, também será grande. Apesar disso, seu irmão mais novo será maior do que ele, e seus descendentes se tornarão muitos povos”.
  19. Assim, Jacó os abençoou naquele dia, dizendo: “O povo de Israel usará os seus nomes para abençoar uns aos outros: Que Deus faça a você como fez a Efraim e a Manassés! ” E colocou Efraim à frente de Manassés.
  20. A seguir, Israel disse a José: “Estou para morrer, mas Deus estará com vocês e os levará de volta à terra de seus antepassados.
  21. E a você, como alguém que está acima de seus irmãos, dou a região montanhosa que tomei dos amorreus com a minha espada e com o meu arco”.
  22. A seguir, Jacó deu-lhes estas instruções: “Estou para ser reunido aos meus antepassados.”
  23. Sepultem-me junto aos meus pais na caverna do campo de Efrom, o hitita, na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, em Canaã, campo que Abraão comprou de Efrom, o hitita, como propriedade para sepultura.”
  24. “Ali foram sepultados Abraão e Sara, sua mulher, e Isaque e Rebeca, sua mulher; ali também sepultei Lia.”
  25. Ao acabar de dar essas instruções a seus filhos, Jacó deitou-se, expirou e foi reunido aos seus antepassados.
  26. José atirou-se sobre seu pai, chorou sobre ele e o beijou.
  27. Em seguida deu ordens aos médicos, que estavam ao seu serviço, que embalsamassem seu pai Israel. E eles o embalsamaram.
  28. Levaram quarenta dias completos, pois esse era o tempo para o embalsamamento. E os egípcios choraram sua morte setenta dias.
  29. Passados os dias de luto, José disse à corte do faraó: “Se posso contar com a bondade de vocês, falem com o faraó em meu favor.”
  30. “Digam-lhe que meu pai fez-me prestar-lhe o seguinte juramento: Estou à beira da morte; sepulte-me no túmulo que preparei para mim na terra de Canaã.
  31. “Agora, pois, peçam-lhe que me permita partir e sepultar meu pai; logo depois voltarei”.
  32. Respondeu o faraó: “Vá e faça o sepultamento de seu pai como este o fez jurar”.
  33. Então José partiu para sepultar seu pai. Com ele foram todos os conselheiros do faraó, as autoridades da sua corte e todas as autoridades do Egito.
  34. E, além deles, todos os da família de José, os seus irmãos e todos os da casa de seu pai. Somente as crianças, as ovelhas e os bois foram deixados em Gósen.
  35. Carruagens e cavaleiros também o acompanharam. A comitiva era imensa.
  36. Chegando à eira de Atade, perto do Jordão, lamentaram em alta voz, com grande amargura; e ali José guardou sete dias de pranto pela morte do seu pai.
  37. Quando os cananeus que lá habitavam viram aquele pranto na eira de Atade, disseram: “Os egípcios estão celebrando uma cerimônia de luto solene”.
  38. Por essa razão, aquele lugar, próximo ao Jordão, foi chamado Abel Mizraim.
  39. Assim fizeram os filhos de Jacó o que este lhes havia ordenado.
  40. Levaram-no à terra de Canaã e o sepultaram na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, que Abraão havia comprado de Efrom, o hitita, para que lhe servisse de propriedade para sepultura, juntamente com o campo.
  41. Depois de sepultar seu pai, José voltou ao Egito, com os seus irmãos e com todos os demais que o tinham acompanhado.
  42. Vendo os irmãos de José que seu pai havia morrido, disseram: “E se José guardar rancor contra nós e resolver retribuir todo o mal que lhe causamos? “
  43. Então mandaram um recado a José, dizendo: “Antes de morrer, teu pai nos ordenou.”
  44. “Pediu que te disséssemos o seguinte: Peço-lhe que perdoe os erros e pecados de seus irmãos que o trataram com tanta maldade! Agora, pois, perdoa os pecados dos servos do Deus do teu pai”.
  45. Quando recebeu o recado, José chorou.”
  46. Depois vieram seus irmãos, prostraram-se diante dele e disseram: “Aqui estamos. Somos teus escravos!”
  47. José, porém, lhes disse: “Não tenham medo. Estaria eu no lugar de Deus?”
    “Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos.”
  48. “Por isso, não tenham medo. Eu sustentarei vocês e seus filhos”. E assim os tranqüilizou e lhes falou amavelmente.
  49. José permaneceu no Egito, com toda a família de seu pai. Viveu cento e dez anos.
  50. Ele viu a terceira geração dos filhos de Efraim. Além disso, recebeu como seus os filhos de Maquir, filho de Manassés.
  51. Antes de morrer José disse a seus irmãos: “Estou à beira da morte. Mas Deus certamente virá em auxílio de vocês e os tirará desta terra, levando-os para a terra que prometeu com juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó”.
  52. E José fez que os filhos de Israel lhe prestassem um juramento, dizendo-lhes: “Quando Deus intervier em favor de vocês, levem os meus ossos daqui”.
  53. Morreu José com a idade de cento e dez anos. E, depois de embalsamado, foi colocado num sarcófago no Egito.

Capítulo 20 – Escravidão

  1. São estes, pois, os nomes dos filhos de Israel que entraram com Jacó no Egito, cada um com a sua respectiva família: Rúben, Simeão, Levi e Judá; Issacar, Zebulom e Benjamim; Dã, Naftali, Gade e Aser.
  2. Ao todo, os descendentes de Jacó eram setenta; José, porém, já se encontrava no Egito.
  3. Ora, morreram José, todos os seus irmãos e toda aquela geração.
  4. Os israelitas, porém, eram férteis, proliferaram, tornaram-se numerosos e fortaleceram-se muito, tanto que encheram o país.
  5. Então subiu ao trono do Egito um novo rei, que nada sabia sobre José.
  6. Disse ele ao seu povo: “Vejam! O povo israelita é agora numeroso e mais forte que nós.
  7. Temos de agir com astúcia, para que não se tornem ainda mais numerosos e, no caso de guerra, aliem-se aos nossos inimigos, lutem contra nós e fujam do país”.
  8. Estabeleceram, pois, sobre eles chefes de trabalhos forçados, para os oprimir com tarefas pesadas. E assim os israelitas construíram para o faraó as cidades-celeiros de Pitom e Ramessés.
  9. Todavia, quanto mais eram oprimidos, mais numerosos se tornavam e mais se espalhavam. Por isso os egípcios passaram a temer os israelitas.
  10. E os sujeitaram a cruel escravidão.
  11. Tornaram-lhes a vida amarga, impondo-lhes a árdua tarefa de preparar o barro e fazer tijolos, e executar todo tipo de trabalho agrícola; em tudo os egípcios os sujeitavam a cruel escravidão.
  12. O rei do Egito ordenou às parteiras dos hebreus, que se chamavam Sifrá e Puá: “Quando vocês ajudarem as hebréias a dar à luz, verifiquem se é menino. Se for, matem-no; se for menina, deixem-na viver”.
  13. Todavia, as parteiras temeram a Deus e não obedeceram às ordens do rei do Egito; deixaram viver os meninos.
  14. Então o rei do Egito convocou as parteiras e lhes perguntou: “Por que vocês fizeram isso? Por que deixaram viver os meninos? “
  15. Responderam as parteiras do faraó: “As mulheres hebréias não são como as egípcias. São cheias de vigor e dão à luz antes de chegarem as parteiras”.
  16. “Deus foi bondoso com as parteiras; e o povo ia se tornando ainda mais numeroso, cada vez mais forte. Visto que as parteiras temeram a Deus, ele concedeu-lhes que tivessem suas próprias famílias.”
  17. Por isso o faraó ordenou a todo o seu povo: “Lancem ao Nilo todo menino recém-nascido, mas deixem viver as meninas”.
  18. Um homem da tribo de Levi casou-se com uma mulher da mesma tribo, e ela engravidou e deu à luz um filho. Vendo que era bonito, ela o escondeu por três meses.
  19. Quando já não podia mais escondê-lo, pegou um cesto feito de junco e o vedou com piche e betume. Colocou nele o menino e deixou o cesto entre os juncos, à margem do Nilo.
  20. A irmã do menino ficou observando de longe para ver o que lhe aconteceria.
  21. A filha do faraó descera ao Nilo para tomar banho. Enquanto isso as suas servas andavam pela margem do rio. Nisso viu o cesto entre os juncos e mandou sua criada apanhá-lo.
  22. Ao abri-lo viu um bebê chorando. Ficou com pena dele e disse: “Este menino é dos hebreus”.
  23. Então a irmã do menino aproximou-se e perguntou à filha do faraó: “A senhora quer que eu vá chamar uma mulher dos hebreus para amamentar e criar o menino? “
  24. “Quero”, respondeu ela. E a moça foi chamar a mãe do menino.
  25. Então a filha do faraó disse à mulher: “Leve este menino e amamente-o para mim, e eu lhe pagarei por isso”. A mulher levou o menino e o amamentou.
  26. Tendo o menino crescido, ela o levou à filha do faraó, que o adotou e lhe deu o nome de Moisés, dizendo: “Porque eu o tirei das águas”.
  27. Certo dia, sendo Moisés já adulto, foi ao lugar onde estavam os seus irmãos hebreus e descobriu como era pesado o trabalho que realizavam. Viu também um egípcio espancar um dos hebreus.
  28. Correu o olhar por todos os lados e, não vendo ninguém, matou o egípcio e o escondeu na areia.
  29. No dia seguinte saiu e viu dois hebreus brigando. Então perguntou ao agressor: “Por que você está espancando o seu companheiro? “
  30. O homem respondeu: “Quem o nomeou líder e juiz sobre nós? Quer matar-me como matou o egípcio? ” Moisés teve medo e pensou: “Com certeza tudo já foi descoberto! “
  31. Quando o faraó soube disso, procurou matar Moisés, mas este fugiu e foi morar na terra de Midiã. Ali assentou-se à beira de um poço.
  32. O sacerdote de Midiã tinha sete filhas. Elas foram buscar água para encher os bebedouros e dar de beber ao rebanho de seu pai.
  33. Alguns pastores se aproximaram e começaram a expulsá-las dali; Moisés, porém, veio em auxílio delas e deu água ao rebanho.
  34. Quando as moças voltaram a seu pai Reuel, este lhes perguntou: “Por que voltaram tão cedo hoje? “
  35. Elas responderam: “Um egípcio defendeu-nos dos pastores e ainda tirou água do poço para nós e deu de beber ao rebanho”.
  36. “Onde está ele? “, perguntou o pai a elas. “Por que o deixaram lá? Convidem-no para comer conosco. “
  37. Moisés aceitou e concordou também em morar na casa daquele homem; este lhe deu por mulher sua filha Zípora.
  38. Ela deu à luz um menino, a quem Moisés deu o nome de Gérson, dizendo: “Sou imigrante em terra estrangeira”.
  39. Muito tempo depois, morreu o rei do Egito. Os israelitas gemiam e clamavam debaixo da escravidão; e o seu clamor subiu até Deus.
  40. Ouviu Deus o lamento deles e lembrou-se da aliança que fizera com Abraão, Isaque e Jacó.
  41. Deus olhou para os israelitas e viu qual era a situação deles.

Capítulo 21 – Chamado de Moisés

  1. Moisés pastoreava o rebanho de seu sogro Jetro, que era sacerdote de Midiã. Um dia levou o rebanho para o outro lado do deserto e chegou a Horebe, o monte de Deus.
  2. Ali o Anjo do Senhor lhe apareceu numa chama de fogo que saía do meio de uma sarça. Moisés viu que, embora a sarça estivesse em chamas, esta não era consumida pelo fogo.
  3. “Que impressionante! “, pensou. “Por que a sarça não se queima? Vou ver isso de perto. “
  4. O Senhor viu que ele se aproximava para observar. E então, do meio da sarça Deus o chamou: “Moisés, Moisés!” “Eis-me aqui”, respondeu ele.
  5. Então disse Deus: “Não se aproxime. Tire as sandálias dos pés, pois o lugar em que você está é terra santa”.
  6. Disse ainda: “Eu sou o Deus de seu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, o Deus de Jacó”. Então Moisés cobriu o rosto, pois teve medo de olhar para Deus.
  7. Disse o Senhor: “De fato tenho visto a opressão sobre o meu povo no Egito, e também tenho escutado o seu clamor, por causa dos seus feitores, e sei quanto eles estão sofrendo.
  8. Por isso desci para livrá-lo das mãos dos egípcios e tirá-los daqui para uma terra boa e vasta, onde manam leite e mel: a terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus.
  9. Pois agora o clamor dos israelitas chegou a mim, e tenho visto como os egípcios os oprimem.
  10. Vá, pois, agora; eu o envio ao faraó para tirar do Egito o meu povo, os israelitas”.
  11. Moisés, porém, respondeu a Deus: “Quem sou eu para apresentar-me ao faraó e tirar os israelitas do Egito?”
  12. Deus afirmou: “Eu estarei com você. Esta é a prova de que sou eu quem o envia: quando você tirar o povo do Egito, vocês prestarão culto a Deus neste monte”.
  13. Moisés perguntou: “Quando eu chegar diante dos israelitas e lhes disser: O Deus dos seus antepassados me enviou a vocês, e eles me perguntarem: ‘Qual é o nome dele? ’ Que lhes direi? “
  14. Disse Deus a Moisés: “Eu Sou o que Sou. É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês”.
  15. Disse também Deus a Moisés: “Diga aos israelitas: O Senhor, o Deus dos seus antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, o Deus de Jacó, enviou-me a vocês. Esse é o meu nome para sempre, nome pelo qual serei lembrado de geração em geração.
  16. “Vá, reúna as autoridades de Israel e diga-lhes: O Senhor, o Deus dos seus antepassados, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, apareceu a mim e disse: Eu virei em auxílio de vocês; pois vi o que lhes tem sido feito no Egito.
  17. “Prometi tirá-los da opressão do Egito para a terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus, terra onde manam leite e mel.”
  18. “As autoridades de Israel o atenderão. Depois você irá com elas ao rei do Egito para lhe dizer que o Senhor, o Deus dos hebreus, veio ao seu encontro, e que os deixe fazer uma caminhada de três dias, adentrando o deserto, para oferecer sacrifícios ao Senhor, seu Deus.”
  19. “Eu sei que o rei do Egito não os deixará sair, a não ser que uma poderosa mão o force.
  20. Disse, porém, Moisés ao Senhor: “Ó Senhor! Nunca tive facilidade para falar, nem no passado nem agora que falaste a teu servo. Não consigo falar bem!”
  21. Disse-lhe o Senhor: “Quem deu boca ao homem? Quem o fez surdo ou mudo? Quem lhe concede vista ou o torna cego? Não sou eu, o Senhor?
  22. Agora, pois, vá; eu estarei com você, ensinando-lhe o que dizer”.
  23. Respondeu-lhe, porém, Moisés: “Ah Senhor! Peço-te que envies outra pessoa”.
  24. Então o Senhor se irou com Moisés e lhe disse: “Você não tem o seu irmão Arão, o levita? Eu sei que ele fala bem. Ele já está vindo ao seu encontro e se alegrará ao vê-lo.
  25. Você falará com ele e lhe dirá o que ele deve dizer; eu estarei com vocês quando falarem, e lhes direi o que fazer.
  26. Assim como Deus fala ao profeta, você falará a seu irmão, e ele será o seu porta-voz diante do povo.
  27. E leve na mão esta vara; com ela você fará os sinais miraculosos”.
  28. Depois Moisés voltou a Jetro, seu sogro, e lhe disse: “Preciso voltar ao Egito para ver se meus parentes ainda vivem”. Jetro lhe respondeu: “Vá em paz! “
  29. Então Moisés levou sua mulher e seus filhos montados num jumento e partiu de volta ao Egito. Levava na mão a vara de Deus.
  30. Numa hospedaria ao longo do caminho, Zípora pegou uma pedra afiada, cortou o prepúcio de seu filho e tocou os pés de Moisés. E disse: “Você é para mim um marido de sangue!”, referindo-se à circuncisão.
  31. Então o Senhor disse a Arão: “Vá ao deserto encontrar-se com Moisés”. Ele foi, encontrou-se com Moisés no monte de Deus, e o saudou com um beijo.
  32. Moisés contou a Arão tudo o que o Senhor lhe tinha mandado dizer, e também falou-lhe de todos os sinais miraculosos que lhe havia ordenado realizar.
  33. Assim Moisés e Arão foram e reuniram todas as autoridades dos israelitas, e Arão lhes contou tudo o que o Senhor dissera a Moisés. Em seguida Moisés também realizou os sinais diante do povo.
  34. E eles creram. Quando o povo soube que o Senhor decidira vir em auxílio deles e tinha visto a sua opressão, curvou-se em adoração.

Capítulo 22 – Confronto com Faraó

  1. Depois disso Moisés e Arão foram falar com o faraó e disseram: “Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Deixe o meu povo ir para celebrar-me uma festa no deserto”.
  2. O faraó respondeu: “Quem é o Senhor, para que eu lhe obedeça e deixe Israel sair? Não conheço o Senhor, e não deixarei Israel sair”.
  3. Eles insistiram: “O Deus dos hebreus veio ao nosso encontro. Agora, permite-nos caminhar três dias no deserto, para oferecer sacrifícios ao Senhor, o nosso Deus; caso contrário, ele nos atingirá com pragas ou com a espada”.
  4. Mas o rei do Egito respondeu: “Moisés e Arão, por que vocês estão fazendo o povo interromper suas tarefas? Voltem ao trabalho! “
  5. E acrescentou: “Essa gente já é tão numerosa, e vocês ainda os fazem parar de trabalhar!”
  6. No mesmo dia o faraó deu a seguinte ordem aos feitores e capatazes responsáveis pelo povo: “Não forneçam mais palha ao povo para fazer tijolos, como faziam antes. Eles que tratem de ajuntar palha!”
  7. “Mas exijam que continuem a fazer a mesma quantidade de tijolos; não reduzam a cota. São preguiçosos, e por isso estão clamando para oferecer sacrifícios ao seu Deus.”
  8. Aumentem a carga de trabalho dessa gente para que cumpram suas tarefas e não deem atenção a mentiras”.
  9. Os feitores e os capatazes foram dizer ao povo: “Assim diz o faraó: Já não lhes darei palha. Saiam e recolham-na onde puderem achá-la, pois o trabalho de vocês em nada será reduzido”.
  10. O povo então espalhou-se por todo o Egito, a fim de ajuntar restolho em lugar da palha.
  11. Enquanto isso, os feitores os pressionavam, dizendo: “Completem a mesma tarefa diária que lhes foi exigida quando tinham palha”.
  12. Os capatazes israelitas indicados pelos feitores do faraó eram espancados e interrogados: “Por que não completaram ontem e hoje a mesma cota de tijolos dos dias anteriores?”
  13. Então os capatazes israelitas foram apelar para o faraó: “Por que tratas os teus servos dessa maneira?
  14. Não se fornece a nós, teus servos, a palha, e contudo nos dizem: ‘Façam tijolos! ’ Os teus servos têm sido espancados, mas a culpa é do teu próprio povo”.
  15. Respondeu o faraó: “Preguiçosos, é o que vocês são! Preguiçosos! Por isso andam dizendo que irão oferecer sacrifícios ao Senhor.”
  16. “Agora, voltem ao trabalho. Vocês não receberão palha alguma! Continuem a produzir a cota integral de tijolos!”
  17. Os capatazes israelitas se viram em dificuldade quando lhes disseram que não poderiam reduzir a quantidade de tijolos exigida a cada dia.
  18. Ao saírem da presença do faraó, encontraram-se com Moisés e Arão, que estavam à espera deles.
    E lhes disseram: “O Senhor os examine e os julgue! Vocês atraíram o ódio do faraó e dos seus conselheiros sobre nós, e lhes puseram nas mãos uma espada para que nos matem”.
  19. Moisés voltou-se para o Senhor e perguntou: “Senhor, por que maltrataste a este povo? Afinal, por que me enviaste?
  20. Desde que me dirigi ao faraó para falar em teu nome, ele tem maltratado a este povo, e tu de modo algum libertaste o teu povo!”
  21. Então o Senhor disse a Moisés: “Agora você verá o que farei ao faraó: Por minha mão poderosa, ele os deixará ir; por minha mão poderosa, ele os expulsará do seu país”.
  22. Disse Deus ainda a Moisés: “Eu sou o Senhor.”
  23. “Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como o Deus Todo-poderoso, mas pelo meu nome, o Senhor, não me revelei a eles.”
  24. “Depois estabeleci com eles a minha aliança para dar-lhes a terra de Canaã, terra onde viveram como estrangeiros.”
  25. “E agora ouvi o lamento dos israelitas, a quem os egípcios mantêm escravos, e lembrei-me da minha aliança.”
  26. “Por isso, diga aos israelitas: Eu sou o Senhor. Eu os livrarei do trabalho imposto pelos egípcios. Eu os libertarei da escravidão e os resgatarei com braço forte e com poderosos atos de juízo.”
    “Eu os farei meu povo e serei o Deus de vocês. Então vocês saberão que eu sou o Senhor, o Deus de vocês, que os livra do trabalho imposto pelos egípcios.”
    “E os farei entrar na terra que, com mão levantada, jurei que daria a Abraão, a Isaque e a Jacó. Eu a darei a vocês como propriedade. Eu sou o Senhor”.
  27. Moisés declarou isso aos israelitas, mas eles não lhe deram ouvidos, por causa da angústia e da cruel escravidão que sofriam.
  28. Então o Senhor ordenou a Moisés: “Vá dizer ao faraó, rei do Egito, que deixe os israelitas saírem do país”.
  29. Moisés, porém, disse na presença do Senhor: “Se os israelitas não me dão ouvidos, como me ouvirá o faraó? Ainda mais que não tenho facilidade para falar! “
  30. Mas, o Senhor ordenou a Moisés e a Arão que dissessem aos israelitas e ao faraó, rei do Egito, que tinham ordem para tirar do Egito os israelitas.
  31. Moisés e Arão dirigiram-se ao faraó e fizeram como o Senhor tinha ordenado. Arão jogou a vara diante do faraó e seus conselheiros, e ela se transformou em serpente.
  32. O faraó, porém, mandou chamar os sábios e feiticeiros; e também os magos do Egito fizeram a mesma coisa por meio das suas ciências ocultas.
  33. Cada um deles jogou ao chão uma vara, e estas se transformaram em serpentes. Mas a vara de Arão engoliu as varas deles.
  34. Contudo, o coração do faraó se endureceu e ele não quis dar ouvidos a Moisés e a Arão, como o Senhor tinha dito.
  35. Arão levantou a vara e feriu as águas do Nilo na presença do faraó e dos seus conselheiros; e toda a água do rio transformou-se em sangue.
  36. Os peixes morreram e o rio cheirava tão mal que os egípcios não conseguiam beber das suas águas. Havia sangue por toda a terra do Egito.
  37. Mas os magos do Egito fizeram a mesma coisa por meio de suas ciências ocultas. O coração do faraó se endureceu, e ele não deu ouvidos a Moisés e a Arão, como o Senhor tinha dito.
  38. Pelo contrário, deu-lhes as costas e voltou para o seu palácio. Nem assim o faraó levou isso a sério.
  39. Todos os egípcios cavaram buracos às margens do Nilo para encontrar água potável, pois da água do rio não podiam mais beber.

Capítulo 23 – Pragas do Egito

  1. Passaram-se sete dias depois que o Senhor feriu o Nilo.
  2. O Senhor falou a Moisés: “Vá ao faraó e diga-lhe que assim diz o Senhor: Deixe o meu povo ir para que me preste culto. Se você não quiser deixá-lo ir, mandarei sobre todo o seu território uma praga de rãs.”
  3. Assim Arão estendeu a mão sobre as águas do Egito, e as rãs subiram e cobriram a terra do Egito.
  4. Mas os magos fizeram a mesma coisa por meio das suas ciências ocultas: fizeram subir rãs sobre a terra do Egito.
  5. O faraó mandou chamar Moisés e Arão e disse: “Orem ao Senhor para que ele tire estas rãs de mim e do meu povo; então deixarei o povo ir e oferecer sacrifícios ao Senhor”.
  6. Moisés disse ao faraó: “Tua é a honra de dizer-me quando devo orar por ti, por teus conselheiros e por teu povo para que tu e tuas casas fiquem livres das rãs e sobrem apenas as que estão no rio”.
  7. “Amanhã”, disse o faraó. Moisés respondeu: “Será como tu dizes, para que saibas que não há ninguém como o Senhor nosso Deus.
  8. As rãs deixarão a ti, às tuas casas, a teus conselheiros e a teu povo; sobrarão apenas as que estão no rio”.
  9. Depois que Moisés e Arão saíram da presença do faraó, Moisés clamou ao Senhor por causa das rãs que enviara sobre o faraó.
  10. E o Senhor atendeu o pedido de Moisés; morreram as rãs que estavam nas casas, nos pátios e nos campos.
  11. Foram ajuntadas em montões e, por isso, a terra cheirou mal.
  12. Mas quando o faraó percebeu que houve alívio, obstinou-se em seu coração e não deu mais ouvidos a Moisés e a Arão, conforme o Senhor tinha dito.
  13. Então o Senhor disse a Moisés: “Diga a Arão que estenda a sua vara e fira o pó da terra, e o pó se transformará em piolhos por toda a terra do Egito”.
  14. Assim fizeram, e quando Arão estendeu a mão e com a vara feriu o pó da terra, surgiram piolhos nos homens e nos animais. Todo o pó de toda a terra do Egito transformou-se em piolhos.
  15. Mas, quando os magos tentaram fazer surgir piolhos por meio das suas ciências ocultas, não conseguiram. E os piolhos infestavam os homens e os animais.
  16. Os magos disseram ao faraó: “Isso é o dedo de Deus”. Mas o coração do faraó permaneceu endurecido, e ele não quis ouvi-los, conforme o Senhor tinha dito.
  17. E assim fez o Senhor: grandes enxames de moscas invadiram o palácio do faraó e as casas de seus conselheiros, e em todo o Egito a terra foi arruinada pelas moscas.
  18. Então o faraó mandou chamar Moisés e Arão e disse: “Vão oferecer sacrifícios ao seu Deus, mas não saiam do país”.
  19. Então Moisés saiu da presença do faraó e orou ao Senhor, e o Senhor atendeu o seu pedido: as moscas deixaram o faraó, seus conselheiros e seu povo; não restou uma só mosca.
  20. Mas também dessa vez o faraó obstinou-se em seu coração e não deixou que o povo saísse.
  21. No dia seguinte o Senhor o fez: Todos os rebanhos dos egípcios morreram, mas nenhum rebanho dos israelitas morreu.
  22. O faraó mandou verificar e constatou que nenhum animal dos israelitas havia morrido. Mesmo assim, seu coração continuou obstinado e não deixou o povo ir.
  23. Disse mais o Senhor a Moisés e a Arão: “Tirem um punhado de cinza de uma fornalha, e Moisés a espalhará no ar, diante do faraó.”
  24. Eles tiraram cinza duma fornalha e se puseram diante do faraó. Moisés a espalhou pelo ar, e feridas purulentas começaram a estourar nos homens e nos animais.
  25. Nem os magos podiam manter-se diante de Moisés, porque ficaram cobertos de feridas, como os demais egípcios.
  26. Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, e ele se recusou a atender Moisés e Arão, conforme o Senhor tinha dito a Moisés.
  27. Então o Senhor disse a Moisés: “Estenda a mão para o céu, e cairá granizo sobre toda a terra do Egito: sobre homens, sobre animais e sobre toda a vegetação do Egito”.
  28. Quando Moisés estendeu a vara para o céu, o Senhor fez vir trovões e granizo, e raios caíam sobre a terra. Assim o Senhor fez chover granizo sobre a terra do Egito.
  29. Caiu granizo, e raios cortavam o céu em todas as direções. Nunca houve uma tempestade de granizo como aquela em todo o Egito, desde que este se tornou uma nação.
  30. Em todo o Egito o granizo atingiu tudo o que havia nos campos, tanto homens como animais; destruiu toda a vegetação, além de quebrar todas as árvores.
  31. Somente na terra de Gósen, onde estavam os israelitas, não caiu granizo.
  32. Então o faraó mandou chamar Moisés e Arão e disse-lhes: “Desta vez eu pequei. O Senhor é justo; eu e o meu povo é que somos culpados.”
  33. “Orem ao Senhor! Os trovões de Deus e o granizo já são demais. Eu os deixarei ir; não precisam mais ficar aqui”.
  34. Moisés respondeu: “Assim que eu tiver saído da cidade, erguerei as mãos em oração ao Senhor. Os trovões cessarão e não cairá mais granizo, para que saibas que a terra pertence ao Senhor.”
  35. Assim Moisés deixou o faraó, saiu da cidade, e ergueu as mãos ao Senhor. Os trovões e o granizo cessaram, e a chuva parou.
  36. Quando o faraó viu que a chuva, o granizo e os trovões haviam cessado, pecou novamente e obstinou-se em seu coração, ele e os seus conselheiros.
  37. O coração do faraó continuou endurecido, e ele não deixou que os israelitas saíssem, como o Senhor tinha dito por meio de Moisés.
  38. Dirigiram-se, pois, Moisés e Arão ao faraó e lhe disseram: “Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreus: Até quando você se recusará a humilhar-se perante mim? Deixe ir o meu povo, para que me preste culto.”
  39. “Se você não quiser deixá-lo ir, farei vir gafanhotos sobre o seu território amanhã.”
  40. Os conselheiros do faraó lhe disseram: “Até quando este homem será uma ameaça para nós? Deixa os homens irem prestar culto ao Senhor Deus deles. Não percebes que o Egito está arruinado? “
  41. Então Moisés e Arão foram trazidos de volta à presença do faraó, que lhes disse: “Vão e prestem culto ao Senhor, ao seu Deus. Mas, digam-me, quem irá? “
  42. Moisés respondeu: “Temos que levar todos: os jovens e os velhos, os nossos filhos e as nossas filhas, as nossas ovelhas e os nossos bois, pois celebraremos uma festa ao Senhor”.
  43. Disse-lhes o faraó: “Vocês vão mesmo precisar do Senhor quando eu deixá-los ir com as mulheres e crianças! É claro que vocês estão com más intenções.”
    “De forma alguma! Só os homens podem ir prestar culto ao Senhor, como vocês têm pedido”. E Moisés e Arão foram expulsos da presença do faraó.
  44. Moisés estendeu a vara sobre o Egito, e o Senhor fez soprar sobre a terra um vento oriental durante todo aquele dia e toda aquela noite.
  45. Pela manhã, o vento havia trazido os gafanhotos, os quais invadiram todo o Egito e desceram em grande número sobre toda a sua extensão. Nunca antes houve tantos gafanhotos, nem jamais haverá.
  46. Eles cobriram toda a face da terra de tal forma que essa escureceu. Devoraram tudo o que o granizo tinha deixado: toda a vegetação e todos os frutos das árvores.
  47. Não restou nada verde nas árvores nem nas plantas do campo, em toda a terra do Egito.
  48. O faraó mandou chamar Moisés e Arão imediatamente e disse-lhes: “Pequei contra o Senhor seu Deus e contra vocês!
  49. Agora perdoem ainda esta vez o meu pecado e orem ao Senhor seu Deus para que leve esta praga mortal para longe de mim”.
  50. Moisés saiu da presença do faraó e orou ao Senhor.
  51. E o Senhor fez soprar com muito mais força o vento ocidental, e este envolveu os gafanhotos e os lançou no mar Vermelho. Não restou um gafanhoto sequer em toda a extensão do Egito.
  52. Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, e ele não deixou que os israelitas saíssem.
  53. Moisés estendeu a mão para o céu, e por três dias houve densas trevas em todo o Egito.
  54. Ninguém pôde ver ninguém, nem sair do seu lugar durante três dias. Todavia, todos os israelitas tinham luz nos locais em que habitavam.
  55. Então o faraó mandou chamar Moisés e disse: “Vão e prestem culto ao Senhor. Deixem somente as ovelhas e os bois; as mulheres e as crianças podem ir”.
  56. Mas Moisés contestou: “Tu mesmo nos darás os animais para os nossos sacrifícios e holocaustos que ofereceremos ao Senhor.”
  57. Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, e ele se recusou a deixá-los ir.
  58. Disse o faraó a Moisés: “Saia da minha presença! Trate de não aparecer nunca mais diante de mim! No dia em que vir a minha face, você morrerá”.
  59. Respondeu Moisés: “Será como disseste; nunca mais verei a tua face”.
  60. Disse, pois, Moisés ao faraó: “Assim diz o Senhor: Por volta da meia-noite, passarei por todo o Egito.”
  61. “Todos os primogênitos do Egito morrerão, desde o filho mais velho do faraó, herdeiro do trono, até o filho mais velho da escrava que trabalha no moinho, e também todas as primeiras crias do gado.”
  62. Haverá grande pranto em todo o Egito, como nunca houve antes nem jamais haverá.
  63. “Entre os israelitas, porém, nem sequer um cão latirá contra homem ou animal. Então vocês saberão que o Senhor faz distinção entre o Egito e Israel!”
  64. “Todos esses seus conselheiros virão a mim e se ajoelharão diante de mim, suplicando: Saiam você e todo o povo que o segue!, só então eu sairei.” E, com grande ira, Moisés saiu da presença do faraó.
  65. Moisés e Arão realizaram todos esses prodígios diante do faraó, mas o Senhor lhe endureceu o coração, e ele não quis deixar os israelitas saírem do país.

Capítulo 24 – Morte dos Primogênitos

  1. Então Moisés convocou todas as autoridades de Israel e lhes disse: “Escolham um cordeiro ou um cabrito para cada família. Sacrifiquem-no para celebrar a Páscoa!
  2. Molhem um feixe de hissopo no sangue que estiver na bacia e passem o sangue na viga superior e nas laterais das portas. Nenhum de vocês poderá sair de casa até o amanhecer.
  3. Quando o Senhor passar pela terra para matar os egípcios, verá o sangue na viga superior e nas laterais da porta e passará sobre aquela porta; e não permitirá que o destruidor entre na casa de vocês para matá-los.
  4. Obedeçam a estas instruções como decreto perpétuo para vocês e para os seus descendentes.
  5. Quando entrarem na terra que o Senhor prometeu lhes dar, celebrem essa cerimônia.
  6. Quando os seus filhos lhes perguntarem: ‘O que significa esta cerimônia? ’, respondam-lhes: É o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou sobre as casas dos israelitas no Egito e poupou nossas casas quando matou os egípcios”. Então o povo curvou-se em adoração.
  7. Depois os israelitas se retiraram e fizeram conforme o Senhor tinha ordenado a Moisés e a Arão.
  8. Então, à meia-noite, o Senhor matou todos os primogênitos do Egito, desde o filho mais velho do faraó, herdeiro do trono, até o filho mais velho do prisioneiro que estava no calabouço, e também todas as primeiras crias do gado.
  9. No meio da noite o faraó, todos os seus conselheiros e todos os egípcios se levantaram. E houve grande pranto no Egito, pois não havia casa que não houvesse um morto.
  10. Naquela mesma noite o faraó mandou chamar Moisés e Arão e lhes disse: “Saiam imediatamente do meio do meu povo, vocês e os israelitas! Vão prestar culto ao Senhor, como vocês pediram.
  11. “Levem os seus rebanhos, como tinham dito, e abençoem a mim também”.
  12. Os egípcios pressionavam o povo para que se apressasse em sair do país, dizendo: “Todos nós morreremos!”
  13. Então o povo tomou a massa de pão ainda sem fermento e a carregou nos ombros, nas amassadeiras embrulhadas em suas roupas.
  14. Os israelitas obedeceram à ordem de Moisés e pediram aos egípcios objetos de prata e de ouro, bem como roupas.
  15. O Senhor concedeu ao povo uma disposição favorável da parte dos egípcios, de modo que lhes davam o que pediam; assim eles despojaram os egípcios.
  16. Os israelitas foram de Ramessés até Sucote. Havia cerca de seiscentos mil homens a pé, além de mulheres e crianças.
  17. Grande multidão de estrangeiros de todo tipo seguiu com eles, além de grandes rebanhos, tanto de bois como de ovelhas e cabras.
  18. Com a massa que haviam trazido do Egito, fizeram pães sem fermento. A massa não tinha fermentado, pois eles foram expulsos do Egito e não tiveram tempo de preparar comida.
  19. Ora, o período que os israelitas viveram no Egito foi de quatrocentos e trinta anos.
  20. No dia quando se completaram os quatrocentos e trinta anos, todos os exércitos do Senhor saíram do Egito.
  21. Assim como o Senhor passou em vigília aquela noite para tirar do Egito os israelitas, estes também devem passar em vigília essa mesma noite, para honrar ao Senhor, por todas as suas gerações.
  22. Todos os israelitas fizeram como o Senhor tinha ordenado a Moisés e a Arão.
  23. No mesmo dia o Senhor tirou os israelitas do Egito, organizados segundo as suas divisões.
  24. Então disse Moisés ao povo: “Comemorem esse dia em que vocês saíram do Egito, da terra da escravidão, porque o Senhor os tirou dali com mão poderosa. Não comam nada fermentado.”
  25. “Neste dia do mês de abibe vocês estão saindo.”
  26. “Quando o Senhor os fizer entrar na terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos heveus e dos jebuseus — terra que ele jurou aos seus antepassados que daria a vocês, terra onde manam leite e mel — vocês deverão celebrar esta cerimônia neste mesmo mês.”
  27. “Durante sete dias comam pão sem fermento e, no sétimo dia façam uma festa ao Senhor.”
  28. “Comam pão sem fermento durante os sete dias; não haja nada fermentado entre vocês, nem fermento algum dentro do seu território.”
  29. “Nesse dia cada um dirá a seu filho: Assim faço pelo que o Senhor fez por mim quando saí do Egito.
  30. “Isto lhe será como sinal em sua mão e memorial em sua testa, para que a lei do Senhor esteja em seus lábios, porque o Senhor o tirou do Egito com mão poderosa.”
  31. “Cumpra esta determinação na época certa, de ano em ano.”
  32. “Depois que o Senhor os fizer entrar na terra dos cananeus e entregá-la a vocês, como jurou a vocês e aos seus antepassados, separem para o Senhor o primeiro nascido de todo ventre. Todos os primeiros machos dos seus rebanhos pertencem ao Senhor.”
  33. “Resgate com um cordeiro toda primeira cria dos jumentos, mas se não quiser resgatá-la, quebre-lhe o pescoço. Resgate também todo primogênito entre os seus filhos.”
  34. “No futuro, quando os seus filhos lhes perguntarem: Que significa isto?, digam-lhes: Com mão poderosa o Senhor nos tirou do Egito, da terra da escravidão.”
  35. “Quando o faraó resistiu e recusou deixar-nos sair, o Senhor matou todos os primogênitos do Egito, tanto de homens como de animais. Por isso sacrificamos ao Senhor os primeiros machos de todo ventre e resgatamos os nossos primogênitos.”
  36. “Isto será como sinal em sua mão e marca em sua testa de que o Senhor nos tirou do Egito com mão poderosa”.

Capítulo 25 – Mar Vermelho

  1. Quando o faraó deixou sair o povo, Deus não o guiou pela rota da terra dos filisteus, embora este fosse o caminho mais curto, pois disse: “Se eles se defrontarem com a guerra, talvez se arrependam e voltem para o Egito”.
  2. Assim, o Senhor fez o povo dar a volta pelo deserto, seguindo o caminho que leva ao mar Vermelho. Os israelitas saíram do Egito preparados para lutar.
  3. Moisés levou os ossos de José, porque José havia feito os filhos de Israel prestarem um juramento, quando disse: “Deus certamente virá em auxílio de vocês; levem então os meus ossos daqui”.
  4. Os israelitas partiram de Sucote e acamparam em Etã, junto ao deserto.
  5. Durante o dia o Senhor ia adiante deles, numa coluna de nuvem, para guiá-los no caminho, e de noite, numa coluna de fogo, para iluminá-los, e assim podiam caminhar de dia e de noite.
  6. A coluna de nuvem não se afastava do povo de dia, nem a coluna de fogo, de noite.
  7. Contaram ao rei do Egito que o povo havia fugido. Então o faraó e os seus conselheiros mudaram de ideia e disseram: “O que foi que fizemos? Deixamos os israelitas saírem e perdemos os nossos escravos! “
  8. Então o faraó mandou aprontar a sua carruagem, e levou consigo o seu exército.
  9. Levou todos os carros de guerra do Egito, inclusive seiscentos dos melhores desses carros, cada um com um oficial no seu comando.
  10. O Senhor endureceu o coração do faraó, rei do Egito, e este perseguiu os israelitas, que marchavam triunfantemente.
  11. Os egípcios, com todos os cavalos e carros de guerra do faraó, os cavaleiros e a infantaria, saíram em perseguição aos israelitas e os alcançaram quando estavam acampados à beira-mar, perto de Pi-Hairote, defronte de Baal-Zefom.
  12. Ao aproximar-se o faraó, os israelitas olharam e avistaram os egípcios que marchavam na direção deles. E, aterrorizados, clamaram ao Senhor.
  13. Disseram a Moisés: “Foi por falta de túmulos no Egito que você nos trouxe para morrermos no deserto? O que você fez conosco, tirando-nos de lá?
  14. Já não lhe tínhamos dito no Egito: Deixe-nos em paz! Seremos escravos dos egípcios! Antes ser escravos dos egípcios do que morrer no deserto! “
  15. Moisés respondeu ao povo: “Não tenham medo. Fiquem firmes e vejam o livramento que o Senhor lhes trará hoje, porque vocês nunca mais verão os egípcios que hoje vêem.”
  16. “O Senhor lutará por vocês; tão-somente acalmem-se”.
  17. A seguir o anjo de Deus que ia à frente dos exércitos de Israel retirou-se, colocando-se atrás deles. A coluna de nuvem também saiu da frente deles e se pôs atrás, entre os egípcios e os israelitas.
  18. A nuvem trouxe trevas para um e luz para o outro, de modo que os egípcios não puderam aproximar-se dos israelitas durante toda a noite.
  19. Então Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o Senhor afastou o mar e o tornou em terra seca, com um forte vento oriental que soprou toda aquela noite.
  20. As águas se dividiram, e os israelitas atravessaram pelo meio do mar em terra seca, tendo uma parede de água à direita e outra à esquerda.
  21. Os egípcios os perseguiram, e todos os cavalos, carros de guerra e cavaleiros do faraó foram atrás deles até o meio do mar.
  22. No fim da madrugada, do alto da coluna de fogo e de nuvem, o Senhor viu o exército dos egípcios e o pôs em confusão.
  23. Fez que as rodas dos seus carros começassem a soltar-se, de forma que tinham dificuldades em conduzi-los. E os egípcios gritaram: “Vamos fugir dos israelitas! O Senhor está lutando por eles contra o Egito”.
  24. Mas o Senhor disse a Moisés: “Estenda a mão sobre o mar para que as águas voltem sobre os egípcios, sobre os seus carros de guerra e sobre os seus cavaleiros”.
  25. Moisés estendeu a mão sobre o mar, e ao raiar do dia o mar voltou ao seu lugar. Quando os egípcios estavam fugindo, foram de encontro às águas, e o Senhor os lançou ao mar.
  26. As águas voltaram e encobriram os seus carros de guerra e os seus cavaleiros, todo o exército do faraó que havia perseguido os israelitas mar adentro. Ninguém sobreviveu.
  27. Mas os israelitas atravessaram o mar pisando em terra seca, tendo uma parede de água à direita e outra à esquerda.
  28. Naquele dia o Senhor salvou Israel das mãos dos egípcios, e os israelitas viram os egípcios mortos na praia.
  29. Israel viu o grande poder do Senhor contra os egípcios, temeu ao Senhor e pôs nele a sua confiança, como também em Moisés, seu servo.
  30. Então Moisés e os israelitas entoaram este cântico ao Senhor: “Cantarei ao Senhor, pois triunfou gloriosamente. Lançou ao mar o cavalo e o seu cavaleiro!”
  31. Então Miriã, a profetisa, irmã de Arão, pegou um tamborim e todas as mulheres a seguiram, tocando tamborins e dançando.
  32. E Miriã lhes respondia, cantando: “Cantem ao Senhor, pois triunfou gloriosamente. Lançou ao mar o cavalo e o seu cavaleiro”.

Capítulo 26 – Bênçãos de Deus

  1. Depois Moisés conduziu Israel desde o mar Vermelho até o deserto de Sur. Durante três dias caminharam no deserto sem encontrar água.
  2. Então chegaram a Mara, mas não puderam beber das águas de lá porque eram amargas. Esta é a razão porque o lugar chama-se Mara.
  3. E o povo começou a reclamar a Moisés, dizendo: “Que beberemos? “
  4. Moisés clamou ao Senhor, e este lhe indicou um arbusto. Ele o lançou na água, e esta se tornou boa. Em Mara o Senhor lhes deu leis e ordenanças, e os colocou à prova.
  5. Disse-lhes: “Se vocês derem atenção ao Senhor, ao seu Deus e fizerem o que ele aprova, se derem ouvidos aos seus mandamentos e obedecerem a todos os seus decretos, não trarei sobre vocês nenhuma das doenças que eu trouxe sobre os egípcios, pois eu sou o Senhor que os cura”.
  6. Depois chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; e acamparam junto àquelas águas.
  7. Toda a comunidade de Israel partiu de Elim e chegou ao deserto de Sim, que fica entre Elim e o Sinai. Foi no décimo quinto dia do segundo mês, depois que saíram do Egito.
  8. No deserto, toda a comunidade de Israel reclamou a Moisés e Arão.
  9. Disseram-lhes os israelitas: “Quem dera a mão do Senhor nos tivesse matado no Egito! Lá nos sentávamos ao redor das panelas de carne e comíamos pão à vontade, mas vocês nos trouxeram a este deserto para fazer morrer de fome toda esta multidão! “
  10. Assim Moisés e Arão disseram a todos os israelitas: “Ao entardecer, vocês saberão que foi o Senhor quem os tirou do Egito.”
  11. “E amanhã cedo verão a glória do Senhor, porque o Senhor ouviu a queixa de vocês contra ele. Quem somos nós para que vocês reclamem a nós? “
  12. “O Senhor lhes dará carne para comer ao entardecer e pão à vontade pela manhã, porque ele ouviu as suas queixas contra ele. Quem somos nós? Vocês não estão reclamando de nós, mas do Senhor”.
  13. Disse Moisés a Arão: “Diga a toda a comunidade de Israel que se apresente ao Senhor, pois ele ouviu as suas queixas”.
  14. Enquanto Arão falava a toda a comunidade, todos olharam em direção ao deserto, e a glória do Senhor apareceu na nuvem.
  15. E o Senhor disse a Moisés: “Ouvi as queixas dos israelitas. Responda-lhes que ao pôr-do-sol vocês comerão carne, e ao amanhecer se fartarão de pão. Assim saberão que eu sou o Senhor seu Deus”.
  16. No final da tarde, apareceram codornizes que cobriram o lugar onde estavam acampados; ao amanhecer havia uma camada de orvalho ao redor do acampamento.
  17. Depois que o orvalho secou, flocos finos semelhantes a geada estavam sobre a superfície do deserto.
  18. Quando os israelitas viram aquilo, começaram a perguntar uns aos outros: “Que é isso? “, pois não sabiam do que se tratava.
  19. Disse-lhes Moisés: “Este é o pão que o Senhor lhes deu para comer. Assim ordenou o Senhor: Cada chefe de família recolha o quanto precisar: um jarro para cada pessoa da sua tenda”.
  20. Os israelitas fizeram como lhes fora dito; alguns recolheram mais, outros menos.
  21. Quando mediram com o jarro, quem tinha recolhido muito não teve demais, e não faltou a quem tinha recolhido pouco. Cada um recolheu tanto quanto precisava.
  22. “Ninguém deve guardar nada para a manhã seguinte”, ordenou-lhes Moisés.
  23. Todavia, alguns deles não deram atenção a Moisés e guardaram um pouco até a manhã seguinte, mas aquilo criou bicho e começou a cheirar mal. Por isso Moisés irou-se contra eles.
  24. Cada manhã todos recolhiam o quanto precisavam, pois quando o sol esquentava, aquilo se derretia.
  25. No sexto dia recolheram o dobro: dois jarros para cada pessoa; e os líderes da comunidade foram contar isso a Moisés.
  26. Ele lhes explicou: “Foi isto que o Senhor ordenou: ‘Amanhã será dia de descanso, sábado consagrado ao Senhor. Assem e cozinhem o que quiserem. Guardem o que sobrar até a manhã seguinte”.
  27. E eles o guardaram até a manhã seguinte, como Moisés tinha ordenado, e não cheirou mal nem criou bicho.
  28. “Comam-no hoje”, disse Moisés, “pois hoje é o sábado do Senhor. Hoje, vocês não o encontrarão no terreno.
  29. Durante seis dias vocês podem recolhê-lo, mas, no sétimo dia, o sábado, nada acharão.”
  30. Apesar disso, alguns deles saíram no sétimo dia para recolhê-lo, mas não encontraram nada.
  31. Então o Senhor disse a Moisés: “Até quando vocês se recusarão a obedecer aos meus mandamentos e às minhas instruções?”
  32. “Vejam que o Senhor lhes deu o sábado; e por isso, no sexto dia, ele lhes dá pão para dois dias. No sétimo dia, fiquem todos onde estiverem; ninguém deve sair”.
  33. Então o povo descansou no sétimo dia.
  34. O povo de Israel chamou maná àquele pão. Era branco como semente de coentro e tinha gosto de bolo de mel.
  35. Disse Moisés: “O Senhor ordenou-lhes que recolham um jarro de maná e guardem-no para as futuras gerações, para que vejam o pão que lhes dei no deserto, quando os tirei do Egito”.
  36. Então Moisés disse a Arão: “Ponha numa vasilha a medida de um jarro de maná, e coloque-a diante do Senhor, para que seja conservado para as futuras gerações”.
  37. Em obediência ao que o Senhor tinha ordenado a Moisés, Arão colocou o maná junto às tábuas da aliança, para ali ser guardado.
  38. Os israelitas comeram maná durante quarenta anos, até chegarem a uma terra habitável; comeram maná até chegarem às fronteiras de Canaã.
  39. Toda a comunidade de Israel partiu do deserto de Sim, andando de um lugar para outro, conforme a ordem do Senhor. Acamparam em Refidim, mas lá não havia água para beber.
  40. Por essa razão queixaram-se a Moisés e exigiram: “Dê-nos água para beber”. Ele respondeu: “Por que se queixam a mim? Por que colocam o Senhor à prova? “
  41. Mas o povo estava sedento e reclamou a Moisés: “Por que você nos tirou do Egito? Foi para matar de sede a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos? “
  42. Então Moisés clamou ao Senhor: “Que farei com este povo? Estão a ponto de apedrejar-me!”
  43. Respondeu-lhe o Senhor: “Passe à frente do povo. Leve com você algumas das autoridades de Israel, tenha na mão a vara com a qual você feriu o Nilo e vá adiante.
  44. Eu estarei à sua espera no alto da rocha que está em Horebe. Bata na rocha, e dela sairá água para o povo beber”. Assim fez Moisés, à vista das autoridades de Israel.
  45. E chamou aquele lugar Massá e Meribá, porque ali os israelitas reclamaram e puseram o Senhor à prova, dizendo: “O Senhor está entre nós, ou não? “
  46. Sucedeu que os amalequitas vieram atacar os israelitas em Refidim.
  47. Então Moisés disse a Josué: “Escolha alguns dos nossos homens e lute contra os amalequitas. Amanhã tomarei posição no alto da colina, com a vara de Deus em minhas mãos”.
  48. Josué foi então lutar contra os amalequitas, conforme Moisés tinha ordenado. Moisés, Arão e Hur, porém, subiram ao alto da colina.
  49. Enquanto Moisés mantinha as mãos erguidas, os israelitas venciam; quando, porém, as abaixava, os amalequitas venciam.
  50. Quando as mãos de Moisés já estavam cansadas, eles pegaram uma pedra e a colocaram debaixo dele, para que nela se assentasse.
  51. Arão e Hur mantinham erguidas as mãos de Moisés, um de cada lado, de modo que as mãos permaneceram firmes até o pôr-do-sol.
  52. E Josué derrotou o exército amalequita ao fio da espada.
  53. Depois o Senhor disse a Moisés: “Escreva isto num rolo, como memorial, e declare a Josué que farei que os amalequitas sejam esquecidos para sempre debaixo do céu”.
  54. Moisés construiu um altar e chamou-lhe “o Senhor é minha bandeira”.
  55. E jurou: “Pelo trono do Senhor! O Senhor fará guerra contra os amalequitas de geração em geração”.

Capítulo 27 – Dez Mandamentos

  1. Jetro, sacerdote de Midiã e sogro de Moisés, soube de tudo o que Deus tinha feito por Moisés e pelo povo de Israel, como o Senhor havia tirado Israel do Egito.
  2. Disse ele: “Bendito seja o Senhor que os libertou das mãos dos egípcios e do faraó; que livrou o povo das mãos dos egípcios!”
  3. “Agora sei que o Senhor é maior do que todos os outros deuses, pois ele os superou exatamente naquilo de que se vangloriavam”.
  4. Então Jetro, sogro de Moisés, ofereceu um holocausto e sacrifícios a Deus, e Arão veio com todas as autoridades de Israel para comerem com o sogro de Moisés na presença de Deus.
  5. No dia seguinte Moisés assentou-se para julgar as questões do povo, e este permaneceu de pé diante dele, desde a manhã até o cair da tarde.
  6. Quando o seu sogro viu tudo o que ele estava fazendo pelo povo, disse: “Que é que você está fazendo? Por que só você se assenta para julgar, e todo este povo o espera de pé, desde a manhã até o cair da tarde? “
  7. Moisés lhe respondeu: “O povo me procura para que eu consulte a Deus. Toda vez que alguém tem uma questão, esta me é trazida, e eu decido entre as partes, e ensino-lhes os decretos e leis de Deus”.
  8. Respondeu o sogro de Moisés: “O que você está fazendo não é bom. Você e o seu povo ficarão esgotados, pois esta tarefa lhe é pesada demais. Você não pode executá-la sozinho.”
  9. “Agora, ouça-me! Eu lhe darei um conselho, e que Deus esteja com você! Seja você o representante do povo diante de Deus e leve a Deus as suas questões.”
  10. “Oriente-os quanto aos decretos e leis, mostrando-lhes como devem viver e o que devem fazer.
  11. “Mas escolha dentre todo o povo homens capazes, tementes a Deus, dignos de confiança e inimigos de ganho desonesto. Estabeleça-os como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez.”
  12. “Eles estarão sempre à disposição do povo para julgar as questões. Trarão a você apenas as questões difíceis; as mais simples decidirão sozinhos.”
  13. “Isso tornará mais leve o seu fardo, porque eles o dividirão com você.”
  14. “Se você assim fizer, e se assim Deus ordenar, você será capaz de suportar as dificuldades, e todo este povo voltará para casa satisfeito”.
  15. Moisés aceitou o conselho do sogro e fez tudo como ele tinha sugerido.
  16. Escolheu homens capazes de todo o Israel e colocou-os como líderes do povo: chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez.
  17. Estes ficaram como juízes permanentes do povo. As questões difíceis levavam a Moisés; as mais simples, porém, eles mesmos resolviam.
  18. Então Moisés e seu sogro se despediram, e este voltou para a sua terra.
  19. No dia em que se completaram três meses que os israelitas haviam saído do Egito, chegaram ao deserto do Sinai.
  20. Depois de saírem de Refidim, entraram no deserto do Sinai, e Israel acampou ali, diante do monte.
  21. Logo Moisés subiu o monte para encontrar-se com Deus.
  22. Ao voltar, convocou as autoridades do povo e lhes expôs tudo o que o Senhor havia-lhe mandado falar.
  23. O povo todo respondeu unânime: “Faremos tudo o que o Senhor ordenou”.
  24. Tendo Moisés descido do monte, consagrou o povo; e eles lavaram as suas vestes.
  25. Disse ele então ao povo: “Preparem-se para o terceiro dia, e até lá não se acheguem a mulher”.
  26. Ao amanhecer do terceiro dia houve trovões e raios, uma densa nuvem cobriu o monte, e uma trombeta ressoou fortemente. Todos no acampamento tremeram de medo.
  27. Moisés levou o povo para fora do acampamento, para encontrar-se com Deus, e eles ficaram ao pé do monte.
  28. O monte Sinai estava coberto de fumaça, pois o Senhor tinha descido sobre ele em chamas de fogo. Dele subia fumaça como que de uma fornalha.
  29. Todo o monte tremia violentamente e o som da trombeta era cada vez mais forte. Então Moisés falou, e a voz de Deus lhe respondeu.
  30. O Senhor desceu ao topo do monte Sinai e chamou Moisés para o alto do monte.
  31. Moisés subiu e disse ao Senhor: “O povo não pode subir ao monte Sinai, pois tu mesmo nos avisaste: Estabeleça um limite em torno do monte e declare-o santo”.
    O Senhor respondeu: “Desça e depois torne a subir, acompanhado de Arão. Quanto aos sacerdotes e ao povo, não devem ultrapassar o limite para subir ao Senhor; senão, o Senhor os fulminará”.
  32. Então Moisés desceu e avisou o povo.
  33. E Deus falou todas estas palavras: “Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te tirou do Egito, da terra da escravidão.”
  34. “Não terás outros deuses além de mim.”
  35. “Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra.”
  36. “Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta geração daqueles que me desprezam,
  37. “Mas trato com bondade até mil gerações aos que me amam e guardam os meus mandamentos.”
  38. “Não tomarás em vão o nome do Senhor teu Deus, pois o Senhor não deixará impune quem tomar o seu nome em vão.”
  39. “Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo.”
  40. “Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor teu Deus.”
  41. “Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os estrangeiros que morarem em tuas cidades.”
  42. “Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou.”
  43. “Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor teu Deus te dá.
  44. “Não matarás.”
  45. “Não adulterarás.”
  46. “Não furtarás.”
  47. “Não darás falso testemunho contra o teu próximo.”
  48. “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seus servos ou servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”.

Capítulo 28 – Segunda Aliança

  1. Vendo-se o povo diante dos trovões e dos relâmpagos, e do som da trombeta e do monte fumegando, todos tremeram assustados.
  2. Ficaram à distância e disseram a Moisés: “Fala tu mesmo conosco, e ouviremos. Mas que Deus não fale conosco, para que não morramos”.
  3. Moisés disse ao povo: “Não tenham medo! Deus veio prová-los, para que o temor de Deus esteja em vocês e os livre de pecar”.
  4. Mas o povo permaneceu à distância, ao passo que Moisés aproximou-se da nuvem escura em que Deus se encontrava.
  5. O Senhor disse a Moisés suas palavras e ordenanças colocando-as no Livro da Aliança.
  6. Então, quando Moisés se dirigiu ao povo e transmitiu-lhes todas as palavras e ordenanças do Senhor, eles responderam em uníssono: “Faremos tudo o que o Senhor ordenou”.
  7. Moisés, então, escreveu tudo o que o Senhor dissera. Na manhã seguinte Moisés levantou-se, construiu um altar ao pé do monte e ergueu doze colunas de pedra, representando as doze tribos de Israel.
  8. Em seguida enviou jovens israelitas, que ofereceram holocaustos e novilhos como sacrifícios de comunhão ao Senhor.
  9. Moisés colocou metade do sangue em tigelas e a outra metade derramou sobre o altar.
  10. Em seguida, leu o Livro da Aliança para o povo, e eles disseram: “Faremos fielmente tudo o que o Senhor ordenou”.
  11. Depois Moisés aspergiu o sangue sobre o povo, dizendo: “Este é o sangue da aliança que o Senhor fez com vocês de acordo com todas essas palavras”.
  12. Moisés, Arão, Nadabe, Abiú e setenta autoridades de Israel subiram e viram o Deus de Israel, sob cujos pés havia algo semelhante a um pavimento de safira, como o céu em seu esplendor.
  13. Deus, porém, não estendeu a mão para punir esses líderes do povo de Israel; eles viram a Deus, e depois comeram e beberam.
  14. Moisés partiu com Josué, seu auxiliar, e subiu ao monte de Deus.
  15. Disse ele às autoridades de Israel: “Esperem-nos aqui, até que retornemos. Arão e Hur ficarão com vocês; quem tiver alguma questão para resolver, poderá procurá-los”.
  16. Quando Moisés subiu, a nuvem cobriu o monte, e a glória do Senhor permaneceu sobre o monte Sinai.
  17. Durante seis dias a nuvem cobriu o monte. No sétimo dia o Senhor chamou Moisés do interior da nuvem.
  18. Aos olhos dos israelitas a glória do Senhor parecia um fogo consumidor no topo do monte.
  19. Moisés entrou na nuvem e foi subindo o monte. E permaneceu no monte quarenta dias e quarenta noites.
  20. Disse o Senhor a Moisés: “Diga aos israelitas que me tragam uma oferta. Receba-a de todo aquele cujo coração o compelir a dar.”
  21. “Estas são as ofertas que deverá receber deles: ouro, prata e bronze, fios de tecido azul, roxo e vermelho, linho fino, pêlos de cabra, peles de carneiro tingidas de vermelho, couro, madeira de acácia.”
  22. “Azeite para iluminação; especiarias para o óleo da unção e para o incenso aromático; pedras de ônix e outras pedras preciosas para serem encravadas no colete sacerdotal e no peitoral.”
  23. “E farão um santuário para mim, e eu habitarei no meio deles.
  24. “Façam tudo como eu lhe mostrar, conforme o modelo do tabernáculo e de cada utensílio.
  25. “Eu escolhi a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do Espírito de Deus, dando-lhe destreza, habilidade e plena capacidade artística para desenhar e executar trabalhos em ouro, prata e bronze,
    para talhar e esculpir pedras, para entalhar madeira e executar todo tipo de obra artesanal.”
  26. “Além disso, designei Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, para auxiliá-lo.”
  27. “Também capacitei a todos os artesãos para que executem tudo o que lhe ordenei: A Tenda do Encontro, a arca da aliança e a tampa que está sobre ela,”
  28. “Todos os outros utensílios da tenda — a mesa com os seus utensílios, o candelabro de ouro puro e os seus utensílios, o altar do incenso, o altar do holocausto com os seus utensílios, a bacia com a sua base —”
  29. “Assim como as vestes litúrgicas, tanto as vestes sagradas para Arão, o sacerdote, como as vestes para os seus filhos, quando servirem como sacerdotes,”
  30. “Bem como o óleo para as unções e o incenso aromático para o Lugar Santo.
  31. “Tudo deve ser feito exatamente como eu lhe ordenei”.
  32. Quando o Senhor terminou de falar com Moisés no monte Sinai, deu-lhe as duas tábuas da aliança, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.

Capítulo 29 – Bezerro de Ouro

  1. O povo, ao ver que Moisés demorava a descer do monte, juntou-se ao redor de Arão e lhe disse: “Venha, faça para nós deuses que nos conduzam, pois a esse Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu”.
  2. Respondeu-lhes Arão: “Tirem os brincos de ouro de suas mulheres, de seus filhos e de suas filhas e tragam-nos a mim”.
  3. Todos tiraram os seus brincos de ouro e os levaram a Arão.
  4. Ele os recebeu e os fundiu, transformando tudo num ídolo, que modelou com uma ferramenta própria, dando-lhe a forma de um bezerro. Então disseram: “Eis aí os seus deuses, ó Israel, que tiraram vocês do Egito!”
  5. Vendo isso, Arão edificou um altar diante do bezerro e anunciou: “Amanhã haverá uma festa dedicada ao Senhor”.
  6. Na manhã seguinte, ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão. O povo se assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar à farra.
  7. Então o Senhor disse a Moisés: “Desça, porque o seu povo, que você tirou do Egito, corrompeu-se.
  8. Muito depressa se desviaram daquilo que lhes ordenei e fizeram um ídolo em forma de bezerro, curvaram-se diante dele, ofereceram-lhe sacrifícios, e disseram: ‘Eis aí, ó Israel, os seus deuses que tiraram vocês do Egito’ “.
  9. Disse o Senhor a Moisés: “Tenho visto que este povo é um povo obstinado.
  10. “Deixe-me agora, para que a minha ira se acenda contra eles, e eu os destrua. Depois farei de você uma grande nação”.
  11. Moisés, porém, suplicou ao Senhor, o seu Deus, clamando: “Ó Senhor, por que se acenderia a tua ira contra o teu povo, que tiraste do Egito com grande poder e forte mão?”
  12. “Por que diriam os egípcios: ‘Foi com intenção maligna que ele os libertou, para matá-los nos montes e bani-los da face da terra’? Arrepende-te do fogo da tua ira! Tem piedade, e não tragas este mal sobre o teu povo!
  13. “Lembra-te dos teus servos Abraão, Isaque e Israel, aos quais juraste por ti mesmo: ‘Farei que os seus descendentes sejam numerosos como as estrelas do céu e lhes darei toda esta terra que lhes prometi, que será a sua herança para sempre’ “.
  14. E sucedeu que o Senhor arrependeu-se do mal que ameaçara trazer sobre o povo.
  15. Então Moisés desceu do monte, levando nas mãos as duas tábuas da aliança; estavam escritas em ambos os lados, frente e verso.
  16. As tábuas tinham sido feitas por Deus; o que nelas estava gravado fora escrito por Deus.
  17. Quando Josué ouviu o barulho do povo gritando, disse a Moisés: “Há barulho de guerra no acampamento”.
  18. Respondeu Moisés: “Não é canto de vitória, nem canto de derrota; mas ouço o som de canções! “
  19. Quando Moisés aproximou-se do acampamento e viu o bezerro e as danças, irou-se e jogou as tábuas no chão, ao pé do monte, quebrando-as.
  20. Pegou o bezerro que eles tinham feito e o destruiu no fogo; depois de moê-lo até virar pó, espalhou-o na água e fez com que os israelitas a bebessem.
  21. E perguntou a Arão: “Que lhe fez esse povo para que você o levasse a tão grande pecado? “
  22. Respondeu Arão: “Não te enfureças, meu senhor; tu bem sabes como esse povo é propenso para o mal.
  23. Eles me disseram: ‘Faça para nós deuses que nos conduzam, pois esse Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu’.
  24. Então eu lhes disse: Quem tiver enfeites de ouro, traga-os para mim. O povo trouxe-me o ouro, eu o joguei no fogo e surgiu esse bezerro! “
  25. Moisés viu que o povo estava desenfreado e que Arão o tinha deixado fora de controle, tendo se tornado motivo de riso para os seus inimigos.
  26. Então ficou em pé, à entrada do acampamento, e disse: “Quem é pelo Senhor, junte-se a mim”. Todos os levitas se juntaram a ele.
  27. Declarou-lhes também: “Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: ‘Pegue cada um sua espada, percorra o acampamento, de tenda em tenda, e mate o seu irmão, o seu amigo e o seu vizinho’ “.
  28. Fizeram os levitas conforme Moisés ordenou, e naquele dia morreram cerca de três mil dentre o povo.
  29. Disse então Moisés: “Hoje vocês se consagraram ao Senhor, pois nenhum de vocês poupou o seu filho e o seu irmão, de modo que o Senhor os abençoou neste dia”.
  30. No dia seguinte Moisés disse ao povo: “Vocês cometeram um grande pecado. Mas agora subirei ao Senhor, e talvez possa oferecer propiciação pelo pecado de vocês”.
  31. Assim, Moisés voltou ao Senhor e disse: “Ah, que grande pecado cometeu este povo! Fizeram para si um deus de ouro.”
  32. “Mas agora, eu te rogo, perdoa-lhes o pecado; se não, risca-me do teu livro que escreveste”.
  33. Respondeu o Senhor a Moisés: “Riscarei do meu livro todo aquele que pecar contra mim.”
  34. “Agora vá, guie o povo ao lugar de que lhe falei, e meu anjo irá à sua frente. Todavia, quando chegar a hora de puni-los, eu os punirei pelos pecados deles”.
  35. E o Senhor feriu o povo com uma praga porque quiseram que Arão fizesse o bezerro.

Capítulo 30 – Saída do Sinai

  1. Moisés costumava montar uma tenda do lado de fora do acampamento; ele a chamava Tenda do Encontro. Quem quisesse consultar a Deus ia à tenda, fora do acampamento.
  2. Sempre que Moisés ia até lá, todo o povo se levantava e ficava de pé à entrada de suas tendas, observando-o, até que ele entrasse na tenda.
  3. Assim que Moisés entrava, a coluna de nuvem descia e ficava à entrada da tenda, enquanto o Senhor falava com Moisés.
  4. Quando o povo via a coluna de nuvem parada à entrada da tenda, todos prestavam adoração de pé, cada qual na entrada de sua própria tenda.
  5. O Senhor falava com Moisés face a face, como quem fala com seu amigo. Depois Moisés voltava ao acampamento; mas Josué, filho de Num, que lhe servia como auxiliar, não se afastava da tenda.
  6. Disse Moisés ao Senhor: “Tu me ordenaste: ‘Conduza este povo’, mas não me permites saber quem enviarás comigo. Disseste: ‘Eu o conheço pelo nome e de você tenho me agradado’.
  7. Se me vês com agrado, revela-me os teus propósitos, para que eu te conheça e continue sendo aceito por ti. Lembra-te de que esta nação é o teu povo”.
  8. Então Moisés lhe declarou: “Se não fores conosco não nos envies.”
  9. “Como se saberá que eu e o teu povo podemos contar com o teu favor, se não nos acompanhares? Que mais poderá distinguir a mim e a teu povo de todos os demais povos da face da terra? “
  10. Então disse Moisés: “Peço-te que me mostres a tua glória”.
  11. Assim Moisés lavrou duas tábuas de pedra semelhantes às primeiras e subiu ao monte Sinai, logo de manhã, como o Senhor lhe havia ordenado, levando nas mãos as duas tábuas de pedra.
  12. Imediatamente Moisés prostrou-se, rosto em terra, e o adorou, dizendo: “Senhor, se de fato me aceitas com agrado, acompanha-nos o Senhor.”
  13. “Mesmo sendo esse um povo obstinado, perdoa a nossa maldade e o nosso pecado e faze de nós a tua herança”.
  14. Moisés ficou ali com o Senhor quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão e sem beber água. E escreveu nas tábuas as palavras da aliança: os Dez Mandamentos.
  15. Ao descer do monte Sinai com as duas tábuas da aliança nas mãos, Moisés não sabia que o seu rosto resplandecia por ter conversado com o Senhor.
  16. Quando Arão e todos os israelitas viram Moisés, com o rosto resplandecente, tiveram medo de aproximar-se dele.
  17. Ele, porém, os chamou; Arão e os líderes da comunidade atenderam, e Moisés falou com eles.
  18. Depois, todos os israelitas se aproximaram, e ele lhes transmitiu todos os mandamentos que o Senhor lhe tinha dado no monte Sinai.
  19. Quando acabou de falar com eles, cobriu o rosto com um véu.
  20. Mas toda vez que entrava para estar na presença do Senhor e falar com ele, tirava o véu até sair. Sempre que saía e contava aos israelitas tudo o que lhe havia sido ordenado, eles viam que o seu rosto resplandecia.
  21. Então, de novo Moisés cobria o rosto com o véu até entrar de novo para falar com o Senhor.
  22. Moisés fez tudo conforme o Senhor lhe havia ordenado.
  23. Assim, o tabernáculo foi armado no primeiro dia do primeiro mês do segundo ano.
  24. Moisés armou o tabernáculo, colocou as bases em seus lugares, armou as molduras, colocou as vigas e levantou as colunas.
  25. Depois estendeu a tenda sobre o tabernáculo e colocou a cobertura sobre ela, como o Senhor tinha ordenado.
  26. Colocou também as tábuas da aliança na arca, fixou nela as varas, e pôs sobre ela a tampa.
  27. Em seguida trouxe a arca para dentro do tabernáculo e pendurou o véu protetor, cobrindo a arca da aliança, como o Senhor tinha ordenado.
  28. Moisés colocou a mesa na Tenda do Encontro, no lado norte do tabernáculo, do lado de fora do véu.
  29. E sobre ela colocou os pães da Presença, diante do Senhor, como o Senhor tinha ordenado.
  30. Pôs o candelabro na Tenda do Encontro, em frente da mesa, no lado sul do tabernáculo, e colocou as lâmpadas diante do Senhor, como o Senhor tinha ordenado.
  31. Moisés também pôs o altar de ouro na Tenda do Encontro, diante do véu, e nele queimou incenso aromático, como o Senhor tinha ordenado.
  32. Pôs também a cortina à entrada do tabernáculo.
  33. Montou o altar de holocaustos à entrada do tabernáculo, a Tenda do Encontro, e sobre ele ofereceu holocaustos e ofertas de cereal, como o Senhor tinha ordenado.
  34. Colocou a bacia entre a Tenda do Encontro e o altar, e encheu-a de água. Moisés, Arão e os filhos deste usavam-na para lavar as mãos e os pés.
  35. Sempre que entravam na Tenda do Encontro e se aproximavam do altar, eles se lavavam, como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
  36. Finalmente, Moisés armou o pátio ao redor do tabernáculo e colocou a cortina à entrada do pátio. Assim, Moisés terminou a obra.
  37. Então a nuvem cobriu a Tenda do Encontro, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo.
  38. Moisés não podia entrar na Tenda do Encontro, porque a nuvem estava sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo.
  39. Sempre que a nuvem se erguia sobre o tabernáculo os israelitas seguiam viagem; mas se a nuvem não se erguia, eles não prosseguiam; só partiam no dia em que ela se erguesse.
  40. De dia a nuvem do Senhor ficava sobre o tabernáculo, e de noite havia fogo na nuvem, à vista de toda a nação de Israel, em todas as suas viagens.

Capítulo 31 – Censo

  1. Moisés e Arão reuniram os homens nomeados e convocaram toda a comunidade no primeiro dia do segundo mês.
  2. Os homens de vinte anos para cima inscreveram-se conforme os seus clãs e as suas famílias, um a um, pelo nome, conforme o Senhor tinha ordenado a Moisés.
  3. Todos os israelitas de vinte anos para cima que podiam servir no exército foram contados de acordo com as suas famílias.
  4. O total foi 603. 550 homens.
  5. As famílias da tribo de Levi, porém, não foram contadas juntamente com as outras, pois o Senhor tinha dito a Moisés que não fizesse o recenseamento da tribo de Levi nem a relacionasse entre os demais israelitas.
  6. Em vez disso, designe os levitas como responsáveis pelo tabernáculo que guarda as tábuas da aliança, por todos os seus utensílios e por tudo o que pertence a ele.
  7. Eles transportarão o tabernáculo e todos os seus utensílios; cuidarão dele e acamparão ao seu redor.
  8. Sempre que o tabernáculo tiver que ser removido, os levitas o desmontarão e, sempre que tiver que ser armado, os levitas o farão.
  9. Qualquer pessoa não autorizada que se aproximar do tabernáculo terá que ser executada.
  10. Os israelitas armarão as suas tendas organizadas segundo as suas divisões, cada um em seu próprio acampamento e junto à sua bandeira.
  11. Os levitas, porém, armarão as suas tendas ao redor do tabernáculo que guarda as tábuas da aliança, para que a ira divina não caia sobre a comunidade de Israel.
  12. Os levitas terão a responsabilidade de cuidar do tabernáculo que guarda as tábuas da aliança”.
  13. Os israelitas fizeram tudo exatamente como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
  14. Quando Moisés acabou de armar o tabernáculo, ele o ungiu e o consagrou, juntamente com todos os seus utensílios. Também ungiu e consagrou o altar com todos os seus utensílios.
  15. Então os líderes de Israel, os chefes das famílias que eram os líderes das tribos encarregados do recenseamento, apresentaram ofertas.
  16. Trouxeram as suas dádivas ao Senhor: seis carroças cobertas e doze bois, um boi de cada líder e uma carroça de cada dois líderes; e as apresentaram diante do tabernáculo.
  17. O Senhor disse a Moisés: “Aceite as ofertas deles para que sejam usadas no trabalho da Tenda do Encontro. Entregue-as aos levitas, conforme exigir o trabalho de cada homem”.
  18. Então Moisés recebeu as carroças e os bois e os entregou aos levitas.
  19. Deu duas carroças e quatro bois aos gersonitas, conforme exigia o trabalho deles, e quatro carroças e oito bois aos meraritas, conforme exigia o trabalho deles. Estavam todos sob a supervisão de Itamar, filho do sacerdote Arão.
  20. Mas aos coatitas Moisés não deu nada, pois eles deveriam carregar nos ombros os objetos sagrados pelos quais eram responsáveis.
  21. Quando o altar foi ungido, os líderes trouxeram as suas ofertas para a dedicação do altar, e as apresentaram diante dele.
  22. No primeiro dia, Naassom, filho de Aminadabe, da tribo de Judá, trouxe a sua oferta.
  23. No segundo dia, Natanael, filho de Zuar e líder de Issacar, trouxe a sua oferta.
  24. No terceiro dia, Eliabe, filho de Helom e líder de Zebulom, trouxe a sua oferta.
  25. No quarto dia, Elizur, filho de Sedeur e líder de Rúben, trouxe a sua oferta.
  26. No quinto dia, Selumiel, filho de Zurisadai e líder de Simeão, trouxe a sua oferta.
  27. No sexto dia, Eliasafe, filho de Deuel e líder de Gade, trouxe a sua oferta.
  28. No sétimo dia, Elisama, filho de Amiúde e líder de Efraim, trouxe a sua oferta.
  29. No oitavo dia, Gamaliel, filho de Pedazur e líder de Manassés, trouxe a sua oferta.
  30. No nono dia, Abidã, filho de Gideoni e líder de Benjamim, trouxe a sua oferta.
  31. No décimo dia, Aieser, filho de Amisadai e líder de Dã, trouxe a sua oferta.
  32. No décimo primeiro dia, Pagiel, filho de Ocrã e líder de Aser, trouxe a sua oferta.
  33. No décimo segundo dia, Aira, filho de Enã e líder de Naftali, trouxe a sua oferta.
  34. Essas foram as ofertas dos líderes israelitas para a dedicação do altar quando este foi ungido: doze pratos de prata, doze bacias de prata para as aspersões e doze vasilhas de ouro.
  35. Cada prato de prata pesava um quilo e quinhentos e sessenta gramas, e cada bacia para as aspersões pesava oitocentos e quarenta gramas.
  36. O total de peças de prata pesava vinte e oito quilos e oitocentos gramas, com base no peso padrão do santuário.
  37. As doze vasilhas de ouro cheias de incenso pesavam cada uma cento e vinte gramas, com base no peso padrão do santuário. O total de vasilhas de ouro pesava um quilo e quatrocentos e quarenta gramas.
  38. O total de animais oferecidos em holocausto foi doze novilhos, doze carneiros e doze cordeiros de um ano, juntamente com as ofertas de cereal. Doze bodes foram trazidos para a oferta pelo pecado.
  39. O total de animais oferecidos em sacrifício de comunhão foi vinte e quatro bois, sessenta carneiros, sessenta bodes e sessenta cordeiros de um ano.
  40. Foram essas as ofertas trazidas para a dedicação do altar depois que este foi ungido.
  41. Quando entrava na Tenda do Encontro para falar com o Senhor, Moisés ouvia a voz que lhe falava do meio dos dois querubins, de cima da tampa da arca da aliança. Era assim que o Senhor falava com ele.
  42. Moisés, Arão e toda a comunidade de Israel fizeram com os levitas como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
  43. Arão assim fez; dispôs as lâmpadas de modo que estivessem voltadas para a frente do candelabro, como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
  44. O candelabro foi feito da seguinte maneira: de ouro batido do pedestal às flores, conforme o modelo que o Senhor tinha mostrado a Moisés.
  45. Os levitas se purificaram e lavaram suas roupas; e Arão os apresentou como oferta ritualmente movida perante o Senhor e fez propiciação por eles para purificá-los.
  46. Depois disso os levitas passaram a ministrar na Tenda do Encontro sob a supervisão de Arão e dos seus filhos.
  47. Fizeram com os levitas como o Senhor tinha ordenado a Moisés.

Capítulo 32 – Marcha

  1. O Senhor falou com Moisés no deserto do Sinai no primeiro mês do segundo ano depois que o povo saiu do Egito.
  2. Então Moisés ordenou aos israelitas que celebrassem a Páscoa, e eles o fizeram no deserto do Sinai, ao pôr-do-sol do dia catorze do primeiro mês.
  3. Os israelitas fizeram tudo conforme o Senhor tinha ordenado a Moisés.
  4. No dia em que foi armado o tabernáculo, a tenda que guarda as tábuas da aliança, a nuvem o cobriu. Desde o entardecer até o amanhecer a nuvem por cima do tabernáculo tinha a aparência de fogo.
  5. Era assim que sempre acontecia: de dia a nuvem o cobria, e de noite tinha a aparência de fogo.
  6. Sempre que a nuvem se levantava de cima da Tenda, os israelitas partiam; no lugar em que a nuvem descia, ali acampavam.
  7. Conforme a ordem do Senhor os israelitas partiam, e conforme a ordem do Senhor, acampavam. Enquanto a nuvem estivesse por cima do tabernáculo, eles permaneciam acampados.
  8. Enquanto a nuvem ficava sobre o tabernáculo por muito tempo, os israelitas cumpriam suas responsabilidades para com o Senhor, e não partiam.
  9. Às vezes a nuvem ficava sobre o tabernáculo poucos dias; conforme a ordem do Senhor eles acampavam, e também conforme a ordem do Senhor, partiam.
  10. Outras vezes a nuvem permanecia somente desde o entardecer até o amanhecer, e quando se levantava pela manhã, eles partiam. De dia ou de noite, sempre que a nuvem se levantava, eles partiam.
  11. Quer a nuvem ficasse sobre o tabernáculo dois dias, quer um mês, quer mais tempo, os israelitas permaneciam no acampamento e não partiam; mas, quando ela se levantava, partiam.
  12. Conforme a ordem do Senhor acampavam, e conforme a ordem do Senhor partiam.
  13. Nesse meio tempo, cumpriam suas responsabilidades para com o Senhor, de acordo com as suas ordens, anunciadas por Moisés.
  14. No vigésimo dia do segundo mês do segundo ano, a nuvem se levantou de cima do tabernáculo que guarda as tábuas da aliança.
  15. Então os israelitas partiram do deserto do Sinai e viajaram por etapas, até que a nuvem pousou no deserto de Parã.
  16. Assim partiram pela primeira vez, conforme a ordem do Senhor anunciada por Moisés.
  17. Os exércitos do acampamento de Judá partiram primeiro, junto à sua bandeira. Naassom, filho de Aminadabe, estava no comando.
  18. Natanael, filho de Zuar, comandava os exércitos da tribo de Issacar, e Eliabe, filho de Helom, chefiava os exércitos da tribo de Zebulom.
  19. Quando o tabernáculo era desmontado, os gersonitas e os meraritas o carregavam e partiam.
  20. Os exércitos do acampamento de Rúben partiram em seguida, junto à sua bandeira. Elizur, filho de Sedeur, estava no comando.
  21. Selumiel, filho de Zurisadai, comandava os exércitos da tribo de Simeão, e Eliasafe, filho de Deuel, chefiava os exércitos da tribo de Gade.
  22. Então os coatitas partiam carregando as coisas sagradas. Antes que eles chegassem, o tabernáculo já deveria estar armado.
  23. Os exércitos do acampamento de Efraim partiram em seguida, junto à sua bandeira. Elisama, filho de Amiúde, estava no comando.
  24. Gamaliel, filho de Pedazur, comandava os exércitos da tribo de Manassés, e Abidã, filho de Gideoni, os exércitos da tribo de Benjamim.
  25. Finalmente, partiram os exércitos do acampamento de Dã, junto à sua bandeira, como retaguarda para todos os acampamentos. Aieser, filho de Amisadai, estava no comando.
  26. Pagiel, filho de Ocrã, comandava os exércitos da tribo de Aser, e Aira, filho de Enã, a divisão da tribo de Naftali.
  27. Essa era a ordem que os exércitos israelitas seguiam quando se punham em marcha.
  28. Então Moisés disse a Hobabe, filho do midianita Reuel, sogro de Moisés: “Estamos partindo para o lugar sobre o qual o Senhor disse: Eu o darei a vocês. Venha conosco e lhe trataremos bem, pois o Senhor prometeu boas coisas para Israel”.
  29. Ele respondeu: “Não, não irei; voltarei para a minha terra e para o meu povo”.
  30. Moisés, porém, disse: “Por favor, não nos deixe. Você sabe onde devemos acampar no deserto e pode ser o nosso guia.
  31. Se vier conosco, partilharemos com você todas as coisas boas que o Senhor nos der”.
  32. Então eles partiram do monte do Senhor e viajaram três dias. A arca da aliança do Senhor foi à frente deles durante aqueles três dias para encontrar um lugar para descansarem.
  33. A nuvem do Senhor estava sobre eles de dia, sempre que partiam de um acampamento.
  34. Sempre que a arca partia, Moisés dizia: “Levanta-te, ó Senhor! Sejam espalhados os teus inimigos e fujam de diante de ti os teus adversários”.
  35. Sempre que a arca parava, ele dizia: “Volta, ó Senhor, para os incontáveis milhares de Israel”.

Capítulo 33 – Reclamações

  1. Aconteceu que o povo começou a queixar-se das suas dificuldades aos ouvidos do Senhor.
  2. Quando ele os ouviu, a sua ira acendeu-se e fogo da parte do Senhor queimou entre eles e consumiu algumas extremidades do acampamento.
  3. Então o povo clamou a Moisés, este orou ao Senhor, e o fogo extinguiu-se.
  4. Por isso aquele lugar foi chamado Taberá, porque o fogo da parte do Senhor queimou entre eles.
  5. Um bando de estrangeiros que havia no meio deles encheu-se de gula, e até os próprios israelitas tornaram a queixar-se, e diziam: “Ah, se tivéssemos carne para comer!
  6. Nós nos lembramos dos peixes que comíamos de graça no Egito, e também dos pepinos, das melancias, dos alhos porós, das cebolas e dos alhos.
  7. Mas agora perdemos o apetite; nunca vemos nada, a não ser este maná! “
  8. O maná era como semente de coentro e tinha aparência de resina.
  9. O povo saía recolhendo o maná nas redondezas, e o moía num moinho manual ou socava-o num pilão; depois cozinhava o maná e com ele fazia bolos. Tinha gosto de bolo amassado com azeite de oliva.
  10. Quando o orvalho caía sobre o acampamento à noite, também caía o maná.
  11. Moisés ouviu gente de todas as famílias se queixando, cada uma à entrada de sua tenda. Então acendeu-se a ira do Senhor, e isso pareceu mal a Moisés.
  12. E ele perguntou ao Senhor: “Por que trouxeste este mal sobre o teu servo? Foi por não te agradares de mim, que colocaste sobre os meus ombros a responsabilidade de todo esse povo?
  13. “Por acaso fui eu quem o concebeu? Fui eu quem o trouxe à luz?”
  14. “Por que me pedes para carregá-lo nos braços, como uma ama carrega um recém-nascido, a levá-lo à terra que prometeste sob juramento aos seus antepassados?”
  15. “Onde conseguirei carne para todo esse povo? Eles ficam se queixando contra mim, dizendo: Dê-nos carne para comer!”
  16. “Não posso levar todo esse povo sozinho; essa responsabilidade é grande demais para mim.
  17. “Se é assim que vais me tratar, mata-me agora mesmo; se te agradas de mim, não me deixes ver a minha própria ruína”.
  18. “Aqui estou eu no meio de seiscentos mil homens de pé, e dizes: ‘Darei a eles carne para comerem durante um mês inteiro!”
  19. Será que haveria o suficiente para eles se todos os rebanhos fossem abatidos? Será que haveria o suficiente para eles se todos os peixes do mar fossem apanhados?”
  20. Então Moisés saiu e contou ao povo o que o Senhor tinha dito. Ele reuniu setenta autoridades dentre eles e os dispôs ao redor da Tenda.
  21. O Senhor desceu na nuvem e lhe falou, e tirou do Espírito que estava sobre ele e o pôs sobre as setenta autoridades. Quando o Espírito veio sobre eles, profetizaram, mas depois nunca mais tornaram a fazê-lo.
  22. Entretanto, dois homens, chamados Eldade e Medade, tinham ficado no acampamento. Ambos estavam na lista das autoridades, mas não tinham ido para a Tenda.
  23. O Espírito também veio sobre eles, e profetizaram no acampamento.
  24. Então, certo jovem correu e contou a Moisés: “Eldade e Medade estão profetizando no acampamento”.
  25. Josué, filho de Num, que desde jovem era auxiliar de Moisés, interferiu e disse: “Moisés, meu senhor, proíba-os!”
  26. Mas Moisés respondeu: “Você está com ciúmes por mim? Quem dera todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor pusesse o seu Espírito sobre eles!”
  27. Então Moisés e as autoridades de Israel voltaram para o acampamento.
  28. Depois disso, veio um vento da parte do Senhor que trouxe codornizes do mar e as fez cair por todo o acampamento, a uma altura de noventa centímetros, espalhando-as em todas as direções até num raio de uma caminhada de um dia.
  29. Durante todo aquele dia e aquela noite e durante todo o dia seguinte, o povo saiu e recolheu codornizes.
  30. Ninguém recolheu menos de dez barris. Então eles as estenderam para secar ao redor de todo o acampamento.
  31. Mas, enquanto a carne ainda estava entre os seus dentes e antes que a ingerissem, a ira do Senhor acendeu-se contra o povo, e ele o feriu com uma praga terrível.
  32. Por isso o lugar foi chamado Quibrote-Hataavá, porque ali foram enterrados os que tinham sido dominados pela gula.
  33. De Quibrote-Hataavá o povo partiu para Hazerote, e lá ficou.
  34. Miriã e Arão começaram a criticar Moisés porque ele havia se casado com uma mulher cuxita.
  35. “Será que o Senhor tem falado apenas por meio de Moisés? “, perguntaram. “Também não tem ele falado por meio de nós? ” E o Senhor ouviu isso.
  36. Ora, Moisés era um homem muito paciente, mais do que qualquer outro que havia na terra.
  37. Imediatamente o Senhor disse a Moisés, a Arão e a Miriã: “Dirijam-se à Tenda do Encontro, vocês três”. E os três foram para lá.
  38. Então o Senhor desceu numa coluna de nuvem e, pondo-se à entrada da Tenda, chamou Arão e Miriã.
  39. Então a ira do Senhor acendeu-se contra eles, e ele os deixou.
  40. Quando a nuvem se afastou da Tenda, Miriã estava leprosa; sua aparência era como a da neve.
  41. Arão voltou-se para ela, viu que ela estava com lepra e disse a Moisés: “Por favor, meu senhor, não nos castigue pelo pecado que tão tolamente cometemos.”
  42. “Não permita que ela fique como um feto abortado que sai do ventre de sua mãe com a metade do corpo destruído”.
  43. Então Moisés clamou ao Senhor: “Ó Deus, por misericórdia, cura-a! “
  44. Então Miriã ficou isolada sete dias fora do acampamento, e o povo não partiu enquanto ela não foi trazida de volta.
  45. Depois disso, partiram de Hazerote e acamparam no deserto de Parã.

Capítulo 34 – Notícia dos Espiões

  1. E o Senhor disse a Moisés que enviasse alguns homens em missão de reconhecimento à terra de Canaã, terra que deu aos israelitas.
  2. Moisés os enviou do deserto de Parã, conforme a ordem do Senhor. Todos eles eram chefes dos israelitas. São estes os seus nomes:
  3. Da tribo de Rúben, Samua, filho de Zacur;
  4. Da tribo de Simeão, Safate, filho de Hori;
  5. Da tribo de Judá, Calebe, filho de Jefoné;
  6. Da tribo de Issacar, Jigeal, filho de José;
  7. Da tribo de Efraim, Oséias, filho de Num;
  8. Da tribo de Benjamim, Palti, filho de Rafu;
  9. Da tribo de Zebulom, Gadiel, filho de Sodi;
  10. Da tribo de José, isto é, da tribo de Manassés, Gadi, filho de Susi;
  11. Da tribo de Dã, Amiel, filho de Gemali;
  12. Da tribo de Aser, Setur, filho de Micael;
  13. Da tribo de Naftali, Nabi, filho de Vofsi;
  14. Da tribo de Gade, Güel, filho de Maqui.
  15. São esses os nomes dos homens que Moisés enviou em missão de reconhecimento do território. A Oséias, filho de Num, Moisés deu o nome de Josué.
  16. Quando Moisés os enviou para observarem Canaã, disse: “Subam pelo Neguebe e prossigam até a região montanhosa.
  17. Vejam como é a terra e se o povo que vive lá é forte ou fraco, se são muitos ou poucos; se a terra em que habitam é boa ou ruim; se as cidades em que vivem são cidades sem muros ou fortificadas; se o solo é fértil ou pobre; se existe ali floresta ou não.”
  18. Sejam corajosos! Tragam alguns frutos da terra”. Era a época do início da colheita das uvas.
  19. Eles subiram e observaram a terra desde o deserto de Zim até Reobe, na direção de Lebo-Hamate.
  20. Subiram do Neguebe e chegaram a Hebrom, onde viviam Aimã, Sesai e Talmai, descendentes de Enaque. Hebrom havia sido construída sete anos antes de Zoã, no Egito.
  21. Quando chegaram ao vale de Escol, cortaram um ramo do qual pendia um único cacho de uvas. Dois deles carregaram o cacho, pendurado numa vara. Colheram também romãs e figos.
  22. Aquele lugar foi chamado vale de Escol por causa do cacho de uvas que os israelitas cortaram ali.
  23. Ao fim de quarenta dias eles voltaram da missão de reconhecimento daquela terra.
  24. Eles então retornaram a Moisés e a Arão e a toda a comunidade de Israel em Cades, no deserto de Parã, onde prestaram relatório a eles e a toda a comunidade de Israel, e lhes mostraram os frutos da terra.
  25. E deram o seguinte relatório a Moisés: “Entramos na terra à qual você nos enviou, onde manam leite e mel! Aqui estão alguns frutos dela.
  26. Mas o povo que lá vive é poderoso, e as cidades são fortificadas e muito grandes. Também vimos descendentes de Enaque.
  27. Os amalequitas vivem no Neguebe; os hititas, os jebuseus e os amorreus vivem na região montanhosa; os cananeus vivem perto do mar e junto ao Jordão”.
  28. Então Calebe fez o povo calar-se perante Moisés e disse: “Subamos e tomemos posse da terra. É certo que venceremos!”
  29. Mas os homens que tinham ido com ele disseram: “Não podemos atacar aquele povo; é mais forte do que nós”.
  30. E espalharam entre os israelitas um relatório negativo acerca daquela terra.
  31. “Disseram: “A terra para a qual fomos em missão de reconhecimento devora os que nela vivem. Todos os que vimos são de grande estatura.”
  32. “Vimos também os gigantes, os descendentes de Enaque, diante de quem parecíamos gafanhotos, a nós e a eles”.
  33. Naquela noite toda a comunidade começou a chorar em alta voz.
  34. Todos os israelitas queixaram-se contra Moisés e contra Arão, e toda a comunidade lhes disse: “Quem dera tivéssemos morrido no Egito! Ou neste deserto!”
  35. “Por que o Senhor está nos trazendo para esta terra? Só para nos deixar cair à espada? Nossas mulheres e nossos filhos serão tomados como despojo de guerra. Não seria melhor voltar para o Egito? “
  36. E disseram uns aos outros: “Escolheremos um chefe e voltaremos para o Egito! “
  37. Então Moisés e Arão prostraram-se, rosto em terra, diante de toda a assembleia dos israelitas.
  38. Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, dentre os que haviam observado a terra, rasgaram as suas vestes.
  39. Eles disseram a toda à comunidade dos israelitas: “A terra que percorremos em missão de reconhecimento é excelente.”
  40. “Se o Senhor se agradar de nós, ele nos fará entrar nessa terra, onde manam leite e mel, e a dará a nós.”
  41. “Somente não sejam rebeldes contra o Senhor. E não tenham medo do povo da terra, porque nós os devoraremos como se fossem pão. A proteção deles se foi, e o Senhor está conosco. Não tenham medo deles!”,
  42. Mas a comunidade toda falou em apedrejá-los.
  43. Na madrugada seguinte subiram para o alto da região montanhosa, e disseram: “Subiremos ao lugar que o Senhor prometeu, pois cometemos pecado”.
  44. Moisés, porém, disse: “Por que vocês estão desobedecendo à ordem do Senhor? Isso não terá sucesso!”
  45. “Não subam, porque o Senhor não está com vocês. Vocês serão derrotados pelos inimigos, pois os amalequitas e os cananeus os enfrentarão ali, e vocês cairão à espada.”
  46. “Visto que deixaram de seguir ao Senhor, ele não estará com vocês”.
  47. Apesar disso, eles subiram desafiadoramente ao alto da região montanhosa, mas nem Moisés nem a arca da aliança do Senhor saíram do acampamento.
  48. Então os amalequitas e os cananeus que lá viviam desceram e os derrotaram e os perseguiram até Hormá.

Capítulo 35 – Revolta de Corá

  1. Certo dia, quando os israelitas estavam no deserto, encontraram um homem recolhendo lenha no dia de sábado.
  2. Aqueles que o encontraram recolhendo lenha levaram-no a Moisés, a Arão e a toda a comunidade,
    que o prenderam, porque não sabiam o que deveria ser feito com ele.
  3. Então o Senhor disse a Moisés: “O homem terá que ser executado. Toda a comunidade o apedrejará fora do acampamento”.
  4. Assim, toda a comunidade o levou para fora do acampamento e o apedrejou até à morte, conforme o Senhor tinha ordenado a Moisés.
  5. Corá, filho de Isar, neto de Coate, bisneto de Levi, reuniu Datã e Abirão, filhos de Eliabe, e Om, filho de Pelete, todos da tribo de Rúben, e eles se insurgiram contra Moisés.
  6. Com eles estavam duzentos e cinquenta israelitas, líderes bem conhecidos na comunidade e que haviam sido nomeados membros do concílio.
  7. Eles se ajuntaram contra Moisés e Arão, e lhes disseram: “Basta! A assembleia toda é santa, cada um deles é santo, e o Senhor está no meio deles. Então, por que vocês se colocam acima da assembleia do Senhor?”
  8. Quando ouviu isso, Moisés prostrou-se, rosto em terra.
  9. Depois disse a Corá e a todos os seus seguidores: “Pela manhã o Senhor mostrará quem lhe pertence e fará aproximar-se dele aquele que é santo, o homem a quem ele escolher.”
  10. Você, Corá, e todos os seus seguidores deverão fazer o seguinte: peguem incensários e amanhã coloquem neles fogo e incenso perante o Senhor. Quem o Senhor escolher será o homem consagrado. Basta, levitas! “
  11. Moisés disse também a Corá: “Agora ouçam-me, levitas!”
  12. “Não lhes é suficiente que o Deus de Israel os tenha separado do restante da comunidade de Israel e os tenha trazido para junto de si a fim de realizarem o trabalho no tabernáculo do Senhor e para estarem preparados para servir a comunidade?”
  13. “Ele trouxe você e todos os seus irmãos levitas para junto dele, e agora vocês querem também o sacerdócio?”
  14. “É contra o Senhor que você e todos os seus seguidores se ajuntaram! Quem é Arão, para que se queixem contra ele? “
  15. Então Moisés mandou chamar Datã e Abirão, filhos de Eliabe. Mas eles disseram: “Nós não iremos!”
  16. “Não lhe basta nos ter tirado de uma terra onde manam leite e mel para matar-nos no deserto? E ainda quer se fazer chefe sobre nós?”
  17. “Além disso, você não nos levou a uma terra onde manam leite e mel, nem nos deu uma herança de campos e vinhas. Você pensa que pode cegar os olhos destes homens? Nós não iremos! “
  18. Moisés indignou-se e disse ao Senhor: “Não aceites a oferta deles. Não tomei deles nem sequer um jumento, nem prejudiquei a nenhum deles”.
  19. Moisés disse a Corá: “Você e todos os seus seguidores terão que apresentar-se amanhã ao Senhor, você, eles e Arão.”
  20. “Cada homem pegará o seu incensário, nele colocará incenso e o apresentará ao Senhor. Serão duzentos e cinqüenta incensários ao todo. Você e Arão também apresentarão os seus incensários”.
  21. Assim, cada um deles pegou o seu incensário, acendeu o incenso, e se colocou com Moisés e com Arão à entrada da Tenda do Encontro.
  22. Quando Corá reuniu todos os seus seguidores em oposição a eles à entrada da Tenda do Encontro, a glória do Senhor apareceu a toda a comunidade.
  23. Moisés e Arão prostraram-se, rosto em terra, e disseram: “Ó Deus, Deus que a todos dá vida, ficarás tu irado contra toda a comunidade quando um só homem pecou? “
  24. Moisés levantou-se e foi para onde estavam Datã e Abirão, e as autoridades de Israel o seguiram.
  25. Ele advertiu a comunidade: “Afastem-se das tendas desses ímpios! Não toquem em nada do que pertence a eles, senão vocês serão eliminados por causa dos pecados deles”.
  26. Eles se afastaram das tendas de Corá, Datã e Abirão. Datã e Abirão tinham saído e estavam de pé, à entrada de suas tendas, junto com suas mulheres, seus filhos e suas crianças pequenas.
  27. E disse Moisés: “Assim vocês saberão que o Senhor me enviou para fazer todas essas coisas e que isso não partiu de mim.”
  28. “Se estes homens tiverem morte natural e experimentarem somente aquilo que normalmente acontece aos homens, então o Senhor não me enviou.”
  29. Mas, se o Senhor fizer acontecer algo totalmente novo, e a terra abrir a sua boca e os engolir, junto com tudo o que é deles, e eles descerem vivos ao Sheol, então vocês saberão que estes homens desprezaram o Senhor”.
  30. Assim que Moisés acabou de dizer tudo isso, o chão debaixo deles se fendeu e a terra abriu a sua boca e os engoliu juntamente com suas famílias, com todos os seguidores de Corá e com todos os seus bens.
  31. Desceram vivos à sepultura, com tudo o que possuíam; a terra fechou-se sobre eles, e pereceram dentre a assembleia.
  32. Diante dos seus gritos, todos os israelitas ao redor fugiram, gritando: “A terra vai nos engolir também! “
  33. Então veio fogo da parte do Senhor e consumiu os duzentos e cinquenta homens que ofereciam incenso.
  34. O sacerdote Eleazar juntou os incensários de bronze que tinham sido apresentados pelos que foram consumidos pelo fogo.
  35. Os incensários foram batidos e serviram de revestimento do altar, como o Senhor tinha dito por meio de Moisés.
  36. Isso foi feito como memorial para os israelitas, a fim de que ninguém que não fosse descendente de Arão, queimasse incenso perante o Senhor, para não sofrer o que Corá e os seus seguidores sofreram.
  37. No dia seguinte toda a comunidade de Israel começou a queixar-se contra Moisés e Arão, dizendo: “Vocês mataram o povo do Senhor”.
  38. Quando, porém, a comunidade se ajuntou contra Moisés e contra Arão, e eles se voltaram para a Tenda do Encontro, repentinamente a nuvem a cobriu e a glória do Senhor apareceu.
  39. Então Moisés e Arão foram para a frente da Tenda do Encontro. Eles se prostraram, rosto em terra;
  40. E Moisés disse a Arão: “Pegue o seu incensário e ponha incenso nele, com fogo tirado do altar, e vá depressa até a comunidade para fazer propiciação por eles, porque saiu grande ira da parte do Senhor e a praga começou”.
  41. Arão fez o que Moisés ordenou e correu para o meio da assembleia. A praga já havia começado entre o povo, mas Arão ofereceu o incenso e fez propiciação por eles.
  42. Arão se pôs entre os mortos e os vivos, e a praga cessou.
  43. Foram catorze mil e setecentos os que morreram daquela praga, além dos que haviam morrido por causa de Corá.
  44. Então Arão voltou a Moisés, à entrada da Tenda do Encontro, pois a praga já havia cessado.

Capítulo 36 – Escolha dos Levitas

  1. Moisés falou aos israelitas, e seus líderes deram-lhe doze varas, uma de cada líder das tribos, e a vara de Arão estava entre elas.
  2. Moisés depositou as varas perante o Senhor na tenda que guarda as tábuas da aliança.
  3. No dia seguinte Moisés entrou na tenda e viu que a vara de Arão, que representava a tribo de Levi, tinha brotado, produzindo botões e flores, além de amêndoas maduras.
  4. Então Moisés retirou todas as varas da presença do Senhor e as levou a todos os israelitas. Eles viram as varas, e cada líder pegou a sua.
  5. Os israelitas disseram a Moisés: “Nós morreremos! Estamos perdidos, estamos todos perdidos!
  6. Todo aquele que se aproximar do santuário do Senhor morrerá. Será que todos nós vamos morrer?”
  7. Moisés fez como o Senhor lhe ordenou, e a comunidade reuniu-se à entrada da Tenda do Encontro.
  8. Então Moisés disse à comunidade: “Foi isto que o Senhor mandou fazer”; e levou Arão e seus filhos à frente e mandou-os banhar-se com água;
  9. Ele pôs a túnica em Arão, colocou-lhe o cinto e o manto, e pôs sobre ele o colete sacerdotal; depois a ele prendeu o manto sacerdotal com o cinturão.
  10. Colocou também o peitoral, e nele pôs o Urim e o Tumim; e colocou o turbante na cabeça de Arão com a lâmina de ouro, isto é, a coroa sagrada, na frente do turbante, conforme o Senhor tinha ordenado a Moisés.
  11. Depois Moisés pegou o óleo da unção e ungiu o tabernáculo e tudo o que nele havia, e assim os consagrou.
  12. Aspergiu sete vezes o óleo sobre o altar, ungindo o altar e todos os seus utensílios e a bacia com o seu suporte, para consagrá-los.
  13. Derramou o óleo da unção sobre a cabeça de Arão para ungi-lo e consagrá-lo.
  14. Trouxe então os filhos de Arão à frente, vestiu-os com suas túnicas e cintos, e colocou-lhes gorros, conforme o Senhor lhe havia ordenado.
  15. Em seguida trouxe o novilho para a oferta pelo pecado, e Arão e seus filhos lhe puseram as mãos sobre a cabeça.
  16. Moisés sacrificou o novilho, e com o dedo pôs um pouco do sangue em todas as pontas do altar para purificá-lo.
  17. Derramou o restante do sangue na base do altar e assim o consagrou para fazer propiciação por ele.
  18. Nadabe e Abiú, filhos de Arão, pegaram cada um o seu incensário, nos quais acenderam fogo, acrescentaram incenso, e trouxeram fogo profano perante o Senhor, sem que tivessem sido autorizados.
  19. Então saiu fogo da presença do Senhor e os consumiu. Morreram perante o Senhor.
  20. Moisés então disse a Arão: “Foi isto que o Senhor disse: ‘Aos que de mim se aproximam santo me mostrarei; à vista de todo o povo glorificado serei’ “. Arão, porém, ficou em silêncio.
  21. Então Moisés chamou Misael e Elzafã, filhos de Uziel, tio de Arão, e lhes disse: “Venham cá; tirem os seus primos da frente do santuário e levem-nos para fora do acampamento”.
  22. Eles foram e os puxaram pelas túnicas, para fora do acampamento, conforme Moisés tinha ordenado.
  23. Então Moisés disse a Arão e a seus filhos Eleazar e Itamar: “Não andem descabelados, nem rasguem as roupas em sinal de luto, senão vocês morrerão e a ira do Senhor cairá sobre toda a comunidade. Mas os seus parentes, e toda a nação de Israel, poderão chorar por aqueles que o Senhor destruiu pelo fogo.
  24. “Não saiam da entrada da Tenda do Encontro, senão vocês morrerão, porquanto o óleo da unção do Senhor está sobre vocês”. E eles fizeram conforme Moisés tinha ordenado.
  25. Depois o Senhor disse a Arão: “Você e seus filhos não devem beber vinho nem outra bebida fermentada antes de entrar na Tenda do Encontro, senão vocês morrerão. É um decreto perpétuo para as suas gerações.”
  26. “Vocês têm que fazer separação entre o santo e o profano, entre o puro e o impuro, e ensinar aos israelitas todos os decretos que o Senhor lhes deu por meio de Moisés”.
  27. Então Moisés disse a Arão e aos seus filhos que ficaram vivos, Eleazar e Itamar: “Peguem a oferta de cereal que sobrou das ofertas dedicadas ao Senhor, preparadas no fogo, e comam-na sem fermento junto ao altar, pois é santíssima.”
  28. “Comam-na em lugar sagrado, porquanto é a porção que lhes cabe por decreto, a você e a seus filhos, das ofertas dedicadas ao Senhor, preparadas no fogo; pois assim me foi ordenado.”
  29. O peito ritualmente movido e a coxa ofertada, você, seus filhos e suas filhas poderão comer num lugar cerimonialmente puro; foi dado a você e a seus filhos como porção das ofertas de comunhão dos israelitas.
  30. A coxa ofertada e o peito ritualmente movido devem ser trazidos junto com as porções de gordura das ofertas preparadas no fogo, para serem movidos perante o Senhor como gesto ritual de apresentação. Esta será a porção por decreto perpétuo para você e seus descendentes, conforme o Senhor tinha ordenado”.
  31. Quando Moisés procurou por toda parte o bode da oferta pelo pecado e soube que já fora queimado, irou-se contra Eleazar e Itamar, os filhos de Arão que ficaram vivos.
  32. Ele perguntou: “Por que vocês não comeram a carne da oferta pelo pecado no Lugar Santo? É santíssima; foi-lhes dada para retirar a culpa da comunidade e fazer propiciação por ela perante o Senhor.”
  33. “Como o sangue do animal não foi levado para dentro do Lugar Santo, vocês deviam tê-lo comido no Lugar Santo, conforme ordenei”.
  34. Arão respondeu a Moisés: “Hoje eles ofereceram o seu sacrifício pelo pecado e o seu holocausto perante o Senhor; mesmo assim coisas como essas aconteceram comigo. Será que teria agradado ao Senhor se eu tivesse comido a oferta pelo pecado hoje?”
  35. Quando Moisés ouviu isso, ficou satisfeito.

Capítulo 37 – Morte de Arão

  1. No primeiro mês toda a comunidade de Israel chegou ao deserto de Zim e ficou em Cades. Ali Miriã morreu e foi sepultada.
  2. Não havia água para a comunidade, e o povo se juntou contra Moisés e contra Arão.
  3. Discutiram com Moisés e disseram: “Quem dera tivéssemos morrido quando os nossos irmãos caíram mortos perante o Senhor!”
  4. “Por que vocês trouxeram a assembleia do Senhor a este deserto, para que nós e os nossos rebanhos morrêssemos aqui?”
  5. “Por que vocês nos tiraram do Egito e nos trouxeram para este lugar terrível? Aqui não há cereal, nem figos, nem uvas, nem romãs, nem água para beber!”
  6. Moisés e Arão saíram de diante da assembleia para a entrada da Tenda do Encontro e se prostraram, rosto em terra, e a glória do Senhor lhes apareceu.
  7. Então Moisés pegou a vara que estava diante do Senhor, como este lhe havia ordenado.
  8. Moisés e Arão reuniram a assembleia em frente da rocha, e Moisés disse: “Escutem, rebeldes, será que teremos que tirar água desta rocha para lhes dar?”
  9. Então Moisés ergueu o braço e bateu na rocha duas vezes com a vara. Jorrou água, e a comunidade e os rebanhos beberam.
  10. Essas foram as águas de Meribá, onde os israelitas discutiram com o Senhor e onde ele manifestou sua santidade entre eles.
  11. De Cades, Moisés enviou mensageiros ao rei de Edom, dizendo: “Assim diz o teu irmão Israel: Tu sabes de todas as dificuldades que vieram sobre nós.”
  12. “Os nossos antepassados desceram para o Egito, e ali vivemos durante muitos anos.”
  13. Os egípcios, porém, nos maltrataram, como também a eles, mas quando clamamos ao Senhor, ele ouviu o nosso clamor, enviou um anjo e nos tirou do Egito.”
  14. “Agora estamos em Cades, cidade na fronteira do teu território. Deixa-nos atravessar a tua terra. Não passaremos por nenhuma plantação ou vinha, nem beberemos água de poço algum.”
  15. “Passaremos pela estrada do rei e não nos desviaremos nem para a direita nem para a esquerda, até que tenhamos atravessado o teu território”.
  16. Mas Edom respondeu: “Vocês não poderão passar por aqui; se tentarem, nós os atacaremos com a espada”.
  17. E os israelitas disseram: “Iremos pela estrada principal; se nós e os nossos rebanhos bebermos de tua água, pagaremos por ela. Queremos apenas atravessar a pé, e nada mais”.
  18. Mas Edom insistiu: “Vocês não poderão atravessar”. Então Edom os atacou com um exército grande e poderoso.
  19. Visto que Edom se recusou a deixá-los atravessar o seu território, Israel desviou-se dele.
  20. Toda a comunidade israelita partiu de Cades e chegou ao monte Hor.
  21. Naquele monte, perto da fronteira de Edom, o Senhor falou a Moisés e a Arão.
  22. Moisés fez conforme o Senhor ordenou; e eles subiram o monte Hor à vista de toda a comunidade.
  23. Moisés tirou as vestes de Arão e as colocou em seu filho Eleazar. E Arão morreu no alto do monte.
  24. Depois disso, Moisés e Eleazar desceram do monte, e, quando toda a comunidade soube que Arão tinha morrido, toda a nação de Israel pranteou por ele durante trinta dias.

Capítulo 38 – Terra dos Amorreus

  1. Quando o rei cananeu de Arade, que vivia no Neguebe, soube que Israel vinha pela estrada de Atarim, atacou os israelitas e capturou alguns deles.
  2. Então Israel fez este voto ao Senhor: “Se entregares este povo em nossas mãos, destruiremos totalmente as suas cidades”.
  3. O Senhor ouviu o pedido de Israel e lhes entregou os cananeus. Israel os destruiu completamente, a eles e às suas cidades; de modo que o lugar foi chamado Hormá.
  4. Partiram eles do monte Hor pelo caminho do mar Vermelho, para contornarem a terra de Edom. Mas o povo ficou impaciente no caminho.
  5. Falou contra Deus e contra Moisés, dizendo: “Por que vocês nos tiraram do Egito para morrermos no deserto? Não há pão! Não há água! E nós detestamos esta comida miserável!”
  6. Então o Senhor enviou serpentes venenosas que morderam o povo, e muitos morreram.
  7. O povo foi a Moisés e disse: “Pecamos quando falamos contra o Senhor e contra você. Ore pedindo ao Senhor que tire as serpentes do meio de nós”. E Moisés orou pelo povo.
  8. O Senhor disse a Moisés: “Faça uma serpente e coloque-a no alto de um poste; quem for mordido e olhar para ela viverá”.
  9. Moisés fez então uma serpente de bronze e a colocou num poste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, permanecia vivo.
  10. Os israelitas partiram e acamparam em Obote.
  11. Depois partiram de Obote e acamparam em Ijé-Abarim, no deserto defronte de Moabe, ao leste.
  12. Dali partiram e acamparam no vale de Zerede.
  13. Partiram dali e acamparam do outro lado do Arnom, que fica no deserto que se estende até o território amorreu. O Arnom é a fronteira de Moabe, entre Moabe e os amorreus.
  14. É por isso que se diz no Livro das Guerras do Senhor: “… Vaebe, em Sufá, e os vales, o Arnom
    e as ravinas dos vales que se estendem até a cidade de Ar e chegam até a fronteira de Moabe”.
  15. De lá prosseguiram até Beer, ao poço do qual o Senhor disse a Moisés para reunir o povo.
  16. Então Israel cantou esta canção: “Brote água, ó poço! Cantem a seu respeito, a respeito do poço que os líderes cavaram, que os nobres abriram com cetros e cajados”.
  17. Então saíram do deserto para Mataná, de Mataná para Naaliel, de Naaliel para Bamote, e de Bamote para o vale de Moabe, onde o topo do Pisga defronta com o deserto de Jesimom.
  18. Israel enviou mensageiros para dizer a Seom, rei dos amorreus: “Deixa-nos atravessar a tua terra. Não entraremos em nenhuma plantação, em nenhuma vinha, nem beberemos água de poço algum. Passaremos pela estrada do rei até que tenhamos atravessado o teu território”.
  19. Seom, porém, não deixou Israel atravessar o seu território. Convocou todo o seu exército e atacou Israel no deserto. Quando chegou a Jaza, lutou contra Israel.
  20. Porém Israel o destruiu com a espada e tomou-lhe as terras desde o Arnom até o Jaboque, até o território dos amonitas, pois Jazar estava na fronteira dos amonitas.
  21. Israel capturou todas as cidades dos amorreus e as ocupou, inclusive Hesbom e todos os seus povoados.
  22. Hesbom era a cidade de Seom, rei dos amorreus, que havia lutado contra o antigo rei de Moabe, tendo lhe tomado todas as suas terras até o Arnom.
  23. Assim Israel habitou na terra dos amorreus.
  24. Moisés enviou espiões a Jazar, e os israelitas tomaram os povoados ao redor e expulsaram os amorreus que ali estavam.
  25. Depois voltaram e subiram pelo caminho de Basã, e Ogue, rei de Basã, com todo o seu exército, marchou para enfrentá-los em Edrei.
  26. Então eles o derrotaram, bem como os seus filhos e todo o seu exército, não lhes deixando sobrevivente algum. E tomaram posse da terra dele.

Capítulo 39 – Balaão

  1. Os israelitas partiram e acamparam nas campinas de Moabe, para além do Jordão, perto de Jericó.
  2. Balaque, filho de Zipor, viu tudo o que Israel tinha feito aos amorreus, e Moabe teve muito medo do povo, porque era muita gente. Moabe teve pavor dos israelitas.
  3. Então os moabitas disseram aos líderes de Midiã: “Essa multidão devorará tudo o que há ao nosso redor, como o boi devora o capim do pasto”.
  4. Balaque, filho de Zipor, rei de Moabe naquela época, enviou mensageiros para chamar Balaão, filho de Beor, que estava em Petor, perto do Rio, em sua terra natal.
  5. A mensagem de Balaque dizia: “Um povo que saiu do Egito cobre a face da terra e se estabeleceu perto de mim. Venha agora lançar uma maldição contra ele, pois é forte demais para mim.”
  6. “Talvez então eu tenha condições de derrotá-lo e de expulsá-lo da terra. Pois sei que quem você abençoa é abençoado, e quem você amaldiçoa é amaldiçoado”.
  7. Os líderes de Moabe e os de Midiã partiram, levando consigo o preço para os encantamentos mágicos.
  8. Quando chegaram, comunicaram a Balaão o que Balaque tinha dito.
  9. Disse-lhes Balaão: “Passem a noite aqui, e eu lhes trarei a resposta que o Senhor me der”. E os líderes moabitas ficaram com ele.
  10. Na manhã seguinte Balaão se levantou e disse aos líderes de Balaque: “Voltem para a sua terra, pois o Senhor não permitiu que eu os acompanhe”.
  11. Os líderes moabitas voltaram a Balaque e lhe disseram: “Balaão recusou-se a acompanhar-nos”.
  12. Balaque enviou outros líderes, em maior número e mais importantes do que os primeiros.
  13. Eles foram a Balaão e lhe disseram: “Assim diz Balaque, filho de Zipor: Que nada o impeça de vir a mim, porque o recompensarei generosamente e farei tudo o que você me disser. Venha, por favor, e lance para mim uma maldição contra este povo”.
  14. Balaão, porém, respondeu aos conselheiros de Balaque: “Mesmo que Balaque me desse o seu palácio cheio de prata e de ouro, eu não poderia fazer coisa alguma, grande ou pequena, que vá além da ordem do Senhor meu Deus.
  15. Agora, fiquem também vocês aqui esta noite, e eu descobrirei o que mais o Senhor tem para dizer-me”.
  16. Balaão levantou-se pela manhã, pôs a sela sobre a sua jumenta e foi com os líderes de Moabe.
  17. Mas acendeu-se a ira de Deus quando ele foi, e o anjo do Senhor pôs-se no caminho para impedi-lo de prosseguir. Balaão ia montado em sua jumenta, e seus dois servos o acompanhavam.
  18. Quando a jumenta viu o anjo do Senhor parado no caminho, empunhando uma espada, saiu do caminho e foi-se pelo campo. Balaão bateu nela para fazê-la voltar ao caminho.
  19. Então o anjo do Senhor se pôs num caminho estreito entre duas vinhas, com muros dos dois lados.
  20. Quando a jumenta viu o anjo do Senhor, encostou-se no muro, apertando o pé de Balaão contra ele. Por isso ele bateu nela de novo.
  21. O anjo do Senhor foi adiante e se colocou num lugar estreito, e não havia espaço para desviar, nem para a direita nem para a esquerda.
  22. Quando a jumenta viu o anjo do Senhor, deitou-se debaixo de Balaão. Acendeu-se a ira de Balaão, que bateu nela com a sua vara.
  23. Então o Senhor abriu a boca da jumenta, e ela disse a Balaão: “Que foi que eu lhe fiz, para você bater em mim três vezes?”
  24. Balaão respondeu à jumenta: “Você me fez de tolo! Quem dera eu tivesse uma espada na mão; eu a mataria agora mesmo”.
  25. Mas a jumenta disse a Balaão: “Não sou sua jumenta, que você sempre montou até o dia de hoje? Tenho eu o costume de fazer isso com você? ” “Não”, disse ele.
  26. Então o Senhor abriu os olhos de Balaão, e ele viu o anjo do Senhor parado no caminho, empunhando a sua espada. Então Balaão inclinou-se e prostrou-se, rosto em terra.
  27. E o anjo do Senhor lhe perguntou: “Por que você bateu três vezes em sua jumenta? Eu vim aqui para impedi-lo de prosseguir porque o seu caminho me desagrada.”
  28. “A jumenta me viu e se afastou de mim por três vezes. Se ela não se afastasse a esta altura eu certamente o teria matado; mas a ela eu teria poupado”.
  29. Balaão disse ao anjo do Senhor: “Pequei. Não percebi que estavas parado no caminho para me impedires de prosseguir. Agora, se o que estou fazendo te desagrada, eu voltarei”.
  30. Então o anjo do Senhor disse a Balaão: “Vá com os homens, mas fale apenas o que eu lhe disser”. Assim Balaão foi com os príncipes de Balaque.
  31. Quando Balaque soube que Balaão estava chegando, foi ao seu encontro na cidade moabita da fronteira do Arnom, no limite do seu território.
  32. E Balaque disse a Balaão: “Não mandei chamá-lo urgentemente? Por que não veio? Acaso não tenho condições de recompensá-lo? “
  33. “Aqui estou! “, respondeu Balaão. “Mas, seria eu capaz de dizer alguma coisa? Direi somente o que Deus puser em minha boca”.
  34. Então Balaão foi com Balaque até Quiriate-Huzote.
  35. Balaque sacrificou bois e ovelhas, e deu parte da carne a Balaão e aos líderes que com ele estavam.
  36. Na manhã seguinte Balaque levou Balaão até o alto de Bamote-Baal, de onde viu uma parte do povo.
  37. Balaão disse a Balaque: “Construa para mim aqui sete altares e prepare-me sete novilhos e sete carneiros”.
  38. Balaque fez o que Balaão pediu, e os dois ofereceram um novilho e um carneiro em cada altar.
  39. E Balaão disse a Balaque: “Fique aqui junto ao seu holocausto, enquanto eu me retiro. Talvez o Senhor venha ao meu encontro. O que ele me revelar eu lhe contarei”. E foi para um monte.
  40. Deus o encontrou, e Balaão disse: “Preparei sete altares, e em cada altar ofereci um novilho e um carneiro”.
  41. O Senhor pôs uma mensagem na boca de Balaão e disse para voltar a Balaque e dar-lhe uma mensagem.
  42. Ele voltou a Balaque e o encontrou ao lado de seu holocausto, e com ele todos os líderes de Moabe.
  43. Então Balaão pronunciou este oráculo: “Balaque trouxe-me de Arã, o rei de Moabe, buscou-me nas montanhas do Oriente. Venha, amaldiçoe a Jacó para mim, disse ele, venha, pronuncie ameaças contra Israel!”
  44. “Como posso amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoou? Como posso pronunciar ameaças quem o Senhor não quis ameaçar?”
  45. “Dos cumes rochosos eu os vejo, dos montes eu os avisto. Vejo um povo que vive separado e não se considera como qualquer nação.”
  46. “Quem pode contar o pó de Jacó ou o número da quarta parte de Israel? Morra eu a morte dos justos, e seja o meu fim como o deles! “
  47. Então Balaque disse a Balaão: “Que foi que você me fez? Eu o chamei para amaldiçoar meus inimigos, mas você nada fez senão abençoá-los!”
  48. E ele respondeu: “Será que não devo dizer o que o Senhor põe em minha boca? “
  49. Balaque lhe disse: “Venha comigo a outro lugar de onde você poderá vê-los; você verá só uma parte, mas não todos eles. E dali amaldiçoe este povo para mim”.
  50. Então ele o levou para o campo de Zofim, no topo do Pisga, e ali construiu sete altares e ofereceu um novilho e um carneiro em cada altar.
  51. Balaão disse a Balaque: “Fique aqui ao lado de seu holocausto enquanto vou me encontrar com ele ali adiante”.
  52. Encontrando-se o Senhor com Balaão, pôs uma mensagem em sua boca e disse: “Volte a Balaque e dê-lhe essa mensagem”.
  53. Ele voltou e o encontrou ao lado de seu holocausto, e com ele os líderes de Moabe. Balaque perguntou-lhe: “O que o Senhor disse? “
  54. Então ele pronunciou este oráculo: “Levante-se, Balaque, e ouça-me; escute-me, filho de Zipor.”
  55. “Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa. Acaso ele fala, e deixa de agir? Acaso promete, e deixa de cumprir?”
  56. “Recebi uma ordem para abençoar; ele abençoou, e não o posso mudar.”
  57. “Nenhuma desgraça se vê em Jacó, nenhum sofrimento em Israel. O Senhor, o seu Deus, está com eles; o brado de aclamação do Rei está no meio deles.”
  58. “Deus os está trazendo do Egito; eles têm a força do boi selvagem.”
  59. “Não há magia que possa contra Jacó, nem encantamento contra Israel. Agora se dirá de Jacó e de Israel: Vejam o que Deus tem feito!”
  60. “O povo se levanta como leoa; levanta-se como o leão, que não se deita até que devore a sua presa e beba o sangue das suas vítimas”.
  61. Balaque disse então a Balaão: “Não os amaldiçoe nem os abençoe! “
  62. Balaão respondeu: “Não lhe disse que devo fazer tudo o que o Senhor disser?”
  63. Balaque disse a Balaão: “Venha, deixe-me levá-lo a outro lugar. Talvez Deus se agrade que dali você os amaldiçoe para mim”.
  64. E Balaque levou Balaão para o topo do Peor, de onde se vê o deserto de Jesimom.
  65. Balaão disse a Balaque: “Edifique-me aqui sete altares, e prepare-me sete novilhos e sete carneiros”.
  66. Balaque fez o que Balaão disse, e ofereceu um novilho e um carneiro em cada altar.
  67. Quando Balaão viu que agradava ao Senhor abençoar Israel, não recorreu à magia como nas outras vezes, mas voltou o rosto para o deserto.
  68. Então viu Israel acampado, tribo por tribo; e o Espírito de Deus veio sobre ele,
  69. E ele pronunciou este oráculo: “Palavra de Balaão, filho de Beor, palavra daquele cujos olhos vêem claramente, palavra daquele que ouve as palavras de Deus, daquele que vê a visão que vem do Todo-poderoso, daquele que cai prostrado e vê com clareza:
  70. “Quão belas são as suas tendas, ó Jacó, as suas habitações, ó Israel! Como vales estendem-se, como jardins que margeiam rios, como aloés plantados pelo Senhor, como cedros junto às águas.”
  71. “Seus reservatórios de água transbordarão; suas lavouras serão bem irrigadas. “O seu rei será maior do que Agague; o seu reino será exaltado.”
  72. “Deus os está trazendo do Egito; eles têm a força do boi selvagem. Devoram nações inimigas e despedaçam seus ossos; com suas flechas os atravessam.”
  73. “Como o leão e a leoa eles se abaixam e se deitam, quem ousará despertá-los? Sejam abençoados os que os abençoarem, e amaldiçoados os que os amaldiçoarem!”
  74. Então acendeu-se a ira de Balaque contra Balaão, e, batendo as palmas das mãos, disse: “Eu o chamei para amaldiçoar meus inimigos, mas você já os abençoou três vezes!”
  75. “Agora, fuja para a sua casa! Eu disse que lhe daria generosa recompensa, mas o Senhor o impediu de recebê-la”.
  76. Mas Balaão respondeu a Balaque: “Eu não disse aos mensageiros que você me enviou: Mesmo que Balaque me desse o seu palácio cheio de prata e de ouro, eu não poderia fazer coisa alguma de minha própria vontade, boa ou má, que vá além da ordem do Senhor, e que devo dizer somente o que o Senhor disser?
  77. Agora estou voltando para o meu povo, mas venha, deixe-me adverti-lo do que este povo fará ao seu povo nos dias futuros”. Foi o quarto Oráculo de Balaão
  78. Então pronunciou este seu oráculo: “Palavra de Balaão, filho de Beor, palavra daquele cujos olhos vêem claramente, daquele que ouve as palavras de Deus, que possui o conhecimento do Altíssimo, daquele que vê a visão que vem do Todo-poderoso, daquele que cai prostrado, e vê com clareza:”
  79. “Eu o vejo, mas não agora; eu o avisto, mas não de perto. Uma estrela surgirá de Jacó; um cetro se levantará de Israel. Ele esmagará as frontes de Moabe e o crânio de todos os descendentes de Sete.”
  80. “Edom será dominado; Seir, seu inimigo, também será dominado, mas Israel se fortalecerá. De Jacó sairá o governo; ele destruirá os sobreviventes das cidades”.
  81. Balaão viu Amaleque e pronunciou este oráculo: “Amaleque foi o primeiro entre as nações, mas o seu fim será destruição”.
  82. Depois viu os queneus e pronunciou este oráculo: “Sua habitação é segura, seu ninho está firmado na rocha; todavia, vocês, queneus, serão destruídos quando Assur os levar prisioneiros”.
  83. Finalmente pronunciou este oráculo: “Ah, quem poderá viver quando Deus fizer isto?
  84. Navios virão da costa de Quitim e subjugarão Assur e Héber, mas o seu fim também será destruição”.
  85. Então Balaão se levantou e voltou para casa, e Balaque seguiu o seu caminho.

Capítulo 40 – Vitória sobre Midiã

  1. Enquanto Israel estava em Sitim, o povo começou a entregar-se à imoralidade sexual com mulheres moabitas, que os convidavam aos sacrifícios de seus deuses.
  2. O povo comia e se prostrava perante esses deuses.
  3. Assim Israel se juntou à adoração de Baal-Peor. E a ira do Senhor acendeu-se contra Israel.
  4. Então Moisés disse aos juízes de Israel: “Cada um de vocês terá que matar aqueles que dentre os seus homens se juntaram à adoração de Baal-Peor”.
  5. Um israelita trouxe para casa uma mulher midianita, na presença de Moisés e de toda a comunidade de Israel, que choravam à entrada da Tenda do Encontro.
  6. Quando Finéias, filho de Eleazar, neto do sacerdote Arão, viu isso, apanhou uma lança, seguiu o israelita até o interior da tenda e atravessou os dois com a lança.
  7. Ele atravessou o corpo do israelita e o da mulher; e então cessou a praga contra os israelitas.
  8. Mas os que morreram por causa da praga foram vinte e quatro mil.
  9. O nome do israelita que foi morto com a midianita era Zinri, filho de Salu, líder de uma família simeonita.
  10. E o nome da mulher midianita que morreu era Cosbi, filha de Zur, chefe de um clã midianita.
  11. Depois da praga, o Senhor disse a Moisés e a Eleazar, filho do sacerdote Arão: “Façam um recenseamento de toda a comunidade de Israel, segundo as suas famílias.”
  12. “Contem todos os de vinte anos para cima que possam servir no exército de Israel”.
  13. Nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, do outro lado de Jericó, Moisés e o sacerdote Eleazar falaram com eles e disseram: “Façam um recenseamento dos homens de vinte anos para cima”, conforme o Senhor tinha ordenado a Moisés.
  14. Estes foram os israelitas que saíram do Egito: O número total dos homens de Israel foi 601.730.
  15. O total de levitas do sexo masculino de um mês de idade para cima que foram contados foi 23.000. Não foram contados junto com os outros israelitas porque não receberam herança entre eles.
  16. São esses os que foram recenseados por Moisés e pelo sacerdote Eleazar quando contaram os israelitas nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, do outro lado de Jericó.
  17. Nenhum deles estava entre os que foram contados por Moisés e pelo sacerdote Arão quando contaram os israelitas no deserto do Sinai.
  18. Pois o Senhor tinha dito àqueles israelitas que iriam morrer no deserto, e nenhum deles sobreviveu, exceto Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.
  19. Moisés subi o monte da serra de Abarim e viu a terra que deu aos israelitas.
  20. Ele disse ao Senhor: “Que o Senhor, o Deus que a todos dá vida, designe um homem como líder deste povo para conduzi-los em suas batalhas, para que o povo do Senhor não seja como ovelhas sem pastor”.
  21. Moisés fez como o Senhor lhe ordenou. Chamou Josué e o apresentou ao sacerdote Eleazar e a toda a comunidade.
  22. Impôs as mãos sobre ele e o comissionou. Tudo conforme o Senhor tinha dito por meio de Moisés.
  23. Então Moisés disse ao povo: “Armem alguns dos homens para irem à guerra contra os midianitas e executarem a vingança do Senhor contra eles. Enviem à batalha mil homens de cada tribo de Israel”.
  24. Doze mil homens armados para a guerra, mil de cada tribo, foram mandados pelos clãs de Israel.”
  25. Moisés os enviou à guerra, mil de cada tribo, juntamente com Finéias, filho do sacerdote Eleazar, que levou consigo objetos do santuário e as cornetas para o toque de guerra.
  26. Lutaram então contra Midiã, conforme o Senhor tinha ordenado a Moisés, e mataram todos os homens.
  27. Entre os mortos estavam os cinco reis de Midiã: Evi, Requém, Zur, Hur e Reba. Também mataram à espada Balaão, filho de Beor.
  28. Os israelitas capturaram as mulheres e as crianças midianitas e tomaram como despojo todos os rebanhos e bens dos midianitas.
  29. Queimaram todas as cidades em que os midianitas haviam se estabelecido, bem como todos os seus acampamentos. Tomaram todos os despojos, incluindo pessoas e animais,
  30. E levaram os prisioneiros, homens e mulheres, e os despojos a Moisés, ao sacerdote Eleazar e à comunidade de Israel em seu acampamento, nas campinas de Moabe, do outro lado de Jericó.
  31. Moisés, o sacerdote Eleazar e todos os líderes da comunidade saíram para recebê-los fora do acampamento.
  32. Mas Moisés indignou-se contra os oficiais do exército que voltaram da guerra, os líderes de milhares e os líderes de centenas.
  33. “Vocês deixaram todas as mulheres vivas? “, perguntou-lhes.
  34. “Foram elas que seguiram o conselho de Balaão e levaram Israel a ser infiel ao Senhor no caso de Peor, de modo que uma praga feriu a comunidade do Senhor.”
  35. “Agora matem todos os meninos. E matem também todas as mulheres que se deitaram com homem,
    mas poupem todas as meninas virgens.”
    “Todos vocês que mataram alguém ou que tocaram em algum morto ficarão sete dias fora do acampamento. No terceiro e no sétimo dia vocês deverão purificar-se a si mesmos e aos seus prisioneiros.”
  36. “Purifiquem toda roupa e também tudo o que é feito de couro, de pêlo de bode ou de madeira.”
  37. Depois o sacerdote Eleazar disse aos soldados que tinham ido à guerra: “Esta é a exigência da lei que o Senhor ordenou a Moisés: Ouro, prata, bronze, ferro, estanho, chumbo e tudo o que resista ao fogo,”
  38. “vocês terão que passar pelo fogo para purificá-las, mas também deverão purificá-las com a água da purificação. E tudo o que não resistir ao fogo terá que passar pela água.”
  39. “No sétimo dia lavem as suas roupas, e vocês ficarão puros. Depois poderão entrar no acampamento”.
  40. Moisés e o sacerdote Eleazar fizeram como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
  41. Os despojos que restaram das presas tomadas pelos soldados foram 675.000 ovelhas, 72.000 cabeças de gado, 61.000 jumentos e 32.000 mulheres virgens.
  42. A metade dada aos que lutaram na guerra; das quais o tributo para o Senhor foram 675 ovelhas; 72 cabeças de gado; 61 jumentos; e 32 pessoas.
  43. Moisés deu o tributo ao sacerdote Eleazar como contribuição ao Senhor, conforme o Senhor tinha ordenado a Moisés.
  44. A outra metade, pertencente aos israelitas, Moisés separou da dos combatentes; essa era a metade pertencente à comunidade.
  45. Da metade pertencente aos israelitas, Moisés escolheu um de cada cinquenta, tanto de pessoas como de animais, conforme o Senhor lhe tinha ordenado, e os entregou aos levitas, encarregados de cuidar do tabernáculo do Senhor.
  46. Então os oficiais que estavam sobre as unidades do exército, os líderes de milhares e os líderes de centenas foram a Moisés.
  47. Eles lhe disseram: “Seus servos contaram os soldados sob o nosso comando, e não está faltando ninguém.”
  48. “Por isso trouxemos como oferta ao Senhor os artigos de ouro dos quais cada um de nós se apossou: braceletes, pulseiras, anéis de sinete, brincos e colares; para fazer propiciação por nós perante o Senhor”.
  49. Moisés e o sacerdote Eleazar receberam deles. Todas as joias de ouro.
  50. Todo o ouro dado pelos líderes de milhares e pelos líderes de centenas que Moisés e Eleazar apresentaram como contribuição ao Senhor pesou duzentos quilos.
  51. Cada soldado tinha tomado despojos para si mesmo.
  52. Moisés e o sacerdote Eleazar receberam o ouro dado pelos líderes de milhares e pelos líderes de centenas e o levaram para a Tenda do Encontro como memorial para que o Senhor se lembrasse dos israelitas.

Capítulo 41 – Propriedades das Tribos

  1. As tribos de Rúben e de Gade, donas de numerosos rebanhos, viram que as terras de Jazar e de Gileade eram próprias para a criação de gado.
  2. Por isso foram a Moisés, ao sacerdote Eleazar e aos líderes da comunidade.
  3. Eles disseram: “Atarote, Dibom, Jazar, Ninra, Hesbom, Eleale, Sebã, Nebo e Beom, terras que o Senhor subjugou perante a comunidade de Israel, são próprias para a criação de gado, e os seus servos possuem gado”.
  4. E acrescentaram: “Se podemos contar com o favor de vocês, deixem que essa terra seja dada a estes seus servos como nossa herança. Não nos façam atravessar o Jordão”.
  5. Moisés respondeu aos homens de Gade e de Rúben: “E os seus compatriotas irão à guerra enquanto vocês ficam aqui?”
  6. “Por que vocês desencorajam os israelitas de entrar na terra que o Senhor lhes deu?”
  7. “Foi isso que os pais de vocês fizeram quando os enviei de Cades-Barnéia para verem a terra.”
  8. “Depois de subirem ao vale de Escol e examinarem a terra, desencorajaram os israelitas de entrar na terra que o Senhor lhes tinha dado.”
  9. Então os homens de Gade e de Rúben disseram a Moisés: “Nós, seus servos, faremos como o meu senhor ordena. Nossos filhos e mulheres, todos os nossos rebanhos ficarão aqui nas cidades de Gileade.”
  10. “Mas os seus servos, todos os homens armados para a batalha, atravessarão para lutar perante o Senhor, assim como o meu senhor está dizendo”.
  11. Moisés deu as seguintes instruções acerca deles ao sacerdote Eleazar, a Josué, filho de Num, e aos chefes de família das tribos israelitas:”
  12. “Se os homens de Gade e de Rúben, todos eles armados para a batalha, atravessarem o Jordão com vocês perante o Senhor, então, quando a terra for subjugada perante vocês, entreguem-lhes como propriedade a terra de Gileade.”
  13. Mas, se não atravessarem armados com vocês, terão que aceitar a propriedade deles com vocês em Canaã”.
  14. Os homens de Gade e de Rúben responderam: “Os seus servos farão o que o Senhor disse. Atravessaremos o Jordão perante o Senhor e entraremos armados em Canaã, mas a propriedade que vamos herdar estará deste lado do Jordão”.
  15. Então Moisés deu às tribos de Gade e de Rúben e à metade da tribo de Manassés, filho de José, o reino de Seom, rei dos amorreus, e o reino de Ogue, rei de Basã, toda a terra com as suas cidades e o território ao redor delas.
  16. A tribo de Gade construiu Dibom, Atarote, Aroer, Atarote-Sofã, Jazar, Jogbeá, Bete-Ninra e Bete-Harã como cidades fortificadas, e fez currais para os seus rebanhos.
  17. A tribo de Rúben reconstruiu Hesbom, Eleale e Quiriataim, bem como Nebo e Baal-Meom, cujos nomes foram mudados, e Sibma. E deu outros nomes a essas cidades.
  18. Os descendentes de Maquir, filho de Manassés, foram a Gileade, tomaram posse dela e expulsaram os amorreus que lá estavam.
  19. Então Moisés deu Gileade aos maquiritas, descendentes de Manassés, e eles passaram a habitar ali.
  20. Jair, descendente de Manassés, conquistou os povoados deles e os chamou Havote-Jair.
  21. E Noba conquistou Quenate e os seus povoados e a chamou Noba, de acordo com o seu nome.
  22. Moisés ordenou aos israelitas: “Distribuam a terra por sorteio como herança.
  23. O Senhor ordenou que seja dada às nove tribos e meia, porque as famílias da tribo de Rúben, da tribo de Gade e da metade da tribo de Manassés já receberam a herança delas.
  24. Estas duas tribos e meia receberam sua herança no lado leste do Jordão, do outro lado de Jericó, na direção do nascer do sol”.
  25. Os chefes de família do clã de Gileade, filho de Maquir, neto de Manassés, que pertenciam aos clãs dos descendentes de José, foram falar com Moisés e com os líderes, os chefes das famílias israelitas.
  26. E disseram: “Quando o Senhor ordenou ao meu senhor que, por sorteio, desse a terra como herança para os israelitas, ordenou que vocês dessem a herança de nosso irmão Zelofeade às suas filhas.
  27. “Agora, suponham que elas se casem com homens de outras tribos israelitas.”
  28. “Nesse caso a herança delas será tirada da herança dos nossos antepassados e acrescentada à herança da tribo com a qual se unirem pelo casamento.”
  29. “Quando chegar o Ano do Jubileu para os israelitas, a herança delas será acrescentada à da tribo com a qual se unirem pelo casamento, e a propriedade delas será tirada da herança da tribo de nossos antepassados”.
  30. Então, instruído pelo Senhor, Moisés deu esta ordem aos israelitas: “A tribo dos descendentes de José tem razão.”
  31. “É isto que o Senhor ordena quanto às filhas de Zelofeade: Elas poderão casar-se com quem lhes agradar, contanto que se casem dentro do clã da tribo de seu pai.”
  32. “Nenhuma herança em Israel poderá passar de uma tribo para outra, pois todos os israelitas manterão as terras das tribos que herdaram de seus antepassados.”
  33. “Toda filha que herdar terras em qualquer tribo israelita se casará com alguém do clã da tribo de seu pai, para que cada israelita possua a herança dos seus antepassados.”
  34. “Nenhuma herança poderá passar de uma tribo para outra, pois cada tribo israelita deverá manter as terras que herdou”.
  35. As filhas de Zelofeade fizeram conforme o Senhor havia ordenado a Moisés.
  36. Maalá, Tirza, Hogla, Milca e Noa casaram-se com seus primos paternos, dentro dos clãs dos descendentes de Manassés, filho de José, e a herança delas permaneceu no clã e na tribo de seu pai.
  37. São esses os mandamentos e as ordenanças que o Senhor deu aos israelitas por intermédio de Moisés nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, do outro lado de Jericó.

Capítulo 42 – Discurso da Lei

  1. Estes são os mandamentos, os decretos e as ordenanças que Moisés promulgou como leis para os israelitas quando saíram do Egito, do outro lado do Jordão, no vale fronteiro a Bete-Peor, na terra de Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom, a quem Moisés e os israelitas derrotaram quando saíram do Egito.
  2. Eles tomaram posse da terra dele e da terra de Ogue, rei de Basã, os dois reis amorreus que viviam a leste do Jordão.
  3. Essa terra estendia-se desde Aroer, na margem do ribeiro do Arnom, até o monte Siom, isto é, o Hermom,
    e incluía toda a região da Arabá, a leste do Jordão, até o mar da Arabá, abaixo das encostas do Pisga.
  4. Então Moisés convocou todo o Israel e lhe disse: “Ouçam, ó Israel, os decretos e as ordenanças que hoje lhes estou anunciando. Aprendam-nos e tenham o cuidado de cumpri-los.”
  5. “O Senhor, o nosso Deus, fez conosco uma aliança em Horebe.”
  6. “Não foi com os nossos antepassados que o Senhor fez essa aliança, mas conosco, com todos nós que aqui hoje estamos vivos.”
  7. “O Senhor falou com vocês face a face do meio do fogo, no monte.”
    “Naquela ocasião eu fiquei entre o Senhor e vocês para declarar-lhes a palavra do Senhor, porque vocês tiveram medo do fogo e não subiram o monte. E ele disse os seus dez mandamentos.”
  8. “Foram as palavras que o Senhor falou a toda a assembleia de vocês, em alta voz, no monte, do meio do fogo, da nuvem e da densa escuridão; e nada mais acrescentou.”
  9. “Então as escreveu em duas tábuas de pedra e as deu a mim.”
  10. “Quando vocês ouviram a voz que vinha do meio da escuridão, estando o monte em chamas, aproximaram-se de mim todos os chefes das tribos de vocês, com as suas autoridades.”
  11. “E vocês disseram: O Senhor, o nosso Deus, mostrou-nos sua glória e sua majestade, e nós ouvimos a sua voz vinda de dentro do fogo. Hoje vimos que Deus fala com o homem e que este ainda continua vivo!”
  12. “Mas, agora, por que deveríamos morrer? Este grande fogo por certo nos consumirá. Se continuarmos a ouvir a voz do Senhor, o nosso Deus, morreremos.”
  13. “Pois, que homem mortal chegou a ouvir a voz do Deus vivo falando de dentro do fogo, como nós o ouvimos, e sobreviveu?”
  14. “Aproxime-se você, Moisés, e ouça tudo o que o Senhor, o nosso Deus, disser; você nos relatará tudo o que o Senhor, o nosso Deus, lhe disser. Nós ouviremos e obedeceremos”.
  15. “O Senhor ouviu quando vocês me falaram e me disse: Ouvi o que este povo lhe disse, e eles têm razão em tudo o que disseram.”
  16. “Quem dera eles tivessem sempre no coração esta disposição para temer-me e para obedecer a todos os meus mandamentos. Assim tudo iria bem com eles e com seus descendentes para sempre! “
  17. “Vá, diga-lhes que voltem às suas tendas.”
  18. “Você ficará aqui comigo, e lhe anunciarei toda a lei, isto é, os decretos e as ordenanças que você lhes ensinará, e que eles deverão cumprir na terra que eu dou a eles como propriedade.”
  19. “Por isso, tenham o cuidado de fazer tudo como o Senhor, o seu Deus, lhes ordenou; não se desviem, nem para a direita, nem para a esquerda.”
  20. “Andem sempre pelo caminho que o Senhor, o seu Deus, lhes ordenou, para que tenham vida, tudo lhes vá bem e os seus dias se prolonguem na terra da qual tomarão posse.”
  21. “Esta é a lei, isto é, os decretos e as ordenanças, que o Senhor, o seu Deus ordenou que eu lhes ensinasse, para que vocês os cumpram na terra para a qual estão indo para dela tomar posse.”
  22. “Desse modo vocês, seus filhos e seus netos temerão ao Senhor, o seu Deus, e obedecerão a todos os seus decretos e mandamentos, que eu lhes ordeno, todos os dias da sua vida, para que tenham vida longa.”
  23. “Ouça e obedeça, ó Israel! Assim tudo lhe irá bem e você será muito numeroso numa terra onde manam leite e mel, como lhe prometeu o Senhor, o Deus dos seus antepassados.”
  24. “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor.
  25. “Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças.
  26. “Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração.
  27. “Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.”
  28. “Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa.”
  29. “Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões.”
  30. “O Senhor, o seu Deus, os conduzirá à terra que jurou aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó, que daria a vocês, terra com grandes e boas cidades que vocês não construíram, com casas cheias de tudo que há de melhor, de coisas que vocês não produziram, com cisternas que vocês não cavaram, com vinhas e oliveiras que não plantaram.”
  31. “Quando isso acontecer, e vocês comerem e ficarem satisfeitos, tenham cuidado! Não esqueçam o Senhor que os tirou do Egito, da terra da escravidão.”
  32. “Temam o Senhor, o seu Deus, e só a ele prestem culto, e jurem somente pelo seu nome.”
  33. “Não sigam outros deuses, os deuses dos povos ao redor;”
  34. “Pois o Senhor, o seu Deus, que está no meio de vocês, é Deus zeloso; a ira do Senhor, o seu Deus, se acenderá contra vocês, e ele os banirá da face da terra.”
  35. “Não ponham à prova o Senhor, o seu Deus, como fizeram em Massá.”
  36. “Obedeçam cuidadosamente aos mandamentos do Senhor, o seu Deus, e aos preceitos e decretos que ele lhes ordenou.”
  37. “Façam o que é justo e bom perante o Senhor, para que tudo lhes vá bem e vocês entrem e tomem posse da boa terra que o Senhor prometeu, sob juramento, a seus antepassados, expulsando todos os seus inimigos de diante de vocês, conforme o Senhor prometeu.”
  38. “No futuro, quando o seu filho lhes perguntar: “O que significam estes preceitos, decretos e ordenanças que o Senhor, o nosso Deus, ordenou a vocês?”
  39. “Vocês lhe responderão: Fomos escravos do faraó no Egito, mas o Senhor nos tirou do Egito com mão poderosa.”
  40. “O Senhor realizou, diante dos nossos olhos, sinais e maravilhas grandiosas e terríveis contra o Egito e contra o faraó e toda a sua família.”
  41. “Mas ele nos tirou de lá para nos trazer para cá e nos dar a terra que, sob juramento, prometeu a nossos antepassados.”
  42. “O Senhor nos ordenou que obedecêssemos a todos estes decretos e que temêssemos o Senhor, o nosso Deus, para que sempre fôssemos bem sucedidos e preservados em vida, como hoje se pode ver.
  43. “E, se nós nos aplicarmos a obedecer a toda essa lei perante o Senhor, o nosso Deus, conforme ele nos ordenou, esta será a nossa justiça”.

Capítulo 43 – Palavras Finais

  1. Moisés disse ainda estas palavras a todo o Israel: “Estou com cento e vinte anos de idade e já não sou capaz de liderá-los. O Senhor me disse: Você não atravessará o Jordão.”
  2. “O Senhor, o seu Deus, o atravessará pessoalmente à frente de vocês. Ele destruirá estas nações perante vocês, e vocês tomarão posse da terra delas.”
  3. “Josué também atravessará à frente de vocês, conforme o Senhor disse.”
  4. “E o Senhor fará com eles como fez com Seom e Ogue, os reis dos amorreus, os quais destruiu juntamente com a sua terra.”
  5. “O Senhor os entregará a vocês, e vocês deverão fazer com eles tudo o que lhes ordenei.”
  6. “Sejam fortes e corajosos. Não tenham medo nem fiquem apavorados por causa deles, pois o Senhor, o seu Deus, vai com vocês; nunca os deixará, nunca os abandonará”.
  7. Então Moisés convocou Josué e lhe disse na presença de todo o Israel: “Seja forte e corajoso, pois você irá com este povo para a terra que o Senhor jurou aos seus antepassados que lhes daria, e você a repartirá entre eles como herança.”
  8. “O próprio Senhor irá à sua frente e estará com você; ele nunca o deixará, nunca o abandonará. Não tenha medo! Não se desanime!”
  9. Moisés escreveu esta lei e a deu aos sacerdotes, filhos de Levi, que transportavam a arca da aliança do Senhor, e a todos os líderes de Israel.
  10. E Moisés lhes ordenou: “Ao final de cada sete anos, no ano do cancelamento das dívidas, durante a festa das Cabanas, quando todo o Israel vier apresentar-se ao Senhor, ao seu Deus, no local que ele escolher, vocês lerão esta lei perante eles para que a escutem.”
  11. “Reúnam o povo, homens, mulheres e crianças, e os estrangeiros que morarem nas suas cidades, para que ouçam e aprendam a temer o Senhor, o seu Deus, e sigam fielmente todas as palavras desta lei.”
  12. “Os seus filhos, que não conhecem esta lei, terão que ouvi-la e aprender a temer o Senhor, o seu Deus, enquanto vocês viverem na terra da qual tomarão posse quando atravessarem o Jordão”.
  13. Quando o Senhor disse a Moisés que o dia da sua morte se aproximava, ele chame Josué para se apresentarem na Tenda do Encontro, onde daria incumbências a ele.
  14. Então Moisés e Josué vieram e se apresentaram na Tenda do Encontro.
  15. Então o Senhor apareceu na Tenda, numa coluna de nuvem, e a coluna pairou sobre a entrada da Tenda.
  16. Depois que Moisés terminou de escrever num livro as palavras desta lei do início ao fim, deu esta ordem aos levitas que transportavam a arca da aliança do Senhor.
  17. Ele disse: “Coloquem este Livro da Lei ao lado da arca da aliança do Senhor, do seu Deus, onde ficará como testemunha contra vocês.”
  18. “Pois sei quão rebeldes e obstinados vocês são. Se vocês têm sido rebeldes contra o Senhor enquanto ainda estou vivo, quanto mais depois que eu morrer!”
  19. “Reúnam na minha presença todos os líderes das suas tribos e todos os seus oficiais, para que eu fale estas palavras de modo que ouçam, e ainda invoquem os céus e a terra para testemunharem contra eles.”
  20. “Pois sei que depois da minha morte vocês com certeza se corromperão e se afastarão do caminho que lhes ordenei.”
  21. “Nos dias futuros a desgraça cairá sobre vocês, porque vocês farão o que o Senhor reprova e o provocarão à ira por aquilo que as mãos de vocês terão feito”.
  22. “Guardem no coração todas as palavras que hoje lhes declarei solenemente, para que ordenem aos seus filhos que obedeçam fielmente a todas as palavras desta lei.”
  23. “Elas não são palavras inúteis. São a sua vida. Por meio delas vocês viverão muito tempo na terra da qual tomarão posse do outro lado do Jordão”.
  24. Moisés, homem de Deus, abençoou os israelitas antes da sua morte.
  25. Ele disse: “O Senhor veio do Sinai e alvoreceu sobre eles desde o Seir, resplandeceu desde o monte Parã. Veio com miríades de santos desde o sul, desde as encostas de suas montanhas.”
  26. “Certamente és tu que amas o povo; todos os santos estão em tuas mãos. A teus pés todos eles se prostram e de ti recebem instrução, a lei que Moisés nos deu, a herança da assembleia de Jacó.”
  27. Moisés era rei sobre Jesurum, quando os chefes do povo se reuniam, juntamente com as tribos de Israel.
  28. Ele disse: “Não há ninguém como o Deus de Jesurum, que cavalga os céus para ajudá-lo, e cavalga as nuvens em sua majestade!”
  29. “O Deus eterno é o seu refúgio, e para segurá-lo estão os braços eternos. Ele expulsará os inimigos da sua presença, dizendo: Destrua-os!”
  30. “Somente Israel viverá em segurança; a fonte de Jacó está segura numa terra de trigo e de vinho novo, onde os céus gotejam orvalho.”
  31. “Como você é feliz, Israel! Quem é como você, povo salvo pelo Senhor? Ele é o seu abrigo, o seu ajudador e a sua espada gloriosa. Os seus inimigos se encolherão diante de você, mas você pisará os seus altos”.
  32. Então, das campinas de Moabe Moisés subiu ao monte Nebo, ao topo do Pisga, em frente de Jericó.
  33. Ali o Senhor lhe mostrou a terra toda: de Gileade a Dã, toda a região de Naftali, o território de Efraim e Manassés, toda a terra de Judá até o mar ocidental, o Neguebe e toda a região que vai do vale de Jericó, a cidade das Palmeiras, até Zoar.
  34. E o Senhor lhe disse: “Esta é a terra que prometi, sob juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó, quando lhes disse: Eu a darei a seus descendentes. Permiti que você a visse com os seus próprios olhos, mas você não atravessará o rio, não entrará naquela terra”.
  35. Moisés, o servo do Senhor, morreu ali em Moabe, como o Senhor dissera.
  36. Ele o sepultou em Moabe, no vale que fica diante de Bete-Peor, mas até hoje ninguém sabe onde está o seu túmulo.
  37. Moisés tinha cento e vinte anos de idade quando morreu; todavia, nem os seus olhos nem o seu vigor se enfraqueceram.
  38. Os israelitas choraram Moisés nas campinas de Moabe durante trinta dias, até passar o período de pranto e luto.
  39. Ora, Josué, filho de Num, estava cheio do Espírito de sabedoria, porque Moisés tinha imposto as suas mãos sobre ele. De modo que os israelitas lhe obedeceram e fizeram o que o Senhor tinha ordenado a Moisés.
  40. Em Israel nunca mais se levantou profeta como Moisés, a quem o Senhor conheceu face a face;
  41. E que fez todos aqueles sinais e maravilhas que o Senhor o tinha enviado para fazer no Egito, contra o faraó, contra todos os seus servos e contra toda a sua terra.
  42. Pois ninguém jamais mostrou tamanho poder como Moisés nem executou os feitos temíveis que Moisés realizou aos olhos de todo o Israel.

III

Livros da Autoridade

Capítulo 1 – Josué

  1. Josué, filho de Num, enviou secretamente de Sitim dois espiões e lhes disse: “Vão examinar a terra, especialmente Jericó”.
  2. Eles foram e entraram na casa de uma prostituta chamada Raabe, e ali passaram a noite.
  3. Todavia o rei de Jericó foi avisado: “Alguns israelitas vieram aqui esta noite para espionar a terra”.
  4. Diante disso, o rei de Jericó enviou esta mensagem a Raabe: “Mande embora os homens que entraram em sua casa, pois vieram espionar a terra toda”.
  5. Mas a mulher que tinha escondido os dois homens respondeu: “É verdade que os homens vieram a mim, mas eu não sabia de onde tinham vindo.”
  6. “Ao anoitecer, na hora de fechar a porta da cidade, eles partiram. Não sei por onde foram. Corram atrás deles. Talvez os alcancem”.
  7. Ela, porém, os tinha levado para o terraço e os tinha escondido sob os talos de linho que havia arrumado lá.
  8. Os perseguidores partiram atrás deles pelo caminho que vai para o lugar de passagem do Jordão. E logo que saíram, a porta foi trancada.
  9. Antes dos espiões se deitarem, Raabe subiu ao terraço e lhes disse: “Sei que o Senhor lhes deu esta terra. Vocês nos causaram um medo terrível, e todos os habitantes desta terra estão apavorados por causa de vocês.”
  10. “Pois temos ouvido como o Senhor secou as águas do mar Vermelho perante vocês quando saíram do Egito, e o que vocês fizeram a leste do Jordão com Seom e Ogue, os dois reis amorreus que aniquilaram.”
  11. “Quando soubemos disso, o povo desanimou-se completamente, e por causa de vocês todos perderam a coragem, pois o Senhor, o seu Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra.”
  12. “Jurem-me pelo Senhor que, assim como eu fui bondosa com vocês, vocês também serão bondosos com a minha família.
  13. “Deem-me um sinal seguro de que pouparão a vida de meu pai e de minha mãe, de meus irmãos e minhas irmãs, e de tudo o que lhes pertence. Livrem-nos da morte”.
  14. “As nossas vidas pelas de vocês! “, os homens lhe garantiram. “Se você não contar o que estamos fazendo, nós a trataremos com bondade e fidelidade quando o Senhor nos der a terra”.
  15. Então Raabe os ajudou a descer pela janela com uma corda, pois a casa em que morava fazia parte do muro da cidade.
  16. Ela lhes disse: “Vão para aquela montanha, para que os perseguidores não os encontrem. Escondam-se lá por três dias, até que eles voltem; depois poderão seguir o seu caminho”.
  17. Os homens lhe disseram: “Estaremos livres do juramento que você nos levou a fazer se, quando entrarmos na terra, você não tiver amarrado este cordão vermelho na janela pela qual nos ajudou a descer, e se não tiver trazido para a sua casa o seu pai e a sua mãe, os seus irmãos e toda a sua família.”
  18. “Qualquer pessoa que sair da casa será responsável por sua própria morte; nós seremos inocentes. Mas, seremos responsáveis pela morte de quem estiver na casa com você, caso alguém toque nessa pessoa.”
  19. “E se você contar o que estamos fazendo, estaremos livres do juramento que você nos levou a fazer”.
  20. “Seja como vocês disseram”, respondeu Raabe. Assim ela os despediu, e eles partiram. Depois ela amarrou o cordão vermelho na janela.
  21. Quando partiram, foram para a montanha e ali ficaram três dias, até que os seus perseguidores regressassem. Estes os procuraram ao longo de todo o caminho e não os acharam.
  22. Por fim os dois homens voltaram; desceram a montanha, atravessaram o rio e chegaram a Josué, filho de Num, e lhe contaram tudo o que lhes havia acontecido.
  23. E disseram a Josué: “Sem dúvida o Senhor entregou a terra toda em nossas mãos; todos estão apavorados por nossa causa”.
  24. De manhã bem cedo Josué e todos os israelitas partiram de Sitim e foram para o Jordão, onde acamparam antes de atravessar o rio.
  25. Três dias depois, os oficiais percorreram o acampamento, e deram esta ordem ao povo: “Quando virem a arca da aliança do Senhor, o seu Deus, e os sacerdotes levitas carregando a arca, saiam das suas posições e sigam-na.
  26. Mas mantenham a distância de cerca de novecentos metros entre vocês e a arca; não se aproximem! Desse modo saberão que caminho seguir, pois vocês nunca passaram por lá”.
  27. Josué ordenou ao povo: “Santifiquem-se, pois amanhã o Senhor fará maravilhas entre vocês”, e disse aos sacerdotes: “Levantem a arca da aliança e passem à frente do povo”. Eles a levantaram e foram na frente.
  28. Então Josué disse aos israelitas: “Vocês saberão que o Deus vivo está no meio de vocês e que certamente expulsará de diante de vocês os cananeus, os hititas, os heveus, os ferezeus, os girgaseus, os amorreus e os jebuseus.”
  29. Quando, pois, o povo desmontou o acampamento para atravessar o Jordão, os sacerdotes que carregavam a arca da aliança foram adiante.
  30. O Jordão transborda em ambas as margens na época da colheita.
  31. Assim que os sacerdotes que carregavam a arca da aliança chegaram ao Jordão e seus pés tocaram as águas, a correnteza que descia parou de correr e formou uma muralha a grande distância, perto de uma cidade chamada Adã, nas proximidades de Zaretã;
  32. E as águas que desciam para o mar da Arabá, o mar Salgado, escoaram totalmente. Assim o povo atravessou o rio em frente de Jericó.
  33. Os sacerdotes que carregavam a arca da aliança do Senhor ficaram parados em terra seca no meio do Jordão, enquanto todo o Israel passava, até que toda a nação o atravessou também em terra seca.
  34. Quando toda a nação terminou de atravessar o Jordão, o Senhor disse a Josué: “Escolha doze homens dentre o povo, um de cada tribo.”
  35. “E mande que apanhem doze pedras do meio do Jordão, do lugar onde os sacerdotes ficaram parados. Levem-nas com vocês para o local onde forem passar a noite”.
  36. Os israelitas fizeram como Josué lhes havia ordenado. Apanharam doze pedras do meio do Jordão, conforme o número das tribos de Israel, como o Senhor tinha ordenado a Josué; as colocaram nos ombros e as levaram ao acampamento, onde as deixaram.
  37. Josué ergueu também doze pedras no meio do Jordão, no local onde os sacerdotes que carregavam a arca da aliança tinham ficado. E elas estão lá até hoje.
  38. Os sacerdotes que carregavam a arca permaneceram de pé no meio do Jordão até que o povo fez tudo o que o Senhor ordenara a Josué, por meio de Moisés. E o povo atravessou apressadamente.
  39. Cerca de quarenta mil homens preparados para a guerra passaram perante o Senhor, rumo à planície de Jericó.
  40. Naquele dia o Senhor exaltou Josué à vista de todo o Israel; e eles o respeitaram enquanto viveu, como tinham respeitado Moisés.
  41. Quando os sacerdotes que carregavam a arca da aliança do Senhor saíram do Jordão, mal tinham posto os pés em terra seca, as águas do Jordão voltaram ao seu lugar, e cobriram como antes as suas margens.
  42. No décimo dia do primeiro mês o povo subiu do Jordão e acampou em Gilgal, na fronteira leste de Jericó.
  43. E em Gilgal Josué ergueu as doze pedras tiradas do Jordão.
  44. Disse ele aos israelitas: “No futuro, quando os filhos perguntarem aos seus pais: ‘Que significam essas pedras? ’, expliquem a eles: Aqui Israel atravessou o Jordão em terra seca.”
  45. “O Senhor, o seu Deus, fez com o Jordão como fizera com o mar Vermelho, quando o secou diante de nós até que o tivéssemos atravessado.”
  46. “Ele assim fez para que todos os povos da terra saibam que a mão do Senhor é poderosa e para que vocês sempre temam o Senhor, o seu Deus”.

Capítulo 2 – Jericó

  1. Todos os reis amorreus que habitavam a oeste do Jordão e todos os reis cananeus que viviam ao longo do litoral souberam como o Senhor tinha secado o Jordão diante dos israelitas até que tivéssemos atravessado.
  2. Por isso, desanimaram-se e perderam a coragem de enfrentar os israelitas.
  3. Naquela ocasião o Senhor disse a Josué: “Faça facas de pedra e circuncide os israelitas de novo”.
  4. Josué fez facas de pedra e circuncidou os israelitas em Gibeate-Aralote.
  5. Ele fez isso porque todos os homens aptos para a guerra morreram no deserto depois de terem saído do Egito.
  6. Todos os que saíram haviam sido circuncidados, mas todos os que nasceram no deserto, no caminho, depois da saída do Egito, não passaram pela circuncisão.
  7. Os israelitas tinham andado quarenta anos pelo deserto, até que todos os guerreiros que saíram do Egito morressem, visto que não tinham obedecido ao Senhor.
  8. Pois o Senhor lhes havia jurado que não veriam a terra que prometera aos seus antepassados que nos daria, terra onde manam leite e mel.
  9. Assim, em lugar deles colocou os seus filhos, e foram os filhos que Josué circuncidou. Ainda estavam incircuncisos porque não tinham sido circuncidados durante a viagem.
  10. E, depois que a nação inteira foi circuncidada, eles ficaram onde estavam, no acampamento, até se recuperarem.
  11. Então o Senhor disse a Josué: “Hoje removi de vocês a humilhação sofrida no Egito”. Por isso até hoje o lugar se chama Gilgal.
  12. Na tarde do décimo quarto dia do mês, enquanto estavam acampados em Gilgal, na planície de Jericó, os israelitas celebraram a Páscoa.
  13. No dia seguinte ao da Páscoa, nesse mesmo dia, eles comeram pães sem fermento e grãos de trigo tostados, produtos daquela terra.
  14. Um dia depois de comerem do produto da terra, o maná cessou. Já não havia maná para os israelitas, e naquele mesmo ano eles comeram do fruto da terra de Canaã.
  15. Estando Josué já perto de Jericó, olhou para cima e viu um homem de pé, empunhando uma espada.
  16. Aproximou-se dele e perguntou-lhe: “Você é por nós, ou por nossos inimigos? “
  17. “Nem uma coisa nem outra”, respondeu ele. “Venho na qualidade de comandante do exército do Senhor”.
  18. Então Josué prostrou-se, rosto em terra, em sinal de respeito, e lhe perguntou: “Que mensagem o meu senhor tem para o seu servo? “
  19. O comandante do exército do Senhor respondeu: “Tire as sandálias dos pés, pois o lugar em que você está é santo”. E Josué as tirou.
  20. Josué, filho de Num, chamou os sacerdotes e lhes disse: “Levem a arca da aliança do Senhor. Sete de vocês levarão trombetas à frente da arca”.
  21. E ordenou ao povo: “Avancem! Marchem ao redor da cidade! Os soldados armados irão à frente da arca do Senhor”.
  22. Quando Josué terminou de falar ao povo, os sete sacerdotes que levavam suas trombetas perante o Senhor saíram à frente, tocando as trombetas. E a arca da aliança do Senhor ia atrás deles.
  23. Os soldados armados marchavam à frente dos sacerdotes que tocavam as trombetas, e o restante dos soldados seguia a arca. Durante todo esse tempo tocavam-se as trombetas.
  24. Mas, Josué tinha ordenado ao povo: “Não deem o brado de guerra, não levantem a voz, não digam palavra alguma, até ao dia em que eu lhes ordenar. Então vocês gritarão! “
  25. Assim se fez a arca do Senhor rodear a cidade, dando uma volta em torno dela. Então o povo voltou para o acampamento, onde passou a noite.
  26. Josué levantou-se na manhã seguinte, e os sacerdotes levaram a arca do Senhor.
  27. Os sete sacerdotes que levavam as trombetas iam adiante da arca do Senhor, tocando as trombetas.
  28. Os homens armados iam à frente deles, e o restante dos soldados seguia a arca do Senhor, enquanto as trombetas tocavam continuamente.
  29. No segundo dia também rodearam a cidade uma vez, e voltaram ao acampamento. E durante seis dias repetiram aquilo.
  30. No sétimo dia, levantaram-se ao romper da manhã e marcharam da mesma maneira sete vezes ao redor da cidade; foi apenas nesse dia que rodearam a cidade sete vezes.
  31. Na sétima vez, quando os sacerdotes deram o toque de trombeta, Josué ordenou ao povo: “Gritem! O Senhor lhes entregou a cidade!
  32. A cidade, com tudo o que nela existe, será consagrada ao Senhor para destruição. Somente a prostituta Raabe e todos os que estão com ela em sua casa serão poupados, pois ela escondeu os espiões que enviamos.
  33. Mas fiquem longe das coisas consagradas, não se apossem de nenhuma delas, para que não sejam destruídos. Do contrário trarão destruição e desgraça ao acampamento de Israel.
  34. Toda a prata, todo o ouro e todos os utensílios de bronze e de ferro são sagrados e pertencem ao Senhor e deverão ser levados para o seu tesouro”.
  35. Quando soaram as trombetas o povo gritou. Ao som das trombetas, e do forte grito, o muro caiu. Cada um atacou do lugar onde estava, e tomaram a cidade.
  36. Consagraram a cidade ao Senhor, destruindo ao fio da espada homens, mulheres, jovens, velhos, bois, ovelhas e jumentos, todos os seres vivos que nela havia.
  37. Josué disse aos dois homens que tinham espionado a terra: “Entrem na casa da prostituta e tirem-na de lá com todos os seus parentes, conforme o juramento que fizeram a ela”.
  38. Então os jovens que tinham espionado a terra entraram e trouxeram Raabe, seu pai, sua mãe, seus irmãos e todos os seus parentes.
  39. Tiraram de lá todos os da sua família e os deixaram num local fora do acampamento de Israel.
  40. Depois incendiaram a cidade inteira e tudo o que nela havia, mas entregaram a prata, o ouro e os utensílios de bronze e de ferro ao tesouro do santuário do Senhor.
  41. Mas Josué poupou a prostituta Raabe, a sua família, e todos os seus pertences, pois ela escondeu os homens que Josué tinha enviado a Jericó como espiões. E Raabe vive entre os israelitas até hoje.
  42. Naquela ocasião Josué pronunciou este juramento solene: “Maldito seja diante do Senhor o homem que reconstruir esta cidade de Jericó: Ao preço de seu filho mais velho lançará os alicerces da cidade; ao preço de seu filho mais novo porá suas portas! “
  43. Assim o Senhor esteve com Josué, cuja fama espalhou-se por toda a região.

Capítulo 3 – Ai

  1. Mas os israelitas foram infiéis com relação às coisas consagradas. Acã, filho de Carmi, filho de Zinri, filho de Zerá, da tribo de Judá, apossou-se de algumas delas. E a ira do Senhor acendeu-se contra Israel.
  2. Sucedeu que Josué enviou homens de Jericó a Ai, que fica perto de Bete-Áven, a leste de Betel, e ordenou-lhes: “Subam e espionem a região”. Os homens subiram e espionaram Ai.
  3. Quando voltaram a Josué, disseram: “Não é preciso que todos avancem contra Ai. Envie uns dois ou três mil homens para atacá-la. Não canse todo o exército, pois eles são poucos”.
  4. Por isso cerca de três mil homens atacaram a cidade; mas os homens de Ai os puseram em fuga, chegando a matar trinta e seis deles.
  5. Eles perseguiram os israelitas desde a porta da cidade até Sebarim, e os feriram na descida. Diante disso o povo desanimou-se completamente.
  6. Então Josué, com as autoridades de Israel, rasgou as vestes, prostrou-se, rosto em terra, diante da arca do Senhor, cobrindo de terra a cabeça, e ali permaneceu até à tarde.
  7. Disse então Josué: “Ah, Soberano Senhor, por que fizeste este povo atravessar o Jordão? Foi para nos entregar nas mãos dos amorreus e nos destruir? Antes nos contentássemos em continuar no outro lado do Jordão!”
  8. “Que poderei dizer, Senhor, agora que Israel foi derrotado por seus inimigos? Os cananeus e os demais habitantes desta terra saberão disso, nos cercarão e eliminarão o nosso nome da terra.
  9. “Que farás, então, pelo teu grande nome? “
  10. Na manhã seguinte Josué mandou os israelitas virem à frente segundo as suas tribos, e a de Judá foi a escolhida.
  11. Os clãs de Judá vieram à frente, e ele escolheu os zeraítas. Fez o clã dos zeraítas vir à frente, família por família, e o escolhido foi Zinri.
  12. Josué fez a família de Zinri vir à frente, homem por homem, e Acã, filho de Carmi, filho de Zinri, filho de Zerá, da tribo de Judá, foi o escolhido.
  13. Então Josué disse a Acã: “Meu filho, para a glória do Senhor, o Deus de Israel, diga a verdade. Conte-me o que você fez; não me esconda nada”.
  14. Acã respondeu: “É verdade que pequei contra o Senhor, contra o Deus de Israel. O que fiz foi o seguinte:”
  15. “Quando vi entre os despojos uma bela capa feita na Babilônia, dois quilos e quatrocentos gramas de prata e uma barra de ouro de seiscentos gramas, eu os cobicei e me apossei deles.
  16. “Estão escondidos no chão da minha tenda, com a prata por baixo”.
  17. Josué enviou alguns homens que correram à tenda de Acã; lá estavam escondidas as coisas, com a prata por baixo.
  18. Retiraram-nas da tenda e as levaram a Josué e a todos os israelitas, e as puseram perante o Senhor.
  19. Então Josué, junto com todo o Israel, levou Acã, bisneto de Zerá, e a prata, a capa, a barra de ouro, seus filhos e filhas, seus bois, seus jumentos, suas ovelhas, sua tenda e tudo o que lhe pertencia, ao vale de Acor.
  20. Disse Josué: “Por que você nos causou esta desgraça? Hoje o Senhor lhe causará desgraça”. E todo o Israel o apedrejou, e depois apedrejou também os seus, e os queimou no fogo.
  21. Sobre Acã ergueram um grande monte de pedras, que existe até hoje. Então o Senhor se afastou do fogo da sua ira. Por isso foi dado àquele lugar o nome de vale de Acor, nome que permanece até hoje.
  22. Então Josué e todo o exército se prepararam para atacar a cidade de Ai.
  23. Ele escolheu trinta mil dos seus melhores homens de guerra e os enviou de noite com a seguinte ordem: “Atenção! Preparem uma emboscada atrás da cidade, e não se afastem muito dela. Fiquem todos alerta.”
  24. Eu e todos os que estiverem comigo nos aproximaremos da cidade. Quando os homens nos atacarem como fizeram antes, fugiremos deles.”
  25. “Eles nos perseguirão até que os tenhamos atraído para longe da cidade, pois dirão: Estão fugindo de nós como fizeram antes.
  26. “Quando estivermos fugindo, vocês sairão da emboscada e tomarão a cidade. O Senhor, o seu Deus, a entregará em suas mãos.”
  27. “Depois que tomarem a cidade, vocês a incendiarão. Façam o que o Senhor ordenou. Atentem bem para as minhas instruções”.
  28. Então Josué os enviou. Eles foram ficar de emboscada, entre Betel e Ai, a oeste de Ai. Josué, porém, passou aquela noite com o povo.
  29. Na manhã seguinte Josué passou em revista os homens, e ele e os líderes de Israel partiram à frente deles para atacar a cidade.
  30. Todos os homens de guerra que estavam com ele avançaram, aproximaram-se da cidade pela frente e armaram acampamento ao norte de Ai, onde o vale os separava da cidade.
  31. Josué pôs de emboscada cerca de cinco mil homens entre Betel e Ai, a oeste da cidade.
  32. Os que estavam no acampamento ao norte da cidade, e os que estavam na emboscada a oeste, tomaram posição. Naquela noite Josué foi ao vale.
  33. Quando o rei de Ai viu isso, ele e todos os homens da cidade se apressaram, levantaram-se logo cedo e saíram para enfrentar Israel no campo de batalha, no local de onde se avista a Arabá.
  34. Ele não sabia da emboscada armada contra ele atrás da cidade.
  35. Josué e todo o Israel deixaram-se perseguir por eles e fugiram para o deserto.
  36. Todos os homens de Ai foram chamados para persegui-los. Eles perseguiram Josué e foram atraídos para longe da cidade.
  37. Nem um só homem ficou em Ai e em Betel; todos foram atrás de Israel. Deixaram a cidade aberta e saíram em perseguição de Israel.
  38. Josué estendeu a lança na direção de Ai, e assim que o fez, os homens da emboscada saíram correndo da sua posição, entraram na cidade, tomaram-na e depressa a incendiaram.
  39. Quando os homens de Ai olharam para trás e viram a fumaça da cidade subindo ao céu, não tinham para onde escapar, pois os israelitas que fugiam para o deserto se voltaram contra os seus perseguidores.
  40. Vendo Josué e todo o Israel que os homens da emboscada tinham tomado a cidade e que desta subia fumaça, deram meia-volta e atacaram os homens de Ai.
  41. Os outros israelitas também saíram da cidade para lutar contra eles, de modo que foram cercados, tendo os israelitas dos dois lados.
  42. Então os israelitas os mataram, sem deixar sobreviventes nem fugitivos, mas prenderam vivo o rei de Ai e o levaram a Josué.
  43. Israel terminou de matar os habitantes de Ai no campo e no deserto, onde os tinha perseguido; eles morreram ao fio da espada.
  44. Depois disso, todos os israelitas voltaram à cidade de Ai e mataram os que lá haviam ficado.
  45. Doze mil homens e mulheres caíram mortos naquele dia. Era toda a população de Ai.
  46. Pois Josué não recuou a lança até exterminar todos os habitantes de Ai.
  47. Mas Israel se apossou dos animais e dos despojos daquela cidade, conforme a ordem que o Senhor tinha dado a Josué.
  48. Assim Josué incendiou Ai e fez dela um perpétuo monte de ruínas, um lugar abandonado até hoje.
  49. Enforcou o rei de Ai numa árvore e ali o deixou até à tarde. Ao pôr-do-sol Josué ordenou que tirassem o corpo da árvore e que o atirassem à entrada da cidade.
  50. E sobre ele ergueram um grande monte de pedras, que perdura até hoje.
  51. Então Josué construiu no monte Ebal um altar ao Senhor, ao Deus de Israel, conforme Moisés, servo do Senhor, tinha ordenado aos israelitas.
  52. Ele o construiu de acordo com o que está escrito no Livro da Lei de Moisés: um altar de pedras não lavradas, nas quais não se usou ferramenta de ferro.
  53. Sobre ele ofereceram ao Senhor holocaustos e sacrifícios de comunhão.
  54. Ali, na presença dos israelitas, Josué copiou nas pedras a Lei que Moisés havia escrito.
  55. Todo o Israel, estrangeiros e naturais da terra, com os seus líderes, os seus oficiais e os seus juízes, estavam de pé dos dois lados da arca da aliança do Senhor, diante dos sacerdotes levitas, que a carregavam.
  56. Metade do povo estava de pé, defronte do monte Gerizim, e metade, defronte do monte Ebal. Tudo conforme Moisés, servo do Senhor, tinha ordenado anteriormente, para que o povo de Israel fosse abençoado.
  57. Em seguida Josué leu todas as palavras da lei, a bênção e a maldição, segundo o que está escrito no Livro da Lei.
  58. Não houve uma só palavra de tudo o que Moisés tinha ordenado que Josué não lesse para toda a assembleia de Israel, inclusive mulheres, crianças, e os estrangeiros que viviam no meio deles.

Capítulo 4 – Gibeom

  1. E souberam disso todos os reis que viviam a oeste do Jordão, nas montanhas, na Sefelá e em todo o litoral do mar Grande até o Líbano. Eram os reis dos hititas, dos amorreus, dos cananeus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus.
  2. Eles se ajuntaram para guerrear contra Josué, contra Israel.
  3. Contudo, quando os habitantes de Gibeom souberam o que Josué tinha feito com Jericó e Ai, recorreram a um ardil.
  4. Enviaram uma delegação, com jumentos carregados de sacos gastos e vasilhas de couro velhas, rachadas e remendadas.
  5. Os homens calçavam sandálias gastas e remendadas e vestiam roupas velhas. Todos os pães do suprimento deles estavam secos e esmigalhados.
  6. Foram a Josué, ao acampamento de Gilgal, e disseram a ele e aos homens de Israel: “Viemos de uma terra distante. Queremos que façam um acordo conosco”.
  7. Os israelitas disseram aos heveus: “Talvez vocês vivam perto de nós. Como poderemos fazer um acordo com vocês? “
  8. “Somos seus servos”, disseram a Josué. Josué, porém, perguntou: “Quem são vocês? De onde vocês vêm? “
  9. Ele responderam: “Seus servos vieram de uma terra muito distante por causa da fama do Senhor, do seu Deus.”
  10. “Ouvimos falar dele, de tudo o que fez no Egito, e de tudo o que fez aos dois reis dos amorreus a leste do Jordão: Seom, rei de Hesbom, e Ogue, rei de Basã, que reinava em Asterote.”
  11. “E os nossos líderes e todos os habitantes de nossa terra nos disseram: Juntem provisões para a viagem, vão encontrar-se com eles e digam-lhes: Somos seus servos, façam um acordo conosco.”
  12. “Este nosso pão estava quente quando o embrulhamos em casa no dia em que saímos de viagem para cá. Mas vejam como agora está seco e esmigalhado.”
  13. “Estas vasilhas de couro que enchemos de vinho eram novas, mas agora estão rachadas. E as nossas roupas e sandálias estão gastas por causa da longa viagem”.
  14. Os israelitas examinaram as provisões dos heveus, mas não consultaram o Senhor.
  15. Então Josué fez um acordo de paz com eles, garantindo poupar-lhes a vida, e os líderes da comunidade o ratificaram com juramento.
  16. Três dias depois de fazerem o acordo com os gibeonitas, os israelitas souberam que eram vizinhos e que viviam perto deles.
  17. Por isso partiram de viagem, e três dias depois chegaram às cidades dos heveus, que eram Gibeom, Quefira, Beerote e Quiriate-Jearim.
  18. Mas não os atacaram, porque os líderes da comunidade lhes haviam feito um juramento em nome do Senhor, o Deus de Israel.
  19. Toda a comunidade, porém, queixou-se contra os líderes, que lhes responderam: “Fizemos a eles o nosso juramento em nome do Senhor, o Deus de Israel; por isso não podemos tocar neles.
  20. Todavia, nós os trataremos assim: Vamos deixá-los viver, para que não caia sobre nós a ira divina por quebrarmos o juramento que lhes fizemos”.
  21. E acrescentaram: “Eles ficarão vivos, mas serão lenhadores e carregadores de água para toda a comunidade”. E assim se manteve a promessa dos líderes.
  22. Então Josué convocou os gibeonitas e disse: “Por que vocês nos enganaram dizendo que viviam muito longe de nós, quando na verdade vivem perto?”
  23. Agora vocês estão debaixo de maldição: Nunca deixarão de ser escravos, rachando lenha e carregando água para a casa do meu Deus”.
  24. Eles responderam a Josué: “Os seus servos ficaram sabendo como o Senhor, o seu Deus, ordenou que o seu servo Moisés lhes desse toda esta terra e que destruísse todos os seus habitantes da presença de vocês.”
  25. “Tivemos medo do que poderia acontecer conosco por causa de vocês. Por isso agimos assim.”
  26. “Estamos agora nas suas mãos. Faça conosco o que lhe parecer bom e justo”.
  27. Josué então os protegeu e não permitiu que os matassem.
  28. Mas naquele dia fez dos gibeonitas lenhadores e carregadores de água para a comunidade e para o altar do Senhor, no local que o Senhor escolhesse. É o que eles são até hoje.

Capítulo 5 – Conquistas

  1. Sucedeu que Adoni-Zedeque, rei de Jerusalém, soube que Josué tinha conquistado Ai e a tinha destruído totalmente, fazendo com Ai e seu rei o que fizera com Jericó e seu rei, e que o povo de Gibeom tinha feito a paz com Israel e estava vivendo no meio deles.
  2. Ele e o seu povo ficaram com muito medo, pois Gibeom era tão importante como uma cidade governada por um rei; era maior do que Ai, e todos os seus homens eram bons guerreiros.
  3. Por isso Adoni-Zedeque, rei de Jerusalém, fez o seguinte apelo a Hoão, rei de Hebrom, a Piram, rei de Jarmute, a Jafia, rei de Láquis, e a Debir, rei de Eglom: “Venham para cá e ajudem-me a atacar Gibeom, pois ela fez a paz com Josué e com os israelitas”.
  4. Então os cinco reis dos amorreus, os reis de Jerusalém, de Hebrom, de Jarmute, de Láquis e de Eglom reuniram-se e vieram com todos os seus exércitos. Cercaram Gibeom e a atacaram.
  5. Os gibeonitas enviaram esta mensagem a Josué, ao acampamento de Gilgal: “Não abandone os seus servos. Venha depressa! Salve-nos! Ajude-nos, pois todos os reis amorreus que vivem nas montanhas se uniram contra nós! “
  6. Josué partiu de Gilgal com todo o seu exército, inclusive com os seus melhores guerreiros.
  7. Depois de uma noite inteira de marcha desde Gilgal, Josué os apanhou de surpresa.
  8. O Senhor os lançou em confusão diante de Israel, que lhes impôs grande derrota em Gibeom. Os israelitas os perseguiram na subida para Bete-Horom e os mataram por todo o caminho, até Azeca e Maquedá.
  9. Enquanto fugiam de Israel na descida de Bete-Horom para Azeca, do céu o Senhor lançou sobre eles grandes pedras de granizo, que mataram mais gente do que as espadas dos israelitas.
  10. No dia em que o Senhor entregou os amorreus aos israelitas, Josué exclamou ao Senhor, na presença de Israel: “Sol, pare sobre Gibeom! E você, ó lua, sobre o vale de Aijalom!”
  11. O sol parou, e a lua se deteve, até a nação vingar-se dos seus inimigos, como está escrito no Livro de Jasar. O sol parou no meio do céu e por quase um dia inteiro não se pôs.
  12. Nunca antes nem depois houve um dia como aquele, quando o Senhor atendeu a um homem. Sem dúvida o Senhor lutava por Israel!
  13. Então Josué voltou com todo o Israel ao acampamento de Gilgal.
  14. Os cinco reis fugiram e se esconderam na caverna de Maquedá.
  15. Avisaram a Josué que eles tinham sido achados numa caverna em Maquedá.
  16. Disse ele: “Rolem grandes pedras até a entrada da caverna, e deixem ali alguns homens de guarda.
  17. Mas não se detenham! Persigam os inimigos. Ataquem-nos pela retaguarda e não os deixem chegar às suas cidades, pois o Senhor, o seu Deus, os entregou em suas mãos”.
  18. Assim Josué e os israelitas os derrotaram por completo, quase exterminando-os. Mas alguns conseguiram escapar e refugiaram-se em suas cidades fortificadas.
  19. O exército inteiro voltou então em segurança a Josué, ao acampamento de Maquedá, e depois disso, ninguém mais ousou abrir a boca para provocar os israelitas.
  20. Então disse Josué: “Abram a entrada da caverna e tragam-me aqueles cinco reis”.
  21. Os cinco reis foram tirados da caverna. Eram os reis de Jerusalém, de Hebrom, de Jarmute, de Láquis e de Eglom.
  22. Quando os levaram a Josué, ele convocou todos os homens de Israel e disse aos comandantes do exército que o tinham acompanhado: “Venham aqui e ponham o pé no pescoço destes reis”. E eles obedeceram.
  23. Disse-lhes Josué: “Não tenham medo! Não se desanimem! Sejam fortes e corajosos! É isso que o Senhor fará com todos os inimigos que vocês tiverem que combater”.
  24. Depois Josué matou os reis e mandou pendurá-los em cinco árvores, onde ficaram até à tarde.
  25. Ao pôr-do-sol, sob as ordens de Josué, eles foram tirados das árvores e jogados na caverna onde haviam se escondido. Na entrada da caverna colocaram grandes pedras, que lá estão até hoje.
  26. Naquele dia Josué tomou Maquedá. Atacou a cidade e matou o seu rei à espada e exterminou todos os que nela viviam, sem deixar sobreviventes. E fez com o rei de Maquedá o que tinha feito com o rei de Jericó.
  27. Então Josué, e todo o Israel com ele, avançou de Maquedá para Libna e a atacou.
  28. O Senhor entregou também aquela cidade e seu rei nas mãos dos israelitas. Josué atacou a cidade e matou à espada todos os que nela viviam, sem deixar nenhum sobrevivente ali.
  29. E fez com o seu rei o que fizera com o rei de Jericó.
  30. Depois Josué, e todo o Israel com ele, avançou de Libna para Láquis, cercou-a e a atacou.
  31. O Senhor entregou Láquis nas mãos dos israelitas, e Josué tomou-a no dia seguinte. Atacou a cidade e matou à espada todos os que nela viviam, como tinha feito com Libna.
  32. Nesse meio tempo Horão, rei de Gezer, fora socorrer Láquis, mas Josué o derrotou, a ele e ao seu exército, sem deixar sobrevivente algum.
  33. Josué, e todo o Israel com ele, avançou de Láquis para Eglom, cercou-a e a atacou.
  34. Eles a conquistaram naquele mesmo dia, feriram-na à espada e exterminaram os que nela viviam, como tinham feito com Láquis.
  35. Então Josué, e todo o Israel com ele, foi de Eglom para Hebrom e a atacou.
  36. Tomaram a cidade e a feriram à espada, como também o seu rei, os seus povoados e todos os que nela viviam, sem deixar sobrevivente algum.
  37. Destruíram totalmente a cidade e todos os que nela viviam, como tinham feito com Eglom.
  38. Depois Josué, e todo o Israel com ele, voltou e atacou Debir.
  39. Tomaram a cidade, seu rei e seus povoados, e os mataram à espada. Exterminaram os que nela viviam, sem deixar sobrevivente algum. Fizeram com Debir e seu rei o que tinham feito com Libna e seu rei e com Hebrom.
  40. Assim Josué conquistou a região toda, incluindo a serra central, o Neguebe, as encostas e as vertentes, e derrotou todos os seus reis, sem deixar sobrevivente algum.
  41. Exterminou tudo o que respirava, conforme o Senhor, o Deus de Israel, tinha ordenado.
  42. Josué os derrotou desde Cades-Barnéia até Gaza, e toda a região de Gósen, e de lá até Gibeom.
  43. Também subjugou todos esses reis e conquistou suas terras numa única campanha, pois o Senhor, o Deus de Israel, lutou por Israel.
  44. Então Josué retornou com todo o Israel ao acampamento de Gilgal.

Capítulo 6 – Hazor

  1. Quando Jabim, rei de Hazor, soube disso, enviou mensagem a Jobabe, rei de Madom, aos reis de Sinrom e Acsafe,
  2. Também aos reis do norte que viviam nas montanhas, na Arabá ao sul de Quinerete, na Sefelá e em Nafote-Dor, a oeste; aos cananeus a leste e a oeste; aos amorreus, aos hititas, aos ferezeus e aos jebuseus das montanhas; e aos heveus do sopé do Hermom, na região de Mispá.
  3. Saíram com todas as suas tropas, um exército imenso, tão numeroso como a areia da praia, além de um grande número de cavalos e carros.
  4. Todos esses reis se uniram e acamparam junto às águas de Merom, para lutar contra Israel.
  5. Josué e todo o seu exército os surpreenderam junto às águas de Merom e os atacaram, e o Senhor os entregou nas mãos de Israel, que os derrotou e os perseguiu até Sidom, a grande, até Misrefote-Maim e até o vale de Mispá, a leste. Eles os mataram sem deixar sobrevivente algum.
  6. Josué os tratou como o Senhor lhe tinha ordenado. Cortou os tendões dos seus cavalos e queimou os seus carros.
  7. Na mesma ocasião Josué voltou, conquistou Hazor e matou o seu rei à espada. Hazor tinha sido a capital de todos esses reinos.
  8. Matou à espada todos os que nela estavam. Exterminou-os totalmente, sem poupar nada que respirasse, e incendiou Hazor.
  9. Josué conquistou todas essas cidades e matou à espada os reis que as governavam. Destruiu-as totalmente, como Moisés, servo do Senhor, tinha ordenado.
  10. Contudo, Israel não incendiou nenhuma das cidades construídas nas colinas, com exceção de Hazor, que Josué incendiou.
  11. Os israelitas tomaram posse de todos os despojos e dos animais dessas cidades, mas mataram todo o povo à espada, até exterminá-lo completamente, sem poupar ninguém.
  12. Tudo o que o Senhor tinha ordenado a seu servo Moisés, Moisés ordenou a Josué, e Josué obedeceu, sem deixar de cumprir nada de tudo o que o Senhor tinha ordenado a Moisés.
  13. Assim Josué conquistou toda aquela terra: a serra central, todo o Neguebe, toda a região de Gósen, a Sefelá, a Arabá e os montes de Israel e suas planícies,
  14. desde o monte Halaque, que se ergue na direção de Seir, até Baal-Gade, no vale do Líbano, no sopé do monte Hermom. Ele capturou todos os seus reis e os matou.
  15. Josué guerreou contra todos esses reis por muito tempo.
  16. Com exceção dos heveus que viviam em Gibeom, nenhuma cidade fez a paz com os israelitas, que a todas conquistou em combate.
  17. Pois foi o próprio Senhor que endureceu os seus corações para guerrearem contra Israel, para que ele os destruísse totalmente, exterminando-os sem misericórdia, como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
  18. Naquela ocasião Josué exterminou os enaquins dos montes de Hebrom, de Debir e de Anabe, de todos os montes de Judá, e de Israel. Josué destruiu-os totalmente, e também as suas cidades.
  19. Nenhum enaquim foi deixado vivo no território israelita; somente em Gaza, em Gate e em Asdode é que alguns sobreviveram.
  20. Foi assim que Josué conquistou toda a terra, conforme o Senhor tinha dito a Moisés, e deu-a por herança a Israel, repartindo-a entre as suas tribos. E a terra teve descanso da guerra.
  21. São estes os reis que os israelitas derrotaram, e de cujo território se apossaram a leste do Jordão, desde o ribeiro do Arnom até o monte Hermom, inclusive todo o lado leste da Arabá: Seom, rei dos amorreus, que reinou em Hesbom.
  22. Governou desde Aroer, na borda do ribeiro do Arnom, desde o meio do ribeiro, até o rio Jaboque, que é a fronteira dos amonitas. Esse território incluía a metade de Gileade.
  23. Também governou a Arabá oriental, desde o mar de Quinerete até o mar da Arabá, o mar Salgado, até Bete-Jesimote, e mais ao sul, ao pé das encostas do Pisga.
  24. Tomaram o território de Ogue, rei de Basã, um dos últimos refains, que reinou em Asterote e Edrei.
  25. Ele governou o monte Hermom, Salcá, toda a Basã, até a fronteira do povo de Gesur e de Maaca, e metade de Gileade, até a fronteira de Seom, rei de Hesbom.
  26. Moisés, servo do Senhor, e os israelitas os derrotaram. E Moisés, servo do Senhor, deu a terra deles como propriedade às tribos de Rúben, de Gade e à metade da tribo de Manassés.
  27. São estes os reis que Josué e os israelitas derrotaram no lado ocidental do Jordão, desde Baal-Gade, no vale do Líbano, até o monte Halaque, que se ergue na direção de Seir.
  28. Josué deu a terra deles por herança às tribos de Israel, repartindo-a entre elas — a serra central, a Sefelá, a Arabá, as encostas das montanhas, o deserto e o Neguebe — as terras dos hititas, dos amorreus, dos cananeus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus:
  29. o rei de Jericó, o rei de Ai, próxima a Betel,
  30. o rei de Jerusalém, o rei de Hebrom,
  31. o rei de Jarmute, o rei de Láquis,
  32. o rei de Eglom, o rei de Gezer,
  33. o rei de Debir, o rei de Geder,
  34. o rei de Hormá, o rei de Arade,
  35. o rei de Libna, o rei de Adulão,
  36. o rei de Maquedá, o rei de Betel,
  37. o rei de Tapua, o rei de Héfer,
  38. o rei de Afeque, o rei de Lasarom,
  39. o rei de Madom, o rei de Hazor,
  40. o rei de Sinrom-Merom, o rei de Acsafe,
  41. o rei de Taanaque, o rei de Megido,
  42. o rei de Quedes, o rei de Jocneão do Carmelo,
  43. o rei de Dor em Nafote-Dor, o rei de Goim de Gilgal,
  44. e o rei de Tirza.
  45. Trinta e um reis ao todo.
  46. Sendo Josué já velho, de idade bastante avançada, o Senhor lhe disse: “Você já está velho, e ainda há muita terra para ser conquistada.”
  47. “Todos os habitantes das montanhas, desde o Líbano até Misrefote-Maim, isto é, todos os sidônios; eu mesmo os expulsarei da presença dos israelitas.
  48. “Você, porém, distribuirá esta terra a Israel por herança, como lhe ordenei, repartindo-a agora entre as nove tribos e a metade da tribo de Manassés”.
  49. “Pois a outra metade da tribo de Manassés, as tribos de Rúben e de Gade já receberam a herança a leste do Jordão, conforme Moisés, servo do Senhor, lhes tinha designado.”

Capítulo 6 – Morte de Josué

  1. Passado muito tempo, depois que o Senhor concedeu a Israel descanso de todos os inimigos ao redor, Josué, agora velho, de idade muito avançada,
  2. convocou todo o Israel, com as autoridades, os líderes, os juízes e os oficiais, e lhes disse: “Estou velho, com idade muito avançada.”
  3. “Vocês mesmos viram tudo o que o Senhor, o seu Deus, fez com todas essas nações por amor a vocês; foi o Senhor, o seu Deus, que lutou por vocês.”
  4. “Lembrem-se de que eu reparti por herança para as tribos de vocês toda a terra das nações, tanto as que ainda restam como as que conquistei entre o Jordão e o mar Grande, a oeste.”
  5. “O Senhor, o seu Deus, as expulsará da presença de vocês. Ele as empurrará de diante de vocês, e vocês se apossarão da terra delas, como o Senhor lhes prometeu.”
  6. “Façam todo o esforço para obedecer e cumprir tudo o que está escrito no Livro da Lei de Moisés, sem se desviar, nem para a direita nem para a esquerda.”
  7. “Não se associem com essas nações que restam no meio de vocês. Não invoquem os nomes dos seus deuses nem jurem por eles. Não lhes prestem culto nem se inclinem perante eles.”
  8. “Mas apeguem-se somente ao Senhor, ao seu Deus, como fizeram até hoje.”
  9. “O Senhor expulsou de diante de vocês nações grandes e poderosas; até hoje ninguém conseguiu resistir a vocês.”
  10. “Um só de vocês faz fugir mil, pois o Senhor, o seu Deus, luta por vocês, conforme prometeu.”
  11. “Por isso dediquem-se com zelo a amar o Senhor, o seu Deus.”
  12. “Se, todavia, vocês se afastarem e se aliarem aos sobreviventes dessas nações que restam no meio de vocês, e se casarem com eles e se associarem com eles, estejam certos de que o Senhor, o seu Deus, já não expulsará essas nações de diante de vocês.
  13. “Ao contrário, elas se tornarão armadilhas e laços para vocês, chicote em suas costas e espinhos em seus olhos, até que vocês desapareçam desta boa terra que o Senhor, o seu Deus, deu a vocês.”
  14. “Agora estou prestes a ir pelo caminho de toda a terra. Vocês sabem, lá no fundo do coração e da alma, que nenhuma das boas promessas que o Senhor, o seu Deus, lhes fez deixou de cumprir-se. Todas se cumpriram; nenhuma delas falhou.”
  15. “Mas, assim como cada uma das boas promessas do Senhor, do seu Deus, se cumpriu, também o Senhor fará cumprir-se em vocês todo o mal com que os ameaçou, até eliminá-los desta boa terra que lhes deu.”
  16. “Se vocês violarem a aliança que o Senhor, o seu Deus, lhes ordenou, e passarem a cultuar outros deuses e a inclinar-se diante deles, a ira do Senhor se acenderá contra vocês, e vocês logo desaparecerão da boa terra que ele lhes deu”.
  17. Então Josué reuniu todas as tribos de Israel em Siquém. Convocou as autoridades, os líderes, os juízes e os oficiais de Israel, e eles compareceram diante de Deus.
  18. Josué disse a todo o povo: “Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Há muito tempo, os seus antepassados, inclusive Terá, pai de Abraão e de Naor, viviam além do Eufrates e prestavam culto a outros deuses.”
  19. “Mas eu tirei seu pai Abraão da terra dalém do Eufrates e o conduzi por toda a Canaã e lhe dei muitos descendentes. Dei-lhe Isaque.
  20. “E a Isaque dei Jacó e Esaú. A Esaú dei os montes de Seir, mas Jacó e seus filhos desceram para o Egito.”
  21. “Então enviei Moisés e Arão e feri os egípcios com pragas, com as quais os castiguei, e depois tirei vocês de lá.”
  22. “Quando tirei os seus antepassados do Egito, vocês vieram para o mar, e os egípcios os perseguiram com carros de guerra e cavaleiros até o mar Vermelho.”
  23. “Mas os seus antepassados clamaram a mim, e eu coloquei trevas entre vocês e os egípcios; fiz voltar o mar sobre eles e os encobrir.”
  24. “Vocês viram com os seus próprios olhos o que eu fiz com os egípcios. Depois disso vocês viveram no deserto longo tempo.”
  25. “Eu os trouxe para a terra dos amorreus que viviam a leste do Jordão. Eles lutaram contra vocês, mas eu os entreguei nas suas mãos. Eu os destruí diante de vocês, e vocês se apossaram da terra deles.”
  26. Quando Balaque, rei de Moabe, filho de Zipor, se preparava para lutar contra Israel, mandou buscar Balaão, filho de Beor, para lançar maldição sobre vocês.”
  27. “Mas eu não quis ouvir Balaão, de modo que ele os abençoou vez após vez, e eu os livrei das mãos dele.”
  28. “Depois vocês atravessaram o Jordão e chegaram a Jericó. Os chefes de Jericó lutaram contra vocês, assim como os amorreus, os ferezeus, os cananeus, os hititas, os girgaseus, os heveus e os jebuseus, mas eu os entreguei nas mãos de vocês.”
  29. “Eu lhes causei pânico para expulsá-los de diante de vocês, como fiz aos dois reis amorreus. Não foi a espada e o arco que lhes deram a vitória.”
  30. “Foi assim que lhes dei uma terra que vocês não cultivaram e cidades que vocês não construíram. Nelas vocês moram, e comem de vinhas e olivais que não plantaram.”
  31. “Agora temam o Senhor e sirvam-no com integridade e fidelidade. Joguem fora os deuses que os seus antepassados adoraram além do Eufrates e no Egito, e sirvam ao Senhor.”
  32. Se, porém, não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha família serviremos ao Senhor”.
  33. Então o povo respondeu: “Longe de nós abandonar o Senhor para servir outros deuses!”
  34. “Foi o próprio Senhor, o nosso Deus, que nos tirou, a nós e a nossos pais, do Egito, daquela terra de escravidão, e realizou aquelas grandes maravilhas diante dos nossos olhos.
  35. “Ele nos protegeu no caminho e entre as nações pelas quais passamos.”
  36. “Além disso, o Senhor expulsou de diante de nós todas as nações, inclusive os amorreus, que viviam nesta terra. Nós também serviremos ao Senhor, porque ele é o nosso Deus”.
  37. Josué disse ao povo: “Vocês não têm condições de servir ao Senhor. Ele é Deus santo! É Deus zeloso! Ele não perdoará a rebelião e o pecado de vocês.”
  38. “Se abandonarem o Senhor e servirem a deuses estrangeiros, ele se voltará contra vocês e os castigará. Mesmo depois de ter sido bondoso com vocês, ele os exterminará”.
  39. O povo, porém, respondeu a Josué: “De maneira nenhuma! Nós serviremos ao Senhor”.
  40. Disse então Josué: “Vocês são testemunhas contra vocês mesmos de que escolheram servir ao Senhor”. “Somos”, responderam eles.
  41. Disse Josué: “Agora, então, joguem fora os deuses estrangeiros que estão com vocês e voltem-se de coração para o Senhor, o Deus de Israel”.
  42. E o povo disse a Josué: “Serviremos ao Senhor nosso Deus e lhe obedeceremos”.
  43. Naquele dia Josué firmou um acordo com o povo em Siquém, e lhe deu decretos e leis.
  44. Josué registrou essas coisas no Livro da Lei de Deus. Depois ergueu uma grande pedra ali, sob a Grande Árvore, perto do santuário do Senhor.
  45. Então disse ele a todo o povo: “Vejam esta pedra! Ela será uma testemunha contra nós, pois ouviu todas as palavras que o Senhor nos disse. Será uma testemunha contra vocês, caso sejam infiéis ao Deus de vocês”.
  46. Depois Josué despediu o povo, e cada um foi para a sua propriedade.
  47. Passado algum tempo, Josué, filho de Num, servo do Senhor, morreu. Tinha cento e dez anos de idade.
  48. E o sepultaram na terra que recebeu por herança, em Timnate-Sera, nos montes de Efraim, ao norte do monte Gaás.
  49. Israel serviu ao Senhor durante toda a vida de Josué e dos líderes que sobreviveram depois dele e que sabiam de tudo o que o Senhor fizera em favor de Israel.
  50. Os ossos de José, que os israelitas haviam trazido do Egito, foram enterrados em Siquém, no quinhão de terra que Jacó havia comprado dos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem peças de prata.
  51. Aquele terreno tornou-se herança dos descendentes de José.
  52. Sucedeu também que Eleazar, filho de Arão, morreu e foi sepultado em Gibeá, que fora dada a seu filho Finéias, nos montes de Efraim.

Capítulo 7 – Juízes

  1. Depois da morte de Josué, os israelitas perguntaram ao Senhor: “Quem de nós será o primeiro a atacar os cananeus? “
  2. O Senhor respondeu: “Judá será o primeiro; eu entreguei a terra em suas mãos”.
  3. Então os homens de Judá disseram aos seus irmãos de Simeão: “Venham conosco ao território que nos foi designado por sorteio, e lutemos contra os cananeus.” E os homens de Simeão foram com eles.
  4. Quando os homens de Judá atacaram, o Senhor entregou os cananeus e os ferezeus nas mãos deles, e eles mataram dez mil homens em Bezeque.
  5. Foi lá que encontraram Adoni-Bezeque, lutaram contra ele e derrotaram os cananeus e os ferezeus.
  6. Adoni-Bezeque fugiu, mas eles o perseguiram e o prenderam, e lhe cortaram os polegares das mãos e dos pés.
  7. Então Adoni-Bezeque disse: “Setenta reis com os polegares das mãos e dos pés cortados apanhavam migalhas debaixo da minha mesa.” Agora Deus me retribuiu por aquilo que lhes fiz”. Eles o levaram para Jerusalém, onde morreu.
  8. Os homens de Judá atacaram também Jerusalém e a conquistaram. Mataram seus habitantes ao fio da espada e a incendiaram.
  9. Depois disso eles desceram para lutar contra os cananeus que viviam na serra, no Neguebe e na Sefelá.
  10. Avançaram contra os cananeus que viviam em Hebrom, anteriormente chamada Quiriate-Arba, e derrotaram Sesai, Aimã e Talmai.
  11. Dali avançaram contra o povo que morava em Debir, anteriormente chamada Quiriate-Sefer. E disse Calebe: “Darei minha filha Acsa em casamento ao homem que atacar e conquistar Quiriate-Sefer”.
  12. Otoniel, filho de Quenaz, irmão mais novo de Calebe, conquistou a cidade; por isso Calebe lhe deu sua filha Acsa por mulher.
  13. Um dia, quando já vivia com Otoniel, ela o persuadiu a pedir um campo ao pai dela. Assim que ela desceu do jumento, Calebe lhe perguntou: “O que você quer? “
  14. Ela respondeu: “Dê-me um presente. Já que o senhor me deu terras no Neguebe, dê-me também fontes de água”. Assim Calebe lhe deu as fontes superiores e as inferiores.
  15. Os descendentes do sogro de Moisés, o queneu, saíram da Cidade das Palmeiras com os homens de Judá e passaram a viver entre o povo do deserto de Judá, no Neguebe, perto de Arade.
  16. Depois os homens de Judá foram com seus irmãos de Simeão e derrotaram os cananeus que viviam em Zefate, e destruíram totalmente a cidade. Por essa razão ela foi chamada Hormá.
  17. Os homens de Judá também conquistaram Gaza, Ascalom e Ecrom, com os seus territórios.
  18. O Senhor estava com os homens de Judá. Eles ocuparam a serra central, mas não conseguiram expulsar os habitantes dos vales, pois estes possuíam carros de guerra feitos de ferro.
  19. Conforme Moisés havia prometido, Hebrom foi dada a Calebe, que expulsou de lá os três filhos de Enaque.
  20. Já os benjamitas deixaram de expulsar os jebuseus que estavam morando em Jerusalém; e os jebuseus vivem ali com os benjamitas até o dia de hoje.
  21. Os homens das tribos de José, por sua vez, atacaram Betel, e o Senhor estava com eles.
  22. Eles enviaram espias a Betel, anteriormente chamada Luz. e, quando os espias viram um homem saindo da cidade disseram-lhe: “Mostre-nos como entrar na cidade, e nós lhe pouparemos a vida”.
  23. Ele mostrou como entrar, e eles mataram os habitantes da cidade ao fio da espada, mas pouparam o homem e toda a sua família, que foi, então, para a terra dos hititas, onde fundou a cidade com o nome de Luz.
  24. Manassés, porém, não expulsou o povo de Bete-Seã nem o de Taanaque nem o de Dor nem o de Ibleã nem o de Megido, nem tampouco o dos povoados ao redor dessas cidades, pois os cananeus estavam decididos a permanecer naquela terra.
  25. Efraim também não expulsou os cananeus que viviam em Gezer, mas os cananeus continuaram a viver entre eles.
  26. Nem Zebulom expulsou os cananeus que viviam em Quitrom e em Naalol, mas estes permaneceram entre eles, e foram submetidos a trabalhos forçados.
  27. Nem Aser expulsou os que viviam em Aco, Sidom, Alabe, Aczibe, Helba, Afeque e Reobe, e, por esse motivo, o povo de Aser vivia entre os cananeus que habitavam naquela terra.
  28. Nem Naftali expulsou os que viviam em Bete-Semes e em Bete-Anate; mas o povo de Naftali também vivia entre os cananeus que habitavam a terra, e aqueles que viviam em Bete-Semes e em Bete-Anate passaram a fazer trabalhos forçados para eles.
  29. Os amorreus confinaram a tribo de Dã à serra central, não permitindo que descessem ao vale.
  30. E os amorreus igualmente estavam decididos a resistir no monte Heres, em Aijalom e em Saalbim, mas, quando as tribos de José ficaram mais poderosas, os submeteram também a trabalhos forçados.
  31. A fronteira dos amorreus ia da subida de Acrabim até Selá, e mais adiante.
  32. O anjo do Senhor subiu de Gilgal a Boquim e disse: “Eu tirei vocês do Egito e os trouxe a terra que prometi aos seus antepassados.”
  33. “Eu disse que jamais quebrarei a minha aliança com vocês enquanto vocês não fariam acordo com o povo desta terra e demoliriam os altares deles. Por quê vocês não me obedeceram?”
  34. “Eles serão seus adversários, e os deuses deles serão uma armadilha para vocês”.
  35. Quando o anjo do Senhor acabou de falar a todos os israelitas, o povo chorou em alta voz, e ao lugar chamaram Boquim. Ali ofereceram sacrifícios ao Senhor.
  36. Depois que Josué despediu os israelitas, eles saíram para ocupar a terra, cada um a sua herança.
  37. O povo prestou culto ao Senhor durante toda a vida de Josué e dos líderes que continuaram vivos depois de Josué e que tinham visto todos os grandes feitos que o Senhor realizara em favor de Israel.
  38. Depois que toda aquela geração foi reunida a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o Senhor e o que ele havia feito por Israel.
  39. Então os israelitas fizeram o que o Senhor reprova e prestaram culto aos baalins.
  40. Eles abandonaram o Senhor, o Deus dos seus antepassados, que os havia tirado do Egito, e seguiram e adoraram vários deuses dos povos ao seu redor, provocando a ira do Senhor.
  41. Abandonaram o Senhor e prestaram culto a Baal e aos postes sagrados.
  42. A ira do Senhor se acendeu contra Israel, e ele os entregou nas mãos de invasores que os saquearam. Ele os entregou aos inimigos ao seu redor, aos quais já não conseguiam resistir.
  43. Sempre que os israelitas saíam para a batalha, a mão do Senhor era contra eles para derrotá-los, conforme lhes havia advertido e jurado. Grande angústia os dominava.
  44. Então o Senhor levantou juízes, que os libertaram das mãos daqueles que os atacavam.
  45. Mesmo assim eles não quiseram ouvir os juízes, antes se prostituíram com outros deuses e os adoraram.
  46. Ao contrário dos seus antepassados, logo se desviaram do caminho pelo qual os seus antepassados tinham andado, o caminho da obediência aos mandamentos do Senhor.
  47. Sempre que o Senhor lhes levantava um juiz, ele estava com o juiz e os salvava das mãos de seus inimigos enquanto o juiz vivia; pois o Senhor tinha misericórdia por causa dos gemidos deles diante daqueles que os oprimiam e os afligiam.
  48. Mas, quando o juiz morria, o povo voltava a caminhos ainda piores do que os caminhos dos seus antepassados, seguindo outros deuses, prestando-lhes culto e adorando-os.
  49. Recusavam-se a abandonar suas práticas e seu caminho obstinado. Por isso a ira do Senhor acendeu-se contra Israel.

Capítulo 7 – Otoniel, Eúde e Débora

  1. São estas as nações que o Senhor deixou para pôr à prova todos os israelitas que não tinham visto nenhuma das guerras em Canaã: os cinco governantes dos filisteus, todos os cananeus, os sidônios e os heveus que viviam nos montes do Líbano, desde o monte Baal-Hermom até Lebo-Hamate.
  2. Essas nações foram deixadas para que por elas os israelitas fossem postos à prova, se obedeceriam aos mandamentos que o Senhor dera aos seus antepassados por meio de Moisés.
  3. Os israelitas viviam entre os cananeus, os hititas, os amorreus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus. Tomaram as filhas deles em casamento e deram suas filhas aos filhos deles, e prestaram culto aos deuses deles.
  4. Os israelitas fizeram o que o Senhor reprova, pois esqueceram-se do Senhor seu Deus e prestaram culto aos baalins e aos postes sagrados.
  5. Acendeu-se a ira do Senhor de tal forma contra Israel que ele os entregou nas mãos de Cuchã-Risataim, rei da Mesopotâmia, por quem os israelitas foram subjugados durante oito anos.
  6. Mas, quando clamaram ao Senhor, ele lhes levantou um libertador, Otoniel, filho de Quenaz, o irmão mais novo de Calebe, que os libertou.
  7. O Espírito do Senhor veio sobre ele, de modo que liderou Israel e foi à guerra. O Senhor entregou Cuchã-Risataim, rei de Arã, nas mãos de Otoniel, que prevaleceu contra ele.
    E a terra teve paz durante quarenta anos, até a morte de Otoniel, filho de Quenaz.
  8. Mais uma vez os israelitas fizeram o que o Senhor reprova, e por isso o Senhor deu a Eglom, rei de Moabe, poder sobre Israel.
  9. Conseguindo uma aliança com os amonitas e com os amalequitas, Eglom veio e derrotou Israel, e conquistou a Cidade das Palmeiras.
  10. Os israelitas ficaram sob o domínio de Eglom, rei de Moabe, durante dezoito anos.
  11. Novamente os israelitas clamaram ao Senhor, que lhes deu um libertador chamado Eúde, homem canhoto, filho do benjamita Gera. Os israelitas o enviaram com o pagamento de tributos a Eglom, rei de Moabe.
  12. Eúde havia feito uma espada de dois gumes, de quarenta e cinco centímetros de comprimento, e a tinha amarrado na coxa direita, debaixo da roupa.
  13. Ele entregou o tributo a Eglom, rei de Moabe, homem muito gordo. Em seguida, Eúde mandou embora os carregadores.
  14. Junto aos ídolos que estão perto de Gilgal, ele voltou e disse: “Tenho uma mensagem secreta para ti, ó rei”.
  15. O rei respondeu: “Calado! ” E todos os seus auxiliares saíram de sua presença.
  16. Eúde aproximou-se do rei, que estava sentado sozinho na sala superior do palácio de verão, e repetiu: “Tenho uma mensagem de Deus para ti”. Quando o rei se levantou do trono, Eúde estendeu a mão esquerda, apanhou a espada de sua coxa direita e cravou-a na barriga do rei.
  17. Até o cabo penetrou com a lâmina; e, como não tirou a espada, a gordura se fechou sobre ela.
  18. Então Eúde saiu para o pórtico, depois de fechar e trancar as portas da sala atrás de si.
  19. Depois que ele saiu, vieram os servos e encontraram trancadas as portas da sala superior, e disseram: “Ele deve estar fazendo suas necessidades em seu cômodo privativo”.
  20. Cansaram-se de esperar, e como ele não abria a porta da sala, pegaram a chave e a abriram. E lá estava o seu senhor, caído no chão, morto!
  21. Enquanto esperavam, Eúde escapou. Passou pelos ídolos e fugiu para Seirá.
  22. Quando chegou, tocou a trombeta nos montes de Efraim, e os israelitas desceram dos montes, com ele à sua frente.
  23. “Sigam-me”, ordenou, “pois o Senhor entregou Moabe, o inimigo de vocês, em suas mãos.”
  24. Eles o seguiram e, tomaram posse do lugar de passagem do Jordão que levava a Moabe, e não deixaram ninguém atravessar o rio.
  25. Naquela ocasião mataram cerca de dez mil moabitas, todos eles fortes e vigorosos; nem um só homem escapou.
  26. Naquele dia Moabe foi subjugado por Israel, e a terra teve paz durante oitenta anos.
  27. Depois de Eúde veio Sangar, filho de Anate, que matou seiscentos filisteus com uma aguilhada de bois. Ele também libertou Israel.
  28. Depois da morte de Eúde, mais uma vez os israelitas fizeram o que o Senhor reprova.
  29. Assim o Senhor os entregou nas mãos de Jabim, rei de Canaã, que reinava em Hazor. O comandante do seu exército era Sísera, que habitava em Harosete-Hagoim.
  30. Os israelitas clamaram ao Senhor, porque Jabim, que tinha novecentos carros de ferro, os havia oprimido cruelmente durante vinte anos.
  31. Débora, uma profetisa, mulher de Lapidote, liderava Israel naquela época.
  32. Ela se sentava debaixo da tamareira de Débora, entre Ramá e Betel, nos montes de Efraim, e os israelitas a procuravam, para que ela decidisse as suas questões.
  33. Débora mandou chamar Baraque, filho de Abinoão, de Quedes, em Naftali, e lhe disse: “O Senhor, o Deus de Israel, lhe ordena que reúna dez mil homens de Naftali e Zebulom e vá ao monte Tabor.
  34. Ele fará que Sísera, o comandante do exército de Jabim, vá atacá-lo, com seus carros de guerra e tropas, junto ao rio Quisom mulher, e os entregará em suas mãos”.
  35. Baraque disse a ela: “Se você for comigo, irei; mas, se não for, não irei”.
  36. Respondeu Débora: “Está bem, irei com você. Mas saiba que, por causa do seu modo de agir, a honra não será sua; porque o Senhor entregará Sísera nas mãos de uma mulher”.
  37. Então Débora foi a Quedes com Baraque, onde ele convocou Zebulom e Naftali. Dez mil homens o seguiram, e Débora também foi com ele.
  38. Ora, o queneu Héber se havia separado dos outros queneus, descendentes de Hobabe, sogro de Moisés, e armou a sua tenda junto ao carvalho de Zaanim, perto de Quedes.
  39. Quando disseram a Sísera que Baraque, filho de Abinoão, tinha subido o monte Tabor, Sísera reuniu seus novecentos carros de ferro e todos os seus soldados, de Harosete-Hagoim ao rio Quisom.
  40. E Débora disse também a Baraque: “Vá! Este é o dia em que o Senhor entregou Sísera em suas mãos. O Senhor está indo à sua frente!”
  41. Então Baraque desceu o monte Tabor, seguido por dez mil homens.
  42. Diante do avanço de Baraque, o Senhor pela espada derrotou Sísera e todos os seus carros de guerra e o seu exército, e Sísera desceu do seu carro e fugiu a pé.
  43. Baraque perseguiu os carros de guerra e o exército até Harosete-Hagoim. Todo o exército de Sísera caiu ao fio da espada; não sobrou um só homem.
  44. Sísera, porém, fugiu a pé para a tenda de Jael, mulher do queneu Héber, pois havia paz entre Jabim, rei de Hazor, e o clã do queneu Héber.
  45. Jael saiu ao encontro de Sísera e o convidou: “Venha, entre na minha tenda, meu senhor. Não tenha medo!” Ele entrou, e ela o cobriu com um pano.
  46. “Estou com sede”, disse ele. “Por favor, dê-me um pouco de água. ” Ela abriu uma vasilha de leite feita de couro, deu-lhe de beber, e tornou a cobri-lo.
  47. E Sísera disse à mulher: “Fique à entrada da tenda. Se alguém passar e perguntar se há alguém aqui, responda que não”.
  48. Entretanto, Jael, mulher de Héber, apanhou uma estaca da tenda e um martelo e aproximou-se silenciosamente enquanto ele, exausto, dormia um sono profundo.
  49. E cravou-lhe a estaca na têmpora até penetrar o chão, e ele morreu.
  50. Baraque passou à procura de Sísera, e Jael saiu ao seu encontro. “Venha”, disse ela, “eu lhe mostrarei o homem que você está procurando. “
  51. E entrando ele na tenda, viu ali caído Sísera, morto, com a estaca atravessada nas têmporas.
  52. Naquele dia Deus subjugou Jabim, o rei cananeu, perante os israelitas.
  53. E os israelitas atacaram cada vez mais a Jabim, o rei cananeu, até que eles o destruíram.

Capítulo 8 – Gideão

  1. De novo os israelitas fizeram o que o Senhor reprova, e durante sete anos ele os entregou nas mãos dos midianitas.
  2. Os midianitas dominaram Israel; por isso os israelitas fizeram para si esconderijos nas montanhas, nas cavernas e nas fortalezas.
  3. Sempre que os israelitas faziam as suas plantações, os midianitas, os amalequitas e outros povos da região a leste deles as invadiam.
  4. Acampavam na terra e destruíam as plantações ao longo de todo o caminho, até Gaza, e não deixavam nada vivo em Israel, nem ovelhas nem gado nem jumentos.
  5. Eles subiam trazendo os seus animais e suas tendas, e vinham como enxames de gafanhotos; era impossível contar os homens e os seus camelos. Invadiam a terra para devastá-la.
  6. Por causa de Midiã, Israel empobreceu tanto que os israelitas clamaram por socorro ao Senhor.
  7. Quando os israelitas clamaram ao Senhor por causa de Midiã, ele lhes enviou um profeta, que disse: “Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Eu tirei vocês do Egito, da terra da escravidão.”
  8. “Eu os livrei do poder do Egito e das mãos de todos os seus opressores. Expulsei-os e dei a vocês a terra deles. Eu sou o Senhor, o seu Deus; não adorem os deuses dos amorreus, em cuja terra vivem, mas vocês não me deram ouvidos”.
  9. Então o Anjo do Senhor veio e sentou-se sob a grande árvore de Ofra, que pertencia ao abiezrita Joás. Ali, Gideão, filho de Joás, estava malhando o trigo num tanque de prensar uvas, para escondê-lo dos midianitas.
  10. Então o anjo do Senhor apareceu a Gideão, que falou: “Ah, Senhor, se o Senhor está conosco, por que aconteceu tudo isso?  Onde estão todas as suas maravilhas que os nossos pais nos contam? Não foi o Senhor que nos tirou do Egito, por que agora o Senhor nos abandonou e nos entregou nas mãos de Midiã?”
  11. Gideão foi para casa, preparou um cabrito, e com uma arroba de farinha fez pães sem fermento. Pôs a carne num cesto e o caldo numa panela, trouxe-os para fora e ofereceu-os a ele sob a grande árvore.
  12. Ali, Gideão exclamou: “Ah, Senhor Soberano! Vi o Anjo do Senhor face a face!”, e construiu um altar em honra do Senhor e lhe deu este nome: O Senhor é Paz. Até hoje o altar está em Ofra dos abiezritas.
  13. Assim Gideão chamou dez dos seus servos e fez como o Senhor lhe ordenara. Com medo da sua família e dos homens da cidade, fez tudo de noite, e não durante o dia.
  14. De manhã, quando os homens da cidade se levantaram, lá estava demolido o altar de Baal, com o poste sagrado ao seu lado, cortado, e com o segundo novilho sacrificado no altar recém-construído!
  15. Perguntaram uns aos outros: “Quem fez isso? ” Depois de investigar, concluíram: “Foi Gideão, filho de Joás”.
  16. Os homens da cidade disseram a Joás: “Traga seu filho para fora. Ele deve morrer, pois derrubou o altar de Baal e quebrou o poste sagrado que ficava ao seu lado”.
  17. Joás, porém, respondeu à multidão hostil que o cercava, “Vocês vão defender a causa de Baal? Estão tentando salvá-lo? Quem lutar por ele será morto pela manhã! Se Baal fosse realmente um deus, poderia defender-se quando derrubaram o seu altar”.
  18. Por isso naquele dia chamaram Gideão de “Jerubaal”, dizendo: “Que Baal dispute com ele, pois derrubou o altar de Baal”.
  19. Nesse meio tempo, todos os midianitas, amalequitas e outros povos que vinham do leste uniram os seus exércitos, atravessaram o Jordão e acamparam no vale de Jezreel.
  20. Então o Espírito do Senhor apoderou-se de Gideão, e ele, com toque de trombeta, convocou os abiezritas para segui-lo.
  21. Enviou mensageiros a todo o Manassés, chamando-o às armas, e também a Aser, a Zebulom e a Naftali, que também subiram ao seu encontro.
  22. E Gideão disse a Deus: “Quero saber se vais libertar Israel por meu intermédio, como prometeste. Não se acenda a tua ira contra mim. Deixa-me fazer só mais um pedido.
  23. “Permite-me fazer mais um teste com a lã. Desta vez, faz ficar seca a lã e o chão coberto de orvalho”.
  24. E Deus assim fez naquela noite. Somente a lã estava seca; o chão estava todo coberto de orvalho.
  25. De madrugada Jerubaal, isto é, Gideão, e todo o seu exército acampou junto à fonte de Harode. O acampamento de Midiã estava ao norte deles, no vale, perto do monte Moré.
  26. Gideão anunciou ao povo que todo aquele que estiver tremendo de medo poderá ir embora do monte Gileade. Então vinte e dois mil homens partiram, e ficaram apenas dez mil.
  27. Depois Gideão levou os homens à beira d’água. O número dos que lamberam a água levando-a com as mãos à boca foi de trezentos homens. Todos os demais se ajoelharam para beber.
  28. Gideão mandou os israelitas para as suas tendas, mas reteve os trezentos. E estes ficaram com as provisões e as trombetas dos que partiram. O acampamento de Midiã ficava abaixo deles, no vale.
  29. Os midianitas, os amalequitas e todos os outros povos que vinham do leste haviam se instalado no vale; eram numerosos como nuvens de gafanhotos.
  30. Assim como não se pode contar a areia da praia, também não se podia contar os seus camelos.
  31. Gideão chegou bem no momento em que um homem estava contando seu sonho a um amigo.
  32. “Tive um sonho”, dizia ele. “Um pão de cevada vinha rolando dentro do acampamento midianita, e atingiu a tenda com tanta força que ela tombou e se desmontou”.
  33. Seu amigo respondeu: “Não pode ser outra coisa senão a espada de Gideão, filho de Joás, o israelita. Deus entregou os midianitas e todo o acampamento nas mãos dele”.
  34. Quando Gideão ouviu o sonho e a sua interpretação, adorou a Deus. Voltou para o acampamento de Israel e gritou: “Levantem-se! O Senhor entregou o acampamento midianita nas suas mãos”.
  35. Dividiu os trezentos homens em três companhias, pôs nas mãos de todos eles trombetas e jarros vazios, com tochas dentro. E ele lhes disse: “Observem-me. Façam o que eu fizer.”
  36. “Quando eu e todos os que estiverem comigo tocarmos as nossas trombetas ao redor do acampamento, toquem as suas, e gritem: Pelo Senhor e por Gideão!”
  37. Gideão e os cem homens que o acompanhavam chegaram aos postos avançados do acampamento pouco depois da meia noite, assim que foram trocadas as sentinelas.
  38. Eles tocaram as suas trombetas e quebraram os jarros que tinham nas mãos; as três companhias tocaram as trombetas e despedaçaram os jarros.
  39. Empunhando as tochas com a mão esquerda e as trombetas com a direita, gritaram: “À espada, pelo Senhor e por Gideão!”
  40. Cada homem mantinha a sua posição em torno do acampamento, e todos os midianitas fugiam correndo e gritando.
  41. Quando as trezentas trombetas soaram, o Senhor fez que em todo o acampamento os homens se voltassem uns contra os outros com as suas espadas.
  42. Muitos fugiram para Bete-Sita, na direção de Zererá, até a fronteira de Abel-Meolá, perto de Tabate. Então, os israelitas de Naftali, de Aser e de todo o Manassés foram convocados para perseguir os midianitas.
  43. Gideão enviou mensageiros a todos os montes de Efraim, dizendo: “Desçam para atacar os midianitas e cerquem as águas do Jordão à frente deles até Bete-Bara”.
  44. Foram, pois, convocados todos os homens de Efraim, e eles ocuparam as águas do Jordão até Bete-Bara.
  45. Eles prenderam dois líderes midianitas, Orebe e Zeebe. Mataram Orebe na rocha de Orebe, e Zeebe no tanque de prensar uvas de Zeebe.
  46. E, depois de perseguir os midianitas, trouxeram a cabeça de Orebe e a de Zeebe a Gideão, que estava do outro lado do Jordão.
  47. Os efraimitas perguntaram então a Gideão: “Por que não nos chamou quando foi lutar contra Midiã? ” E o criticaram duramente.
  48. Ele, porém, lhes respondeu: “Que é que eu fiz, em comparação com vocês? O resto das uvas de Efraim não são melhores do que toda a colheita de Abiezer?”
  49. “Deus entregou os líderes midianitas Orebe e Zeebe nas mãos de vocês. O que pude fazer não se compara com o que vocês fizeram?” Diante disso, acalmou-se a indignação deles contra Gideão.”
  50. Gideão e seus trezentos homens, já exaustos, continuaram a perseguição, chegaram ao Jordão e o atravessaram.
  51. Em Sucote, disse ele aos homens dali: “Peço-lhes um pouco de pão para as minhas tropas; os homens estão cansados, e eu ainda estou perseguindo os reis de Midiã, Zeba e Zalmuna”.
  52. Os líderes de Sucote, porém, disseram: “Ainda não estão em seu poder Zeba e Zalmuna? Por que deveríamos dar pão às suas tropas? “
  53. “É assim? “, replicou Gideão. “Quando o Senhor entregar Zeba e Zalmuna em minhas mãos, rasgarei a carne de vocês com espinhos e espinheiros do deserto. “
  54. Dali subiu a Peniel e fez o mesmo pedido aos homens de Peniel, mas eles responderam como os de Sucote.
  55. Gideão subiu pela rota dos nômades, a leste de Noba e Jogbeá, e atacou de surpresa o exército.
  56. Com eles estavam cerca de quinze mil homens, pois foram todos os que sobraram dos exércitos dos povos que vinham do leste, pois cento e vinte mil homens que portavam espada tinham sido mortos.
  57. Zeba e Zalmuna, os dois reis de Midiã, fugiram, mas ele os perseguiu e os capturou; derrotando também o exército.
  58. Gideão foi então a Sucote e disse aos homens de lá: “Aqui estão Zeba e Zalmuna, acerca dos quais vocês zombaram de mim”, e prendeu os líderes da cidade de Sucote, castigando-os com espinheiros do deserto.
  59. Depois, derrubou a fortaleza de Peniel e matou os homens daquela cidade.
  60. Então, Gideão voltou-se para Jéter, seu filho mais velho, e lhe disse: “Mate Zeba e Zalmuna!”.
  61. Jéter, porém, teve medo e não desembainhou a espada, pois era muito jovem.
  62.  Zeba e Zalmuna disseram: “Venha, mate-nos você mesmo. Isso exige coragem de homem”. Então Gideão avançou e os matou, e tirou os enfeites do pescoço dos camelos deles.
  63. Os israelitas disseram a Gideão, “Reine sobre nós! você, seu filho e seu neto, pois você nos libertou das mãos de Midiã”.
  64. Gideão respondeu: “Não reinarei sobre vocês, nem meu filho reinará sobre vocês. O Senhor reinará sobre vocês. Só lhes faço um pedido: que cada um de vocês me dê um brinco da sua parte dos despojos”
  65. (Os ismaelitas costumavam usar brincos de ouro).
  66. Eles estenderam uma capa, e cada homem jogou sobre ela um brinco tirado de seus despojos.
  67. O peso dos brincos de ouro chegou a vinte quilos e meio, sem contar os enfeites, os pendentes e as roupas de púrpura que os reis de Midiã usavam e os colares que estavam no pescoço de seus camelos.
  68. Gideão usou o ouro para fazer um manto sacerdotal, que ele colocou em sua cidade, em Ofra. Todo o Israel prostituiu-se, fazendo dele objeto de adoração; e veio a ser uma armadilha para Gideão e sua família.

Capítulo 9 – Abimeleque

  1. Durante a vida de Gideão a terra desfrutou paz quarenta anos. Jerubaal, filho de Joás, retirou-se e foi para casa, onde ficou morando. Teve setenta filhos, todos gerados por ele, pois tinha muitas mulheres.
  2. Sua concubina, que morava em Siquém, também lhe deu um filho, a quem ele deu o nome de Abimeleque.
  3. Gideão morreu em idade avançada e foi sepultado no túmulo de seu pai, Joás, em Ofra dos abiezritas.
  4. Logo depois que Gideão morreu, os israelitas voltaram a prostituir-se com os baalins, cultuando-os.
  5. Ergueram Baal-Berite como seu deus, e não se lembraram do Senhor, do seu Deus, que os tinha livrado das mãos dos seus inimigos em redor.
  6. Também não foram bondosos com a família de Jerubaal, isto é, Gideão, reconhecendo todo o bem que ele tinha feito por Israel.
  7. Abimeleque, filho de Jerubaal, foi aos irmãos de sua mãe em Siquém e disse a eles e a todo o clã da família de sua mãe: “Perguntem a todos os cidadãos de Siquém: O que é melhor para vocês: ter todos os setenta filhos de Jerubaal governando sobre vocês, ou somente um homem? Lembrem-se de que eu sou sua própria carne”.
  8. Os irmãos de sua mãe repetiram tudo aos cidadãos de Siquém, e estes se mostraram propensos a seguir Abimeleque, pois disseram: “Ele é nosso irmão”.
  9. Deram-lhe setenta peças de prata tiradas do templo de Baal-Berite, as quais Abimeleque usou para contratar alguns desocupados e vadios, que se tornaram seus seguidores.
  10. Foi à casa de seu pai em Ofra e matou seus setenta irmãos, filhos de Jerubaal, sobre uma rocha. Mas Jotão, o filho mais novo de Jerubaal, escondeu-se e escapou.
  11. Então todos os cidadãos de Siquém e de Bete-Milo reuniram-se ao lado do Carvalho, junto à coluna de Siquém, para coroar Abimeleque rei.
  12. Quando Jotão soube disso, subiu ao topo do monte Gerizim e gritou para eles: “Ouçam-me, cidadãos de Siquém, para que Deus os ouça. Certo dia as árvores saíram para ungir um rei para si.”
  13. “Disseram à oliveira: ‘Seja o nosso rei’! A oliveira, porém, respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu azeite, com o qual se presta honra aos deuses e aos homens, para dominar sobre as árvores?’”
  14. “Então as árvores disseram à figueira: ‘Venha ser o nosso rei!’ A figueira, porém, respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu fruto saboroso e doce, para dominar sobre as árvores?'”
  15. “Depois as árvores disseram à videira: ‘Venha ser o nosso rei!’ A videira, porém, respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu vinho, que alegra os deuses e os homens, para ter domínio sobre as árvores?'”
  16. “Finalmente todas as árvores disseram ao espinheiro: ‘Venha ser o nosso rei!’ O espinheiro disse às árvores: ‘Se querem realmente ungir-me rei sobre vocês, venham abrigar-se à minha sombra; do contrário, sairá fogo do espinheiro e consumirá até os cedros do Líbano!'”
  17. “Será que vocês agiram de fato com sinceridade quando fizeram Abimeleque rei? Foram justos com Jerubaal e sua família, como ele merecia?”
  18. “Meu pai lutou por vocês e arriscou a vida para livrá-los das mãos de Midiã, hoje, porém, vocês se revoltaram contra a família de meu pai, mataram seus setenta filhos sobre a mesma rocha, e proclamaram Abimeleque, o filho de sua escrava, rei sobre os cidadãos de Siquém pelo fato de ser irmão de vocês.”
  19. Se hoje vocês de fato agiram com sinceridade para com Jerubaal e sua família, alegrem-se com Abimeleque, e alegre-se ele com vocês!”
  20. “Entretanto, se não foi assim, que saia fogo de Abimeleque e consuma os cidadãos de Siquém e de Bete-Milo, e que saia fogo dos cidadãos de Siquém e de Bete-Milo, e consuma Abimeleque!”
  21. Depois Jotão fugiu para Beer, e foi morar ali, longe de seu irmão Abimeleque.
  22. Fazia três anos que Abimeleque governava Israel, quando Deus enviou um espírito maligno entre Abimeleque e os cidadãos de Siquém, e estes agiram traiçoeiramente contra Abimeleque.
  23. Quando Zebul, o governante da cidade, ouviu que Gaal, filho de Ebede, amaldiçoava Abimeleque, ele ficou indignado.
  24. Secretamente, ele enviou mensageiros a Abimeleque dizendo: “Gaal, filho de Ebede, e seus parentes vieram a Siquém e estão agitando a cidade contra você.”
  25. E assim Abimeleque e todas as suas tropas partiram de noite e prepararam emboscadas perto de Siquém, em quatro companhias.
  26. Então Gaal conduziu para fora os cidadãos de Siquém e lutou contra Abimeleque.
  27. Abimeleque o perseguiu, e ele fugiu. Muitos dos homens de Siquém caíram mortos ao longo de todo o caminho, até à porta da cidade.
  28. Abimeleque e as tropas que estavam com ele avançaram até à porta da cidade. Então duas companhias avançaram sobre os que estavam nos campos e os mataram.
  29. E Abimeleque atacou a cidade o dia todo, até conquistá-la e matar o seu povo. Depois destruiu a cidade e espalhou sal sobre ela.
  30. Ao saberem disso, os cidadãos que estavam na torre de Siquém entraram na fortaleza do templo de El-Berite.
  31. Quando Abimeleque soube que se haviam reunido lá, ele e todos os seus homens subiram o monte Zalmom.
  32. Ele apanhou um machado e cortou um galho de árvore e o pôs nos ombros.  Todos os homens cortaram galhos e seguiram Abimeleque. Empilharam os galhos junto à fortaleza e a incendiaram.
  33. Assim morreu também o povo que estava na torre de Siquém, cerca de mil homens e mulheres.
  34. A seguir Abimeleque foi a Tebes, sitiou-a e conquistou-a.
  35. Dentro da cidade havia uma torre bastante forte, para a qual fugiram todos os homens e mulheres, todo o povo da cidade. Trancaram-se por dentro e subiram para o telhado da torre.
  36. Abimeleque foi para a torre e atacou-a. E, quando se aproximava da entrada da torre para incendiá-la,
    uma mulher jogou-lhe uma pedra de moinho na cabeça, que lhe rachou o crânio.
  37. Imediatamente ele chamou seu escudeiro e lhe ordenou: “Tire a espada e mate-me, para que não digam que uma mulher me matou”. Então o jovem o atravessou, e ele morreu.
  38. Quando os israelitas viram que Abimeleque estava morto, voltaram para casa.
  39. Assim Deus retribuiu a maldade que Abimeleque praticara contra o seu pai, matando os seus setenta irmãos.
  40. Deus fez também os homens de Siquém pagarem por toda a sua maldade. A maldição de Jotão, filho de Jerubaal, caiu sobre eles.

Capítulo 10 – Tolá, Jair e Jefté

  1. Depois de Abimeleque, um homem de Issacar chamado Tolá, filho de Puá, filho de Dodô, levantou-se para libertar Israel.
  2. Ele morava em Samir, nos montes de Efraim, e liderou Israel durante vinte e três anos; então morreu e foi sepultado em Samir.
  3. Depois dele veio Jair, de Gileade, que liderou Israel durante vinte e dois anos.
  4. Teve trinta filhos, que montavam trinta jumentos. Eles tinham autoridade sobre trinta cidades, as quais até hoje são chamadas povoados de Jair e ficam em Gileade.
  5. Quando Jair morreu, foi sepultado em Camom.
  6. Mais uma vez os israelitas fizeram o que o Senhor reprova. Serviram aos baalins e aos postes sagrados, e aos deuses de Arã, aos deuses de Sidom, aos deuses de Moabe, aos deuses dos amonitas e aos deuses dos filisteus.
  7. E como os israelitas abandonaram o Senhor e não mais lhe prestaram culto, a ira do Senhor se acendeu contra eles.
  8. Ele os entregou nas mãos dos filisteus e dos amonitas, que naquele ano os humilharam e os oprimiram.
  9. Durante dezoito anos oprimiram a todos os israelitas do lado leste do Jordão, em Gileade, terra dos amorreus.
  10. Os amonitas também atravessaram o Jordão para lutar contra Judá, contra Benjamim e contra a tribo de Efraim; e grande angústia dominou Israel.
  11. Então os israelitas clamaram ao Senhor, dizendo: “Temos pecado contra ti, pois abandonamos o nosso Deus e prestamos culto aos baalins!”
  12. “Nós pecamos. Faze conosco o que achares melhor, mas te rogamos, livra-nos agora”.
  13. Então eles se desfizeram dos deuses estrangeiros que havia entre eles e prestaram culto ao Senhor. E ele não pôde mais suportar o sofrimento de Israel.
  14. Quando os amonitas foram convocados e acamparam em Gileade, os israelitas reuniram-se e acamparam em Mispá.
  15. Os líderes do povo de Gileade disseram uns aos outros: “Quem iniciar o ataque contra os amonitas será chefe dos que vivem em Gileade”.
  16. Jefté, o gileadita, era um guerreiro valente. Sua mãe era uma prostituta; seu pai foi Gileade.
  17. A mulher de Gileade também lhe deu filhos, que quando já estavam grandes, expulsaram Jefté, dizendo: “Você não vai receber nenhuma herança de nossa família, pois é filho de outra mulher”.
  18. Então Jefté fugiu dos seus irmãos e se estabeleceu em Tobe. Ali um bando de vadios uniu-se a ele e o seguia.
  19. Algum tempo depois, quando os amonitas entraram em guerra contra Israel, os líderes de Gileade foram buscar Jefté em Tobe.
  20. “Venha”, disseram. “Seja nosso comandante, para que possamos combater os amonitas.”
  21. Disse-lhes Jefté: “Vocês não me odiavam e não me expulsaram da casa de meu pai? Por que me procuram agora, quando estão em dificuldades? “
  22. “Apesar disso, agora estamos apelando para você”, responderam os líderes de Gileade. “Venha combater conosco os amonitas, e você será o chefe de todos os que vivem em Gileade. “
  23. Jefté respondeu: “Se vocês me levarem de volta para combater os amonitas e o Senhor os entregar a mim, serei o chefe de vocês? “
  24. Os líderes de Gileade responderam: “O Senhor é nossa testemunha; faremos conforme você diz”.
  25. Assim Jefté foi com os líderes de Gileade, e o povo o fez chefe e comandante sobre todos. E ele repetiu perante o Senhor, em Mispá, todas as palavras que tinha dito.
  26. Jefté enviou mensageiros ao rei amonita com a seguinte pergunta: “Que é que tens contra nós, para ter atacado a nossa terra? “
  27. O rei dos amonitas respondeu aos mensageiros de Jefté: “Quando Israel veio do Egito tomou as minhas terras, desde o Arnom até o Jaboque e até o Jordão. Agora, devolvam-me essas terras pacificamente”.
  28. Jefté mandou de novo mensageiros ao rei amonita, dizendo: “Assim diz Jefté: Israel não tomou a terra de Moabe, e tampouco a terra dos amonitas.
  29. “Israel tomou posse de todas as terras dos amorreus que viviam naquela região, conquistando-a por inteiro, desde o Arnom até o Jaboque, e desde o deserto até o Jordão.”
  30. “Agora que o Senhor, o Deus de Israel, expulsou os amorreus da presença do seu povo Israel, queres tu tomá-la?”
  31. “Acaso não tomas posse daquilo que o teu deus Camos te dá? Da mesma forma tomaremos posse do que o Senhor nosso Deus nos deu.”
  32. “Nada fiz contra ti, mas tu estás cometendo um erro, lutando contra mim. Que o Senhor, o Juiz, julgue hoje a disputa entre os israelitas e os amonitas”.”
  33. Entretanto, o rei de Amom não deu atenção à mensagem de Jefté.
  34. Então o Espírito do Senhor se apossou de Jefté. Este atravessou Gileade e Manassés, passou por Mispá de Gileade, e daí avançou contra os amonitas.
  35. E Jefté fez este voto ao Senhor: “Se entregares os amonitas nas minhas mãos, aquele que vier saindo da porta da minha casa ao meu encontro, quando eu retornar da vitória sobre os amonitas, será do Senhor, e eu o oferecerei em holocausto”.
  36. Então Jefté foi combater os amonitas, e o Senhor os entregou nas suas mãos.
  37. Ele conquistou vinte cidades, desde Aroer até as vizinhanças de Minite, chegando a Abel-Queramim. Assim os amonitas foram subjugados pelos Israelitas.
  38. Quando Jefté chegou à sua casa em Mispá, sua filha saiu ao seu encontro, dançando ao som de tamborins. E ela era filha única. Ele não tinha outro filho ou filha.
  39. Quando a viu, rasgou suas vestes e gritou: “Ah, minha filha! Estou angustiado e desesperado por tua causa, pois fiz ao Senhor um voto que não posso quebrar”.
  40. “Meu pai”, respondeu ela, “sua palavra foi dada ao Senhor. Faça comigo o que prometeu, agora que o Senhor o vingou dos seus inimigos, os amonitas.”
  41. E prosseguiu: “Mas conceda-me dois meses para vagar pelas colinas e chorar com as minhas amigas, porque jamais me casarei”.
  42. “Vá! “, disse ele. E deixou que ela fosse por dois meses. Ela e suas amigas foram para as colinas e choraram porque ela jamais se casaria.
  43. Passados os dois meses, ela voltou a seu pai, e ele fez com ela o que tinha prometido no voto. Assim, ela nunca deixou de ser virgem.
  44. Daí vem o costume em Israel de saírem as moças durante quatro dias, todos os anos, para celebrar a memória da filha de Jefté, o gileadita.
  45. Os homens de Efraim foram convocados para a batalha.
  46. Dirigiram-se para Zafom e disseram a Jefté: “Por que você foi lutar contra os amonitas sem nos chamar para irmos juntos? Vamos queimar a sua casa e você junto!”
  47. Jefté respondeu: “Eu e meu povo estávamos envolvidos numa grande contenda com os amonitas, e, embora eu os tenha chamado, vocês não me livraram das mãos deles.”
  48. “Quando vi que vocês não ajudariam, arrisquei a vida e fui lutar contra os amonitas, e o Senhor me deu a vitória sobre eles. E, por que vocês vieram para cá hoje? Para lutar contra mim?”
  49. Jefté reuniu então todos os homens de Gileade e lutou contra Efraim. Os gileaditas feriram os efraimitas porque estes tinham dito: “Vocês, gileaditas, são desertores de Efraim e de Manassés”.
  50. Os gileaditas tomaram as passagens do Jordão que conduziam a Efraim. Sempre que um fugitivo de Efraim dizia: “Deixem-me atravessar”, os homens de Gileade perguntavam: “Você é efraimita? “
  51. Se respondesse que não, diziam “Então diga: ‘Chibolete’ “. Se ele dissesse: “Sibolete”, sem conseguir pronunciar corretamente a palavra, prendiam-no e matavam-no no lugar de passagem do Jordão.
  52. Quarenta e dois mil efraimitas foram mortos naquela ocasião.
  53. Jefté liderou Israel durante seis anos. Então o gileadita Jefté morreu, e foi sepultado numa cidade de Gileade.

Capítulo 11 – Ibsã, Elom, Abdom e Manoá

  1. Depois de Jefté, Ibsã, de Belém, liderou Israel.
  2. Teve trinta filhos e trinta filhas. Deu suas filhas em casamento a homens de fora do seu clã, e trouxe para os seus filhos trinta mulheres de fora do seu clã. Ibsã liderou Israel durante sete anos.
  3. Então Ibsã morreu, e foi sepultado em Belém.
  4. Depois dele, Elom, da tribo de Zebulom, liderou Israel durante dez anos.
  5. Elom morreu, e foi sepultado em Aijalom, na terra de Zebulom.
  6. Depois dele, Abdom, filho de Hilel, de Piratom, liderou Israel.
  7. Teve quarenta filhos e trinta netos, que montavam setenta jumentos. Abdom liderou Israel durante oito anos.
  8. Então Abdom, filho de Hilel, morreu, e foi sepultado em Piratom, na terra de Efraim, na serra dos amalequitas.
  9. Os israelitas voltaram a fazer o que o Senhor reprova, e por isso o Senhor os entregou nas mãos dos filisteus durante quarenta anos.
  10. Certo homem de Zorá, chamado Manoá, do clã da tribo de Dã, tinha mulher estéril.
  11. Certo dia o anjo do Senhor apareceu a ela e lhe disse: “Você é estéril, não tem filhos, mas engravidará e dará à luz um filho.
  12. Todavia, tenha cuidado, não beba vinho nem outra bebida fermentada, e não coma nada impuro.
  13. E não se passará navalha na cabeça do filho que você vai ter, porque o menino será nazireu, consagrado a Deus desde o nascimento; ele iniciará a libertação de Israel das mãos dos filisteus”.
  14. Então a mulher foi contar tudo ao seu marido: “Um homem de Deus veio falar comigo. Era como um anjo de Deus, de aparência impressionante.”
  15. “Não lhe perguntei de onde tinha vindo, e ele não me disse o seu nome, mas ele me assegurou: Você engravidará e dará à luz um filho.”
  16. “Todavia, não beba vinho nem outra bebida fermentada, e não coma nada impuro, porque o menino será nazireu, consagrado a Deus, desde o nascimento até o dia da sua morte”.
  17. Então Manoá orou ao Senhor: “Senhor, eu te imploro que o homem de Deus que enviaste volte para nos instruir sobre o que fazer com o menino que vai nascer”.
  18. Deus ouviu a oração de Manoá, e o anjo de Deus veio novamente falar com a mulher quando ela estava sentada no campo; Manoá, seu marido, não estava com ela.
  19. Mas ela foi correndo contar ao marido: “O homem que me apareceu outro dia está aqui! “
  20. Manoá levantou-se e seguiu a mulher. Quando se aproximou do homem, perguntou: “És tu o que falaste com a minha mulher?” “Sim”, disse ele.
  21. “Quando as suas palavras se cumprirem”, Manoá perguntou, “como devemos criar o menino? O que ele deverá fazer? “
  22. O Anjo do Senhor respondeu: “Sua mulher terá que seguir tudo o que eu lhe ordenei.”
  23. “Ela não poderá comer nenhum produto da videira, nem vinho ou bebida fermentada, nem comer nada impuro. Terá que obedecer a tudo o que lhe ordenei”.
  24. Manoá disse ao Anjo do Senhor: “Gostaríamos que ficasses conosco; queremos oferecer-te um cabrito”.
  25. O anjo do Senhor respondeu: “Se eu ficar, não comerei nada. Mas, se você preparar um holocausto, ofereça-o ao Senhor”. Manoá não sabia que ele era o anjo do Senhor.
  26. Então Manoá perguntou ao anjo do Senhor: “Qual é o teu nome, para que te prestemos homenagem quando se cumprir a tua palavra? “
  27. Ele respondeu: “Por que pergunta o meu nome? Meu nome está além do entendimento”.
  28. Então Manoá apanhou um cabrito e a oferta de cereal, e os ofereceu ao Senhor sobre uma rocha. E o Senhor fez algo estranho enquanto Manoá e sua mulher observavam.
  29. Quando a chama do altar subiu ao céu, o Anjo do Senhor subiu na chama. Vendo isso, Manoá e à sua mulher prostraram-se, rosto em terra.
  30. Como o Anjo do Senhor não voltou a manifestar-se a Manoá e à sua mulher, Manoá percebeu que era o Anjo do Senhor.
  31. “Sem dúvida vamos morrer! ” disse ele à mulher, “pois vimos a Deus!”
  32. Mas a sua mulher respondeu: “Se o Senhor tivesse a intenção de nos matar, não teria aceitado o holocausto e a oferta de cereal das nossas mãos, nem nos teria mostrado todas essas coisas, nem nos teria revelado o que agora nos revelou”.
  33. A mulher deu à luz um menino e pôs-lhe o nome de Sansão. Ele cresceu, e o Senhor o abençoou, e o Espírito do Senhor começou a agir nele quando ele se achava em Maané-Dã, entre Zorá e Estaol.

Capítulo 12 – Sansão

  1. Sansão desceu a Timna e viu ali uma mulher do povo filisteu.
  2. Quando voltou para casa, disse a seu pai e a sua mãe: “Vi uma mulher filistéia em Timna; consigam essa mulher para ser minha esposa”.
  3. Seu pai e sua mãe lhe perguntaram: “Será que não há mulher entre os seus parentes ou entre todo o seu povo? Você tem que ir aos filisteus incircuncisos para conseguir esposa?”
  4. Sansão, porém, disse ao pai: “Consiga-a para mim. É ela que me agrada”.
  5. Seus pais não sabiam que isso vinha do Senhor, que buscava ocasião contra os filisteus; pois naquela época eles dominavam Israel.
  6. Sansão foi para Timna com seu pai e sua mãe. Quando se aproximavam das vinhas de Timna, de repente um leão forte veio rugindo na direção dele.
  7. O Espírito do Senhor apossou-se de Sansão, e ele, sem nada nas mãos, rasgou o leão como se fosse um cabrito. Mas não contou nem ao pai nem à mãe o que fizera.
  8. Então foi conversar com a mulher de quem gostava.
  9. Algum tempo depois, quando voltou para casar-se com ela, Sansão saiu do caminho para olhar o cadáver do leão, e nele havia um enxame de abelhas e mel.
  10. Tirou o mel com as mãos e o foi comendo pelo caminho. Quando voltou aos seus pais, repartiu com eles o mel, e eles também comeram. Mas não lhes contou que tinha tirado o mel do cadáver do leão.
  11. Seu pai desceu à casa da mulher, e Sansão deu ali uma festa, como era costume dos noivos.
  12. Quando ele chegou, trouxeram-lhe trinta rapazes para o acompanharem na festa.
  13. “Vou propor-lhes um enigma”, disse-lhes Sansão. “Se vocês puderem dar-me a resposta certa durante os sete dias da festa, então eu lhes darei trinta vestes de linho e trinta mudas de roupas.”
  14. “Se não conseguirem dar-me a resposta, vocês me darão trinta vestes de linho e trinta mudas de roupas.”
  15. “Proponha-nos o seu enigma”, disseram. “Vamos ouvi-lo. “
  16. Disse ele então: “Do que come saiu comida; do que é forte saiu doçura”. Durante três dias eles não conseguiram dar a resposta.
  17. No quarto dia disseram à mulher de Sansão: “Convença o seu marido a explicar o enigma. Caso contrário, poremos fogo em você e na família de seu pai, e vocês morrerão. Você nos convidou para nos roubar? “
  18. Então a mulher de Sansão implorou-lhe aos prantos: “Você me odeia! Você não me ama! Você deu ao meu povo um enigma, mas não me contou a resposta!”
  19. “Nem a meu pai e à minha mãe expliquei o enigma”, respondeu ele. “Por que deveria explicá-lo a você? “
  20. Ela chorou durante o restante da semana da festa. Por fim, no sétimo dia, ele lhe contou, pois ela continuava a perturbá-lo. Ela, por sua vez, revelou o enigma ao seu povo.
  21. Antes do pôr-do-sol do sétimo dia, os homens da cidade vieram lhe dizer: “O que é mais doce que o mel? O que é mais forte que o leão?”
  22. Sansão lhes disse:  “Se vocês não tivessem arado com a minha novilha, não teriam solucionado o meu enigma”.
  23. Então o Espírito do Senhor apossou-se de Sansão. Ele desceu a Ascalom, matou trinta homens, pegou as suas roupas e as deu aos que tinham explicado o enigma. Depois, enfurecido, foi para a casa do seu pai.
  24. E a mulher de Sansão foi dada ao amigo que tinha sido o acompanhante dele no casamento.
  25. Algum tempo depois, na época da colheita do trigo, Sansão foi visitar a sua mulher e levou-lhe um cabrito.
  26. “Vou ao quarto da minha mulher”, disse ele. Mas o pai dela não quis deixá-lo entrar.
  27. Ele disse: “Eu estava tão certo de que você a odiava, que a dei ao seu amigo. A sua irmã mais nova não é mais bonita? Fique com esta no lugar da irmã”.
  28. Sansão lhes disse: “Desta vez ninguém poderá me culpar quando acertar as contas com os filisteus!”
  29. Então saiu, capturou trezentas raposas e as amarrou aos pares pela cauda.
  30. Depois prendeu uma tocha em cada par de caudas, acendeu as tochas e soltou as raposas no meio das plantações dos filisteus.
  31. Assim ele queimou os feixes, o cereal que iam colher, e também as vinhas e os olivais.
  32. Os filisteus perguntaram: “Quem fez isso? “, responderam-lhes: “Foi Sansão, o genro do timnita, porque a sua mulher foi dada ao seu amigo”. Então os filisteus foram e queimaram a mulher e seu pai.
  33. Sansão lhes disse: “Já que fizeram isso, não sossegarei enquanto não me vingar de vocês”.
  34. Ele os atacou sem dó nem piedade e fez terrível matança. Depois desceu e ficou numa caverna da rocha de Etã.
  35. Os filisteus foram para Judá e lá acamparam, espalhando-se pelas proximidades de Leí.
  36. Os homens de Judá perguntaram: “Por que vocês vieram lutar contra nós? ” Eles responderam: “Queremos levar Sansão amarrado, para tratá-lo como ele nos tratou”.
  37. Três mil homens de Judá desceram então à caverna da rocha de Etã e disseram a Sansão: “Você não sabe que os filisteus dominam sobre nós? Você viu o que nos fez?”
  38. Ele respondeu: “Fiz a eles apenas o que eles me fizeram”.
  39. Disseram-lhe: “Viemos amarrá-lo para entregá-lo aos filisteus”, e Sansão disse: “Jurem-me que vocês mesmos não me matarão”.
  40. “Certamente que não! “, responderam. “Somente vamos amarrá-lo e entregá-lo nas mãos deles. Não o mataremos.” E o prenderam com duas cordas novas e o fizeram sair da rocha.
  41. Quando ia chegando a Leí, os filisteus foram ao encontro dele aos gritos. Mas o Espírito do Senhor apossou-se dele. As cordas em seus braços se tornaram como fibra de linho queimada, e os laços caíram das suas mãos.
  42. Encontrando a carcaça de um jumento, pegou a queixada e com ela matou mil homens.
  43. Disse ele então: “Com uma queixada de jumento fiz deles montões. Com uma queixada de jumento matei mil homens”.
  44. Quando acabou de falar, jogou fora a queixada; e o local foi chamado Ramate-Leí.
  45. Sansão estava com muita sede e clamou ao Senhor: “Deste pela mão de teu servo esta grande vitória. Morrerei eu agora de sede para cair nas mãos dos incircuncisos? “
  46. Deus então abriu a rocha que há em Leí, e dela saiu água. Sansão bebeu, suas forças voltaram, e ele recobrou o ânimo. Por esse motivo essa fonte foi chamada En-Hacoré, e ainda lá está, em Leí.
  47. Sansão liderou Israel durante vinte anos no tempo do domínio dos filisteus.

Capítulo 13 – Sansão e Dalila

  1. Certa vez Sansão foi a Gaza, viu ali uma prostituta, e passou a noite com ela.
  2. Disseram ao povo de Gaza: “Sansão está aqui! ” Então cercaram o local e ficaram à espera dele a noite toda, junto à porta da cidade. Não se moveram a noite inteira, dizendo: “Ao amanhecer o mataremos”.
  3. Sansão, porém, ficou deitado só até à meia-noite. Levantou-se, agarrou firme a porta da cidade, juntamente com os dois batentes, e os arrancou, com tranca e tudo.
  4. Pôs tudo nos ombros e levou ao topo da colina que fica defronte de Hebrom.
  5. Depois dessas coisas, ele se apaixonou por uma mulher do vale de Soreque, chamada Dalila.
  6. Os líderes dos filisteus foram dizer a ela: “Veja se você consegue induzi-lo a mostrar-lhe o segredo da sua grande força e como poderemos dominá-lo, para que o amarremos e o subjuguemos. Cada um de nós dará a você treze quilos de prata”.
  7. Disse, pois, Dalila a Sansão: “Conte-me, por favor, de onde vem a sua grande força e como você pode ser amarrado e subjugado”.
  8. Respondeu-lhe Sansão: “Se alguém me amarrar com sete tiras de couro ainda úmidas, ficarei tão fraco quanto qualquer outro homem”.
  9. Então os líderes dos filisteus trouxeram a ela sete tiras de couro ainda úmidas, e Dalila o amarrou com elas.
  10. Tendo homens escondidos no quarto, ela o chamou: “Sansão, os filisteus o estão atacando! “
  11. Mas ele arrebentou as tiras de couro como se fossem um fio de estopa que chega perto do fogo. Assim, não se descobriu de onde vinha a sua força.
  12. Disse Dalila a Sansão: “Você me fez de boba; mentiu para mim! Agora conte-me, por favor, como você pode ser amarrado”.
  13. Ele disse: “Se me amarrarem firmemente com cordas que nunca tenham sido usadas, ficarei tão fraco quanto qualquer outro homem”.
  14. Dalila o amarrou com cordas novas. Depois, tendo homens escondidos no quarto, ela o chamou: “Sansão, os filisteus o estão atacando! ” Mas ele arrebentou as cordas de seus braços como se fossem uma linha.
  15. Disse Dalila a Sansão: “Até agora você me fez de boba e mentiu para mim. Diga-me como pode ser amarrado”.
  16. Ele respondeu: “Se você tecer num pano as sete tranças da minha cabeça e o prender com uma lançadeira, ficarei tão fraco quanto qualquer outro homem”.
  17. Assim, quando ele dormia, Dalila teceu as sete tranças da sua cabeça num pano e o prendeu com a lançadeira. Novamente ela o chamou: “Sansão, os filisteus estão vindo sobre você! “
  18. Ele despertou do sono e arrancou a lançadeira e o tear, junto com os fios do tear.
  19. Então ela lhe disse: “Como você pode dizer que me ama, se não confia em mim? Esta é a terceira vez que você me fez de boba e não contou o segredo da sua grande força”.
  20. Importunando-o o tempo todo, ela o esgotava dia após dia, ficando ele a ponto de morrer.
  21. Por isso ele lhe contou o segredo: “Jamais se passou navalha em minha cabeça”, disse ele, “pois sou nazireu, desde o ventre materno. Se fosse rapado o cabelo da minha cabeça, a minha força se afastaria de mim, e eu ficaria tão fraco quanto qualquer outro homem”.
  22. Quando Dalila viu que Sansão lhe tinha contado todo o segredo, enviou esta mensagem aos líderes dos filisteus: “Subam mais esta vez; pois ele me contou todo o segredo”. Os líderes dos filisteus voltaram a ela levando a prata.
  23. Fazendo-o dormir no seu colo, ela chamou um homem para cortar as sete tranças do cabelo dele, e assim começou a subjugá-lo. E a sua força o deixou.
  24. Então ela chamou: “Sansão, os filisteus o estão atacando! ” Ele acordou do sono e pensou: “Sairei como antes e me livrarei”. Mas não sabia que o Senhor o tinha deixado.
  25. Os filisteus o prenderam, furaram os seus olhos e o levaram para Gaza. Prenderam-no com algemas de bronze, e o puseram a girar um moinho na prisão.
  26. Mas, logo o cabelo da sua cabeça começou a crescer de novo.
  27. Então os líderes dos filisteus se reuniram para oferecer um grande sacrifício a seu deus Dagom e para festejar, comemorando: “O nosso deus entregou o nosso inimigo Sansão em nossas mãos”.
  28. Quando o povo o viu, louvou o seu deus: “O nosso deus nos entregou o nosso inimigo, o devastador da nossa terra, aquele que multiplicava os nossos mortos”.
  29. Com o coração cheio de alegria, gritaram: “Tragam-nos Sansão para nos divertir! ” E mandaram trazer Sansão da prisão, e ele os divertia.
  30. Quando o puseram entre as colunas, Sansão disse ao jovem que o guiava pela mão: “Ponha-me onde eu possa apalpar as colunas que sustentam o templo, para que eu me apoie nelas”.
  31. Homens e mulheres lotavam o templo; todos os líderes dos filisteus estavam presentes, e no alto, na galeria, havia cerca de três mil homens e mulheres vendo Sansão, que os divertia.
  32. E Sansão orou ao Senhor: “Ó Soberano Senhor, lembra-te de mim! Ó Deus, eu te suplico, dá-me forças, mais uma vez, e faze com que eu me vingue dos filisteus por causa dos meus dois olhos!”
  33. Então Sansão forçou as duas colunas centrais sobre as quais o templo se firmava.
  34. Apoiando-se nelas, tendo a mão direita numa coluna e a esquerda na outra, disse: “Que eu morra com os filisteus!”
  35. Então, ele as empurrou com toda a força, e o templo desabou sobre os líderes e sobre todo o povo que ali estava. Assim, na sua morte, Sansão matou mais homens do que em toda a sua vida.
  36. Foram então os seus irmãos e toda a família do seu pai para buscá-lo. Trouxeram-no e o sepultaram entre Zorá e Estaol, no túmulo de Manoá, seu pai. Sansão liderou Israel durante vinte anos.

Capítulo 14 – Mica

  1. Havia um homem chamado Mica, dos montes de Efraim, que disse certa vez à sua mãe: “Os treze quilos de prata que lhe foram roubados e pelos quais eu a ouvi pronunciar uma maldição. Na verdade a prata está comigo; eu a peguei”.
  2. Disse-lhe sua mãe: “O Senhor o abençoe, meu filho! “
  3. Quando ele devolveu os treze quilos de prata à mãe, ela disse: “Consagro solenemente a minha prata ao Senhor para que o meu filho faça uma imagem esculpida e um ídolo de metal. Eu a devolvo a você”.
  4. Mas ele devolveu a prata à sua mãe, e ela separou dois quilos e quatrocentos gramas, e os deu a um ourives, que deles fez a imagem e o ídolo. E estes foram postos na casa de Mica.
  5. Ora, esse homem, Mica, possuía um santuário, e fez um manto sacerdotal e alguns ídolos da família e pôs um dos seus filhos como seu sacerdote.
  6. Naquela época não havia rei em Israel; cada um fazia o que lhe parecia certo.
  7. Um jovem levita de Belém de Judá, procedente do clã de Judá, saiu daquela cidade em busca de outro lugar para morar. Em sua viagem, chegou à casa de Mica, nos montes de Efraim.
  8. Mica lhe perguntou: “De onde você vem? “
  9. “Sou levita, de Belém de Judá”, respondeu ele. “Estou procurando um lugar para morar. “
  10. “Fique comigo”, disse-lhe Mica. “Seja meu pai e sacerdote, e eu lhe darei cento e vinte gramas de prata por ano, roupas e comida. “
  11. O jovem levita concordou em ficar com Mica, e tornou-se como um dos seus filhos.
  12. Mica acolheu o levita, e o jovem se tornou seu sacerdote, e ficou morando em sua casa.
  13. E Mica disse: “Agora sei que o Senhor me tratará com bondade, pois esse levita se tornou meu sacerdote”.
  14. Naquela época não havia rei em Israel, e a tribo de Dã estava procurando um local onde estabelecer-se, pois ainda não tinha recebido herança entre as tribos de Israel.
  15. Então enviaram cinco guerreiros de Zorá e de Estaol para espionarem a terra e explorá-la. Esses homens representavam todos os clãs da tribo. Disseram-lhes: “Vão, explorem a terra”.
  16. Os homens chegaram aos montes de Efraim e foram à casa de Mica, onde passaram a noite.
  17. Quando estavam perto da casa de Mica, reconheceram a voz do jovem levita; aproximaram-se e lhe perguntaram: “Quem o trouxe para cá? O que você está fazendo neste lugar? Por que você está aqui?”
  18. O jovem lhes contou o que Mica fizera por ele, e disse: “Ele me contratou, e eu sou seu sacerdote”.
  19. Então eles lhe pediram: “Pergunte a Deus, se a nossa viagem será bem sucedida”.
  20. O sacerdote lhes respondeu: “Vão em paz. Sua viagem tem a aprovação do Senhor”.
  21. Os cinco homens partiram e chegaram a Laís, onde viram que o povo vivia em segurança, como os sidônios, despreocupado e tranqüilo, e que gozava prosperidade, pois a sua terra não lhe deixava faltar nada.
  22. Viram também que o povo vivia longe dos sidônios e não tinha relações com nenhum outro povo.
  23. Quando voltaram a Zorá e a Estaol, seus irmãos lhes perguntaram: “O que descobriram? “
  24. Eles responderam: “Vamos atacá-los! Vimos que a terra é muito boa. Vocês vão ficar aí sem fazer nada? Não hesitem em ir apossar-se dela.
  25. Chegando lá, vocês encontrarão um povo despreocupado e uma terra espaçosa que Deus pôs nas mãos de vocês, terra onde não falta coisa alguma!”
  26. Então seiscentos homens da tribo de Dã, partiram de Zorá e de Estaol, armados para guerra.
  27. Na viagem armaram acampamento perto de Quiriate-Jearim, em Judá. É por isso que até hoje o local, a oeste de Quiriate-Jearim, é chamado Maané-Dã.
  28. Dali foram para os montes de Efraim e chegaram à casa de Mica.
  29. Os cinco homens que haviam espionado a terra de Laís disseram a seus irmãos: “Vocês sabiam que numa dessas casas há um manto sacerdotal, ídolos da família, uma imagem esculpida e um ídolo de metal? Agora vocês sabem o que devem fazer”.
  30. Então eles se aproximaram e foram à casa do jovem levita, à casa de Mica, e o saudaram.
  31. Os seiscentos homens de Dã, armados para a guerra, ficaram junto à porta.
  32. Os cinco homens que haviam espionado a terra entraram e apanharam a imagem, o manto sacerdotal, os ídolos da família e o ídolo de metal, enquanto o sacerdote e os seiscentos homens armados permaneciam à porta.
  33. Quando os homens entraram na casa de Mica e apanharam a imagem, o manto sacerdotal, os ídolos da família e o ídolo de metal, o sacerdote lhes perguntou: “Que é que vocês estão fazendo? “
  34. Eles lhe responderam: “Silêncio! Não diga nada. Venha conosco, e seja nosso pai e sacerdote. Não será melhor para você servir como sacerdote uma tribo e um clã de Israel do que apenas a família de um só homem?”
  35. Então o sacerdote se alegrou, apanhou o manto sacerdotal, os ídolos da família e a imagem esculpida e se juntou à tropa.
  36. Pondo os seus filhos, os seus animais e os seus bens na frente deles, partiram de volta.
  37. Quando já estavam a certa distância da casa, os homens que moravam perto de Mica foram convocados e alcançaram os homens de Dã.
  38. Como vinham gritando atrás deles, estes se voltaram e perguntaram a Mica: “Qual é o seu problema? Por quê convocou os seus homens para lutar? “
  39. Ele respondeu: “Vocês estão levando embora os deuses que fiz e o meu sacerdote. O que me sobrou? Como é que ainda podem perguntar: Qual é o seu problema?”
  40. Os homens de Dã responderam: “Não discuta conosco, senão alguns homens de temperamento violento o atacarão, e você e a sua família perderão a vida”.
  41. E assim os homens de Dã seguiram seu caminho. Vendo que eles eram fortes demais para ele, Mica virou-se e voltou para casa.
  42. Os homens de Dã levaram o que Mica fizera e o seu sacerdote, e foram para Laís, lugar de um povo pacífico e despreocupado. Eles mataram todos ao fio da espada e queimaram a cidade.
  43. Não houve quem os livrasse, pois viviam longe de Sidom e não tinham relações com nenhum outro povo.
  44. A cidade ficava num vale que se estende até Bete-Reobe. Os homens de Dã reconstruíram a cidade e se estabeleceram nela.
  45. Deram à cidade anteriormente chamada Laís o nome de Dã, em homenagem a seu antepassado Dã, filho de Israel.
  46. Eles levantaram para si o ídolo, e Jônatas, filho de Gérson, neto de Moisés, e os seus filhos foram sacerdotes da tribo de Dã até que o povo foi para o exílio.
  47. Ficaram com o ídolo feito por Mica durante todo o tempo em que o santuário de Deus esteve em Siló.

Capítulo 15 – Esposa do Levita

  1. Naquela época não havia rei em Israel. Aconteceu que um levita que vivia nos montes de Efraim, numa região afastada, tomou para si uma concubina, que era de Belém de Judá.
  2. Mas ela lhe foi infiel. Deixou-o e voltou para a casa do seu pai, em Belém de Judá.
  3. Quatro meses depois, seu marido foi convencê-la a voltar. Ele tinha levado o seu servo e dois jumentos. A mulher o levou para dentro da casa do seu pai, e quando seu pai o viu, alegrou-se.
  4. O sogro dele, pai da moça, o convenceu a ficar ali; e ele permaneceu com eles cinco dias; todos eles comendo, bebendo e dormindo ali.
  5. Não desejando ficar outra noite, o homem partiu rumo a Jebus, isto é, Jerusalém, com dois jumentos selados e com a sua concubina.
  6. Quando estavam perto de Jebus e já se findava o dia, o servo disse a seu senhor: “Venha. Vamos parar nesta cidade dos jebuseus e passar a noite aqui”.
  7. O seu senhor respondeu: “Não. Não vamos entrar numa cidade estrangeira, cujo povo não seja israelita. Iremos para Gibeá. Ande! Vamos tentar chegar a Gibeá ou a Ramá e passar a noite num desses lugares”.
  8. Então prosseguiram, e o sol se pôs quando se aproximavam de Gibeá de Benjamim. Ali entraram para passar a noite. Foram sentar-se na praça da cidade. E ninguém os convidou para passarem a noite em casa.
  9. Naquela noite um homem idoso procedente dos montes de Efraim e que estava morando em Gibeá, os homens do lugar eram benjamitas, voltou do seu trabalho no campo.
  10. “Você é bem-vindo em minha casa”, disse o homem idoso. “Vou atendê-lo no que você precisar. Não passe a noite na praça.”
  11. Ele os levou para a sua casa e alimentou os jumentos. Depois de lavarem os pés, comeram e beberam alguma coisa.
  12. Quando estavam entretidos, alguns vadios da cidade cercaram a casa.
  13. Esmurrando a porta, gritaram para o homem idoso, dono da casa: “Traga para fora o homem que entrou na sua casa para que tenhamos relações com ele!”
  14. O dono da casa saiu e lhes disse: “Não sejam tão perversos, meus amigos. Já que esse homem é meu hóspede, não cometam essa loucura.”
  15. “Vejam, aqui está minha filha virgem e a concubina do meu hóspede. Eu as trarei para vocês, e vocês poderão usá-las e fazer com elas o que quiserem.
  16. “Mas, nada façam com esse homem, não cometam tal loucura!”
  17. Mas os homens não quiseram ouvi-lo. Então o levita mandou a sua concubina para fora, e eles a violentaram e abusaram dela a noite toda. Ao alvorecer a deixaram.
  18. Ao romper do dia a mulher voltou para a casa onde o seu senhor estava hospedado, caiu junto à porta e ali ficou até o dia clarear.
  19. Quando o seu senhor se levantou de manhã, abriu a porta da casa e saiu para prosseguir viagem, lá estava a sua concubina, caída à entrada da casa, com as mãos na soleira da porta.
  20. Ele lhe disse: “Levante-se, vamos!”, mas não houve resposta. Então o homem a pôs em seu jumento e foi para casa.
  21. Quando chegou em casa, apanhou uma faca e cortou o corpo da sua concubina em doze partes, e as enviou a todas as regiões de Israel.
  22. Todos os que viram isso disseram: “Nunca se viu nem se fez uma coisa dessas desde o dia em que os israelitas saíram do Egito. Pensem! Reflitam! Digam o que se deve fazer!”
  23. Então todos os israelitas, de Dã a Berseba, e de Gileade, saíram como um só homem e se reuniram em assembleia perante o Senhor em Mispá.
  24. Os líderes de todo o povo das tribos de Israel tomaram seus lugares na assembleia do povo de Deus, quatrocentos mil soldados armados de espada.
  25. Os israelitas perguntaram: “Como aconteceu essa perversidade? “
  26. Então o levita, marido da mulher assassinada, contou o ocorrido e pediu a todo os israelitas que se manifestassem-se e dessem o seu veredicto.
  27. Todo o povo se levantou como se fosse um só homem, dizendo: “Nenhum de nós irá para casa. Nenhum de nós voltará para o seu lar.”
  28. E todos os israelitas se ajuntaram e se uniram como um só homem contra a cidade.
  29. As tribos de Israel enviaram homens a toda a tribo de Benjamim, dizendo: “Entreguem esses canalhas de Gibeá, para que os matemos e eliminemos esse mal de Israel”
  30. Mas os benjamitas não quiseram ouvir os israelitas. Vindos de suas cidades, reuniram-se em Gibeá para lutar contra eles.
  31. Naquele dia os benjamitas mobilizaram vinte e seis mil homens armados de espada que vieram das suas cidades, além dos setecentos melhores soldados que viviam em Gibeá.
  32. Dentre todos esses soldados havia setecentos canhotos, muito hábeis, e cada um deles podia atirar uma pedra com a funda num cabelo sem errar.
  33. Os israelitas subiram a Betel e consultaram a Deus. “Quem de nós irá lutar primeiro contra os benjamitas? “, perguntaram. O Senhor respondeu: “Judá irá primeiro”.
  34. Na manhã seguinte os israelitas se levantaram e armaram acampamento perto de Gibeá.
  35. Os homens de Israel saíram para lutar contra os benjamitas e tomaram posição de combate contra eles em Gibeá, mas os benjamitas saíram de Gibeá e naquele dia mataram vinte e dois mil israelitas em batalha.
  36. Os israelitas subiram e choraram perante o Senhor até a tarde, e consultaram o Senhor: “Devemos atacar de novo os nossos irmãos benjamitas? ” O Senhor respondeu: “Vocês devem atacar”.
  37. Então os israelitas avançaram contra os benjamitas no segundo dia. Dessa vez, quando os benjamitas saíram de Gibeá para enfrentá-los, derrubaram outros dezoito mil israelitas armados de espada.
  38. Então todos os israelitas subiram a Betel, e ali se assentaram, chorando perante o Senhor.  Naqueles dias a arca da aliança estava ali, e Finéias, filho de Eleazar, filho de Arão, ministrava perante ela.
  39. Os israelitas jejuaram até à tarde e apresentaram holocaustos e ofertas de comunhão; e consultaram o Senhor: “Sairemos de novo ou não, para lutar contra os nossos irmãos benjamitas?” O Senhor respondeu: “Vão, pois amanhã eu os entregarei nas suas mãos”.
  40. Então os israelitas armaram uma emboscada em torno de Gibeá. Avançaram contra os benjamitas no terceiro dia e tomaram posição contra Gibeá, como tinham feito antes.
  41. Os benjamitas saíram para enfrentá-los e foram atraídos para longe da cidade.
  42. Todos os homens de Israel saíram dos seus lugares e ocuparam posições em Baal-Tamar, e a emboscada israelita atacou da sua posição a oeste de Gibeá enquanto dez mil dos melhores soldados de Israel iniciaram um ataque frontal.
  43. Os da emboscada avançaram repentinamente para dentro de Gibeá, espalharam-se e mataram todos os habitantes da cidade à espada.
  44. Quando a coluna de fumaça começou a se levantar da cidade, os homens de Benjamim ficaram apavorados, pois perceberam que a sua desgraça havia chegado.
  45. Dezoito mil benjamitas morreram, todos eles soldados valentes. Dos que fugiram rumo ao deserto, para a rocha de Rimom, os israelitas abateram cinco mil homens ao longo das estradas.
  46. Até Gidom eles pressionaram os benjamitas e mataram mais de dois mil homens.
  47. Naquele dia vinte e cinco mil benjamitas que portavam espada morreram.
  48. Os israelitas voltaram a Benjamim e passaram todas as cidades à espada, matando inclusive os animais e tudo o que encontraram nelas. E incendiaram todas as cidades por onde passaram.
  49. Seiscentos benjamitas fugiram para o deserto, para a rocha de Rimom, onde ficaram durante quatro meses, mas os israelitas fizeram juramento em Mispá: “Nenhum de nós dará sua filha em casamento a um benjamita”.
  50. O povo foi a Betel, onde esteve sentado perante o Senhor até à tarde, chorando bem alto e amargamente: “Ó Senhor, Deus de Israel, por que aconteceu isso em Israel? Por que teria que faltar hoje uma tribo em Israel?”
  51. Na manhã do dia seguinte o povo se levantou cedo, construiu um altar e apresentou holocaustos e ofertas de comunhão.
  52. Os israelitas prantearam pelos seus irmãos benjamitas. “Hoje uma tribo foi eliminada de Israel”, diziam.
  53. “Como poderemos conseguir mulheres para os sobreviventes, visto que juramos pelo Senhor não lhes dar em casamento nenhuma de nossas filhas?”
  54. Então perguntaram: “Qual das tribos de Israel deixou de reunir-se perante o Senhor em Mispá?”
  55. Quando contaram o povo, verificaram que ninguém do povo de Jabes-Gileade estava ali.
  56. Então a comunidade enviou doze mil homens de guerra com instruções para irem a Jabes-Gileade e matarem à espada todos os que viviam lá, inclusive mulheres e crianças.
  57. Entre o povo que vivia em Jabes-Gileade encontraram quatrocentas moças virgens e as levaram para o acampamento de Siló, em Canaã.
  58. Depois a comunidade toda enviou uma oferta de comunhão aos benjamitas que estavam na rocha de Rimom.
  59. Os benjamitas voltaram naquela ocasião e receberam as mulheres de Jabes-Gileade que tinham sido poupadas. Mas não havia suficientes mulheres para todos eles.
  60. Há, porém, a festa anual do Senhor em Siló, ao norte de Betel, a leste da estrada que vai de Betel a Siquém, e ao sul de Lebona”.
  61. Então mandaram para lá os benjamitas, dizendo: “Vão, escondam-se nas vinhas e fiquem observando. Quando as moças de Siló forem para as danças, saiam correndo das vinhas e cada um de vocês apodere-se de uma das moças de Siló e vá para a terra de Benjamim.”
  62. “Quando os pais ou irmãos delas se queixarem a nós diremos: Tenham misericórdia deles, pois não conseguimos mulheres para eles durante a guerra, e vocês são inocentes, visto que não lhes deram suas filhas”.
  63. Foi o que os benjamitas fizeram. Quando as moças estavam dançando, cada homem tomou uma para fazer dela sua mulher. Depois voltaram para a sua herança, reconstruíram as cidades e se estabeleceram nelas.
  64. Na mesma ocasião os israelitas saíram daquele local e voltaram para as suas tribos e para os seus clãs, cada um para a sua própria herança.
  65. Naquela época não havia rei em Israel; cada um fazia o que lhe parecia certo.

Capítulo 16 – Rute e Boaz

  1. Na época dos juízes houve fome na terra. Um homem de Belém de Judá, com a mulher e os dois filhos, foi viver por algum tempo nas terras de Moabe.
  2. O homem chamava-se Elimeleque, sua mulher Noemi e seus dois filhos Malom e Quiliom. Eles eram efrateus de Belém de Judá. Chegaram a Moabe, e lá ficaram.
  3. Morreu Elimeleque, marido de Noemi, e ela ficou sozinha, com seus dois filhos.
  4. Eles se casaram com mulheres moabitas, uma chamada Orfa e a outra Rute. Depois de terem morado lá por quase dez anos, morreram também Malom e Quiliom, e Noemi ficou sozinha, sem os dois filhos e o seu marido.
  5. Quando Noemi soube em Moabe que o Senhor viera em auxílio do seu povo, dando-lhe alimento, decidiu voltar com suas duas noras para a sua terra.
  6. Assim ela, com as duas noras, partiu do lugar onde tinha morado.
  7. Enquanto voltavam para a terra de Judá, Noemi disse às duas noras: “Vão! Voltem para a casa de suas mães! Que o Senhor seja leal com vocês, como vocês foram leais com os falecidos e comigo.
  8. “O Senhor conceda que cada uma de vocês encontre segurança no lar doutro marido”. Então deu-lhes beijos de despedida.
  9. Elas começaram a chorar bem alto e lhe disseram: “Não! Voltaremos com você para junto de seu povo!”
  10. Disse, porém, Noemi: “Voltem, minhas filhas! Por que viriam comigo? Poderia eu ainda ter filhos, que viessem a ser seus maridos? Voltem, minhas filhas! Vão! Estou velha demais para ter outro marido.”
  11. “E mesmo que eu pensasse que ainda há esperança para mim — ainda que eu me casasse esta noite e depois desse à luz filhos, iriam vocês esperar até que eles crescessem?”
  12. “Ficariam sem se casar à espera deles? De jeito nenhum minhas filhas! Para mim é mais amargo do que para vocês, pois a mão do Senhor voltou-se contra mim!”
  13. Elas então começaram a choram bem alto de novo. Depois Orfa deu um beijo de despedida em sua sogra, mas Rute ficou com ela.
  14. Então Noemi a aconselhou: “Veja, sua concunhada está voltando para o seu povo e para o seu deus. Volte com ela!”
  15. Rute, porém, respondeu: “Não insistas comigo que te deixe e não mais a acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus!”
  16. “Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada. Que o Senhor me castigue com todo o rigor, se outra coisa que não a morte me separar de ti! “
  17. Quando Noemi viu que Rute estava de fato decidida a acompanhá-la, não insistiu mais.
  18. Prosseguiram, pois, as duas até Belém. Ali chegando, todo o povoado ficou alvoroçado por causa delas. “Será que é Noemi? “, perguntavam as mulheres.
  19. Mas ela respondeu: “Não me chamem Noemi, chamem-me Mara, pois o Todo-poderoso tornou minha vida muito amarga!”
  20. “De mãos cheias eu parti; mas de mãos vazias o Senhor me trouxe de volta. Por que me chamam Noemi? O Senhor colocou-se contra mim! O Todo-poderoso me trouxe desgraça!”
  21. Foi assim que Noemi voltou das terras de Moabe, com sua nora Rute, a moabita. Elas chegaram a Belém no início da colheita da cevada.
  22. Noemi tinha um parente por parte do marido. Era um homem rico e influente, pertencia ao clã de Elimeleque e chamava-se Boaz.
  23. Rute, a moabita, disse a Noemi: “Vou recolher espigas no campo daquele que me permitir”. “Vá, minha filha”, respondeu-lhe Noemi.
  24. Então ela foi e começou a recolher espigas atrás dos ceifeiros. Por acaso entrou justamente na parte da plantação que pertencia a Boaz, que era do clã de Elimeleque.
  25. Naquele exato momento, Boaz chegou de Belém e saudou os ceifeiros: “O Senhor esteja com vocês! ” Eles responderam: “O Senhor te abençoe!”
  26. Boaz perguntou ao capataz dos ceifeiros: “A quem pertence aquela moça? “
  27. O capataz respondeu: “É uma moabita que voltou de Moabe com Noemi.”
  28. “Ela me pediu que a deixasse recolher e juntar espigas entre os feixes, após os ceifeiros. Ela chegou cedo e está de pé até agora. Só sentou-se um pouco no abrigo”.
  29. Disse então Boaz a Rute: “Ouça bem, minha filha, não vá colher noutra lavoura, nem se afaste daqui. Fique com minhas servas.”
  30. “Preste atenção onde os homens estão ceifando, e vá atrás das moças que vão colher. Darei ordem aos rapazes para que não toquem em você. Quando tiver sede, beba da água dos potes que os rapazes encheram”.
  31. Ela se inclinou e, prostrada rosto em terra, exclamou: “Por que achei favor a seus olhos, a ponto de o senhor se importar comigo, uma estrangeira? “
  32. Boaz respondeu: “Contaram-me tudo o que você tem feito por sua sogra, depois que você perdeu o marido: como deixou seu pai, sua mãe e sua terra natal para viver com um povo que pouco conhecia.
  33. O Senhor lhe retribua o que você tem feito! Que você seja ricamente recompensada pelo Senhor, o Deus de Israel, sob cujas asas você veio buscar refúgio!”
  34. E disse ela: “Continue eu a ser bem acolhida, meu senhor! O senhor me deu ânimo e encorajou sua serva — e eu sequer sou como uma de suas servas!”
  35. Na hora da refeição, Boaz lhe disse: “Venha cá! Pegue um pedaço de pão e molhe-o no vinagre”.
  36. Quando ela se sentou junto aos ceifeiros, Boaz lhe ofereceu grãos tostados. Ela comeu até ficar satisfeita e ainda sobrou.
  37. Quando ela se levantou para recolher, Boaz deu estas ordens a seus servos: “Mesmo que ela recolha entre os feixes, não a repreendam!”
  38. “Pelo contrário, quando estiverem colhendo, tirem para ela algumas espigas dos feixes e deixem-nas cair para que ela as recolha, e não a impeçam”.
  39. E assim Rute colheu na lavoura até o entardecer. Depois debulhou o que tinha ajuntado: quase uma arroba de cevada.
  40. Carregou-o para o povoado, e sua sogra viu o quanto ela havia recolhido quando Rute trouxe e lhe ofereceu o que havia sobrado da refeição.
  41. “Onde você colheu hoje? “, a sogra lhe perguntou: “Onde trabalhou? Bendito seja aquele que se importou com você!”
  42. Então Rute contou à sogra com quem tinha trabalhado: “O nome do homem com quem trabalhei hoje é Boaz”.
  43. E Noemi exclamou: “Seja ele abençoado pelo Senhor, que não deixa de ser leal e bondoso com os vivos e com os mortos! Aquele homem é nosso parente; é um de nossos resgatadores! “
  44. Continuou Rute, a moabita: “Pois ele mesmo me disse também: Fique com os meus ceifeiros até que terminem toda a minha colheita”.
  45. E Noemi aconselhou à sua nora Rute: “É melhor mesmo você ir com as servas dele, minha filha. Noutra lavoura poderiam molestá-la”.
  46. Assim Rute ficou com as servas de Boaz para recolher espigas, até acabarem as colheitas de cevada e de trigo. Entretanto, ela ficou morando com a sua sogra.
  47. Certo dia, Noemi, sua sogra, lhe disse: “Minha filha, tenho que procurar um lar seguro, para sua felicidade.”
  48. “Boaz, aquele com cujas servas você esteve, é nosso parente próximo. Esta noite ele estará limpando cevada na eira.”
  49. “Lave-se, perfume-se, vista sua melhor roupa e desça para a eira. Mas não deixe que ele perceba você até que tenha comido e bebido.”
  50. “Quando ele for dormir, note bem o lugar em que ele se deitar. Então vá, descubra os pés dele e deite-se. Ele lhe dirá o que fazer”.
  51. Respondeu Rute: “Farei tudo o que você está me dizendo”.
  52. Então ela desceu para a eira e fez tudo o que a sua sogra lhe tinha recomendado.
  53. Quando Boaz terminou de comer e beber, ficou alegre e foi deitar-se perto do monte de grãos. Rute aproximou-se sem ser notada, descobriu os pés dele, e deitou-se.
  54. No meio da noite, o homem acordou de repente. Ele se virou e assustou-se ao ver uma mulher deitada a seus pés.
  55. “Quem é você? “, perguntou ele. “Sou sua serva Rute”, disse ela. “Estenda a sua capa sobre a sua serva, pois o senhor é resgatador.”
  56. Boaz lhe respondeu: “O Senhor a abençoe, minha filha! Este seu gesto de bondade é ainda maior do que o primeiro, pois você poderia ter ido atrás dos mais jovens, ricos ou pobres!”
  57. “Agora, minha filha, não tenha medo; farei por você tudo o que me pedir. Todos os meus concidadãos sabem que você é mulher virtuosa.”
  58. “É verdade que sou resgatador, mas há um outro que é parente mais próximo do que eu. Passe a noite aqui. De manhã veremos: se ele quiser resgatá-la, muito bem, que resgate.”
  59. “Se ele não quiser, juro pelo nome do Senhor que eu a resgatarei. Deite-se aqui até de manhã”.
  60. Ela ficou deitada aos pés dele até de manhã, mas levantou-se antes de clarear a ponto de alguém poder ser reconhecido. Boaz pensou: “Ninguém deve saber que esta mulher esteve na eira”.
  61. Por isso disse: “Traga-me o manto que você está usando e segure-o”. Ela o segurou, e o homem despejou nele seis medidas de cevada e o pôs sobre os ombros dela. Depois ele voltou para a cidade.
  62. Quando Rute voltou à sua sogra, esta lhe perguntou: “Como foi, minha filha? “
  63. Rute lhe contou tudo o que Boaz lhe tinha feito, e acrescentou: “Ele me deu estas seis medidas de cevada, dizendo: Não volte para a sua sogra de mãos vazias”.
  64. Disse então Noemi: “Agora espere, minha filha, até saber o que acontecerá. Sem dúvida aquele homem não descansará enquanto não resolver esta questão hoje mesmo”.
  65. Enquanto isso, Boaz subiu à porta da cidade e sentou-se ali exatamente quando o resgatador que ele havia mencionado estava passando por ali.
  66. Boaz chamou-lhe e disse: “Meu amigo, venha cá e sente-se”. Ele foi e sentou-se.
  67. Boaz reuniu dez líderes da cidade e disse: “Sentem-se aqui”. Quando se sentaram. ele disse ao resgatador: “Noemi, que voltou de Moabe, está vendendo o pedaço de terra que pertencia ao nosso irmão Elimeleque.”
  68. “Pensei que devia trazer o assunto para a sua consideração e sugerir-lhe que o adquira, na presença destes que aqui estão sentados e na presença dos líderes do meu povo. Se quer resgatar esta propriedade, resgate-a.”
  69. “Se não, diga-me, para que eu o saiba. Pois ninguém tem esse direito, a não ser você; e depois eu”.
  70. “Eu a resgatarei”, respondeu ele. Boaz, porém, lhe disse: “No dia em que você adquirir as terras de Noemi e da moabita Rute, estará adquirindo também a viúva do falecido, para manter o nome dele em sua herança”.
  71. Diante disso, o resgatador respondeu: “Nesse caso não poderei resgatá-la, pois poria em risco a minha propriedade. Resgate-a você mesmo. Eu não poderei fazê-lo!”
  72. Antigamente, em Israel, para que o resgate e a transferência de propriedade fossem válidos, a pessoa tirava a sandália e a dava ao outro. Assim oficializavam os negócios em Israel.
  73. Quando, pois, o resgatador disse a Boaz: “Adquira-a você mesmo! “, ele também tirou a sandália.
  74. Então Boaz anunciou aos líderes e a todo o povo ali presente: “Vocês hoje são testemunhas de que estou adquirindo de Noemi toda a propriedade de Elimeleque, de Quiliom e de Malom.”
  75. Também estou adquirindo o direito de ter como mulher a moabita Rute, viúva de Malom, para manter o nome do falecido sobre a sua herança e para que o seu nome não desapareça do meio da sua família ou dos registros da cidade. Vocês hoje são testemunhas disso!”
  76. Os líderes e todos os que estavam na porta confirmaram: “Somos testemunhas! Faça o Senhor com essa mulher que está entrando em sua família, como fez com Raquel e Lia, que juntas formaram as tribos de Israel.”
  77. Seja poderoso em Efrata e ganhe fama em Belém! E com os filhos que o Senhor lhe conceder dessa jovem, seja a sua família como a de Perez, que Tamar deu a Judá!”
  78. Boaz casou-se com Rute, e ela se tornou sua mulher. Boaz a possuiu, e o Senhor concedeu que ela engravidasse e desse à luz um filho.
  79. As mulheres disseram a Noemi: “Louvado seja o Senhor, que hoje não a deixou sem resgatador! Que o seu nome seja celebrado em Israel!”
  80. “O menino lhe dará nova vida e a sustentará na velhice, pois é filho da sua nora, que a ama e que lhe é melhor do que sete filhos! “
  81. Noemi pôs o menino no colo, e passou a cuidar dele.
  82. As mulheres da vizinhança celebraram o seu nome e disseram: “Noemi tem um filho! ” e lhe deram o nome de Obede. Este foi o pai de Jessé, pai de Davi.

Capítulo 17 – Eli

  1. Havia certo homem de Ramataim, zufita, dos montes de Efraim, chamado Elcana, filho de Jeroão, neto de Eliú e bisneto de Toú, filho do efraimita Zufe.
  2. Elcana tinha duas mulheres; uma se chamava Ana, e a outra Penina. Penina tinha filhos, Ana, porém, não tinha.
  3. Todos os anos esse homem subia de sua cidade a Siló para adorar e sacrificar ao Senhor dos Exércitos. Lá, Hofni e Finéias, os dois filhos de Eli, eram sacerdotes do Senhor.
  4. No dia em que Elcana oferecia sacrifícios, dava porções à sua mulher Penina e a todos os filhos e filhas dela.
  5. Mas a Ana dava uma porção dupla, porque a amava, mesmo que o Senhor a houvesse deixado estéril. E porque o Senhor a tinha deixado estéril, sua rival a provocava continuamente, a fim de irritá-la.
  6. Isso acontecia ano após ano. Sempre que Ana subia à casa do Senhor, sua rival a provocava e ela chorava e não comia.
  7. Certa vez quando terminou de comer e beber em Siló, estando o sacerdote Eli sentado numa cadeira junto à entrada do santuário do Senhor, Ana se levantou.
  8. Com a alma amargurada, chorou muito e orou ao Senhor.
  9. Como Ana orava silenciosamente, seus lábios se mexiam mas não se ouvia sua voz, Eli pensou que ela estivesse embriagada.
  10. Ele lhe disse: “Até quando você continuará embriagada? Abandone o vinho!”
  11. Ana respondeu: “Não julgues tua serva uma mulher vadia; estou orando aqui até agora por causa de minha grande angústia e tristeza”.
  12. Eli respondeu: “Vá em paz, e que o Deus de Israel lhe conceda o que você pediu”.
  13. Na manhã seguinte, eles se levantaram e adoraram ao Senhor; então voltaram para casa, em Ramá. Elcana teve relações com sua mulher Ana, e o Senhor se lembrou dela.
  14. Assim Ana engravidou e, no devido tempo, deu à luz um filho. E deu-lhe o nome de Samuel, dizendo: “Eu o pedi ao Senhor”.
  15. Quando no ano seguinte Elcana subiu com toda a família para oferecer o sacrifício anual ao Senhor e para cumprir o seu voto,
  16. Ana não foi e disse a seu marido: “Depois que o menino for desmamado, eu o levarei e o apresentarei ao Senhor, e ele morará ali para sempre”.
  17. Eles sacrificaram o novilho e levaram o menino a Eli, e ela lhe disse: “Meu senhor, juro por tua vida que eu sou a mulher que esteve aqui a teu lado, orando ao Senhor.”
  18. “Era este menino que eu pedia, e o Senhor concedeu-me o pedido. Por isso, agora, eu o dedico ao Senhor. Por toda a sua vida será dedicado ao Senhor”.
  19. Então Elcana voltou para casa em Ramá; e o menino começou a servir o Senhor sob a direção do sacerdote Eli.
  20. Os filhos de Eli eram ímpios; não se importavam com o Senhor nem cumpriam os deveres de sacerdotes para com o povo.
  21. Antes mesmo de queimarem a gordura, vinha o auxiliar do sacerdote e dizia ao homem que estava oferecendo o sacrifício: “Dê um pedaço desta carne para o sacerdote assar”.
  22. O pecado desses jovens era muito grande à vista do Senhor, pois eles estavam tratando com desprezo a oferta do Senhor.
  23. Samuel, contudo, ainda menino, ministrava perante o Senhor, vestindo uma túnica de linho. Todos os anos sua mãe fazia uma pequena túnica e a levava para ele, quando subia a Siló com o marido para oferecer o sacrifício anual.
  24. O Senhor foi bondoso com Ana; ela engravidou e deu à luz três filhos e duas filhas; enquanto isso, o menino Samuel crescia na presença do Senhor.
  25. Eli, já bem idoso, ficou sabendo de tudo que seus filhos faziam a todo o Israel e que eles se deitavam com as mulheres que serviam na entrada da Tenda do Encontro.
  26. Por isso lhes perguntou: “Por que vocês fazem estas coisas? De todo o povo ouço a respeito do mal que vocês fazem. Não, meus filhos; não é bom o que escuto se espalhando entre o povo do Senhor.
  27. “Se um homem pecar contra outro homem, os juízes poderão intervir em seu favor; mas, se pecar contra o Senhor, quem intercederá por ele?”
  28. Seus filhos, contudo, não deram atenção à repreensão de seu pai, pois o Senhor queria matá-los.
  29. E o menino Samuel continuava a crescer, sendo cada vez mais estimado pelo Senhor e pelo povo.
  30. Certa noite, Eli, cujos olhos estavam ficando tão fracos que já não conseguia mais enxergar, estava deitado em seu lugar de costume.
  31. A lâmpada de Deus ainda não havia se apagado, e Samuel estava deitado no santuário do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus.
  32. Então o Senhor chamou Samuel. Samuel respondeu: “Estou aqui”. Ele correu até Eli e disse: “Estou aqui; o senhor me chamou? ” Eli, porém, disse: “Não o chamei; volte e deite-se”. Então, ele foi e se deitou.
  33. De novo o Senhor chamou: “Samuel! ” E Samuel se levantou e foi até Eli e disse: “Estou aqui; o senhor me chamou? ” Disse Eli: “Meu filho, não o chamei; volte e deite-se”.
  34. Ora, Samuel ainda não conhecia o Senhor. A palavra do Senhor ainda não lhe havia sido revelada.
  35. O Senhor chamou Samuel pela terceira vez. Ele se levantou, foi até Eli e disse: “Estou aqui; o senhor me chamou? “
  36. Então Eli percebeu que o Senhor estava chamando o menino e lhe disse: “Vá e deite-se; se ele chamá-lo, diga: ‘Fala, Senhor, pois o teu servo está ouvindo’ “.
  37. Quando Samuel voltou se deitar. o Senhor o chamou como nas outras vezes: “Samuel, Samuel! ” Então Samuel disse: “Fala, pois o teu servo está ouvindo”. E naquela ocasião o Senhor falou com Samuel.
  38. Samuel ficou deitado até de manhã e então abriu as portas da casa do Senhor.
  39. Ele teve medo de contar a visão a Eli, mas este o chamou e disse: “Samuel, meu filho”. “Estou aqui”, respondeu Samuel.
  40. Eli perguntou: “O que o Senhor lhe disse? Não esconda de mim. Deus o castigue, e o faça com muita severidade, se você esconder de mim qualquer coisa que ele lhe falou”.
  41. Então, Samuel lhe contou tudo, e nada escondeu, dizendo: “O senhor me falou: Executarei contra Eli tudo o que falei contra sua família, do começo ao fim, por causa do pecado dos seus filhos, do qual ele tinha consciência.”
  42. Então Eli disse: “Ele é o Senhor; que faça o que lhe parecer melhor”.
  43. O Senhor estava com Samuel enquanto este crescia, e fazia com que todas as suas palavras se cumprissem.
  44. Todo o Israel, de Dã até Berseba, reconhecia que Samuel estava confirmado como profeta do Senhor.
  45. Neste tempo, os filisteus dispuseram suas forças em linha para enfrentar Israel.
  46. E, intensificando-se o combate, Israel foi derrotado pelos filisteus, que mataram cerca de quatro mil deles no campo de batalha.
  47. Quando os soldados voltaram ao acampamento, as autoridades de Israel disseram: “Vamos a Siló buscar a arca da aliança do Senhor, para que Ele vá conosco e nos salve das mãos de nossos inimigos”.
  48. Então mandaram trazer de Siló a arca da aliança do Senhor dos Exércitos, que tem o seu trono entre os querubins. E os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, foram com ela.”
  49. Quando a arca da aliança do Senhor entrou no acampamento, todos os israelitas gritaram tão alto que o chão estremeceu.
  50. Os filisteus, ouvindo os gritos, perguntaram: “O que significam todos esses gritos no acampamento dos hebreus?”, souberam que a arca do Senhor viera para o acampamento.
  51. Os filisteus ficaram com medo e disseram: “Deuses chegaram ao acampamento. Ai de nós! Nunca nos aconteceu uma coisa dessas!”
  52. “Sejam fortes, filisteus! Sejam homens ou vocês se tornarão escravos dos hebreus, assim como eles foram escravos de vocês. Sejam homens e lutem!”
  53. Então os filisteus lutaram e Israel foi derrotado; cada homem fugiu para sua tenda. O massacre foi muito grande: Israel perdeu trinta mil homens de infantaria.
  54. A arca de Deus foi tomada, e os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, morreram.
  55. Naquele mesmo dia um benjamita correu da linha de batalha até Siló, com as roupas rasgadas e terra na cabeça.
  56. Quando ele chegou, Eli estava sentado, observando sua cadeira, ao lado da estrada, pois seu coração temia pela arca de Deus.
  57. O homem entrou na cidade e contou o que havia acontecido, e a cidade começou a gritar.
  58. Eli ouviu os gritos e perguntou: “O que significa esse tumulto? ” O homem correu para contar tudo a Eli.
  59. Eli tinha noventa e oito anos de idade e seus olhos estavam imóveis, e já não conseguia enxergar.
  60. O homem lhe disse: “Acabei de chegar da linha de batalha; fugi de lá hoje mesmo”. Eli perguntou: “O que aconteceu, meu filho? “
  61. O mensageiro respondeu: “Israel fugiu dos filisteus, e houve uma grande matança entre os soldados. Também os seus dois filhos, Hofni e Finéias, estão mortos, e a arca de Deus foi tomada”.
  62. Quando ele mencionou a arca de Deus, Eli caiu da cadeira para trás, ao lado do portão, quebrou o pescoço, e morreu, pois era velho e pesado. Ele liderou Israel durante quarenta anos.
  63. Sua nora, a mulher de Finéias, estava grávida e perto de dar à luz.
  64. Quando ouviu a notícia de que a arca de Deus havia sido tomada e que seu sogro e seu marido estavam mortos, entrou em trabalho de parto e deu à luz, mas não resistiu às dores do parto.”
  65. Enquanto morria, as mulheres que a ajudavam disseram: “Não se desespere; você teve um menino”. Mas ela não respondeu nem deu atenção.
  66. Ela deu ao menino o nome de Icabode, e disse: “A glória se foi de Israel”. Porque a arca foi tomada e por causa da morte do sogro e do marido.
  67. E ainda acrescentou: “A glória se foi de Israel, pois a arca de Deus foi tomada”.

Capítulo 18 – Arca da Aliança

  1. Depois que os filisteus tomaram a arca de Deus, eles a levaram de Ebenézer para Asdode.
  2. E a colocaram dentro do templo de Dagom, ao lado de sua estátua.
  3. Quando o povo de Asdode se levantou na madrugada do dia seguinte, lá estava Dagom caído, rosto em terra, diante da arca do Senhor!
  4. Eles levantaram Dagom e o colocaram de volta em seu lugar.
  5. Mas, na manhã seguinte, quando se levantaram de madrugada, lá estava Dagom caído, rosto em terra, diante da arca do Senhor!
  6. Sua cabeça e mãos tinham sido quebradas e estavam sobre a soleira; só o seu corpo ficou no lugar.
  7. Por isso, até hoje, os sacerdotes de Dagom e todos os que entram em seu templo, em Asdode, não pisam na soleira.
  8. Depois disso a mão do Senhor pesou sobre o povo de Asdode e dos arredores, trazendo devastação sobre eles e afligindo-os com tumores.
  9. Quando os homens de Asdode viram o que estava acontecendo, disseram: “A arca do deus de Israel não deve ficar aqui conosco, pois a mão dele pesa sobre nós e sobre nosso deus Dagom”.
  10. Então reuniram todos os governantes dos filisteus e lhes perguntaram: “O que faremos com a arca do deus de Israel? “
  11. Eles responderam: “Levem a arca do deus de Israel para Gate”. E então levaram a arca do Deus de Israel.
  12. Mas, quando a arca chegou, a mão do Senhor castigou aquela cidade, e trouxe-lhe grande pânico.
  13. Ele afligiu o povo da cidade, jovens e velhos, com uma epidemia de tumores.
  14. Então enviaram a arca de Deus para Ecrom.
  15. Quando a arca de deus estava entrando na cidade de Ecrom, o povo começou a gritar: “Eles trouxeram a arca do deus de Israel para cá afim de matar a nós e a nosso povo”.
  16. Então reuniram todos os governantes dos filisteus e disseram: “Levem embora a arca do deus de Israel; que ela volte ao seu lugar; caso contrário ela matará a nós e a nosso povo”. Pois havia pânico mortal em toda a cidade; a mão de Deus pesava muito sobre ela.
  17. Aqueles que não morreram foram afligidos com tumores, e o clamor da cidade subiu até o céu.
  18. Quando já fazia sete meses que a arca do Senhor estava em território filisteu,
    os filisteus chamaram os sacerdotes e adivinhos.
  19. Eles disseram: “O que faremos com a arca do Senhor? Digam-nos com o que devemos mandá-la de volta a seu lugar”.
  20. Eles responderam: “Se vocês devolverem a arca do deus de Israel, não mandem de volta só a arca, mas enviem também uma oferta pela culpa. Então vocês serão curados e saberão por que a sua mão não tem se afastado de vocês”.
  21. Os filisteus perguntaram: “Que oferta pela culpa devemos lhe enviar? “
  22. Eles responderam: “Cinco tumores de ouro e cinco ratos de ouro, de acordo com o número de governantes filisteus, porquanto a mesma praga atingiu vocês e todos os seus governantes.
  23. Façam imagens dos tumores e dos ratos que estão assolando o país e dêem glória ao deus de Israel. Talvez ele alivie a sua mão de sobre vocês, seus deuses e sua terra.
  24. Por que ter o coração obstinado como os egípcios e o faraó? Somente quando esse deus os tratou severamente, eles deixaram os israelitas seguir o seu caminho.
  25. Agora, então, preparem uma carroça nova, com duas vacas que deram cria e sobre as quais nunca foi colocado jugo.
  26. Amarrem-nas à carroça, mas afastem delas os seus bezerros e os ponham no curral.
  27. Coloquem a arca do Senhor sobre a carroça, e ponham numa caixa ao lado os objetos de ouro que vocês estão lhe enviando como oferta pela culpa.
  28. Enviem a carroça, e fiquem observando. Se ela for para seu próprio território, na direção de Bete-Semes, então foi o Senhor quem trouxe essa grande desgraça sobre nós.
  29. Mas, se ela não for, então saberemos que não foi a sua mão que nos atingiu e que isso aconteceu conosco por acaso”.
  30. E assim fizeram. Pegaram duas vacas com cria e as amarraram a uma carroça e prenderam seus bezerros no curral.
  31. Colocaram a arca do Senhor na carroça e junto dela a caixa com os ratos de ouro e as imagens dos tumores.
  32. Então as vacas foram diretamente para Bete-Semes, mantendo-se na estrada e mugindo por todo o caminho; não se desviaram para a direita nem para a esquerda.
  33. Os governantes dos filisteus as seguiram até a fronteira de Bete-Semes.
  34. Ora, o povo de Bete-Semes estava colhendo trigo no vale e, quando olharam e viram a arca, alegraram-se muito.
  35. A carroça chegou ao campo de Josué, de Bete-Semes, e ali parou ao lado de uma grande rocha.
  36. Então cortaram a madeira da carroça e ofereceram as vacas como holocausto ao Senhor.
  37. Os levitas tinham descido a arca do Senhor e a caixa com os objetos de ouro e colocado sobre a grande rocha.
  38. Naquele dia, o povo de Bete-Semes ofereceu holocaustos e sacrifícios ao Senhor.
  39. Os cinco governantes dos filisteus viram tudo isso e voltaram naquele mesmo dia a Ecrom.
  40. Os filisteus enviaram ao Senhor como oferta pela culpa estes tumores de ouro: um por Asdode, outro por Gaza, outro por Ascalom, outro por Gate e outro por Ecrom.
  41. O número dos ratos de ouro foi conforme o número das cidades filistéias que pertenciam aos cinco governantes; tanto as cidades fortificadas como os povoados no campo.
  42. A grande rocha, sobre a qual puseram a arca do Senhor, é até hoje uma testemunha no campo de Josué, de Bete-Semes.
  43. Deus, contudo, feriu alguns dos homens de Bete-Semes, matando setenta deles, por terem olhado para dentro da arca do Senhor.
  44. O povo chorou por causa da grande matança que o Senhor fizera, e os homens de Bete-Semes perguntaram: “Quem pode permanecer na presença do Senhor, esse Deus santo? Para quem enviamos a arca, para que se afaste de nós? “
  45. Então enviaram mensageiros ao povo de Quiriate-Jearim, dizendo: “Os filisteus devolveram a arca do Senhor. Venham e a levem para vocês”.
  46. Então, os homens de Quiriate-Jearim vieram para levar a arca do Senhor.
  47. Eles a levaram para a casa de Abinadabe, na colina, e consagraram seu filho Eleazar para guardar a arca do Senhor.
  48. A arca permaneceu em Quiriate-Jearim muito tempo; foram vinte anos. E todo o povo de Israel buscava o Senhor com súplicas.

Capítulo 19 – Samuel

  1. E Samuel disse a toda a nação de Israel: “Se vocês querem voltar-se para o Senhor de todo o coração, livrem-se então dos deuses estrangeiros e dos postes sagrados;
  2. “Consagrem-se ao Senhor e prestem culto somente a ele, e ele os libertará das mãos dos filisteus”.
  3. Assim, os israelitas se livraram dos baalins e dos postes sagrados, e começaram a prestar culto somente ao Senhor.
  4. E Samuel prosseguiu: “Reúnam todo Israel em Mispá, e eu intercederei ao Senhor a favor de vocês”.
  5. Quando eles se reuniram em Mispá, tiraram água e a derramaram perante o Senhor.
  6. Naquele dia jejuaram e disseram ali: “Temos pecado contra o Senhor”. E foi em Mispá que Samuel liderou os israelitas como juiz.
  7. Quando os filisteus souberam que os israelitas estavam reunidos em Mispá, os governantes dos filisteus saíram para atacá-los.
  8. Quando os israelitas souberam disso, ficaram com medo dos filisteus.
  9. E disseram a Samuel: “Não pare de clamar por nós ao Senhor nosso Deus, para que nos salve das mãos dos filisteus”.
  10. Então Samuel pegou um cordeiro ainda não desmamado e o ofereceu inteiro como holocausto ao Senhor.  Ele clamou ao Senhor em favor de Israel, e o Senhor lhe respondeu.
  11. Enquanto Samuel oferecia o holocausto, os filisteus se aproximaram para combater Israel.
  12. Naquele dia, porém, o Senhor trovejou com fortíssimo estrondo contra os filisteus e os colocou em pânico. Então foram derrotados por Israel.
  13. Os soldados de Israel saíram de Mispá e perseguiram os filisteus até um lugar abaixo de Bete-Car, matando-os pelo caminho.
  14. Então Samuel pegou uma pedra e a ergueu entre Mispá e Sem; e deu-lhe o nome de Ebenézer, dizendo: “Até aqui o Senhor nos ajudou”.
  15. Assim os filisteus foram dominados e não voltaram a invadir o território israelita. A mão do Senhor opôs-se aos filisteus durante toda a vida de Samuel.
  16. As cidades que os filisteus haviam conquistado, foram devolvidas a Israel, desde Ecrom até Gate.
  17. Israel libertou os territórios ao redor delas do poder dos filisteus. E houve também paz entre Israel e os amorreus.
  18. Samuel continuou como juiz de Israel durante todos os dias de sua vida.
  19. A cada ano percorria Betel, Gilgal, e Mispá, decidindo as questões de Israel em todos esses lugares.
  20. Mas sempre retornava a Ramá, onde ficava sua casa; ali ele liderava Israel como juiz e naquele lugar construiu um altar em honra do Senhor.
  21. Quando envelheceu, Samuel nomeou seus filhos como líderes de Israel.
  22. Seu filho mais velho chamava-se Joel, o segundo, Abias. Eles eram líderes em Berseba.
  23. Mas os filhos dele não andaram em seus caminhos. Eles se tornaram gananciosos, aceitaram suborno e perverteram a justiça.
  24. Por isso, todas as autoridades de Israel reuniram-se e foram falar com Samuel, em Ramá.
  25. E disseram-lhe: “Tu já estás idoso, e teus filhos não andam em teus caminhos; escolhe agora um rei para que nos lidere, à semelhança das outras nações”.
  26. Quando, porém, disseram: “Dá-nos um rei para que nos lidere”, isto desagradou a Samuel.
  27. Então ele orou ao Senhor e o Senhor lhe respondeu.
  28. Samuel transmitiu todas as palavras do Senhor ao povo, que estava lhe pedindo um rei,
    dizendo: “Isto é o que o rei que reinará sobre vocês reivindicará como seu direito.”
  29. “Ele tomará os filhos de vocês para servi-lo em seus carros de guerra e em sua cavalaria, e para correr à frente dos seus carros de guerra.”
  30. “Colocará alguns como comandantes de mil e outros como comandantes de cinquenta.”
  31. “Ele os fará arar as terras dele, fazer a colheita, e fabricar armas de guerra e equipamentos para os seus carros de guerra.
  32. “Tomará as filhas de vocês para serem perfumistas, cozinheiras e padeiras.
  33. “Tomará de vocês o melhor das plantações, das vinhas e dos olivais, e o dará aos criados dele.”
  34. “Tomará um décimo dos cereais e da colheita das uvas e o dará a seus oficiais e a seus criados.”
  35. “Também tomará de vocês para seu uso particular os servos e as servas, o melhor do gado e dos jumentos.”
  36. “E tomará de vocês um décimo dos rebanhos, e vocês mesmos se tornarão escravos dele.
  37. “Haverá o dia em que vocês clamarão por causa do rei que vocês mesmos escolheram, e o Senhor não os ouvirá”.
  38. Todavia, o povo recusou-se a ouvir Samuel, e disseram: “Não! Queremos ter um rei. Seremos como todas as outras nações; um rei nos governará, e sairá à nossa frente para combater em nossas batalhas”.
  39. Depois de ter ouvido tudo o que o povo disse, Samuel o repetiu perante o Senhor.
  40. E o Senhor respondeu: “Atenda-os e dê-lhes um rei”. Então Samuel disse aos homens de Israel: “Volte cada um para sua cidade”.

Capítulo 20 – Saul

  1. Havia um homem de Benjamim, rico e influente, chamado Quis, filho de Abiel, neto de Zeror, bisneto de Becorate e trineto de Afia.
  2. Ele tinha um filho chamado Saul, jovem de boa aparência, sem igual entre os israelitas; os mais altos batiam nos seus ombros.
  3. E aconteceu que jumentas de Quis, pai de Saul, extraviaram-se. E ele disse a Saul: “Chame um dos servos e vá procurar as jumentas”.
  4. Eles atravessaram os montes de Efraim e a região de Salisa, mas não as encontraram.
  5. Prosseguindo, entraram no distrito de Saalim, mas as jumentas não estavam lá.
  6. Então atravessaram o território de Benjamim, e mesmo assim não as encontrou.
  7. Chegando ao distrito de Zufe, disse Saul ao seu servo: “Vamos voltar, ou meu pai deixará de pensar nas jumentas para começar a preocupar-se conosco”.
  8. O servo, contudo, respondeu: “Nesta cidade mora um homem de Deus que é muito respeitado. Tudo o que ele diz acontece. Vamos falar com ele. Talvez ele nos aponte o caminho a seguir”.
  9. Saul disse a seu servo: “Se formos, o que poderemos lhe dar? A comida de nossas sacos de viagem acabou. Não temos nenhum presente para levar ao homem de Deus. O que temos para oferecer? “
  10. O servo lhe respondeu: “Tenho três gramas de prata. Darei isto ao homem de Deus para que ele nos aponte o caminho a seguir”.
  11. E Saul concordou: “Muito bem, vamos! ” Assim, foram em direção à cidade onde estava o homem de Deus.
  12. Ao subirem a colina para chegar à cidade, encontraram algumas jovens que estavam saindo para buscar água e perguntaram a elas: “O vidente está na cidade? “
  13. Elas responderam: “Sim. Ele está ali adiante. Apressem-se; ele chegou hoje à nossa cidade, porque o povo vai oferecer um sacrifício no altar no monte.”
  14. Eles foram à cidade e, ao entrarem, Samuel vinha na direção deles a caminho do altar no monte.
  15. No dia anterior à chegada de Saul, o Senhor havia revelado a Samuel que lhe enviaria um homem da terra de Benjamim. Disse que o ungisse como líder sobre o povo Israel.
  16. Saul aproximou-se de Samuel na entrada da cidade e lhe perguntou: “Por favor, pode me dizer onde é a casa do vidente? “
  17. Respondeu Samuel: “Eu sou o vidente. Vá na minha frente para o altar, pois hoje você comerá comigo. Amanhã cedo eu lhe contarei tudo o que você quer saber e o deixarei ir.”
  18. “Quanto às jumentas que você perdeu há três dias, não se preocupe com elas; já foram encontradas.”
  19. Depois, acrescentou: “E a quem pertencerá tudo o que é precioso em Israel, senão a você e toda a família de seu pai? “
  20. Saul respondeu: “Acaso não sou eu um benjamita, da menor das tribos de Israel, e não é o meu clã o mais insignificante de todos os clãs da tribo de Benjamim? Por que então estás me dizendo tudo isso? “
  21. Então Samuel levou a Saul e seu servo para a sala e deu a eles o lugar de honra entre os convidados, cerca de trinta pessoas.
  22. E disse ao cozinheiro: “Traga-me a porção de carne que lhe entreguei e mandei reservar”.
  23. Então o cozinheiro pegou a coxa do animal com o que estava sobre ele e colocou tudo diante de Saul.
  24. E disse Samuel: “Aqui está o que lhe foi reservado. Coma, pois desde o momento em que eu disse: Tenho convidados, ela lhe foi separada para esta ocasião”.
  25. E Saul comeu com Samuel naquele dia.
  26. Depois de ter descido do altar no monte para a cidade, Samuel conversou com Saul no terraço de sua casa.
  27. Ao romper do dia, quando se levantaram, Samuel chamou Saul no terraço e disse para o acompanhar antes de seguir viagem.
  28. Enquanto desciam para a saída da cidade, Samuel disse a Saul: “Diga ao servo que vá na frente”, e o servo foi.
  29. Samuel prosseguiu: “Fique você aqui um instante, para que eu lhe dê uma mensagem da parte de Deus”.
  30. Então Samuel apanhou um jarro de óleo, derramou-o sobre a cabeça de Saul e o beijou, dizendo: “O Senhor o tem ungido como líder da herança dele.
  31. “Hoje, quando você partir, encontrará dois homens perto do túmulo de Raquel, em Zelza, na fronteira de Benjamim que lhe dirão: As jumentas já foram encontradas.
  32. “Então, dali, você prosseguirá para o carvalho de Tabor. Três homens virão subindo ao santuário de Deus em Betel, e encontrarão você ali. Um estará levando três cabritos, outro três pães, e outro uma vasilha de couro cheia de vinho.”
  33. “Eles o cumprimentarão e lhe oferecerão dois pães, que você deve aceitar. Depois você irá a Gibeá de Deus, onde há um destacamento filisteu.”
  34. “Ao chegar à cidade, você encontrará um grupo de profetas descendo do altar no monte tocando liras, tamborins, flautas e harpas; e eles estarão profetizando.”
  35. “O Espírito do Senhor se apossará de você, e com eles você profetizará em transe, e será um novo homem.”
  36. “Assim que esses sinais tiverem se cumprido, faça o que achar melhor, pois Deus está com você.”
  37. “Vá na minha frente até Gilgal. Depois eu irei também, para oferecer holocaustos e sacrifícios de comunhão, mas você deve esperar sete dias, até que eu chegue e lhe diga o que fazer”.
  38. Quando se virou para afastar-se de Samuel, Deus mudou o coração de Saul, e todos esses sinais se cumpriram naquele dia.
  39. Chegando em Gibeá, um grupo de profetas o encontrou; o Espírito de Deus se apossou dele, e ele profetizou em transe no meio deles.
  40. Quando os que já o conheciam viram-no profetizando com os profetas, perguntaram uns aos outros: “O que aconteceu ao filho de Quis? Saul também está entre os profetas? “
  41. Um homem daquele lugar respondeu: “E quem é o pai deles?” De modo que isto se tornou um ditado: “Será que Saul também está entre os profetas?”

Capítulo 21 – Jônatas

  1. Samuel convocou o povo de Israel ao Senhor, em Mispá, e lhes disse: “Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Eu tirei Israel do Egito, e libertei vocês do poder do Egito e de todos os reinos que os oprimiam.”
  2. “Mas vocês agora rejeitam o Deus que os salva de todas as suas desgraças e angústias; e dizem para Escolher um rei para vocês. Por isso, agora, apresentem-se perante o Senhor, de acordo com as suas tribos e clãs”.
  3. Tendo Samuel feito todas as tribos de Israel se aproximarem, a de Benjamim foi escolhida. Então fez ir à frente a tribo de Benjamim, clã por clã, e o clã de Matri foi escolhido. Finalmente foi escolhido Saul, filho de Quis.
  4. Quando Saul ficou de pé no meio do povo; os mais altos do povo batiam-lhe nos ombros.
  5. E Samuel disse a todos: “Vocês veem o homem que o Senhor escolheu? Não há ninguém como ele entre todo o povo”. Então todos gritaram: “Viva o rei!”
  6. Samuel expôs ao povo as leis do reino. Ele as escreveu num livro e o pôs perante o Senhor. Então Samuel mandou o povo de volta para suas casas.
  7. Saul também foi para sua casa em Gibeá, acompanhado por guerreiros, cujos corações Deus tinha tocado.
  8. Alguns vadios, porém, disseram: “Como este homem pode nos salvar? ” Desprezaram-no e não lhe trouxeram presente algum. Mas Saul ficou calado.
  9. O amonita Naás avançara contra a cidade de Jabes-Gileade e a cercou. E os homens de Jabes lhe disseram: “Faça um tratado conosco, e nos sujeitaremos a você”.
  10. Contudo, Naás, o amonita, respondeu: “Só farei um tratado com vocês sob a condição de que eu arranque o olho direito de cada um de vocês e assim humilhei todo o Israel”.
  11. As autoridades de Jabes lhe disseram: “Dê-nos sete dias para que possamos enviar mensageiros a todo Israel; se ninguém vier nos socorrer, nós nos renderemos”.
  12. Quando os mensageiros chegaram a Gibeá, cidade de Saul, e relataram essas coisas ao povo, todos choraram em voz alta.
  13. Quando Saul ouviu isso, o Espírito de Deus apoderou-se dele, e ele ficou furioso.
  14. Apanhou dois bois, cortou-os em pedaços e, por meio dos mensageiros, enviou os pedaços a todo o Israel.
  15. Ele proclamou: “Isto é o que acontecerá aos bois de quem não seguir Saul e Samuel”. Então o temor do Senhor caiu sobre o povo, e eles vieram unânimes.
  16. Quando Saul os reuniu em Bezeque, havia trezentos mil de Israel e trinta mil de Judá.
  17. Eles disseram aos mensageiros de Jabes: “Digam aos homens de Jabes-Gileade: Amanhã, na hora mais quente do dia, haverá libertação para vocês”.
  18. Quando relataram isso aos habitantes de Jabes, eles se alegraram.
  19. Então, os homens de Jabes disseram aos amonitas: “Amanhã nós nos renderemos a vocês, e poderão fazer conosco o que quiserem”.
  20. No dia seguinte, Saul dividiu seus soldados em três grupos; entraram no acampamento amonita na alta madrugada e os mataram até a hora mais quente do dia.
  21. Aqueles que sobreviveram se dispersaram, de modo que não ficaram dois juntos.
  22. Então o povo disse a Samuel: “Quem foi que perguntou: ‘Será que Saul vai reinar sobre nós? ’ Traga-nos esses homens, e nós os mataremos”.
  23. Saul, porém, disse: “Hoje ninguém será morto, pois neste dia o Senhor trouxe libertação a Israel”.
  24. Então Samuel disse ao povo: “Venham, vamos a Gilgal e reafirmemos ali o reino”.
  25. Assim, todo o povo foi a Gilgal e proclamou Saul como rei na presença do Senhor.
  26. Ali ofereceram sacrifícios de comunhão ao Senhor, e Saul e todos os israelitas se alegraram muito.
  27. Então Samuel clamou ao Senhor, e naquele mesmo dia o Senhor enviou trovões e chuva. E assim todo o povo temeu grandemente o Senhor e Samuel.
  28. Saul tinha trinta anos de idade quando começou a reinar, e reinou sobre Israel quarenta e dois anos.
  29. Saul escolheu três mil homens de Israel; dois mil ficaram com ele em Micmás e nos montes de Betel, e mil ficaram com Jônatas em Gibeá de Benjamim. O restante dos homens ele mandou de volta para suas tendas.
  30. Jônatas atacou os destacamentos dos filisteus em Gibeá, e os filisteus foram informados disso. Então Saul mandou tocar a trombeta por todo o país dizendo: “Que os hebreus fiquem sabendo disto!”
  31. E todo Israel ouviu a notícia de que Saul tinha atacado o destacamento dos filisteus atraindo o ódio dos filisteus sobre Israel. Então os homens foram convocados para se unirem a Saul em Gilgal.
  32. Os filisteus reuniram-se para lutar contra Israel, com três mil carros de guerra, seis mil condutores de carros e tantos soldados quanto a areia da praia. Eles foram a Micmás, a leste de Bete-Áven e lá acamparam.
  33. Quando os soldados de Israel viram que a situação era difícil e que seu exército estava sendo muito pressionado, esconderam-se em cavernas e buracos, entre as rochas e em poços e cisternas.
  34. Alguns hebreus até atravessaram o Jordão para chegar à terra de Gade e de Gileade. Saul ficou em Gilgal, e os soldados que estavam com ele tremiam de medo.
  35. Ele esperou sete dias, o prazo estabelecido por Samuel; mas este não chegou a Gilgal, e os soldados de Saul começaram a se dispersar.
  36. Então ele ordenou: “Tragam-me o holocausto e os sacrifícios de comunhão”.
  37. Saul ofereceu então o holocausto, e quando ele terminou de oferecê-lo, Samuel chegou, e Saul foi saudá-lo. E perguntou-lhe: “O que você fez? “
  38. Saul respondeu: “Quando vi que os soldados estavam se dispersando e que você não tinha chegado no prazo, eu me senti obrigado a oferecer o holocausto”.
  39. Disse Samuel: “Você agiu como tolo, desobedecendo ao mandamento que o Senhor seu Deus lhe deu; se você tivesse obedecido, ele teria estabelecido para sempre o seu reinado sobre Israel.”
  40. Então Samuel partiu de Gilgal e foi a Gibeá de Benjamim, e Saul contou soldados que estavam com ele. Eram cerca de seiscentos.
  41. Saul e seu filho Jônatas, acompanhados de seus soldados, ficaram em Gibeá de Benjamim, enquanto os filisteus estavam acampados em Micmás.
  42. Uma tropa de ataque saiu do acampamento filisteu em três divisões. Uma foi em direção a Ofra, nos arredores de Sual; outra foi para Bete-Horom; e a terceira para a região fronteiriça de onde se avista o vale de Zeboim, diante do deserto.
  43. Naquela época não havia nem mesmo um único ferreiro em toda a terra de Israel, pois os filisteus não queriam que os hebreus fizessem espadas e lanças.
  44. Assim, eles tinham que ir aos filisteus para afiar seus arados, enxadas, machados e foices. O preço para afiar rastelos e enxadas era oito gramas de prata, e quatro gramas de prata para afiar tridentes, machados e pontas de aguilhadas.
  45. Por isso no dia da batalha nenhum soldado de Saul e Jônatas tinha espada ou lança nas mãos, exceto o próprio Saul e seu filho Jônatas.
  46. Aconteceu que um destacamento filisteu foi para o desfiladeiro de Micmás.
  47. Certo dia, Jônatas, filho de Saul, disse ao seu jovem escudeiro: “Vamos ao destacamento filisteu, do outro lado”. Ele, porém, não contou isto a seu pai.
  48. Jônatas escalou o desfiladeiro, usando as mãos e os pés, e o escudeiro foi logo atrás. Jônatas começou a derrubá-los, e seu escudeiro, logo atrás dele, os matava.
  49. Naquele primeiro ataque, Jônatas e seu escudeiro mataram cerca de vinte homens numa pequena área de terra.
  50. Então caiu terror sobre todo o exército. O chão tremeu e houve um pânico terrível.
  51. As sentinelas de Saul em Gibeá de Benjamim viram o exército filisteu se dispersando, correndo em todas as direções.
  52. Então Saul disse aos seus soldados: “Contem os soldados e vejam quem está faltando”.
  53. Quando o fizeram, viram que Jônatas e seu escudeiro não estavam presentes.
  54. Saul ordenou a Aías, que levava o colete sacerdotal: “Traga a arca de Deus”. Naquele tempo ela estava com os israelitas.
  55. Enquanto Saul falava com o sacerdote, o tumulto no acampamento filisteu ia crescendo cada vez mais. Então Saul disse ao sacerdote: “Não precisa trazer a arca”.
  56. Então Saul e todos os soldados se reuniram e foram para a batalha. Encontraram os filisteus em total confusão, ferindo uns aos outros com suas espadas.
  57. Alguns hebreus que antes estavam do lado dos filisteus e que com eles tinham ido ao acampamento filisteu, passaram para o lado dos israelitas.
  58. E, quando os israelitas que haviam se escondido nos montes de Efraim ouviram que os filisteus batiam em retirada, também entraram na batalha, perseguindo-os.
  59. Assim o Senhor concedeu vitória a Israel naquele dia, e a batalha se espalhou para além de Bete-Áven.
  60. Os homens de Israel estavam exaustos naquele dia, pois Saul havia lhes imposto um juramento, dizendo: “Maldito seja todo o que comer antes do anoitecer, antes que eu tenha me vingado de meus inimigos! ” Por isso ninguém tinha comido nada.
  61. O exército inteiro entrou num bosque, onde havia mel no chão. Eles viram o mel escorrendo, contudo ninguém comeu pois temiam o juramento.
  62. Jônatas, porém, estendeu a ponta da vara que tinha na mão e a molhou no favo de mel. Quando comeu seus olhos brilharam.
  63. Jônatas disse: “Meu pai trouxe desgraça para nós. Como teria sido bem melhor se os homens tivessem comido hoje um pouco do que tomaram dos seus inimigos. A matança de filisteus não teria sido ainda maior?”
  64. Os israelitas então se lançaram sobre os despojos e pegaram ovelhas, bois e bezerros, e mataram-nos ali mesmo e comeram a carne com o sangue.
  65. E alguém disse a Saul: “Veja, os soldados estão pecando contra o Senhor, comendo carne com sangue”.
  66. Ele disse: “Vocês foram infiéis. Rolem uma grande pedra até aqui. Saiam entre os soldados e digam-lhes: Cada um traga a mim seu boi ou sua ovelha, abatam-nos e comam a carne aqui. Não pequem contra o Senhor comendo carne com sangue”.
  67. Assim, cada um levou seu boi naquela noite e ali os abateram. Então, Saul edificou um altar para o Senhor; foi a primeira vez que fez isso.
  68. Então Saul perguntou a Deus: “Devo perseguir os filisteus? Tu os entregarás nas mãos de Israel? ” Mas naquele dia Deus não lhe respondeu.
  69. Disse então Saul: “Venham cá, todos vocês que são líderes do exército, e descubramos que pecado foi cometido hoje.
  70. E Saul orou ao Senhor, ao Deus de Israel: “Dá-me a resposta certa”. A sorte caiu em Jônatas. “Diga-me o que você fez?”, perguntou Saul.
  71. E Jônatas lhe contou: “Eu provei um pouco de mel com a ponta de minha vara. Estou pronto para morrer”.
  72. Saul disse: “Que Deus me castigue com todo rigor caso você não morra, Jônatas! “
  73. Os soldados, porém, disseram a Saul: “Será que Jônatas, que trouxe esta grande libertação para Israel deve morrer?”
  74. “Nunca! Juramos pelo nome do Senhor, nem um só cabelo de sua cabeça cairá ao chão, pois ele fez isso hoje com o auxílio de Deus”.
  75. Então os homens resgataram Jônatas, e ele não foi morto.
  76. Saul parou de perseguir os filisteus, e eles voltaram para sua própria terra.

Capítulo 22 – Davi

  1. Quando Saul assumiu o reinado sobre Israel, lutou contra os seus inimigos em redor: moabitas, amonitas, edomitas, os reis de Zobá e os filisteus. Para qualquer lado que fosse, infligia-lhes castigo.
  2. Lutou corajosamente e derrotou os amalequitas, libertando Israel das mãos daqueles que os saqueavam.
  3. Os filhos de Saul foram Jônatas, Isvi e Malquisua. O nome de sua filha mais velha era Merabe, e o da mais nova era Mical.
  4. Sua mulher chamava-se Ainoã e era filha de Aimaás. O nome do comandante do exército de Saul era Abner, filho de Ner, tio de Saul.
  5. Quis, pai de Saul, e Ner, pai de Abner, eram filhos de Abiel.
  6. Houve guerra acirrada contra os filisteus durante todo o reinado de Saul. Por isso sempre que Saul conhecia um homem forte e corajoso, alistava-o no seu exército.
  7. Samuel disse a Saul: “Eu sou aquele a quem o Senhor enviou para ungi-lo como rei de Israel, o povo dele; por isso escute agora a mensagem do Senhor.”
  8. Ele acrescentou: “Assim diz o Senhor dos Exércitos: Castigarei os amalequitas pelo que fizeram a Israel, atacando-os quando saíam do Egito.”
  9. “Agora vão, ataquem os amalequitas e consagrem ao SENHOR para destruição tudo o que lhes pertence.”
  10. “Não os poupem; matem homens, mulheres, crianças, recém-nascidos, bois, ovelhas, camelos e jumentos’ “.
  11. Então convocou Saul os homens e os reuniu em Telaim: duzentos mil soldados de infantaria e dez mil homens de Judá.
  12. Saul foi à cidade de Amaleque e armou uma emboscada no vale.
  13. Então disse aos queneus: “Retirem-se, saiam do meio dos amalequitas para que eu não os destrua junto com eles; pois vocês foram bondosos com os israelitas, quando eles estavam vindo do Egito”. Então os queneus saíram do meio dos amalequitas.
  14. E Saul atacou os amalequitas por todo caminho desde Havilá até Sur, a leste do Egito. Capturou vivo Agague, rei dos amalequitas, e exterminou o seu povo.
  15. Mas Saul e o exército pouparam Agague e o melhor das ovelhas e dos bois, os bezerros gordos e os cordeiros. Pouparam tudo que era bom, mas a tudo que era desprezível e inútil destruíram por completo.
  16. Quando Samuel o encontrou, Saul disse: “O Senhor o abençoe! Segui as instruções do Senhor”.
  17. Samuel, porém, perguntou: “Então que balido de ovelhas é esse que ouço com meus próprios ouvidos? Que mugido de bois é esse que estou ouvindo?”
  18. Respondeu Saul: “Os soldados os trouxeram dos amalequitas; eles pouparam o melhor das ovelhas e dos bois para o sacrificarem ao Senhor seu Deus, mas destruímos totalmente o restante”.
  19. Samuel disse a Saul: “Fique quieto! Eu lhe direi o que o Senhor me falou esta noite”. Respondeu Saul: “Diga-me”.
  20. Samuel disse: “Embora pequeno aos seus próprios olhos, você não se tornou o líder das tribos de Israel? Por que você não obedeceu ao Senhor? Por que se lançou sobre os despojos e fez o que o Senhor reprova? “
  21. Disse Saul: “Mas eu obedeci ao Senhor! Cumpri a missão que o Senhor me designou. Trouxe Agague, o rei dos amalequitas, mas exterminei os amalequitas.”
  22. Samuel, porém, respondeu: “Acaso tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e em sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra?”
  23. “A obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros. Pois a rebeldia é como o pecado da feitiçaria, e a arrogância como o mal da idolatria. Assim como você rejeitou a palavra do Senhor, ele o rejeitou como rei”.
  24. “Eu Pequei”, disse Saul. “Violei a ordem do Senhor e as instruções que você me deu. Tive medo dos soldados e lhes atendi. Agora eu lhe imploro, perdoe o meu pecado e volte comigo, para que eu adore o Senhor”.
  25. Samuel, contudo, lhe disse: “Não voltarei com você. Você rejeitou a palavra do Senhor, e o Senhor o rejeitou como rei de Israel!”
  26. Quando Samuel se virou para sair, Saul agarrou-se à barra do manto dele, e o manto se rasgou.
  27. E Samuel lhe disse: “O Senhor rasgou de você, hoje, o reino de Israel, e o entregou a alguém que é melhor que você. Aquele que é a Glória de Israel não mente nem se arrepende, pois não é homem para se arrepender”.
  28. Saul repetiu: “Pequei. Agora, honra-me perante as autoridades do meu povo e perante Israel; volte comigo, para que eu possa adorar o Senhor seu Deus”.
  29. E assim Samuel voltou com ele, e Saul adorou o Senhor. Então Samuel disse: “Traga-me Agague, o rei dos amalequitas”.
  30. Agague veio confiante, pensando: “Com certeza já passou a amargura da morte”.
  31. Samuel, porém, disse: “Assim como a sua espada deixou mulheres sem filhos, também sua mãe ficará sem o seu filho, entre as mulheres”. E despedaçou Agague perante o Senhor, em Gilgal.
  32. Então Samuel partiu para Ramá, e Saul foi para sua casa, em Gibeá de Saul.
  33. Nunca mais Samuel viu a Saul, até o dia de sua morte, embora se entristecesse por causa dele porque o Senhor arrependeu-se de ter estabelecido Saul como rei de Israel.
  34. Samuel fez o que o Senhor disse. Quando chegou a Belém, as autoridades da cidade foram encontrar-se com Jessé tremendo e perguntaram: “Você vem em paz?”
  35. Respondeu Samuel: “Sim, venho em paz; vim sacrificar ao Senhor. Consagrem-se e venham ao sacrifício comigo”.
  36. Então ele consagrou Jessé e os filhos dele e os convidou para o sacrifício.
  37. Quando chegaram, Samuel viu Eliabe e pensou: “Com certeza este aqui é o que o Senhor quer ungir”. Mas o Senhor o rejeitou, pois o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração.
  38. Então Jessé chamou Abinadabe e o levou a Samuel. Ele, porém, disse: “O Senhor também não escolheu a este”.
  39. Então Jessé levou Samá a Samuel, mas este disse: “Também não foi este que o Senhor escolheu”.
  40. Jessé levou a Samuel sete de seus filhos, mas Samuel lhe disse: “O Senhor não escolheu nenhum destes”.
  41. Então perguntou a Jessé: “Estes são todos os filhos que você tem? ” Jessé respondeu: “Ainda tenho o caçula, mas ele está cuidando das ovelhas”.
  42. Samuel disse: “Traga-o aqui; não nos sentaremos para comer até que ele chegue”.
  43. Então Jessé mandou chamá-lo e ele veio. Ele era ruivo, de belos olhos e boa aparência.
  44. Samuel então apanhou o chifre cheio de óleo e o ungiu na presença de seus irmãos, e a partir daquele dia o Espírito do Senhor apoderou-se de Davi.
  45. O Espírito do Senhor se retirou de Saul, e um espírito maligno, vindo da parte do Senhor, o atormentava.
  46. Os funcionários de Saul lhe disseram: “Há um espírito maligno mandado por Deus te atormentando. Que nosso soberano mande seus servos procurar um harpista, pois quando o espírito maligno se apoderar de ti, o homem tocará a harpa e tu te sentirás melhor”.
  47. E Saul respondeu aos que o serviam: “Encontrem alguém que toque bem e o tragam até aqui”.
  48. Um servo respondeu: “Conheço um dos filhos de Jessé, de Belém, que sabe tocar harpa. É guerreiro valente, sabe falar bem, tem boa aparência e o Senhor está com ele”.
  49. Então Saul mandou mensageiros a Jessé com a seguinte mensagem: “Envie-me seu filho Davi, que cuida das ovelhas”.
  50. Jessé apanhou um jumento e o carregou de pães, uma vasilha de couro cheia de vinho e um cabrito e o enviou a Saul por meio de Davi, seu filho.
  51. Davi foi apresentar-se a Saul e passou a trabalhar para ele. Saul gostou muito dele, e Davi tornou-se seu escudeiro.
  52. Então Saul enviou a seguinte mensagem a Jessé: “Deixe que Davi continue trabalhando para mim, pois estou satisfeito com ele”.
  53. E sempre que o espírito mandado por Deus se apoderava de Saul, Davi apanhava sua harpa e tocava. Então Saul sentia alívio e melhorava, e o espírito maligno o deixava.

Capítulo 23 – Golias

  1. Os filisteus juntaram suas forças para a guerra e reuniram-se em Socó de Judá. E acamparam em Efes-Damim, entre Socó e Azeca.
  2. Saul e os israelitas reuniram-se e acamparam no vale de Elá, posicionando-se em linha de batalha para enfrentar os filisteus.
  3. Os filisteus ocuparam uma colina e os israelitas outra, estando o vale entre eles.
  4. Um guerreiro chamado Golias, que era de Gate, veio do acampamento filisteu. Tinha dois metros e noventa centímetros de altura.
  5. Ele usava um capacete de bronze e vestia uma couraça de escamas de bronze que pesava sessenta quilos.
  6. Nas pernas usava caneleiras de bronze e tinha um dardo de bronze pendurado nas costas.
  7. A haste de sua lança era parecida com uma lançadeira de tecelão, e sua ponta de ferro pesava sete quilos e duzentos gramas. Seu escudeiro ia à frente dele.
  8. Golias parou e gritou às tropas de Israel: “Por que vocês estão se posicionando para a batalha? Não sou eu um filisteu, e vocês os servos de Saul? Escolham um homem para lutar comigo.
  9. Se ele puder lutar e matar-me, nós seremos seus escravos; todavia, se eu o vencer e o matar, vocês serão nossos escravos e nos servirão”.
  10. E acrescentou: “Eu desafio hoje as tropas de Israel! Mandem-me um homem para lutar sozinho comigo”.
  11. Ao ouvirem as palavras do filisteu, Saul e todos os israelitas ficaram atônitos e apavorados.
  12. Davi era filho de um efrateu, de Belém de Judá, chamado Jessé. Este tinha oito filhos e já era idoso na época de Saul.
  13. Os três filhos mais velhos de Jessé tinham ido para a guerra com Saul: Eliabe, o mais velho, Abinadabe, o segundo e Samá, o terceiro.
  14. Davi era o caçula. Os três mais velhos seguiram Saul, mas Davi ia ao acampamento de Saul e voltava para apascentar as ovelhas de seu pai, em Belém.
  15. Durante quarenta dias o filisteu aproximava-se, de manhã e de tarde, e tomava posição.
  16. Nessa ocasião Jessé disse a seu filho Davi: “Pegue uma arroba de grãos tostados e dez pães e leve-os rapidamente para seus irmãos no acampamento.”
  17. “Leve também estes dez queijos ao comandante da unidade deles. Veja como estão seus irmãos e traga-me alguma garantia de que estão bem.”
  18. “Eles estão com Saul e com todos os homens de Israel no vale de Elá, lutando contra os filisteus”.
  19. Levantando-se de madrugada, Davi deixou o rebanho com outro pastor, pegou a carga e partiu, conforme Jessé lhe havia ordenado.
  20. Chegou ao acampamento na hora em que, com grito de batalha, o exército estava saindo para suas posições de combate.
  21. Israel e os filisteus estavam se posicionando em linha de batalha, frente a frente.
  22. Davi deixou o que havia trazido com o responsável pelos suprimentos, correu para a linha de batalha para saber como estavam seus irmãos.
  23. Enquanto conversava com eles, Golias, o guerreiro filisteu de Gate, avançou e lançou seu desafio habitual; e Davi o ouviu.
  24. Quando os israelitas viram o homem, todos fugiram com muito medo.
  25. Os israelitas diziam entre si: “Vocês viram aquele homem? Ele veio desafiar Israel. O rei dará grandes riquezas a quem o matar. Também lhe dará sua filha em casamento e isentará de impostos em Israel a família de seu pai”.
  26. Davi perguntou aos soldados que estavam ali ao seu lado: “O que receberá o homem que matar esse filisteu e salvar a honra de Israel? Quem é esse filisteu incircunciso para desafiar os exércitos do Deus vivo? “
  27. Repetiram a Davi o que haviam comentado e lhe disseram: “Isto é o que receberá o homem que matá-lo”.
  28. Quando Eliabe, o irmão mais velho, ouviu Davi falando com os soldados, ficou muito irritado com ele.
  29. Ele perguntou: “Por que você veio até aqui? Com quem deixou aquelas poucas ovelhas no deserto? Sei que você é presunçoso e como seu coração é mau; você veio só para ver a batalha”.
  30. E disse Davi: “O que fiz agora? Será que não posso nem mesmo conversar?”
  31. Ele então se virou para outro e perguntou a mesma coisa, e os homens responderam-lhe como antes.
  32. As palavras de Davi chegaram aos ouvidos de Saul, que o mandou chamar.
  33. Davi disse a Saul: “Ninguém deve ficar com o coração abatido por causa desse filisteu; teu servo irá e lutará com ele”.
  34. Respondeu Saul: “Você não tem condições de lutar contra este filisteu; você é apenas um rapaz, e ele é um guerreiro desde a mocidade”.
  35. Davi, entretanto, disse a Saul: “Teu servo toma conta das ovelhas de seu pai. Quando aparece um leão ou um urso e leva uma ovelha do rebanho, eu vou atrás dele, atinjo-o com golpes e livro a ovelha de sua boca.”
  36. “Quando se vira contra mim, eu o pego pela juba, atinjo-o com golpes até matá-lo. Teu servo é capaz de matar tanto um leão quanto um urso; esse filisteu incircunciso será como um deles, pois desafiou os exércitos do Deus vivo.
  37. O Senhor que me livrou das garras do leão e das garras do urso me livrará das mãos desse filisteu”. Diante disso Saul disse a Davi: “Vá, e que o Senhor esteja com você”.
  38. Então Saul vestiu Davi com sua própria túnica. Colocou-lhe uma armadura e um capacete de bronze na cabeça.
  39. Davi prendeu sua espada sobre a túnica e tentou andar, pois não estava acostumado àquilo. E disse a Saul: “Não consigo andar com isto, pois não estou acostumado”. Assim tirou tudo aquilo.
  40. Em seguida pegou seu cajado, escolheu no riacho cinco pedras lisas, colocou-as na bolsa, isto é, no seu alforje de pastor e, com sua atiradeira na mão, aproximou-se do filisteu.
  41. Enquanto isso, o filisteu, com seu escudeiro à frente, vinha se aproximando de Davi.
  42. Olhou para Davi com desprezo, viu que era só um rapaz, ruivo e de boa aparência, e fez pouco caso dele.
  43. E disse a Davi: “Por acaso sou um cão para que você venha contra mim com pedaços de pau? “
  44. E o filisteu amaldiçoou Davi invocando seus deuses, e disse: “Venha aqui, e darei sua carne às aves do céu e aos animais do campo! “
  45. Davi disse ao filisteu: “Você vem contra mim com espada, com lança e com dardo, mas eu vou contra você em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem você desafiou.
  46. Hoje mesmo o Senhor o entregará nas minhas mãos, e eu o matarei e cortarei a sua cabeça. Hoje mesmo darei os cadáveres do exército filisteu às aves do céu e aos animais selvagens, e toda a terra saberá que há Deus em Israel.
  47. Todos que estão aqui saberão que não é por espada ou por lança que o Senhor concede vitória; pois a batalha é do Senhor, e ele entregará todos vocês em nossas mãos”.
  48. Quando o filisteu começou a vir na direção de Davi, este correu depressa na direção da linha de batalha para enfrentá-lo.
  49. Retirando uma pedra de seu alforje ele a arremessou com a atiradeira e atingiu o filisteu na testa, de tal modo que ela ficou encravada, e ele caiu com o rosto no chão.
  50. Assim Davi venceu o filisteu com uma atiradeira e uma pedra; sem espada na mão ele derrubou o filisteu e o matou.
  51. Davi correu e se pôs de pé sobre ele; e desembainhando a espada do filisteu acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça com ela.
  52. Quando os filisteus viram que seu guerreiro estava morto, recuaram e fugiram.
  53. Então os homens de Israel e de Judá deram o grito de guerra e perseguiram os filisteus até a entrada de Gate, e até as portas de Ecrom.
  54. Cadáveres de filisteus ficaram espalhados ao longo da estrada de Saaraim até Gate e Ecrom.
  55. Quando os israelitas voltaram da perseguição aos filisteus, levaram tudo o que havia no acampamento deles.
  56. Davi pegou a cabeça do filisteu, levou-a para Jerusalém e guardou as armas do filisteu em sua própria tenda.
  57. Quando Saul viu Davi avançando para enfrentar o filisteu, perguntou a Abner, o comandante do exército: “Abner, quem é o pai daquele rapaz? “
  58. Abner respondeu: “Juro por tua vida, ó rei, que eu não sei”.
  59. E o rei ordenou-lhe: “Descubra quem é o pai dele”.
  60. Logo que Davi voltou, depois de ter matado o filisteu, Abner levou-o perante Saul. Davi ainda segurava a cabeça de Golias.
  61. E Saul lhe perguntou: “De quem você é filho, meu jovem? ” Respondeu Davi: “Sou filho de teu servo Jessé, de Belém”.

Capítulo 24 – Mical

  1. Depois dessa conversa de Davi com Saul, surgiu tão grande amizade entre Jônatas e Davi que Jônatas tornou-se o seu melhor amigo.
  2. Daquele dia em diante, Saul manteve Davi consigo e não o deixou voltar à casa de seu pai.
  3. E Jônatas fez um acordo de amizade com Davi, pois se tornara o melhor amigo de Davi.
  4. Jônatas tirou o manto que estava vestindo e deu-o a Davi, junto com sua túnica, e até sua espada, seu arco e seu cinturão.
  5. Tudo que Saul lhe ordenava fazer, Davi fazia com tanta habilidade que Saul lhe deu um posto elevado no exército. Isto agradou a todo o povo, bem como aos conselheiros de Saul.
  6. Quando os soldados voltavam para casa, depois de Davi ter matado o filisteu, as mulheres saíram de todas as cidades de Israel ao encontro do rei Saul com cânticos e danças, com tamborins, com músicas alegres e instrumentos de três cordas.
  7. Enquanto dançavam, as mulheres cantavam: “Saul matou milhares, e Davi, dezenas de milhares”.
  8. Saul ficou muito irritado, com esse refrão e, aborrecido disse: “Atribuíram a Davi dezenas de milhares, mas a mim apenas milhares. O que mais lhe falta senão o reino?”
  9. Daí em diante Saul olhava com inveja para Davi.
  10. No dia seguinte, um espírito maligno mandado por Deus apoderou-se de Saul e ele entrou em transe profético em sua casa, enquanto Davi tocava harpa, como de costume.
  11. Saul estava com uma lança na mão e a atirou, dizendo: “Encravarei Davi na parede”. Mas Davi desviou-se duas vezes.
  12. Saul tinha medo de Davi porque o Senhor o havia abandonado e agora estava com Davi.
  13. Então afastou Davi de sua presença e deu-lhe o comando de uma tropa de mil soldados, e Davi a conduzia em suas campanhas.
  14. Ele tinha êxito em tudo o que fazia, pois o Senhor estava com ele.
  15. Quando Saul como ele tinha habilidade, teve muito medo dele.
  16. Todo Israel e Judá, porém, gostava de Davi, pois ele os conduzia em suas batalhas.
  17. Saul disse a Davi: “Aqui está a minha filha mais velha, Merabe. Eu a darei em casamento a você; apenas sirva-me com bravura e lute as batalhas do Senhor”.
  18. Pois Saul pensou: “Não o matarei. Deixo isso para os filisteus!”
  19. Mas Davi disse a Saul: “Quem sou eu, e o que é minha família ou o clã de meu pai em Israel para que eu me torne genro do rei? “
  20. Por isso, quando chegou a época de Merabe, a filha de Saul, ser dada em casamento a Davi, ela foi dada a Adriel, de Meolá.
  21. Mical, a outra filha de Saul, gostava de Davi. Quando disseram isto a Saul, ele ficou contente e pensou: “Eu a darei a ele, para que lhe sirva de armadilha, fazendo-o cair nas mãos dos filisteus”.
  22. Então Saul disse a Davi: “Hoje você tem uma segunda oportunidade de tornar-se meu genro”.
  23. Então Saul ordenou aos seus conselheiros que falassem em particular com Davi, dizendo: “O rei está satisfeito com você, e todos os seus conselheiros o estimam. Torne-se, agora, seu genro”.
  24. Quando falaram com Davi, ele disse: “Vocês acham que tornar-se genro do rei é fácil? Sou homem pobre e sem recursos”.
  25. Quando os conselheiros de Saul lhe contaram o que Davi tinha dito, Saul ordenou que dissessem a Davi: “O rei não quer outro preço pela noiva além de cem prepúcios de filisteus, para vingar-se de seus inimigos”.
  26. O plano de Saul era que Davi fosse morto pelos filisteus.
  27. Quando os conselheiros falaram novamente com Davi, ele gostou da ideia de tornar-se genro do rei.
  28. Por isso, antes de terminar o prazo estipulado, Davi e seus soldados saíram e mataram duzentos filisteus.
  29. Ele trouxe os prepúcios e apresentou-os ao rei para que se tornasse seu genro. Então Saul lhe deu em casamento sua filha Mical.
  30. Quando Saul viu claramente que o Senhor estava com Davi e que sua filha Mical o amava, temeu-o ainda mais e continuou seu inimigo pelo resto de sua vida.
  31. Os comandantes filisteus continuaram saindo para a batalha, e, todas as vezes que o faziam, Davi tinha mais habilidade do que os outros oficiais de Saul, e ele tornou-se ainda mais famoso.
  32. Saul falou a seu filho Jônatas e a todos os seus conselheiros sobre a sua intenção de matar Davi.
  33. Jônatas, porém, gostava muito de Davi e o alertou: “Meu pai, está procurando uma oportunidade para matá-lo. Tenha cuidado amanhã cedo. Vá para um esconderijo e fique por lá.”
  34. “Sairei e ficarei com meu pai no campo onde você estiver. Falarei a ele sobre você e, depois, contarei a você o que eu descobrir”.
  35. Jônatas falou bem de Davi a Saul, seu pai, e lhe disse: “Que o rei não faça mal a seu servo Davi; ele não lhe fez mal nenhum. Ao contrário, o que ele fez trouxe grandes benefícios ao rei.”
  36. “Ele arriscou a vida quando matou o filisteu. O Senhor trouxe grande vitória para todo o Israel; tu mesmo viste tudo e ficaste contente. Por que, então, farias mal a um inocente como Davi, matando-o sem motivo?”
  37. Saul atendeu a Jônatas e fez este juramento: “Juro pelo nome do Senhor que Davi não será morto”.
  38. Então Jônatas chamou a Davi e lhe contou a conversa toda. Levou-o até Saul, e Davi voltou a servir a Saul como anteriormente.
  39. E houve guerra outra vez, e Davi foi lutar com os filisteus. Ele lhes impôs uma grande derrota e eles fugiram dele.
  40. Mas um espírito maligno mandado pelo Senhor apoderou-se de Saul quando ele estava sentado em sua casa, com sua lança na mão.
  41. Enquanto Davi estava tocando harpa, Saul tentou encravá-lo na parede com sua lança, mas Davi desviou-se e a lança encravou na parede. E Davi conseguiu escapar.
  42. Naquela mesma noite, Saul enviou alguns homens à casa de Davi para vigiá-lo e matá-lo de manhã; mas Mical, a mulher de Davi, o alertou: “Se você não fugir esta noite para salvar sua vida, amanhã estará morto”.
  43. Então Mical fez Davi descer por uma janela, e ele fugiu.
  44. Depois Mical pegou um ídolo do clã e o deitou na cama, pôs uma almofada de pêlos de cabra na cabeceira e o cobriu com um manto.
  45. Quando chegaram os homens que Saul tinha enviado para prenderem Davi, Mical disse: “Ele está doente”.
  46. Então Saul enviou os homens de volta para verem Davi dizendo: “Tragam-no até aqui em sua cama para que eu o mate”.
  47. Quando, porém, os homens entraram, o ídolo do clã estava na cama, e na cabeceira havia uma almofada de pêlos de cabra.
  48. Saul disse a Mical: “Por que você me enganou desse modo e deixou que o meu inimigo escapasse? ” Ela lhe respondeu: “Ele me disse que o deixasse, se não me mataria? “
  49. Depois que fugiu, Davi foi falar com Samuel em Ramá, e contou-lhe tudo o que Saul lhe havia feito. Então ele e Samuel foram a Naiote e ficaram lá.
  50. Quando chegou a festa da lua nova, o rei sentou-se à mesa. Ele se assentou no lugar de costume, junto à parede, em frente de Jônatas, e Abner sentou-se ao lado de Saul, mas o lugar de Davi ficou vazio.
  51. Saul não disse nada naquele dia, pois pensou: “Algo deve ter acontecido a Davi, deixando-o cerimonialmente impuro. Com certeza ele está impuro”.
  52. No dia seguinte, o segundo dia da festa da lua nova, o lugar de Davi continuou vazio. Então Saul perguntou a seu filho Jônatas: “Por que o filho de Jessé não veio para a refeição, nem ontem nem hoje? “
  53. Jônatas respondeu: “Davi me pediu, com insistência, permissão para ir a Belém, dizendo que sua família oferecerá um sacrifício na cidade e seu irmão o ordenou que estivesse lá.”.
  54. A ira de Saul se acendeu contra Jônatas, e ele lhe disse: “Filho de uma mulher perversa e rebelde! Será que eu não sei que você tem apoiado o filho de Jessé para sua própria vergonha e para vergonha daquela que o deu à luz?”
  55. “Enquanto o filho de Jessé viver, nem você nem seu reino serão estabelecidos. Agora mande chamá-lo e traga-o a mim, pois ele deve morrer! “
  56. Jônatas perguntou a seu pai: “Por que ele deve morrer? O que ele fez? “
  57. Então Saul atirou sua lança contra Jônatas para matá-lo. E assim Jônatas percebeu que seu pai estava decidido a matar Davi.
  58. Jônatas levantou-se da mesa muito irado; naquele segundo dia da festa da lua nova ele não comeu, pois estava triste porque seu pai havia humilhado a Davi.
  59. Pela manhã, Jônatas saiu ao campo para encontrar Davi. Davi saiu do lado sul da pedra e inclinou-se três vezes perante Jônatas, com o rosto no chão.
  60. Então despediram-se beijando um ao outro e chorando; Davi chorou ainda mais do que Jônatas.
  61. E ele disse a Davi: “Vá em paz, pois temos jurado um ao outro, em nome do Senhor, dizendo: O Senhor para sempre é testemunha entre nós e entre os nossos descendentes”.
  62. Então Davi partiu, e Jônatas voltou à cidade.

Fonte: 1Samuel 18, 19 e 20

Capítulo 25 – Aimeleque

  1. Davi foi falar com o sacerdote Aimeleque, em Nobe. Aimeleque tremia quando se encontrou com ele, e perguntou: “Por que você está sozinho? Ninguém veio com você?”
  2. Respondeu Davi: “O rei me encarregou de uma certa missão e me disse que ninguém deve saber coisa alguma sobre sua missão e sobre as suas instruções.”
  3. E crescentou: “Ordenei aos meus soldados que se encontrassem comigo num certo lugar. Agora, então, o que você pode oferecer-me? Dê-me cinco pães ou algo que tiver”.
  4. O sacerdote, contudo, respondeu a Davi: “Não tenho pão comum; somente pão consagrado; se os soldados não tiveram relações com mulheres recentemente podem comê-lo”.
  5. Davi respondeu: “Certamente que não, conforme o nosso costume sempre que saio em campanha. Não tocamos em mulher. Esses homens mantém o corpo puro mesmo em missões comuns. Quanto mais hoje!”
  6. Então, o sacerdote lhe deu os pães consagrados, visto que não havia outro além do pão da Presença, que era retirado de diante do Senhor e substituído por pão quente no dia em que era tirado.
  7. Aconteceu que um dos servos de Saul estava ali naquele dia, cumprindo seus deveres diante do Senhor; era o edomita Doegue, chefe dos pastores de Saul.
  8. Davi perguntou a Aimeleque: “Você tem uma lança ou uma espada aqui? Eu não trouxe minha espada nem qualquer outra arma, pois o rei exigiu urgência”.
  9. O sacerdote respondeu: “A espada de Golias, o filisteu que você matou no vale de Elá, está enrolada num pano atrás do colete sacerdotal. Se quiser, pegue-a; não há nenhuma outra espada”.
  10. Davi disse: “Não há outra melhor; dê-me essa espada”.
  11. Naquele dia, Davi fugiu de Saul e foi procurar Aquis, rei de Gate.
  12. Todavia os conselheiros de Aquis lhe disseram: “Não é este Davi, o rei da terra de Israel? Não é aquele sobre quem cantavam em suas danças: ‘Saul abateu seus milhares, e Davi suas dezenas de milhares’?”
  13. Davi levou a sério aquelas palavras e ficou com muito medo de Aquis, rei de Gate.
  14. Por isso, na presença deles ele fingiu estar louco; enquanto esteve com eles, agiu como um louco, riscando as portas da cidade e deixando escorrer saliva pela barba.
  15. Aquis disse a seus conselheiros: “Vejam este homem! Ele está louco! Por que trazê-lo aqui? O que ele veio fazer no meu palácio? “
  16. Davi fugiu da cidade de Gate e foi para a caverna de Adulão. Quando seus irmãos e a família de seu pai souberam disso, foram até lá para encontrá-lo.
  17. Também juntaram-se a ele todos os que estavam em dificuldades, os endividados e os descontentes; e ele se tornou o líder deles. Havia cerca de quatrocentos homens com ele.
  18. De lá Davi foi para Mispá, em Moabe, e disse ao rei de Moabe: “Posso deixar meu pai e minha mãe virem para cá e ficarem contigo até que eu saiba o que Deus fará comigo? “
  19. E assim ele os deixou com o rei de Moabe, e lá eles ficaram enquanto Davi permaneceu na fortaleza.
  20. Contudo, o profeta Gade disse a Davi: “Não fique na fortaleza. Vá para Judá”. Então Davi foi para a floresta de Herete.
  21. Saul ficou sabendo que Davi e seus homens tinham sido descobertos; estava sentado, com a lança na mão, debaixo da tamargueira, na colina de Gibeá, com todos os seus oficiais ao redor.
  22. E ele lhes disse: “Ouçam, homens de Benjamim! Será que o filho de Jessé lhes dará a todos vocês terras e vinhas? Será que ele os fará todos comandantes de mil e comandantes de cem?”
  23. “É por isso que todos vocês têm conspirado contra mim? Ninguém me informa quando meu filho faz acordo com o filho de Jessé. Nenhum de vocês se preocupa comigo nem me avisa que meu filho incitou meu servo a ficar à minha espreita, como ele hoje faz”.
  24. Entretanto, Doegue, o edomita, que estava com os oficiais de Saul, disse: “Vi o filho de Jessé chegar em Nobe e encontrar-se com Aimeleque, filho de Aitube. Aimeleque consultou o Senhor em favor dele; também lhe deu provisões e a espada de Golias, o filisteu”.
  25. Então o rei mandou chamar o sacerdote Aimeleque, filho de Aitube, e toda a família de seu pai, que eram os sacerdotes em Nobe, e todos foram falar com o rei.
  26. E Saul disse: “Ouça agora, filho de Aitube”. Ele respondeu: “Sim, meu senhor”.
  27. Saul lhe disse: “Por que vocês conspiraram contra mim, você e o filho de Jessé? Porque você lhe deu comida e espada, e consultou a Deus em favor dele, para que se rebelasse contra mim e me armasse cilada, como ele está fazendo?”
  28. Aimeleque respondeu ao rei: “Quem dentre todos os teus oficiais é tão leal quanto Davi, o genro do rei, capitão de sua guarda pessoal e altamente respeitado em sua casa?”
  29. “Será que foi essa a primeira vez que consultei a Deus em favor dele? Certamente que não! Que o rei não acuse a mim, seu servo, nem qualquer um da família de meu pai, pois seu servo nada sabe acerca do que está acontecendo”.
  30. O rei, porém, disse: “Com certeza você será morto, Aimeleque, você e toda a família de seu pai”.
  31. Então o rei ordenou aos guardas que estavam ao seu lado: “Matem os sacerdotes do Senhor, pois eles também apoiam Davi. Sabiam que ele estava fugindo, mas nada me informaram”.
  32. Contudo, os oficiais do rei recusaram erguer as mãos para matar os sacerdotes do Senhor.
  33. Então o rei ordenou a Doegue: “Mate os sacerdotes”, e ele os matou. E naquele dia, matou oitenta e cinco homens que vestiam túnica de linho.
  34. Além disso, Saul mandou matar os habitantes de Nobe, a cidade dos sacerdotes: homens, mulheres, crianças, recém-nascidos, bois, jumentos e ovelhas.
  35. Entretanto, Abiatar, filho de Aimeleque e neto de Aitube, escapou e fugiu para juntar-se a Davi.
  36. Ele contou a Davi que Saul havia matado os sacerdotes do Senhor.
  37. Então Davi disse a Abiatar: “Naquele dia, quando o edomita Doegue estava ali, eu sabia que ele não deixaria de informar a Saul. Sou responsável pela morte de toda a família de seu pai.
  38. “Fique comigo, não tenha medo; o homem que está atrás de sua vida também está atrás da minha. Mas você estará a salvo comigo”.

Fonte: 1Samuel 21 e 22

Capítulo 26 – Pacto em En-Gedi

  1. Quando disseram a Davi que os filisteus estavam atacando a cidade de Queila, Ele e seus homens combateram os filisteus e se apoderaram de seus rebanhos, impondo-lhes grande derrota e libertando o povo de Queila.
  2. Ora, Abiatar, filho de Aimeleque, tinha levado o colete sacerdotal, quando fugiu para se juntar a Davi, em Queila.
  3. Foi dito a Saul que Davi tinha ido a Queila, e ele disse: “Deus o entregou nas minhas mãos, pois Davi se aprisionou ao entrar numa cidade com portas e trancas”.
  4. E Saul convocou todo o seu exército para a batalha, para irem a Queila e cercarem Davi e os homens que o seguiam.
  5. Quando Davi soube que Saul tramava atacá-lo, disse a Abiatar: “Traga o colete sacerdotal”.
  6. Então orou: “Ó Senhor, Deus de Israel, este teu servo ouviu claramente que Saul planeja vir a Queila e destruir a cidade por causa dele.”
  7. “Será que os cidadãos de Queila me entregarão a ele? Saul virá de fato, conforme teu servo ouviu? Ó Senhor, Deus de Israel, responde”. E o Senhor o respondeu.
  8. E Davi, novamente, perguntou: “Será que os cidadãos de Queila entregarão a mim e a meus soldados a Saul? ” E o Senhor o respondeu.
  9. Então Davi e seus soldados, que eram cerca de seiscentos, partiram de Queila, e ficaram andando sem direção definida.
  10. Quando informaram a Saul que Davi tinha fugido de Queila, ele interrompeu a marcha.
  11. Davi permaneceu nas fortalezas do deserto e nas colinas do deserto de Zife. Dia após dia, Saul o procurava, mas Deus não entregou Davi em suas mãos.
  12. Quando Davi estava em Horesa, no deserto de Zife, soube que Saul tinha saído para matá-lo. E Jônatas, filho de Saul, foi falar com ele, em Horesa, e o ajudou a encontrar forças em Deus.
  13. “Não tenha medo”, disse ele, “meu pai não porá as mãos em você. Você será rei de Israel, e eu lhe serei o segundo em comando. Até meu pai sabe disso. “
  14. Os dois fizeram um acordo perante o Senhor. Então, Jônatas foi para casa, mas Davi ficou em Horesa.
  15. Alguns zifeus foram informar a Saul, em Gibeá, que Davi estáva se escondendo entre eles nas fortalezas de Horesa, na colina de Haquilá, ao sul do Deserto de Jesimom.
  16. E eles voltaram para Zife, à frente de Saul. Davi e seus soldados estavam no deserto de Maom, na Arabá, ao sul do deserto de Jesimom.
  17. Saul e seus soldados começaram a busca, e, ao ser informado disso, Davi desceu à rocha e permaneceu no deserto de Maom.
  18. Sabendo disso, Saul foi para lá em perseguição a Davi. Saul ia por um lado da montanha, e Davi e seus soldados pelo outro, fugiam depressa para escapar de Saul.
  19. Quando Saul e suas tropas estavam cercando Davi e seus soldados para capturá-los,
    um mensageiro veio dizer a Saul: “Venha depressa! Os filisteus estão atacando Israel”.
  20. Então Saul interrompeu a perseguição a Davi e foi enfrentar os filisteus. Por isso chamam esse lugar Selá-Hamalecote.
  21. E Davi saiu daquele lugar e foi viver nas fortalezas de En-Gedi.
  22. Saul voltou da luta contra os filisteus e disseram-lhe que Davi estava no deserto de En-Gedi.
  23. Então Saul tomou três mil de seus melhores soldados de todo o Israel e partiu à procura de Davi e seus homens perto dos rochedos dos Bodes Selvagens.
  24. Ele foi aos currais de ovelhas que ficavam junto ao caminho; havia ali uma caverna, e Saul entrou nela para fazer suas necessidades.
  25. Davi e seus soldados estavam bem no fundo da caverna.
  26. Eles disseram: “Este é o dia sobre o qual o Senhor lhe falou: ‘Entregarei nas suas mãos seu inimigo para que você faça com ele o que quiser’ “. Então Davi foi com muito cuidado e cortou uma ponta do manto de Saul, sem que este percebesse.
  27. Mas Davi sentiu bater-lhe o coração de remorso por ele ter cortado uma ponta do manto de Saul.
  28. E então disse a seus soldados: “Que o SENHOR me livre de fazer tal coisa a meu senhor, de erguer a mão contra ele; pois é o ungido do Senhor”.
  29. Com essas palavras Davi repreendeu os soldados e não permitiu que atacassem Saul. E este saiu da caverna e seguiu seu caminho.
  30. Então Davi saiu da caverna e gritou para Saul: “Ó rei, meu senhor! ” Quando Saul olhou para trás, Davi inclinou-se, rosto em terra.
  31. E depois disse: “Por que o rei dá atenção aos que dizem que eu pretendo lhe fazer mal? Hoje o rei pode ver com os próprios olhos como o Senhor o entregou em minhas mãos na caverna.”
  32. “Alguns insistiram que eu o matasse, mas eu o poupei, pois disse: Não erguerei a mão contra meu senhor, pois ele é o ungido do Senhor.”
  33. “Olha, meu pai, olha para este pedaço de teu manto em minha mão! Cortei a ponta de teu manto, mas não o matei.”
  34. “Agora entende e reconhece que não sou culpado de fazer o mal ou de rebelar-me. Não lhe fiz mal algum, embora estejas à minha procura para tirar-me a vida.”
  35. “O Senhor julgue entre mim e ti. Vingue ele os males que tens feito contra mim, mas não levantarei a mão contra ti.”
  36. “Como diz o provérbio antigo: Dos ímpios vêm coisas ímpias’; por isso não levantarei a minha mão contra ti.”
  37. “Contra quem saiu o rei de Israel? A quem está perseguindo? A um cão morto! A uma pulga! O Senhor seja o juiz e nos julgue. Considere ele minha causa e a sustente; que ele me julgue, livrando-me de tuas mãos.”
  38. Tendo Davi falado todas essas palavras, Saul perguntou: “É você, meu filho Davi? ” E chorou em voz alta.
  39. “Você é mais justo do que eu”, disse ele a Davi. “Você me tratou bem, mas eu o tratei mal.”
  40. “Você acabou de mostrar o bem que me tem feito; o Senhor me entregou em suas mãos, mas você não me matou.”
  41. “Quando um homem encontra um inimigo e o deixa ir sem fazer-lhe mal? O Senhor o recompense com o bem, pelo modo como você me tratou hoje.”
  42. “Agora tenho certeza de que você será rei e de que o reino de Israel será firmado em suas mãos.”
  43. “Portanto, jure-me pelo Senhor que você não eliminará meus descendentes nem fará meu nome desaparecer da família de meu pai”.
  44. Então Davi fez seu juramento a Saul. E este voltou para casa, mas Davi e seus soldados foram para a fortaleza.

Fonte: 1Samuel 23 e 24

Capítulo 26 – Morte de Samuel

  1. 1 Samuel 24:1-22
  2. 1 Samuel 23:1-29

IV

Livros do Altruísmo

De Jesus até o Inquisição

 

LIVRO V

Livro da Consciência

Do Novo Mundo aos Dias Atuais