Livro Primeiro – O Arbítrio

I

Livro do Arbítrio e o Pecado do Egoísmo

Capítulo 1 – Criação

  1. Quando não havia firmamento acima, nem terra abaixo, nem alturas, nem profundezas, muito menos qualquer nomeação, havia apenas as águas salgadas da DESORDEM, o útero do universo, e as águas doces do FUNDAMENTO, o iniciador da criação.
  2. Não havia para o divino um nome, natureza ou propósito.
  3. Então a partir do FUNDAMENTO e da DESORDEM, nas águas dele e dela, os SOPROS DIVINOS foram exalados, e para dentro das águas a terra se precipitou.
  4. As ÁGUAS-SUPERIORES e as ÁGUAS-INFERIORES, foram então nomeadas; nem bem antigas, nem bem formadas.
  5. Então, a COMPLETUDE as dominou, expandindo as linhas do céu e da terra, para onde os horizontes se encontram, separando o que era celestial do que era terreno.
  6. Dias seguiram outros dias, anos seguiram outros anos, até que o CÉU, o firmamento desabitado, herdeiro e conquistador, primeira criação paterna, fez nascer DEUS à imagem de sua própria natureza.
  7. Ele era a inteligência, a sabedoria, maior do que o horizonte dos céus, o mais forte dentre os seus pares.
  8. DEUS então rasgou o manto de glória flamejante e a coroa do FUNDAMENTO, tomando para si a auréola de rei.
  9. Por sobre o abismo, à distância, ele construiu sua casa e templo. Ali, com toda magnificência, ele foi viver com sua consorte: a DIVINA PRESENÇA.
  10. Naquela sala, no ponto das decisões onde o que deve ser é pré-determinado, foi concebido o mais sagaz, aquele que veio do poder mais absoluto em ação.
  11. No abismo profundo, ele foi concebido; a PALAVRA foi concebida no coração do FUNDAMENTO. A PALAVRA foi criada no coração do sagrado FUNDAMENTO.
  12. DEUS é seu pai. A DIVINA PRESENÇA a ela deu à luz, ambos pai e mãe. Ela foi amamentada pelas RESPIRAÇÕES DIVINAS, suas amas que lhe dotaram de grande poder.
  13. “Ó PALAVRA, o maior de todos os grandes SOPROS DIVINOS, honra e fama, vontade do CÉU, grande no comando, palavra eterna e inalterada!”
  14. “Onde houver ação, a PALAVRA é o primeiro a agir. Onde houver governo, a PALAVRA é o primeiro a governar, para dar glória a uns, para humilhar outros.”
  15. DEUS disse: – “Parta agora. Elimine a DESORDEM, e que os ventos carreguem seu sangue até os limites mais secretos do mundo!”
  16. Onze monstruosidades a DESORDEM criou, entretanto, tomando dentre os SOPROS DIVINOS o PECADO, o trabalhador desastrado, um dos da primeira geração, escolheu para ser seu Comandante.
  17. Este será o líder de Guerra, o líder da Assembleia, o organizador dos suprimentos para liderar a vanguarda da batalha: O SUPREMO COMANDANTE DAS GUERRAS.
  18. Tal posto a DESORDEM deu ao PECADO quando criou a companhia, dizendo: – “Agora está em tuas mãos. Meu encanto irá mantê-los unidos, eles devem obedecer à sua vontade. És supremo, meu consorte sem igual, tua palavra irá segurar as hordas rebeldes.”
  19. A DESORDEM deu a ele as Tábuas do Destino e amarrou-as no peito dele.
  20. Então disse: – “Agora e para sempre a tua ordem é irrevogável, teu julgamento, duradouro! Eles irão apagar o fogo e a clava vai perder sua força!”
  21. Quando o PECADO recebeu tal autoridade, que anteriormente pertencia ao CÉU, em suas várias naturezas, elas confirmaram a geração de monstruosidades.
  22. A PALAVRA seguiu na direção do som crescente da ira da DESORDEM. Observou-a examinar as profundezas.
  23. A PALAVRA estou o plano do PECADO, o consorte da DESORDEM, mas assim que o PECADO viu o jovem SOPRO DIVINO, ele começou a tremer, começou a sentir medo.
  24. Ao ver os SOPROS DIVINOS que enchiam as fileiras atrás da PALAVRA, quando o PECADO o viu, seus olhos repentinamente se anuviaram.
  25. Mas a DESORDEM, sem virar seu pescoço, cuspiu em desafio: – “Arrogante, pensas que és o maior de todos?”
  26. Então ela encontrou a PALAVRA e engalfinhou-se com ele num combate corpo a corpo.
  27. A PALAVRA lançou sua rede para prender a DESORDEM, e o implacável vento da EXPIRAÇÃO veio por trás e bateu na face da DESORDEM.
  28. Quando ela abriu a boca para engolir a PALAVRA, o jovem SOPRO DIVINO empurrou a EXPIRAÇÃO para dentro dela, de modo que a boca não se fechasse e que o vento rugisse na sua barriga.
  29. A DESORDEM escancarou sua boca, e então a PALAVRA disparou a flecha que lhe cortou as entranhas, que atingiu seu estômago e o útero da criação.
  30. Agora que a PALAVRA havia conquistado a DESORDEM, ele terminou com a vida dela. Ele atirou-a ao chão, subindo em sua carcaça.
  31. O jovem SOPRO DIVINO enfim descansou.
  32. Ele olhou para o corpo amplo da DESORDEM, ponderando sobre como usá-lo, o que criar a partir da carcaça morta.
  33. Ele abriu o corpo da DESORDEM em dois. Com a primeira metade, a superior, ele construiu o arco dos céus; e empurrou para baixo uma barra para fazer uma guarda para as águas, para que estas jamais pudessem escapar.
  34. Ele cruzou o céu para examinar a distância infinita; e se posicionou acima do FUNDAMENTO.
  35. Era aquele mesmo FUNDAMENTO construído por DEUS sobre o antigo abismo que agora ele examinou, medindo e marcando.
  36. Ele estendeu a imensidão do firmamento; e fez o TABERNÁCULO, o Grande Palácio, à sua imagem terrena, e ali o CÉU, o SENHOR e o DEUS tiveram suas estações certas.
  37. Então, surgiu dentro da PALAVRA o desejo de criar um trabalho da mais completa de todas as artes.
  38. Ele contou para DEUS os pensamentos profundos que estavam em seu coração: – “Sangue com sangue, eu junto. Sangue a osso, eu formo.”
  39. Ele disse: – “Eu crio algo original, cujo nome será HOMEM e MULHER, os seres humanos originais cuja feitura foi minha obra”.
  40. O PALAVRA chamou os Grandes SOPROS DIVINOS à Assembleia.
  41. Ele presidiu a Assembleia com cortesia e deu instruções a todos eles, que o escutaram com grave atenção.
  42. O rei falou: – Declarem, sob juramento, que falem a verdade e respondam: quem instigou a rebelião? Quem despertou a DESORDEM? Quem liderou a batalha?
  43. Que o instigador da guerra seja entregue, que seja considerado culpado e receba punição, e que a paz reine entre vocês para sempre!
  44. Eles responderam ao SENHOR do Universo, rei e conselheiro: – Foi o PECADO quem instigou a rebelião, ele levantou as águas da amargura e liderou a batalha por ela.
  45. Eles declararam o PECADO culpado, eles o prenderam e o fizeram se ajoelhar frente a DEUS.
  46. Então cortaram suas artérias e a partir do sangue do PECADO criaram os homens e mulheres.

Fonte: Enuma Elish

Capítulo 2 – Éden

  1. Então disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão”.
  2. Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
  3. Deus os abençoou, e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra”.
  4. Disse Deus: “Eis que lhes dou todas as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes. Elas servirão de alimento para vocês.
  5. E dou todos os vegetais como alimento a tudo o que tem em si fôlego de vida: a todos os grandes animais da terra, a todas as aves do céu e a todas as criaturas que se movem rente ao chão”. E assim foi.
  6. E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o sexto dia.
  7. No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou.
  8. Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação.
  9. Esta é a história das origens dos céus e da terra, no tempo em que foram criados: Quando o SENHOR Deus fez a terra e os céus,
  10. ainda não tinha brotado nenhum arbusto no campo, e nenhuma planta havia germinado, porque o SENHOR Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e também não havia homem para cultivar o solo.
  11. Todavia brotava água da terra e irrigava toda a superfície do solo.
  12. Então o SENHOR Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente.
  13. Ora, o SENHOR Deus tinha plantado um jardim no Éden, para os lados do leste; e ali colocou o homem que formara.
  14. O SENHOR Deus fez nascer então do solo todo tipo de árvores agradáveis aos olhos e boas para alimento. E no meio do jardim estavam a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
  15. No Éden nascia um rio que irrigava o jardim, e depois se dividia em quatro.
  16. O nome do primeiro é Pisom. Ele percorre toda a terra de Havilá, onde existe ouro.
  17. O ouro daquela terra é excelente; lá também existem o bdélio e a pedra de ônix.
  18. O segundo, que percorre toda a terra de Cuxe, é o Giom.
  19. O terceiro, que corre pelo lado leste da Assíria, é o Tigre. E o quarto rio é o Eufrates.
  20. O SENHOR Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo.
  21. E o SENHOR Deus ordenou ao homem: “Coma livremente de qualquer árvore do jardim,
  22. mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá”.
  23. Então o SENHOR Deus declarou: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda”.
  24. Depois que formou da terra todos os animais do campo e todas as aves do céu, o SENHOR Deus os trouxe ao homem para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a cada ser vivo, esse seria o seu nome.
  25. Assim o homem deu nomes a todos os rebanhos domésticos, às aves do céu e a todos os animais selvagens. Todavia não se encontrou para o homem alguém que o auxiliasse e lhe correspondesse.
  26. Então o SENHOR Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne.
  27. Com a costela que havia tirado do homem, o SENHOR Deus fez uma mulher e a trouxe a ele.
  28. Disse então o homem: “Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada”.
  29. Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.
  30. O homem e sua mulher viviam nus, e não sentiam vergonha.

Fontes: Gênesis 1 e 2

Capítulo 3 – Serpente

  1. Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o SENHOR Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: “Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’?”
  2. Respondeu a mulher à serpente: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim,
  3. mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão’ “.
  4. Disse a serpente à mulher: “Certamente não morrerão!
  5. Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal”.
  6. Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também.
  7. Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus; então juntaram folhas de figueira para cobrir-se.
  8. Ouvindo o homem e sua mulher os passos do SENHOR Deus que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do SENHOR Deus entre as árvores do jardim.
  9. Mas o SENHOR Deus chamou o homem, perguntando: “Onde está você?”
  10. E ele respondeu: “Ouvi teus passos no jardim e fiquei com medo, porque estava nu; por isso me escondi”.
  11. E Deus perguntou: “Quem lhe disse que você estava nu? Você comeu do fruto da árvore da qual lhe proibi comer?”
  12. Disse o homem: “Foi a mulher que me deste por companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi”.
  13. O SENHOR Deus perguntou então à mulher: “Que foi que você fez?” Respondeu a mulher: “A serpente me enganou, e eu comi”.
  14. Então o SENHOR Deus declarou à serpente: “Já que você fez isso, maldita é você entre todos os rebanhos domésticos e entre todos os animais selvagens! Sobre o seu ventre você rastejará, e pó comerá todos os dias da sua vida.
  15. Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar”.
  16. À mulher, ele declarou: “Multiplicarei grandemente o seu sofrimento na gravidez; com sofrimento você dará à luz filhos. Seu desejo será para o seu marido, e ele a dominará”.
  17. E ao homem declarou: “Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual eu lhe ordenara que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida.
  18. Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das plantas do campo.
  19. Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó e ao pó voltará”.
  20. Adão deu à sua mulher o nome de Eva, pois ela seria mãe de toda a humanidade.
  21. O SENHOR Deus fez roupas de pele e com elas vestiu Adão e sua mulher.
  22. Então disse o SENHOR Deus: “Agora o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Não se deve, pois, permitir que ele também tome do fruto da árvore da vida e o coma, e viva para sempre”.
  23. Por isso o SENHOR Deus o mandou embora do jardim do Éden para cultivar o solo do qual fora tirado.
  24. Depois de expulsar o homem, colocou a leste do jardim do Éden querubins e uma espada flamejante que se movia, guardando o caminho para a árvore da vida.

Fontes: Gênesis 3.

Capítulo 4 – Abel

  1. Adão teve relações com Eva, sua mulher, e ela engravidou e deu à luz Caim. Disse ela: “Com o auxílio do SENHOR tive um filho homem”.
  2. Voltou a dar à luz, desta vez a Abel, irmão dele. Abel tornou-se pastor de ovelhas, e Caim, agricultor.
  3. Passado algum tempo, Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR.
  4. Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho. O SENHOR aceitou com agrado Abel e sua oferta,
  5. mas não aceitou Caim e sua oferta. Por isso Caim se enfureceu e o seu rosto se transtornou.
  6. O SENHOR disse a Caim: “Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto?
  7. Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo”.
  8. Disse, porém, Caim a seu irmão Abel: “Vamos para o campo”. Quando estavam lá, Caim atacou seu irmão Abel e o matou.
  9. Então o SENHOR perguntou a Caim: “Onde está seu irmão Abel?” Respondeu ele: “Não sei; sou eu o responsável por meu irmão?”
  10. Disse o SENHOR: “O que foi que você fez? Escute! Da terra o sangue do seu irmão está clamando.
  11. Agora amaldiçoado é você pela terra, que abriu a boca para receber da sua mão o sangue do seu irmão.
  12. Quando você cultivar a terra, esta não lhe dará mais da sua força. Você será um fugitivo errante pelo mundo”.
  13. Disse Caim ao SENHOR: “Meu castigo é maior do que posso suportar.
  14. Hoje me expulsas desta terra, e terei que me esconder da tua face; serei um fugitivo errante pelo mundo, e qualquer que me encontrar me matará”.
  15. Mas o SENHOR lhe respondeu: “Não será assim; se alguém matar Caim, sofrerá sete vezes a vingança”. E o SENHOR colocou em Caim um sinal, para que ninguém que viesse a encontrá-lo o matasse.
  16. Então Caim afastou-se da presença do SENHOR e foi viver na terra de Node, a leste do Éden.
  17. Caim teve relações com sua mulher, e ela engravidou e deu à luz Enuque. Depois Caim fundou uma cidade, à qual deu o nome do seu filho Enuque.
  18. A Enoque nasceu-lhe Irade, Irade gerou a Meujael, Meujael a Metusael, e Metusael a Lameque.
  19. Lameque tomou duas mulheres: uma chamava-se Ada e a outra, Zilá.
  20. Ada deu à luz Jabal, que foi o pai daqueles que moram em tendas e criam rebanhos.
  21. O nome do irmão dele era Jubal, que foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta.
  22. Zilá também deu à luz um filho, Tubalcaim, que fabricava todo tipo de ferramentas de bronze e de ferro. Tubalcaim teve uma irmã chamada Naamá.
  23. Disse Lameque às suas mulheres: “Ada e Zilá, ouçam-me; mulheres de Lameque, escutem minhas palavras: Eu matei um homem porque me feriu, e um menino, porque me machucou.
  24. Se Caim é vingado sete vezes, Lameque o será setenta e sete”.
  25. Novamente Adão teve relações com sua mulher, e ela deu à luz outro filho, a quem chamou Sete, dizendo: “Deus me concedeu um filho no lugar de Abel, visto que Caim o matou”.
  26. Também a Sete nasceu um filho, a quem deu o nome de Enos. Nessa época começou-se a invocar o nome do SENHOR.

Fonte: Gênesis 4

Capítulo 5 – Sete

  1. Sete conhecia o bem e o mal, era persistente em jejuar e orar, e passava todas as suas noites suplicando a Deus por misericórdia e perdão.
  2. Ele também jejuava ao elevar sua oferenda todos os dias, mais do que seu pai: pois tinha um belo semblante, como o de um anjo de Deus.
  3. Ele também tinha um bom coração, preservando as melhores qualidades de sua alma; e por esta razão erguia sua oferenda todos os dias.
  4. A Deus agradava sua oferenda; e também agradava sua pureza. E ele continuou assim fazendo a vontade de Deus, de seu pai e sua mãe.
  5. Após isso, descendo do altar e tendo terminado sua oferenda, Satã apareceu-lhe na forma de um belo anjo, cheio de luz; com uma vara de luz em sua mão, cingido com um cinto de luz.
  6. Ele cumprimentou Seth com um belo sorriso e se pôs a iludi-lo com belas palavras, dizendo-lhe: “O Seth, por, que moras nesta montanha?”
  7. “Aqui é áspero, cheio de pedras e areia, de árvores sem frutos comestíveis; um lugar ermo sem habitações e sem cidades; não é um bom lugar para habitar.”
  8. “Aqui tudo é calor, cansaço e sofrimento, mas nós moramos em belos lugares, num mundo diferente desta terra.”
  9. “Em nosso mundo há muitos homens e muitas donzelas, um mais belo que o outro. Eu desejo, portanto, levar-te daqui, para que tu possas casar-te com quem tu preferires.”
  10. “Entre nós não é pecado fazê-lo; nem é considerado desejo animal, pois em nosso mundo não temos Deus, mas somos todos deuses.”
  11. “Todos pertencemos à luz, celestiais, poderoso fortes e gloriosos.”
  12. Quando Seth ouviu essa palavras, ficou maravilhado inclinou seu coração para o discurso traiçoeiro de Satã
  13. Seth lhe disse: “Teu discurso maravilhou-me; e tua bela descrição de tudo isto. Ainda assim eu não posso ir contigo hoje, não antes de ir a meu pai Adão e a minha mãe Eva e dizer-lhes tudo o que me contaste. Se eles me permitirem ir contigo, eu irei.”
  14. Quando Satã ouviu isto, ele disse a Seth: “Se tu contares a teu pai Adão o que eu te contei, ele não te permitirá vir comigo.”
  15. Então Seth respondeu: “O espírito de meu pai e de minha mãe depende de mim; e se eu me esconder deles por um dia sequer, eles morrerão, e Deus me considerará culpado por pecar contra eles.”
  16. Então Satã lhe disse: “Que acontecerá a ti se te esconderes deles por uma noite apenas e voltares a eles ao raiar do dia?”
  17. Mas Seth, quando viu como ele continuava a falar e que ele não o deixaria, correu, subiu ao altar, estendeu suas mãos e buscou a libertação de Deus.”
  18. Então Deus enviou Sua Palavra e amaldiçoou Satã, que fugiu dele.
  19. Então Seth desceu do altar e foi até seu pai e sua mãe, a quem encontrou no caminho, com saudade de ouvir sua voz, pois ele se tinha atrasado um pouco.
  20. Ele então se pôs a contar-lhes o que lhe acontecera com Satã, sob a forma de um anjo.
  21. Quando Adão ouviu este relato, beijou sua face e preveniu-o quanto àquele anjo, contando-lhe que era Satã que assim lhe aparecera.
  22. Em seguida Adão pegou Seth, foram à Caverna dos Tesouros e rejubilaram-se ali.
  23. Mas daquele dia em diante Adão e Eva nunca mais se separaram dele, fosse para onde ele fosse, ou por sua oferenda ou por qualquer outra coisa.
  24. E, quando o pai Adão viu que Seth tinha um coração perfeito, quis que ele se casasse; para que o inimigo não lhe aparecesse mais uma vez e o dominasse.
  25. Assim Adão casou-o com Aclia. Ele tinha quinze anos de idade.
  26. Mas quando completou vinte anos, ele gerou um filho, a quem chamou de Enós; e depois gerou outros filhos além deste.
  27. Quando Enós tomou-se adulto, casou-se e gerou Cainã.
  28. Cainã também tomou-se adulto, casou-se, e gerou Malaleel.
  29. Esses antepassados nasceram durante a vida de Adão e moraram na Caverna dos Tesouros.
  30. E quando o pai Adão viu que seu fim estava próximo chamou seu filho Seth, que veio a ele na Caverna dos Tesouros e disse-lhe: “Seth, meu filho, traze-me teus filhos e os filhos de teus filhos, para que eu possa abençoá-los antes de morrer”.
  31. Quando Seth ouviu estas palavras de seu pai Adão, retirou-se derramou um rio de lágrimas sobre suas faces.
  32. Ele reuniu seus filhos e os filhos de seus filhos, e trouxe-os a seu pai Adão. E quando o pai Adão viu-os em sua volta, chorou por ter de separar deles.
  33. E quando eles o viram chorando, todos choraram junto, prostraram-se sobre suas face dizendo: “Como é que serás separado de nós, ó nosso pai?
  34. “Como é que a terra te receberá e esconder-te-á de nossos olhos”, assim eles se lamentaram muito.
  35. Então o pai Adão abençoou-os a todos e disse a Seth: “Ó Seth, meu filho, tu conheces este mundo, que é cheio de tristeza e exaustão; e sabes de tudo o que nos aconteceu, de nossas provações aqui.”
  36. “Eu, portanto, ordeno-te agora com estas palavras; guardar a inocência, ser puro e justo e confiante em Deus; e não te inclines aos discursos de Satã, nem às aparições nas quais ele se mostrar a ti.”
  37. Quando Adão terminou sua ordem a Seth seus membros afrouxaram, suas mãos e pés perderam toda a força, sua boca emudeceu e sua língua cessou de falar de todo.
  38. Ele cerrou seus olhos e entregou o espírito.
  39. Quando seus filhos viram que ele estava morto, jogaram-se sobre ele, homens e mulheres, velhos e jovens, chorando.
  40. Então Seth o envolveu bem, embalsamou-o com muitas especiarias aromáticas de árvores sagradas e da Montanha Sagrada;
  41. E depositou seu corpo a leste, dentro da caverna, ao lado do incenso; colocou na sua frente uma lamparina permanentemente acesa.
  42. Em seguida seus filho; puseram-se diante dele chorando e pranteando-o a noite inteira até o raiar do dia.
  43. Em seguida Seth e seu filho Enós e Cainã, o filho de Enós, saíram e levaram boas oferendas para apresentar ao SENHOR.
  44. Eles chegaram ao altar sobre o qual Adão oferecia presentes a Deus, quando ele o fazia.
  45. Eva lhes disse: “Esperai até que peçamos primeiro a Deus que aceite nossas oferendas, e guarde consigo a alma de Adão Seu servo, e que a leve para descansar”.
  46. Todos puseram-se de pé oraram; e quando terminar sua oração, a Palavra de Deus veio e consolou-os pelo seu pai Adão.
  47. Ela veio a Seth, o mais velho dentre eles, dizendo-lhe: “O Seth, Seth, Seth, três vezes. Como Eu estive com teu pai, assim também estarei contigo”.

Fonte: Livro de Sete 10

Capítulo 6 – Enós

  1. Após a morte de Adão e de Eva, Seth separou seus filhos, e os filhos de seus filhos, dos filhos de Caim.
  2. Caim e seus descendentes desceram e habitaram a oeste, abaixo do lugar onde ele matara seu irmão Abel.
  3. Mas Seth e seus filhos moravam ao norte, na Montanha da Caverna dos Tesouros, para ficarem próximos de seu pai Adão.
  4. Seth, o mais velho, grande e bom, de alma pura e de mente forte, liderava seu povo; e instruía-o em inocência, penitência e mansidão, e não permitia que nenhum dos seus descesse para junto dos filhos de Caim.
  5. Por causa de sua pureza eles eram chamados “Filhos de Deus”, e estavam com Deus, no lugar das hostes de anjos caídos.
  6. Eles continuaram louvando a Deus e cantando salmos em sua caverna, a Caverna dos Tesouros.
  7. Seth punha-se em pé defronte ao corpo de seu pai Adão e de sua mãe Eva, e orava noite e dia, e pedia por misericórdia para si e seus filhos;
  8. Ao ter alguma dificuldade no lidar com um filho, Ele o aconselhava.
  9. Seth e seus filhos não gostavam do trabalho terreno, mas davam-se a coisas celestes; pois não tinham outros pensamentos a não ser louvores, cantos e salmos a Deus.
  10. Eles habitavam na montanha abaixo do jardim; não semeavam nem colhiam; não manufaturavam nenhum alimento para o corpo, nem mesmo trigo, mas tão-somente oferendas.
  11. Eles comiam os frutos das árvores carregadas que cresciam na montanha onde moravam.
  12. Frequentemente Seth jejuava a cada quarenta dias, como também o faziam seus filhos mais velhos; pois sentiam o aroma das árvores do jardim, quando o vento de lá soprava.
  13. Eles eram felizes, inocentes, sem sobressaltos, não havia inveja, nem más ações nem ódio entre eles.
  14. Não havia paixão animal; de nenhuma boca dentre eles saíam palavras deturpadas ou maldição; nem conselho mau nem mentira.
  15. Pois os homens daquele tempo nunca juravam, mas, sob circunstâncias difíceis, quando as pessoas precisam jurar, eles juravam pelo sangue de Abel o justo.
  16. Eles confinavam seus filhos e suas mulheres todos os dias na caverna para jejuar e orar e adorar Deus o Altíssimo.
  17. Eles se abençoavam no corpo de seu pai Adão e ungiam-se com ele.
  18. E assim fizeram até que o fim de Seth aproximou-se.
  19. Então Seth o justo chamou seu filho Enós e Cainã, filho de Enós, e Malaleel, filho de Cainã e disse-lhes: “Como o meu fim está próximo, quero construir um telhado sobre o altar no qual oferecemos presentes.”
  20. Eles obedeceram sua ordem e saíram, todos, tanto velhos quanto jovens, e trabalharam com persistência construíram um lindo telhado sobre o altar.
  21. A intenção de Seth, a fazer assim, era que a bênção vivesse sobre seus filhos na montanha; e que ele fizesse uma oferenda por eles antes de morrer.
  22. Quando a construção do telhado estava pronta ordenou-lhes que fizessem oferendas.
  23. Eles trabalharam diligentemente nelas e trouxeram-nas a Seth seu pai que a levou e ofereceu-as sobre o altar.
  24. Ele pediu a Deus que aceitasse suas oferendas, que tivesse misericórdia pela alma de seus filhos, e que os protegesse das mãos de Satã.
  25. Deus aceitou sua oferenda e enviou Sua bênção sobre ele e sobre seus filhos.
  26. Seth habitou a Caverna dos Tesouros por algum dias e depois sofreu os sofrimentos da morte.
  27. Então Enós, o primogênito, veio a ele, com Cainã, com Malaleel, o filho de Cainã, e Jared, filho de Malaleel, e Enoque, filho de Jared, com suas mulheres e filhos, para receberem as bênçãos de Seth.
  28. Depois, Seth abençoou Enós, seu primogênito, ordenou-lhe manter o hábito de ministrar na pureza diante do corpo do pai Adão e também de ir sempre ao altar que ele construíra.
  29. Ordenou-lhe instruir seu povo em justiça, em discernimento e pureza todos os dias de sua vida.
  30. Em seguida os membros de Seth afrouxaram; suas mãos e pés perderam toda a força, sua boca emudeceu e tomou-se incapaz de falar.
  31. Ele entregou o espírito e morreu um dia depois de completar novecentos e doze anos; ao vigésimo sétimo dia do mês Abib; tendo então Enoque vinte anos de idade.
  32. Então eles enrolaram cuidadosamente o corpo de Seth, embalsamaram-no com ervas aromáticas e depositaram-no na Caverna dos Tesouros, à direita do corpo do pai Adão, e prantearam-no durante quarenta dias.
  33. Ofereceram presentes por ele, como o fizeram pelo pai Adão.
  34. Depois da morte de Seth, Enós elevou-se à chefia de seu povo, a quem ele instruiu em justiça e discernimento, como seu pai lhe havia ordenado.
  35. Na época em que Enós chegou aos oitocentos e vinte anos de idade, Caim tinha uma prole numerosa; pois eles casavam-se com freqüência, dados que eram a prazeres animais; até que a terra abaixo da montanha estava cheia deles.
  36. Naqueles dias vivia Lamec o cego, que descendia dos filhos de Caim. Ele tinha um filho cujo nome era Atun, e ambos possuíam muito gado.
  37. Mas Lamec tinha o hábito de enviá-lo para pastar por um jovem pastor, que cuidava dele; e que, ao voltar para casa à noite, chorava perante seu avó e perante seu pai Atun e sua mãe Hazina
  38. Ele lhes dizia: “Quanto a mim, não posso pastorear este gado sozinho, com receio de que alguém me roube algum, ou me mate por causa dele”.
  39. Pois entre os filhos de Caim havia muito roubo, assassínio e pecado.
  40. Então Lamec apiedou-se dele e disse: “Em verdade. sozinho ele pode ser dominado pelos homens deste lugar”.
  41. Assim, Lamec ergueu-se, pegou um arco que guardava desde sua juventude, antes de se tornar cego, e pegou flechas grandes, pedras lisas, uma funda que possuía.
  42. Ele foi ao campo com o jovem pastor e colocou-se na retaguarda do gado, enquanto o jovem pastor vigiava o gado, Lamec assim fez por muitos dias.
  43. Nesse tempo, Caim, desde que Deus o renegara e o amaldiçoara com tremor e terror, não conseguia nem estabelecer-se nem encontrar repouso em lugar algum.
  44. Ele vagueava de um lugar para outro.
  45. Em suas andanças chegou até as mulheres de Lamec e perguntou-lhes acerca dele; e elas disseram: “Ele está no campo com o gado”.
  46. Então Caim foi à sua procura; e, ao chegar ao campo, o jovem pastor ouviu seu ruído e o gado arrebanhando-se para sair de sua frente.
  47. Então ele disse a Lamec: “O meu senhor, acaso é uma fera selvagem ou um ladrão’?
  48. E Lamec disse-lhe: “Faça-me entender para onde ele olha, quando se aproximar”.
  49. Então Lamec curvou seu arco, colocou uma flecha nele e ajustou uma pedra na funda.
  50. Quando Caim saiu do campo aberto, o pastor disse a Lamec: “Atira, vê, ele está chegando”. Então Lamec atirou em Caim com uma flecha e atingiu-o no lado.
  51. Lamec golpeou-o com uma pedra de sua funda, que bateu em seu rosto e arrancou-lhe os olhos; então Caim caiu de uma vez e morreu.
  52. Então Lamec e o jovem pastor foram até ele e encontraram-no prostrado no solo. E o jovem pastor disse-lhe: “Este é Caim, nosso avó, que tu mataste, ó meu senhor”!
  53. Então Lamec penalizou-se com isto e, de amargura remorso, com suas mãos espalmadas golpeou a cabeça do jovem, que caiu como morto.
  54. Lamec pensou que fosse só um desmaio; por isso ele pegou um pedra e golpeou-o e esmagou sua cabeça até que ele morreu.
  55. Quando Enós completo novecentos anos de idade, todos os filhos de Seth, Cainã, o seu primogênito, com suas mulheres e filhos, reuniram-se a seu redor, pedindo-lhe bênção.
  56. Enós orou por eles; os abençoou e os conjurou pelo sangue de Abel o justo, dizendo: “Não permitais que nenhum de vosso filhos desça desta Montanha Sagrada, e não permitais que façam camaradagem com os filhos de Caim o assassino”.
  57. Em seguida, Enós chamou seu filho Cainã e disse-lhe “Atenta, ó meu filho, dedica de coração a teu povo; instrui-o em justiça e em inocência; e põe-te ministrando defronte ao corpo de nosso pai Adão, todos os dias de tua vida”
  58. Após isso, Enós entrou em repouso, com a idade de novecentos e oitenta e cinco anos.
  59. Cainã enrolou-o e depositou-o na Caverna dos Tesouros à esquerda do pai Adão; e fez oferendas por ele, segundo o costume de seus ancestrais.

Fonte: Livro de Sete 3 a 10

Capítulo 7 – Jarede

  1. Após a morte de Enós, Cainã se colocou na chefia de seu povo na justiça e inocência, como seu pai lhe ordenara.
  2. Ele também continuou a ministrar perante o corpo de Adão, dentro da Caverna dos Tesouros.
  3. Então, depois de viver novecentos e dez anos, acometeram-no o sofrimento e a doença.
  4. E, estando prestes a entrar em repouso, todos os chefes de família com suas mulheres e filhos vieram a ele.
  5. Ele os abençoou e os conjurou pelo sangue de Abel o justo, dizendo-lhes: “Não permitam que nenhum dentre vocês desçam desta Montanha Sagrada; e não façam camaradagem com os filhos de Caim, o assassino”.
  6. Então Malaleel chefiou seu povo e instruiu-o na justiça e inocência, e vigiou-o para que não se relacionasse com os filhos de Caim.
  7. Ele também continuou na Caverna dos Tesouros, orando e ministrando perante o corpo de nosso pai Adão, pedindo a Deus misericórdia para si e para seu povo; até que completou oitocentos e setenta anos de idade, quando caiu doente.
  8. Então todos os seus filhos reuniram-se a seu redor para vê-lo e pedir-lhe sua bênção a todos, antes que deixasse este mundo.
  9. Então Malaleel ergueu-se e sentou-se no leito, com lágrimas rolando pelas faces, e chamou seu filho mais velho Jarede, que veio até ele.
  10. Ele então beijou sua face e disse-lhe: “Ah Jarede, meu filho, conjuro-te, por Aquele que fez o céu e a terra, a vigiares teu povo e a provê-lo na justiça e na inocência.”
  11. “Conjuro-te a não permitires que nenhum deles desça desta Montanha Sagrada até os filhos de Caim, para que não pereçam com eles.”
  12. “Ouve, ó meu filho, futuramente virá uma grande destruição sobre esta terra por causa deles; Deus ficará irado com o mundo e o destruirá pelas águas.”
  13. “Mas eu também sei que teus filhos não te obedecerão, e que eles descerão desta montanha e se relacionarão com os filhos de Caim, e que perecerão com eles.”
  14. “Ah meu filho! ensina-os e vigia-os, para que nenhuma culpa te seja atribuída por causa deles.”
  15. Malaleel em seguida abençoou os seus filhos; e depois disso deitou-se em seu leito e entrou em repouso como seus ancestrais.
  16. Mas quando Jaredr viu que seu pai Malaleel estava morto, chorou e entristeceu-se, e abraçou e beijou suas mãos e pés; e assim fizeram todos os seus filhos.
  17. Os seus filhos embalsamaram-no cuidadosamente e depositaram-no ao lado dos corpos de seus ancestrais. Em seguida ergueram-se e prantearam-no por quarenta dias.
  18. Então Jared seguiu a ordem de seu pai e ergueu-se como um leão sobre seu povo.
  19. Ele instruía-o em justiça e inocência, e ordenou-lhe que nada fizesse sem aconselhar-se com ele; pois receava que pudesse ir ter com os filhos de Caim.
  20. Por causa disso dava-lhes ordens repetidamente; e continuou a fazê-lo até o fim de quatrocentos e oitenta e cinco anos de idade.
  21. Como Jarede postava-se como um leão defronte aos corpos de seus ancestrais, orando e prevenindo seu povo, Satã invejou-o e forjou uma linda visão.
  22. Satã apareceu-lhe com trinta homens da sua hoste, na forma de belos homens; sendo o próprio Satã o mais velho e o maior dentre eles, com uma bela barba.
  23. Eles pararam à boca da caverna e chamaram por Jarede, para que saísse a seu encontro.
  24. Ele saiu a seu encontro e achou-os com a aparência de belos homens, cheios de luz e de grande beleza. Então o mais velho se pôs a chorar, e os outros choraram junto.
  25. Ele disse a Jared: “Eu sou Adão, a quem Deus criou primeiro, e este é Abel meu filho, que foi morto por seu irmão Caim, cujo coração Satã incitou que o matasse.”
  26. “Depois, este é meu filho Seth, que eu pedi ao SENHOR, que me deu para consolar-me no lugar de Abel.”
  27. “Depois, este aqui é meu filho Enós, filho de Seth, e aquele outro é Cainã, filho de Enós, e aquele outro ainda é Malaleel, filho de Cainã, teu pai.”
  28. Mas Jarede continuou espantado com sua aparência, e com o que o mais velho lhe falava.
  29. Então o mais velho disse-lhe: “Não estranhe, ó meu filho; nós vivemos na terra ao norte do jardim, a qual Deus criou antes do mundo.”
  30. “Ó Jarede, meu filho, nós vivemos em belas regiões, ao passo que vocês vivem aqui na miséria, como este seu pai Malaleel me informou; contando-me que um grande dilúvio virá e destruirá a terra inteira.”
  31. 17.18 “Agora, portanto, ó meu filho, ouve meu conselho e desce até eles, você e seus filhos. Vocês descansarão de todo esse sofrimento em que estão.”
  32. “Levante-se, tome seus filhos, e vem conosco ao nosso jardim; vocês viverão em nossa linda terra, e repousarão de toda esta aflição, que você e seus filhos suportam agora.”
  33. Jarede, então, ao ouvir este discurso do mais velho, surpreendeu-se e se pôs a andar de lá para cá, mas naquele momento não encontrou nenhum de seus filhos.
  34. Então ele respondeu e disse ao mais velho: “Por que vocês se esconderam até hoje”?
  35. E o mais velho retrucou: “Se seu pai não nos tivesse contado, nós não saberíamos”. Então Jarede tomou suas palavras como verdadeiras.
  36. Jarede, então, saiu da caverna e foi com eles, e no meio deles. E eles consolaram-no até que chegaram ao topo da montanha dos filhos de Caim.
  37. Ao verem os homens, os filhos de Caim surpreenderam-se com eles e pensaram: “Estes são bonitos de se olhar, e tais como nunca vimos antes”.
  38. Assim eles se levantaram e foram até a fonte de água, para ver seus companheiros.
  39. Então os acharam tão bonitos, que se puseram a clamar alto pela vizinhança para que outros se juntassem e viessem ver aqueles belos seres.
  40. Então rodearam-nos, homens e mulheres.
  41. Em seguida o mais velho disse-lhes: “Nós somos estrangeiros em vossa terra, tragam-nos alimento e bebida, vocês e suas mulheres, para refazermo-nos convosco”.
  42. Quando aqueles homens ouviram essas palavras do mais velho, cada um dos filhos de Caim trouxe sua mulher, e outro trouxe sua filha.
  43. E assim, muitas mulheres vieram ter com eles; cada um dirigindo-se a Jarede ou em favor de si mesmo ou de sua mulher; todos iguais.
  44. Mas quando Jarede viu o que eles faziam, até sua alma retraiu-se; ele nem queria provar do alimento ou da bebida deles.
  45. O mais velho viu-o retrair-se deles e disse-lhe: “Não fique triste; eu sou o grande chefe, assim como me verá fazer, faça você da mesma maneira”.
  46. Então ele estendeu suas mãos e tomou uma das mulheres, e cinco de seus companheiros fizeram o mesmo perante Jarede, para que ele fizesse como eles.
  47. Mas ao vê-los agindo com infâmia, Jarede chorou e disse consigo mesmo: “Meus ancestrais nunca fizeram nada parecido”.
  48. Ele então estendeu suas mãos e orou com coração ardente, e com muito lamento, e suplicou a Deus que o livrasse daquelas mãos.
  49. Tão logo Jarede começou a orar, o ancião fugiu com seus companheiros; pois eles não podiam permanecer num local de oração.
  50. Em seguida Jarede voltou-se mas não os viu mais, porém achou-se no meio dos filhos de Caim.
  51. Ele então chorou e disse: “Ó Deus, não me destrua junto com esta raça, contra a qual meus ancestrais me preveniram.”
  52. “Ó meu SENHOR Deus, pensei que aqueles que me apareceram eram meus ancestrais; agora descobri serem demônios que me iludiram com sua aparência bonita.”
  53. “Peço, ó Deus, que me livre desta raça, no meio da qual estou agora, como o SENHOR me livrou daqueles demônios.”
  54. “Enviai o Seu anjo para que me tire do meio deles; pois eu sozinho não tenho força para escapar deles.”
  55. Quando Jarede terminou sua oração, Deus enviou Seu anjo até o meio deles, que pegou Jarede e colocou-o sobre a montanha, e indicou-lhe o caminho, aconselhou-o, e então o deixou.

Fonte: Livro de Sete 11 a 17

Capítulo 8 – Rebelião

  1. Então Jarede chegou com um semblante angustiado, miserável de espírito e de corpo, e lastimoso por ter estado longe dos corpos de seus ancestrais.
  2. Mas, ao aproximar-se Jarede da caverna, seus filhos viram-no, e acorreram, e penduraram-se no seu pescoço lamentando-se e dizendo-lhe: “Ah pai, onde estiveste”?
  3. Então Jarede caiu sobre os corpos e abraçou-os e disse: “ah meus antepassados, através de vossa intercessão que Deus me liberte das mãos de Satã! Eu suplico que vocês peçam a Deus que me guarde e me oculte dele até o dia de minha morte”.
  4. Então Jarede preparou uma oferenda e ofereceu-a no altar, conforme Adão lhe ordenara.
  5. Em seguida Jarede aproximou-se de seus filhos, pegou um pouco de fogo e desceu à caverna, e acendeu a lamparina perante o corpo de Adão.
  6. Jarede deu a seu povo os mandamentos conforme Deus lhe dissera; e continuou a ensinar seus filhos por oitenta anos
  7. Depois disso, eles começaram a desobedecer aos mandamentos que ele lhes dera, e a fazer muitas coisas sem seu consentimento.
  8. Eles começaram a descer da Montanha Sagrada, um após o outro, e a se misturar aos filhos de Caim, em camaradagem impura.
  9. Depois de haver Caim descido à terra do solo escuro, e seus filhos ali multiplicado, houve um dentre eles, cujo nome era Jubal.
  10. Era filho de Lamec o cego, que havia matado Caim.
  11. Ele fizera diversas trombetas e trompas, e instrumentos de corda, címbalos e saltérios, e liras e harpas e flautas; e tocava-os o tempo todo e a toda hora.
  12. E ao tocá-los, Satã entrou neles, assim que deles ouviam-se belos e doces sons que arrebatavam o coração.
  13. Satã também ensinou Jubal a tirar do cereal uma bebida forte; e Jubal usava-a para reunir grupos e mais grupos em casas de bebida.
  14. Ele colocava-lhes nas mãos toda espécie de frutas e flores; e eles bebiam juntos.
  15. Assim, este Jubal multiplicou o pecado excessivamente.
  16. Além disso, agia com orgulho e ensinava os filhos de Caim a praticar toda sorte da mais grosseira maldade, que eles não conheciam;
  17. Cconduziu-os às várias práticas que eles antes não conheciam.
  18. Então, Satã, ao ver que eles cediam a Jubal e obedeciam-lhe em tudo que ele lhes dizia, alegrou-se muitíssimo.
  19. Ele aumentou o entendimento de Jubal, até que este pegou o ferro e com ele fez armas de guerra.
  20. Então, quando eles se embebedavam, o ódio e o crime aumentavam entre eles.
  21. Um homem usava violência contra o outro para ensinar-lhe o mal, tomando seus filhos e pervertendo-os, na sua frente.
  22. Quando os homens viam que estavam vencidos e viam outros que não tinham sido subjugados, aqueles que eram derrotados vinham a Jubal, refugiavam-se a selado, e ele fazia-os seus aliados.
  23. Assim o pecado aumentou entre eles muitíssimo; a que um homem dava em casamento sua própria irmã ou filha ou mãe e outras; ou a filha da irmã de seu pai, de maneira que não havia mais distinção e parentesco.
  24. Eles não mais sabiam o que era iniquidade; mas agiam com maldade, e a terra ficou manchada pelo pecado; eles encolerizaram Deus o Juiz que os havia criado.
  25. Jubal assim reuniu grupos e mais grupos que tocava trombetas e todos os outros instrumentos já mencionados, ao sopé da Montanha Sagrada
  26. Eles faziam assim para que os filhos de Seth que estavam na Montanha Sagrada os ouvissem.
  27. Quando, ao findar daquele ano, Jubal viu que eles estavam sendo aos poucos conquistados para seu lado, Satã entrou nele.
  28. Ensinou-lhe como fazer corantes em diversos padrões para vestimentas, e fez entender como tingir de vermelho e carmesim, de púrpuras e de outras mais.
  29. E os filhos de Caim, que engendraram tudo isso, brilhando belos e paramentados esplendidamente, juntaram-no sopé da montanha, em esplendor, com trombetas e vestidos suntuosos, e corridas cavalos, cometendo todas as formas de abominações.
  30. Então os filhos de Caim olharam para cima, lá de baixo, e viram os filhos de Seth, parados aos grupos no topo da montanha; e chamaram-nos para que descessem até eles.
  31. Após isso, um centena de homens dentre os filhos de Seth reuniu-se e falou entre si: “Vamos, desçamos até os filhos de Caim e vejamos o que fazem para divertirmos com eles”.
  32. Mas quando Jared ouviu isso da centena de homens, até a sua alma comoveu-se e seu coração penalizou-se.
  33. Então ele ergueu-se com grande fervor e colocou-se no meio deles e disse: “Eu adjuro pela morte de nosso pai Adão e pelo sangue de Abel, de Seth, de Enós, de Cainã e de Malaleel, que me obedeçam e não desçam desta montanha sagrada.”
  34. “Pois no momento em que a deixarem, vocês serão destituídos de vida e de misericórdia; e não sereis chamados de filhos de Deus, mas de filhos do demônio”‘.
  35. Mas eles não queriam ouvir suas palavras.
  36. Enoque já adulto nesta época, em seu zelo por Deus, levantou-se e disse: “Ouçam-me, ó filhos de Seth, pequenos e grandes, ao desobedecerem o mandamento de nossos antepassados, e ao descerem desta montanha sagrada, nunca mais subirão aqui”.
  37. Mas eles se rebelaram contra Enoque e não quiseram ouvir suas palavras, e desceram da Montanha Sagrada.
  38. Eles olharam para as filhas de Caim, para seus belos corpos e para suas mãos e pés tingidos de cor, e para as tatuagens ornamentais nos seus rostos, o fogo do pecado acendeu-se neles.
  39. Então Satã fez com que elas parecessem lindíssimas perante os filhos de Seth, e também fez com que os filhos de Seth parecessem belíssimos aos olhos das filhas de Caim.
  40. Desta maneira, as filhas de Caim desejaram como feras selvagens os filhos de Seth, e os filhos de Seth desejaram as filhas de Caim, até que cometeram abominações com elas.
  41. Depois de assim caírem em degradação, eles voltaram ao caminho pelo qual haviam descido, e tentaram subir a Montanha Sagrada, mas não conseguiram.
  42. As pedras daquela montanha sagrada tomaram-se fogo refulgindo diante deles, por isso eles não podiam mais subir.
  43. Deus encolerizou-se com eles e teve pena deles por que desceram da glória, e com isto perderam ou renunciaram à sua própria pureza ou inocência e decaíram na impureza no pecado.
  44. Então Jarede chorou perante o SENHOR e pediu-lhe misericórdia e perdão.
  45. Após isso, um outro grupo reuniu-se e foi procurar por seus irmãos; mas todos pereceram como os outros.
  46. E assim foi, grupo após grupo, até que sobraram apenas uns poucos.
  47. Então Jarede caiu enfermo de pesar e sua enfermidade era tal que o dia de sua morte aproximou-se.
  48. Ele chamou Enoque, seu primogênito, e Matusalém, filho de Enoque, e Lamec, filho de Matusalém, e Noé, filho de Lamec.
  49. E quando eles chegaram à sua presença, orou por eles e abençoou-os e disse-lhes: “Àquele de vós que restar, ó meus filhos, virá a Palavra de Deus.”
  50. Então Noé disse-lhe: “Quem dentre nós é aquele que restará”?
  51. E Jared respondeu: “Tu és aquele que restará.”
  52. Então Jared dirigiu-se a seu filho Enoque e disse-lhe: “Tu, meu filho, permanece nesta caverna e ministra com diligência ante o corpo de nosso pai Adão todos os dias de tua vida; e instrui teu povo em justiça e inocência”.
  53. Quando Jared acabou de falar as suas mãos afrouxaram-se. seus olhos fecharam-se, e ele repousou como seus antepassados.
  54. Sua morte teve lugar quando Noé tinha trezentos e sessenta anos de idade, e quando ele próprio tinha novecentos e oitenta e nove anos de vida.
  55. Ao morrer, lágrimas jorraram pelo rosto de Jarede por causa de sua grande tristeza pelos filhos de Seth que caíram durante seus dias.
  56. Então Enoque, Matusalém, Lamec e Noé, estes quatro, prantearam-no, embalsamaram-no cuidadosamente, e em seguida deitaram-no na Caverna dos Tesouros.
  57. Depois ergueram-se e prantearam-no ainda durante quarenta dias.
  58. E quando esses dias de luto terminaram, Enoque, Matusalém, Lamec e Noé permaneceram com a tristeza no coração, porque seu pai os deixara.
  59. Mas Enoque guardou o mandamento de Jared seu pai e continuou a ministrar na caverna.

Fonte: Livro de Sete 18 a 22

Capítulo 9 – Enoque

  1. Aconteceu depois que os filhos dos homens se multiplicaram naqueles dias, nasceram-lhe filhas, elegantes e belas.
  2. Quando os Guardiães, os filhos de Sete, viram-nas, enamoraram-se delas, dizendo uns para os outros: Vamos, selecionemos para nós mesmos esposas da progênie dos homens, e geremos filhos.
  3. Então seu líder Samiaza disse-lhes: Eu temo que talvez vocês possam indispor-se na realização deste empreendimento; e que só eu sofrerei por tão grave crime.
  4. Mas eles responderam-lhe e disseram: Nós todos juramos que nós não mudaremos nossa intenção mas executamos nosso empreendimento projetado.
  5. Então eles juraram todos juntos, e todos se amarraram por mútuo juramento. Todo seu número era duzentos, os quais descendiam de Ardis, nos dias de Jared, o qual é o topo do monte Armon.
  6. Aquele monte portanto foi chamado Hermon, porque eles tinham jurado sobre ele, e amarraram-se por mútuo juramento.
  7. Então eles tomaram esposas, cada um escolhendo por si mesmo; as quais eles começaram a abordar, e com as quais eles coabitaram, ensinando-lhes sortilégios, encantamentos, e a divisão de raízes e árvores.
  8. E as mulheres conceberam e geraram gigantes, cuja estatura era de trezentos cúbitos. Estes devoravam tudo o que o labor dos homens produzia e tornou-se impossível alimentá-los.
  9. Então eles voltaram-se contra os homens, a fim de devorá-los; e começaram a ferir pássaros, animais, répteis e peixes, para comer sua carne, um depois do outro, e para beber seu sangue.
  10. Então a terra reprovou os injustos.
  11. Azaziel ensinou os homens a fazerem espadas, facas, escudos, armaduras, a fabricação de espelhos e a manufatura de braceletes e ornamentos,
  12. Também o uso de pinturas, o embelezamento das sobrancelhas, o uso de todo tipo selecionado de pedras valiosas, e toda sorte de corantes, para que o mundo fosse alterado.
  13. A impiedade foi aumentada, a fornicação multiplicada; e eles transgrediram e corromperam todos os seus caminhos.
  14. Amazarak ensinou todos os sortilégios e divisores de raízes; e Armers ensinou a solução de sortilégios;
  15. Barkayal ensinou a observação das estrelas; e Akibeel ensinou sinais; Tamiel ensinou astronomia; e Asaradel ensinou o movimento da lua.
  16. E os homens, sendo destruídos, clamaram, e suas vozes romperam os céus.
  17. Enoque esteve escondido; e nenhum dos filhos dos homens sabia onde ele estava, onde ele havia estado, e o que havia acontecido.
  18. Ele esteve totalmente engajado com os santos, e com os Observadores em seus dias. Ele foi abençoado pelo grande SENHOR e Rei da paz; e eis que os Observadores o chamaram “Enoque, o escriba”.
  19. Então o SENHOR lhe disse: Enoque, escriba da retidão, vai e dize aos Observadores dos céus, os quais desertaram o alto céu e seu santo e eterno estado, os quais foram contaminados com mulheres.
  20. E fizeram como os filhos dos homens fazem, tomando para si esposas, e os quais têm sido grandemente corrompidos na terra;
  21. Que na terra eles nunca obterão paz e remissão de pecados. Pois eles não se regozijarão em sua descendência.
  22. Eles verão a matança dos seus bem-amados; lamentarão a destruição dos seus filhos; e farão petição para sempre; mas não obterão misericórdia e paz.
  23. Então Enoque, passando ali, disse a Azaziel: Tu não obterás paz. Uma grande sentença há contra ti. Ele te amarrará; Socorro, misericórdia e súplica não estarão contigo por causa da opressão que tens ensinado; por causa de todo ato de blasfêmia, tirania e pecado que tens revelado aos filhos dos homens.
  24. Então partindo dele, falei a eles todos juntos. E eles todos ficaram apavorados, e tremeram.
  25. E eis que um sonho veio a mim, e visões apareceram acima de mim. E caí e vi uma visão de castigos, para que eu pudesse relatá-la aos filhos dos céus, e reprová-los.
  26. Quando eu acordei fui até eles. Todos estavam reunidos chorando em Oubelseyael, que está situada entre o Libano e Seneser, com suas faces escondidas.
  27. E relatei em sua presença todas as visões que eu havia visto, e meu sonho; e comecei a pronunciar estas palavras de retidão, reprovando os Observadores do céu.
  28. Eu percebi em meu sonho que eu estava então falando com a língua da carne, e com meu fôlego, que o Poderoso colocou na boca dos homens, para que eles pudessem conversar com Ele.
  29. Eu entendi com o coração. Assim como Ele havia criado e dado aos homens o poder de compreender a palavra de entendimento, assim ele e deu a mim o poder de reprovar os Sentinelas, a geração dos céus.
  30. O Julgamento passou sobre eles: O pedido de vocês não será atendido. De agora em diante, nunca ascenderão ao céu; Ele o disse que na terra Ele vos amarrará, tanto tempo quanto o mundo existir.
  31. Mas antes destas coisas vocês verão a destruição dos seus bem-amados filhos; vocês não os possuirão,  eles cairão diante de vocês pela espada.
  32. Nem pedirão por eles, nem por vocês mesmos; assim também, a despeito de suas lágrimas e orações, não receberão nada, de tudo o que está contido nos registros que eu tenho escrito.
  33. Eis que nuvens e névoa me convidaram. Estrelas agitadas e brilho de relâmpagos impeliram-me e pressionaram-me adiante, enquanto ventos na visão assistiram meu voo, acelerando meu progresso.
  34. Eles elevaram-me no alto ao céu. Eu prossegui, até que cheguei próximo de um muro construído com pedras de cristal. Uma língua de fogo vibrante o rodeou, a qual começou a lhe golpear com terror.
  35. Nesta língua de fogo vibrante eu entrei; e aproximei-me de uma espaçosa habitação, também construída com pedras de cristal.
  36. Seus muros também, bem como o pavimento, eram formados com pedras de cristal, e de cristal também era o piso.
  37. Seu telhado tinha a aparência de estrelas agitadas e brilhos de relâmpagos; e entre eles haviam querubins de fogo num céu tempestuoso.
  38. Uma chama queimava ao redor dos muros; e seu portal queimava com fogo. Quando eu entrei nesta habitação, ela era quente como fogo e frio como o gelo.
  39. Nenhum traço de encanto ou de vida havia lá. O terror sobrepujou-me, e um tremor de medo apoderou-se de mim. Violentamente agitado e tremendo, eu caí sobre minha face.
  40. Na visão eu olhei. E vi que lá havia outra habitação mais espaçosa que a primeira, cada entrada da qual estava aberta diante de mim, elevada no meio da chama vibrante.
  41. Tão grandemente superou em todos os pontos, em glória, em magnificência, em magnitude, que é impossível descrever-vos o esplendor ou a extensão dela.
  42. Seus pisos eram de fogo, acima haviam relâmpagos e estrelas agitadas, enquanto o telhado exibia um fogo ardente. Eu examinei-a atentamente e vi que ela continha um trono exaltado.
  43. A aparência do qual era semelhante à da geada, enquanto que sua circunferência assemelhava-se à órbita do sol brilhante; e havia a voz de um querubim.
  44. Debaixo desse poderoso trono saíam rios de fogo flamejante. Olhar para ele foi impossível.
  45. Alguém grande em glória assentava-se sobre ele, cujo manto era mais brilhante que o sol, e mais branco que a neve.
  46. Nenhum anjo era capaz de penetrar para olhar a Sua face, o Glorioso e Fulgente; nem podia algum mortal o ver. Um fogo flamejante o rodeava.
  47. Também um fogo de grande extensão continuava a elevar-se diante Dele; de modo que nenhum daqueles que estavam ao redor eram capazes de se aproximar-se, entre as miríades de miríades que estavam adiante.
  48. Para Ele santa consulta era desnecessária. Contudo, o Santificado, que estava próximo Dele, não apartou-se Dele nem de noite nem de dia; nem eram eles tirados de diante Dele.
  49. Eu também estava tão adiantado, com um véu sobre minha face, e trêmulo. Então o SENHOR com sua própria boca chamou-me, dizendo: Aproxima-se aqui acima, Enoque, ouve a minha santa palavra.
  50. E Ele ergueu-me, fazendo aproximar-me, mesmo até à entrada. Meus olhos estavam dirigidos para o chão.

Capítulo 10 – Anúncio

  1. Noé viu que a terra deslizou e que destruição aproximava-se.
  2. Então ele levantou seus pés e foi para os confins da terra, para a habitação do seu bisavô Enoque.
  3. Noé clamou com uma amarga voz: “Ouvi-me, ouvi-me, ouvi-me, três vezes” então disse: “Dize-me o que está ocorrendo sobre a terra, pois a terra trabalha e é violentamente abalada. Certamente eu perecerei com ela”.
  4. Depois disso houve uma grande perturbação na terra e uma voz foi ouvida desde o céu.
  5. Noé caiu sob a sua face, então seu bisavô Enoque veio e colocou-se ao seu lado.
  6. Ele disse: “Por que clamas a mim com um amargo clamor e lamentação?”
  7. E acrescentou: “Um mandamento partiu do SENHOR contra aqueles que habitam na terra para que eles sejam destruídos.”
  8. “Pois eles conhecem todo segredo dos anjos, toda obra opressiva, todo o poder secreto dos demônios e todo poder daqueles que cometem sortilégios, tanto quanto daqueles que fazem imagens fundidas em toda a terra.”
  9. Eles sabem como a prata é produzida do pó da terra e como na terra a gota metálica existe, pois o chumbo e o estanho não são produzidos da terra como fonte primária de sua produção.”
  10. “Há um anjo colocado sobre ela, e o anjo luta para prevalecer.”
  11. 9 Depois disso o seu bisavô Enoque lhe agarrou com a mão, levantando-o.
  12. Ele disse: “Vai, pois eu pedi ao SENHOR dos espíritos a respeito desta perturbação da terra; o qual respondeu: Por conta da impiedade deles seus inumeráveis julgamentos foram consumados diante de mim”.
  13. “Por causa dos sortilégios que eles procuraram e aprenderam, a terra e aqueles que habitam sobre ela serão destruídos”.
  14. “Eles descobriram segredos, e eles são aqueles que têm sido julgados; mas não você, meu filho. O SENHOR dos espíritos sabe que tu és puro e bom; livre da reprovação da descoberta de segredos”.
  15. “Ele, o Santo, estabelecerá Seu nome no meio dos santos e te preservará daqueles que habitam sobre a terra”.
  16. “Ele estabelecerá tua semente em retidão com domínio e grande glória, e da tua semente se espalhará retidão, e homens santos sem número para sempre”.
  17. “Depois disso ele mostrou-me os anjos de punição, os quais estão preparados para vir e abrir todas as águas poderosas sob a terra: Que elas possam ser para julgamento e para destruição de todos aqueles que permanecem e habitam sobre a terra”.
  18. “O SENHOR dos espíritos ordenou os anjos que saíram, para não tomar os homens, e preservá-los. pois aqueles anjos presidem sobre todas as poderosas águas”.
  19. Então Noé saiu da presença de Enoque.
  20. Naqueles dias a palavra de Deus veio até ele, e disse: “Vê Noé, tua sorte ascendeu a Mim, uma sorte imune de crime, uma sorte amada e superior”.
  21. “Agora então os anjos trabalharão com a madeira das árvores, mas enquanto eles procedem nisto eu colocarei minha mão sobre elas e as preservarei”.
  22. “A semente da vida se erguerá dela e uma mudança tomará lugar para que a terra seca não seja deixada vazia”.
  23. “Eu estabelecerei tua semente diante de mim para sempre e sempre, e a semente daqueles que habitarem contigo na superfície da terra”.
  24. “Ela será abençoada e multiplicada na presença da terra, em nome do SENHOR”.
  25. “Eles confinarão aqueles anjos que descobriram a impiedade. Naquele vale ardente é que eles serão confinados, o qual a princípio seu bisavô lhe mostrou no oeste, onde há montanhas de ouro e prata, de ferro, de metal fluído, e de estanho”.
  26. Noé viu aquele vale no qual há uma grande perturbação e onde as águas são agitadas.
  27. E quando tudo isto foi executado, da massa fluída de fogo e na perturbação que prevaleceu naquele lugar, levantou-se um forte cheiro de enxofre que se misturou com as águas; e o vale dos anjos que haviam sido culpados de sedução, queimou-se debaixo da terra.
  28. Através daquele vale rios de fogo também estavam fluindo, para os quais aqueles anjos serão condenados, os quais seduziram os habitantes da terra.
  29. E naqueles dias estas águas serão para os reis, aos príncipes, aos exaltados e para os habitantes da terra, para a cura da alma e do corpo e para o julgamento do espírito.
  30. Seus espíritos serão cheios de luxúria para que eles possam ser julgados em seus corpos; porque eles negaram o SENHOR dos espíritos, e apesar de eles perceberem sua condenação dia após dia, não acreditaram em seu nome.
  31. E como a inflamação de seus corpos será grande, assim seus espíritos sofrerão uma transformação para sempre.
  32. Pois nenhuma palavra que é pronunciada diante do SENHOR dos espíritos será em vão.
  33. Julgamento veio sobre eles porque eles confiaram em sua luxúria carnal e negaram o SENHOR dos espíritos.
  34. Naqueles dias as águas daquele vale serão transformadas, pois enquanto os anjos forem julgados, o calor daquelas fontes de água sofre uma alteração.
  35. E enquanto os anjos ascenderem, a água das fontes novamente sofre uma alteração e congelam.
  36. Então Noé ouviu o santo Miguel respondendo e dizendo: “Este julgamento, com o qual os anjos serão julgados, dará testemunho contra os reis, príncipes e aqueles que possuem a terra”.
  37. “Pois estas águas de julgamento serão para sua cura e para a luxúria de seus corpos.
  38. “Mas eles não perceberão e não acreditarão que as águas serão transformadas e tornadas como fogo, que arderá para sempre”.
  39. Depois disto o Anjo deu a Noé os sinais de todas as coisas secretas do livro do seu bisavô Enoque, e nas parábolas que haviam sido dadas a ele.

Fontes: Livro de Enoque 65, 66 e 67

Capítulo 11 – Noé

  1. Quando os homens começaram a multiplicar-se na terra e lhes nasceram filhas, os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram bonitas e escolheram para si aquelas que lhes agradaram.
  2. Então disse o SENHOR: “Por causa da perversidade do homem, meu Espírito não contenderá com ele para sempre; e ele só viverá cento e vinte anos”.
  3. Naqueles dias havia nefilins na terra, e também posteriormente, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos. Eles foram os heróis do passado, homens famosos.
  4. O SENHOR viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal.
  5. Então o SENHOR arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra; e isso cortou-lhe o coração.
  6. Disse o SENHOR: “Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, os homens e também os animais grandes, os animais pequenos e as aves do céu. Arrependo-me de havê-los feito”.
  7. A Noé, porém, o SENHOR mostrou benevolência.
  8. Esta é a história da família de Noé: Noé era homem justo, íntegro entre o povo da sua época; ele andava com Deus.
  9. Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.
  10. Ora, a terra estava corrompida aos olhos de Deus e cheia de violência.
  11. Ao ver como a terra se corrompera, pois toda a humanidade havia corrompido a sua conduta,
  12. Deus disse a Noé: “Darei fim a todos os seres humanos, porque a terra encheu-se de violência por causa deles. Eu os destruirei juntamente com a terra.”
  13. “Você, porém, fará uma arca de madeira de cipreste; divida-a em compartimentos e revista-a de piche por dentro e por fora.”
  14. “Eis que vou trazer águas sobre a terra, o Dilúvio, para destruir debaixo do céu toda criatura que tem fôlego de vida. Tudo o que há na terra perecerá.”
  15. “Mas com você estabelecerei a minha aliança, e você entrará na arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos.”
  16. “Faça entrar na arca um casal de cada um dos seres vivos, macho e fêmea, para conservá-los vivos com você.”
  17. “De cada espécie de ave, de cada espécie de animal grande e de cada espécie de animal pequeno que se move rente ao chão virá um casal a você para que sejam conservados vivos.”
  18. “E armazene todo tipo de alimento, para que você e eles tenham mantimento”.
  19. Noé fez tudo exatamente como Deus lhe tinha ordenado.
  20. Então o SENHOR disse a Noé: “Entre na arca, você e toda a sua família, porque você é o único justo que encontrei nesta geração.”
  21. “Daqui a sete dias farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites, e farei desaparecer da face da terra todos os seres vivos que fiz”.
  22. E Noé fez tudo como o SENHOR lhe tinha ordenado quando as águas do Dilúvio vieram sobre a terra.
  23. Noé, seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos entraram na arca, por causa das águas do Dilúvio.
  24. Casais de animais grandes, puros e impuros, de aves e de todos os animais pequenos que se movem rente ao chão vieram a Noé e entraram na arca, como Deus tinha ordenado a Noé.
  25. E depois dos sete dias, as águas do Dilúvio vieram sobre a terra.
  26. No dia em que Noé completou seiscentos anos, um mês e dezessete dias, nesse mesmo dia todas as fontes das grandes profundezas jorraram, e as comportas do céu se abriram.
  27. E a chuva caiu sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.
  28. Naquele mesmo dia, Noé e seus filhos, Sem, Cam e Jafé, com sua mulher e com as mulheres de seus três filhos, entraram na arca.
  29. Com eles entraram todos os animais de acordo com as suas espécies: todos os animais selvagens, todos os rebanhos domésticos, todos os demais seres vivos que se movem rente ao chão e todas as criaturas que têm asas: todas as aves e todos os outros animais que voam.
  30. Casais de todas as criaturas que tinham fôlego de vida vieram a Noé e entraram na arca.
  31. Os animais que entraram foram um macho e uma fêmea de cada ser vivo, conforme Deus ordenara a Noé. Então o SENHOR fechou a porta.
  32. Quarenta dias durou o Dilúvio sobre a terra, e as águas aumentaram e elevaram a arca acima da terra.
  33. As águas prevaleceram, aumentando muito sobre a terra, e a arca flutuava na superfície das águas.
  34. As águas dominavam cada vez mais a terra, e foram cobertas todas as altas montanhas debaixo do céu.
  35. As águas subiram até quase sete metros acima das montanhas.
  36. Todos os seres vivos que se movem sobre a terra pereceram: aves, rebanhos domésticos, animais selvagens, todas as pequenas criaturas que povoam a terra e toda a humanidade.
  37. Tudo o que havia em terra seca e tinha nas narinas o fôlego de vida morreu.
  38. Todos os seres vivos foram exterminados da face da terra; tanto os homens, como os animais grandes, os animais pequenos que se movem rente ao chão e as aves do céu foram exterminados da terra. Só restaram Noé e aqueles que com ele estavam na arca.
  39. E as águas prevaleceram sobre a terra cento e cinquenta dias.

Capítulo 12- Aliança

  1. Então Deus lembrou-se de Noé e de todos os animais selvagens e rebanhos domésticos que estavam com ele na arca, e enviou então um vento sobre a terra, e as águas começaram a baixar.
  2. As fontes das profundezas e as comportas do céu se fecharam, e a chuva parou.
  3. As águas foram baixando pouco a pouco sobre a terra.
  4. Ao fim de cento e cinquenta dias, as águas tinham diminuído, e, no décimo sétimo dia do sétimo mês, a arca pousou nas montanhas de Ararate.
  5. As águas continuaram a baixar até o décimo mês, e no primeiro dia do décimo mês apareceram os topos das montanhas.
  6. Passados quarenta dias, Noé abriu a janela que fizera na arca.
  7. Esperando que a terra já tivesse aparecido, Noé soltou um corvo, mas este ficou dando voltas.
  8. Depois soltou uma pomba para ver se as águas tinham diminuído na superfície da terra.
  9. Mas a pomba não encontrou lugar onde pousar os pés porque as águas ainda cobriam toda a superfície da terra e, por isso, voltou para a arca, a Noé. Ele estendeu a mão para fora, apanhou a pomba e a trouxe de volta para dentro da arca.
  10. Noé esperou mais sete dias e soltou novamente a pomba.
  11. Ao entardecer, quando a pomba voltou, trouxe em seu bico uma folha nova de oliveira. Noé então ficou sabendo que as águas tinham diminuído sobre a terra.
  12. Esperou ainda outros sete dias e de novo soltou a pomba, mas desta vez ela não voltou.
  13. No primeiro dia do primeiro mês do ano seiscentos e um da vida de Noé, secaram-se as águas na terra. Noé então removeu o teto da arca e viu que a superfície da terra estava seca.
  14. No vigésimo sétimo dia do segundo mês, a terra estava completamente seca.
  15. Então Deus disse a Noé: “Saia da arca, você e sua mulher, seus filhos e as mulheres deles.
  16. “Faça que saiam também todos os animais que estão com você: as aves, os animais grandes e os animais pequenos que se movem rente ao chão. Faça-os sair para que se espalhem pela terra, sejam férteis e se multipliquem”.
  17. Então Noé saiu da arca com sua mulher e seus filhos e as mulheres deles, e com todos os animais grandes, todos os animais pequenos que se movem rente ao chão e todas as aves.
  18. Tudo o que se move sobre a terra saiu da arca, uma espécie após outra.
  19. Depois Noé construiu um altar dedicado ao SENHOR e, tomando alguns animais e aves puros, ofereceu-os como holocausto, queimando-os sobre o altar.
  20. O SENHOR sentiu o aroma agradável e disse a si mesmo: “Nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, pois o seu coração é inteiramente inclinado para o mal desde a infância. E nunca mais destruirei todos os seres vivos como fiz desta vez.
  21. “Enquanto durar a terra, plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite jamais cessarão”.
  22. Deus abençoou Noé e seus filhos, dizendo-lhes: “Sejam férteis, multipliquem-se e encham a terra.
  23. Todos os animais da terra tremerão de medo diante de vocês: os animais selvagens, as aves do céu, as criaturas que se movem rente ao chão e os peixes do mar; eles estão entregues em suas mãos.
  24. Tudo o que vive e se move lhes servirá de alimento. Assim como lhes dei os vegetais, agora lhes dou todas as coisas.
  25. “Mas não comam carne com sangue, que é vida.
  26. A todo que derramar sangue, tanto homem como animal, pedirei contas; a cada um pedirei contas da vida do seu próximo.
  27. “Quem derramar sangue do homem, pelo homem seu sangue será derramado; porque à imagem de Deus foi o homem criado.
  28. “Mas vocês, sejam férteis e multipliquem-se; espalhem-se pela terra e proliferem nela”.
  29. Então disse Deus a Noé e a seus filhos, que estavam com ele:
  30. “Vou estabelecer a minha aliança com vocês e com os seus futuros descendentes,
  31. E com todo ser vivo que está com vocês: as aves, os rebanhos domésticos e os animais selvagens, todos os que saíram da arca com vocês, todos os seres vivos da terra.
  32. Estabeleço uma aliança com vocês: Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio; nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra”.
  33. E Deus prosseguiu: “Este é o sinal da aliança que estou fazendo entre mim e vocês e com todos os seres vivos que estão com vocês, para todas as gerações futuras:
  34. O meu arco que coloquei nas nuvens será o sinal da minha aliança com a terra.
  35. Quando eu trouxer nuvens sobre a terra e nelas aparecer o arco-íris, então me lembrarei da minha aliança com vocês e com os seres vivos de todas as espécies.
  36. Nunca mais as águas se tornarão um dilúvio para destruir toda forma de vida.
  37. Toda vez que o arco-íris estiver nas nuvens, olharei para ele e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies que vivem na terra”.
  38. Concluindo, disse Deus a Noé: “Esse é o sinal da aliança que estabeleci entre mim e toda forma de vida que há sobre a terra”.
  39. Os filhos de Noé que saíram da arca foram Sem, Cam e Jafé. Cam é o pai de Canaã.
  40. Esses foram os três filhos de Noé; a partir deles toda a terra foi povoada.
  41. Noé, que era agricultor, foi o primeiro a plantar uma vinha.
  42. Ele bebeu do vinho, embriagou-se e ficou nu dentro da sua tenda.
  43. Cam, pai de Canaã, viu a nudez do pai e foi contar aos dois irmãos que estavam do lado de fora.
  44. Mas Sem e Jafé pegaram a capa, levantaram-na sobre os ombros e, andando de costas para não verem a nudez do pai, cobriram-no.
  45. Quando Noé acordou do efeito do vinho e descobriu o que seu filho caçula lhe havia feito, disse: “Maldito seja Canaã! Escravo de escravos será para os seus irmãos”.
  46. Disse ainda: “Bendito seja o SENHOR, o Deus de Sem! Seja Canaã seu escravo.
  47. Amplie Deus o território de Jafé; habite ele nas tendas de Sem, e seja Canaã seu escravo”.
  48. Depois do Dilúvio Noé viveu trezentos e cinquenta anos. Viveu ao todo novecentos e cinqüenta anos e morreu.

Capítulo 13 – Nações

  1. Este é o registro da descendência de Sem, Cam e Jafé, filhos de Noé. Os filhos deles nasceram depois do Dilúvio.
  2. Estes foram os filhos de Jafé: Gômer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tirás.
  3. Estes foram os filhos de Gômer: Asquenaz, Rifate e Togarma; e estes foram os filhos de Javã: Elisá, Társis, Quitim e Rodanim.
  4. Deles procedem os povos marítimos, os quais se separaram em seu território, conforme a sua língua, cada um segundo os clãs de suas nações.
  5. Jafé desposou Clímene de belos tornozelos virgem do oceano e entraram no mesmo leito.
  6. Ela gerou o filho Társis de violento ânimo, pariu o glorioso Meseque e Tubal astuto de curvo pensar e o sem-acerto Tirás.
  7. Este Tirás foi um mal desde o começo aos homens comedores de pão, pois primeiro aceitou de Javã a moldada mulher.
  8. Ao soberbo Meseque, Javã  lançou-o na Escuridão abaixo golpeando com fumegante raio por sua estultícia e bravura bem-armada.
  9. Társis sustém o amplo céu sob cruel coerção nos confins da Terra diante das cantoras da Tarde, de pé, com a cabeça e infatigáveis braços; este destino o sábio Javã lhe atribuiu.
  10. E prendeu com resistentes peias Tubal enganador, correntes dolorosas passadas ao meio da coluna.
  11. Sobre ele incitou uma águia de longas asas, ela comia o fígado imortal, que crescia à noite o que comera de dia a ave de longas asas.
  12. Estes foram os filhos de Cam: Cuxe, Mizraim, Fute e Canaã.
  13. Depois que o dilúvio passou e a realeza desceu do céu, a realeza foi em Cuxe.
  14. O SENHOR ergueu o olhar sobre todas as terras, e as terras se elevaram até o SENHOR.
  15. Os quatro cantos do céu tornaram-se verdes ao SENHOR.
  16. A cidade de Cuxe foi posicionada lá para ele com a cabeça erguida, e como Cuxe ergueu sua cabeça entre todas as terras, o SENHOR falou em louvor a Cuxe.
  17. A FERTILIDADE era o seu governo; com suas palavras, teceu intrincadamente como uma rede.
  18. Estes foram os filhos de Cuxe: Sebá, Havilá, Sabtá, Raamá e Sabtecá. Estes foram os filhos de Raamá: Sabá e Dedã.
  19. Cuxe gerou também Ninrode, o primeiro homem poderoso na terra.
  20. Ele foi o mais valente dos caçadores, e por isso se diz: “Valente como Ninrode”.
  21. No início o seu reino abrangia Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinear.
  22. Dessa terra ele partiu para a Assíria, onde fundou Nínive, Reobote-Ir, Calá e Resém, que fica entre Nínive e Calá, a grande cidade.
  23. Mizraim gerou os luditas, os anamitas, os leabitas, os naftuítas, os patrusitas, os casluítas, dos quais se originaram os filisteus, e os caftoritas.
  24. O povo de Mizraim consideram a primeira dinastia composta por oito reis. O primeiro deles foi Menés que conquistou grande renome no governo do seu reino.
  25. Começando com ele, registrou-se cuidadosamente as famílias reais, uma por uma. Menés e seus sete descendentes.
  26. Ele reinou por trinta anos e avançou com seu exército além das fronteiras de seu reino, ganhando renome por suas façanhas; então foi levado por um hipopótamo.
  27. Canaã gerou Sidom, seu filho mais velho, e Hete, como também os jebuseus, os amorreus, os girgaseus, os heveus, os arqueus, os sineus, os arvadeus, os zemareus e os hamateus. Posteriormente, os clãs cananeus se espalharam.
  28. As fronteiras de Canaã estendiam-se desde Sidom, iam até Gerar, e chegavam a Gaza e, de lá, prosseguiam até Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, chegando até Lasa.
  29. São esses os descendentes de Cam, conforme seus clãs e línguas, em seus territórios e nações.
  30. Sem, irmão mais velho de Jafé, também gerou filhos. Sem foi o antepassado de todos os filhos de Héber.
  31. Estes foram os filhos de Sem: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arã.
  32. Estes foram os filhos de Arã: Uz, Hul, Géter e Meseque.
  33. Arfaxade gerou Salá, e este gerou Héber.
  34. A Héber nasceram dois filhos: Um deles se chamou Pelegue, porque em sua época a terra foi dividida; seu irmão chamou-se Joctã.
  35. Joctã gerou Almodá, Salefe, Hazarmavé, Jerá, Hadorão, Uzal, Dicla, Obal, Abimael, Sabá, Ofir, Havilá e Jobabe. Todos esses foram filhos de Joctã.
  36. A região onde viviam estendia-se de Messa até Sefar, nas colinas ao leste.
  37. São esses os descendentes de Sem, conforme seus clãs e línguas, em seus territórios e nações.
  38. São esses os clãs dos filhos de Noé, distribuídos em suas nações, conforme a história da sua descendência.
  39. A partir deles, os povos se dispersaram pela terra, depois do Dilúvio.

Capítulo 14 – Emencar

  1. Casa de Cuxe, plataforma da Terra, importante touro feroz!
  2. Crescendo tão alto quanto as colinas, abraçou os céus. Crescendo tão alto quanto o Templo de Cuxe, ergueu sua cabeça entre as montanhas!
  3. Colorido como o FUNDAMENTO, verdejante como as montanhas! Alguém mais apresentará algo tão grande como Cuxe?
  4. Alguma outra mãe dará à luz alguém tão importante quanto seu guerreiro Ašgi?
  5. Quem já viu alguém tão grande quanto sua senhora, a Sagrada Montanha?
  6. Foram vinte e três reis que governaram Cuxe. Então Cuxe foi derrotada e a realeza foi levada para o Templo de Enugue.
  7. No Templo do Enuque, Mesquiagaser, filho do Sol, tornou-se senhor e rei. Ele entrou no mar e desapareceu. Sob o governo do seu filho Emencar. a cidade de Enuque é construída.
  8. Enuque Kulaba era o majestoso touro com vigor e grande esplendor impressionante; era peitoral da tempestade, onde o destino estava determinado; era grande montanha, onde a refeição noturna da grande morada do CÉU foi preparada.
  9. Naquela época, quando os destinos estavam determinados, os grandes príncipes permitiram que o Templo do Enuque em Enuque Kulaba levantasse sua cabeça.
  10. A abundância, inundações de carpas e a chuva que trazem cevada manchada aumentaram em Enuque Kulaba.
  11. Antes que a terra de Dilmun sequer existisse, O Templo do Enuque em Enuque Kulaba foi bem fundado, o sagrado tabernáculo da JUSTIÇA na Kulaba, construído de tijolos que brilhavam como a prata entre as rochas.
  12. Antes do comércio ser praticado; antes que ouro, da prata, do cobre, do estanho, dos blocos de lápis-lazúli e das pedras da montanha, antes dos animais serem banhados para o festival, já havia a cidade.
  13. O tempo passou até que templo da cidade de Aratta foi colorido adornado.
  14. O seu lugar santo foi adornado com impecável lápis-lazúli, seu interior foi belamente formado como uma branca árvore frutificada de autoridade.
  15. O senhor de Aratta colocou em sua cabeça a coroa de ouro para a JUSTIÇA. Mas ele não agradou a deusa como o senhor de Kulaba.
  16. Aratta não construiu o templo para a sagrada JUSTIÇA – ao contrário do Santuário no Templo do Enuque, o tabernáculo, o lugar sagrado, foram diferentes de Kulaba que o construiu em tijolos.
  17. Naquela época, o senhor escolhido pela JUSTIÇA em seu coração, escolhido pela JUSTIÇA em seu coração sagrado da montanha brilhante, Enmerkar, o filho do Sol, fez um apelo a senhora que concede desejos, a sagrada JUSTIÇA.
  18. Ele disse: – “Minha irmã, deixe a cidade de Aratta moldar o ouro e prata habilmente em meu nome para Enuque. Deixe-os cortar o lápis-lazúli perfeito dos blocos, deixe-os esculpir a translucidez do lápis-lazúli perfeito para construir uma montanha sagrada em Enuque.”
  19. “Deixe Aratta construir um templo trazido do céu – o seu local de culto, o Santuário no Templo do Enuque.
  20. Deixe Aratta modelar habilmente o interior do tabernáculo sagrado, sua morada; que eu, o jovem radiante, possa ser abraçado lá por você.”
  21. “Que Aratta se submeta ao jugo por Enuque em meu nome. Que o povo de Aratta traga traga para mim as pedras da montanha de sua montanha,”
  22. “Que o povo se maravilhe com admiração, e que o Sol testemunhe isso com alegria.”
  23. O senhor deu ouvidos às palavras da divina JUSTIÇA e escolheu entre as tropas como mensageiro alguém que falava eloquentemente e era dotado de perseverança.
  24. Onde e a quem ele levará a importante mensagem da sábia JUSTIÇA? O mensageiro deve levá-la para as montanhas Zubi e deve descer com ela das montanhas Zubi.
  25. Que Susin e a terra de Ancan saúdem humildemente a JUSTIÇA como pequenos camundongos.
  26. Nas grandes cadeias de montanhas, deixe as multidões abundantes rastejarem o pó para ela.
  27. O mensageiro deve falar com o senhor de Aratta e dizer-lhe: – “Não faça o povo fugir desta cidade como uma pomba selvagem de sua árvore para que eu não os faça fugir como um pássaro sobre seu ninho bem construído.”
  28. “Para que não os retribua como pelo atual preço de mercado, para que não o faça juntar poeira como uma cidade totalmente destruída, para que não seja como um povoado amaldiçoado por DEUS e totalmente destruído.”
  29. “Eu também posso destruir totalmente Aratta; para que, como a devastação que varreu destrutivamente, e em cujo rastro a JUSTIÇA surgiu, faça chorar e gritar alto.”
  30. “Mensageiro cante para ele a canção sagrada, o encantamento cantado em suas câmaras – o encantamento de DEUS:”
  31. – “Naquele dia em que não houver cobra, quando não houver escorpião, quando não houver hiena, quando não houver leão, quando não houver cachorro nem lobo, quando não houver medo nem tremor, o homem não terá rival!”
  32. “Em tal momento, possam as terras de Cubur e Hamazi, aquelas de muitas línguas, e a terra de Sumer, a grande montanha da magnificência da autoridade, e Acade, a terra possuidora de tudo o que é adequado, e a terra Martu, descansando em segurança,
  33. Também todo o universo e as pessoas bem guardadas, que todos eles se dirijam ao SENHOR juntos em um único idioma!”
  34. “Pois nessa época, aos senhores ambiciosos, aos príncipes ambiciosos, aos reis ambiciosos, Ó DEUS, mude a fala em suas bocas, tantos quantos ele havia colocado lá.
  35. “Assim a fala da humanidade será verdadeiramente uma.”
  36. O mensageiro deu ouvidos às palavras de seu rei. Ele viajou pela noite estrelada e durante o dia viajou com o Sol do céu.
  37. Onde e para quem ele levará a importante mensagem da JUSTIÇA com seu tom cortante? Ele a levou para as montanhas Zubi, ele desceu com ela das montanhas Zubi.
  38. Susin e a terra de Ancan saudaram humildemente a JUSTIÇA como pequenos camundongos.
  39. Nas grandes cadeias de montanhas, as multidões abundantes rastejavam na poeira por ela.
  40. O mensageiro atravessou cinco montanhas, seis montanhas, sete montanhas.
  41. Ele ergueu os olhos ao se aproximar de Aratta e entrou alegremente no pátio de Aratta, dando a conhecer a autoridade de seu rei.
  42. Ele falou abertamente as palavras em seu coração. O mensageiro transmitiu a mensagem ao senhor de Aratta.
  43. O senhor de Aratta respondeu: – “Mensageiro, fale com o seu rei, o senhor de Kulaba”.
  44. “Diga-lhe que sou eu, o senhor adequado para a purificação.
  45. Diga-lhe que sou eu quem a senhora das muitas autoridades, a sagrada JUSTIÇA, trouxe para Aratta, a montanha da brilhante autoridade.”
  46. “Diga-lhe que sou eu quem a JUSTIÇA deixou barrar a entrada das montanhas como se com uma grande porta.”
  47. “Como então Aratta se submeterá a Enuque? A submissão de Aratta a Enuque está fora de questão! Diga isso a ele.”

Fonte: Emenkar e o SENHOR de Aratta

Capítulo 15 – Lugalbanda

  1. Enmerkar filho do Sol, preparou uma expedição contra Aratta, a montanha dos sagrados poderes divinos.
  2. Ele iria partir para destruir a terra rebelde; assim iniciou a mobilização de sua cidade.
  3. O arauto fez soar a buzina em todas as terras. Agora, a cidade de Enuque recrutada entrou em campo com o rei sábio.
  4. De fato a cidade de Kulaba recrutada seguiu Enmerkar. A convocação de Enuque foi uma inundação, a convocação de Kulaba foi um céu nublado.
  5. Enquanto eles cobriam o solo como uma névoa pesada, a poeira densa girada por eles alcançou o céu.
  6. Como se para gralhas na melhor semente, levantando-se, ele chamou o povo. Cada um deu o sinal ao seu companheiro.
  7. O rei deles foi à sua frente, para ir na liderança do exército. Enmerkar foi à sua frente, para ir na liderança do exército.
  8. Quando o justo se aconselhou com o SENHOR, ele levou embora Kulaba inteira.
  9. Eles se curvaram na encosta das montanhas, como ovelhas; na borda das colinas, eles correram como touros selvagens.
  10. Ele procurou ao lado e eles reconheceram o caminho. Cinco dias se passaram. No sexto dia eles tomaram banho. No sétimo dia eles entraram nas montanhas.
  11. Naquela época eram sete, eram sete – os mais novos, nascidos em Kulaba, tinham sete. Eles eram heróis, vivendo na Suméria, eles eram principescos em seu auge.
  12. Eles foram criados comendo na mesa do divino CÉU.
  13. Esses sete eram os capatazes para os subordinados aos capatazes; os capitães dos subordinados aos capitães eram os generais para os subordinados aos generais.
  14. Eles eram supervisores de trezentos homens, tresentos homens cada; eles eram capitães de seiscentos homens, seiscentos homens homens cada; eles eram generais de sete šars de soldados, vinte e cinco mil e duzentos soldados cada.
  15. Eles estavam a serviço do senhor como suas tropas de elite.
  16. Lugalbanda, o oitavo deles, foi lavado em água. Em um silêncio reverente ele avançou, ele marchou com as tropas.
  17. Quando eles haviam coberto a metade do caminho, coberto a metade do caminho, uma doença se abateu sobre Lugalbanda ali, enjoo de cabeça se abateu sobre ele.
  18. Ele se sacudiu como uma cobra arrastada pela cabeça com um junco; sua boca mordeu a poeira, como uma gazela capturada em uma armadilha.
  19. Suas mãos não podiam mais devolver o aperto de mão, ele não conseguia mais erguer os pés bem alto. Nem o rei nem os contingentes poderiam ajudá-lo.
  20. Nas grandes montanhas, aglomeradas como uma nuvem de poeira sobre o solo, eles disseram: – “Deixe-os trazê-lo para Enuque.”
  21. Mas eles não sabiam como poderiam trazê-lo: – “Deixe-os trazê-lo para Kulaba.” Eles não sabiam como poderiam trazê-lo.
  22. Enquanto seus dentes batiam nos lugares frios das montanhas, eles o levaram para um lugar quente ali.
  23. Era um depósito onde fizeram dele um caramanchão como um ninho de pássaro. Tinha tâmaras, figos e vários tipos de queijo,
  24. Eles colocaram guloseimas próprias para os doentes comerem, em cestos de tâmaras, e fizeram-lhe um lar.
  25. Com lágrimas e gemidos repetidos, com lágrimas, com lamentação, com pesar e pranto, os irmãos mais velhos de Lugalbanda partiram para as montanhas.
  26. Então se passaram dois dias durante os quais Lugalbanda ficou doente; a esses dois dias, meio dia foi adicionado.
  27. Quando ele ergueu os olhos para o céu, na direção do Sol, ele chorou por ele como se fosse por seu próprio pai.
  28. Na caverna da montanha, ele ergueu para si suas belas mãos.
  29. Ele disse: – “Ó Sol, eu te saúdo! Me deixe não ficar doente! Herói, nascido nos PÂNTANOS DO LESTE, eu te saúdo! Me deixe não ficar mais doente!
  30. “Aqui, onde não há mãe, não há pai, não há conhecido, ninguém a quem eu valorizo, minha mãe não está aqui para dizer ‘Ai de mim, meu filho!’.”
  31. “Meu irmão não está aqui para dizer ‘Ai, meu irmão!’; o vizinho de minha mãe que entra em nossa casa não está aqui para chorar por mim.”
  32. “Um homem não deveria morrer assim. Um cachorro perdido é ruim; um homem perdido é terrível”.
  33. “Meu poderoso povo! Minhas grandes senhoras! Louvor para o TEMPLO DO CÉU! Às suas pedras, às pedras brilhantes em sua glória, às pedras saĝkal acima e abaixo, de seu clamor na terra da montanha Zabu, de sua voz abra.
  34. “Que meus membros não morram nas montanhas do ciprestes!”
  35. A JUSTIÇA aceitou suas lágrimas. Com o poder da vida, ela o deixou dormir como o adormecido Sol.
  36. A JUSTIÇA o envolveu com a alegria do coração como se fosse uma vestimenta de lã.
  37. O Luar aceitou suas lágrimas e deu-lhe vida. Ele conferiu a seus pés o poder de se levantar.
  38. Ao nascer do sol seguinte, como o touro brilhante surgindo do horizonte, como o touro descansando entre os ciprestes, o jovem Sol estendeu seu santo esplendor do céu.
  39. Como um escudo no chão vigiado pela assembleia, como um escudo saindo do tesouro vigiado pelos jovens, o nascente Sol estendeu seu santo esplendor do céu.
  40. Santo, seu brilho iluminou para ele a caverna da montanha, ele os concedeu ao santo Lugalbanda na caverna da montanha.
  41. O Santo Lugalbanda saiu da caverna da montanha.
  42. Como um asno selvagem solitário de Šakkan, ele disparou sobre as montanhas. Como um burro grande e poderoso, ele correu; um burro esguio, ansioso para correr, ele saltou.
  43. Naquela noite, ao entardecer, ele partiu, correndo pelas montanhas, um terreno baldio ao luar.
  44. Ele estava sozinho e, mesmo para seus olhos penetrantes, não havia uma única pessoa à vista.
  45. Com as provisões estocadas em baldes de couro, as provisões colocadas em bolsas de couro por seus irmãos e seus amigos, ele assou pão no chã com um pouco de água fria.
  46. Ele pegou seu machado cujo metal era de estanho, ele empunhou sua adaga que era de ferro.
  47. O banquete foi preparado, as libações servidas – cerveja escura, bebida alcoólica, cerveja emmer, vinho para beber agradável ao paladar.
  48. Sobre a planície ele derramou água fria como uma libação. Ele enfiou a faca na carne das cabras marrons e assou os fígados escuros ali.
  49. Ele deixou a fumaça subir como incenso colocado no fogo.
  50. Como se a PROSPERIDADE tivesse trazido os bons sabores do curral, a assembleia divina consumiu a melhor parte da comida preparada por Lugalbanda.
  51. Como um pelicano emergindo do caniço sagrado, como as divinas Águas-Inferiores subindo do FUNDAMENTO, como alguém que está pisando do céu para a terra, Lugalbanda entrou no meio das tropas escolhidas por seus irmãos.
  52. Seus irmãos tagarelavam, as tropas tagarelavam.”Como é que voltastes das grandes montanhas, onde ninguém vai sozinho, de onde ninguém volta para a humanidade?”
  53. Exatamente como se fossem passarinhos se reunindo o dia todo, eles o abraçaram e o beijaram.
  54. Como se fosse um filhote de gamgam sentado em seu ninho, eles o alimentaram e lhe deram de beber. Eles expulsaram a doença do sagrado Lugalbanda.
  55. Então os homens de Enuque os seguiram como um homem.
  56. Eles serpenteavam pelas colinas como uma cobra em um monte de grãos.
  57. Quando a cidade estava a apenas uma hora de distância, os exércitos de Enuque e Kulaba acamparam nos postes e fossos que cercavam Aratta.
  58. Da cidade choveu dardos como se das nuvens. Pedras de funda numerosas eram como as gotas de chuva caindo em um ano inteiro zunindo ruidosamente das muralhas de Aratta.
  59. Os dias passaram, os meses tornaram-se longos, o ano deu uma volta completa. Uma colheita amarela cresceu sob o céu.
  60. Tendo ouvido este assunto, En-suḫgir-ana, o SENHOR de Aratta, enviou um homem a Enmerkar.
  61. Ele disse: “Você é o amado senhor da JUSTIÇA, só você é exaltado. A JUSTIÇA realmente escolheu você para seu colo sagrado, você é seu amado.”
  62. “Do sul aos montes, você é o grande senhor, e eu sou apenas o segundo a você. Desde o momento da concepção eu não era seu igual, você é meu irmão mais velho”
  63. Na disputa entre Enmerkar e En-suḫgir-ana, Enmerkar provou ser superior ao senhor do Aratta.

Capítulo 16 – Gilgamés

  1. Enmerkar, o filho de Meš-ki-aĝ-gašer, o rei de Enuque, sob quem a cidade de Enuque foi construída, tornou-se rei; ele governou por 420 anos.
  2. Foram 745 são os anos da dinastia de Meš-ki-aĝ-gašer.
  3. Lugalbanda, o pastor, governou por 1200 anos.
  4. Dumuzid, o pescador cuja cidade era Kuara, governou por 100 anos. Ele capturou En-me-barage-si sozinho.
  5. Gilgamés, cujo pai era um fantasma, o senhor de Kulaba, governou por 126 anos.
  6. Gilgamés esculpiu em uma estela de pedra todos os seus trabalhos e construiu o muro de Enuque-Haven, o muro do sagrado do TEMPLO DO CÉU, o santuário sagrado.
  7. Ele inscreveu: “Olhe para sua muralha que brilha como cobre. Inspecione sua muralha interna, do tipo que ninguém pode igualar!”
  8. “Agarre-se à pedra do limiar – ela data dos tempos antigos! Vá perto do TEMPLO DO CÉU, a residência da JUSTIÇA, como nenhum rei ou homem posterior jamais igualou!”
  9. “Como Gilgamés passou por todas as dificuldades. Supremo sobre outros reis, nobre na aparência. Ele foi o herói, nascido de Enuque, o touro selvagem feroz.”
  10. “Ele sai na frente, como o líder. E anda na retaguarda, com a confiança de seus companheiros.”
  11. “Rede poderosa, protetora de seu povo. Onda de inundação violenta que destrói até mesmo muralhas de pedra!”
  12. “Descendente de Lugalbanda, Gilgamés é forte à perfeição, Filho da vaca augusta, Rimate-Ninsuna, Gilgamés é incrível à perfeição.”
  13. “Gilgamés abriu as passagens nas montanhas; cavou poços no flanco da montanha; cruzou o oceano, os vastos mares, até o sol nascente; explorou as regiões do mundo, em busca de vida.”
  14. “Ele alcançou com sua própria força Utanapishtim, o Distante, aquele quem restaurou as cidades que o Dilúvio destruiu para a humanidade abundante.”
  15. Essa é a história do Épico de Gilgamés contada pelos antigos sobre a inscrição que havia na estela do TEMPLO DO CÉU.
  16. Após muito vagar, navegou até chegar às Águas da Morte. Lá estava Utanapishtim os olhando ao longe.
  17. Quando o encontrou, Utanapishtim perguntou a Gilgamés: “Por que suas bochechas estão emaciadas, sua expressão desolada? Por que seu coração está tão miserável, suas feições tão abatidas? Por que existe tanta tristeza dentro de você?”
  18. “Por que você se parece com alguém que tem viajado uma longa distância como que o gelo e o calor queimaram seu rosto? Por que se parece alguém que vagueia pelo deserto?”
  19. Gilgamés respondeu: “Não deveriam minhas bochechas estarem emaciadas, minha expressão desolada?”
  20. “Meu coração não deveria estar miserável, minhas feições não estavam abatidas? Não deveria haver tristeza dentro de mim?”
  21. “Eu não deveria ter a aparência de alguém que viajou uma longa distância, como que o gelo e o calor queimaram meu rosto! Não deveria eu parecer alguém que vagueia pelo deserto?”
  22. “Junto com meu amigo que perseguia burros selvagens na montanha, a pantera do deserto, Enkidu, juntos, nós subimos a montanha.”
  23. “Nós lutamos e matamos o Touro do Céu, destruímos Humbaba que morava na Floresta de Cedro, matamos leões nas passagens nas montanhas!”
  24. “Meu amigo, a quem amo profundamente, que passou por todas as dificuldades comigo o destino da humanidade o dominou.”
  25. “Seis dias e sete noites, estive de luto por ele; e não permiti que ele fosse enterrado até que um verme caiu de seu nariz.”
  26. “Fiquei apavorado com a aparência dele. Comecei a temer a morte e, assim, vagar pelo deserto.”
  27. “A questão do meu amigo me oprime, portanto, tenho percorrido longas trilhas no deserto.”
  28. “Como posso ficar em silêncio? Meu amigo a quem amo se transformou em pó; Enkidu, meu amigo a quem amo, virou pó!”
  29. “E eu não sou como ele? Não vou me deitar para nunca mais me levantar?”
  30. “É por isso que devo continuar, para ver Utanapishtim a quem eles chamam ‘O Distante’.”
  31. Utanapishtim respondeu: “Por que, Gilgamés, tanta tristeza? Você que foi criado da carne dos deuses e da humanidade quem o fez como seu pai e sua mãe?”
  32. “Eles colocaram uma cadeira na Assembleia, mas para o tolo eles deram borra de cerveja em vez de manteiga, farelo e farinha barata que gosta.”
  33. “Não tenho palavras de conselho. Tome cuidado com isso, Gilgamés. Os deuses estão insones. Eles estão perturbados, inquietos.”
  34. “Há muito tempo foi estabelecido. Você tem trabalhado sem cessar, e o que você tem!
  35. Através do trabalho você se cansa, você enche seu corpo de tristeza, sua longa vida você está trazendo para um fim prematuro!”
  36. “A humanidade, cuja ramificação é quebrada como um junco em uma moenda. Que bela jovem e adorável garota, é a morte.”
  37. “Ninguém pode ver a morte, ninguém pode ver a face da morte, ninguém pode ouvir a voz da morte, no entanto, existe uma morte selvagem que arranca a humanidade.”
  38. “Por quanto tempo vamos construir uma casa? Por quanto tempo fechamos um documento? Por quanto tempo os irmãos compartilham a herança? Por quanto tempo haverá ciúme da terra?”
  39. “Por quanto tempo o rio subiu e trouxe o transbordamento águas para que as libélulas desçam o rio?”
  40. “Quão semelhantes são os adormecidos e os mortos. A imagem da morte não pode ser retratada.”
  41. “Sim, você é um ser humano, um homem! Depois que o SENHOR pronunciou a benção, a ASSEMBLEIA, reunida, determinou o seu destino com eles.
  42. Eles estabeleceram a Morte e a Vida, mas eles não divulgaram ‘os dias da morte’”.
  43. Gilgamés falou com Utanapishtim, o Distante: “Eu estive olhando para você, mas sua aparência não é estranha – você é como eu!”
  44. “Você mesmo não é diferente – você é como eu! Minha mente estava decidida a lutar com você, mas em vez disso meu braço está inútil contra você.”
  45. Utanapishtim respondeu: “Que o porto os rejeite, que a balsa os rejeite! Que você, que costumava caminhar por suas margens, tenha suas margens negadas!”
  46. A esposa de Utanapishtim, o Distante, disse a esposo: “Gilgamés veio aqui esgotado e exausto. O que você pode dar a ele para que ele possa retornar à sua terra com honra?”
  47. Então Gilgamés ergueu a coluna de atracagem e levou o barco para a costa.
  48. Utanapishtim falou com Gilgamés, dizendo: “Gilgamés, você veio aqui esgotado e exausto. O que posso te dar para que você possa voltar para sua terra?”
  49. “Vou revelar a você uma coisa que está escondida, Gilgamés. Eu vou te dizer onde há uma planta como um espinheiro, cujos espinhos espetarão sua mão como uma rosa.”
  50. “Se suas mãos alcançarem essa planta, você se tornará um jovem homem de novo.”
  51. Gilgamés falou com Urshanabi, o barqueiro, dizendo: “Urshanabi, esta planta é uma planta contra a decadência pelo qual um homem pode alcançar sua sobrevivência.”
  52. “Vou levá-la para Enuque-Haven e pedir a um velho que coma a planta para testá-la.”
  53. “O nome da planta será: ‘O velho se torna um homem jovem’. Então vou comê-la e voltar à condição de minha juventude.”
  54. A vinte léguas, eles pararam para comer alguma coisa. A trinta léguas, eles pararam para passar a noite.
  55. Vendo uma nascente e como suas águas estavam frias, Gilgamés desceu e se banhou na água.
  56. Uma serpente cheirou a fragrância da planta, silenciosamente subiu e carregou a planta.
  57. Enquanto voltava, ele se desprendeu de seu invólucro. Por isso, Gilgamés sentou-se, chorando, suas lágrimas escorrendo pelo lado do nariz.
  58. Ele disse: “Aconselhe-me, ó barqueiro Urshanabi! Por quem meus braços trabalharam? Por quem turvou o sangue do meu coração?”
  59. A vinte léguas, eles pararam para comer alguma coisa, a trinta léguas, eles pararam para passar a noite.
  60. Eles chegaram a Enuque-Haven. Gilgamés disse a Urshanabi, o barqueiro: “Suba, Urshanabi, na muralha de Enuque e dê uma volta.”
  61. “Contemple sua fundação, inspecione sua alvenaria completamente – não é a estrutura de tijolo do tijolo queimado no forno, e os próprios Sete Sábios não delinearam seu plano!”
  62. “Uma légua cidade, uma légua de jardins de palmeiras, uma légua de planícies, três léguas de área aberta do Templo da JUSTIÇA, e a área aberta de Enuque que ela envolve.”

Capítulo 17 – Jó

  1. Na terra de Uz vivia um homem chamado Jó. Era homem íntegro e justo; temia a Deus e evitava o mal.
  2. Tinha ele sete filhos e três filhas, e possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas parelhas de boi e quinhentos jumentos, e tinha muita gente a seu serviço.
  3. Era o homem mais rico do oriente. Seus filhos costumavam dar banquetes em casa, um de cada vez, e convidavam suas três irmãs para comerem e beberem com eles.
  4. Terminado um período de banquetes, Jó mandava chamá-los e fazia com que se purificassem.
  5. De madrugada ele oferecia um holocausto em favor de cada um deles, pois pensava: “Talvez os meus filhos tenham lá no íntimo pecado e amaldiçoado a Deus”. Essa era a prática constante de Jó.
  6. Certo dia, quando os filhos e as filhas de Jó estavam num banquete, comendo e bebendo vinho na casa do irmão mais velho, então um mensageiro veio.
  7. Ele disse a Jó: “Os bois estavam arando, e os jumentos estavam pastando por perto, e os sabeus atacaram e os levaram embora. Mataram à espada os empregados, e eu fui o único que escapou para lhe contar!”
  8. Enquanto ele ainda estava falando, chegou outro mensageiro e disse: “Fogo de Deus caiu do céu e queimou totalmente as ovelhas e os empregados, e eu fui o único que escapou para lhe contar!”
  9. Enquanto ele ainda estava falando, chegou outro mensageiro e disse: “Vieram caldeus em três bandos, atacaram os camelos e os levaram embora. Mataram à espada os empregados, e eu fui o único que escapou para lhe contar!”
  10. Enquanto ele ainda estava falando, chegou ainda outro mensageiro e disse: “Seus filhos e suas filhas estavam num banquete, comendo e bebendo vinho na casa do irmão mais velho.”
  11. “De repente, um vento muito forte veio do deserto e atingiu os quatro cantos da casa, que desabou. Eles morreram, e eu fui o único que escapou para lhe contar!”
  12. Ao ouvir isso, Jó levantou-se, rasgou o manto e rapou a cabeça.
  13. Então prostrou-se no chão em adoração, e disse: “Saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei. O SENHOR o deu, o SENHOR o levou; louvado seja o nome do SENHOR”.
  14. Em tudo isso Jó não pecou nem de nada culpou a Deus.
  15. Saiu, pois, Satanás da presença do SENHOR e afligiu Jó com feridas terríveis, da sola dos pés ao alto da cabeça.
  16. Então Jó apanhou um caco de louça com o qual se raspava, sentado entre as cinzas.
  17. Então sua mulher lhe disse: “Você ainda mantém a sua integridade? Amaldiçoe a Deus, e morra!”
  18. Ele respondeu: “Você fala como uma insensata. Aceitaremos o bem dado por Deus, e não o mal?” Em tudo isso Jó não pecou com os lábios.
  19. Quando três amigos de Jó, Elifaz, de Temã, Bildade, de Suá, e Zofar, de Naamate, souberam de todos os males que o haviam atingido, saíram, cada um da sua região.
  20. Combinaram encontrar-se para mostrar solidariedade a Jó e consolá-lo.
  21. Quando o viram à distância, mal puderam reconhecê-lo e começaram a chorar em alta voz. Cada um deles rasgou o manto e colocou terra sobre a cabeça.
  22. Depois se assentaram no chão com ele, durante sete dias e sete noites. Ninguém lhe disse uma palavra, pois viam como era grande o seu sofrimento.
  23. Depois disso Jó abriu a boca e amaldiçoou o dia do seu nascimento, dizendo:
    “Por que não morri ao nascer, e não pereci quando saí do ventre? Por que houve joelhos para me receberem e seios para me amamentarem?”
  24. Então respondeu Elifaz, de Temã: “Você ensinou a tantos; fortaleceu mãos fracas. Suas palavras davam firmeza aos que tropeçavam; você fortaleceu joelhos vacilantes. Mas agora que se vê em dificuldade, você se desanima; quando você é atingido, fica prostrado.”
  25. Então Jó respondeu: “Zurra o jumento selvagem, se tiver capim? Muge o boi, se tiver forragem? Por isso não me calo; na aflição do meu espírito me desabafarei, na amargura da minha alma farei as minhas queixas.”
  26. Então Bildade, de Suá, respondeu: “Se você procurar a Deus e implorar junto ao Todo-poderoso, se você for íntegro e puro, ele se levantará agora mesmo em seu favor e o restabelecerá no lugar que por justiça cabe a você.”
  27. Então Jó respondeu: “Minha vida só me dá desgosto; por isso darei vazão à minha queixa e de alma amargurada me expressarei. Direi a Deus: Não me condenes, revela-me que acusações tens contra mim. Tens prazer em oprimir-me, em rejeitar a obra de tuas mãos, enquanto sorris para o plano dos ímpios?
  28. Então Zofar, de Naamate, respondeu: “Ficarão sem resposta todas essas palavras? Irá se confirmar o que esse tagarela diz? Ninguém o repreenderá por sua zombaria?”
  29. Então Jó respondeu: “Não sou inferior a vocês, mas desejo falar ao Todo-poderoso e defender a minha causa diante de Deus.”
  30. Então Elifaz, de Temã, respondeu: “Responderia o sábio as ideias vãs, ou encheria o estômago com o vento? Será que argumentaria com palavras inúteis, com discursos sem valor? O seu pecado motiva a sua boca; você adota a linguagem dos astutos.”
  31. Então Jó respondeu: “Pobres consoladores são vocês todos! Bem que eu poderia falar igual a vocês, se estivessem em meu lugar. Eu poderia condená-los com belos discursos. Mas a minha boca procuraria encorajá-los; a consolação dos meus lábios lhes daria alívio.”
  32. Então Bildade, de Suá, respondeu: “A lâmpada do ímpio se apaga e a chama do seu fogo se extingue; é assim a habitação do perverso; essa é a situação de quem não conhece a Deus”.
  33. Então Jó respondeu: “Vocês não se envergonham de agredir-me! Vocês se exaltam acima de mim e usam contra mim a minha humilhação, mas saibam que foi Deus que me tratou mal e me envolveu em sua trama.”
  34. Então Zofar, de Naamate, respondeu: “Desde que o homem foi posto na terra, o riso dos maus é passageiro, e a alegria dos ímpios dura apenas um instante.”
  35. Então Jó respondeu: “Quem é o Todo-poderoso, para que o sirvamos? Que vantagem nos dá orar a ele? Pois, quantas vezes a lâmpada dos ímpios se apaga? Quantas vezes a desgraça cai sobre eles?”
  36. Então, de Temã, Elifaz respondeu: “E pode alguém ser útil a Deus? Mesmo um sábio, pode ser de algum proveito a Deus? Que benefício você daria ao Todo-poderoso se você fosse justo?”
  37. Então Jó respondeu: “Se tão-somente eu soubesse onde encontrá-lo e ir à sua morada! Eu lhe apresentaria a minha causa e encheria a minha boca de argumentos; eu seria liberto para sempre de quem me julga.”
  38. Então Bildade, de Suá, respondeu: “Como pode então o homem ser justo diante de Deus? Como pode ser puro quem nasce de mulher?”
  39. “Se nem a lua é brilhante e as estrelas são puras aos olhos dele, muito menos o será o homem, que não passa de larva, o filho do homem, que não passa de verme!”
  40. Então Jó respondeu: “Nunca darei razão a vocês! Minha integridade não negarei jamais, até à morte.
  41. “Manterei minha retidão, e nunca a deixarei; enquanto eu viver, a minha consciência não me repreenderá.”
  42. “No temor do SENHOR está a sabedoria, e evitar o mal é ter entendimento’”.
  43. “Como tenho saudade dos meses que se passaram, dos dias em que Deus cuidava de mim, quando a sua lâmpada brilhava sobre a minha cabeça e por sua luz eu caminhava em meio às trevas!”
  44. “Como tenho saudade dos dias do meu vigor, quando a amizade de Deus abençoava a minha casa, quando o Todo-poderoso ainda estava comigo e meus filhos estavam ao meu redor.”
  45. A retidão era a minha roupa; a justiça era o meu manto e o meu turbante.
  46. Eu era os olhos do cego e os pés do aleijado. Eu era o pai dos necessitados, e me interessava pela defesa de desconhecidos.
  47. “Eu quebrava as presas dos ímpios e dos seus dentes arrancava as suas vítimas.”
  48. “Mas agora eles zombam de mim, homens mais jovens que eu, homens cujos pais eu teria rejeitado, não lhes permitindo sequer estar com os cães de guarda do rebanho.”
  49. “E agora os filhos deles zombam de mim com suas canções; tornei-me um provérbio entre eles.”
  50. “Eles me detestam e se mantêm à distância; não hesitam em cuspir em meu rosto.”
  51. “Qual é a porção que o homem recebe de Deus, lá de cima? Qual a sua herança do Todo-poderoso, que habita nas alturas?”
  52. “Se me conduzi com falsidade, ou se meus pés se apressaram a enganar, Deus me pese em balança justa, e saberá que não tenho culpa.”
  53. Os três homens pararam de responder a Jó, pois este se julgava justo. Mas Eliú, filho de Baraquel, de Buz, da família de Rão, indignou-se muito contra Jó, porque este se justificava a si mesmo diante de Deus.
  54. Então Eliú, filho de Baraquel, de Buz, falou: “Eu sou jovem, vocês têm idade. Por isso tive receio e não ousei dizer-lhes o que sei.”
  55. “Jó, escute as minhas palavras; preste atenção a tudo o que vou dizer.”
  56. “Você afirma: ‘Sou inocente, mas Deus me nega justiça. Apesar de eu estar certo, sou considerado mentiroso; apesar de estar sem culpa, sua flecha me causa ferida incurável.”
  57. Você diz: ‘Não dá lucro agradar a Deus’. Contudo diz: longe de Deus esteja o fazer o mal, e do Todo-poderoso o praticar a iniquidade.”
  58. “Você diz: ‘Serei absolvido por Deus’. Contudo, você lhe pergunta: ‘Que vantagem tenho eu, e o que ganho, se não pecar?’”
  59. “Desejo responder-lhe, a você e aos seus amigos que estão com você.”
  60. Olhe para os céus e veja; mire as nuvens, tão elevadas. Se você pecar, em que isso o afetará a Deus? Se você for justo, o que dará a Deus?”
  61. “A sua impiedade só afeta aos homens, seus semelhantes, e a sua justiça, aos filhos dos homens. Mas Deus é poderoso, e não despreza os homens; é poderoso e firme em seu propósito.”
  62. “Não poupa a vida dos ímpios, mas garante os direitos dos aflitos. Não tira os seus olhos do justo; ele o coloca nos tronos com os reis e o exalta para sempre.”
  63. “Se os homens forem acorrentados, presos firmemente com as cordas da aflição, Deus lhes dirá o que fizeram, que pecaram com arrogância.”
  64. “Os que têm coração ímpio guardam ressentimento; mesmo quando o ressentimento os agrilhoa eles não clamam por socorro; e morrem em plena juventude entre os prostitutos dos santuários.”
  65. “Mas aos que sofrem ele os livra em meio ao sofrimento; em sua aflição ele lhes fala.
  66. “Ele está atraindo você para longe das mandíbulas da aflição, para um lugar amplo e livre, para o conforto da mesa farta e seleta que você terá.”
  67. “Como Deus é grande! Ultrapassa o nosso entendimento! Não há como calcular os anos da sua existência.”
  68. Quem pode entender como ele estende as suas nuvens? Como ele troveja desde o seu câmara? Observe os seus relâmpagos iluminando até as profundezas do mar.”
  69. “É assim que ele governa as nações e lhes fornece grande fartura.”
  70. “Escute isto, Jó; pare e reflita nas maravilhas de Deus.
  71. “Diga-nos o que devemos dizer a ele; não podemos elaborar a nossa defesa por causa das nossas próprias trevas.
  72. “Ninguém pode olhar para o fulgor do sol nos céus, depois que o vento os clareia.”
  73. “Fora de nosso alcance está o Todo-poderoso, exaltado em poder; mas, em sua justiça e retidão, não oprime ninguém; por isso os homens o temem.”
  74. Então o SENHOR respondeu a Jó do meio da tempestade.
  75. E Jó respondeu: “Sei que o SENHOR pode fazer todas as coisas; nenhum dos seus planos pode ser frustrado.”
  76. “Certo é que falei de coisas que eu não entendia, coisas tão maravilhosas que eu não poderia saber. Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza”.
  77. Então, o servo Jó orou e Deus aceitou sua oração.
  78. Deus não fez com Elifaz e seus amigos o que mereciam pela loucura que cometeram. Eles não falaram o que é certo a respeito de Deus, como fez o seu servo Jó.
  79. Depois que Jó orou por seus amigos, o SENHOR o tornou novamente próspero e lhe deu em dobro tudo o que tinha antes.
  80. Todos os seus irmãos e irmãs, e todos os que o haviam conhecido anteriormente vieram comer com ele em sua casa.
  81. Eles o consolaram e o confortaram por todas as tribulações que o SENHOR tinha trazido sobre ele, e cada um lhe deu uma peça de prata e um anel de ouro.
  82. O SENHOR abençoou o final da vida de Jó mais do que o início. Ele teve catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de boi e mil jumentos.
  83. Também teve ainda sete filhos e três filhas. À primeira filha deu o nome de Jemima, à segunda o de Quézia e à terceira o de Quéren-Hapuque.
  84. Em parte alguma daquela terra havia mulheres tão bonitas como as filhas de Jó, e seu pai lhes deu herança junto com os seus irmãos.
  85. Depois disso Jó viveu cento e quarenta anos; viu seus filhos e os descendentes deles até a quarta geração. E então morreu, em idade muito avançada.

Capítulo 18 – Sargão

  1. Para transformar a casa de Cuxe, que era como uma cidade mal-assombrada, em um povoado vivo novamente – seu rei, o pastor Ur-Zababa, ergueu-se como o Sol sobre a casa de Cuxe.
  2. O CÉU e o SENHOR, no entanto, com autoridade decidiram por seu sagrado comando alterar seu mandato de reinado e remover a prosperidade do palácio.
  3. Então Sargão – sua cidade era a cidade de Cuxe, seu pai era La’ibum – Sargão nasceu com o coração feliz.
  4. Um dia, depois que a noite chegou e Sargão trouxe as entregas regulares para o palácio, Ur-Zababa estava dormindo e sonhando no quarto sagrado, sua residência sagrada.
  5. Ele percebeu do que se tratava o sonho, mas não o colocou em palavras, não o discutiu com ninguém.
  6. Depois que Sargão recebeu as entregas regulares para o palácio, Ur-Zababa o nomeou copeiro, encarregando-o do armário de bebidas. A sagrada JUSTIÇA não parou de ficar ao lado dele.
  7. Depois de cinco ou dez dias se passaram, o Rei Ur-Zababa ficou assustado em sua residência.
  8. Como um leão, ele urinou, borrifando as pernas, e a urina continha sangue e pus. Ele estava perturbado, perturbado como um peixe que vive em água salobra.
  9. Foi então que o copeiro da vinícola do SACIAÇÃO, Sargão, não se deitou para dormir, mas para sonhar.
  10. No sonho, a sagrada JUSTIÇA afogou Ur-Zababa em um rio de sangue. O Sargão adormecido gemeu e roeu o chão.
  11. Quando o rei Ur-Zababa ouviu sobre este gemido, ele foi levado à presença sagrada do rei, Sargão foi levado à presença de Ur-Zababa, que disse “Copeiro, um sonho foi revelado a você durante a noite?”
  12. Sargão respondeu ao seu rei: “Meu rei, este é o meu sonho, sobre o qual vou lhe contar: Havia uma jovem que era tão alta quanto os céus e tão larga como a terra”.
  13. “Ela estava firmemente assentada como a base de uma muralha . Para mim, ela o afogou em um grande rio, um rio de sangue.”
  14. Ur-Zababa mordeu os lábios e ficou com muito medo, falando com ao seu chanceler: “Minha irmã real, sagrada JUSTIÇA, vai transformar meu dedo em um …… de sangue; ela vai afogar Sargão, o copeiro, no grande rio.
  15. “Beliš-tikal, ferreiro-chefe, homem de minha escolha, que sabe escrever tabuinhas, eu lhe darei ordens, que minhas ordens sejam cumpridas! Que meu conselho seja seguido!
  16. “Agora então, quando o copeiro entregar meu espelho de bronze a você , no Templo de Esnuna, a casa predestinada, jogue-os, o espelho e Sargão, no molde como estátuas.”
  17. Beliš-tikal ouviu as palavras de seu rei e preparou os moldes no Templo de Esnuna, a casa predestinada.
  18. O rei falou a Sargão: “Vá e entregue meu espelho de mão de bronze Ao ferreiro-chefe!” e Sargão deixou o palácio de Ur-Zababa.
  19. A sagrada JUSTIÇA, no entanto, não parou de ficar ao seu lado direito.
  20. Antes de chegar a cinco ou dez nindans do Templo de Esnuna, a casa predestinada, a sagrada JUSTIÇA se virou em sua direção e bloqueou seu caminho.
  21. Ela disse: “O Templo de Esnuna é uma casa sagrada! Ninguém poluído com sangue deve entrar!”
  22. Assim, ele encontrou o ferreiro-chefe do rei apenas no portão da casa predestinada.
  23. Lá, ele entregou o espelho de mão de bronze do rei para o ferreiro-chefe, Beliš-tikal, o ferreiro-chefe, que jogou-o no molde como estátuas.
  24. Depois de cinco ou dez dias, Sargão foi à presença de Ur-Zababa, seu rei; ele entrou no palácio, firmemente fundado como uma grande montanha.
  25. Rei Ur-Zababa o viu ficou assustado em sua residência. Ele percebeu do que se tratava, mas não colocou em palavras, não discutiu o assunto com ninguém.
  26. Ur-Zababa ficou assustado no quarto de dormir, sua residência sagrada. Ele percebeu do que se tratava, mas não colocou em palavras, não discutiu o assunto com ninguém.
  27. Naquela época, embora existisse a escrita em tabletes, ainda não existia colocar tabletes em envelopes.
  28. O rei Ur-Zababa despachou Sargão, a criatura dos deuses, para Lugal-zage-si em Enuque com uma mensagem escrita em argila, que era sobre o assassinato de Sargão.
  29. Ur-Zababa, filho de Puzur-Suen, governou por 6 anos. Foram 131 são os anos da dinastia de Kug-Bau.
  30. Em Enuque, Lugal-zagesi tornou-se rei; ele governou por 25 anos. Então Enuque foi derrotada e o reinado de Enuque foi abolido sendo a realeza foi levada para Acádia.
  31. Sargão, rei da Acádia, supervisor da JUSTIÇA, rei de Cuxe, ungido do CÉU, rei da terra, governador do SENHOR; ele derrotou a cidade de Enuque e derrubou seus muros, na batalha de Enuque ele venceu.
  32. Ele tomou Lugalzagesi rei de Enuque no decorrer da batalha, e o conduziu em uma coleira até o portão do SENHOR.
  33. Sargão, rei da Acádia, venceu Ur na batalha, conquistou a cidade e destruiu sua muralha.
  34. Ele conquistou Eninmar, destruiu suas paredes e conquistou seu distrito e Lagash até o mar.
  35. Ele lavou suas armas no mar e  foi vitorioso sobre Umma na batalha; conquistou a cidade e destruiu suas paredes.
  36. Para Sargão, ao rei da terra, o SENHOR deus não deu rival. O SENHOR deu a ele o Mar Superior e o Mar inferior.
  37. Houve o ano em que Sargão foi para Simurrum; houve o ano em que Sargão destruiu Uru’a, ano em que Uru’a foi destruída; houve o ano em que Sargão destruiu Elam; houve o ano em que Mari foi destruída.
  38. Sargão, o rei, curvou-se diante do deus Dagon em Tuttul. Dagon deu a Sargão a Terra Superior: Mari, Iarmuti e Ebla, até a Floresta de Cedro e as Montanhas Prateadas.
  39. Sargão, rei da Acádia, chegou ao poder durante o reinado da JUSTIÇA e ele não tinha rival nem igual.
  40. Seu esplendor, sobre as terras difundiu-se. Ele cruzou o mar no leste.
  41. No décimo primeiro ano, ele conquistou as terras ocidentais até o seu ponto mais distante.
  42. Ele o trouxe sob uma autoridade. Ele montou suas estátuas lá e transportou o butim do oeste em barcaças.
  43. Ele posicionou seus oficiais de tribunal em intervalos de cinco horas duplas e governou em unidade as tribos das terras.
  44. Ele marchou para Kazallu e transformou Kazallu em uma pilha de ruínas, de modo que não sobrou nem mesmo um poleiro para um pássaro.
  45. Depois, em sua velhice, todas as terras se rebelaram novamente e cercou-o em Agade.
  46. Sargão saiu para lutar e causou sua derrota. Ele os derrotou e dominou seu extenso exército.
  47. Posteriormente, Subartu atacou Sargão com força total e o chamou às armas. Sargão armou uma emboscada e os derrotou completamente.
  48. Ele dominou seu extenso exército e enviou seus pertences para a Acádia.
  49. Ele cavou a sujeira do poço da Babilônia e fez uma contrapartida de Babilônia ao lado de Agade.
  50. Por causa do erro que ele fez, o grande senhor Marduk ficou com raiva e exterminou sua família pela fome.
  51. De leste a oeste, os súditos se rebelaram contra ele e Marduk o afligiu com insônia.
  52. Em Acádia, Sargão, cujo pai era um jardineiro, o copeiro de Ur-Zababa, rei da Acádia, que construiu a cidade, ele governou por 56 anos.
  53. Rīmuš, o filho de Sargão, governou por nove anos. Man-ištiššu, o irmão mais velho de Rīmuš, o filho de Sargão, governou por 15 anos.
  54. Enfim, Narām-Sin, filho de Man-ištiššu, governou por 56 anos.

Capítulo 19 – Nara-Sim

  1. Depois que o olhar severo do SENHOR destruiu Cuxe como se fosse o Touro do Céu e abateu a casa da terra de Enuque na poeira como se fosse um touro poderoso,
  2. Então o SENHOR deu o governo e a realeza do sul tanto quanto as terras altas de Sargão, o rei da Acádia.
  3. Naquela época, a sagrada JUSTIÇA estabeleceu o santuário de Acádia como seu domínio de mulher célebre; ela estabeleceu seu trono em Ulmac.
  4. Mas a declaração vinda do Templo de Cuxe foi inquietante. Por causa do SENHOR toda a Acádia foi reduzida a tremer.
  5. O terror se abateu sobre a JUSTIÇA em Ulmac. Ela deixou a cidade, voltando para sua casa. A divina JUSTIÇA abandonou o santuário de Acádia como quem abandona as jovens do domínio de sua mulher.
  6. Como um guerreiro correndo para as armas, ela removeu o dom da batalha e da luta da cidade. Ela os entregou ao inimigo.
  7. Nem mesmo cinco ou dez dias se passaram e a GUERRA trouxe de volta as joias do governo. A coroa real, o emblema e o trono real concedidos a Acádia, voltaram ao seu E-cumeca.
  8. O Sol tirou a eloquência da cidade. DEUS tirou sua sabedoria. Um elevou no meio do céu seu temor que chega ao céu.
  9. DEUS arrancou seu poste sagrado de ancoragem bem ancorado no seu FUNDAMENTO. A JUSTIÇA irou suas armas.
  10. A vida do santuário de Acádia chegou ao fim. Era como apenas a vida de uma minúscula carpa nas águas profundas. Todas as cidades estavam olhando para isso.
  11. Como um poderoso elefante, ele curvou seu pescoço até o chão. Todos erguiam seus chifres como poderosos touros.
  12. Como um dragão moribundo, ele arrastou sua cabeça para a terra; Juntos o privaram de honra como em uma batalha.
  13. Naram-Sin viu em uma visão noturna que o SENHOR não deixaria o reino de Acádia ocupar morada agradável e duradoura, que ele tornaria seu futuro totalmente desfavorável, que faria seus templos tremerem e espalhariam seus tesouros.
  14. Ele percebeu do que se tratava o sonho, mas não o colocou em palavras, não o discutiu com ninguém. Por causa do Templo de Cuxe, ele vestiu roupas de luto.
  15. Ele cobriu sua carruagem com um tapete de junco, arrancou o dossel de junco de sua barcaça cerimonial e deu sua parafernália real.
  16. Naram-Sin persistiu por sete anos! Quem já viu um rei enterrando a cabeça nas mãos por sete anos?
  17. Então ele foi realizar um espetáculo artístico em uma criança a respeito do templo. Mas o presságio não tinha nada a dizer sobre a construção do templo.
  18. Pela segunda vez, ele foi realizar um espetáculo em uma criança a respeito do templo. Mas o presságio novamente não tinha nada a dizer sobre a construção do templo
  19. A fim de mudar o que havia sido infligido, ele tentou alterar o pronunciamento do SENHOR.
  20. Como seus súditos foram dispersos, ele agora começou a mobilizar suas tropas.
  21. Como um lutador que está prestes a entrar no grande pátio, ele lançou suas mãos em direção ao Templo de Cuxe.
  22. Como um atleta curvado para iniciar uma competição, ele tratou a giguna como se ela valesse apenas trinta shekels.
  23. Como um ladrão que saqueia a cidade, ele colocou escadas altas contra o templo. Ele demoliu o Templo de Cuxe como se fosse um grande navio.
  24. Quebrou seu solo como nas montanhas de extração de metais. Estilhaçou-o como uma montanha de lápis-lazúli. Prostrou como uma cidade inundada por TEMPESTADE.
  25. Embora o templo não fosse uma montanha onde cedros são derrubados, ele mandou moldar grandes machados.
  26. Ele tinha machados agasilig de dois gumes afiados para serem usados contra ele. Ele colocou pás contra suas raízes e afundou tão baixo quanto a fundação da Terra.
  27. Ele colocou machados contra seu topo. O templo, como um soldado morto, curvou seu pescoço diante dele e todas as terras estrangeiras curvaram seus pescoços diante dele.
  28. Ele arrancou seus canos de drenagem, e toda a chuva voltou para os céus. Ele arrancou seu lintel superior e a Terra foi privada de seus ornamentos.
  29. De sua “Porta da qual os grãos nunca são desviados”, ele desviou os grãos, e a Terra foi privada de grãos.
  30. Ele atingiu o “Portão do Bem-Estar” com a picareta, e o bem-estar foi subvertido em todas as terras estrangeiras.
  31. Como grandes terrenos com muita água cheia de carpa, ele lançou grandes pás para serem usadas contra o Templo de Cuxe.
  32. As pessoas puderam ver o quarto de dormir, seu quarto que não conhece a luz do dia. Os acadianos podiam olhar para o baú do tesouro sagrado dos deuses.
  33. Mesmo sem cometer nenhum sacrilégio, as estátuas lahmu nos pilares do templo foram jogados no fogo por Naram-Sin.
  34. O cedro, o cipreste, o zimbro e o buxo, as madeiras da seu Templo de Cuxe, foram destruídas por ele.
  35. Ele colocou o ouro em recipientes e a prata em bolsas de couro. Ele encheu as docas com seu cobre, como se fosse um grande transporte de grãos.
  36. Os ourives reformavam sua prata. Os joalheiros reformavam suas pedras preciosas. Os ferreiros reformavam seu cobre.
  37. Grandes navios foram atracados no templo do SENHOR e seus pertences foram tirados da cidade, embora não fossem bens de uma cidade saqueada.
  38. Com os bens sendo retirados da cidade, o bom senso deixou Acádia. À medida que os navios se afastavam das docas, a inteligência de Acádia foi removida.
  39. O SENHOR, a tempestade violenta, que subjuga toda a terra, o dilúvio crescente que não pode ser enfrentado.
  40. Ele estava considerando o que deveria ser destruído em troca da destruição de seu amado Templo de Cuxe.
  41. Ele ergueu o olhar para as montanhas Gubin, e fez descer todos os habitantes das grandes cordilheiras.
  42. O SENHOR tirou das montanhas aquelas pessoas diferentes, que não são considerados como parte da Terra.
  43. Os Gutianos, um povo desenfreado, com inteligência humana, mas instintos caninos e feições de macaco, como pequenos pássaros, voaram para o solo em grandes bandos.
  44. Por causa do SENHOR, eles estenderam os braços pela planície como uma rede para os animais.
  45. Nada escapou de suas garras, ninguém escapou de suas garras.
  46. Os mensageiros não viajavam mais pelas estradas. O barco do correio não passava mais ao longo dos rios.

Capítulo 20 – Lamentos

  1. Os Gutianos expulsaram as cabras de confiança dos rebanhos do SENHOR e obrigaram seus pastores a segui-las. Expulsaram as vacas de seus currais e obrigaram seus vaqueiros a segui-las.
  2. Os prisioneiros comandavam o relógio. Os assaltantes ocuparam as rodovias. As portas dos portões da cidade da Terra estavam desalojadas na lama.
  3. Todas as terras estrangeiras proferiram gritos amargos das muralhas de suas cidades. Eles estabeleceram jardins para si próprios dentro das cidades, e não como de costume na vasta planície lá fora.
  4. Como antes da da fundação e construção das cidades, as grandes áreas aráveis não produzi am grãos. As áreas inundadas não produziam peixes, os pomares irrigados não produziam xarope ou vinho,
  5. As nuvens espessas não mais choveram, e a planta macgurum não cresceu.
  6. Naqueles dias, o óleo por um siclo era apenas meio litro. O grão por um siclo era apenas meio litro.
  7. A lã por um siclo era apenas uma mina. O peixe por um siclo preenchia apenas uma medida de proibição.
  8. Estes eram vendidos a tal preços nos mercados das cidades!
  9. Aqueles que deitaram no telhado morreram no telhado. Os que se deitaram em casa não foram sepultados. As pessoas estavam se debatendo de fome.
  10. Perto do Templo de Cuxe, o grande lugar do SENHOR, os cães se agruparam nas ruas silenciosas.
  11. Se dois homens andassem ali, seriam devorados por eles. Se três homens andassem ali, seriam devorados por eles.
  12. Narizes foram perfurados, cabeças foram esmagadas. Narizes foram empilhados, cabeças foram semeadas como sementes.
  13. Pessoas honestas foram confundidas com traidores. Heróis jaziam mortos em cima de heróis. O sangue dos traidores corria sobre o sangue dos homens honestos.
  14. Naquela época, o SENHOR reconstruiu seus grandes santuários em pequenos santuários de junco; e de leste para oeste ele reduziu seus depósitos.
  15. As velhas que sobreviveram àqueles dias, os velhos que sobreviveram àqueles dias, o principal cantor de lamentações que sobreviveu àqueles anos, montou sete tambores de balaj.
  16. Como no horizonte, junto com os tambores, fez ressoar para o SENHOR como o TROVÃO por sete dias e sete noites.
  17. As velhas não contiveram o grito “Ai da minha cidade!”.
  18. Os velhos não contiveram o grito “Ai de seu povo!”.
  19. O cantor de lamentações não conteve o grito “Ai do Templo de Cuxe!”.
  20. Suas jovens não se contiveram de arrancar os cabelos. Seus jovens não se abstiveram de afiar as facas. Seus lamentos eram como se os ancestrais do SENHOR estivessem lamentando.
  21. Assim, o faziam no impressionante Monte Sagrado perto dos joelhos sagrados do SENHOR. Por causa disso, SENHOR entrou em seu quarto sagrado e deitou-se em jejum.
  22. Naquela época, CONHECIMENTO, PODER, JUSTIÇA, GUERRA, TROVÃO, SOL, ARTE e EDUCAÇÃO, os grandes SOPROS DIVINOS, resfriaram o coração do SENHOR com água fria.
  23. Eles oraram a ele: “SENHOR, que esta cidade que destruiu sua morada seja tratada como sua morada foi tratada!”
  24. “Que aquele que contaminou seu Templo de Cuxe seja tratado como Nippur! Nesta cidade, que cabeças encham os poços!”
  25. “Que ninguém encontre seus conhecidos lá, que irmão não reconheça irmão! Que sua jovem seja assassinado cruelmente nos domínios de sua mulher!”
  26. “Que seu velho chore de angústia por sua esposa assassinada! Que seus pombos gemam nos peitoris de suas janelas!”
  27. “Que seus pequenos pássaros sejam feridos em seus cantos! Que viva em constante ansiedade como um pombo tímido!”
  28. Mais uma vez, CONHECIMENTO, PODER, JUSTIÇA, GUERRA, TROVÃO, SOL, ARTE e EDUCAÇÃO, todos os SOPROS DIVINOS que fossem, voltaram sua atenção para a cidade.
  29. Eles amaldiçoaram Acádia severamente: “Cidade, você atacou o Templo de Cuxe! É como se você tivesse se lançado sobre o SENHOR!”
  30. “Acádia, você se lançou contra o Templo de Cuxe: é como se você tivesse se lançado sobre o SENHOR!”
  31. Se alguém decidir: “Vou morar nesta cidade!”, que não goze dos prazeres de seu lugar de descanso!”Se alguém decidir: “Vou descansar em Acádia!”, Que não goze dos prazeres de seu lugar de descanso!”
  32. Antes, o sol naquele mesmo dia, assim foi!
  33. Em seus caminhos às margens do canal do canal de embarcação, a grama cresceu longa.
  34. Em suas estradas preparadas para carroças, crescia a grama da lamentação.
  35. Além disso, onde percorriam as embarcações, nas margens do canal construídos em areia, os carneiros selvagens e cobras alertas das montanhas não permitiam a passagem de ninguém.
  36. Em suas planícies, onde crescia grama fina, agora cresciam os juncos de lamentação. O fluxo de água doce de Acádia fluiu como água salobra.
  37. Quando alguém decidir: “Vou morar naquela cidade!”, não poderá desfrutar dos prazeres de uma habitação.
  38. Quando alguém decidir: “Vou descansar em Acádia!”, não conseguirá desfrutar dos prazeres de um lugar de descanso!
  39. A JUSTIÇA seja louvada pela destruição de Acádia!

Capítulo 21 – Abraão

  1. Este é o registro da descendência de Sem: Dois anos depois do Dilúvio, aos 100 anos de idade, Sem gerou Arfaxade.
  2. E depois de ter gerado Arfaxade, Sem viveu 500 anos e gerou outros filhos e filhas.
    Aos 35 anos, Arfaxade gerou Salá.
  3. Depois que gerou Salá, Arfaxade viveu 403 anos e gerou outros filhos e filhas. Aos 30 anos, Salá gerou Héber.
  4. Depois que gerou Héber, Salá viveu 403 anos e gerou outros filhos e filhas. Aos 34 anos, Héber gerou Pelegue.
  5. Depois que gerou Pelegue, Héber viveu 430 anos e gerou outros filhos e filhas. Aos 30 anos, Pelegue gerou Reú.
  6. Depois que gerou Reú, Pelegue viveu 209 anos e gerou outros filhos e filhas. Aos 32 anos, Reú gerou Serugue.
  7. Depois que gerou Serugue, Reú viveu 207 anos e gerou outros filhos e filhas. Aos 30 anos, Serugue gerou Naor.
  8. Depois que gerou Naor, Serugue viveu 200 anos e gerou outros filhos e filhas. Aos 29 anos, Naor gerou Terá.
  9. Depois que gerou Terá, Naor viveu 119 anos e gerou outros filhos e filhas. Aos 70 anos, Terá havia gerado Abrão, Naor e Harã.
  10. Esta é a história da família de Terá.: Terá gerou Abrão, Naor e Harã. Harã gerou Ló. Harã e morreu em Urkesh, sua terra natal, quando ainda vivia Terá, seu pai.
  11. Terá tomou seu filho Abrão, seu neto Ló, filho de Harã, e sua nora Sarai, esposa de Abrão, e juntos partiram de Urkesh para Canaã. Mas, ao chegarem a Harã, estabeleceram-se ali.
  12. Então o SENHOR disse a Abrão: “Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai Terá, e vá para a terra que eu lhe mostrarei.”
  13. “Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção.”
  14. “Abençoarei os que o abençoarem, e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados”.
  15. Abrão atravessou a terra até o lugar do Carvalho de Moré, em Siquém. Naquela época os cananeus habitavam essa terra.
  16. O SENHOR apareceu a Abrão e disse: “À sua descendência darei esta terra”. Abrão construiu ali um altar dedicado ao SENHOR, que lhe havia aparecido.
  17. Dali prosseguiu em direção às colinas a leste de Betel, onde armou acampamento, tendo Betel a oeste e Ai a leste. Construiu ali um altar dedicado ao SENHOR e invocou o nome do SENHOR.
  18. Depois Abrão partiu e prosseguiu em direção ao Neguebe.
  19. Houve fome naquela terra, e Abrão desceu ao Egito para ali viver algum tempo, pois a fome era rigorosa.
  20. Quando estava chegando ao Egito, disse a Sarai, sua mulher: “Bem sei que você é bonita.
  21. Quando os egípcios a virem, dirão: ‘Esta é a mulher dele’. E me matarão, mas deixarão você viva.
  22. Diga que é minha irmã, para que me tratem bem por amor a você e minha vida seja poupada por sua causa”.
  23. Quando Abrão chegou ao Egito, viram os egípcios que Sarai era uma mulher muito bonita.
  24. Vendo-a, os homens da corte do faraó a elogiaram diante do faraó, e ela foi levada ao seu palácio.
  25. Ele tratou bem a Abrão por causa dela, e Abrão recebeu ovelhas e bois, jumentos e jumentas, servos e servas, e camelos.
  26. Mas o SENHOR puniu o faraó e sua corte com graves doenças, por causa de Sarai, mulher de Abrão.
  27. Por isso o faraó mandou chamar Abrão e disse: “O que você fez comigo? Por que não me falou que ela era sua mulher?
  28. Por que disse que ela era sua irmã? Foi por isso que eu a tomei para ser minha mulher. Aí está a sua mulher. Tome-a e vá!”
  29. A seguir o faraó deu ordens para que providenciassem o necessário para que Abrão partisse, com sua mulher e com tudo o que possuía.
  30. Ele partiu do Neguebe em direção a Betel, indo de um lugar a outro, até que chegou ao lugar entre Betel e Ai onde já havia armado acampamento anteriormente;
  31. E onde, pela primeira vez, tinha construído um altar. Ali Abrão invocou o nome do SENHOR.
  32. Abrão ficou na terra de Canaã, mas Ló mudou seu acampamento para um lugar próximo a Sodoma, entre as cidades do vale.
  33. Percorra esta terra de alto a baixo, de um lado a outro, porque eu a darei a você”.
  34. Então Abrão mudou seu acampamento e passou a viver próximo aos carvalhos de Manre, em Hebrom, onde construiu um altar dedicado ao SENHOR.
  35. Naquela época Anrafel, rei de Sinear, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goim, foram à guerra contra Bera, rei de Sodoma, contra Birsa, rei de Gomorra, contra Sinabe, rei de Admá, contra Semeber, rei de Zeboim, e contra o rei de Belá, que é Zoar.
  36. Os vencedores saquearam todos os bens de Sodoma e de Gomorra e todo o seu mantimento, e partiram.
  37. Levaram também Ló, sobrinho de Abrão, e os bens que ele possuía, visto que morava em Sodoma.
  38. Mas alguém que tinha escapado veio e relatou tudo a Abrão, o hebreu. Abrão vivia próximo aos carvalhos de Manre, o amorreu, irmão de Escol e de Aner, aliados de Abrão.
  39. Quando Abrão ouviu que seu parente fora levado prisioneiro, mandou convocar os trezentos e dezoito homens treinados, nascidos em sua casa, e saiu em perseguição aos inimigos até Dã.
  40. Atacou-os durante a noite em grupos, e assim os derrotou, perseguindo-os até Hobá, ao norte de Damasco.
  41. Recuperou todos os bens e trouxe de volta seu parente Ló com tudo o que possuía, juntamente com as mulheres e o restante dos prisioneiros.
  42. Voltando Abrão da vitória sobre Quedorlaomer e sobre os reis que a ele se haviam aliado, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Savé, isto é, o vale do Rei.
  43. Então Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, trouxe pão e vinho e abençoou Abrão, dizendo: “Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra.
  44. E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou seus inimigos em suas mãos”. E Abrão lhe deu o dízimo de tudo.
  45. O rei de Sodoma disse a Abrão: “Dê-me as pessoas e pode ficar com os bens”.
  46. Mas Abrão respondeu ao rei de Sodoma: “De mãos levantadas ao SENHOR, Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra, juro
  47. que não aceitarei nada do que lhe pertence, nem mesmo um cordão ou uma correia de sandália, para que você jamais venha a dizer: Eu enriqueci Abrão.
  48. Nada aceitarei, a não ser o que os meus servos comeram e a porção pertencente a Aner, Escol e Manre, os quais me acompanharam. Que eles recebam a sua porção”.
  49. Depois dessas coisas o SENHOR falou a Abrão numa visão. Mas Abrão perguntou: “Ó Soberano SENHOR, que me darás, se continuo sem filhos e o herdeiro do que possuo é Eliézer de Damasco?”
  50. E acrescentou: “Tu não me deste filho algum! Um servo da minha casa será o meu herdeiro!”
  51. Abrão creu no SENHOR, e isso lhe foi creditado como justiça. Ele trouxe animais, cortou-os ao meio e colocou cada metade em frente à outra; as aves, porém, ele não cortou.
  52. Nisso, aves de rapina começaram a descer sobre os cadáveres, mas Abrão as enxotava.
  53. Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dera nenhum filho. Como tinha uma serva egípcia, chamada Hagar, disse a Abrão: “Já que o SENHOR me impediu de ter filhos, possua a minha serva; talvez eu possa formar família por meio dela”. Abrão atendeu à proposta de Sarai.
  54. Quando isso aconteceu já fazia dez anos que Abrão, seu marido, vivia em Canaã. Foi nessa ocasião que Sarai, sua mulher, entregou sua serva egípcia Hagar a Abrão.
  55. Ele possuiu Hagar, e ela engravidou. Quando se viu grávida, começou a olhar com desprezo para a sua senhora.
  56. Então Sarai disse a Abrão: “Caia sobre você a afronta que venho sofrendo. Coloquei minha serva em seus braços, e agora que ela sabe que engravidou, despreza-me. Que o SENHOR seja o juiz entre mim e você”.
  57. Respondeu Abrão a Sarai: “Sua serva está em suas mãos. Faça com ela o que achar melhor”.
  58. Hagar teve um filho de Abrão, e este lhe deu o nome de Ismael.
  59. Abrão estava com oitenta e seis anos de idade quando Hagar lhe deu Ismael.
  60. E Abraão disse a Deus: “Permite que Ismael seja o meu herdeiro!”
  61. Quando terminou de falar com Abraão, Deus subiu e retirou-se da presença dele.
  62. Naquele mesmo dia Abraão tomou seu filho Ismael, todos os nascidos em sua casa e os que foram comprados, todos os do sexo masculino de sua casa, e os circuncidou, como Deus lhe ordenara.
  63. Abraão tinha noventa e nove anos quando foi circuncidado, e seu filho Ismael tinha treze;
  64. Abraão e seu filho Ismael foram circuncidados naquele mesmo dia.
  65. E com ele foram circuncidados todos os de sua casa, tanto os nascidos em casa como os comprados de estrangeiros.

Capítulo 22 – Sodoma e Gomorra

  1. O SENHOR apareceu a Abraão perto dos carvalhos de Manre, quando ele estava sentado à entrada de sua tenda, na hora mais quente do dia.
  2. Abraão ergueu os olhos e viu três homens em pé, a pouca distância. Quando os viu, saiu da entrada de sua tenda, correu ao encontro deles e curvou-se até ao chão.
  3. Disse ele: “Meu senhor, se mereço o seu favor, não passe pelo seu servo sem fazer uma parada.
  4. Mandarei buscar um pouco d’água para que lavem os pés e descansem debaixo desta árvore.
  5. Vou trazer-lhes também o que comer, para que recobrem forças e prossigam pelo caminho, agora que já chegaram até este seu servo”.”Está bem; faça como está dizendo”, responderam.
  6. Abraão foi apressadamente à tenda e disse a Sara: “Depressa, pegue três medidas da melhor farinha, amasse-a e faça uns pães”.
  7. Depois correu ao rebanho e escolheu o melhor novilho, e o deu a um servo, que se apressou em prepará-lo.
  8. Trouxe então coalhada, leite e o novilho que havia sido preparado, e os serviu. Enquanto comiam, ele ficou perto deles em pé, debaixo da árvore.
  9. “Onde está Sara, sua mulher?“, perguntaram.”Ali na tenda”, respondeu ele.
  10. Então disse o SENHOR: “Voltarei a você na primavera, e Sara, sua mulher, terá um filho”. Sara escutava à entrada da tenda, atrás dele.
  11. Abraão e Sara já eram velhos, de idade bem avançada, e Sara já tinha passado da idade de ter filhos.
  12. Por isso riu consigo mesma, quando pensou: “Depois de já estar velha e meu senhor já idoso, ainda terei esse prazer?”
  13. Mas o SENHOR disse a Abraão: “Por que Sara riu e disse: ‘Poderei realmente dar à luz, agora que sou idosa? ’
  14. Existe alguma coisa impossível para o SENHOR? Na primavera voltarei a você, e Sara terá um filho”.
  15. Sara teve medo, e por isso mentiu: “Eu não ri”. Mas ele disse: “Não negue, você riu”.
  16. Quando os homens se levantaram para partir, avistaram lá embaixo Sodoma; e Abraão os acompanhou para despedir-se.
  17. Então o SENHOR disse: “Esconderei de Abraão o que estou para fazer?
  18. Abraão será o pai de uma nação grande e poderosa, e por meio dele todas as nações da terra serão abençoadas.
  19. Pois eu o escolhi, para que ordene aos seus filhos e aos seus descendentes que se conservem no caminho do SENHOR, fazendo o que é justo e direito, para que o SENHOR faça vir a Abraão o que lhe havia prometido”.
  20. Disse-lhe, pois, o SENHOR: “As acusações contra Sodoma e Gomorra são tantas e o seu pecado é tão grave
    que descerei para ver se o que eles têm feito corresponde ao que tenho ouvido. Se não, eu saberei”.
  21. Os homens partiram dali e foram para Sodoma, mas Abraão permaneceu diante do SENHOR.
  22. Abraão aproximou-se dele e disse: “Exterminarás o justo com o ímpio?
  23. E se houver cinqüenta justos na cidade? Ainda a destruirás e não pouparás o lugar por amor aos cinqüenta justos que nele estão?
  24. Longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Longe de ti! Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra?”
  25. Respondeu o SENHOR: “Se eu encontrar cinqüenta justos em Sodoma, pouparei a cidade toda por amor a eles”.
  26. Mas Abraão tornou a falar: “Sei que já fui muito ousado a ponto de falar ao SENHOR, eu que não passo de pó e cinza.
  27. Ainda assim pergunto: E se faltarem cinco para completar os cinqüenta justos? Destruirás a cidade por causa dos cinco?” Disse ele: “Se encontrar ali quarenta e cinco, não a destruirei”.
  28. “E se encontrares apenas quarenta?”, insistiu Abraão. Ele respondeu: “Por amor aos quarenta não a destruirei”.
  29. Então continuou ele: “Não te ires, SENHOR, mas permite-me falar. E se apenas trinta forem encontrados ali?” Ele respondeu: “Se encontrar trinta, não a destruirei”.
  30. Prosseguiu Abraão: “Agora que já fui tão ousado falando ao SENHOR, pergunto: E se apenas vinte forem encontrados ali?” Ele respondeu: “Por amor aos vinte não a destruirei”.
  31. Então Abraão disse ainda: “Não te ires, SENHOR, mas permite-me falar só mais uma vez. E se apenas dez forem encontrados?” Ele respondeu: “Por amor aos dez não a destruirei”.
  32. Tendo acabado de falar com Abraão, o SENHOR partiu, e Abraão voltou para casa.
  33. Os dois anjos chegaram a Sodoma ao anoitecer, e  estava sentado à porta da cidade. Quando os avistou, levantou-se e foi recebê-los.
  34. Prostrou-se, rosto em terra, e disse: “Meus senhores, por favor, acompanhem-me à casa do seu servo. Lá poderão lavar os pés, passar a noite e, pela manhã, seguir caminho. Não, passaremos a noite na praça”, responderam.
  35. Mas ele insistiu tanto com eles que, finalmente, o acompanharam e entraram em sua casa. Ló mandou preparar-lhes uma refeição e assar pão sem fermento, e eles comeram.
  36. Ainda não tinham ido deitar-se, quando todos os homens de toda parte da cidade de Sodoma, dos mais jovens aos mais velhos, cercaram a casa.
  37. Chamaram Ló e lhe disseram: “Onde estão os homens que vieram à sua casa esta noite? Traga-os para nós aqui fora para que tenhamos relações com eles”.
  38. Ló saiu da casa, fechou a porta atrás de si e lhes disse: “Não, meus amigos! Não façam essa perversidade!
  39. Olhem, tenho duas filhas que ainda são virgens. Vou trazê-las para que vocês façam com elas o que bem entenderem. Mas não façam nada a estes homens, porque se acham debaixo da proteção do meu teto”.
  40. “Saia da frente!”, gritaram. E disseram: “Este homem chegou aqui como estrangeiro, e agora quer ser o juiz! Faremos a você pior do que a eles”. Então empurraram Ló com violência e avançaram para arrombar a porta.
  41. Nisso, os dois visitantes agarraram Ló, puxaram-no para dentro e fecharam a porta.
  42. Depois feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, dos mais jovens aos mais velhos, de maneira que não conseguiam encontrar a porta.
  43. Os dois homens perguntaram a Ló: “Você tem mais alguém na cidade — genros, filhos ou filhas, ou qualquer outro parente? Tire-os daqui,
  44. Porque estamos para destruir este lugar. As acusações feitas ao SENHOR contra este povo são tantas que ele nos enviou para destruir a cidade”.
  45. Então Ló foi falar com seus genros, os quais iam casar-se com suas filhas, e lhes disse: “Saiam imediatamente deste lugar, porque o SENHOR está para destruir a cidade!” Mas eles pensaram que ele estava brincando.
  46. Ao raiar do dia, os anjos insistiam com Ló, dizendo: “Depressa! Leve daqui sua mulher e suas duas filhas, ou vocês também serão mortos quando a cidade for castigada”.
  47. Tendo ele hesitado, os homens o agarraram pela mão, como também a mulher e as duas filhas, e os tiraram dali à força e os deixaram fora da cidade, porque o SENHOR teve misericórdia deles.
  48. Assim que os tiraram da cidade, um deles disse a Ló: “Fuja por amor à vida! Não olhe para trás e não pare em lugar nenhum da planície! Fuja para as montanhas, ou você será morto!”
  49. Ló, porém, lhes disse: “Não, meu senhor!
  50. Seu servo foi favorecido por sua benevolência, pois o senhor foi bondoso comigo, poupando-me a vida. Não posso fugir para as montanhas, se não esta calamidade cairá sobre mim, e morrerei.
  51. Aqui perto há uma cidade pequena. Está tão próxima que dá para correr até lá. Deixe-me ir para lá! Mesmo sendo tão pequena, lá estarei a salvo”.
  52. “Está bem”, respondeu ele.”Também lhe atenderei esse pedido; não destruirei a cidade da qual você fala.
  53. Fuja depressa, porque nada poderei fazer enquanto você não chegar lá”. Por isso a cidade foi chamada Zoar.
  54. Quando Ló chegou a Zoar, o sol já havia nascido sobre a terra.
  55. Então o SENHOR, o próprio SENHOR, fez chover do céu fogo e enxofre sobre Sodoma e Gomorra.
  56. Assim ele destruiu aquelas cidades e toda a planície, com todos os habitantes das cidades e a vegetação.
  57. Mas a mulher de Ló olhou para trás e se transformou numa coluna de sal.
  58. Na manhã seguinte, Abraão se levantou e voltou ao lugar onde tinha estado diante do SENHOR.
  59. E olhou para Sodoma e Gomorra, para toda a planície, e viu uma densa fumaça subindo da terra, como fumaça de uma fornalha.
  60. Quando Deus arrasou as cidades da planície, lembrou-se de Abraão e tirou Ló do meio da catástrofe que destruiu as cidades onde Ló vivia.
  61. Ló partiu de Zoar com suas duas filhas e passou a viver nas montanhas, porque tinha medo de permanecer em Zoar. Ele e suas duas filhas ficaram morando numa caverna.
  62. Um dia, a filha mais velha disse à mais jovem: “Nosso pai já está velho, e não há homens nas redondezas que nos possuam, segundo o costume de toda a terra.
  63. Vamos dar vinho a nosso pai e então nos deitaremos com ele para preservar a linhagem de nosso pai”.
  64. Naquela noite deram vinho ao pai, e a filha mais velha entrou e se deitou com ele. E ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou.
  65. No dia seguinte a filha mais velha disse à mais nova: “Ontem à noite deitei-me com meu pai. Vamos dar-lhe vinho também esta noite, e você se deitará com ele, para que preservemos a linhagem de nosso pai”.
  66. Então, outra vez deram vinho ao pai naquela noite, e a mais nova foi e se deitou com ele. E ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou.
  67. Assim, as duas filhas de Ló engravidaram do próprio pai.
  68. A mais velha teve um filho, e deu-lhe o nome de Moabe; este é o pai dos moabitas de hoje.
  69. A mais nova também teve um filho, e deu-lhe o nome de Ben-Ami; este é o pai dos amonitas de hoje.

Capítulo 23 – Isaque

  1. O SENHOR foi bondoso com Sara, como lhe dissera, e fez por ela o que prometera.
  2. Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice, na época fixada por Deus em sua promessa.
  3. Abraão deu o nome de Isaque ao filho que Sara lhe dera.
  4. Quando seu filho Isaque tinha oito dias de vida, Abraão o circuncidou, conforme Deus lhe havia ordenado.
  5. Estava ele com cem anos de idade quando lhe nasceu Isaque, seu filho.
  6. E Sara disse: “Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo”.
  7. E acrescentou: “Quem diria a Abraão que Sara amamentaria filhos? Contudo eu lhe dei um filho em sua velhice!”
  8. O menino cresceu e foi desmamado. No dia em que Isaque foi desmamado, Abraão deu uma grande festa.
  9. Sara, porém, viu que o filho que Hagar, a egípcia, dera a Abraão estava rindo de Isaque,
  10. e disse a Abraão: “Livre-se daquela escrava e do seu filho, porque ele jamais será herdeiro com o meu filho Isaque”.
  11. Isso perturbou demais Abraão, pois envolvia um filho seu.
  12. Na manhã seguinte, Abraão pegou alguns pães e uma vasilha de couro cheia d’água, entregou-os a Hagar e, tendo-os colocado nos ombros dela, despediu-a com o menino.
  13. Ela se pôs a caminho e ficou vagando pelo deserto de Berseba.
  14. Quando acabou a água da vasilha, ela deixou o menino debaixo de um arbusto.
  15. Ela foi sentar-se perto dali, à distância de um tiro de flecha, porque pensou: “Não posso ver o menino morrer”. Sentada ali perto, começou a chorar.
  16. Deus ouviu o choro do menino. Então Deus abriu os olhos dela, e ela viu uma fonte. Foi até lá, encheu de água a vasilha e deu de beber ao menino.
  17. Deus estava com o menino. Ele cresceu, viveu no deserto e tornou-se flecheiro.
  18. Ele viveu no deserto de Parã, e sua mãe lhe conseguiu uma mulher da terra do Egito.
  19. Naquela ocasião, Abimeleque, acompanhado de Ficol, comandante do seu exército, disse a Abraão: “Deus está contigo em tudo o que fazes.
  20. Agora, jura-me, diante de Deus, que não vais enganar-me, nem a mim nem a meus filhos e descendentes. Trata a nação que te acolheu como estrangeiro com a mesma bondade com que te tratei”.
  21. Respondeu Abraão: “Eu juro!”
  22. Todavia Abraão reclamou com Abimeleque a respeito de um poço que os servos de Abimeleque lhe tinham tomado à força.
  23. Mas Abimeleque lhe respondeu: “Não sei quem fez isso. Nunca me disseste nada, e só fiquei sabendo disso hoje”.
  24. Então Abraão trouxe ovelhas e bois, deu-os a Abimeleque, e os dois firmaram um acordo.
  25. Abraão separou sete ovelhas do rebanho, pelo que Abimeleque lhe perguntou: “Que significam estas sete ovelhas que separaste das demais?“
  26. Ele respondeu: “Aceita estas sete ovelhas de minhas mãos como testemunho de que eu cavei este poço”.
  27. Por isso aquele lugar foi chamado Berseba, porque ali os dois fizeram um juramento.
  28. Firmado esse acordo em Berseba, Abimeleque e Ficol, comandante das suas tropas, voltaram para a terra dos filisteus.
  29. Abraão, por sua vez, plantou uma tamargueira em Berseba e ali invocou o nome do SENHOR, o Deus Eterno.
  30. E morou Abraão na terra dos filisteus por longo tempo.
  31. Passado algum tempo, Deus pôs Abraão à prova, dizendo-lhe: “Abraão!” Ele respondeu: “Eis-me aqui”.
  32. Então disse Deus para tomar seu filho, seu único filho, Isaque, a quem ele amava, e ir para a região de Moriá sacrificá-lo ali como holocausto num dos montes que lhe indicou.
  33. Na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento. Levou consigo dois de seus servos e Isaque seu filho.
  34. Depois de cortar lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicado.
  35. No terceiro dia de viagem, Abraão olhou e viu o lugar ao longe.
  36. Disse ele a seus servos: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorarmos, voltaremos”.
  37. Abraão pegou a lenha para o holocausto e a colocou nos ombros de seu filho Isaque, e ele mesmo levou as brasas para o fogo, e a faca.
  38. E caminhando os dois juntos, Isaque disse a seu pai Abraão: “Meu pai!” “Sim, meu filho”, respondeu Abraão. Isaque perguntou: “As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto?”
  39. Respondeu Abraão: “Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho”. E os dois continuaram a caminhar juntos.
  40. Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha. Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.
  41. Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho, as o Anjo do SENHOR o chamou do céu.
  42. “Não toque no rapaz”, disse o Anjo.”Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho.”
  43. Abraão ergueu os olhos e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto. Foi lá, pegou-o e sacrificou-o como holocausto em lugar de seu filho.
  44. Abraão deu àquele lugar o nome de “O SENHOR proverá”. Por isso até hoje se diz: “No monte do SENHOR se proverá”.
  45. Pela segunda vez o Anjo do SENHOR chamou do céu a Abraão e disse: “Juro por mim mesmo”, declara o SENHOR, “que por ter feito o que fez, não me negando seu filho, o seu único filho, esteja certo de que o abençoarei e farei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar.
  46. Sua descendência conquistará as cidades dos que lhe forem inimigos e, por meio dela, todos povos da terra serão abençoados, porque você me obedeceu”.
  47. Então voltou Abraão a seus servos, e juntos partiram para Berseba, onde passou a viver.

Capítulo 24 – Rebeca

  1. Sara viveu cento e vinte e sete anos e morreu em Quiriate-Arba, que é Hebrom, em Canaã; e Abraão foi lamentar e chorar por ela.
  2. Depois Abraão deixou ali o corpo de sua mulher e foi falar com os hititas:
  3. “Sou apenas um estrangeiro entre vocês. Cedam-me alguma propriedade para sepultura, para que eu tenha onde enterrar a minha mulher”.
  4. Responderam os hititas a Abraão:
  5. “Ouça-nos, senhor; o senhor é um príncipe de Deus em nosso meio. Enterre a sua mulher numa de nossas sepulturas, na que lhe parecer melhor. Nenhum de nós recusará ceder-lhe sua sepultura para que enterre a sua mulher”.
  6. Abraão levantou-se, curvou-se perante o povo daquela terra, os hititas, e disse-lhes: “Já que vocês me dão permissão para sepultar minha mulher, peço que intercedam por mim junto a Efrom, filho de Zoar,
  7. a fim de que ele me ceda a caverna de Macpela, que lhe pertence e se encontra na divisa do seu campo. Peçam-lhe que a ceda a mim pelo preço justo, para que eu tenha uma propriedade para sepultura entre vocês”.
  8. Efrom, o hitita, estava sentado no meio do seu povo e respondeu a Abraão, sendo ouvido por todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade:
  9. “Não, meu senhor. Ouça-me, eu lhe cedo o campo e também a caverna que nele está. Cedo-os na presença do meu povo. Sepulte a sua mulher”.
  10. Novamente Abraão curvou-se perante o povo daquela terra e disse a Efrom, sendo ouvido por todos: “Ouça-me, por favor. Pagarei o preço do campo. Aceite-o, para que eu possa sepultar a minha mulher”.
  11. Efrom respondeu a Abraão: “Ouça-me, meu senhor: aquele pedaço de terra vale quatrocentas peças de prata, mas o que significa isso entre mim e você? Sepulte a sua mulher”.
  12. Abraão concordou com Efrom e pesou-lhe o valor por ele estipulado diante dos hititas: quatrocentas peças de prata, de acordo com o peso corrente entre os mercadores.
  13. Assim o campo de Efrom em Macpela, perto de Manre, o próprio campo com a caverna que nele há e todas as árvores dentro das divisas do campo, foi transferido a Abraão como sua propriedade diante de todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade.
  14. Depois disso, Abraão sepultou sua mulher Sara na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, que se encontra em Hebrom, na terra de Canaã.
  15. Assim o campo e a caverna que nele há foram transferidos a Abraão pelos hititas como propriedade para sepultura.
  16. Abraão já era velho, de idade bem avançada, e o SENHOR em tudo o abençoara.
  17. Disse ele ao servo mais velho de sua casa, que era o responsável por tudo quanto tinha: “Ponha a mão debaixo da minha coxa
  18. e jure pelo SENHOR, o Deus dos céus e o Deus da terra, que não buscará mulher para meu filho entre as filhas dos cananeus, no meio dos quais estou vivendo,
  19. mas irá à minha terra e buscará entre os meus parentes uma mulher para meu filho Isaque”.
  20. O servo lhe perguntou: “E se a mulher não quiser vir comigo a esta terra? Devo então levar teu filho de volta à terra de onde vieste?”
  21. “Se a mulher não quiser vir, você estará livre do juramento. Mas não leve o meu filho de volta para lá”.
  22. Então o servo pôs a mão debaixo da coxa de Abraão, seu senhor, e jurou cumprir aquela palavra.
  23. O servo partiu, com dez camelos do seu senhor, levando também do que o seu senhor tinha de melhor.
  24. Partiu para a Mesopotâmia, em direção à cidade onde Naor tinha morado.
  25. Ao cair da tarde, quando as mulheres costumam sair para buscar água, ele fez os camelos se ajoelharem junto ao poço que ficava fora da cidade.
  26. Então orou: “SENHOR, Deus do meu senhor Abraão, dá-me neste dia bom êxito e seja bondoso com o meu senhor Abraão.”
  27. Antes que ele terminasse de orar, surgiu Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, trazendo no ombro o seu cântaro.
  28. A jovem era muito bonita e virgem; nenhum homem tivera relações com ela. Rebeca desceu à fonte, encheu seu cântaro e voltou.
  29. O servo apressou-se ao encontro dela e disse: “Por favor, dê-me um pouco de água do seu cântaro”.
  30. “Beba, meu senhor”, disse ela, e tirou rapidamente dos ombros o cântaro e o serviu.
  31. Depois que lhe deu de beber, disse: “Tirarei água também para os seus camelos até saciá-los”.
  32. Assim ela esvaziou depressa seu cântaro no bebedouro e correu de volta ao poço para tirar mais água para todos os camelos.
  33. Sem dizer nada, o homem a observava atentamente para saber se o SENHOR tinha ou não coroado de êxito a sua missão.
  34. Quando os camelos acabaram de beber, o homem deu à jovem um pendente de ouro de seis gramas e duas pulseiras de ouro de cento e vinte gramas.
  35. E perguntou: “De quem você é filha? Diga-me, por favor, se há lugar na casa de seu pai para eu e meus companheiros passarmos a noite”.
  36. “Sou filha de Betuel, o filho que Milca deu a Naor”, respondeu ela; e acrescentou: “Temos bastante palha e forragem, e também temos lugar para vocês passarem a noite”.
  37. Então o homem curvou-se em adoração ao SENHOR, dizendo: “Bendito seja o SENHOR, o Deus do meu senhor Abraão, que não retirou sua bondade e sua fidelidade do meu senhor.”
  38. “Quanto a mim, o SENHOR me conduziu na jornada até a casa dos parentes do meu senhor”.
  39. A jovem correu para casa e contou tudo à família de sua mãe.
  40. Rebeca tinha um irmão chamado Labão. Ele saiu apressado à fonte para conhecer o homem,
  41. pois tinha visto o pendente, e as pulseiras no braço de sua irmã, e ouvira Rebeca contar o que o homem lhe dissera. Saiu, pois, e foi encontrá-lo parado junto à fonte, ao lado dos camelos.
  42. E disse: “Venha, bendito do SENHOR! Por que ficar aí fora? Já arrumei a casa e um lugar para os camelos”.
  43. Assim o homem dirigiu-se à casa, e os camelos foram descarregados. Deram palha e forragem aos camelos, e água ao homem e aos que estavam com ele para lavarem os pés.
  44. Depois lhe trouxeram comida, mas ele disse: “Não comerei enquanto não disser o que tenho para dizer”. Disse Labão: “Então fale”.
  45. E ele disse: “Sou servo de Abraão. O SENHOR o abençoou muito, e ele se tornou muito rico. Deu-lhe ovelhas e bois, prata e ouro, servos e servas, camelos e jumentos.”
  46. “Sara, mulher do meu senhor, na velhice lhe deu um filho, que é o herdeiro de tudo o que Abraão possui.”
  47. “E meu senhor fez-me jurar, dizendo: Você não buscará mulher para meu filho entre as filhas dos cananeus, em cuja terra estou vivendo,”
  48. “Mas irá à família de meu pai, ao meu próprio clã, buscar uma mulher para meu filho.”
  49. E depois de ouvir como o servo encontrou Rebeca junto ao poço que fica fora da cidade, Labão e Betuel responderam: “Isso vem do SENHOR; nada lhe podemos dizer, nem a favor, nem contra.”
  50. “Aqui está Rebeca; leve-a com você e que ela se torne a mulher do filho do seu senhor, como disse o SENHOR”.
  51. Quando o servo de Abraão escutou o que disseram, curvou-se até ao chão diante do SENHOR.
  52. Então o servo deu joias de ouro e de prata e vestidos a Rebeca; deu também presentes valiosos ao irmão dela e à sua mãe.
  53. Depois ele e os homens que o acompanhavam comeram, beberam e ali passaram a noite. Ao se levantarem na manhã seguinte, ele disse: “Deixem-me voltar ao meu senhor”.
  54. Mas o irmão e a mãe dela responderam: “Deixe a jovem ficar mais uns dez dias conosco; então você poderá partir”.
  55. Mas ele disse: “Não me detenham, agora que o SENHOR coroou de êxito a minha missão. Vamos despedir-nos, e voltarei ao meu senhor”.
  56. Então lhe disseram: “Vamos chamar a jovem e ver o que ela diz”.
  57. Chamaram Rebeca e lhe perguntaram: “Você quer ir com este homem?”.”Sim, quero”, respondeu ela.
  58. Despediram-se, pois, de sua irmã Rebeca, de sua ama, do servo de Abraão e dos que o acompanhavam.
  59. E abençoaram Rebeca, dizendo-lhe: “Que você cresça, nossa irmã, até ser milhares de milhares; e que a sua descendência conquiste as cidades dos seus inimigos”.
  60. Então Rebeca e suas servas se aprontaram, montaram seus camelos e partiram com o homem. E assim o servo partiu levando Rebeca.
  61. Isaque tinha voltado de Beer-Laai-Roi, pois habitava no Neguebe.
  62. Certa tarde, saiu ao campo para meditar. Ao erguer os olhos, viu que se aproximavam camelos.
  63. Rebeca também ergueu os olhos e viu Isaque. Ela desceu do camelo e perguntou ao servo: “Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro?”
  64. “É meu senhor”, respondeu o servo. Então ela se cobriu com o véu.
  65. Depois o servo contou a Isaque tudo o que havia feito.
  66. Isaque levou Rebeca para a tenda de sua mãe Sara; fez dela sua mulher, e a amou; assim Isaque foi consolado após a morte de sua mãe.

Capítulo 25 – Gerar

  1. Abraão deixou tudo o que tinha para Isaque. Mas para os filhos de suas concubinas deu presentes; e, ainda em vida, enviou-os para longe de Isaque, para a terra do Oriente.
  2. Abraão viveu cento e setenta e cinco anos.
  3. Morreu em boa velhice, em idade bem avançada, e foi reunido aos seus antepassados.
  4. Seus filhos, Isaque e Ismael, o sepultaram na caverna de Macpela, perto de Manre, no campo de Efrom, filho de Zoar, o hitita, campo que Abraão comprara dos hititas.
  5. Foi ali que Abraão e Sara, sua mulher, foram sepultados.
  6. Depois da morte de Abraão, Deus abençoou seu filho Isaque. Isaque morava próximo a Beer-Laai-Roi.
  7. Isaca aos quarenta anos havia se casado com Rebeca, filha de Betuel, o arameu de Padã-Arã, e irmã de Labão, também arameu.
  8. Isaque orou ao SENHOR em favor de sua mulher, porque era estéril. O SENHOR respondeu à sua oração, e Rebeca, sua mulher, engravidou.
  9. Os meninos se empurravam dentro dela, pelo que disse: “Por que está me acontecendo isso?” Foi então consultar o SENHOR.
  10. Disse-lhe o SENHOR: “Duas nações estão em seu ventre, já desde as suas entranhas dois povos se separarão; um deles será mais forte que o outro, mas o mais velho servirá ao mais novo”.
  11. Ao chegar a época de dar à luz, confirmou-se que havia gêmeos em seu ventre.
  12. O primeiro a sair era ruivo, e todo o seu corpo era como um manto de pelos; por isso lhe deram o nome de Esaú.
  13. Depois saiu seu irmão, com a mão agarrada no calcanhar de Esaú; pelo que lhe deram o nome de Jacó. Tinha Isaque sessenta anos de idade quando Rebeca os deu à luz.
  14. Os meninos cresceram. Esaú tornou-se caçador habilidoso e vivia percorrendo os campos, ao passo que Jacó cuidava do rebanho e vivia nas tendas.
  15. Isaque preferia Esaú, porque gostava de comer de suas caças; Rebeca preferia Jacó.
  16. Certa vez, quando Jacó preparava um ensopado, Esaú chegou faminto, voltando do campo, e pediu-lhe: “Dê-me um pouco desse ensopado vermelho aí. Estou faminto!” Por isso também foi chamado Edom.
  17. Respondeu-lhe Jacó: “Venda-me primeiro o seu direito de filho mais velho”.
  18. Disse Esaú: “Estou quase morrendo. De que me vale esse direito?”
  19. Jacó, porém, insistiu: “Jure primeiro”. Então ele fez um juramento, vendendo o seu direito de filho mais velho a Jacó.
  20. Então Jacó serviu a Esaú pão com ensopado de lentilhas. Ele comeu e bebeu, levantou-se e se foi. Assim Esaú desprezou o seu direito de filho mais velho.
  21. Houve fome naquela terra, como tinha acontecido no tempo de Abraão. Por isso Isaque foi para Gerar, onde Abimeleque era o rei dos filisteus.
  22. Assim Isaque ficou em Gerar. Ele formou lavoura naquela terra e no mesmo ano colheu a cem por um, porque o SENHOR o abençoou.
  23. O homem enriqueceu, e a sua riqueza continuou a aumentar, até que ficou riquíssimo.
  24. Possuía tantos rebanhos e servos que os filisteus o invejavam.
  25. Estes taparam todos os poços que os servos de Abraão, pai de Isaque, tinham cavado na sua época, enchendo-os de terra.
  26. Então Abimeleque pediu a Isaque: “Sai de nossa terra, pois já és poderoso demais para nós”.
  27. Então Isaque mudou-se de lá, acampou no vale de Gerar e ali se estabeleceu.
  28. Isaque reabriu os poços cavados no tempo de seu pai Abraão, os quais os filisteus fecharam depois que Abraão morreu, e deu-lhes os mesmos nomes que seu pai lhes tinha dado.
  29. Os servos de Isaque cavaram no vale e descobriram um veio d’água.
  30. Mas os pastores de Gerar discutiram com os pastores de Isaque, dizendo: “A água é nossa!” Por isso Isaque deu ao poço o nome de Eseque, porque discutiram por causa dele.
  31. Então os seus servos cavaram outro poço, mas eles também discutiram por causa dele; por isso o chamou Sitna.
  32. Isaque mudou-se dali e cavou outro poço, e ninguém discutiu por causa dele. Deu-lhe o nome de Reobote, dizendo: “Agora o SENHOR nos abriu espaço e prosperaremos na terra”.
  33. Dali Isaque foi para Berseba. Isaque construiu nesse lugar um altar e invocou o nome do SENHOR. Ali armou acampamento, e os seus servos cavaram outro poço.
  34. Por aquele tempo, veio a ele Abimeleque, de Gerar, com Auzate, seu conselheiro pessoal, e Ficol, o comandante dos seus exércitos.
  35. Isaque lhes perguntou: “Por que me vieram ver, uma vez que foram hostis e me mandaram embora?”
  36. Eles responderam: “Vimos claramente que o SENHOR está contigo; por isso dissemos: Façamos um juramento entre nós. Queremos firmar um acordo contigo:
  37. Tu não nos farás mal, assim como nada te fizemos, mas sempre te tratamos bem e te despedimos em paz. Agora sabemos que o SENHOR te tem abençoado”.
  38. Então Isaque ofereceu-lhes um banquete, e eles comeram e beberam.
  39. Na manhã seguinte os dois fizeram juramento. Depois Isaque os despediu e partiram em paz.
  40. Naquele mesmo dia os servos de Isaque vieram falar-lhe sobre o poço que tinham cavado, e disseram: “Achamos água!”
  41. Isaque deu-lhe o nome de Seba e, por isso, até o dia de hoje aquela cidade é conhecida como Berseba.
  42. Tinha Esaú quarenta anos de idade quando escolheu por mulher a Judite, filha de Beeri, o hitita, e também a Basemate, filha de Elom, o hitita.
  43. Elas amarguraram a vida de Isaque e de Rebeca.

Capítulo 26 – Jacó

  1. Tendo Isaque envelhecido, seus olhos ficaram tão fracos que ele já não podia enxergar. Certo dia chamou Esaú, seu filho mais velho, e lhe disse: “Meu filho!” Ele respondeu: “Estou aqui”.
  2. Disse-lhe Isaque: “Já estou velho e não sei o dia da minha morte.
  3. Pegue agora suas armas, o arco e a aljava, e vá ao campo caçar alguma coisa para mim.
  4. Prepare-me aquela comida saborosa que tanto aprecio e traga-me, para que eu a coma e o abençoe antes de morrer”.
  5. Ora, Rebeca estava ouvindo o que Isaque dizia a seu filho Esaú. Quando Esaú saiu ao campo para caçar,
    Rebeca disse a seu filho Jacó: “Ouvi seu pai dizer a seu irmão Esaú:
  6. ‘Traga-me alguma caça e prepare-me aquela comida saborosa, para que eu a coma e o abençoe na presença do SENHOR antes de morrer’.
  7. Agora, meu filho, ouça bem e faça o que lhe ordeno:
  8. Vá ao rebanho e traga-me dois cabritos escolhidos, para que eu prepare uma comida saborosa para seu pai, como ele aprecia.
  9. Leve-a então a seu pai, para que ele a coma e o abençoe antes de morrer”.
  10. Disse Jacó a Rebeca, sua mãe: “Mas o meu irmão Esaú é homem peludo, e eu tenho a pele lisa.
  11. E se meu pai me apalpar? Vai parecer que estou tentando enganá-lo, fazendo-o de tolo e, em vez de bênção, trarei sobre mim maldição”.
  12. Disse-lhe sua mãe: “Caia sobre mim a maldição, meu filho. Faça apenas o que eu digo: Vá e traga-os para mim”.
  13. Então ele foi, apanhou-os e os trouxe à sua mãe, que preparou uma comida saborosa, como seu pai apreciava.
  14. Rebeca pegou as melhores roupas de Esaú, seu filho mais velho, roupas que tinha em casa, e colocou-as em Jacó, seu filho mais novo.
  15. Depois cobriu-lhe as mãos e a parte lisa do pescoço com as peles dos cabritos e por fim entregou a Jacó a refeição saborosa e o pão que tinha feito.
  16. Ele se dirigiu ao pai e disse: “Meu pai”. Respondeu ele: “Sim, meu filho. Quem é você?”
  17. Jacó disse a seu pai: “Sou Esaú, seu filho mais velho. Fiz como o senhor me disse. Agora, assente-se e coma do que cacei para que me abençoe”.
  18. Isaque perguntou ao filho: “Como encontrou a caça tão depressa, meu filho?” Ele respondeu: “O SENHOR, o seu Deus, a colocou no meu caminho”.
  19. Então Isaque disse a Jacó: “Chegue mais perto, meu filho, para que eu possa apalpá-lo e saber se você é realmente meu filho Esaú”.
  20. Jacó aproximou-se do seu pai Isaque, que o apalpou e disse: “A voz é de Jacó, mas os braços são de Esaú”.
  21. Não o reconheceu, pois seus braços estavam peludos como os de Esaú, seu irmão; e o abençoou.
  22. Isaque perguntou-lhe outra vez: “Você é mesmo meu filho Esaú?” E ele respondeu: “Sou”.
  23. Então lhe disse: “Meu filho, traga-me da sua caça para que eu coma e o abençoe”. Jacó a trouxe, e o pai comeu; também trouxe vinho, e ele bebeu.
  24. Então seu pai Isaque lhe disse: “Venha cá, meu filho, dê-me um beijo”.
  25. Ele se aproximou e o beijou. Quando sentiu o cheiro de suas roupas, Isaque o abençoou, dizendo: “Ah, o cheiro de meu filho é como o cheiro de um campo que o SENHOR abençoou.
  26. Que Deus lhe conceda do céu o orvalho e da terra a riqueza, com muito cereal e muito vinho.
  27. Que as nações o sirvam e os povos se curvem diante de você. Seja senhor dos seus irmãos, e curvem-se diante de você os filhos de sua mãe. Malditos sejam os que o amaldiçoarem e benditos sejam os que o abençoarem”.
  28. Quando Isaque acabou de abençoar Jacó, mal tendo ele saído da presença do pai, seu irmão Esaú chegou da caçada.
  29. Ele também preparou uma comida saborosa e a trouxe a seu pai. E lhe disse: “Meu pai, levante-se e coma da minha caça, para que o senhor me dê sua bênção”.
  30. Perguntou-lhe seu pai Isaque: “Quem é você?” Ele respondeu: “Sou Esaú, seu filho mais velho”.
  31. Profundamente abalado, Isaque começou a tremer muito e disse: “Quem então apanhou a caça e a trouxe para mim? Acabei de comê-la antes de você entrar e a ele abençoei; e abençoado ele será!”
  32. Quando Esaú ouviu as palavras de seu pai, deu um forte grito e, cheio de amargura, implorou ao pai: “Abençoe também a mim, meu pai!”
  33. Mas ele respondeu: “Seu irmão chegou astutamente e recebeu a bênção que pertencia a você”.
  34. E disse Esaú: “Não é com razão que o seu nome é Jacó? Já é a segunda vez que ele me engana! Primeiro, tomou o meu direito de filho mais velho e agora recebeu a minha bênção!”
  35. Ele então perguntou ao pai: “O senhor não reservou nenhuma bênção para mim?”
  36. Isaque respondeu a Esaú: “Eu o constituí senhor sobre você, e a todos os seus parentes tornei servos dele; a ele supri de cereal e de vinho. Que é que eu poderia fazer por você, meu filho?”
  37. Esaú pediu ao pai: “Meu pai, o senhor tem apenas uma bênção? Abençoe-me também, meu pai!” Então chorou Esaú em alta voz.
  38. Seu pai Isaque respondeu-lhe: “Sua habitação será longe das terras férteis, distante do orvalho que desce do alto céu.
  39. Você viverá por sua espada e servirá a seu irmão. Mas quando você não suportar mais, arrancará do pescoço o jugo”.
  40. Esaú guardou rancor contra Jacó por causa da bênção que seu pai lhe dera. E disse a si mesmo: “Os dias de luto pela morte de meu pai estão próximos; então matarei meu irmão Jacó”.
  41. Quando contaram a Rebeca o que seu filho Esaú dissera, ela mandou chamar Jacó, seu filho mais novo, e lhe disse: “Esaú está se consolando com a ideia de matá-lo.”
  42. “Ouça, pois, o que lhe digo, meu filho: Fuja imediatamente para a casa de meu irmão Labão, em Harã. Fique com ele algum tempo, até que passe o furor de seu irmão.”
  43. “Quando seu irmão não estiver mais irado contra você e esquecer o que você lhe fez, mandarei buscá-lo. Por que perderia eu vocês dois num só dia?”
  44. Então Isaque despediu Jacó e este foi a Padã-Arã, a Labão, filho de Betuel, o arameu, e irmão de Rebeca, mãe de Jacó e Esaú.

Capítulo 27 – Raquel

  1. Jacó partiu de Berseba e foi para Harã.
  2. Chegando a determinado lugar, parou para pernoitar, porque o sol já se havia posto. Tomando uma das pedras dali, usou-a como travesseiro e deitou-se.
  3. E teve um sonho no qual viu uma escada apoiada na terra; o seu topo alcançava os céus, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela.
  4. Quando Jacó acordou do sono, disse: “Sem dúvida o SENHOR está neste lugar, mas eu não sabia!”
  5. Teve medo e disse: “Temível é este lugar! Não é outro, senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus”.
  6. Na manhã seguinte, Jacó pegou a pedra que tinha usado como travesseiro, colocou-a de pé como coluna e derramou óleo sobre o seu topo.
  7. E deu o nome de Betel àquele lugar, embora a cidade anteriormente se chamasse Luz.
  8. Então Jacó fez um voto, dizendo: “Se Deus estiver comigo, cuidar de mim nesta viagem que estou fazendo, prover-me de comida e roupa, e levar-me de volta em segurança à casa de meu pai, então o SENHOR será o meu Deus.”
  9. “E esta pedra que hoje coloquei como coluna servirá de santuário de Deus; e de tudo o que me deres certamente te darei o dízimo”.
  10. Então Jacó seguiu viagem e chegou à Mesopotâmia.
  11. Certo dia, olhando ao redor, viu um poço no campo e três rebanhos de ovelhas deitadas por perto, pois os rebanhos bebiam daquele poço, que era tapado por uma grande pedra.
  12. Por isso, quando todos os rebanhos se reuniam ali, os pastores rolavam a pedra da boca do poço e davam água às ovelhas. Depois recolocavam a pedra em seu lugar, sobre o poço.
  13. Jacó perguntou aos pastores: “Meus amigos, de onde são vocês?” “Somos de Harã”, responderam.
  14. “Vocês conhecem Labão, neto de Naor?”, perguntou-lhes Jacó. Eles responderam: “Sim, nós o conhecemos”.
  15. Então Jacó perguntou: “Ele vai bem?” “Sim, vai bem”, disseram eles, “e ali vem sua filha Raquel com as ovelhas”.
  16. Disse ele: “Olhem, o sol ainda vai alto e não é hora de recolher os rebanhos. Dêem de beber às ovelhas e levem-nas de volta ao pasto”.
  17. Mas eles responderam: “Não podemos, enquanto os rebanhos não se agruparem e a pedra não for removida da boca do poço. Só então daremos de beber às ovelhas”.
  18. Ele ainda estava conversando, quando chegou Raquel com as ovelhas de seu pai, pois ela era pastora.
  19. Quando Jacó viu Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas de Labão, aproximou-se, removeu a pedra da boca do poço e deu de beber às ovelhas de seu tio Labão.
  20. Depois Jacó beijou Raquel e começou a chorar bem alto.
  21. Então contou a Raquel que era parente do pai dela e filho de Rebeca. E ela foi correndo contar tudo a seu pai.
  22. Logo que Labão ouviu as notícias acerca de Jacó, seu sobrinho, correu ao seu encontro, abraçou-o e o beijou. Depois, levou-o para casa, e Jacó contou-lhe tudo o que havia ocorrido.
  23. Então Labão lhe disse: “Você é sangue do meu sangue”. Já fazia um mês que Jacó estava na casa de Labão,
    quando este lhe disse: “Só por ser meu parente você vai trabalhar de graça? Diga-me qual deve ser o seu salário”.
  24. Ora, Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha era Lia, e o da mais nova, Raquel.
  25. Lia tinha olhos meigos, mas Raquel era bonita e atraente.
  26. Como Jacó gostava muito de Raquel, disse: “Trabalharei sete anos em troca de Raquel, sua filha mais nova”.
    Labão respondeu: “Será melhor dá-la a você do que a algum outro homem. Fique aqui comigo”.
  27. Então Jacó trabalhou sete anos por Raquel, mas lhe pareceram poucos dias, pelo tanto que a amava.
  28. Então disse Jacó a Labão: “Entregue-me a minha mulher. Cumpri o prazo previsto e quero deitar-me com ela”.
  29. Então Labão reuniu todo o povo daquele lugar e deu uma festa.
  30. Mas quando a noite chegou, deu sua filha Lia a Jacó, e Jacó deitou-se com ela.
  31. Labão também entregou sua serva Zilpa à sua filha, para que ficasse a serviço dela.
  32. Quando chegou a manhã, lá estava Lia. Então Jacó disse a Labão: “Que foi que você me fez? Eu não trabalhei por Raquel? Por que você me enganou?”
  33. Labão respondeu: “Aqui não é costume entregar em casamento a filha mais nova antes da mais velha.
  34. Deixe passar esta semana de núpcias e lhe daremos também a mais nova, em troca de mais sete anos de trabalho”.
  35. Jacó concordou. Passou aquela semana de núpcias com Lia, e Labão lhe deu sua filha Raquel por mulher.
  36. Labão deu a Raquel sua serva Bila, para que ficasse a serviço dela.
  37. Jacó deitou-se também com Raquel, que era a sua preferida. E trabalhou para Labão outros sete anos.
  38. Depois de catorze anos, Jacó disse a Labão: “Deixe-me voltar para a minha terra natal.
  39. Dê-me as minhas mulheres, pelas quais o servi, e os meus filhos, e partirei. Você bem sabe quanto trabalhei para você”.
  40. Mas Labão lhe disse: “Se mereço sua consideração, peço-lhe que fique. Por meio de adivinhação descobri que o SENHOR me abençoou por sua causa”, e acrescentou: “Diga o seu salário, e eu lhe pagarei”.
  41. Jacó lhe respondeu: “Você sabe quanto trabalhei para você e como os seus rebanhos cresceram sob os meus cuidados.
  42. O pouco que você possuía antes da minha chegada aumentou muito, pois o SENHOR o abençoou depois que vim para cá. Contudo, quando farei algo em favor da minha própria família?”
  43. Então Labão perguntou: “Que você quer que eu lhe dê?” “Não me dê coisa alguma”, respondeu Jacó.”Voltarei a cuidar dos seus rebanhos se você concordar com o seguinte:
  44. “Hoje passarei por todos os seus rebanhos e tirarei do meio deles todas as ovelhas salpicadas e pintadas, todos os cordeiros pretos e todas as cabras pintadas e salpicadas. Eles serão o meu salário.”
  45. “E a minha honestidade dará testemunho de mim no futuro, toda vez que você resolver verificar o meu salário.”
  46. “Se estiver em meu poder alguma cabra que não seja salpicada ou pintada, e algum cordeiro que não seja preto, poderá considerá-los roubados.”
  47. E disse Labão: “De acordo. Seja como você disse”.
  48. Naquele mesmo dia Labão separou todos os bodes que tinham listras ou manchas brancas, todas as cabras que tinham pintas ou manchas brancas, e todos os cordeiros pretos e os colocou aos cuidados de seus filhos.
  49. Afastou-se então de Jacó, à distância equivalente a três dias de viagem, e Jacó continuou a apascentar o resto dos rebanhos de Labão.
  50. Jacó pegou galhos verdes de estoraque, amendoeira e plátano e neles fez listras brancas, descascando-os parcialmente e expondo assim a parte branca interna dos galhos.
  51. Depois fixou os galhos descascados junto aos bebedouros, na frente dos rebanhos, no lugar onde costumavam beber água.
  52. Na época do cio, os rebanhos vinham beber e se acasalavam diante dos galhos. E geravam filhotes listrados, salpicados e pintados.
  53. Jacó separava os filhotes do rebanho dos demais, e fazia com que esses ficassem juntos dos animais listrados e pretos de Labão. Assim foi formando o seu próprio rebanho que separou do de Labão.
  54. Assim o homem ficou extremamente rico, tornando-se dono de grandes rebanhos e de servos e servas, camelos e jumentos.

Capítulo 28 – Labão

  1. Jacó, porém, ouviu falar que os filhos de Labão estavam dizendo: “Jacó tomou tudo que o nosso pai tinha e juntou toda a sua riqueza à custa do nosso pai”.
  2. E Jacó percebeu que a atitude de Labão para com ele já não era a mesma de antes.
  3. Então Jacó mandou chamar Raquel e Lia para virem ao campo onde estavam os seus rebanhos, e lhes disse: “Vejo que a atitude do seu pai para comigo não é mais a mesma, mas o Deus de meu pai tem estado comigo.
  4. “Vocês sabem que trabalhei para seu pai com todo o empenho, mas ele tem me feito de tolo, mudando o meu salário dez vezes. Contudo, Deus não permitiu que ele me prejudicasse.”
  5. “Se ele dizia: As crias salpicadas serão o seu salário’, todos os rebanhos geravam filhotes salpicados; e se ele dizia: As que têm listras serão o seu salário’, todos os rebanhos geravam filhotes com listras.
  6. Foi assim que Deus tirou os rebanhos de seu pai e os deu a mim.”
  7. “Na época do acasalamento, tive um sonho em que olhei e vi que os machos que fecundavam o rebanho tinham listras, eram salpicados e malhados.”
  8. O anjo de Deus me disse no sonho: ‘Jacó! ’ Eu respondi: ‘Eis-me aqui! ’
  9. Então ele disse: ‘Olhe e veja que todos os machos que fecundam o rebanho têm listras, são salpicados e malhados, porque tenho visto tudo o que Labão lhe fez.
  10. Sou o Deus de Betel, onde você ungiu uma coluna e me fez um voto. Saia agora desta terra e volte para a sua terra natal’”.
  11. Raquel e Lia disseram a Jacó: “Temos ainda parte na herança dos bens de nosso pai?”Não nos trata ele como estrangeiras? Não apenas nos vendeu como também gastou tudo o que foi pago por nós!”
  12. “Toda a riqueza que Deus tirou de nosso pai é nossa e de nossos filhos. Portanto, faça tudo quanto Deus lhe ordenou”.
  13. Então Jacó ajudou seus filhos e suas mulheres a montar nos camelos.
  14. E conduziu todo o seu rebanho, junto com todos os bens que havia acumulado em Padã-Arã, para ir à terra de Canaã, à casa de seu pai Isaque.
  15. Enquanto Labão tinha saído para tosquiar suas ovelhas, Raquel roubou de seu pai os ídolos do clã.
  16. Foi assim que Jacó enganou a Labão, o arameu, fugindo sem lhe dizer nada.
  17. Ele fugiu com tudo o que tinha e, atravessando o Eufrates, foi para os montes de Gileade.
  18. Três dias depois, Labão foi informado de que Jacó tinha fugido.
  19. Tomando consigo os homens de sua família, perseguiu Jacó por sete dias e o alcançou nos montes de Gileade.
  20. Então, de noite, Deus veio em sonho a Labão, o arameu, e o advertiu.
  21. Labão alcançou Jacó, que estava acampado nos montes de Gileade. Então Labão e os homens se acamparam ali também.
  22. Ele perguntou a Jacó: “Que foi que você fez? Não só me enganou como também raptou minhas filhas como se fossem prisioneiras de guerra.”
  23. “Por que você me enganou, fugindo em segredo, sem avisar-me? Eu teria celebrado a sua partida com alegria e cantos, ao som dos tamborins e das harpas.”
  24. “Você sequer me deixou beijar meus netos e minhas filhas para despedir-me deles. Você foi insensato.”
  25. “Tenho poder para prejudicá-los; mas, na noite passada, o Deus do pai de vocês me advertiu: Cuidado! Não diga nada a Jacó, não lhe faça promessas nem ameaças.”
  26. “Agora, se você partiu porque tinha saudade da casa de seu pai, por que roubou meus deuses?”
  27. Jacó respondeu a Labão: “Tive medo, pois pensei que você tiraria suas filhas de mim à força.”
  28. “Quanto aos seus deuses, quem for encontrado com eles não ficará vivo. Na presença dos nossos parentes, veja você mesmo se está aqui comigo qualquer coisa que lhe pertença, e, se estiver, leve-a de volta”. Ora, Jacó não sabia que Raquel os havia roubado.
  29. Então Labão entrou na tenda de Jacó, e nas tendas de Lia e de suas duas servas, mas nada encontrou.
  30. Depois de sair da tenda de Lia, entrou na tenda de Raquel.
  31. Raquel tinha colocado os ídolos dentro da sela do seu camelo e estava sentada em cima. Labão vasculhou toda a tenda, mas nada encontrou.
  32. Raquel disse ao pai: “Não se irrite, meu senhor, por não poder me levantar em sua presença, pois estou com o fluxo das mulheres”. Ele procurou os ídolos, mas não os encontrou.
  33. Jacó ficou irado e queixou-se a Labão: “Qual foi meu crime? Que pecado cometi para que você me persiga furiosamente?”
  34. “Você já vasculhou tudo o que me pertence. Encontrou algo que lhe pertença? Então coloque tudo aqui na frente dos meus parentes e dos seus, e que eles julguem entre nós dois.”
  35. “Vinte anos estive com você. Suas ovelhas e cabras nunca abortaram, e jamais comi um só carneiro do seu rebanho.”
  36. “Eu nunca levava a você os animais despedaçados por feras; eu mesmo assumia o prejuízo. E você pedia contas de todo animal roubado de dia ou de noite.”
  37. “O calor me consumia de dia, e o frio, de noite, e o sono fugia dos meus olhos.”
  38. “Foi assim nos vinte anos em que fiquei em sua casa. Trabalhei para você catorze anos em troca de suas duas filhas e seis anos por seus rebanhos, e dez vezes você alterou o meu salário.”
  39. “Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão, o Temor de Isaque, não estivesse comigo, certamente você me despediria de mãos vazias. Mas Deus viu o meu sofrimento e o trabalho das minhas mãos e, na noite passada, ele manifestou a sua decisão”.
  40. Labão respondeu a Jacó: “As mulheres são minhas filhas, os filhos são meus, os rebanhos são meus. Tudo o que você vê é meu. Que posso fazer por essas minhas filhas ou pelos filhos que delas nasceram?”
  41. “Façamos agora, eu e você, um acordo que sirva de testemunho entre nós dois”.
  42. Então Jacó tomou uma pedra e a colocou de pé como coluna.
  43. E disse aos seus parentes: “Juntem algumas pedras”. Eles apanharam pedras e as amontoaram. Depois comeram ali, ao lado do monte de pedras.
  44. Labão o chamou Jegar-Saaduta, e Jacó o chamou Galeede.
  45. Labão disse: “Este monte de pedras é uma testemunha entre mim e você, no dia de hoje”. Por isso foi chamado Galeede.
  46. Foi também chamado Mispá, porque ele declarou: “Que o SENHOR nos vigie, a mim e a você, quando estivermos separados um do outro.
  47. Se você maltratar minhas filhas ou menosprezá-las, tomando outras mulheres além delas, ainda que ninguém saiba, lembre-se de que Deus é testemunha entre mim e você”.
  48. Disse ainda Labão a Jacó: “Aqui estão este monte de pedras e esta coluna que coloquei entre mim e você.
  49. São testemunhas de que não passarei para o lado de lá para prejudicá-lo, nem você passará para o lado de cá para prejudicar-me.
  50. Que o Deus de Abraão, o Deus de Naor, o Deus do pai deles, julgue entre nós”. Então Jacó fez um juramento em nome do Temor de seu pai Isaque.
  51. Ofereceu um sacrifício no monte e chamou os parentes que lá estavam para uma refeição. Depois de comerem, passaram a noite ali.
  52. Na manhã seguinte, Labão beijou seus netos e suas filhas e os abençoou, e depois voltou para a sua terra.

Capítulo 29 – Israel

  1. Jacó também seguiu o seu caminho, e anjos de Deus vieram ao encontro dele.
  2. Quando Jacó os avistou, disse: “Este é o exército de Deus!” Por isso deu àquele lugar o nome de Maanaim.
  3. Jacó mandou mensageiros adiante dele a seu irmão Esaú, na região de Seir, território de Edom.
  4. E lhes ordenou: “Vocês dirão o seguinte ao meu senhor Esaú: assim diz teu servo Jacó: Morei na casa de Labão e com ele permaneci até agora.”
  5. “Tenho bois e jumentos, ovelhas e cabras, servos e servas. Envio agora esta mensagem ao meu senhor, para que me recebas bem”.
  6. “Quando os mensageiros voltaram a Jacó, disseram-lhe: “Fomos até seu irmão Esaú, e ele está vindo ao seu encontro, com quatrocentos homens”.
  7. Jacó encheu-se de medo e foi tomado de angústia. Então dividiu em dois grupos todos os que estavam com ele, bem como as ovelhas, as cabras, os bois, e os camelos,
  8. pois assim pensou: “Se Esaú vier e atacar um dos grupos, o outro poderá escapar”.
  9. Então Jacó orou: “Ó Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaque, ó SENHOR que me disseste: Volte para a sua terra e para os seus parentes e eu o farei prosperar;”
  10. “Não sou digno de toda a bondade e lealdade com que trataste o teu servo. Quando atravessei o Jordão eu tinha apenas o meu cajado, mas agora possuo duas caravanas.
  11. Livra-me, rogo-te, das mãos de meu irmão Esaú, porque tenho medo que ele venha nos atacar, tanto a mim como às mães e às crianças.
  12. Pois tu prometeste: ‘Esteja certo de que eu o farei prosperar e farei os seus descendentes tão numerosos como a areia do mar, que não se pode contar’”.
  13. Depois de passar ali a noite, escolheu entre os seus rebanhos um presente para o seu irmão Esaú:
  14. duzentas cabras e vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte carneiros, trinta fêmeas de camelo com seus filhotes, quarenta vacas e dez touros, vinte jumentas e dez jumentos.
  15. Colocou cada rebanho sob o cuidado de um servo, e disse-lhes: “Vão à minha frente e mantenham certa distância entre um rebanho e outro”.
  16. Ao que ia à frente deu a seguinte instrução: “Quando meu irmão Esaú encontrar-se com você e lhe perguntar: A quem você pertence, para onde vai e de quem é todo este rebanho à sua frente?”
  17. “Você responderá: É do teu servo Jacó. É um presente para o meu senhor Esaú; e ele mesmo está vindo atrás de nós”.
  18. Também instruiu o segundo, o terceiro e todos os outros que acompanhavam os rebanhos: “Digam também a mesma coisa a Esaú quando o encontrarem.”
  19. E acrescentem: Teu servo Jacó está vindo atrás de nós”. Porque pensava: “Eu o apaziguarei com esses presentes que estou enviando antes de mim; mais tarde, quando eu o vir, talvez me receba”.
  20. Assim os presentes de Jacó seguiram à sua frente; ele, porém, passou a noite no acampamento.
  21. Naquela noite Jacó levantou-se, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus onze filhos para atravessar o lugar de passagem do Jaboque.
  22. Depois de havê-los feito atravessar o ribeiro, fez passar também tudo o que possuía.
  23. E Jacó ficou sozinho. Então veio um homem que se pôs a lutar com ele até o amanhecer.
  24. Quando o homem viu que não poderia dominá-lo, tocou na articulação da coxa de Jacó, de forma que lhe deslocou a coxa, enquanto lutavam.
  25. Então o homem disse: “Deixe-me ir, pois o dia já desponta”. Mas Jacó lhe respondeu: “Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes”.
  26. O homem lhe perguntou: “Qual é o seu nome?” “Jacó”, respondeu ele.
  27. Então disse o homem: “Seu nome não será mais Jacó, mas sim Israel, porque você lutou com Deus e com homens e venceu”.
  28. Prosseguiu Jacó: “Peço-te que digas o teu nome”. Mas ele respondeu: “Por que pergunta o meu nome?” E o abençoou ali.
  29. Jacó chamou àquele lugar Peniel, pois disse: “Vi a Deus face a face e, todavia, minha vida foi poupada”.
  30. Ao nascer do sol atravessou Peniel, mancando por causa da coxa.
  31. Por isso, até o dia de hoje, os israelitas não comem o músculo ligado à articulação do quadril, porque nesse músculo Jacó foi ferido.
  32. Quando Jacó olhou e viu que Esaú estava se aproximando, com quatrocentos homens, dividiu as crianças entre Lia, Raquel e as duas servas.
  33. Colocou as servas e os seus filhos à frente, Lia e seus filhos depois, e Raquel com José por último.
  34. Ele mesmo passou à frente e, ao aproximar-se do seu irmão, curvou-se até o chão sete vezes.
  35. Mas Esaú correu ao encontro de Jacó e abraçou-se ao seu pescoço, e o beijou. E eles choraram.
  36. Então Esaú ergueu o olhar e viu as mulheres e as crianças. E perguntou: “Quem são estes?” Jacó respondeu: “São os filhos que Deus concedeu ao teu servo”.
  37. Então as servas e os seus filhos se aproximaram e se curvaram.
  38. Depois, Lia e os seus filhos vieram e se curvaram. Por último, chegaram José e Raquel, e também se curvaram.
  39. Esaú perguntou: “O que você pretende com todos os rebanhos que encontrei pelo caminho?” “Ser bem recebido por ti, meu senhor”, respondeu Jacó.
  40. Disse, porém, Esaú: “Eu já tenho muito, meu irmão. Guarde para você o que é seu”.
  41. Mas Jacó insistiu: “Não! Se te agradaste de mim, aceita este presente de minha parte, porque ver a tua face é como contemplar a face de Deus; além disso, tu me recebeste tão bem!”
  42. Aceita, pois, o presente que te foi trazido, pois Deus tem sido favorável para comigo, e eu já tenho tudo o que necessito”. Jacó tanto insistiu que Esaú acabou aceitando.
  43. Então disse Esaú: “Vamos seguir em frente. Eu o acompanharei”.
  44. Jacó, porém, lhe disse: “Meu senhor sabe que as crianças são frágeis e que estão sob os meus cuidados ovelhas e vacas que amamentam suas crias. Se forçá-las demais na caminhada, um só dia que seja, todo o rebanho morrerá.”
  45. “Por isso, meu senhor, vai à frente do teu servo, e eu sigo atrás, devagar, no passo dos rebanhos e das crianças, até que eu chegue ao meu senhor em Seir”.
  46. Esaú sugeriu: “Permita-me, então, deixar alguns homens com você”. Jacó perguntou: “Mas para quê, meu senhor? Ter sido bem recebido já me foi suficiente!”
  47. Naquele dia Esaú voltou para Seir.
  48. Jacó, todavia, foi para Sucote, onde construiu uma casa para si e abrigos para o seu gado. Foi por isso que o lugar recebeu o nome de Sucote.
  49. Tendo voltado de Padã-Arã, Jacó chegou a salvo à cidade de Siquém, em Canaã, e acampou próximo da cidade.
  50. Por cem peças de prata comprou dos filhos de Hamor, pai de Siquém, a parte do campo onde tinha armado acampamento.
  51. Ali edificou um altar e lhe chamou El Elohe Israel.

Capítulo 30 – Simeão e Levi

  1. Certa vez, Diná, a filha que Lia dera a Jacó, saiu para conhecer as mulheres daquela terra.
  2. Siquém, filho de Hamor, o heveu, governador daquela região, viu-a, agarrou-a e violentou-a.
  3. Mas o seu coração foi atraído por Diná, filha de Jacó, e ele amou a moça e falou-lhe com ternura.
  4. Por isso Siquém foi dizer a seu pai Hamor: “Consiga-me aquela moça para que seja minha mulher”.
  5. Quando Jacó soube que sua filha Diná tinha sido desonrada, seus filhos estavam no campo, com os rebanhos; por isso esperou calado, até que regressassem.
  6. Então Hamor, pai de Siquém, foi conversar com Jacó.
  7. Quando os filhos de Jacó voltaram do campo e souberam de tudo, ficaram profundamente entristecidos e irados, porque Siquém tinha cometido um ato vergonhoso em Israel, ao deitar-se com a filha de Jacó — coisa que não se faz.
  8. Mas Hamor lhes disse: “Meu filho Siquém apaixonou-se pela filha de vocês. Por favor, entreguem-na a ele para que seja sua mulher.
  9. Casem-se entre nós; dêem-nos suas filhas e tomem para si as nossas.
  10. Estabeleçam-se entre nós. A terra está aberta para vocês: Habitem-na, façam comércio nela e adquiram propriedades”.
  11. Então Siquém disse ao pai e aos irmãos de Diná: “Concedam-me este favor, e eu lhes darei o que me pedirem.
  12. Aumentem quanto quiserem o preço e o presente pela noiva, e pagarei o que me pedirem. Tão-somente me dêem a moça por mulher”.
  13. Os filhos de Jacó, porém, responderam com falsidade a Siquém e a seu pai Hamor, por ter Siquém desonrado Diná, a irmã deles.
  14. Disseram: “Não podemos fazer isso; jamais entregaremos nossa irmã a um homem que não seja circuncidado. Seria uma vergonha para nós.
  15. Daremos nosso consentimento a vocês com uma condição: que vocês se tornem como nós, circuncidando todos os do sexo masculino.
  16. Só então lhes daremos as nossas filhas e poderemos casar-nos com as suas. Nós nos estabeleceremos entre vocês e seremos um só povo.
  17. Mas se não aceitarem circuncidar-se, tomaremos nossa irmã e partiremos”.
  18. A proposta deles pareceu boa a Hamor e a seu filho Siquém.
  19. O jovem, que era o mais respeitado de todos os da casa de seu pai, não demorou em cumprir o que pediram, porque realmente gostava da filha de Jacó.
  20. Assim Hamor e seu filho Siquém dirigiram-se à porta da cidade para conversar com os seus concidadãos. E disseram:
  21. “Esses homens são de paz. Permitam que eles habitem em nossa terra e façam comércio entre nós; a terra tem bastante lugar para eles. Poderemos casar com as suas filhas, e eles com as nossas.
  22. Mas eles só consentirão em viver conosco como um só povo sob a condição de que todos os nossos homens sejam circuncidados, como eles.
  23. Lembrem-se de que os seus rebanhos, os seus bens e todos os seus outros animais passarão a ser nossos. Aceitemos então a condição para que se estabeleçam em nosso meio”.
  24. Todos os que saíram para reunir-se à porta da cidade concordaram com Hamor e com seu filho Siquém, e todos os homens e meninos da cidade foram circuncidados.
  25. Três dias depois, quando ainda sofriam dores, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, pegaram suas espadas e atacaram a cidade desprevenida, matando todos os homens.
  26. Mataram ao fio da espada Hamor e seu filho Siquém, tiraram Diná da casa de Siquém e partiram.
  27. Vieram então os outros filhos de Jacó e, passando pelos corpos, saquearam a cidade onde sua irmã tinha sido desonrada.
  28. Apoderaram-se das ovelhas, dos bois e dos jumentos, e de tudo o que havia na cidade e no campo.
  29. Levaram as mulheres e as crianças, e saquearam todos os bens e tudo o que havia nas casas.
  30. Então Jacó disse a Simeão e a Levi: “Vocês me puseram em grandes apuros, atraindo sobre mim o ódio dos cananeus e dos ferezeus, habitantes desta terra. Somos poucos, e se eles juntarem suas forças e nos atacarem, eu e a minha família seremos destruídos”.
  31. Mas eles responderam: “Está certo ele tratar nossa irmã como uma prostituta?”
  32. Deus disse a Jacó: “Suba a Betel e se estabeleça lá, e faça um altar ao Deus que lhe apareceu quando você fugia do seu irmão Esaú”.
  33. Disse, pois, Jacó aos de sua casa e a todos os que estavam com ele: “Livrem-se dos deuses estrangeiros que estão entre vocês, purifiquem-se e troquem de roupa.
  34. Venham! Vamos subir a Betel, onde farei um altar ao Deus que me ouviu no dia da minha angústia e que tem estado comigo por onde tenho andado”.
  35. Então entregaram a Jacó todos os deuses estrangeiros que possuíam e os brincos que usavam nas orelhas, e Jacó os enterrou ao pé da grande árvore, próximo a Siquém.
  36. Quando eles partiram, o terror de Deus caiu de tal maneira sobre as cidades ao redor que ninguém ousou perseguir os filhos de Jacó.
  37. Jacó e todos os que com ele estavam chegaram a Luz, que é Betel, na terra de Canaã.
  38. Nesse lugar construiu um altar e lhe deu o nome de El-Betel, porque ali Deus havia se revelado a ele, quando fugia do seu irmão.
  39. Eles partiram de Betel, e quando ainda estavam a certa distância de Efrata, Raquel começou a dar à luz com grande dificuldade.
  40. E, enquanto padecia muito, tentando dar à luz, a parteira lhe disse: “Não tenha medo, pois você ainda terá outro menino”.
  41. Já ao ponto de sair-lhe a vida, quando estava morrendo, deu ao filho o nome de Benoni. Mas o pai deu-lhe o nome de Benjamim.
  42. Assim morreu Raquel e foi sepultada junto do caminho de Efrata, que é Belém.
  43. Sobre a sua sepultura Jacó levantou uma coluna, e até o dia de hoje aquela coluna marca o túmulo de Raquel.
  44. Israel partiu novamente e armou acampamento adiante de Migdal-Éder.
  45. Na época em que Israel vivia naquela região, Rúben deitou-se com Bila, concubina de seu pai. E Israel ficou sabendo disso. Jacó teve doze filhos:
  46. Estes foram seus filhos com Lia: Rúben, o filho mais velho de Jacó, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom.
  47. Estes foram seus filhos com Raquel: José e Benjamim.
  48. Estes foram seus filhos com Bila, serva de Raquel: Dã e Naftali.
  49. Estes foram seus filhos com Zilpa, serva de Lia: Gade e Aser. Foram esses os filhos de Jacó, nascidos em Padã-Arã.
  50. Depois Jacó foi visitar seu pai Isaque em Manre, perto de Quiriate-Arba, que é Hebrom, onde Abraão e Isaque tinham morado.
  51. Isaque viveu cento e oitenta anos.
  52. Morreu em idade bem avançada e foi reunido aos seus antepassados. E seus filhos Esaú e Jacó o sepultaram.

Capítulo 31 – José, o Escravo

  1. Quando José tinha dezessete anos, pastoreava os rebanhos com os seus irmãos. Ajudava os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e contava ao pai a má fama deles.
  2. Ora, Israel gostava mais de José do que de qualquer outro filho, porque lhe havia nascido em sua velhice; por isso mandou fazer para ele uma túnica longa.
  3. Quando os seus irmãos viram que o pai gostava mais dele do que de qualquer outro filho, odiaram-no e não conseguiam falar com ele amigavelmente.
  4. Certa vez, José teve um sonho e, quando o contou a seus irmãos, eles passaram a odiá-lo ainda mais.
  5. “Ouçam o sonho que tive”, disse-lhes.
  6. “Estávamos amarrando os feixes de trigo no campo, quando o meu feixe se levantou e ficou em pé, e os seus feixes se ajuntaram ao redor do meu e se curvaram diante dele”.
  7. Seus irmãos lhe disseram: “Então você vai reinar sobre nós? Quer dizer que você vai governar sobre nós?” E o odiaram ainda mais, por causa do sonho e do que tinha dito.
  8. Depois teve outro sonho e o contou aos seus irmãos: “Tive outro sonho, e desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvavam diante de mim”.
  9. Quando o contou ao pai e aos irmãos, o pai o repreendeu e lhe disse: “Que sonho foi esse que você teve? Será que eu, sua mãe, e seus irmãos viremos a nos curvar até o chão diante de você?”
  10. Assim seus irmãos tiveram ciúmes dele; o pai, no entanto, refletia naquilo.
  11. Os irmãos de José tinham ido cuidar dos rebanhos do pai, perto de Siquém,
  12. e Israel disse a José: “Como você sabe, seus irmãos estão apascentando os rebanhos perto de Siquém. Quero que você vá até lá”.”Sim, senhor”, respondeu ele.
  13. Disse-lhe o pai: “Vá ver se está tudo bem com os seus irmãos e com os rebanhos, e traga-me notícias”.
  14. Jacó o enviou quando estava no vale de Hebrom. Mas José se perdeu quando se aproximava de Siquém.
  15. Um homem o encontrou vagueando pelos campos e lhe perguntou: “Que é que você está procurando?”
  16. Ele respondeu: “Procuro meus irmãos. Pode me dizer onde eles estão apascentando os rebanhos?”
  17. Respondeu o homem: “Eles já partiram daqui. Eu os ouvi dizer: ‘Vamos para Dotã’”. Assim José foi em busca dos seus irmãos e os encontrou perto de Dotã.
  18. Mas eles o viram de longe e, antes que chegasse, planejaram matá-lo.
  19. “Lá vem aquele sonhador!”, diziam uns aos outros.
  20. “É agora! Vamos matá-lo e jogá-lo num destes poços, e diremos que um animal selvagem o devorou. Veremos então o que será dos seus sonhos.”
  21. Quando Rúben ouviu isso, tentou livrá-lo das mãos deles, dizendo: “Não lhe tiremos a vida!”
  22. E acrescentou: “Não derramem sangue. Joguem-no naquele poço no deserto, mas não toquem nele”. Rúben propôs isso com a intenção de livrá-lo e levá-lo de volta ao pai.
  23. Chegando José, seus irmãos lhe arrancaram a túnica longa, agarraram-no e o jogaram no poço, que estava vazio e sem água.
  24. Ao se assentarem para comer, viram ao longe uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade. Seus camelos estavam carregados de especiarias, bálsamo e mirra, que eles levavam para o Egito.
  25. Judá disse então a seus irmãos: “Que ganharemos se matarmos o nosso irmão e escondermos o seu sangue?
  26. Vamos vendê-lo aos ismaelitas. Não tocaremos nele, afinal é nosso irmão, é nosso próprio sangue”. E seus irmãos concordaram.
  27. Quando os mercadores ismaelitas de Midiã se aproximaram, seus irmãos tiraram José do poço e o venderam por vinte peças de prata aos ismaelitas, que o levaram para o Egito.
  28. Quando Rúben voltou ao poço e viu que José não estava lá, rasgou suas vestes e, voltando a seus irmãos, disse: “O jovem não está lá! Para onde irei agora?”
  29. Então eles mataram um bode, mergulharam no sangue a túnica de José e a mandaram ao pai com este recado: “Achamos isto. Veja se é a túnica de teu filho”.
  30. Ele a reconheceu e disse: “É a túnica de meu filho! Um animal selvagem o devorou! José foi despedaçado!”
  31. Então Jacó rasgou suas vestes, vestiu-se de pano de saco e chorou muitos dias por seu filho.
  32. Todos os seus filhos e filhas vieram consolá-lo, mas ele recusou ser consolado, dizendo: “Não! Chorando descerei à sepultura para junto de meu filho”. E continuou a chorar por ele.
  33. Nesse meio tempo, no Egito, os midianitas venderam José a Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda.

Capítulo 32 – Judá

  1. Por essa época, Judá deixou seus irmãos e passou a viver na casa de um homem de Adulão, chamado Hira.
  2. Ali Judá encontrou a filha de um cananeu chamado Suá, e casou-se com ela. Ele a possuiu, ela engravidou e deu à luz um filho, ao qual ele deu o nome de Er.
  3. Tornou a engravidar, teve um filho e deu-lhe o nome de Onã.
  4. Quando estava em Quezibe, ela teve ainda outro filho e chamou-o Selá.
  5. Judá escolheu uma mulher chamada Tamar, para Er, seu filho mais velho.
  6. Mas o SENHOR reprovou a conduta perversa de Er, filho mais velho de Judá, e por isso o matou.
  7. Então Judá disse a Onã: “Case-se com a mulher do seu irmão, cumpra as suas obrigações de cunhado para com ela e dê uma descendência a seu irmão”.
  8. Mas Onã sabia que a descendência não seria sua; assim, toda vez que possuía a mulher do seu irmão, derramava o sêmen no chão para evitar que seu irmão tivesse descendência.
  9. O SENHOR reprovou o que ele fazia, e por isso o matou também.
  10. Disse então Judá à sua nora Tamar: “More como viúva na casa de seu pai até que o meu filho Selá cresça”, porque pensou: “Ele também poderá morrer, como os seus irmãos”. Assim Tamar foi morar na casa do pai.
  11. Tempos depois morreu a mulher de Judá, filha de Suá. Passado o luto, Judá foi ver os tosquiadores do seu rebanho em Timna com o seu amigo Hira, o adulamita.
  12. Quando foi dito a Tamar: “Seu sogro está a caminho de Timna para tosquiar suas ovelhas”, ela trocou suas roupas de viúva, cobriu-se com um véu para se disfarçar e foi sentar-se à entrada de Enaim,
  13. que fica no caminho de Timna. Ela fez isso porque viu que, embora Selá já fosse crescido, ela não lhe tinha sido dada em casamento.
  14. Quando a viu, Judá pensou que fosse uma prostituta, porque ela havia encoberto o rosto.
  15. Não sabendo que era a sua nora, dirigiu-se a ela, à beira da estrada, e disse: “Venha cá, quero deitar-me com você”. Ela lhe perguntou: “O que você me dará para deitar-se comigo?”
  16. Disse ele: “Eu lhe mandarei um cabritinho do meu rebanho”. E ela perguntou: “Você me deixará alguma coisa como garantia até que o mande?”
  17. Disse Judá: “Que garantia devo dar-lhe?” Respondeu ela: “O seu selo com o cordão, e o cajado que você tem na mão”. Ele os entregou e a possuiu, e Tamar engravidou dele.
  18. Ela se foi, tirou o véu e tornou a vestir as roupas de viúva.
  19. Judá mandou o cabritinho por meio de seu amigo adulamita, a fim de reaver da mulher sua garantia, mas ele não a encontrou,
  20. e perguntou aos homens do lugar: “Onde está a prostituta cultual que costuma ficar à beira do caminho de Enaim?” Eles responderam: “Aqui não há nenhuma prostituta cultual”.
  21. Assim ele voltou a Judá e disse: “Não a encontrei. Além disso, os homens do lugar disseram que lá não há nenhuma prostituta cultual”.
  22. Disse Judá: “Fique ela com o que lhe dei. Não quero que nos tornemos motivo de zombaria. Afinal de contas, mandei a ela este cabritinho, mas você não a encontrou”.
  23. Cerca de três meses mais tarde, disseram a Judá: “Sua nora Tamar prostituiu-se, e na sua prostituição ficou grávida”. Disse Judá: “Tragam-na para fora e queimem-na viva!”
  24. Quando ela estava sendo levada para fora, mandou o seguinte recado ao sogro: “Estou grávida do homem que é dono destas coisas”. E acrescentou: “Veja se o senhor reconhece a quem pertencem este selo, este cordão e este cajado”.
  25. Judá os reconheceu e disse: “Ela é mais justa do que eu, pois eu devia tê-la entregue a meu filho Selá”. E não voltou a ter relações com ela.
  26. Quando lhe chegou a época de dar à luz, havia gêmeos em seu ventre.
  27. Enquanto ela dava à luz, um deles pôs a mão para fora; então a parteira pegou um fio vermelho e amarrou o pulso do menino, dizendo: “Este saiu primeiro”.
  28. Mas quando ele recolheu a mão, seu irmão saiu e ela disse: “Então você conseguiu uma brecha para sair!” E deu-lhe o nome de Perez.
  29. Depois saiu seu irmão que estava com o fio vermelho no pulso, e foi-lhe dado o nome de Zerá.

Capítulo 33 – Potifar

  1. José havia sido levado para o Egito, onde o egípcio Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda, comprou-o dos ismaelitas que o tinham levado para lá.
  2. O SENHOR estava com José, de modo que este prosperou e passou a morar na casa do seu senhor egípcio.
  3. Quando este percebeu que o SENHOR estava com ele e que o fazia prosperar em tudo o que realizava, ele agradou-se de José e tornou-o administrador de seus bens.
  4. Potifar deixou a seu cuidado a sua casa e lhe confiou tudo o que possuía.
  5. Desde que o deixou cuidando de sua casa e de todos os seus bens, o SENHOR abençoou a casa do egípcio por causa de José. A bênção do SENHOR estava sobre tudo o que Potifar possuía, tanto em casa como no campo.
  6. Assim, deixou ele aos cuidados de José tudo o que tinha, e não se preocupava com coisa alguma, exceto com sua própria comida. José era atraente e de boa aparência,
  7. e, depois de certo tempo, a mulher do seu senhor começou a cobiçá-lo e o convidou: “Venha, deite-se comigo!”
  8. Mas ele se recusou e lhe disse: “Meu senhor não se preocupa com coisa alguma de sua casa, e tudo o que tem deixou aos meus cuidados.
  9. Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como poderia eu, então, cometer algo tão perverso e pecar contra Deus?”
  10. Assim, embora ela insistisse com José dia após dia, ele se recusava a deitar-se com ela e evitava ficar perto dela.
  11. Um dia ele entrou na casa para fazer suas tarefas, e nenhum dos empregados ali se encontrava.
  12. Ela o agarrou pelo manto e voltou a convidá-lo: “Vamos, deite-se comigo!” Mas ele fugiu da casa, deixando o manto na mão dela.
  13. Quando ela viu que, ao fugir, ele tinha deixado o manto em sua mão, chamou os empregados e lhes disse: “Vejam, este hebreu nos foi trazido para nos insultar! Ele entrou aqui e tentou abusar de mim, mas eu gritei.”
    “Quando me ouviu gritar por socorro, largou seu manto ao meu lado e fugiu da casa”.
  14. Ela conservou o manto consigo até que o senhor de José chegasse em casa.
  15. Então repetiu-lhe a história: “Aquele escravo hebreu que você nos trouxe aproximou-se de mim para me insultar.
  16. Mas, quando gritei por socorro, ele largou seu manto ao meu lado e fugiu”.
  17. Quando o seu senhor ouviu o que a sua mulher lhe disse: “Foi assim que o seu escravo me tratou”, ficou indignado.
  18. Mandou buscar José e lançou-o na prisão em que eram postos os prisioneiros do rei. José ficou na prisão,
    mas o SENHOR estava com ele e o tratou com bondade, concedendo-lhe a simpatia do carcereiro.
  19. Por isso o carcereiro encarregou José de todos os que estavam na prisão, e ele se tornou responsável por tudo o que lá sucedia.
  20. O carcereiro não se preocupava com nada do que estava a cargo de José, porque o SENHOR estava com José e lhe concedia bom êxito em tudo o que realizava.
  21. Algum tempo depois, o copeiro e o padeiro do rei do Egito fizeram uma ofensa ao seu senhor, o rei do Egito.
  22. O faraó irou-se com os dois oficiais, o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros.
  23. E mandou prendê-los na casa do capitão da guarda, na prisão em que José estava.
  24. O capitão da guarda os deixou aos cuidados de José, que os servia.
  25. Depois de certo tempo, o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que estavam na prisão, sonharam. Cada um teve um sonho, ambos na mesma noite, e cada sonho tinha a sua própria interpretação.
  26. Quando José foi vê-los na manhã seguinte, notou que estavam abatidos.
  27. Por isso perguntou aos oficiais do faraó que também estavam presos na casa do seu senhor: “Por que hoje vocês estão com o semblante triste?”
  28. Eles responderam: “Tivemos sonhos, mas não há quem os interprete”. Disse-lhes José: “Não são de Deus as interpretações? Contem-me os sonhos”.
  29. Então o chefe dos copeiros contou o seu sonho a José: “Em meu sonho vi diante de mim uma videira,
    com três ramos. Ela brotou, floresceu e deu uvas que amadureciam em cachos.
  30. A taça do faraó estava em minha mão. Peguei as uvas, e as espremi na taça do faraó, e a entreguei em sua mão”.
  31. Disse-lhe José: “Esta é a interpretação: Os três ramos são três dias.”
  32. “Dentro de três dias o faraó vai exaltá-lo e restaurá-lo à sua posição; e você servirá a taça na mão dele, como costumava fazer quando era seu copeiro.”
  33. “Quando tudo estiver indo bem com você, lembre-se de mim e seja bondoso comigo; fale de mim ao faraó e tire-me desta prisão,”
  34. “Pois fui trazido à força da terra dos hebreus, e também aqui nada fiz para ser jogado neste calabouço”.
  35. Ouvindo o chefe dos padeiros essa interpretação favorável, disse a José: “Eu também tive um sonho: Sobre a minha cabeça havia três cestas de pão branco.
  36. Na cesta de cima havia todo tipo de pães e doces que o faraó aprecia, mas as aves vinham comer da cesta que eu trazia na cabeça”.
  37. E disse José: “Esta é a interpretação: As três cestas são três dias.
  38. Dentro de três dias o faraó vai decapitá-lo e pendurá-lo numa árvore. E as aves comerão a sua carne”.
  39. Três dias depois era o aniversário do faraó, e ele ofereceu um banquete a todos os seus conselheiros. Na presença deles reapresentou o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros:
  40. Restaurou à sua posição o chefe dos copeiros, de modo que ele voltou a ser aquele que servia a taça do faraó.
  41. Mas ao chefe dos padeiros mandou enforcar, como José lhes dissera em sua interpretação.
  42. O chefe dos copeiros, porém, não se lembrou de José; ao contrário, esqueceu-se dele.

Capítulo 34 – Faraó

  1. Ao final de dois anos, o faraó teve um sonho: Ele estava em pé junto ao rio Nilo, quando saíram do rio sete vacas belas e gordas, que começaram a pastar entre os juncos.
  2. Depois saíram do rio mais sete vacas, feias e magras, que foram para junto das outras, à beira do Nilo.
  3. Então as vacas feias e magras comeram as sete vacas belas e gordas. Nisso o faraó acordou.
  4. Tornou a adormecer e teve outro sonho: Sete espigas de trigo, graúdas e boas, cresciam no mesmo pé. Depois brotaram outras sete espigas, mirradas e ressequidas pelo vento leste.
  5. As espigas mirradas engoliram as sete espigas graúdas e cheias. Então o faraó acordou; era um sonho.
  6. Pela manhã, perturbado, mandou chamar todos os magos e sábios do Egito e lhes contou os sonhos, mas ninguém foi capaz de interpretá-los.
  7. Então o chefe dos copeiros disse ao faraó: “Hoje me lembro de minhas faltas.
  8. Certa vez o faraó ficou irado com os seus dois servos e mandou prender-me junto com o chefe dos padeiros, na casa do capitão da guarda.
  9. Certa noite cada um de nós teve um sonho, e cada sonho tinha uma interpretação.
  10. Pois bem, havia lá conosco um jovem hebreu, servo do capitão da guarda. Contamos a ele os nossos sonhos, e ele os interpretou, dando a cada um de nós a interpretação do seu próprio sonho.
  11. E tudo aconteceu conforme ele nos dissera: eu fui restaurado à minha posição e o outro foi enforcado”.
  12. O faraó mandou chamar José, que foi trazido depressa do calabouço. Depois de se barbear e trocar de roupa, apresentou-se ao faraó.
  13. O faraó disse a José: “Tive um sonho que ninguém consegue interpretar. Mas ouvi falar que você, ao ouvir um sonho, é capaz de interpretá-lo”.
  14. Respondeu-lhe José: “Isso não depende de mim, mas Deus dará ao faraó uma resposta favorável”.
  15. Então o faraó contou o sonho a José: “Sonhei que estava de pé, à beira do Nilo, quando saíram do rio sete vacas, belas e gordas, que começaram a pastar entre os juncos.
  16. Depois saíram outras sete, raquíticas, muito feias e magras. Nunca vi vacas tão feias em toda a terra do Egito.
  17. As vacas magras e feias comeram as sete vacas gordas que tinham aparecido primeiro.
  18. Mesmo depois de havê-las comido, não parecia que o tivessem feito, pois continuavam tão magras como antes. Então acordei.
  19. “Depois tive outro sonho: Vi sete espigas de cereal, cheias e boas, que cresciam num mesmo pé.
  20. Depois delas, brotaram outras sete, murchas e mirradas, ressequidas pelo vento leste.
  21. As espigas magras engoliram as sete espigas boas. Contei isso aos magos, mas ninguém foi capaz de explicá-lo”.
  22. “O faraó teve um único sonho”, disse-lhe José.”Deus revelou ao faraó o que ele está para fazer.”
  23. “As sete vacas boas são sete anos, e as sete espigas boas são também sete anos; trata-se de um único sonho.”
  24. “As sete vacas magras e feias que surgiram depois das outras, e as sete espigas mirradas, queimadas pelo vento leste, são sete anos. Serão sete anos de fome.”
  25. “É exatamente como eu disse ao faraó: Deus mostrou ao faraó aquilo que ele vai fazer.”
  26. “Sete anos de muita fartura estão para vir sobre toda a terra do Egito, mas depois virão sete anos de fome. Então todo o tempo de fartura será esquecido, pois a fome arruinará a terra.”
  27. “A fome que virá depois será tão rigorosa que o tempo de fartura não será mais lembrado na terra.”
  28. “O sonho veio ao faraó duas vezes porque a questão já foi decidida por Deus, que se apressa em realizá-la.”
  29. “Procure agora o faraó um homem criterioso e sábio e coloque-o no comando da terra do Egito.”
  30. “O faraó também deve estabelecer supervisores para recolher um quinto da colheita do Egito durante os sete anos de fartura.”
  31. “Eles deverão recolher o que puderem nos anos bons que virão e fazer estoques de trigo que, sob o controle do faraó, serão armazenados nas cidades.”
  32. “Esse estoque servirá de reserva para os sete anos de fome que virão sobre o Egito, para que a terra não seja arrasada pela fome.”
  33. O plano pareceu bom ao faraó e a todos os seus conselheiros.
  34. Por isso o faraó lhes perguntou: “Será que vamos achar alguém como este homem, em quem está o espírito divino?”
  35. Disse, pois, o faraó a José: “Uma vez que Deus lhe revelou todas essas coisas, não há ninguém tão criterioso e sábio como você.
  36. Você terá o comando de meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens. Somente em relação ao trono serei maior que você”.
  37. E o faraó prosseguiu: “Entrego a você agora o comando de toda a terra do Egito”.
  38. Em seguida o faraó tirou do dedo o seu anel de selar e o colocou no dedo de José. Mandou-o vestir linho fino e colocou uma corrente de ouro em seu pescoço.
  39. Também o fez subir em sua segunda carruagem real, e à frente os arautos iam gritando: “Abram caminho!”
  40. Assim José foi colocado no comando de toda a terra do Egito.
  41. Disse ainda o faraó a José: “Eu sou o faraó, mas sem a sua palavra ninguém poderá levantar a mão nem o pé em todo o Egito”.
  42. O faraó deu a José o nome de Zafenate-Panéia e lhe deu por mulher Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. Depois José foi inspecionar toda a terra do Egito.
  43. José tinha trinta anos de idade quando começou a servir ao faraó, rei do Egito. Ele se ausentou da presença do faraó e foi percorrer todo o Egito.
  44. Durante os sete anos de fartura a terra teve grande produção.
  45. José recolheu todo o excedente dos sete anos de fartura no Egito e o armazenou nas cidades. Em cada cidade ele armazenava o trigo colhido nas lavouras das redondezas.
  46. Assim José estocou muito trigo, como a areia do mar. Tal era a quantidade que ele parou de anotar, porque ia além de toda medida.
  47. Antes dos anos de fome, Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, deu a José dois filhos.
  48. Ao primeiro, José deu o nome de Manassés, dizendo: “Deus me fez esquecer todo o meu sofrimento e toda a casa de meu pai”.
  49. Ao segundo filho chamou Efraim, dizendo: “Deus me fez prosperar na terra onde tenho sofrido”.
    Assim chegaram ao fim os sete anos de fartura no Egito.
  50. Começaram os sete anos de fome, como José tinha predito. Houve fome em todas as terras, mas em todo o Egito havia alimento.
  51. Quando todo o Egito começou a sofrer com a fome, o povo clamou ao faraó por comida, e este respondeu a todos os egípcios: “Dirijam-se a José e façam o que ele disser”.
  52. Quando a fome já se havia espalhado por toda a terra, José mandou abrir os locais de armazenamento e começou a vender trigo aos egípcios, pois a fome se agravava em todo o Egito.
  53. E de toda a terra vinha gente ao Egito para comprar trigo de José, porquanto a fome se agravava em toda parte.

Capítulo 35 – Rubén

  1. Quando Jacó soube que no Egito havia trigo, disse a seus filhos: “Por que estão aí olhando uns para os outros?”
  2. Disse ainda: “Ouvi dizer que há trigo no Egito. Desçam até lá e comprem trigo para nós, para que possamos continuar vivos e não morramos de fome”.
  3. Assim dez dos irmãos de José desceram ao Egito para comprar trigo.
  4. Jacó não deixou que Benjamim, irmão de José, fosse com eles, temendo que algum mal lhe acontecesse.
  5. Os filhos de Israel estavam entre outros que também foram comprar trigo, por causa da fome na terra de Canaã.
  6. José era o governador do Egito e era ele que vendia trigo a todo o povo da terra. Por isso, quando os irmãos de José chegaram, curvaram-se diante dele, rosto em terra.
  7. José reconheceu os seus irmãos logo que os viu, mas agiu como se não os conhecesse, e lhes falou asperamente: “De onde vocês vêm?”
  8. Responderam eles: “Da terra de Canaã, para comprar comida”.
  9. José reconheceu os seus irmãos, mas eles não o reconheceram.
  10. Lembrou-se então dos sonhos que tivera a respeito deles e lhes disse: “Vocês são espiões! Vieram para ver onde a nossa terra está desprotegida”.
  11. Eles responderam: “Não, meu senhor. Teus servos vieram comprar comida.
  12. Todos nós somos filhos do mesmo pai. Teus servos são homens honestos, e não espiões”.
  13. Mas José insistiu: “Não! Vocês vieram ver onde a nossa terra está desprotegida”.
  14. E eles disseram: “Teus servos eram doze irmãos, todos filhos do mesmo pai, na terra de Canaã. O caçula está agora em casa com o pai, e o outro já morreu”.
  15. José tornou a afirmar: “É como lhes falei: Vocês são espiões!”
  16. “Vocês serão postos à prova: Juro pela vida do faraó que vocês não sairão daqui, enquanto o seu irmão caçula não vier para cá.”
  17. “Mandem algum de vocês buscar o seu irmão enquanto os demais aguardam presos. Assim ficará provado se as suas palavras são verdadeiras ou não. Se não forem, juro pela vida do faraó que ficará confirmado que vocês são espiões!”
  18. E os deixou presos três dias.
  19. No terceiro dia, José lhes disse: “Eu tenho temor de Deus. Se querem salvar suas vidas, façam o seguinte:
  20. “Se vocês são homens honestos, deixem um dos seus irmãos aqui na prisão, enquanto os demais voltam, levando trigo para matar a fome das suas famílias.”
  21. “Tragam-me, porém, o seu irmão caçula, para que se comprovem as suas palavras e vocês não tenham que morrer”.
  22. Eles se prontificaram a fazer isso e disseram uns aos outros: “Certamente estamos sendo punidos pelo que fizemos a nosso irmão. Vimos como ele estava angustiado, quando nos implorava por sua vida, mas não lhe demos ouvidos; por isso nos sobreveio esta angústia”.
  23. Rúben respondeu: “Eu não lhes disse que não maltratassem o menino? Mas vocês não quiseram me ouvir! Agora teremos que prestar contas do seu sangue”.
  24. Eles, porém, não sabiam que José podia compreendê-los, pois ele lhes falava por meio de um intérprete.
  25. Nisso José retirou-se e começou a chorar, mas logo depois voltou e conversou de novo com eles. Então escolheu Simeão e mandou acorrentá-lo diante deles.
  26. Em seguida, José deu ordem para que enchessem de trigo suas bagagens, devolvessem a prata de cada um deles, colocando-a nas bagagens, e lhes dessem mantimentos para a viagem. E assim foi feito.
  27. Eles puseram a carga de trigo sobre os seus jumentos e partiram.
  28. No lugar onde pararam para pernoitar, um deles abriu a bagagem para pegar forragem para o seu jumento e viu a prata na boca da bagagem.
  29. E disse a seus irmãos: “Devolveram a minha prata. Está aqui em minha bagagem”. Seus corações se encheram de pavor e, tremendo, disseram uns aos outros: “Que é isto que Deus fez conosco?”
  30. Quando contarão a Jacó o que aconteceu, ele lhes disse: “Vocês estão tirando meus filhos de mim! Já fiquei sem José, agora sem Simeão e ainda querem levar Benjamim. Tudo está contra mim!”
  31. Então Rúben disse ao pai: “Podes matar meus dois filhos se eu não o trouxer de volta. Deixa-o aos meus cuidados, e eu o trarei”.
  32. Mas o pai respondeu: “Meu filho não descerá com vocês; seu irmão está morto, e ele é o único que resta. Se qualquer mal lhe acontecer na viagem que estão por fazer, vocês farão estes meus cabelos brancos descerem à sepultura com tristeza”.
  33. A fome continuava rigorosa na terra.
  34. Assim, quando acabou todo o trigo que os filhos de Jacó tinham trazido do Egito, seu pai lhes disse: “Voltem e comprem um pouco mais de comida para nós”.
  35. Mas Judá lhe disse: “O homem nos advertiu severamente: Não voltem à minha presença, a não ser que tragam o seu irmão.”
  36. “Se enviares o nosso irmão conosco, desceremos e compraremos comida para ti. Mas se não o enviares conosco, não iremos, porque foi assim que o homem falou: Não voltem à minha presença, a não ser que tragam o seu irmão”.
  37. Israel perguntou: “Por que me causaram esse mal, contando àquele homem que tinham outro irmão?”
  38. E lhe responderam: “Ele nos interrogou sobre nós e sobre nossa família. E também nos perguntou: O pai de vocês ainda está vivo? Vocês têm outro irmão? Nós simplesmente respondemos ao que ele nos perguntou. Como poderíamos saber que ele exigiria que levássemos o nosso irmão?”
  39. Então disse Judá a Israel, seu pai: “Deixa o jovem ir comigo e partiremos imediatamente, a fim de que tu, nós e nossas crianças sobrevivamos e não venhamos a morrer.
  40. Eu me comprometo pessoalmente pela segurança dele; podes me considerar responsável por ele. Se eu não o trouxer de volta e não o colocar bem aqui na tua presença, serei culpado diante de ti pelo resto da minha vida.
  41. Como se vê, se não tivéssemos demorado tanto, já teríamos ido e voltado duas vezes”.
  42. Então Israel, seu pai, lhes disse: “Se tem que ser assim, que seja! Coloquem alguns dos melhores produtos da nossa terra na bagagem e levem-nos como presente ao tal homem: um pouco de bálsamo, um pouco de mel, algumas especiarias e mirra, algumas nozes de pistache e amêndoas.”
  43. “Levem prata em dobro, e devolvam a prata que foi colocada de volta na boca da bagagem de vocês. Talvez isso tenha acontecido por engano.”
  44. “Peguem também o seu irmão e voltem àquele homem.”
  45. “Que o Deus Todo-poderoso lhes conceda misericórdia diante daquele homem, para que ele permita que o seu outro irmão e Benjamim voltem com vocês. Quanto a mim, se ficar sem filhos, sem filhos ficarei”.
  46. Então os homens desceram ao Egito, levando o presente, prata em dobro e Benjamim, e foram à presença de José.
  47. Quando José viu Benjamim junto com eles, disse ao administrador de sua casa: “Leve estes homens à minha casa, mate um animal e prepare-o; eles almoçarão comigo ao meio-dia”.
  48. Ele fez o que lhe fora ordenado e levou-os à casa de José.
  49. Eles ficaram com medo quando foram levados à casa de José, e pensaram: “Trouxeram-nos aqui por causa da prata que foi devolvida às nossas bagagens na primeira vez. Ele quer atacar-nos, subjugar-nos, tornar-nos escravos e tomar de nós os nossos jumentos”.
  50. Por isso, dirigiram-se ao administrador da casa de José e lhe disseram à entrada da casa: “Ouça, senhor! A primeira vez que viemos aqui foi realmente para comprar comida.”
  51. “Mas no lugar em que paramos para pernoitar, abrimos nossas bagagens e cada um de nós encontrou sua prata, na quantia exata.”
  52. “Por isso a trouxemos de volta conosco, além de mais prata, para comprar comida. Não sabemos quem pôs a prata em nossa bagagem”.
  53. “Fiquem tranqüilos”, disse o administrador.”Não tenham medo. O seu Deus, o Deus de seu pai, foi quem lhes deu um tesouro em suas bagagens, porque a prata de vocês eu recebi.” Então soltou Simeão e o levou à presença deles.
  54. Em seguida os levou à casa de José, deu-lhes água para lavarem os pés e forragem para os seus jumentos.
  55. Eles então prepararam o presente para a chegada de José ao meio-dia, porque ficaram sabendo que iriam almoçar ali.
  56. Quando José chegou, eles o presentearam com o que tinham trazido e curvaram-se diante dele até o chão.
  57. Ele então lhes perguntou como passavam e disse em seguida: “Como vai o pai de vocês, o homem idoso de quem me falaram? Ainda está vivo?”
  58. Eles responderam: “Teu servo, nosso pai, ainda vive e passa bem”. E se curvaram para prestar-lhe honra.
  59. Olhando ao redor e vendo seu irmão Benjamim, filho de sua mãe, José perguntou: “É este o irmão caçula de quem me falaram?” E acrescentou: “Deus lhe conceda graça, meu filho”.
  60. Profundamente emocionado por causa de seu irmão, José apressou-se em sair à procura de um lugar para chorar, e entrando em seu quarto, chorou.
  61. Depois de lavar o rosto, saiu e, controlando-se, disse: “Sirvam a comida”.
  62. Serviram a ele em separado dos seus irmãos e também dos egípcios que comiam com ele, porque os egípcios não podiam comer com os hebreus, pois isso era sacrilégio para eles.
  63. Seus irmãos foram colocados à mesa perante ele por ordem de idade, do mais velho ao mais moço, e olhavam perplexos uns para os outros.
  64. Então lhes serviram da comida da mesa de José, e a porção de Benjamim era cinco vezes maior que a dos outros. E eles festejaram e beberam à vontade.

Capítulo 36 – Perdão

  1. José deu as seguintes ordens ao administrador de sua casa: “Encha as bagagens desses homens com todo o mantimento que puderem carregar e coloque a prata de cada um na boca de sua bagagem.
  2. Depois coloque a minha taça, a taça de prata, na boca da bagagem do caçula, juntamente com a prata paga pelo trigo”. E ele fez tudo conforme as ordens de José.
  3. Assim que despontou a manhã, despediram os homens com os seus jumentos.
  4. Ainda não tinham se afastado da cidade, quando José disse ao administrador de sua casa: “Vá atrás daqueles homens e, quando os alcançar, diga-lhes: Por que retribuíram o bem com o mal?
  5. Não é esta a taça que o meu senhor usa para beber e para fazer adivinhações? Vocês cometeram grande maldade!”
  6. Quando ele os alcançou, repetiu-lhes essas palavras.
  7. Mas eles lhe responderam: “Por que o meu senhor diz isso? Longe dos seus servos fazer tal coisa!
  8. Nós lhe trouxemos de volta, da terra de Canaã, a prata que encontramos na boca de nossa bagagem. Como roubaríamos prata ou ouro da casa do seu senhor?
  9. Se algum dos seus servos for encontrado com ela, morrerá; e nós, os demais, seremos escravos do meu senhor”.
  10. E disse ele: “Concordo. Somente quem for encontrado com ela será meu escravo; os demais estarão livres”.
  11. Cada um deles descarregou depressa a sua bagagem e abriu-a.
  12. O administrador começou então a busca, desde a bagagem do mais velho até a do mais novo. E a taça foi encontrada na bagagem de Benjamim.
  13. Diante disso, eles rasgaram as suas vestes. Em seguida, todos puseram a carga de novo em seus jumentos e retornaram à cidade.
  14. Quando Judá e seus irmãos chegaram à casa de José, ele ainda estava lá. Então eles se lançaram ao chão perante ele.
  15. E José lhes perguntou: “Que foi que vocês fizeram? Vocês não sabem que um homem como eu tem poder para adivinhar?”
  16. Respondeu Judá: “O que diremos a meu senhor? Que podemos falar? Como podemos provar nossa inocência? Deus trouxe à luz a culpa dos teus servos. Agora somos escravos do meu senhor, como também aquele que foi encontrado com a taça”.
  17. Disse, porém, José: “Longe de mim fazer tal coisa! Somente aquele que foi encontrado com a taça será meu escravo. Os demais podem voltar em paz para a casa do seu pai”.
  18. Então Judá dirigiu-se a ele, dizendo: “Por favor, meu senhor, permite-me dizer-te uma palavra. Não se acenda a tua ira contra o teu servo, embora sejas igual ao próprio faraó.”
  19. “Meu senhor perguntou a estes seus servos se ainda tínhamos pai e algum outro irmão.”
  20. “E nós respondemos: Temos um pai já idoso, cujo filho caçula nasceu-lhe em sua velhice. O irmão deste já morreu, e ele é o único filho da mesma mãe que restou, e seu pai o ama muito.”
  21. “Então disseste a teus servos que o trouxessem a ti para que os teus olhos pudessem vê-lo.
  22. “E nós respondemos a meu senhor que o jovem não poderia deixar seu pai, pois, caso o fizesse, seu pai morreria.”
  23. “Todavia disseste a teus servos que se o nosso irmão caçula não viesse conosco, nunca mais veríamos a tua face.”
  24. “Quando voltamos a teu servo, a meu pai, contamos-lhe o que o meu senhor tinha dito.”
  25. “Quando o nosso pai nos mandou voltar para comprar um pouco mais de comida, nós lhe dissemos: Só poderemos voltar para lá, se o nosso irmão caçula for conosco. Pois não poderemos ver a face daquele homem, a não ser que o nosso irmão caçula esteja conosco.”
  26. “Teu servo, meu pai, nos disse então: ‘Vocês sabem que minha mulher me deu apenas dois filhos.”
  27. “Um deles se foi, e eu disse: Com certeza foi despedaçado. E até hoje, nunca mais o vi.”
  28. “Se agora vocês também levarem este de mim, e algum mal lhe acontecer, a tristeza que me causarão fará com que os meus cabelos brancos desçam à sepultura.”
  29. “Agora, pois, se eu voltar a teu servo, a meu pai, sem levar o jovem conosco, logo que meu pai, que é tão apegado a ele, perceber que o jovem não está conosco, morrerá.”
  30. “Teus servos farão seu velho pai descer seus cabelos brancos à sepultura com tristeza.”
  31. “Além disso, teu servo garantiu a segurança do jovem a seu pai, dizendo-lhe: Se eu não o trouxer de volta, suportarei essa culpa diante de ti pelo resto da minha vida!”
  32. “Por isso agora te peço, por favor, deixa o teu servo ficar como escravo do meu senhor no lugar do jovem e permite que ele volte com os seus irmãos.”
  33. Como poderei eu voltar a meu pai sem levar o jovem comigo? Não! Não posso ver o mal que sobreviria a meu pai”.
  34. A essa altura, José já não podia mais conter-se diante de todos os que ali estavam, e gritou: “Façam sair a todos!” Assim, ninguém mais estava presente quando José se revelou a seus irmãos.
  35. E ele se pôs a chorar tão alto que os egípcios o ouviram, e a notícia chegou ao palácio do faraó.
  36. Então disse José a seus irmãos: “Eu sou José! Meu pai ainda está vivo?” Mas os seus irmãos ficaram tão pasmados diante dele que não conseguiam responder-lhe.
  37. “Cheguem mais perto”, disse José a seus irmãos. Quando eles se aproximaram, disse-lhes: “Eu sou José, seu irmão, aquele que vocês venderam ao Egito!”
  38. “Agora, não se aflijam nem se recriminem por terem me vendido para cá, pois foi para salvar vidas que Deus me enviou adiante de vocês.”
  39. “Já houve dois anos de fome na terra, e nos próximos cinco anos não haverá cultivo nem colheita.”
  40. “Mas Deus me enviou à frente de vocês para lhes preservar um remanescente nesta terra e para salvar-lhes as vidas com grande livramento.”
  41. “Assim, não foram vocês que me mandaram para cá, mas sim o próprio Deus. Ele me tornou ministro do faraó, e me fez administrador de todo o palácio e governador de todo o Egito.”
  42. “Voltem depressa a meu pai e digam-lhe: Assim diz o seu filho José: Deus me fez senhor de todo o Egito. Vem para cá, não te demores.”
  43. “Tu viverás na região de Gósen e ficarás perto de mim — tu, os teus filhos, os teus netos, as tuas ovelhas, os teus bois e todos os teus bens.”
  44. “Eu te sustentarei ali, porque ainda haverá cinco anos de fome. Do contrário, tu, a tua família e todos os teus rebanhos acabarão na miséria.”
  45. “”Vocês estão vendo com os seus próprios olhos, e meu irmão Benjamim também, que realmente sou eu que estou falando com vocês.”
  46. “Contem a meu pai quanta honra me prestam no Egito e tudo o que vocês mesmos testemunharam. E tragam meu pai para cá depressa”.
  47. Então ele se lançou chorando sobre o seu irmão Benjamim e o abraçou, e Benjamim também o abraçou, chorando.
  48. Em seguida beijou todos os seus irmãos e chorou com eles. E só depois os seus irmãos conseguiram conversar com ele.
  49. Quando se ouviu no palácio do faraó que os irmãos de José haviam chegado, o faraó e todos os seus conselheiros se alegraram.
  50. Disse então o faraó a José: “Diga a seus irmãos que ponham as cargas nos seus animais, voltem para a terra de Canaã e retornem para cá, trazendo seu pai e suas famílias.”
  51. “Eu lhes darei o melhor da terra do Egito e vocês poderão desfrutar a fartura desta terra.”
  52. “Mande-os também levar carruagens do Egito para trazerem as suas mulheres, os seus filhos e seu pai.”
  53. Não se preocupem com os seus bens, pois o melhor de todo o Egito será de vocês”.
  54. Assim fizeram os filhos de Israel. José lhes providenciou carruagens, como o faraó tinha ordenado, e também mantimentos para a viagem.
  55. A cada um deu uma muda de roupa nova, mas a Benjamim deu trezentas peças de prata e cinco mudas de roupa nova.
  56. E a seu pai enviou dez jumentos carregados com o melhor do que havia no Egito e dez jumentas carregadas de trigo, pão e outras provisões para a viagem.
  57. Depois despediu-se dos seus irmãos e, ao partirem, disse-lhes: “Não briguem pelo caminho!”
  58. Assim partiram do Egito e voltaram a seu pai Jacó, na terra de Canaã.
  59. E lhe deram a notícia: “José ainda está vivo! Na verdade ele é o governador de todo o Egito”. O coração de Jacó quase parou! Não podia acreditar neles.
  60. Mas, quando lhe relataram tudo o que José lhes dissera, e vendo Jacó, seu pai, as carruagens que José enviara para buscá-lo, seu espírito reviveu.
  61. E Israel disse: “Basta! Meu filho José ainda está vivo. Irei vê-lo antes que eu morra”.

Capítulo 37 – Terra de Gosen

  1. Israel partiu com tudo o que lhe pertencia. Ao chegar a Berseba, ofereceu sacrifícios ao Deus de Isaque, seu pai.
  2. Então Jacó partiu de Berseba. Os filhos de Israel levaram seu pai Jacó, seus filhos e as suas mulheres nas carruagens que o faraó tinha enviado.
  3. Também levaram os seus rebanhos e os bens que tinham adquirido em Canaã. Assim Jacó foi para o Egito com toda a sua descendência.
  4. Levou consigo para o Egito seus filhos, seus netos, suas filhas e suas netas, isto é, todos os seus descendentes.
  5. Estes são os nomes dos israelitas, Jacó e seus descendentes, que foram para o Egito: Rúben, o filho mais velho de Jacó.
  6. Estes foram os filhos de Rúben: Enoque, Palu, Hezrom e Carmi.
  7. Estes foram os filhos de Simeão: Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar e Saul, filho de uma cananéia.
  8. Estes foram os filhos de Levi: Gérson, Coate e Merari.
  9. Estes foram os filhos de Judá: Er, Onã, Selá, Perez e Zerá. Er e Onã morreram na terra de Canaã. Estes foram os filhos de Perez: Hezrom e Hamul.
  10. Estes foram os filhos de Issacar: Tolá, Puá, Jasube e Sinrom.
  11. Estes foram os filhos de Zebulom: Serede, Elom e Jaleel.
  12. Foram esses os filhos que Lia deu a Jacó em Padã-Arã, além de sua filha Diná. Seus descendentes eram ao todo trinta e três.
  13. Estes foram os filhos de Gade: Zefom, Hagi, Suni, Esbom, Eri, Arodi e Areli.
  14. Estes foram os filhos de Aser: Imna, Isvá, Isvi e Berias, e a irmã deles, Sera. Estes foram os filhos de Berias: Héber e Malquiel.
  15. Foram esses os dezesseis descendentes que Zilpa, serva que Labão tinha dado à sua filha Lia, deu a Jacó.
  16. Estes foram os filhos de Raquel, mulher de Jacó: José e Benjamim.
  17. Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, deu dois filhos a José no Egito: Manassés e Efraim.
  18. Estes foram os filhos de Benjamim: Belá, Bequer, Asbel, Gera, Naamã, Eí, Rôs, Mupim, Hupim e Arde.
  19. Foram esses os catorze descendentes que Raquel deu a Jacó.
  20. O filho de Dã foi Husim.
  21. Estes foram os filhos de Naftali: Jazeel, Guni, Jezer e Silém.
  22. Foram esses os sete descendentes que Bila, serva que Labão tinha dado à sua filha Raquel, deu a Jacó.
  23. Todos os que foram para o Egito com Jacó, todos os seus descendentes, sem contar as mulheres de seus filhos, totalizaram sessenta e seis pessoas.
  24. Com mais os dois filhos que nasceram a José no Egito, os membros da família de Jacó que foram para o Egito chegaram a setenta.
  25. Ora, Jacó enviou Judá à sua frente a José, para saber como ir a Gósen.
  26. Quando lá chegaram, José, de carruagem pronta, partiu para Gósen para encontrar-se com seu pai Israel. Assim que o viu, correu para abraçá-lo e, abraçado a ele, chorou longamente.
  27. Israel disse a José: “Agora já posso morrer, pois vi o seu rosto e sei que você ainda está vivo”.
  28. Então José disse aos seus irmãos e a toda família de seu pai: “Vou partir e informar ao faraó que os meus irmãos e toda a família de meu pai, que viviam em Canaã, vieram para cá.
  29. Direi que os homens são pastores, cuidam de rebanhos, e trouxeram consigo suas ovelhas, seus bois e tudo quanto lhes pertence.
  30. Quando o faraó mandar chamá-los e perguntar: ‘Em que vocês trabalham? ’,
    respondam-lhe assim: ‘Teus servos criam rebanhos desde pequenos, como o fizeram nossos antepassados’.
  31. Assim lhes será permitido habitar na região de Gósen, pois todos os pastores são desprezados pelos egípcios”.

Capítulo 38 – Conclusão

  1. Algum tempo depois, disseram a José: “Seu pai está doente”; e ele foi vê-lo, levando consigo seus dois filhos, Manassés e Efraim.
  2. E anunciaram a Jacó: “Seu filho José veio vê-lo”. Israel reuniu suas forças e assentou-se na cama.
  3. Então disse Jacó a José: “O Deus Todo-poderoso apareceu-me em Luz, na terra de Canaã, e ali me abençoou, dizendo: Eu o farei prolífero e o multiplicarei. Farei de você uma comunidade de povos e darei esta terra por propriedade perpétua aos seus descendentes.
  4. “Agora, pois, os seus dois filhos que lhe nasceram no Egito, antes da minha vinda para cá, serão reconhecidos como meus; Efraim e Manassés serão meus, como são meus Rúben e Simeão.”
  5. “Os filhos que lhe nascerem depois deles serão seus; serão convocados sob o nome dos seus irmãos para receberem sua herança.”
  6. Quando eu voltava de Padã, para minha tristeza Raquel morreu em Canaã, quando ainda estávamos a caminho, a pouca distância de Efrata. Eu a sepultei ali, ao lado do caminho para Efrata, que é Belém”.
  7. Quando Israel viu os filhos de José, perguntou: “Quem são estes?”
  8. Respondeu José a seu pai: “São os filhos que Deus me deu aqui”. Então Israel disse: “Traga-os aqui para que eu os abençoe”.
  9. Os olhos de Israel já estavam enfraquecidos por causa da idade avançada, e ele mal podia enxergar. Por isso José levou seus filhos para perto dele, e seu pai os beijou e os abraçou.
  10. E Israel disse a José: “Nunca pensei que veria a sua face novamente, e agora Deus me concede ver também os seus filhos!”
  11. Em seguida, José os tirou do colo de Israel e curvou-se, rosto em terra.
  12. E José tomou os dois, Efraim à sua direita, perto da mão esquerda de Israel, e Manassés à sua esquerda, perto da mão direita de Israel, e os aproximou dele.
  13. Israel, porém, estendeu a mão direita e a pôs sobre a cabeça de Efraim, embora este fosse o mais novo e, cruzando os braços, pôs a mão esquerda sobre a cabeça de Manassés, embora Manassés fosse o filho mais velho.
  14. E abençoou a José, dizendo: “Que o Deus, a quem serviram meus pais Abraão e Isaque, o Deus que tem sido o meu pastor em toda a minha vida até o dia de hoje,
  15. o Anjo que me redimiu de todo o mal, abençoe estes meninos. Sejam eles chamados pelo meu nome e pelos nomes de meus pais Abraão e Isaque, e cresçam muito na terra”.
  16. Quando José viu seu pai colocar a mão direita sobre a cabeça de Efraim, não gostou; por isso pegou a mão do pai, a fim de mudá-la da cabeça de Efraim para a de Manassés,
  17. e lhe disse: “Não, meu pai, este aqui é o mais velho; ponha a mão direita sobre a cabeça dele”.
  18. Mas seu pai recusou-se e respondeu: “Eu sei, meu filho, eu sei. Ele também se tornará um povo, também será grande. Apesar disso, seu irmão mais novo será maior do que ele, e seus descendentes se tornarão muitos povos”.
  19. Assim, Jacó os abençoou naquele dia, dizendo: “O povo de Israel usará os seus nomes para abençoar uns aos outros: Que Deus faça a você como fez a Efraim e a Manassés!” E colocou Efraim à frente de Manassés.
  20. A seguir, Israel disse a José: “Estou para morrer, mas Deus estará com vocês e os levará de volta à terra de seus antepassados.
  21. E a você, como alguém que está acima de seus irmãos, dou a região montanhosa que tomei dos amorreus com a minha espada e com o meu arco”.
  22. A seguir, Jacó deu-lhes estas instruções: “Estou para ser reunido aos meus antepassados.”
  23. Sepultem-me junto aos meus pais na caverna do campo de Efrom, o hitita, na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, em Canaã, campo que Abraão comprou de Efrom, o hitita, como propriedade para sepultura.”
  24. “Ali foram sepultados Abraão e Sara, sua mulher, e Isaque e Rebeca, sua mulher; ali também sepultei Lia.”
  25. Ao acabar de dar essas instruções a seus filhos, Jacó deitou-se, expirou e foi reunido aos seus antepassados.
  26. José atirou-se sobre seu pai, chorou sobre ele e o beijou.
  27. Em seguida deu ordens aos médicos, que estavam ao seu serviço, que embalsamassem seu pai Israel. E eles o embalsamaram.
  28. Levaram quarenta dias completos, pois esse era o tempo para o embalsamamento. E os egípcios choraram sua morte setenta dias.
  29. Passados os dias de luto, José disse à corte do faraó: “Se posso contar com a bondade de vocês, falem com o faraó em meu favor.”
  30. “Digam-lhe que meu pai fez-me prestar-lhe o seguinte juramento: Estou à beira da morte; sepulte-me no túmulo que preparei para mim na terra de Canaã.
  31. “Agora, pois, peçam-lhe que me permita partir e sepultar meu pai; logo depois voltarei”.
  32. Respondeu o faraó: “Vá e faça o sepultamento de seu pai como este o fez jurar”.
  33. Então José partiu para sepultar seu pai. Com ele foram todos os conselheiros do faraó, as autoridades da sua corte e todas as autoridades do Egito.
  34. E, além deles, todos os da família de José, os seus irmãos e todos os da casa de seu pai. Somente as crianças, as ovelhas e os bois foram deixados em Gósen.
  35. Carruagens e cavaleiros também o acompanharam. A comitiva era imensa.
  36. Chegando à eira de Atade, perto do Jordão, lamentaram em alta voz, com grande amargura; e ali José guardou sete dias de pranto pela morte do seu pai.
  37. Quando os cananeus que lá habitavam viram aquele pranto na eira de Atade, disseram: “Os egípcios estão celebrando uma cerimônia de luto solene”.
  38. Por essa razão, aquele lugar, próximo ao Jordão, foi chamado Abel Mizraim.
  39. Assim fizeram os filhos de Jacó o que este lhes havia ordenado.
  40. Levaram-no à terra de Canaã e o sepultaram na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, que Abraão havia comprado de Efrom, o hitita, para que lhe servisse de propriedade para sepultura, juntamente com o campo.
  41. Depois de sepultar seu pai, José voltou ao Egito, com os seus irmãos e com todos os demais que o tinham acompanhado.
  42. Vendo os irmãos de José que seu pai havia morrido, disseram: “E se José guardar rancor contra nós e resolver retribuir todo o mal que lhe causamos?”
  43. Então mandaram um recado a José, dizendo: “Antes de morrer, teu pai nos ordenou.”
  44. “Pediu que te disséssemos o seguinte: Peço-lhe que perdoe os erros e pecados de seus irmãos que o trataram com tanta maldade! Agora, pois, perdoa os pecados dos servos do Deus do teu pai”.
  45. Quando recebeu o recado, José chorou.”
  46. Depois vieram seus irmãos, prostraram-se diante dele e disseram: “Aqui estamos. Somos teus escravos!”
  47. José, porém, lhes disse: “Não tenham medo. Estaria eu no lugar de Deus?”
    “Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos.”
  48. “Por isso, não tenham medo. Eu sustentarei vocês e seus filhos”. E assim os tranqüilizou e lhes falou amavelmente.
  49. José permaneceu no Egito, com toda a família de seu pai. Viveu cento e dez anos.
  50. Ele viu a terceira geração dos filhos de Efraim. Além disso, recebeu como seus os filhos de Maquir, filho de Manassés.
  51. Antes de morrer José disse a seus irmãos: “Estou à beira da morte. Mas Deus certamente virá em auxílio de vocês e os tirará desta terra, levando-os para a terra que prometeu com juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó”.
  52. E José fez que os filhos de Israel lhe prestassem um juramento, dizendo-lhes: “Quando Deus intervier em favor de vocês, levem os meus ossos daqui”.
  53. Morreu José com a idade de cento e dez anos. E, depois de embalsamado, foi colocado num sarcófago no Egito.

Capítulo 39 (Epílogo) – Julgamento

  1. A Visão da Sabedoria, que Enoque, o filho de Jarede, o filho de Malalel, o filho de Cainã, o filho de Enos, o filho de Sete, o filho de Adão, viu.
  2. “Este é o início das palavras de sabedoria, as quais levantei minha voz para falar, e dizer, aos que habitam em terra seca”.
  3. “Ouvi, vós, homens da antiguidade, e vede, os que vêm depois, as palavras do Santo, que falarei, diante do SENHOR dos Espíritos.”
  4. “Teria sido melhor ter dito essas coisas antes, mas dos que virão depois, não reteremos o princípio da sabedoria.”
  5. “Até agora, não foi dada pelo SENHOR dos Espíritos a sabedoria que recebi. De acordo com minha visão, de acordo com o desejo do SENHOR dos Espíritos; por quem me foi dado o destino da vida eterna.”
  6. “E as três parábolas foram comunicadas a mim, e eu levantei minha voz, e disse aos que habitam em terra seca:”
  7. A Primeira Parábola.”Quando a Comunidade dos Justos aparece e os pecadores são julgados por seus pecados e expulsos da face da terra seca;”.
  8. “Quando o Justo aparecer, na frente dos Justos Escolhidos, cujas obras são pesadas pelo SENHOR dos Espíritos;”
  9. Quando a luz aparecer para os justos e escolhidos, que moram em terra seca, onde será a morada dos pecadores?”
  10. “Onde estará o lugar de descanso daqueles que negaram o SENHOR dos Espíritos? Teria sido melhor para eles se não tivessem nascido”.
  11. “Quando os segredos dos justos forem revelados, os pecadores serão julgados e os ímpios expulsos da presença dos justos e escolhidos”.
  12. “A partir de então, aqueles que possuem a Terra não serão poderosos e exaltados.”
  13. “Nem serão capazes de olhar para a face dos Santos, pois a luz do SENHOR dos Espíritos terá aparecido nas faces dos Santos, dos justos e dos escolhidos.”
  14. “Os reis poderosos serão, neste tempo, destruídos e entregues nas mãos dos justos e dos Santos.”
  15. “A partir de então, ninguém poderá buscar o SENHOR dos Espíritos, pois sua vida estará no fim.”
  16. “Acontecerá, nestes dias, que os filhos escolhidos e santos descerão dos Altos Céus, e sua descendência se tornará um com os filhos dos homens.”
  17. “Nestes dias, Enoque recebeu livros de indignação e raiva, e livros de tumulto e confusão: ‘E não haverá misericórdia para eles’, diz o SENHOR dos Espíritos.”
  18. “Neste momento, nuvens e uma tempestade de vento me levaram da face da Terra e me colocaram no fim do céu.”
  19. “E ali, eu tive outra visão; a habitação dos justos e os lugares de descanso dos santos.”
  20. “Lá, meus olhos viram sua morada com os Anjos, e seus lugares de descanso com os Santos, e eles estavam suplicando, suplicando e orando em nome dos filhos dos homens.”
  21. “E a justiça, como água, fluía na frente deles, e misericórdia, como o orvalho na terra. Assim estará entre eles para todo o sempre.”
  22. “Nestes dias, meus olhos viram o Lugar dos Escolhidos de Justiça e Fé; e haverá justiça em seus dias, e os justos e escolhidos serão incontáveis ​​diante Dele, para todo o sempre.”
  23. “E vi a sua habitação, sob as Asas do SENHOR dos Espíritos, e todos os justos e escolhidos brilharam diante Dele, como a luz do fogo.”
  24. “As suas bocas estavam cheias de bênçãos, e seus lábios louvavam o nome do SENHOR dos Espíritos.”
  25. “A justiça não vai falhar na frente dele, e a verdade não vai falhar na frente dele.”
  26. Lá eu desejei habitar, e minha alma ansiava por aquela habitação; ali já tinha sido atribuído o meu lote, pois assim foi decidido sobre mim, na frente do SENHOR dos Espíritos.”
  27. “Nestes dias, louvei e exaltei o nome do SENHOR dos Espíritos, com bênção e louvor, pois Ele me destinou para bênção e louvor, de acordo com a vontade do SENHOR dos Espíritos.”
  28. “Por muito tempo meus olhos olharam para aquele lugar, e eu O abençoei, e O louvei, dizendo: Bendito seja Ele, e que Ele seja bendito desde o princípio e para sempre!”
  29. “Em Sua presença não há fim. Ele sabia, antes que o mundo fosse criado, o que o mundo seria; mesmo para todas as gerações que estão por vir.”
  30. “Aqueles que Não Dormem te abençoem, e eles se apresentem diante de Sua Glória, e abençoem, e louvem, e exaltem, dizendo: “Santo, Santo, Santo, SENHOR dos Espíritos; Ele enche a Terra de espíritos.”
  31. “Ali, meus olhos viram todos Aqueles Que Não Dormem, em pé na frente Dele, e abençoando, e dizendo: “Bendito és Tu, e bendito o Nome do SENHOR, para todo o sempre!”
  32. “Meu rosto foi transformado até que eu não pude mais ver.”
  33. “Depois disso, eu vi mil milhares e dez mil vezes dez mil! Uma multidão, incalculável ou incalculável, que estava diante da Glória do SENHOR dos Espíritos.”
  34. “Eu olhei, e nos quatro lados do SENHOR dos Espíritos, vi quatro figuras, diferentes daquelas que estavam de pé.”
  35. “Eu aprendi seus nomes, porque o Anjo, que foi comigo, fez saber seus nomes e me mostrou todas as coisas secretas.”
  36. “Eu ouvi as vozes daquelas quatro figuras enquanto cantavam louvores na frente do SENHOR da Glória.”
  37. “A primeira voz abençoa o SENHOR dos Espíritos para todo o sempre.”
  38. “A segunda voz, eu ouvi abençoando o Escolhido, e os escolhidos, que dependem do SENHOR dos Espíritos.”
  39. “A terceira voz eu ouvi, suplicou e orei, em nome dos que habitam em solo seco, e suplicam em nome do SENHOR dos Espíritos.
  40. “A quarta voz, eu ouvi afastando os satanás, e não permitindo que eles se apresentassem diante do SENHOR dos Espíritos para acusar os que habitam na terra seca.”
  41. “Depois disso, perguntei ao Anjo da Paz, que foi comigo, e me mostrou tudo o que é secreto: Quem são essas quatro figuras que eu vi e cujas palavras ouvi e escrevi?”
  42. Ele disse: “Este primeiro é o Santo Miguel, o misericordioso e longânimo. O segundo, que é o responsável por todas as doenças, e responsável por todas as feridas dos filhos dos homens, é Rafael. O terceiro, que está encarregado de todos os poderes, é o Santo Gabriel. E o quarto, que está encarregado do arrependimento e da esperança dos que herdarão a vida eterna, é Fanuel.”
  43. “Estes são os quatro Anjos do SENHOR Altíssimo; e as quatro vozes que ouvi naqueles dias.”
  44. “Depois disso, eu vi todos os segredos do Céu, e como o Reino está dividido, e como as ações dos homens são pesadas na Balança.”
  45. “Lá eu vi a Morada dos Escolhidos e os Locais de Repouso dos Santos; e meus olhos viram lá todos os pecadores, que negam o nome do SENHOR dos Espíritos, sendo expulsos.”
  46. “Eles os arrastaram, não puderam ficar, por causa do castigo que saiu do SENHOR dos Espíritos.”
  47. “Lá, meus olhos viram os segredos dos relâmpagos e do trovão. Os segredos dos ventos, como se distribuem, para soprar sobre a Terra, e os segredos das nuvens e do orvalho; vi de onde saem deste lugar; e como, a partir daí, a poeira da Terra fica saturada.
  48. “Lá eu vi depósitos fechados, dos quais os ventos são distribuídos; o depósito do granizo, o depósito da névoa; o depósito das nuvens; e sua nuvem que permaneceu sobre a Terra, desde o início do mundo.”
  49. “Eu vi as Câmaras do Sol e da Lua, de onde saem e para onde retornam; a sua volta gloriosa; como um é mais honrado do que o outro.”
  50. “O seu percurso é magnífico; como  não saem de seu curso, nem adicionando nem subtraindo seu caminho; e como eles mantêm a fé um no outro; observando seu juramento.”
  51. “O Sol sai primeiro e completa sua jornada ao comando do SENHOR dos Espíritos; Seu nome dura para todo o sempre.”
  52. “Depois disso, vem o caminho oculto e visível da Lua, e ela percorre o curso de sua jornada, naquele lugar, de dia e de noite.”
  53. “Um fica de frente para o outro, diante do SENHOR dos Espíritos, e eles dão graças e cantam louvores, e não descansam, porque sua ação de graças é como descanso para eles.”
  54. “O Sol brilhante faz muitas revoluções; por uma bênção e por uma maldição. O caminho, da jornada da Lua, é para os justos, luz, mas para os pecadores, escuridão.”
  55. “Em Nome do SENHOR, que criou uma divisão entre a luz e as trevas, e dividiu os espíritos dos homens, e estabeleceu os espíritos dos justos, em nome de Sua Justiça.”
  56. “Nenhum anjo atrapalha ou poder algum pode atrapalhar, porque o Juiz vê a todos, e ele mesmo julga a todos.”
  57. “A sabedoria não encontrou nenhum lugar onde pudesse morar, a sua morada era no céu.”
  58. “A sabedoria saiu, a fim de habitar entre os filhos dos homens, mas não encontrou uma morada; a sabedoria voltou ao seu lugar, e tomou seu assento no meio dos Anjos.”
  59. “E a iniquidade saiu de seus aposentos; aqueles a quem ela não procurava, ela encontrou e habitou entre eles, como a chuva no deserto e como o orvalho na terra seca.”
  60. “E novamente, eu vi brilhos de relâmpagos, e as Estrelas do Céu, e eu vi como Ele os chamou todos por seus nomes, e eles Lhe obedeceram.”
  61. “Eu vi a Balança da Justiça; como eles são pesados ​​de acordo com sua luz, de acordo com a largura de suas áreas e o dia de seu aparecimento.”
  62. “E como suas revoluções produzem raios; e eu vi suas revoluções, de acordo com o número dos anjos, e como eles mantêm a fé uns com os outros.”
  63. “E eu perguntei ao Anjo, que foi comigo e me mostrou o que é segredo: O que são estes?”
  64. “Ele me disse: A semelhança deles, o SENHOR dos Espíritos mostrou a você; estes são os nomes dos justos, que habitam na terra seca, e acreditam no nome do SENHOR dos Espíritos para todo o sempre.”
  65. “Outras coisas eu vi, com relação aos relâmpagos, como algumas das estrelas sobem e se tornam relâmpagos, mas não podem perder sua forma.”

Capitulo 40 (Epílogo) – Messias

  1. Esta é a segunda parábola da Visão de Enoque sobre aqueles que negam o Nome da Morada dos Santos e do SENHOR dos Espíritos.
  2. Eles não ascenderão ao Céu, nem virão à Terra; tal será a sorte dos pecadores que negam o Nome do SENHOR dos Espíritos, que assim serão guardados para o Dia da Punição e da Aflição.
  3. Neste dia, o Escolhido se assentará no Trono da Glória e escolherá suas obras. E seus lugares de descanso serão incontáveis, e seus espíritos, dentro deles, se fortalecerão quando virem Meu Escolhido e aqueles que apelo ao Meu Santo e Glorioso Nome.
  4. Neste dia, Eu farei Meu Escolhido habitar entre eles, e Eu irei transformar o Céu e torná-lo uma Bênção e Luz Eterna.
  5. Eu transformarei a terra seca, e a tornarei uma bênção, e farei com que Meus Escolhidos habitem nela; mas aqueles que cometem o pecado e o mal não o pisarão.
  6. Pois tenho visto e ficado satisfeito com a paz, Meus Justos, e os tenho colocado diante de Mim; mas para os pecadores Meu Julgamento se aproxima, para que eu possa destruí-los da face da Terra.
  7. Lá, eu vi um que tinha uma Ancião dos Dias, e sua cabeça era branca como lã. E com ele havia outro, cujo rosto tinha a aparência de um homem, e seu rosto era cheio de graça, como um dos Santos Anjos.
  8. Eu perguntei a um dos Santos Anjos, que foi comigo, e me mostrou todos os segredos sobre aquele Filho do Homem, quem ele era, e de onde ele estava, e por que estava com o Ancião dos Dias.
  9. Ele me respondeu, e disse-me: “Este é o Filho do Homem que tem justiça, e com quem habita a justiça. Ele revelará todos os tesouros do que é secreto, pois o SENHOR dos Espíritos o escolheu, e pela retidão, sua sorte superou todas as outras, na frente do SENHOR dos Espíritos, para sempre.”
  10. “Este Filho do Homem, que viste, vai despertar os reis e os poderosos de seus lugares de descanso, e os fortes de seus tronos, e vai soltar as rédeas dos fortes, e vai quebrar os dentes dos pecadores.”
  11. “Ele lançará os reis de seus tronos e de seus reinos, pois eles não O exaltam, e não O louvam, e não reconhecem humildemente de onde seu reino foi dado a eles.”
  12. “Ele derrubará os rostos dos fortes, e a vergonha os encherá, e as trevas serão a sua morada, e os vermes serão o seu lugar de descanso.”
  13. “Eles não terão esperança de se levantar de seus lugares de descanso, pois eles não exaltam o Nome do SENHOR dos Espíritos.”
  14. “Estes são os que julgam as Estrelas do Céu, e levantam suas mãos contra o Altíssimo, e pisam na terra seca e nela habitam.”
  15. “Todas as suas ações mostram iniquidade, e seu poder repousa em suas riquezas, e sua fé está em seus deuses, que eles fizeram com suas mãos, e eles negam o Nome do SENHOR dos Espíritos.”
  16. “Eles serão expulsos das casas de Sua Congregação, e dos fiéis, que dependem do Nome do SENHOR dos Espíritos.”
  17. “Nestes dias, a oração dos justos e o sangue dos justos terão ascendido da Terra, na frente do SENHOR dos Espíritos.”
  18. “Nestes dias, os Santos, que vivem no Céu acima, irão se unir a uma voz, e suplicar, e orar, e louvar, e dar graças e abençoar, em Nome do SENHOR dos Espíritos.”
  19. “Por causa do sangue dos justos que foi derramado. E por causa da oração dos justos, para que não cesse diante do SENHOR dos Espíritos, para que a justiça seja feita a eles e para que a sua paciência não tenha de durar para sempre.”
  20. “Nestes dias, eu vi o Ancião dos Dias sentar-se no Trono de Sua Glória, e os Livros dos Vivos foram abertos, na frente Dele, e todas as Suas Hóstias, que habitam nos Céus acima, e Seu Conselho estavam de pé na frente dele.
  21. “Os corações dos Santos estavam cheios de alegria, porque o Número da Justiça foi alcançado, e a oração dos justos foi ouvida, e o sangue dos justos foi exigido, na frente do SENHOR dos Espíritos.”
  22. “Neste lugar, eu vi uma fonte inesgotável de Justiça, e muitas Fontes de Sabedoria a rodeavam, e todos os sedentos beberam deles, e ficaram cheios de sabedoria, e sua morada era com os Justos, e os Santos e o Escolhidos.”
  23. “Nesta hora, aquele Filho do Homem foi nomeado na presença do SENHOR dos Espíritos, e nomeado na frente do Ancião dos Dias.”
  24. “Mesmo antes de o Sol e as constelações serem criados, antes das Estrelas do Céu serem feitas, seu nome foi nomeado na frente do SENHOR dos Espíritos.”
  25. “Ele será um cajado dos Justos e dos Santos, para que se apóiem nele e não caiam, e ele será a Luz das Nações e será a esperança dos que sofrem em seus corações.”
  26. “Todos os que habitam na terra seca, cairão e adorarão, diante Dele, e eles irão abençoar, louvar e celebrar com salmos, o nome do SENHOR dos Espíritos.”
  27. “Por causa disso, ele foi escolhido, e escondido diante Dele, antes que o Mundo fosse criado, e para sempre.”
  28. “Mas a sabedoria do SENHOR dos Espíritos, revelou-o aos santos e aos justos, pois Ele tem guardado a sorte dos justos, pois eles odiaram e rejeitaram este mundo de iniquidade.”
  29. “Todas as suas obras, e seus caminhos, eles odiaram, em nome do SENHOR dos Espíritos. Pois em Seu nome eles são salvos, e Ele é quem vai exigir suas vidas.”
  30. “Nestes dias, os reis da Terra, e os fortes, que possuem as propriedades, terão o rosto abatido, por causa das obras de suas mãos, pois no Dia da Aflição e Tribulação, eles não se salvarão.”
  31. “Eu os entregarei nas mãos de Meus Escolhidos; como palha no fogo, e como chumbo na água, então eles queimarão na frente dos Justos, e afundarão na frente do Santo, e nenhum traço deles será encontrado.”
  32. “No dia de sua angústia, haverá descanso na Terra, e eles cairão na frente deles e não se levantarão.”
  33. “Não haverá ninguém que irá tomá-los com as mãos e levantá-los, pois eles negaram o SENHOR dos Espíritos e Seu Messias.”
  34. “Que o Nome do SENHOR dos Espíritos seja abençoado!”
  35. “Pois a sabedoria foi derramada como água, e a glória não faltará diante Dele, para todo o sempre.”
  36. “Pois ele é poderoso em todos os segredos da justiça. A iniquidade passará como uma sombra e não terá existência; pois o Escolhido está diante do SENHOR dos Espíritos; Sua Glória é para todo o sempre; e Seu Poder para todas as gerações.”
  37. “Nele habita o espírito de sabedoria; o espírito que dá entendimento; o espírito de conhecimento e de poder; e o espírito dos que dormem em retidão.”
  38. “Ele julgará as coisas que são secretas, e ninguém poderá dizer uma palavra ociosa na sua frente, pois ele foi escolhido na frente do SENHOR dos Espíritos, de acordo com Seu desejo.”
  39. “Nestes dias, uma mudança ocorrerá para o Santo e o Escolhido; a Luz dos Dias repousará sobre eles, e a glória e a honra retornarão ao Santo.”
  40. “No Dia da Tribulação, a calamidade será amontoada sobre os pecadores, mas os justos vencerão, em Nome do SENHOR dos Espíritos, e ele mostrará isso a outros para que se arrependam e abandonem as obras de suas mãos.”
  41. “Eles não terão nenhuma honra, na frente do SENHOR dos Espíritos, mas em seu nome eles serão salvos, e o SENHOR dos Espíritos terá misericórdia deles, pois Sua misericórdia é grande.”
  42. “Ele é justo, em seu julgamento e na frente de sua glória, a iniquidade não poderá resistir ao seu julgamento; quem não se arrepender será destruído.”
  43. “E daí em diante não terei misericórdia deles”, diz o SENHOR dos Espíritos.”
  44. “Nestes dias, a Terra retornará o que foi confiado a ela, e o Sheol retornará o que foi confiado a ela e o que ela recebeu. E a destruição retornará o que deve.”
  45. “Ele escolherá os justos e os santos dentre eles; pois se aproxima o dia em que devem ser salvos.”
  46. “Nestes dias, o Escolhido se sentará em Seu Trono, e todos os Segredos da Sabedoria fluirão do conselho de sua boca, pois o SENHOR dos Espíritos o nomeou e glorificou.”
  47. “Nestes dias, as montanhas saltarão como carneiros e as colinas saltarão como cordeiros satisfeitos com leite, e todos se tornarão Anjos no Céu.”
  48. “Seus rostos brilharão de alegria, pois nestes dias o Escolhido terá ressuscitado e a Terra se alegrará. E os justos habitarão sobre ela, e os escolhidos caminharão sobre ela.”

Capítulo 42 (Epílogo) – Batalha

  1. “Depois destes dias, naquele lugar onde eu tinha tido todas as visões daquilo que é secreto, pois fui levado por um redemoinho, e eles me trouxeram para o oeste.”
  2. “Lá, meus olhos viram os Segredos do Céu; tudo o que ocorrerá na Terra: uma montanha de ferro, uma montanha de cobre, uma montanha de prata, uma montanha de ouro, uma montanha de metal macio e uma montanha de chumbo.”
  3. “Eu perguntei ao Anjo, que foi comigo, dizendo: O que são estas coisas que tenho visto em secreto?”
  4. “Ele me disse: Todas essas coisas que você viu, servem à autoridade de Seu Messias, para que ele seja forte e poderoso na Terra.”
  5. “Aquele Anjo da Paz me respondeu, dizendo: Espere um pouco e você verá, tudo o que é secreto, que o SENHOR dos Espíritos estabeleceu, será revelado a você.”
  6. “Estas montanhas, que viste; a montanha de ferro, a montanha de cobre, a montanha de prata, a montanha de ouro, a montanha de metal macio e a montanha de chumbo.”
  7. “Todos estes, diante do Escolhido, serão como cera antes do fogo e, como a água que desce do alto sobre essas montanhas, serão fracos sob seus pés.”
  8. “Acontecerá, nestes dias, que nem por ouro nem por prata os homens se salvarão; eles serão incapazes de se salvar ou de fugir.”
  9. “Não haverá nem ferro para a guerra, nem material para um peitoral; o bronze não terá utilidade, o estanho não terá utilidade, não valerá nada e não se desejará chumbo.”
  10. “Todos estes serão exterminados e destruídos, da face da Terra, quando o Escolhido aparecer na frente do SENHOR dos Espíritos.”
  11. “Ali, meus olhos viram um vale profundo, e sua boca estava aberta; e todos os que moram em solo seco, no mar e nas ilhas trarão presentes, oferendas e ofertas a Ele, mas aquele vale profundo não ficará cheio.”
  12. “As suas mãos cometem o mal e tudo o que os justos labutam, os pecadores devoram mal.”
  13. “E assim os pecadores serão destruídos na frente do SENHOR dos Espíritos, e serão banidos da face de Sua Terra, incessantemente para todo o sempre.”
  14. “Pois eu vi os Anjos de Castigo indo e preparando todos os instrumentos de Satanás.”
  15. “Eu perguntei ao Anjo da Paz, que foi comigo, e disse-lhe: Estes instrumentos; para quem os estão preparando?”
  16. “Ele me disse: Eles estão preparando isto para os reis, e os poderosos desta Terra, para que por meio deles possam ser destruídos.”
  17. “Depois disso, os Justos e os Escolhidos farão com que a casa de Sua Congregação apareça; a partir daí, em Nome do SENHOR dos Espíritos, eles não serão impedidos.”
  18. “Na frente dele, essas montanhas não serão firmes como a terra, e as colinas serão como uma fonte de água; e os justos terão descanso dos maus tratos aos pecadores.”
  19. “Eu olhei, e voltei-me para outra parte da Terra, e vi ali um vale profundo com fogo ardente.”
  20. “Eles trouxeram os reis e poderosos, e os jogaram naquele vale.”
  21. “Ali, meus olhos viram como eles fizeram instrumentos para eles; correntes de ferro de peso incomensurável.”
  22. “Eu perguntei ao Anjo da Paz, que foi comigo, dizendo: Estas correntes; para quem estão sendo preparadas?”
  23. “Ele me disse: Estes estão sendo preparados para as hostes de Azazel, para que possam pegá-los e jogá-los na parte mais baixa do inferno.”
  24. “Eles cobrirão suas mandíbulas com pedras ásperas, como o SENHOR dos Espíritos comandado.”
  25. “Miguel e Gabriel, Rafael e Fanuel; estes irão segurá-los neste grande dia e lançá-los, neste dia, na fornalha de fogo ardente, para que o SENHOR dos Espíritos possa se vingar deles, por sua iniquidade, na medida em que se tornaram servos de Satanás, e desencaminharam os que habitam na terra seca.”
  26. “Nestes dias, a punição do SENHOR dos Espíritos sairá, e todos os depósitos das águas, que estão acima do céu e sob a terra, serão abertos.”
  27. “Todas as águas se unirão com as águas que estão acima do céu. A água que está acima do céu é masculina e a que está abaixo da Terra é feminina.”
  28. “Todos os que moram na terra seca, e os que moram sob os confins do Céu, serão exterminados.”
  29. “Por causa disso, eles vão reconhecer sua iniquidade, que cometeram na Terra, e por isso serão destruídos.”
  30. “Depois disso, o Ancião dos Dias se arrependeu e disse: Eu destruí, sem propósito, todos os que habitam na terra seca.”
  31. “Ele jurou, por Seu Grande Nome: De agora em diante, não agirei assim para com todos os que habitam na terra seca.”
  32. “Eu porei um sinal no Céu, e será um penhor de fé entre Mim e eles, para sempre, enquanto o céu estiver acima da terra.”
  33. “Isso estará de acordo com Meu comando. Quando eu quiser segurá-los, com as mãos dos Anjos, no dia da angústia e da dor, em face da Minha raiva e da Minha ira; Minha ira e raiva permanecerão sobre eles, diz o SENHOR, o SENHOR dos Espíritos.”
  34. “Vocês reis poderosos, que habitam em solo seco, serão obrigados a assistir Meu Escolhido sentar-se no trono de Minha Glória e julgar, em Nome do SENHOR dos Espíritos, Azazel, e todos os seus associados, e todos os seus anfitriões.”
  35. “Eu vi lá, as hostes dos Anjos da Punição, enquanto eles iam, e eles estavam segurando correntes de ferro e bronze.”
  36. “Eu perguntei ao Anjo da Paz, que foi comigo, dizendo: Para quem são os que estão segurando as correntes?”
  37. “Ele me disse: Cada um aos seus escolhidos e aos seus amados, para que sejam lançados no abismo, nas profundezas do vale.”
  38. “Então aquele vale será preenchido com seus escolhidos e amados, e os dias de suas vidas chegarão ao fim, e os dias de seu extravio não serão mais contados.”
  39. “Nestes dias, os Anjos se reunirão e se lançarão em direção ao leste, sobre os Partos e Medos.”
  40. “Eles incitarão os reis, de modo que um espírito perturbador virá sobre eles, e eles os expulsarão de seus tronos.”
  41. “Eles sairão como leões de suas tocas, e como lobos famintos no meio de seus rebanhos.”
  42. “Eles irão subir e pisar na terra dos Meus Escolhidos, e a terra dos Meus Escolhidos se tornará diante deles um terreno para pisar e uma trilha batida.”
  43. “Mas a Cidade dos Meus Justos será um obstáculo para seus cavalos, e eles incitarão a matança entre si, e sua própria destra será forte contra eles.”
  44. “Um homem não admitirá conhecer seu vizinho, ou seu irmão, nem um filho, seu pai, ou sua mãe, até que, por sua morte, haja cadáveres suficientes e sua punição; não será em vão.”
  45. “Nestes dias o Sheol abrirá sua boca, e eles afundarão nela, e sua destruição; O Sheol engolirá os pecadores diante dos rostos dos escolhidos.”
  46. “Aconteceu, depois disso, que vi outra hoste de carros, com homens cavalgando neles, e eles vieram com o vento, do leste e do oeste ao sul.”
  47. “O som do barulho de seus carros foi ouvido. E quando essa comoção ocorreu, os Santos observaram do Céu, e os Pilares da Terra foram sacudidos de suas fundações.”
  48. “O som foi ouvido, desde os confins da Terra, até os confins do Céu, ao longo de um dia.”
  49. “Todos se prostrarão e adorarão o SENHOR dos Espíritos. Este é o fim da segunda parábola.”

Capítulo 43 (Epílogo) – Punição

  1. Eu comecei a falar a Terceira Parábola. Sobre os justos e sobre os escolhidos.
  2. “Bem-aventurados são vocês, os justos e os escolhidos, pois sua sorte será gloriosa!”
  3. Os justos estarão na luz do Sol, e os escolhidos na luz da vida eterna. Não haverá fim para os dias de suas vidas. E os dias do Santo serão incontáveis.
  4. Eles buscarão a luz e encontrarão a justiça com o SENHOR dos Espíritos. A paz seja com os justos com o SENHOR do Mundo!”
  5. “Depois disso, será dito ao Santo que eles devem buscar no Céu os segredos da justiça, a parte da fé; pois tornou-se brilhante como o Sol sobre a terra seca e a escuridão passou.”
  6. “Haverá luz incessante; e até um limite de dias eles não virão, pois as trevas terão sido destruídas antes.”
  7. “A luz durará, na frente do SENHOR dos Espíritos, e a luz da retidão durará, na frente do SENHOR dos Espíritos, para sempre.”
  8. “Nestes dias, meus olhos viram os Segredos dos Brilhos de Relâmpago, as Luzes e os regulamentos que os governavam; e eles brilham por uma bênção, ou uma maldição, como o SENHOR dos Espíritos deseja.”
  9. “Lá, eu vi os segredos do trovão, e como, quando ele cai no Céu, o som dele é ouvido.”
  10. “Eles me mostraram as habitações da terra seca, e o som dos trovões, para a paz, e para a bênção, ou para uma maldição, de acordo com a palavra do SENHOR dos Espíritos.”
  11. “Depois disso, todos os segredos das luzes e dos brilhos de relâmpagos me foram mostrados. Eles piscam para trazer bênção e satisfação.”
  12. “Nestes dias, eu vi longas cordões dadas àqueles Anjos, e eles adquiriram asas para si, e voaram, e foram para o norte.”
  13. “Eu perguntei ao Anjo, dizendo: Por que estes pegaram os cordões longos e para onde os levaram? E ele me disse: Eles os levaram para que possam medir.”
  14. “O Anjo, que foi comigo, disse-me: Estes trarão as medidas dos justos e as cordas dos justos até os justos, para que possam confiar no Nome do SENHOR dos Espíritos, para sempre e sempre.”
  15. “Os escolhidos começarão a habitar com os escolhidos, e essas medidas serão dadas à fé e fortalecerão a justiça.”
  16. “Essas medições irão revelar todos os segredos das profundezas da Terra, e aqueles que foram destruídos pelo deserto, e aqueles que foram devorados pelos peixes do mar, e pelos animais, para que eles possam retornar e confiar em o Dia do Escolhido.”
  17. “Ninguém será destruído, na frente do SENHOR dos Espíritos, e ninguém pode ser destruído.”
  18. “Todos aqueles nos Céus acima, receberam um comando e poder e uma voz; e uma luz, como fogo, foi dada a eles.”
  19. “A Ele, antes de tudo, eles abençoaram, exaltaram e louvaram, em sabedoria. Eles se mostraram sábios, no falar e no espírito de vida.”
  20. “O SENHOR dos Espíritos colocou o Escolhido no Trono de Sua Glória, de onde ele julgará todas as obras dos Santos no Céu e na Balança pesará suas ações.”
  21. “Quando ele levantar a face para julgar seus caminhos secretos de acordo com a palavra do Nome do SENHOR dos Espíritos e seu caminho de acordo com o caminho do Justo Julgamento do SENHOR Altíssimo, todos eles falarão com uma voz.”
  22. “Abençoarão, louvarão exaltarão e glorificarão o Nome do SENHOR dos Espíritos.”
  23. “Ele chamará todas as Hostes dos Céus, todos os Santos acima, a Hoste do SENHOR, os Querubins, os Serafins, os Ofanins, todos os Anjos de Poder, todos os Anjos do Principados, o Escolhido e o Outro Poder, que estará sobre a terra seca e sobre a água naquele dia.”
  24. “Eles levantarão uma voz; irão abençoar, louvar, glorificar e exaltar, no espírito de fé e no espírito de sabedoria e paciência, no espírito de misericórdia, no espírito de justiça e paz, e no espírito de bondade.”
  25. “Todos dirão a uma só voz: Bendito seja Ele, e bendito seja o Nome do SENHOR dos Espíritos, para todo o sempre.”
  26. “Todos aqueles que não dormem, lá no alto, o abençoarão. Todos os Seus Santos, que estão no Céu, o abençoarão.”
  27. “Todos os escolhidos, que habitam no Jardim da Vida, e todo espírito capaz de abençoar, louvar e exaltar, e santificar o Seu Santo Nome.”
  28. “Toda carne, que até o limite de seu poder, louvará e abençoará Seu Nome para todo o sempre.”
  29. “Pois grande é a misericórdia do SENHOR dos Espíritos, e Ele é longânime; e todas as Suas obras e todas as Suas forças, tantos quantos Ele fez, Ele revelou aos justos e aos escolhidos, no Nome do SENHOR dos Espíritos.”
  30. Assim, o SENHOR ordenou aos reis, aos poderosos, aos exaltados e aos que habitam na Terra, dizendo: “Abram os olhos e levantem os chifres [coroas], se puderem, para reconhecer o Escolhido.”
  31. “O SENHOR dos Espíritos, sentou-se em Seu Trono de Glória, e o espírito de justiça foi derramado sobre ele.”
  32. “A palavra de sua boca mata todos os pecadores e todos os iníquos; e eles são destruídos na frente dele.”
  33. “Naquele Dia, todos os reis, os poderosos, os exaltados e aqueles que possuem a Terra se levantarão, enxergarão e reconhecerão como ele se assenta no Trono de Sua Glória.”
  34. “E os justos são julgados, em retidão, na frente dele, e nenhuma palavra ociosa é falada na sua frente.”
  35. “A dor virá sobre eles, como sobre a mulher em trabalho de parto, para quem dar à luz é difícil, quando seu filho entra pela boca do útero e ela tem dificuldade em dar à luz.”
  36. “Uma metade deles olhará para o outro, e eles ficarão apavorados, e abaixarão seus rostos, e a dor os dominará, quando virem aquele Filho do Homem sentado no Trono de Sua Glória.”
  37. “Os reis poderosos e todos aqueles que possuem a Terra louvarão, abençoarão e exaltarão Aquele que governa tudo o que está oculto.”
  38. “Pois, desde o princípio, aquele Filho do Homem estava oculto, e o Altíssimo o manteve na presença de Seu poder, e o revelou apenas aos Escolhidos.”
  39. “A comunidade dos Santos e dos Escolhidos será semeada e todos os Escolhidos estarão diante dele, naquele dia.”
  40. “Todos os reis poderosos, os exaltados e aqueles que governam a terra seca, cairão diante dele, em seus rostos, e o adorarão.”
  41. “Eles colocarão suas esperanças naquele Filho do Homem e irão suplicá-lo; e pedirão por sua misericórdia.”
  42. “Mas o SENHOR dos Espíritos irá então pressioná-los para que se apressem a sair de diante dele e seus rostos ficarão cheios de vergonha e a escuridão se aprofundará neles.”
  43. “Os Anjos de Punição os levarão, para que possam retribuir o mal que fizeram aos Seus filhos e aos Seus escolhidos.”
  44. “Eles se tornarão um espetáculo para os justos e para os Seus escolhidos.”
  45. “Eles se alegrarão com eles, pois a ira do SENHOR dos Espíritos repousará sobre eles, e a espada do SENHOR dos Espíritos será embebida com eles.”
  46. “Os justos e os escolhidos serão salvos neste dia e eles nunca mais verão as faces dos pecadores e dos iníquos a partir de então.”
  47. “O SENHOR dos Espíritos permanecerá sobre eles e com aquele Filho do Homem eles habitarão, comerão, se deitarão e se levantarão para todo o sempre.”
  48. “Os justos e escolhidos terão se levantado da terra, e não mais abaixarão suas faces; eles terão vestido a veste da vida.
  49. “Esta será uma vestimenta da vida do SENHOR dos Espíritos; e suas vestes não se desgastarão e sua glória não falhará, na frente do SENHOR dos Espíritos.”

Anu = CÉU

Apsu = FUNDAMENTO

Tiamat = DESORDEM

Kingu = PECADO

Marduk = PALAVRA

Anshar = COMPLETUDE

Mummu = CONHECIMENTO

Lahmu = Águas-Superiores

Lahumu = Águas-Inferiores

Ea-Enki-Nudimmud = DEUS

Enlil = SENHOR

Dankina = DIVINA PRESENÇA

Igigi = ANJOS CAÍDOS

Kaka – ANJO PORTADOR

Usmu = ANJO MENSAGEIRO

Anunaki = ASSEMBLEIA DIVINA

Ubshukinna = SALA DO TRONO

Bel = SENHOR

Deuses = SOPROS DIVINOS

Deusas = RESPIRAÇÕES DIVINAS

Imhullu = EXPIRAÇÃO

Abuba = TEMPESTADE

Esharra = TABERNÁCULO

Nebiru

ASARLUHI = ILUMINADO

MARUKKA = CRIADOR

MARUTUKKU = SUSTENTO

BARASHAKUSHU = MILAGROSO

LUGALDIMMERANKIA = SOBERANO

NARI = REDENTOR

Utu = Sol

Nanna-Suen = CONHECIMENTO

Inana = JUSTIÇA

Jipar = Tabernáculo

mes = autoridade

Nudimmud = DEUS

Enlil = SENHOR

Dumuzid/Ama-ucumgal-ana = PROSPERIDADE

Enki = DEUS

Uraš = ABÓBODA CELESTE

Anu = CÉU

pilipili = Seguidora

Šara = CONFLITO

Ningal = PÂNTANOS DO LESTE

Ninlil = ABUNDÂNCIA

Nanibgal = INSTRUÇÃO

Nisaba =  ENSINO

Ninkaso = CERVEJA

Ninurta = GUERRA

Nintur = SAGRADA MONTANHA

Ickur-Iškur = TROVÃO, TEMPESTADE

E-unir = TEMPLO DO CRIADOR

E-du-kug = TEMPLO DO MONTE SAGRADO

E-Kur = TEMPLO DA MONTANHA

E-ana = TEMPLO DO CÉU

E-Zagin = TEMPLO DE LAPILAZULI

E-ĝipar = TEMPLO SANTÍSSIMO

E-Nun = TEMPLO DO INÍCIO

Abzu = PRINCÍPIO

Ereshkigal = MORTE

Ishara = NÚPCIA

Shamash = SOL

Sin = LUA

Ishtar = JUSTIÇA

Aja = ALVORADA

Igigi = ANJOS CAÍDOS

Egalmah = TEMPLO DO GRANDE PALÁCIO

Adad = TROVÃO

Shullat = RAIO

Hanish = RELÂMPAGO

Erragal = MONTANHA

Ennugi = ANJO-PORTADOR

Beletili = MONTANHA SAGRADA

Mammetum = DESTINO

Ezina = SACIAÇÃO

Nanna = SABER

Neti = GUARDIÃO

Ereškigala = MORTE

Nuska = ARTE

Ezinu =

Lulal = SIMBOLISMO

Ninšubur = SERVA-MOR

Ninilduma = CARPINTARIA

Gud-gal-ana = TOURO CELESTE

kur-ĝara = PÃO-VIVO

gala-tura = ÁGUA-VIVA

E-Sikil = TEMPLO DA DAMA

en = SENHOR, Lorde

lagar = SACERDOTE

Ganzer = ESCURIDÃO

E-kur, Giguna, Duranki = TEMPLO DA MONTANHA

E-muš-kalama = TEMPLO DO SANTUÁRIO

E-šara = TEMPLO DO UNIVERSO

E-kiš-nu-ĝal = TEMPLO DA ILUMINAÇÃO

E-mud-kura = TEMPLO DO ERGUE-MONTANHAS

E-namtila = TEMPLO DA VIDA

E-Iri-kug = TEMPLO DA CIDADE-SANTA

E-maḫ = TEMPLO GRANDIOSO

E-ninnu = TEMPLO DOS CINQUENTA

Zababa = PATRONO DE Cuxe

Mãe Bau = PATRONO DE LAGASH

Numušda = PATRONO DE KAZALLU

Namrat – BRILHANTE

Lugal-Marda = Rei de Marda

Ninzuana = PATRONO DE MARDA

Ninisina = PATRONO DE ISIN, CURA

Ninmul = PATRONO DE SEG-KURSAGA

Ninĝirsu = COMBATE

Nanše = PROFECIA

Ninmarki = INVOCAÇÃO

Dumuzid-abzu = PRIMEIRA PROSPERIDADE