Livro Segundo – A Lei

II

Livro da Lei e o Pecado da Desobediência

Capítulo 1 – Escravidão

  1. São estes, pois, os nomes dos filhos de Israel que entraram com Jacó no Egito, cada um com a sua respectiva família: Rúben, Simeão, Levi e Judá; Issacar, Zebulom e Benjamim; Dã, Naftali, Gade e Aser.
  2. Ao todo, os descendentes de Jacó eram setenta; José, porém, já se encontrava no Egito.
  3. Ora, morreram José, todos os seus irmãos e toda aquela geração.
  4. Os israelitas, porém, eram férteis, proliferaram, tornaram-se numerosos e fortaleceram-se muito, tanto que encheram o país.
  5. Então subiu ao trono do Egito um novo rei, que nada sabia sobre José.
  6. Disse ele ao seu povo: “Vejam! O povo israelita é agora numeroso e mais forte que nós.
  7. Temos de agir com astúcia, para que não se tornem ainda mais numerosos e, no caso de guerra, aliem-se aos nossos inimigos, lutem contra nós e fujam do país”.
  8. Estabeleceram, pois, sobre eles chefes de trabalhos forçados, para os oprimir com tarefas pesadas. E assim os israelitas construíram para o faraó as cidades-celeiros de Pitom e Ramessés.
  9. Todavia, quanto mais eram oprimidos, mais numerosos se tornavam e mais se espalhavam. Por isso os egípcios passaram a temer os israelitas.
  10. E os sujeitaram a cruel escravidão.
  11. Tornaram-lhes a vida amarga, impondo-lhes a árdua tarefa de preparar o barro e fazer tijolos, e executar todo tipo de trabalho agrícola; em tudo os egípcios os sujeitavam a cruel escravidão.
  12. O rei do Egito ordenou às parteiras dos hebreus, que se chamavam Sifrá e Puá: “Quando vocês ajudarem as hebréias a dar à luz, verifiquem se é menino. Se for, matem-no; se for menina, deixem-na viver”.
  13. Todavia, as parteiras temeram a Deus e não obedeceram às ordens do rei do Egito; deixaram viver os meninos.
  14. Então o rei do Egito convocou as parteiras e lhes perguntou: “Por que vocês fizeram isso? Por que deixaram viver os meninos?”
  15. Responderam as parteiras do faraó: “As mulheres hebréias não são como as egípcias. São cheias de vigor e dão à luz antes de chegarem as parteiras”.
  16. “Deus foi bondoso com as parteiras; e o povo ia se tornando ainda mais numeroso, cada vez mais forte. Visto que as parteiras temeram a Deus, ele concedeu-lhes que tivessem suas próprias famílias.”
  17. Por isso o faraó ordenou a todo o seu povo: “Lancem ao Nilo todo menino recém-nascido, mas deixem viver as meninas”.
  18. Um homem da tribo de Levi casou-se com uma mulher da mesma tribo, e ela engravidou e deu à luz um filho. Vendo que era bonito, ela o escondeu por três meses.
  19. Quando já não podia mais escondê-lo, pegou um cesto feito de junco e o vedou com piche e betume. Colocou nele o menino e deixou o cesto entre os juncos, à margem do Nilo.
  20. A irmã do menino ficou observando de longe para ver o que lhe aconteceria.
  21. A filha do faraó descera ao Nilo para tomar banho. Enquanto isso as suas servas andavam pela margem do rio. Nisso viu o cesto entre os juncos e mandou sua criada apanhá-lo.
  22. Ao abri-lo viu um bebê chorando. Ficou com pena dele e disse: “Este menino é dos hebreus”.
  23. Então a irmã do menino aproximou-se e perguntou à filha do faraó: “A senhora quer que eu vá chamar uma mulher dos hebreus para amamentar e criar o menino?”
  24. “Quero”, respondeu ela. E a moça foi chamar a mãe do menino.
  25. Então a filha do faraó disse à mulher: “Leve este menino e amamente-o para mim, e eu lhe pagarei por isso”. A mulher levou o menino e o amamentou.
  26. Tendo o menino crescido, ela o levou à filha do faraó, que o adotou e lhe deu o nome de Moisés, dizendo: “Porque eu o tirei das águas”.
  27. Certo dia, sendo Moisés já adulto, foi ao lugar onde estavam os seus irmãos hebreus e descobriu como era pesado o trabalho que realizavam. Viu também um egípcio espancar um dos hebreus.
  28. Correu o olhar por todos os lados e, não vendo ninguém, matou o egípcio e o escondeu na areia.
  29. No dia seguinte saiu e viu dois hebreus brigando. Então perguntou ao agressor: “Por que você está espancando o seu companheiro?”
  30. O homem respondeu: “Quem o nomeou líder e juiz sobre nós? Quer matar-me como matou o egípcio?” Moisés teve medo e pensou: “Com certeza tudo já foi descoberto!”
  31. Quando o faraó soube disso, procurou matar Moisés, mas este fugiu e foi morar na terra de Midiã. Ali assentou-se à beira de um poço.
  32. O sacerdote de Midiã tinha sete filhas. Elas foram buscar água para encher os bebedouros e dar de beber ao rebanho de seu pai.
  33. Alguns pastores se aproximaram e começaram a expulsá-las dali; Moisés, porém, veio em auxílio delas e deu água ao rebanho.
  34. Quando as moças voltaram a seu pai Reuel, este lhes perguntou: “Por que voltaram tão cedo hoje?”
  35. Elas responderam: “Um egípcio defendeu-nos dos pastores e ainda tirou água do poço para nós e deu de beber ao rebanho”.
  36. “Onde está ele?”, perguntou o pai a elas.”Por que o deixaram lá? Convidem-no para comer conosco.”
  37. Moisés aceitou e concordou também em morar na casa daquele homem; este lhe deu por mulher sua filha Zípora.
  38. Ela deu à luz um menino, a quem Moisés deu o nome de Gérson, dizendo: “Sou imigrante em terra estrangeira”.
  39. Muito tempo depois, morreu o rei do Egito. Os israelitas gemiam e clamavam debaixo da escravidão; e o seu clamor subiu até Deus.
  40. Ouviu Deus o lamento deles e lembrou-se da aliança que fizera com Abraão, Isaque e Jacó.
  41. Deus olhou para os israelitas e viu qual era a situação deles.

Fonte: Êxodo 1

Capítulo 2 – Moisés

  1. Moisés pastoreava o rebanho de seu sogro Jetro, que era sacerdote de Midiã. Um dia levou o rebanho para o outro lado do deserto e chegou a Horebe, o monte de Deus.
  2. Ali o Anjo do SENHOR lhe apareceu numa chama de fogo que saía do meio de uma sarça. Moisés viu que, embora a sarça estivesse em chamas, esta não era consumida pelo fogo.
  3. “Que impressionante!”, pensou. “Por que a sarça não se queima? Vou ver isso de perto.”
  4. O SENHOR viu que ele se aproximava para observar. E então, do meio da sarça Deus o chamou: “Moisés, Moisés!” “Eis-me aqui”, respondeu ele.
  5. Então disse Deus: “Não se aproxime. Tire as sandálias dos pés, pois o lugar em que você está é terra santa”.
  6. Disse ainda: “Eu sou o Deus de seu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, o Deus de Jacó”. Então Moisés cobriu o rosto, pois teve medo de olhar para Deus.
  7. Disse o SENHOR: “De fato tenho visto a opressão sobre o meu povo no Egito, e também tenho escutado o seu clamor, por causa dos seus feitores, e sei quanto eles estão sofrendo.
  8. Por isso desci para livrá-lo das mãos dos egípcios e tirá-los daqui para uma terra boa e vasta, onde manam leite e mel: a terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus.
  9. Pois agora o clamor dos israelitas chegou a mim, e tenho visto como os egípcios os oprimem.
  10. Vá, pois, agora; eu o envio ao faraó para tirar do Egito o meu povo, os israelitas”.
  11. Moisés, porém, respondeu a Deus: “Quem sou eu para apresentar-me ao faraó e tirar os israelitas do Egito?”
  12. Deus afirmou: “Eu estarei com você. Esta é a prova de que sou eu quem o envia: quando você tirar o povo do Egito, vocês prestarão culto a Deus neste monte”.
  13. Moisés perguntou: “Quando eu chegar diante dos israelitas e lhes disser: O Deus dos seus antepassados me enviou a vocês, e eles me perguntarem: ‘Qual é o nome dele? ’ Que lhes direi?”
  14. Disse Deus a Moisés: “Eu Sou o que Sou. É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês”.
  15. Disse também Deus a Moisés: “Diga aos israelitas: O SENHOR, o Deus dos seus antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, o Deus de Jacó, enviou-me a vocês. Esse é o meu nome para sempre, nome pelo qual serei lembrado de geração em geração.
  16. “Vá, reúna as autoridades de Israel e diga-lhes: O SENHOR, o Deus dos seus antepassados, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, apareceu a mim e disse: Eu virei em auxílio de vocês; pois vi o que lhes tem sido feito no Egito.
  17. “Prometi tirá-los da opressão do Egito para a terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus, terra onde manam leite e mel.”
  18. “As autoridades de Israel o atenderão. Depois você irá com elas ao rei do Egito para lhe dizer que o SENHOR, o Deus dos hebreus, veio ao seu encontro;
  19. E que os deixe fazer uma caminhada de três dias, adentrando o deserto, para oferecer sacrifícios ao SENHOR, seu Deus.”
  20. “Eu sei que o rei do Egito não os deixará sair, a não ser que uma poderosa mão o force.
  21. Disse, porém, Moisés ao SENHOR: “Ó SENHOR! Nunca tive facilidade para falar, nem no passado nem agora que falaste a teu servo. Não consigo falar bem!”
  22. Disse-lhe o SENHOR: “Quem deu boca ao homem? Quem o fez surdo ou mudo? Quem lhe concede vista ou o torna cego? Não sou eu, o SENHOR?
  23. Agora, pois, vá; eu estarei com você, ensinando-lhe o que dizer”.
  24. Respondeu-lhe, porém, Moisés: “Ah SENHOR! Peço-te que envies outra pessoa”.
  25. Então o SENHOR se irou com Moisés e lhe disse: “Você não tem o seu irmão Arão, o levita? Eu sei que ele fala bem. Ele já está vindo ao seu encontro e se alegrará ao vê-lo.
  26. “Você falará com ele e lhe dirá o que ele deve dizer; eu estarei com vocês quando falarem, e lhes direi o que fazer.”
  27. “Assim como Deus fala ao profeta, você falará a seu irmão, e ele será o seu porta-voz diante do povo.”
  28. “E leve na mão esta vara; com ela você fará os sinais miraculosos”.”
  29. Depois Moisés voltou a Jetro, seu sogro, e lhe disse: “Preciso voltar ao Egito para ver se meus parentes ainda vivem”. Jetro lhe respondeu: “Vá em paz!”
  30. Então Moisés levou sua mulher e seus filhos montados num jumento e partiu de volta ao Egito. Levava na mão a vara de Deus.
  31. Numa hospedaria ao longo do caminho, Zípora pegou uma pedra afiada, cortou o prepúcio de seu filho e tocou os pés de Moisés. E disse: “Você é para mim um marido de sangue!”, referindo-se à circuncisão.
  32. Então o SENHOR disse a Arão: “Vá ao deserto encontrar-se com Moisés”. Ele foi, encontrou-se com Moisés no monte de Deus, e o saudou com um beijo.
  33. Moisés contou a Arão tudo o que o SENHOR lhe tinha mandado dizer, e também falou-lhe de todos os sinais miraculosos que lhe havia ordenado realizar.
  34. Assim Moisés e Arão foram e reuniram todas as autoridades dos israelitas, e Arão lhes contou tudo o que o SENHOR dissera a Moisés. Em seguida Moisés também realizou os sinais diante do povo.
  35. E eles creram. Quando o povo soube que o SENHOR decidira vir em auxílio deles e tinha visto a sua opressão, curvou-se em adoração.

Fonte: Êxodo 2, 3 e 4.

Capítulo 3 – Faraó

  1. Depois disso Moisés e Arão foram falar com o faraó e disseram: “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Deixe o meu povo ir para celebrar-me uma festa no deserto”.
  2. O faraó respondeu: “Quem é o SENHOR, para que eu lhe obedeça e deixe Israel sair? Não conheço o SENHOR, e não deixarei Israel sair”.
  3. Eles insistiram: “O Deus dos hebreus veio ao nosso encontro. Agora, permite-nos caminhar três dias no deserto, para oferecer sacrifícios ao SENHOR, o nosso Deus; caso contrário, ele nos atingirá com pragas ou com a espada”.
  4. Mas o rei do Egito respondeu: “Moisés e Arão, por que vocês estão fazendo o povo interromper suas tarefas? Voltem ao trabalho!”
  5. E acrescentou: “Essa gente já é tão numerosa, e vocês ainda os fazem parar de trabalhar!”
  6. No mesmo dia o faraó deu a seguinte ordem aos feitores e capatazes responsáveis pelo povo: “Não forneçam mais palha ao povo para fazer tijolos, como faziam antes. Eles que tratem de ajuntar palha!”
  7. “Mas exijam que continuem a fazer a mesma quantidade de tijolos; não reduzam a cota. São preguiçosos, e por isso estão clamando para oferecer sacrifícios ao seu Deus.”
  8. Aumentem a carga de trabalho dessa gente para que cumpram suas tarefas e não deem atenção a mentiras”.
  9. Os feitores e os capatazes foram dizer ao povo: “Assim diz o faraó: Já não lhes darei palha. Saiam e recolham-na onde puderem achá-la, pois o trabalho de vocês em nada será reduzido”.
  10. O povo então espalhou-se por todo o Egito, a fim de ajuntar restolho em lugar da palha.
  11. Enquanto isso, os feitores os pressionavam, dizendo: “Completem a mesma tarefa diária que lhes foi exigida quando tinham palha”.
  12. Os capatazes israelitas indicados pelos feitores do faraó eram espancados e interrogados: “Por que não completaram ontem e hoje a mesma cota de tijolos dos dias anteriores?”
  13. Então os capatazes israelitas foram apelar para o faraó: “Por que tratas os teus servos dessa maneira?
  14. Não se fornece a nós, teus servos, a palha, e contudo nos dizem: ‘Façam tijolos! ’ Os teus servos têm sido espancados, mas a culpa é do teu próprio povo”.
  15. Respondeu o faraó: “Preguiçosos, é o que vocês são! Preguiçosos! Por isso andam dizendo que irão oferecer sacrifícios ao SENHOR. Agora, voltem ao trabalho. Vocês não receberão palha alguma! Continuem a produzir a cota integral de tijolos!”
  16. Os capatazes israelitas se viram em dificuldade quando lhes disseram que não poderiam reduzir a quantidade de tijolos exigida a cada dia.
  17. Ao saírem da presença do faraó, encontraram-se com Moisés e Arão, que estavam à espera deles.
  18. E lhes disseram: “O SENHOR os examine e os julgue! Vocês atraíram o ódio do faraó e dos seus conselheiros sobre nós, e lhes puseram nas mãos uma espada para que nos matem”.
  19. Moisés voltou-se para o SENHOR e perguntou: “SENHOR, por que maltrataste a este povo? Afinal, por que me enviaste?”
  20. “Desde que me dirigi ao faraó para falar em teu nome, ele tem maltratado a este povo, e tu de modo algum libertaste o teu povo!”
  21. “Se os israelitas não me dão ouvidos, como me ouvirá o faraó? Ainda mais que não tenho facilidade para falar!”
  22. Mas, o SENHOR ordenou a Moisés e a Arão que dissessem aos israelitas e ao faraó, rei do Egito, que tinham ordem para tirar do Egito os israelitas.
  23. Moisés e Arão dirigiram-se ao faraó e fizeram como o SENHOR tinha ordenado. Arão jogou a vara diante do faraó e seus conselheiros, e ela se transformou em serpente.
  24. O faraó, porém, mandou chamar os sábios e feiticeiros; e também os magos do Egito fizeram a mesma coisa por meio das suas ciências ocultas.
  25. Cada um deles jogou ao chão uma vara, e estas se transformaram em serpentes. Mas a vara de Arão engoliu as varas deles.
  26. Contudo, o coração do faraó se endureceu e ele não quis dar ouvidos a Moisés e a Arão, como o SENHOR tinha dito.
  27. Arão levantou a vara e feriu as águas do Nilo na presença do faraó e dos seus conselheiros; e toda a água do rio transformou-se em sangue.
  28. Os peixes morreram e o rio cheirava tão mal que os egípcios não conseguiam beber das suas águas. Havia sangue por toda a terra do Egito.
  29. Mas os magos do Egito fizeram a mesma coisa por meio de suas ciências ocultas. O coração do faraó se endureceu, e ele não deu ouvidos a Moisés e a Arão, como o SENHOR tinha dito.
  30. Pelo contrário, deu-lhes as costas e voltou para o seu palácio. Nem assim o faraó levou isso a sério.
  31. Todos os egípcios cavaram buracos às margens do Nilo para encontrar água potável, pois da água do rio não podiam mais beber.

Fonte: Êxodo 5, 6 e 7.

Capítulo 4 – Pragas

  1. Passaram-se sete dias depois que o SENHOR feriu o Nilo.
  2. Conforme o senhor havia lhes dito, assim Arão estendeu a mão sobre as águas do Egito, e as rãs subiram e cobriram a terra do Egito.
  3. Mas os magos fizeram a mesma coisa por meio das suas ciências ocultas: fizeram subir rãs sobre a terra do Egito.
  4. O faraó mandou chamar Moisés e Arão e disse: “Orem ao SENHOR para que ele tire estas rãs de mim e do meu povo; então deixarei o povo ir e oferecer sacrifícios ao SENHOR”.
  5. Moisés disse ao faraó: “Tua é a honra de dizer-me quando devo orar por ti, por teus conselheiros e por teu povo para que tu e tuas casas fiquem livres das rãs e sobrem apenas as que estão no rio”.
  6. “Amanhã”, disse o faraó. Moisés respondeu: “Será como tu dizes, para que saibas que não há ninguém como o SENHOR nosso Deus.
  7. As rãs deixarão a ti, às tuas casas, a teus conselheiros e a teu povo; sobrarão apenas as que estão no rio”.
  8. Depois que Moisés e Arão saíram da presença do faraó, Moisés clamou ao SENHOR por causa das rãs que enviara sobre o faraó.
  9. E o SENHOR atendeu o pedido de Moisés; morreram as rãs que estavam nas casas, nos pátios e nos campos.
  10. Foram ajuntadas em montões e, por isso, a terra cheirou mal.
  11. Mas quando o faraó percebeu que houve alívio, obstinou-se em seu coração e não deu mais ouvidos a Moisés e a Arão, conforme o senhor havia dito.
  12. Quando Arão estendeu a mão e com a vara feriu o pó da terra, surgiram piolhos nos homens e nos animais. Todo o pó de toda a terra do Egito transformou-se em piolhos.
  13. Mas, quando os magos tentaram fazer surgir piolhos por meio das suas ciências ocultas, não conseguiram. E os piolhos infestavam os homens e os animais.
  14. Os magos disseram ao faraó: “Isso é o dedo de Deus”. Mas o coração do faraó permaneceu endurecido, e ele não quis ouvi-los, conforme o SENHOR tinha dito.
  15. E assim fez o SENHOR: grandes enxames de moscas invadiram o palácio do faraó e as casas de seus conselheiros, e em todo o Egito a terra foi arruinada pelas moscas.
  16. Então o faraó mandou chamar Moisés e Arão e disse: “Vão oferecer sacrifícios ao seu Deus, mas não saiam do país”.
  17. Então Moisés saiu da presença do faraó e orou ao SENHOR, e o SENHOR atendeu o seu pedido: as moscas deixaram o faraó, seus conselheiros e seu povo; não restou uma só mosca.
  18. Mas também dessa vez o faraó obstinou-se em seu coração e não deixou que o povo saísse.
  19. No dia seguinte o SENHOR o fez: Todos os rebanhos dos egípcios morreram, mas nenhum rebanho dos israelitas morreu.
  20. O faraó mandou verificar e constatou que nenhum animal dos israelitas havia morrido. Mesmo assim, seu coração continuou obstinado e não deixou o povo ir.
  21. Conforme o senhor havia lhes dito, eles tiraram cinza duma fornalha e se puseram diante do faraó. Moisés a espalhou pelo ar, e feridas purulentas começaram a estourar nos homens e nos animais.
  22. Nem os magos podiam manter-se diante de Moisés, porque ficaram cobertos de feridas, como os demais egípcios.
  23. Mas o SENHOR endureceu o coração do faraó, e ele se recusou a atender Moisés e Arão, conforme o SENHOR tinha dito a Moisés.
  24. Quando Moisés estendeu a vara para o céu, o SENHOR fez vir trovões e granizo, e raios caíam sobre a terra. Assim o SENHOR fez chover granizo sobre a terra do Egito.
  25. Caiu granizo, e raios cortavam o céu em todas as direções. Nunca houve uma tempestade de granizo como aquela em todo o Egito, desde que este se tornou uma nação.
  26. Em todo o Egito o granizo atingiu tudo o que havia nos campos, tanto homens como animais; destruiu toda a vegetação, além de quebrar todas as árvores.
  27. Somente na terra de Gósen, onde estavam os israelitas, não caiu granizo.
  28. Então o faraó mandou chamar Moisés e Arão e disse-lhes: “Desta vez eu pequei. O SENHOR é justo; eu e o meu povo é que somos culpados.”
  29. “Orem ao SENHOR! Os trovões de Deus e o granizo já são demais. Eu os deixarei ir; não precisam mais ficar aqui”.
  30. Moisés respondeu: “Assim que eu tiver saído da cidade, erguerei as mãos em oração ao SENHOR. Os trovões cessarão e não cairá mais granizo, para que saibas que a terra pertence ao SENHOR.”
  31. Assim Moisés deixou o faraó, saiu da cidade, e ergueu as mãos ao SENHOR. Os trovões e o granizo cessaram, e a chuva parou.
  32. Quando o faraó viu que a chuva, o granizo e os trovões haviam cessado, pecou novamente e obstinou-se em seu coração, ele e os seus conselheiros.
  33. O coração do faraó continuou endurecido, e ele não deixou que os israelitas saíssem, como o SENHOR tinha dito por meio de Moisés.
  34. Dirigiram-se, pois, Moisés e Arão ao faraó e lhe disseram: “Assim diz o SENHOR, o Deus dos hebreus: Até quando você se recusará a humilhar-se perante mim? Deixe ir o meu povo, para que me preste culto.”
  35. “Se você não quiser deixá-lo ir, farei vir gafanhotos sobre o seu território amanhã.”
  36. Os conselheiros do faraó lhe disseram: “Até quando este homem será uma ameaça para nós? Deixa os homens irem prestar culto ao SENHOR Deus deles. Não percebes que o Egito está arruinado?”
  37. Então Moisés e Arão foram trazidos de volta à presença do faraó, que lhes disse: “Vão e prestem culto ao SENHOR, ao seu Deus. Mas, digam-me, quem irá?”
  38. Moisés respondeu: “Temos que levar todos: os jovens e os velhos, os nossos filhos e as nossas filhas, as nossas ovelhas e os nossos bois, pois celebraremos uma festa ao SENHOR”.
  39. Disse-lhes o faraó: “Vocês vão mesmo precisar do SENHOR quando eu deixá-los ir com as mulheres e crianças! É claro que vocês estão com más intenções.”
  40. “De forma alguma! Só os homens podem ir prestar culto ao SENHOR, como vocês têm pedido”. E Moisés e Arão foram expulsos da presença do faraó.
  41. Moisés estendeu a vara sobre o Egito, e o SENHOR fez soprar sobre a terra um vento oriental durante todo aquele dia e toda aquela noite.
  42. Pela manhã, o vento havia trazido os gafanhotos, os quais invadiram todo o Egito e desceram em grande número sobre toda a sua extensão. Nunca antes houve tantos gafanhotos, nem jamais haverá.
  43. Eles cobriram toda a face da terra de tal forma que essa escureceu. Devoraram tudo o que o granizo tinha deixado: toda a vegetação e todos os frutos das árvores.
  44. Não restou nada verde nas árvores nem nas plantas do campo, em toda a terra do Egito.
  45. O faraó mandou chamar Moisés e Arão imediatamente e disse-lhes: “Pequei contra o SENHOR seu Deus e contra vocês!
  46. Agora perdoem ainda esta vez o meu pecado e orem ao SENHOR seu Deus para que leve esta praga mortal para longe de mim”.
  47. Moisés saiu da presença do faraó e orou ao SENHOR.
  48. E o SENHOR fez soprar com muito mais força o vento ocidental, e este envolveu os gafanhotos e os lançou no mar Vermelho. Não restou um gafanhoto sequer em toda a extensão do Egito.
  49. Mas o SENHOR endureceu o coração do faraó, e ele não deixou que os israelitas saíssem.
  50. Moisés estendeu a mão para o céu, e por três dias houve densas trevas em todo o Egito. Ninguém pôde ver ninguém, nem sair do seu lugar durante três dias. Todavia, todos os israelitas tinham luz nos locais em que habitavam.
  51. Então o faraó mandou chamar Moisés e disse: “Vão e prestem culto ao SENHOR. Deixem somente as ovelhas e os bois; as mulheres e as crianças podem ir”.
  52. Mas Moisés contestou: “Tu mesmo nos darás os animais para os nossos sacrifícios e holocaustos que ofereceremos ao SENHOR.”
  53. Mas o SENHOR endureceu o coração do faraó, e ele se recusou a deixá-los ir.
  54. Disse o faraó a Moisés: “Saia da minha presença! Trate de não aparecer nunca mais diante de mim! No dia em que vir a minha face, você morrerá”.
  55. Respondeu Moisés: “Será como disseste; nunca mais verei a tua face”.
  56. Disse, pois, Moisés ao faraó: “Assim diz o SENHOR: Por volta da meia-noite, passarei por todo o Egito.”
  57. “Todos os primogênitos do Egito morrerão, desde o filho mais velho do faraó, herdeiro do trono, até o filho mais velho da escrava que trabalha no moinho, e também todas as primeiras crias do gado.”
  58. “Haverá grande pranto em todo o Egito, como nunca houve antes nem jamais haverá. Entre os israelitas, porém, nem sequer um cão latirá contra homem ou animal. Então vocês saberão que o SENHOR faz distinção entre o Egito e Israel!”
  59. “Todos esses seus conselheiros virão a mim e se ajoelharão diante de mim, suplicando: Saiam você e todo o povo que o segue!, só então eu sairei.” E, com grande ira, Moisés saiu da presença do faraó.
  60. Moisés e Arão realizaram todos esses prodígios diante do faraó, mas o SENHOR lhe endureceu o coração, e ele não quis deixar os israelitas saírem do país.

Fonte: Êxodo 8, 9, 10 e 11.

Capítulo 5 – Primogênitos

  1. Então Moisés convocou todas as autoridades de Israel e lhes disse: “Escolham um cordeiro ou um cabrito para cada família. Sacrifiquem-no para celebrar a Páscoa!
  2. Molhem um feixe de hissopo no sangue que estiver na bacia e passem o sangue na viga superior e nas laterais das portas. Nenhum de vocês poderá sair de casa até o amanhecer.
  3. Quando o SENHOR passar pela terra para matar os egípcios, verá o sangue na viga superior e nas laterais da porta e passará sobre aquela porta; e não permitirá que o destruidor entre na casa de vocês para matá-los.
  4. Obedeçam a estas instruções como decreto perpétuo para vocês e para os seus descendentes.
  5. Quando entrarem na terra que o SENHOR prometeu lhes dar, celebrem essa cerimônia.
  6. Quando os seus filhos lhes perguntarem: O que significa esta cerimônia?, respondam-lhes: É o sacrifício da Páscoa ao SENHOR, que passou sobre as casas dos israelitas no Egito e poupou nossas casas quando matou os egípcios”. Então o povo curvou-se em adoração.
  7. Depois os israelitas se retiraram e fizeram conforme o SENHOR tinha ordenado a Moisés e a Arão.
  8. Então, à meia-noite, o SENHOR matou todos os primogênitos do Egito, desde o filho mais velho do faraó, herdeiro do trono, até o filho mais velho do prisioneiro que estava no calabouço, e também todas as primeiras crias do gado.
  9. No meio da noite o faraó, todos os seus conselheiros e todos os egípcios se levantaram. E houve grande pranto no Egito, pois não havia casa que não houvesse um morto.
  10. Naquela mesma noite o faraó mandou chamar Moisés e Arão e lhes disse: “Saiam imediatamente do meio do meu povo, vocês e os israelitas! Vão prestar culto ao SENHOR, como pediram. Levem os seus rebanhos, como tinham dito, e abençoem a mim também”.
  11. Os egípcios pressionavam o povo para que se apressasse em sair do país, dizendo: “Todos nós morreremos!”
  12. Então o povo tomou a massa de pão ainda sem fermento e a carregou nos ombros, nas amassadeiras embrulhadas em suas roupas.
  13. Os israelitas obedeceram à ordem de Moisés e pediram aos egípcios objetos de prata e de ouro, bem como roupas.
  14. O SENHOR concedeu ao povo uma disposição favorável da parte dos egípcios, de modo que lhes davam o que pediam; assim eles despojaram os egípcios.
  15. Os israelitas foram de Ramessés até Sucote. Havia cerca de seiscentos mil homens a pé, além de mulheres e crianças.
  16. Grande multidão de estrangeiros de todo tipo seguiu com eles, além de grandes rebanhos, tanto de bois como de ovelhas e cabras.
  17. Com a massa que haviam trazido do Egito, fizeram pães sem fermento. A massa não tinha fermentado, pois eles foram expulsos do Egito e não tiveram tempo de preparar comida.
  18. Ora, o período que os israelitas viveram no Egito foi de quatrocentos e trinta anos. No dia quando se completaram os quatrocentos e trinta anos, todos os exércitos do SENHOR saíram do Egito.
  19. Assim como o SENHOR passou em vigília aquela noite para tirar do Egito os israelitas, estes também devem passar em vigília essa mesma noite, para honrar ao SENHOR, por todas as suas gerações.
  20. Todos os israelitas fizeram como o SENHOR tinha ordenado a Moisés e a Arão.
  21. No mesmo dia o SENHOR tirou os israelitas do Egito, organizados segundo as suas divisões.
  22. Então disse Moisés ao povo: “Comemorem esse dia em que vocês saíram do Egito, da terra da escravidão, porque o SENHOR os tirou dali com mão poderosa. Não comam nada fermentado. Neste dia do mês de abibe vocês estão saindo.”
  23. “Quando o SENHOR os fizer entrar na terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos heveus e dos jebuseus — terra que ele jurou aos seus antepassados que daria a vocês, terra onde manam leite e mel — vocês deverão celebrar esta cerimônia neste mesmo mês.”
  24. “Durante sete dias comam pão sem fermento e, no sétimo dia façam uma festa ao SENHOR.”
  25. “Comam pão sem fermento durante os sete dias; não haja nada fermentado entre vocês, nem fermento algum dentro do seu território. Nesse dia cada um dirá a seu filho: Assim faço pelo que o SENHOR fez por mim quando saí do Egito.
  26. “Isto lhe será como sinal em sua mão e memorial em sua testa, para que a lei do SENHOR esteja em seus lábios, porque o SENHOR o tirou do Egito com mão poderosa. Cumpra esta determinação na época certa, de ano em ano.”
  27. “Depois que o SENHOR os fizer entrar na terra dos cananeus e entregá-la a vocês, como jurou a vocês e aos seus antepassados, separem para o SENHOR o primeiro nascido de todo ventre. Todos os primeiros machos dos seus rebanhos pertencem ao SENHOR.”
  28. “Resgate com um cordeiro toda primeira cria dos jumentos, mas se não quiser resgatá-la, quebre-lhe o pescoço. Resgate também todo primogênito entre os seus filhos.”
  29. “No futuro, quando os seus filhos lhes perguntarem: Que significa isto?, digam-lhes: Com mão poderosa o SENHOR nos tirou do Egito, da terra da escravidão.”
  30. “Quando o faraó resistiu e recusou deixar-nos sair, o SENHOR matou todos os primogênitos do Egito, tanto de homens como de animais. Por isso sacrificamos ao SENHOR os primeiros machos de todo ventre e resgatamos os nossos primogênitos.”
  31. “Isto será como sinal em sua mão e marca em sua testa de que o SENHOR nos tirou do Egito com mão poderosa”.

Fonte: Êxodo 12 e 13.

Capítulo 6 – Ipuur

  1. O que Ipuur disse quando se dirigiu ao Faraó, o senhor de todos? Ele disse: Os porteiros dizem: “Vamos entrar e saquear”. Os lavadores se recusam a carregar sua carga.
  2. Os caçadores se põem em linha de batalha; os habitantes do Delta do Nilo carregam escudos. Um homem vê os seus filhos como inimigos. Há confusão.
  3. Venham e conquistem. Ó juiz, o que foi ordenado para você no tempo de Hórus, na era dos Nove Deuses?
  4. O homem virtuoso vai de luto por causa do que aconteceu na terra. As tribos do deserto se tornaram egípcias em todos os lugares.
  5. De fato, o rosto está pálido. O que os ancestrais predisseram chegou a ocorrer. A terra está cheia de cúmplices, e um homem vai arar com seu escudo.
  6. De fato, os mansos dizem: “Ele quem tem a face como de um homem bem nascido, de fato, o seu rosto está pálido”; o arqueiro está pronto, a transgressão está em toda parte e não há nenhum homem de ontem.
  7. De fato, o saqueador ataca em todos os lugares e o servo toma o que encontra.
  8. De fato, o Nilo transborda, mas ninguém ara nele. Todos dizem: “não sabemos o que vai acontecer em toda a terra”.
  9. De fato, as mulheres são estéreis e ninguém concebe. O deus Khnum não mais modela os homens por causa das condições da terra.
  10. De fato, os pobres se tornaram donos de riquezas e aquele que não conseguia fazer sandálias para si, agora é possuidor de riquezas.
  11. De fato o homem está escravo, os seus corações estão tristes, e os magistrados não confraternizam com seu povo quando gritam.
  12. De fato, os corações são violentos, a pestilência está em toda a terra, o sangue está em toda parte, não falta a morte e a múmia fala antes mesmo de alguém se aproximar dela.
  13. De fato, muitos mortos são enterrados no rio; o riacho é um sepulcro; e o local de embalsamamento se tornou um córrego.
  14. De fato, os nobres estão em perigo, enquanto o pobre está cheio de alegria. Cada cidade diz: “Vamos suprimir os poderosos entre nós.”
  15. De fato, os homens são como íbis. A miséria está por toda a terra, e não há ninguém cujas roupas sejam brancas nestes tempos.
  16. De fato, a terra gira como uma roda de oleiro; o ladrão é possuidor de riquezas e o rico se tornou um saqueador.
  17. De fato, os servidores de confiança são suspeitos; e o pobre homem reclama: “Que terrível! O que devo fazer?”
  18. De fato, o rio é sangue, mas os homens bebem dele. Os homens evitam os seres humanos e têm sede de água.
  19. De fato, portões, colunas e paredes foram queimados, enquanto o salão do palácio permanece firme e resiste.
  20. De fato, o navio quebrou; cidades são destruídas e o Alto Egito se tornou um lixo vazio.
  21. De fato, os crocodilos estão fartos dos peixes que pegaram, pois os homens vão até eles por conta própria; é a destruição da terra.
  22. Os homens dizem: “Não caminhe aqui; eis que é uma rede.” Eis que os homens andam na água como peixes, e o homem assustado não consegue distingui-lo por causa do terror.
  23. De fato, os homens são poucos, e aqueles que enterram seu irmão no solo estão em toda parte. Quando o sábio fala, as palavras fogem sem demora.
  24. De fato, o bem nascido sofre por falta de reconhecimento, e o filho de uma senhora tornou-se filho de uma serva.
  25. De fato, o deserto está por toda a terra, os nomos são devastados e bárbaros de fora vieram para o Egito. De fato, os homens chegam e agora não há egípcios em lugar algum.
  26. De fato, ouro e lápis-lazúli, prata e turquesa, cornalina e ametista, a pedra de Ibhet são pendurados no pescoço das servas.
  27. Há coisas boas por toda a terra, mas as donas de casa dizem: “Oh, isto nós tínhamos para comer!”
  28. De fato, mulheres nobres, seus corpos estão em triste situação por causa de seus trapos, e seus corações afundam quando se cumprimentam.
  29. De fato, baús de ébano são quebrados e a preciosa madeira é dividida em camas.
  30. De fato, os construtores de pirâmides se tornaram cultivadores, e aqueles que estavam na casca sagrada agora estão unidos nela.
  31. Ninguém navegará de fato para o norte em Biblos hoje. O que faremos com os cedros para nossas múmias?
  32. O que faremos com a produção de que os sacerdotes são sepultados e com o óleo que os chefes são embalsamados em Creta?
  33. Eles não comem mais; falta ouro e os materiais para cada tipo de embarcação chegaram ao fim. O tesouro do palácio é despojado.
  34. Quantas vezes as pessoas dos oásis vêm com seus temperos, esteiras e peles festivas, com plantas frescas e gordura de pássaros?
  35. De fato, Elefantina e Tinis do Alto Egito, estão sem pagar impostos devido a conflitos civis. Faltam grãos, carvão, frutas, madeira, cedro e galho. O trabalho dos artesãos são o lucro do palácio. Para que serve um contador sem receitas?
  36. Feliz, de fato, é o coração do rei quando a verdade chega até ele! E toda terra estrangeira vem! Esse é o nosso destino e essa é a nossa felicidade!
  37. O que podemos fazer sobre isso? Tudo está em ruínas!
  38. De fato, o riso morreu e não mais ocorre; só gemidos que se espalham por toda a terra, mesclados de reclamações.
  39. De fato, todo homem morto era um homem bem nascido. Os que eram egípcios se tornaram estrangeiros e são postos de lado.
  40. De fato, o cabelo caiu para todos, e o homem de posição não pode mais ser distinguido daquele que não é ninguém.
  41. De fato, ocorre ruído; são anos de ruído; e não há fim para o ruído.
  42. De fato, grandes e pequenos digam: “Eu gostaria de morrer.” As criancinhas dizem: “Não deveriam ter me feito viver.”
  43. De fato, os filhos dos príncipes são lançados contra as paredes, e os filhos do pescoço são colocados em terreno elevado.
  44. De fato, aqueles que estavam no local do embalsamamento são colocados em terreno elevado, e os segredos dos embalsamadores são derrubados por causa disso.
  45. De fato, pereceu o que ontem foi visto, e a terra é deixada à sua fraqueza como o corte do linho.
  46. De fato, o Delta em sua totalidade não será escondido e o Baixo Egito confia nas estradas pisadas. O que se pode fazer? Não existem estradas seguras em qualquer lugar, e os homens dizem: “Perdição para o lugar secreto!”
  47. Eis que está nas mãos de quem não o conhece como de quem o conhece. Os habitantes do deserto são habilidosos nas artes do Delta do Nilo.
  48. De fato, os cidadãos são colocados na pedra de amolar, e aqueles que vestiam linho fino são espancados.
  49. Aqueles que antes nunca viam o dia saíram desimpedidos; as que estavam nas camas dos maridos, deitem-se em pranchas.
  50. Eu digo: “É muito pesado para mim”, a respeito de balsas que levam mirra. Carregue-as com recipientes cheios. Deixe-os conhecer o palanquim. Quanto ao mordomo, ele está arruinado.
  51. Não há remédios para isso; mulheres nobres sofrem como servas, menestréis estão nos teares dentro das salas de tecelagem e o que cantam para a deusa-cantora cantam o luto.
  52. De fato, todas as escravas são livres com suas línguas, e quando sua senhora fala, é enfadonho para as servas.
  53. De fato, as árvores são derrubadas e os galhos são arrancados.

Fonte: Papiro de Ipuur 1 a 5.

Capítulo 7 – Mar Vermelho

  1. Quando o faraó deixou sair o povo, Deus não o guiou pela rota da terra dos filisteus, embora este fosse o caminho mais curto, pois se eles se defrontassem com a guerra, talvez se arrependessem e voltassem para o Egito.
  2. Assim, o SENHOR fez o povo dar a volta pelo deserto, seguindo o caminho que leva ao mar Vermelho. Os israelitas saíram do Egito preparados para lutar.
  3. Moisés levou os ossos de José, porque José havia feito os filhos de Israel prestarem um juramento, quando disse: “Deus certamente virá em auxílio de vocês; levem então os meus ossos daqui”.
  4. Os israelitas partiram de Sucote e acamparam em Etã, junto ao deserto.
  5. Durante o dia o SENHOR ia adiante deles, numa coluna de nuvem, para guiá-los no caminho, e de noite, numa coluna de fogo, para iluminá-los, e assim podiam caminhar de dia e de noite.
  6. A coluna de nuvem não se afastava do povo de dia, nem a coluna de fogo, de noite.
  7. Contaram ao rei do Egito que o povo havia fugido. Então o faraó e os seus conselheiros mudaram de ideia e disseram: “O que foi que fizemos? Deixamos os israelitas saírem e perdemos os nossos escravos!”
  8. Então o faraó mandou aprontar a sua carruagem, e levou consigo o seu exército.
  9. Levou todos os carros de guerra do Egito, inclusive seiscentos dos melhores desses carros, cada um com um oficial no seu comando.
  10. O SENHOR endureceu o coração do faraó, rei do Egito, e este perseguiu os israelitas, que marchavam triunfantemente.
  11. Os egípcios, com todos os cavalos e carros de guerra do faraó, os cavaleiros e a infantaria, saíram em perseguição aos israelitas e os alcançaram quando estavam acampados à beira-mar, perto de Pi-Hairote, defronte de Baal-Zefom.
  12. Ao aproximar-se o faraó, os israelitas olharam e avistaram os egípcios que marchavam na direção deles. E, aterrorizados, clamaram ao SENHOR.
  13. Disseram a Moisés: “Foi por falta de túmulos no Egito que você nos trouxe para morrermos no deserto? O que você fez conosco, tirando-nos de lá?
  14. Já não lhe tínhamos dito no Egito: Deixe-nos em paz! Seremos escravos dos egípcios! Antes ser escravos dos egípcios do que morrer no deserto!”
  15. Moisés respondeu ao povo: “Não tenham medo. Fiquem firmes e vejam o livramento que o SENHOR lhes trará hoje, porque vocês nunca mais verão os egípcios que hoje veem. O SENHOR lutará por vocês; por isso somente acalmem-se”.
  16. A seguir o anjo de Deus que ia à frente dos exércitos de Israel retirou-se, colocando-se atrás deles. A coluna de nuvem também saiu da frente deles e se pôs atrás, entre os egípcios e os israelitas.
  17. A nuvem trouxe trevas para um e luz para o outro, de modo que os egípcios não puderam aproximar-se dos israelitas durante toda a noite.
  18. Então Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o SENHOR afastou o mar e o tornou em terra seca, com um forte vento oriental que soprou toda aquela noite.
  19. As águas se dividiram, e os israelitas atravessaram pelo meio do mar em terra seca, tendo uma parede de água à direita e outra à esquerda.
  20. Os egípcios os perseguiram, e todos os cavalos, carros de guerra e cavaleiros do faraó foram atrás deles até o meio do mar.
  21. No fim da madrugada, do alto da coluna de fogo e de nuvem, o SENHOR viu o exército dos egípcios e o pôs em confusão.
  22. Fez que as rodas dos seus carros começassem a soltar-se, de forma que tinham dificuldades em conduzi-los. E os egípcios gritaram: “Vamos fugir dos israelitas! O SENHOR está lutando por eles contra o Egito”.
  23. Moisés estendeu a mão sobre o mar, e ao raiar do dia o mar voltou ao seu lugar. Quando os egípcios estavam fugindo, foram de encontro às águas, e o SENHOR os lançou ao mar.
  24. As águas voltaram e encobriram os seus carros de guerra e os seus cavaleiros, todo o exército do faraó que havia perseguido os israelitas mar adentro. Ninguém sobreviveu.
  25. Mas os israelitas atravessaram o mar pisando em terra seca, tendo uma parede de água à direita e outra à esquerda.
  26. Naquele dia o SENHOR salvou Israel das mãos dos egípcios, e os israelitas viram os egípcios mortos na praia.
  27. Israel viu o grande poder do SENHOR contra os egípcios, temeu ao SENHOR e pôs nele a sua confiança, como também em Moisés, seu servo.
  28. Então Moisés e os israelitas entoaram este cântico ao SENHOR: “Cantarei ao SENHOR, pois triunfou gloriosamente. Lançou ao mar o cavalo e o seu cavaleiro!”
  29. Então Miriã, a profetisa, irmã de Arão, pegou um tamborim e todas as mulheres a seguiram, tocando tamborins e dançando.
  30. E Miriã lhes respondia, cantando: “Cantem ao SENHOR, pois triunfou gloriosamente. Lançou ao mar o cavalo e o seu cavaleiro”.

Fonte: Êxodo 13, 14 e 15.

Capítulo 8 – Bênçãos de Deus

  1. Depois Moisés conduziu Israel desde o mar Vermelho até o deserto de Sur. Durante três dias caminharam no deserto sem encontrar água.
  2. Então chegaram a Mara, mas não puderam beber das águas de lá porque eram amargas. Esta é a razão porque o lugar chama-se Mara.
  3. E o povo começou a reclamar a Moisés, dizendo: “Que beberemos?”
  4. Moisés clamou ao SENHOR, e este lhe indicou um arbusto. Ele o lançou na água, e esta se tornou boa. Em Mara o SENHOR lhes deu leis e ordenanças, e os colocou à prova.
  5. Depois chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; e acamparam junto àquelas águas.
  6. Toda a comunidade de Israel partiu de Elim e chegou ao deserto de Sim, que fica entre Elim e o Sinai. Foi no décimo quinto dia do segundo mês, depois que saíram do Egito.
  7. No deserto, toda a comunidade de Israel reclamou a Moisés e Arão.
  8. Disseram-lhes os israelitas: “Quem dera a mão do SENHOR nos tivesse matado no Egito! Lá nos sentávamos ao redor das panelas de carne e comíamos pão à vontade, mas vocês nos trouxeram a este deserto para fazer morrer de fome toda esta multidão!”
  9. Assim Moisés e Arão disseram a todos os israelitas: “Ao entardecer, vocês saberão que foi o SENHOR quem os tirou do Egito.”
  10. “E amanhã cedo verão a glória do SENHOR, porque o SENHOR ouviu a queixa de vocês contra ele. Quem somos nós para que vocês reclamem a nós?”
  11. “O SENHOR lhes dará carne para comer ao entardecer e pão à vontade pela manhã, porque ele ouviu as suas queixas contra ele. Quem somos nós? Vocês não estão reclamando de nós, mas do SENHOR”.
  12. Disse Moisés a Arão: “Diga a toda a comunidade de Israel que se apresente ao SENHOR, pois ele ouviu as suas queixas”.
  13. Enquanto Arão falava a toda a comunidade, todos olharam em direção ao deserto, e a glória do SENHOR apareceu na nuvem.
  14. No final da tarde, apareceram codornizes que cobriram o lugar onde estavam acampados; ao amanhecer havia uma camada de orvalho ao redor do acampamento.
  15. Depois que o orvalho secou, flocos finos semelhantes a geada estavam sobre a superfície do deserto.
  16. Quando os israelitas viram aquilo, começaram a perguntar uns aos outros: “Que é isso?”, pois não sabiam do que se tratava.
  17. Disse-lhes Moisés: “Este é o pão que o SENHOR lhes deu para comer. Assim ordenou o SENHOR: Cada chefe de família recolha o quanto precisar: um jarro para cada pessoa da sua tenda”.
  18. Os israelitas fizeram como lhes fora dito; alguns recolheram mais, outros menos.
  19. Quando mediram com o jarro, quem tinha recolhido muito não teve demais, e não faltou a quem tinha recolhido pouco. Cada um recolheu tanto quanto precisava.
  20. “Ninguém deve guardar nada para a manhã seguinte”, ordenou-lhes Moisés.
  21. Todavia, alguns deles não deram atenção a Moisés e guardaram um pouco até a manhã seguinte, mas aquilo criou bicho e começou a cheirar mal. Por isso Moisés irou-se contra eles.
  22. Cada manhã todos recolhiam o quanto precisavam, pois quando o sol esquentava, aquilo se derretia.
  23. No sexto dia recolheram o dobro: dois jarros para cada pessoa; e os líderes da comunidade foram contar isso a Moisés.
  24. Ele lhes explicou: “Foi isto que o SENHOR ordenou: Amanhã será dia de descanso, sábado consagrado ao SENHOR. Assem e cozinhem o que quiserem. Guardem o que sobrar até a manhã seguinte”.
  25. E eles o guardaram até a manhã seguinte, como Moisés tinha ordenado, e não cheirou mal nem criou bicho.
  26. “Comam-no hoje”, disse Moisés, “pois hoje é o sábado do SENHOR. Hoje, vocês não o encontrarão no terreno.
  27. Durante seis dias vocês podem recolhê-lo, mas, no sétimo dia, o sábado, nada acharão.”
  28. Apesar disso, alguns deles saíram no sétimo dia para recolhê-lo, mas não encontraram nada.
  29. Então o povo descansou no sétimo dia.
  30. O povo de Israel chamou maná àquele pão. Era branco como semente de coentro e tinha gosto de bolo de mel.
  31. Disse Moisés: “O SENHOR ordenou-lhes que recolham um jarro de maná e guardem-no para as futuras gerações, para que vejam o pão que lhes dei no deserto, quando os tirei do Egito”.
  32. Então Moisés disse a Arão: “Ponha numa vasilha a medida de um jarro de maná, e coloque-a diante do SENHOR, para que seja conservado para as futuras gerações”.
  33. Em obediência ao que o SENHOR tinha ordenado a Moisés, Arão colocou o maná junto às tábuas da aliança, para ali ser guardado.
  34. Os israelitas comeram maná durante quarenta anos, até chegarem a uma terra habitável; comeram maná até chegarem às fronteiras de Canaã.
  35. Toda a comunidade de Israel partiu do deserto de Sim, andando de um lugar para outro, conforme a ordem do SENHOR. Acamparam em Refidim, mas lá não havia água para beber.
  36. Por essa razão queixaram-se a Moisés e exigiram: “Dê-nos água para beber”. Ele respondeu: “Por que se queixam a mim? Por que colocam o SENHOR à prova?”
  37. Mas o povo estava sedento e reclamou a Moisés: “Por que você nos tirou do Egito? Foi para matar de sede a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?”
  38. Então Moisés clamou ao SENHOR: “Que farei com este povo? Estão a ponto de apedrejar-me!”
  39. O SENHOR lRespondeu-lhe o SENHOR; e Moisés passou à frente do povo. Levou com ele algumas das autoridades de Israel, tendo na mão a vara com a qual feriu o Nilo e foi adiante.
  40. O SENHOR estava à sua espera no alto da rocha que está em Horebe. Ele bateu na rocha, e dela saiu água para o povo beber.
  41. Assim fez Moisés, à vista das autoridades de Israel. E chamou aquele lugar Massá e Meribá, porque ali os israelitas reclamaram e puseram o SENHOR à prova, dizendo: “O SENHOR está entre nós, ou não?”
  42. Sucedeu que os amalequitas vieram atacar os israelitas em Refidim.
  43. Então Moisés disse a Josué: “Escolha alguns dos nossos homens e lute contra os amalequitas. Amanhã tomarei posição no alto da colina, com a vara de Deus em minhas mãos”.
  44. Josué foi então lutar contra os amalequitas, conforme Moisés tinha ordenado. Moisés, Arão e Hur, porém, subiram ao alto da colina.
  45. Enquanto Moisés mantinha as mãos erguidas, os israelitas venciam; quando, porém, as abaixava, os amalequitas venciam.
  46. Quando as mãos de Moisés já estavam cansadas, eles pegaram uma pedra e a colocaram debaixo dele, para que nela se assentasse.
  47. Arão e Hur mantinham erguidas as mãos de Moisés, um de cada lado, de modo que as mãos permaneceram firmes até o pôr-do-sol.
  48. E Josué derrotou o exército amalequita ao fio da espada.
  49. Moisés construiu um altar e chamou-lhe: O SENHOR é minha bandeira.
  50. E jurou: “Pelo trono do SENHOR! O SENHOR fará guerra contra os amalequitas de geração em geração”.

Fonte: Êxodo 15, 16 e 17.

Capítulo 9 – Dez Mandamentos

  1. Jetro, sacerdote de Midiã e sogro de Moisés, soube de tudo o que Deus tinha feito por Moisés e pelo povo de Israel, como o SENHOR havia tirado Israel do Egito.
  2. Disse ele: “Bendito seja o SENHOR que os libertou das mãos dos egípcios e do faraó; que livrou o povo das mãos dos egípcios! Agora sei que o SENHOR é maior do que todos os outros deuses, pois ele os superou exatamente naquilo de que se vangloriavam.
  3. Então Jetro, sogro de Moisés, ofereceu um holocausto e sacrifícios a Deus, e Arão veio com todas as autoridades de Israel para comerem com o sogro de Moisés na presença de Deus.
  4. No dia seguinte Moisés assentou-se para julgar as questões do povo, e este permaneceu de pé diante dele, desde a manhã até o cair da tarde.
  5. Quando o seu sogro viu tudo o que ele estava fazendo pelo povo, disse: “Que é que você está fazendo? Por que só você se assenta para julgar, e todo este povo o espera de pé, desde a manhã até o cair da tarde?”
  6. Moisés lhe respondeu: “O povo me procura para que eu consulte a Deus. Toda vez que alguém tem uma questão, esta me é trazida, e eu decido entre as partes, e ensino-lhes os decretos e leis de Deus”.
  7. Respondeu o sogro de Moisés: “O que você está fazendo não é bom. Você e o seu povo ficarão esgotados, pois esta tarefa lhe é pesada demais. Você não pode executá-la sozinho.”
  8. “Agora, ouça-me! Eu lhe darei um conselho, e que Deus esteja com você! Seja você o representante do povo diante de Deus e leve a Deus as suas questões.”
  9. “Oriente-os quanto aos decretos e leis, mostrando-lhes como devem viver e o que devem fazer.
  10. “Mas escolha dentre todo o povo homens capazes, tementes a Deus, dignos de confiança e inimigos de ganho desonesto. Estabeleça-os como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez.”
  11. “Eles estarão sempre à disposição do povo para julgar as questões. Trarão a você apenas as questões difíceis; as mais simples decidirão sozinhos. Isso tornará mais leve o seu fardo, porque eles o dividirão com você.”
  12. “Se você assim fizer, e se assim Deus ordenar, você será capaz de suportar as dificuldades, e todo este povo voltará para casa satisfeito”.
  13. Moisés aceitou o conselho do sogro e fez tudo como ele tinha sugerido.
  14. Escolheu homens capazes de todo o Israel e colocou-os como líderes do povo: chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez.
  15. Estes ficaram como juízes permanentes do povo. As questões difíceis levavam a Moisés; as mais simples, porém, eles mesmos resolviam.
  16. Então Moisés e seu sogro se despediram, e este voltou para a sua terra.
  17. No dia em que se completaram três meses que os israelitas haviam saído do Egito, chegaram ao deserto do Sinai.
  18. Depois de saírem de Refidim, entraram no deserto do Sinai, e Israel acampou ali, diante do monte.
  19. Logo Moisés subiu o monte para encontrar-se com Deus.
  20. Ao voltar, convocou as autoridades do povo e lhes expôs tudo o que o SENHOR havia-lhe mandado falar.
  21. O povo todo respondeu unânime: “Faremos tudo o que o SENHOR ordenou”.
  22. Tendo Moisés descido do monte, consagrou o povo; e eles lavaram as suas vestes.
  23. Disse ele então ao povo: “Preparem-se para o terceiro dia, e até lá não se acheguem a mulher”.
  24. Ao amanhecer do terceiro dia houve trovões e raios, uma densa nuvem cobriu o monte, e uma trombeta ressoou fortemente. Todos no acampamento tremeram de medo.
  25. Moisés levou o povo para fora do acampamento, para encontrar-se com Deus, e eles ficaram ao pé do monte.
  26. O monte Sinai estava coberto de fumaça, pois o SENHOR tinha descido sobre ele em chamas de fogo. Dele subia fumaça como que de uma fornalha.
  27. Todo o monte tremia violentamente e o som da trombeta era cada vez mais forte. Então Moisés falou, e a voz de Deus lhe respondeu.
  28. O SENHOR desceu ao topo do monte Sinai e chamou Moisés para o alto do monte.
  29. Moisés subiu e disse ao SENHOR: “O povo não pode subir ao monte Sinai, pois tu mesmo nos avisaste: Estabeleça um limite em torno do monte e declare-o santo”.
  30. Então Moisés desceu e avisou o povo.
  31. E Deus falou todas estas palavras: “Eu sou o SENHOR, o teu Deus, que te tirou do Egito, da terra da escravidão.”
  32. “Não terás outros deuses além de mim.”
  33. “Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra.”
  34. “Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta geração daqueles que me desprezam,
  35. “Mas trato com bondade até mil gerações aos que me amam e guardam os meus mandamentos.”
  36. “Não tomarás em vão o nome do SENHOR teu Deus, pois o SENHOR não deixará impune quem tomar o seu nome em vão.”
  37. “Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo.”
  38. “Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao SENHOR teu Deus.”
  39. “Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os estrangeiros que morarem em tuas cidades.”
  40. “Pois em seis dias o SENHOR fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o SENHOR abençoou o sétimo dia e o santificou.”
  41. “Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o SENHOR teu Deus te dá.
  42. “Não matarás.”
  43. “Não adulterarás.”
  44. “Não furtarás.”
  45. “Não darás falso testemunho contra o teu próximo.”
  46. “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seus servos ou servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”.
  47. Vendo-se o povo diante dos trovões e dos relâmpagos, e do som da trombeta e do monte fumegando, todos tremeram assustados.
  48. Ficaram à distância e disseram a Moisés: “Fala tu mesmo conosco, e ouviremos. Mas que Deus não fale conosco, para que não morramos”.
  49. Moisés disse ao povo: “Não tenham medo! Deus veio prová-los, para que o temor de Deus esteja em vocês e os livre de pecar”.
  50. Mas o povo permaneceu à distância, ao passo que Moisés aproximou-se da nuvem escura em que Deus se encontrava.
  51. O SENHOR disse a Moisés suas palavras e ordenanças colocando-as no Livro da Aliança.
  52. Então, quando Moisés se dirigiu ao povo e transmitiu-lhes todas as palavras e ordenanças do SENHOR, eles responderam em uníssono: “Faremos tudo o que o SENHOR ordenou”.
  53. Moisés, então, escreveu tudo o que o SENHOR dissera. Na manhã seguinte Moisés levantou-se, construiu um altar ao pé do monte e ergueu doze colunas de pedra, representando as doze tribos de Israel.
  54. Em seguida enviou jovens israelitas, que ofereceram holocaustos e novilhos como sacrifícios de comunhão ao SENHOR.
  55. Moisés colocou metade do sangue em tigelas e a outra metade derramou sobre o altar.
  56. Em seguida, leu o Livro da Aliança para o povo, e eles disseram: “Faremos fielmente tudo o que o SENHOR ordenou”.
  57. Depois Moisés aspergiu o sangue sobre o povo, dizendo: “Este é o sangue da aliança que o SENHOR fez com vocês de acordo com todas essas palavras”.
  58. Moisés, Arão, Nadabe, Abiú e setenta autoridades de Israel subiram e viram o Deus de Israel, sob cujos pés havia algo semelhante a um pavimento de safira, como o céu em seu esplendor.
  59. Deus, porém, não estendeu a mão para punir esses líderes do povo de Israel; eles viram a Deus, e depois comeram e beberam.

Fonte: Êxodo 18, 19 e 20.

Capítulo 10 – Bezerro de Ouro

  1. Moisés partiu com Josué, seu auxiliar, e subiu ao monte de Deus.
  2. Disse ele às autoridades de Israel: “Esperem-nos aqui, até que retornemos. Arão e Hur ficarão com vocês; quem tiver alguma questão para resolver, poderá procurá-los”.
  3. Quando Moisés subiu, a nuvem cobriu o monte, e a glória do SENHOR permaneceu sobre o monte Sinai.
  4. Durante seis dias a nuvem cobriu o monte. No sétimo dia o SENHOR chamou Moisés do interior da nuvem.
  5. Aos olhos dos israelitas a glória do SENHOR parecia um fogo consumidor no topo do monte.
  6. Moisés entrou na nuvem e foi subindo o monte. E permaneceu no monte quarenta dias e quarenta noites.
  7. Quando o SENHOR terminou de falar com Moisés no monte Sinai, deu-lhe as duas tábuas da aliança, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.
  8. O povo, ao ver que Moisés demorava a descer do monte, juntou-se ao redor de Arão e lhe disse: “Venha, faça para nós deuses que nos conduzam, pois a esse Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu”.
  9. Respondeu-lhes Arão: “Tirem os brincos de ouro de suas mulheres, de seus filhos e de suas filhas e tragam-nos a mim”.
  10. Todos tiraram os seus brincos de ouro e os levaram a Arão.
  11. Ele os recebeu e os fundiu, transformando tudo num ídolo, que modelou com uma ferramenta própria, dando-lhe a forma de um bezerro. Então disseram: “Eis aí os seus deuses, ó Israel, que tiraram vocês do Egito!”
  12. Vendo isso, Arão edificou um altar diante do bezerro e anunciou: “Amanhã haverá uma festa dedicada ao SENHOR”.
  13. Na manhã seguinte, ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão. O povo se assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar à farra.
  14. Então o SENHOR disse a Moisés para descer porque o seu povo havia se corrompido. A sua ira se acenderia contra eles, e eu os destruiria.
  15. Moisés, porém, suplicou ao SENHOR, o seu Deus, clamando: “Ó SENHOR, por que se acenderia a tua ira contra o teu povo, que tiraste do Egito com grande poder e forte mão?”
  16. “Por que diriam os egípcios: ‘Foi com intenção maligna que ele os libertou, para matá-los nos montes e bani-los da face da terra’? Arrepende-te do fogo da tua ira! Tem piedade, e não tragas este mal sobre o teu povo!
  17. “Lembra-te dos teus servos Abraão, Isaque e Israel, aos quais juraste por ti mesmo: ‘Farei que os seus descendentes sejam numerosos como as estrelas do céu e lhes darei toda esta terra que lhes prometi, que será a sua herança para sempre’”.
  18. E sucedeu que o SENHOR arrependeu-se do mal que ameaçara trazer sobre o povo.
  19. Então Moisés desceu do monte, levando nas mãos as duas tábuas da aliança; estavam escritas em ambos os lados, frente e verso.
  20. As tábuas tinham sido feitas por Deus; o que nelas estava gravado fora escrito por Deus.
  21. Quando Josué ouviu o barulho do povo gritando, disse a Moisés: “Há barulho de guerra no acampamento”.
  22. Respondeu Moisés: “Não é canto de vitória, nem canto de derrota; mas ouço o som de canções!”
  23. Quando Moisés aproximou-se do acampamento e viu o bezerro e as danças, irou-se e jogou as tábuas no chão, ao pé do monte, quebrando-as.
  24. Pegou o bezerro que eles tinham feito e o destruiu no fogo; depois de moê-lo até virar pó, espalhou-o na água e fez com que os israelitas a bebessem.
  25. E perguntou a Arão: “Que lhe fez esse povo para que você o levasse a tão grande pecado?”
  26. Respondeu Arão: “Não te enfureças, meu senhor; tu bem sabes como esse povo é propenso para o mal.”
  27. “Eles me disseram: ‘Faça para nós deuses que nos conduzam, pois esse Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu’.”
  28. “Então eu lhes disse: Quem tiver enfeites de ouro, traga-os para mim. O povo trouxe-me o ouro, eu o joguei no fogo e surgiu esse bezerro!”
  29. Moisés viu que o povo estava desenfreado e que Arão o tinha deixado fora de controle, tendo se tornado motivo de riso para os seus inimigos.
  30. Então ficou em pé, à entrada do acampamento, e disse: “Quem é pelo SENHOR, junte-se a mim”. Todos os levitas se juntaram a ele.
  31. Declarou-lhes também: “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: ‘Pegue cada um sua espada, percorra o acampamento, de tenda em tenda, e mate o seu irmão, o seu amigo e o seu vizinho’”.
  32. Fizeram os levitas conforme Moisés ordenou, e naquele dia morreram cerca de três mil dentre o povo.
  33. Disse então Moisés: “Hoje vocês se consagraram ao SENHOR, pois nenhum de vocês poupou o seu filho e o seu irmão, de modo que o SENHOR os abençoou neste dia”.
  34. No dia seguinte Moisés disse ao povo: “Vocês cometeram um grande pecado. Mas agora subirei ao SENHOR, e talvez possa oferecer propiciação pelo pecado de vocês”.
  35. Assim, Moisés voltou ao SENHOR e disse: “Ah, que grande pecado cometeu este povo! Fizeram para si um deus de ouro.”
  36. “Mas agora, eu te rogo, perdoa-lhes o pecado; se não, risca-me do teu livro que escreveste”.
  37. Respondeu o SENHOR riscando do seu livro todo aquele que pecar contra ele.
  38. E o SENHOR feriu o povo com uma praga porque quiseram que Arão fizesse o bezerro.

Fonte: Êxodo 24, 31 e 32.

Capítulo 11 – Aliança

  1. Moisés costumava montar uma tenda do lado de fora do acampamento; ele a chamava Tenda do Encontro. Quem quisesse consultar a Deus ia à tenda, fora do acampamento.
  2. Sempre que Moisés ia até lá, todo o povo se levantava e ficava de pé à entrada de suas tendas, observando-o, até que ele entrasse na tenda.
  3. Assim que Moisés entrava, a coluna de nuvem descia e ficava à entrada da tenda, enquanto o SENHOR falava com Moisés.
  4. Quando o povo via a coluna de nuvem parada à entrada da tenda, todos prestavam adoração de pé, cada qual na entrada de sua própria tenda.
  5. O SENHOR falava com Moisés face a face, como quem fala com seu amigo. Depois Moisés voltava ao acampamento; mas Josué, filho de Num, que lhe servia como auxiliar, não se afastava da tenda.
  6. Disse Moisés ao SENHOR: “Tu me ordenaste: ‘Conduza este povo’, mas não me permites saber quem enviarás comigo. Disseste: ‘Eu o conheço pelo nome e de você tenho me agradado’.”
  7. “Se me vês com agrado, revela-me os teus propósitos, para que eu te conheça e continue sendo aceito por ti. Lembra-te de que esta nação é o teu povo”.
  8. Então Moisés lhe declarou: “Se não fores conosco não nos envies.”
  9. “Como se saberá que eu e o teu povo podemos contar com o teu favor, se não nos acompanhares? Que mais poderá distinguir a mim e a teu povo de todos os demais povos da face da terra?”
  10. Então disse Moisés: “Peço-te que me mostres a tua glória”.
  11. Assim Moisés lavrou duas tábuas de pedra semelhantes às primeiras e subiu ao monte Sinai, logo de manhã, como o SENHOR lhe havia ordenado, levando nas mãos as duas tábuas de pedra.
  12. Imediatamente Moisés prostrou-se, rosto em terra, e o adorou, dizendo: “SENHOR, se de fato me aceitas com agrado, acompanha-nos o SENHOR. Mesmo sendo esse um povo obstinado, perdoa a nossa maldade e o nosso pecado e faze de nós a tua herança”.
  13. Moisés ficou ali com o SENHOR quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão e sem beber água. E escreveu nas tábuas as palavras da aliança: os Dez Mandamentos.
  14. Ao descer do monte Sinai com as duas tábuas da aliança nas mãos, Moisés não sabia que o seu rosto resplandecia por ter conversado com o SENHOR.
  15. Quando Arão e todos os israelitas viram Moisés, com o rosto resplandecente, tiveram medo de aproximar-se dele.
  16. Ele, porém, os chamou; Arão e os líderes da comunidade atenderam, e Moisés falou com eles.
  17. Depois, todos os israelitas se aproximaram, e ele lhes transmitiu todos os mandamentos que o SENHOR lhe tinha dado no monte Sinai.
  18. Quando acabou de falar com eles, cobriu o rosto com um véu.
  19. Mas toda vez que entrava para estar na presença do SENHOR e falar com ele, tirava o véu até sair. Sempre que saía e contava aos israelitas tudo o que lhe havia sido ordenado, eles viam que o seu rosto resplandecia.
  20. Então, de novo Moisés cobria o rosto com o véu até entrar de novo para falar com o SENHOR.
  21. Moisés fez tudo conforme o SENHOR lhe havia ordenado. Assim, o tabernáculo foi armado no primeiro dia do primeiro mês do segundo ano.
  22. Moisés armou o tabernáculo, colocou as bases em seus lugares, armou as molduras, colocou as vigas e levantou as colunas.
  23. Depois estendeu a tenda sobre o tabernáculo e colocou a cobertura sobre ela, como o SENHOR tinha ordenado.
  24. Colocou também as tábuas da aliança na arca, fixou nela as varas, e pôs sobre ela a tampa.
  25. Em seguida trouxe a arca para dentro do tabernáculo e pendurou o véu protetor, cobrindo a arca da aliança, como o SENHOR tinha ordenado.
  26. Moisés colocou a mesa na Tenda do Encontro, no lado norte do tabernáculo, do lado de fora do véu.
  27. E sobre ela colocou os pães da Presença, diante do SENHOR, como o SENHOR tinha ordenado.
  28. Pôs o candelabro na Tenda do Encontro, em frente da mesa, no lado sul do tabernáculo, e colocou as lâmpadas diante do SENHOR, como o SENHOR tinha ordenado.
  29. Moisés também pôs o altar de ouro na Tenda do Encontro, diante do véu, e nele queimou incenso aromático, como o SENHOR tinha ordenado.
  30. Pôs também a cortina à entrada do tabernáculo.
  31. Montou o altar de holocaustos à entrada do tabernáculo, a Tenda do Encontro, e sobre ele ofereceu holocaustos e ofertas de cereal, como o SENHOR tinha ordenado.
  32. Colocou a bacia entre a Tenda do Encontro e o altar, e encheu-a de água. Moisés, Arão e os filhos deste usavam-na para lavar as mãos e os pés.
  33. Sempre que entravam na Tenda do Encontro e se aproximavam do altar, eles se lavavam, como o SENHOR tinha ordenado a Moisés.
  34. Finalmente, Moisés armou o pátio ao redor do tabernáculo e colocou a cortina à entrada do pátio. Assim, Moisés terminou a obra.
  35. Então a nuvem cobriu a Tenda do Encontro, e a glória do SENHOR encheu o tabernáculo.
  36. Moisés não podia entrar na Tenda do Encontro, porque a nuvem estava sobre ela, e a glória do SENHOR enchia o tabernáculo.
  37. Sempre que a nuvem se erguia sobre o tabernáculo os israelitas seguiam viagem; mas se a nuvem não se erguia, eles não prosseguiam; só partiam no dia em que ela se erguesse.
  38. De dia a nuvem do SENHOR ficava sobre o tabernáculo, e de noite havia fogo na nuvem, à vista de toda a nação de Israel, em todas as suas viagens.

Fonte: Êxodo 33, 34 e 40.

Capítulo 12 – Censo

  1. Moisés e Arão reuniram os homens nomeados e convocaram toda a comunidade no primeiro dia do segundo mês.
  2. Os homens de vinte anos para cima inscreveram-se conforme os seus clãs e as suas famílias, um a um, pelo nome, conforme o SENHOR tinha ordenado a Moisés.
  3. Todos os israelitas de vinte anos para cima que podiam servir no exército foram contados de acordo com as suas famílias.
  4. O total foi 603. 550 homens.
  5. As famílias da tribo de Levi, porém, não foram contadas juntamente com as outras, pois o SENHOR tinha dito a Moisés que não fizesse o recenseamento da tribo de Levi nem a relacionasse entre os demais israelitas.
  6. Em vez disso, designe os levitas como responsáveis pelo tabernáculo que guarda as tábuas da aliança, por todos os seus utensílios e por tudo o que pertence a ele.
  7. Eles transportarão o tabernáculo e todos os seus utensílios; cuidarão dele e acamparão ao seu redor.
  8. Sempre que o tabernáculo tiver que ser removido, os levitas o desmontarão e, sempre que tiver que ser armado, os levitas o farão.
  9. Qualquer pessoa não autorizada que se aproximar do tabernáculo terá que ser executada.
  10. Os israelitas armarão as suas tendas organizadas segundo as suas divisões, cada um em seu próprio acampamento e junto à sua bandeira.
  11. Os levitas, porém, armarão as suas tendas ao redor do tabernáculo que guarda as tábuas da aliança, para que a ira divina não caia sobre a comunidade de Israel.
  12. Os levitas terão a responsabilidade de cuidar do tabernáculo que guarda as tábuas da aliança.
  13. Os israelitas fizeram tudo exatamente como o SENHOR tinha ordenado a Moisés.
  14. Quando Moisés acabou de armar o tabernáculo, ele o ungiu e o consagrou, juntamente com todos os seus utensílios. Também ungiu e consagrou o altar com todos os seus utensílios.
  15. Então os líderes de Israel, os chefes das famílias que eram os líderes das tribos encarregados do recenseamento, apresentaram ofertas.
  16. Trouxeram as suas dádivas ao SENHOR: seis carroças cobertas e doze bois, um boi de cada líder e uma carroça de cada dois líderes; e as apresentaram diante do tabernáculo.
  17. O SENHOR disse a Moisés: “Aceite as ofertas deles para que sejam usadas no trabalho da Tenda do Encontro. Entregue-as aos levitas, conforme exigir o trabalho de cada homem”.
  18. Então Moisés recebeu as carroças e os bois e os entregou aos levitas.
  19. Deu duas carroças e quatro bois aos gersonitas, conforme exigia o trabalho deles, e quatro carroças e oito bois aos meraritas, conforme exigia o trabalho deles. Estavam todos sob a supervisão de Itamar, filho do sacerdote Arão.
  20. Mas aos coatitas Moisés não deu nada, pois eles deveriam carregar nos ombros os objetos sagrados pelos quais eram responsáveis.
  21. Quando o altar foi ungido, os líderes trouxeram as suas ofertas para a dedicação do altar, e as apresentaram diante dele.
  22. No primeiro dia, Naassom, filho de Aminadabe, da tribo de Judá, trouxe a sua oferta.
  23. No segundo dia, Natanael, filho de Zuar e líder de Issacar, trouxe a sua oferta.
  24. No terceiro dia, Eliabe, filho de Helom e líder de Zebulom, trouxe a sua oferta.
  25. No quarto dia, Elizur, filho de Sedeur e líder de Rúben, trouxe a sua oferta.
  26. No quinto dia, Selumiel, filho de Zurisadai e líder de Simeão, trouxe a sua oferta.
  27. No sexto dia, Eliasafe, filho de Deuel e líder de Gade, trouxe a sua oferta.
  28. No sétimo dia, Elisama, filho de Amiúde e líder de Efraim, trouxe a sua oferta.
  29. No oitavo dia, Gamaliel, filho de Pedazur e líder de Manassés, trouxe a sua oferta.
  30. No nono dia, Abidã, filho de Gideoni e líder de Benjamim, trouxe a sua oferta.
  31. No décimo dia, Aieser, filho de Amisadai e líder de Dã, trouxe a sua oferta.
  32. No décimo primeiro dia, Pagiel, filho de Ocrã e líder de Aser, trouxe a sua oferta.
  33. No décimo segundo dia, Aira, filho de Enã e líder de Naftali, trouxe a sua oferta.
  34. Essas foram as ofertas dos líderes israelitas para a dedicação do altar quando este foi ungido: doze pratos de prata, doze bacias de prata para as aspersões e doze vasilhas de ouro.
  35. Cada prato de prata pesava um quilo e quinhentos e sessenta gramas, e cada bacia para as aspersões pesava oitocentos e quarenta gramas.
  36. O total de peças de prata pesava vinte e oito quilos e oitocentos gramas, com base no peso padrão do santuário.
  37. As doze vasilhas de ouro cheias de incenso pesavam cada uma cento e vinte gramas, com base no peso padrão do santuário. O total de vasilhas de ouro pesava um quilo e quatrocentos e quarenta gramas.
  38. O total de animais oferecidos em holocausto foi doze novilhos, doze carneiros e doze cordeiros de um ano, juntamente com as ofertas de cereal. Doze bodes foram trazidos para a oferta pelo pecado.
  39. O total de animais oferecidos em sacrifício de comunhão foi vinte e quatro bois, sessenta carneiros, sessenta bodes e sessenta cordeiros de um ano.
  40. Foram essas as ofertas trazidas para a dedicação do altar depois que este foi ungido.
  41. Quando entrava na Tenda do Encontro para falar com o SENHOR, Moisés ouvia a voz que lhe falava do meio dos dois querubins, de cima da tampa da arca da aliança. Era assim que o SENHOR falava com ele.
  42. Moisés, Arão e toda a comunidade de Israel fizeram com os levitas como o SENHOR tinha ordenado a Moisés.
  43. Arão assim fez; dispôs as lâmpadas de modo que estivessem voltadas para a frente do candelabro, como o SENHOR tinha ordenado a Moisés.
  44. O candelabro foi feito da seguinte maneira: de ouro batido do pedestal às flores, conforme o modelo que o SENHOR tinha mostrado a Moisés.
  45. Os levitas se purificaram e lavaram suas roupas; e Arão os apresentou como oferta ritualmente movida perante o SENHOR e fez propiciação por eles para purificá-los.
  46. Depois disso os levitas passaram a ministrar na Tenda do Encontro sob a supervisão de Arão e dos seus filhos.
  47. Fizeram com os levitas como o SENHOR tinha ordenado a Moisés.

Fonte: Números 1

Capítulo 13 – Marcha

  1. O SENHOR falou com Moisés no deserto do Sinai no primeiro mês do segundo ano depois que o povo saiu do Egito.
  2. Então Moisés ordenou aos israelitas que celebrassem a Páscoa, e eles o fizeram no deserto do Sinai, ao pôr-do-sol do dia catorze do primeiro mês.
  3. Os israelitas fizeram tudo conforme o SENHOR tinha ordenado a Moisés.
  4. No dia em que foi armado o tabernáculo, a tenda que guarda as tábuas da aliança, a nuvem o cobriu. Desde o entardecer até o amanhecer a nuvem por cima do tabernáculo tinha a aparência de fogo.
  5. Era assim que sempre acontecia: de dia a nuvem o cobria, e de noite tinha a aparência de fogo.
  6. Sempre que a nuvem se levantava de cima da Tenda, os israelitas partiam; no lugar em que a nuvem descia, ali acampavam.
  7. Conforme a ordem do SENHOR os israelitas partiam, e conforme a ordem do SENHOR, acampavam. Enquanto a nuvem estivesse por cima do tabernáculo, eles permaneciam acampados.
  8. Enquanto a nuvem ficava sobre o tabernáculo por muito tempo, os israelitas cumpriam suas responsabilidades para com o SENHOR, e não partiam.
  9. Às vezes a nuvem ficava sobre o tabernáculo poucos dias; conforme a ordem do SENHOR eles acampavam, e também conforme a ordem do SENHOR, partiam.
  10. Outras vezes a nuvem permanecia somente desde o entardecer até o amanhecer, e quando se levantava pela manhã, eles partiam. De dia ou de noite, sempre que a nuvem se levantava, eles partiam.
  11. Quer a nuvem ficasse sobre o tabernáculo dois dias, quer um mês, quer mais tempo, os israelitas permaneciam no acampamento e não partiam; mas, quando ela se levantava, partiam.
  12. Conforme a ordem do SENHOR acampavam, e conforme a ordem do SENHOR partiam.
  13. Nesse meio tempo, cumpriam suas responsabilidades para com o SENHOR, de acordo com as suas ordens, anunciadas por Moisés.
  14. No vigésimo dia do segundo mês do segundo ano, a nuvem se levantou de cima do tabernáculo que guarda as tábuas da aliança.
  15. Então os israelitas partiram do deserto do Sinai e viajaram por etapas, até que a nuvem pousou no deserto de Parã.
  16. Assim partiram pela primeira vez, conforme a ordem do SENHOR anunciada por Moisés.
  17. Os exércitos do acampamento de Judá partiram primeiro, junto à sua bandeira. Naassom, filho de Aminadabe, estava no comando.
  18. Natanael, filho de Zuar, comandava os exércitos da tribo de Issacar, e Eliabe, filho de Helom, chefiava os exércitos da tribo de Zebulom.
  19. Quando o tabernáculo era desmontado, os gersonitas e os meraritas o carregavam e partiam.
  20. Os exércitos do acampamento de Rúben partiram em seguida, junto à sua bandeira. Elizur, filho de Sedeur, estava no comando.
  21. Selumiel, filho de Zurisadai, comandava os exércitos da tribo de Simeão, e Eliasafe, filho de Deuel, chefiava os exércitos da tribo de Gade.
  22. Então os coatitas partiam carregando as coisas sagradas. Antes que eles chegassem, o tabernáculo já deveria estar armado.
  23. Os exércitos do acampamento de Efraim partiram em seguida, junto à sua bandeira. Elisama, filho de Amiúde, estava no comando.
  24. Gamaliel, filho de Pedazur, comandava os exércitos da tribo de Manassés, e Abidã, filho de Gideoni, os exércitos da tribo de Benjamim.
  25. Finalmente, partiram os exércitos do acampamento de Dã, junto à sua bandeira, como retaguarda para todos os acampamentos. Aieser, filho de Amisadai, estava no comando.
  26. Pagiel, filho de Ocrã, comandava os exércitos da tribo de Aser, e Aira, filho de Enã, a divisão da tribo de Naftali.
  27. Essa era a ordem que os exércitos israelitas seguiam quando se punham em marcha.
  28. Então Moisés disse a Hobabe, filho do midianita Reuel, sogro de Moisés: “Estamos partindo para o lugar sobre o qual o SENHOR disse que daria a vocês. Venha conosco e lhe trataremos bem, pois o SENHOR prometeu boas coisas para Israel”.
  29. Ele respondeu: “Não, não irei; voltarei para a minha terra e para o meu povo”.
  30. Moisés, porém, disse: “Por favor, não nos deixe. Você sabe onde devemos acampar no deserto e pode ser o nosso guia.
  31. Se vier conosco, partilharemos com você todas as coisas boas que o SENHOR nos der”.
  32. Então eles partiram do monte do SENHOR e viajaram três dias. A arca da aliança do SENHOR foi à frente deles durante aqueles três dias para encontrar um lugar para descansarem.
  33. A nuvem do SENHOR estava sobre eles de dia, sempre que partiam de um acampamento.
  34. Sempre que a arca partia, Moisés dizia: “Levanta-te, ó SENHOR! Sejam espalhados os teus inimigos e fujam de diante de ti os teus adversários”.
  35. Sempre que a arca parava, ele dizia: “Volta, ó SENHOR, para os incontáveis milhares de Israel”.

Fonte: Números 10

Capítulo 14 – Codornizes

  1. Aconteceu que o povo começou a queixar-se das suas dificuldades aos ouvidos do SENHOR.
  2. Quando ele os ouviu, a sua ira acendeu-se e fogo da parte do SENHOR queimou entre eles e consumiu algumas extremidades do acampamento.
  3. Então o povo clamou a Moisés, este orou ao SENHOR, e o fogo extinguiu-se.
  4. Por isso aquele lugar foi chamado Taberá, porque o fogo da parte do SENHOR queimou entre eles.
  5. Um bando de estrangeiros que havia no meio deles encheu-se de gula, e até os próprios israelitas tornaram a queixar-se, e diziam: “Ah, se tivéssemos carne para comer!
  6. Nós nos lembramos dos peixes que comíamos de graça no Egito, e também dos pepinos, das melancias, dos alhos porós, das cebolas e dos alhos.
  7. Mas agora perdemos o apetite; nunca vemos nada, a não ser este maná!”
  8. O maná era como semente de coentro e tinha aparência de resina.
  9. O povo saía recolhendo o maná nas redondezas, e o moía num moinho manual ou socava-o num pilão; depois cozinhava o maná e com ele fazia bolos. Tinha gosto de bolo amassado com azeite de oliva.
  10. Quando o orvalho caía sobre o acampamento à noite, também caía o maná.
  11. Moisés ouviu gente de todas as famílias se queixando, cada uma à entrada de sua tenda. Então acendeu-se a ira do SENHOR, e isso pareceu mal a Moisés.
  12. E ele perguntou ao SENHOR: “Por que trouxeste este mal sobre o teu servo? Foi por não te agradares de mim, que colocaste sobre os meus ombros a responsabilidade de todo esse povo?
  13. “Por acaso fui eu quem o concebeu? Fui eu quem o trouxe à luz? Por que me pedes para carregá-lo nos braços, como uma ama carrega um recém-nascido, a levá-lo à terra que prometeste sob juramento aos seus antepassados?”
  14. “Onde conseguirei carne para todo esse povo? Eles ficam se queixando contra mim, dizendo: Dê-nos carne para comer!”
  15. “Não posso levar todo esse povo sozinho; essa responsabilidade é grande demais para mim. Se é assim que vais me tratar, mata-me agora mesmo; se te agradas de mim, não me deixes ver a minha própria ruína”.
  16. “Aqui estou eu no meio de seiscentos mil homens de pé, e dizes: ‘Darei a eles carne para comerem durante um mês inteiro!”
  17. “Será que haveria o suficiente para eles se todos os rebanhos fossem abatidos? Será que haveria o suficiente para eles se todos os peixes do mar fossem apanhados?”
  18. Então Moisés saiu e contou ao povo o que o SENHOR tinha dito. Ele reuniu setenta autoridades dentre eles e os dispôs ao redor da Tenda.
  19. O SENHOR desceu na nuvem e lhe falou, e tirou do Espírito que estava sobre ele e o pôs sobre as setenta autoridades. Quando o Espírito veio sobre eles, profetizaram, mas depois nunca mais tornaram a fazê-lo.
  20. Entretanto, dois homens, chamados Eldade e Medade, tinham ficado no acampamento. Ambos estavam na lista das autoridades, mas não tinham ido para a Tenda.
  21. O Espírito também veio sobre eles, e profetizaram no acampamento.
  22. Então, certo jovem correu e contou a Moisés: “Eldade e Medade estão profetizando no acampamento”.
  23. Josué, filho de Num, que desde jovem era auxiliar de Moisés, interferiu e disse: “Moisés, meu senhor, proíba-os!”
  24. Mas Moisés respondeu: “Você está com ciúmes por mim? Quem dera todo o povo do SENHOR fosse profeta e que o SENHOR pusesse o seu Espírito sobre eles!”
  25. Então Moisés e as autoridades de Israel voltaram para o acampamento.
  26. Depois disso, veio um vento da parte do SENHOR que trouxe codornizes do mar e as fez cair por todo o acampamento, a uma altura de noventa centímetros, espalhando-as em todas as direções até num raio de uma caminhada de um dia.
  27. Durante todo aquele dia e aquela noite e durante todo o dia seguinte, o povo saiu e recolheu codornizes.
  28. Ninguém recolheu menos de dez barris. Então eles as estenderam para secar ao redor de todo o acampamento.
  29. Mas, enquanto a carne ainda estava entre os seus dentes e antes que a ingerissem, a ira do SENHOR acendeu-se contra o povo, e ele o feriu com uma praga terrível.
  30. Por isso o lugar foi chamado Quibrote-Hataavá, porque ali foram enterrados os que tinham sido dominados pela gula.
  31. De Quibrote-Hataavá o povo partiu para Hazerote, e lá ficou.
  32. Miriã e Arão começaram a criticar Moisés porque ele havia se casado com uma mulher cuxita.
  33. “Será que o SENHOR tem falado apenas por meio de Moisés?”, perguntaram.”Também não tem ele falado por meio de nós?” E o SENHOR ouviu isso.
  34. Ora, Moisés era um homem muito paciente, mais do que qualquer outro que havia na terra.
  35. Imediatamente o SENHOR convocou Moisés, Arão e Miriã à Tenda do Encontro, os três. E os três foram para lá.
  36. Então o SENHOR desceu numa coluna de nuvem e, pondo-se à entrada da Tenda, chamou Arão e Miriã.
  37. Então a ira do SENHOR acendeu-se contra eles, e ele os deixou.
  38. Quando a nuvem se afastou da Tenda, Miriã estava leprosa; sua aparência era como a da neve.
  39. Arão voltou-se para ela, viu que ela estava com lepra e disse a Moisés: “Por favor, meu senhor, não nos castigue pelo pecado que tão tolamente cometemos.”
  40. “Não permita que ela fique como um feto abortado que sai do ventre de sua mãe com a metade do corpo destruído”.
  41. Então Moisés clamou ao SENHOR: “Ó Deus, por misericórdia, cura-a!”
  42. Então Miriã ficou isolada sete dias fora do acampamento, e o povo não partiu enquanto ela não foi trazida de volta.
  43. Depois disso, partiram de Hazerote e acamparam no deserto de Parã.

Fonte: Números 11 e 12

Capítulo 15 – Espiões

  1. E o SENHOR disse a Moisés que enviasse alguns homens em missão de reconhecimento à terra de Canaã, terra que deu aos israelitas.
  2. Moisés os enviou do deserto de Parã, conforme a ordem do SENHOR. Todos eles eram chefes dos israelitas. São estes os seus nomes:
  3. Da tribo de Rúben, Samua, filho de Zacur;
  4. Da tribo de Simeão, Safate, filho de Hori;
  5. Da tribo de Judá, Calebe, filho de Jefoné;
  6. Da tribo de Issacar, Jigeal, filho de José;
  7. Da tribo de Efraim, Oséias, filho de Num;
  8. Da tribo de Benjamim, Palti, filho de Rafu;
  9. Da tribo de Zebulom, Gadiel, filho de Sodi;
  10. Da tribo de José, isto é, da tribo de Manassés, Gadi, filho de Susi;
  11. Da tribo de Dã, Amiel, filho de Gemali;
  12. Da tribo de Aser, Setur, filho de Micael;
  13. Da tribo de Naftali, Nabi, filho de Vofsi;
  14. Da tribo de Gade, Güel, filho de Maqui.
  15. São esses os nomes dos homens que Moisés enviou em missão de reconhecimento do território. A Oséias, filho de Num, Moisés deu o nome de Josué.
  16. Quando Moisés os enviou para observarem Canaã, disse: “Subam pelo Neguebe e prossigam até a região montanhosa.
  17. Vejam como é a terra e se o povo que vive lá é forte ou fraco, se são muitos ou poucos; se a terra em que habitam é boa ou ruim; se as cidades em que vivem são cidades sem muros ou fortificadas; se o solo é fértil ou pobre; se existe ali floresta ou não.”
  18. Sejam corajosos! Tragam alguns frutos da terra”. Era a época do início da colheita das uvas.
  19. Eles subiram e observaram a terra desde o deserto de Zim até Reobe, na direção de Lebo-Hamate.
  20. Subiram do Neguebe e chegaram a Hebrom, onde viviam Aimã, Sesai e Talmai, descendentes de Enaque. Hebrom havia sido construída sete anos antes de Zoã, no Egito.
  21. Quando chegaram ao vale de Escol, cortaram um ramo do qual pendia um único cacho de uvas. Dois deles carregaram o cacho, pendurado numa vara. Colheram também romãs e figos.
  22. Aquele lugar foi chamado vale de Escol por causa do cacho de uvas que os israelitas cortaram ali.
  23. Ao fim de quarenta dias eles voltaram da missão de reconhecimento daquela terra.
  24. Eles então retornaram a Moisés e a Arão e a toda a comunidade de Israel em Cades, no deserto de Parã, onde prestaram relatório a eles e a toda a comunidade de Israel, e lhes mostraram os frutos da terra.
  25. E deram o seguinte relatório a Moisés: “Entramos na terra à qual você nos enviou, onde manam leite e mel! Aqui estão alguns frutos dela.
  26. Mas o povo que lá vive é poderoso, e as cidades são fortificadas e muito grandes. Também vimos descendentes de Enaque.
  27. Os amalequitas vivem no Neguebe; os hititas, os jebuseus e os amorreus vivem na região montanhosa; os cananeus vivem perto do mar e junto ao Jordão”.
  28. Então Calebe fez o povo calar-se perante Moisés e disse: “Subamos e tomemos posse da terra. É certo que venceremos!”
  29. Mas os homens que tinham ido com ele disseram: “Não podemos atacar aquele povo; é mais forte do que nós”.
  30. E espalharam entre os israelitas um relatório negativo acerca daquela terra.
  31. “Disseram: “A terra para a qual fomos em missão de reconhecimento devora os que nela vivem. Todos os que vimos são de grande estatura.”
  32. “Vimos também os gigantes, os descendentes de Enaque, diante de quem parecíamos gafanhotos, a nós e a eles”.
  33. Naquela noite toda a comunidade começou a chorar em alta voz.
  34. Todos os israelitas queixaram-se contra Moisés e contra Arão, e toda a comunidade lhes disse: “Quem dera tivéssemos morrido no Egito! Ou neste deserto!”
  35. “Por que o SENHOR está nos trazendo para esta terra? Só para nos deixar cair à espada? Nossas mulheres e nossos filhos serão tomados como despojo de guerra. Não seria melhor voltar para o Egito?”
  36. E disseram uns aos outros: “Escolheremos um chefe e voltaremos para o Egito!”
  37. Então Moisés e Arão prostraram-se, rosto em terra, diante de toda a assembleia dos israelitas.
  38. Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, dentre os que haviam observado a terra, rasgaram as suas vestes.
  39. Eles disseram a toda à comunidade dos israelitas: “A terra que percorremos em missão de reconhecimento é excelente.”
  40. “Se o SENHOR se agradar de nós, ele nos fará entrar nessa terra, onde manam leite e mel, e a dará a nós.”
  41. “Somente não sejam rebeldes contra o SENHOR. E não tenham medo do povo da terra, porque nós os devoraremos como se fossem pão. A proteção deles se foi, e o SENHOR está conosco. Não tenham medo deles!”,
  42. Mas a comunidade toda falou em apedrejá-los.
  43. Na madrugada seguinte subiram para o alto da região montanhosa, e disseram: “Subiremos ao lugar que o SENHOR prometeu, pois cometemos pecado”.
  44. Moisés, porém, disse: “Por que vocês estão desobedecendo à ordem do SENHOR? Isso não terá sucesso!”
  45. “Não subam, porque o SENHOR não está com vocês. Vocês serão derrotados pelos inimigos, pois os amalequitas e os cananeus os enfrentarão ali, e vocês cairão à espada.”
  46. “Visto que deixaram de seguir ao SENHOR, ele não estará com vocês”.
  47. Apesar disso, eles subiram desafiadoramente ao alto da região montanhosa, mas nem Moisés nem a arca da aliança do SENHOR saíram do acampamento.
  48. Então os amalequitas e os cananeus que lá viviam desceram e os derrotaram e os perseguiram até Hormá.

Fonte: Números 13 e 14

Capítulo 16 – Corá

  1. Certo dia, quando os israelitas estavam no deserto, encontraram um homem recolhendo lenha no dia de sábado.
  2. Aqueles que o encontraram recolhendo lenha levaram-no a Moisés, a Arão e a toda a comunidade, que o prenderam, porque não sabiam o que deveria ser feito com ele.
  3. Moisés revelou o que disse o SENHOR: “O homem terá que ser executado. Toda a comunidade o apedrejará fora do acampamento”.
  4. Assim, toda a comunidade o levou para fora do acampamento e o apedrejou até à morte, conforme o SENHOR tinha ordenado a Moisés.
  5. Corá, filho de Isar, neto de Coate, bisneto de Levi, reuniu Datã e Abirão, filhos de Eliabe, e Om, filho de Pelete, todos da tribo de Rúben, e eles se insurgiram contra Moisés.
  6. Com eles estavam duzentos e cinquenta israelitas, líderes bem conhecidos na comunidade e que haviam sido nomeados membros do concílio.
  7. Eles se ajuntaram contra Moisés e Arão, e lhes disseram: “Basta! A assembleia toda é santa, cada um deles é santo, e o SENHOR está no meio deles. Então, por que vocês se colocam acima da assembleia do SENHOR?”
  8. Quando ouviu isso, Moisés prostrou-se, rosto em terra.
  9. Depois disse a Corá e a todos os seus seguidores: “Pela manhã o SENHOR mostrará quem lhe pertence e fará aproximar-se dele aquele que é santo, o homem a quem ele escolher.”
  10. “Você, Corá, e todos os seus seguidores deverão fazer o seguinte: peguem incensários e amanhã coloquem neles fogo e incenso perante o SENHOR. Quem o SENHOR escolher será o homem consagrado. Basta, levitas!”
  11. Moisés disse também a Corá: “Agora ouçam-me, levitas!”
  12. “Não lhes é suficiente que o Deus de Israel os tenha separado do restante da comunidade de Israel e os tenha trazido para junto de si a fim de realizarem o trabalho no tabernáculo do SENHOR e para estarem preparados para servir a comunidade?”
  13. “Ele trouxe você e todos os seus irmãos levitas para junto dele, e agora vocês querem também o sacerdócio?”
  14. “É contra o SENHOR que você e todos os seus seguidores se ajuntaram! Quem é Arão, para que se queixem contra ele?”
  15. Então Moisés mandou chamar Datã e Abirão, filhos de Eliabe. Mas eles disseram: “Nós não iremos!”
  16. “Não lhe basta nos ter tirado de uma terra onde manam leite e mel para matar-nos no deserto? E ainda quer se fazer chefe sobre nós?”
  17. “Além disso, você não nos levou a uma terra onde manam leite e mel, nem nos deu uma herança de campos e vinhas. Você pensa que pode cegar os olhos destes homens? Nós não iremos!”
  18. Moisés indignou-se e disse ao SENHOR: “Não aceites a oferta deles. Não tomei deles nem sequer um jumento, nem prejudiquei a nenhum deles”.
  19. Moisés disse a Corá: “Você e todos os seus seguidores terão que apresentar-se amanhã ao SENHOR, você, eles e Arão.”
  20. “Cada homem pegará o seu incensário, nele colocará incenso e o apresentará ao SENHOR. Serão duzentos e cinquenta incensários ao todo. Você e Arão também apresentarão os seus incensários”.
  21. Assim, cada um deles pegou o seu incensário, acendeu o incenso, e se colocou com Moisés e com Arão à entrada da Tenda do Encontro.
  22. Quando Corá reuniu todos os seus seguidores em oposição a eles à entrada da Tenda do Encontro, a glória do SENHOR apareceu a toda a comunidade.
  23. Moisés e Arão prostraram-se, rosto em terra, e disseram: “Ó Deus, Deus que a todos dá vida, ficarás tu irado contra toda a comunidade quando um só homem pecou?”
  24. Moisés levantou-se e foi para onde estavam Datã e Abirão, e as autoridades de Israel o seguiram.
  25. Ele advertiu a comunidade: “Afastem-se das tendas desses ímpios! Não toquem em nada do que pertence a eles, senão vocês serão eliminados por causa dos pecados deles”.
  26. Eles se afastaram das tendas de Corá, Datã e Abirão.
  27. Datã e Abirão tinham saído e estavam de pé, à entrada de suas tendas, junto com suas mulheres, seus filhos e suas crianças pequenas.
  28. E disse Moisés: “Assim vocês saberão que o SENHOR me enviou para fazer todas essas coisas e que isso não partiu de mim.”
  29. “Se estes homens tiverem morte natural e experimentarem somente aquilo que normalmente acontece aos homens, então o SENHOR não me enviou.”
  30. Mas, se o SENHOR fizer acontecer algo totalmente novo, e a terra abrir a sua boca e os engolir, junto com tudo o que é deles, e eles descerem vivos ao Sheol, então vocês saberão que estes homens desprezaram o SENHOR”.
  31. Assim que Moisés acabou de dizer tudo isso, o chão debaixo deles se fendeu e a terra abriu a sua boca e os engoliu juntamente com suas famílias, com todos os seguidores de Corá e com todos os seus bens.
  32. Desceram vivos à sepultura, com tudo o que possuíam; a terra fechou-se sobre eles, e pereceram dentre a assembleia.
  33. Diante dos seus gritos, todos os israelitas ao redor fugiram, gritando: “A terra vai nos engolir também!”
  34. Então veio fogo da parte do SENHOR e consumiu os duzentos e cinquenta homens que ofereciam incenso.
  35. O sacerdote Eleazar juntou os incensários de bronze que tinham sido apresentados pelos que foram consumidos pelo fogo.
  36. Os incensários foram batidos e serviram de revestimento do altar, como o SENHOR tinha dito por meio de Moisés.
  37. Isso foi feito como memorial para os israelitas, a fim de que ninguém que não fosse descendente de Arão, queimasse incenso perante o SENHOR, para não sofrer o que Corá e os seus seguidores sofreram.
  38. No dia seguinte toda a comunidade de Israel começou a queixar-se contra Moisés e Arão, dizendo: “Vocês mataram o povo do SENHOR”.
  39. Quando, porém, a comunidade se ajuntou contra Moisés e contra Arão, e eles se voltaram para a Tenda do Encontro, repentinamente a nuvem a cobriu e a glória do SENHOR apareceu.
  40. Então Moisés e Arão foram para a frente da Tenda do Encontro. Eles se prostraram, rosto em terra;
  41. E Moisés disse a Arão: “Pegue o seu incensário e ponha incenso nele, com fogo tirado do altar, e vá depressa até a comunidade para fazer propiciação por eles, porque saiu grande ira da parte do SENHOR e a praga começou”.
  42. Arão fez o que Moisés ordenou e correu para o meio da assembleia. A praga já havia começado entre o povo, mas Arão ofereceu o incenso e fez propiciação por eles.
  43. Arão se pôs entre os mortos e os vivos, e a praga cessou.
  44. Foram catorze mil e setecentos os que morreram daquela praga, além dos que haviam morrido por causa de Corá.
  45. Então Arão voltou a Moisés, à entrada da Tenda do Encontro, pois a praga já havia cessado.

Fonte: Números 15 e 16

Capítulo 17 – Levitas

  1. Moisés falou aos israelitas, e seus líderes deram-lhe doze varas, uma de cada líder das tribos, e a vara de Arão estava entre elas.
  2. Moisés depositou as varas perante o SENHOR na tenda que guarda as tábuas da aliança.
  3. No dia seguinte Moisés entrou na tenda e viu que a vara de Arão, que representava a tribo de Levi, tinha brotado, produzindo botões e flores, além de amêndoas maduras.
  4. Então Moisés retirou todas as varas da presença do SENHOR e as levou a todos os israelitas. Eles viram as varas, e cada líder pegou a sua.
  5. Os israelitas disseram a Moisés: “Nós morreremos! Estamos perdidos, estamos todos perdidos!
  6. Todo aquele que se aproximar do santuário do SENHOR morrerá. Será que todos nós vamos morrer?”
  7. Moisés fez como o SENHOR lhe ordenou, e a comunidade reuniu-se à entrada da Tenda do Encontro.
  8. Então Moisés disse à comunidade: “Foi isto que o SENHOR mandou fazer”; e levou Arão e seus filhos à frente e mandou-os banhar-se com água;
  9. Ele pôs a túnica em Arão, colocou-lhe o cinto e o manto, e pôs sobre ele o colete sacerdotal; depois a ele prendeu o manto sacerdotal com o cinturão.
  10. Colocou também o peitoral, e nele pôs o Urim e o Tumim; e colocou o turbante na cabeça de Arão com a lâmina de ouro, isto é, a coroa sagrada, na frente do turbante, conforme o SENHOR tinha ordenado a Moisés.
  11. Depois Moisés pegou o óleo da unção e ungiu o tabernáculo e tudo o que nele havia, e assim os consagrou.
  12. Aspergiu sete vezes o óleo sobre o altar, ungindo o altar e todos os seus utensílios e a bacia com o seu suporte, para consagrá-los.
  13. Derramou o óleo da unção sobre a cabeça de Arão para ungi-lo e consagrá-lo.
  14. Trouxe então os filhos de Arão à frente, vestiu-os com suas túnicas e cintos, e colocou-lhes gorros, conforme o SENHOR lhe havia ordenado.
  15. Em seguida trouxe o novilho para a oferta pelo pecado, e Arão e seus filhos lhe puseram as mãos sobre a cabeça.
  16. Moisés sacrificou o novilho, e com o dedo pôs um pouco do sangue em todas as pontas do altar para purificá-lo.
  17. Derramou o restante do sangue na base do altar e assim o consagrou para fazer propiciação por ele.
  18. Nadabe e Abiú, filhos de Arão, pegaram cada um o seu incensário, nos quais acenderam fogo, acrescentaram incenso, e trouxeram fogo profano perante o SENHOR, sem que tivessem sido autorizados.
  19. Então saiu fogo da presença do SENHOR e os consumiu. Morreram perante o SENHOR.
  20. Moisés então disse a Arão: “Foi isto que o SENHOR disse: ‘Aos que de mim se aproximam santo me mostrarei; à vista de todo o povo glorificado serei’”. Arão, porém, ficou em silêncio.
  21. Então Moisés chamou Misael e Elzafã, filhos de Uziel, tio de Arão, e lhes disse: “Venham cá; tirem os seus primos da frente do santuário e levem-nos para fora do acampamento”.
  22. Eles foram e os puxaram pelas túnicas, para fora do acampamento, conforme Moisés tinha ordenado.
  23. Então Moisés disse a Arão e a seus filhos Eleazar e Itamar: “Não andem descabelados, nem rasguem as roupas em sinal de luto, senão vocês morrerão e a ira do SENHOR cairá sobre toda a comunidade. Mas os seus parentes, e toda a nação de Israel, poderão chorar por aqueles que o SENHOR destruiu pelo fogo.”
  24. “Não saiam da entrada da Tenda do Encontro, senão vocês morrerão, porquanto o óleo da unção do SENHOR está sobre vocês”. E eles fizeram conforme Moisés tinha ordenado.
  25. Depois o SENHOR disse a Arão: “Você e seus filhos não devem beber vinho nem outra bebida fermentada antes de entrar na Tenda do Encontro, senão vocês morrerão. É um decreto perpétuo para as suas gerações.”
  26. “Vocês têm que fazer separação entre o santo e o profano, entre o puro e o impuro, e ensinar aos israelitas todos os decretos que o SENHOR lhes deu por meio de Moisés”.
  27. Então Moisés disse a Arão e aos seus filhos que ficaram vivos, Eleazar e Itamar: “Peguem a oferta de cereal que sobrou das ofertas dedicadas ao SENHOR, preparadas no fogo, e comam-na sem fermento junto ao altar, pois é santíssima.”
  28. “Comam-na em lugar sagrado, porquanto é a porção que lhes cabe por decreto, a você e a seus filhos, das ofertas dedicadas ao SENHOR, preparadas no fogo; pois assim me foi ordenado.”
  29. O peito ritualmente movido e a coxa ofertada, você, seus filhos e suas filhas poderão comer num lugar cerimonialmente puro; foi dado a você e a seus filhos como porção das ofertas de comunhão dos israelitas.
  30. A coxa ofertada e o peito ritualmente movido devem ser trazidos junto com as porções de gordura das ofertas preparadas no fogo, para serem movidos perante o SENHOR como gesto ritual de apresentação. Esta será a porção por decreto perpétuo para você e seus descendentes, conforme o SENHOR tinha ordenado”.
  31. Quando Moisés procurou por toda parte o bode da oferta pelo pecado e soube que já fora queimado, irou-se contra Eleazar e Itamar, os filhos de Arão que ficaram vivos.
  32. Ele perguntou: “Por que vocês não comeram a carne da oferta pelo pecado no Lugar Santo? É santíssima; foi-lhes dada para retirar a culpa da comunidade e fazer propiciação por ela perante o SENHOR.”
  33. “Como o sangue do animal não foi levado para dentro do Lugar Santo, vocês deviam tê-lo comido no Lugar Santo, conforme ordenei”.
  34. Arão respondeu a Moisés: “Hoje eles ofereceram o seu sacrifício pelo pecado e o seu holocausto perante o SENHOR; mesmo assim coisas como essas aconteceram comigo. Será que teria agradado ao SENHOR se eu tivesse comido a oferta pelo pecado hoje?”
  35. Quando Moisés ouviu isso, ficou satisfeito.

Fonte: Números 17, 18 e Levítico 10

Capítulo 18 – Arão

  1. No primeiro mês toda a comunidade de Israel chegou ao deserto de Zim e ficou em Cades. Ali Miriã morreu e foi sepultada.
  2. Não havia água para a comunidade, e o povo se juntou contra Moisés e contra Arão.
  3. Discutiram com Moisés e disseram: “Quem dera tivéssemos morrido quando os nossos irmãos caíram mortos perante o SENHOR!”
  4. “Por que vocês trouxeram a assembleia do SENHOR a este deserto, para que nós e os nossos rebanhos morrêssemos aqui?”
  5. “Por que vocês nos tiraram do Egito e nos trouxeram para este lugar terrível? Aqui não há cereal, nem figos, nem uvas, nem romãs, nem água para beber!”
  6. Moisés e Arão saíram de diante da assembleia para a entrada da Tenda do Encontro e se prostraram, rosto em terra, e a glória do SENHOR lhes apareceu.
  7. Então Moisés pegou a vara que estava diante do SENHOR, como este lhe havia ordenado.
  8. Moisés e Arão reuniram a assembleia em frente da rocha, e Moisés disse: “Escutem, rebeldes, será que teremos que tirar água desta rocha para lhes dar?”
  9. Então Moisés ergueu o braço e bateu na rocha duas vezes com a vara. Jorrou água, e a comunidade e os rebanhos beberam.
  10. Essas foram as águas de Meribá, onde os israelitas discutiram com o SENHOR e onde ele manifestou sua santidade entre eles.
  11. De Cades, Moisés enviou mensageiros ao rei de Edom, dizendo: “Assim diz o teu irmão Israel: Tu sabes de todas as dificuldades que vieram sobre nós.”
  12. “Os nossos antepassados desceram para o Egito, e ali vivemos durante muitos anos.”
  13. Os egípcios, porém, nos maltrataram, como também a eles, mas quando clamamos ao SENHOR, ele ouviu o nosso clamor, enviou um anjo e nos tirou do Egito.”
  14. “Agora estamos em Cades, cidade na fronteira do teu território. Deixa-nos atravessar a tua terra. Não passaremos por nenhuma plantação ou vinha, nem beberemos água de poço algum.”
  15. “Passaremos pela estrada do rei e não nos desviaremos nem para a direita nem para a esquerda, até que tenhamos atravessado o teu território”.
  16. Mas Edom respondeu: “Vocês não poderão passar por aqui; se tentarem, nós os atacaremos com a espada”.
  17. E os israelitas disseram: “Iremos pela estrada principal; se nós e os nossos rebanhos bebermos de tua água, pagaremos por ela. Queremos apenas atravessar a pé, e nada mais”.
  18. Mas Edom insistiu: “Vocês não poderão atravessar”. Então Edom os atacou com um exército grande e poderoso.
  19. Visto que Edom se recusou a deixá-los atravessar o seu território, Israel desviou-se dele.
  20. Toda a comunidade israelita partiu de Cades e chegou ao monte Hor.
  21. Naquele monte, perto da fronteira de Edom, o SENHOR falou a Moisés e a Arão.
  22. Moisés fez conforme o SENHOR ordenou; e eles subiram o monte Hor à vista de toda a comunidade.
  23. Moisés tirou as vestes de Arão e as colocou em seu filho Eleazar. E Arão morreu no alto do monte.
  24. Depois disso, Moisés e Eleazar desceram do monte, e, quando toda a comunidade soube que Arão tinha morrido, toda a nação de Israel pranteou por ele durante trinta dias.

Fonte: Números 20

Capítulo 19 – Fronteira

  1. Quando o rei cananeu de Arade, que vivia no Neguebe, soube que Israel vinha pela estrada de Atarim, atacou os israelitas e capturou alguns deles.
  2. Então Israel fez este voto ao SENHOR: “Se entregares este povo em nossas mãos, destruiremos totalmente as suas cidades”.
  3. O SENHOR ouviu o pedido de Israel e lhes entregou os cananeus. Israel os destruiu completamente, a eles e às suas cidades; de modo que o lugar foi chamado Hormá.
  4. Partiram eles do monte Hor pelo caminho do mar Vermelho, para contornarem a terra de Edom. Mas o povo ficou impaciente no caminho.
  5. Falou contra Deus e contra Moisés, dizendo: “Por que vocês nos tiraram do Egito para morrermos no deserto? Não há pão! Não há água! E nós detestamos esta comida miserável!”
  6. Então o SENHOR enviou serpentes venenosas que morderam o povo, e muitos morreram.
  7. O povo foi a Moisés e disse: “Pecamos quando falamos contra o SENHOR e contra você. Ore pedindo ao SENHOR que tire as serpentes do meio de nós”. E Moisés orou pelo povo.
  8. Moisés fez então uma serpente de bronze e a colocou num poste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, permanecia vivo.
  9. Os israelitas partiram e acamparam em Obote.
  10. Depois partiram de Obote e acamparam em Ijé-Abarim, no deserto defronte de Moabe, ao leste.
  11. Dali partiram e acamparam no vale de Zerede.
  12. Partiram dali e acamparam do outro lado do Arnom, que fica no deserto que se estende até o território amorreu. O Arnom é a fronteira de Moabe, entre Moabe e os amorreus.
  13. É por isso que se diz no Livro das Guerras do SENHOR: “… Vaebe, em Sufá, e os vales, o Arnom e as ravinas dos vales que se estendem até a cidade de Ar e chegam até a fronteira de Moabe”.
  14. De lá prosseguiram até Beer, ao poço do qual o SENHOR disse a Moisés para reunir o povo.
  15. Então Israel cantou esta canção: “Brote água, ó poço! Cantem a seu respeito, a respeito do poço que os líderes cavaram, que os nobres abriram com cetros e cajados”.
  16. Então saíram do deserto para Mataná, de Mataná para Naaliel, de Naaliel para Bamote, e de Bamote para o vale de Moabe, onde o topo do Pisga defronta com o deserto de Jesimom.
  17. Israel enviou mensageiros para dizer a Seom, rei dos amorreus: “Deixa-nos atravessar a tua terra. Não entraremos em nenhuma plantação, em nenhuma vinha, nem beberemos água de poço algum. Passaremos pela estrada do rei até que tenhamos atravessado o teu território”.
  18. Seom, porém, não deixou Israel atravessar o seu território. Convocou todo o seu exército e atacou Israel no deserto. Quando chegou a Jaza, lutou contra Israel.
  19. Porém Israel o destruiu com a espada e tomou-lhe as terras desde o Arnom até o Jaboque, até o território dos amonitas, pois Jazar estava na fronteira dos amonitas.
  20. Israel capturou todas as cidades dos amorreus e as ocupou, inclusive Hesbom e todos os seus povoados.
  21. Hesbom era a cidade de Seom, rei dos amorreus, que havia lutado contra o antigo rei de Moabe, tendo lhe tomado todas as suas terras até o Arnom.
  22. Assim Israel habitou na terra dos amorreus.
  23. Moisés enviou espiões a Jazar, e os israelitas tomaram os povoados ao redor e expulsaram os amorreus que ali estavam.
  24. Depois voltaram e subiram pelo caminho de Basã, e Ogue, rei de Basã, com todo o seu exército, marchou para enfrentá-los em Edrei.
  25. Então eles o derrotaram, bem como os seus filhos e todo o seu exército, não lhes deixando sobrevivente algum. E tomaram posse da terra dele.

Fonte: Números 21

Capítulo 20- Balaão

  1. Os israelitas partiram e acamparam nas campinas de Moabe, para além do Jordão, perto de Jericó.
  2. Balaque, filho de Zipor, viu tudo o que Israel tinha feito aos amorreus, e Moabe teve muito medo do povo, porque era muita gente. Moabe teve pavor dos israelitas.
  3. Então os moabitas disseram aos líderes de Midiã: “Essa multidão devorará tudo o que há ao nosso redor, como o boi devora o capim do pasto”.
  4. Balaque, filho de Zipor, rei de Moabe naquela época, enviou mensageiros para chamar Balaão, filho de Beor, que estava em Petor, perto do Rio, em sua terra natal.
  5. A mensagem de Balaque dizia: “Um povo que saiu do Egito cobre a face da terra e se estabeleceu perto de mim. Venha agora lançar uma maldição contra ele, pois é forte demais para mim.”
  6. “Talvez então eu tenha condições de derrotá-lo e de expulsá-lo da terra. Pois sei que quem você abençoa é abençoado, e quem você amaldiçoa é amaldiçoado”.
  7. Os líderes de Moabe e os de Midiã partiram, levando consigo o preço para os encantamentos mágicos.
  8. Quando chegaram, comunicaram a Balaão o que Balaque tinha dito.
  9. Disse-lhes Balaão: “Passem a noite aqui, e eu lhes trarei a resposta que o SENHOR me der”. E os líderes moabitas ficaram com ele.
  10. Na manhã seguinte Balaão se levantou e disse aos líderes de Balaque: “Voltem para a sua terra, pois o SENHOR não permitiu que eu os acompanhe”.
  11. Os líderes moabitas voltaram a Balaque e lhe disseram: “Balaão recusou-se a acompanhar-nos”.
  12. Balaque enviou outros líderes, em maior número e mais importantes do que os primeiros.
  13. Eles foram a Balaão e lhe disseram: “Assim diz Balaque, filho de Zipor: Que nada o impeça de vir a mim, porque o recompensarei generosamente e farei tudo o que você me disser. Venha, por favor, e lance para mim uma maldição contra este povo”.
  14. Balaão, porém, respondeu aos conselheiros de Balaque: “Mesmo que Balaque me desse o seu palácio cheio de prata e de ouro, eu não poderia fazer coisa alguma, grande ou pequena, que vá além da ordem do SENHOR meu Deus.
  15. Agora, fiquem também vocês aqui esta noite, e eu descobrirei o que mais o SENHOR tem para dizer-me”.
  16. Balaão levantou-se pela manhã, pôs a sela sobre a sua jumenta e foi com os líderes de Moabe.
  17. Mas acendeu-se a ira de Deus quando ele foi, e o anjo do SENHOR pôs-se no caminho para impedi-lo de prosseguir. Balaão ia montado em sua jumenta, e seus dois servos o acompanhavam.
  18. Quando a jumenta viu o anjo do SENHOR parado no caminho, empunhando uma espada, saiu do caminho e foi-se pelo campo. Balaão bateu nela para fazê-la voltar ao caminho.
  19. Então o anjo do SENHOR se pôs num caminho estreito entre duas vinhas, com muros dos dois lados.
  20. Quando a jumenta viu o anjo do SENHOR, encostou-se no muro, apertando o pé de Balaão contra ele. Por isso ele bateu nela de novo.
  21. O anjo do SENHOR foi adiante e se colocou num lugar estreito, e não havia espaço para desviar, nem para a direita nem para a esquerda.
  22. Quando a jumenta viu o anjo do SENHOR, deitou-se debaixo de Balaão. Acendeu-se a ira de Balaão, que bateu nela com a sua vara.
  23. Então o SENHOR abriu a boca da jumenta, e ela disse a Balaão: “Que foi que eu lhe fiz, para você bater em mim três vezes?”
  24. Balaão respondeu à jumenta: “Você me fez de tolo! Quem dera eu tivesse uma espada na mão; eu a mataria agora mesmo”.
  25. Mas a jumenta disse a Balaão: “Não sou sua jumenta, que você sempre montou até o dia de hoje? Tenho eu o costume de fazer isso com você?” “Não”, disse ele.
  26. Então o SENHOR abriu os olhos de Balaão, e ele viu o anjo do SENHOR parado no caminho, empunhando a sua espada.
  27. Então Balaão inclinou-se e prostrou-se, rosto em terra.
  28. Balaão disse ao anjo do SENHOR: “Pequei. Não percebi que estavas parado no caminho para me impedires de prosseguir. Agora, se o que estou fazendo te desagrada, eu voltarei”.
  29. Então o anjo do SENHOR disse a Balaão para ir com os homens para falar apenas o que ele lhe disser. Assim Balaão foi com os príncipes de Balaque.
  30. Quando Balaque soube que Balaão estava chegando, foi ao seu encontro na cidade moabita da fronteira do Arnom, no limite do seu território.
  31. E Balaque disse a Balaão: “Não mandei chamá-lo urgentemente? Por que não veio? Acaso não tenho condições de recompensá-lo?”
  32. “Aqui estou!”, respondeu Balaão.”Mas, seria eu capaz de dizer alguma coisa? Direi somente o que Deus puser em minha boca”.
  33. Então Balaão foi com Balaque até Quiriate-Huzote.
  34. Balaque sacrificou bois e ovelhas, e deu parte da carne a Balaão e aos líderes que com ele estavam.
  35. Na manhã seguinte Balaque levou Balaão até o alto de Bamote-Baal, de onde viu uma parte do povo.
  36. Balaão disse a Balaque: “Construa para mim aqui sete altares e prepare-me sete novilhos e sete carneiros”.
  37. Balaque fez o que Balaão pediu, e os dois ofereceram um novilho e um carneiro em cada altar.
  38. E Balaão disse a Balaque: “Fique aqui junto ao seu holocausto, enquanto eu me retiro. Talvez o SENHOR venha ao meu encontro. O que ele me revelar eu lhe contarei”. E foi para um monte.
  39. Deus o encontrou, e Balaão disse: “Preparei sete altares, e em cada altar ofereci um novilho e um carneiro”.
  40. O SENHOR pôs uma mensagem na boca de Balaão e disse para voltar a Balaque e dar-lhe uma mensagem.
  41. Ele voltou a Balaque e o encontrou ao lado de seu holocausto, e com ele todos os líderes de Moabe.
  42. Então Balaão pronunciou este oráculo: “Balaque trouxe-me de Arã, o rei de Moabe, buscou-me nas montanhas do Oriente. Venha, amaldiçoe a Jacó para mim, disse ele, venha, pronuncie ameaças contra Israel!”
  43. “Como posso amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoou? Como posso pronunciar ameaças quem o SENHOR não quis ameaçar?”
  44. “Dos cumes rochosos eu os vejo, dos montes eu os avisto. Vejo um povo que vive separado e não se considera como qualquer nação.”
  45. “Quem pode contar o pó de Jacó ou o número da quarta parte de Israel? Morra eu a morte dos justos, e seja o meu fim como o deles!”
  46. Então Balaque disse a Balaão: “Que foi que você me fez? Eu o chamei para amaldiçoar meus inimigos, mas você nada fez senão abençoá-los!”
  47. E ele respondeu: “Será que não devo dizer o que o SENHOR põe em minha boca?”
  48. Balaque lhe disse: “Venha comigo a outro lugar de onde você poderá vê-los; você verá só uma parte, mas não todos eles. E dali amaldiçoe este povo para mim”.
  49. Então ele o levou para o campo de Zofim, no topo do Pisga, e ali construiu sete altares e ofereceu um novilho e um carneiro em cada altar.
  50. Balaão disse a Balaque: “Fique aqui ao lado de seu holocausto enquanto vou me encontrar com ele ali adiante”.
  51. Encontrando-se o SENHOR com Balaão, pôs uma mensagem em sua boca e disse: “Volte a Balaque e dê-lhe essa mensagem”.
  52. Ele voltou e o encontrou ao lado de seu holocausto, e com ele os líderes de Moabe. Balaque perguntou-lhe: “O que o SENHOR disse?”
  53. Então ele pronunciou este oráculo: “Levante-se, Balaque, e ouça-me; escute-me, filho de Zipor.”
  54. “Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa. Acaso ele fala, e deixa de agir? Acaso promete, e deixa de cumprir?”
  55. “Recebi uma ordem para abençoar; ele abençoou, e não o posso mudar.”
  56. “Nenhuma desgraça se vê em Jacó, nenhum sofrimento em Israel. O SENHOR, o seu Deus, está com eles; o brado de aclamação do Rei está no meio deles.”
  57. “Deus os está trazendo do Egito; eles têm a força do boi selvagem.”
  58. “Não há magia que possa contra Jacó, nem encantamento contra Israel. Agora se dirá de Jacó e de Israel: Vejam o que Deus tem feito!”
  59. “O povo se levanta como leoa; levanta-se como o leão, que não se deita até que devore a sua presa e beba o sangue das suas vítimas”.
  60. Balaque disse então a Balaão: “Não os amaldiçoe nem os abençoe!”
  61. Balaão respondeu: “Não lhe disse que devo fazer tudo o que o SENHOR disser?”
  62. Balaque disse a Balaão: “Venha, deixe-me levá-lo a outro lugar. Talvez Deus se agrade que dali você os amaldiçoe para mim”.
  63. E Balaque levou Balaão para o topo do Peor, de onde se vê o deserto de Jesimom.
  64. Balaão disse a Balaque: “Edifique-me aqui sete altares, e prepare-me sete novilhos e sete carneiros”.
  65. Balaque fez o que Balaão disse, e ofereceu um novilho e um carneiro em cada altar.
  66. Quando Balaão viu que agradava ao SENHOR abençoar Israel, não recorreu à magia como nas outras vezes, mas voltou o rosto para o deserto.
  67. Então viu Israel acampado, tribo por tribo; e o Espírito de Deus veio sobre ele,
  68. E ele pronunciou este oráculo: “Palavra de Balaão, filho de Beor, palavra daquele cujos olhos vêem claramente, palavra daquele que ouve as palavras de Deus, daquele que vê a visão que vem do Todo-poderoso, daquele que cai prostrado e vê com clareza:
  69. “Quão belas são as suas tendas, ó Jacó, as suas habitações, ó Israel! Como vales estendem-se, como jardins que margeiam rios, como aloés plantados pelo SENHOR, como cedros junto às águas.”
  70. “Seus reservatórios de água transbordarão; suas lavouras serão bem irrigadas.”O seu rei será maior do que Agague; o seu reino será exaltado.”
  71. “Deus os está trazendo do Egito; eles têm a força do boi selvagem. Devoram nações inimigas e despedaçam seus ossos; com suas flechas os atravessam.”
  72. “Como o leão e a leoa eles se abaixam e se deitam, quem ousará despertá-los? Sejam abençoados os que os abençoarem, e amaldiçoados os que os amaldiçoarem!”
  73. Então acendeu-se a ira de Balaque contra Balaão, e, batendo as palmas das mãos, disse: “Eu o chamei para amaldiçoar meus inimigos, mas você já os abençoou três vezes!”
  74. “Agora, fuja para a sua casa! Eu disse que lhe daria generosa recompensa, mas o SENHOR o impediu de recebê-la”.
  75. Mas Balaão respondeu a Balaque: “Eu não disse aos mensageiros que você me enviou: Mesmo que Balaque me desse o seu palácio cheio de prata e de ouro, eu não poderia fazer coisa alguma de minha própria vontade, boa ou má, que vá além da ordem do SENHOR, e que devo dizer somente o que o SENHOR disser?
  76. Agora estou voltando para o meu povo, mas venha, deixe-me adverti-lo do que este povo fará ao seu povo nos dias futuros”. Foi o quarto Oráculo de Balaão
  77. Então pronunciou este seu oráculo: “Palavra de Balaão, filho de Beor, palavra daquele cujos olhos vêem claramente, daquele que ouve as palavras de Deus, que possui o conhecimento do Altíssimo, daquele que vê a visão que vem do Todo-poderoso, daquele que cai prostrado, e vê com clareza:”
  78. “Eu o vejo, mas não agora; eu o avisto, mas não de perto. Uma estrela surgirá de Jacó; um cetro se levantará de Israel. Ele esmagará as frontes de Moabe e o crânio de todos os descendentes de Sete.”
  79. “Edom será dominado; Seir, seu inimigo, também será dominado, mas Israel se fortalecerá. De Jacó sairá o governo; ele destruirá os sobreviventes das cidades”.
  80. Balaão viu Amaleque e pronunciou este oráculo: “Amaleque foi o primeiro entre as nações, mas o seu fim será destruição”.
  81. Depois viu os queneus e pronunciou este oráculo: “Sua habitação é segura, seu ninho está firmado na rocha; todavia, vocês, queneus, serão destruídos quando Assur os levar prisioneiros”.
  82. Finalmente pronunciou este oráculo: “Ah, quem poderá viver quando Deus fizer isto?
  83. Navios virão da costa de Quitim e subjugarão Assur e Héber, mas o seu fim também será destruição”.
  84. Então Balaão se levantou e voltou para casa, e Balaque seguiu o seu caminho.

Fonte: Números 22, 23 e 24

Capítulo 21- Baal-Peor

  1. Enquanto Israel estava em Sitim, o povo começou a entregar-se à imoralidade sexual com mulheres moabitas, que os convidavam aos sacrifícios de seus deuses.
  2. O povo comia e se prostrava perante esses deuses.
  3. Assim Israel se juntou à adoração de Baal-Peor. E a ira do SENHOR acendeu-se contra Israel.
  4. Então Moisés disse aos juízes de Israel: “Cada um de vocês terá que matar aqueles que dentre os seus homens se juntaram à adoração de Baal-Peor”.
  5. Um israelita trouxe para casa uma mulher midianita, na presença de Moisés e de toda a comunidade de Israel, que choravam à entrada da Tenda do Encontro.
  6. Quando Finéias, filho de Eleazar, neto do sacerdote Arão, viu isso, apanhou uma lança, seguiu o israelita até o interior da tenda e atravessou os dois com a lança.
  7. Ele atravessou o corpo do israelita e o da mulher; e então cessou a praga contra os israelitas.
  8. Mas os que morreram por causa da praga foram vinte e quatro mil.
  9. O nome do israelita que foi morto com a midianita era Zinri, filho de Salu, líder de uma família simeonita.
  10. E o nome da mulher midianita que morreu era Cosbi, filha de Zur, chefe de um clã midianita.
  11. Depois da praga, nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, do outro lado de Jericó, Moisés e o sacerdote Eleazar falaram com eles.
  12. Eles disseram: “Façam um recenseamento dos homens de vinte anos para cima”, conforme o SENHOR tinha ordenado a Moisés.
  13. Estes foram os israelitas que saíram do Egito: O número total dos homens de Israel foi 601.730.
  14. O total de levitas do sexo masculino de um mês de idade para cima que foram contados foi 23.000. Não foram contados junto com os outros israelitas porque não receberam herança entre eles.
  15. São esses os que foram recenseados por Moisés e pelo sacerdote Eleazar quando contaram os israelitas nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, do outro lado de Jericó.
  16. Nenhum deles estava entre os que foram contados por Moisés e pelo sacerdote Arão quando contaram os israelitas no deserto do Sinai.
  17. Pois o SENHOR tinha dito àqueles israelitas que iriam morrer no deserto, e nenhum deles sobreviveu, exceto Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.
  18. Moisés subi o monte da serra de Abarim e viu a terra que deu aos israelitas.
  19. Ele disse ao SENHOR: “Que o SENHOR, o Deus que a todos dá vida, designe um homem como líder deste povo para conduzi-los em suas batalhas, para que o povo do SENHOR não seja como ovelhas sem pastor”.
  20. Moisés fez como o SENHOR lhe ordenou. Chamou Josué e o apresentou ao sacerdote Eleazar e a toda a comunidade.
  21. Impôs as mãos sobre ele e o comissionou. Tudo conforme o SENHOR tinha dito por meio de Moisés.
  22. Então Moisés disse ao povo: “Armem alguns dos homens para irem à guerra contra os midianitas e executarem a vingança do SENHOR contra eles. Enviem à batalha mil homens de cada tribo de Israel”.
  23. Doze mil homens armados para a guerra, mil de cada tribo, foram mandados pelos clãs de Israel.”
  24. Moisés os enviou à guerra, mil de cada tribo, juntamente com Finéias, filho do sacerdote Eleazar, que levou consigo objetos do santuário e as cornetas para o toque de guerra.
  25. Lutaram então contra Midiã, conforme o SENHOR tinha ordenado a Moisés, e mataram todos os homens.
  26. Entre os mortos estavam os cinco reis de Midiã: Evi, Requém, Zur, Hur e Reba. Também mataram à espada Balaão, filho de Beor.
  27. Os israelitas capturaram as mulheres e as crianças midianitas e tomaram como despojo todos os rebanhos e bens dos midianitas.
  28. Queimaram todas as cidades em que os midianitas haviam se estabelecido, bem como todos os seus acampamentos. Tomaram todos os despojos, incluindo pessoas e animais,
  29. E levaram os prisioneiros, homens e mulheres, e os despojos a Moisés, ao sacerdote Eleazar e à comunidade de Israel em seu acampamento, nas campinas de Moabe, do outro lado de Jericó.
  30. Moisés, o sacerdote Eleazar e todos os líderes da comunidade saíram para recebê-los fora do acampamento.
  31. Mas Moisés indignou-se contra os oficiais do exército que voltaram da guerra, os líderes de milhares e os líderes de centenas.
  32. “Vocês deixaram todas as mulheres vivas?”, perguntou-lhes.
  33. “Foram elas que seguiram o conselho de Balaão e levaram Israel a ser infiel ao SENHOR no caso de Peor, de modo que uma praga feriu a comunidade do SENHOR.”
  34. “Agora matem todos os meninos. E matem também todas as mulheres que se deitaram com homem,
    mas poupem todas as meninas virgens.”
    “Todos vocês que mataram alguém ou que tocaram em algum morto ficarão sete dias fora do acampamento. No terceiro e no sétimo dia vocês deverão purificar-se a si mesmos e aos seus prisioneiros.”
  35. “Purifiquem toda roupa e também tudo o que é feito de couro, de pêlo de bode ou de madeira.”
  36. Depois o sacerdote Eleazar disse aos soldados que tinham ido à guerra: “Esta é a exigência da lei que o SENHOR ordenou a Moisés: Ouro, prata, bronze, ferro, estanho, chumbo e tudo o que resista ao fogo,”
  37. “vocês terão que passar pelo fogo para purificá-las, mas também deverão purificá-las com a água da purificação. E tudo o que não resistir ao fogo terá que passar pela água.”
  38. “No sétimo dia lavem as suas roupas, e vocês ficarão puros. Depois poderão entrar no acampamento”.
  39. Moisés e o sacerdote Eleazar fizeram como o SENHOR tinha ordenado a Moisés.
  40. Os despojos que restaram das presas tomadas pelos soldados foram 675.000 ovelhas, 72.000 cabeças de gado, 61.000 jumentos e 32.000 mulheres virgens.
  41. A metade dada aos que lutaram na guerra; das quais o tributo para o SENHOR foram 675 ovelhas; 72 cabeças de gado; 61 jumentos; e 32 pessoas.
  42. Moisés deu o tributo ao sacerdote Eleazar como contribuição ao SENHOR, conforme o SENHOR tinha ordenado a Moisés.
  43. A outra metade, pertencente aos israelitas, Moisés separou da dos combatentes; essa era a metade pertencente à comunidade.
  44. Da metade pertencente aos israelitas, Moisés escolheu um de cada cinquenta, tanto de pessoas como de animais, conforme o SENHOR lhe tinha ordenado, e os entregou aos levitas, encarregados de cuidar do tabernáculo do SENHOR.
  45. Então os oficiais que estavam sobre as unidades do exército, os líderes de milhares e os líderes de centenas foram a Moisés.
  46. Eles lhe disseram: “Seus servos contaram os soldados sob o nosso comando, e não está faltando ninguém.”
  47. “Por isso trouxemos como oferta ao SENHOR os artigos de ouro dos quais cada um de nós se apossou: braceletes, pulseiras, anéis de sinete, brincos e colares; para fazer propiciação por nós perante o SENHOR”.
  48. Moisés e o sacerdote Eleazar receberam deles. Todas as joias de ouro.
  49. Todo o ouro dado pelos líderes de milhares e pelos líderes de centenas que Moisés e Eleazar apresentaram como contribuição ao SENHOR pesou duzentos quilos.
  50. Cada soldado tinha tomado despojos para si mesmo.
  51. Moisés e o sacerdote Eleazar receberam o ouro dado pelos líderes de milhares e pelos líderes de centenas e o levaram para a Tenda do Encontro como memorial para que o SENHOR se lembrasse dos israelitas.

Fonte: Números 25, 26 e 31

Capítulo 22 – Tribos

  1. As tribos de Rúben e de Gade, donas de numerosos rebanhos, viram que as terras de Jazar e de Gileade eram próprias para a criação de gado.
  2. Por isso foram a Moisés, ao sacerdote Eleazar e aos líderes da comunidade.
  3. Eles disseram: “Atarote, Dibom, Jazar, Ninra, Hesbom, Eleale, Sebã, Nebo e Beom, terras que o SENHOR subjugou perante a comunidade de Israel, são próprias para a criação de gado, e os seus servos possuem gado”.
  4. E acrescentaram: “Se podemos contar com o favor de vocês, deixem que essa terra seja dada a estes seus servos como nossa herança. Não nos façam atravessar o Jordão”.
  5. Moisés respondeu aos homens de Gade e de Rúben: “E os seus compatriotas irão à guerra enquanto vocês ficam aqui?”
  6. “Por que vocês desencorajam os israelitas de entrar na terra que o SENHOR lhes deu?”
  7. “Foi isso que os pais de vocês fizeram quando os enviei de Cades-Barnéia para verem a terra.”
  8. “Depois de subirem ao vale de Escol e examinarem a terra, desencorajaram os israelitas de entrar na terra que o SENHOR lhes tinha dado.”
  9. Então os homens de Gade e de Rúben disseram a Moisés: “Nós, seus servos, faremos como o meu senhor ordena. Nossos filhos e mulheres, todos os nossos rebanhos ficarão aqui nas cidades de Gileade.”
  10. “Mas os seus servos, todos os homens armados para a batalha, atravessarão para lutar perante o SENHOR, assim como o meu senhor está dizendo”.
  11. Moisés deu as seguintes instruções acerca deles ao sacerdote Eleazar, a Josué, filho de Num, e aos chefes de família das tribos israelitas:”
  12. “Se os homens de Gade e de Rúben, todos eles armados para a batalha, atravessarem o Jordão com vocês perante o SENHOR, então, quando a terra for subjugada perante vocês, entreguem-lhes como propriedade a terra de Gileade.”
  13. Mas, se não atravessarem armados com vocês, terão que aceitar a propriedade deles com vocês em Canaã”.
  14. Os homens de Gade e de Rúben responderam: “Os seus servos farão o que o SENHOR disse. Atravessaremos o Jordão perante o SENHOR e entraremos armados em Canaã, mas a propriedade que vamos herdar estará deste lado do Jordão”.
  15. Então Moisés deu às tribos de Gade e de Rúben e à metade da tribo de Manassés, filho de José, o reino de Seom, rei dos amorreus, e o reino de Ogue, rei de Basã, toda a terra com as suas cidades e o território ao redor delas.
  16. A tribo de Gade construiu Dibom, Atarote, Aroer, Atarote-Sofã, Jazar, Jogbeá, Bete-Ninra e Bete-Harã como cidades fortificadas, e fez currais para os seus rebanhos.
  17. A tribo de Rúben reconstruiu Hesbom, Eleale e Quiriataim, bem como Nebo e Baal-Meom, cujos nomes foram mudados, e Sibma. E deu outros nomes a essas cidades.
  18. Os descendentes de Maquir, filho de Manassés, foram a Gileade, tomaram posse dela e expulsaram os amorreus que lá estavam.
  19. Então Moisés deu Gileade aos maquiritas, descendentes de Manassés, e eles passaram a habitar ali.
  20. Jair, descendente de Manassés, conquistou os povoados deles e os chamou Havote-Jair.
  21. E Noba conquistou Quenate e os seus povoados e a chamou Noba, de acordo com o seu nome.
  22. Moisés ordenou aos israelitas: “Distribuam a terra por sorteio como herança.”
  23. “O SENHOR ordenou que seja dada às nove tribos e meia, porque as famílias da tribo de Rúben, da tribo de Gade e da metade da tribo de Manassés já receberam a herança delas.”
  24. “Estas duas tribos e meia receberam sua herança no lado leste do Jordão, do outro lado de Jericó, na direção do nascer do sol”.
  25. Os chefes de família do clã de Gileade, filho de Maquir, neto de Manassés, que pertenciam aos clãs dos descendentes de José, foram falar com Moisés e com os líderes, os chefes das famílias israelitas.
  26. E disseram: “Quando o SENHOR ordenou ao meu senhor que, por sorteio, desse a terra como herança para os israelitas, ordenou que vocês dessem a herança de nosso irmão Zelofeade às suas filhas.
  27. “Agora, suponham que elas se casem com homens de outras tribos israelitas.”
  28. “Nesse caso a herança delas será tirada da herança dos nossos antepassados e acrescentada à herança da tribo com a qual se unirem pelo casamento.”
  29. “Quando chegar o Ano do Jubileu para os israelitas, a herança delas será acrescentada à da tribo com a qual se unirem pelo casamento, e a propriedade delas será tirada da herança da tribo de nossos antepassados”.
  30. Então, instruído pelo SENHOR, Moisés deu esta ordem aos israelitas: “A tribo dos descendentes de José tem razão.”
  31. “É isto que o SENHOR ordena quanto às filhas de Zelofeade: Elas poderão casar-se com quem lhes agradar, contanto que se casem dentro do clã da tribo de seu pai.”
  32. “Nenhuma herança em Israel poderá passar de uma tribo para outra, pois todos os israelitas manterão as terras das tribos que herdaram de seus antepassados.”
  33. “Toda filha que herdar terras em qualquer tribo israelita se casará com alguém do clã da tribo de seu pai, para que cada israelita possua a herança dos seus antepassados.”
  34. “Nenhuma herança poderá passar de uma tribo para outra, pois cada tribo israelita deverá manter as terras que herdou”.
  35. As filhas de Zelofeade fizeram conforme o SENHOR havia ordenado a Moisés.
  36. Maalá, Tirza, Hogla, Milca e Noa casaram-se com seus primos paternos, dentro dos clãs dos descendentes de Manassés, filho de José, e a herança delas permaneceu no clã e na tribo de seu pai.
  37. São esses os mandamentos e as ordenanças que o SENHOR deu aos israelitas por intermédio de Moisés nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, do outro lado de Jericó.

Fonte: Números 32

Capítulo 23 – Deuteronômio

  1. Estes são os mandamentos, os decretos e as ordenanças que Moisés promulgou como leis para os israelitas quando saíram do Egito, do outro lado do Jordão, no vale fronteiro a Bete-Peor, na terra de Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom, a quem Moisés e os israelitas derrotaram quando saíram do Egito.
  2. Eles tomaram posse da terra dele e da terra de Ogue, rei de Basã, os dois reis amorreus que viviam a leste do Jordão.
  3. Essa terra estendia-se desde Aroer, na margem do ribeiro do Arnom, até o monte Siom, isto é, o Hermom,
    e incluía toda a região da Arabá, a leste do Jordão, até o mar da Arabá, abaixo das encostas do Pisga.
  4. Então Moisés convocou todo o Israel e lhe disse: “Ouçam, ó Israel, os decretos e as ordenanças que hoje lhes estou anunciando. Aprendam-nos e tenham o cuidado de cumpri-los.”
  5. “O SENHOR, o nosso Deus, fez conosco uma aliança em Horebe. Não foi com os nossos antepassados que o SENHOR fez essa aliança, mas conosco, com todos nós que aqui hoje estamos vivos.”
  6. “O SENHOR falou com vocês face a face do meio do fogo, no monte.”
    “Naquela ocasião eu fiquei entre o SENHOR e vocês para declarar-lhes a palavra do SENHOR, porque vocês tiveram medo do fogo e não subiram o monte. E ele disse os seus dez mandamentos.”
  7. “Foram as palavras que o SENHOR falou a toda a assembleia de vocês, em alta voz, no monte, do meio do fogo, da nuvem e da densa escuridão; e nada mais acrescentou.”
  8. “Então as escreveu em duas tábuas de pedra e as deu a mim.”
  9. “Quando vocês ouviram a voz que vinha do meio da escuridão, estando o monte em chamas, aproximaram-se de mim todos os chefes das tribos de vocês, com as suas autoridades.”
  10. “E vocês disseram: O SENHOR, o nosso Deus, mostrou-nos sua glória e sua majestade, e nós ouvimos a sua voz vinda de dentro do fogo. Hoje vimos que Deus fala com o homem e que este ainda continua vivo!”
  11. “Mas, agora, por que deveríamos morrer? Este grande fogo por certo nos consumirá. Se continuarmos a ouvir a voz do SENHOR, o nosso Deus, morreremos.”
  12. “Pois, que homem mortal chegou a ouvir a voz do Deus vivo falando de dentro do fogo, como nós o ouvimos, e sobreviveu?”
  13. “Aproxime-se você, Moisés, e ouça tudo o que o SENHOR, o nosso Deus, disser; você nos relatará tudo o que o SENHOR, o nosso Deus, lhe disser. Nós ouviremos e obedeceremos”.
  14. “O SENHOR ouviu quando vocês me falaram e me disse: Ouvi o que este povo lhe disse, e eles têm razão em tudo o que disseram.”
  15. “Quem dera eles tivessem sempre no coração esta disposição para temer-me e para obedecer a todos os meus mandamentos. Assim tudo iria bem com eles e com seus descendentes para sempre!”
  16. “Vá, diga-lhes que voltem às suas tendas.”
  17. “Você ficará aqui comigo, e lhe anunciarei toda a lei, isto é, os decretos e as ordenanças que você lhes ensinará, e que eles deverão cumprir na terra que eu dou a eles como propriedade.”
  18. “Por isso, tenham o cuidado de fazer tudo como o SENHOR, o seu Deus, lhes ordenou; não se desviem, nem para a direita, nem para a esquerda.”
  19. “Andem sempre pelo caminho que o SENHOR, o seu Deus, lhes ordenou, para que tenham vida, tudo lhes vá bem e os seus dias se prolonguem na terra da qual tomarão posse.”
  20. “Esta é a lei, isto é, os decretos e as ordenanças, que o SENHOR, o seu Deus ordenou que eu lhes ensinasse, para que vocês os cumpram na terra para a qual estão indo para dela tomar posse.”
  21. “Desse modo vocês, seus filhos e seus netos temerão ao SENHOR, o seu Deus, e obedecerão a todos os seus decretos e mandamentos, que eu lhes ordeno, todos os dias da sua vida, para que tenham vida longa.”
  22. “Ouça e obedeça, ó Israel! Assim tudo lhe irá bem e você será muito numeroso numa terra onde manam leite e mel, como lhe prometeu o SENHOR, o Deus dos seus antepassados.”
  23. “Ouça, ó Israel: O SENHOR, o nosso Deus, é o único SENHOR.
  24. “Ame o SENHOR, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças.
  25. “Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração.
  26. “Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.”
  27. “Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa.”
  28. “Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões.”
  29. “O SENHOR, o seu Deus, os conduzirá à terra que jurou aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó, que daria a vocês, terra com grandes e boas cidades que vocês não construíram, com casas cheias de tudo que há de melhor, de coisas que vocês não produziram, com cisternas que vocês não cavaram, com vinhas e oliveiras que não plantaram.”
  30. “Quando isso acontecer, e vocês comerem e ficarem satisfeitos, tenham cuidado! Não esqueçam o SENHOR que os tirou do Egito, da terra da escravidão.”
  31. “Temam o SENHOR, o seu Deus, e só a ele prestem culto, e jurem somente pelo seu nome.”
  32. “Não sigam outros deuses, os deuses dos povos ao redor;”
  33. “Pois o SENHOR, o seu Deus, que está no meio de vocês, é Deus zeloso; a ira do SENHOR, o seu Deus, se acenderá contra vocês, e ele os banirá da face da terra.”
  34. “Não ponham à prova o SENHOR, o seu Deus, como fizeram em Massá.”
  35. “Obedeçam cuidadosamente aos mandamentos do SENHOR, o seu Deus, e aos preceitos e decretos que ele lhes ordenou.”
  36. “Façam o que é justo e bom perante o SENHOR, para que tudo lhes vá bem e vocês entrem e tomem posse da boa terra que o SENHOR prometeu, sob juramento, a seus antepassados, expulsando todos os seus inimigos de diante de vocês, conforme o SENHOR prometeu.”
  37. “No futuro, quando o seu filho lhes perguntar: “O que significam estes preceitos, decretos e ordenanças que o SENHOR, o nosso Deus, ordenou a vocês?”
  38. “Vocês lhe responderão: Fomos escravos do faraó no Egito, mas o SENHOR nos tirou do Egito com mão poderosa.”
  39. “O SENHOR realizou, diante dos nossos olhos, sinais e maravilhas grandiosas e terríveis contra o Egito e contra o faraó e toda a sua família.”
  40. “Mas ele nos tirou de lá para nos trazer para cá e nos dar a terra que, sob juramento, prometeu a nossos antepassados.”
  41. “O SENHOR nos ordenou que obedecêssemos a todos estes decretos e que temêssemos o SENHOR, o nosso Deus, para que sempre fôssemos bem sucedidos e preservados em vida, como hoje se pode ver.
  42. “E, se nós nos aplicarmos a obedecer a toda essa lei perante o SENHOR, o nosso Deus, conforme ele nos ordenou, esta será a nossa justiça”.

Fonte: Deuteronômio 4, 5 e 6

Capítulo 24 – Morte de Moisés

  1. Moisés disse ainda estas palavras a todo o Israel: “Estou com cento e vinte anos de idade e já não sou capaz de liderá-los. O SENHOR me disse: Você não atravessará o Jordão.”
  2. “O SENHOR, o seu Deus, o atravessará pessoalmente à frente de vocês. Ele destruirá estas nações perante vocês, e vocês tomarão posse da terra delas.”
  3. “Josué também atravessará à frente de vocês, conforme o SENHOR disse.”
  4. “E o SENHOR fará com eles como fez com Seom e Ogue, os reis dos amorreus, os quais destruiu juntamente com a sua terra.”
  5. “O SENHOR os entregará a vocês, e vocês deverão fazer com eles tudo o que lhes ordenei.”
  6. “Sejam fortes e corajosos. Não tenham medo nem fiquem apavorados por causa deles, pois o SENHOR, o seu Deus, vai com vocês; nunca os deixará, nunca os abandonará”.
  7. Então Moisés convocou Josué e lhe disse na presença de todo o Israel: “Seja forte e corajoso, pois você irá com este povo para a terra que o SENHOR jurou aos seus antepassados que lhes daria, e você a repartirá entre eles como herança.”
  8. “O próprio SENHOR irá à sua frente e estará com você; ele nunca o deixará, nunca o abandonará. Não tenha medo! Não se desanime!”
  9. Moisés escreveu esta lei e a deu aos sacerdotes, filhos de Levi, que transportavam a arca da aliança do SENHOR, e a todos os líderes de Israel.
  10. E Moisés lhes ordenou: “Ao final de cada sete anos, no ano do cancelamento das dívidas, durante a festa das Cabanas, quando todo o Israel vier apresentar-se ao SENHOR, ao seu Deus, no local que ele escolher, vocês lerão esta lei perante eles para que a escutem.”
  11. “Reúnam o povo, homens, mulheres e crianças, e os estrangeiros que morarem nas suas cidades, para que ouçam e aprendam a temer o SENHOR, o seu Deus, e sigam fielmente todas as palavras desta lei.”
  12. “Os seus filhos, que não conhecem esta lei, terão que ouvi-la e aprender a temer o SENHOR, o seu Deus, enquanto vocês viverem na terra da qual tomarão posse quando atravessarem o Jordão”.
  13. Quando o SENHOR disse a Moisés que o dia da sua morte se aproximava, ele chame Josué para se apresentarem na Tenda do Encontro, onde daria incumbências a ele.
  14. Então Moisés e Josué vieram e se apresentaram na Tenda do Encontro.
  15. Então o SENHOR apareceu na Tenda, numa coluna de nuvem, e a coluna pairou sobre a entrada da Tenda.
  16. Depois que Moisés terminou de escrever num livro as palavras desta lei do início ao fim, deu esta ordem aos levitas que transportavam a arca da aliança do SENHOR.
  17. Ele disse: “Coloquem este Livro da Lei ao lado da arca da aliança do SENHOR, do seu Deus, onde ficará como testemunha contra vocês.”
  18. “Pois sei quão rebeldes e obstinados vocês são. Se vocês têm sido rebeldes contra o SENHOR enquanto ainda estou vivo, quanto mais depois que eu morrer!”
  19. “Reúnam na minha presença todos os líderes das suas tribos e todos os seus oficiais, para que eu fale estas palavras de modo que ouçam, e ainda invoquem os céus e a terra para testemunharem contra eles.”
  20. “Pois sei que depois da minha morte vocês com certeza se corromperão e se afastarão do caminho que lhes ordenei.”
  21. “Nos dias futuros a desgraça cairá sobre vocês, porque vocês farão o que o SENHOR reprova e o provocarão à ira por aquilo que as mãos de vocês terão feito”.
  22. “Guardem no coração todas as palavras que hoje lhes declarei solenemente, para que ordenem aos seus filhos que obedeçam fielmente a todas as palavras desta lei.”
  23. “Elas não são palavras inúteis. São a sua vida. Por meio delas vocês viverão muito tempo na terra da qual tomarão posse do outro lado do Jordão”.
  24. Moisés, homem de Deus, abençoou os israelitas antes da sua morte.
  25. Ele disse: “O SENHOR veio do Sinai e alvoreceu sobre eles desde o Seir, resplandeceu desde o monte Parã. Veio com miríades de santos desde o sul, desde as encostas de suas montanhas.”
  26. “Certamente és tu que amas o povo; todos os santos estão em tuas mãos. A teus pés todos eles se prostram e de ti recebem instrução, a lei que Moisés nos deu, a herança da assembleia de Jacó.”
  27. Moisés era rei sobre Jesurum, quando os chefes do povo se reuniam, juntamente com as tribos de Israel.
  28. Ele disse: “Não há ninguém como o Deus de Jesurum, que cavalga os céus para ajudá-lo, e cavalga as nuvens em sua majestade!”
  29. “O Deus eterno é o seu refúgio, e para segurá-lo estão os braços eternos. Ele expulsará os inimigos da sua presença, dizendo: Destrua-os!”
  30. “Somente Israel viverá em segurança; a fonte de Jacó está segura numa terra de trigo e de vinho novo, onde os céus gotejam orvalho.”
  31. “Como você é feliz, Israel! Quem é como você, povo salvo pelo SENHOR? Ele é o seu abrigo, o seu ajudador e a sua espada gloriosa. Os seus inimigos se encolherão diante de você, mas você pisará os seus altos”.
  32. Então, das campinas de Moabe Moisés subiu ao monte Nebo, ao topo do Pisga, em frente de Jericó.
  33. Ali o SENHOR lhe mostrou a terra toda: de Gileade a Dã, toda a região de Naftali, o território de Efraim e Manassés, toda a terra de Judá até o mar ocidental, o Neguebe e toda a região que vai do vale de Jericó, a cidade das Palmeiras, até Zoar.
  34. E o SENHOR lhe disse: “Esta é a terra que prometi, sob juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó, quando lhes disse: Eu a darei a seus descendentes. Permiti que você a visse com os seus próprios olhos, mas você não atravessará o rio, não entrará naquela terra”.
  35. Moisés, o servo do SENHOR, morreu ali em Moabe, como o SENHOR dissera.
  36. Ele o sepultou em Moabe, no vale que fica diante de Bete-Peor, mas até hoje ninguém sabe onde está o seu túmulo.
  37. Moisés tinha cento e vinte anos de idade quando morreu; todavia, nem os seus olhos nem o seu vigor se enfraqueceram.
  38. Os israelitas choraram Moisés nas campinas de Moabe durante trinta dias, até passar o período de pranto e luto.
  39. Ora, Josué, filho de Num, estava cheio do Espírito de sabedoria, porque Moisés tinha imposto as suas mãos sobre ele. De modo que os israelitas lhe obedeceram e fizeram o que o SENHOR tinha ordenado a Moisés.
  40. Em Israel nunca mais se levantou profeta como Moisés, a quem o SENHOR conheceu face a face;
  41. E que fez todos aqueles sinais e maravilhas que o SENHOR o tinha enviado para fazer no Egito, contra o faraó, contra todos os seus servos e contra toda a sua terra.
  42. Pois ninguém jamais mostrou tamanho poder como Moisés nem executou os feitos temíveis que Moisés realizou aos olhos de todo o Israel.

Fonte: Deuteronômio 32, 33 e 34

Capítulo 25 – Josué

  1. Josué, filho de Num, enviou secretamente de Sitim dois espiões e lhes disse: “Vão examinar a terra, especialmente Jericó”.
  2. Eles foram e entraram na casa de uma prostituta chamada Raabe, e ali passaram a noite.
  3. Todavia o rei de Jericó foi avisado: “Alguns israelitas vieram aqui esta noite para espionar a terra”.
  4. Diante disso, o rei de Jericó enviou esta mensagem a Raabe: “Mande embora os homens que entraram em sua casa, pois vieram espionar a terra toda”.
  5. Mas a mulher que tinha escondido os dois homens respondeu: “É verdade que os homens vieram a mim, mas eu não sabia de onde tinham vindo.”
  6. “Ao anoitecer, na hora de fechar a porta da cidade, eles partiram. Não sei por onde foram. Corram atrás deles. Talvez os alcancem”.
  7. Ela, porém, os tinha levado para o terraço e os tinha escondido sob os talos de linho que havia arrumado lá.
  8. Os perseguidores partiram atrás deles pelo caminho que vai para o lugar de passagem do Jordão. E logo que saíram, a porta foi trancada.
  9. Antes dos espiões se deitarem, Raabe subiu ao terraço e lhes disse: “Sei que o SENHOR lhes deu esta terra. Vocês nos causaram um medo terrível, e todos os habitantes desta terra estão apavorados por causa de vocês.”
  10. “Pois temos ouvido como o SENHOR secou as águas do mar Vermelho perante vocês quando saíram do Egito, e o que vocês fizeram a leste do Jordão com Seom e Ogue, os dois reis amorreus que aniquilaram.”
  11. “Quando soubemos disso, o povo desanimou-se completamente, e por causa de vocês todos perderam a coragem, pois o SENHOR, o seu Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra.”
  12. “Jurem-me pelo SENHOR que, assim como eu fui bondosa com vocês, vocês também serão bondosos com a minha família.
  13. “Deem-me um sinal seguro de que pouparão a vida de meu pai e de minha mãe, de meus irmãos e minhas irmãs, e de tudo o que lhes pertence. Livrem-nos da morte”.
  14. “As nossas vidas pelas de vocês!”, os homens lhe garantiram.”Se você não contar o que estamos fazendo, nós a trataremos com bondade e fidelidade quando o SENHOR nos der a terra”.
  15. Então Raabe os ajudou a descer pela janela com uma corda, pois a casa em que morava fazia parte do muro da cidade.
  16. Ela lhes disse: “Vão para aquela montanha, para que os perseguidores não os encontrem. Escondam-se lá por três dias, até que eles voltem; depois poderão seguir o seu caminho”.
  17. Os homens lhe disseram: “Estaremos livres do juramento que você nos levou a fazer se, quando entrarmos na terra, você não tiver amarrado este cordão vermelho na janela pela qual nos ajudou a descer, e se não tiver trazido para a sua casa o seu pai e a sua mãe, os seus irmãos e toda a sua família.”
  18. “Qualquer pessoa que sair da casa será responsável por sua própria morte; nós seremos inocentes. Mas, seremos responsáveis pela morte de quem estiver na casa com você, caso alguém toque nessa pessoa.”
  19. “E se você contar o que estamos fazendo, estaremos livres do juramento que você nos levou a fazer”.
  20. “Seja como vocês disseram”, respondeu Raabe. Assim ela os despediu, e eles partiram. Depois ela amarrou o cordão vermelho na janela.
  21. Quando partiram, foram para a montanha e ali ficaram três dias, até que os seus perseguidores regressassem. Estes os procuraram ao longo de todo o caminho e não os acharam.
  22. Por fim os dois homens voltaram; desceram a montanha, atravessaram o rio e chegaram a Josué, filho de Num, e lhe contaram tudo o que lhes havia acontecido.
  23. E disseram a Josué: “Sem dúvida o SENHOR entregou a terra toda em nossas mãos; todos estão apavorados por nossa causa”.
  24. De manhã bem cedo Josué e todos os israelitas partiram de Sitim e foram para o Jordão, onde acamparam antes de atravessar o rio.
  25. Três dias depois, os oficiais percorreram o acampamento, e deram esta ordem ao povo: “Quando virem a arca da aliança do SENHOR, o seu Deus, e os sacerdotes levitas carregando a arca, saiam das suas posições e sigam-na.
  26. Mas mantenham a distância de cerca de novecentos metros entre vocês e a arca; não se aproximem! Desse modo saberão que caminho seguir, pois vocês nunca passaram por lá”.
  27. Josué ordenou ao povo: “Santifiquem-se, pois amanhã o SENHOR fará maravilhas entre vocês”, e disse aos sacerdotes: “Levantem a arca da aliança e passem à frente do povo”. Eles a levantaram e foram na frente.
  28. Então Josué disse aos israelitas: “Vocês saberão que o Deus vivo está no meio de vocês e que certamente expulsará de diante de vocês os cananeus, os hititas, os heveus, os ferezeus, os girgaseus, os amorreus e os jebuseus.”
  29. Quando, pois, o povo desmontou o acampamento para atravessar o Jordão, os sacerdotes que carregavam a arca da aliança foram adiante.
  30. O Jordão transborda em ambas as margens na época da colheita.
  31. Assim que os sacerdotes que carregavam a arca da aliança chegaram ao Jordão e seus pés tocaram as águas, a correnteza que descia parou de correr e formou uma muralha a grande distância, perto de uma cidade chamada Adã, nas proximidades de Zaretã;
  32. E as águas que desciam para o mar da Arabá, o mar Salgado, escoaram totalmente. Assim o povo atravessou o rio em frente de Jericó.
  33. Os sacerdotes que carregavam a arca da aliança do SENHOR ficaram parados em terra seca no meio do Jordão, enquanto todo o Israel passava, até que toda a nação o atravessou também em terra seca.
  34. Quando toda a nação terminou de atravessar o Jordão, o SENHOR disse a Josué para escolher doze homens dentre o povo, um de cada tribo.
  35. E os mandasse apanhar doze pedras do meio do Jordão, do lugar onde os sacerdotes ficaram parados. Levassem-nas consigo para o local onde fossem passar a noite.
  36. Os israelitas fizeram como Josué lhes havia ordenado. Apanharam doze pedras do meio do Jordão, conforme o número das tribos de Israel, como o SENHOR tinha ordenado a Josué; as colocaram nos ombros e as levaram ao acampamento, onde as deixaram.
  37. Josué ergueu também doze pedras no meio do Jordão, no local onde os sacerdotes que carregavam a arca da aliança tinham ficado. E elas estão lá até hoje.
  38. Os sacerdotes que carregavam a arca permaneceram de pé no meio do Jordão até que o povo fez tudo o que o SENHOR ordenara a Josué, por meio de Moisés. E o povo atravessou apressadamente.
  39. Cerca de quarenta mil homens preparados para a guerra passaram perante o SENHOR, rumo à planície de Jericó.
  40. Naquele dia o SENHOR exaltou Josué à vista de todo o Israel; e eles o respeitaram enquanto viveu, como tinham respeitado Moisés.
  41. Quando os sacerdotes que carregavam a arca da aliança do SENHOR saíram do Jordão, mal tinham posto os pés em terra seca, as águas do Jordão voltaram ao seu lugar, e cobriram como antes as suas margens.
  42. No décimo dia do primeiro mês o povo subiu do Jordão e acampou em Gilgal, na fronteira leste de Jericó.
  43. E em Gilgal Josué ergueu as doze pedras tiradas do Jordão.
  44. Disse ele aos israelitas: “No futuro, quando os filhos perguntarem aos seus pais: ‘Que significam essas pedras? ’, expliquem a eles: Aqui Israel atravessou o Jordão em terra seca.”
  45. “O SENHOR, o seu Deus, fez com o Jordão como fizera com o mar Vermelho, quando o secou diante de nós até que o tivéssemos atravessado.”
  46. “Ele assim fez para que todos os povos da terra saibam que a mão do SENHOR é poderosa e para que vocês sempre temam o SENHOR, o seu Deus”.

Fonte: Josué 1, 2, 3 e 4

Capítulo 26 – Jericó

  1. Todos os reis amorreus que habitavam a oeste do Jordão e todos os reis cananeus que viviam ao longo do litoral souberam como o SENHOR tinha secado o Jordão diante dos israelitas até que tivéssemos atravessado.
  2. Por isso, desanimaram-se e perderam a coragem de enfrentar os israelitas.
  3. Josué fez facas de pedra e circuncidou os israelitas em Gibeate-Aralote.
  4. Ele fez isso porque todos os homens aptos para a guerra morreram no deserto depois de terem saído do Egito.
  5. Todos os que saíram haviam sido circuncidados, mas todos os que nasceram no deserto, no caminho, depois da saída do Egito, não passaram pela circuncisão.
  6. Os israelitas tinham andado quarenta anos pelo deserto, até que todos os guerreiros que saíram do Egito morressem, visto que não tinham obedecido ao SENHOR.
  7. Pois o SENHOR lhes havia jurado que não veriam a terra que prometera aos seus antepassados que nos daria, terra onde manam leite e mel.
  8. Assim, em lugar deles colocou os seus filhos, e foram os filhos que Josué circuncidou. Ainda estavam incircuncisos porque não tinham sido circuncidados durante a viagem.
  9. E, depois que a nação inteira foi circuncidada, eles ficaram onde estavam, no acampamento, até se recuperarem.
  10. Naquele dia, o SENHOR removeu dos israelitas a humilhação sofrida no Egito. Por isso até hoje o lugar se chama Gilgal.
  11. Na tarde do décimo quarto dia do mês, enquanto estavam acampados em Gilgal, na planície de Jericó, os israelitas celebraram a Páscoa.
  12. No dia seguinte ao da Páscoa, nesse mesmo dia, eles comeram pães sem fermento e grãos de trigo tostados, produtos daquela terra.
  13. Um dia depois de comerem do produto da terra, o maná cessou. Já não havia maná para os israelitas, e naquele mesmo ano eles comeram do fruto da terra de Canaã.
  14. Estando Josué já perto de Jericó, olhou para cima e viu um homem de pé, empunhando uma espada.
  15. Aproximou-se dele e perguntou-lhe: “Você é por nós, ou por nossos inimigos?”
  16. “Nem uma coisa nem outra”, respondeu ele.”Venho na qualidade de comandante do exército do SENHOR”.
  17. Então Josué prostrou-se, rosto em terra, em sinal de respeito, e lhe perguntou: “Que mensagem o meu senhor tem para o seu servo?”
  18. O comandante do exército do SENHOR respondeu: “Tire as sandálias dos pés, pois o lugar em que você está é santo”. E Josué as tirou.
  19. Josué, filho de Num, chamou os sacerdotes e lhes disse: “Levem a arca da aliança do SENHOR. Sete de vocês levarão trombetas à frente da arca”.
  20. E ordenou ao povo: “Avancem! Marchem ao redor da cidade! Os soldados armados irão à frente da arca do SENHOR”.
  21. Quando Josué terminou de falar ao povo, os sete sacerdotes que levavam suas trombetas perante o SENHOR saíram à frente, tocando as trombetas. E a arca da aliança do SENHOR ia atrás deles.
  22. Os soldados armados marchavam à frente dos sacerdotes que tocavam as trombetas, e o restante dos soldados seguia a arca. Durante todo esse tempo tocavam-se as trombetas.
  23. Mas, Josué tinha ordenado ao povo: “Não deem o brado de guerra, não levantem a voz, não digam palavra alguma, até ao dia em que eu lhes ordenar. Então vocês gritarão!”
  24. Assim se fez a arca do SENHOR rodear a cidade, dando uma volta em torno dela. Então o povo voltou para o acampamento, onde passou a noite.
  25. Josué levantou-se na manhã seguinte, e os sacerdotes levaram a arca do SENHOR.
  26. Os sete sacerdotes que levavam as trombetas iam adiante da arca do SENHOR, tocando as trombetas.
  27. Os homens armados iam à frente deles, e o restante dos soldados seguia a arca do SENHOR, enquanto as trombetas tocavam continuamente.
  28. No segundo dia também rodearam a cidade uma vez, e voltaram ao acampamento. E durante seis dias repetiram aquilo.
  29. No sétimo dia, levantaram-se ao romper da manhã e marcharam da mesma maneira sete vezes ao redor da cidade; foi apenas nesse dia que rodearam a cidade sete vezes.
  30. Na sétima vez, quando os sacerdotes deram o toque de trombeta, Josué ordenou ao povo: “Gritem! O SENHOR lhes entregou a cidade!
  31. A cidade, com tudo o que nela existe, será consagrada ao SENHOR para destruição. Somente a prostituta Raabe e todos os que estão com ela em sua casa serão poupados, pois ela escondeu os espiões que enviamos.
  32. Mas fiquem longe das coisas consagradas, não se apossem de nenhuma delas, para que não sejam destruídos. Do contrário trarão destruição e desgraça ao acampamento de Israel.
  33. Toda a prata, todo o ouro e todos os utensílios de bronze e de ferro são sagrados e pertencem ao SENHOR e deverão ser levados para o seu tesouro”.
  34. Quando soaram as trombetas o povo gritou. Ao som das trombetas, e do forte grito, o muro caiu. Cada um atacou do lugar onde estava, e tomaram a cidade.
  35. Consagraram a cidade ao SENHOR, destruindo ao fio da espada homens, mulheres, jovens, velhos, bois, ovelhas e jumentos, todos os seres vivos que nela havia.
  36. Josué disse aos dois homens que tinham espionado a terra: “Entrem na casa da prostituta e tirem-na de lá com todos os seus parentes, conforme o juramento que fizeram a ela”.
  37. Então os jovens que tinham espionado a terra entraram e trouxeram Raabe, seu pai, sua mãe, seus irmãos e todos os seus parentes.
  38. Tiraram de lá todos os da sua família e os deixaram num local fora do acampamento de Israel.
  39. Depois incendiaram a cidade inteira e tudo o que nela havia, mas entregaram a prata, o ouro e os utensílios de bronze e de ferro ao tesouro do santuário do SENHOR.
  40. Mas Josué poupou a prostituta Raabe, a sua família, e todos os seus pertences, pois ela escondeu os homens que Josué tinha enviado a Jericó como espiões. E Raabe vive entre os israelitas até hoje.
  41. Naquela ocasião Josué pronunciou este juramento solene: “Maldito seja diante do SENHOR o homem que reconstruir esta cidade de Jericó: Ao preço de seu filho mais velho lançará os alicerces da cidade; ao preço de seu filho mais novo porá suas portas!”
  42. Assim o SENHOR esteve com Josué, cuja fama espalhou-se por toda a região.

Fonte: Josué 5 e 6

Capítulo 27 – Ai

  1. Mas os israelitas foram infiéis com relação às coisas consagradas. Acã, filho de Carmi, filho de Zinri, filho de Zerá, da tribo de Judá, apossou-se de algumas delas. E a ira do SENHOR acendeu-se contra Israel.
  2. Sucedeu que Josué enviou homens de Jericó a Ai, que fica perto de Bete-Áven, a leste de Betel, e ordenou-lhes: “Subam e espionem a região”. Os homens subiram e espionaram Ai.
  3. Quando voltaram a Josué, disseram: “Não é preciso que todos avancem contra Ai. Envie uns dois ou três mil homens para atacá-la. Não canse todo o exército, pois eles são poucos”.
  4. Por isso cerca de três mil homens atacaram a cidade; mas os homens de Ai os puseram em fuga, chegando a matar trinta e seis deles.
  5. Eles perseguiram os israelitas desde a porta da cidade até Sebarim, e os feriram na descida. Diante disso o povo desanimou-se completamente.
  6. Então Josué, com as autoridades de Israel, rasgou as vestes, prostrou-se, rosto em terra, diante da arca do SENHOR, cobrindo de terra a cabeça, e ali permaneceu até à tarde.
  7. Disse então Josué: “Ah, Soberano SENHOR, por que fizeste este povo atravessar o Jordão? Foi para nos entregar nas mãos dos amorreus e nos destruir? Antes nos contentássemos em continuar no outro lado do Jordão!”
  8. “Que poderei dizer, SENHOR, agora que Israel foi derrotado por seus inimigos? Os cananeus e os demais habitantes desta terra saberão disso, nos cercarão e eliminarão o nosso nome da terra.
  9. “Que farás, então, pelo teu grande nome?”
  10. Na manhã seguinte Josué mandou os israelitas virem à frente segundo as suas tribos, e a de Judá foi a escolhida.
  11. Os clãs de Judá vieram à frente, e ele escolheu os zeraítas. Fez o clã dos zeraítas vir à frente, família por família, e o escolhido foi Zinri.
  12. Josué fez a família de Zinri vir à frente, homem por homem, e Acã, filho de Carmi, filho de Zinri, filho de Zerá, da tribo de Judá, foi o escolhido.
  13. Então Josué disse a Acã: “Meu filho, para a glória do SENHOR, o Deus de Israel, diga a verdade. Conte-me o que você fez; não me esconda nada”.
  14. Acã respondeu: “É verdade que pequei contra o SENHOR, contra o Deus de Israel. O que fiz foi o seguinte:”
  15. “Quando vi entre os despojos uma bela capa feita na Babilônia, dois quilos e quatrocentos gramas de prata e uma barra de ouro de seiscentos gramas, eu os cobicei e me apossei deles.
  16. “Estão escondidos no chão da minha tenda, com a prata por baixo”.
  17. Josué enviou alguns homens que correram à tenda de Acã; lá estavam escondidas as coisas, com a prata por baixo.
  18. Retiraram-nas da tenda e as levaram a Josué e a todos os israelitas, e as puseram perante o SENHOR.
  19. Então Josué, junto com todo o Israel, levou Acã, bisneto de Zerá, e a prata, a capa, a barra de ouro, seus filhos e filhas, seus bois, seus jumentos, suas ovelhas, sua tenda e tudo o que lhe pertencia, ao vale de Acor.
  20. Disse Josué: “Por que você nos causou esta desgraça? Hoje o SENHOR lhe causará desgraça”. E todo o Israel o apedrejou, e depois apedrejou também os seus, e os queimou no fogo.
  21. Sobre Acã ergueram um grande monte de pedras, que existe até hoje. Então o SENHOR se afastou do fogo da sua ira. Por isso foi dado àquele lugar o nome de vale de Acor, nome que permanece até hoje.
  22. Então Josué e todo o exército se prepararam para atacar a cidade de Ai.
  23. Ele escolheu trinta mil dos seus melhores homens de guerra e os enviou de noite com a seguinte ordem: “Atenção! Preparem uma emboscada atrás da cidade, e não se afastem muito dela. Fiquem todos alerta.”
  24. Eu e todos os que estiverem comigo nos aproximaremos da cidade. Quando os homens nos atacarem como fizeram antes, fugiremos deles.”
  25. “Eles nos perseguirão até que os tenhamos atraído para longe da cidade, pois dirão: Estão fugindo de nós como fizeram antes.
  26. “Quando estivermos fugindo, vocês sairão da emboscada e tomarão a cidade. O SENHOR, o seu Deus, a entregará em suas mãos.”
  27. “Depois que tomarem a cidade, vocês a incendiarão. Façam o que o SENHOR ordenou. Atentem bem para as minhas instruções”.
  28. Então Josué os enviou. Eles foram ficar de emboscada, entre Betel e Ai, a oeste de Ai. Josué, porém, passou aquela noite com o povo.
  29. Na manhã seguinte Josué passou em revista os homens, e ele e os líderes de Israel partiram à frente deles para atacar a cidade.
  30. Todos os homens de guerra que estavam com ele avançaram, aproximaram-se da cidade pela frente e armaram acampamento ao norte de Ai, onde o vale os separava da cidade.
  31. Josué pôs de emboscada cerca de cinco mil homens entre Betel e Ai, a oeste da cidade.
  32. Os que estavam no acampamento ao norte da cidade, e os que estavam na emboscada a oeste, tomaram posição. Naquela noite Josué foi ao vale.
  33. Quando o rei de Ai viu isso, ele e todos os homens da cidade se apressaram, levantaram-se logo cedo e saíram para enfrentar Israel no campo de batalha, no local de onde se avista a Arabá.
  34. Ele não sabia da emboscada armada contra ele atrás da cidade.
  35. Josué e todo o Israel deixaram-se perseguir por eles e fugiram para o deserto.
  36. Todos os homens de Ai foram chamados para persegui-los. Eles perseguiram Josué e foram atraídos para longe da cidade.
  37. Nem um só homem ficou em Ai e em Betel; todos foram atrás de Israel. Deixaram a cidade aberta e saíram em perseguição de Israel.
  38. Josué estendeu a lança na direção de Ai, e assim que o fez, os homens da emboscada saíram correndo da sua posição, entraram na cidade, tomaram-na e depressa a incendiaram.
  39. Quando os homens de Ai olharam para trás e viram a fumaça da cidade subindo ao céu, não tinham para onde escapar, pois os israelitas que fugiam para o deserto se voltaram contra os seus perseguidores.
  40. Vendo Josué e todo o Israel que os homens da emboscada tinham tomado a cidade e que desta subia fumaça, deram meia-volta e atacaram os homens de Ai.
  41. Os outros israelitas também saíram da cidade para lutar contra eles, de modo que foram cercados, tendo os israelitas dos dois lados.
  42. Então os israelitas os mataram, sem deixar sobreviventes nem fugitivos, mas prenderam vivo o rei de Ai e o levaram a Josué.
  43. Israel terminou de matar os habitantes de Ai no campo e no deserto, onde os tinha perseguido; eles morreram ao fio da espada.
  44. Depois disso, todos os israelitas voltaram à cidade de Ai e mataram os que lá haviam ficado.
  45. Doze mil homens e mulheres caíram mortos naquele dia. Era toda a população de Ai.
  46. Pois Josué não recuou a lança até exterminar todos os habitantes de Ai.
  47. Mas Israel se apossou dos animais e dos despojos daquela cidade, conforme a ordem que o SENHOR tinha dado a Josué.
  48. Assim Josué incendiou Ai e fez dela um perpétuo monte de ruínas, um lugar abandonado até hoje.
  49. Enforcou o rei de Ai numa árvore e ali o deixou até à tarde. Ao pôr-do-sol Josué ordenou que tirassem o corpo da árvore e que o atirassem à entrada da cidade.
  50. E sobre ele ergueram um grande monte de pedras, que perdura até hoje.
  51. Então Josué construiu no monte Ebal um altar ao SENHOR, ao Deus de Israel, conforme Moisés, servo do SENHOR, tinha ordenado aos israelitas.
  52. Ele o construiu de acordo com o que está escrito no Livro da Lei de Moisés: um altar de pedras não lavradas, nas quais não se usou ferramenta de ferro.
  53. Sobre ele ofereceram ao SENHOR holocaustos e sacrifícios de comunhão.
  54. Ali, na presença dos israelitas, Josué copiou nas pedras a Lei que Moisés havia escrito.
  55. Todo o Israel, estrangeiros e naturais da terra, com os seus líderes, os seus oficiais e os seus juízes, estavam de pé dos dois lados da arca da aliança do SENHOR, diante dos sacerdotes levitas, que a carregavam.
  56. Metade do povo estava de pé, defronte do monte Gerizim, e metade, defronte do monte Ebal. Tudo conforme Moisés, servo do SENHOR, tinha ordenado anteriormente, para que o povo de Israel fosse abençoado.
  57. Em seguida Josué leu todas as palavras da lei, a bênção e a maldição, segundo o que está escrito no Livro da Lei.
  58. Não houve uma só palavra de tudo o que Moisés tinha ordenado que Josué não lesse para toda a assembleia de Israel, inclusive mulheres, crianças, e os estrangeiros que viviam no meio deles.

Fonte: Josué 7 e 8

Capítulo 28 – Gibeom

  1. E souberam disso todos os reis que viviam a oeste do Jordão, nas montanhas, na Sefelá e em todo o litoral do mar Grande até o Líbano. Eram os reis dos hititas, dos amorreus, dos cananeus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus.
  2. Eles se ajuntaram para guerrear contra Josué, contra Israel.
  3. Contudo, quando os habitantes de Gibeom souberam o que Josué tinha feito com Jericó e Ai, recorreram a um ardil.
  4. Enviaram uma delegação, com jumentos carregados de sacos gastos e vasilhas de couro velhas, rachadas e remendadas.
  5. Os homens calçavam sandálias gastas e remendadas e vestiam roupas velhas. Todos os pães do suprimento deles estavam secos e esmigalhados.
  6. Foram a Josué, ao acampamento de Gilgal, e disseram a ele e aos homens de Israel: “Viemos de uma terra distante. Queremos que façam um acordo conosco”.
  7. Os israelitas disseram aos heveus: “Talvez vocês vivam perto de nós. Como poderemos fazer um acordo com vocês?”
  8. “Somos seus servos”, disseram a Josué. Josué, porém, perguntou: “Quem são vocês? De onde vocês vêm?”
  9. Ele responderam: “Seus servos vieram de uma terra muito distante por causa da fama do SENHOR, do seu Deus.”
  10. “Ouvimos falar dele, de tudo o que fez no Egito, e de tudo o que fez aos dois reis dos amorreus a leste do Jordão: Seom, rei de Hesbom, e Ogue, rei de Basã, que reinava em Asterote.”
  11. “E os nossos líderes e todos os habitantes de nossa terra nos disseram: Juntem provisões para a viagem, vão encontrar-se com eles e digam-lhes: Somos seus servos, façam um acordo conosco.”
  12. “Este nosso pão estava quente quando o embrulhamos em casa no dia em que saímos de viagem para cá. Mas vejam como agora está seco e esmigalhado.”
  13. “Estas vasilhas de couro que enchemos de vinho eram novas, mas agora estão rachadas. E as nossas roupas e sandálias estão gastas por causa da longa viagem”.
  14. Os israelitas examinaram as provisões dos heveus, mas não consultaram o SENHOR.
  15. Então Josué fez um acordo de paz com eles, garantindo poupar-lhes a vida, e os líderes da comunidade o ratificaram com juramento.
  16. Três dias depois de fazerem o acordo com os gibeonitas, os israelitas souberam que eram vizinhos e que viviam perto deles.
  17. Por isso partiram de viagem, e três dias depois chegaram às cidades dos heveus, que eram Gibeom, Quefira, Beerote e Quiriate-Jearim.
  18. Mas não os atacaram, porque os líderes da comunidade lhes haviam feito um juramento em nome do SENHOR, o Deus de Israel.
  19. Toda a comunidade, porém, queixou-se contra os líderes, que lhes responderam: “Fizemos a eles o nosso juramento em nome do SENHOR, o Deus de Israel; por isso não podemos tocar neles.
  20. Todavia, nós os trataremos assim: Vamos deixá-los viver, para que não caia sobre nós a ira divina por quebrarmos o juramento que lhes fizemos”.
  21. E acrescentaram: “Eles ficarão vivos, mas serão lenhadores e carregadores de água para toda a comunidade”. E assim se manteve a promessa dos líderes.
  22. Então Josué convocou os gibeonitas e disse: “Por que vocês nos enganaram dizendo que viviam muito longe de nós, quando na verdade vivem perto?”
  23. Agora vocês estão debaixo de maldição: Nunca deixarão de ser escravos, rachando lenha e carregando água para a casa do meu Deus”.
  24. Eles responderam a Josué: “Os seus servos ficaram sabendo como o SENHOR, o seu Deus, ordenou que o seu servo Moisés lhes desse toda esta terra e que destruísse todos os seus habitantes da presença de vocês.”
  25. “Tivemos medo do que poderia acontecer conosco por causa de vocês. Por isso agimos assim.”
  26. “Estamos agora nas suas mãos. Faça conosco o que lhe parecer bom e justo”.
  27. Josué então os protegeu e não permitiu que os matassem.
  28. Mas naquele dia fez dos gibeonitas lenhadores e carregadores de água para a comunidade e para o altar do SENHOR, no local que o SENHOR escolhesse. É o que eles são até hoje.

Fonte: Josué 9.

Capítulo 29 – Adoni-Zedeque

  1. Sucedeu que Adoni-Zedeque, rei de Jerusalém, soube que Josué tinha conquistado Ai e a tinha destruído totalmente, fazendo com Ai e seu rei o que fizera com Jericó e seu rei, e que o povo de Gibeom tinha feito a paz com Israel e estava vivendo no meio deles.
  2. Ele e o seu povo ficaram com muito medo, pois Gibeom era tão importante como uma cidade governada por um rei; era maior do que Ai, e todos os seus homens eram bons guerreiros.
  3. Por isso Adoni-Zedeque, rei de Jerusalém, fez o seguinte apelo a Hoão, rei de Hebrom, a Piram, rei de Jarmute, a Jafia, rei de Láquis, e a Debir, rei de Eglom: “Venham para cá e ajudem-me a atacar Gibeom, pois ela fez a paz com Josué e com os israelitas”.
  4. Então os cinco reis dos amorreus, os reis de Jerusalém, de Hebrom, de Jarmute, de Láquis e de Eglom reuniram-se e vieram com todos os seus exércitos. Cercaram Gibeom e a atacaram.
  5. Os gibeonitas enviaram esta mensagem a Josué, ao acampamento de Gilgal: “Não abandone os seus servos. Venha depressa! Salve-nos! Ajude-nos, pois todos os reis amorreus que vivem nas montanhas se uniram contra nós!”
  6. Josué partiu de Gilgal com todo o seu exército, inclusive com os seus melhores guerreiros.
  7. Depois de uma noite inteira de marcha desde Gilgal, Josué os apanhou de surpresa.
  8. O SENHOR os lançou em confusão diante de Israel, que lhes impôs grande derrota em Gibeom. Os israelitas os perseguiram na subida para Bete-Horom e os mataram por todo o caminho, até Azeca e Maquedá.
  9. Enquanto fugiam de Israel na descida de Bete-Horom para Azeca, do céu o SENHOR lançou sobre eles grandes pedras de granizo, que mataram mais gente do que as espadas dos israelitas.
  10. No dia em que o SENHOR entregou os amorreus aos israelitas, Josué exclamou ao SENHOR, na presença de Israel: “Sol, pare sobre Gibeom! E você, ó lua, sobre o vale de Aijalom!”
  11. O sol parou, e a lua se deteve, até a nação vingar-se dos seus inimigos, como está escrito no Livro de Jasar. O sol parou no meio do céu e por quase um dia inteiro não se pôs.
  12. Nunca antes nem depois houve um dia como aquele, quando o SENHOR atendeu a um homem. Sem dúvida o SENHOR lutava por Israel!
  13. Então Josué voltou com todo o Israel ao acampamento de Gilgal.
  14. Os cinco reis fugiram e se esconderam na caverna de Maquedá.
  15. Avisaram a Josué que eles tinham sido achados numa caverna em Maquedá.
  16. Disse ele: “Rolem grandes pedras até a entrada da caverna, e deixem ali alguns homens de guarda.
  17. Mas não se detenham! Persigam os inimigos. Ataquem-nos pela retaguarda e não os deixem chegar às suas cidades, pois o SENHOR, o seu Deus, os entregou em suas mãos”.
  18. Assim Josué e os israelitas os derrotaram por completo, quase exterminando-os. Mas alguns conseguiram escapar e refugiaram-se em suas cidades fortificadas.
  19. O exército inteiro voltou então em segurança a Josué, ao acampamento de Maquedá, e depois disso, ninguém mais ousou abrir a boca para provocar os israelitas.
  20. Então disse Josué: “Abram a entrada da caverna e tragam-me aqueles cinco reis”.
  21. Os cinco reis foram tirados da caverna. Eram os reis de Jerusalém, de Hebrom, de Jarmute, de Láquis e de Eglom.
  22. Quando os levaram a Josué, ele convocou todos os homens de Israel e disse aos comandantes do exército que o tinham acompanhado: “Venham aqui e ponham o pé no pescoço destes reis”. E eles obedeceram.
  23. Disse-lhes Josué: “Não tenham medo! Não se desanimem! Sejam fortes e corajosos! É isso que o SENHOR fará com todos os inimigos que vocês tiverem que combater”.
  24. Depois Josué matou os reis e mandou pendurá-los em cinco árvores, onde ficaram até à tarde.
  25. Ao pôr-do-sol, sob as ordens de Josué, eles foram tirados das árvores e jogados na caverna onde haviam se escondido. Na entrada da caverna colocaram grandes pedras, que lá estão até hoje.
  26. Naquele dia Josué tomou Maquedá. Atacou a cidade e matou o seu rei à espada e exterminou todos os que nela viviam, sem deixar sobreviventes. E fez com o rei de Maquedá o que tinha feito com o rei de Jericó.
  27. Então Josué, e todo o Israel com ele, avançou de Maquedá para Libna e a atacou.
  28. O SENHOR entregou também aquela cidade e seu rei nas mãos dos israelitas. Josué atacou a cidade e matou à espada todos os que nela viviam, sem deixar nenhum sobrevivente ali.
  29. E fez com o seu rei o que fizera com o rei de Jericó.
  30. Depois Josué, e todo o Israel com ele, avançou de Libna para Láquis, cercou-a e a atacou.
  31. O SENHOR entregou Láquis nas mãos dos israelitas, e Josué tomou-a no dia seguinte. Atacou a cidade e matou à espada todos os que nela viviam, como tinha feito com Libna.
  32. Nesse meio tempo Horão, rei de Gezer, fora socorrer Láquis, mas Josué o derrotou, a ele e ao seu exército, sem deixar sobrevivente algum.
  33. Josué, e todo o Israel com ele, avançou de Láquis para Eglom, cercou-a e a atacou.
  34. Eles a conquistaram naquele mesmo dia, feriram-na à espada e exterminaram os que nela viviam, como tinham feito com Láquis.
  35. Então Josué, e todo o Israel com ele, foi de Eglom para Hebrom e a atacou.
  36. Tomaram a cidade e a feriram à espada, como também o seu rei, os seus povoados e todos os que nela viviam, sem deixar sobrevivente algum.
  37. Destruíram totalmente a cidade e todos os que nela viviam, como tinham feito com Eglom.
  38. Depois Josué, e todo o Israel com ele, voltou e atacou Debir.
  39. Tomaram a cidade, seu rei e seus povoados, e os mataram à espada. Exterminaram os que nela viviam, sem deixar sobrevivente algum. Fizeram com Debir e seu rei o que tinham feito com Libna e seu rei e com Hebrom.
  40. Assim Josué conquistou a região toda, incluindo a serra central, o Neguebe, as encostas e as vertentes, e derrotou todos os seus reis, sem deixar sobrevivente algum.
  41. Exterminou tudo o que respirava, conforme o SENHOR, o Deus de Israel, tinha ordenado.
  42. Josué os derrotou desde Cades-Barnéia até Gaza, e toda a região de Gósen, e de lá até Gibeom.
  43. Também subjugou todos esses reis e conquistou suas terras numa única campanha, pois o SENHOR, o Deus de Israel, lutou por Israel.
  44. Então Josué retornou com todo o Israel ao acampamento de Gilgal.

Fonte: Josué 10

Capítulo 30 – Hazor

  1. Quando Jabim, rei de Hazor, soube disso, enviou mensagem a Jobabe, rei de Madom, aos reis de Sinrom e Acsafe,
  2. Também aos reis do norte que viviam nas montanhas, na Arabá ao sul de Quinerete, na Sefelá e em Nafote-Dor, a oeste; aos cananeus a leste e a oeste; aos amorreus, aos hititas, aos ferezeus e aos jebuseus das montanhas; e aos heveus do sopé do Hermom, na região de Mispá.
  3. Saíram com todas as suas tropas, um exército imenso, tão numeroso como a areia da praia, além de um grande número de cavalos e carros.
  4. Todos esses reis se uniram e acamparam junto às águas de Merom, para lutar contra Israel.
  5. Josué e todo o seu exército os surpreenderam junto às águas de Merom e os atacaram, e o SENHOR os entregou nas mãos de Israel, que os derrotou e os perseguiu até Sidom, a grande, até Misrefote-Maim e até o vale de Mispá, a leste. Eles os mataram sem deixar sobrevivente algum.
  6. Josué os tratou como o SENHOR lhe tinha ordenado. Cortou os tendões dos seus cavalos e queimou os seus carros.
  7. Na mesma ocasião Josué voltou, conquistou Hazor e matou o seu rei à espada. Hazor tinha sido a capital de todos esses reinos.
  8. Matou à espada todos os que nela estavam. Exterminou-os totalmente, sem poupar nada que respirasse, e incendiou Hazor.
  9. Josué conquistou todas essas cidades e matou à espada os reis que as governavam. Destruiu-as totalmente, como Moisés, servo do SENHOR, tinha ordenado.
  10. Contudo, Israel não incendiou nenhuma das cidades construídas nas colinas, com exceção de Hazor, que Josué incendiou.
  11. Os israelitas tomaram posse de todos os despojos e dos animais dessas cidades, mas mataram todo o povo à espada, até exterminá-lo completamente, sem poupar ninguém.
  12. Tudo o que o SENHOR tinha ordenado a seu servo Moisés, Moisés ordenou a Josué, e Josué obedeceu, sem deixar de cumprir nada de tudo o que o SENHOR tinha ordenado a Moisés.
  13. Assim Josué conquistou toda aquela terra: a serra central, todo o Neguebe, toda a região de Gósen, a Sefelá, a Arabá e os montes de Israel e suas planícies,
  14. desde o monte Halaque, que se ergue na direção de Seir, até Baal-Gade, no vale do Líbano, no sopé do monte Hermom. Ele capturou todos os seus reis e os matou.
  15. Josué guerreou contra todos esses reis por muito tempo.
  16. Com exceção dos heveus que viviam em Gibeom, nenhuma cidade fez a paz com os israelitas, que a todas conquistou em combate.
  17. Pois foi o próprio SENHOR que endureceu os seus corações para guerrearem contra Israel, para que ele os destruísse totalmente, exterminando-os sem misericórdia, como o SENHOR tinha ordenado a Moisés.
  18. Naquela ocasião Josué exterminou os enaquins dos montes de Hebrom, de Debir e de Anabe, de todos os montes de Judá, e de Israel. Josué destruiu-os totalmente, e também as suas cidades.
  19. Nenhum enaquim foi deixado vivo no território israelita; somente em Gaza, em Gate e em Asdode é que alguns sobreviveram.
  20. Foi assim que Josué conquistou toda a terra, conforme o SENHOR tinha dito a Moisés, e deu-a por herança a Israel, repartindo-a entre as suas tribos. E a terra teve descanso da guerra.
  21. São estes os reis que os israelitas derrotaram, e de cujo território se apossaram a leste do Jordão, desde o ribeiro do Arnom até o monte Hermom, inclusive todo o lado leste da Arabá: Seom, rei dos amorreus, que reinou em Hesbom.
  22. Governou desde Aroer, na borda do ribeiro do Arnom, desde o meio do ribeiro, até o rio Jaboque, que é a fronteira dos amonitas. Esse território incluía a metade de Gileade.
  23. Também governou a Arabá oriental, desde o mar de Quinerete até o mar da Arabá, o mar Salgado, até Bete-Jesimote, e mais ao sul, ao pé das encostas do Pisga.
  24. Tomaram o território de Ogue, rei de Basã, um dos últimos refains, que reinou em Asterote e Edrei.
  25. Ele governou o monte Hermom, Salcá, toda a Basã, até a fronteira do povo de Gesur e de Maaca, e metade de Gileade, até a fronteira de Seom, rei de Hesbom.
  26. Moisés, servo do SENHOR, e os israelitas os derrotaram. E Moisés, servo do SENHOR, deu a terra deles como propriedade às tribos de Rúben, de Gade e à metade da tribo de Manassés.
  27. São estes os reis que Josué e os israelitas derrotaram no lado ocidental do Jordão, desde Baal-Gade, no vale do Líbano, até o monte Halaque, que se ergue na direção de Seir.
  28. Josué deu a terra deles por herança às tribos de Israel, repartindo-a entre elas — a serra central, a Sefelá, a Arabá, as encostas das montanhas, o deserto e o Neguebe — as terras dos hititas, dos amorreus, dos cananeus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus:
  29. o rei de Jericó, o rei de Ai, próxima a Betel,
  30. o rei de Jerusalém, o rei de Hebrom,
  31. o rei de Jarmute, o rei de Láquis,
  32. o rei de Eglom, o rei de Gezer,
  33. o rei de Debir, o rei de Geder,
  34. o rei de Hormá, o rei de Arade,
  35. o rei de Libna, o rei de Adulão,
  36. o rei de Maquedá, o rei de Betel,
  37. o rei de Tapua, o rei de Héfer,
  38. o rei de Afeque, o rei de Lasarom,
  39. o rei de Madom, o rei de Hazor,
  40. o rei de Sinrom-Merom, o rei de Acsafe,
  41. o rei de Taanaque, o rei de Megido,
  42. o rei de Quedes, o rei de Jocneão do Carmelo,
  43. o rei de Dor em Nafote-Dor, o rei de Goim de Gilgal,
  44. e o rei de Tirza.
  45. Trinta e um reis ao todo.
  46. Sendo Josué já velho, de idade bastante avançada, o SENHOR lhe disse: “Você já está velho, e ainda há muita terra para ser conquistada.”
  47. “Todos os habitantes das montanhas, desde o Líbano até Misrefote-Maim, isto é, todos os sidônios; eu mesmo os expulsarei da presença dos israelitas.
  48. “Você, porém, distribuirá esta terra a Israel por herança, como lhe ordenei, repartindo-a agora entre as nove tribos e a metade da tribo de Manassés”.
  49. “Pois a outra metade da tribo de Manassés, as tribos de Rúben e de Gade já receberam a herança a leste do Jordão, conforme Moisés, servo do SENHOR, lhes tinha designado.”

Fonte: Josué 11 e 12

Capítulo 31 – Morte de Josué

  1. Passado muito tempo, depois que o SENHOR concedeu a Israel descanso de todos os inimigos ao redor, Josué, agora velho, de idade muito avançada,
  2. convocou todo o Israel, com as autoridades, os líderes, os juízes e os oficiais, e lhes disse: “Estou velho, com idade muito avançada.”
  3. “Vocês mesmos viram tudo o que o SENHOR, o seu Deus, fez com todas essas nações por amor a vocês; foi o SENHOR, o seu Deus, que lutou por vocês.”
  4. “Lembrem-se de que eu reparti por herança para as tribos de vocês toda a terra das nações, tanto as que ainda restam como as que conquistei entre o Jordão e o mar Grande, a oeste.”
  5. “O SENHOR, o seu Deus, as expulsará da presença de vocês. Ele as empurrará de diante de vocês, e vocês se apossarão da terra delas, como o SENHOR lhes prometeu.”
  6. “Façam todo o esforço para obedecer e cumprir tudo o que está escrito no Livro da Lei de Moisés, sem se desviar, nem para a direita nem para a esquerda.”
  7. “Não se associem com essas nações que restam no meio de vocês. Não invoquem os nomes dos seus deuses nem jurem por eles. Não lhes prestem culto nem se inclinem perante eles.”
  8. “Mas apeguem-se somente ao SENHOR, ao seu Deus, como fizeram até hoje.”
  9. “O SENHOR expulsou de diante de vocês nações grandes e poderosas; até hoje ninguém conseguiu resistir a vocês.”
  10. “Um só de vocês faz fugir mil, pois o SENHOR, o seu Deus, luta por vocês, conforme prometeu.”
  11. “Por isso dediquem-se com zelo a amar o SENHOR, o seu Deus.”
  12. “Se, todavia, vocês se afastarem e se aliarem aos sobreviventes dessas nações que restam no meio de vocês, e se casarem com eles e se associarem com eles, estejam certos de que o SENHOR, o seu Deus, já não expulsará essas nações de diante de vocês.
  13. “Ao contrário, elas se tornarão armadilhas e laços para vocês, chicote em suas costas e espinhos em seus olhos, até que vocês desapareçam desta boa terra que o SENHOR, o seu Deus, deu a vocês.”
  14. “Agora estou prestes a ir pelo caminho de toda a terra. Vocês sabem, lá no fundo do coração e da alma, que nenhuma das boas promessas que o SENHOR, o seu Deus, lhes fez deixou de cumprir-se. Todas se cumpriram; nenhuma delas falhou.”
  15. “Mas, assim como cada uma das boas promessas do SENHOR, do seu Deus, se cumpriu, também o SENHOR fará cumprir-se em vocês todo o mal com que os ameaçou, até eliminá-los desta boa terra que lhes deu.”
  16. “Se vocês violarem a aliança que o SENHOR, o seu Deus, lhes ordenou, e passarem a cultuar outros deuses e a inclinar-se diante deles, a ira do SENHOR se acenderá contra vocês, e vocês logo desaparecerão da boa terra que ele lhes deu”.
  17. Então Josué reuniu todas as tribos de Israel em Siquém. Convocou as autoridades, os líderes, os juízes e os oficiais de Israel, e eles compareceram diante de Deus.
  18. Josué disse a todo o povo: “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Há muito tempo, os seus antepassados, inclusive Terá, pai de Abraão e de Naor, viviam além do Eufrates e prestavam culto a outros deuses.”
  19. “Mas eu tirei seu pai Abraão da terra dalém do Eufrates e o conduzi por toda a Canaã e lhe dei muitos descendentes. Dei-lhe Isaque.
  20. “E a Isaque dei Jacó e Esaú. A Esaú dei os montes de Seir, mas Jacó e seus filhos desceram para o Egito.”
  21. “Então enviei Moisés e Arão e feri os egípcios com pragas, com as quais os castiguei, e depois tirei vocês de lá.”
  22. “Quando tirei os seus antepassados do Egito, vocês vieram para o mar, e os egípcios os perseguiram com carros de guerra e cavaleiros até o mar Vermelho.”
  23. “Mas os seus antepassados clamaram a mim, e eu coloquei trevas entre vocês e os egípcios; fiz voltar o mar sobre eles e os encobrir.”
  24. “Vocês viram com os seus próprios olhos o que eu fiz com os egípcios. Depois disso vocês viveram no deserto longo tempo.”
  25. “Eu os trouxe para a terra dos amorreus que viviam a leste do Jordão. Eles lutaram contra vocês, mas eu os entreguei nas suas mãos. Eu os destruí diante de vocês, e vocês se apossaram da terra deles.”
  26. Quando Balaque, rei de Moabe, filho de Zipor, se preparava para lutar contra Israel, mandou buscar Balaão, filho de Beor, para lançar maldição sobre vocês.”
  27. “Mas eu não quis ouvir Balaão, de modo que ele os abençoou vez após vez, e eu os livrei das mãos dele.”
  28. “Depois vocês atravessaram o Jordão e chegaram a Jericó. Os chefes de Jericó lutaram contra vocês, assim como os amorreus, os ferezeus, os cananeus, os hititas, os girgaseus, os heveus e os jebuseus, mas eu os entreguei nas mãos de vocês.”
  29. “Eu lhes causei pânico para expulsá-los de diante de vocês, como fiz aos dois reis amorreus. Não foi a espada e o arco que lhes deram a vitória.”
  30. “Foi assim que lhes dei uma terra que vocês não cultivaram e cidades que vocês não construíram. Nelas vocês moram, e comem de vinhas e olivais que não plantaram.”
  31. “Agora temam o SENHOR e sirvam-no com integridade e fidelidade. Joguem fora os deuses que os seus antepassados adoraram além do Eufrates e no Egito, e sirvam ao SENHOR.”
  32. Se, porém, não lhes agrada servir ao SENHOR, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha família serviremos ao SENHOR”.
  33. Então o povo respondeu: “Longe de nós abandonar o SENHOR para servir outros deuses!”
  34. “Foi o próprio SENHOR, o nosso Deus, que nos tirou, a nós e a nossos pais, do Egito, daquela terra de escravidão, e realizou aquelas grandes maravilhas diante dos nossos olhos.
  35. “Ele nos protegeu no caminho e entre as nações pelas quais passamos.”
  36. “Além disso, o SENHOR expulsou de diante de nós todas as nações, inclusive os amorreus, que viviam nesta terra. Nós também serviremos ao SENHOR, porque ele é o nosso Deus”.
  37. Josué disse ao povo: “Vocês não têm condições de servir ao SENHOR. Ele é Deus santo! É Deus zeloso! Ele não perdoará a rebelião e o pecado de vocês.”
  38. “Se abandonarem o SENHOR e servirem a deuses estrangeiros, ele se voltará contra vocês e os castigará. Mesmo depois de ter sido bondoso com vocês, ele os exterminará”.
  39. O povo, porém, respondeu a Josué: “De maneira nenhuma! Nós serviremos ao SENHOR”.
  40. Disse então Josué: “Vocês são testemunhas contra vocês mesmos de que escolheram servir ao SENHOR”.”Somos”, responderam eles.
  41. Disse Josué: “Agora, então, joguem fora os deuses estrangeiros que estão com vocês e voltem-se de coração para o SENHOR, o Deus de Israel”.
  42. E o povo disse a Josué: “Serviremos ao SENHOR nosso Deus e lhe obedeceremos”.
  43. Naquele dia Josué firmou um acordo com o povo em Siquém, e lhe deu decretos e leis.
  44. Josué registrou essas coisas no Livro da Lei de Deus. Depois ergueu uma grande pedra ali, sob a Grande Árvore, perto do santuário do SENHOR.
  45. Então disse ele a todo o povo: “Vejam esta pedra! Ela será uma testemunha contra nós, pois ouviu todas as palavras que o SENHOR nos disse. Será uma testemunha contra vocês, caso sejam infiéis ao Deus de vocês”.
  46. Depois Josué despediu o povo, e cada um foi para a sua propriedade.
  47. Passado algum tempo, Josué, filho de Num, servo do SENHOR, morreu. Tinha cento e dez anos de idade.
  48. E o sepultaram na terra que recebeu por herança, em Timnate-Sera, nos montes de Efraim, ao norte do monte Gaás.
  49. Israel serviu ao SENHOR durante toda a vida de Josué e dos líderes que sobreviveram depois dele e que sabiam de tudo o que o SENHOR fizera em favor de Israel.
  50. Os ossos de José, que os israelitas haviam trazido do Egito, foram enterrados em Siquém, no quinhão de terra que Jacó havia comprado dos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem peças de prata.
  51. Aquele terreno tornou-se herança dos descendentes de José.
  52. Sucedeu também que Eleazar, filho de Arão, morreu e foi sepultado em Gibeá, que fora dada a seu filho Finéias, nos montes de Efraim.

Fonte: Josué 23 e 24

Capítulo 32 – Juízes

  1. Depois da morte de Josué, os israelitas perguntaram ao SENHOR: “Quem de nós será o primeiro a atacar os cananeus?”
  2. Então os homens de Judá disseram aos seus irmãos de Simeão: “Venham conosco ao território que nos foi designado por sorteio, e lutemos contra os cananeus.” E os homens de Simeão foram com eles.
  3. Quando os homens de Judá atacaram, o SENHOR entregou os cananeus e os ferezeus nas mãos deles, e eles mataram dez mil homens em Bezeque.
  4. Foi lá que encontraram Adoni-Bezeque, lutaram contra ele e derrotaram os cananeus e os ferezeus.
  5. Adoni-Bezeque fugiu, mas eles o perseguiram e o prenderam, e lhe cortaram os polegares das mãos e dos pés.
  6. Então Adoni-Bezeque disse: “Setenta reis com os polegares das mãos e dos pés cortados apanhavam migalhas debaixo da minha mesa.” Agora Deus me retribuiu por aquilo que lhes fiz”. Eles o levaram para Jerusalém, onde morreu.
  7. Os homens de Judá atacaram também Jerusalém e a conquistaram. Mataram seus habitantes ao fio da espada e a incendiaram.
  8. Depois disso eles desceram para lutar contra os cananeus que viviam na serra, no Neguebe e na Sefelá.
  9. Avançaram contra os cananeus que viviam em Hebrom, anteriormente chamada Quiriate-Arba, e derrotaram Sesai, Aimã e Talmai.
  10. Dali avançaram contra o povo que morava em Debir, anteriormente chamada Quiriate-Sefer. E disse Calebe: “Darei minha filha Acsa em casamento ao homem que atacar e conquistar Quiriate-Sefer”.
  11. Otoniel, filho de Quenaz, irmão mais novo de Calebe, conquistou a cidade; por isso Calebe lhe deu sua filha Acsa por mulher.
  12. Um dia, quando já vivia com Otoniel, ela o persuadiu a pedir um campo ao pai dela. Assim que ela desceu do jumento, Calebe lhe perguntou: “O que você quer?”
  13. Ela respondeu: “Dê-me um presente. Já que o senhor me deu terras no Neguebe, dê-me também fontes de água”. Assim Calebe lhe deu as fontes superiores e as inferiores.
  14. Os descendentes do sogro de Moisés, o queneu, saíram da Cidade das Palmeiras com os homens de Judá e passaram a viver entre o povo do deserto de Judá, no Neguebe, perto de Arade.
  15. Depois os homens de Judá foram com seus irmãos de Simeão e derrotaram os cananeus que viviam em Zefate, e destruíram totalmente a cidade. Por essa razão ela foi chamada Hormá.
  16. Os homens de Judá também conquistaram Gaza, Ascalom e Ecrom, com os seus territórios.
  17. O SENHOR estava com os homens de Judá. Eles ocuparam a serra central, mas não conseguiram expulsar os habitantes dos vales, pois estes possuíam carros de guerra feitos de ferro.
  18. Conforme Moisés havia prometido, Hebrom foi dada a Calebe, que expulsou de lá os três filhos de Enaque.
  19. Já os benjamitas deixaram de expulsar os jebuseus que estavam morando em Jerusalém; e os jebuseus vivem ali com os benjamitas até o dia de hoje.
  20. Os homens das tribos de José, por sua vez, atacaram Betel, e o SENHOR estava com eles.
  21. Eles enviaram espias a Betel, anteriormente chamada Luz. e, quando os espias viram um homem saindo da cidade disseram-lhe: “Mostre-nos como entrar na cidade, e nós lhe pouparemos a vida”.
  22. Ele mostrou como entrar, e eles mataram os habitantes da cidade ao fio da espada, mas pouparam o homem e toda a sua família, que foi, então, para a terra dos hititas, onde fundou a cidade com o nome de Luz.
  23. Manassés, porém, não expulsou o povo de Bete-Seã nem o de Taanaque nem o de Dor nem o de Ibleã nem o de Megido, nem tampouco o dos povoados ao redor dessas cidades, pois os cananeus estavam decididos a permanecer naquela terra.
  24. Efraim também não expulsou os cananeus que viviam em Gezer, mas os cananeus continuaram a viver entre eles.
  25. Nem Zebulom expulsou os cananeus que viviam em Quitrom e em Naalol, mas estes permaneceram entre eles, e foram submetidos a trabalhos forçados.
  26. Nem Aser expulsou os que viviam em Aco, Sidom, Alabe, Aczibe, Helba, Afeque e Reobe, e, por esse motivo, o povo de Aser vivia entre os cananeus que habitavam naquela terra.
  27. Nem Naftali expulsou os que viviam em Bete-Semes e em Bete-Anate; mas o povo de Naftali também vivia entre os cananeus que habitavam a terra, e aqueles que viviam em Bete-Semes e em Bete-Anate passaram a fazer trabalhos forçados para eles.
  28. Os amorreus confinaram a tribo de Dã à serra central, não permitindo que descessem ao vale.
  29. E os amorreus igualmente estavam decididos a resistir no monte Heres, em Aijalom e em Saalbim, mas, quando as tribos de José ficaram mais poderosas, os submeteram também a trabalhos forçados.
  30. A fronteira dos amorreus ia da subida de Acrabim até Selá, e mais adiante.
  31. O anjo do SENHOR subiu de Gilgal a Boquim e disse: “Eu tirei vocês do Egito e os trouxe a terra que prometi aos seus antepassados.”
  32. “Eu disse que jamais quebrarei a minha aliança com vocês enquanto vocês não fariam acordo com o povo desta terra e demoliriam os altares deles. Por quê vocês não me obedeceram?”
  33. “Eles serão seus adversários, e os deuses deles serão uma armadilha para vocês”.
  34. Quando o anjo do SENHOR acabou de falar a todos os israelitas, o povo chorou em alta voz, e ao lugar chamaram Boquim. Ali ofereceram sacrifícios ao SENHOR.
  35. Depois que Josué despediu os israelitas, eles saíram para ocupar a terra, cada um a sua herança.
  36. O povo prestou culto ao SENHOR durante toda a vida de Josué e dos líderes que continuaram vivos depois de Josué e que tinham visto todos os grandes feitos que o SENHOR realizara em favor de Israel.
  37. Depois que toda aquela geração foi reunida a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o SENHOR e o que ele havia feito por Israel.
  38. Então os israelitas fizeram o que o SENHOR reprova e prestaram culto aos baalins.
  39. Eles abandonaram o SENHOR, o Deus dos seus antepassados, que os havia tirado do Egito, e seguiram e adoraram vários deuses dos povos ao seu redor, provocando a ira do SENHOR.
  40. Abandonaram o SENHOR e prestaram culto a Baal e aos postes sagrados.
  41. A ira do SENHOR se acendeu contra Israel, e ele os entregou nas mãos de invasores que os saquearam. Ele os entregou aos inimigos ao seu redor, aos quais já não conseguiam resistir.
  42. Sempre que os israelitas saíam para a batalha, a mão do SENHOR era contra eles para derrotá-los, conforme lhes havia advertido e jurado. Grande angústia os dominava.
  43. Então o SENHOR levantou juízes, que os libertaram das mãos daqueles que os atacavam.
  44. Mesmo assim eles não quiseram ouvir os juízes, antes se prostituíram com outros deuses e os adoraram.
  45. Ao contrário dos seus antepassados, logo se desviaram do caminho pelo qual os seus antepassados tinham andado, o caminho da obediência aos mandamentos do SENHOR.
  46. Sempre que o SENHOR lhes levantava um juiz, ele estava com o juiz e os salvava das mãos de seus inimigos enquanto o juiz vivia; pois o SENHOR tinha misericórdia por causa dos gemidos deles diante daqueles que os oprimiam e os afligiam.
  47. Mas, quando o juiz morria, o povo voltava a caminhos ainda piores do que os caminhos dos seus antepassados, seguindo outros deuses, prestando-lhes culto e adorando-os.
  48. Recusavam-se a abandonar suas práticas e seu caminho obstinado. Por isso a ira do SENHOR acendeu-se contra Israel.

Fonte: Juízes 1,

Capítulo 32 – Débora

  1. São estas as nações que o SENHOR deixou para pôr à prova todos os israelitas que não tinham visto nenhuma das guerras em Canaã.
  2. Eram os cinco governantes dos filisteus, todos os cananeus, os sidônios e os heveus que viviam nos montes do Líbano, desde o monte Baal-Hermom até Lebo-Hamate.
  3. Essas nações foram deixadas para que por elas os israelitas fossem postos à prova, se obedeceriam aos mandamentos que o SENHOR dera aos seus antepassados por meio de Moisés.
  4. Os israelitas viviam entre os cananeus, os hititas, os amorreus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus. Tomaram as filhas deles em casamento e deram suas filhas aos filhos deles, e prestaram culto aos deuses deles.
  5. Os israelitas fizeram o que o SENHOR reprova, pois esqueceram-se do SENHOR seu Deus e prestaram culto aos baalins e aos postes sagrados.
  6. Acendeu-se a ira do SENHOR de tal forma contra Israel que ele os entregou nas mãos de Cuchã-Risataim, rei da Mesopotâmia, por quem os israelitas foram subjugados durante oito anos.
  7. Mas, quando clamaram ao SENHOR, ele lhes levantou um libertador, Otoniel, filho de Quenaz, o irmão mais novo de Calebe, que os libertou.
  8. O Espírito do SENHOR veio sobre ele, de modo que liderou Israel e foi à guerra. O SENHOR entregou Cuchã-Risataim, rei de Arã, nas mãos de Otoniel, que prevaleceu contra ele.
    E a terra teve paz durante quarenta anos, até a morte de Otoniel, filho de Quenaz.
  9. Mais uma vez os israelitas fizeram o que o SENHOR reprova, e por isso o SENHOR deu a Eglom, rei de Moabe, poder sobre Israel.
  10. Conseguindo uma aliança com os amonitas e com os amalequitas, Eglom veio e derrotou Israel, e conquistou a Cidade das Palmeiras.
  11. Os israelitas ficaram sob o domínio de Eglom, rei de Moabe, durante dezoito anos.
  12. Novamente os israelitas clamaram ao SENHOR, que lhes deu um libertador chamado Eúde, homem canhoto, filho do benjamita Gera. Os israelitas o enviaram com o pagamento de tributos a Eglom, rei de Moabe.
  13. Eúde havia feito uma espada de dois gumes, de quarenta e cinco centímetros de comprimento, e a tinha amarrado na coxa direita, debaixo da roupa.
  14. Ele entregou o tributo a Eglom, rei de Moabe, homem muito gordo. Em seguida, Eúde mandou embora os carregadores.
  15. Junto aos ídolos que estão perto de Gilgal, ele voltou e disse: “Tenho uma mensagem secreta para ti, ó rei”.
  16. O rei respondeu: “Calado!” E todos os seus auxiliares saíram de sua presença.
  17. Eúde aproximou-se do rei, que estava sentado sozinho na sala superior do palácio de verão, e repetiu: “Tenho uma mensagem de Deus para ti”. Quando o rei se levantou do trono, Eúde estendeu a mão esquerda, apanhou a espada de sua coxa direita e cravou-a na barriga do rei.
  18. Até o cabo penetrou com a lâmina; e, como não tirou a espada, a gordura se fechou sobre ela.
  19. Então Eúde saiu para o pórtico, depois de fechar e trancar as portas da sala atrás de si.
  20. Depois que ele saiu, vieram os servos e encontraram trancadas as portas da sala superior, e disseram: “Ele deve estar fazendo suas necessidades em seu cômodo privativo”.
  21. Cansaram-se de esperar, e como ele não abria a porta da sala, pegaram a chave e a abriram. E lá estava o seu senhor, caído no chão, morto!
  22. Enquanto esperavam, Eúde escapou. Passou pelos ídolos e fugiu para Seirá.
  23. Quando chegou, tocou a trombeta nos montes de Efraim, e os israelitas desceram dos montes, com ele à sua frente.
  24. “Sigam-me”, ordenou, “pois o SENHOR entregou Moabe, o inimigo de vocês, em suas mãos.”
  25. Eles o seguiram e, tomaram posse do lugar de passagem do Jordão que levava a Moabe, e não deixaram ninguém atravessar o rio.
  26. Naquela ocasião mataram cerca de dez mil moabitas, todos eles fortes e vigorosos; nem um só homem escapou.
  27. Naquele dia Moabe foi subjugado por Israel, e a terra teve paz durante oitenta anos.
  28. Depois de Eúde veio Sangar, filho de Anate, que matou seiscentos filisteus com uma aguilhada de bois. Ele também libertou Israel.
  29. Depois da morte de Eúde, mais uma vez os israelitas fizeram o que o SENHOR reprova.
  30. Assim o SENHOR os entregou nas mãos de Jabim, rei de Canaã, que reinava em Hazor. O comandante do seu exército era Sísera, que habitava em Harosete-Hagoim.
  31. Os israelitas clamaram ao SENHOR, porque Jabim, que tinha novecentos carros de ferro, os havia oprimido cruelmente durante vinte anos.
  32. Débora, uma profetisa, mulher de Lapidote, liderava Israel naquela época.
  33. Ela se sentava debaixo da tamareira de Débora, entre Ramá e Betel, nos montes de Efraim, e os israelitas a procuravam, para que ela decidisse as suas questões.
  34. Débora mandou chamar Baraque, filho de Abinoão, de Quedes, em Naftali, e lhe disse: “O SENHOR, o Deus de Israel, lhe ordena que reúna dez mil homens de Naftali e Zebulom e vá ao monte Tabor.
  35. Ele fará que Sísera, o comandante do exército de Jabim, vá atacá-lo, com seus carros de guerra e tropas, junto ao rio Quisom mulher, e os entregará em suas mãos”.
  36. Baraque disse a ela: “Se você for comigo, irei; mas, se não for, não irei”.
  37. Respondeu Débora: “Está bem, irei com você. Mas saiba que, por causa do seu modo de agir, a honra não será sua; porque o SENHOR entregará Sísera nas mãos de uma mulher”.
  38. Então Débora foi a Quedes com Baraque, onde ele convocou Zebulom e Naftali. Dez mil homens o seguiram, e Débora também foi com ele.
  39. Ora, o queneu Héber se havia separado dos outros queneus, descendentes de Hobabe, sogro de Moisés, e armou a sua tenda junto ao carvalho de Zaanim, perto de Quedes.
  40. Quando disseram a Sísera que Baraque, filho de Abinoão, tinha subido o monte Tabor, Sísera reuniu seus novecentos carros de ferro e todos os seus soldados, de Harosete-Hagoim ao rio Quisom.
  41. E Débora disse também a Baraque: “Vá! Este é o dia em que o SENHOR entregou Sísera em suas mãos. O SENHOR está indo à sua frente!”
  42. Então Baraque desceu o monte Tabor, seguido por dez mil homens.
  43. Diante do avanço de Baraque, o SENHOR pela espada derrotou Sísera e todos os seus carros de guerra e o seu exército, e Sísera desceu do seu carro e fugiu a pé.
  44. Baraque perseguiu os carros de guerra e o exército até Harosete-Hagoim. Todo o exército de Sísera caiu ao fio da espada; não sobrou um só homem.
  45. Sísera, porém, fugiu a pé para a tenda de Jael, mulher do queneu Héber, pois havia paz entre Jabim, rei de Hazor, e o clã do queneu Héber.
  46. Jael saiu ao encontro de Sísera e o convidou: “Venha, entre na minha tenda, meu senhor. Não tenha medo!” Ele entrou, e ela o cobriu com um pano.
  47. “Estou com sede”, disse ele.”Por favor, dê-me um pouco de água.” Ela abriu uma vasilha de leite feita de couro, deu-lhe de beber, e tornou a cobri-lo.
  48. E Sísera disse à mulher: “Fique à entrada da tenda. Se alguém passar e perguntar se há alguém aqui, responda que não”.
  49. Entretanto, Jael, mulher de Héber, apanhou uma estaca da tenda e um martelo e aproximou-se silenciosamente enquanto ele, exausto, dormia um sono profundo.
  50. E cravou-lhe a estaca na têmpora até penetrar o chão, e ele morreu.
  51. Baraque passou à procura de Sísera, e Jael saiu ao seu encontro.”Venha”, disse ela, “eu lhe mostrarei o homem que você está procurando.”
  52. E entrando ele na tenda, viu ali caído Sísera, morto, com a estaca atravessada nas têmporas.
  53. Naquele dia Deus subjugou Jabim, o rei cananeu, perante os israelitas.
  54. E os israelitas atacaram cada vez mais a Jabim, o rei cananeu, até que eles o destruíram.

Capítulo 33 – Gideão

  1. De novo os israelitas fizeram o que o SENHOR reprova, e durante sete anos ele os entregou nas mãos dos midianitas.
  2. Os midianitas dominaram Israel; por isso os israelitas fizeram para si esconderijos nas montanhas, nas cavernas e nas fortalezas.
  3. Sempre que os israelitas faziam as suas plantações, os midianitas, os amalequitas e outros povos da região a leste deles as invadiam.
  4. Acampavam na terra e destruíam as plantações ao longo de todo o caminho, até Gaza, e não deixavam nada vivo em Israel, nem ovelhas nem gado nem jumentos.
  5. Eles subiam trazendo os seus animais e suas tendas, e vinham como enxames de gafanhotos; era impossível contar os homens e os seus camelos. Invadiam a terra para devastá-la.
  6. Por causa de Midiã, Israel empobreceu tanto que os israelitas clamaram por socorro ao SENHOR.
  7. Quando os israelitas clamaram ao SENHOR por causa de Midiã, ele lhes enviou um profeta, que disse: “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Eu tirei vocês do Egito, da terra da escravidão.”
  8. “Eu os livrei do poder do Egito e das mãos de todos os seus opressores. Expulsei-os e dei a vocês a terra deles. Eu sou o SENHOR, o seu Deus; não adorem os deuses dos amorreus, em cuja terra vivem, mas vocês não me deram ouvidos”.
  9. Então o Anjo do SENHOR veio e sentou-se sob a grande árvore de Ofra, que pertencia ao abiezrita Joás. Ali, Gideão, filho de Joás, estava malhando o trigo num tanque de prensar uvas, para escondê-lo dos midianitas.
  10. Então o anjo do SENHOR apareceu a Gideão, que falou: “Ah, SENHOR, se o SENHOR está conosco, por que aconteceu tudo isso?  Onde estão todas as suas maravilhas que os nossos pais nos contam? Não foi o SENHOR que nos tirou do Egito, por que agora o SENHOR nos abandonou e nos entregou nas mãos de Midiã?”
  11. Gideão foi para casa, preparou um cabrito, e com uma arroba de farinha fez pães sem fermento. Pôs a carne num cesto e o caldo numa panela, trouxe-os para fora e ofereceu-os a ele sob a grande árvore.
  12. Ali, Gideão exclamou: “Ah, SENHOR Soberano! Vi o Anjo do SENHOR face a face!”, e construiu um altar em honra do SENHOR e lhe deu este nome: O SENHOR é Paz. Até hoje o altar está em Ofra dos abiezritas.
  13. Assim Gideão chamou dez dos seus servos e fez como o SENHOR lhe ordenara. Com medo da sua família e dos homens da cidade, fez tudo de noite, e não durante o dia.
  14. De manhã, quando os homens da cidade se levantaram, lá estava demolido o altar de Baal, com o poste sagrado ao seu lado, cortado, e com o segundo novilho sacrificado no altar recém-construído!
  15. Perguntaram uns aos outros: “Quem fez isso?” Depois de investigar, concluíram: “Foi Gideão, filho de Joás”.
  16. Os homens da cidade disseram a Joás: “Traga seu filho para fora. Ele deve morrer, pois derrubou o altar de Baal e quebrou o poste sagrado que ficava ao seu lado”.
  17. Joás, porém, respondeu à multidão hostil que o cercava, “Vocês vão defender a causa de Baal? Estão tentando salvá-lo? Quem lutar por ele será morto pela manhã! Se Baal fosse realmente um deus, poderia defender-se quando derrubaram o seu altar”.
  18. Por isso naquele dia chamaram Gideão de “Jerubaal”, dizendo: “Que Baal dispute com ele, pois derrubou o altar de Baal”.
  19. Nesse meio tempo, todos os midianitas, amalequitas e outros povos que vinham do leste uniram os seus exércitos, atravessaram o Jordão e acamparam no vale de Jezreel.
  20. Então o Espírito do SENHOR apoderou-se de Gideão, e ele, com toque de trombeta, convocou os abiezritas para segui-lo.
  21. Enviou mensageiros a todo o Manassés, chamando-o às armas, e também a Aser, a Zebulom e a Naftali, que também subiram ao seu encontro.
  22. E Gideão disse a Deus: “Quero saber se vais libertar Israel por meu intermédio, como prometeste. Não se acenda a tua ira contra mim. Deixa-me fazer só mais um pedido.
  23. “Permite-me fazer mais um teste com a lã. Desta vez, faz ficar seca a lã e o chão coberto de orvalho”.
  24. E Deus assim fez naquela noite. Somente a lã estava seca; o chão estava todo coberto de orvalho.
  25. De madrugada Jerubaal, isto é, Gideão, e todo o seu exército acampou junto à fonte de Harode. O acampamento de Midiã estava ao norte deles, no vale, perto do monte Moré.
  26. Gideão anunciou ao povo que todo aquele que estiver tremendo de medo poderá ir embora do monte Gileade. Então vinte e dois mil homens partiram, e ficaram apenas dez mil.
  27. Depois Gideão levou os homens à beira d’água. O número dos que lamberam a água levando-a com as mãos à boca foi de trezentos homens. Todos os demais se ajoelharam para beber.
  28. Gideão mandou os israelitas para as suas tendas, mas reteve os trezentos. E estes ficaram com as provisões e as trombetas dos que partiram. O acampamento de Midiã ficava abaixo deles, no vale.
  29. Os midianitas, os amalequitas e todos os outros povos que vinham do leste haviam se instalado no vale; eram numerosos como nuvens de gafanhotos.
  30. Assim como não se pode contar a areia da praia, também não se podia contar os seus camelos.
  31. Gideão chegou bem no momento em que um homem estava contando seu sonho a um amigo.
  32. “Tive um sonho”, dizia ele.”Um pão de cevada vinha rolando dentro do acampamento midianita, e atingiu a tenda com tanta força que ela tombou e se desmontou”.
  33. Seu amigo respondeu: “Não pode ser outra coisa senão a espada de Gideão, filho de Joás, o israelita. Deus entregou os midianitas e todo o acampamento nas mãos dele”.
  34. Quando Gideão ouviu o sonho e a sua interpretação, adorou a Deus. Voltou para o acampamento de Israel e gritou: “Levantem-se! O SENHOR entregou o acampamento midianita nas suas mãos”.
  35. Dividiu os trezentos homens em três companhias, pôs nas mãos de todos eles trombetas e jarros vazios, com tochas dentro. E ele lhes disse: “Observem-me. Façam o que eu fizer.”
  36. “Quando eu e todos os que estiverem comigo tocarmos as nossas trombetas ao redor do acampamento, toquem as suas, e gritem: Pelo SENHOR e por Gideão!”
  37. Gideão e os cem homens que o acompanhavam chegaram aos postos avançados do acampamento pouco depois da meia noite, assim que foram trocadas as sentinelas.
  38. Eles tocaram as suas trombetas e quebraram os jarros que tinham nas mãos; as três companhias tocaram as trombetas e despedaçaram os jarros.
  39. Empunhando as tochas com a mão esquerda e as trombetas com a direita, gritaram: “À espada, pelo SENHOR e por Gideão!”
  40. Cada homem mantinha a sua posição em torno do acampamento, e todos os midianitas fugiam correndo e gritando.
  41. Quando as trezentas trombetas soaram, o SENHOR fez que em todo o acampamento os homens se voltassem uns contra os outros com as suas espadas.
  42. Muitos fugiram para Bete-Sita, na direção de Zererá, até a fronteira de Abel-Meolá, perto de Tabate. Então, os israelitas de Naftali, de Aser e de todo o Manassés foram convocados para perseguir os midianitas.
  43. Gideão enviou mensageiros a todos os montes de Efraim, dizendo: “Desçam para atacar os midianitas e cerquem as águas do Jordão à frente deles até Bete-Bara”.
  44. Foram, pois, convocados todos os homens de Efraim, e eles ocuparam as águas do Jordão até Bete-Bara.
  45. Eles prenderam dois líderes midianitas, Orebe e Zeebe. Mataram Orebe na rocha de Orebe, e Zeebe no tanque de prensar uvas de Zeebe.
  46. E, depois de perseguir os midianitas, trouxeram a cabeça de Orebe e a de Zeebe a Gideão, que estava do outro lado do Jordão.
  47. Os efraimitas perguntaram então a Gideão: “Por que não nos chamou quando foi lutar contra Midiã?” E o criticaram duramente.
  48. Ele, porém, lhes respondeu: “Que é que eu fiz, em comparação com vocês? O resto das uvas de Efraim não são melhores do que toda a colheita de Abiezer?”
  49. “Deus entregou os líderes midianitas Orebe e Zeebe nas mãos de vocês. O que pude fazer não se compara com o que vocês fizeram?” Diante disso, acalmou-se a indignação deles contra Gideão.”
  50. Gideão e seus trezentos homens, já exaustos, continuaram a perseguição, chegaram ao Jordão e o atravessaram.
  51. Em Sucote, disse ele aos homens dali: “Peço-lhes um pouco de pão para as minhas tropas; os homens estão cansados, e eu ainda estou perseguindo os reis de Midiã, Zeba e Zalmuna”.
  52. Os líderes de Sucote, porém, disseram: “Ainda não estão em seu poder Zeba e Zalmuna? Por que deveríamos dar pão às suas tropas?”
  53. “É assim?”, replicou Gideão.”Quando o SENHOR entregar Zeba e Zalmuna em minhas mãos, rasgarei a carne de vocês com espinhos e espinheiros do deserto.”
  54. Dali subiu a Peniel e fez o mesmo pedido aos homens de Peniel, mas eles responderam como os de Sucote.
  55. Gideão subiu pela rota dos nômades, a leste de Noba e Jogbeá, e atacou de surpresa o exército.
  56. Com eles estavam cerca de quinze mil homens, pois foram todos os que sobraram dos exércitos dos povos que vinham do leste, pois cento e vinte mil homens que portavam espada tinham sido mortos.
  57. Zeba e Zalmuna, os dois reis de Midiã, fugiram, mas ele os perseguiu e os capturou; derrotando também o exército.
  58. Gideão foi então a Sucote e disse aos homens de lá: “Aqui estão Zeba e Zalmuna, acerca dos quais vocês zombaram de mim”, e prendeu os líderes da cidade de Sucote, castigando-os com espinheiros do deserto.
  59. Depois, derrubou a fortaleza de Peniel e matou os homens daquela cidade.
  60. Então, Gideão voltou-se para Jéter, seu filho mais velho, e lhe disse: “Mate Zeba e Zalmuna!”.
  61. Jéter, porém, teve medo e não desembainhou a espada, pois era muito jovem.
  62.  Zeba e Zalmuna disseram: “Venha, mate-nos você mesmo. Isso exige coragem de homem”. Então Gideão avançou e os matou, e tirou os enfeites do pescoço dos camelos deles.
  63. Os israelitas disseram a Gideão, “Reine sobre nós! você, seu filho e seu neto, pois você nos libertou das mãos de Midiã”.
  64. Gideão respondeu: “Não reinarei sobre vocês, nem meu filho reinará sobre vocês. O SENHOR reinará sobre vocês. Só lhes faço um pedido: que cada um de vocês me dê um brinco da sua parte dos despojos”
  65. (Os ismaelitas costumavam usar brincos de ouro).
  66. Eles estenderam uma capa, e cada homem jogou sobre ela um brinco tirado de seus despojos.
  67. O peso dos brincos de ouro chegou a vinte quilos e meio, sem contar os enfeites, os pendentes e as roupas de púrpura que os reis de Midiã usavam e os colares que estavam no pescoço de seus camelos.
  68. Gideão usou o ouro para fazer um manto sacerdotal, que ele colocou em sua cidade, em Ofra. Todo o Israel prostituiu-se, fazendo dele objeto de adoração; e veio a ser uma armadilha para Gideão e sua família.

Capítulo 34 – Abimeleque

  1. Durante a vida de Gideão a terra desfrutou paz quarenta anos. Jerubaal, filho de Joás, retirou-se e foi para casa, onde ficou morando. Teve setenta filhos, todos gerados por ele, pois tinha muitas mulheres.
  2. Sua concubina, que morava em Siquém, também lhe deu um filho, a quem ele deu o nome de Abimeleque.
  3. Gideão morreu em idade avançada e foi sepultado no túmulo de seu pai, Joás, em Ofra dos abiezritas.
  4. Logo depois que Gideão morreu, os israelitas voltaram a prostituir-se com os baalins, cultuando-os.
  5. Ergueram Baal-Berite como seu deus, e não se lembraram do SENHOR, do seu Deus, que os tinha livrado das mãos dos seus inimigos em redor.
  6. Também não foram bondosos com a família de Jerubaal, isto é, Gideão, reconhecendo todo o bem que ele tinha feito por Israel.
  7. Abimeleque, filho de Jerubaal, foi aos irmãos de sua mãe em Siquém e disse a eles e a todo o clã da família de sua mãe: “Perguntem a todos os cidadãos de Siquém: O que é melhor para vocês: ter todos os setenta filhos de Jerubaal governando sobre vocês, ou somente um homem? Lembrem-se de que eu sou sua própria carne”.
  8. Os irmãos de sua mãe repetiram tudo aos cidadãos de Siquém, e estes se mostraram propensos a seguir Abimeleque, pois disseram: “Ele é nosso irmão”.
  9. Deram-lhe setenta peças de prata tiradas do templo de Baal-Berite, as quais Abimeleque usou para contratar alguns desocupados e vadios, que se tornaram seus seguidores.
  10. Foi à casa de seu pai em Ofra e matou seus setenta irmãos, filhos de Jerubaal, sobre uma rocha. Mas Jotão, o filho mais novo de Jerubaal, escondeu-se e escapou.
  11. Então todos os cidadãos de Siquém e de Bete-Milo reuniram-se ao lado do Carvalho, junto à coluna de Siquém, para coroar Abimeleque rei.
  12. Quando Jotão soube disso, subiu ao topo do monte Gerizim e gritou para eles: “Ouçam-me, cidadãos de Siquém, para que Deus os ouça. Certo dia as árvores saíram para ungir um rei para si.”
  13. “Disseram à oliveira: ‘Seja o nosso rei’! A oliveira, porém, respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu azeite, com o qual se presta honra aos deuses e aos homens, para dominar sobre as árvores?’”
  14. “Então as árvores disseram à figueira: ‘Venha ser o nosso rei!’ A figueira, porém, respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu fruto saboroso e doce, para dominar sobre as árvores?'”
  15. “Depois as árvores disseram à videira: ‘Venha ser o nosso rei!’ A videira, porém, respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu vinho, que alegra os deuses e os homens, para ter domínio sobre as árvores?'”
  16. “Finalmente todas as árvores disseram ao espinheiro: ‘Venha ser o nosso rei!’ O espinheiro disse às árvores: ‘Se querem realmente ungir-me rei sobre vocês, venham abrigar-se à minha sombra; do contrário, sairá fogo do espinheiro e consumirá até os cedros do Líbano!'”
  17. “Será que vocês agiram de fato com sinceridade quando fizeram Abimeleque rei? Foram justos com Jerubaal e sua família, como ele merecia?”
  18. “Meu pai lutou por vocês e arriscou a vida para livrá-los das mãos de Midiã, hoje, porém, vocês se revoltaram contra a família de meu pai, mataram seus setenta filhos sobre a mesma rocha, e proclamaram Abimeleque, o filho de sua escrava, rei sobre os cidadãos de Siquém pelo fato de ser irmão de vocês.”
  19. Se hoje vocês de fato agiram com sinceridade para com Jerubaal e sua família, alegrem-se com Abimeleque, e alegre-se ele com vocês!”
  20. “Entretanto, se não foi assim, que saia fogo de Abimeleque e consuma os cidadãos de Siquém e de Bete-Milo, e que saia fogo dos cidadãos de Siquém e de Bete-Milo, e consuma Abimeleque!”
  21. Depois Jotão fugiu para Beer, e foi morar ali, longe de seu irmão Abimeleque.
  22. Fazia três anos que Abimeleque governava Israel, quando Deus enviou um espírito maligno entre Abimeleque e os cidadãos de Siquém, e estes agiram traiçoeiramente contra Abimeleque.
  23. Quando Zebul, o governante da cidade, ouviu que Gaal, filho de Ebede, amaldiçoava Abimeleque, ele ficou indignado.
  24. Secretamente, ele enviou mensageiros a Abimeleque dizendo: “Gaal, filho de Ebede, e seus parentes vieram a Siquém e estão agitando a cidade contra você.”
  25. E assim Abimeleque e todas as suas tropas partiram de noite e prepararam emboscadas perto de Siquém, em quatro companhias.
  26. Então Gaal conduziu para fora os cidadãos de Siquém e lutou contra Abimeleque.
  27. Abimeleque o perseguiu, e ele fugiu. Muitos dos homens de Siquém caíram mortos ao longo de todo o caminho, até à porta da cidade.
  28. Abimeleque e as tropas que estavam com ele avançaram até à porta da cidade. Então duas companhias avançaram sobre os que estavam nos campos e os mataram.
  29. E Abimeleque atacou a cidade o dia todo, até conquistá-la e matar o seu povo. Depois destruiu a cidade e espalhou sal sobre ela.
  30. Ao saberem disso, os cidadãos que estavam na torre de Siquém entraram na fortaleza do templo de El-Berite.
  31. Quando Abimeleque soube que se haviam reunido lá, ele e todos os seus homens subiram o monte Zalmom.
  32. Ele apanhou um machado e cortou um galho de árvore e o pôs nos ombros.  Todos os homens cortaram galhos e seguiram Abimeleque. Empilharam os galhos junto à fortaleza e a incendiaram.
  33. Assim morreu também o povo que estava na torre de Siquém, cerca de mil homens e mulheres.
  34. A seguir Abimeleque foi a Tebes, sitiou-a e conquistou-a.
  35. Dentro da cidade havia uma torre bastante forte, para a qual fugiram todos os homens e mulheres, todo o povo da cidade. Trancaram-se por dentro e subiram para o telhado da torre.
  36. Abimeleque foi para a torre e atacou-a. E, quando se aproximava da entrada da torre para incendiá-la,
    uma mulher jogou-lhe uma pedra de moinho na cabeça, que lhe rachou o crânio.
  37. Imediatamente ele chamou seu escudeiro e lhe ordenou: “Tire a espada e mate-me, para que não digam que uma mulher me matou”. Então o jovem o atravessou, e ele morreu.
  38. Quando os israelitas viram que Abimeleque estava morto, voltaram para casa.
  39. Assim Deus retribuiu a maldade que Abimeleque praticara contra o seu pai, matando os seus setenta irmãos.
  40. Deus fez também os homens de Siquém pagarem por toda a sua maldade. A maldição de Jotão, filho de Jerubaal, caiu sobre eles.

Capítulo 35 – Jefté

  1. Depois de Abimeleque, um homem de Issacar chamado Tolá, filho de Puá, filho de Dodô, levantou-se para libertar Israel.
  2. Ele morava em Samir, nos montes de Efraim, e liderou Israel durante vinte e três anos; então morreu e foi sepultado em Samir.
  3. Depois dele veio Jair, de Gileade, que liderou Israel durante vinte e dois anos.
  4. Teve trinta filhos, que montavam trinta jumentos. Eles tinham autoridade sobre trinta cidades, as quais até hoje são chamadas povoados de Jair e ficam em Gileade.
  5. Quando Jair morreu, foi sepultado em Camom.
  6. Mais uma vez os israelitas fizeram o que o SENHOR reprova. Serviram aos baalins e aos postes sagrados, e aos deuses de Arã, aos deuses de Sidom, aos deuses de Moabe, aos deuses dos amonitas e aos deuses dos filisteus.
  7. E como os israelitas abandonaram o SENHOR e não mais lhe prestaram culto, a ira do SENHOR se acendeu contra eles.
  8. Ele os entregou nas mãos dos filisteus e dos amonitas, que naquele ano os humilharam e os oprimiram.
  9. Durante dezoito anos oprimiram a todos os israelitas do lado leste do Jordão, em Gileade, terra dos amorreus.
  10. Os amonitas também atravessaram o Jordão para lutar contra Judá, contra Benjamim e contra a tribo de Efraim; e grande angústia dominou Israel.
  11. Então os israelitas clamaram ao SENHOR, dizendo: “Temos pecado contra ti, pois abandonamos o nosso Deus e prestamos culto aos baalins!”
  12. “Nós pecamos. Faze conosco o que achares melhor, mas te rogamos, livra-nos agora”.
  13. Então eles se desfizeram dos deuses estrangeiros que havia entre eles e prestaram culto ao SENHOR. E ele não pôde mais suportar o sofrimento de Israel.
  14. Quando os amonitas foram convocados e acamparam em Gileade, os israelitas reuniram-se e acamparam em Mispá.
  15. Os líderes do povo de Gileade disseram uns aos outros: “Quem iniciar o ataque contra os amonitas será chefe dos que vivem em Gileade”.
  16. Jefté, o gileadita, era um guerreiro valente. Sua mãe era uma prostituta; seu pai foi Gileade.
  17. A mulher de Gileade também lhe deu filhos, que quando já estavam grandes, expulsaram Jefté, dizendo: “Você não vai receber nenhuma herança de nossa família, pois é filho de outra mulher”.
  18. Então Jefté fugiu dos seus irmãos e se estabeleceu em Tobe. Ali um bando de vadios uniu-se a ele e o seguia.
  19. Algum tempo depois, quando os amonitas entraram em guerra contra Israel, os líderes de Gileade foram buscar Jefté em Tobe.
  20. “Venha”, disseram.”Seja nosso comandante, para que possamos combater os amonitas.”
  21. Disse-lhes Jefté: “Vocês não me odiavam e não me expulsaram da casa de meu pai? Por que me procuram agora, quando estão em dificuldades?”
  22. “Apesar disso, agora estamos apelando para você”, responderam os líderes de Gileade.”Venha combater conosco os amonitas, e você será o chefe de todos os que vivem em Gileade.”
  23. Jefté respondeu: “Se vocês me levarem de volta para combater os amonitas e o SENHOR os entregar a mim, serei o chefe de vocês?”
  24. Os líderes de Gileade responderam: “O SENHOR é nossa testemunha; faremos conforme você diz”.
  25. Assim Jefté foi com os líderes de Gileade, e o povo o fez chefe e comandante sobre todos. E ele repetiu perante o SENHOR, em Mispá, todas as palavras que tinha dito.
  26. Jefté enviou mensageiros ao rei amonita com a seguinte pergunta: “Que é que tens contra nós, para ter atacado a nossa terra?”
  27. O rei dos amonitas respondeu aos mensageiros de Jefté: “Quando Israel veio do Egito tomou as minhas terras, desde o Arnom até o Jaboque e até o Jordão. Agora, devolvam-me essas terras pacificamente”.
  28. Jefté mandou de novo mensageiros ao rei amonita, dizendo: “Assim diz Jefté: Israel não tomou a terra de Moabe, e tampouco a terra dos amonitas.
  29. “Israel tomou posse de todas as terras dos amorreus que viviam naquela região, conquistando-a por inteiro, desde o Arnom até o Jaboque, e desde o deserto até o Jordão.”
  30. “Agora que o SENHOR, o Deus de Israel, expulsou os amorreus da presença do seu povo Israel, queres tu tomá-la?”
  31. “Acaso não tomas posse daquilo que o teu deus Camos te dá? Da mesma forma tomaremos posse do que o SENHOR nosso Deus nos deu.”
  32. “Nada fiz contra ti, mas tu estás cometendo um erro, lutando contra mim. Que o SENHOR, o Juiz, julgue hoje a disputa entre os israelitas e os amonitas”.”
  33. Entretanto, o rei de Amom não deu atenção à mensagem de Jefté.
  34. Então o Espírito do SENHOR se apossou de Jefté. Este atravessou Gileade e Manassés, passou por Mispá de Gileade, e daí avançou contra os amonitas.
  35. E Jefté fez este voto ao SENHOR: “Se entregares os amonitas nas minhas mãos, aquele que vier saindo da porta da minha casa ao meu encontro, quando eu retornar da vitória sobre os amonitas, será do SENHOR, e eu o oferecerei em holocausto”.
  36. Então Jefté foi combater os amonitas, e o SENHOR os entregou nas suas mãos.
  37. Ele conquistou vinte cidades, desde Aroer até as vizinhanças de Minite, chegando a Abel-Queramim. Assim os amonitas foram subjugados pelos Israelitas.
  38. Quando Jefté chegou à sua casa em Mispá, sua filha saiu ao seu encontro, dançando ao som de tamborins. E ela era filha única. Ele não tinha outro filho ou filha.
  39. Quando a viu, rasgou suas vestes e gritou: “Ah, minha filha! Estou angustiado e desesperado por tua causa, pois fiz ao SENHOR um voto que não posso quebrar”.
  40. “Meu pai”, respondeu ela, “sua palavra foi dada ao SENHOR. Faça comigo o que prometeu, agora que o SENHOR o vingou dos seus inimigos, os amonitas.”
  41. E prosseguiu: “Mas conceda-me dois meses para vagar pelas colinas e chorar com as minhas amigas, porque jamais me casarei”.
  42. “Vá!”, disse ele. E deixou que ela fosse por dois meses. Ela e suas amigas foram para as colinas e choraram porque ela jamais se casaria.
  43. Passados os dois meses, ela voltou a seu pai, e ele fez com ela o que tinha prometido no voto. Assim, ela nunca deixou de ser virgem.
  44. Daí vem o costume em Israel de saírem as moças durante quatro dias, todos os anos, para celebrar a memória da filha de Jefté, o gileadita.
  45. Os homens de Efraim foram convocados para a batalha.
  46. Dirigiram-se para Zafom e disseram a Jefté: “Por que você foi lutar contra os amonitas sem nos chamar para irmos juntos? Vamos queimar a sua casa e você junto!”
  47. Jefté respondeu: “Eu e meu povo estávamos envolvidos numa grande contenda com os amonitas, e, embora eu os tenha chamado, vocês não me livraram das mãos deles.”
  48. “Quando vi que vocês não ajudariam, arrisquei a vida e fui lutar contra os amonitas, e o SENHOR me deu a vitória sobre eles. E, por que vocês vieram para cá hoje? Para lutar contra mim?”
  49. Jefté reuniu então todos os homens de Gileade e lutou contra Efraim. Os gileaditas feriram os efraimitas porque estes tinham dito: “Vocês, gileaditas, são desertores de Efraim e de Manassés”.
  50. Os gileaditas tomaram as passagens do Jordão que conduziam a Efraim. Sempre que um fugitivo de Efraim dizia: “Deixem-me atravessar”, os homens de Gileade perguntavam: “Você é efraimita?”
  51. Se respondesse que não, diziam “Então diga: ‘Chibolete’”. Se ele dissesse: “Sibolete”, sem conseguir pronunciar corretamente a palavra, prendiam-no e matavam-no no lugar de passagem do Jordão.
  52. Quarenta e dois mil efraimitas foram mortos naquela ocasião.
  53. Jefté liderou Israel durante seis anos. Então o gileadita Jefté morreu, e foi sepultado numa cidade de Gileade.

Capítulo 36 – Manoá

  1. Depois de Jefté, Ibsã, de Belém, liderou Israel.
  2. Teve trinta filhos e trinta filhas. Deu suas filhas em casamento a homens de fora do seu clã, e trouxe para os seus filhos trinta mulheres de fora do seu clã. Ibsã liderou Israel durante sete anos.
  3. Então Ibsã morreu, e foi sepultado em Belém.
  4. Depois dele, Elom, da tribo de Zebulom, liderou Israel durante dez anos.
  5. Elom morreu, e foi sepultado em Aijalom, na terra de Zebulom.
  6. Depois dele, Abdom, filho de Hilel, de Piratom, liderou Israel.
  7. Teve quarenta filhos e trinta netos, que montavam setenta jumentos. Abdom liderou Israel durante oito anos.
  8. Então Abdom, filho de Hilel, morreu, e foi sepultado em Piratom, na terra de Efraim, na serra dos amalequitas.
  9. Os israelitas voltaram a fazer o que o SENHOR reprova, e por isso o SENHOR os entregou nas mãos dos filisteus durante quarenta anos.
  10. Certo homem de Zorá, chamado Manoá, do clã da tribo de Dã, tinha mulher estéril.
  11. Certo dia o anjo do SENHOR apareceu a ela e lhe disse: “Você é estéril, não tem filhos, mas engravidará e dará à luz um filho.
  12. Todavia, tenha cuidado, não beba vinho nem outra bebida fermentada, e não coma nada impuro.
  13. E não se passará navalha na cabeça do filho que você vai ter, porque o menino será nazireu, consagrado a Deus desde o nascimento; ele iniciará a libertação de Israel das mãos dos filisteus”.
  14. Então a mulher foi contar tudo ao seu marido: “Um homem de Deus veio falar comigo. Era como um anjo de Deus, de aparência impressionante.”
  15. “Não lhe perguntei de onde tinha vindo, e ele não me disse o seu nome, mas ele me assegurou: Você engravidará e dará à luz um filho.”
  16. “Todavia, não beba vinho nem outra bebida fermentada, e não coma nada impuro, porque o menino será nazireu, consagrado a Deus, desde o nascimento até o dia da sua morte”.
  17. Então Manoá orou ao SENHOR: “SENHOR, eu te imploro que o homem de Deus que enviaste volte para nos instruir sobre o que fazer com o menino que vai nascer”.
  18. Deus ouviu a oração de Manoá, e o anjo de Deus veio novamente falar com a mulher quando ela estava sentada no campo; Manoá, seu marido, não estava com ela.
  19. Mas ela foi correndo contar ao marido: “O homem que me apareceu outro dia está aqui!”
  20. Manoá levantou-se e seguiu a mulher. Quando se aproximou do homem, perguntou: “És tu o que falaste com a minha mulher?” “Sim”, disse ele.
  21. “Quando as suas palavras se cumprirem”, Manoá perguntou, “como devemos criar o menino? O que ele deverá fazer?”
  22. O Anjo do SENHOR respondeu: “Sua mulher terá que seguir tudo o que eu lhe ordenei.”
  23. “Ela não poderá comer nenhum produto da videira, nem vinho ou bebida fermentada, nem comer nada impuro. Terá que obedecer a tudo o que lhe ordenei”.
  24. Manoá disse ao Anjo do SENHOR: “Gostaríamos que ficasses conosco; queremos oferecer-te um cabrito”.
  25. O anjo do SENHOR respondeu: “Se eu ficar, não comerei nada. Mas, se você preparar um holocausto, ofereça-o ao SENHOR”. Manoá não sabia que ele era o anjo do SENHOR.
  26. Então Manoá perguntou ao anjo do SENHOR: “Qual é o teu nome, para que te prestemos homenagem quando se cumprir a tua palavra?”
  27. Ele respondeu: “Por que pergunta o meu nome? Meu nome está além do entendimento”.
  28. Então Manoá apanhou um cabrito e a oferta de cereal, e os ofereceu ao SENHOR sobre uma rocha. E o SENHOR fez algo estranho enquanto Manoá e sua mulher observavam.
  29. Quando a chama do altar subiu ao céu, o Anjo do SENHOR subiu na chama. Vendo isso, Manoá e à sua mulher prostraram-se, rosto em terra.
  30. Como o Anjo do SENHOR não voltou a manifestar-se a Manoá e à sua mulher, Manoá percebeu que era o Anjo do SENHOR.
  31. “Sem dúvida vamos morrer!” disse ele à mulher, “pois vimos a Deus!”
  32. Mas a sua mulher respondeu: “Se o SENHOR tivesse a intenção de nos matar, não teria aceitado o holocausto e a oferta de cereal das nossas mãos, nem nos teria mostrado todas essas coisas, nem nos teria revelado o que agora nos revelou”.
  33. A mulher deu à luz um menino e pôs-lhe o nome de Sansão. Ele cresceu, e o SENHOR o abençoou, e o Espírito do SENHOR começou a agir nele quando ele se achava em Maané-Dã, entre Zorá e Estaol.

Capítulo 37 – Sansão

  1. Sansão desceu a Timna e viu ali uma mulher do povo filisteu.
  2. Quando voltou para casa, disse a seu pai e a sua mãe: “Vi uma mulher filistéia em Timna; consigam essa mulher para ser minha esposa”.
  3. Seu pai e sua mãe lhe perguntaram: “Será que não há mulher entre os seus parentes ou entre todo o seu povo? Você tem que ir aos filisteus incircuncisos para conseguir esposa?”
  4. Sansão, porém, disse ao pai: “Consiga-a para mim. É ela que me agrada”.
  5. Seus pais não sabiam que isso vinha do SENHOR, que buscava ocasião contra os filisteus; pois naquela época eles dominavam Israel.
  6. Sansão foi para Timna com seu pai e sua mãe. Quando se aproximavam das vinhas de Timna, de repente um leão forte veio rugindo na direção dele.
  7. O Espírito do SENHOR apossou-se de Sansão, e ele, sem nada nas mãos, rasgou o leão como se fosse um cabrito. Mas não contou nem ao pai nem à mãe o que fizera.
  8. Então foi conversar com a mulher de quem gostava.
  9. Algum tempo depois, quando voltou para casar-se com ela, Sansão saiu do caminho para olhar o cadáver do leão, e nele havia um enxame de abelhas e mel.
  10. Tirou o mel com as mãos e o foi comendo pelo caminho. Quando voltou aos seus pais, repartiu com eles o mel, e eles também comeram. Mas não lhes contou que tinha tirado o mel do cadáver do leão.
  11. Seu pai desceu à casa da mulher, e Sansão deu ali uma festa, como era costume dos noivos.
  12. Quando ele chegou, trouxeram-lhe trinta rapazes para o acompanharem na festa.
  13. “Vou propor-lhes um enigma”, disse-lhes Sansão.”Se vocês puderem dar-me a resposta certa durante os sete dias da festa, então eu lhes darei trinta vestes de linho e trinta mudas de roupas.”
  14. “Se não conseguirem dar-me a resposta, vocês me darão trinta vestes de linho e trinta mudas de roupas.”
  15. “Proponha-nos o seu enigma”, disseram.”Vamos ouvi-lo.”
  16. Disse ele então: “Do que come saiu comida; do que é forte saiu doçura”. Durante três dias eles não conseguiram dar a resposta.
  17. No quarto dia disseram à mulher de Sansão: “Convença o seu marido a explicar o enigma. Caso contrário, poremos fogo em você e na família de seu pai, e vocês morrerão. Você nos convidou para nos roubar?”
  18. Então a mulher de Sansão implorou-lhe aos prantos: “Você me odeia! Você não me ama! Você deu ao meu povo um enigma, mas não me contou a resposta!”
  19. “Nem a meu pai e à minha mãe expliquei o enigma”, respondeu ele.”Por que deveria explicá-lo a você?”
  20. Ela chorou durante o restante da semana da festa. Por fim, no sétimo dia, ele lhe contou, pois ela continuava a perturbá-lo. Ela, por sua vez, revelou o enigma ao seu povo.
  21. Antes do pôr-do-sol do sétimo dia, os homens da cidade vieram lhe dizer: “O que é mais doce que o mel? O que é mais forte que o leão?”
  22. Sansão lhes disse:  “Se vocês não tivessem arado com a minha novilha, não teriam solucionado o meu enigma”.
  23. Então o Espírito do SENHOR apossou-se de Sansão. Ele desceu a Ascalom, matou trinta homens, pegou as suas roupas e as deu aos que tinham explicado o enigma. Depois, enfurecido, foi para a casa do seu pai.
  24. E a mulher de Sansão foi dada ao amigo que tinha sido o acompanhante dele no casamento.
  25. Algum tempo depois, na época da colheita do trigo, Sansão foi visitar a sua mulher e levou-lhe um cabrito.
  26. “Vou ao quarto da minha mulher”, disse ele. Mas o pai dela não quis deixá-lo entrar.
  27. Ele disse: “Eu estava tão certo de que você a odiava, que a dei ao seu amigo. A sua irmã mais nova não é mais bonita? Fique com esta no lugar da irmã”.
  28. Sansão lhes disse: “Desta vez ninguém poderá me culpar quando acertar as contas com os filisteus!”
  29. Então saiu, capturou trezentas raposas e as amarrou aos pares pela cauda.
  30. Depois prendeu uma tocha em cada par de caudas, acendeu as tochas e soltou as raposas no meio das plantações dos filisteus.
  31. Assim ele queimou os feixes, o cereal que iam colher, e também as vinhas e os olivais.
  32. Os filisteus perguntaram: “Quem fez isso?”, responderam-lhes: “Foi Sansão, o genro do timnita, porque a sua mulher foi dada ao seu amigo”. Então os filisteus foram e queimaram a mulher e seu pai.
  33. Sansão lhes disse: “Já que fizeram isso, não sossegarei enquanto não me vingar de vocês”.
  34. Ele os atacou sem dó nem piedade e fez terrível matança. Depois desceu e ficou numa caverna da rocha de Etã.
  35. Os filisteus foram para Judá e lá acamparam, espalhando-se pelas proximidades de Leí.
  36. Os homens de Judá perguntaram: “Por que vocês vieram lutar contra nós?” Eles responderam: “Queremos levar Sansão amarrado, para tratá-lo como ele nos tratou”.
  37. Três mil homens de Judá desceram então à caverna da rocha de Etã e disseram a Sansão: “Você não sabe que os filisteus dominam sobre nós? Você viu o que nos fez?”
  38. Ele respondeu: “Fiz a eles apenas o que eles me fizeram”.
  39. Disseram-lhe: “Viemos amarrá-lo para entregá-lo aos filisteus”, e Sansão disse: “Jurem-me que vocês mesmos não me matarão”.
  40. “Certamente que não!”, responderam.”Somente vamos amarrá-lo e entregá-lo nas mãos deles. Não o mataremos.” E o prenderam com duas cordas novas e o fizeram sair da rocha.
  41. Quando ia chegando a Leí, os filisteus foram ao encontro dele aos gritos. Mas o Espírito do SENHOR apossou-se dele. As cordas em seus braços se tornaram como fibra de linho queimada, e os laços caíram das suas mãos.
  42. Encontrando a carcaça de um jumento, pegou a queixada e com ela matou mil homens.
  43. Disse ele então: “Com uma queixada de jumento fiz deles montões. Com uma queixada de jumento matei mil homens”.
  44. Quando acabou de falar, jogou fora a queixada; e o local foi chamado Ramate-Leí.
  45. Sansão estava com muita sede e clamou ao SENHOR: “Deste pela mão de teu servo esta grande vitória. Morrerei eu agora de sede para cair nas mãos dos incircuncisos?”
  46. Deus então abriu a rocha que há em Leí, e dela saiu água. Sansão bebeu, suas forças voltaram, e ele recobrou o ânimo. Por esse motivo essa fonte foi chamada En-Hacoré, e ainda lá está, em Leí.
  47. Sansão liderou Israel durante vinte anos no tempo do domínio dos filisteus.

Capítulo 38 – Dalila

  1. Certa vez Sansão foi a Gaza, viu ali uma prostituta, e passou a noite com ela.
  2. Disseram ao povo de Gaza: “Sansão está aqui!” Então cercaram o local e ficaram à espera dele a noite toda, junto à porta da cidade. Não se moveram a noite inteira, dizendo: “Ao amanhecer o mataremos”.
  3. Sansão, porém, ficou deitado só até à meia-noite. Levantou-se, agarrou firme a porta da cidade, juntamente com os dois batentes, e os arrancou, com tranca e tudo.
  4. Pôs tudo nos ombros e levou ao topo da colina que fica defronte de Hebrom.
  5. Depois dessas coisas, ele se apaixonou por uma mulher do vale de Soreque, chamada Dalila.
  6. Os líderes dos filisteus foram dizer a ela: “Veja se você consegue induzi-lo a mostrar-lhe o segredo da sua grande força e como poderemos dominá-lo, para que o amarremos e o subjuguemos. Cada um de nós dará a você treze quilos de prata”.
  7. Disse, pois, Dalila a Sansão: “Conte-me, por favor, de onde vem a sua grande força e como você pode ser amarrado e subjugado”.
  8. Respondeu-lhe Sansão: “Se alguém me amarrar com sete tiras de couro ainda úmidas, ficarei tão fraco quanto qualquer outro homem”.
  9. Então os líderes dos filisteus trouxeram a ela sete tiras de couro ainda úmidas, e Dalila o amarrou com elas.
  10. Tendo homens escondidos no quarto, ela o chamou: “Sansão, os filisteus o estão atacando!”
  11. Mas ele arrebentou as tiras de couro como se fossem um fio de estopa que chega perto do fogo. Assim, não se descobriu de onde vinha a sua força.
  12. Disse Dalila a Sansão: “Você me fez de boba; mentiu para mim! Agora conte-me, por favor, como você pode ser amarrado”.
  13. Ele disse: “Se me amarrarem firmemente com cordas que nunca tenham sido usadas, ficarei tão fraco quanto qualquer outro homem”.
  14. Dalila o amarrou com cordas novas. Depois, tendo homens escondidos no quarto, ela o chamou: “Sansão, os filisteus o estão atacando!” Mas ele arrebentou as cordas de seus braços como se fossem uma linha.
  15. Disse Dalila a Sansão: “Até agora você me fez de boba e mentiu para mim. Diga-me como pode ser amarrado”.
  16. Ele respondeu: “Se você tecer num pano as sete tranças da minha cabeça e o prender com uma lançadeira, ficarei tão fraco quanto qualquer outro homem”.
  17. Assim, quando ele dormia, Dalila teceu as sete tranças da sua cabeça num pano e o prendeu com a lançadeira. Novamente ela o chamou: “Sansão, os filisteus estão vindo sobre você!”
  18. Ele despertou do sono e arrancou a lançadeira e o tear, junto com os fios do tear.
  19. Então ela lhe disse: “Como você pode dizer que me ama, se não confia em mim? Esta é a terceira vez que você me fez de boba e não contou o segredo da sua grande força”.
  20. Importunando-o o tempo todo, ela o esgotava dia após dia, ficando ele a ponto de morrer.
  21. Por isso ele lhe contou o segredo: “Jamais se passou navalha em minha cabeça”, disse ele, “pois sou nazireu, desde o ventre materno. Se fosse rapado o cabelo da minha cabeça, a minha força se afastaria de mim, e eu ficaria tão fraco quanto qualquer outro homem”.
  22. Quando Dalila viu que Sansão lhe tinha contado todo o segredo, enviou esta mensagem aos líderes dos filisteus: “Subam mais esta vez; pois ele me contou todo o segredo”. Os líderes dos filisteus voltaram a ela levando a prata.
  23. Fazendo-o dormir no seu colo, ela chamou um homem para cortar as sete tranças do cabelo dele, e assim começou a subjugá-lo. E a sua força o deixou.
  24. Então ela chamou: “Sansão, os filisteus o estão atacando!” Ele acordou do sono e pensou: “Sairei como antes e me livrarei”. Mas não sabia que o SENHOR o tinha deixado.
  25. Os filisteus o prenderam, furaram os seus olhos e o levaram para Gaza. Prenderam-no com algemas de bronze, e o puseram a girar um moinho na prisão.
  26. Mas, logo o cabelo da sua cabeça começou a crescer de novo.
  27. Então os líderes dos filisteus se reuniram para oferecer um grande sacrifício a seu deus Dagom e para festejar, comemorando: “O nosso deus entregou o nosso inimigo Sansão em nossas mãos”.
  28. Quando o povo o viu, louvou o seu deus: “O nosso deus nos entregou o nosso inimigo, o devastador da nossa terra, aquele que multiplicava os nossos mortos”.
  29. Com o coração cheio de alegria, gritaram: “Tragam-nos Sansão para nos divertir!” E mandaram trazer Sansão da prisão, e ele os divertia.
  30. Quando o puseram entre as colunas, Sansão disse ao jovem que o guiava pela mão: “Ponha-me onde eu possa apalpar as colunas que sustentam o templo, para que eu me apoie nelas”.
  31. Homens e mulheres lotavam o templo; todos os líderes dos filisteus estavam presentes, e no alto, na galeria, havia cerca de três mil homens e mulheres vendo Sansão, que os divertia.
  32. E Sansão orou ao SENHOR: “Ó Soberano SENHOR, lembra-te de mim! Ó Deus, eu te suplico, dá-me forças, mais uma vez, e faze com que eu me vingue dos filisteus por causa dos meus dois olhos!”
  33. Então Sansão forçou as duas colunas centrais sobre as quais o templo se firmava.
  34. Apoiando-se nelas, tendo a mão direita numa coluna e a esquerda na outra, disse: “Que eu morra com os filisteus!”
  35. Então, ele as empurrou com toda a força, e o templo desabou sobre os líderes e sobre todo o povo que ali estava. Assim, na sua morte, Sansão matou mais homens do que em toda a sua vida.
  36. Foram então os seus irmãos e toda a família do seu pai para buscá-lo. Trouxeram-no e o sepultaram entre Zorá e Estaol, no túmulo de Manoá, seu pai. Sansão liderou Israel durante vinte anos.

Capítulo 39 – Mica

  1. Havia um homem chamado Mica, dos montes de Efraim, que disse certa vez à sua mãe: “Os treze quilos de prata que lhe foram roubados e pelos quais eu a ouvi pronunciar uma maldição. Na verdade a prata está comigo; eu a peguei”.
  2. Disse-lhe sua mãe: “O SENHOR o abençoe, meu filho!”
  3. Quando ele devolveu os treze quilos de prata à mãe, ela disse: “Consagro solenemente a minha prata ao SENHOR para que o meu filho faça uma imagem esculpida e um ídolo de metal. Eu a devolvo a você”.
  4. Mas ele devolveu a prata à sua mãe, e ela separou dois quilos e quatrocentos gramas, e os deu a um ourives, que deles fez a imagem e o ídolo. E estes foram postos na casa de Mica.
  5. Ora, esse homem, Mica, possuía um santuário, e fez um manto sacerdotal e alguns ídolos da família e pôs um dos seus filhos como seu sacerdote.
  6. Naquela época não havia rei em Israel; cada um fazia o que lhe parecia certo.
  7. Um jovem levita de Belém de Judá, procedente do clã de Judá, saiu daquela cidade em busca de outro lugar para morar. Em sua viagem, chegou à casa de Mica, nos montes de Efraim.
  8. Mica lhe perguntou: “De onde você vem?”
  9. “Sou levita, de Belém de Judá”, respondeu ele.”Estou procurando um lugar para morar.”
  10. “Fique comigo”, disse-lhe Mica.”Seja meu pai e sacerdote, e eu lhe darei cento e vinte gramas de prata por ano, roupas e comida.”
  11. O jovem levita concordou em ficar com Mica, e tornou-se como um dos seus filhos.
  12. Mica acolheu o levita, e o jovem se tornou seu sacerdote, e ficou morando em sua casa.
  13. E Mica disse: “Agora sei que o SENHOR me tratará com bondade, pois esse levita se tornou meu sacerdote”.
  14. Naquela época não havia rei em Israel, e a tribo de Dã estava procurando um local onde estabelecer-se, pois ainda não tinha recebido herança entre as tribos de Israel.
  15. Então enviaram cinco guerreiros de Zorá e de Estaol para espionarem a terra e explorá-la. Esses homens representavam todos os clãs da tribo. Disseram-lhes: “Vão, explorem a terra”.
  16. Os homens chegaram aos montes de Efraim e foram à casa de Mica, onde passaram a noite.
  17. Quando estavam perto da casa de Mica, reconheceram a voz do jovem levita; aproximaram-se e lhe perguntaram: “Quem o trouxe para cá? O que você está fazendo neste lugar? Por que você está aqui?”
  18. O jovem lhes contou o que Mica fizera por ele, e disse: “Ele me contratou, e eu sou seu sacerdote”.
  19. Então eles lhe pediram: “Pergunte a Deus, se a nossa viagem será bem sucedida”.
  20. O sacerdote lhes respondeu: “Vão em paz. Sua viagem tem a aprovação do SENHOR”.
  21. Os cinco homens partiram e chegaram a Laís, onde viram que o povo vivia em segurança, como os sidônios, despreocupado e tranqüilo, e que gozava prosperidade, pois a sua terra não lhe deixava faltar nada.
  22. Viram também que o povo vivia longe dos sidônios e não tinha relações com nenhum outro povo.
  23. Quando voltaram a Zorá e a Estaol, seus irmãos lhes perguntaram: “O que descobriram?”
  24. Eles responderam: “Vamos atacá-los! Vimos que a terra é muito boa. Vocês vão ficar aí sem fazer nada? Não hesitem em ir apossar-se dela.
  25. Chegando lá, vocês encontrarão um povo despreocupado e uma terra espaçosa que Deus pôs nas mãos de vocês, terra onde não falta coisa alguma!”
  26. Então seiscentos homens da tribo de Dã, partiram de Zorá e de Estaol, armados para guerra.
  27. Na viagem armaram acampamento perto de Quiriate-Jearim, em Judá. É por isso que até hoje o local, a oeste de Quiriate-Jearim, é chamado Maané-Dã.
  28. Dali foram para os montes de Efraim e chegaram à casa de Mica.
  29. Os cinco homens que haviam espionado a terra de Laís disseram a seus irmãos: “Vocês sabiam que numa dessas casas há um manto sacerdotal, ídolos da família, uma imagem esculpida e um ídolo de metal? Agora vocês sabem o que devem fazer”.
  30. Então eles se aproximaram e foram à casa do jovem levita, à casa de Mica, e o saudaram.
  31. Os seiscentos homens de Dã, armados para a guerra, ficaram junto à porta.
  32. Os cinco homens que haviam espionado a terra entraram e apanharam a imagem, o manto sacerdotal, os ídolos da família e o ídolo de metal, enquanto o sacerdote e os seiscentos homens armados permaneciam à porta.
  33. Quando os homens entraram na casa de Mica e apanharam a imagem, o manto sacerdotal, os ídolos da família e o ídolo de metal, o sacerdote lhes perguntou: “Que é que vocês estão fazendo?”
  34. Eles lhe responderam: “Silêncio! Não diga nada. Venha conosco, e seja nosso pai e sacerdote. Não será melhor para você servir como sacerdote uma tribo e um clã de Israel do que apenas a família de um só homem?”
  35. Então o sacerdote se alegrou, apanhou o manto sacerdotal, os ídolos da família e a imagem esculpida e se juntou à tropa.
  36. Pondo os seus filhos, os seus animais e os seus bens na frente deles, partiram de volta.
  37. Quando já estavam a certa distância da casa, os homens que moravam perto de Mica foram convocados e alcançaram os homens de Dã.
  38. Como vinham gritando atrás deles, estes se voltaram e perguntaram a Mica: “Qual é o seu problema? Por quê convocou os seus homens para lutar?”
  39. Ele respondeu: “Vocês estão levando embora os deuses que fiz e o meu sacerdote. O que me sobrou? Como é que ainda podem perguntar: Qual é o seu problema?”
  40. Os homens de Dã responderam: “Não discuta conosco, senão alguns homens de temperamento violento o atacarão, e você e a sua família perderão a vida”.
  41. E assim os homens de Dã seguiram seu caminho. Vendo que eles eram fortes demais para ele, Mica virou-se e voltou para casa.
  42. Os homens de Dã levaram o que Mica fizera e o seu sacerdote, e foram para Laís, lugar de um povo pacífico e despreocupado. Eles mataram todos ao fio da espada e queimaram a cidade.
  43. Não houve quem os livrasse, pois viviam longe de Sidom e não tinham relações com nenhum outro povo.
  44. A cidade ficava num vale que se estende até Bete-Reobe. Os homens de Dã reconstruíram a cidade e se estabeleceram nela.
  45. Deram à cidade anteriormente chamada Laís o nome de Dã, em homenagem a seu antepassado Dã, filho de Israel.
  46. Eles levantaram para si o ídolo, e Jônatas, filho de Gérson, neto de Moisés, e os seus filhos foram sacerdotes da tribo de Dã até que o povo foi para o exílio.
  47. Ficaram com o ídolo feito por Mica durante todo o tempo em que o santuário de Deus esteve em Siló.

Capítulo 40 – Benjamitas

  1. Naquela época não havia rei em Israel. Aconteceu que um levita que vivia nos montes de Efraim, numa região afastada, tomou para si uma concubina, que era de Belém de Judá.
  2. Mas ela lhe foi infiel. Deixou-o e voltou para a casa do seu pai, em Belém de Judá.
  3. Quatro meses depois, seu marido foi convencê-la a voltar. Ele tinha levado o seu servo e dois jumentos. A mulher o levou para dentro da casa do seu pai, e quando seu pai o viu, alegrou-se.
  4. O sogro dele, pai da moça, o convenceu a ficar ali; e ele permaneceu com eles cinco dias; todos eles comendo, bebendo e dormindo ali.
  5. Não desejando ficar outra noite, o homem partiu rumo a Jebus, isto é, Jerusalém, com dois jumentos selados e com a sua concubina.
  6. Quando estavam perto de Jebus e já se findava o dia, o servo disse a seu senhor: “Venha. Vamos parar nesta cidade dos jebuseus e passar a noite aqui”.
  7. O seu senhor respondeu: “Não. Não vamos entrar numa cidade estrangeira, cujo povo não seja israelita. Iremos para Gibeá. Ande! Vamos tentar chegar a Gibeá ou a Ramá e passar a noite num desses lugares”.
  8. Então prosseguiram, e o sol se pôs quando se aproximavam de Gibeá de Benjamim. Ali entraram para passar a noite. Foram sentar-se na praça da cidade. E ninguém os convidou para passarem a noite em casa.
  9. Naquela noite um homem idoso procedente dos montes de Efraim e que estava morando em Gibeá, os homens do lugar eram benjamitas, voltou do seu trabalho no campo.
  10. “Você é bem-vindo em minha casa”, disse o homem idoso.”Vou atendê-lo no que você precisar. Não passe a noite na praça.”
  11. Ele os levou para a sua casa e alimentou os jumentos. Depois de lavarem os pés, comeram e beberam alguma coisa.
  12. Quando estavam entretidos, alguns vadios da cidade cercaram a casa.
  13. Esmurrando a porta, gritaram para o homem idoso, dono da casa: “Traga para fora o homem que entrou na sua casa para que tenhamos relações com ele!”
  14. O dono da casa saiu e lhes disse: “Não sejam tão perversos, meus amigos. Já que esse homem é meu hóspede, não cometam essa loucura.”
  15. “Vejam, aqui está minha filha virgem e a concubina do meu hóspede. Eu as trarei para vocês, e vocês poderão usá-las e fazer com elas o que quiserem.
  16. “Mas, nada façam com esse homem, não cometam tal loucura!”
  17. Mas os homens não quiseram ouvi-lo. Então o levita mandou a sua concubina para fora, e eles a violentaram e abusaram dela a noite toda. Ao alvorecer a deixaram.
  18. Ao romper do dia a mulher voltou para a casa onde o seu senhor estava hospedado, caiu junto à porta e ali ficou até o dia clarear.
  19. Quando o seu senhor se levantou de manhã, abriu a porta da casa e saiu para prosseguir viagem, lá estava a sua concubina, caída à entrada da casa, com as mãos na soleira da porta.
  20. Ele lhe disse: “Levante-se, vamos!”, mas não houve resposta. Então o homem a pôs em seu jumento e foi para casa.
  21. Quando chegou em casa, apanhou uma faca e cortou o corpo da sua concubina em doze partes, e as enviou a todas as regiões de Israel.
  22. Todos os que viram isso disseram: “Nunca se viu nem se fez uma coisa dessas desde o dia em que os israelitas saíram do Egito. Pensem! Reflitam! Digam o que se deve fazer!”
  23. Então todos os israelitas, de Dã a Berseba, e de Gileade, saíram como um só homem e se reuniram em assembleia perante o SENHOR em Mispá.
  24. Os líderes de todo o povo das tribos de Israel tomaram seus lugares na assembleia do povo de Deus, quatrocentos mil soldados armados de espada.
  25. Os israelitas perguntaram: “Como aconteceu essa perversidade?”
  26. Então o levita, marido da mulher assassinada, contou o ocorrido e pediu a todo os israelitas que se manifestassem-se e dessem o seu veredicto.
  27. Todo o povo se levantou como se fosse um só homem, dizendo: “Nenhum de nós irá para casa. Nenhum de nós voltará para o seu lar.”
  28. E todos os israelitas se ajuntaram e se uniram como um só homem contra a cidade.
  29. As tribos de Israel enviaram homens a toda a tribo de Benjamim, dizendo: “Entreguem esses canalhas de Gibeá, para que os matemos e eliminemos esse mal de Israel”
  30. Mas os benjamitas não quiseram ouvir os israelitas. Vindos de suas cidades, reuniram-se em Gibeá para lutar contra eles.
  31. Naquele dia os benjamitas mobilizaram vinte e seis mil homens armados de espada que vieram das suas cidades, além dos setecentos melhores soldados que viviam em Gibeá.
  32. Dentre todos esses soldados havia setecentos canhotos, muito hábeis, e cada um deles podia atirar uma pedra com a funda num cabelo sem errar.
  33. Os israelitas subiram a Betel e consultaram a Deus.”Quem de nós irá lutar primeiro contra os benjamitas?”, perguntaram. O SENHOR respondeu: “Judá irá primeiro”.
  34. Na manhã seguinte os israelitas se levantaram e armaram acampamento perto de Gibeá.
  35. Os homens de Israel saíram para lutar contra os benjamitas e tomaram posição de combate contra eles em Gibeá, mas os benjamitas saíram de Gibeá e naquele dia mataram vinte e dois mil israelitas em batalha.
  36. Os israelitas subiram e choraram perante o SENHOR até a tarde, e consultaram o SENHOR: “Devemos atacar de novo os nossos irmãos benjamitas?” O SENHOR respondeu: “Vocês devem atacar”.
  37. Então os israelitas avançaram contra os benjamitas no segundo dia. Dessa vez, quando os benjamitas saíram de Gibeá para enfrentá-los, derrubaram outros dezoito mil israelitas armados de espada.
  38. Então todos os israelitas subiram a Betel, e ali se assentaram, chorando perante o SENHOR.  Naqueles dias a arca da aliança estava ali, e Finéias, filho de Eleazar, filho de Arão, ministrava perante ela.
  39. Os israelitas jejuaram até à tarde e apresentaram holocaustos e ofertas de comunhão; e consultaram o SENHOR: “Sairemos de novo ou não, para lutar contra os nossos irmãos benjamitas?” O SENHOR respondeu: “Vão, pois amanhã eu os entregarei nas suas mãos”.
  40. Então os israelitas armaram uma emboscada em torno de Gibeá. Avançaram contra os benjamitas no terceiro dia e tomaram posição contra Gibeá, como tinham feito antes.
  41. Os benjamitas saíram para enfrentá-los e foram atraídos para longe da cidade.
  42. Todos os homens de Israel saíram dos seus lugares e ocuparam posições em Baal-Tamar, e a emboscada israelita atacou da sua posição a oeste de Gibeá enquanto dez mil dos melhores soldados de Israel iniciaram um ataque frontal.
  43. Os da emboscada avançaram repentinamente para dentro de Gibeá, espalharam-se e mataram todos os habitantes da cidade à espada.
  44. Quando a coluna de fumaça começou a se levantar da cidade, os homens de Benjamim ficaram apavorados, pois perceberam que a sua desgraça havia chegado.
  45. Dezoito mil benjamitas morreram, todos eles soldados valentes. Dos que fugiram rumo ao deserto, para a rocha de Rimom, os israelitas abateram cinco mil homens ao longo das estradas.
  46. Até Gidom eles pressionaram os benjamitas e mataram mais de dois mil homens.
  47. Naquele dia vinte e cinco mil benjamitas que portavam espada morreram.
  48. Os israelitas voltaram a Benjamim e passaram todas as cidades à espada, matando inclusive os animais e tudo o que encontraram nelas. E incendiaram todas as cidades por onde passaram.
  49. Seiscentos benjamitas fugiram para o deserto, para a rocha de Rimom, onde ficaram durante quatro meses, mas os israelitas fizeram juramento em Mispá: “Nenhum de nós dará sua filha em casamento a um benjamita”.
  50. O povo foi a Betel, onde esteve sentado perante o SENHOR até à tarde, chorando bem alto e amargamente: “Ó SENHOR, Deus de Israel, por que aconteceu isso em Israel? Por que teria que faltar hoje uma tribo em Israel?”
  51. Na manhã do dia seguinte o povo se levantou cedo, construiu um altar e apresentou holocaustos e ofertas de comunhão.
  52. Os israelitas prantearam pelos seus irmãos benjamitas.”Hoje uma tribo foi eliminada de Israel”, diziam.
  53. “Como poderemos conseguir mulheres para os sobreviventes, visto que juramos pelo SENHOR não lhes dar em casamento nenhuma de nossas filhas?”
  54. Então perguntaram: “Qual das tribos de Israel deixou de reunir-se perante o SENHOR em Mispá?”
  55. Quando contaram o povo, verificaram que ninguém do povo de Jabes-Gileade estava ali.
  56. Então a comunidade enviou doze mil homens de guerra com instruções para irem a Jabes-Gileade e matarem à espada todos os que viviam lá, inclusive mulheres e crianças.
  57. Entre o povo que vivia em Jabes-Gileade encontraram quatrocentas moças virgens e as levaram para o acampamento de Siló, em Canaã.
  58. Depois a comunidade toda enviou uma oferta de comunhão aos benjamitas que estavam na rocha de Rimom.
  59. Os benjamitas voltaram naquela ocasião e receberam as mulheres de Jabes-Gileade que tinham sido poupadas. Mas não havia suficientes mulheres para todos eles.
  60. Há, porém, a festa anual do SENHOR em Siló, ao norte de Betel, a leste da estrada que vai de Betel a Siquém, e ao sul de Lebona”.
  61. Então mandaram para lá os benjamitas, dizendo: “Vão, escondam-se nas vinhas e fiquem observando. Quando as moças de Siló forem para as danças, saiam correndo das vinhas e cada um de vocês apodere-se de uma das moças de Siló e vá para a terra de Benjamim.”
  62. “Quando os pais ou irmãos delas se queixarem a nós diremos: Tenham misericórdia deles, pois não conseguimos mulheres para eles durante a guerra, e vocês são inocentes, visto que não lhes deram suas filhas”.
  63. Foi o que os benjamitas fizeram. Quando as moças estavam dançando, cada homem tomou uma para fazer dela sua mulher. Depois voltaram para a sua herança, reconstruíram as cidades e se estabeleceram nelas.
  64. Na mesma ocasião os israelitas saíram daquele local e voltaram para as suas tribos e para os seus clãs, cada um para a sua própria herança.
  65. Naquela época não havia rei em Israel; cada um fazia o que lhe parecia certo.

Capítulo 41 – Rute

  1. Na época dos juízes houve fome na terra. Um homem de Belém de Judá, com a mulher e os dois filhos, foi viver por algum tempo nas terras de Moabe.
  2. O homem chamava-se Elimeleque, sua mulher Noemi e seus dois filhos Malom e Quiliom. Eles eram efrateus de Belém de Judá. Chegaram a Moabe, e lá ficaram.
  3. Morreu Elimeleque, marido de Noemi, e ela ficou sozinha, com seus dois filhos.
  4. Eles se casaram com mulheres moabitas, uma chamada Orfa e a outra Rute. Depois de terem morado lá por quase dez anos, morreram também Malom e Quiliom, e Noemi ficou sozinha, sem os dois filhos e o seu marido.
  5. Quando Noemi soube em Moabe que o SENHOR viera em auxílio do seu povo, dando-lhe alimento, decidiu voltar com suas duas noras para a sua terra.
  6. Assim ela, com as duas noras, partiu do lugar onde tinha morado.
  7. Enquanto voltavam para a terra de Judá, Noemi disse às duas noras: “Vão! Voltem para a casa de suas mães! Que o SENHOR seja leal com vocês, como vocês foram leais com os falecidos e comigo.
  8. “O SENHOR conceda que cada uma de vocês encontre segurança no lar doutro marido”. Então deu-lhes beijos de despedida.
  9. Elas começaram a chorar bem alto e lhe disseram: “Não! Voltaremos com você para junto de seu povo!”
  10. Disse, porém, Noemi: “Voltem, minhas filhas! Por que viriam comigo? Poderia eu ainda ter filhos, que viessem a ser seus maridos? Voltem, minhas filhas! Vão! Estou velha demais para ter outro marido.”
  11. “E mesmo que eu pensasse que ainda há esperança para mim — ainda que eu me casasse esta noite e depois desse à luz filhos, iriam vocês esperar até que eles crescessem?”
  12. “Ficariam sem se casar à espera deles? De jeito nenhum minhas filhas! Para mim é mais amargo do que para vocês, pois a mão do SENHOR voltou-se contra mim!”
  13. Elas então começaram a choram bem alto de novo. Depois Orfa deu um beijo de despedida em sua sogra, mas Rute ficou com ela.
  14. Então Noemi a aconselhou: “Veja, sua concunhada está voltando para o seu povo e para o seu deus. Volte com ela!”
  15. Rute, porém, respondeu: “Não insistas comigo que te deixe e não mais a acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus!”
  16. “Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada. Que o SENHOR me castigue com todo o rigor, se outra coisa que não a morte me separar de ti!”
  17. Quando Noemi viu que Rute estava de fato decidida a acompanhá-la, não insistiu mais.
  18. Prosseguiram, pois, as duas até Belém. Ali chegando, todo o povoado ficou alvoroçado por causa delas.”Será que é Noemi?”, perguntavam as mulheres.
  19. Mas ela respondeu: “Não me chamem Noemi, chamem-me Mara, pois o Todo-poderoso tornou minha vida muito amarga!”
  20. “De mãos cheias eu parti; mas de mãos vazias o SENHOR me trouxe de volta. Por que me chamam Noemi? O SENHOR colocou-se contra mim! O Todo-poderoso me trouxe desgraça!”
  21. Foi assim que Noemi voltou das terras de Moabe, com sua nora Rute, a moabita. Elas chegaram a Belém no início da colheita da cevada.
  22. Noemi tinha um parente por parte do marido. Era um homem rico e influente, pertencia ao clã de Elimeleque e chamava-se Boaz.
  23. Rute, a moabita, disse a Noemi: “Vou recolher espigas no campo daquele que me permitir”.”Vá, minha filha”, respondeu-lhe Noemi.
  24. Então ela foi e começou a recolher espigas atrás dos ceifeiros. Por acaso entrou justamente na parte da plantação que pertencia a Boaz, que era do clã de Elimeleque.
  25. Naquele exato momento, Boaz chegou de Belém e saudou os ceifeiros: “O SENHOR esteja com vocês!” Eles responderam: “O SENHOR te abençoe!”
  26. Boaz perguntou ao capataz dos ceifeiros: “A quem pertence aquela moça?”
  27. O capataz respondeu: “É uma moabita que voltou de Moabe com Noemi.”
  28. “Ela me pediu que a deixasse recolher e juntar espigas entre os feixes, após os ceifeiros. Ela chegou cedo e está de pé até agora. Só sentou-se um pouco no abrigo”.
  29. Disse então Boaz a Rute: “Ouça bem, minha filha, não vá colher noutra lavoura, nem se afaste daqui. Fique com minhas servas.”
  30. “Preste atenção onde os homens estão ceifando, e vá atrás das moças que vão colher. Darei ordem aos rapazes para que não toquem em você. Quando tiver sede, beba da água dos potes que os rapazes encheram”.
  31. Ela se inclinou e, prostrada rosto em terra, exclamou: “Por que achei favor a seus olhos, a ponto de o senhor se importar comigo, uma estrangeira?”
  32. Boaz respondeu: “Contaram-me tudo o que você tem feito por sua sogra, depois que você perdeu o marido: como deixou seu pai, sua mãe e sua terra natal para viver com um povo que pouco conhecia.
  33. O SENHOR lhe retribua o que você tem feito! Que você seja ricamente recompensada pelo SENHOR, o Deus de Israel, sob cujas asas você veio buscar refúgio!”
  34. E disse ela: “Continue eu a ser bem acolhida, meu senhor! O senhor me deu ânimo e encorajou sua serva — e eu sequer sou como uma de suas servas!”
  35. Na hora da refeição, Boaz lhe disse: “Venha cá! Pegue um pedaço de pão e molhe-o no vinagre”.
  36. Quando ela se sentou junto aos ceifeiros, Boaz lhe ofereceu grãos tostados. Ela comeu até ficar satisfeita e ainda sobrou.
  37. Quando ela se levantou para recolher, Boaz deu estas ordens a seus servos: “Mesmo que ela recolha entre os feixes, não a repreendam!”
  38. “Pelo contrário, quando estiverem colhendo, tirem para ela algumas espigas dos feixes e deixem-nas cair para que ela as recolha, e não a impeçam”.
  39. E assim Rute colheu na lavoura até o entardecer. Depois debulhou o que tinha ajuntado: quase uma arroba de cevada.
  40. Carregou-o para o povoado, e sua sogra viu o quanto ela havia recolhido quando Rute trouxe e lhe ofereceu o que havia sobrado da refeição.
  41. “Onde você colheu hoje?”, a sogra lhe perguntou: “Onde trabalhou? Bendito seja aquele que se importou com você!”
  42. Então Rute contou à sogra com quem tinha trabalhado: “O nome do homem com quem trabalhei hoje é Boaz”.
  43. E Noemi exclamou: “Seja ele abençoado pelo SENHOR, que não deixa de ser leal e bondoso com os vivos e com os mortos! Aquele homem é nosso parente; é um de nossos resgatadores!”
  44. Continuou Rute, a moabita: “Pois ele mesmo me disse também: Fique com os meus ceifeiros até que terminem toda a minha colheita”.
  45. E Noemi aconselhou à sua nora Rute: “É melhor mesmo você ir com as servas dele, minha filha. Noutra lavoura poderiam molestá-la”.
  46. Assim Rute ficou com as servas de Boaz para recolher espigas, até acabarem as colheitas de cevada e de trigo. Entretanto, ela ficou morando com a sua sogra.
  47. Certo dia, Noemi, sua sogra, lhe disse: “Minha filha, tenho que procurar um lar seguro, para sua felicidade.”
  48. “Boaz, aquele com cujas servas você esteve, é nosso parente próximo. Esta noite ele estará limpando cevada na eira.”
  49. “Lave-se, perfume-se, vista sua melhor roupa e desça para a eira. Mas não deixe que ele perceba você até que tenha comido e bebido.”
  50. “Quando ele for dormir, note bem o lugar em que ele se deitar. Então vá, descubra os pés dele e deite-se. Ele lhe dirá o que fazer”.
  51. Respondeu Rute: “Farei tudo o que você está me dizendo”.
  52. Então ela desceu para a eira e fez tudo o que a sua sogra lhe tinha recomendado.
  53. Quando Boaz terminou de comer e beber, ficou alegre e foi deitar-se perto do monte de grãos. Rute aproximou-se sem ser notada, descobriu os pés dele, e deitou-se.
  54. No meio da noite, o homem acordou de repente. Ele se virou e assustou-se ao ver uma mulher deitada a seus pés.
  55. “Quem é você?”, perguntou ele.”Sou sua serva Rute”, disse ela.”Estenda a sua capa sobre a sua serva, pois o senhor é resgatador.”
  56. Boaz lhe respondeu: “O SENHOR a abençoe, minha filha! Este seu gesto de bondade é ainda maior do que o primeiro, pois você poderia ter ido atrás dos mais jovens, ricos ou pobres!”
  57. “Agora, minha filha, não tenha medo; farei por você tudo o que me pedir. Todos os meus concidadãos sabem que você é mulher virtuosa.”
  58. “É verdade que sou resgatador, mas há um outro que é parente mais próximo do que eu. Passe a noite aqui. De manhã veremos: se ele quiser resgatá-la, muito bem, que resgate.”
  59. “Se ele não quiser, juro pelo nome do SENHOR que eu a resgatarei. Deite-se aqui até de manhã”.
  60. Ela ficou deitada aos pés dele até de manhã, mas levantou-se antes de clarear a ponto de alguém poder ser reconhecido. Boaz pensou: “Ninguém deve saber que esta mulher esteve na eira”.
  61. Por isso disse: “Traga-me o manto que você está usando e segure-o”. Ela o segurou, e o homem despejou nele seis medidas de cevada e o pôs sobre os ombros dela. Depois ele voltou para a cidade.
  62. Quando Rute voltou à sua sogra, esta lhe perguntou: “Como foi, minha filha?”
  63. Rute lhe contou tudo o que Boaz lhe tinha feito, e acrescentou: “Ele me deu estas seis medidas de cevada, dizendo: Não volte para a sua sogra de mãos vazias”.
  64. Disse então Noemi: “Agora espere, minha filha, até saber o que acontecerá. Sem dúvida aquele homem não descansará enquanto não resolver esta questão hoje mesmo”.
  65. Enquanto isso, Boaz subiu à porta da cidade e sentou-se ali exatamente quando o resgatador que ele havia mencionado estava passando por ali.
  66. Boaz chamou-lhe e disse: “Meu amigo, venha cá e sente-se”. Ele foi e sentou-se.
  67. Boaz reuniu dez líderes da cidade e disse: “Sentem-se aqui”. Quando se sentaram. ele disse ao resgatador: “Noemi, que voltou de Moabe, está vendendo o pedaço de terra que pertencia ao nosso irmão Elimeleque.”
  68. “Pensei que devia trazer o assunto para a sua consideração e sugerir-lhe que o adquira, na presença destes que aqui estão sentados e na presença dos líderes do meu povo. Se quer resgatar esta propriedade, resgate-a.”
  69. “Se não, diga-me, para que eu o saiba. Pois ninguém tem esse direito, a não ser você; e depois eu”.
  70. “Eu a resgatarei”, respondeu ele. Boaz, porém, lhe disse: “No dia em que você adquirir as terras de Noemi e da moabita Rute, estará adquirindo também a viúva do falecido, para manter o nome dele em sua herança”.
  71. Diante disso, o resgatador respondeu: “Nesse caso não poderei resgatá-la, pois poria em risco a minha propriedade. Resgate-a você mesmo. Eu não poderei fazê-lo!”
  72. Antigamente, em Israel, para que o resgate e a transferência de propriedade fossem válidos, a pessoa tirava a sandália e a dava ao outro. Assim oficializavam os negócios em Israel.
  73. Quando, pois, o resgatador disse a Boaz: “Adquira-a você mesmo!”, ele também tirou a sandália.
  74. Então Boaz anunciou aos líderes e a todo o povo ali presente: “Vocês hoje são testemunhas de que estou adquirindo de Noemi toda a propriedade de Elimeleque, de Quiliom e de Malom.”
  75. Também estou adquirindo o direito de ter como mulher a moabita Rute, viúva de Malom, para manter o nome do falecido sobre a sua herança e para que o seu nome não desapareça do meio da sua família ou dos registros da cidade. Vocês hoje são testemunhas disso!”
  76. Os líderes e todos os que estavam na porta confirmaram: “Somos testemunhas! Faça o SENHOR com essa mulher que está entrando em sua família, como fez com Raquel e Lia, que juntas formaram as tribos de Israel.”
  77. Seja poderoso em Efrata e ganhe fama em Belém! E com os filhos que o SENHOR lhe conceder dessa jovem, seja a sua família como a de Perez, que Tamar deu a Judá!”
  78. Boaz casou-se com Rute, e ela se tornou sua mulher. Boaz a possuiu, e o SENHOR concedeu que ela engravidasse e desse à luz um filho.
  79. As mulheres disseram a Noemi: “Louvado seja o SENHOR, que hoje não a deixou sem resgatador! Que o seu nome seja celebrado em Israel!”
  80. “O menino lhe dará nova vida e a sustentará na velhice, pois é filho da sua nora, que a ama e que lhe é melhor do que sete filhos!”
  81. Noemi pôs o menino no colo, e passou a cuidar dele.
  82. As mulheres da vizinhança celebraram o seu nome e disseram: “Noemi tem um filho!” e lhe deram o nome de Obede. Este foi o pai de Jessé, pai de Davi.

Capítulo 42 – Eli

  1. Havia certo homem de Ramataim, zufita, dos montes de Efraim, chamado Elcana, filho de Jeroão, neto de Eliú e bisneto de Toú, filho do efraimita Zufe.
  2. Elcana tinha duas mulheres; uma se chamava Ana, e a outra Penina. Penina tinha filhos, Ana, porém, não tinha.
  3. Todos os anos esse homem subia de sua cidade a Siló para adorar e sacrificar ao SENHOR dos Exércitos. Lá, Hofni e Finéias, os dois filhos de Eli, eram sacerdotes do SENHOR.
  4. No dia em que Elcana oferecia sacrifícios, dava porções à sua mulher Penina e a todos os filhos e filhas dela.
  5. Mas a Ana dava uma porção dupla, porque a amava, mesmo que o SENHOR a houvesse deixado estéril. E porque o SENHOR a tinha deixado estéril, sua rival a provocava continuamente, a fim de irritá-la.
  6. Isso acontecia ano após ano. Sempre que Ana subia à casa do SENHOR, sua rival a provocava e ela chorava e não comia.
  7. Certa vez quando terminou de comer e beber em Siló, estando o sacerdote Eli sentado numa cadeira junto à entrada do santuário do SENHOR, Ana se levantou.
  8. Com a alma amargurada, chorou muito e orou ao SENHOR.
  9. Como Ana orava silenciosamente, seus lábios se mexiam mas não se ouvia sua voz, Eli pensou que ela estivesse embriagada.
  10. Ele lhe disse: “Até quando você continuará embriagada? Abandone o vinho!”
  11. Ana respondeu: “Não julgues tua serva uma mulher vadia; estou orando aqui até agora por causa de minha grande angústia e tristeza”.
  12. Eli respondeu: “Vá em paz, e que o Deus de Israel lhe conceda o que você pediu”.
  13. Na manhã seguinte, eles se levantaram e adoraram ao SENHOR; então voltaram para casa, em Ramá. Elcana teve relações com sua mulher Ana, e o SENHOR se lembrou dela.
  14. Assim Ana engravidou e, no devido tempo, deu à luz um filho. E deu-lhe o nome de Samuel, dizendo: “Eu o pedi ao SENHOR”.
  15. Quando no ano seguinte Elcana subiu com toda a família para oferecer o sacrifício anual ao SENHOR e para cumprir o seu voto,
  16. Ana não foi e disse a seu marido: “Depois que o menino for desmamado, eu o levarei e o apresentarei ao SENHOR, e ele morará ali para sempre”.
  17. Eles sacrificaram o novilho e levaram o menino a Eli, e ela lhe disse: “Meu senhor, juro por tua vida que eu sou a mulher que esteve aqui a teu lado, orando ao SENHOR.”
  18. “Era este menino que eu pedia, e o SENHOR concedeu-me o pedido. Por isso, agora, eu o dedico ao SENHOR. Por toda a sua vida será dedicado ao SENHOR”.
  19. Então Elcana voltou para casa em Ramá; e o menino começou a servir o SENHOR sob a direção do sacerdote Eli.
  20. Os filhos de Eli eram ímpios; não se importavam com o SENHOR nem cumpriam os deveres de sacerdotes para com o povo.
  21. Antes mesmo de queimarem a gordura, vinha o auxiliar do sacerdote e dizia ao homem que estava oferecendo o sacrifício: “Dê um pedaço desta carne para o sacerdote assar”.
  22. O pecado desses jovens era muito grande à vista do SENHOR, pois eles estavam tratando com desprezo a oferta do SENHOR.
  23. Samuel, contudo, ainda menino, ministrava perante o SENHOR, vestindo uma túnica de linho. Todos os anos sua mãe fazia uma pequena túnica e a levava para ele, quando subia a Siló com o marido para oferecer o sacrifício anual.
  24. O SENHOR foi bondoso com Ana; ela engravidou e deu à luz três filhos e duas filhas; enquanto isso, o menino Samuel crescia na presença do SENHOR.
  25. Eli, já bem idoso, ficou sabendo de tudo que seus filhos faziam a todo o Israel e que eles se deitavam com as mulheres que serviam na entrada da Tenda do Encontro.
  26. Por isso lhes perguntou: “Por que vocês fazem estas coisas? De todo o povo ouço a respeito do mal que vocês fazem. Não, meus filhos; não é bom o que escuto se espalhando entre o povo do SENHOR.
  27. “Se um homem pecar contra outro homem, os juízes poderão intervir em seu favor; mas, se pecar contra o SENHOR, quem intercederá por ele?”
  28. Seus filhos, contudo, não deram atenção à repreensão de seu pai, pois o SENHOR queria matá-los.
  29. E o menino Samuel continuava a crescer, sendo cada vez mais estimado pelo SENHOR e pelo povo.
  30. Certa noite, Eli, cujos olhos estavam ficando tão fracos que já não conseguia mais enxergar, estava deitado em seu lugar de costume.
  31. A lâmpada de Deus ainda não havia se apagado, e Samuel estava deitado no santuário do SENHOR, onde se encontrava a arca de Deus.
  32. Então o SENHOR chamou Samuel. Samuel respondeu: “Estou aqui”. Ele correu até Eli e disse: “Estou aqui; o senhor me chamou?” Eli, porém, disse: “Não o chamei; volte e deite-se”. Então, ele foi e se deitou.
  33. De novo o SENHOR chamou: “Samuel!” E Samuel se levantou e foi até Eli e disse: “Estou aqui; o senhor me chamou?” Disse Eli: “Meu filho, não o chamei; volte e deite-se”.
  34. Ora, Samuel ainda não conhecia o SENHOR. A palavra do SENHOR ainda não lhe havia sido revelada.
  35. O SENHOR chamou Samuel pela terceira vez. Ele se levantou, foi até Eli e disse: “Estou aqui; o senhor me chamou?”
  36. Então Eli percebeu que o SENHOR estava chamando o menino e lhe disse: “Vá e deite-se; se ele chamá-lo, diga: ‘Fala, SENHOR, pois o teu servo está ouvindo’”.
  37. Quando Samuel voltou se deitar. o SENHOR o chamou como nas outras vezes: “Samuel, Samuel!” Então Samuel disse: “Fala, pois o teu servo está ouvindo”. E naquela ocasião o SENHOR falou com Samuel.
  38. Samuel ficou deitado até de manhã e então abriu as portas da casa do SENHOR.
  39. Ele teve medo de contar a visão a Eli, mas este o chamou e disse: “Samuel, meu filho”.”Estou aqui”, respondeu Samuel.
  40. Eli perguntou: “O que o SENHOR lhe disse? Não esconda de mim. Deus o castigue, e o faça com muita severidade, se você esconder de mim qualquer coisa que ele lhe falou”.
  41. Então, Samuel lhe contou tudo, e nada escondeu, dizendo: “O senhor me falou: Executarei contra Eli tudo o que falei contra sua família, do começo ao fim, por causa do pecado dos seus filhos, do qual ele tinha consciência.”
  42. Então Eli disse: “Ele é o SENHOR; que faça o que lhe parecer melhor”.
  43. O SENHOR estava com Samuel enquanto este crescia, e fazia com que todas as suas palavras se cumprissem.
  44. Todo o Israel, de Dã até Berseba, reconhecia que Samuel estava confirmado como profeta do SENHOR.
  45. Neste tempo, os filisteus dispuseram suas forças em linha para enfrentar Israel.
  46. E, intensificando-se o combate, Israel foi derrotado pelos filisteus, que mataram cerca de quatro mil deles no campo de batalha.
  47. Quando os soldados voltaram ao acampamento, as autoridades de Israel disseram: “Vamos a Siló buscar a arca da aliança do SENHOR, para que Ele vá conosco e nos salve das mãos de nossos inimigos”.
  48. Então mandaram trazer de Siló a arca da aliança do SENHOR dos Exércitos, que tem o seu trono entre os querubins. E os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, foram com ela.”
  49. Quando a arca da aliança do SENHOR entrou no acampamento, todos os israelitas gritaram tão alto que o chão estremeceu.
  50. Os filisteus, ouvindo os gritos, perguntaram: “O que significam todos esses gritos no acampamento dos hebreus?”, souberam que a arca do SENHOR viera para o acampamento.
  51. Os filisteus ficaram com medo e disseram: “Deuses chegaram ao acampamento. Ai de nós! Nunca nos aconteceu uma coisa dessas!”
  52. “Sejam fortes, filisteus! Sejam homens ou vocês se tornarão escravos dos hebreus, assim como eles foram escravos de vocês. Sejam homens e lutem!”
  53. Então os filisteus lutaram e Israel foi derrotado; cada homem fugiu para sua tenda. O massacre foi muito grande: Israel perdeu trinta mil homens de infantaria.
  54. A arca de Deus foi tomada, e os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, morreram.
  55. Naquele mesmo dia um benjamita correu da linha de batalha até Siló, com as roupas rasgadas e terra na cabeça.
  56. Quando ele chegou, Eli estava sentado, observando sua cadeira, ao lado da estrada, pois seu coração temia pela arca de Deus.
  57. O homem entrou na cidade e contou o que havia acontecido, e a cidade começou a gritar.
  58. Eli ouviu os gritos e perguntou: “O que significa esse tumulto?” O homem correu para contar tudo a Eli.
  59. Eli tinha noventa e oito anos de idade e seus olhos estavam imóveis, e já não conseguia enxergar.
  60. O homem lhe disse: “Acabei de chegar da linha de batalha; fugi de lá hoje mesmo”. Eli perguntou: “O que aconteceu, meu filho?”
  61. O mensageiro respondeu: “Israel fugiu dos filisteus, e houve uma grande matança entre os soldados. Também os seus dois filhos, Hofni e Finéias, estão mortos, e a arca de Deus foi tomada”.
  62. Quando ele mencionou a arca de Deus, Eli caiu da cadeira para trás, ao lado do portão, quebrou o pescoço, e morreu, pois era velho e pesado. Ele liderou Israel durante quarenta anos.
  63. Sua nora, a mulher de Finéias, estava grávida e perto de dar à luz.
  64. Quando ouviu a notícia de que a arca de Deus havia sido tomada e que seu sogro e seu marido estavam mortos, entrou em trabalho de parto e deu à luz, mas não resistiu às dores do parto.”
  65. Enquanto morria, as mulheres que a ajudavam disseram: “Não se desespere; você teve um menino”. Mas ela não respondeu nem deu atenção.
  66. Ela deu ao menino o nome de Icabode, e disse: “A glória se foi de Israel”. Porque a arca foi tomada e por causa da morte do sogro e do marido.
  67. E ainda acrescentou: “A glória se foi de Israel, pois a arca de Deus foi tomada”.

Capítulo 43 – Arca da Aliança

  1. Depois que os filisteus tomaram a arca de Deus, eles a levaram de Ebenézer para Asdode. E a colocaram dentro do templo de Dagom, ao lado de sua estátua.
  2. Quando o povo de Asdode se levantou na madrugada do dia seguinte, lá estava Dagom caído, rosto em terra, diante da arca do SENHOR!
  3. Eles levantaram Dagom e o colocaram de volta em seu lugar.
  4. Mas, na manhã seguinte, quando se levantaram de madrugada, lá estava Dagom caído, rosto em terra, diante da arca do SENHOR!
  5. Sua cabeça e mãos tinham sido quebradas e estavam sobre a soleira; só o seu corpo ficou no lugar.
  6. Por isso, até hoje, os sacerdotes de Dagom e todos os que entram em seu templo, em Asdode, não pisam na soleira.
  7. Depois disso a mão do SENHOR pesou sobre o povo de Asdode e dos arredores, trazendo devastação sobre eles e afligindo-os com tumores.
  8. Quando os homens de Asdode viram o que estava acontecendo, disseram: “A arca do deus de Israel não deve ficar aqui conosco, pois a mão dele pesa sobre nós e sobre nosso deus Dagom”.
  9. Então reuniram todos os governantes dos filisteus e lhes perguntaram: “O que faremos com a arca do deus de Israel?”
  10. Eles responderam: “Levem a arca do deus de Israel para Gate”. E então levaram a arca do Deus de Israel.
  11. Mas, quando a arca chegou, a mão do SENHOR castigou aquela cidade, e trouxe-lhe grande pânico.
  12. Ele afligiu o povo da cidade, jovens e velhos, com uma epidemia de tumores.
  13. Então enviaram a arca de Deus para Ecrom.
  14. Quando a arca de deus estava entrando na cidade de Ecrom, o povo começou a gritar: “Eles trouxeram a arca do deus de Israel para cá afim de matar a nós e a nosso povo”.
  15. Então reuniram todos os governantes dos filisteus e disseram: “Levem embora a arca do deus de Israel; que ela volte ao seu lugar; caso contrário ela matará a nós e a nosso povo”. Pois havia pânico mortal em toda a cidade; a mão de Deus pesava muito sobre ela.
  16. Aqueles que não morreram foram afligidos com tumores, e o clamor da cidade subiu até o céu.
  17. Quando já fazia sete meses que a arca do SENHOR estava em território filisteu,
    os filisteus chamaram os sacerdotes e adivinhos.
  18. Eles disseram: “O que faremos com a arca do SENHOR? Digam-nos com o que devemos mandá-la de volta a seu lugar”.
  19. Eles responderam: “Se vocês devolverem a arca do deus de Israel, não mandem de volta só a arca, mas enviem também uma oferta pela culpa. Então vocês serão curados e saberão por que a sua mão não tem se afastado de vocês”.
  20. Os filisteus perguntaram: “Que oferta pela culpa devemos lhe enviar?”
  21. Eles responderam: “Cinco tumores de ouro e cinco ratos de ouro, de acordo com o número de governantes filisteus, porquanto a mesma praga atingiu vocês e todos os seus governantes.
  22. Façam imagens dos tumores e dos ratos que estão assolando o país e dêem glória ao deus de Israel. Talvez ele alivie a sua mão de sobre vocês, seus deuses e sua terra.
  23. Por que ter o coração obstinado como os egípcios e o faraó? Somente quando esse deus os tratou severamente, eles deixaram os israelitas seguir o seu caminho.
  24. Agora, então, preparem uma carroça nova, com duas vacas que deram cria e sobre as quais nunca foi colocado jugo.
  25. Amarrem-nas à carroça, mas afastem delas os seus bezerros e os ponham no curral.
  26. Coloquem a arca do SENHOR sobre a carroça, e ponham numa caixa ao lado os objetos de ouro que vocês estão lhe enviando como oferta pela culpa.
  27. Enviem a carroça, e fiquem observando. Se ela for para seu próprio território, na direção de Bete-Semes, então foi o SENHOR quem trouxe essa grande desgraça sobre nós.
  28. Mas, se ela não for, então saberemos que não foi a sua mão que nos atingiu e que isso aconteceu conosco por acaso”.
  29. E assim fizeram. Pegaram duas vacas com cria e as amarraram a uma carroça e prenderam seus bezerros no curral.
  30. Colocaram a arca do SENHOR na carroça e junto dela a caixa com os ratos de ouro e as imagens dos tumores.
  31. Então as vacas foram diretamente para Bete-Semes, mantendo-se na estrada e mugindo por todo o caminho; não se desviaram para a direita nem para a esquerda.
  32. Os governantes dos filisteus as seguiram até a fronteira de Bete-Semes.
  33. Ora, o povo de Bete-Semes estava colhendo trigo no vale e, quando olharam e viram a arca, alegraram-se muito.
  34. A carroça chegou ao campo de Josué, de Bete-Semes, e ali parou ao lado de uma grande rocha.
  35. Então cortaram a madeira da carroça e ofereceram as vacas como holocausto ao SENHOR.
  36. Os levitas tinham descido a arca do SENHOR e a caixa com os objetos de ouro e colocado sobre a grande rocha.
  37. Naquele dia, o povo de Bete-Semes ofereceu holocaustos e sacrifícios ao SENHOR.
  38. Os cinco governantes dos filisteus viram tudo isso e voltaram naquele mesmo dia a Ecrom.
  39. Os filisteus enviaram ao SENHOR como oferta pela culpa estes tumores de ouro: um por Asdode, outro por Gaza, outro por Ascalom, outro por Gate e outro por Ecrom.
  40. O número dos ratos de ouro foi conforme o número das cidades filistéias que pertenciam aos cinco governantes; tanto as cidades fortificadas como os povoados no campo.
  41. A grande rocha, sobre a qual puseram a arca do SENHOR, é até hoje uma testemunha no campo de Josué, de Bete-Semes.
  42. Deus, contudo, feriu alguns dos homens de Bete-Semes, matando setenta deles, por terem olhado para dentro da arca do SENHOR.
  43. O povo chorou por causa da grande matança que o SENHOR fizera, e os homens de Bete-Semes perguntaram: “Quem pode permanecer na presença do SENHOR, esse Deus santo? Para quem enviamos a arca, para que se afaste de nós?”
  44. Então enviaram mensageiros ao povo de Quiriate-Jearim, dizendo: “Os filisteus devolveram a arca do SENHOR. Venham e a levem para vocês”.
  45. Então, os homens de Quiriate-Jearim vieram para levar a arca do SENHOR.
  46. Eles a levaram para a casa de Abinadabe, na colina, e consagraram seu filho Eleazar para guardar a arca do SENHOR.
  47. A arca permaneceu em Quiriate-Jearim muito tempo; foram vinte anos. E todo o povo de Israel buscava o SENHOR com súplicas.

Capítulo 44 – Samuel

  1. E Samuel disse a toda a nação de Israel: “Se vocês querem voltar-se para o SENHOR de todo o coração, livrem-se então dos deuses estrangeiros e dos postes sagrados;
  2. “Consagrem-se ao SENHOR e prestem culto somente a ele, e ele os libertará das mãos dos filisteus”.
  3. Assim, os israelitas se livraram dos baalins e dos postes sagrados, e começaram a prestar culto somente ao SENHOR.
  4. E Samuel prosseguiu: “Reúnam todo Israel em Mispá, e eu intercederei ao SENHOR a favor de vocês”.
  5. Quando eles se reuniram em Mispá, tiraram água e a derramaram perante o SENHOR.
  6. Naquele dia jejuaram e disseram ali: “Temos pecado contra o SENHOR”. E foi em Mispá que Samuel liderou os israelitas como juiz.
  7. Quando os filisteus souberam que os israelitas estavam reunidos em Mispá, os governantes dos filisteus saíram para atacá-los.
  8. Quando os israelitas souberam disso, ficaram com medo dos filisteus.
  9. E disseram a Samuel: “Não pare de clamar por nós ao SENHOR nosso Deus, para que nos salve das mãos dos filisteus”.
  10. Então Samuel pegou um cordeiro ainda não desmamado e o ofereceu inteiro como holocausto ao SENHOR.  Ele clamou ao SENHOR em favor de Israel, e o SENHOR lhe respondeu.
  11. Enquanto Samuel oferecia o holocausto, os filisteus se aproximaram para combater Israel.
  12. Naquele dia, porém, o SENHOR trovejou com fortíssimo estrondo contra os filisteus e os colocou em pânico. Então foram derrotados por Israel.
  13. Os soldados de Israel saíram de Mispá e perseguiram os filisteus até um lugar abaixo de Bete-Car, matando-os pelo caminho.
  14. Então Samuel pegou uma pedra e a ergueu entre Mispá e Sem; e deu-lhe o nome de Ebenézer, dizendo: “Até aqui o SENHOR nos ajudou”.
  15. Assim os filisteus foram dominados e não voltaram a invadir o território israelita. A mão do SENHOR opôs-se aos filisteus durante toda a vida de Samuel.
  16. As cidades que os filisteus haviam conquistado, foram devolvidas a Israel, desde Ecrom até Gate.
  17. Israel libertou os territórios ao redor delas do poder dos filisteus. E houve também paz entre Israel e os amorreus.
  18. Samuel continuou como juiz de Israel durante todos os dias de sua vida.
  19. A cada ano percorria Betel, Gilgal, e Mispá, decidindo as questões de Israel em todos esses lugares.
  20. Mas sempre retornava a Ramá, onde ficava sua casa; ali ele liderava Israel como juiz e naquele lugar construiu um altar em honra do SENHOR.
  21. Quando envelheceu, Samuel nomeou seus filhos como líderes de Israel.
  22. Seu filho mais velho chamava-se Joel, o segundo, Abias. Eles eram líderes em Berseba.
  23. Mas os filhos dele não andaram em seus caminhos. Eles se tornaram gananciosos, aceitaram suborno e perverteram a justiça.
  24. Por isso, todas as autoridades de Israel reuniram-se e foram falar com Samuel, em Ramá.
  25. E disseram-lhe: “Tu já estás idoso, e teus filhos não andam em teus caminhos; escolhe agora um rei para que nos lidere, à semelhança das outras nações”.
  26. Quando, porém, disseram: “Dá-nos um rei para que nos lidere”, isto desagradou a Samuel.
  27. Então ele orou ao SENHOR e o SENHOR lhe respondeu.
  28. Samuel transmitiu todas as palavras do SENHOR ao povo, que estava lhe pedindo um rei,
    dizendo: “Isto é o que o rei que reinará sobre vocês reivindicará como seu direito.”
  29. “Ele tomará os filhos de vocês para servi-lo em seus carros de guerra e em sua cavalaria, e para correr à frente dos seus carros de guerra.”
  30. “Colocará alguns como comandantes de mil e outros como comandantes de cinquenta.”
  31. “Ele os fará arar as terras dele, fazer a colheita, e fabricar armas de guerra e equipamentos para os seus carros de guerra.
  32. “Tomará as filhas de vocês para serem perfumistas, cozinheiras e padeiras.
  33. “Tomará de vocês o melhor das plantações, das vinhas e dos olivais, e o dará aos criados dele.”
  34. “Tomará um décimo dos cereais e da colheita das uvas e o dará a seus oficiais e a seus criados.”
  35. “Também tomará de vocês para seu uso particular os servos e as servas, o melhor do gado e dos jumentos.”
  36. “E tomará de vocês um décimo dos rebanhos, e vocês mesmos se tornarão escravos dele.
  37. “Haverá o dia em que vocês clamarão por causa do rei que vocês mesmos escolheram, e o SENHOR não os ouvirá”.
  38. Todavia, o povo recusou-se a ouvir Samuel, e disseram: “Não! Queremos ter um rei. Seremos como todas as outras nações; um rei nos governará, e sairá à nossa frente para combater em nossas batalhas”.
  39. Depois de ter ouvido tudo o que o povo disse, Samuel o repetiu perante o SENHOR.
  40. E o SENHOR respondeu: “Atenda-os e dê-lhes um rei”. Então Samuel disse aos homens de Israel: “Volte cada um para sua cidade”.

Capítulo 45 – Saul

  1. Havia um homem de Benjamim, rico e influente, chamado Quis, filho de Abiel, neto de Zeror, bisneto de Becorate e trineto de Afia.
  2. Ele tinha um filho chamado Saul, jovem de boa aparência, sem igual entre os israelitas; os mais altos batiam nos seus ombros.
  3. E aconteceu que jumentas de Quis, pai de Saul, extraviaram-se. E ele disse a Saul: “Chame um dos servos e vá procurar as jumentas”.
  4. Eles atravessaram os montes de Efraim e a região de Salisa, mas não as encontraram.
  5. Prosseguindo, entraram no distrito de Saalim, mas as jumentas não estavam lá.
  6. Então atravessaram o território de Benjamim, e mesmo assim não as encontrou.
  7. Chegando ao distrito de Zufe, disse Saul ao seu servo: “Vamos voltar, ou meu pai deixará de pensar nas jumentas para começar a preocupar-se conosco”.
  8. O servo, contudo, respondeu: “Nesta cidade mora um homem de Deus que é muito respeitado. Tudo o que ele diz acontece. Vamos falar com ele. Talvez ele nos aponte o caminho a seguir”.
  9. Saul disse a seu servo: “Se formos, o que poderemos lhe dar? A comida de nossas sacos de viagem acabou. Não temos nenhum presente para levar ao homem de Deus. O que temos para oferecer?”
  10. O servo lhe respondeu: “Tenho três gramas de prata. Darei isto ao homem de Deus para que ele nos aponte o caminho a seguir”.
  11. E Saul concordou: “Muito bem, vamos!” Assim, foram em direção à cidade onde estava o homem de Deus.
  12. Ao subirem a colina para chegar à cidade, encontraram algumas jovens que estavam saindo para buscar água e perguntaram a elas: “O vidente está na cidade?”
  13. Elas responderam: “Sim. Ele está ali adiante. Apressem-se; ele chegou hoje à nossa cidade, porque o povo vai oferecer um sacrifício no altar no monte.”
  14. Eles foram à cidade e, ao entrarem, Samuel vinha na direção deles a caminho do altar no monte.
  15. No dia anterior à chegada de Saul, o SENHOR havia revelado a Samuel que lhe enviaria um homem da terra de Benjamim. Disse que o ungisse como líder sobre o povo Israel.
  16. Saul aproximou-se de Samuel na entrada da cidade e lhe perguntou: “Por favor, pode me dizer onde é a casa do vidente?”
  17. Respondeu Samuel: “Eu sou o vidente. Vá na minha frente para o altar, pois hoje você comerá comigo. Amanhã cedo eu lhe contarei tudo o que você quer saber e o deixarei ir.”
  18. “Quanto às jumentas que você perdeu há três dias, não se preocupe com elas; já foram encontradas.”
  19. Depois, acrescentou: “E a quem pertencerá tudo o que é precioso em Israel, senão a você e toda a família de seu pai?”
  20. Saul respondeu: “Acaso não sou eu um benjamita, da menor das tribos de Israel, e não é o meu clã o mais insignificante de todos os clãs da tribo de Benjamim? Por que então estás me dizendo tudo isso?”
  21. Então Samuel levou a Saul e seu servo para a sala e deu a eles o lugar de honra entre os convidados, cerca de trinta pessoas.
  22. E disse ao cozinheiro: “Traga-me a porção de carne que lhe entreguei e mandei reservar”.
  23. Então o cozinheiro pegou a coxa do animal com o que estava sobre ele e colocou tudo diante de Saul.
  24. E disse Samuel: “Aqui está o que lhe foi reservado. Coma, pois desde o momento em que eu disse: Tenho convidados, ela lhe foi separada para esta ocasião”.
  25. E Saul comeu com Samuel naquele dia.
  26. Depois de ter descido do altar no monte para a cidade, Samuel conversou com Saul no terraço de sua casa.
  27. Ao romper do dia, quando se levantaram, Samuel chamou Saul no terraço e disse para o acompanhar antes de seguir viagem.
  28. Enquanto desciam para a saída da cidade, Samuel disse a Saul: “Diga ao servo que vá na frente”, e o servo foi.
  29. Samuel prosseguiu: “Fique você aqui um instante, para que eu lhe dê uma mensagem da parte de Deus”.
  30. Então Samuel apanhou um jarro de óleo, derramou-o sobre a cabeça de Saul e o beijou, dizendo: “O SENHOR o tem ungido como líder da herança dele.
  31. “Hoje, quando você partir, encontrará dois homens perto do túmulo de Raquel, em Zelza, na fronteira de Benjamim que lhe dirão: As jumentas já foram encontradas.
  32. “Então, dali, você prosseguirá para o carvalho de Tabor. Três homens virão subindo ao santuário de Deus em Betel, e encontrarão você ali. Um estará levando três cabritos, outro três pães, e outro uma vasilha de couro cheia de vinho.”
  33. “Eles o cumprimentarão e lhe oferecerão dois pães, que você deve aceitar. Depois você irá a Gibeá de Deus, onde há um destacamento filisteu.”
  34. “Ao chegar à cidade, você encontrará um grupo de profetas descendo do altar no monte tocando liras, tamborins, flautas e harpas; e eles estarão profetizando.”
  35. “O Espírito do SENHOR se apossará de você, e com eles você profetizará em transe, e será um novo homem.”
  36. “Assim que esses sinais tiverem se cumprido, faça o que achar melhor, pois Deus está com você.”
  37. “Vá na minha frente até Gilgal. Depois eu irei também, para oferecer holocaustos e sacrifícios de comunhão, mas você deve esperar sete dias, até que eu chegue e lhe diga o que fazer”.
  38. Quando se virou para afastar-se de Samuel, Deus mudou o coração de Saul, e todos esses sinais se cumpriram naquele dia.
  39. Chegando em Gibeá, um grupo de profetas o encontrou; o Espírito de Deus se apossou dele, e ele profetizou em transe no meio deles.
  40. Quando os que já o conheciam viram-no profetizando com os profetas, perguntaram uns aos outros: “O que aconteceu ao filho de Quis? Saul também está entre os profetas?”
  41. Um homem daquele lugar respondeu: “E quem é o pai deles?” De modo que isto se tornou um ditado: “Será que Saul também está entre os profetas?”

Capítulo 46 – Jônatas

  1. Samuel convocou o povo de Israel ao SENHOR, em Mispá, e lhes disse: “Apresentem-se perante o SENHOR, de acordo com as suas tribos e clãs”.
  2. Tendo Samuel feito todas as tribos de Israel se aproximarem, a de Benjamim foi escolhida. Então fez ir à frente a tribo de Benjamim, clã por clã, e o clã de Matri foi escolhido. Finalmente foi escolhido Saul, filho de Quis.
  3. Quando Saul ficou de pé no meio do povo; os mais altos do povo batiam-lhe nos ombros; e Samuel disse a todos: “Vocês veem o homem que o SENHOR escolheu? Não há ninguém como ele entre todo o povo”.
  4. Então todos gritaram: “Viva o rei!”
  5. Samuel expôs ao povo as leis do reino. Ele as escreveu num livro e o pôs perante o SENHOR. Então Samuel mandou o povo de volta para suas casas.
  6. Saul também foi para sua casa em Gibeá, acompanhado por guerreiros, cujos corações Deus tinha tocado.
  7. Alguns vadios, porém, disseram: “Como este homem pode nos salvar?” Desprezaram-no e não lhe trouxeram presente algum. Mas Saul ficou calado.
  8. O amonita Naás avançara contra a cidade de Jabes-Gileade e a cercou. E os homens de Jabes lhe disseram: “Faça um tratado conosco, e nos sujeitaremos a você”.
  9. Contudo, Naás, o amonita, respondeu: “Só farei um tratado com vocês sob a condição de que eu arranque o olho direito de cada um de vocês e assim humilhei todo o Israel”.
  10. Quando os mensageiros chegaram a Gibeá, cidade de Saul, e relataram essas coisas ao povo, todos choraram em voz alta.
  11. Quando Saul ouviu isso, o Espírito de Deus apoderou-se dele, e ele ficou furioso.
  12. Apanhou dois bois, cortou-os em pedaços e, por meio dos mensageiros, enviou os pedaços a todo o Israel.
  13. Ele proclamou: “Isto é o que acontecerá aos bois de quem não seguir Saul e Samuel”.
  14. Então o temor do SENHOR caiu sobre o povo, e eles vieram unânimes.
  15. Quando Saul os reuniu em Bezeque, havia trezentos mil de Israel e trinta mil de Judá.
  16. Eles disseram aos mensageiros de Jabes: “Digam aos homens de Jabes-Gileade: Amanhã, na hora mais quente do dia, haverá libertação para vocês”.
  17. Quando relataram isso aos habitantes de Jabes, eles se alegraram.
  18. No dia seguinte, Saul dividiu seus soldados em três grupos; entraram no acampamento amonita na alta madrugada e os mataram até a hora mais quente do dia.
  19. Aqueles que sobreviveram se dispersaram, de modo que não ficaram dois juntos.
  20. Então o povo disse a Samuel: “Quem foi que perguntou: ‘Será que Saul vai reinar sobre nós?’ Traga-nos esses homens, e nós os mataremos”.
  21. Saul, porém, disse: “Hoje ninguém será morto, pois neste dia o SENHOR trouxe libertação a Israel”.
  22. Então Samuel disse ao povo: “Venham, vamos a Gilgal e reafirmemos ali o reino”.
  23. Assim, todo o povo foi a Gilgal e proclamou Saul como rei na presença do SENHOR.
  24. Ali ofereceram sacrifícios de comunhão ao SENHOR, e Saul e todos os israelitas se alegraram muito.
  25. Então Samuel clamou ao SENHOR, e naquele mesmo dia o SENHOR enviou trovões e chuva. E assim todo o povo temeu grandemente o SENHOR e Samuel.
  26. Saul tinha trinta anos de idade quando começou a reinar, e reinou sobre Israel quarenta e dois anos.
  27. Saul escolheu três mil homens de Israel; dois mil ficaram com ele em Micmás e nos montes de Betel, e mil ficaram com Jônatas em Gibeá de Benjamim. O restante dos homens ele mandou de volta para suas tendas.
  28. Jônatas atacou os destacamentos dos filisteus em Gibeá, e os filisteus foram informados disso. Então Saul mandou tocar a trombeta por todo o país dizendo: “Que os hebreus fiquem sabendo disto!”
  29. E todo Israel ouviu a notícia de que Saul tinha atacado o destacamento dos filisteus atraindo o ódio dos filisteus sobre Israel. Então os homens foram convocados para se unirem a Saul em Gilgal.
  30. Os filisteus reuniram-se para lutar contra Israel, com três mil carros de guerra, seis mil condutores de carros e tantos soldados quanto a areia da praia. Eles foram a Micmás, a leste de Bete-Áven e lá acamparam.
  31. Quando os soldados de Israel viram que a situação era difícil e que seu exército estava sendo muito pressionado, esconderam-se em cavernas e buracos, entre as rochas e em poços e cisternas.
  32. Alguns hebreus até atravessaram o Jordão para chegar à terra de Gade e de Gileade. Saul ficou em Gilgal, e os soldados que estavam com ele tremiam de medo.
  33. Ele esperou sete dias, o prazo estabelecido por Samuel; mas este não chegou a Gilgal, e os soldados de Saul começaram a se dispersar.
  34. Então ele ordenou: “Tragam-me o holocausto e os sacrifícios de comunhão”.
  35. Saul ofereceu então o holocausto, e quando ele terminou de oferecê-lo, Samuel chegou, e Saul foi saudá-lo. E perguntou-lhe: “O que você fez?”
  36. Saul respondeu: “Quando vi que os soldados estavam se dispersando e que você não tinha chegado no prazo, eu me senti obrigado a oferecer o holocausto”.
  37. Disse Samuel: “Você agiu como tolo, desobedecendo ao mandamento que o SENHOR seu Deus lhe deu; se você tivesse obedecido, ele teria estabelecido para sempre o seu reinado sobre Israel.”
  38. Então Samuel partiu de Gilgal e foi a Gibeá de Benjamim, e Saul contou soldados que estavam com ele. Eram cerca de seiscentos.
  39. Saul e seu filho Jônatas, acompanhados de seus soldados, ficaram em Gibeá de Benjamim, enquanto os filisteus estavam acampados em Micmás.
  40. Uma tropa de ataque saiu do acampamento filisteu em três divisões. Uma foi em direção a Ofra, nos arredores de Sual; outra foi para Bete-Horom; e a terceira para a região fronteiriça de onde se avista o vale de Zeboim, diante do deserto.
  41. Naquela época não havia nem mesmo um único ferreiro em toda a terra de Israel, pois os filisteus não queriam que os hebreus fizessem espadas e lanças.
  42. Assim, eles tinham que ir aos filisteus para afiar seus arados, enxadas, machados e foices. O preço para afiar rastelos e enxadas era oito gramas de prata, e quatro gramas de prata para afiar tridentes, machados e pontas de aguilhadas.
  43. Por isso no dia da batalha nenhum soldado de Saul e Jônatas tinha espada ou lança nas mãos, exceto o próprio Saul e seu filho Jônatas.
  44. Aconteceu que um destacamento filisteu foi para o desfiladeiro de Micmás.
  45. Certo dia, Jônatas, filho de Saul, disse ao seu jovem escudeiro: “Vamos ao destacamento filisteu, do outro lado”. Ele, porém, não contou isto a seu pai.
  46. Jônatas escalou o desfiladeiro, usando as mãos e os pés, e o escudeiro foi logo atrás. Jônatas começou a derrubar os filisteus, e seu escudeiro, logo atrás dele, os matava.
  47. Naquele primeiro ataque, Jônatas e seu escudeiro mataram cerca de vinte homens numa pequena área de terra.
  48. Então caiu terror sobre todo o exército. O chão tremeu e houve um pânico terrível.
  49. As sentinelas de Saul em Gibeá de Benjamim viram o exército filisteu se dispersando, correndo em todas as direções.
  50. Saul ordenou a Aías, que levava o colete sacerdotal: “Traga a arca de Deus”. Naquele tempo ela estava com os israelitas.
  51. Enquanto Saul falava com o sacerdote, o tumulto no acampamento filisteu ia crescendo cada vez mais. Então Saul disse ao sacerdote: “Não precisa trazer a arca”.
  52. Então Saul e todos os soldados se reuniram e foram para a batalha. Encontraram os filisteus em total confusão, ferindo uns aos outros com suas espadas.
  53. Alguns hebreus que antes estavam do lado dos filisteus e que com eles tinham ido ao acampamento filisteu, passaram para o lado dos israelitas.
  54. E, quando os israelitas que haviam se escondido nos montes de Efraim ouviram que os filisteus batiam em retirada, também entraram na batalha, perseguindo-os.
  55. Assim o SENHOR concedeu vitória a Israel naquele dia, e a batalha se espalhou para além de Bete-Áven.
  56. Os homens de Israel estavam exaustos naquele dia, pois Saul havia lhes imposto um juramento, dizendo: “Maldito seja todo o que comer antes do anoitecer, antes que eu tenha me vingado de meus inimigos!” Por isso ninguém tinha comido nada.
  57. O exército inteiro entrou num bosque, onde havia mel no chão. Eles viram o mel escorrendo, contudo ninguém comeu pois temiam o juramento.
  58. Jônatas, porém, estendeu a ponta da vara que tinha na mão e a molhou no favo de mel. Quando comeu seus olhos brilharam.
  59. Jônatas disse: “Meu pai trouxe desgraça para nós. Como teria sido bem melhor se os homens tivessem comido hoje um pouco do que tomaram dos seus inimigos. A matança de filisteus não teria sido ainda maior?”
  60. Os israelitas então se lançaram sobre os despojos e pegaram ovelhas, bois e bezerros, e mataram-nos ali mesmo e comeram a carne com o sangue.
  61. Quando disseram a Saul que os soldados estavam pecando contra o SENHOR, comendo carne com sangue, ele disse: “Vocês foram infiéis. Cada um traga a mim seu boi ou sua ovelha, abatam-nos e comam a carne aqui. Não pequem contra o SENHOR.”.
  62. Assim, cada um levou seu boi naquela noite e ali os abateram. Então, Saul edificou um altar para o SENHOR; foi a primeira vez que fez isso.
  63. Mas quando Saul perguntou a Deus: “Devo perseguir os filisteus? Tu os entregarás nas mãos de Israel?”, naquele dia Deus não lhe respondeu.
  64. Para descobrir que outro pecado fora cometido naquele dia, Saul orou ao SENHOR, ao Deus de Israel: “Dá-me a resposta certa”.
  65. A sorte caiu em Jônatas; e assim Saul lhe perguntou:  “Diga-me o que você fez?”.
  66. E Jônatas lhe contou: “Eu provei um pouco de mel com a ponta de minha vara. Estou pronto para morrer”.
  67. Saul disse: “Que Deus me castigue com todo rigor caso você não morra, Jônatas!”
  68. Os soldados, porém, disseram a Saul: “Será que Jônatas, que trouxe esta grande libertação para Israel deve morrer?”
  69. “Nunca! Juramos pelo nome do SENHOR, nem um só cabelo de sua cabeça cairá ao chão, pois ele fez isso hoje com o auxílio de Deus”.
  70. Então os homens resgataram Jônatas, e ele não foi morto.

Capítulo 47 – Davi

  1. Quando Saul assumiu o reinado sobre Israel, lutou contra os seus inimigos em redor: moabitas, amonitas, edomitas, os reis de Zobá e os filisteus. Para qualquer lado que fosse, lhes infligia castigo.
  2. Lutou corajosamente e derrotou os amalequitas, libertando Israel das mãos daqueles que os saqueavam.
  3. Os filhos de Saul foram Jônatas, Isvi e Malquisua. O nome de sua filha mais velha era Merabe, e o da mais nova era Mical. A Sua mulher chamava-se Ainoã e era filha de Aimaás. O nome do comandante do exército de Saul era Abner, filho de Ner, tio de Saul.
  4. Quis, pai de Saul, e Ner, pai de Abner, eram filhos de Abiel.
  5. Houve guerra acirrada contra os filisteus durante todo o reinado de Saul. Por isso sempre que Saul conhecia um homem forte e corajoso, alistava-o no seu exército.
  6. Samuel disse a Saul: “Eu sou aquele a quem o SENHOR enviou para ungi-lo como rei de Israel, o povo dele; por isso escute agora a mensagem do SENHOR.”
  7. Ele acrescentou: “Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Castigarei os amalequitas pelo que fizeram a Israel, atacando-os quando saíam do Egito.”
  8. “Agora vão, ataquem os amalequitas e consagrem ao SENHOR para destruição tudo o que lhes pertence. Não os poupem; matem homens, mulheres, crianças, recém-nascidos, bois, ovelhas, camelos e jumentos”.
  9. Então convocou Saul os homens e os reuniu em Telaim: duzentos mil soldados de infantaria e dez mil homens de Judá.
  10. Saul foi à cidade de Amaleque e armou uma emboscada no vale.
  11. Então disse aos queneus: “Retirem-se, saiam do meio dos amalequitas para que eu não os destrua junto com eles; pois vocês foram bondosos com os israelitas, quando eles estavam vindo do Egito”. Então os queneus saíram do meio dos amalequitas.
  12. E Saul atacou os amalequitas por todo caminho desde Havilá até Sur, a leste do Egito. Capturou vivo Agague, rei dos amalequitas, e exterminou o seu povo.
  13. Mas Saul e o exército pouparam Agague e o melhor das ovelhas e dos bois, os bezerros gordos e os cordeiros. Pouparam tudo que era bom, mas a tudo que era desprezível e inútil destruíram por completo.
  14. Quando Samuel o encontrou, Saul disse: “O SENHOR o abençoe! Segui as instruções do SENHOR”.
  15. Samuel, porém, perguntou: “Então que balido de ovelhas é esse que ouço com meus próprios ouvidos? Que mugido de bois é esse que estou ouvindo?”
  16. Respondeu Saul: “Os soldados os trouxeram dos amalequitas; eles pouparam o melhor das ovelhas e dos bois para o sacrificarem ao SENHOR seu Deus, mas destruímos totalmente o restante”.
  17. Samuel disse a Saul: “Fique quieto! Eu lhe direi o que o SENHOR me falou esta noite”. Respondeu Saul: “Diga-me”.
  18. Samuel disse: “Embora pequeno aos seus próprios olhos, você não se tornou o líder das tribos de Israel? Por que você não obedeceu ao SENHOR? Por que se lançou sobre os despojos e fez o que o SENHOR reprova?”
  19. Disse Saul: “Mas eu obedeci ao SENHOR! Cumpri a missão que o SENHOR me designou. Trouxe Agague, o rei dos amalequitas, mas exterminei os amalequitas.”
  20. Samuel, porém, respondeu: “Acaso tem o SENHOR tanto prazer em holocaustos e em sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra?”
  21. “A obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros. Pois a rebeldia é como o pecado da feitiçaria, e a arrogância como o mal da idolatria. Assim como você rejeitou a palavra do SENHOR, ele o rejeitou como rei”.
  22. Quando Samuel se virou para sair, Saul agarrou-se à barra do manto dele, e o manto se rasgou.
  23. E Samuel lhe disse: “O SENHOR rasgou de você, hoje, o reino de Israel, e o entregou a alguém melhor do que você. Aquele que é a Glória de Israel não mente nem se arrepende, pois não é homem para se arrepender”.
  24. Saul falou: “Pequei. Agora, honra-me perante as autoridades do meu povo e perante Israel; volte comigo, para que eu possa adorar o SENHOR seu Deus”.
  25. E assim Samuel voltou com ele, e Saul adorou o SENHOR. Então Samuel disse: “Traga-me Agague, o rei dos amalequitas”.
  26. Agague veio confiante, pensando: “Com certeza já passou a amargura da morte”.
  27. Samuel, porém, disse: “Assim como a sua espada deixou mulheres sem filhos, também sua mãe ficará sem o seu filho, entre as mulheres”. E despedaçou Agague perante o SENHOR, em Gilgal.
  28. Então Samuel partiu para Ramá, e Saul foi para sua casa, em Gibeá de Saul.
  29. Nunca mais Samuel viu a Saul, até o dia de sua morte, embora se entristecesse por causa dele porque o SENHOR arrependeu-se de ter estabelecido Saul como rei de Israel.
  30. Samuel fez o que o SENHOR disse. Quando chegou a Belém, as autoridades da cidade foram encontrar-se com Jessé tremendo e perguntaram: “Você vem em paz?”
  31. Respondeu Samuel: “Sim, venho em paz; vim sacrificar ao SENHOR. Consagrem-se e venham ao sacrifício comigo”.
  32. Então ele consagrou Jessé e os filhos dele e os convidou para o sacrifício.
  33. Quando chegaram, Samuel viu Eliabe e pensou: “Com certeza este aqui é o que o SENHOR quer ungir”. Mas o SENHOR o rejeitou, pois o homem vê a aparência, mas o SENHOR vê o coração.
  34. Então Jessé chamou Abinadabe e o levou a Samuel. Ele, porém, disse: “O SENHOR também não escolheu a este”.
  35. Então Jessé levou Samá a Samuel, mas este disse: “Também não foi este que o SENHOR escolheu”.
  36. Jessé levou a Samuel sete de seus filhos, mas Samuel lhe disse: “O SENHOR não escolheu nenhum destes”.
  37. Então perguntou a Jessé: “Estes são todos os filhos que você tem?” Jessé respondeu: “Ainda tenho o caçula, mas ele está cuidando das ovelhas”.
  38. Samuel disse: “Traga-o aqui; não nos sentaremos para comer até que ele chegue”.
  39. Então Jessé mandou chamá-lo e ele veio. Ele era ruivo, de belos olhos e boa aparência.
  40. Samuel então apanhou o chifre cheio de óleo e o ungiu na presença de seus irmãos, e a partir daquele dia o Espírito do SENHOR apoderou-se de Davi.
  41. O Espírito do SENHOR se retirou de Saul, e um espírito maligno, vindo da parte do SENHOR, o atormentava.
  42. Os funcionários de Saul lhe disseram: “Há um espírito maligno mandado por Deus te atormentando. Que nosso soberano mande seus servos procurar um harpista, pois quando o espírito maligno se apoderar de ti, o homem tocará a harpa e tu te sentirás melhor”.
  43. E Saul respondeu aos que o serviam: “Encontrem alguém que toque bem e o tragam até aqui”.
  44. Um servo respondeu: “Conheço um dos filhos de Jessé, de Belém, que sabe tocar harpa. É guerreiro valente, sabe falar bem, tem boa aparência e o SENHOR está com ele”.
  45. Então Saul mandou mensageiros a Jessé com a seguinte mensagem: “Envie-me seu filho Davi, que cuida das ovelhas”.
  46. Jessé apanhou um jumento e o carregou de pães, uma vasilha de couro cheia de vinho e um cabrito e o enviou a Saul por meio de Davi, seu filho.
  47. Davi foi apresentar-se a Saul e passou a trabalhar para ele. Saul gostou muito dele, e Davi tornou-se seu escudeiro.
  48. Ent8ão Saul enviou a seguinte mensagem a Jessé: “Deixe que Davi continue trabalhando para mim, pois estou satisfeito com ele”.
  49. E sempre que o espírito mandado por Deus se apoderava de Saul, Davi apanhava sua harpa e tocava. Então Saul sentia alívio e melhorava, e o espírito maligno o deixava.

Capítulo 48 – Golias

  1. Nesse tempo, os filisteus juntaram suas forças para a guerra e reuniram-se em Socó de Judá. E acamparam em Efes-Damim, entre Socó e Azeca.
  2. Saul e os israelitas reuniram-se e acamparam no vale de Elá, posicionando-se em linha de batalha para enfrentar os filisteus.
  3. Os filisteus ocuparam uma colina e os israelitas outra, estando o vale entre eles.
  4. Um guerreiro chamado Golias, que era de Gate, veio do acampamento filisteu. Tinha dois metros e noventa centímetros de altura.
  5. Ele usava um capacete de bronze e vestia uma couraça de escamas de bronze que pesava sessenta quilos.
  6. Nas pernas usava caneleiras de bronze e tinha um dardo de bronze pendurado nas costas.
  7. A haste de sua lança era parecida com uma lançadeira de tecelão, e sua ponta de ferro pesava sete quilos e duzentos gramas. Seu escudeiro ia à frente dele.
  8. Golias parou e gritou às tropas de Israel: “Por que vocês estão se posicionando para a batalha? Não sou eu um filisteu, e vocês os servos de Saul? Escolham um homem para lutar comigo.
  9. Se ele puder lutar e matar-me, nós seremos seus escravos; todavia, se eu o vencer e o matar, vocês serão nossos escravos e nos servirão”.
  10. E acrescentou: “Eu desafio hoje as tropas de Israel! Mandem-me um homem para lutar sozinho comigo”.
  11. Ao ouvirem as palavras do filisteu, Saul e todos os israelitas ficaram atônitos e apavorados.
  12. Davi era filho de um efrateu, de Belém de Judá, chamado Jessé. Este tinha oito filhos e já era idoso na época de Saul.
  13. Os três filhos mais velhos de Jessé tinham ido para a guerra com Saul: Eliabe, o mais velho, Abinadabe, o segundo e Samá, o terceiro.
  14. Davi era o caçula. Os três mais velhos seguiram Saul, mas Davi ia ao acampamento de Saul e voltava para apascentar as ovelhas de seu pai, em Belém.
  15. Durante quarenta dias o filisteu aproximava-se, de manhã e de tarde, e tomava posição.
  16. Nessa ocasião Jessé disse a seu filho Davi: “Pegue uma arroba de grãos tostados e dez pães e leve-os rapidamente para seus irmãos no acampamento.”
  17. “Leve também estes dez queijos ao comandante da unidade deles. Veja como estão seus irmãos e traga-me alguma garantia de que estão bem.”
  18. “Eles estão com Saul e com todos os homens de Israel no vale de Elá, lutando contra os filisteus”.
  19. Levantando-se de madrugada, Davi deixou o rebanho com outro pastor, pegou a carga e partiu, conforme Jessé lhe havia ordenado.
  20. Chegou ao acampamento na hora em que, com grito de batalha, o exército estava saindo para suas posições de combate.
  21. Israel e os filisteus estavam se posicionando em linha de batalha, frente a frente.
  22. Davi deixou o que havia trazido com o responsável pelos suprimentos, correu para a linha de batalha para saber como estavam seus irmãos.
  23. Enquanto conversava com eles, Golias, o guerreiro filisteu de Gate, avançou e lançou seu desafio habitual; e Davi o ouviu.
  24. Quando os israelitas viram o homem, todos fugiram com muito medo.
  25. Davi disse a Saul: “Ninguém deve ficar com o coração abatido por causa desse filisteu; teu servo irá e lutará com ele”.
  26. Respondeu Saul: “Você não tem condições de lutar contra este filisteu; você é apenas um rapaz, e ele é um guerreiro desde a mocidade”.
  27. Davi, entretanto, disse a Saul: “Teu servo toma conta das ovelhas de seu pai. Quando aparece um leão ou um urso e leva uma ovelha do rebanho, eu vou atrás dele, atinjo-o com golpes e livro a ovelha de sua boca.”
  28. “Quando se vira contra mim, eu o pego pela juba, atinjo-o com golpes até matá-lo. Teu servo é capaz de matar tanto um leão quanto um urso; esse filisteu incircunciso será como um deles, pois desafiou os exércitos do Deus vivo.
  29. O SENHOR que me livrou das garras do leão e das garras do urso me livrará das mãos desse filisteu”. Diante disso Saul disse a Davi: “Vá, e que o SENHOR esteja com você”.
  30. Então Saul vestiu Davi com sua própria túnica. Colocou-lhe uma armadura e um capacete de bronze na cabeça.
  31. Davi prendeu sua espada sobre a túnica e tentou andar, pois não estava acostumado àquilo. E disse a Saul: “Não consigo andar com isto, pois não estou acostumado”. Assim tirou tudo aquilo.
  32. Em seguida pegou seu cajado, escolheu no riacho cinco pedras lisas, colocou-as na bolsa, isto é, no seu alforje de pastor e, com sua atiradeira na mão, aproximou-se do filisteu.
  33. Enquanto isso, o filisteu, com seu escudeiro à frente, vinha se aproximando de Davi.
  34. Olhou para Davi com desprezo, viu que era só um rapaz, ruivo e de boa aparência, e fez pouco caso dele.
  35. E disse a Davi: “Por acaso sou um cão para que você venha contra mim com pedaços de pau?”
  36. E o filisteu amaldiçoou Davi invocando seus deuses, e disse: “Venha aqui, e darei sua carne às aves do céu e aos animais do campo!”
  37. Davi disse ao filisteu: “Você vem contra mim com espada, com lança e com dardo, mas eu vou contra você em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem você desafiou.
  38. Hoje mesmo o SENHOR o entregará nas minhas mãos, e eu o matarei e cortarei a sua cabeça. Hoje mesmo darei os cadáveres do exército filisteu às aves do céu e aos animais selvagens, e toda a terra saberá que há Deus em Israel.
  39. Todos que estão aqui saberão que não é por espada ou por lança que o SENHOR concede vitória; pois a batalha é do SENHOR, e ele entregará todos vocês em nossas mãos”.
  40. Quando o filisteu começou a vir na direção de Davi, este correu depressa na direção da linha de batalha para enfrentá-lo.
  41. Retirando uma pedra de seu alforje ele a arremessou com a atiradeira e atingiu o filisteu na testa, de tal modo que ela ficou encravada, e ele caiu com o rosto no chão.
  42. Assim Davi venceu o filisteu com uma atiradeira e uma pedra; sem espada na mão ele derrubou o filisteu e o matou.
  43. Davi correu e se pôs de pé sobre ele; e desembainhando a espada do filisteu acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça com ela.
  44. Quando os filisteus viram que seu guerreiro estava morto, recuaram e fugiram.
  45. Então os homens de Israel e de Judá deram o grito de guerra e perseguiram os filisteus até a entrada de Gate, e até as portas de Ecrom.
  46. Cadáveres de filisteus ficaram espalhados ao longo da estrada de Saaraim até Gate e Ecrom.
  47. Quando os israelitas voltaram da perseguição aos filisteus, levaram tudo o que havia no acampamento deles.
  48. Davi pegou a cabeça do filisteu, levou-a para Jerusalém e guardou as armas do filisteu em sua própria tenda.
  49. Quando Saul viu Davi avançando para enfrentar o filisteu, perguntou a Abner, o comandante do exército: “Abner, quem é o pai daquele rapaz?”
  50. Abner respondeu: “Juro por tua vida, ó rei, que eu não sei”.
  51. E o rei ordenou-lhe: “Descubra quem é o pai dele”.
  52. Logo que Davi voltou, depois de ter matado o filisteu, Abner levou-o perante Saul. Davi ainda segurava a cabeça de Golias.
  53. E Saul lhe perguntou: “De quem você é filho, meu jovem?” Respondeu Davi: “Sou filho de teu servo Jessé, de Belém”.

Capítulo 49 – Inveja

  1. Depois dessa conversa de Davi com Saul, surgiu tão grande amizade entre Jônatas e Davi que Jônatas tornou-se o seu melhor amigo.
  2. Daquele dia em diante, Saul manteve Davi consigo e não o deixou voltar à casa de seu pai.
  3. E Jônatas fez um acordo de amizade com Davi, pois se tornara o melhor amigo de Davi.
  4. Jônatas tirou o manto que estava vestindo e deu-o a Davi, junto com sua túnica, e até sua espada, seu arco e seu cinturão.
  5. Tudo que Saul lhe ordenava fazer, Davi fazia com tanta habilidade que Saul lhe deu um posto elevado no exército. Isto agradou a todo o povo, bem como aos conselheiros de Saul.
  6. Quando os soldados voltavam para casa, depois de Davi ter matado o filisteu, as mulheres saíram de todas as cidades de Israel ao encontro do rei Saul com cânticos e danças, com tamborins, com músicas alegres e instrumentos de três cordas.
  7. Enquanto dançavam, as mulheres cantavam: “Saul matou milhares, e Davi, dezenas de milhares”.
  8. Saul ficou muito irritado, com esse refrão e, aborrecido disse: “Atribuíram a Davi dezenas de milhares, mas a mim apenas milhares. O que mais lhe falta senão o reino?”
  9. Daí em diante Saul olhava com inveja para Davi.
  10. No dia seguinte, um espírito maligno mandado por Deus apoderou-se de Saul e ele entrou em transe profético em sua casa, enquanto Davi tocava harpa, como de costume.
  11. Saul estava com uma lança na mão e a atirou, dizendo: “Encravarei Davi na parede”. Mas Davi desviou-se duas vezes.
  12. Saul tinha medo de Davi porque o SENHOR o havia abandonado e agora estava com Davi.
  13. Então afastou Davi de sua presença e deu-lhe o comando de uma tropa de mil soldados, e Davi a conduzia em suas campanhas.
  14. Ele tinha êxito em tudo o que fazia, pois o SENHOR estava com ele.
  15. Quando Saul como ele tinha habilidade, teve muito medo dele.
  16. Todo Israel e Judá, porém, gostava de Davi, pois ele os conduzia em suas batalhas.
  17. Saul disse a Davi: “Aqui está a minha filha mais velha, Merabe. Eu a darei em casamento a você; apenas sirva-me com bravura e lute as batalhas do SENHOR”.
  18. Pois Saul pensou: “Não o matarei. Deixo isso para os filisteus!”
  19. Mas Davi disse a Saul: “Quem sou eu, e o que é minha família ou o clã de meu pai em Israel para que eu me torne genro do rei?”
  20. Por isso, quando chegou a época de Merabe, a filha de Saul, ser dada em casamento a Davi, ela foi dada a Adriel, de Meolá.
  21. Mical, a outra filha de Saul, gostava de Davi. Quando disseram isto a Saul, ele ficou contente e pensou: “Eu a darei a ele, para que lhe sirva de armadilha, fazendo-o cair nas mãos dos filisteus”.
  22. Então Saul disse a Davi: “Hoje você tem uma segunda oportunidade de tornar-se meu genro”.
  23. Então Saul ordenou aos seus conselheiros que falassem em particular com Davi, dizendo: “O rei está satisfeito com você, e todos os seus conselheiros o estimam. Torne-se, agora, seu genro”.
  24. Quando falaram com Davi, ele disse: “Vocês acham que tornar-se genro do rei é fácil? Sou homem pobre e sem recursos”.
  25. Quando os conselheiros de Saul lhe contaram o que Davi tinha dito, Saul ordenou que dissessem a Davi: “O rei não quer outro preço pela noiva além de cem prepúcios de filisteus, para vingar-se de seus inimigos”.
  26. O plano de Saul era que Davi fosse morto pelos filisteus.
  27. Quando os conselheiros falaram novamente com Davi, ele gostou da ideia de tornar-se genro do rei.
  28. Por isso, antes de terminar o prazo estipulado, Davi e seus soldados saíram e mataram duzentos filisteus.
  29. Ele trouxe os prepúcios e apresentou-os ao rei para que se tornasse seu genro. Então Saul lhe deu em casamento sua filha Mical.
  30. Quando Saul viu claramente que o SENHOR estava com Davi e que sua filha Mical o amava, temeu-o ainda mais e continuou seu inimigo pelo resto de sua vida.
  31. Os comandantes filisteus continuaram saindo para a batalha, e, todas as vezes que o faziam, Davi tinha mais habilidade do que os outros oficiais de Saul, e ele tornou-se ainda mais famoso.
  32. Saul falou a seu filho Jônatas e a todos os seus conselheiros sobre a sua intenção de matar Davi.
  33. Jônatas, porém, gostava muito de Davi e o alertou: “Meu pai, está procurando uma oportunidade para matá-lo. Tenha cuidado amanhã cedo. Vá para um esconderijo e fique por lá.”
  34. “Sairei e ficarei com meu pai no campo onde você estiver. Falarei a ele sobre você e, depois, contarei a você o que eu descobrir”.
  35. Jônatas falou bem de Davi a Saul, seu pai, e lhe disse: “Que o rei não faça mal a seu servo Davi; ele não lhe fez mal nenhum. Ao contrário, o que ele fez trouxe grandes benefícios ao rei.”
  36. “Ele arriscou a vida quando matou o filisteu. O SENHOR trouxe grande vitória para todo o Israel; tu mesmo viste tudo e ficaste contente. Por que, então, farias mal a um inocente como Davi, matando-o sem motivo?”
  37. Saul atendeu a Jônatas e fez este juramento: “Juro pelo nome do SENHOR que Davi não será morto”.
  38. Então Jônatas chamou a Davi e lhe contou a conversa toda. Levou-o até Saul, e Davi voltou a servir a Saul como anteriormente.
  39. E houve guerra outra vez, e Davi foi lutar com os filisteus. Ele lhes impôs uma grande derrota e eles fugiram dele.
  40. Mas um espírito maligno mandado pelo SENHOR apoderou-se de Saul quando ele estava sentado em sua casa, com sua lança na mão.
  41. Enquanto Davi estava tocando harpa, Saul tentou encravá-lo na parede com sua lança, mas Davi desviou-se e a lança encravou na parede. E Davi conseguiu escapar.
  42. Naquela mesma noite, Saul enviou alguns homens à casa de Davi para vigiá-lo e matá-lo de manhã; mas Mical, a mulher de Davi, o alertou: “Se você não fugir esta noite para salvar sua vida, amanhã estará morto”.
  43. Então Mical fez Davi descer por uma janela, e ele fugiu.
  44. Depois Mical pegou um ídolo do clã e o deitou na cama, pôs uma almofada de pêlos de cabra na cabeceira e o cobriu com um manto.
  45. Quando chegaram os homens que Saul tinha enviado para prenderem Davi, Mical disse: “Ele está doente”.
  46. Então Saul enviou os homens de volta para verem Davi dizendo: “Tragam-no até aqui em sua cama para que eu o mate”.
  47. Quando, porém, os homens entraram, o ídolo do clã estava na cama, e na cabeceira havia uma almofada de pêlos de cabra.
  48. Saul disse a Mical: “Por que você me enganou desse modo e deixou que o meu inimigo escapasse?” Ela lhe respondeu: “Ele me disse que o deixasse, se não me mataria?”
  49. Depois que fugiu, Davi foi falar com Samuel em Ramá, e contou-lhe tudo o que Saul lhe havia feito. Então ele e Samuel foram a Naiote e ficaram lá.
  50. Quando chegou a festa da lua nova, o rei sentou-se à mesa. Ele se assentou no lugar de costume, junto à parede, em frente de Jônatas, e Abner sentou-se ao lado de Saul, mas o lugar de Davi ficou vazio.
  51. Saul não disse nada naquele dia, pois pensou: “Algo deve ter acontecido a Davi, deixando-o cerimonialmente impuro. Com certeza ele está impuro”.
  52. No dia seguinte, o segundo dia da festa da lua nova, o lugar de Davi continuou vazio. Então Saul perguntou a seu filho Jônatas: “Por que o filho de Jessé não veio para a refeição, nem ontem nem hoje?”
  53. Jônatas respondeu: “Davi me pediu, com insistência, permissão para ir a Belém, dizendo que sua família oferecerá um sacrifício na cidade e seu irmão o ordenou que estivesse lá.”.
  54. A ira de Saul se acendeu contra Jônatas, e ele lhe disse: “Filho de uma mulher perversa e rebelde! Será que eu não sei que você tem apoiado o filho de Jessé para sua própria vergonha e para vergonha daquela que o deu à luz?”
  55. “Enquanto o filho de Jessé viver, nem você nem seu reino serão estabelecidos. Agora mande chamá-lo e traga-o a mim, pois ele deve morrer!”
  56. Jônatas perguntou a seu pai: “Por que ele deve morrer? O que ele fez?”
  57. Então Saul atirou sua lança contra Jônatas para matá-lo. E assim Jônatas percebeu que seu pai estava decidido a matar Davi.
  58. Jônatas levantou-se da mesa muito irado; naquele segundo dia da festa da lua nova ele não comeu, pois estava triste porque seu pai havia humilhado a Davi.
  59. Pela manhã, Jônatas saiu ao campo para encontrar Davi. Davi saiu do lado sul da pedra e inclinou-se três vezes perante Jônatas, com o rosto no chão.
  60. Então despediram-se beijando um ao outro e chorando; Davi chorou ainda mais do que Jônatas.
  61. E ele disse a Davi: “Vá em paz, pois temos jurado um ao outro, em nome do SENHOR, dizendo: O SENHOR para sempre é testemunha entre nós e entre os nossos descendentes”.
  62. Então Davi partiu, e Jônatas voltou à cidade.

Fonte: 1Samuel 18, 19 e 20

Capítulo 50 – Perseguição

  1. Davi foi falar com o sacerdote Aimeleque, em Nobe. Aimeleque tremia quando se encontrou com ele, e perguntou: “Por que você está sozinho? Ninguém veio com você?”
  2. Respondeu Davi: “O rei me encarregou de uma certa missão e me disse que ninguém deve saber coisa alguma sobre sua missão e sobre as suas instruções.”
  3. E crescentou: “Ordenei aos meus soldados que se encontrassem comigo num certo lugar. Agora, então, o que você pode oferecer-me? Dê-me cinco pães ou algo que tiver”.
  4. O sacerdote, contudo, respondeu a Davi: “Não tenho pão comum; somente pão consagrado; se os soldados não tiveram relações com mulheres recentemente podem comê-lo”.
  5. Davi respondeu: “Certamente que não, conforme o nosso costume sempre que saio em campanha. Não tocamos em mulher. Esses homens mantém o corpo puro mesmo em missões comuns. Quanto mais hoje!”
  6. Então, o sacerdote lhe deu os pães consagrados, visto que não havia outro além do pão da Presença, que era retirado de diante do SENHOR e substituído por pão quente no dia em que era tirado.
  7. Aconteceu que um dos servos de Saul estava ali naquele dia, cumprindo seus deveres diante do SENHOR; era o edomita Doegue, chefe dos pastores de Saul.
  8. Davi perguntou a Aimeleque: “Você tem uma lança ou uma espada aqui? Eu não trouxe minha espada nem qualquer outra arma, pois o rei exigiu urgência”.
  9. O sacerdote respondeu: “A espada de Golias, o filisteu que você matou no vale de Elá, está enrolada num pano atrás do colete sacerdotal. Se quiser, pegue-a; não há nenhuma outra espada”.
  10. Davi disse: “Não há outra melhor; dê-me essa espada”.
  11. Naquele dia, Davi fugiu de Saul e foi procurar Aquis, rei de Gate.
  12. Todavia os conselheiros de Aquis lhe disseram: “Não é este Davi, o rei da terra de Israel? Não é aquele sobre quem cantavam em suas danças: ‘Saul abateu seus milhares, e Davi suas dezenas de milhares’?”
  13. Davi levou a sério aquelas palavras e ficou com muito medo de Aquis, rei de Gate.
  14. Por isso, na presença deles ele fingiu estar louco; enquanto esteve com eles, agiu como um louco, riscando as portas da cidade e deixando escorrer saliva pela barba.
  15. Aquis disse a seus conselheiros: “Vejam este homem! Ele está louco! Por que trazê-lo aqui? O que ele veio fazer no meu palácio?”
  16. Davi fugiu da cidade de Gate e foi para a caverna de Adulão. Quando seus irmãos e a família de seu pai souberam disso, foram até lá para encontrá-lo.
  17. Também juntaram-se a ele todos os que estavam em dificuldades, os endividados e os descontentes; e ele se tornou o líder deles. Havia cerca de quatrocentos homens com ele.
  18. De lá Davi foi para Mispá, em Moabe, e disse ao rei de Moabe: “Posso deixar meu pai e minha mãe virem para cá e ficarem contigo até que eu saiba o que Deus fará comigo?”
  19. E assim ele os deixou com o rei de Moabe, e lá eles ficaram enquanto Davi permaneceu na fortaleza.
  20. Contudo, o profeta Gade disse a Davi: “Não fique na fortaleza. Vá para Judá”. Então Davi foi para a floresta de Herete.
  21. Saul ficou sabendo que Davi e seus homens tinham sido descobertos; estava sentado, com a lança na mão, debaixo da tamargueira, na colina de Gibeá, com todos os seus oficiais ao redor.
  22. E ele lhes disse: “Ouçam, homens de Benjamim! Será que o filho de Jessé lhes dará a todos vocês terras e vinhas? Será que ele os fará todos comandantes de mil e comandantes de cem?”
  23. “É por isso que todos vocês têm conspirado contra mim? Ninguém me informa quando meu filho faz acordo com o filho de Jessé. Nenhum de vocês se preocupa comigo nem me avisa que meu filho incitou meu servo a ficar à minha espreita, como ele hoje faz”.
  24. Entretanto, Doegue, o edomita, que estava com os oficiais de Saul, disse: “Vi o filho de Jessé chegar em Nobe e encontrar-se com Aimeleque, filho de Aitube. Aimeleque consultou o SENHOR em favor dele; também lhe deu provisões e a espada de Golias, o filisteu”.
  25. Então o rei mandou chamar o sacerdote Aimeleque, filho de Aitube, e toda a família de seu pai, que eram os sacerdotes em Nobe, e todos foram falar com o rei.
  26. E Saul disse: “Ouça agora, filho de Aitube”. Ele respondeu: “Sim, meu senhor”.
  27. Saul lhe disse: “Por que vocês conspiraram contra mim, você e o filho de Jessé? Porque você lhe deu comida e espada, e consultou a Deus em favor dele, para que se rebelasse contra mim e me armasse cilada, como ele está fazendo?”
  28. Aimeleque respondeu ao rei: “Quem dentre todos os teus oficiais é tão leal quanto Davi, o genro do rei, capitão de sua guarda pessoal e altamente respeitado em sua casa?”
  29. “Será que foi essa a primeira vez que consultei a Deus em favor dele? Certamente que não! Que o rei não acuse a mim, seu servo, nem qualquer um da família de meu pai, pois seu servo nada sabe acerca do que está acontecendo”.
  30. O rei, porém, disse: “Com certeza você será morto, Aimeleque, você e toda a família de seu pai”.
  31. Então o rei ordenou aos guardas que estavam ao seu lado: “Matem os sacerdotes do SENHO, pois eles também apoiam Davi. Sabiam que ele estava fugindo, mas nada me informaram”.
  32. Contudo, os oficiais do rei recusaram erguer as mãos para matar os sacerdotes do SENHOR.
  33. Então o rei ordenou a Doegue: “Mate os sacerdotes”, e ele os matou. E naquele dia, matou oitenta e cinco homens que vestiam túnica de linho.
  34. Além disso, Saul mandou matar os habitantes de Nobe, a cidade dos sacerdotes: homens, mulheres, crianças, recém-nascidos, bois, jumentos e ovelhas.
  35. Entretanto, Abiatar, filho de Aimeleque e neto de Aitube, escapou e fugiu para juntar-se a Davi.
  36. Ele contou a Davi que Saul havia matado os sacerdotes do SENHOR.
  37. Então Davi disse a Abiatar: “Naquele dia, quando o edomita Doegue estava ali, eu sabia que ele não deixaria de informar a Saul. Sou responsável pela morte de toda a família de seu pai.
  38. “Fique comigo, não tenha medo; o homem que está atrás de sua vida também está atrás da minha. Mas você estará a salvo comigo”.

Fonte: 1Samuel 21 e 22

Capítulo 51 – Trégua

  1. Quando disseram a Davi que os filisteus estavam atacando a cidade de Queila, Ele e seus homens combateram os filisteus e se apoderaram de seus rebanhos, impondo-lhes grande derrota e libertando o povo de Queila.
  2. Ora, Abiatar, filho de Aimeleque, tinha levado o colete sacerdotal, quando fugiu para se juntar a Davi, em Queila.
  3. Foi dito a Saul que Davi tinha ido a Queila, e ele disse: “Deus o entregou nas minhas mãos, pois Davi se aprisionou ao entrar numa cidade com portas e trancas”.
  4. E Saul convocou todo o seu exército para a batalha, para irem a Queila e cercarem Davi e os homens que o seguiam.
  5. Quando Davi soube que Saul tramava atacá-lo, disse a Abiatar: “Traga o colete sacerdotal”.
  6. Então orou: “Ó SENHOR, Deus de Israel, este teu servo ouviu claramente que Saul planeja vir a Queila e destruir a cidade por causa dele.”
  7. “Será que os cidadãos de Queila me entregarão a ele? Saul virá de fato, conforme teu servo ouviu? Ó SENHOR, Deus de Israel, responde”. E o SENHOR o respondeu.
  8. E Davi, novamente, perguntou: “Será que os cidadãos de Queila entregarão a mim e a meus soldados a Saul?” E o SENHOR o respondeu.
  9. Então Davi e seus soldados, que eram cerca de seiscentos, partiram de Queila, e ficaram andando sem direção definida.
  10. Quando informaram a Saul que Davi tinha fugido de Queila, ele interrompeu a marcha.
  11. Davi permaneceu nas fortalezas do deserto e nas colinas do deserto de Zife. Dia após dia, Saul o procurava, mas Deus não entregou Davi em suas mãos.
  12. Quando Davi estava em Horesa, no deserto de Zife, soube que Saul tinha saído para matá-lo. E Jônatas, filho de Saul, foi falar com ele, em Horesa, e o ajudou a encontrar forças em Deus.
  13. “Não tenha medo”, disse ele, “meu pai não porá as mãos em você. Você será rei de Israel, e eu lhe serei o segundo em comando. Até meu pai sabe disso.”
  14. Os dois fizeram um acordo perante o SENHOR. Então, Jônatas foi para casa, mas Davi ficou em Horesa.
  15. Alguns zifeus foram informar a Saul, em Gibeá, que Davi estáva se escondendo entre eles nas fortalezas de Horesa, na colina de Haquilá, ao sul do Deserto de Jesimom.
  16. E eles voltaram para Zife, à frente de Saul. Davi e seus soldados estavam no deserto de Maom, na Arabá, ao sul do deserto de Jesimom.
  17. Saul e seus soldados começaram a busca, e, ao ser informado disso, Davi desceu à rocha e permaneceu no deserto de Maom.
  18. Sabendo disso, Saul foi para lá em perseguição a Davi. Saul ia por um lado da montanha, e Davi e seus soldados pelo outro, fugiam depressa para escapar de Saul.
  19. Quando Saul e suas tropas estavam cercando Davi e seus soldados para capturá-los,
    um mensageiro veio dizer a Saul: “Venha depressa! Os filisteus estão atacando Israel”.
  20. Então Saul interrompeu a perseguição a Davi e foi enfrentar os filisteus. Por isso chamam esse lugar Selá-Hamalecote.
  21. E Davi saiu daquele lugar e foi viver nas fortalezas de En-Gedi.
  22. Saul voltou da luta contra os filisteus e disseram-lhe que Davi estava no deserto de En-Gedi.
  23. Então Saul tomou três mil de seus melhores soldados de todo o Israel e partiu à procura de Davi e seus homens perto dos rochedos dos Bodes Selvagens.
  24. Ele foi aos currais de ovelhas que ficavam junto ao caminho; havia ali uma caverna, e Saul entrou nela para fazer suas necessidades.
  25. Davi e seus soldados estavam bem no fundo da caverna.
  26. Eles disseram: “Este é o dia sobre o qual o SENHOR lhe falou: ‘Entregarei nas suas mãos seu inimigo para que você faça com ele o que quiser’”. Então Davi foi com muito cuidado e cortou uma ponta do manto de Saul, sem que este percebesse.
  27. Mas Davi sentiu bater-lhe o coração de remorso por ele ter cortado uma ponta do manto de Saul.
  28. E então disse a seus soldados: “Que o SENHOR me livre de fazer tal coisa a meu senhor, de erguer a mão contra ele; pois é o ungido do SENHOR”.
  29. Com essas palavras Davi repreendeu os soldados e não permitiu que atacassem Saul. E este saiu da caverna e seguiu seu caminho.
  30. Então Davi saiu da caverna e gritou para Saul: “Ó rei, meu senhor!” Quando Saul olhou para trás, Davi inclinou-se, rosto em terra.
  31. E depois disse: “Por que o rei dá atenção aos que dizem que eu pretendo lhe fazer mal? Hoje o rei pode ver com os próprios olhos como o SENHOR o entregou em minhas mãos na caverna.”
  32. “Alguns insistiram que eu o matasse, mas eu o poupei, pois disse: Não erguerei a mão contra meu senhor, pois ele é o ungido do SENHOR.”
  33. “Olha, meu pai, olha para este pedaço de teu manto em minha mão! Cortei a ponta de teu manto, mas não o matei.”
  34. “Agora entende e reconhece que não sou culpado de fazer o mal ou de rebelar-me. Não lhe fiz mal algum, embora estejas à minha procura para tirar-me a vida.”
  35. “O SENHOR julgue entre mim e ti. Vingue ele os males que tens feito contra mim, mas não levantarei a mão contra ti.”
  36. “Como diz o provérbio antigo: Dos ímpios vêm coisas ímpias’; por isso não levantarei a minha mão contra ti.”
  37. “Contra quem saiu o rei de Israel? A quem está perseguindo? A um cão morto! A uma pulga! O SENHOR seja o juiz e nos julgue. Considere ele minha causa e a sustente; que ele me julgue, livrando-me de tuas mãos.”
  38. Tendo Davi falado todas essas palavras, Saul perguntou: “É você, meu filho Davi?” E chorou em voz alta.
  39. “Você é mais justo do que eu”, disse ele a Davi.”Você me tratou bem, mas eu o tratei mal.”
  40. “Você acabou de mostrar o bem que me tem feito; o SENHOR me entregou em suas mãos, mas você não me matou.”
  41. “Quando um homem encontra um inimigo e o deixa ir sem fazer-lhe mal? O SENHOR o recompense com o bem, pelo modo como você me tratou hoje.”
  42. “Agora tenho certeza de que você será rei e de que o reino de Israel será firmado em suas mãos.”
  43. “Portanto, jure-me pelo SENHOR que você não eliminará meus descendentes nem fará meu nome desaparecer da família de meu pai”.
  44. Então Davi fez seu juramento a Saul. E este voltou para casa, mas Davi e seus soldados foram para a fortaleza.

Fonte: 1Samuel 23 e 24

Capítulo 52 – Abigail

  1. Samuel morreu, e todo o Israel se reuniu e o pranteou; e o sepultaram onde vivia, em Ramá. Depois Davi foi para o deserto de Maom.
  2. Certo homem de Maom, que tinha seus bens na cidade de Carmelo, era muito rico. Possuía mil cabras e três mil ovelhas, as quais estavam sendo tosquiadas em Carmelo.
  3. Seu nome era Nabal e o nome de sua mulher era Abigail, mulher inteligente e bonita; mas seu marido, descendente de Calebe, era rude e mau.
  4. No deserto, Davi ficou sabendo que Nabal estava tosquiando as ovelhas.
  5. Por isso, enviou dez rapazes e lhes disse: “Levem minha mensagem a Nabal, em Carmelo, e o cumprimentem em meu nome.”
  6. Digam-lhe: ‘Longa vida para o senhor! Muita paz para o senhor e sua família! E muita prosperidade para tudo que é teu! ’
  7. “Sei que estás tosquiando tuas ovelhas. Quando os teus pastores estavam conosco, nós não os maltratamos, e durante todo o tempo em que estiveram em Carmelo não se perdeu nada que fosse deles. Pergunte a eles, e eles lhe dirão.”
  8. “Por isso, seja favorável, pois estamos vindo em época de festa. Por favor, dá a nós teus servos e a teu filho Davi o que puderes’”.
  9. Os rapazes foram e deram a Nabal essa mensagem, em nome de Davi. E ficaram esperando.
  10. Nabal respondeu então aos servos de Davi: “Quem é Davi? Quem é esse filho de Jessé? Hoje em dia, muitos servos estão fugindo de seus senhores. Por que deveria eu pegar meu pão e minha água, e a carne do gado que abati para meus tosquiadores, e dá-los a homens que vêm não se sabe de onde?”
  11. Então, os mensageiros de Davi voltaram, e ao chegarem, relataram a ele cada uma dessas palavras.
  12. Davi ordenou a seus homens: “Ponham suas espadas na cintura!” Assim eles fizeram e também Davi. Cerca de quatrocentos homens acompanharam Davi, enquanto duzentos permaneceram com a bagagem.
  13. Um dos servos disse a Abigail, mulher de Nabal: “Do deserto, Davi enviou mensageiros para saudar o nosso senhor, mas ele os insultou.”
    “No entanto, aqueles homens foram muito bons para conosco. Não nos maltrataram, e, durante todo o tempo em que estivemos com eles nos campos, nada perdemos.”
  14. “Dia e noite eles eram como um muro ao nosso redor, durante todo o tempo em que estivemos com eles cuidando de nossas ovelhas.”
  15. “Agora, leve isso em consideração e veja o que a senhora pode fazer, pois a destruição paira sobre o nosso senhor e sobre toda a sua família. Ele é um homem tão mau que ninguém consegue conversar com ele”.
  16. Imediatamente, Abigail pegou duzentos pães, duas vasilhas de couro cheias de vinho, cinco ovelhas preparadas, cinco medidas de grãos torrados, cem bolos de uvas passas e duzentos bolos de figos prensados, e os carregou em jumentos.
  17. E disse a seus servos: “Vocês vão na frente; eu os seguirei”. Ela, porém, nada disse a Nabal, seu marido.
  18. Enquanto ela ia montada num jumento, encoberta pela montanha, Davi e seus soldados estavam descendo em sua direção, e ela os encontrou.
  19. Davi tinha dito: “De nada adiantou proteger os bens daquele homem no deserto, para que nada se perdesse. Ele me pagou o bem com o mal.”
  20. “Que Deus castigue a Davi, e o faça com muita severidade, caso até de manhã eu deixe vivo um só do sexo masculino de todos os que pertencem a Nabal!”
  21. Quando Abigail viu Davi, desceu depressa do jumento e prostrou-se perante Davi, rosto em terra.
  22. Ela caiu a seus pés e disse: “Meu senhor, a culpa é toda minha. Por favor, deixa a tua serva lhe falar; ouve o que ela tem a dizer.”
  23. “Meu senhor, não dês atenção àquele homem mau, Nabal. Ele é insensato, conforme o seu nome significa; e a insensatez o acompanha. Contudo, eu, tua serva, não vi os rapazes que meu senhor enviou.”
  24. “Agora, meu senhor, juro pelo nome do SENHOR e por tua vida que foi o SENHOR que o impediu de derramar sangue e de vingar-se com tuas próprias mãos. Que teus inimigos e todos os que pretendem fazer-te mal sejam castigados como Nabal.”
  25. “E que este presente que esta tua serva trouxe ao meu senhor seja dado aos homens que o seguem.”
  26. Esqueça, eu te suplico, a ofensa de tua serva, pois o SENHOR certamente fará um reino duradouro para ti, que travas os combates do SENHOR. E em toda a tua vida, nenhuma culpa se ache em ti.”
  27. “Mesmo que alguém te persiga para tirar-te a vida, a vida de meu senhor estará firmemente segura como a dos que são protegidos pelo SENHOR teu Deus. Mas a vida de teus inimigos será atirada para longe como por uma atiradeira.”
  28. “Quando o SENHOR tiver feito a meu senhor todo o bem que prometeu e te tiver nomeado líder sobre Israel, meu senhor não terá no coração o peso de ter derramado sangue desnecessariamente nem de ter feito justiça com as próprias mãos. E, quando o SENHOR tiver abençoado a ti, lembra-te de tua serva”.
  29. Davi disse a Abigail: “Bendito seja o SENHOR, o Deus de Israel, que hoje a enviou ao meu encontro.”
  30. “Seja você abençoada pelo seu bom senso e por evitar que eu hoje derrame sangue e me vingue com minhas próprias mãos.
  31. “De outro modo, juro pelo nome do SENHOR, o Deus de Israel, que evitou que eu lhe fizesse mal, se você não tivesse vindo depressa encontrar-me, nem um só do sexo masculino pertencente a Nabal teria sido deixado vivo ao romper do dia”.
  32. Então Davi aceitou o que ela havia lhe trazido e disse: “Vá para sua casa em paz. Ouvi o que você disse e atenderei o seu pedido”.
  33. Quando Abigail retornou a Nabal, ele estava dando um banquete em casa, como um banquete de rei. Ele estava alegre e bastante bêbado, e ela nada lhe falou até o amanhecer.
  34. De manhã, quando Nabal estava sóbrio, sua mulher lhe contou todas essas coisas; ele sofreu um ataque e ficou paralisado como uma pedra.
  35. Cerca de dez dias depois, o SENHOR feriu a Nabal, e ele morreu.
  36. Quando Davi soube que Nabal estava morto, disse: “Bendito seja o SENHOR, que defendeu a minha causa contra Nabal, por ter me tratado com desprezo. O SENHOR impediu seu servo de praticar o mal e fez com que a maldade de Nabal caísse sobre sua própria cabeça”.
  37. Então Davi enviou uma mensagem a Abigail, pedindo-lhe que se tornasse sua mulher.
  38. Seus servos foram a Carmelo e disseram a Abigail: “Davi nos enviou a você para levá-la para tornar-se mulher dele”.
  39. Ela se levantou, depois inclinou-se rosto em terra e disse: “Aqui está a sua serva, pronta para servi-los e lavar os pés dos servos de meu senhor”.
  40. Abigail logo montou num jumento e, acompanhada por suas cinco servas, foi com os mensageiros de Davi e tornou-se sua mulher.
  41. Davi também casou-se com Ainoã de Jezreel; e as duas foram suas mulheres.
  42. Saul, porém, tinha dado sua filha Mical, mulher de Davi, a Paltiel, filho de Laís, de Galim.

Fonte: 1Samuel 25

Capítulo 53 – Aquis

  1. Davi, contudo, pensou: “Algum dia serei morto por Saul. É melhor fugir para a terra dos filisteus. Então Saul desistirá de procurar-me por todo o Israel, e escaparei dele”.
  2. Assim, Davi e os seiscentos homens que estavam com ele foram até Aquis, filho de Maoque, rei de Gate.
  3. Davi e seus soldados se estabeleceram com Aquis, em Gate. Cada homem levou sua família, e Davi, suas duas mulheres, Ainoã, de Jezreel, e Abigail, mulher de Nabal, de Carmelo.
  4. Quando contaram a Saul que Davi havia fugido para Gate, ele parou de persegui-lo.
  5. Então Davi disse a Aquis: “Se eu conto com a sua simpatia, dá-me um lugar numa das cidades desta terra onde eu possa viver. Por que este teu servo viveria contigo na cidade real?”
  6. Naquele dia Aquis deu-lhe Ziclague. Por isso, Ziclague pertence aos reis de Judá até hoje.
  7. Davi morou em território filisteu durante um ano e quatro meses.
  8. Davi e seus soldados atacavam os gesuritas, os gersitas e os amalequitas, povos que, desde tempos antigos, habitavam a terra que se estende de Sur até o Egito.
  9. Quando Davi atacava a região, não poupava homens nem mulheres, e tomava ovelhas, bois, jumentos, camelos e roupas. Então retornava a Aquis.
  10. Quando Aquis perguntava: “Onde você atacou hoje?” Davi respondia: “O Neguebe de Judá” ou “O Neguebe de Jerameel” ou “O Neguebe dos queneus”.
  11. Ele matava a todos, homens e mulheres, para que não fossem levados a Gate, pois pensava: “Eles poderão denunciar-me”. Este foi o seu procedimento enquanto viveu em território filisteu.
  12. Aquis confiava em Davi e dizia: “Ele se tornou tão odiado por seu povo, os israelitas, que será meu servo para sempre”.
  13. Os filisteus reuniram todas as suas tropas em Afeque, e Israel acampou junto à fonte em Jezreel.
  14. Enquanto os governantes filisteus avançavam com seus grupos de cem e de mil, Davi e seus homens iam na retaguarda com Aquis.
  15. Os comandantes dos filisteus perguntaram: “O que estes hebreus fazem aqui?” Aquis respondeu: “Este é Davi, que era oficial de Saul, rei de Israel. Ele já está comigo há mais de um ano, e desde o dia em que deixou Saul nada fez que mereça desconfiança”.
  16. Contudo, os comandantes filisteus se iraram contra ele e disseram: “Mande embora este homem para a cidade que você lhe designou. Ele não deve ir para a guerra conosco, senão se tornará nosso adversário durante o combate.”
  17. “Qual seria a melhor maneira de recuperar a boa vontade de seu senhor, senão às custas das cabeças de nossos homens? Não é ele o Davi de quem cantavam em suas danças: ‘Saul abateu seus milhares, e Davi suas dezenas de milhares’?”
  18. Então Aquis chamou a Davi e lhe disse: “Juro pelo nome do SENHOR que você tem sido leal, e ficaria contente em tê-lo servindo comigo no exército. Desde o dia em que você veio a mim, nunca desconfiei de você, mas os governantes não o aprovam.”
    “Agora, volte e vá em paz! Não faça nada que desagrade os governantes filisteus”.
  19. Davi perguntou: “O que foi que eu fiz? O que descobriste contra teu servo, desde o dia em que cheguei? Por que não posso ir e lutar contra os inimigos do rei, meu senhor?”
  20. Aquis respondeu: “Reconheço que você tem feito o que eu aprovo, como um anjo de Deus. Os comandantes filisteus, no entanto, dizem que você não deve ir à batalha conosco.
  21. Agora, levante-se bem cedo, junto com os servos de seu senhor que vieram com você, e partam de manhã, assim que clarear o dia”.
  22. Então Davi e seus soldados levantaram-se de madrugada para voltar à terra dos filisteus. Os filisteus, porém, foram para Jezreel.
  23. Quando Davi e seus soldados chegaram a Ziclague, no terceiro dia, os amalequitas tinham atacado o Neguebe e Ziclague, e haviam incendiado a cidade.
  24. Levaram como prisioneiros todos os que lá estavam: as mulheres, os jovens e os idosos. A ninguém mataram, mas os levaram consigo, quando prosseguiram seu caminho.
  25. Ao chegarem a Ziclague, Davi e seus soldados encontraram a cidade destruída pelo fogo e viram que suas mulheres, filhos e filhas haviam sido levados como prisioneiros.
  26. Então Davi e seus soldados choraram em alta voz até não terem mais forças.
  27. As duas mulheres de Davi também tinham sido levadas: Ainoã de Jezreel, e Abigail de Carmelo, a que fora mulher de Nabal.
  28. Davi ficou profundamente angustiado, pois os homens falavam em apedrejá-lo; todos estavam amargurados por causa de seus filhos e suas filhas. Davi, porém, fortaleceu-se no SENHOR seu Deus.
  29. Então Davi disse ao sacerdote Abiatar, filho de Aimeleque: “Traga-me o colete sacerdotal”.
  30. Abiatar o trouxe a Davi, e ele perguntou ao SENHOR: “Devo perseguir este bando de invasores? Irei alcançá-los?”
  31. Davi e os seiscentos homens que estavam com ele foram ao ribeiro de Besor, onde ficaram alguns, pois duzentos deles estavam exaustos demais para atravessar o ribeiro.
  32. Todavia, Davi e quatrocentos homens continuaram a perseguição.
  33. Encontraram um egípcio no campo e o trouxeram a Davi. Deram-lhe água e comida: um pedaço de bolo de figos prensados e dois bolos de uvas passas.
  34. Ele comeu e recobrou as forças, pois tinha ficado três dias e três noites sem comer e sem beber.
  35. Davi lhe perguntou: “A quem você pertence e de onde vem?”
  36. Ele respondeu: “Sou um jovem egípcio, servo de um amalequita. Meu senhor me abandonou quando fiquei doente há três dias. Nós atacamos o Neguebe dos queretitas, o território que pertence a Judá e o Neguebe de Calebe. E incendiamos a cidade de Ziclague”.
  37. Davi lhe perguntou: “Você pode levar-me até esse bando de invasores?” Ele respondeu: “Jura, diante de Deus, que não me matarás nem me entregarás nas mãos de meu senhor, e te levarei até eles”.
  38. Quando ele levou Davi até lá, eles estavam espalhados pela região, comendo, bebendo e festejando os muitos bens que haviam tomado da terra dos filisteus e de Judá.
  39. Davi os atacou no dia seguinte, desde o amanhecer até à tarde, e nenhum deles escapou, com a exceção de quatrocentos jovens que montaram em camelos e fugiram.
  40. Davi recuperou tudo o que os amalequitas tinham levado, incluindo suas duas mulheres.
  41. Nada faltou; nem jovens, nem velhos, nem filhos, nem filhas, nem bens nem qualquer outra coisa que fora levada. Davi recuperou tudo.
  42. E tomou também todos os rebanhos dos amalequitas, e seus soldados os conduziram à frente dos outros animais, dizendo: “Estes são os despojos de Davi”.
  43. Então Davi foi até os duzentos homens que estavam exaustos demais para segui-lo e tinham ficado no ribeiro de Besor. Eles saíram para encontrar Davi e os que estavam com ele. Ao se aproximar com seus soldados, Davi os saudou.
  44. Mas todos os maus e vadios que tinham ido com Davi disseram: “Uma vez que não saíram conosco, não repartiremos com eles os bens que recuperamos. No entanto, cada um poderá pegar sua mulher e seus filhos e partir”.
  45. Davi respondeu: “Não, meus irmãos! Não façam isso com o que o SENHOR nos deu. Ele nos protegeu e entregou em nossas mãos as forças que vieram contra nós.”
    “Quem concordará com o que vocês estão dizendo? A parte de quem ficou com a bagagem será a mesma de quem foi à batalha. Todos receberão partes iguais”.
  46. Davi fez disso um decreto e uma ordenança para Israel, desde aquele dia até hoje.
  47. Quando Davi chegou a Ziclague, enviou parte dos bens às autoridades de Judá, que eram seus amigos, dizendo: “Eis um presente para vocês, tirado dos bens dos inimigos do SENHOR”.
  48. Ele enviou esse presente às autoridades de Betel, de Ramote do Neguebe, de Jatir, de Aroer, de Sifmote, de Estemoa, de Racal, das cidades dos jerameelitas e dos queneus, e de Hormá, de Corasã, de Atace, de Hebrom.
  49. Ede todos os lugares onde Davi e seus soldados tinham passado.

Fonte: 1Samuel 27, 29, 30

Capítulo 54 – Monte Gilboa

  1. Naqueles dias os filisteus reuniram suas tropas para lutar contra Israel. Aquis disse a Davi: “Você deve saber que você e seus soldados me acompanharão no exército”.
  2. Disse Davi a Aquis: “Então tu saberás o que teu servo é capaz de fazer”. Aquis respondeu-lhe: “Então, o colocarei como minha guarda pessoal permanente”.
  3. Samuel já havia morrido, e todo o Israel o havia pranteado e sepultado em Ramá, sua cidade natal. Saul havia expulsado do país os médiuns e os espíritas.
  4. Depois que os filisteus se reuniram, vieram e acamparam em Suném, enquanto Saul reunia todos os israelitas e acampava em Gilboa.
  5. Quando Saul viu o acampamento filisteu, teve medo; ficou apavorado.
  6. Ele consultou o SENHOR, mas este não lhe respondeu nem por sonhos nem por Urim nem por profetas.
  7. Então Saul disse aos seus auxiliares: “Procurem uma mulher que invoca espíritos, para que eu a consulte”.
  8. Eles disseram: “Existe uma em En-Dor”.
  9. Saul então se disfarçou, vestindo outras roupas, e foi à noite, com dois homens, até a casa da mulher. Ele disse a ela: “Invoque um espírito para mim, fazendo subir aquele cujo nome eu disser”.
  10. A mulher, porém, lhe disse: “Certamente você sabe o que Saul fez. Ele eliminou os médiuns e os espíritas da terra de Israel. Por que você está preparando uma armadilha contra mim que me levará à morte?”
  11. Saul jurou-lhe pelo SENHOR: “Juro pelo nome do SENHOR que você não será punida por isso”.
  12. “Quem devo fazer subir?”, perguntou a mulher. Ele respondeu: “Samuel”.
  13. Quando a mulher viu Samuel, gritou e disse a Saul: “Por que me enganaste? Tu mesmo és Saul!”
  14. O rei lhe disse: “Não tenha medo. O que você está vendo?” A mulher disse a Saul: “Vejo um ser que sobe do chão”.
  15. Ele perguntou: “Qual a aparência dele?” E disse ela: “Um ancião vestindo um manto está subindo”. Então Saul ficou sabendo que era Samuel, inclinou-se e prostrou-se, rosto em terra.
  16. Samuel perguntou a Saul: “Por que você me perturbou, fazendo-me subir?” Respondeu Saul: “Estou muito angustiado. Os filisteus estão me atacando e Deus se afastou de mim. Ele já não responde nem por profetas nem por sonhos; por isso o chamei para dizer-me o que fazer”.
  17. Disse Samuel: “Por que você me chamou, já que o SENHOR se afastou de você e se tornou seu inimigo?
  18. “O SENHOR fez o que predisse por meu intermédio: rasgou de suas mãos o reino e o deu a seu próximo, a Davi.”
  19. “Porque você não obedeceu ao SENHOR nem executou a grande ira dele contra os amalequitas, ele lhe faz isso hoje.”
  20. “O SENHOR entregará você e o povo de Israel nas mãos dos filisteus, e amanhã você e seus filhos estarão comigo. O SENHOR também entregará o exército de Israel nas mãos dos filisteus”.
  21. Na mesma hora Saul caiu estendido no chão, aterrorizado pelas palavras de Samuel. Suas forças haviam se esgotado, pois ele tinha passado todo aquele dia e toda aquela noite sem comer.
  22. Quando a mulher se aproximou de Saul e viu que ele estava profundamente perturbado, disse: “Olha, tua serva te obedeceu. Arrisquei minha vida e fiz o que me ordenaste.”
  23. “Agora, por favor, ouve tua serva e come um pouco para que tenhas forças para seguir teu caminho”.
  24. Ele recusou e disse: “Não vou comer”. Seus homens, porém, insistiram com ele, e a mulher também; e ele os atendeu. Ele se levantou do chão e sentou-se na cama.
  25. A mulher matou depressa um bezerro gordo que tinha em casa; apanhou um pouco de farinha, amassou-a e assou pão sem fermento.
  26. Então ela serviu a Saul e a seus homens, e eles comeram. E naquela mesma noite eles partiram.
  27. E aconteceu que, em combate com os filisteus, os israelitas foram postos em fuga e muitos caíram mortos no monte Gilboa.
  28. Os filisteus perseguiram Saul e seus filhos, e mataram Jônatas, Abinadabe e Malquisua, filhos de Saul.
  29. O combate foi se tornando cada vez mais violento em torno de Saul, até que os flecheiros o alcançaram e o feriram gravemente.
  30. Então Saul ordenou ao seu escudeiro: “Tire sua espada e mate-me com ela, senão sofrerei a vergonha de cair nas mãos desses incircuncisos”. Mas seu escudeiro estava apavorado e não quis fazê-lo. Saul, então, pegou a própria espada e jogou-se sobre ela.
  31. Quando o escudeiro viu que Saul estava morto, jogou-se também sobre sua espada e morreu com ele.
  32. De maneira que Saul, seus três filhos, seu escudeiro e todos os seus soldados morreram juntos naquele dia.
  33. Quando os israelitas que habitavam do outro lado do vale e a leste do Jordão viram que o exército tinha fugido, e que Saul e seus filhos estavam mortos, fugiram abandonando suas cidades. Depois os filisteus foram ocupá-las.
  34. No dia seguinte, quando os filisteus foram saquear os mortos, encontraram Saul e seus três filhos caídos no monte Gilboa.
  35. Cortaram a cabeça de Saul, pegaram suas armas, e enviaram mensageiros por toda a terra dos filisteus proclamando a notícia nos templos de seus ídolos e entre seu povo.
  36. Expuseram as armas de Saul no templo dos postes sagrados e penduraram seu corpo no muro de Bete-Seã.
  37. Quando os habitantes de Jabes-Gileade ficaram sabendo do que os filisteus tinham feito com Saul, os mais corajosos dentre eles foram durante a noite a Bete-Seã.
  38. Baixaram os corpos de Saul e de seus filhos do muro de Bete-Seã e foram para Jabes, onde os queimaram.
  39. Depois enterraram seus ossos debaixo de uma tamargueira em Jabes, e jejuaram por sete dias.
  40. Depois da morte de Saul, Davi retornou de sua vitória sobre os amalequitas. Fazia dois dias que ele estava em Ziclague quando, no terceiro dia, chegou um homem que vinha do acampamento de Saul, com as roupas rasgadas e terra na cabeça.
  41. Ao aproximar-se de Davi, prostrou-se em terra, em sinal de respeito. Davi então lhe perguntou: “De onde você vem?” Ele respondeu: “Fugi do acampamento israelita”.
  42. Disse Davi: “Conte-me o que aconteceu?” E o homem contou: “O nosso exército fugiu da batalha, e muitos morreram. Saul e Jônatas também estão mortos”.
  43. Então Davi perguntou ao jovem que lhe trouxera as notícias: “Como você sabe que Saul e Jônatas estão mortos?”
  44. O jovem respondeu: “Cheguei por acaso ao monte Gilboa, e lá estava Saul, apoiado em sua lança. Os carros de guerra e os oficiais da cavalaria estavam a ponto de alcançá-lo.
  45. Quando ele se virou e me viu, chamou-me, gritando, e eu disse: ‘Estou aqui’”.
  46. “Ele me perguntou: ‘Quem é você? ’ ” ‘Sou um amalequita’, respondi.
  47. “Então ele me ordenou: ‘Venha aqui e mate-me! Estou na angústia da morte, mas ainda vivo’.
  48. “Por isso aproximei-me dele e o matei, pois sabia que ele não sobreviveria ao ferimento. Peguei a coroa e o bracelete dele e trouxe-os para ti, meu senhor.”
  49. Então Davi rasgou suas vestes; e os homens que estavam com ele fizeram o mesmo.
  50. E lamentaram, chorando e jejuando até o fim da tarde, por Saul e por seu filho Jônatas, pelo exército do SENHOR e pelo povo de Israel, porque muitos haviam sido mortos à espada.
  51. E Davi perguntou ao jovem que lhe trouxera as notícias: “De onde você é?” E ele respondeu: “Sou filho de um estrangeiro, sou amalequita”.
  52. Davi lhe perguntou: “Como você não temeu levantar a mão para matar o ungido do SENHOR?”
  53. Então Davi chamou um dos seus soldados e disse-lhe: “Venha aqui e mate-o!” O servo o feriu, e o homem morreu.
  54. Davi tinha dito ao jovem: “Você é responsável por sua própria morte. Sua boca testemunhou contra você, quando disse: ‘Matei o ungido do SENHOR’”.
  55. Davi cantou este lamento sobre Saul e seu filho Jônatas, e ordenou que se ensinasse aos homens de Judá este Lamento do Arco, que foi registrado no Livro de Jasar:
  56. “O seu esplendor, ó Israel, está morto sobre os seus montes. Como caíram os guerreiros!
  57. “Não conte isso em Gate, não o proclame nas ruas de Ascalom, para que não se alegrem as filhas dos filisteus nem exultem as filhas dos incircuncisos.”
  58. “Ó colinas de Gilboa, nunca mais haja orvalho nem chuva sobre vocês, nem campos que produzam trigo para as ofertas. Porque ali foi profanado o escudo dos guerreiros, o escudo de Saul, que nunca mais será polido com óleo.”
  59. “Do sangue dos mortos, da carne dos guerreiros, o arco de Jônatas nunca recuou, a espada de Saul sempre cumpriu a sua tarefa.”
  60. “Saul e Jônatas, mui amados, nem na vida nem na morte foram separados. Eram mais ágeis que as águias, mais fortes que os leões.
  61. “Chorem por Saul, ó filhas de Israel! Chorem aquele que as vestia de rubros ornamentos, e suas roupas enfeitava com adornos de ouro.”
  62. “Como caíram os guerreiros no meio da batalha! Jônatas está morto sobre os montes de Israel.
  63. “Como estou triste por você, Jônatas, meu irmão! Como eu lhe queria bem! Sua amizade me era mais preciosa que o amor das mulheres!”
  64. “Caíram os guerreiros! As armas de guerra foram destruídas!”

Fonte: 1Samuel 54 e 2Samuel 1

Capítulo 55 – Is-Bosete

  1. Passado algum tempo, então Davi foi para Hebrom com suas duas mulheres, Ainoã, de Jezreel e Abigail, viúva de Nabal, o carmelita.
  2. Davi também levou os homens que o acompanhavam, cada um com sua família, e estabeleceram-se em Hebrom e nos povoados vizinhos.
  3. Então os homens de Judá foram a Hebrom e ali ungiram Davi rei da tribo de Judá.
  4. Informado de que os habitantes de Jabes-Gileade tinham sepultado Saul, Davi enviou-lhes mensageiros que lhes disseram: “O SENHOR os abençoe por seu ato de lealdade, ao sepultar Saul, seu rei.”
  5. “Seja o SENHOR leal e fiel para com vocês. Também eu firmarei minha amizade com vocês, por terem feito essa boa ação.”
  6. “Mas, agora, sejam fortes e corajosos, pois Saul, seu senhor, está morto, e já fui ungido rei pela tribo de Judá”.
  7. Enquanto isso, Abner, filho de Ner, comandante do exército de Saul, levou Is-Bosete, filho de Saul, a Maanaim, onde o proclamou rei sobre Gileade, Assuri, Jezreel, Efraim, Benjamim e sobre todo o Israel.
  8. Is-Bosete, filho de Saul, tinha quarenta anos de idade quando começou a reinar em Israel, e reinou dois anos.
  9. A tribo de Judá, entretanto, seguia Davi, que a governou por sete anos e seis meses, em Hebrom.
  10. Abner, filho de Ner, e os soldados de Is-Bosete partiram de Maanaim e marcharam para Gibeom eunquanto Joabe, filho de Zeruia, e os soldados de Davi foram ao encontro deles no açude de Gibeom.
  11. Um grupo posicionou-se num lado do açude, o outro grupo, no lado oposto. Então Abner disse a Joabe: “Vamos fazer alguns soldados lutarem diante de nós”. Joabe respondeu: “De acordo”.
  12. Então doze soldados aliados de Benjamim e Is-Bosete, filho de Saul, atravessaram o açude para enfrentar doze dos soldados aliados de Davi.
  13. Cada soldado pegou o adversário pela cabeça e fincou-lhe o punhal no lado, e juntos caíram mortos. Por isso aquele lugar, situado em Gibeom, foi chamado Helcate-Hazurim.
  14. Houve uma violenta batalha naquele dia; e Abner e os soldados de Israel foram derrotados pelos soldados de Davi.
  15. Estavam lá Joabe, Abisai e Asael, os três filhos de Zeruia. E Asael, que corria como uma gazela em terreno plano, perseguiu Abner, sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda.
  16. Abner olhou para trás e perguntou: “É você, Asael?” “Sou eu”, respondeu ele.
  17. Então Abner advertiu Asael: “Pare de me perseguir! Não quero matá-lo. Como poderia olhar seu irmão Joabe nos olhos de novo?”
  18. Como, porém, Asael, não desistiu de persegui-lo, Abner cravou no estômago dele a ponta da lança, que saiu pelas costas. E ele caiu, morrendo ali mesmo.
  19. Paravam todos os que chegavam ao lugar onde Asael estava caído.
  20. Ao pôr-do-sol, Abner chegaou à colina de Amá, defronte de Gia, no caminho para o deserto de Gibeom. Ali, os soldados de Benjamim reuniram-se formando um só grupo e ocuparam o alto de uma colina.
  21. Então Abner gritou para Joabe: “O derramamento de sangue vai continuar? Não vê que isso vai trazer amargura? Quando mandará o seu exército parar de perseguir os seus irmãos?”
  22. Abner e seus soldados marcharam pela Arabá durante toda a noite. Atravessaram o Jordão, marcharam durante a manhã inteira e chegaram a Maanaim.
  23. Quando Joabe voltou da perseguição a Abner, reuniu todo o exército. E viram que faltavam dezenove soldados, além de Asael. Os soldados de Davi tinham matado trezentos e sessenta benjamitas que estavam com Abner.
  24. Eles levaram Asael e o sepultaram no túmulo de seu pai, em Belém.
  25. Depois disso, Joabe e seus soldados marcharam durante toda a noite e chegaram a Hebrom ao amanhecer.
  26. A guerra entre as famílias de Saul e Davi durou muito tempo. Davi tornava-se cada vez mais forte, enquanto que a família de Saul se enfraquecia.
  27. Enquanto transcorria a guerra entre as famílias de Saul e de Davi, Abner foi se tornando poderoso na família de Saul.
  28. Saul tivera uma concubina chamada Rispa, filha de Aiá. Certa vez Is-Bosete perguntou a Abner: “Por que você se deitou com a concubina de meu pai?”
  29. Abner ficou furioso com a pergunta de Is-Bosete e exclamou: “Por acaso eu sou um cão a serviço de Judá?”
  30. “Até agora tenho sido leal à família de Saul, seu pai, e aos parentes e amigos dele, e não deixei que você caísse nas mãos de Davi; e agora você me acusa de um delito envolvendo esta mulher!”
  31. Is-Bosete não respondeu nada a Abner, pois tinha medo dele.
  32. Então Abner enviou mensageiros a Davi com esta proposta: “A quem pertence esta terra? Faze um acordo comigo e eu te ajudarei a conseguir o apoio de todo o Israel”.
  33. “Está bem”, disse Davi.”Farei um acordo com você, mas com uma condição: não compareça à minha presença sem trazer-me Mical, filha de Saul, quando você vier me ver.”
  34. E Davi enviou mensageiros a Is-Bosete, filho de Saul, exigindo: “Entregue-me minha mulher Mical, com quem me casei pelo preço de cem prepúcios de filisteus”.
  35. Diante disso, Is-Bosete mandou que a tirassem do seu marido Paltiel, filho de Laís. Mas Paltiel foi atrás dela, e a seguiu chorando até Baurim. Então Abner ordenou-lhe que voltasse para casa; e ele voltou.
  36. Nesse meio tempo, Abner enviou esta mensagem às autoridades de Israel: “Já faz algum tempo que vocês querem Davi como rei. Agora é o momento de agir!”
  37. Abner também falou pessoalmente com os benjamitas. Depois foi a Hebrom dizer a Davi tudo o que Israel e a tribo de Benjamim haviam aprovado.
  38. Quando Abner, acompanhado de vinte homens, apresentou-se a Davi em Hebrom, este ofereceu um banquete para ele e para os homens que o acompanhavam.
  39. Disse então Abner a Davi: “Deixa que eu me vá e reúna todo o Israel, meu senhor, para que façam um acordo contigo, ó rei, e reines sobre tudo o que desejares”. Davi o deixou ir, e ele se foi em paz.
  40. Quando Joabe chegou com todo o seu exército, contaram-lhe que Abner, filho de Ner, se apresentara ao rei, que o tinha deixado ir em paz.
  41. Então Joabe foi falar com o rei e lhe disse: “Que foi que fizeste? Abner veio à tua presença e o deixaste ir? Conheces Abner, filho de Ner; ele veio para enganá-lo, observar os teus movimentos e descobrir tudo o que estás fazendo”.
  42. Saindo da presença de Davi, Joabe enviou mensageiros atrás de Abner, e eles o trouxeram de volta, desde a cisterna de Sirá. Mas Davi não ficou sabendo disso.
  43. Quando Abner retornou a Hebrom, Joabe o chamou à parte, na porta da cidade, sob o pretexto de falar-lhe em particular, e ali mesmo o feriu no estômago.
  44. E Abner morreu por ter derramado o sangue de Asael, irmão de Joabe.
  45. Mais tarde, quando Davi soube o que tinha acontecido, disse: “Eu e o meu reino, perante o SENHOR, somos para sempre inocentes do sangue de Abner, filho de Ner.”
  46. “Caia a responsabilidade pela morte dele sobre a cabeça de Joabe e de toda a sua família! Jamais falte entre os seus descendentes quem sofra fluxo ou lepra, quem use muletas, quem morra pela espada, ou quem passe fome”.
  47. Assim, Joabe e seu irmão Abisai mataram Abner porque ele havia matado Asael, irmão deles, na batalha de Gibeom.
  48. Então Davi disse a Joabe e a todo o exército que o acompanhava: “Rasguem suas vestes, vistam roupas de luto e vão chorando à frente de Abner”. E o rei Davi seguiu atrás da maca que levava o corpo.
  49. Enterraram-no em Hebrom, e o rei chorou em alta voz junto ao túmulo de Abner, como também todo o povo.
  50. Então o rei cantou este lamento por Abner: “Por que morreu Abner como morrem os insensatos? Suas mãos não estavam algemadas, nem seus pés acorrentados. Você caiu como quem cai perante homens perversos”. E todo o povo chorou ainda mais por ele.
  51. Assim, naquele dia, todo o povo e todo o Israel reconheceram que o rei não tivera participação no assassinato de Abner, filho de Ner.
  52. Então o rei disse aos seus conselheiros: “Não percebem que caiu hoje em Israel um líder, um grande homem? Embora rei ungido, ainda sou fraco, e esses filhos de Zeruia são mais fortes do que eu. Que o SENHOR retribua ao malfeitor de acordo com as suas más obras!”
  53. Ao saber que Abner havia morrido em Hebrom, Is-Bosete, filho de Saul, perdeu a coragem, e todo Israel ficou alarmado.
  54. Ora, o filho de Saul tinha a seu serviço dois líderes de grupos de ataque. Um deles chamava-se Baaná e o outro, Recabe; ambos filhos de Rimom, de Beerote, da tribo de Benjamim; a cidade de Beerote era considerada parte de Benjamim.
  55. Aconteceu então que Recabe e Baaná, filhos de Rimom, de Beerote, foram à casa de Is-Bosete na hora mais quente do dia, na hora do seu descanso do meio-dia.
  56. Os dois entraram na casa como se fossem buscar trigo, transpassaram-lhe o estômago e depois fugiram.
  57. Depois de o transpassarem e o matarem, cortaram-lhe a cabeça. E levando-a consigo, viajaram toda a noite pela rota da Arabá.
  58. Levaram a cabeça de Is-Bosete a Davi, em Hebrom, e disseram-lhe: “Aqui está a cabeça de Is-Bosete, filho de Saul, teu inimigo, que tentou tirar-te a vida. Hoje o SENHOR vingou o nosso rei e senhor, de Saul e de sua descendência”.
  59. Davi respondeu a Recabe e a Baaná, seu irmão, filhos de Rimom, de Beerote: “Homens ímpios mataram um inocente em sua própria casa e em sua própria cama! Vou castigá-los e eliminá-los da face da terra porque vocês fizeram correr o sangue dele!”
  60. Então Davi ordenou a seus soldados, e eles os mataram. Cortaram as mãos e os pés deles e penduraram os corpos junto ao açude de Hebrom.
  61. Eles sepultaram a cabeça de Is-Bosete no túmulo de Abner, em Hebrom.

Fonte: 2Samuel 2,3 e 4

Capítulo 56 – Jerusalém

  1. Representantes de todas as tribos de Israel foram dizer a Davi, em Hebrom: “Somos sangue do teu sangue.”
  2. No passado, mesmo quando Saul era rei, era você quem liderava Israel em suas batalhas; por isso, o SENHOR lhe disse que você pastoreará o seu povo Israel, e será o seu governante”.
  3. Então todas as autoridades de Israel foram ao encontro do rei Davi em Hebrom, e ele fez um acordo com eles em Hebrom perante o SENHOR, e eles ungiram Davi rei de Israel.
  4. Davi tinha trinta anos de idade quando começou a reinar, e reinou durante quarenta anos.
  5. Em Hebrom, reinou sobre Judá sete anos e meio, e em Jerusalém reinou sobre todo o Israel e Judá trinta e três anos.
  6. O rei e seus soldados marcharam para Jerusalém para atacar os jebuseus que viviam lá.
  7. E os jebuseus disseram a Davi: “Você não entrará aqui! Até os cegos e os aleijados podem se defender de você”.
  8. Eles achavam que Davi não conseguiria entrar, mas, Davi conquistou a fortaleza de Sião, que veio a ser a cidade de Davi.
  9. Naquele dia disse Davi: “Quem quiser vencer os jebuseus terá que utilizar a passagem de água para chegar àqueles cegos e aleijados, inimigos de Davi”.
  10. É por isso que dizem: “Os cegos e aleijados não entrarão no palácio”.
  11. Davi passou a morar na fortaleza e chamou-a cidade de Davi. Construiu defesas na parte interna da cidade desde os muros de arrimo.
  12. E foi se tornando cada vez mais poderoso, pois o SENHOR Deus dos Exércitos estava com ele.
  13. Pouco depois Hirão, rei de Tiro, enviou a Davi uma delegação, que trouxe toras de cedro, e também carpinteiros e pedreiros que construíram um palácio para Davi.
  14. Então Davi teve certeza de que o SENHOR o confirmara como rei de Israel e que seu reino estava prosperando por amor de seu povo Israel.
  15. Depois de mudar-se de Hebrom para Jerusalém, Davi tomou mais concubinas e esposas, e gerou mais filhos e filhas.
  16. Estes são os nomes dos que lhe nasceram ali: Samua, Sobabe, Natã, Salomão,
    Ibar, Elisua, Nefegue, Jafia, Elisama, Eliada e Elifelete.
  17. Ao saber que Davi tinha sido ungido rei de Israel, os filisteus foram com todo o exército prendê-lo, mas Davi soube disso e foi para a fortaleza.
  18. Tendo os filisteus se espalhado pelo vale de Refaim, Davi perguntou ao SENHOR: “Devo atacar os filisteus? Tu os entregarás nas minhas mãos?”; e SENHOR lhe respondeu.
  19. Então Davi foi a Baal-Perazim e lá os derrotou. E disse: “Assim como as águas de uma enchente causam destruição, pelas minhas mãos o SENHOR destruiu os meus inimigos diante de mim”. Então aquele lugar passou a ser chamado Baal-Perazim.
  20. Como os filisteus haviam abandonado os seus ídolos ali, Davi e seus soldados os apanharam.
  21. Mais uma vez os filisteus marcharam e se espalharam pelo vale de Refaim. Então Davi consultou o SENHOR de novo, que lhe respondeu.
  22. Davi fez como o SENHOR lhe tinha ordenado, e derrotou os filisteus por todo o caminho, desde Gibeom até Gezer.
  23. De novo Davi reuniu os melhores guerreiros de Israel, trinta mil ao todo.
  24. Ele e todos os que o acompanhavam partiram para Baalim, em Judá, para buscar a arca de Deus, arca sobre a qual é invocado o nome do SENHOR dos Exércitos, entronizado entre os querubins acima dela.
  25. Puseram a arca de Deus num carroção novo e a levaram da casa de Abinadabe, na colina. Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, conduziam o carroção com a arca de Deus; e Aiô andava na frente dela.
  26. Davi e todos os israelitas iam cantando e dançando perante o SENHOR, ao som de todo o tipo de instrumentos de pinho, harpas, liras, tamborins, chocalhos e címbalos.
  27. Quando chegaram à eira de Nacom, Uzá esticou o braço e segurou a arca de Deus, porque os bois haviam tropeçado.
  28. A ira do SENHOR acendeu-se contra Uzá por seu ato de irreverência. Por isso Deus o feriu, e ele morreu ali mesmo, ao lado da arca de Deus.
  29. Davi ficou contrariado porque o SENHOR, em sua ira, havia fulminado Uzá. Até hoje aquele lugar é chamado Perez-Uzá.
  30. Naquele dia, Davi teve medo do SENHOR e se perguntou: “Como vou conseguir levar a arca do SENHOR?”
  31. Por isso ele desistiu de levar a arca do SENHOR para a cidade de Davi. Em vez disso, levou-a para a casa de Obede-Edom, de Gate.
  32. A arca do SENHOR ficou na casa dele por três meses, e o SENHOR o abençoou e a toda a sua família.
  33. E disseram ao rei Davi: “O SENHOR tem abençoado a família de Obede-Edom e tudo o que ele possui, por causa da arca de Deus”.
  34. Então Davi, com grande festa, foi à casa de Obede-Edom e ordenou que levassem a arca de Deus para a cidade de Davi.
  35. Quando os que carregavam a arca do SENHOR davam seis passos, ele sacrificava um boi e um novilho gordo.
  36. Davi, vestindo o colete sacerdotal de linho, foi dançando com todas as suas forças perante o SENHOR, enquanto ele e todos os israelitas levavam a arca do SENHOR ao som de gritos de alegria e de trombetas.
  37. Aconteceu que, entrando a arca do SENHOR na cidade de Davi, Mical, filha de Saul, observava de uma janela. E, ao ver o rei Davi dançando e comemorando perante o SENHOR, ela o desprezou em seu coração.
  38. Eles trouxeram a arca do SENHOR e a colocaram na tenda que Davi lhe havia preparado; e Davi ofereceu holocaustos e sacrifícios de comunhão perante o SENHOR.
  39. Após oferecer os holocaustos e os sacrifícios de comunhão, ele abençoou o povo em nome do SENHOR dos Exércitos;
  40. E deu um pão, um bolo de tâmaras e um bolo de uvas passas a cada homem e a cada mulher israelita. Então todo o povo partiu, cada um para a sua casa.
  41. Voltando Davi para casa para abençoar sua família, Mical, filha de Saul, saiu ao seu encontro .
  42. Ela lhe disse: “Como o rei de Israel se destacou hoje, tirando o manto na frente das escravas de seus servos, como um homem vulgar!”
  43. Mas Davi disse a Mical: “Foi perante o SENHOR que eu dancei, perante aquele que me escolheu em lugar de seu pai ou de qualquer outro da família dele, quando me designou soberano sobre o povo do SENHOR, sobre Israel;
  44. Perante o SENHOR celebrarei e me rebaixarei ainda mais, e me humilharei aos meus próprios olhos. Mas serei honrado por essas escravas que você mencionou”.
  45. E até o dia de sua morte, Mical, filha de Saul, jamais teve filhos.

Fonte: 2Samuel 5 e 6

FIM