Livro Quarto – O Julgamento

IV

Livro do Julgamento e o Pecado da Conveniência

“Na minha visão à noite, vi alguém semelhante a um filho de um homem, vindo com as nuvens dos céus. Ele se aproximou do ancião e foi conduzido à sua presença. A ele foram dados autoridade, glória e reino; todos os povos, nações e homens de todas as línguas o adoraram. Seu domínio é um domínio eterno que não acabará, e seu reino jamais será destruído.” – Daniel 7:13-14

Capítulo 1 – Josias

  1. Josias tinha oito anos de idade quando começou a reinar, e reinou trinta e um anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Jedida, filha de Adaías; ela era de Bozcate.
  2. Ele fez o que o SENHOR aprova e andou nos caminhos de Davi, seu predecessor, sem desviar-se nem para a direita nem para a esquerda.
  3. No décimo oitavo ano do seu reinado, o rei Josias enviou o secretário Safã, filho de Azalias e neto de Mesulão, ao templo do SENHOR, dizendo:
  4. “Vá ao sumo sacerdote Hilquias e mande-o ajuntar a prata que foi trazida ao templo do SENHOR, que os guardas das portas recolheram do povo.
  5. Eles deverão entregar a prata aos homens nomeados para supervisionar a reforma do templo, para poderem pagar os trabalhadores que fazem os reparos no templo do SENHOR:
  6. os carpinteiros, os construtores e os pedreiros. Além disso comprarão madeira e pedras lavradas para os reparos no templo.
  7. Mas eles não precisarão prestar contas da prata que lhes foi confiada, pois estão agindo com honestidade”.
  8. Então o sumo sacerdote Hilquias disse ao secretário Safã: “Encontrei o livro da Lei no templo do SENHOR”. Ele o entregou a Safã, que o leu.
  9. O secretário Safã voltou ao rei e lhe informou: “Teus servos entregaram a prata que havia no templo do SENHOR e a confiaram aos trabalhadores e supervisores no templo”.
  10. E o secretário Safã acrescentou: “O sacerdote Hilquias entregou-me um livro”. E Safã o leu para o rei.
  11. Assim que o rei ouviu as palavras do livro da Lei, rasgou suas vestes
  12. e deu estas ordens ao sacerdote Hilquias, a Aicam, filho de Safã, a Acbor, filho de Micaías, ao secretário Safã e ao auxiliar real Asaías:
  13. “Vão consultar o SENHOR por mim, pelo povo e por todo Judá acerca do que está escrito neste livro que foi encontrado. A ira do SENHOR contra nós deve ser grande, pois nossos antepassados não obedeceram às palavras deste livro, nem agiram de acordo com tudo que nele está escrito a nosso respeito”.
  14. O sacerdote Hilquias, Aicam, Acbor, Safã e Asaías foram falar com a profetisa Hulda, mulher de Salum, filho de Ticvá e neto de Harás, responsável pelo guarda-roupa do templo. Ela morava no bairro novo de Jerusalém.
  15. Ela lhes disse: “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: ‘Digam ao homem que os enviou a mim:
  16. Assim diz o SENHOR: Eu vou trazer desgraça sobre este lugar e sobre seus habitantes; tudo o que está escrito no livro que o rei de Judá leu.
  17. Porque me abandonaram e queimaram incenso a outros deuses, provocando-me à ira por meio de todos os ídolos que as mãos deles têm feito, minha ira arderá contra este lugar e não será apagada’.
  18. Digam ao rei de Judá, que os enviou para consultar o SENHOR: ‘Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, acerca das palavras que você ouviu:
  19. Já que o seu coração se abriu e você se humilhou diante do SENHOR, ao ouvir o que falei contra este lugar e contra seus habitantes, que seriam arrasados e amaldiçoados, e porque você rasgou as vestes e chorou na minha presença, eu o ouvi, declara o SENHOR.
  20. Portanto, eu o reunirei aos seus antepassados, e você será sepultado em paz. Seus olhos não verão toda a desgraça que eu vou trazer sobre este lugar’ “. Então eles levaram a resposta ao rei.
  21. Então o rei convocou todas as autoridades de Judá e de Jerusalém.
  22. Depois o rei subiu ao templo do SENHOR acompanhado por todos os homens de Judá, todo o povo de Jerusalém, os sacerdotes e os profetas; todo o povo, dos mais simples aos mais importantes. Para todos o rei leu em voz alta todas as palavras do Livro da Aliança, que havia sido encontrado no templo do SENHOR.
  23. O rei colocou-se junto à coluna real e, na presença do SENHOR, fez uma aliança, comprometendo-se a seguir o SENHOR e obedecer de todo o coração e de toda a alma aos seus mandamentos, seus preceitos e seus decretos, confirmando assim as palavras da aliança escritas naquele livro. Então todo o povo se comprometeu com a aliança.
  24. O rei deu ordens ao sumo sacerdote Hilquias, aos sacerdotes auxiliares e aos guardas das portas que retirassem do templo do SENHOR todos os utensílios feitos para Baal e Aserá e para todos os exércitos celestes. Ele os queimou fora de Jerusalém, nos campos do vale de Cedrom e levou as cinzas para Betel.
  25. E eliminou os sacerdotes pagãos nomeados pelos reis de Judá para queimar incenso nos altares idólatras das cidades de Judá e dos arredores de Jerusalém, aqueles que queimavam incenso a Baal, ao sol e à lua, às constelações e a todos os exércitos celestes.
  26. Também mandou levar o poste sagrado do templo do SENHOR para o vale de Cedrom, fora de Jerusalém, para ser queimado e reduzido a cinzas, que foram espalhadas sobre os túmulos de um cemitério público.
  27. Também derrubou as acomodações dos prostitutos cultuais, que ficavam no templo do SENHOR, onde as mulheres teciam para Aserá.
  28. Josias trouxe todos os sacerdotes das cidades de Judá e, desde Geba até Berseba, profanou os altares onde os sacerdotes haviam queimado incenso. Derrubou os altares idólatras junto às portas, inclusive o altar da entrada da porta de Josué, o governador da cidade, que fica à esquerda da porta da cidade.
  29. Embora os sacerdotes dos altares não servissem no altar do SENHOR em Jerusalém, comiam pães sem fermento junto com os sacerdotes, seus colegas.
  30. Também profanou Tofete, que ficava no vale de Ben-Hinom, de modo que ninguém mais pudesse usá-lo para queimar seu filho ou filha em sacrifício a Moloque.
  31. Acabou com os cavalos que os reis de Judá tinham consagrado ao sol. Estavam na entrada do templo do SENHOR perto da sala de um oficial chamado Natã-Meleque. Também queimou as carruagens consagradas ao sol.
  32. Derrubou os altares que os seus antecessores haviam erguido no terraço, em cima do quarto superior de Acaz, e os altares que Manassés havia construído nos dois pátios do templo do SENHOR. Retirou-os dali, despedaçou-os e atirou o entulho no vale de Cedrom.
  33. O rei também profanou os altares que ficavam a leste de Jerusalém no sul do monte da Destruição, os quais Salomão, rei de Israel, havia construído para o poste sagrado, a detestável deusa dos sidônios, para Camos, o detestável deus de Moabe, e para Moloque, o detestável deus do povo de Amom.
  34. Josias despedaçou as colunas sagradas, derrubou os postes sagrados e cobriu os locais com ossos humanos.
  35. Até o altar de Betel, o altar idólatra edificado por Jeroboão, filho de Nebate, que levou Israel a pecar; até aquele altar e o seu santuário, ele os demoliu. Queimou o santuário e o reduziu a pó, queimando também o poste sagrado.
  36. Quando Josias olhou em volta e, viu os túmulos que havia na encosta da colina, mandou retirar os ossos dos túmulos e queimá-los no altar a fim de contaminá-lo, conforme a palavra do SENHOR proclamada pelo homem de Deus que predisse essas coisas.
  37. O rei perguntou: “Que monumento é este que estou vendo? ” Os homens da cidade disseram: “É o túmulo do homem de Deus que veio de Judá e proclamou estas coisas que tu fizeste ao altar de Betel”.
  38. Então ele disse: “Deixem-no em paz. Ninguém toque nos seus ossos”. Assim pouparam seus ossos bem como os do profeta que tinha vindo de Samaria.
  39. Como havia feito em Betel, Josias tirou e profanou todos os santuários idólatras que os reis de Israel haviam construído nas cidades de Samaria e que provocaram o SENHOR à ira.
  40. Josias também mandou sacrificar todos os sacerdotes daqueles altares idólatras e queimou ossos humanos sobre os altares. Depois voltou a Jerusalém.
  41. Então o rei deu a seguinte ordem a todo o povo: “Celebrem a Páscoa ao SENHOR seu Deus, conforme está escrito neste livro da Aliança”.
  42. Nem nos dias dos juízes que lideraram Israel, nem durante todos os dias dos reis de Israel e dos reis de Judá, foi celebrada uma Páscoa como esta.
  43. Mas no décimo oitavo ano do reinado de Josias, esta Páscoa foi celebrada ao SENHOR em Jerusalém.
  44. Além disso, Josias eliminou os médiuns, os espíritas, os ídolos da família, os ídolos e todas as outras coisas repugnantes que havia em Judá e em Jerusalém. Ele fez isto para cumprir as exigências da lei escritas no livro que o sacerdote Hilquias havia descoberto no templo do SENHOR.
  45. Nem antes nem depois de Josias houve um rei como ele, que se voltasse para o SENHOR de todo o coração, de toda a alma e de todas as suas forças, de acordo com toda a Lei de Moisés.
  46. Entretanto, o SENHOR não voltou atrás do fogo de sua grande ira, que se acendeu contra Judá por causa de tudo o que Manassé
  47. s fizera para provocá-lo à ira.
  48. Por isso o SENHOR disse: “Também retirarei Judá da minha presença, tal como retirei de Israel, e rejeitarei Jerusalém, a cidade que escolhi, e este templo, do qual eu disse: ‘Ali porei o meu nome’ “.
  49. Os demais acontecimentos do reinado de Josias e todas as suas realizações, estão escritos no livro dos registros históricos dos reis de Judá.
  50. Durante o seu reinado, o faraó Neco, rei do Egito, avançou até o rio Eufrates ao encontro do rei da Assíria. O rei Josias marchou para combatê-lo, mas o faraó Neco o enfrentou e o matou em Megido.
  51. Os oficiais de Josias levaram o seu corpo de Megido para Jerusalém, e o sepultaram em seu próprio túmulo. O povo tomou Jeoacaz, filho de Josias, ungiu-o e o proclamou como rei no lugar de seu pai.

Fontes: 2Reis 22 e 23

Capítulo 2 – Jeoaquim

  1. Jeoacaz tinha vinte e três anos de idade quando começou a reinar, e reinou três meses em Jerusalém. O nome de sua mãe era Hamutal, filha de Jeremias; ela era de Libna.
  2. Ele fez o que o SENHOR reprova, tal como seus antepassados.
  3. O faraó Neco o prendeu em Ribla, na terra de Hamate, de modo que não mais reinou em Jerusalém. O faraó também impôs a Judá um tributo de três toneladas e meia de prata e trinta e cinco quilos de ouro.
  4. Colocou Eliaquim, filho de Josias, como rei no lugar do seu pai Josias, e mudou o nome de Eliaquim para Jeoaquim. Mas levou Jeoacaz consigo para o Egito, onde ele morreu.
  5. Jeoaquim pagou ao faraó Neco a prata e o ouro. Mas, para cumprir as exigências do faraó, Jeoaquim impôs tributos ao povo, cobrando a prata e o ouro, de cada um conforme suas posses.
  6. Jeoaquim tinha vinte e cinco anos de idade quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Zebida, filha de Pedaías; ela era de Ruma.
  7. Ele fez o que o SENHOR reprova, tal como seus antepassados.
  8. Durante o reinado de Jeoaquim, Nabucodonosor, rei da Babilônia, invadiu o país, e Jeoaquim tornou-se seu vassalo por três anos. Então ele voltou atrás e rebelou-se contra Nabucodonosor.
  9. O SENHOR enviou contra ele tropas babilônicas, aramaicas, moabitas e amonitas, para destruir Judá, de acordo com a palavra do SENHOR proclamada por seus servos, os profetas.
  10. Com certeza isto aconteceu a Judá conforme a ordem do SENHOR, a fim de removê-los da sua presença, por causa de todos os pecados que Manassés cometeu,
  11. inclusive o derramamento de sangue inocente. Pois ele havia enchido Jerusalém de sangue inocente, e o SENHOR não o quis perdoar.
  12. Os demais acontecimentos do reinado de Jeoaquim e todas as suas realizações, estão escritos no livro dos registros históricos dos reis de Judá.
  13. Jeoaquim descansou com seus antepassados. Seu filho Joaquim foi o seu sucessor.
  14. As palavras de Jeremias, filho de Hilquias, um dos sacerdotes de Anatote, no território de Benjamim.
  15. A palavra do SENHOR veio a ele no décimo terceiro ano do reinado de Josias, filho de Amom, rei de Judá, e durante o reinado de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá.
  16. Veio até o quinto mês do décimo primeiro ano de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá, quando os habitantes de Jerusalém foram levados para o exílio.
  17. A palavra do SENHOR disse: “Antes de formá-lo no ventre eu o escolhi; antes de você nascer, eu o separei e o designei profeta às nações.”
  18. Mas Jeremias disse: “Ah, Soberano SENHOR! Eu não sei falar, pois ainda sou muito jovem”.
  19. O SENHOR, porém, me disse: “Não diga que é muito jovem. A todos a quem eu o enviar você irá e dirá tudo o que eu lhe ordenar.
  20. Não tenha medo deles, pois eu estou com você para protegê-lo”, diz o SENHOR.
    O SENHOR estendeu a mão, tocou a minha boca e disse-me: “Agora ponho em sua boca as minhas palavras.
  21. Veja! Eu hoje dou a você autoridade sobre nações e reinos, para arrancar, despedaçar, arruinar e destruir; para edificar e para plantar”.
  22. A palavra veio a Jeremias a respeito de todo o povo de Judá no quarto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, que foi o primeiro ano de Nabucodonosor, rei da Babilônia.
  23. O que o profeta Jeremias anunciou a todo o povo de Judá e aos habitantes de Jerusalém foi isto:
  24. Durante vinte e três anos a palavra do SENHOR tem vindo a mim, desde o décimo terceiro ano de Josias, filho de Amom, rei de Judá, até o dia de hoje. E eu a tenho anunciado a vocês, dia após dia, mas vocês não me deram ouvidos.
  25. Embora o SENHOR tenha enviado a vocês os seus servos, os profetas, dia após dia, vocês não os ouviram nem lhes deram atenção,
  26. quando disseram: “Converta-se cada um do seu caminho mau e de suas más obras, e vocês permanecerão na terra que o SENHOR deu a vocês e aos seus antepassados para sempre.
  27. Não sigam outros deuses para prestar-lhes culto e adorá-los; não provoquem a minha ira com ídolos feitos por vocês. E eu não trarei desgraça sobre vocês”.
  28. “Mas vocês não me deram ouvidos e me provocaram à ira com os ídolos que vocês fizeram, trazendo desgraça sobre si mesmos”, declara o SENHOR.
  29. Portanto, assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Visto que vocês não ouviram as minhas palavras,
  30. convocarei todos os povos do norte e o meu servo Nabucodonosor, rei da Babilônia”, declara o SENHOR, “e os trarei para atacar esta terra, os seus habitantes e todas as nações ao redor. Eu os destruirei completamente e os farei um objeto de pavor e de zombaria, e uma ruína permanente.
  31. Darei fim às vozes de júbilo e de alegria, às vozes do noivo e da noiva, ao som do moinho e à luz das candeias.
  32. Toda esta terra se tornará uma ruína desolada, e essas nações estarão sujeitas ao rei da Babilônia durante setenta anos.
  33. “Quando se completarem os setenta anos, castigarei o rei da Babilônia e a sua nação, a terra dos babilônios, por causa de suas iniqüidades”, declara o SENHOR, “e a deixarei arrasada para sempre.
  34. Cumprirei naquela terra tudo o que falei contra ela, tudo o que está escrito neste livro e que Jeremias profetizou contra todas as nações.
  35. Porque os próprios babilônios serão escravizados por muitas nações e grandes reis; eu lhes retribuirei conforme as suas ações e as suas obras”.
  36. Assim me disse o SENHOR, o Deus de Israel: “Pegue de minha mão este cálice com o vinho da minha ira e faça com que bebam dele todas as nações a quem eu o envio.
  37. Quando o beberem, ficarão cambaleando, enlouquecidos por causa da espada que enviarei entre elas”.
  38. Então peguei o cálice da mão do SENHOR, e fiz com que dele bebessem todas as nações às quais o SENHOR me enviou:
  39. Jerusalém e as cidades de Judá, seus reis e seus líderes, para fazer deles uma desolação e um objeto de pavor, zombaria e maldição, como hoje acontece;
  40. o faraó, o rei do Egito, seus conselheiros e seus líderes, todo o seu povo,
  41. e todos os estrangeiros que lá residem; todos os reis de Uz; todos os reis dos filisteus: de Ascalom, Gaza, Ecrom e o povo que restou em Asdode;
  42. Edom, Moabe e os amonitas,
  43. os reis de Tiro e de Sidom; os reis das ilhas e das terras de além do mar;
  44. Dedã, Temá, Buz e todos os que rapam a cabeça;
  45. e os reis da Arábia e todos os reis dos estrangeiros que vivem no deserto;
  46. todos os reis de Zinri, de Elão e da Média;
  47. e todos os reis do norte, próximos ou distantes, um após outro; e todos os reinos da face da terra. Depois de todos eles, o rei de Sesaque também beberá do cálice.
  48. “A seguir diga-lhes: ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Bebam, embriaguem-se, vomitem, caiam e não mais se levantem, por causa da espada que envio no meio de vocês’.
  49. Mas se eles se recusarem a beber, diga-lhes: ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Vocês vão bebê-lo!
  50. Começo a trazer desgraça sobre a cidade que leva o meu nome; e vocês sairiam impunes? Sem dúvida não ficarão sem castigo! Estou trazendo a espada contra todos os habitantes da terra’, declara o SENHOR dos Exércitos.
  51. “E você, profetize todas estas palavras contra eles, dizendo: ” ‘O SENHOR ruge do alto; troveja de sua santa morada; ruge poderosamente contra a sua propriedade. Ele grita como os que pisam as uvas; grita contra todos os habitantes da terra.
  52. Um tumulto ressoa até os confins da terra, pois o SENHOR faz acusações contra as nações, e julga toda a humanidade: ele entregará os ímpios à espada’, declara o SENHOR. “
  53. Assim diz o SENHOR: “Vejam! A desgraça está se espalhando de nação em nação; uma terrível tempestade se levanta desde os confins da terra”.
  54. Naquela dia, os mortos pelo SENHOR estarão em todo lugar, de um lado ao outro da terra. Ninguém pranteará por eles, e não serão recolhidos e sepultados, mas servirão de esterco sobre o solo.
  55. Lamentem-se e gritem, pastores! Rolem no pó, chefes do rebanho! Porque chegou para vocês o dia da matança e da sua dispersão; vocês cairão e serão esmigalhados como vasos finos.
  56. Não haverá refúgio para os pastores nem escapatória para os chefes do rebanho.
  57. Ouvem-se os gritos dos pastores e o lamento dos chefes do rebanho, pois o SENHOR está destruindo as pastagens deles.
  58. Os pastos tranqüilos estão devastados por causa do fogo da ira do SENHOR.
  59. Como um leão, ele saiu de sua toca; a terra deles ficou devastada, por causa da espada do opressor e do fogo de sua ira.

Fontes: 2Reis 23 e 24; e Jeremias 25.

Capítulo 3 – Joaquim

  1. O rei do Egito não mais se atreveu a sair com seu exército de suas próprias fronteiras, pois o rei da Babilônia havia ocupado todo o território entre o ribeiro do Egito e o rio Eufrates, que antes pertencera ao Egito.
  2. Joaquim tinha dezoito anos de idade quando começou a reinar, e reinou três meses em Jerusalém. O nome da sua mãe era Neusta, filha de Elnatã; ela era de Jerusalém.
  3. Ele fez o que o SENHOR reprova, tal como seu pai.
  4. Naquela ocasião os oficiais de Nabucodonosor, rei da Babilônia, avançaram até Jerusalém e a cercaram,
  5. Enquanto seus oficiais a cercavam o próprio Nabucodonosor veio à cidade.
  6. Então Joaquim, rei de Judá, sua mãe, seus conselheiros, seus nobres e seus oficiais se entregaram; todos se renderam a ele. No oitavo ano do reinado do rei da Babilônia, ele levou Joaquim como prisioneiro.
  7. Conforme o SENHOR tinha declarado, Nabucodonosor retirou todos os tesouros do templo do SENHOR e do palácio real, quebrando todos os utensílios de ouro que Salomão, rei de Israel, fizera para o templo do SENHOR.
  8. Levou para o exílio toda Jerusalém: todos os líderes e os homens de combate, todos os artesãos e artífices. Era um total de dez mil pessoas; só ficaram os mais pobres.
  9. Nabucodonosor levou prisioneiro Joaquim para a Babilônia. Também levou de Jerusalém para a Babilônia a mãe do rei, as mulheres do rei e os oficiais do rei e os líderes do país.
  10. O rei da Babilônia também deportou para a Babilônia toda a força de sete mil homens de combate, homens fortes e preparados para a guerra, e mil artífices e artesãos.
  11. Fez Matanias, tio de Joaquim, reinar em seu lugar, e mudou seu nome para Zedequias.
  12. Era o quinto dia do quarto mês do trigésimo ano, e Ezequiel estava entre os exilados, junto ao rio Quebar. Abriram-se os céus, e eu tive visões de Deus.
  13. Foi no quinto ano do exílio do rei Joaquim, no quinto dia do quarto mês. A palavra do SENHOR veio ao sacerdote Ezequiel, filho de Buzi, junto ao rio Quebar, na terra dos caldeus. Ali a mão do SENHOR esteve sobre ele.
  14. Olhei e vi uma tempestade que vinha do norte: uma nuvem imensa, com relâmpagos e faíscas, e cercada por uma luz brilhante. O centro do fogo parecia metal reluzente,
  15. e no meio do fogo havia quatro vultos que pareciam seres viventes. Na aparência tinham forma de homem,
  16. mas cada um deles tinha quatro rostos e quatro asas.
  17. Suas pernas eram retas; seus pés eram como os de um bezerro e reluziam como bronze polido.
  18. Debaixo de suas asas, nos quatro lados, tinham mãos humanas. Os quatro tinham rostos e asas,
  19. e as suas asas encostavam umas nas outras. Quando se moviam andavam para a frente, e não se viravam.
  20. Quanto à aparência dos seus rostos, os quatro tinham rosto de homem, rosto de leão no lado direito, rosto de boi no lado esquerdo, e rosto de águia.
  21. Assim eram os seus rostos. Suas asas estavam estendidas para cima; cada um deles tinha duas asas que se encostavam na de outro ser vivente, de um lado e do outro, e duas asas que cobriam os seus corpos.
  22. Cada um deles ia sempre para a frente. Para onde quer que fosse o Espírito eles iam, e não se viravam quando se moviam.
  23. Os seres viventes pareciam carvão aceso; eram como tochas. O fogo ia de um lado a outro entre os seres viventes, e do fogo saíam relâmpagos e faíscas.
  24. Os seres viventes iam e vinham como relâmpagos.
  25. Enquanto eu olhava para eles, vi uma roda ao lado de cada um deles, diante dos seus quatro rostos.
  26. Esta era a aparência das rodas e a sua estrutura: Reluziam como o berilo; e as quatro tinham aparência semelhante. Cada roda parecia estar entrosada na outra.
  27. Quando se moviam, seguiam nas quatro direções dos quatro rostos, e não se viravam enquanto iam.
  28. Seus aros eram altos e impressionantes e estavam cheios de olhos ao redor.
  29. Quando os seres viventes se moviam, as rodas ao seu lado se moviam; e, quando se elevavam do chão, as rodas também se elevavam.
  30. Para onde quer que o Espírito fosse, os seres viventes iam, e as rodas os seguiam, porque o mesmo Espírito estava nelas.
  31. Quando os seres viventes se moviam, elas também se moviam; quando eles ficavam imóveis, elas também ficavam; e quando os seres viventes se elevavam do chão, as rodas também se elevavam com eles, porque o mesmo Espírito deles estava nelas.
  32. Acima das cabeças dos seres viventes estava o que parecia uma abóboda, reluzente como gelo, e impressionante.
  33. Debaixo dela cada ser vivente estendia duas asas ao que lhe estava mais próximo, e com as outras duas asas cobria o corpo.
  34. Ouvi o ruído de suas asas quando voavam. Parecia o ruído de muitas águas, parecia a voz do Todo-poderoso. Era um ruído estrondoso, como o de um exército. Quando paravam, fechavam as asas.
  35. Então veio uma voz de cima da abóboda sobre as suas cabeças, enquanto eles ficavam de asas fechadas.
  36. Acima da abóboda sobre as suas cabeças havia o que parecia um trono de safira, e, bem no alto, sobre o trono, havia uma figura que parecia um homem.
  37. A parte de cima do que parecia ser a cintura dele, vi que parecia metal brilhante, como que cheia de fogo, e que a parte de baixo parecia fogo; e uma luz brilhante o cercava.
  38. Tal como a aparência do arco-íris nas nuvens de um dia chuvoso, assim era o resplendor ao seu redor. Essa era a aparência da figura da glória do SENHOR. Quando a vi, prostrei-me com o rosto em terra, e ouvi a voz de alguém falando.

Fontes: 2Reis 24 e Ezequiel 1.

Capítulo 4 – Ezequiel I

  1. Foi no quinto ano do exílio do rei Joaquim, no quinto dia do quarto mês. A palavra do SENHOR veio ao sacerdote Ezequiel, filho de Buzi, junto ao rio Quebar, na terra dos caldeus.
  2. Ele me disse: “Filho do homem, fique de pé, que eu vou falar com você”.
  3. Enquanto ele falava, o Espírito entrou em mim e me pôs de pé, e ouvi aquele que me falava.
  4. Ele disse: “Filho do homem, vou enviá-lo aos israelitas, nação rebelde que se revoltou contra mim; até hoje eles e os seus antepassados têm se revoltado contra mim.”
  5. O povo a quem vou enviá-lo é obstinado e rebelde. Diga-lhe: Assim diz o SENHOR Soberano.
  6. E, quer aquela nação rebelde ouça, quer deixe de ouvir, saberá que um profeta esteve no meio dela.
  7. E você, filho do homem, não tenha medo dessa gente nem das suas palavras. Não tenha medo, ainda que o cerquem espinheiros, e você viva entre escorpiões. Não tenha medo do que disserem, nem fique apavorado ao vê-los, embora sejam uma nação rebelde.
  8. Você lhes falará as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são rebeldes.
  9. Mas você, filho do homem, ouça o que lhe digo. Não seja rebelde como aquela nação; abra a boca e coma o que lhe vou dar”.
  10. Então olhei, e vi a mão de alguém estendida para mim. Nela estava o rolo de um livro,
  11. que ele desenrolou diante de mim. Em ambos os lados dele estavam escritas palavras de lamento, pranto e ais.
  12. E ele me disse: “Filho do homem, coma este rolo; depois vá falar à nação de Israel”.
  13. Eu abri a boca, e ele me deu o rolo para eu comer.
  14. E acrescentou: “Filho do homem, coma este rolo que estou lhe dando e encha o seu estômago com ele”. Então eu o comi, e em minha boca era doce como mel.
  15. Depois ele me disse: “Filho do homem, vá agora à nação de Israel e diga-lhe as minhas palavras.
  16. Você não está sendo enviado a um povo de fala obscura e de língua difícil, mas à nação de Israel;
  17. não irá a muitos povos de fala obscura e de língua difícil, cujas palavras você não conseguiria entender. Certamente, se eu lhes enviasse você, eles o ouviriam.
  18. Mas a nação de Israel não vai querer ouvi-lo porque não quer me ouvir, pois toda a nação de Israel está endurecida e obstinada.
  19. Mas eu tornarei você tão inflexível e endurecido quanto eles.
  20. Tornarei a sua testa como a mais dura das pedras, mais dura que a pederneira. Não tenha medo deles, nem fique apavorado ao vê-los, embora sejam uma nação rebelde”.
  21. E continuou: “Filho do homem, ouça atentamente e guarde no coração todas as palavras que eu lhe disser.
  22. Vá agora aos seus compatriotas que estão no exílio e fale com eles. Diga-lhes, quer ouçam quer deixem de ouvir: Assim diz o Soberano SENHOR”.
  23. Depois o Espírito elevou-me, e ouvi esta estrondosa aclamação: “Que a glória do SENHOR seja louvada em sua habitação! “
  24. E ouvi o som das asas dos seres viventes, roçando umas nas outras, e, atrás deles, o som das rodas — um forte estrondo!
  25. Então o Espírito elevou-me e tirou-me de lá, com o meu espírito cheio de amargura e de ira, e com a forte mão do SENHOR sobre mim.
  26. Fui aos exilados que moravam em Tel-Abibe, perto do rio Quebar. Lá fiquei entre eles sete dias, atônito!
  27. Ao fim dos sete dias a palavra do SENHOR veio a mim:
  28. “Filho do homem”, disse ele, “eu o fiz sentinela para a nação de Israel; por isso ouça a palavra que digo e leve-lhes a minha advertência.
  29. Quando eu disser a um ímpio que ele vai morrer, e você não o advertir nem lhe falar para dissuadi-lo dos seus maus caminhos para salvar a vida dele, aquele ímpio morrerá por sua iniqüidade; mas para mim você será responsável pela morte dele.
  30. Se, porém, você advertir o ímpio e ele não se desviar de sua impiedade ou dos seus maus caminhos, ele morrerá por sua iniqüidade, mas você estará livre de culpa.
  31. “Também, quando um justo se desviar de sua justiça e fizer o mal, e eu puser uma pedra de tropeço diante dele, ele morrerá. Uma vez que você não o advertiu ele morrerá pelo pecado que cometeu. As práticas justas dele não serão lembradas; para mim, porém, você será responsável pela morte dele.
  32. Se, porém, você advertir o justo e ele não pecar, certamente ele viverá, porque aceitou a advertência, e você estará livre de culpa”.
  33. A mão do SENHOR esteve ali sobre mim, e ele me disse: “Levante-se e vá para a planície, e lá falarei com você”.
  34. Então me levantei e fui para a planície. E lá estava a glória do SENHOR, glória como a que eu tinha visto junto ao rio Quebar. Prostrei-me, rosto em terra,
  35. mas o Espírito entrou em mim e me pôs de pé. Ele me disse: “Vá para casa, e tranque-se.
  36. Pois você, filho do homem, será amarrado com cordas; você ficará preso, e não conseguirá sair para o meio do povo.
  37. Farei sua língua apegar-se ao céu da boca para que você fique calado e não possa repreendê-los, embora sejam uma nação rebelde.
  38. Mas, quando eu falar com você, abrirei sua boca e você lhes dirá: Assim diz o Soberano SENHOR. Quem quiser ouvir ouça, e quem não quiser não ouça; pois são uma nação rebelde.
  39. “Agora, filho do homem, apanhe uma tabuinha de barro, coloque-a à sua frente e nela desenhe a cidade de Jerusalém.
  40. Cerque-a então, e erga obras de cerco contra ela; construa uma rampa, monte acampamentos e ponha aríetes ao redor dela.
  41. Depois apanhe uma panela de ferro, coloque-a como muro de ferro entre você e a cidade e ponha-se de frente para ela. Ela estará cercada, e você a sitiará. Isto será um sinal para a nação de Israel.
  42. “Deite-se então sobre o seu lado esquerdo e sobre você ponha a iniqüidade da nação de Israel. Você terá que carregar a iniqüidade dela durante o número de dias em que estiver deitado sobre o lado esquerdo.
  43. Determinei que o número de dias seja equivalente ao número de anos da iniqüidade dela, ou seja, durante trezentos e noventa dias você carregará a iniqüidade da nação de Israel.
  44. “Terminado esse prazo, deite-se sobre o seu lado direito, e carregue a iniqüidade da nação de Judá,
  45. durante quarenta dias, tempo que eu determinei para você, um dia para cada ano. Olhe para o cerco de Jerusalém e, com braço desnudo, profetize contra ela.
  46. Vou amarrá-lo com cordas para que você não possa virar-se de lado enquanto não cumprir os dias da sua aflição.
  47. “Pegue trigo e cevada, feijão e lentilha, painço e espelta; ponha-os numa vasilha e com eles faça pão para você. Você deverá comê-lo durante os trezentos e noventa dias em que estiver deitado sobre o seu lado.
  48. Pese duzentos e quarenta gramas do pão por dia e coma-o em horas determinadas.
  49. Também meça meio litro de água e beba-a em horas determinadas.
  50. Coma o pão como você comeria um bolo de cevada; asse-o à vista do povo, usando fezes humanas como combustível”.
  51. O SENHOR disse: “Desse modo os israelitas comerão sua comida imunda entre as nações para onde eu os expulsar”.
  52. Então eu disse: “Ah! Soberano SENHOR! Eu jamais me contaminei. Desde a minha infância até agora, jamais comi qualquer coisa achada morta ou que tivesse sido despedaçada por animais selvagens. Jamais entrou em minha boca qualquer carne impura”.
  53. “Está bem”, disse ele, “deixarei que você asse o seu pão em cima de esterco de vaca, e não em cima de fezes humanas.”
  54. E acrescentou: “Filho do homem, cortarei o suprimento de comida em Jerusalém. O povo comerá com ansiedade comida racionada e beberá com desespero água racionada,
  55. pois haverá falta de comida e de água. Ficarão chocados ao se verem uns aos outros, e definharão por causa de sua iniqüidade.

Fontes: Ezequiel 2, 3 e 4.

Capítulo 5 – Ezequiel II

  1. Foi no quinto ano do exílio do rei Joaquim, no quinto dia do quarto mês. A palavra do SENHOR veio ao sacerdote Ezequiel, filho de Buzi, junto ao rio Quebar, na terra dos caldeus.
  2. “Agora, filho do homem, apanhe uma espada afiada e use-a como navalha de barbeiro para rapar a cabeça e a barba. Depois tome uma balança de pesos e reparta o cabelo.
  3. Quando os dias do cerco da cidade chegarem ao fim, queime no fogo um terço do cabelo dentro da cidade. Pegue um terço e corte-o com a espada ao redor de toda a cidade. E espalhe um terço ao vento. Porque eu os perseguirei com espada desembainhada.
  4. Mas apanhe umas poucas mechas de cabelo e esconda-as nas dobras de sua roupa.
  5. E destas ainda, pegue algumas e atire-as ao fogo, para que se queimem. Dali um fogo se espalhará para toda a nação de Israel.
  6. “Assim diz o Soberano SENHOR: Esta é Jerusalém, que pus no meio dos povos, com nações ao seu redor.
  7. Contudo, em sua maldade, ela se revoltou contra as minhas leis e contra os meus decretos mais do que os povos e as nações ao seu redor. Ela rejeitou as minhas leis e não agiu segundo os meus decretos.
  8. “Portanto assim diz o Soberano SENHOR: Você tem sido mais rebelde do que as nações ao seu redor e não agiu segundo os meus decretos nem guardou as minhas leis. Você nem mesmo alcançou os padrões das nações ao seu redor.
  9. “Por isso diz o Soberano SENHOR: Eu estou contra você, Jerusalém, e lhe infligirei castigo à vista das nações.
  10. Por causa de todos os seus ídolos detestáveis, farei com você o que nunca fiz nem jamais voltarei a fazer.
  11. Por isso, entre vocês sucederá que os pais comerão os seus próprios filhos, e os filhos comerão os seus pais. Castigarei você e dispersarei aos ventos os seus sobreviventes.
  12. Por isso, juro pela minha vida, palavra do Soberano SENHOR, que por ter contaminado meu santuário com suas imagens detestáveis e com suas práticas repugnantes, eu retirarei o meu favor. Não olharei com piedade para ti e não a pouparei.
  13. Um terço de seu povo morrerá de peste ou perecerá de fome dentro de seus muros; um terço cairá pela espada fora da cidade; e um terço dispersarei aos ventos e perseguirei com a espada em punho.
  14. “Então a minha ira cessará, e diminuirá a minha indignação contra eles, e serei vingado. E, quando tiver esgotado a minha ira sobre eles, saberão que eu, o SENHOR, falei segundo o meu zelo.
  15. “Farei de você uma ruína e a tornarei desprezível entre as nações ao seu redor, à vista de todos quantos por você passarem.
  16. Você será motivo de desprezo e de escárnio, e servirá de advertência e de causa de pavor às nações ao redor, quando eu castigar você com ira, indignação e violência. Eu, o SENHOR, falei.
  17. Quando eu atirar em você minhas flechas mortais e destruidoras, minhas flechas de fome, atirarei para destruí-la. Aumentarei a sua fome e cortarei o seu sustento.
  18. Enviarei contra você a fome e animais selvagens, que acabarão com os seus filhos. A peste e o derramamento de sangue a alcançarão, e trarei a espada contra você. Eu, o SENHOR, falei”.
  19. Esta palavra do SENHOR veio a mim:
  20. “Filho do homem, vire o rosto contra os montes de Israel; profetize contra eles
  21. e diga: ‘Ó montes de Israel, ouçam a palavra do Soberano SENHOR. Assim diz o Soberano SENHOR aos montes e às colinas, às ravinas e aos vales: Estou para trazer a espada contra vocês; vou destruir os seus altares idólatras.
  22. Seus altares serão arrasados, seus altares de incenso serão esmigalhados, e abaterei o seu povo na frente dos seus ídolos.
  23. Porei os cadáveres dos israelitas em frente de seus ídolos, e espalharei os seus ossos ao redor dos seus altares.
  24. Onde quer que você viva, as cidades serão devastadas e os altares idólatras serão arrasados e devastados, seus ídolos serão esmigalhados e transformados em ruínas, seus altares de incenso serão derrubados e tudo o que vocês realizaram será apagado.
  25. Seu povo cairá morto no meio de vocês, e vocês saberão que eu sou o SENHOR.
  26. ” ‘Mas pouparei alguns; alguns de vocês escaparão da espada quando forem espalhados entre as terras e nações.
  27. Ali, nas nações para onde vocês tiverem sido levados cativos, aqueles que escaparem se lembrarão de mim; lembrarão de como fui entristecido por seus corações adúlteros, que se desviaram de mim, e, por seus olhos, que cobiçaram os seus ídolos. Terão nojo de si mesmos por causa do mal que fizeram e por causa de todas as suas práticas repugnantes.
  28. E saberão que eu sou o SENHOR, que não ameacei em vão trazer esta desgraça sobre eles.
  29. ” ‘Assim diz o Soberano SENHOR: Esfregue as mãos, bata os pés e grite “Ai! “, por causa de todas as práticas ímpias e repugnantes da nação de Israel, pois eles morrerão pela espada, pela fome e pela peste.
  30. Quem está longe morrerá da peste, quem está perto cairá pela espada, e quem sobreviver e for poupado morrerá de fome. Assim mandarei a minha ira sobre eles.
  31. E saberão que eu sou o SENHOR, quando o seu povo estiver estirado, morto entre os seus ídolos, ao redor de seus altares, em todo monte alto e em todo topo de montanha, debaixo de toda árvore frondosa e de todo carvalho viçoso — em todos os lugares nos quais eles ofereciam incenso aromático a todos os seus ídolos.
  32. E estenderei meu braço contra eles e tornarei a terra uma imensidão desoladora, desde o deserto até Dibla — onde quer que estiverem vivendo. Então saberão que eu sou o SENHOR’ “.
  33. Veio a mim esta palavra do SENHOR:
  34. “Filho do homem, assim diz o Soberano SENHOR à nação de Israel: Chegou o fim! O fim chegou aos quatro cantos da terra de Israel.
  35. O fim está agora sobre você, e sobre você eu soltarei a minha ira. Eu a julgarei de acordo com a sua conduta e lhe retribuirei todas as suas práticas repugnantes.
  36. Não olharei com piedade para você nem a pouparei; com certeza eu lhe retribuirei sua conduta e suas práticas em seu meio. Então você saberá que eu sou o SENHOR”.
  37. Assim diz o Soberano SENHOR: Chegou a desgraça! Uma desgraça jamais imaginada vem aí.
  38. Chegou o fim! Chegou o fim! Ele se insurgiu contra você. O fim chegou!
  39. A condenação chegou sobre você, você que habita no país. Chegou a hora, o dia está próximo; há pânico, e não alegria, sobre os montes.
  40. Estou para derramar a minha ira sobre você e esgotar a minha indignação contra você; eu a julgarei de acordo com a sua conduta e lhe retribuirei todas as suas práticas repugnantes.
  41. Não olharei com piedade para você nem a pouparei; eu lhe retribuirei de acordo com todas as práticas repugnantes que há no seu meio. Então tu saberás que é o SENHOR que desfere o golpe.
  42. “Aqui está o dia! Já chegou! A condenação irrompeu, a vara brotou, a arrogância floresceu!
  43. A violência encarnou-se numa vara para castigar a maldade; ninguém do povo será deixado, ninguém daquela multidão, como também nenhuma riqueza, nada que tenha algum valor.
  44. Chegou a hora, o dia chegou. Que o comprador não se regozije nem o vendedor se entristeça, pois a ira está sobre toda a multidão.
  45. Nenhum vendedor viverá o suficiente para recuperar a terra que vendeu, mesmo que viva por muito tempo, pois a visão acerca de toda a multidão não voltará atrás. Por causa de sua iniqüidade, a vida de ninguém será preservada.
  46. Embora toquem a trombeta e deixem tudo pronto, ninguém irá a combate, pois a minha ira está sobre toda a sua multidão”.
  47. “Fora está a espada, dentro estão a peste e a fome; quem estiver no campo morrerá pela espada, e quem estiver na cidade será devorado pela fome e pela peste.
  48. Todos os que se livrarem e escaparem estarão nos montes, gemendo como pombas nos vales, cada um por causa de sua própria iniqüidade.
  49. Toda mão ficará pendendo, frouxa, e todo joelho ficará como água, de tão fraco.
  50. Eles se cobrirão de vestes de luto e se vestirão de pavor. Seus rostos serão cobertos de vergonha, e suas cabeças serão rapadas.
  51. Atirarão sua prata nas ruas, e seu ouro será tratado como coisa impura. Sua prata e seu ouro serão incapazes de livrá-los no dia da ira do SENHOR e, não poderão saciar sua fome e encher os seus estômagos; serviram apenas para fazê-los tropeçar na iniqüidade.
  52. Tinham orgulho de suas lindas jóias e as usavam para fazer os seus ídolos repugnantes e as suas imagens detestáveis. Por isso tornarei essas coisas em algo impuro para eles.
  53. Entregarei tudo isso como despojo nas mãos de estrangeiros e como saque nas mãos dos ímpios da terra, e eles o contaminarão.
  54. Desviarei deles o meu rosto, e eles profanarão o lugar que tanto amo; nele entrarão ladrões e o profanarão.
  55. “Preparem correntes, porque a terra está cheia de sangue derramado e a cidade está cheia de violência.
  56. Trarei os piores elementos das nações para se apossarem das casas deles; darei fim ao orgulho dos poderosos, e os santuários deles serão profanados.
  57. Quando chegar o pavor, eles buscarão paz, mas não a encontrarão.
  58. Virá uma desgraça após a outra, e um alarme após o outro. Tentarão conseguir uma visão da parte do profeta; o ensino da lei pelo sacerdote se perderá, como também o conselho das autoridades.
  59. O rei pranteará, o príncipe se vestirá de desespero, e as mãos do povo da terra tremerão. Lidarei com eles de acordo com a sua conduta, e pelos padrões deles mesmos eu os julgarei. Então saberão que eu sou o SENHOR”.

Fontes: Ezequiel 5, 6 e 7.

Capítulo 6 – Jeremias

  1. Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do SENHOR:
  2. “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: ‘Escreva num livro todas as palavras que eu lhe falei.
  3. Certamente vêm os dias’, diz o SENHOR, ‘em que mudarei a sorte do meu povo, Israel e Judá, e os farei retornar à terra que dei aos seus antepassados, e eles a possuirão’, declara o SENHOR”.
  4. Estas são as palavras que o SENHOR falou acerca de Israel e de Judá:
  5. “Assim diz o SENHOR: ” ‘Ouvem-se gritos de pânico, de pavor e não de paz.
  6. Pergunte e veja: Pode um homem dar à luz? Por que vejo, então, todos os homens com as mãos no estômago, como uma mulher em trabalho de parto? Por que estão pálidos todos os rostos?
  7. Como será terrível aquele dia! Sem comparação! Será tempo de angústia para Jacó; mas ele será salvo.
  8. ” ‘Naquele dia’, declara o SENHOR dos Exércitos, ‘quebrarei o jugo que está sobre o pescoço deles e arrebentarei as suas correntes; não mais serão escravizados pelos estrangeiros.
  9. Servirão ao SENHOR, ao seu Deus, e a Davi, seu rei, que darei a eles.
  10. ” ‘Por isso, não tema Jacó, meu servo! Não fique assustado, ó Israel! ’, declara o SENHOR. ‘Eu o salvarei de um lugar distante, e os seus descendentes, da terra do seu exílio. Jacó voltará e ficará em paz e em segurança; ninguém o inquietará.
  11. Porque eu estou com você e o salvarei’, diz o SENHOR. ‘Destruirei completamente todas as nações entre as quais eu o dispersei; mas a você não destruirei completamente. Eu o disciplinarei, como você merece. Não o deixarei impune. ’
  12. “Assim diz o SENHOR: ” ‘Seu ferimento é grave, sua ferida, incurável.
  13. Não há quem defenda a sua causa; não há remédio para a sua ferida, que não cicatriza.
  14. Todos os seus amantes esqueceram-se de você; eles não se importam com você. Eu a golpeei como faz um inimigo; dei-lhe um castigo cruel, porque é grande a sua iniqüidade e numerosos são os seus pecados.
  15. Por que você grita por causa do seu ferimento, por sua ferida incurável? Fiz essas coisas a você porque é grande a sua iniqüidade e numerosos são os seus pecados.
  16. ” ‘Mas todos os que a devoram serão devorados; todos os seus adversários irão para o exílio. Aqueles que a saqueiam serão saqueados; eu despojarei todos os que a despojam.
  17. Farei cicatrizar o seu ferimento e curarei as suas feridas’, declara o SENHOR, ‘porque a você, Sião, chamam de rejeitada, aquela por quem ninguém se importa’.
  18. “Assim diz o SENHOR: ” ‘Mudarei a sorte das tendas de Jacó e terei compaixão das suas moradas. A cidade será reconstruída sobre as suas ruínas e o palácio no seu devido lugar.
  19. Deles virão ações de graça e o som de regozijo. Eu os farei aumentar e eles não diminuirão; eu os honrarei e eles não serão desprezados.
  20. Seus filhos serão como nos dias do passado, e a sua comunidade será firmada diante de mim; castigarei todos aqueles que os oprimem.
  21. Seu líder será um dentre eles; seu governante virá do meio deles. Eu o trarei para perto e ele se aproximará de mim; pois quem se arriscaria a aproximar-se de mim? ’, pergunta o SENHOR.
  22. Por isso vocês serão o meu povo, e eu serei o seu Deus’ “.
  23. Vejam, a tempestade do SENHOR! Sua fúria está a solta! Um vendaval vem sobre a cabeça dos ímpios.
  24. A ira do SENHOR não se afastará até que ele tenha completado os seus propósitos. Em dias vindouros vocês compreenderão isso.
  25. “Naquele tempo”, diz o SENHOR, “serei o Deus de todas as famílias de Israel, e eles serão o meu povo. “
  26. Assim diz o SENHOR: “O povo que escapou da morte achou favor no deserto”. Quando Israel buscava descanso,
  27. o SENHOR lhe apareceu no passado, dizendo: “Eu a amei com amor eterno; com amor leal a atrai.
  28. Eu a edificarei mais uma vez, ó virgem, Israel! Você será reconstruída! Mais uma vez você se enfeitará com guizos e sairá dançando com os que se alegram.
  29. De novo você plantará videiras nas colinas de Samaria; videiras que os lavradores que as tinham plantado antes profanaram.
  30. Porque vai chegando o dia em que os sentinelas gritarão nas colinas de Efraim: ‘Venham e subamos a Sião, à presença do SENHOR, do nosso Deus’ “.
  31. Assim diz o SENHOR: “Cantem de alegria por causa de Jacó; gritem, exaltando a principal das nações! Proclamem e dêem louvores dizendo: ‘O SENHOR salvou o seu povo, o remanescente de Israel’.
  32. Vejam, eu os trarei da terra do norte e os reunirei dos confins da terra. Entre eles estarão o cego e o aleijado, mulheres grávidas e em trabalho de parto; uma grande multidão voltará.
  33. Voltarão com choro, mas eu os conduzirei em consolações. Eu os conduzirei às correntes de água por um caminho plano, onde não tropeçarão, porque sou pai para Israel e Efraim é o meu filho mais velho.
  34. “Ouçam a palavra do SENHOR, ó nações, e proclamem nas ilhas distantes: ‘Aquele que dispersou Israel os reunirá e, como pastor, vigiará o seu rebanho’.
  35. O SENHOR resgatou Jacó e o libertou das mãos do que é mais forte do que ele.
  36. Eles virão e cantarão de alegria nos altos de Sião; ficarão radiantes de alegria pelos muitos bens dados pelo SENHOR: o cereal, o vinho novo, o azeite puro, as crias das ovelhas e das vacas. Serão como um jardim bem regado, e não mais se entristecerão.
  37. Então as moças dançarão de alegria, como também os jovens e os velhos. Transformarei o lamento deles em júbilo; eu lhes darei consolo e alegria em vez de tristeza.
  38. Satisfarei os sacerdotes com fartura; e o meu povo será saciado pela minha bondade”, declara o SENHOR.
  39. Assim diz o SENHOR: “Ouve-se uma voz em Ramá, pranto e amargo choro; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque os seus filhos já não existem”.
  40. Assim diz o SENHOR: “Contenha o seu choro e as suas lágrimas, pois o seu sofrimento será recompensado”, declara o SENHOR. “Eles voltarão da terra do inimigo.
  41. Por isso há esperança para o seu futuro”, declara o SENHOR. “Seus filhos voltarão para a sua pátria.
  42. “Ouvi claramente Efraim lamentando-se: ‘Tu me disciplinaste como a um bezerro indomado, e fui disciplinado. Traze-me de volta, e voltarei, porque tu és o SENHOR, o meu Deus.
  43. De fato, depois de desviar-me, eu me arrependi; depois que entendi, bati no meu peito. Estou envergonhado e humilhado porque trago sobre mim a desgraça da minha juventude’.
  44. Não é Efraim o meu filho querido? O filho em quem tenho prazer? Cada vez que eu falo sobre ele, mais intensamente me lembro dele. Por isso o meu coração por ele anseia; tenho por ele grande compaixão”, declara o SENHOR.
  45. “Coloque marcos e ponha sinais nas estradas, Preste atenção no caminho que você trilhou. Volte, ó Virgem, Israel! Volte para as suas cidades.
  46. Até quando você vagará, ó filha rebelde? O SENHOR criou algo novo nesta terra: uma mulher abraça um guerreiro. “
  47. Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: “Quando eu os trouxer de volta do cativeiro, o povo de Judá e de suas cidades dirá novamente: ‘O SENHOR a abençoe, ó morada justa, ó monte sagrado’.
  48. O povo viverá em Judá e em todas as suas cidades, tanto os lavradores como os que conduzem os rebanhos.
  49. Restaurarei o exausto e saciarei o enfraquecido”.
  50. Então acordei e olhei em redor. Meu sono tinha sido agradável.
  51. “Virão dias”, diz o SENHOR, “em que semearei na comunidade de Israel e na comunidade de Judá homens e animais.
  52. Assim como os vigiei para arrancar e despedaçar, para derrubar, destruir e trazer a desgraça, também os vigiarei para edificar e plantar”, declara o SENHOR.
  53. “Naqueles dias não se dirá mais: ‘Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se mancharam’.
  54. Ao contrário, cada um morrerá por causa do seu próprio pecado. Os dentes de todo aquele que comer uvas verdes se mancharam.
  55. “Estão chegando os dias”, declara o SENHOR, “quando farei uma nova aliança com a comunidade de Israel e com a comunidade de Judá”.
  56. “Não será como a aliança que fiz com os seus antepassados quando os tomei pela mão para tirá-los do Egito; porque quebraram a minha aliança, apesar de eu ser o SENHOR deles”, diz o SENHOR.
  57. “Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias”, declara o SENHOR: “Porei a minha lei no íntimo deles e a escreverei nos seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo.
  58. Ninguém mais ensinará ao seu próximo nem ao seu irmão, dizendo: ‘Conheça ao SENHOR’, porque todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior”, diz o SENHOR. “Porque eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados. “
  59. Assim diz o SENHOR, aquele que designou o sol para brilhar de dia, que decretou que a lua e as estrelas brilhem de noite, que agita o mar para que as suas ondas rujam; o seu nome é o SENHOR dos Exércitos:
  60. “Somente se esses decretos desaparecerem de diante de mim”, declara o SENHOR, “deixarão os descendentes de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre”.
  61. Assim diz o SENHOR: “Se os céus em cima puderem ser medidos, e os alicerces da terra embaixo puderem ser sondados, então eu rejeitarei os descendentes de Israel, por causa de tudo o que eles têm feito”, diz o SENHOR.
  62. “Estão chegando os dias”, declara o SENHOR, “em que esta cidade será reconstruída para o SENHOR, desde a torre de Hananeel até à porta da Esquina.
  63. A corda de medir será estendida diretamente até a colina de Garebe, indo na direção de Goa.
  64. Todo o vale, onde cadáveres e cinzas são jogados, e todos os terraços que dão para o vale do Cedrom a leste, até a esquina da porta dos Cavalos, serão consagrados ao SENHOR. A cidade nunca mais será arrasada ou destruída. “

Fontes: Jeremias 30 e 31.

Capítulo 7 – Zedequias

  1. Zedequias tinha vinte e um anos de idade quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Hamutal, filha de Jeremias; ela era de Libna.
  2. Ele fez o que o SENHOR reprova, tal como fizera Jeoaquim.
  3. Por causa da ira do SENHOR tudo isso aconteceu a Jerusalém e a Judá; por fim ele os lançou para longe da sua presença. Ora, Zedequias rebelou-se contra o rei da Babilônia.
  4. Então, no nono ano do reinado de Zedequias, no décimo dia do décimo mês, Nabucodonosor, rei da Babilônia, marchou contra Jerusalém com todo o seu exército. Ele acampou em frente da cidade e construiu rampas de ataque ao redor dela.
  5. A cidade foi mantida sob cerco até o décimo primeiro ano do reinado de Zedequias.
  6. No nono dia do quarto mês, a fome na cidade havia se tornado tão severa que não havia nada para o povo comer.
  7. Então o muro da cidade foi rompido, e todos os soldados fugiram de noite pela porta entre os dois muros próximos ao jardim do rei, embora os babilônios estivessem em torno da cidade. Fugiram na direção da Arabá,
  8. mas o exército babilônio perseguiu o rei e o alcançou nas planícies de Jericó. Todos os seus soldados o abandonaram,
  9. e ele foi capturado. Foi levado até o rei da Babilônia, em Ribla, onde pronunciaram a sentença contra ele.
  10. Executaram os filhos de Zedequias na sua frente; depois furaram seus olhos, prenderam-no com algemas de bronze e o levaram para a Babilônia.
  11. No sétimo dia do quinto mês do décimo nono ano do reinado de Nabucodonosor, rei da Babilônia, Nebuzaradã, comandante da guarda imperial, conselheiro do rei da Babilônia, foi a Jerusalém.
  12. Incendiou o templo do SENHOR, o palácio real, todas as casas de Jerusalém e todos os edifícios importantes.
  13. Todo o exército babilônio, que acompanhava Nebuzaradã derrubou os muros de Jerusalém.
  14. E ele levou para o exílio o povo que sobrou na cidade, os que passaram para o lado do rei da Babilônia e o restante da população.
  15. Mas alguns dos mais pobres do país o comandante deixou para trás, para trabalharem nas vinhas e nos campos.
  16. Os babilônios destruíram as colunas de bronze, os suportes e o tanque de bronze que estavam no templo do SENHOR, e levaram o bronze para a Babilônia.
  17. Também levaram as panelas, as pás, os cortadores de pavio, as vasilhas e todos os utensílios de bronze utilizados no serviço do templo.
  18. O comandante da guarda imperial levou os incensários e as bacias de aspersão, tudo o que era feito de ouro puro ou prata.
  19. As duas colunas, o tanque e os suportes, que Salomão fizera para o templo do SENHOR, eram mais do que podia ser pesado.
  20. Cada coluna tinha oito metros e dez centímetros de altura. O capitel de bronze no alto de cada coluna tinha um metro e trinta e cinco centímetros de altura e era decorado com uma fileira de romãs de bronze ao redor.
  21. O comandante da guarda levou como prisioneiros o sumo sacerdote, Seraías, Sofonias, o segundo sacerdote, e os três guardas da porta.
  22. Dos que ainda estavam na cidade, ele levou o oficial responsável pelos homens de combate e cinco conselheiros reais. Também levou o secretário, principal líder responsável pelo alistamento militar no país e sessenta homens do povo.
  23. O comandante Nebuzaradã levou a todos ao rei da Babilônia, em Ribla.
  24. Lá, em Ribla, na terra de Hamate, o rei mandou executá-los. Assim Judá foi para o exílio, para longe de sua terra.
  25. Nabucodonosor, rei da Babilônia, nomeou Gedalias, filho de Aicam e neto de Safã, como governador do povo que havia sido deixado em Judá.
  26. Quando Ismael, filho de Netanias, Joanã, filho de Careá, Seraías, filho do netofatita Tanumete, e Jazanias, filho de um maacatita, todos os líderes do exército, souberam que o rei da Babilônia havia nomeado Gedalias como governador, eles e seus soldados foram falar com Gedalias em Mispá.
  27. Gedalias fez um juramento a esses líderes e a seus soldados, dizendo: “Não tenham medo dos oficiais babilônios. Estabeleçam-se nesta terra e sirvam o rei da Babilônia, e tudo lhes irá bem”.
  28. Mas no sétimo mês, Ismael, filho de Netanias e neto de Elisama, que tinha sangue real, foi com dez homens e assassinou Gedalias e os judeus e os babilônios que estavam com ele em Mispá.
  29. Então todo o povo, desde as crianças até os velhos, juntamente com os líderes do exército, fugiram para o Egito, com medo dos babilônios.
  30. No trigésimo sétimo ano do exílio de Joaquim, rei de Judá, no ano em que Evil-Merodaque se tornou rei da Babilônia, ele tirou Joaquim da prisão, no dia vinte e sete do décimo segundo mês.
  31. Ele lhe tratou com bondade e deu-lhe o lugar mais honrado entre os outros reis que estavam com ele na Babilônia.
  32. Assim, Joaquim deixou suas vestes de prisão e pelo resto de sua vida comeu à mesa do rei.
  33. E diariamente, enquanto viveu, Joaquim recebeu uma pensão do rei.

Fontes: 2Reis 24 e 25.

Capítulo  8 – Ezequiel III

  1. No quinto dia do sexto mês do sexto ano do exílio, Ezequiel e as autoridades de Judá estam sentados em minha casa quando a mão do Soberano SENHOR veio ali sobre mim.
  2. Olhei e vi uma figura como a de um homem. Do que parecia ser a sua cintura para baixo, ele era como fogo, e dali para cima sua aparência era tão brilhante como metal reluzente.
  3. Ele estendeu o que parecia um braço e pegou-me pelo cabelo. O Espírito levantou-me entre a terra e o céu e, em visões de Deus, ele me levou a Jerusalém, à entrada da porta do norte do pátio interno, onde estava colocado o ídolo que desperta o zelo de Deus.
  4. E ali, diante de mim, estava a glória do Deus de Israel, como na visão que eu havia tido na planície.
  5. Então ele me disse: “Filho do homem, olhe para o norte”. Olhei e, no lado norte, à porta do altar, vi o ídolo que desperta o zelo de Deus.
  6. E ele me disse: “Filho do homem, vê você o que estão fazendo? As grandes práticas repugnantes da nação de Israel, coisas que me levarão para longe do meu santuário? Mas você verá práticas ainda piores que estas”.
  7. Então ele me levou para a entrada do pátio. Olhei e vi um buraco no muro.
  8. Ele me disse: “Filho do homem, agora escave o muro”. Escavei o muro e vi a abertura de uma porta ali.
  9. E ele me disse: “Entre e veja as coisas repugnantes e más que estão fazendo”.
  10. Eu entrei e olhei. Lá eu vi, desenhadas por todas as paredes, todo tipo de criaturas rastejantes e animais impuros e todos os ídolos da nação de Israel.
  11. Na frente deles estavam setenta autoridades da nação de Israel, e Jazanias, filho de Safã, estava no meio deles. Cada um tinha um incensário na mão, e se elevava uma nuvem aromática de incenso.
  12. Ele me disse: “Filho do homem, você viu o que as autoridades da nação de Israel estão fazendo nas trevas, cada um no santuário de sua própria imagem esculpida? Eles dizem: ‘O SENHOR não nos vê; o SENHOR abandonou o país’ “.
  13. E de novo disse: “Você os verá cometerem práticas ainda mais repugnantes”.
  14. Então ele me levou para a entrada da porta norte da casa do SENHOR. Lá eu vi mulheres sentadas, chorando por Tamuz.
  15. Ele me disse: “Você vê isso, filho do homem? Você verá práticas ainda mais repugnantes do que essa”.
  16. Ele então me levou para dentro do pátio interno da casa do SENHOR, e ali, à entrada do templo, entre o pórtico e o altar, havia uns vinte e cinco homens. Com as costas para o templo do SENHOR e os rostos voltados para o oriente, estavam se prostrando na direção do sol.
  17. Ele me disse: “Você viu isso, filho do homem? Será algo corriqueiro para a nação de Judá essas práticas repugnantes? Deverão também encher a terra de violência e continuamente me provocar a ira? E veja! Eles estão pondo o ramo perto do nariz!
  18. Por isso com ira eu os tratarei; não olharei com piedade para eles nem os pouparei. Mesmo que gritem aos meus ouvidos, não os ouvirei”.
  19. Então o ouvi clamar em alta voz: “Tragam aqui os guardas da cidade, cada um com uma arma na mão”.
  20. E vi seis homens que vinham da porta superior, que está voltada para o norte, cada um com uma arma mortal na mão. Com eles estava um homem vestido de linho e que tinha um estojo de escrevente à cintura. Eles entraram e se puseram ao lado do altar de bronze.
  21. Então a glória do Deus de Israel subiu de cima do querubim, onde havia estado, e se moveu para a entrada do templo. E o SENHOR chamou o homem vestido de linho e que tinha o estojo de escrevente à cintura
  22. e lhe disse: “Percorra a cidade de Jerusalém e ponha um sinal na testa daqueles que suspiram e gemem por causa de todas as práticas repugnantes que são feitas nela”.
  23. Enquanto eu escutava, ele disse aos outros: “Sigam-no por toda a cidade e matem, sem piedade ou compaixão,
  24. velhos, rapazes e moças, mulheres e crianças. Mas não toquem em ninguém que tenha o sinal. Comecem no meu santuário”. Então eles começaram com as autoridades que estavam em frente do templo.
  25. E ele lhes disse: “Contaminem o templo e encham de mortos os pátios. Podem ir! ” Eles saíram e começaram a matança em toda a cidade.
  26. Enquanto isso eu fiquei sozinho. Então prostrei-me, rosto em terra, clamando: “Ah! Soberano SENHOR! Vais destruir todo o remanescente de Israel lançando a tua ira sobre Jerusalém? “
  27. Ele me respondeu: “A iniqüidade da nação de Israel e de Judá é enorme; a terra está cheia de sangue derramado e a cidade está cheia de injustiça. Eles dizem: ‘O SENHOR abandonou o país; o SENHOR não nos vê’.
  28. Então eu, de minha parte, não olharei para eles com piedade nem os pouparei, mas farei cair sobre as suas cabeças o que eles têm feito”.
  29. Então o homem de linho com o estojo de escrevente à cintura voltou com um relatório, e disse: “Fiz o que me ordenaste”.
  30. Olhei e vi algo semelhante a um trono de safira sobre a abóbada que estava por cima das cabeças dos querubins.
  31. O SENHOR disse ao homem vestido de linho: “Vá entre as rodas por baixo dos querubins. Encha as mãos com brasas ardentes de entre os querubins e espalhe-as sobre a cidade”. E, enquanto eu observava, ele foi.
  32. Ora, os querubins estavam no lado sul do templo quando o homem entrou, e uma nuvem encheu o pátio interno.
  33. Então a glória do SENHOR levantou-se de cima dos querubins e moveu-se para a entrada do templo. A nuvem encheu o templo, e o pátio foi tomado pelo resplendor da glória do SENHOR.
  34. O som das asas dos querubins podia ser ouvido até no pátio externo, como a voz do Deus Todo-poderoso, quando ele fala.
  35. Quando o SENHOR ordenou ao homem vestido de linho: “Apanhe fogo do meio das rodas, do meio dos querubins”, o homem foi e colocou-se ao lado de uma roda.
  36. Então um dos querubins estendeu a mão no fogo que estava no meio deles. Apanhou algumas brasas e as colocou nas mãos do homem vestido de linho, que as recebeu e saiu.
  37. ( Debaixo das asas dos querubins podia-se ver o que se parecia com mãos humanas. )
  38. Olhei e vi ao lado dos querubins quatro rodas, uma ao lado de cada um dos querubins; as rodas reluziam como berilo.
  39. Quanto à sua aparência, eram iguais, e cada uma parecia estar entrosada na outra.
  40. Enquanto se moviam, elas iam em qualquer uma das quatro direções que tomavam os querubins; as rodas não se viravam enquanto os querubins se moviam. Eles seguiam qualquer direção à sua frente, sem se virar.
  41. Seus corpos, inclusive as costas, as mãos e as asas, estavam completamente cheios de olhos, como as suas quatro rodas.
  42. Ouvi que chamavam às rodas, “rodas rotatórias”.
  43. Cada um dos querubins tinha quatro rostos: Um rosto era o de um querubim, o segundo, de um homem, o terceiro, de um leão, e o quarto, de uma águia.
  44. Então os querubins se elevaram. Eram os mesmos seres viventes que eu tinha visto junto ao rio Quebar.
  45. Quando os querubins se moviam, as rodas ao lado deles se moviam; e, quando os querubins estendiam as asas para erguer-se do chão, as rodas também iam com eles.
  46. Quando os querubins se mantinham imóveis, elas também ficavam imóveis; e, quando os querubins se levantavam, elas se levantavam com eles, porque o espírito dos seres viventes estava nelas.
  47. Então a glória do SENHOR afastou-se da entrada do templo e parou sobre os querubins.
  48. Enquanto eu observava, os querubins estenderam as asas e se ergueram do chão, e as rodas foram com eles. Eles pararam à entrada da porta oriental do templo do SENHOR, e a glória do Deus de Israel estava sobre eles.
  49. Esses seres viventes eram os mesmos que eu vi debaixo do Deus de Israel junto ao rio Quebar, e percebi que eles eram querubins.
  50. Cada um tinha quatro rostos e quatro asas, e debaixo de suas asas havia o que pareciam mãos humanas.
  51. Seus rostos tinham a mesma aparência daqueles que eu tinha visto junto ao rio Quebar. Todos iam sempre para a frente.

Fontes: Ezequiel 8, 9 e 10.

Capítulo 9 – Ezequiel

  1. Então o Espírito me ergueu e me levou para a porta do templo do SENHOR, que dá para o oriente. Ali, à entrada da porta, havia vinte e cinco homens, e vi entre eles Jazanias, filho de Azur, e Pelatias, filho de Benaia, líderes do povo.
  2. O SENHOR me disse: “Filho do homem, estes são os homens que estão tramando o mal e dando maus conselhos nesta cidade.
  3. Eles dizem: ‘Não será logo o tempo de construir casas? Esta cidade é uma panela, e nós somos a carne dentro dela’.
  4. Portanto, profetize contra eles; profetize, filho do homem”.
  5. Então o Espírito do SENHOR veio sobre mim, e mandou-me dizer: “Assim diz o SENHOR: É isso que vocês estão dizendo, ó nação de Israel, mas eu sei em que vocês estão pensando.
  6. Vocês mataram muita gente nesta cidade e encheram as suas ruas de cadáveres.
  7. “Portanto, assim diz o Soberano SENHOR: Os corpos que vocês jogaram nas ruas são a carne, e esta cidade é a panela, mas eu os expulsarei dela.
  8. Vocês têm medo da espada, e a espada é o que trarei contra vocês, palavra do Soberano SENHOR.
  9. Eu os expulsarei da cidade e os entregarei nas mãos de estrangeiros e lhes castigarei.
  10. Vocês cairão pela espada, e eu os julgarei nas fronteiras de Israel. Então vocês saberão que eu sou o SENHOR.
  11. Esta cidade não será uma panela para vocês, nem vocês serão carne nela; eu os julgarei nas fronteiras de Israel.
  12. E vocês saberão que eu sou o SENHOR, pois vocês não agiram segundo os meus decretos nem obedeceram às minhas leis, mas se conformaram aos padrões das nações ao seu redor”.
  13. Ora, enquanto eu estava profetizando, Pelatias, filho de Benaia, morreu. Então prostrei-me, rosto em terra, e clamei em alta voz: “Ah! Soberano SENHOR! Destruirás totalmente o remanescente de Israel? “
  14. Esta palavra do SENHOR veio a mim:
  15. “Filho do homem, seus irmãos, sim, seus irmãos que são seus parentes consangüíneos e toda a nação de Israel, são aqueles de quem o povo de Jerusalém tem dito: ‘Eles estão longe do SENHOR. É a nós que esta terra foi dada, para ser nossa propriedade’.
  16. “Portanto diga: ‘Assim diz o Soberano SENHOR: Embora eu os tenha mandado para terras muito distantes entre os povos e os tenha espalhado entre as nações, por breve período tenho sido um santuário para eles nas terras para onde foram’.
  17. “Portanto, diga: ‘Assim diz o Soberano SENHOR: Eu os ajuntarei dentre as nações e os trarei de volta das terras para onde vocês foram espalhados, e lhes devolverei a terra de Israel’.
  18. “Eles voltarão para ela e retirarão todas as suas imagens repugnantes e os seus ídolos detestáveis.
  19. Darei a eles um coração não dividido e porei um novo espírito dentro deles; retirarei deles o coração de pedra e lhes darei um coração de carne.
  20. Então agirão segundo os meus decretos e serão cuidadosos em obedecer às minhas leis. Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.
  21. Mas, quanto àqueles cujos corações estão afeiçoados às suas imagens repugnantes e aos ídolos detestáveis, farei cair sobre suas próprias cabeças aquilo que eles têm feito, palavra do Soberano SENHOR”.
  22. Então os querubins, com as rodas ao lado, estenderam as asas, e a glória do Deus de Israel estava sobre eles.
  23. A glória do SENHOR subiu da cidade e parou sobre o monte que fica a leste dela.
  24. Então o Espírito ergueu-me e levou-me aos que estavam exilados na Babilônia, na visão dada pelo Espírito de Deus. Findou-se então a visão que eu estava tendo,
  25. e contei aos exilados tudo o que o SENHOR tinha me mostrado.
  26. No quinto dia do décimo mês do décimo segundo ano do nosso exílio, um homem que havia escapado de Jerusalém veio a mim e disse: “A cidade caiu! “
  27. Ora, na tarde do dia anterior, a mão do SENHOR esteve sobre mim, e ele abriu a minha boca antes de chegar aquele homem. Assim foi aberta a minha boca, e eu não me calei mais.
  28. Então me veio esta palavra do SENHOR:
  29. “Filho do homem, o povo que vive naquelas ruínas em Israel está dizendo: ‘Abraão era apenas um único homem, e, contudo, possuiu a terra. Mas nós somos muitos; com certeza receberemos a terra como propriedade’.
  30. Então diga a eles: ‘Assim diz o Soberano SENHOR: Uma vez que vocês comem carne com sangue, voltam-se para os seus ídolos e derramam sangue, deveriam possuir a terra?
  31. Vocês confiam na espada, cometem práticas repugnantes, e cada um de vocês contamina a mulher do seu próximo. E deveriam possuir a terra? ’
  32. “Diga isto a eles: ‘Assim diz o Soberano SENHOR: Juro pela minha vida, que os que restam nas ruínas cairão pela espada, e que entregarei os que estão no campo aos animais selvagens para serem devorados, e que os que se abrigam em fortalezas e em cavernas morrerão de peste.
  33. Tornarei a terra um deserto abandonado. Darei fim ao poder que se orgulha, e tão arrasados estarão os montes de Israel que ninguém vai querer passar por lá.
  34. Eles saberão que eu sou o SENHOR, quando eu tiver tornado a terra um deserto abandonado por causa de todas as práticas repugnantes que eles cometeram’.
  35. “Quanto a você, filho do homem, seus compatriotas estão conversando sobre você junto aos muros e às portas das casas, dizendo uns aos outros: ‘Venham ouvir a mensagem que veio da parte do SENHOR’.
  36. O meu povo vem a você, como costuma fazer, e se assenta diante de você para ouvir as suas palavras, mas não as põe em prática. Com a boca eles expressam devoção, mas o coração deles está ávido de ganhos injustos.
  37. De fato, para eles você não é nada mais do que alguém que entoa cânticos de amor com uma bela voz e que sabe tocar um instrumento, pois eles ouvem as suas palavras, mas não as põem em prática.
  38. “Quando tudo isso acontecer — e certamente acontecerá — eles saberão que um profeta esteve no meio deles”.

Fontes: Ezequiel  11 e 33.

Capítulo 10 – Lamentações I

  1. Como está deserta a cidade, antes tão cheia de gente! Como se parece com uma viúva, a que antes era grandiosa entre as nações! A que era a princesa das províncias agora tornou-se uma escrava.
  2. Chora amargamente à noite, as lágrimas rolam por seu rosto. De todos os seus amantes nenhum a consola. Todos os seus amigos a traíram; tornaram-se seus inimigos.
  3. Em aflição e sob trabalhos forçados, Judá foi levado ao exílio. Vive entre as nações sem encontrar repouso. Todos os que a perseguiram a capturaram em meio ao seu desespero.
  4. Os caminhos para Sião pranteiam, porque ninguém comparece às suas festas fixas. Todas as suas portas estão desertas, seus sacerdotes gemem, suas moças se entristecem, e ela se encontra em angústia profunda.
  5. Seus adversários são os seus chefes; seus inimigos estão tranqüilos. O SENHOR lhe trouxe tristeza por causa dos seus muitos pecados. Seus filhos foram levados ao exílio, prisioneiros dos adversários.
  6. Todo o esplendor fugiu da cidade de Sião. Seus líderes são como corças que não encontram pastagem; sem forças fugiram diante do perseguidor.
  7. Nos dias de sua aflição e de seu desnorteio Jerusalém se lembra de todos os tesouros que lhe pertenciam nos tempos passados. Quando o seu povo caiu nas mãos do inimigo, ninguém veio ajudá-la. Seus inimigos olharam para ela e zombaram da sua queda.
  8. Jerusalém cometeu graves pecados; por isso tornou-se impura. Todos os que a honravam agora a desprezam, porque viram a sua nudez; ela mesma geme e se desvia deles.
  9. Sua impureza prende-se às suas saias; ela não esperava que chegaria o seu fim. Sua queda foi surpreendente; ninguém veio consolá-la. “Olha, SENHOR, para a minha aflição, pois o inimigo triunfou. “
  10. O adversário saqueia todos os seus tesouros; ela viu nações pagãs entrarem em seu santuário, sendo que tu as tinhas proibido de participar das tuas assembléias.
  11. Todo o seu povo se lamenta enquanto vai em busca de pão; e para sobreviverem, trocam os tesouros por comida. “Olha, SENHOR, e considera, pois tenho sido desprezada. “
  12. “Vocês não se comovem, todos vocês que passam por aqui? Olhem ao redor e vejam se há sofrimento maior do que o que me foi imposto e que o SENHOR trouxe sobre mim no dia em que se acendeu a sua ira.
  13. Do alto ele fez cair fogo sobre os meus ossos. Armou uma rede para os meus pés e me derrubou de costas. Deixou-me desolada, desfalecida o dia todo.
  14. Os meus pecados foram amarrados num jugo; suas mãos os ataram todos juntos, e os colocaram em meu pescoço; o SENHOR abateu a minha força. Ele me entregou àqueles que não consigo vencer.
  15. O SENHOR dispersou todos os guerreiros que me apoiavam; convocou um exército contra mim para destruir os meus jovens. O SENHOR pisou no seu lagar a virgem, a cidade de Judá.
  16. É por isso que eu choro; as lágrimas inundam os meus olhos. Ninguém está por perto para consolar-me, não há ninguém que restaure o meu espírito. Meus filhos estão desamparados porque o inimigo prevaleceu. “
  17. Sião estende as mãos suplicantes mas não há quem a console. O SENHOR decretou que os vizinhos de Jacó se tornem seus adversários; Jerusalém tornou-se coisa imunda entre eles.
  18. “O SENHOR é justo, mas eu me rebelei contra a sua ordem. Ouçam, todos os povos; olhem para o meu sofrimento. Meus jovens e minhas moças foram para o exílio.
  19. Chamei os meus aliados, mas eles me traíram. Meus sacerdotes e meus líderes pereceram na cidade, enquanto procuravam comida para poderem sobreviver.
  20. Veja, SENHOR, como estou angustiada! Estou atormentada no íntimo, e no meu coração me perturbo pois tenho sido muito rebelde. Lá fora, a espada a todos consome; dentro impera a morte.
  21. Os meus lamentos têm sido ouvidos, mas não há ninguém que me console. Todos os meus inimigos sabem da minha agonia; eles se alegram com o que fizeste. Quem dera trouxesses o dia que anunciaste para que eles ficassem como eu.
  22. Que toda a maldade deles seja conhecida diante de ti; faze com eles o que fizeste comigo por causa de todos os meus pecados. Os meus gemidos são muitos e o meu coração desfalece. “
  23. O SENHOR cobriu a cidade de Sião com a nuvem da sua ira! Lançou por terra o esplendor de Israel, que se elevava para os céus; não se lembrou do estrado dos seus pés no dia da sua ira.
  24. Sem piedade o SENHOR devorou todas as habitações de Jacó; em sua ira destruiu as fortalezas da filha de Judá. Derrubou ao chão e desonrou o seu reino e os seus líderes.
  25. No acender da sua ira cortou todo o poder de Israel. Retirou a sua mão direita diante da aproximação do inimigo. Queimou Jacó como um fogo ardente que consome tudo ao redor.
  26. Como um inimigo, preparou o seu arco; como um adversário, a sua mão direita está pronta. Ele massacrou tudo o que era agradável contemplar; derramou sua ira como fogo sobre a tenda da cidade de Sião.
  27. O SENHOR é como um inimigo; ele tem devorado Israel. Tem devorado todos os seus palácios e destruído as suas fortalezas. Tem feito multiplicar os prantos e as lamentações da filha de Judá.
  28. Ele destroçou a sua morada como se fosse um simples jardim; destruiu o seu local de reuniões. O SENHOR fez esquecidas em Sião suas festas fixas e seus sábados; em seu grande furor rejeitou o rei e o sacerdote.
  29. O SENHOR rejeitou o seu altar e abandonou o seu santuário. Entregou aos inimigos os muros dos seus palácios, e eles deram gritos na casa do SENHOR, como fazíamos nos dias de festa.
  30. O SENHOR está decidido a derrubar os muros da cidade de Sião. Esticou uma trena e não poupou a sua mão destruidora. Fez com que os muros e as paredes se lamentassem; juntos eles se desmoronaram.
  31. Suas portas caíram por terra; suas trancas ele quebrou e destruiu. O seu rei e os seus líderes foram exilados para diferentes nações, e a lei já não existe; seus profetas já não recebem visões do SENHOR.
  32. Os líderes da cidade de Sião sentam-se no chão em silêncio; despejam pó sobre a cabeça e usam vestes de lamento. As moças de Jerusalém inclinam a cabeça até o chão.
  33. Meus olhos estão cansados de chorar, minha alma está atormentada, meu coração se derrama, porque o meu povo está destruído, porque crianças e bebês desmaiam pelas ruas da cidade.
  34. “Eles clamam às suas mães: Onde estão o pão e o vinho? ” Ao mesmo tempo em que desmaiam pelas ruas da cidade, como os feridos, e suas vidas se desvanecem nos braços de suas mães.
  35. Que posso dizer a seu favor? Com que posso compará-la, ó cidade de Jerusalém? Com que posso assemelhá-la, a fim de trazer-lhe consolo, ó virgem, ó cidade de Sião? Sua ferida é tão profunda quanto o oceano; quem pode curá-la?
  36. As visões dos seus profetas eram falsas e inúteis; eles não expuseram o seu pecado para evitar o seu cativeiro. As mensagens que eles lhe deram eram falsas e enganosas.
  37. Todos os que cruzam o seu caminho batem palmas; eles zombam e meneiam a cabeça diante da cidade de Jerusalém: “É esta a cidade que era chamada, a perfeição da beleza, a alegria de toda a terra? “
  38. Todos os seus inimigos escancaram a boca contra você; eles zombam, rangem os dentes e dizem: “Nós a devoramos. Este é o dia que esperávamos; pois não é que vivemos até vê-lo chegar? “
  39. O SENHOR fez o que planejou; cumpriu a sua palavra, que há muito tinha decretado. Derrubou tudo sem piedade, permitiu que o inimigo zombasse de você, exaltou o poder dos seus adversários.
  40. O coração do povo clama ao SENHOR. Ó muro da cidade de Sião, corram como um rio as suas lágrimas dia e noite; não se permita nenhum descanso nem dê repouso à menina dos seus olhos.
  41. Levante-se, grite no meio da noite, quando começam as vigílias noturnas; derrame o seu coração como água na presença do SENHOR. Levante para ele as mãos em favor da vida de seus filhos, que desmaiam de fome nas esquinas de todas as ruas.
  42. “Olha, SENHOR, e considera: A quem o SENHOR tratou dessa maneira? Deverão as mulheres comer os próprios filhos, as crianças de quem elas cuidaram? Deverão os profetas e os sacerdotes ser assassinados no santuário do SENHOR?
  43. Jovens e velhos espalham-se em meio ao pó das ruas; meus jovens e minhas virgens caíram mortos à espada. Tu os sacrificaste no dia da tua ira; tu os mataste sem piedade.
  44. Como se faz convocação para um dia de festa, convocaste contra mim terrores por todos os lados. No dia da ira do SENHOR, ninguém escapou nem sobreviveu; aqueles dos quais eu cuidava e os quais eu fiz crescer, o meu inimigo destruiu. “

Fontes: Lamentações 1 e 2

Capítulo 11 – Lamentações II

  1. Eu sou o homem que viu a aflição trazida pela vara da sua ira.
  2. Ele me impeliu e me fez andar na escuridão, e não na luz;
  3. sim, ele voltou sua mão contra mim vez após vez, o tempo todo.
  4. Fez que a minha pele e a minha carne envelhecessem e quebrou os meus ossos.
  5. Ele me sitiou e me cercou de amargura e de pesar.
  6. Fez-me habitar na escuridão como os que há muito morreram.
  7. Cercou-me de muros, e não posso escapar; atou-me a pesadas correntes.
  8. Mesmo quando chamo ou grito por socorro, ele rejeita a minha oração.
  9. Ele impediu o meu caminho com blocos de pedra; e fez tortuosas as minhas sendas.
  10. Como um urso à espreita, como um leão escondido,
  11. arrancou-me do caminho e despedaçou-me, deixando-me abandonado.
  12. Preparou o seu arco e me fez alvo de suas flechas.
  13. Atingiu o meu coração com flechas de sua aljava.
  14. Tornei-me motivo de riso de todo o meu povo; nas suas canções eles zombam de mim o tempo todo.
  15. Fez-me comer ervas amargas e fartou-me de fel.
  16. Quebrou os meus dentes com pedras; e pisoteou-me no pó.
  17. Tirou-me a paz; esqueci-me do que significa prosperidade.
  18. Por isso digo: “Meu esplendor já se foi, bem como tudo o que eu esperava do SENHOR”.
  19. Lembro-me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar.
  20. Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim.
  21. Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança:
  22. Graças ao grande amor do SENHOR é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis.
  23. Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade!
  24. Digo a mim mesmo: A minha porção é o SENHOR; portanto, nele porei a minha esperança.
  25. O SENHOR é bom para com aqueles cuja esperança está nele, para com aqueles que o buscam;
  26. é bom esperar tranqüilo pela salvação do SENHOR.
  27. É bom que o homem suporte o jugo enquanto é jovem.
  28. Leve-o sozinho e em silêncio, porque o SENHOR o pôs sobre ele.
  29. Ponha o seu rosto no pó; talvez ainda haja esperança.
  30. Ofereça o rosto a quem o quer ferir, e engula a desonra.
  31. Porque o SENHOR não o desprezará para sempre.
  32. Embora ele traga tristeza, mostrará compaixão, tão grande é o seu amor infalível.
  33. Porque não é do seu agrado trazer aflição e tristeza aos filhos dos homens.
  34. Esmagar com os pés todos os prisioneiros da terra,
  35. negar a alguém os seus direitos, enfrentando o Altíssimo,
  36. impedir a alguém o acesso à justiça; não veria o SENHOR tais coisas?
  37. Quem poderá falar e fazer acontecer, se o SENHOR não o tiver decretado?
  38. Não é da boca do Altíssimo que vêm tanto as desgraças como as bênçãos?
  39. Como pode um homem reclamar quando é punido por seus pecados?
  40. Examinemos e submetamos à prova os nossos caminhos, e depois voltemos ao SENHOR.
  41. Levantemos o coração e as mãos para Deus, que está nos céus, e digamos:
  42. “Pecamos e nos rebelamos, e tu não nos perdoaste.
  43. Tu te cobriste de ira e nos perseguiste, massacraste-nos sem piedade.
  44. Tu te escondeste atrás de uma nuvem para que nenhuma oração chegasse a ti.
  45. Tu nos tornaste escória e refugo entre as nações.
  46. Todos os nossos inimigos escancaram a boca contra nós.
  47. Sofremos terror e ciladas, ruína e destruição”.
  48. Rios de lágrimas correm dos meus ohos porque o meu povo foi destruído.
  49. Meus olhos choram sem parar, sem nenhum descanso,
  50. até que o SENHOR contemple dos céus e veja.
  51. O que eu enxergo enche-me a alma de tristeza, de pena de todas as mulheres da minha cidade.
  52. Aqueles que, sem motivo, eram meus inimigos caçaram-me como a um passarinho.
  53. Procuraram fazer minha vida acabar na cova e me jogaram pedras;
  54. as águas me encobriram a cabeça, e cheguei a pensar que o fim de tudo tinha chegado.
  55. Clamei pelo teu nome, SENHOR, das profundezas da cova.
  56. Tu ouviste o meu clamor: “Não feches os teus ouvidos aos meus gritos de socorro”.
  57. Tu te aproximaste quando a ti clamei, e disseste: “Não tenha medo”.
  58. SENHOR, tu assumiste a minha causa; e redimiste a minha vida.
  59. Tu tens visto, SENHOR, o mal que me tem sido feito. Toma a teu cargo a minha causa!
  60. Tu viste como é terrível a vingança deles, todas as suas ciladas contra mim.
  61. SENHOR, tu ouviste os seus insultos, todas as suas ciladas contra mim,
  62. aquilo que os meus inimigos sussurram e murmuram o tempo todo contra mim.
  63. Olha para eles! Sentados ou em pé, zombam de mim com as suas canções.
  64. Dá-lhes o que merecem, SENHOR, conforme o que as suas mãos têm feito.
  65. Coloca um véu sobre os seus corações e esteja a tua maldição sobre eles.
  66. Persegue-os com fúria e elimina-os de debaixo dos teus céus, ó SENHOR.

Fontes: Lamentações 3.

Capítulo 12 – Lamentações III

  1. Como o ouro perdeu o brilho! Como o ouro fino ficou embaçado! As pedras sagradas estão espalhadas pelas esquinas de todas as ruas.
  2. Como os preciosos filhos de Sião, que antes valiam seu peso em ouro, hoje são considerados como vasos de barro, obra das mãos de um oleiro!
  3. Até os chacais oferecem o peito para amamentar os seus filhotes, mas o meu povo não tem mais coração; é como as avestruzes do deserto.
  4. De tanta sede, a língua dos bebês gruda no céu da boca; as crianças imploram pelo pão, mas ninguém as atende.
  5. Aqueles que costumavam comer comidas finas passam necessidades nas ruas. Aqueles que se adornavam de púrpura hoje estão prostrados sobre montes de cinza.
  6. A punição do meu povo é maior que a de Sodoma, que foi destruída num instante sem que ninguém a socorresse.
  7. Seus príncipes eram mais brilhantes que a neve e mais brancos do que o leite, tinham a pele mais rosada que rubis; sua aparência lembrava safiras.
  8. Mas agora estão mais negros do que o carvão; não são reconhecidos nas ruas. Sua pele enrugou-se sobre os seus ossos; parecem agora madeira seca.
  9. Os que foram mortos pela espada estão melhor do que os que morrem de fome, os quais, torturados pela fome, definham pela falta de produção das lavouras.
  10. Com as próprias mãos, mulheres bondosas cozinharam os próprios filhos, que se tornaram a sua comida quando o meu povo foi destruído.
  11. O SENHOR deu vazão total à sua ira; derramou a sua grande fúria. Ele acendeu em Sião um fogo que consumiu os seus alicerces.
  12. Os reis da terra e os povos de todo o mundo, não acreditavam que os inimigos e os adversários pudessem entrar pelas portas de Jerusalém.
  13. Dentro da cidade foi derramado o sangue dos justos por causa do pecado dos seus profetas e das maldades dos seus sacerdotes.
  14. Hoje eles tateiam pelas ruas como cegos, e tão sujos de sangue estão, que ninguém ousa tocar em suas vestes.
  15. “Vocês estão imundos! “, o povo grita para eles. “Afastem-se! Não nos toquem! ” Quando eles fogem e ficam vagando, os povos das outras nações dizem: “Aqui eles não podem habitar”.
  16. O próprio SENHOR os espalhou; ele já não cuida deles. Ninguém honra os sacerdotes nem respeita os líderes.
  17. Nossos olhos estão cansados de buscar ajuda em vão; de nossas torres buscávamos uma nação que não podia salvar-nos.
  18. Cada passo nosso era vigiado, de forma que não podíamos caminhar por nossas ruas. Nosso fim estava próximo, nossos dias estavam contados; o nosso fim já havia chegado.
  19. Nossos perseguidores eram mais velozes do que águias nos céus; perseguiam-nos por sobre as montanhas, ficavam de tocaia contra nós no deserto.
  20. O ungido do SENHOR, o próprio fôlego da nossa vida, foi capturado em suas armadilhas. E nós que pensávamos que sob a sua sombra viveríamos entre as nações!
  21. Alegre-se e exulte, ó terra de Edom, você que vive na terra de Uz. Mas a você também será servido o cálice: você será embriagada e as suas roupas serão arrancadas.
  22. Ó cidade de Sião, o seu castigo terminará; o SENHOR não prolongará o seu exílio. Mas, ó terra de Edom, ele punirá o seu pecado e porá à mostra a sua perversidade.
  23. Lembra-te, SENHOR, do que tem acontecido conosco; olha e vê a nossa desgraça.
  24. Nossa herança foi entregue aos estranhos, nossas casas, aos estrangeiros.
  25. Somos órfãos de pai, nossas mães são viúvas.
  26. Temos que comprar a água que bebemos; nossa lenha, só conseguimos pagando.
  27. Aqueles que nos perseguem estão bem próximos; estamos exaustos e não temos como descansar.
  28. Submetemo-nos ao Egito e à Assíria a fim de conseguirmos pão.
  29. Nossos pais pecaram e já não existem mais, e nós levamos o castigo pelos seus pecados.
  30. Escravos dominam sobre nós, e não há quem possa livrar-nos das suas mãos.
  31. Conseguimos pão arriscando as nossas vidas enfrentando a espada do deserto.
  32. Nossa pele está quente como um forno, febril de tanta fome.
  33. As mulheres têm sido violentadas em Sião, e as virgens, nas cidades de Judá.
  34. Os líderes foram pendurados pelas mãos; aos idosos não se mostra nenhum respeito.
  35. Os jovens trabalham nos moinhos; os meninos cambaleiam sob o fardo de lenha.
  36. Os líderes já não se reúnem junto às portas da cidade; os jovens cessaram a sua música.
  37. Dos nossos corações fugiu a alegria; nossas danças se transformaram em lamentos.
  38. A coroa caiu da nossa cabeça. Ai de nós, porque temos pecado!
  39. E por esse motivo o nosso coração desfalece, e os nossos olhos perdem o brilho.
  40. Tudo porque o monte Sião está deserto, e os chacais perambulam por ele.
  41. Tu, SENHOR, reinas para sempre; teu trono permanece de geração a geração.
  42. Por que motivo então te esquecerias de nós? Por que haverias de desamparar-nos por tanto tempo?
  43. Restaura-nos para ti, SENHOR, para que voltemos; renova os nossos dias como os de antigamente,
  44. a não ser que já nos tenhas rejeitado completamente e a tua ira contra nós não tenha limite!

Fontes: Lamentações 4 e 5.

Capítulo 13 – Gedalias

  1. Foi assim que Jerusalém foi tomada: No nono ano do reinado de Zedequias, rei de Judá, no décimo mês, Nabucodonosor, rei da Babilônia, marchou contra Jerusalém com todo seu exército e a sitiou.
  2. E no dia novo do quarto mês do décimo primeiro ano do reinado de Zedequias, o muro da cidade foi rompido.
  3. Então todos os oficiais do rei da Babilônia vieram e se assentaram junto à porta do Meio: Nergal-Sarezer de Sangar, Nebo-Sarsequim, um dos chefes dos oficiais, Nergal-Sarezer, um alto oficial, e todos os outros oficiais do rei da Babilônia.
  4. Quando Zedequias, rei de Judá, e todos os soldados os viram, fugiram e saíram da cidade, à noite, na direção do jardim real, pela porta entre os dois muros; e foram para a Arabá.
  5. Mas o exército babilônio os perseguiu e alcançou Zedequias na planície de Jericó. Eles o capturaram e o levaram a Nabucodonosor, rei da Babilônia, em Ribla, na terra de Hamate, que o sentenciou.
  6. Em Ribla, o rei da Babilônia mandou executar os filhos de Zedequias diante dos seus olhos, e também matou todos os nobres de Judá.
  7. Mandou furar os olhos de Zedequias e prendê-lo com correntes de bronze para levá-lo para a Babilônia.
  8. Os babilônios incendiaram o palácio real e as casas do povo, e derrubaram os muros de Jerusalém.
  9. Nebuzaradã, o comandante da guarda imperial, deportou para a Babilônia o povo que restou na cidade, juntamente com aqueles que tinham se rendido a ele, e o restante dos artesãos.
  10. Somente alguns dos mais pobres do povo, que nada tinham, Nebuzaradã, o comandante da guarda imperial, deixou para trás em Judá. E, naquela ocasião, ele lhes deu vinhas e campos.
  11. Mas Nabucodonosor, rei da Babilônia, deu ordens a respeito de Jeremias a Nebuzaradã, o comandante da guarda imperial:
  12. “Vá buscá-lo e cuide bem dele; não o maltrate, mas faça o que ele pedir”.
  13. Então Nebuzaradã, o comandante da guarda imperial, Nebusazbã, um dos chefes dos oficiais, Nergal-Sarezer, um alto oficial, e todos os outros oficiais do rei da Babilônia mandaram tirar Jeremias do pátio da guarda.
  14. Eles o entregaram a Gedalias, filho de Aicam, filho de Safã, para que o levasse à residência do governador. Assim, Jeremias permaneceu no meio do seu povo.
  15. Enquanto Jeremias esteve preso no pátio da guarda, o SENHOR lhe dirigiu a palavra: “Vá dizer a Ebede-Meleque, o etíope: ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel:
  16. Estou para cumprir as minhas advertências contra esta cidade, com desgraça e não com prosperidade. Naquele dia, elas se cumprirão diante dos seus olhos.
  17. Mas eu o resgatarei naquele dia’, declara o SENHOR; ‘você não será entregue nas mãos daqueles a quem teme.
  18. Eu certamente o resgatarei; você não morrerá pela espada, mas escapará com vida, porque você confia em mim’ “, declara o SENHOR.
  19. O SENHOR dirigiu a palavra a Jeremias depois que o comandante da guarda imperial, Nebuzaradã, o libertou em Ramá.
  20. Ele tinha encontrado Jeremias acorrentado entre todos os cativos de Jerusalém e de Judá que estavam sendo levados para o exílio na Babilônia.
  21. Quando o comandante da guarda encontrou Jeremias, disse-lhe: “Foi o SENHOR, o seu Deus, que determinou esta desgraça para este lugar.
  22. Agora o SENHOR a cumpriu e fez o que tinha prometido. Tudo isso aconteceu porque vocês pecaram contra o SENHOR e não lhe obedeceram.
  23. Mas hoje eu o liberto das correntes que prendem as suas mãos. Se você quiser, venha comigo para a Babilônia e eu cuidarei de você; se, porém, não quiser, pode ficar. Veja! Toda esta terra está diante de você; vá para onde melhor lhe parecer”.
  24. Contudo, antes de Jeremias se virar para partir, Nebuzaradã acrescentou: “Volte a Gedalias, filho de Aicam, neto de Safã, a quem o rei da Babilônia nomeou governador sobre as cidades de Judá”
  25. “E viva com ele entre o povo, ou vá para qualquer outro lugar que desejar”. Então o comandante lhe deu provisões e um presente, e o deixou partir.”
  26. Jeremias foi a Gedalias, filho de Aicam, em Mispá, e permaneceu com ele entre o povo que foi deixado na terra de Judá.
  27. Havia comandantes do exército, que ainda estavam em campo aberto com os seus soldados.
  28. Eles ouviram que o rei da Babilônia tinha nomeado Gedalias, filho de Aicam, governador de Judá e o havia encarregado dos homens, das mulheres, das crianças e dos mais pobres da terra, que não tinham sido deportados para a Babilônia.
  29. Então foram até Gedalias, em Mispá: Ismael, filho de Netanias, Joanã e Jônatas, filhos de Careá, Seraías, filho de Tanumete, os filhos de Efai, de Netofate, e Jazanias, filho do maacatita, juntamente com os seus soldados.
  30. Gedalias, filho de Aicam, neto de Safã, fez um juramento a eles e aos seus soldados: “Não temam sujeitar-se aos babilônios. Estabeleçam-se na terra, sujeitem-se ao rei da Babilônia, e tudo lhes irá bem.”
  31. “Eu mesmo permanecerei em Mispá para representá-los diante dos babilônios que vierem a nós. Mas, vocês, façam a colheita das uvas para o vinho, das frutas e das olivas para o azeite, ponham o produto em jarros, e vivam nas cidades que vocês ocuparam”.
  32. Todos os judeus que estavam em Moabe, em Amom, em Edom e em todas as outras terras ouviram que o rei da Babilônia tinha deixado um remanescente em Judá, e que havia nomeado Gedalias, filho de Aicam, neto de Safã, governador sobre eles.
  33. Eles voltaram, de todos os lugares para onde tinham sido espalhados, e vieram para a terra de Judá, e foram até Gedalias em Mispá. E fizeram uma grande colheita de uvas para o vinho, e também de frutas de verão.
  34. Joanã, filho de Careá, e todos os comandantes do exército que ainda estavam em campo aberto, foram até Gedalias em Mispá.
  35. E lhe disseram: “Você não sabe que Baalis, rei dos amonitas, enviou Ismael, filho de Netanias, para matá-lo? ” Mas Gedalias, filho de Aicam, não acreditou neles.
  36. Então Joanã, filho de Careá, disse em particular a Gedalias, em Mispá: “Irei agora e matarei Ismael, filho de Netanias, e ninguém ficará sabendo disso.”
  37. “Por que deveria ele fazer com que os judeus que se reuniram a você sejam espalhados e o remanescente de Judá seja destruído?”
  38. Mas Gedalias, filho de Aicam, disse a Joanã, filho de Careá: “Não faça uma coisa dessas. O que você está dizendo sobre Ismael não é verdade”.

Fontes: Jeremias 39 e 40

Capítulo 14 – Remanescente

  1. No sétimo mês, Ismael, filho de Netanias, filho de Elisama, que era de sangue real e tinha sido um dos oficiais do rei, foi até Gedalias, filho de Aicam, em Mispá, levando consigo dez homens.
  2. Enquanto comiam juntos, Ismael, filho de Netanias, e os dez homens que estavam com ele se levantaram e feriram à espada Gedalias, filho de Aicam, neto de Safã, matando aquele que o rei da Babilônia tinha nomeado governador de Judá.
  3. Ismael também matou todos os judeus que estavam com Gedalias em Mispá, bem como os soldados babilônios que ali estavam.
  4. No dia seguinte ao assassinato de Gedalias, antes que alguém o soubesse, oitenta homens que haviam rapado a barba, rasgado suas roupas e feito cortes no corpo, vieram de Siquém, de Siló e de Samaria, trazendo ofertas de cereal e incenso para oferecer no templo do SENHOR.
  5. Ismael, filho de Netanias, saiu de Mispá para encontrá-los, chorando enquanto caminhava. Quando os encontrou, disse: “Venham até onde se encontra Gedalias, filho de Aicam”.
  6. Quando entraram na cidade, Ismael, filho de Netanias, e os homens que estavam com ele os mataram e os atiraram numa cisterna.
  7. Mas dez deles disseram a Ismael: “Não nos mate! Temos trigo e cevada, azeite e mel, escondidos num campo”. Então ele os deixou em paz e não os matou com os demais.
  8. A cisterna na qual ele jogou os corpos dos homens que havia matado, juntamente com o de Gedalias, tinha sido cavada pelo rei Asa para defender-se de Baasa, rei de Israel. Ismael, filho de Netanias, encheu-a com os mortos.
  9. Ismael tomou como prisioneiros todo o restante do povo que estava em Mispá, inclusive as filhas do rei, sobre os quais Nebuzaradã, o comandante da guarda imperial, havia nomeado Gedalias, filho de Aicam, governador.
  10. Ismael, filho de Netanias, levou-os como prisioneiros e partiu para o território de Amom.
  11. Quando Joanã, filho de Careá, e todos os comandantes do exército, que com ele estavam, souberam do crime que Ismael, filho de Netanias, tinha cometido, convocaram todos os seus soldados para lutar contra ele.
  12. Eles o alcançaram perto do grande açude de Gibeom.
  13. Quando todo o povo, que Ismael tinha levado como prisioneiro, viu Joanã, filho de Careá, e os comandantes do exército que estavam com ele, alegrou-se.
  14. Todo o povo que Ismael tinha levado como prisioneiro de Mispá se voltou e passou para o lado de Joanã, filho de Careá.
  15. Mas Ismael, filho de Netanias, e oito de seus homens escaparam de Joanã e fugiram para o território de Amom.
  16. Então, Joanã, filho de Careá, e todos os comandantes do exército que com ele estavam levaram todos os que tinham restado em Mispá, os quais ele tinha resgatado de Ismael, filho de Netanias, depois que este havia assassinado Gedalias, filho de Aicam:
  17. Os soldados, as mulheres, as crianças e os oficiais do palácio real, que ele tinha trazido de Gibeom.
  18. E eles prosseguiram, parando em Gerute-Quimã, perto de Belém, a caminho do Egito.
  19. Queriam escapar dos babilônios. Estavam com medo porque Ismael, filho de Netanias, tinha matado Gedalias, filho de Aicam, a quem o rei da Babilônia nomeara governador de Judá.
  20. Então todos os líderes do exército, inclusive Joanã, filho de Careá, e Jezanias, filho de Hosaías, e todo o povo, desde o menor até o maior, aproximaram-se do profeta Jeremias.
  21. E lhe disseram: “Por favor, ouça a nossa petição e ore ao SENHOR, ao seu Deus, por nós e em favor de todo este remanescente; pois, como você vê, embora fôssemos muitos, agora só restam poucos de nós.”
  22. “Ore rogando ao SENHOR, ao seu Deus, que nos diga para onde devemos ir e o que devemos fazer”.
  23. “Eu os atenderei”, respondeu o profeta Jeremias. “Orarei ao SENHOR, ao seu Deus, conforme vocês pediram. E tudo o que o SENHOR responder eu lhes direi; nada esconderei de vocês.”
  24. Então disseram a Jeremias: “Que o SENHOR seja uma testemunha verdadeira e fiel contra nós, caso não façamos tudo o que o SENHOR, o seu Deus, nos ordenar por você.
  25. Quer seja favorável ou não, obedeceremos ao SENHOR, ao nosso Deus, a quem o enviamos, para que tudo vá bem conosco, pois obedeceremos ao SENHOR, ao nosso Deus”.
  26. Dez dias depois o SENHOR dirigiu a palavra a Jeremias, e ele convocou Joanã, filho de Careá, e todos os comandantes do exército que estavam com ele e todo o povo, desde o menor até o maior.
  27. Disse-lhes então: “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, a quem vocês me enviaram para apresentar a petição de vocês:
  28. ‘Se vocês permanecerem nesta terra, eu os edificarei e não os destruirei; eu os plantarei e não os arrancarei, pois muito me pesa a desgraça que eu trouxe sobre vocês.’
  29. ‘Não tenham medo do rei da Babilônia, a quem vocês agora temem. Não tenham medo dele, declara o SENHOR, pois estou com vocês e os salvarei e os livrarei das mãos dele.’
  30. ‘Eu terei compaixão de vocês; e ele também terá compaixão de vocês e lhes permitirá retornar à terra de vocês’.
  31. “Contudo, se vocês disserem ‘Não permaneceremos nesta terra’, e assim desobedecerem ao SENHOR, ao seu Deus.
  32. E se disserem: ‘Não, nós iremos para o Egito, onde não veremos a guerra nem ouviremos o som da trombeta, nem passaremos fome’, ouçam a palavra do SENHOR, ó remanescente de Judá’.
  33. ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: ‘Se vocês estão decididos a ir para o Egito e lá forem residir, a guerra que vocês temem os alcançará, e a fome que receiam os seguirá até o Egito, e lá vocês morrerão’.
  34. ‘Todos os que estão decididos a partir e residir no Egito morrerão pela guerra, pela fome e pela peste; nem um só deles sobreviverá ou escapará da desgraça que trarei sobre eles’.
  35. Assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: ‘Como o meu furor foi derramado sobre os habitantes de Jerusalém, também a minha ira será derramada sobre vocês, quando forem para o Egito’.
  36. ‘Vocês serão objeto de maldição e de pavor, de desprezo e de afronta. Vocês jamais tornarão a ver este lugar’.
  37. “Ó remanescente de Judá, o SENHOR lhes disse: ‘Não vão para o Egito’.”
  38. “Estejam certos disto: Eu hoje os advirto que vocês cometeram um erro fatal quando me enviaram ao SENHOR, ao seu Deus, pedindo:  ‘Ore ao SENHOR, ao nosso Deus, em nosso favor. Diga-nos tudo o que ele lhe falar, e nós o faremos’.
  39. “Eu lhes disse, hoje mesmo, o que o SENHOR, o seu Deus, me mandou dizer a vocês, mas vocês não lhe estão obedecendo.”
  40. “Agora, porém, estejam certos de que vocês morrerão pela guerra, pela fome e pela peste, no lugar que vocês desejam residir”.
  41. Quando Jeremias acabou de dizer ao povo tudo o que o SENHOR, o seu Deus, lhe mandara dizer, Azarias, filho de Hosaías, e Joanã, filho de Careá, e todos os homens arrogantes, disseram a Jeremias: “Você está mentindo!”
  42. “O SENHOR não lhe mandou dizer que não fôssemos residir no Egito. Mas é Baruque, filho de Nerias, que o está instigando contra nós para que sejamos entregues nas mãos dos babilônios, a fim de que nos matem ou nos levem para o exílio na Babilônia”.
  43. Assim Joanã, filho de Careá, e todos os comandantes do exército e todo o povo desobedeceram à ordem do SENHOR de que permanecessem na terra de Judá.
  44. Mas Joanã, filho de Careá, e todos os comandantes do exército, levaram todo o remanescente de Judá que tinha voltado de todas as nações para onde haviam sido espalhados a fim de viver na terra de Judá:
  45. Todos os homens, mulheres e crianças, as filhas do rei, todos os que Nebuzaradã, o comandante da guarda imperial, deixara com Gedalias, filho de Aicam, neto de Safã; além do profeta Jeremias e de Baruque, filho de Nerias.
  46. Eles foram para o Egito, desobedecendo ao SENHOR, e foram até Tafnes.
  47. Em Tafnes, o SENHOR dirigiu a palavra a Jeremias, dizendo: “Pegue algumas pedras grandes e, à vista dos homens de Judá, enterre-as no barro do pavimento na entrada do palácio do faraó, em Tafnes.
  48. Então diga-lhes: ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Mandarei chamar meu servo Nabucodonosor, rei da Babilônia, e ele colocará o seu trono sobre essas pedras que enterrei, e estenderá a sua tenda real sobre elas.”
  49. “Ele virá e atacará o Egito, trará a morte aos destinados a morte, cativeiro aos destinados ao cativeiro, e espada aos destinados a morrer pela espada.”
  50. “Ele incendiará os templos dos deuses do Egito; queimará seus templos e levará embora cativos os seus deuses. Como um pastor tira os piolhos do seu manto, assim ele despiolhará o seu Egito, e sairá em paz.”
  51. “Ele despedaçará as colunas no templo do sol, no Egito, e incendiará os templos dos deuses do Egito’”.

Fonte: Jeremias 41, 42 e 43.

Capítulo 15 – Cativeiro

  1. Esta é a palavra do SENHOR, que foi dirigida a Jeremias, para todos os judeus que estavam no Egito e viviam em Migdol, Tafnes, Mênfis, e na região de Patros:
  2. “Assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Vocês viram toda a desgraça que eu trouxe sobre Jerusalém e sobre todas as cidades de Judá.”
  3. “Hoje elas estão em ruínas e desabitadas por causa do mal que fizeram. Seus moradores provocaram a minha ira queimando incenso e prestando culto a outros deuses, que nem eles nem vocês nem seus antepassados jamais conheceram.”
  4. “Dia após dia, eu lhes enviei meus servos, os profetas, que disseram: ‘Não façam essa abominação detestável!’”
  5. “Mas eles não me ouviram nem me deram atenção; não se converteram de sua impiedade nem cessaram de queimar incenso a outros deuses.”
  6. “Por isso, o meu furor foi derramado e queimou as cidades de Judá e as ruas de Jerusalém, tornando-as na ruína desolada que são no dia de hoje.”
    “Assim diz o SENHOR, o Deus dos Exércitos, o Deus de Israel: Por que trazer uma desgraça tão grande sobre si mesmos, eliminando de Judá homens e mulheres, crianças e recém-nascidos, sem deixar remanescente algum?”
  7. “Por que vocês provocam a minha ira com o que fazem, queimando incenso a outros deuses no Egito, onde vocês vieram residir? Vocês se destruirão a si mesmos e se tornarão objeto de desprezo e afronta entre todas as nações da terra.”
  8. Acaso vocês se esqueceram da impiedade cometida por seus antepassados, pelos reis de Judá e as mulheres deles, e da impiedade cometida por vocês e suas mulheres na terra de Judá e nas ruas de Jerusalém?”
  9. “Até hoje eles não se humilharam nem mostraram reverência, e não têm seguido a minha lei e os decretos que coloquei diante de vocês e dos seus antepassados”.
    “Portanto, assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Estou decidido a trazer desgraça sobre vocês e a destruir todo o Judá.”
  10. “Tomarei o remanescente de Judá, que decidiu partir e residir no Egito, e todos morrerão no Egito.
  11. “Cairão pela espada ou pela fome; desde o menor até o maior, morrerão pela espada ou pela fome. Eles se tornarão objeto de maldição e de pavor, de desprezo e de afronta.”
  12. “Castigarei aqueles que vivem no Egito com a guerra, a fome e a peste, como castiguei Jerusalém.”
  13. “Ninguém dentre o remanescente de Judá que foi morar no Egito escapará ou sobreviverá para voltar à terra de Judá, para a qual anseiam voltar e nela anseiam viver; nenhum voltará, exceto uns poucos fugitivos”.
  14. Então, todos os homens que sabiam que as suas mulheres queimavam incenso a outros deuses, e todas as mulheres que estavam presentes, em grande número, e todo o povo que morava no Egito, e na região de Patros, disseram a Jeremias:
  15. “Nós não daremos atenção à mensagem que você nos apresenta em nome do SENHOR!
  16. “É certo que faremos tudo o que dissemos que faríamos: Queimaremos incenso à Rainha dos Céus e derramaremos ofertas de bebidas para ela.”
  17. “Tal como fazíamos, nós e nossos antepassados, nossos reis e nossos líderes, nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém. Naquela época tínhamos fartura de comida, éramos prósperos e em nada sofríamos.”
  18. “Mas, desde que paramos de queimar incenso à Rainha dos Céus e de derramar ofertas de bebidas a ela, nada temos tido e temos perecido pela espada e pela fome”.
  19. E as mulheres acrescentaram: “Quando queimávamos incenso à Rainha dos Céus e derramávamos ofertas de bebidas para ela, será que era sem o consentimento de nossos maridos que fazíamos bolos na forma da imagem dela e derramávamos ofertas de bebidas para ela?”
  20. Então Jeremias disse a todo o povo, tanto aos homens como às mulheres que estavam respondendo a ele:
  21. “E o SENHOR? Não se lembra ele do incenso queimado nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém por vocês e por seus antepassados, seus reis e seus líderes e pelo povo da terra? Será que ele não pensa nisso?”
  22. “Quando o SENHOR não pôde mais suportar as impiedades e as práticas repugnantes de vocês, a terra de vocês ficou devastada e desolada, e tornou-se objeto de maldição e desabitada, como se vê no dia de hoje.”
  23. “Foi porque vocês queimaram incenso e pecaram contra o SENHOR, e não obedeceram à sua palavra nem seguiram a sua lei, os seus decretos e os seus testemunhos, que esta desgraça caiu sobre vocês, como se vê no dia de hoje”.
  24. Disse então Jeremias a todo o povo, inclusive às mulheres: “Ouçam a palavra do SENHOR, todos vocês, judeus que estão no Egito.”
  25. “Assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Vocês e suas mulheres cumpriram o que prometeram quando disseram: ‘Certamente cumpriremos os votos que fizemos de queimar incenso e derramar ofertas de bebidas à Rainha dos Céus’. “Prossigam! Façam o que prometeram! Cumpram os seus votos!”
  26. Mas ouçam a palavra do SENHOR, todos vocês, judeus que vivem no Egito: ‘Eu juro pelo meu grande nome’, diz o SENHOR, ‘que em todo o Egito ninguém de Judá voltará a invocar o meu nome ou a jurar pela vida do Soberano SENHOR.
  27. Vigiarei sobre eles para trazer-lhes a desgraça e não o bem; os judeus do Egito perecerão pela espada e pela fome até que sejam todos destruídos.
  28. Serão poucos os que escaparão da espada e voltarão do Egito para a terra de Judá.
  29. Então, todo o remanescente de Judá que veio residir no Egito saberá qual é a palavra que se realiza, a minha ou a deles.”
  30. ‘Este será o sinal para vocês de que os castigarei neste lugar’, declara o SENHOR, ‘e então vocês ficarão sabendo que as minhas ameaças de trazer-lhes desgraça certamente se realizarão’.
  31. Assim diz o SENHOR: ‘Entregarei o faraó Hofra, rei do Egito, nas mãos dos seus inimigos que desejam tirar-lhe a vida, assim como entreguei Zedequias, rei de Judá, nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, o inimigo que desejava tirar a vida dele’ “.

Fontes: Jeremias 44.

Capítulo 16 – Ezequiel III

  1. A palavra do SENHOR veio ao sacerdote Ezequiel, filho de Buzi:
  2. “Veio a mim esta palavra do SENHOR: ‘Filho do homem, profetize contra os pastores de Israel; profetize e diga-lhes: ‘Assim diz o Soberano SENHOR: Ai dos pastores de Israel que só cuidam de si mesmos! Acaso os pastores não deveriam cuidar do rebanho?”
  3. “Vocês comem a coalhada, vestem-se de lã e abatem os melhores animais, mas não tomam conta do rebanho.”
  4. “Vocês não fortaleceram a fraca nem curaram a doente nem enfaixaram a ferida. Vocês não trouxeram de volta as desviadas nem procuraram as perdidas. Vocês têm dominado sobre elas com dureza e brutalidade.”
  5. “Por isso elas estão dispersas, porque não há pastor algum, e, quando foram dispersas, elas se tornaram comida de todos os animais selvagens.”
  6. “As minhas ovelhas vaguearam por todos os montes e por todas as altas colinas. Elas foram dispersas por toda a terra, e ninguém se preocupou com elas nem as procurou. Por isso, pastores, ouçam a palavra do SENHOR.”
  7. “Juro pela minha vida, palavra do Soberano SENHOR, que visto que o meu rebanho ficou sem pastor, foi saqueado e se tornou comida de todos os animais selvagens, e uma vez que os meus pastores não se preocuparam com o meu rebanho, mas cuidaram de si mesmos em vez de cuidarem do rebanho.”
  8. “Ouçam a palavra do SENHOR, ó pastores: Assim diz o Soberano SENHOR: Estou contra os pastores e os considerarei responsáveis pelo meu rebanho.”
  9. “Eu lhes tirarei a função de apascentar o rebanho para que os pastores não mais se alimentem a si mesmos. Livrarei o meu rebanho da boca deles, e ele não lhes servirá mais de comida.”
  10. “Porque assim diz o Soberano SENHOR: Eu mesmo buscarei as minhas ovelhas e delas cuidarei.”
  11. “Assim como o pastor busca as ovelhas dispersas quando está cuidando do rebanho, também tomarei conta de minhas ovelhas. Eu as resgatarei de todos os lugares para onde foram dispersas num dia de nuvens e de trevas.”
  12. “Eu as farei sair das outras nações e as reunirei, trazendo-as dos outros povos para a sua própria terra. E as apascentarei nos montes de Israel, nos vales e em todos os povoados do país.”
  13. “Tomarei conta delas numa boa pastagem, e os altos dos montes de Israel serão a terra onde pastarão; ali se alimentarão num rico pasto nos montes de Israel.”
  14. “Eu mesmo tomarei conta das minhas ovelhas e as farei deitar-se, palavra do Soberano SENHOR.”
  15. “Procurarei as perdidas e trarei de volta as desviadas. Enfaixarei a ferida e fortalecerei a fraca, mas a rebelde e forte, eu a destruirei. Apascentarei o rebanho com justiça.”
  16. “Quanto a você, meu rebanho, assim diz o Soberano SENHOR: Julgarei entre uma ovelha e outra, e entre carneiros e bodes.”
  17. “Não lhes basta comerem em boa pastagem? Deverão também pisotear o restante da pastagem? Não lhes basta beberem água límpida? Deverão também enlamear o restante com os pés?”
  18. “Deverá o meu rebanho alimentar-se daquilo que vocês pisotearam e beber daquilo que vocês enlamearam com os pés?”
  19. “Por isso assim diz o Soberano SENHOR a eles: Vejam, eu mesmo julgarei entre a ovelha gorda e a magra.”
  20. “Pois vocês forçaram passagem com o corpo e com o ombro, empurrando todas as ovelhas fracas com os chifres até expulsá-las, eu salvarei o meu rebanho, e elas não serão mais saqueadas. Julgarei entre uma ovelha e outra.”
  21. “Porei sobre elas um pastor, o meu servo Davi, e ele cuidará delas; cuidará delas e será o seu pastor.”
  22. “Eu, o SENHOR, serei o seu Deus, e o meu servo Davi será o líder no meio delas. Eu, o SENHOR, falei.”
  23. “Farei uma aliança de paz com elas e deixarei a terra livre de animais selvagens para que possam, com segurança, viver no deserto e dormir nas florestas.”
  24. “Eu as abençoarei e abençoarei os lugares em torno da minha colina. Na estação própria farei descer chuva; haverá chuvas de bênçãos.”
  25. “As árvores do campo produzirão o seu fruto, e a terra produzirá a sua safra; o povo estará seguro na terra. Eles saberão que eu sou o SENHOR, quando eu quebrar as cangas de seu jugo e livrá-los das mãos daqueles que os escravizaram.”
  26. “Eles não serão mais saqueados pelas nações, nem os animais selvagens os devorarão. Viverão em segurança, e ninguém lhes causará medo.”
  27. “Eu lhes darei uma terra famosa por suas colheitas, e eles não serão mais vítimas de fome na terra nem carregarão a zombaria das nações.”
  28. “Então eles saberão que eu, o SENHOR, o seu Deus, estou com eles, e que eles, a nação de Israel, são meu povo, palavra do Soberano SENHOR.”
  29. “Vocês, minhas ovelhas, ovelhas da minha pastagem, são o meu povo, e eu sou o Deus de vocês, palavra do Soberano SENHOR”.
  30. “A mão do SENHOR estava sobre mim, e por seu Espírito ele me levou a um vale cheio de ossos.”
  31. “Ele me levou de um lado para outro, e pude ver que era enorme o número de ossos no vale, e que os ossos estavam muito secos.”
  32. “Ele me perguntou: “Filho do homem, esses ossos poderão tornar a viver? ” Eu respondi: “Ó Soberano SENHOR, só tu o sabes”.
  33. Então ele me disse: “Profetize a esses ossos e diga-lhes: ‘Ossos secos, ouçam a palavra do SENHOR!
  34. Assim diz o Soberano SENHOR a estes ossos: Farei um espírito entrar em vocês, e vocês terão vida.
  35. Porei tendões em vocês e farei aparecer carne sobre vocês e os cobrirei com pele; porei um espírito em vocês, e vocês terão vida. Então vocês saberão que eu sou o SENHOR’ “.
  36. E eu profetizei conforme a ordem recebida. E, enquanto profetizava, houve um barulho, um som de chocalho, e os ossos se juntaram, osso com osso.
  37. Olhei, e os ossos foram cobertos de tendões e de carne, e depois de pele, mas não havia espírito neles.
  38. A seguir ele me disse: “Profetize ao espírito; profetize, filho do homem, e diga-lhe: ‘Assim diz o Soberano SENHOR: Venha desde os quatro ventos, ó espírito, e sopre dentro desses mortos, para que vivam’ “.
  39. Profetizei conforme a ordem recebida, e o espírito entrou neles; eles receberam vida e se puseram de pé. Era um exército enorme!
  40. Então ele me disse: “Filho do homem, esses ossos são toda a nação de Israel. Eles dizem: ‘Nossos ossos se secaram e nossa esperança se foi; fomos exterminados’.
  41. Por isso profetize e diga-lhes: ‘Assim diz o Soberano SENHOR: Ó meu povo, vou abrir os seus túmulos e fazê-los sair; trarei vocês de volta à terra de Israel.
  42. E, quando eu abrir os seus túmulos e os fizer sair, vocês, meu povo, saberão que eu sou o SENHOR.
  43. Porei o meu Espírito em vocês, e vocês viverão, e eu os estabelecerei em sua própria terra. Então vocês saberão que eu, o SENHOR, falei, e o fiz seus companheiros, palavra do SENHOR’ “.
  44. Esta palavra do SENHOR veio a mim: “Filho do homem, escreva num pedaço de madeira: ‘Pertencente a Judá e aos israelitas, seus companheiros’. Depois escreva noutro pedaço de madeira: ‘Vara de Efraim, pertencente a José e a toda a nação de Israel, seus companheiros’.
  45. Junte-os numa única vara para que se tornem uma só em sua mão.
  46. “Quando os seus compatriotas lhe perguntarem: ‘Você não vai nos dizer o que isso significa? ’
  47. Diga-lhes: ‘Assim diz o Soberano SENHOR: Vou apanhar a vara pertencente a José, que está na mão de Efraim, e às tribos israelitas, seus companheiros, e juntá-la com a vara de Judá, fazendo delas um único pedaço de madeira, e elas se tornarão uma só na minha mão’.
  48. Segure diante dos olhos deles os pedaços de madeira em que você escreveu e diga-lhes: ‘Assim diz o Soberano SENHOR: Tirarei os israelitas das nações para onde foram. Vou ajuntá-los de todos os lugares ao redor e trazê-los de volta à sua própria terra.
  49. Eu os farei uma única nação na terra, nos montes de Israel. Haverá um único rei sobre todos eles, e eles nunca mais serão duas nações nem estarão divididos em dois reinos.
  50. Não se contaminarão mais com seus ídolos e imagens detestáveis nem com nenhuma de suas transgressões, pois eu os salvarei de todas as suas apostasias pecaminosas, e os purificarei. Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.
  51. “O meu servo Davi será rei sobre eles, e todos eles terão um só pastor. Eles seguirão as minhas leis e terão o cuidado de obedecer aos meus decretos.
  52. Viverão na terra que dei ao meu servo Jacó, a terra onde os seus antepassados viveram. Eles e os seus filhos e os filhos de seus filhos viverão ali para sempre, e o meu servo Davi será o seu líder para sempre.
  53. Farei uma aliança de paz com eles; será uma aliança eterna. Eu os firmarei e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles para sempre.
  54. Minha morada estará com eles; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
  55. Então, quando o meu santuário estiver entre eles para sempre, as nações saberão que eu, o SENHOR, santifico Israel’.”

Fonte: Ezequiel 34 e 37

Capítulo 17 – Daniel

  1. No terceiro ano do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio a Jerusalém e a sitiou.
  2. E o SENHOR entregou Jeoaquim, rei de Judá, nas suas mãos, e também alguns dos utensílios do templo de Deus. Ele levou os utensílios para o templo do seu deus na terra de Sinear e os colocou na casa do tesouro do seu deus.
  3. Então o rei ordenou que Aspenaz, o chefe dos oficiais da sua corte, trouxesse alguns dos israelitas da família real e da nobreza;
  4. Jovens sem defeito físico, de boa aparência, cultos, inteligentes, que dominassem os vários campos do conhecimento e fossem capacitados para servir no palácio do rei. Ele devia ensinar-lhes a língua e a literatura dos babilônios.
  5. O rei designou-lhes uma porção diária de comida e de vinho da própria mesa do rei.
  6. Eles receberiam um treinamento durante três anos, e depois disso passariam a servir o rei.
  7. Entre esses estavam alguns que vieram de Judá: Daniel, Hananias, Misael e Azarias.
  8. O chefe dos oficiais deu-lhes novos nomes: a Daniel deu o nome de Beltessazar; a Hananias, Sadraque; a Misael, Mesaque; e a Azarias, Abede-Nego.
  9. Daniel, contudo, decidiu não se tornar impuro com a comida e com o vinho do rei, e pediu ao chefe dos oficiais permissão para se abster deles.
  10. E Deus fez com que o homem fosse bondoso para com Daniel e tivesse simpatia por ele.
  11. Apesar disso, ele disse a Daniel: “Tenho medo do rei, o meu senhor, que determinou a comida e a bebida de vocês. E se ele os achar menos saudáveis que os outros jovens da mesma idade? O rei poderia pedir a minha cabeça por causa de vocês”.
  12. Daniel disse então ao homem que o chefe dos oficiais tinha encarregado de cuidar de Daniel, Hananias, Misael e Azarias: “Peço-lhe que faça uma experiência com os seus servos durante dez dias: Não nos dê nada além de vegetais para comer e água para beber.”
  13. “Depois compare a nossa aparência com a dos jovens que comem a comida do rei, e trate os seus servos de acordo com o que você concluir”.
  14. Ele concordou e fez a experiência com eles durante dez dias.
  15. Passados os dez dias eles pareciam mais saudáveis e mais fortes do que todos os jovens que comiam a comida da mesa do rei.
  16. Assim o encarregado tirou a comida especial e o vinho que haviam sido designados e em lugar disso lhes dava vegetais.
  17. A esses quatro jovens Deus deu sabedoria e inteligência para conhecerem todos os aspectos da cultura e da ciência. E Daniel, além disso, sabia interpretar todo tipo de visões e sonhos.
  18. Ao final do tempo estabelecido pelo rei para que os jovens fossem trazidos à sua presença, o chefe dos oficiais os apresentou a Nabucodonosor.
  19. O rei conversou com eles, e não encontrou ninguém comparável a Daniel, Hananias, Misael e Azarias; de modo que eles passaram a servir o rei.
  20. O rei lhes fez perguntas sobre todos os assuntos nos quais se exigia sabedoria e conhecimento, e descobriu que eram dez vezes mais sábios do que todos os magos e encantadores de todo o seu reino.
  21. E Daniel permaneceu ali até o primeiro ano do rei Ciro.
  22. No segundo ano de seu reinado, Nabucodonosor teve sonhos; sua mente ficou tão perturbada que ele não conseguia dormir.
  23. Por isso o rei convocou os magos, os encantadores, os feiticeiros e os astrólogos para que lhe dissessem o que ele havia sonhado.
  24. Quando eles vieram e se apresentaram ao rei, ele lhes disse: “Tive um sonho que me perturba e quero saber o que significa”.
  25. Então os astrólogos responderam em aramaico ao rei: “Ó rei, vive para sempre! Conta o sonho aos teus servos, e nós o interpretaremos”.
  26. O rei respondeu aos astrólogos: “Esta é a minha decisão: Se vocês não me disserem qual foi o meu sonho e não o interpretarem, farei que vocês sejam cortados em pedaços e que as suas casas se tornem montes de entulho.”
  27. “Mas, se me revelarem o sonho e o interpretarem, eu lhes darei presentes e recompensas e grandes honrarias. Por isso, revelem-me o sonho e a sua interpretação”.
  28. Mas eles tornaram a dizer: “Conte o rei o sonho a seus servos, e nós o interpretaremos”.
  29. Então o rei respondeu: “Já descobri que vocês estão tentando ganhar tempo, pois sabem da minha decisão.
  30. Se não me contarem o sonho, todos vocês receberão a mesma sentença; pois vocês combinaram enganar-me com mentiras, esperando que a situação mudasse. Contem-me o sonho, e saberei que vocês são capazes de interpretá-lo para mim”.
  31. Os astrólogos responderam ao rei: “Não há homem na terra que possa fazer o que o rei está pedindo! Nenhum rei, por maior e mais poderoso que tenha sido, chegou a pedir uma coisa dessas a nenhum mago, encantador ou astrólogo.
  32. O que o rei está pedindo é difícil demais; ninguém pode revelar isso ao rei, senão os deuses, e eles não vivem entre os mortais”.
  33. Isso deixou o rei tão irritado e furioso que ele ordenou a execução de todos os sábios da Babilônia.
  34. E assim foi emitido o decreto para que fossem mortos os sábios; os encarregados saíram à procura de Daniel e dos seus amigos, para que também fossem mortos.
  35. Arioque, o comandante da guarda do rei, já se preparava para matar os sábios da Babilônia, quando Daniel dirigiu-se a ele com sabedoria e bom senso.
  36. Ele perguntou ao oficial do rei: “Por que o rei emitiu um decreto tão severo? ” Arioque explicou o motivo a Daniel.
  37. Diante disso, Daniel foi pedir ao rei que lhe desse um prazo, e ele daria a interpretação.
  38. Daniel voltou para casa, contou o problema aos seus amigos Hananias, Misael e Azarias.
  39. E lhes pediu que rogassem ao Deus dos céus que tivesse misericórdia acerca desse mistério, para que ele e seus amigos não fossem executados com os outros sábios da Babilônia.
  40. Então o mistério foi revelado a Daniel de noite, numa visão. Daniel louvou o Deus dos céus e disse: “Louvado seja o nome de Deus para todo o sempre; a sabedoria e o poder a ele pertencem.
  41. Ele muda as épocas e as estações; destrona reis e os estabelece. Dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos que sabem discernir.
  42. Revela coisas profundas e ocultas; conhece o que jaz nas trevas, e a luz habita com ele.
  43. Eu te agradeço e te louvo, ó Deus dos meus antepassados; tu me deste sabedoria e poder, e me revelaste o que te pedimos, revelaste-nos o sonho do rei”.
  44. Então Daniel foi falar com Arioque, a quem o rei tinha nomeado para executar os sábios da Babilônia, e lhe disse: “Não execute os sábios. Leve-me ao rei, e eu interpretarei para ele o sonho que teve”.
  45. Imediatamente Arioque levou Daniel ao rei e disse: “Encontrei um homem entre os exilados de Judá que pode dizer ao rei o significado do sonho”.
  46. O rei perguntou a Daniel, também chamado Beltessazar: “Você é capaz de contar-me o que vi no meu sonho e interpretá-lo? “
  47. Daniel respondeu: “Nenhum sábio, encantador, mago ou adivinho é capaz de revelar ao rei o mistério sobre o qual ele perguntou, mas existe um Deus nos céus que revela os mistérios.”
  48. “Ele mostrou ao rei Nabucodonosor o que acontecerá nos últimos dias. O sonho e as visões que passaram por tua mente quando estavas deitado foram os seguintes:
  49. “Quando estavas deitado, ó rei, tua mente se voltou para as coisas futuras, e aquele que revela os mistérios te mostrou o que vai acontecer.”
  50. “Quanto a mim, esse mistério não me foi revelado porque eu tenha mais sabedoria do que os outros homens, mas para que tu ó rei, saibas a interpretação e entendas o que passou pela tua mente.”
  51. “Tu olhaste, ó rei, e diante de ti estava uma grande estátua: uma estátua enorme, impressionante, e sua aparência era terrível.
  52. “A cabeça da estátua era feita de ouro puro, o peito e o braço eram de prata, o ventre e os quadris eram de bronze, as pernas eram de ferro, e os pés eram em parte de ferro e em parte de barro.”
  53. “Enquanto estavas observando, uma pedra soltou-se, sem auxílio de mãos, atingiu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmigalhou.”
  54. “Então o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro foram despedaçados, viraram pó, como o pó da debulha do trigo na eira durante o verão.”
  55. “O vento os levou sem deixar vestígio. Mas a pedra que atingiu a estátua tornou-se uma montanha e encheu a terra toda.”
  56. “Foi esse o sonho, e nós o interpretaremos para o rei. Tu, ó rei, és rei de reis. O Deus dos céus te tem dado domínio, poder, força e glória.”
  57. “Nas tuas mãos ele colocou a humanidade, os animais selvagens e as aves do céu. Onde quer que vivam, ele fez de ti o governante deles todos. Tu és a cabeça de ouro.”
  58. “Depois de ti surgirá um outro reino, inferior ao teu. Em seguida surgirá um terceiro reino, reino de bronze, que governará sobre toda a terra.
  59. Finalmente, haverá um quarto reino, forte como o ferro, pois o ferro quebra e destrói tudo; e assim como o ferro a tudo despedaça, também ele destruirá e quebrará todos os outros.
  60. Como viste, os pés e os dedos eram em parte de barro e em parte de ferro. Isso quer dizer que esse será um reino dividido, mas ainda assim terá um pouco da força do ferro, embora tenhas visto ferro misturado com barro.
  61. Assim como os dedos eram em parte de ferro e em parte de barro, também esse reino será em parte forte e em parte frágil.
  62. E, como viste, o ferro estava misturado com o barro. Isso quer dizer que se procurará fazer alianças políticas por meio de casamentos, mas essa união não se firmará, assim como o ferro não se mistura com o barro.
  63. “Na época desses reis, o Deus dos céus estabelecerá um reino que jamais será destruído e que nunca será dominado por nenhum outro povo. Destruirá todos esses reinos e os exterminará, mas esse reino durará para sempre.”
  64. “Esse é o significado da visão da pedra que se soltou de uma montanha, sem auxílio de mãos, pedra que esmigalhou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro.”
  65. “O Deus poderoso mostrou ao rei o que acontecerá no futuro. O sonho é verdadeiro, e a interpretação é fiel”.
  66. Então o rei Nabucodonosor caiu prostrado diante de Daniel, prestou-lhe honra e ordenou que lhe fosse apresentada uma oferta de cereal e incenso.
  67. O rei disse a Daniel: “Não há dúvida de que o seu Deus é o Deus dos deuses, o SENHOR dos reis e aquele que revela os mistérios, pois você conseguiu revelar esse mistério”.
  68. Então o rei colocou Daniel num alto cargo e o cobriu de presentes. Ele o designou governante de toda a província da Babilônia e o encarregou de todos os sábios da província.
  69. Além disso, a pedido de Daniel, o rei nomeou Sadraque, Mesaque e Abede-Nego administradores da província da Babilônia, enquanto o próprio Daniel permanecia na corte do rei.

Fontes: Daniel 1 e 2

Capítulo 18 – Nabucodonosor

  1. O rei Nabucodonosor fez uma imagem de ouro de vinte e sete metros de altura e dois metros e setenta centímetros de largura, e a ergueu na planície de Dura, na província da Babilônia.
  2. Depois convocou os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os conselheiros, os tesoureiros, os juízes, os magistrados e todas as autoridades provinciais para assistirem à dedicação da imagem que mandara erguer.
  3. Assim todos eles, sátrapas, prefeitos, governadores, conselheiros, tesoureiros, juízes, magistrados e todas as autoridades provinciais se reuniram para a dedicação da imagem que o rei Nabucodonosor mandara erguer, e ficaram de pé diante dela.
  4. Então o arauto proclamou em alta voz: “Esta é a ordem que lhes é dada, ó homens de todas nações, povos e línguas:”
  5. “Quando ouvirem o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério, da flauta dupla e de toda espécie de música, prostrem-se em terra e adorem a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor ergueu.”
  6. “Quem não se prostrar em terra e não adorá-la será imediatamente atirado numa fornalha em chamas”.
  7. Por isso, logo que ouviram o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério e de toda espécie de música, os homens de todas nações, povos e línguas prostraram-se em terra e adoraram a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor mandara erguer.
  8. Nesse momento alguns astrólogos se aproximaram e denunciaram os judeus, dizendo ao rei Nabucodonosor: “Ó rei, vive para sempre!”
  9. “Tu emitiste um decreto, ó rei, ordenando que todo o que ouvisse o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério, da flauta dupla e de toda espécie de música se prostrasse em terra e adorasse a imagem de ouro,”
  10. “E que todo o que não se prostrasse em terra e não a adorasse seria atirado numa fornalha em chamas.”
  11. “Mas há alguns judeus que nomeaste para administrar a província da Babilônia, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que não te dão ouvidos, ó rei. Não prestam culto aos teus deuses nem adoram a imagem de ouro que mandaste erguer”.
  12. Furioso, Nabucodonosor mandou chamar Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. E assim que eles foram conduzidos à presença do rei,
  13. Nabucodonosor lhes disse: “É verdade, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que vocês não prestam culto aos meus deuses nem adoram a imagem de ouro que mandei erguer?
  14. Agora, porém, quando vocês ouvirem o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério, da flauta dupla e de toda espécie de música, se vocês se dispuserem a prostrar-se em terra e a adorar a imagem que eu fiz, será melhor para vocês.”
  15. “Mas, se não a adorarem, serão imediatamente atirados numa fornalha em chamas. E que deus poderá livrá-los das minhas mãos?”
  16. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego responderam ao rei: “Ó Nabucodonosor, não precisamos defender-nos diante de ti.”
  17. “Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das suas mãos, ó rei.”
  18. “Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer”.
  19. Nabucodonosor ficou tão furioso com Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que o seu semblante mudou. Deu ordens para que a fornalha fosse aquecida sete vezes mais do que de costume.
  20. E ordenou que alguns dos soldados mais fortes do seu exército amarrassem Sadraque, Mesaque e Abede-Nego e os atirassem na fornalha em chamas.
  21. E os três homens, vestidos com seus mantos, calções, turbantes e outras roupas, foram amarrados e atirados na fornalha extraordinariamente quente.
  22. A ordem do rei era tão urgente e a fornalha estava tão quente que as chamas mataram os soldados que levaram Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, os quais caíram amarrados dentro da fornalha em chamas.
  23. Mas, logo depois o rei Nabucodonosor, alarmado, levantou-se e perguntou aos seus conselheiros: “Não foram três homens amarrados que nós atiramos no fogo? ” Eles responderam: “Sim, ó rei”.
  24. E o rei exclamou: “Olhem! Estou vendo quatro homens, desamarrados e ilesos, andando pelo fogo, e o quarto se parece com um filho dos deuses”.
  25. Então Nabucodonosor aproximou-se da entrada da fornalha em chamas e gritou: “Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, servos do Deus Altíssimo, saiam! Venham aqui! ” E Sadraque, Mesaque e Abede-Nego saíram do fogo.
  26. Os sátrapas, os prefeitos, os governadores e os conselheiros do rei se ajuntaram em torno deles e comprovaram que o fogo não tinha ferido o corpo deles.
  27. Nem um só fio do cabelo tinha sido chamuscado, os seus mantos não estavam queimados, e não havia cheiro de fogo neles.
  28. Disse então Nabucodonosor: “Louvado seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu anjo e livrou os seus servos!”
  29. “Eles confiaram nele, desafiaram a ordem do rei, preferindo abrir mão de suas vidas a que prestar culto e adorar a outro deus, que não fosse o seu próprio Deus.”
  30. “Por isso eu decreto que todo homem de qualquer povo, nação e língua que disser alguma coisa contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego seja despedaçado e sua casa seja transformada em montes de entulho, pois nenhum outro deus é capaz de livrar ninguém dessa maneira”.
  31. Então o rei promoveu Sadraque, Mesaque e Abede-Nego a melhores posições na província da Babilônia.
  32. O rei Nabucodonosor, aos homens de todas nações, povos e línguas, que vivem no mundo inteiro: Paz e prosperidade!
  33. Tenho a satisfação de falar-lhes a respeito dos sinais e das maravilhas que o Deus Altíssimo realizou para mim.
  34. Como são grandes os seus sinais, como são poderosas as suas maravilhas! O seu reino é um reino eterno; o seu domínio dura de geração em geração.
  35. Eu, Nabucodonosor, estava satisfeito e próspero em casa, no meu palácio.
  36. Tive um sonho que me deixou alarmado. Estando eu deitado em minha cama, os pensamentos e visões que passaram pela minha mente deixaram-me aterrorizado.
  37. Por isso decretei que todos os sábios da Babilônia fossem trazidos à minha presença para interpretarem o sonho para mim.
  38. Quando os magos, os encantadores, os astrólogos e os adivinhos vieram, contei-lhes o sonho, mas eles não puderam interpretá-lo.
  39. Por fim veio Daniel à minha presença e eu lhe contei o sonho. Ele é chamado Beltessazar, em homenagem ao nome do meu deus; e o espírito dos santos deuses está nele.
  40. Eu disse: “Beltessazar, chefe dos magos, sei que o espírito dos santos deuses está em você, e que nenhum mistério é difícil demais para você. Vou contar-lhe o meu sonho; interprete-o para mim.”
  41. Estas são as visões que tive quando estava deitado na minha cama: olhei, e ali diante de mim estava uma árvore muito alta no meio da terra.
  42. A árvore cresceu tanto que a sua copa encostou no céu; era visível até os confins da terra.
  43. Tinha belas folhas, muitos frutos, e nela havia alimento para todos. Debaixo dela os animais do campo achavam abrigo, e as aves do céu viviam em seus galhos; todas as criaturas se alimentavam da árvore.
  44. “Nas visões que tive deitado em minha cama, olhei e vi diante de mim uma sentinela, um anjo que descia do céu;
  45. E ele gritou em alta voz: ‘Derrubem a árvore e cortem os seus galhos; arranquem as suas folhas e espalhem os seus frutos. Fujam os animais de debaixo dela e as aves dos seus galhos.
  46. Mas deixem o toco e as suas raízes, presos com ferro e bronze; fique ele no chão, em meio a relva do campo’. “Ele será molhado com o orvalho do céu e com os animais comerá a grama da terra.
  47. A mente humana lhe será tirada, e ele será como um animal, até que se passem sete tempos.
  48. “A decisão é anunciada por sentinelas, os anjos declaram o veredicto, para que todos os que vivem saibam que o Altíssimo domina sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer, e põe no poder o homem mais simples.
  49. “Esse é o sonho que eu, o rei Nabucodonosor, tive. Agora, Beltessazar, diga-me o significado do sonho, pois nenhum dos sábios do meu reino consegue interpretá-lo para mim, exceto você, pois o espírito dos santos deuses está em você”.
  50. Então Daniel, também chamado Beltessazar, ficou estarrecido por algum tempo, e os seus pensamentos o deixaram aterrorizado. Então o rei disse: “Beltessazar, não deixe que o sonho ou a sua interpretação o assuste”. Beltessazar respondeu: “Meu senhor, quem dera o sonho só se aplicasse aos seus inimigos e o seu significado somente aos seus adversários!
  51. A árvore que viste, que cresceu e ficou enorme, e a sua copa encostava no céu, visível em toda a terra, que também tinha belas folhas e muitos frutos, na qual havia alimento para todos, abrigo para os animais do campo, e morada para as aves do céu nos seus galhos, és tu, ó rei!”
  52. Tu te tornaste grande e poderoso, pois a tua grandeza cresceu até alcançar o céu, e o teu domínio se estende até os confins da terra.”
  53. “E tu, ó rei, viste também uma sentinela, o anjo que descia do céu e dizia: ‘Derrubem a árvore e destruam-na, mas deixem o toco e as suas raízes, presos com ferro e bronze; fique ele no chão, em meio a relva do campo. Ele será molhado com o orvalho do céu e viverá com os animais selvagens, até que se passem sete tempos’.
  54. “Esta é a interpretação, ó rei, e este é o decreto que o Altíssimo emitiu contra o rei, meu senhor:
  55. Tu serás expulso do meio dos homens e viverás com os animais selvagens; comerás capim como os bois e te molharás com o orvalho do céu. Passarão sete tempos até que admitas que o Altíssimo domina sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer.
  56. A ordem para deixar o toco da árvore com as raízes significa que o teu reino te será devolvido quando reconheceres que os Céus dominam.
  57. Portanto, ó rei, aceita o meu conselho: Renuncia a teus pecados e à tua maldade, pratique a justiça e tenha compaixão dos necessitados. Talvez, então, continues a viver em paz”.
  58. Tudo isso aconteceu com o rei Nabucodonosor.
  59. Doze meses depois, quando o rei estava andando no terraço do palácio real da Babilônia,
  60. disse: “Acaso não é esta a grande Babilônia que eu construí como capital do meu reino, com o meu enorme poder e para a glória da minha majestade? “
  61. As palavras ainda estavam nos seus lábios quando veio do céu uma voz que disse: “É isto que está decretado quanto a você, rei Nabucodonosor: Sua autoridade real lhe foi tirada.
  62. Você será expulso do meio dos homens, viverá com os animais selvagens e comerá capim como os bois. Passarão sete tempos até que admita que o Altíssimo domina sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer”.
  63. A sentença sobre Nabucodonosor cumpriu-se imediatamente. Ele foi expulso do meio dos homens e passou a comer capim como os bois. Seu corpo molhou-se com o orvalho do céu, até que os seus cabelos e pêlos cresceram como as penas de uma águia, e as suas unhas como as garras de uma ave.
  64. Ao fim daquele período, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, e percebi que o meu entendimento tinha voltado. Então louvei o Altíssimo; honrei e glorifiquei aquele que vive para sempre. O seu domínio é um domínio eterno; o seu reino dura de geração em geração.
  65. Todos os povos da terra são como nada diante dele. Ele age como lhe agrada com os exércitos dos céus e com os habitantes da terra. Ninguém é capaz de resistir à sua mão nem de dizer-lhe: “O que fizeste? “
  66. Naquele momento voltou-me o entendimento, e eu recuperei a honra a majestade e a glória do meu reino. Meus conselheiros e nobres me procuraram, meu trono me foi restaurado, e minha grandeza veio a ser ainda maior.
  67. Agora eu, Nabucodonosor, louvo e exalto e glorifico o Rei dos céus, porque tudo o que ele faz é certo, e todos os seus caminhos são justos. E ele tem poder para humilhar aqueles que vivem com arrogância.

Fonte: Daniel 3 e 4.

Capítulo 19 – Belsazar

  1. Certa vez o rei Belsazar deu um grande banquete para mil dos seus nobres, e eles beberam muito vinho.
  2. Enquanto Belsazar bebia vinho, deu ordens para trazerem as taças de ouro e de prata que o seu predecessor, Nabucodonosor, tinha tomado do templo de Jerusalém, para que o rei e os seus nobres, as suas mulheres e as suas concubinas bebessem nessas taças.
  3. Então trouxeram as taças de ouro que tinham sido tomadas do templo de Deus em Jerusalém; e o rei e os seus nobres, as suas mulheres e as suas concubinas, beberam nas taças.
  4. Enquanto bebiam o vinho, louvaram os deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra.
  5. Mas, de repente apareceram dedos de mão humana que começaram a escrever no reboco da parede, da parte mais iluminada do palácio real. O rei observou a mão enquanto ela escrevia.
  6. Seu rosto ficou pálido, e ele ficou tão assustado que os seus joelhos batiam e as suas pernas vacilaram.
  7. Aos gritos, o rei mandou chamar os encantadores, os astrólogos e os adivinhos e disse a esses sábios da Babilônia: “Aquele que ler essa inscrição e interpretá-la, revelando-me o seu significado, vestirá um manto vermelho, terá uma corrente de ouro no pescoço, e será o terceiro em importância no governo do reino”.
  8. Todos os sábios do rei vieram, mas não conseguiram ler a inscrição nem dizer ao rei o seu significado.
  9. Diante disso o rei Belsazar ficou ainda mais aterrorizado e o seu rosto, mais pálido. Seus nobres estavam alarmados.
  10. E tendo a rainha, ouvido os gritos do rei e de seus nobres, entrou na sala do banquete e disse: “Ó rei, vive para sempre! Não fiques assustado nem tão pálido!”
  11. “Existe um homem em teu reino que possui o espírito dos santos deuses. Na época do teu predecessor verificou-se que ele tinha percepção, inteligência e sabedoria como a dos deuses.”
  12. “O rei Nabucodonosor, teu predecessor, sim, teu predecessor, o rei, o nomeou chefe dos magos, dos encantadores, dos astrólogos e dos adivinhos.”
  13. “Verificou-se que esse homem, Daniel, a quem o rei dera o nome de Beltessazar, tinha inteligência extraordinária e também a capacidade de interpretar sonhos e resolver enigmas e mistérios. Manda chamar Daniel, e ele te dará o significado da escrita”.
  14. Assim Daniel foi levado à presença do rei, que lhe disse: “Você é Daniel, um dos exilados que meu pai, o rei, trouxe de Judá?”
  15. “Soube que o espírito dos deuses está em você e que você possui percepção, inteligência e uma sabedoria fora do comum.”
  16. “Trouxeram os sábios e os encantadores à minha presença para lerem essa inscrição e me dizerem o seu significado, eles porém não conseguiram.”
  17. “Mas eu soube que você é capaz de dar interpretações e de resolver mistérios. Se você puder ler essa inscrição e dar-me o seu significado, você será vestido de vermelho e terá uma corrente de ouro no pescoço, e se tornará o terceiro em importância no governo do reino”.
  18. Então Daniel respondeu ao rei: “Podes guardar os teus presentes para ti mesmo e dar as tuas recompensas a algum outro. No entanto, eu lerei a inscrição para o rei e lhe direi o seu significado.”
  19. “Ó rei, foi a Nabucodonosor, teu predecessor que o Deus Altíssimo deu soberania, grandeza, glória e majestade.”
  20. “Devido à alta posição que lhe concedeu, homens de todas as nações, povos e línguas tremiam diante dele e o temiam.”
  21. “A quem o rei queria matar, matava; a quem queria poupar, poupava; a quem queria promover, promovia; e a quem queria humilhar, humilhava.”
  22. “Mas, quando o seu coração se tornou arrogante e endurecido por causa do orgulho, ele foi deposto de seu trono real e despojado da sua glória.”
  23. “Foi expulso do meio dos homens e sua mente ficou como a de um animal; ele passou a viver com os jumentos selvagens e a comer capim como os bois.”
  24. “E o seu corpo se molhava com o orvalho do céu, até reconhecer que o Deus Altíssimo domina sobre os reinos dos homens e coloca no poder a quem ele quer.”
  25. “Mas tu, Belsazar, seu sucessor, não te humilhaste, embora soubesses de tudo isso.
  26. “Pelo contrário, tu te exaltaste acima do SENHOR dos céus. Mandaste trazer as taças do templo do SENHOR para que nelas bebessem tu, os teus nobres, as tuas mulheres e as tuas concubinas.”
  27. “Louvaste os deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não podem ver nem ouvir nem entender. Mas não glorificaste o Deus que sustenta em suas mãos a tua vida e todos os teus caminhos.”
  28. “Por isso ele enviou a mão que escreveu as palavras da inscrição. Esta é a inscrição que foi feita: MENE, MENE, TEQUEL, PARSIM.”
  29. “E este é o significado dessas palavras: Mene: Deus contou os dias do teu reinado e determinou o seu fim. Tequel: Foste pesado na balança e achado em falta. Peres: Teu reino foi dividido e entregue aos medos e persas”.
  30. Então, por ordem de Belsazar, vestiram Daniel com um manto vermelho, puseram-lhe uma corrente de ouro no pescoço, e o proclamaram o terceiro em importância no governo do reino.
  31. Naquela mesma noite Belsazar, rei dos babilônios, foi morto, e Dario, o medo, apoderou-se do reino, com a idade de sessenta e dois anos.
  32. No primeiro ano de Belsazar, rei da Babilônia, Daniel teve um sonho, e certas visões passaram por sua mente, estando ele deitado em sua cama. Ele escreveu o resumo do seu sonho.
  33. Daniel disse: “Na minha visão à noite, eu vi os quatro ventos do céu agitando o grande mar. Quatro grandes animais, cada um diferente dos outros, subiram do mar.”
  34. “O primeiro parecia um leão, e tinha as asas de águia. Eu o observei até que as suas asas foram arrancadas, e ele foi erguido do chão de modo que levantou-se sobre dois pés como um homem, e recebeu coração de homem.”
  35. “A seguir vi um segundo animal, que tinha a aparência de um urso. Ele foi erguido por um dos seus lados, e na boca, entre os dentes, tinha três costelas. E lhe foi dito: ‘Levante-se e coma quanta carne puder!’”
  36. “Depois disso, vi um outro animal, que se parecia com um leopardo. E nas costas tinha quatro asas, como asas de uma ave. Esse animal tinha quatro cabeças, e recebeu autoridade para governar.
  37. “Na minha visão à noite, vi ainda um quarto animal, aterrorizante, assustador e muito poderoso. Tinha grandes dentes de ferro, com as quais despedaçava e devorava suas vítimas, e pisoteava tudo o que sobrava. Era diferente de todos os animais anteriores, e tinha dez chifres.
  38. “Enquanto eu estava refletindo nos chifres, vi um outro chifre, pequeno, que surgiu entre eles; e três dos primeiros chifres foram arrancados para dar lugar a ele. Esse chifre possuía olhos como os olhos de um homem e uma boca que falava com arrogância.
  39. “Enquanto eu olhava, “tronos foram postos no lugar, e um ancião se assentou. Sua veste era branca como a neve; o cabelo era branco como a lã. Seu trono ardia em fogo, e as rodas do trono estavam todas incandescentes.”
  40. “E saía um rio de fogo, de diante dele. Milhares de milhares o serviam; milhões e milhões estavam diante dele. O tribunal iniciou o julgamento, e os livros foram abertos.”
  41. “Continuei a observar por causa das palavras arrogantes que o chifre falava. Fiquei olhando até que o animal foi morto, e o seu corpo foi destruído e atirado no fogo.”
  42. “E foi tirada a autoridade dos outros animais, mas eles tiveram permissão para viver por um período de tempo.”
  43. “Na minha visão à noite, vi alguém semelhante a um filho de um homem, vindo com as nuvens dos céus. Ele se aproximou do ancião e foi conduzido à sua presença.”
  44. “A ele foram dados autoridade, glória e reino; todos os povos, nações e homens de todas as línguas o adoraram. Seu domínio é um domínio eterno que não acabará, e seu reino jamais será destruído.”
  45. “Eu, Daniel, fiquei agitado em meu espírito, e as visões que passaram pela minha mente me aterrorizaram.”
  46. “Então me aproximei de um dos que ali estavam e lhe perguntei o significado disso tudo. E ele me respondeu, dando-me a interpretação:
  47. “Os quatro grandes animais são quatro reinos que se levantarão na terra.”
  48. “Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para sempre; sim, para todo o sempre’.”
  49. “Então eu quis saber o significado do quarto animal, diferente de todos os outros e o mais aterrorizante, com seus dentes de ferro e garras de bronze, o animal que despedaçava e devorava suas vítimas, e pisoteava tudo o que sobrava.”
  50. “E também quis saber sobre os dez chifres da sua cabeça e sobre o outro chifre que surgiu para ocupar o lugar dos três chifres que caíram, o chifre que era maior do que os demais e que tinha olhos e uma boca que falava com arrogância.”
  51. “Enquanto eu observava, esse chifre guerreava contra os santos e os derrotava, até que o ancião veio e pronunciou a sentença a favor dos santos do Altíssimo, e chegou a hora de eles tomarem posse do reino.”
  52. “Ele me deu a seguinte explicação: O quarto animal é um quarto reino que aparecerá na terra. Será diferente de todos os outros reinos e devorará a terra inteira, despedaçando-a e pisoteando-a.”
  53. “Os dez chifres são dez reis que sairão desse reino. Depois deles um outro rei se levantará, e será diferente dos primeiros reis.
  54. “Ele falará contra o Altíssimo, oprimirá os seus santos e tentará mudar os tempos e as leis. Os santos serão entregues nas mãos dele por um tempo, tempos e meio tempo”.
  55. “Mas o tribunal o julgará, e o seu poder será tirado e totalmente destruído para sempre.
  56. “Então a soberania, o poder e a grandeza dos reinos debaixo de todo o céu serão entregues nas mãos dos santos, o povo do Altíssimo. O reino dele será um reino eterno, e todos os governantes o adorarão e lhe obedecerão.”
  57. “Esse é o fim da visão. Eu, Daniel, fiquei aterrorizado por causa de meus pensamentos, e meu rosto empalideceu, mas guardei essas coisas comigo”.

Fonte: Daniel 5 e 7

Capítulo 20 – Dário o Medo

  1. Dario, filho de Xerxes, de origem meda, foi constituído governante do reino babilônio.
  2. No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, compreendi pelas Escrituras, conforme a palavra do SENHOR dada ao profeta Jeremias, que a desolação de Jerusalém iria durar setenta anos.
  3. Por isso me voltei para o SENHOR Deus com orações e súplicas, em jejum, em pano de saco e coberto de cinza.
  4. Orei ao SENHOR, ao meu Deus, e confessei: “Ó SENHOR, Deus grande e temível, que mantém a sua aliança de amor com todos aqueles que o amam e obedecem aos seus mandamentos, nós temos pecado e somos culpados.”
  5. “Temos sido ímpios e rebeldes, e nos afastamos dos teus mandamentos e das tuas leis. Não demos ouvido aos teus servos, os profetas, que falaram em teu nome aos nossos reis, aos nossos líderes e aos nossos antepassados, e a todo o povo desta terra.”
  6. “SENHOR, tu és justo, e hoje estamos envergonhados. Sim, nós, o povo de Judá, de Jerusalém e de todo o Israel, tanto os que estão perto como os que estão distantes, em todas as terras pelas quais nos espalhaste por causa de nossa infidelidade para contigo.”
  7. Ó SENHOR, nós e nossos reis, nossos líderes e nossos antepassados estamos envergonhados por termos pecado contra ti.”
  8. O SENHOR nosso Deus é misericordioso e perdoador, apesar de termos sido rebeldes;
    não te demos ouvidos, SENHOR, nosso Deus, nem obedecemos às leis que nos deste por meio dos teus servos, os profetas.”
  9. “Todo o Israel tem transgredido a tua lei e se desviou, recusando-se a te ouvir. “Por isso as maldições e as pragas escritas na Lei de Moisés, servo de Deus, têm sido derramadas sobre nós, porque temos pecado contra ti.”
  10. “Tu tens cumprido as palavras faladas contra nós e contra os nossos governantes, trazendo-nos grande desgraça. Debaixo de todo o céu jamais se fez algo como o que foi feito a Jerusalém.”
  11. “Assim como está escrito na Lei de Moisés, toda essa desgraça nos atingiu, e ainda assim não temos buscado o favor do SENHOR, do nosso Deus, afastando-nos de nossas maldades e obedecendo à tua verdade.”
  12. “O SENHOR não hesitou em trazer desgraça sobre nós, pois o SENHOR, o nosso Deus, é justo em tudo o que faz; ainda assim nós não o temos ouvido.”
  13. “Ó SENHOR, nosso Deus, que tiraste o teu povo do Egito com mão poderosa e que fizeste para ti um nome que permanece até hoje, nós temos pecado e somos culpados.”
  14. “Agora SENHOR, conforme todos os teus feitos justos, afasta de Jerusalém, da tua cidade, do teu santo monte, a tua ira e a tua indignação.
  15. “Os nossos pecados e as iniquidades de nossos antepassados fizeram de Jerusalém e do teu povo motivo de zombaria para todos os que nos rodeiam.”
  16. “Ouve, nosso Deus, as orações e as súplicas do teu servo. Por amor de ti, SENHOR, olha com bondade para o teu santuário abandonado.”
  17. “Inclina os teus ouvidos, ó Deus, e ouve; abre os teus olhos e vê a desolação da cidade que leva o teu nome. Não te fazemos pedidos por sermos justos, mas por causa da tua grande misericórdia.”
  18. “SENHOR, ouve! SENHOR, perdoa! SENHOR, vê e age! Por amor de ti, meu Deus, não te demores, pois a tua cidade e o teu povo levam o teu nome”.
  19. Enquanto eu estava falando e orando, confessando o meu pecado e o pecado de Israel, meu povo, e fazendo o meu pedido ao SENHOR, ao meu Deus, em favor do seu santo monte.”
  20. “Enquanto eu ainda estava em oração, Gabriel, o homem que eu tinha visto na visão anterior, veio a mim, voando rapidamente para onde eu estava, à hora do sacrifício da tarde.”
  21. Ele me instruiu e me disse: “Daniel, agora vim para dar-lhe percepção e entendimento.
  22. “Assim que você começou a orar, houve uma resposta, que eu lhe trouxe porque você é muito amado. Por isso, preste atenção à mensagem para entender a visão.”
  23. “Setenta semanas estão decretadas para o seu povo e sua santa cidade para acabar com a transgressão, para dar fim ao pecado, para expiar as culpas, para trazer justiça eterna, para cumprir a visão e a profecia, e para ungir o santíssimo.”
  24. “Saiba e entenda que a partir da promulgação do decreto que manda restaurar e reconstruir Jerusalém até que o Ungido, o líder, venha, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas. Ela será reconstruída com ruas e muros, mas em tempos difíceis.”
  25. “Depois das sessenta e duas semanas, o Ungido será morto, e já não haverá lugar para ele. A cidade e o lugar santo serão destruídos pelo povo do governante que virá. O fim virá como uma inundação: Guerras continuarão até o fim, e desolações foram decretadas.”
  26. “Com muitos ele fará uma aliança que durará uma semana. No meio da semana ele dará fim ao sacrifício e à oferta. E numa ala do templo será colocado o sacrilégio terrível, até que chegue sobre ele o fim que lhe está decretado”.
  27. Dario achou por bem nomear cento e vinte sátrapas para governarem todo o reino;
  28. E colocou três supervisores sobre eles, um dos quais era Daniel. Os sátrapas tinham que prestar contas a eles para que o rei não sofresse nenhuma perda.
  29. Ora, Daniel se destacou tanto entre os supervisores e os sátrapas por suas grandes qualidades, que o rei planejava colocá-lo à frente do governo de todo o império.
  30. Diante disso, os supervisores e os sátrapas procuraram motivos para acusar Daniel em sua administração governamental, mas nada conseguiram. Não puderam achar falta alguma nele, pois ele era fiel; não era desonesto nem negligente.
  31. Finalmente esses homens disseram: “Jamais encontraremos algum motivo para acusar esse Daniel, a menos que seja algo relacionado com a lei do Deus dele”.
  32. E assim os supervisores e os sátrapas de comum acordo foram falar com o rei: “Ó rei Dario, vive para sempre!”
  33. “Todos os supervisores reais, os prefeitos, os sátrapas, os conselheiros e os governadores concordaram em que o rei deve emitir um decreto ordenando que todo aquele que orar a qualquer deus ou a qualquer homem nos próximos trinta dias, exceto a ti, ó rei, seja atirado na cova dos leões.”
  34. “Agora, ó rei, emite o decreto e assina-o para que não seja alterado, conforme a lei dos medos e dos persas, que não pode ser revogada”. E o rei Dario assinou o decreto.
  35. Quando Daniel soube que o decreto tinha sido publicado, foi para casa, para o seu quarto, no andar de cima, onde as janelas davam para Jerusalém.
  36. Três vezes por dia ele se ajoelhava e orava, agradecendo ao seu Deus, como costumava fazer.
  37. Então aqueles homens foram ver e encontraram Daniel orando, pedindo ajuda a Deus.
  38. Assim foram falar com o rei acerca do decreto real: “Tu não publicaste um decreto ordenando que nos próximos trinta dias todo aquele que fizesse algum pedido a qualquer deus ou a qualquer homem, exceto a ti, ó rei, seria lançado na cova dos leões? “
  39. O rei respondeu: “O decreto está em vigor, conforme a lei dos medos e dos persas, que não pode ser revogada”.
  40. Então disseram ao rei: “Daniel, um dos exilados de Judá, não te dá ouvidos, ó rei, nem ao decreto que assinaste. Ele continua orando três vezes por dia”.
  41. Quando o rei ouviu isso, ficou muito contrariado, e como estava decidido a salvar Daniel, até o pôr-do-sol fez todo o esforço que pôde para livrá-lo.
  42. Mas os homens lhe disseram: “Lembra-te, ó rei, que, conforme a lei dos medos e dos persas, nenhum decreto ou edito do rei pode ser modificado”.
  43. Então o rei deu ordens, e eles trouxeram Daniel e o jogaram na cova dos leões. O rei, porém, disse a Daniel: “Que o seu Deus, a quem você serve continuamente, o livre!”
  44. Taparam a cova com uma pedra, e o rei a selou com o seu próprio anel-selo e com os anéis dos seus nobres, para que a situação de Daniel não se modificasse.
  45. Tendo voltado ao palácio, o rei passou a noite sem comer e não aceitou nenhum divertimento em sua presença. Além disso, não conseguiu dormir.
  46. Logo ao alvorecer, o rei se levantou e correu para a cova dos leões.
  47. Quando ia se aproximando da cova, chamou Daniel com voz aflita: “Daniel, servo do Deus vivo, será que o seu Deus, a quem você serve continuamente, pôde livrá-lo dos leões?”
  48. Daniel respondeu: “Ó rei, vive para sempre!
  49. O meu Deus enviou o seu anjo, que fechou a boca dos leões. Eles não me fizeram mal algum, pois fui considerado inocente à vista de Deus. Também contra ti não cometi mal algum, ó rei”.
  50. O rei muito se alegrou e ordenou que tirassem Daniel da cova. Quando o tiraram da cova, viram que não havia nele nenhum ferimento, pois ele tinha confiado no seu Deus.
  51. E por ordem do rei, os homens que tinham acusado Daniel foram atirados na cova dos leões, juntamente com as suas mulheres e os seus filhos. E, antes de chegarem ao fundo, os leões os atacaram e despedaçaram todos os seus ossos.
  52. Então o rei Dario escreveu aos homens de todas as nações, povos e línguas de toda a terra: “Paz e prosperidade!
  53. “Estou editando um decreto para que nos domínios do império os homens temam e reverenciem o Deus de Daniel. Pois ele é o Deus vivo e permanece para sempre; o seu reino não será destruído, o seu domínio jamais acabará.
  54. Ele livra e salva; faz sinais e maravilhas nos céus e na terra. Ele livrou Daniel do poder dos leões”.
  55. Assim Daniel prosperou durante os reinados de Dario e de Ciro, o persa.

Fontes: Daniel 6 e 9

Capítulo 21 – Ciro

  1. No terceiro ano de Ciro, rei da Pérsia, Daniel, chamado Beltessazar, recebeu uma revelação. A mensagem era verdadeira e falava de uma grande guerra. E numa visão veio-lhe o entendimento da mensagem.
  2. Naquela ocasião eu, Daniel, passei três semanas chorando.
  3. Não comi nada saboroso; carne e vinho nem provei; e não usei nenhuma fragrância perfumada, até se passarem as três semanas.
  4. No vigésimo quarto dia do primeiro mês, estava eu de pé junto à margem do grande rio, o Tigre.
  5. Olhei para cima, e diante de mim estava um homem vestido de linho, com um cinto de ouro puríssimo na cintura.
  6. Seu corpo era como o berilo, o rosto como o relâmpago, os olhos como tochas acesas, os braços e pernas como o reflexo do bronze polido, e a sua voz era como o som de uma multidão.
  7. Somente eu, Daniel, vi a visão; os que me acompanhavam nada viram, mas apoderou-se deles tanto pavor que eles fugiram e se esconderam.
  8. Assim fiquei sozinho, olhando para aquela grande visão; fiquei sem forças, muito pálido, e quase desfaleci.
  9. Então eu o ouvi falando, e, ao ouvi-lo, caí prostrado, rosto em terra, e perdi os sentidos.
  10. Em seguida, a mão de alguém tocou em mim e me pôs sobre as minhas mãos e os meus joelhos vacilantes.
  11. E ele disse: “Daniel, você é muito amado. Preste bem atenção ao que vou lhe falar; levante-se, pois eu fui enviado a você”. Quando ele me disse isso, pus-me de pé, tremendo.
  12. E ele prosseguiu: “Não tenha medo, Daniel. Desde o primeiro dia em que você decidiu buscar entendimento e humilhar-se diante do seu Deus, suas palavras foram ouvidas, e eu vim em resposta a elas.
  13. “Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias. Então Miguel, um dos príncipes supremos, veio em minha ajuda, pois eu fui impedido de prosseguir ali com os reis da Pérsia.”
  14. “Agora vim explicar-lhe o que acontecerá ao seu povo no futuro, pois a visão se refere a uma época futura”.
  15. Enquanto ele me dizia isso, prostrei-me, rosto em terra, sem conseguir falar.
  16. Então um ser que parecia homem tocou nos meus lábios, e eu abri a minha boca e comecei a falar. Eu disse àquele que estava de pé diante de mim: Estou angustiado por causa da visão, meu senhor, e quase desfaleço.
  17. Como posso eu, teu servo, conversar contigo, meu senhor? Minhas forças se foram, e mal posso respirar.
  18. O ser que parecia homem tocou em mim outra vez e me deu forças.
  19. Ele disse: “Não tenha medo, você, que é muito amado. Que a paz seja com você! Seja forte! Seja forte! ” Ditas essas palavras, senti-me fortalecido e disse: “Fala, meu senhor, visto que me deste forças”.
  20. Então ele me disse: “Você sabe por que vim? Vou ter que voltar para lutar contra o príncipe da Pérsia, e, logo que eu for, chegará o príncipe da Grécia;
  21. Mas antes lhe revelarei o que está escrito no Livro da Verdade. E nessa luta ninguém me ajuda contra eles, senão Miguel, o príncipe de vocês, sendo que, no primeiro ano de Dario, rei dos medos, ajudei-o e dei-lhe apoio.
  22. “Agora, pois, vou dar-lhe a conhecer a verdade: Outros três reis aparecerão na Pérsia, e depois virá um quarto rei, que será bem mais rico do que todos os outros. Quando ele tiver conquistado o poder com sua riqueza, instigará todos contra o reino da Grécia.
  23. “Então surgirá um rei guerreiro, que governará com grande poder e fará o que quiser.”
  24. “Depois que ele surgir, o seu império se desfará e será repartido para os quatro ventos do céu.”
  25. “Não passará para os seus descendentes, e o império não será poderoso como antes, pois será desarraigado e dado a outros.”
  26. “O rei do sul se tornará forte, mas um dos seus príncipes se tornará ainda mais forte que ele e governará o seu próprio reino com grande poder.”
  27. “Depois de alguns anos, eles se tornarão aliados. A filha do rei do sul fará um tratado com o rei do norte, mas ela não manterá o seu poder, nem ele conservará o dele.”
  28. Naqueles dias ela será entregue à morte, junto com sua escolta real e com seu pai e com aquele que a apoiou.
  29. “Alguém da linhagem dela se levantará para tomar-lhe o lugar. Ele atacará as forças do rei do norte e invadirá a sua fortaleza; lutará contra eles e será vitorioso.
  30. Também se apoderará dos deuses deles, das suas imagens de metal e dos seus utensílios valiosos de prata e de ouro, e os levará para o Egito. E por alguns anos ele deixará o rei do norte em paz.
  31. Então o rei do norte invadirá as terras do rei do sul, mas terá que se retirar para a sua própria terra.
  32. Seus filhos se prepararão para a guerra e reunirão um grande exército, que avançará como uma inundação irresistível e levará os combates até a fortaleza do rei do sul.
  33. “Em face disso, o rei do sul marchará furioso para combater o rei do norte, que o enfrentará com um enorme exército, mas mesmo assim será derrotado.
  34. Quando o exército for vencido, o rei do sul se encherá de orgulho e matará milhares, mas o seu triunfo será breve.
  35. Pois o rei do norte reunirá um outro exército, maior do que o primeiro; e depois de alguns anos voltará a atacá-lo com um exército enorme e bem equipado.
  36. “Naquela época muitos se rebelarão contra o rei do sul. E os homens violentos do povo a que você pertence se revoltarão para cumprirem esta visão, mas não terão sucesso.
  37. Então o rei do norte virá e construirá rampas de cerco e conquistará uma cidade fortificada. As forças do sul serão incapazes de resistir; mesmo as suas melhores tropas não terão forças para resistir.
  38. O invasor fará o que bem entender; ninguém conseguirá resistir-lhe. Ele se instalará na Terra Magnífica e terá poder para destruí-la.
  39. Virá com o poder de todo o seu reino e fará uma aliança com o rei do sul. Ele lhe dará uma filha em casamento a fim de derrubar o reino, mas o seu plano não terá sucesso nem o ajudará.
  40. Então ele voltará a atenção para as regiões costeiras e tomará muitas delas, mas um comandante dará fim à arrogância dele e lhe devolverá a sua arrogância.
  41. Depois disso ele se dirigirá para as fortalezas de sua própria terra, mas tropeçará e cairá, para nunca mais aparecer.
  42. “Seu sucessor enviará um cobrador de impostos para manter o esplendor real. Contudo, em poucos anos ele será destruído, ainda que não com ira nem em combate.
  43. “Ele será sucedido por um ser desprezível, a quem não tinha sido dada a honra da realeza. Este invadirá o reino quando o povo do reino sentir-se seguro, e ele se apoderará dele mediante intrigas.
  44. “Então um exército avassalador será arrasado diante dele; tanto o exército como um príncipe da aliança serão destruídos.”
  45. “Depois de um acordo feito com ele, agirá traiçoeiramente, e com apenas uns poucos chegará ao poder.”
  46. “Quando as províncias mais ricas se sentirem seguras, ele as invadirá e realizará o que nem seus pais nem seus antepassados conseguiram.”
  47. “Distribuirá despojos, saques e riquezas entre seus seguidores. Ele tramará a tomada de fortalezas, mas só por algum tempo.”
  48. “Com um grande exército juntará suas forças e sua coragem contra o rei do sul. O rei do sul guerreará com um exército grande e poderoso, mas não conseguirá resistir por causa dos golpes tramados contra ele.
  49. “Mesmo os que estiverem sendo alimentados pelo rei tentarão destruí-lo; seu exército será arrasado, e muitos cairão em combate.”
  50. “Os dois reis, com seus corações inclinados para o mal, sentarão à mesma mesa e mentirão um para o outro, mas sem resultado, pois o fim só virá no tempo determinado.”
  51. “O rei do norte voltará para a sua terra com grande riqueza, mas o seu coração estará voltado contra a santa aliança. Ele empreenderá ação contra ela e então voltará para a sua terra.”
  52. “No tempo determinado ele invadirá de novo o sul, mas dessa vez o resultado será diferente do anterior.”
  53. “Navios das regiões da costa ocidental se oporão a ele, e ele perderá o ânimo. Então se voltará e despejará sua fúria contra a santa aliança. Ele retornará e será bondoso com aqueles que abandonarem a santa aliança.”
  54. “Suas forças armadas se levantarão para profanar a fortaleza e o templo, acabarão com o sacrifício diário e colocarão o sacrilégio terrível.”
  55. “Com lisonjas corromperá aqueles que tiverem violado a aliança, mas o povo que conhece o seu Deus resistirá com firmeza.”
  56. “Aqueles que são sábios instruirão a muitos, mas por certo período cairão pela espada e serão queimados, capturados e saqueados.”
  57. “Quando caírem, receberão uma pequena ajuda, e muitos que não são sinceros se juntarão a eles.”
  58. “Alguns dos sábios tropeçarão para que sejam refinados, purificados e alvejados até a época do fim, pois isso só virá no tempo determinado.”
  59. “O rei fará o que bem entender. Ele se exaltará e se engrandecerá acima de todos os deuses e dirá coisas jamais ouvidas contra o Deus dos deuses.”
  60. “Ele terá sucesso até que o tempo da ira se complete, pois o que foi decidido irá acontecer.”
  61. “Ele não terá consideração pelos deuses dos seus antepassados nem pelo deus preferido das mulheres, nem por deus algum, mas se exaltará acima deles todos.”
  62. “Em seu lugar adorará um deus das fortalezas; um deus desconhecido de seus antepassados ele honrará com ouro e prata, com pedras preciosas e presentes caros.”
  63. “Atacará as fortalezas mais poderosas com a ajuda de um deus estrangeiro e dará grande honra àqueles que o reconhecerem. Ele os fará governantes sobre muitos e distribuirá a terra, mas a um preço elevado.”
  64. “No tempo do fim o rei do sul se envolverá em combate, e o rei do norte o atacará com carros e cavaleiros e uma grande frota de navios. Ele invadirá muitos países e avançará por eles como uma inundação.”
  65. “Também invadirá a Terra Magnífica. Muitos países cairão, mas Edom, Moabe e os líderes de Amom ficarão livres da sua mão.”
  66. “Ele estenderá o seu poder sobre muitos países; o Egito não escapará, pois ele terá o controle dos tesouros de ouro e de prata e de todas as riquezas do Egito; os líbios e os núbios a ele se submeterão.”
  67. “Mas, informações provenientes do leste e do norte o deixarão alarmado, e irado partirá para destruir e aniquilar a muitos.”
  68. “Armará suas tendas reais entre os mares, no belo monte santo. No entanto, ele chegará ao seu fim, e ninguém o socorrerá.”
  69. “Naquela ocasião Miguel, o grande príncipe que protege o seu povo, se levantará.
  70. “Haverá um tempo de angústia tal como nunca houve desde o início das nações e até então. Mas naquela ocasião o seu povo, todo aquele cujo nome está escrito no livro, será liberto.”
  71. “Multidões que dormem no pó da terra acordarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha, para o desprezo eterno.”
  72. “Aqueles que são sábios reluzirão como o brilho do céu, e aqueles que conduzem muitos à justiça serão como as estrelas, para todo o sempre.”
  73. “Mas você, Daniel, feche com um selo as palavras do livro até o tempo do fim. Muitos irão ali e acolá para aumentarem o conhecimento”.
  74. Então eu, Daniel, olhei, e diante de mim estavam dois outros, um na margem de cá do rio e outro na margem de lá.
  75. Um deles disse ao homem vestido de linho, que estava acima das águas do rio: “Quanto tempo decorrerá antes de se cumprirem essas coisas estupendas? “
  76. O homem vestido de linho, que estava acima das águas do rio, ergueu para o céu a mão direita e a mão esquerda, e eu o ouvi jurar por aquele que vive para sempre, dizendo:
  77. “Haverá um tempo, tempos e meio tempo. Quando o poder do povo santo for finalmente quebrado, todas essas coisas se cumprirão”.
  78. Eu ouvi, mas não compreendi. Por isso perguntei: “Meu senhor, qual será o resultado disso tudo? “
  79. Ele respondeu: “Siga o seu caminho, Daniel, pois as palavras estão seladas e lacradas até o tempo do fim.”
  80. “Muitos serão purificados, alvejados e refinados, mas os ímpios continuarão ímpios. Nenhum dos ímpios levará isto em consideração, mas os sábios sim.
  81. “A partir do momento em que for abolido o sacrifício diário e for colocado o sacrilégio terrível, haverá mil e duzentos e noventa dias.
  82. Feliz aquele que esperar e alcançar o fim dos mil trezentos e trinta e cinco dias.
  83. “Quanto a você, siga o seu caminho até o fim. Você descansará, e então, no final dos dias, você se levantará para receber a herança que lhe cabe”.

Fontes: Daniel 10, 11 e 12.

Capítulo 22 – Reconstrução

  1. No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, a fim de que se cumprisse a palavra do SENHOR falada por Jeremias, o SENHOR despertou o coração de Ciro, rei da Pérsia, para redigir uma proclamação e divulgá-la em todo o seu reino, nestes termos:
  2. Assim disse Ciro, rei da Pérsia: “O SENHOR, o Deus dos céus, deu-me todos os reinos da terra e designou-me para construir um templo para ele em Jerusalém de Judá.”
  3. “Qualquer do seu povo que esteja entre vocês, que o seu Deus esteja com ele, e que vá a Jerusalém de Judá reconstruir o templo do SENHOR, o Deus de Israel, o Deus que em Jerusalém tem a sua morada.”
  4. “E que todo sobrevivente, seja qual for o lugar em que está vivendo, receba dos que ali vivem em prata, ouro, bens e animais; e ofertas voluntárias para o templo de Deus em Jerusalém”.
  5. Então os líderes das famílias de Judá e de Benjamim, como também os sacerdotes e os levitas, todos aqueles cujo coração Deus despertou, dispuseram-se a ir para Jerusalém e a construir o templo do SENHOR.
  6. Todos os seus vizinhos os ajudaram, trazendo-lhes utensílios de prata e ouro, bens, animais, e presentes valiosos, além de todas as ofertas voluntárias que fizeram.
  7. Além disso, o rei Ciro mandou tirar os utensílios pertencentes ao templo do SENHOR, os quais Nabucodonosor tinha levado de Jerusalém e colocado no templo do seu deus.
  8. Ciro, rei da Pérsia, ordenou que fossem tirados pelo tesoureiro Mitredate, que os enumerou e os entregou a Sesbazar, governador de Judá.
  9. O total foi o seguinte: 30 tigelas de ouro, 1. 000 tigelas de prata, 29 panelas de prata,
    30 bacias de ouro, 410 bacias de prata de qualidade inferior e 1. 000 outros objetos
  10. Ao todo foram, na verdade, cinco mil e quatrocentos utensílos de ouro e de prata. Sesbazar trouxe tudo isso consigo quando os exilados vieram da Babilônia para Jerusalém.
  11. Esta é a lista dos homens da província que Nabucodonosor, rei da Babilônia, tinha levado prisioneiros para a Babilônia. Eles voltaram para Jerusalém e Judá, cada um para a sua própria cidade.
  12. Vieram na companhia de Zorobabel, Jesua, Neemias, Seraías, Reelaías, Mardoqueu, Bilsã, Mispar, Bigvai, Reum e Baaná.
  13. Esta é a lista dos israelitas: os descendentes de Parós 2. 172; de Sefatias 372; de Ara 775; de Paate-Moabe, por meio da linhagem de Jesua e Joabe, 2. 812; de Elão 1. 254; de Zatu 945; de Zacai 760; de Bani 642; de Bebai 623; de Azgade 1. 222; de Adonicão 666; de Bigvai 2. 056; de Adim 454; de Ater, por meio de Ezequias, 98; de Besai 323; de Jora 112; de Hasum 223; de Gibar 95; os da cidade de Belém 123; de Netofate 56; de Anatote 128; de Azmavete 42; de Quiriate-Jearim, Quefira e Beerote 743; de Ramá e Geba 621; de Micmás 122; de Betel e Ai 223; de Nebo 52; de Magbis 156; da outra Elão 1. 254; de Harim 320; de Lode, Hadide e; Ono 725; de Jericó 345; de Senaá 3.630;
  14. Os sacerdotes: os descendentes de Jedaías, por meio da família de Jesua 973; de Imer 1. 052; de Pasur 1. 247; de Harim 1. 017.
  15. Os levitas: os descendentes de Jesua e de Cadmiel, por meio da linhagem de Hodavias 74.
  16. Os cantores: os descendentes de Asafe 128; os porteiros do templo: os descendentes de Salum, Ater, Talmom, Acube, Hatita e Sobai 139.
  17. Os servidores do templo: os descendentes de Zia, Hasufa, Tabaote, Queros, Sia, Padom, Lebana, Hagaba, Acube, Hagabe, Sanlai, Hanã, Gidel, Gaar, Reaías, Rezim, Necoda, Gazão, Uzá, Paséia, Besai, Asná, Meunim, Nefusim, Bacbuque, Hacufa, Harur, Baslute, Meída, Harsa, Barcos, Sísera, Tamá, Nesias e Hatifa.
  18. Os descendentes dos servos de Salomão: os descendentes de Sotai, Soferete, Peruda,
    Jaala, Darcom, Gidel, Sefatias, Hatil, Poquerete-Hazebaim e Ami.
  19. O total dos servidores do templo e dos descendentes dos servos de Salomão 392
  20. Os que chegaram das cidades de Tel-Melá, Tel-Harsa, Querube, Adã e Imer, mas não puderam comprovar que suas famílias descendiam de Israel, foram os seguintes: os descendentes de Delaías, Tobias e Necoda 652
  21. E dentre os sacerdotes: Os descendentes de Habaías, Coz e Barzilai, homem que se casou com uma filha de Barzilai, de Gileade, e que era chamado pelo nome do sogro.
  22. Eles procuraram pelos seus registros de família, mas não conseguiram achá-los e foram considerados impuros para o sacerdócio.
  23. Por isso o governador os proibiu de comer alimentos sagrados enquanto não houvesse um sacerdote capaz de consultar a Deus por meio do Urim e do Tumim.
  24. A totalidade dos que voltaram do exílio atingiu o número de 42. 360 homens,
    além dos seus 7. 337 servos e servas; havia entre eles 200 cantores e cantoras.
  25. Possuíam 736 cavalos, 245 mulas, 435 camelos e 6. 720 jumentos.
  26. Quando chegaram ao templo do SENHOR em Jerusalém, alguns dos chefes das famílias deram ofertas voluntárias para a reconstrução do templo de Deus no seu antigo local.
  27. De acordo com as suas possibilidades, deram à tesouraria para essa obra quinhentos quilos de ouro, três toneladas de prata e cem vestes sacerdotais.
  28. Os sacerdotes, os levitas, os cantores, os porteiros e os servidores do templo, bem como os demais israelitas, estabeleceram-se em suas cidades de origem.
  29. Quando chegou o sétimo mês e os israelitas já estavam em suas cidades, o povo se reuniu como um só homem em Jerusalém.
  30. Então Jesua, filho de Jozadaque, seus colegas, os sacerdotes, e Zorobabel, filho de Sealtiel, e seus companheiros começaram a construir o altar do Deus de Israel para nele sacrificarem holocaustos, conforme o que está escrito na Lei de Moisés, homem de Deus.
  31. Apesar do receio que tinham dos povos ao redor, construíram o altar sobre a sua base e nele sacrificaram holocaustos ao SENHOR, tanto os sacrifícios da manhã como os da tarde.
  32. Então, de acordo com o que está escrito, celebraram a festa das cabanas com o número determinado de holocaustos prescritos para cada dia.
  33. Depois disso, apresentaram os holocaustos regulares, os sacrifícios da lua nova e os sacrifícios requeridos para todas as festas sagradas determinadas pelo SENHOR, bem como os que foram trazidos como ofertas voluntárias ao SENHOR.
  34. A partir do dia primeiro do sétimo mês começaram a oferecer holocaustos ao SENHOR, embora ainda não tivessem sido lançados os alicerces do templo do SENHOR.
  35. Então eles deram dinheiro aos pedreiros e os carpinteiros, e deram comida, bebida e azeite ao povo de Sidom e de Tiro, para que, pelo mar, trouxessem do Líbano para Jope toras de cedro, o que tinha sido autorizado por Ciro, rei da Pérsia.
  36. No segundo mês do segundo ano depois de chegarem ao templo de Deus em Jerusalém, Zorobabel, filho de Sealtiel, Jesua, filho de Jozadaque, e o restante dos seus irmãos, os sacerdotes, os levitas e todos os que tinham voltado do cativeiro para Jerusalém, começaram o trabalho, designando levitas de vinte anos para cima para supervisionarem a construção do templo do SENHOR.
  37. Jesua, seus filhos e seus irmãos, e Cadmiel e seus filhos, descendentes de Hodavias, e os filhos de Henadade e seus filhos e seus irmãos, todos eles levitas, uniram-se para supervisionar os que trabalhavam no templo de Deus.
  38. Quando os construtores lançaram os alicerces do templo do SENHOR, os sacerdotes, com suas vestes e suas trombetas, e os levitas, filhos de Asafe, com címbalos, tomaram seus lugares para louvar o SENHOR, conforme prescrito por Davi, rei de Israel.
  39. Com louvor e ações de graças, cantaram responsivamente ao SENHOR: “Ele é bom; seu amor a Israel dura para sempre”. E todo o povo louvou ao SENHOR em alta voz, pois haviam sido lançados os alicerces do templo do SENHOR.
  40. Mas muitos dos sacerdotes, dos levitas e dos líderes de família mais velhos, que tinham visto o antigo templo, choraram em voz alta quando viram o lançamento dos alicerces desse templo; muitos, porém, gritavam de alegria.
  41. Não era possível distinguir entre o som dos gritos de alegria e o som do choro, pois o povo fazia enorme barulho. E o som foi ouvido a grande distância.

Fonte: Esdras 1, 2 e 3

Capítulo 23 – Zacarias

  1. No quarto ano do reinado do rei Dario, a palavra do SENHOR veio a Zacarias, no quarto dia do nono mês, o mês de quisleu.
  2. Foi quando o povo de Betel enviou Sarezer e Régen-Meleque com seus homens, para suplicarem ao SENHOR perguntando aos sacerdotes do templo do SENHOR dos Exércitos e aos profetas: “Devemos lamentar e jejuar no quinto mês, como já faz tantos anos que estamos fazendo? “
  3. Então o SENHOR dos Exércitos me falou: “Pergunte a todo o povo e aos sacerdotes: Quando vocês jejuaram no quinto e no sétimo meses durante os últimos setenta anos, foi de fato para mim que jejuaram?”
  4. “E quando comiam e bebiam, não era para vocês mesmos que o faziam?”
  5. “Não são essas as palavras do SENHOR proclamadas pelos antigos profetas quando Jerusalém e as cidades ao seu redor estavam em paz e prosperavam, e o Neguebe e a Sefelá eram habitados?”
  6. E a palavra do SENHOR veio novamente a Zacarias: “Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Administrem a verdadeira justiça, mostrem misericórdia e compaixão uns para com os outros.”
  7. “Não oprimam a viúva e o órfão, nem o estrangeiro e o necessitado. Nem tramem maldades uns contra os outros.”
  8. “Mas eles se recusaram a dar atenção; teimosamente viraram as costas e taparam os ouvidos.”
  9. Endureceram o coração para não ouvirem a Lei e as palavras que o SENHOR dos Exércitos tinha falado pelo seu Espírito por meio dos antigos profetas. Por isso o SENHOR dos Exércitos irou-se muito”.
  10. “Quando eu os chamei, não deram ouvidos; por isso, quando eles me chamarem, também não ouvirei”, diz o SENHOR dos Exércitos.
  11. “Eu os espalhei com um vendaval entre nações que eles nem conhecem. A terra que deixaram para trás ficou tão destruída que ninguém podia atravessá-la. Foi assim que transformaram a terra aprazível em ruínas”.
  12. Mais uma vez veio a mim a palavra do SENHOR dos Exércitos: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Tenho muito ciúme de Sião; estou me consumindo de ciúmes por ela”.
  13. “Estou voltando para Sião e habitarei em Jerusalém. Então Jerusalém será chamada Cidade da Verdade, e o monte do SENHOR dos Exércitos será chamado Monte Sagrado”.
  14. “Homens e mulheres de idade avançada voltarão a sentar-se nas praças de Jerusalém, cada um com sua bengala, por causa da idade.”
  15. “As ruas da cidade ficarão cheias de meninos e meninas brincando”.
  16. “Mesmo que isso pareça impossível para o remanescente deste povo naquela época, será impossível para mim? “, declara o SENHOR dos Exércitos.
  17. “Salvarei meu povo dos países do leste e do oeste. Eu os trarei de volta para que habitem em Jerusalém; serão meu povo e eu serei o Deus deles, com fidelidade e justiça”.
  18. “Vocês que estão ouvindo hoje estas palavras já proferidas pelos profetas quando foram lançados os alicerces do templo do SENHOR dos Exércitos, fortaleçam as mãos para que o templo seja construído.”
  19. “Pois antes daquele tempo não havia salários para os homens nem para os animais.”
  20. “Ninguém podia tratar os seus negócios com segurança por causa de seus adversários, porque eu tinha posto cada um contra o seu próximo.”
  21. “Mas agora não vou mais tratar com o remanescente deste povo como fiz no passado”, declara o SENHOR dos Exércitos.”
  22. “Haverá uma rica semeadura, a videira dará o seu fruto, a terra produzirá suas colheitas e o céu derramará o orvalho. E darei todas essas coisas como uma herança ao remanescente deste povo.”
  23. “Assim como vocês foram uma maldição para as nações, ó Judá e Israel, também os salvarei e vocês serão uma bênção. Não tenham medo, antes sejam fortes.”
  24. “Assim como eu havia decidido castigar vocês sem compaixão quando os seus antepassados me enfureceram”, diz o SENHOR dos Exércitos, “Também agora decidi fazer de novo o bem a Jerusalém e a Judá. Não tenham medo!
  25. “Eis o que devem fazer: Falem somente a verdade uns com os outros, e julguem retamente em seus tribunais.”
  26. “Não planejem no íntimo o mal contra o seu próximo, e não queiram jurar com falsidade. Porque eu odeio todas essas coisas”, declara o SENHOR.
  27. “Os jejuns do quarto, do quinto, do sétimo e do décimo meses serão ocasiões alegres e cheias de júbilo, festas felizes para o povo de Judá. Por isso amem a verdade e a paz”.
  28. “Povos e habitantes de muitas cidades ainda virão, e os habitantes de uma cidade irão a outra e dirão: ‘Vamos logo suplicar o favor do SENHOR e buscar o SENHOR dos Exércitos. Eu mesmo já estou indo’.
  29. “E muitos povos e nações poderosas virão buscar o SENHOR dos Exércitos em Jerusalém e suplicar o seu favor”.
  30. “Naqueles dias, dez homens de todas as línguas e nações agarrarão firmemente a barra das vestes de um judeu e dirão: Nós vamos com você porque ouvimos dizer que Deus está com vocês”.

Fontes: Zacarias 7 e 8

Capítulo 24 – Dário o Persa

  1. Quando os inimigos de Judá e de Benjamim souberam que os exilados estavam reconstruindo o templo do SENHOR, o Deus de Israel, foram falar com Zorobabel e com os chefes das famílias:
  2. “Vamos ajudá-los nessa obra porque, como vocês, nós buscamos o Deus de vocês e temos sacrificado a ele desde a época de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos trouxe para cá”.
  3. Contudo, Zorobabel, Jesua e os demais líderes das famílias de Israel responderam: “Não compete a vocês a reconstrução do templo de nosso Deus. Somente nós o construiremos para o SENHOR, o Deus de Israel, conforme Ciro, o rei da Pérsia, nos ordenou”.
  4. Então a gente da região começou a desanimar o povo de Judá e a atemorizá-lo, para que não continuassem a construção.
  5. Pagaram alguns funcionários para que se opusessem a eles e frustrassem o plano deles. E fizeram isso durante todo o reinado de Ciro até o reinado de Dario, reis da Pérsia.
  6. Assim a obra do templo de Deus em Jerusalém foi interrompida, e ficou parada até o segundo ano do reinado de Dario, rei da Pérsia.
  7. Ora, os profetas Ageu e Zacarias, descendente de Ido, profetizaram aos judeus de Judá e de Jerusalém, em nome do Deus de Israel, que estava sobre eles.
  8. Então Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesua, filho de Jozadaque, começaram a reconstruir o templo de Deus em Jerusalém. E os profetas de Deus estavam com eles e os ajudavam.
  9. Naquela época Tatenai, governador do território a oeste do Eufrates, Setar-Bozenai e seus companheiros foram perguntar a eles:
  10. “Quem os autorizou a reconstruir este templo e estes muros?” E como se chamam os homens que estão construindo este edifício?”
  11. Mas os olhos do seu Deus estavam sobre os líderes dos judeus, e eles não foram impedidos de trabalhar até que um relatório fosse enviado a Dario e dele se recebesse uma ordem oficial a respeito do assunto.
  12. Temos aqui uma cópia da carta que Tatenai, governador do território a oeste do Eufrates, Setar-Bozenai e seus companheiros, os funcionários do oeste do Eufrates, enviaram ao rei Dario.
  13. O relatório que lhe enviaram dizia o seguinte: “Ao rei Dario: Paz e prosperidade! Informamos ao rei que fomos à província de Judá, ao templo do grande Deus.
  14. “O povo o está reconstruindo com grandes pedras e colocando vigas de madeira nas paredes. A obra está sendo executada com diligência e está tendo rápido progresso.”
  15. Então perguntamos aos líderes: “Quem os autorizou a reconstruir este templo e estes muros? Também perguntamos os nomes dos líderes deles, para que registrássemos para a tua informação.”
  16. Esta é a resposta que nos deram: “Somos servos do Deus dos céus e da terra, e estamos reconstruindo o templo construído há muitos anos, templo que foi construído e terminado por um grande rei de Israel.”
  17. “Mas, visto que os nossos antepassados irritaram o Deus dos céus, ele os entregou nas mãos do babilônio Nabucodonosor, rei da Babilônia, que destruiu este templo e deportou o povo para a Babilônia.”
  18. “Contudo, no seu primeiro ano como rei de Babilônia, o rei Ciro emitiu um decreto ordenando a reconstrução desta casa de Deus.”
  19. “Ele até mesmo tirou do templo da Babilônia os utensílios de ouro e de prata da casa de Deus, os quais Nabucodonosor havia tirado do templo de Jerusalém e levara para o templo da Babilônia.
  20. “O rei Ciro os confiou a um homem chamado Sesbazar, ao qual tinha nomeado governador, e lhe disse: Leve estes utensílios e coloque-os no templo de Jerusalém, e reconstrua a casa de Deus em seu antigo local.”
  21. “Então Sesbazar veio e lançou os alicerces do templo de Deus em Jerusalém. Desde aquele dia ela tem estado em construção, mas ainda não foi concluída.”
  22. O rei Dario mandou então fazer uma pesquisa nos arquivos da Babilônia, onde se guardavam os tesouros.
  23. Encontrou-se um rolo na cidadela de Ecbatana, na província da Média, e nele estava escrito o seguinte, que Dario comunicou:
  24. “No primeiro ano do seu reinado o rei Ciro promulgou um decreto acerca do templo de Deus em Jerusalém, nestes termos: “
  25. “Que o templo seja reconstruído como local para apresentar sacrifícios, e que se lancem os seus alicerces.”
  26. “Ele terá vinte e sete metros de altura e vinte e sete metros de largura, com três carreiras de pedras grandes e uma carreira de madeira. O custo será pago pela tesouraria do rei.”
  27. “E os utensílios de ouro e de prata da casa de Deus que Nabucodonosor tirou do templo de Jerusalém e trouxe para a Babilônia serão devolvidos aos seus lugares no templo de Jerusalém; devem ser colocados na casa de Deus.”
  28. “Agora, então, Tatenai, governador do território a oeste do Eufrates, e Setar-Bozenai, e vocês, funcionários dessa província e amigos deles, mantenham-se afastados de lá.”
  29. “Não interfiram na obra que se faz nesse templo de Deus. Deixem o governador e os líderes dos judeus reconstruírem este templo de Deus em seu antigo local.”
  30. “Além disso, promulgo o seguinte decreto a respeito do que vocês farão por esses líderes dos judeus na construção deste templo de Deus:
  31. “As despesas destes homens serão integralmente pagas pela tesouraria do rei, do tributo recebido do território a oeste do Eufrates, para que a obra não pare.”
  32. “E o que for necessário: novilhos, carneiros, cordeiros para os holocaustos oferecidos ao Deus dos céus, e trigo, sal, vinho e azeite, conforme for solicitado pelos sacerdotes em Jerusalém, tudo deverá ser entregue diariamente a eles, sem falta,”
  33. “para que ofereçam sacrifícios agradáveis ao Deus dos céus e orem pelo bem-estar do rei e dos seus filhos.”
  34. “Além disso determino que, se alguém alterar este decreto, atravessem-lhe o corpo com uma viga tirada de sua casa e deixem-no empalado. E seja a casa dele transformada num monte de entulho.”
  35. “E que Deus, que fez o seu nome ali habitar, derrube qualquer rei ou povo que estender a mão para mudar este decreto ou para destruir esse templo de Jerusalém.”
  36. “Eu, Dario, o decretei. Que seja plenamente executado”.
  37. Então, em vista do decreto do rei Dario, Tatenai, governador do território a oeste do Eufrates, Setar-Bozenai e os companheiros deles o cumpriram plenamente.
  38. Dessa maneira, os líderes dos judeus continuaram a construir e a prosperar, encorajados pela pregação dos profetas Ageu e Zacarias, descendente de Ido.
  39. Eles terminaram a reconstrução do templo conforme a ordem do Deus de Israel e os decretos de Ciro, de Dario e de Artaxerxes, reis da Pérsia.
  40. O templo foi concluído no terceiro dia do mês de adar, no sexto ano do reinado do rei Dario.
  41. Então o povo de Israel, sacerdotes, levitas e o restante dos exilados, celebraram com alegria a dedicação do templo de Deus.
  42. Para a dedicação do templo de Deus ofereceram cem touros, duzentos carneiros, quatrocentos cordeiros e, como oferta pelo pecado de todo o Israel, doze bodes, de acordo com o número das tribos de Israel.
  43. E organizaram os sacerdotes em suas divisões e os levitas em seus grupos para o serviço de Deus em Jerusalém, de acordo com o que está escrito no Livro de Moisés.
  44. No décimo quarto dia do primeiro mês, os exilados celebraram a Páscoa.
  45. Os sacerdotes e os levitas tinham se purificado; estavam todos cerimonialmente puros.
  46. Os levitas sacrificaram o cordeiro da Páscoa para todos os exilados, para os seus colegas sacerdotes e para eles mesmos.
  47. Assim os israelitas, que tinham voltado do exílio, comeram do cordeiro, juntamente com todos que se haviam separado das práticas impuras de seus vizinhos gentios, a fim de buscarem o SENHOR, o Deus de Israel.
  48. Durante sete dias eles celebraram com alegria a festa dos pães sem fermento, pois o SENHOR os enchera de alegria ao mudar o coração do rei da Assíria, de maneira que ele lhes deu força para realizarem a obra de reconstrução do templo de Deus, do Deus de Israel.

Fonte: Esdras 4, 5 e 6

Capítulo 25 – Ageu

  1. No primeiro dia do sexto mês do segundo ano do reinado de Dario, a palavra do SENHOR veio por meio do profeta Ageu ao governador de Judá, Zorobabel, filho de Sealtiel, e ao sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque, dizendo:
  2. “Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Este povo afirma: Ainda não chegou o tempo de reconstruir a casa do SENHOR”.
  3. Por isso, a palavra do SENHOR veio novamente por meio do profeta Ageu: “Acaso é tempo de vocês morarem em casas de fino acabamento, enquanto a minha casa continua destruída? “
  4. Agora, assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Vejam aonde os seus caminhos os levaram.
  5. “Vocês têm plantado muito, e colhido pouco. Vocês comem, mas não se fartam. Bebem, mas não se satisfazem. Vestem-se, mas não se aquecem. Aquele que recebe salário, recebe-o para colocá-lo numa bolsa furada”.
  6. Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Vejam aonde os seus caminhos os levaram! Subam o monte para trazer madeira. Construam o templo, para que eu me alegre e nele seja glorificado”, diz o SENHOR.
  7. “Vocês esperavam muito, mas, para surpresa de vocês, acabou sendo pouco. E o que vocês trouxeram para casa eu dissipei com um sopro. E por que fiz isso?”, pergunta o SENHOR dos Exércitos.
  8. “Por causa do meu templo, que ainda está destruído, enquanto cada um de vocês se ocupa com a sua própria casa.
  9. Por isso, por causa de vocês, o céu reteu o orvalho e a terra deixou de dar o seu fruto.
  10. Provoquei uma seca nos campos e nos montes, que atingiu o trigo, o vinho, o azeite e tudo mais que a terra produz, e também os homens e o gado. O trabalho das mãos de vocês foi prejudicado”.
  11. Zorobabel, filho de Sealtiel, o sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque, e todo o restante do povo obedeceram à voz do SENHOR, o seu Deus, por causa das palavras do profeta Ageu, a quem o SENHOR, o seu Deus, enviara. E o povo temeu ao SENHOR.
  12. Então Ageu, o mensageiro do SENHOR, trouxe esta mensagem do SENHOR para o povo: “Eu estou com vocês”, declara o SENHOR.
  13. Assim o SENHOR encorajou o governador de Judá, Zorobabel, filho de Sealtiel, o sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque, e todo o restante do povo,
  14. De modo que eles começaram a trabalhar no templo do SENHOR dos Exércitos, o seu Deus, no dia vinte e quatro do sexto mês do segundo ano do reinado de Dario.
  15. No dia vinte e um do sétimo mês, veio a palavra do SENHOR por meio do profeta Ageu:
  16. “Pergunte ao governador de Judá, Zorobabel, filho de Sealtiel, ao sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque, e ao restante do povo, o seguinte:”
  17. “Quem de vocês viu este templo em seu primeiro esplendor? Comparado com ele, não é como nada o que vocês vêem agora?”
  18. “Coragem, Zorobabel”, declara o SENHOR. “Coragem, sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque. Coragem! Ao trabalho, ó povo da terra! “, declara o SENHOR. “Porque eu estou com vocês”, declara o SENHOR dos Exércitos.”
  19. “Esta é a aliança que fiz com vocês quando vocês saíram do Egito: “Meu espírito está entre vocês. Não tenham medo”.
  20. Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Dentro de pouco tempo farei tremer o céu, a terra, o mar e o continente.”
  21. “Farei tremer todas as nações, que trarão para cá os seus tesouros, e encherei este templo de glória”, diz o SENHOR dos Exércitos.”
  22. “Tanto a prata quanto o ouro me pertencem”, declara o SENHOR dos Exércitos.
  23. “A glória deste novo templo será maior do que a do antigo”, diz o SENHOR dos Exércitos. “E neste lugar estabelecerei a paz”, declara o SENHOR dos Exércitos.
  24. No dia vinte e quatro do nono mês, no segundo ano do reinado de Dario, a palavra do SENHOR veio ao profeta Ageu: “Assim diz o SENHOR dos Exércitos: ‘Pergunte aos sacerdotes sobre a seguinte questão da Lei:”
  25. “Se alguém levar carne consagrada na borda de suas vestes, e com ela tocar num pão, ou em algo cozido, ou em vinho, ou em azeite ou em qualquer comida, isso ficará consagrado?” Os sacerdotes responderam: “Não”.
  26. Em seguida perguntou Ageu: “Se alguém ficar impuro por tocar num cadáver e depois tocar em alguma dessas coisas, ela ficará impura?
  27. “Sim”, responderam os sacerdotes, “ficará impura”.
  28. Então disse Ageu: “É o que acontece com este povo e com esta nação”, declara o SENHOR. “Tudo o que fazem e tudo o que me oferecem é impuro”.
  29. “Agora prestem atenção: de hoje em diante reconsiderem. Como eram as coisas antes que se colocasse pedra sobre pedra no templo do SENHOR?”
  30. “Quando alguém chegava a um monte de trigo procurando vinte medidas, havia apenas dez.”
  31. “Quando alguém ia ao depósito de vinho para tirar cinqüenta medidas, só encontrava vinte.”
  32. “Eu destruí todo o trabalho das mãos de vocês, com mofo, ferrugem e granizo, mas vocês não se voltaram para mim”, declara o SENHOR.
  33. “A partir de hoje, dia vinte e quatro do nono mês, atentem para o dia em que os fundamentos do templo do SENHOR foram lançados.
  34. “Reconsiderem: Ainda há alguma semente no celeiro? Até hoje a videira, a figueira, a romeira e a oliveira não têm dado fruto. Mas, de hoje em diante, abençoarei vocês”.
  35. A palavra do SENHOR veio a Ageu pela segunda vez, no dia vinte e quatro do nono mês: “Diga a Zorobabel, governador de Judá, que eu farei tremer o céu e a terra.”
  36. “Derrubarei tronos e destruirei o poder dos reinos estrangeiros. Virarei os carros e os seus condutores; os cavalos e os seus cavaleiros cairão, cada um pela espada do seu companheiro”.
  37. “Naquele dia”, declara o SENHOR dos Exércitos, “eu o tomarei, meu servo Zorobabel, filho de Sealtiel”, declara o SENHOR, “e farei de você um anel de selar, porque o tenho escolhido”, declara o SENHOR dos Exércitos.

Fontes: Ageu 1 e 2

Capítulo 26 – Xerxes

  1. Foi no tempo de Xerxes, que reinou sobre cento e vinte e sete províncias, desde a Índia até a Etiópia. Ela reinava em seu trono na cidadela de Susã e, no terceiro ano do seu reinado, deu um banquete a todos os seus nobres e seus oficiais.
  2. No jardim interno do palácio, o rei deu um banquete de sete dias para todo o povo que estava na cidadela de Susã, do mais rico ao mais pobre.
  3. O jardim possuía forrações em branco e azul, presas com cordas de linho branco, tecido vermelho ligado por anéis de prata em colunas de mármore.
  4. Tinha assentos de ouro e prata num piso de mosaicos de pórfiro, mármore, madrepérola e outras pedras preciosas.
  5. Pela generosidade do rei, o vinho real era servido em grande quantidade, em diferentes taças de ouro.
  6. Por ordem real, cada convidado tinha permissão de beber conforme desejasse, pois o rei tinha instruído todos os mordomos do palácio que os servissem à vontade.
  7. Enquanto isso, a rainha Vasti também oferecia um banquete às mulheres, no palácio do rei Xerxes.
  8. Ao sétimo dia, quando o rei Xerxes já estava alegre por causa do vinho, ordenou que os sete oficiais que o serviam: Meumã, Bizta, Harbona, Bigtá, Abagta, Zetar e Carcas, trouxessem à sua presença a rainha Vasti, usando a coroa real, para mostrar sua beleza aos súditos e aos nobres, pois ela era muito bonita.
  9. Quando, porém, os oficiais transmitiram a ordem do rei à rainha Vasti, esta se recusou a ir, de modo que o rei ficou furioso e indignado.
  10. Como era costume o rei consultar especialistas em questões de direito e justiça, ele mandou chamar os sábios que entendiam das leis.
  11. E eram muito amigos do rei: Carsena, Setar, Adamata, Társis, Meres, Marsena e Memucã; os sete nobres da Pérsia e da Média que tinham acesso direto ao rei e eram os mais importantes do reino.
  12. Então Memucã respondeu na presença do rei e dos nobres: “A rainha Vasti não ofendeu somente ao rei, mas também a todos os nobres e os povos de todas as províncias do rei Xerxes.”
  13. Ora, na cidadela de Susã havia um judeu chamado Mardoqueu, da tribo de Benjamim, filho de Jair, neto de Simei e bisneto de Quis, que fora levado de Jerusalém para o exílio por Nabucodonosor entre os que foram levados prisioneiros com Joaquim, rei de Judá.
  14. Mardoqueu tinha uma prima chamada Hadassa, que havia sido criada por ele, por não ter pai nem mãe.
  15. Essa moça, também conhecida como Ester, era atraente e muito bonita, e Mardoqueu a havia tomado como filha quando o pai e a mãe dela morreram.
  16. Quando a ordem e o decreto do rei foram proclamados, muitas moças foram trazidas à cidadela de Susã e colocadas sob os cuidados de Hegai.
  17. Ester também foi trazida ao palácio do rei e confiada a Hegai, encarregado do harém.
  18. A moça o agradou e ele a favoreceu. Ele logo lhe providenciou tratamento de beleza e comida especial. Designou-lhe sete moças escolhidas do palácio do rei e transferiu-a, junto com suas jovens, para o melhor lugar do harém.
  19. Ester não tinha revelado a que povo pertencia nem a origem da sua família, pois Mardoqueu a havia proibido de fazê-lo.
  20. Quando ia apresentar-se ao rei, a moça recebia tudo o que quisesse levar consigo do harém para o palácio do rei.
  21. À tarde ela ia para lá e de manhã voltava para outra parte do harém, que ficava sob os cuidados de Saasgaz, oficial responsável pelas concubinas. Ela não voltava ao rei, a menos que dela ele se agradasse e a mandasse chamar pelo nome.
  22. Quando chegou a vez de Ester, a moça adotada por Mardoqueu, filha de seu tio Abiail, ela não pediu nada além daquilo que Hegai, oficial responsável pelo harém, sugeriu. Ester agradava a todos os que a viam.
  23. Ela foi levada ao rei Xerxes, à residência real, no décimo mês, o mês de tebete, no sétimo ano do seu reinado.
  24. O rei gostou mais de Ester do que de qualquer outra mulher, e ela foi favorecida por ele e ganhou sua aprovação mais do que qualquer das outras virgens. Então ele lhe colocou uma coroa real e tornou-a rainha no lugar de Vasti.
  25. Todos os oficiais do palácio real curvavam-se e prostravam-se diante de Hamã, conforme as ordens do rei. Mardoqueu, porém, não se curvava nem se prostrava diante dele pois dizia que era judeu.
  26. Quando Hamã viu que Mardoqueu não se curvava nem se prostrava, ficou muito irado. Contudo, sabendo quem era o povo de Mardoqueu, achou que não bastava matá-lo.
  27. Em vez disso, Hamã procurou uma forma de exterminar todos os judeus, o povo de Mardoqueu, em todo o império de Xerxes.
  28. No primeiro mês do décimo segundo ano do reinado do rei Xerxes, no mês de nisã, lançaram o pur, isto é a sorte, na presença de Hamã para escolher um dia e um mês para executar o plano, e foi sorteado o décimo segundo mês, o mês de adar.
  29. Então Hamã disse ao rei Xerxes: “Existe certo povo disperso e espalhado entre os povos de todas as províncias de teu império, cujos costumes são diferentes dos de todos os outros povos e que não obedecem às leis do rei; não convém ao rei tolerá-los.”
  30. Então o rei tirou seu anel-selo do dedo, deu-o a Hamã, o inimigo dos judeus, filho de Hamedata, descendente de Agague, e disse: “Faça com o povo o que você achar melhor”.
  31. Assim, no décimo terceiro dia do primeiro mês os secretários do rei foram convocados.
  32. Hamã ordenou que escrevessem cartas na língua e na escrita de cada povo aos sátrapas do rei, aos governadores das várias províncias e aos chefes de cada povo. Tudo foi escrito em nome do rei Xerxes e selado com o seu anel.
  33. As cartas foram enviadas por mensageiros a todas as províncias do império com a ordem de exterminar e aniquilar completamente todos os judeus, jovens e idosos, mulheres e crianças, num único dia, o décimo terceiro dia do décimo segundo mês, o mês de adar, e de saquear os seus bens.
  34. Quando Mardoqueu soube de tudo o que tinha acontecido, rasgou as vestes, vestiu-se de pano de saco e cinza, e saiu pela cidade, chorando amargamente em alta voz.
  35. Em cada província onde chegou o decreto com a ordem do rei, houve grande pranto entre os judeus, com jejum, choro e lamento.
  36. Quando as criadas de Ester e os oficiais responsáveis pelo harém lhe contaram sobre Mardoqueu, ela ficou muito aflita e mandou-lhe roupas para que ele as vestisse e tirasse o pano de saco; mas ele não quis aceitá-las.
  37. Três dias depois, Ester vestiu seus trajes de rainha e colocou-se no pátio interno do palácio, em frente ao salão do rei. O rei estava no trono, de frente para a entrada.
  38. Quando viu a rainha Ester ali no pátio, teve misericórdia dela e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão. Ester aproximou-se e tocou a ponta do cetro.
  39. E o rei lhe perguntou: “Que há, rainha Ester? Qual é o seu pedido? Mesmo que seja a metade do reino, lhe será dado”.
  40. Respondeu Ester: “Se for do agrado do rei, venha com Hamã a um banquete que lhe preparei”.
  41. Então o rei e Hamã foram ao banquete que Ester havia preparado. Naquele dia Hamã saiu alegre e contente.
  42. Enquanto estavam bebendo vinho no segundo dia, o rei perguntou de novo: “Rainha Ester, qual é o seu pedido? Você será atendida. Qual o seu desejo? Mesmo que seja a metade do reino, isso lhe será concedido”.
  43. Então a rainha Ester respondeu: “Se posso contar com o favor do rei, e se isto lhe agrada, poupe a minha vida e a vida do meu povo; este é o meu pedido e o meu desejo. Pois eu e meu povo fomos vendidos para destruição, morte e aniquilação”.
  44. O rei Xerxes perguntou à rainha Ester: “Quem se atreveu a uma coisa dessas? Onde está ele?”
  45. Respondeu Ester: “O adversário e inimigo é Hamã, esse perverso”. Diante disso, Hamã ficou apavorado na presença do rei e da rainha.
  46. Furioso, o rei levantou-se, deixou o vinho, saiu dali e foi para o jardim do palácio. Então exclamou: “Chegaria ele ao cúmulo de violentar a rainha na minha presença e em minha própria casa?”
  47. Mal o rei terminou de dizer isso, alguns oficiais cobriram o rosto de Hamã.
  48. Um deles, chamado Harbona, que estava a serviço do rei, disse: “Há uma forca de mais de vinte metros de altura junto à casa de Hamã, que ele fez para Mardoqueu”.
  49. Então o rei ordenou: “Enforquem-no nela!” Assim Hamã morreu na forca que tinha preparado para Mardoqueu; e a ira do rei se acalmou.
  50. O rei Xerxes respondeu à rainha Ester e ao judeu Mardoqueu: “Escrevam agora outro decreto em nome do rei, em favor dos judeus, como melhor lhes parecer, e selem-no com o anel-selo do rei”.
  51. Mardoqueu escreveu em nome do rei Xerxes, selou as cartas com o anel-selo do rei, e as enviou por meio de mensageiros montados em cavalos velozes, das estrebarias do próprio rei.
  52. O decreto do rei concedia aos judeus de cada cidade o direito de reunir-se e de proteger-se, de destruir, matar e aniquilar qualquer força armada de qualquer povo ou província que os ameaçasse e de saquear os bens dos seus inimigos.
  53. O decreto entrou em vigor nas províncias do rei Xerxes no décimo terceiro dia do décimo segundo mês, o mês de adar.
  54. Naquele dia os inimigos dos judeus esperavam vencê-los, mas aconteceu o contrário.
  55. Os judeus dominaram aqueles que os odiavam, reunindo-se em suas cidades, em todas as províncias do rei Xerxes, para atacar os que buscavam a sua destruição.
  56. Os judeus feriram todos os seus inimigos à espada, matando-os e destruindo-os, e fizeram o que quiseram com os seus inimigos.
  57. Na cidadela de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos homens.
  58. Também mataram Parsandata, Dalfom, Aspata, Porata, Adalia, Aridata, Farmasta, Arisai, Aridai e Vaisata, os dez filhos de Hamã, filho de Hamedata, o inimigo dos judeus. Mas não se apossaram dos seus bens.
  59. Os judeus de Susã ajuntaram-se no décimo quarto dia do mês de adar e mataram trezentos homens em Susã, mas não se apossaram de seus bens.
  60. Enquanto isso, ajuntou-se também o restante dos judeus que viviam nas províncias do império, para se protegerem e se livrarem dos seus inimigos. Eles mataram setenta e cinco mil deles, mas não se apossaram de seus bens.
  61. Isso aconteceu no décimo terceiro dia do mês de adar, e no décimo quarto dia descansaram e fizeram dessa data um dia de festa e de alegria.
  62. Por isso os judeus que vivem em vilas e povoados comemoram o décimo quarto dia do mês de adar como um dia de festa e de alegria, um dia de troca de presentes.
  63. Assim os judeus adotaram como costume aquela comemoração, conforme o que Mardoqueu lhes tinha ordenado por escrito.
  64. Pois Hamã, filho do agagita Hamedata, inimigo de todos os judeus, tinha tramado contra eles para destruí-los e tinha lançado o pur, isto é, a sorte para a ruína e destruição deles. Por isso aqueles dias foram chamados Purim, da palavra pur.
  65. O judeu Mardoqueu foi o segundo na hierarquia, depois do rei Xerxes.
  66. Era homem importante entre os judeus e foi muito amado por todos os judeus, pois trabalhou para o bem do seu povo e promoveu o bem-estar de todos eles.

Fonte: Ester 1 a 10.

Capítulo 27 – Artaxerxes

  1. Depois dessas coisas, no reinado de Artaxerxes, rei da Pérsia, vivia Esdras, filho de Seraías, filho de Azarias, filho de Hilquias, filho de Salum, filho de Zadoque, filho de Aitube,
    filho de Amarias, filho de Azarias, filho de Meraiote, filho de Zeraías, filho de Uzi, filho de Buqui, filho de Abisua, filho de Finéias, filho de Eleazar, filho do sumo sacerdote Arão.
  2. Este Esdras veio da Babilônia. Ele era um escriba que conhecia muito a Lei de Moisés dada pelo SENHOR, o Deus de Israel.
  3. O rei lhe concedera tudo o que ele tinha pedido, pois a mão do SENHOR, o seu Deus, estava sobre ele.
  4. Alguns dos israelitas, inclusive sacerdotes, levitas, cantores, porteiros e servidores do templo, também foram para Jerusalém no sétimo ano do reinado de Artaxerxes.
  5. Esdras chegou a Jerusalém no quinto mês do sétimo ano desse reinado.
  6. No dia primeiro do primeiro mês ele saiu da Babilônia, e chegou a Jerusalém no primeiro dia do quinto mês, porquanto a boa mão de seu Deus estava sobre ele.
  7. Pois Esdras tinha decidido dedicar-se a estudar a Lei do SENHOR e a praticá-la, e a ensinar os seus decretos e mandamentos aos israelitas.
  8. Temos aqui uma cópia da carta que o rei Artaxerxes entregou ao sacerdote e escriba Esdras, conhecedor dos mandamentos e decretos do SENHOR para Israel:
  9. “Artaxerxes, rei dos reis, ao sacerdote Esdras, escriba da Lei do Deus dos céus: “Paz e prosperidade! Estou decretando que qualquer israelita em meu reino, inclusive sacerdotes e levitas, que desejar ir a Jerusalém com você, poderá fazê-lo.”
  10. “Você está sendo enviado pelo rei e por seus sete conselheiros para fazer uma investigação em Judá e em Jerusalém com respeito à Lei do seu Deus, que está nas suas mãos.”
  11. “Além disso, você levará a prata e o ouro que o rei e seus conselheiros voluntariamente ofereceram ao Deus de Israel, cuja habitação está em Jerusalém, juntamente com toda a prata e ouro que você receber da província da Babilônia, bem como as ofertas voluntárias do povo e dos sacerdotes para o templo do Deus deles em Jerusalém.”
  12. “Com esse dinheiro compre novilhos, carneiros e cordeiros, como também o que for necessário para as suas ofertas de cereal e de bebida, e sacrifique-os no altar do templo do seu Deus em Jerusalém.”
  13. “Você e seus irmãos poderão fazer o que acharem melhor com o restante da prata e do ouro, de acordo com a vontade do seu Deus.”
  14. “Entregue ao Deus de Jerusalém todos os utensílios que foram confiados a você para o culto no templo de seu Deus.”
  15. “E todas as demais despesas necessárias com relação ao templo de seu Deus serão pagas pelo tesouro real.”
  16. “Agora eu, o rei Artaxerxes, ordeno a todos os tesoureiros do território a oeste do Eufrates que forneçam tudo o que o sacerdote Esdras, escriba da Lei do Deus dos céus, solicitar a vocês, até três toneladas e meia de prata, cem tonéis de trigo, dez barris de vinho, dez barris de azeite de oliva, e sal à vontade.”
  17. “Tudo o que o Deus dos céus tenha prescrito, que se faça com presteza para o templo do Deus dos céus, para que a sua ira não venha contra o império do rei e dos seus descendentes.”
  18. “Saibam também que vocês não têm autoridade para exigir impostos, tributos ou taxas de nenhum sacerdote, levita, cantor, porteiro, servidor do templo e de todos quantos trabalham neste templo de Deus.”
  19. “E você, Esdras, com a sabedoria que o seu Deus lhe deu, nomeie magistrados e juízes para ministrarem justiça a todo o povo do território a oeste do Eufrates, a todos os que conhecem as leis do seu Deus. E aos que não as conhecem, você deverá ensiná-las.”
  20. “Aquele que não obedecer à lei do Deus de vocês e à lei do rei seja punido com a morte, ou com o exílio, ou com o confisco de bens ou com a prisão”.
  21. Bendito seja o SENHOR, o Deus de nossos antepassados, que pôs no coração do rei o propósito de honrar desta maneira o templo do SENHOR em Jerusalém, e que, por sua bondade, levou o rei, os seus conselheiros e todos os seus altos oficiais.
  22. Como a mão do SENHOR meu Deus esteve sobre mim, tomei coragem e reuni alguns líderes de Israel para me acompanharem.
  23. Estes são os chefes de suas famílias e dos que com eles foram registrados, os quais saíram comigo da Babilônia durante o reinado do rei Artaxerxes:
  24. dos descendentes de Finéias, Gérson; dos descendentes de Itamar, Daniel; dos descendentes de Davi, Hatus, dos descendentes de Secanias;
  25. dos descendentes de Parós, Zacarias, sendo registrados com ele 150 homens;
  26. dos descendentes de Paate-Moabe, Elioenai, filho de Zeraías, e com ele 200 homens;
  27. dos descendentes de Zatu, Secanias, filho de Jaaziel, e com ele 300 homens;
  28. dos descendentes de Adim, Ebede, filho de Jônatas, e com ele 50 homens;
  29. dos descendentes de Elão, Jesaías, filho de Atalias, e com ele 70 homens;
  30. dos descendentes de Sefatias, Zebadias, filho de Micael, e com ele 80 homens;
  31. dos descendentes de Joabe, Obadias, filho de Jeiel, e com ele 218 homens;
  32. dos descendentes de Bani, Selomite, filho de Josifias, e com ele 160 homens;
  33. dos descendentes de Bebai, Zacarias, filho de Bebai, e com ele 28 homens;
  34. dos descendentes de Azgade, Joanã, filho de Hacatã, e com ele 110 homens;
  35. dos descendentes de Adonicão, os últimos que chegaram, Elifelete, Jeiel e Semaías, e com eles 60 homens;
  36. dos descendentes de Bigvai, Utai e Zabude, e com eles 70 homens.
  37. Eu os reuni junto ao canal que corre para Aava, e acampamos ali por três dias. Quando passei em revista o povo e os sacerdotes, não encontrei nenhum levita.
  38. Por isso convoquei Eliézer, Ariel, Semaías, Elnatã, Jaribe, Elnatã, Natã, Zacarias e Mesulão, que eram líderes, e Joiaribe e Natã, que eram homens sábios, e eu os enviei a Ido, o líder de Casifia.
  39. Eu lhes falei o que deveriam dizer a Ido e aos parentes dele, os servidores do templo, em Casifia, para que nos trouxessem servidores para o templo de nosso Deus.
  40. Como a bondosa mão de Deus estava sobre nós, eles nos trouxeram Serebias, homem capaz, dentre os descendentes de Mali, filho de Levi, neto de Israel, e os filhos e irmãos de Serebias, dezoito homens.
  41. E também Hasabias, acompanhado de Jesaías, dentre os descendentes de Merari, e seus irmãos e filhos, vinte homens.
  42. Eles trouxeram ainda duzentos e vinte dos servidores do templo, um grupo que Davi e os seus oficiais tinham formado para ajudar os levitas. Todos eles tinham seus nomes registrados.
  43. Ali, junto ao canal de Aava, proclamei um jejum, a fim de que nos humilhássemos diante do nosso Deus e lhe pedíssemos uma viagem segura para nós e nossos filhos, com todos os nossos bens.
  44. Tive vergonha de pedir soldados e cavaleiros ao rei para nos protegerem dos inimigos na estrada, pois tínhamos dito ao rei: “A mão bondosa de nosso Deus está sobre todos os que o buscam, mas o seu poder e a sua ira são contra todos os que o abandonam”.
  45. Por isso jejuamos e suplicamos essa bênção ao nosso Deus, e ele nos atendeu.
  46. Depois separei doze dos principais sacerdotes, a saber, Serebias, Hasabias e com eles, dez dos seus irmãos,
  47. E pesei diante deles a oferta de prata e de ouro e os utensílios que o rei, seus conselheiros, seus oficiais e todo o Israel ali presente tinham doado para a casa de nosso Deus.
  48. Pesei e entreguei-lhes vinte e duas toneladas e setecentos e cinqüenta quilos de prata, três toneladas e meia de utensílios de prata, três toneladas e meia de ouro, vinte tigelas de ouro pesando oito quilos e meio, e dois utensílios finos de bronze polido, tão valiosos quanto ouro.
  49. E eu lhes disse: Tanto vocês quanto estes utensílios estão consagrados ao SENHOR. A prata e o ouro são uma oferta voluntária ao SENHOR, o Deus dos seus antepassados.
  50. Guardem-nos bem até que os pesem nas salas do templo do SENHOR em Jerusalém diante dos sacerdotes principais, dos levitas e dos chefes das famílias de Israel.
  51. Então os sacerdotes e os levitas receberam a prata, o ouro e os utensílios sagrados, depois que tinham sido pesados, para levá-los a Jerusalém, ao templo do nosso Deus.
  52. No décimo segundo dia do primeiro mês nós partimos do canal de Aava e fomos para Jerusalém. A mão do nosso Deus esteve sobre nós, e ele nos protegeu do ataque de inimigos e assaltantes pelo caminho.
  53. Assim chegamos a Jerusalém, e ficamos descansando três dias.
  54. No quarto dia, no templo do nosso Deus, pesamos a prata, o ouro e os utensílios sagrados, e os demos a Meremote, filho do sacerdote Urias.
  55. Estavam com ele Eleazar, filho de Finéias, e os levitas Jozabade, filho de Jesua, e Noadias, filho de Binui.
  56. Tudo foi contado e pesado, e o peso total foi registrado naquela mesma hora.
  57. Então os exilados que tinham voltado do cativeiro sacrificaram holocaustos ao Deus de Israel: doze touros em favor de todo o Israel, noventa e seis carneiros, setenta e sete cordeiros e, como oferta pelo pecado, doze bodes. Tudo isso foi oferecido como um holocausto ao SENHOR.
  58. Eles também entregaram as ordens do rei aos sátrapas e aos governadores do território a oeste do Eufrates, e eles ajudaram o povo na obra do templo de Deus.

Fonte: Esdras 7 e 8

Capítulo 28 – Neemias

  1. As palavras de Neemias, filho de Hacalias: No mês de quisleu, no vigésimo ano de Artaxerxes, enquanto eu estava na cidade de Susã, Hanani, um dos meus irmãos, veio de Judá com alguns outros homens.
  2. Eu lhes perguntei acerca dos judeus que restaram, os sobreviventes do cativeiro, e também sobre Jerusalém.
  3. E eles me responderam: “Aqueles que sobreviveram ao cativeiro e estão lá na província, passam por grande sofrimento e humilhação. O muro de Jerusalém foi derrubado, e suas portas foram destruídas pelo fogo”.
  4. Quando ouvi essas coisas, sentei-me e chorei. Passei dias lamentando, jejuando e orando ao Deus dos céus.
  5. Então eu disse: “SENHOR, Deus dos céus, Deus grande e temível, fiel à aliança e misericordioso com os que o amam e obedecem aos seus mandamentos, que os teus ouvidos estejam atentos e os teus olhos estejam abertos para ouvir a oração que o teu servo está fazendo dia e noite diante de ti em favor de teus servos, o povo de Israel.”
  6. “Confesso os pecados que nós, os israelitas, temos cometido contra ti. Sim, eu e o meu povo temos pecado contra ti.”
  7. “Agimos de forma corrupta e vergonhosa contra ti. Não temos obedecido aos mandamentos, aos decretos e às leis que deste ao teu servo Moisés.”
  8. “Lembra-te agora do que disseste a Moisés, teu servo: Se vocês forem infiéis, eu os espalharei entre as nações.”
  9. “Mas, se voltarem para mim, e obedecerem aos meus mandamentos e os puserem em prática, mesmo que vocês estejam espalhados pelos lugares mais distantes debaixo do céu, de lá eu os reunirei e os trarei para o lugar que escolhi para estabelecer o meu nome”.
  10. “Estes são os teus servos, o teu povo. Tu os resgataste com o teu grande poder e com o teu braço forte.”
  11. “SENHOR, que os teus ouvidos estejam atentos à oração deste teu servo e à oração dos teus servos que têm prazer em temer o teu nome.”
  12. “Faze que hoje este teu servo seja bem sucedido, concedendo-lhe a benevolência deste homem.”
  13. Nessa época, eu era o copeiro do rei. No mês de nisã do vigésimo ano do rei Artaxerxes, na hora de servir-lhe o vinho, levei-o ao rei.
  14. Nunca antes eu tinha estado triste na presença dele; por isso o rei me perguntou: “Por que o seu rosto parece tão triste, se você não está doente? Essa tristeza só, pode ser do coração!”
  15. Com muito medo, eu disse ao rei: “Que o rei viva para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, se a cidade em que estão sepultados os meus pais está em ruínas, e as suas portas foram destruídas pelo fogo? “
  16. O rei me disse: “O que você gostaria de pedir?” Então orei ao Deus dos céus.
  17. Respondi ao rei: “Se for do agrado do rei e se o seu servo puder contar com a benevolência do rei, que ele me deixe ir à cidade de Judá onde meus pais estão enterrados, para que eu possa reconstruí-la”.
  18. Então o rei, com a rainha sentada ao seu lado, perguntou-me: “Quanto tempo levará a viagem? Quando você voltará?”
  19. Eu Marquei um prazo com o rei, e ele concordou que eu fosse; e a seguir acrescentei: “Se for do agrado do rei, que me dê cartas aos governadores do Trans-Eufrates para que me deixem passar até chegar a Judá.”
  20. “Que me dê também uma carta para Asafe, guarda da floresta do rei, para que ele me forneça madeira para as vigas das portas da cidadela que fica junto ao templo, do muro da cidade e da residência que irei ocupar.”
  21. Visto que a bondosa mão de Deus estava sobre mim, o rei atendeu os meus pedidos.
  22. Com isso fui aos governadores do Trans-Eufrates e lhes entreguei as cartas do rei. O rei fez-me acompanhar uma escolta de oficiais do exército e de cavaleiros.
  23. Sambalate, o horonita, e Tobias, o oficial amonita, ficaram muito irritados quando que alguém estava interessado no bem dos israelitas.
  24. Cheguei a Jerusalém e, depois de três dias de permanência ali, saí de noite com alguns dos meus amigos.
  25. Eu não havia contado a ninguém o que o meu Deus havia posto em meu coração que eu fizesse por Jerusalém. Não levava nenhum outro animal além daquele em que eu estava montado.
  26. De noite saí pela porta do Vale na direção da fonte do Dragão e da porta do Esterco, examinando o muro de Jerusalém que havia sido derrubado, e suas portas, que haviam sido destruídas pelo fogo.
  27. Fui até a porta da Fonte e do tanque do rei, mas ali não havia espaço para o meu animal passar.
  28. Por isso subi o vale, de noite, examinando o muro. Finalmente voltei e tornei a entrar pela porta do Vale.
  29. Os oficiais não sabiam aonde eu tinha ido ou o que eu estava fazendo, pois até então eu não tinha dito nada aos judeus, aos sacerdotes, aos nobres, aos oficiais e aos outros que iriam realizar a obra.
  30. Então eu lhes disse: Vocês estão vendo a situação terrível em que estamos: Jerusalém está em ruínas, e suas portas foram destruídas pelo fogo. Venham, vamos reconstruir o muro de Jerusalém, para que não fiquemos mais nesta situação humilhante.
  31. Também lhes contei como Deus tinha sido bondoso comigo e o que o rei me tinha dito. Eles responderam: “Sim, vamos começar a reconstrução”. E se encorajaram para esse bom projeto.
  32. Quando, porém, Sambalate, o horonita, Tobias, o oficial amonita, e Gesém, o árabe, souberam disso, zombaram de nós, desprezaram-nos e perguntaram: “O que é isso que vocês estão fazendo? Estão se rebelando contra o rei? “
  33. Eu lhes respondi: “O Deus dos céus fará que sejamos bem sucedidos. Nós, os seus servos, começaremos a reconstrução, mas, no que lhes diz respeito, vocês não têm parte nem direito legal sobre Jerusalém, e em sua história não há nada de memorável que favoreça vocês!”
  34. O sumo sacerdote Eliasibe e os seus colegas sacerdotes começaram o seu trabalho e reconstruíram a porta das Ovelhas. Eles a consagraram e colocaram as portas no lugar.
  35. Depois construíram o muro até a torre dos Cem, que consagraram, e até a torre de Hananeel.
  36. Os homens de Jericó construíram o trecho seguinte, e Zacur, filho de Inri, construiu logo adiante.
  37. A porta do Peixe foi reconstruída pelos filhos de Hassenaá. Eles puseram as vigas e colocaram as portas, os ferrolhos e as trancas no lugar.
  38. Meremote, filho de Urias, neto de Coz, fez os reparos do trecho seguinte. Ao lado dele Mesulão, filho de Berequias, neto de Mesezabel, fez os reparos, e ao lado dele Zadoque, filho de Baaná, também fez os reparos.
  39. O trecho seguinte foi reparado pelos homens de Tecoa, mas os nobres dessa cidade não quiseram se juntar ao serviço, rejeitando a orientação de seus supervisores.
  40. A porta Jesaná foi consertada por Joiada, filho de Paséia, e por Mesulão, filho de Besodias. Eles puseram as vigas e colocaram as portas, os ferrolhos e as trancas no lugar.
  41. No trecho seguinte, os reparos foram feitos por homens de Gibeom e de Mispá, Melatias de Gibeom e Jadom de Meronote, locais que estavam sob a autoridade do governador da província do Trans-Eufrates.
  42. Uziel, filho de Haraías, um dos ourives, fez os reparos do trecho seguinte; e Hananias, um dos perfumistas, fez os reparos ao seu lado. Eles resconstruíram Jerusalém até o muro Largo.
  43. Refaías, filho de Hur, governador da metade do distrito de Jerusalém, fez os reparos do trecho seguinte.
  44. Ao seu lado, Jedaías, filho de Harumafe, fez os reparos em frente da sua casa, e Hatus, filho de Hasabnéias, fez os reparos ao lado dele.
  45. Malquias, filho de Harim, e Hassube, filho de Paate-Moabe, repararam outro trecho e a torre dos Fornos.
  46. Salum, filho de Haloés, governador da outra metade do distrito de Jerusalém, fez os reparos do trecho seguinte com a ajuda de suas filhas.
  47. A porta do Vale foi reparada por Hanum e pelos moradores de Zanoa. Eles a reconstruíram e colocaram as portas, os ferrolhos e as trancas no lugar. Também repararam quatrocentos e cinquenta metros do muro, até a porta do Esterco.
  48. A porta do Esterco foi reparada por Malquias, filho de Recabe, governador do distrito de Bete-Haquerém. Ele a reconstruiu e colocou as portas, os ferrolhos e as trancas no lugar.
  49. A porta da Fonte foi reparada por Salum, filho de Col-Hozé, governador do distrito de Mispá. Ele a reconstruiu, a cobriu e colocou as portas, os ferrolhos e as trancas no lugar.
  50. Também fez os reparos do muro do tanque de Siloé, junto ao jardim do Rei, até aos degraus que descem da cidade de Davi.
  51. Além dele, Neemias, filho de Azbuque, governador de meio distrito de Bete-Zur, fez os reparos até em frente dos túmulos de Davi, até o açude artificial e a casa dos soldados.
  52. Depois dele os reparos foram feitos pelos levitas que estavam sob a responsabilidade de Reum, filho de Bani. Junto a ele Hasabias, governador de meio distrito de Queila, fez os reparos em seu distrito.
  53. Depois dele os reparos foram feitos pelos seus compatriotas que estavam sob a responsabilidade de Binui, filho de Henadade, governador de meio distrito de Queila.
  54. Ao seu lado Ézer, filho de Jesua, governador de Mispá, reconstruiu outro trecho, começando de um ponto que fica em frente da subida para a casa das armas, indo até à esquina do muro.
  55. Depois dele Baruque, filho de Zabai, reparou com zelo outro trecho, desde a esquina do muro até à entrada da casa do sumo sacerdote Eliasibe.
  56. Em seguida Meremote, filho de Urias, neto de Coz, reparou outro trecho, desde a entrada da casa de Eliasibe até o fim dela.
  57. Os demais reparos foram feitos pelos sacerdotes das redondezas.
  58. Depois, Benjamim e Hassube fizeram os reparos em frente da sua casa; e ao lado deles Azarias, filho de Maaséias, filho de Ananias, fez os reparos ao lado de sua casa.
  59. Depois dele, Binui, filho de Henadade, reparou outro trecho, desde a casa de Azarias até à esquina do muro.
  60. E Palal, filho de Uzai, trabalhou em frente da esquina do muro e da torre que sai do palácio superior, perto do pátio da guarda.
  61. Junto a ele, Pedaías, filho de Parós, e os servos do templo que viviam na colina de Ofel fizeram os reparos até em frente da porta das Águas, na direção do leste e da torre que ali sobressaía.
  62. Depois dele os homens de Tecoa repararam outro trecho, desde a grande torre até o muro de Ofel.
  63. Acima da porta dos Cavalos, os sacerdotes fizeram os reparos, cada um em frente da sua própria casa.
  64. Depois deles Zadoque, filho de Imer, fez os reparos em frente da sua casa. Ao seu lado Semaías, filho de Secanias, o guarda da porta Oriental, fez os reparos.
  65. Depois, Hananias, filho de Selemias, e Hanum, filho de Zalafe, fez os reparos do outro trecho. Ao seu lado, Mesulão, filho de Berequias, fez os reparos em frente da sua moradia.
  66. Depois dele, Malquias, um ourives, fez os reparos do muro até à casa dos servos do templo e dos comerciantes, em frente à porta da Inspeção, até o posto de vigia da esquina;
  67. E entre a sala acima da esquina e a porta das Ovelhas os ourives e os comerciantes fizeram os reparos.

Fontes: Neemias 1, 2 e 3.

Capítulo 29 – Oposição

  1. Quando Sambalate soube que estávamos reconstruindo o muro, ficou furioso. Ridicularizou os judeus.
  2. Na presença de seus compatriotas e dos poderosos de Samaria, disse: “O que aqueles frágeis judeus estão fazendo? Será que vão restaurar o seu muro? Irão oferecer sacrifícios?”
  3. “Irão terminar a obra num só dia? Será que vão conseguir ressuscitar pedras de construção daqueles montes de entulho e de pedras queimadas?”
  4. Tobias, o amonita, que estava ao seu lado, completou: “Pois que construam! Basta que uma raposa suba lá, para que esse muro de pedras desabe!”
  5. “Ouve-nos, ó Deus, pois estamos sendo desprezados. Faze cair sobre eles a zombaria. E sejam eles levados prisioneiros como despojo para outra terra.”
  6. “Não perdoes os seus pecados nem apagues as suas maldades, pois provocaram a tua ira diante dos construtores.”
  7. Nesse meio tempo fomos reconstruindo o muro, até que em toda a sua extensão chegamos à metade da sua altura, pois o povo estava totalmente dedicado ao trabalho.
  8. Quando, porém, Sambalate, Tobias, os árabes, os amonitas e os homens de Asdode souberam que os reparos nos muros de Jerusalém tinham avançado e que as brechas estavam sendo fechadas, ficaram furiosos.
  9. Todos juntos planejaram atacar Jerusalém e causar confusão. Mas nós oramos ao nosso Deus e colocamos guardas de dia e de noite para proteger-nos deles.
  10. Enquanto isso, o povo de Judá começou a dizer: “Os trabalhadores já não têm mais forças e ainda há muito entulho. Por nós mesmos não conseguiremos reconstruir o muro”.
  11. E os nossos inimigos diziam: “Antes que descubram qualquer coisa ou nos vejam, estaremos bem ali no meio deles; vamos matá-los e acabar com o trabalho deles”.
  12. Os judeus que moravam perto deles dez vezes nos preveniram: “Para onde quer que vocês se virarem, saibam que seremos atacados de todos os lados”.
  13. Por isso posicionei alguns do povo atrás dos pontos mais baixos do muro, nos lugares abertos, divididos por famílias, armados de espadas, lanças e arcos.
  14. Fiz uma rápida inspeção e imediatamente disse aos nobres, aos oficiais e ao restante do povo: “Não tenham medo deles. Lembrem-se de que o SENHOR é grande e temível, e lutem por seus irmãos, por seus filhos e por suas filhas, por suas mulheres e por suas casas”.
  15. Quando os nossos inimigos descobriram que sabíamos de tudo e que Deus tinha frustrado a sua trama, todos nós voltamos para o muro, cada um para o seu trabalho.
  16. Daquele dia em diante, enquanto a metade dos meus homens fazia o trabalho, a outra metade permanecia armada de lanças, escudos, arcos e couraças.
  17. Os oficiais davam apoio a todo o povo de Judá que estava construindo o muro. Aqueles que transportavam material faziam o trabalho com uma mão e com a outra seguravam uma arma.
  18. Cada um dos construtores trazia na cintura uma espada enquanto trabalhava; e comigo ficava um homem pronto para tocar a trombeta.
  19. Então eu disse aos nobres, aos oficiais e ao restante do povo: “A obra é grande e extensa, e estamos separados, distantes uns dos outros, ao longo do muro. Do lugar de onde ouvirem o som da trombeta, juntem-se a nós ali. Nosso Deus lutará por nós!”
  20. Dessa maneira prosseguimos o trabalho com metade dos homens empunhando espadas, desde o raiar da alvorada até o cair da tarde.
  21. Naquela ocasião eu também disse ao povo: “Cada um de vocês e o seu ajudante devem ficar à noite em Jerusalém, para que possam servir de guarda à noite e trabalhar durante o dia”.
  22. Eu, os meus irmãos, os meus homens de confiança e os guardas que estavam comigo nem tirávamos a roupa, e cada um permanecia de arma na mão.
  23. Ora, o povo, homens e mulheres, começou a reclamar muito de seus irmãos judeus.
  24. Alguns diziam: “Nós e nossos filhos e filhas somos numerosos; precisamos de trigo para comer e continuar vivos”.
  25. Outros diziam: “Tivemos que penhorar nossas terras, nossas vinhas e nossas casas para conseguir trigo para matar a fome”.
  26. E havia ainda outros que diziam: “Tivemos que tomar dinheiro emprestado para pagar o imposto cobrado sobre as nossas terras e as vinhas.”
  27. “Apesar de sermos do mesmo sangue dos nossos compatriotas e dos nossos filhos serem tão bons quanto os deles, ainda assim temos que sujeitar os nossos filhos e as nossas filhas à escravidão.”
  28. “E, de fato, algumas de nossas filhas já foram entregues como escravas e não podemos fazer nada, pois as nossas terras e as nossas vinhas pertencem a outros”.
  29. Quando ouvi a reclamação e essas acusações, fiquei furioso.
  30. Fiz uma avaliação de tudo e então repreendi os nobres e os oficiais, dizendo-lhes: “Vocês estão cobrando juros dos seus compatriotas!”
  31. Por isso convoquei uma grande reunião contra eles e disse: “Na medida do possível nós compramos de volta nossos irmãos judeus que haviam sido vendidos aos outros povos.”
  32. “Agora vocês estão até vendendo os seus irmãos! E assim eles terão que ser vendidos a nós de novo! ” Eles ficaram em silêncio, pois ficaram sem resposta.
  33. Por isso prossegui: “O que vocês estão fazendo não está certo. Vocês devem andar no temor do SENHOR para evitar a zombaria dos outros povos, os nossos inimigos.”
  34. “Eu, os meus irmãos e os meus homens de confiança também estamos emprestando dinheiro e trigo ao povo. Mas vamos acabar com a cobrança de juros!”
  35. “Devolvam-lhes imediatamente suas terras, suas vinhas, suas oliveiras e suas casas, e também o juro que cobraram deles, a centésima parte do dinheiro, do trigo, do vinho e do azeite”.
  36. E eles responderam: “Nós devolveremos tudo o que você citou, e não exigiremos mais nada deles. Vamos fazer o que você está pedindo”. Então convoquei os sacerdotes e os fiz prometer sob juramento cumprirem o que haviam prometido.
  37. Também sacudi a dobra do meu manto e disse: “Deus assim sacuda de sua casa e de seus bens todo aquele que não mantiver a sua promessa. Tal homem seja sacudido e esvaziado!”
  38. Diante disso, toda a assembleia disse “Amém” e louvou o SENHOR. E o povo cumpriu o que prometeu.
  39. Além disso, desde o vigésimo ano do rei Artaxerxes, quando fui nomeado governador deles na terra de Judá, até o trigésimo-segundo ano do reinado, durante doze anos, nem eu nem meus irmãos comemos a comida destinada ao governador.
  40. Mas os governantes anteriores, aqueles que me precederam, puseram um peso sobre o povo e tomaram deles quatrocentos e oitenta gramas de prata, além de comida e vinho.
  41. Até os seus auxiliares oprimiam o povo. Mas, por temer a Deus, não agi dessa maneira.
  42. Ao contrário, eu mesmo me dediquei ao trabalho neste muro. Todos os meus homens de confiança foram reunidos ali para o trabalho; e não compramos nenhum pedaço de terra.
  43. Além do mais, cento e cinquenta homens, entre judeus do povo e seus oficiais, comiam à minha mesa, como também pessoas das nações vizinhas que vinham visitar-nos.
  44. Todos os dias eram preparados, à minha custa, um boi, seis das melhores ovelhas e aves, e cada dez dias eu recebia uma grande remessa de vinhos de todo tipo.
  45. Apesar de tudo isso, jamais exigi a comida destinada ao governador, pois eram demasiadas as exigências que pesavam sobre o povo.
  46. Lembra-te de mim, ó meu Deus, levando em conta tudo o que fiz por esse povo.
  47. Quando Sambalate, Tobias, Gesém, o árabe, e o restante de nossos inimigos souberam que eu havia reconstruído o muro e que não havia ficado nenhuma brecha, embora até então eu ainda não tivesse colocado as portas nos seus lugares.
  48. Sambalate e Gesém mandaram-me a seguinte mensagem: “Venha, vamos nos encontrar num dos povoados da planície de Ono”.
  49. Eles, contudo, estavam tramando fazer-me mal; por isso enviei-lhes mensageiros com esta resposta: “Estou executando um grande projeto e não posso descer. Por que parar a obra para ir encontrar-me com vocês?”
  50. Eles me mandaram quatro vezes a mesma mensagem, e em todas elas dei-lhes a mesma resposta.
  51. Então, na quinta vez, Sambalate mandou-me um dos seus homens de confiança com a mesma mensagem; ele tinha na mão uma carta aberta.
  52. Estava escrito: “Dizem entre as nações, e Gesém diz que é verdade, que você e os judeus estão tramando uma revolta e que, por isso, estão reconstruindo o muro. Além do mais, conforme dizem, você está na iminência de se tornar o rei deles.”
  53. “Até nomeou profetas para fazerem em Jerusalém a seguinte proclamação a seu respeito: ‘Há um rei em Judá! ’ Ora, essa informação será levada ao rei; por isso, vamos conversar”.
  54. Eu lhe mandei esta resposta: “Nada disso que você diz está acontecendo; é pura invenção da sua cabeça.”
  55. Estavam todos tentando intimidar-nos, pensando: “Eles serão enfraquecidos e não concluirão a obra”. Eu, porém, orei: Agora, fortalece as minhas mãos!
  56. Um dia fui à casa de Semaías, filho de Delaías, neto de Meetabel, que estava trancado portas adentro. Ele disse: “Vamos encontrar-nos na casa de Deus, no templo, a portas fechadas, pois estão querendo matá-lo; eles virão esta noite”.
  57. Todavia, eu lhe respondi: “Acha que um homem como eu deveria fugir? Alguém como eu deveria entrar no templo para salvar a vida? Não, eu não irei!”
  58. Percebi que Deus não o tinha enviado, e que ele tinha profetizado contra mim porque Tobias e Sambalate o tinham contratado.
  59. Ele tinha sido pago para me intimidar, a fim de que eu cometesse um pecado agindo assim, e então eles poderiam difamar-me e desacreditar-me.
  60. Lembra-te do que fizeram Tobias e Sambalate, meu Deus, lembra-te também da profetisa Noadia e do restante dos profetas que estão tentando me intimidar.
  61. O muro ficou pronto no dia vinte e cinco de elul, em cinqüenta e dois dias.
  62. Quando todos os nossos inimigos souberam disso, todas as nações vizinhas ficaram atemorizadas e abateu-se o seu orgulho, pois perceberam que essa obra havia sido executada com a ajuda de nosso Deus.
  63. E também, naqueles dias, os nobres de Judá estavam enviando muitas cartas a Tobias, que lhes enviava suas respostas.
  64. Porque muitos de Judá estavam comprometidos com ele por juramento, visto que era genro de Secanias, filho de Ara, e seu filho Joanã havia se casado com a filha de Mesulão, neto de Berequias.
  65. Até ousavam elogiá-lo na minha presença e iam contar-lhe o que eu dizia. E Tobias continuou a enviar-me cartas para me intimidar.

Fonte: Neemias 4, 5 e 6

Capítulo 30 – Inauguração

  1. Depois que o muro foi reconstruído e que eu coloquei as portas no lugar, foram nomeados os porteiros, os cantores e os levitas.
  2. Para governar Jerusalém encarreguei o meu irmão Hanani e, com ele, Hananias, comandante da cidade forte, pois Hananias era íntegro e temia a Deus mais do que a maioria dos homens.
  3. Eu lhes disse: As portas de Jerusalém não deverão ser abertas enquanto o sol não estiver alto. E antes de deixarem o serviço, os porteiros deverão fechar e travar as portas.
  4. Também designei moradores de Jerusalém para sentinelas, alguns em postos no muro, outros em frente das suas casas.
  5. Ora, a cidade era grande e espaçosa, mas havia poucos moradores, e as casas ainda não tinham sido reconstruídas.
  6. Por isso o meu Deus pôs no meu coração reunir os nobres, os oficiais e todo o povo para registrá-los por famílias.
  7. Encontrei o registro genealógico dos que foram os primeiros a voltar.
  8. Alguns dos chefes das famílias contribuíram para o trabalho. O governador deu à tesouraria oito quilos de ouro, 50 bacias e 530 vestes para os sacerdotes.
  9. Alguns dos chefes das famílias deram à tesouraria, para a realização do trabalho, cento e sessenta quilos de ouro e uma tonelada e trezentos e vinte quilos de prata.
  10. O total dado pelo restante do povo foi de cento e sessenta quilos de ouro, uma tonelada e duzentos quilos de prata e 67 vestes para os sacerdotes.
  11. Os sacerdotes, os levitas, os porteiros, os cantores e os servidores do templo, e também alguns do povo e os demais israelitas, estabeleceram-se em suas próprias cidades.
  12. Quando chegou o sétimo mês e os israelitas tinham se instalado em suas cidades, todo o povo juntou-se como se fosse um só homem na praça, em frente da porta das Águas.
  13. Pediram ao escriba Esdras que trouxesse o Livro da Lei de Moisés, que o SENHOR dera a Israel.
  14. Assim, no dia primeiro do sétimo mês, o sacerdote Esdras trouxe a Lei diante da assembléia, que era constituída de homens e mulheres e de todos os que podiam entender.
  15. Ele a leu em voz alta desde o raiar da manhã até o meio-dia, de frente para a praça, em frente da porta das Águas, na presença dos homens, mulheres e de outros que podiam entender. E todo o povo ouvia com atenção a leitura do Livro da Lei.
  16. O escriba Esdras estava numa plataforma elevada, de madeira, construída para a ocasião. Ao seu lado, à direita, estavam Matitias, Sema, Anaías, Urias, Hilquias e Maaséias; e à esquerda estavam Pedaías, Misael, Malquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mesulão.
  17. Esdras abriu o livro diante de todo o povo, e este podia vê-lo, pois ele estava num lugar mais alto. E, quando abriu o livro, o povo todo se levantou.
  18. Esdras louvou o SENHOR, o grande Deus, e todo o povo ergueu as mãos e respondeu: “Amém! Amém! ” Então eles adoraram o SENHOR, prostrados, rosto em terra.
  19. Os levitas Jesua, Bani, Serebias, Jamim, Acube, Sabetai, Hodias, Maaséias, Quelita, Azarias, Jozabade, Hanã e Pelaías, instruíram o povo na Lei, e todos permaneciam ali.
  20. Leram o Livro da Lei de Deus, interpretando-o e explicando-o, a fim de que o povo entendesse o que estava sendo lido.
  21. Então Neemias, o governador, Esdras, o sacerdote e escriba, e os levitas que estavam instruindo o povo disseram a todos: “Este dia é consagrado ao SENHOR Deus. Nada de tristeza e de choro! ” Pois todo o povo estava chorando enquanto ouvia as palavras da Lei.
  22. E Neemias acrescentou: “Podem sair, e comam e bebam do melhor que tiverem, e repartam com os que nada têm preparado. Este dia é consagrado ao nosso SENHOR. Não se entristeçam, porque a alegria do SENHOR os fortalecerá”.
  23. Os levitas tranqüilizaram todo o povo, dizendo: “Acalmem-se porque este é um dia santo. Não fiquem tristes!”
  24. Então todo o povo saiu para comer, beber, repartir com os que nada tinham preparado e para comemorar com grande alegria, pois agora compreendiam as palavras que lhes foram explicadas.
  25. No segundo dia do mês, os chefes de todas as famílias, os sacerdotes e os levitas reuniram-se com o escriba Esdras para estudar as palavras da Lei.
  26. Descobriram que estava escrito na Lei, que o SENHOR tinha ordenado por meio de Moisés, que os israelitas deviam morar em tendas durante a festa do sétimo mês.
  27. Por isso anunciaram em todas as suas cidades e em Jerusalém: “Saiam às montanhas e tragam ramos de oliveiras cultivadas, de oliveiras silvestres, de murtas, de tamareiras e de árvores frondosas, para fazerem tendas”, conforme está escrito.
  28. Então o povo saiu e trouxe os ramos, e eles mesmos construíram tendas nos seus terraços, nos seus pátios, nos pátios do templo de Deus e na praça junto à porta das Águas e na que fica junto à porta de Efraim.
  29. Todos os que tinham voltado do exílio construíram tendas e moraram nelas. Desde os dias de Josué, filho de Num, até aquele dia, os israelitas não tinham celebrado a festa dessa maneira. E a alegria deles foi muito grande.
  30. Dia após dia, desde o primeiro até o último dia da festa, Esdras leu o Livro da Lei de Deus. Eles celebraram a festa durante sete dias, e no oitavo dia, conforme o ritual, houve uma reunião solene.
  31. No dia vinte e quatro do mês, os israelitas se reuniram, jejuaram, vestiram pano de saco e puseram terra sobre a cabeça.
  32. Os que eram de ascendência israelita tinham se separado de todos os estrangeiros. Levantaram-se nos seus lugares, confessaram seus pecados e a maldade dos seus antepassados.
  33. Ficaram onde estavam e leram o Livro da Lei do SENHOR, do seu Deus, durante três horas, e passaram outras três horas confessando e adorando o SENHOR, o seu Deus.
  34. De pé, na plataforma, estavam os levitas Jesua, Bani, Cadmiel, Sebanias, Buni, Serebias, Bani e Quenani, que em alta voz clamavam ao SENHOR, ao seu Deus.
  35. E os levitas Jesua, Cadmiel, Bani, Hasabnéias, Serebias, Hodias, Sebanias e Petaías conclamavam o povo, dizendo: “Levantem-se e louvem o SENHOR, o seu Deus, que vive para todo o sempre.”
  36. “Bendito seja o teu nome glorioso! A tua grandeza está acima de toda expressão de louvor.”
  37. “Só tu és o SENHOR. Fizeste os céus, e os mais altos céus, e tudo que neles há, a terra e tudo o que nela existe, os mares e tudo o que neles existe. Tu deste vida a todos os seres, e os exércitos dos céus te adoram.”
  38. “Tu és o SENHOR, o Deus que escolheu Abrão, trouxe-o de Ur dos caldeus e deu-lhe o nome de Abraão.”
  39. “Viste que o coração dele era fiel, e fizeste com ele uma aliança, prometendo dar aos seus descendentes a terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos jebuseus e dos girgaseus. E cumpriste a tua promessa porque tu és justo.”
  40. “Viste o sofrimento dos nossos antepassados no Egito, e ouviste o clamor deles no mar Vermelho. Fizeste sinais e maravilhas contra o faraó e todos os seus oficiais e contra todo o povo da sua terra, pois sabias com quanta arrogância os egípcios os tratavam.
  41. “Alcançaste renome, que permanece até hoje. Dividiste o mar diante deles, para que o atravessassem a seco, mas lançaste os seus perseguidores nas profundezas, como uma pedra em águas agitadas.”
  42. “Tu os conduziste de dia com uma nuvem e de noite com uma coluna de fogo, para iluminar o caminho que tinham que percorrer.”
  43. “Tu desceste ao monte Sinai; dos céus lhes falaste. Deste-lhes ordenanças justas e leis verdadeiras, e decretos e mandamentos excelentes.”
  44. “Fizeste que conhecessem o teu sábado santo e lhes deste ordens, decretos e leis por meio de Moisés, teu servo.”
  45. “Na fome deste-lhes pão do céu, e na sede tiraste para eles água da rocha; mandaste-os entrar e tomar posse da terra que, sob juramento, tinhas prometido dar-lhes.”
  46. “Mas os nossos antepassados tornaram-se arrogantes e obstinados, e não obedeceram aos teus mandamentos.”
  47. “Eles se recusaram a ouvir-te e esqueceram-se dos milagres que realizaste entre eles. Tornaram-se obstinados e, na sua rebeldia, escolheram um líder a fim de voltarem à sua escravidão.”
  48. “Mas tu és um Deus perdoador, um Deus bondoso e misericordioso, muito paciente e cheio de amor.”
  49. “Por isso não os abandonaste, mesmo quando fundiram para si um ídolo na forma de bezerro e disseram: ‘Este é o seu deus, que os tirou do Egito’, ou quando proferiram blasfêmias terríveis.”
  50. “Foi por tua grande compaixão que não os abandonaste no deserto. De dia a nuvem não deixava de guiá-los em seu caminho, nem de noite a coluna de fogo deixava de brilhar sobre o caminho que deviam percorrer.”
  51. “Deste o teu bom Espírito para instruí-los. Não retiveste o teu maná que os alimentava, e deste-lhes água para matar a sede.”
  52. “Durante quarenta anos tu os sustentaste no deserto; nada lhes faltou, as roupas deles não se gastaram nem os seus pés ficaram inchados.”
  53. “Deste-lhes reinos e nações, cuja terra repartiste entre eles. Eles conquistaram a terra de Seom, rei de Hesbom, e a terra de Ogue, rei de Basã.”
  54. “Tornaste os seus filhos tão numerosos como as estrelas do céu, e os trouxeste para entrar e possuir a terra que prometeste aos seus antepassados.”
  55. “Seus filhos entraram e tomaram posse da terra. Tu subjugaste diante deles os cananeus, que viviam na terra, e os entregaste nas suas mãos, com os seus reis e com os povos daquela terra, para que os tratassem como bem quisessem.”
  56. “Conquistaram cidades fortificadas e terra fértil; apossaram-se de casas cheias de bens, poços já escavados, vinhas, olivais e muitas árvores frutíferas. Comeram até fartar-se e foram bem alimentados; eles desfrutaram de tua grande bondade.”
  57. “Mas foram desobedientes e se rebelaram contra ti; deram as costas para a tua Lei. Mataram os teus profetas, que os tinham advertido que se voltassem para ti; e te fizeram ofensas detestáveis.”
  58. “Por isso tu os entregaste nas mãos de seus inimigos, que os oprimiram. Mas, quando foram oprimidos, clamaram a ti. Dos céus tu os ouviste, e na tua grande compaixão deste-lhes libertadores, que os livraram das mãos de seus inimigos.”
  59. “Mas, tão logo voltavam a ter paz, de novo faziam o que tu reprovas. Então os abandonavas às mãos de seus inimigos para que dominassem sobre eles.”
  60. “E, quando novamente clamavam a ti, dos céus tu os ouvias e na tua compaixão os livravas vez após vez.”
  61. “”Tu os advertiste que voltassem à tua Lei, mas eles se tornaram arrogantes e desobedeceram aos teus mandamentos.”
  62. “Pecaram contra as tuas ordenanças, pelas quais o homem vive se lhes obedece. Com teimosia te deram as costas, tornaram-se obstinados e recusaram-se a ouvir-te.”
  63. “E durante muitos anos foste paciente com eles. Mediante o teu Espírito os advertiste por meio de teus profetas. Contudo, não te deram atenção, de modo que os entregaste nas mãos dos povos vizinhos.”
  64. “Graças, porém, à tua grande misericórdia, não os destruíste nem os abandonaste, pois és Deus bondoso e misericordioso.”
  65. “Agora, portanto, nosso Deus, ó Deus grande, poderoso e temível, fiel à tua aliança e misericordioso, não fiques indiferente a toda a aflição que veio sobre nós, sobre os nossos reis e os nossos líderes, sobre os nossos sacerdotes e profetas, sobre os nossos antepassados e sobre todo o teu povo, desde os dias dos reis da Assíria até hoje.”
  66. “Em tudo o que nos aconteceu foste justo; agiste com lealdade mesmo quando fomos infiéis.”
  67. “Nossos reis, nossos líderes, nossos sacerdotes e nossos antepassados não seguiram a tua Lei; não deram atenção aos teus mandamentos nem às advertências que lhes fizeste.”
  68. “Mesmo quando estavam no reino deles, desfrutando da tua grande bondade na terra espaçosa e fértil que lhes deste, eles não te serviram nem abandonaram os seus maus caminhos.”
  69. “Vê, porém, que hoje somos escravos, escravos na terra que deste aos nossos antepassados para que usufruíssem dos seus frutos e das outras boas coisas que ela produz.”
  70. “Por causa de nossos pecados, a sua grande produção pertence aos reis que puseste sobre nós. Eles dominam sobre nós e sobre os nossos rebanhos como bem lhes parece. É grande a nossa angústia!”
  71. “Em vista disso tudo, estamos fazendo um acordo, por escrito, e assinado por nossos líderes, nossos levitas e nossos sacerdotes”.
  72. “Esta é a relação dos que o assinaram: Neemias, o governador, filho de Hacalias, e Zedequias, Seraías, Azarias, Jeremias, Pasur, Amarias, Malquias, Hatus, Sebanias, Maluque,
    Harim, Meremote, Obadias, Daniel, Ginetom, Baruque, Mesulão, Abias, Miamim,
    Maazias, Bilgai e Semaías.”
  73. “Esses eram sacerdotes. Dos levitas: Jesua, filho de Azanias, Binui, dos filhos de Henadade, Cadmiel e seus colegas: Sebanias, Hodias, Quelita, Pelaías, Hanã, Mica, Reobe, Hasabias, Zacur, Serebias, Sebanias, Hodias, Bani e Beninu.”
  74. “Dos líderes do povo: Parós, Paate-Moabe, Elão, Zatu, Bani, Buni, Azgade, Bebai, Adonias, Bigvai, Adim, Ater, Ezequias, Azur, Hodias, Hasum, Besai, Harife, Anatote, Nebai, Magpias, Mesulão, Hezir, Mesezabeel, Zadoque, Jadua, Pelatias, Hanã, Anaías, Oséias, Hananias, Hassube, Haloés, Pílea, Sobeque, Reum, Hasabna, Maaséias, Aías, Hanã, Anã, Maluque, Harim e Baaná.”

Fonte: Neemias 7, 8, 9 e 10

Capítulo 31 – Juramento

  1. O restante do povo: sacerdotes, levitas, porteiros, cantores, servidores do templo e todos os que se separaram dos povos vizinhos por amor à Lei de Deus, juntamente com suas mulheres e com todos os seus filhos e filhas que eram capazes de entender:
  2. “Agora se unem aos seus irmãos, os nobres, e se obrigam sob maldição e sob juramento a seguir a Lei de Deus dada por meio do servo de Deus Moisés e a obedecer fielmente a todos os mandamentos, ordenanças e decretos do SENHOR, o nosso SENHOR.”
  3. “Prometemos não dar nossas filhas em casamento aos povos vizinhos nem aceitar que as filhas deles se casem com os nossos filhos.”
  4. “Quando os povos vizinhos trouxerem mercadorias ou cereal para venderem em dia de sábado ou de festa, não compraremos deles nesses dias. Cada sete anos abriremos mão de trabalhar a terra e cancelaremos todas as dívidas.”
  5. “Assumimos a responsabilidade de, conforme o mandamento, dar anualmente quatro gramas para o serviço do templo de nosso Deus:”
  6. para os pães consagrados, para as ofertas regulares de cereal e para os holocaustos, para as ofertas dos sábados, das festas de lua nova e para as festas fixas, para as ofertas sagradas, para as ofertas pelo pecado para fazer propiciação por Israel, e para as necessidades do templo de nosso Deus.
  7. “Também tiramos sorte entre as famílias dos sacerdotes, dos levitas e do povo, para escalar anualmente a que deverá trazer lenha ao templo de nosso Deus, no tempo determinado, para queimar sobre o altar do SENHOR, o nosso Deus, conforme está escrito na Lei.”
  8. “Também assumimos a responsabilidade de trazer anualmente ao templo do SENHOR os primeiros frutos de nossas colheitas e de toda árvore frutífera.”
  9. “Conforme também está escrito na Lei, traremos o primeiro de nossos filhos e a primeira cria de nossos rebanhos, tanto de ovelhas como de bois, para o templo de nosso Deus, para os sacerdotes que ali estiverem ministrando.”
  10. “Além do mais, traremos para os depósitos do templo de nosso Deus, para os sacerdotes, a nossa primeira massa de cereal moído, e as nossas primeiras ofertas de cereal, do fruto de todas as nossas árvores e de nosso vinho e azeite.”
  11. “E traremos o dízimo das nossas colheitas para os levitas, pois são eles que recolhem os dízimos em todas as cidades onde trabalhamos.”
  12. “Um sacerdote descendente de Arão deverá acompanhar os levitas quando receberem os dízimos, e os levitas terão que trazer um décimo dos dízimos ao templo de nosso Deus, aos depósitos do templo.”
  13. “O povo de Israel, inclusive os levitas, deverão trazer ofertas de cereal, de vinho novo e de azeite aos depósitos onde se guardam os utensílios para o santuário.”
  14. “É ali que os sacerdotes ministram e que os porteiros e os cantores ficam. Não negligenciaremos o templo de nosso Deus”.
  15. Os líderes do povo passaram a morar em Jerusalém, e o restante do povo fez um sorteio para que, de cada dez pessoas, uma viesse morar em Jerusalém, a santa cidade; as outras nove deveriam ficar em suas próprias cidades.
  16. O povo abençoou todos os homens que se apresentaram voluntariamente para morar em Jerusalém.
  17. Alguns israelitas, sacerdotes, levitas, servos do templo e descendentes dos servos de Salomão viviam nas cidades de Judá, cada um em sua propriedade. Estes são os líderes da província que passaram a morar em Jerusalém;
  18. Além deles veio gente tanto de Judá quanto de Benjamim viver em Jerusalém.
  19. Por ocasião da dedicação dos muros de Jerusalém, os levitas foram procurados e trazidos de onde moravam para Jerusalém para celebrarem a dedicação alegremente, com cânticos e ações de graças, ao som de címbalos, harpas e liras.
  20. Os cantores foram trazidos dos arredores de Jerusalém, dos povoados dos netofatitas, de Bete-Gilgal, e da região de Geba e Azmavete, pois os cantores haviam construído povoados para si ao redor de Jerusalém.
  21. Os sacerdotes e os levitas se purificaram cerimonialmente, e depois purificaram também o povo, as portas e os muros.
  22. Ordenei aos líderes de Judá que subissem ao alto do muro. Também designei dois grandes coros para darem graças.
  23. Um deles avançou em cima do muro, para a direita, até à porta do Esterco.
  24. Hosaías e metade dos líderes de Judá os seguiram, e mais Azarias, Esdras, Mesulão, Judá, Benjamim, Semaías, Jeremias.
  25. Bem como alguns sacerdotes com trombetas, além de Zacarias, filho de Jônatas, neto de Semaías, bisneto de Matanias, que era filho de Micaías, neto de Zacur, bisneto de Asafe.
  26. E seus colegas, Semaías, Azareel, Milalai, Gilalai, Maai, Natanael, Judá e Hanani, que tocavam os instrumentos musicais prescritos por Davi, homem de Deus.
  27. Esdras, o escriba, ia na frente deles.
  28. À porta da Fonte eles subiram diretamente os degraus da cidade de Davi, na subida para o muro, e passaram sobre a casa de Davi até à porta das Águas, a leste.
  29. O segundo coro avançou no sentido oposto. Eu os acompanhei, quando iam sobre o muro, levando comigo a metade do povo.
  30. Passamos pela torre dos Fornos até à porta Larga, sobre a porta de Efraim, a porta Jesaná, a porta do Peixe, a torre de Hananeel e a torre dos Cem, indo até à porta das Ovelhas. Junto à porta da Guarda eles pararam.
  31. Então, os dois coros encarregados das ações de graças, assumiram os seus lugares no templo de Deus.
  32. Isso eu também fiz eu acompanhado da metade dos oficiais, e também dos sacerdotes Eliaquim, Maaséias, Miniamim, Micaías, Elioenai, Zacarias e Hananias, com suas trombetas
  33. E também de Maaséias, Semaías, Eleazar, Uzi, Joanã, Malquias, Elão e Ézer. Os coros cantaram sob a direção de Jezraías.
  34. Naquele dia, contentes, ofereceram grandes sacrifícios, pois Deus lhes enchera de grande alegria.
  35. As mulheres e as crianças também se alegravam, e os sons da alegria de Jerusalém podiam ser ouvidos de longe.
  36. Naquela ocasião foram designados alguns encarregados dos depósitos onde se recebiam as contribuições gerais, os primeiros frutos e os dízimos.
  37. Das lavouras que havia em torno das cidades eles deviam trazer para os depósitos as porções exigidas pela Lei para os sacerdotes e os levitas.
  38. E, de fato, o povo de Judá estava satisfeito com os sacerdotes e os levitas que ministravam no templo.
  39. Eles celebravam o culto ao seu Deus e o ritual de purificação, dos quais também participavam os cantores e os porteiros, de acordo com as ordens de Davi e do seu filho Salomão.
  40. Pois muito tempo antes, nos dias de Davi e de Asafe, havia dirigentes dos cantores e que dirigiam os cânticos de louvor e de graças a Deus.
  41. Sucedeu, pois, que nos dias de Zorobabel e de Neemias, todo o Israel contribuía com ofertas diárias para os cantores e para os porteiros, além de separar a parte dos outros levitas, e os levitas separavam a porção dos descendentes de Arão.

Fonte: Neemias 10, 11 e 12

Capítulo 32 – Casamentos

  1. Depois que foram feitas essas coisas, os líderes vieram dizer-me: “O povo de Israel, inclusive os sacerdotes e os levitas, não se mantiveram separados dos povos vizinhos e suas práticas repugnantes, como as dos cananeus, dos hititas, dos ferezeus, dos jebuseus, dos amonitas, dos moabitas, dos egípcios e dos amorreus.
  2. Eles e seus filhos se casaram com mulheres daqueles povos e com eles misturaram a descendência santa. E os líderes e os oficiais estão à frente nessa atitude infiel! “
  3. Quando ouvi isso, rasguei a minha túnica e o meu manto, arranquei os cabelos da cabeça e da barba e me sentei estarrecido!
  4. Então todos os que tremiam diante das palavras do Deus de Israel reuniram-se ao meu redor por causa da infidelidade dos exilados.
  5. E eu fiquei sentado ali, estarrecido, até o sacrifício da tarde.
  6. Então, na hora do sacrifício da tarde, eu saí do meu abatimento, com a túnica e o manto rasgados, e caí de joelhos com as mãos estendidas para o SENHOR, para o meu Deus.
  7. E orei: “Meu Deus, estou por demais envergonhado e humilhado para levantar o rosto diante de ti, meu Deus, porque os nossos pecados cobrem as nossas cabeças e a nossa culpa sobe até aos céus.”
  8. “Desde os dias dos nossos antepassados até agora, a nossa culpa tem sido grande. Por causa dos nossos pecados, nós, os nossos reis e os nossos sacerdotes temos sido entregues à espada e ao cativeiro, ao despojo e à humilhação nas mãos de reis estrangeiros, como acontece hoje.”
  9. “Mas agora, por um breve momento, o SENHOR nosso Deus foi misericordioso, deixando-nos um remanescente e dando-nos um lugar seguro em seu santuário, e dessa maneira o nosso Deus ilumina os nossos olhos e nos dá um pequeno alívio em nossa escravidão.”
  10. “Somos escravos, mas o nosso Deus não nos abandonou na escravidão. Ele tem sido bondoso para conosco diante dos reis da Pérsia:”
  11. “Ele nos deu vida nova para reconstruir o templo do nosso Deus e levantar suas ruínas, e nos deu um muro de proteção em Judá e em Jerusalém.”
  12. “Mas agora, ó nosso Deus, o que podemos dizer depois disto? Pois nós abandonamos os mandamentos que nos deste por meio dos teus servos, os profetas, quando disseste:
  13. “A terra que vocês estão conquistando está contaminada pelas práticas repugnantes de seus povos. Com essas práticas eles encheram de impureza toda essa terra.”
  14. “Por isso, não dêem as suas filhas em casamento aos filhos deles, nem aceitem as filhas deles para os filhos de vocês.
  15. “Nunca procurem o bem-estar e a prosperidade desses povos, para que vocês sejam fortes e desfrutem os bons produtos da terra e a deixem para os seus filhos como herança eterna”.
  16. “Depois de tudo o que nos aconteceu por causa de nossas más obras e por causa de nossa grande culpa, apesar de que, ó Deus, tu nos puniste menos do que os nossos pecados mereciam.”
  17. “E ainda nos deste um remanescente como este, como podemos voltar a quebrar os teus mandamentos e a realizar casamentos mistos com esses povos de práticas repugnantes?”
  18. “Como não ficarias irado conosco, não nos destruirias, e não nos deixarias sem remanescente ou sobrevivente algum?
  19. “Ó SENHOR, Deus de Israel, tu és justo! E até hoje nos deixaste sobreviver como um remanescente.”
  20. “Aqui estamos diante de ti com a nossa culpa, embora saibamos que por causa dela nenhum de nós pode permanecer na tua presença.”
  21. As palavras de Neemias Naquele dia o livro de Moisés foi lido em voz alta diante do povo, e ali achou-se escrito que nenhum amonita ou moabita jamais poderia ser admitido no povo de Deus.
  22. Pois eles, em vez de dar água e comida aos israelitas, tinham contratado Balaão para invocar uma maldição sobre eles.
  23. O nosso Deus, porém, transformou a maldição em bênção. Quando o povo ouviu essa Lei, excluiu de Israel todos que eram de ascendência estrangeira.
  24. Antes disso o sacerdote Eliasibe tinha sido encarregado dos depósitos do templo de nosso Deus.
  25. Ele era parente próximo de Tobias, e lhe havia cedido uma grande sala, anteriormente utilizada para guardar as ofertas de cereal, o incenso, os utensílios do templo, e também os dízimos do trigo, do vinho novo e do azeite prescritos para os levitas, para os cantores e para os porteiros, e as ofertas para os sacerdotes.
  26. Mas, enquanto tudo isso estava acontecendo, Neemias não estava em Jerusalém, pois no trigésimo segundo ano do reinado de Artaxerxes, rei da Babilônia, voltou ao rei.
  27. “Algum tempo depois pedi sua permissão e voltei para Jerusalém. Aqui soube do mal que Eliasibe fizera ao ceder uma sala para Tobias nos pátios do templo de Deus.”
  28. “Fiquei muito aborrecido e joguei todos os móveis de Tobias fora da sala.”
  29. “Mandei purificar as salas, e coloquei de volta nelas os utensílios do templo de Deus, com as ofertas de cereal e o incenso.”
  30. “Também fiquei sabendo que os levitas não tinham recebido a parte que lhes era devida, e que todos os levitas e cantores responsáveis pelo culto haviam voltado para suas próprias terras.”
  31. “Por isso repreendi os oficiais e lhes perguntei: Por que essa negligência com o templo de Deus?”
  32. “Então eu convoquei os levitas e cantores e os coloquei em seus postos. E todo o povo de Judá trouxe os dízimos do trigo, do vinho novo e do azeite aos depósitos.”
  33. “Coloquei o sacerdote Selemias, o escriba Zadoque e um levita chamado Pedaías como encarregados dos depósitos e fiz de Hanã, filho de Zacur, neto de Matanias, assistente deles.”
  34. “Porque esses homens eram de confiança, e ficaram responsáveis pela distribuição de suprimentos aos seus colegas.”
  35. “Lembra-te de mim por isso, meu Deus, e não te esqueças do que fiz com tanta fidelidade pelo templo de meu Deus e pelo seu culto.”
  36. “Naqueles dias vi que em Judá alguns pisavam uvas nos tanques de prensá-las no sábado e ajuntavam trigo e o carregavam em jumentos, junto com vinho, uvas, figos e todo tipo de carga.”
  37. “Tudo isso era trazido para Jerusalém em pleno sábado. Então os adverti que não vendessem alimento nesse dia.”
  38. “Havia alguns da cidade de Tiro que moravam em Jerusalém e traziam peixes e toda espécie de mercadoria e as vendiam em Jerusalém, no sábado, para o povo de Judá.”
  39. “Diante disso, repreendi os nobres de Judá e disse-lhes: Que mal é esse que vocês estão fazendo, profanando o dia de sábado?
  40. “Por acaso os seus antepassados não fizeram o mesmo, levando o nosso Deus a trazer toda essa desgraça sobre nós e sobre esta cidade? Pois agora, profanando o sábado, vocês provocam mais ira contra Israel! “
  41. “Quando as sombras da tarde cobriram as portas de Jerusalém na véspera do sábado, ordenei que fossem fechadas e só fossem abertas depois que o sábado tivesse terminado.”
  42. “Coloquei alguns de meus homens de confiança junto às portas, para que nenhum carregamento pudesse ser introduzido no dia de sábado.”
  43. “Uma ou duas vezes os comerciantes e vendedores de todo tipo de mercadoria passaram a noite do lado de fora de Jerusalém.”
  44. “Mas eu os adverti, dizendo: Por que vocês passam a noite junto ao muro? Se fizerem isso de novo, mandarei prendê-los. Depois disso não vieram mais no sábado.”
  45. “Então ordenei aos levitas que se purificassem e fossem vigiar as portas a fim de que o dia de sábado fosse respeitado como sagrado.”
  46. “Lembra-te de mim também por isso, ó meu Deus, e tenha misericórdia de mim conforme o teu grande amor.”
  47. “Além disso, naqueles dias vi alguns judeus que se haviam casado com mulheres de Asdode, de Amom e de Moabe.”
  48. “A metade dos seus filhos falavam a língua de Asdode ou a língua de um dos outros povos, e não sabiam falar a língua de Judá.”
  49. “Eu os repreendi e invoquei maldições sobre eles. Bati em alguns deles e arranquei os seus cabelos.”
  50. “Fiz com que jurassem em nome de Deus e disse-lhes: Não consintam mais em dar suas filhas em casamento aos filhos deles, nem haja casamento das filhas deles com seus filhos ou com vocês.”
  51. “Não foi por causa de casamentos como esses que Salomão, rei de Israel, pecou? Entre as muitas nações não havia rei algum como ele.”
  52. “Ele era amado de seu Deus, e Deus o fez rei sobre todo o Israel, mas até mesmo ele foi induzido ao pecado por mulheres estrangeiras.”
  53. “Como podemos tolerar o que ouvimos? Como podem vocês cometer essa terrível maldade e serem infiéis ao nosso Deus, casando-se com mulheres estrangeiras?”
  54. “Um dos filhos de Joiada, filho do sumo sacerdote Eliasibe, era genro de Sambalate, o horonita. E eu o expulsei para longe de mim.”
  55. “Não te esqueças deles, ó meu Deus, pois profanaram o ofício sacerdotal e a aliança do sacerdócio e dos levitas.”
  56. “Dessa forma purifiquei os sacerdotes e os levitas de tudo o que era estrangeiro, e designei-lhes responsabilidades, cada um em seu próprio cargo.”

Fonte: Neemias 13

Capítulo 33 – Casamentos

  1. Enquanto Esdras estava orando e confessando, chorando prostrado diante do templo de Deus, uma grande multidão de israelitas, homens, mulheres e crianças, reuniram-se em volta dele. Eles também choravam amargamente.
  2. Então Secanias, filho de Jeiel, um dos descendentes de Elão, disse a Esdras: “Fomos infiéis ao nosso Deus quando nos casamos com mulheres estrangeiras procedentes dos povos vizinhos. Mas, apesar disso, ainda há esperança para Israel.”
  3. “Façamos agora um acordo diante do nosso Deus, e mandemos de volta todas essas mulheres e seus filhos, segundo o conselho do meu senhor e daqueles que tremem diante dos mandamentos de nosso Deus. Que isso seja feito em conformidade com a Lei.”
  4. “Levante-se! Esta questão está em suas mãos, mas nós o apoiaremos. Tenha coragem e mãos à obra!”
  5. Esdras levantou-se e fez os sacerdotes principais e os levitas e todo o Israel jurarem que fariam o que fora sugerido. E eles juraram.
  6. Então Esdras retirou-se de diante do templo de Deus e foi para o quarto de Joanã, filho de Eliasibe.
  7. Enquanto esteve ali, não comeu nem bebeu nada, lamentando a infidelidade dos exilados.
  8. Fez-se então uma proclamação em todo o Judá e em Jerusalém convocando todos os exilados a se reunirem em Jerusalém.
  9. Os líderes e as demais autoridades tinham decidido que aquele que não viesse no prazo de três dias perderia todos os seus bens e seria excluído da comunidade dos exilados.
  10. No prazo de três dias, todos os homens de Judá e de Benjamim tinham se reunido em Jerusalém, e no vigésimo dia do nono mês todo o povo estava sentado na praça que ficava diante do templo de Deus.
  11. Todos estavam profundamente abatidos por causa do motivo da reunião e também porque chovia muito.
  12. Então o sacerdote Esdras levantou-se e disse-lhes: “Vocês têm sido infiéis! Vocês se casaram com mulheres estrangeiras, aumentando a culpa de Israel.”
  13. “Agora confessem ao SENHOR, o Deus dos seus antepassados, e façam a vontade dele. Separem-se dos povos vizinhos e das suas mulheres estrangeiras”.
  14. A comunidade toda respondeu em voz alta: “Você está certo! Devemos fazer o que você diz.”
  15. “Mas há muita gente aqui, e esta é a estação das chuvas; por isso não podemos ficar do lado de fora.”
  16. “Além disso, essa questão não pode ser resolvida em um dia ou dois, porquanto foram muitos os que assim pecaram.”
  17. “Que os nossos líderes decidam por toda a assembleia. Então que cada um de nossas cidades que se casou com mulher estrangeira venha numa data marcada, acompanhado dos líderes e juízes de cada cidade, para que se afaste de nós o furor da ira de nosso Deus por causa deste pecado”.
  18. Somente Jônatas, filho de Asael, e Jaseías, filho de Ticvá, apoiados por Mesulão e o levita Sabetai, discordaram.
  19. E assim os exilados fizeram conforme proposto. O sacerdote Esdras escolheu chefes de famílias, um de cada grupo de famílias, todos eles chamados por nome.
  20. E no dia primeiro do décimo mês eles se assentaram para investigar cada caso.
  21. No dia primeiro do primeiro mês terminaram de investigar todos os casos de casamento com mulheres estrangeiras.
  22. Entre os descendentes dos sacerdotes, estes foram os que se casaram com mulheres estrangeiras: Dentre os descendentes de Jesua, filho de Jozadaque, e seus irmãos Maaséias, Eliézer, Jaribe e Gedalias.
  23. Todos eles apertaram as mãos em sinal de garantia que iam despedir suas mulheres, e cada um apresentou um carneiro do rebanho como oferta por sua culpa.
  24. Dentre os descendentes de Imer: Hanani e Zebadias.
  25. Dentre os descendentes de Harim: Maaséias, Elias, Semaías, Jeiel e Uzias.
  26. Dentre os descendentes de Pasur: Elioenai, Maaséias, Ismael, Natanael, Jozabade e Eleasa.
  27. Dentre os levitas: Jozabade, Simei, Quelaías, também chamado Quelita, Petaías, Judá e Eliézer.
  28. Dentre os cantores: Eliasibe. Dentre os porteiros: Salum, Telém e Uri.
  29. E dentre os outros israelitas: Dentre os descendentes de Parós: Ramias, Jezias, Malquias, Miamim, Eleazar, Malquias e Benaia.
  30. Dentre os descendentes de Elão: Matanias, Zacarias, Jeiel, Abdi, Jeremote e Elias.
  31. Dentre os descendentes de Zatu: Elioenai, Eliasibe, Matanias, Jeremote, Zabade e Aziza.
  32. Dentre os descendentes de Bebai: Joanã, Hananias, Zabai e Atlai.
  33. Dentre os descendentes de Bani: Mesulão, Maluque, Adaías, Jasube, Seal e Jeremote.
  34. Dentre os descendentes de Paate-Moabe: Adna, Quelal, Benaia, Maaséias, Matanias, Bezalel, Binui e Manassés.
  35. Dentre os descendentes de Harim: Eliézer, Issias, Malquias, Semaías, Simeão, Benjamim, Maluque e Semarias.
  36. Dentre os descendentes de Hasum: Matenai, Matatá, Zabade, Elifelete, Jeremai, Manassés e Simei.
  37. Dentre os descendentes de Bani: Maadai, Anrão, Uel, Benaia, Bedias, Queluí, Vanias, Meremote, Eliasibe, Matanias, Matenai e Jaasai.
  38. Dentre os descendentes de Binui: Simei, Selemias, Natã, Adaías, Macnadbai, Sasai, Sarai, Azareel, Selemias, Semarias, Salum, Amarias e José.
  39. Dentre os descendentes de Nebo: Jeiel, Matitias, Zabade, Zebina, Jadai, Joel e Benaia.
  40. Todos esses tinham se casado com mulheres estrangeiras, e alguns deles tiveram filhos dessas mulheres.

Fonte: Esdras 10

Capítulo 34 – Malaquias: Profanação

  1. Uma advertência: a palavra do SENHOR contra Israel, por meio de Malaquias.
  2. “Eu sempre os amei”, diz o SENHOR. “Mas vocês perguntam: ‘De que maneira nos amaste? ’ “Não era Esaú irmão de Jacó? “, declara o SENHOR. “Todavia eu amei Jacó, mas rejeitei Esaú.”
  3. “Transformei suas montanhas em terra devastada e as terras de sua herança em morada de chacais do deserto.”
  4. Embora Edom afirme: “Fomos esmagados, mas reconstruiremos as ruínas”, assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Podem construir, mas eu demolirei. Eles serão chamados Terra Perversa, povo contra quem o SENHOR está irado para sempre.
  5. Vocês verão isso com os próprios olhos e exclamarão: Grande é o SENHOR, até mesmo além das fronteiras de Israel!
  6. “O filho honra seu pai, e o servo o seu senhor. Se eu sou pai, onde está a honra que me é devida? Se eu sou senhor, onde está o temor que me devem? “, pergunta o SENHOR dos Exércitos a vocês, sacerdotes.
  7. “São vocês que desprezam o meu nome!” Mas vocês perguntam: “De que maneira temos desprezado o teu nome?”
  8. “Trazendo comida impura ao meu altar!” E mesmo assim ainda perguntam: “De que maneira te desonramos?”
  9. “Ao dizerem que a mesa do SENHOR é desprezível. Na hora de trazerem animais cegos para sacrificar, vocês não veem mal algum. Na hora de trazerem animais aleijados e doentes como oferta, também não veem mal algum.”
  10. “Tentem oferecê-los de presente ao governador! Será que ele se agradará de vocês? Será que os atenderá?”, pergunta o SENHOR dos Exércitos.
  11. “E agora, sacerdotes, tentem apaziguar a Deus para que tenha compaixão de nós! Será que com esse tipo de oferta ele os atenderá? “, pergunta o SENHOR dos Exércitos.
  12. “Ah, se um de vocês fechasse as portas do templo. Assim ao menos não acenderiam o fogo do meu altar inutilmente. Não tenho prazer em vocês”, diz o SENHOR dos Exércitos, “e não aceitarei as suas ofertas.”
  13. “Pois do oriente ao ocidente grande é o meu nome entre as nações. Em toda parte incenso e ofertas puras são trazidos ao meu nome, porque grande é o meu nome entre as nações”, diz o SENHOR dos Exércitos.
  14. “Mas vocês o profanam ao dizerem que a mesa do SENHOR é imunda e que a sua comida é desprezível.”
  15. E ainda dizem: ‘Que canseira! ’ e riem dela com desprezo”, diz o SENHOR dos Exércitos.
  16. “Quando vocês trazem animais roubados, aleijados e doentes e os oferecem em sacrifício, deveria eu aceitá-los de suas mãos? “, pergunta o SENHOR.
  17. “Maldito seja o enganador que, tendo no rebanho um macho sem defeito, promete oferecê-lo e depois sacrifica um animal defeituoso”, diz o SENHOR dos Exércitos; “pois eu sou um grande rei, e o meu nome é temido entre as nações.”
  18. E agora esta advertência é para vocês, ó sacerdotes.
  19. “Se vocês não derem ouvidos e não se dispuserem a honrar o meu nome”, diz o SENHOR dos Exércitos, “lançarei maldição sobre vocês, e até amaldiçoarei as suas bênçãos. Aliás já as amaldiçoei, porque vocês não me honram de coração.”
  20. “Por causa de vocês eu vou destruir a sua descendência; esfregarei na cara de vocês os excrementos dos animais oferecidos em sacrifício em suas festas e lançarei vocês fora, juntamente com os excrementos.”
  21. “Então vocês saberão que fui eu que lhes dei esta advertência para que a minha aliança com Levi fosse mantida”, diz o SENHOR dos Exércitos.
  22. “A minha aliança com ele foi uma aliança de vida e de paz, que de fato lhe dei para que me temesse. Ele me temeu, e tremeu diante do meu nome.”
  23. “A verdadeira lei estava em sua boca e nenhuma falsidade achou-se em seus lábios. Ele andou comigo em paz e retidão, e desviou muitos do pecado.”
  24. “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca todos esperam a instrução na lei, porque ele é o mensageiro do SENHOR dos Exércitos.”
  25. “Mas vocês se desviaram do caminho e pelo seu ensino causaram a queda de muita gente; vocês quebraram a aliança de Levi”, diz o SENHOR dos Exércitos.
  26. “Por isso eu fiz que fossem desprezados e humilhados diante de todo o povo, porque vocês não seguem os meus caminhos, mas são parciais quando ensinam a lei.”
  27. Não temos todos o mesmo Pai? Não fomos todos criados pelo mesmo Deus? Por que será então que quebramos a aliança dos nossos antepassados sendo infiéis uns com os outros?
  28. Judá tem sido infiel. Uma coisa repugnante foi cometida em Israel e em Jerusalém; Judá desonrou o santuário que o SENHOR ama; homens casaram-se com mulheres que adoram deuses estrangeiros.
  29. Que o SENHOR lance fora das tendas de Jacó o homem que faz isso, seja ele quem for, mesmo que esteja trazendo ofertas ao SENHOR dos Exércitos.
  30. Há outra coisa que vocês fazem: Enchem de lágrimas o altar do SENHOR; choram e gemem porque ele já não dá atenção às suas ofertas nem as aceita com prazer.
  31. E vocês ainda perguntam: “Por quê? ” É porque o SENHOR é testemunha entre você e a mulher da sua mocidade, pois você não cumpriu a sua promessa de fidelidade, embora ela fosse a sua companheira, a mulher do seu acordo matrimonial.
  32. Não foi o SENHOR que os fez um só? Em corpo e em espírito eles lhe pertencem. E por que um só? Porque ele desejava uma descendência consagrada. Portanto, tenham cuidado: Ninguém seja infiel à mulher da sua mocidade.
  33. “Eu odeio o divórcio”, diz o SENHOR, o Deus de Israel, e “o homem que se cobre de violência como se cobre de roupas”, diz o SENHOR dos Exércitos. Por isso tenham bom senso; não sejam infiéis.
  34. Vocês têm cansado o SENHOR com as suas palavras. ‘Como o temos cansado? ’, vocês ainda perguntam.
  35. Quando dizem: “Todos os que fazem o mal são bons aos olhos do SENHOR, e ele se agrada deles” e também quando perguntam: “Onde está o Deus da justiça?”

Fonte: Malaquias 1 e 2.

Capítulo 35 – Antíoco

  1. Depois que Alexandre, o macedônio, filho de Filipe, saindo da terra de Cetim, venceu Dario, rei dos persas e dos medos, reinou em seu lugar, tendo começado pela Grécia.
  2. Empreendeu muitas guerras, tomou fortalezas, matou os reis da região, avançou até os confins da terra, apoderou-se dos despojos de uma multidão de nações e a terra se calou diante dele. Mas seu coração se exaltou e se encheu de orgulho
  3. Reuniu um exército poderosíssimo e conquistou regiões, povos e soberanos, que se tornaram seus tributários.
  4. Mas, depois disso, caiu doente e compreendeu que estava para morrer.
  5. Por isso convocou seus oficiais mais ilustres, que tinham sido educados com ele desde a mocidade, e repartiu entre eles seu reino, quando ainda estava vivo.
  6. Alexandre tinha reinado doze anos quando morreu.
  7. Então seus oficiais tomaram o poder, cada qual em seu território e, após sua morte, todos cingiram o diadema e depois deles seus filhos, por muitos anos, multiplicando os males sobre a terra.
  8. Saiu deles uma raiz pecadora, Antíoco Epífanes, filho do rei Antíoco, que havia estado em Roma como refém, e começou a reinar no ano cento e trinta e sete da dominação grega.
  9. Naqueles dias, surgiram de Israel homens iníquos, que instigaram a muitos, dizendo: “Vamos, façamos aliança com as nações circunvizinhas, pois, desde que nos separamos delas, muitos males caíram sobre nós”.
  10. Agradou-lhes esse modo de falar, e alguns dentre o povo tomaram a iniciativa de ir ao rei, o qual lhes deu autorização para introduzir os costumes dos gentios.
  11. Construíram, então, em Jerusalém, uma praça de esportes, segundo os costumes dos pagãos, cancelaram os sinais da circuncisão, afastaram-se da santa aliança, para se associar aos pagãos, e se venderam para fazer o mal.
  12. Quando lhe pareceu que seu reino estava bem consolidado, Antíoco resolveu conquistar o Egito para reinar sobre os dois reinos.
  13. Invadiu, pois, o Egito com um exército imponente, com carros e elefantes, com a cavalaria e uma grande esquadra.
  14. Travou batalha contra Ptolomeu, rei do Egito, que bateu em retirada diante dele, e muitos caíram feridos.
  15. As cidades fortes do Egito foram tomadas, e o país foi saqueado.
  16. Depois de ter vencido o Egito, no ano cento e quarenta e três, Antíoco voltou e marchou contra Israel, subindo até Jerusalém com numeroso exército.
  17. Entrou no santuário com arrogância, tirou o altar de ouro, o candelabro da luz com todos os seus acessórios, a mesa da apresentação, os copos, as taças, os incensórios de ouro, o véu, as coroas e os ornamentos de ouro que havia na fachada do templo, removendo tudo
  18. Tomou também a prata, o ouro e os objetos preciosos, bem como os tesouros escondidos que conseguiu encontrar.
  19. Tendo recolhido tudo, partiu para sua região, depois de ter feito uma matança e falado com extrema arrogância.
  20. Israel celebrou um grande luto em todos os lugares, gemeram os chefes e os anciãos; as virgens e os jovens perderam todo o vigor, e a beleza das mulheres se alterou.
  21. Todo recém-casado entoou um lamento, e a esposa esteve de luto em seu quarto.
    28Tremeu a terra por causa de seus habitantes, e toda a casa de Jacó se cobriu de vergonha.
  22. Dois anos depois, o rei enviou às cidades de Judá um coletor de tributos, que veio a Jerusalém com um exército imponente.
  23. Dirigiu aos habitantes falsas palavras de paz e ganhou a confiança deles. Mas depois, caindo sobre a cidade de improviso, golpeou-a duramente e matou muita gente de Israel.
  24. Saqueou a cidade, entregou-a às chamas e abateu as casas e os muros a seu redor.
  25. Reduziram à escravidão mulheres e crianças, e se apoderaram dos rebanhos.
  26. Reconstruíram a cidade de Davi com um muro elevado, um forte e com torres possantes, fazendo dela sua cidadela.
  27. Instalaram ali gente ímpia, homens iníquos que se fortificaram lá dentro.
  28. Abasteceram-na de armas e víveres e depositaram aí os despojos tomados de Jerusalém, de sorte que se tornou uma grande armadilha.
  29. Foi uma emboscada para o santuário e uma constante ameaça para Israel.
  30. Derramaram sangue inocente ao redor do santuário e profanaram o lugar santo.
  31. Por causa deles fugiram os habitantes de Jerusalém, que ficou sendo habitação de estrangeiros. Tornou-se estranha a sua gente, abandonada por seus próprios filhos!
  32. Seu santuário ficou desolado como um deserto, suas festas se mudaram em luto,
    seus sábados, em dias de vergonha, e sua honra, em desprezo.
  33. Igual a sua glória foi sua desonra, e sua grandeza deu lugar ao luto.
  34. Depois o rei enviou a todo o seu reino uma ordem para que todos formassem um só povo, 42renunciando cada qual aos próprios costumes. Todas as nações aceitaram a ordem do rei; também em Israel muitos abraçaram de bom grado a religião dele, sacrificando aos ídolos e violando o sábado.
  35. O rei expediu também decretos por meio de mensageiros a Jerusalém e às cidades de Judá, lhes prescrevendo que adotassem os costumes estranhos ao país;
  36. Que se abolissem os holocaustos, os sacrifícios e as libações no santuário; que se violassem os sábados e as festas;
  37. Que se profanassem o santuário e as pessoas consagradas;
  38. Que se construíssem altares, templos e ídolos, e se imolassem porcos e animais impuros;
  39. Que deixassem incircuncisos os filhos e que se contaminassem com toda a sorte de impurezas e profanações, de tal modo que esquecessem a lei e subvertessem todas as instituições.
  40. Quem não agisse conforme a ordem do rei devia ser morto.
  41. Em conformidade com todas essas ordens, que tinha enviado a todo o reino, nomeou inspetores para todo o povo e ordenou às cidades de Judá que oferecessem sacrifícios em cada uma delas.
  42. Muitos dentre o povo aderiram a eles: todos os que tinham abandonado a lei.
  43. Praticaram o mal no país, obrigando Israel a viver nos esconderijos e em todos os seus lugares de refúgio.
  44. No dia quinze do mês de casleu, do ano cento e quarenta e cinco, construíram a abominação da desolação sobre o altar dos holocaustos;
  45. Nas cidades circunvizinhas de Judá ergueram altares e às portas das casas e nas praças ofereciam sacrifícios.
  46. Os livros da lei que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo.
  47. Se descobrissem na casa de alguém um exemplar da aliança, e se alguém observasse a lei, o decreto do rei o condenava à morte.
  48. Com prepotência tratavam os israelitas que eram surpreendidos cada mês nas várias cidades.
  49. No dia vinte e cinco de cada mês ofereciam sacrifícios no altar que estava sobre o altar dos holocaustos.
  50. Conforme o decreto, as mulheres que circuncidassem os filhos eram condenadas à morte, com os filhinhos pendurados ao pescoço, com seus familiares e com os que tinham feito a circuncisão.
  51. Todavia, muitos em Israel permaneceram firmes e tiveram a força de não comer nada de impuro, preferindo morrer a se contaminar com alimentos impuros e a profanar a santa aliança, e de fato morreram.
  52. Uma grande ira pesou fortemente sobre Israel.

Fontes: Macabeus 1

Capítulo 36 – Matatias

  1. Naquele tempo, Matatias, filho de João, filho de Simão, sacerdote da descendência de Joarib, deixou Jerusalém para se estabelecer em Modin.
  2. Tinha cinco filhos: João, apelidado Gadi; Simão, chamado Tassi; Judas, chamado Macabeu; Eleazar, chamado Auarã; Jônatas, chamado Afus.
  3. Ao ver as impiedades que se cometiam em Judá e em Jerusalém, exclamou: “Ai de mim! Por que eu nasci para ver a ruína de meu povo e a destruição da cidade santa, ficando aqui sentado, enquanto ela é entregue às mãos dos inimigos e o santuário às mãos de estrangeiros?”
  4. “Seu templo tornou-se como um homem sem glória, 9os objetos que eram sua glória foram levados como despojos; seus meninos foram mortos em suas praças, seus jovens, pela espada do inimigo.”
  5. “Que nação não herdou uma parte de seu reino e não se apoderou de seus despojos?”
  6. “Foi-lhe roubado todo o ornamento, e de livre tornou-se escrava. Nosso lugar santo, nossa beleza, nossa glória, foi devastado, e as nações o profanaram: para que ainda viver?”
  7. Matatias e seus filhos rasgaram as vestes, vestiram roupas de saco e choraram amargamente.
  8. Os emissários do rei, encarregados de forçar à apostasia, vieram à cidade de Modin para os sacrifícios.
  9. Muitos israelitas juntaram-se a eles, porém, Matatias e seus filhos reuniram-se à parte.
  10. Tomando a palavra, os emissários do rei disseram a Matatias: “Tu és um chefe ilustre e poderoso nesta cidade, apoiado por filhos e parentes.”
  11. “Aproxima-te, pois, por primeiro e cumpre a ordem do rei, como têm feito todas as nações, como também os homens de Judá e os que ficaram em Jerusalém.”
  12. “Assim, tu e teus filhos sereis contados entre os amigos do rei; tu e teus filhos sereis honrados com prata, ouro e muitos outros presentes”.
  13. Em resposta, disse Matatias em voz alta: “Ainda que todas as nações sob o domínio do rei lhe obedeçam, abandonando cada qual a religião de seus pais e aderindo às ordens do rei,”
  14. “Eu, meus filhos e meus parentes continuaremos a caminhar na aliança de nossos pais. Deus nos livre de abandonar a lei e as tradições!”
  15. “Não daremos ouvido às palavras do rei para nos desviar de nosso culto, nem à direita e nem à esquerda”.
  16. Mal acabou de falar, um judeu adiantou-se à vista de todos para sacrificar sobre o altar de Modin, conforme o ordem do rei.
  17. Quando o viu, Matatias inflamou-se de zelo, estremeceram suas entranhas e, tomado de justa cólera, arremessou-se sobre ele e o matou sobre o altar.
  18. Matou também na mesma hora o oficial do rei que forçava a sacrificar e destruiu o altar.
  19. Agiu por zelo pela Lei, como havia feito Fineias com Zambri, filho de Salu.
  20. Depois Matatias pôs-se a gritar pela cidade: “Quem tem zelo pela Lei e quer defender a aliança siga-me!”
  21. Ele e seus filhos fugiram para os montes, abandonando na cidade tudo o que possuíam.
  22. Então, muitos que buscavam a justiça e o direito desceram para morar no deserto, levando consigo os filhos, as mulheres e os animais, porque os males pesavam sobre eles.
  23. Foi referido aos oficiais do rei e às milícias que estavam em Jerusalém na cidade de Davi que aqueles homens, os quais haviam transgredido a ordem do rei, haviam descido para os esconderijos no deserto.
  24. Então saíram muitos em sua perseguição e, alcançando-os, acamparam defronte deles, preparando-se para dar-lhes combate em dia de sábado.
  25. E lhes diziam: “Agora basta! Saí, cumpri a ordem do rei e tereis salva a vida”.
  26. Mas eles responderam: “Não sairemos e não cumpriremos a ordem do rei, profanando o dia de sábado”.
  27. Então os inimigos sem demora os atacaram, mas eles não revidaram, não atiraram uma só pedra, nem barricaram seus esconderijos, dizendo: “Morramos todos em nossa inocência; o céu e a terra são testemunhas de que nos matais injustamente”.
  28. A tropa se lançou sobre eles, atacando-os em dia de sábado, e morreram eles, suas mulheres, seus filhos e seus animais em número de mil pessoas.
  29. Quando Matatias e seus filhos souberam disso, muito se entristeceram por eles.
  30. Disseram, depois, um ao outro: “Se todos fizermos como fizeram nossos irmãos, não combatendo contra os gentios por nossas vidas e por nossas tradições, em breve nos exterminarão da face da terra”.
  31. Tomaram naquele dia esta decisão: “Combateremos contra quem quer que nos ataque em dia de sábado e não morreremos todos, como pereceram nossos irmãos nos esconderijos”.
  32. Então uniu-se a eles um grupo dos assideus, homens valentes de Israel, todos apegados à lei.
  33. Também todos os que fugiam por causa dos males juntaram-se a eles e lhes deram apoio.
  34. Formaram assim um exército e bateram, em sua ira, os pecadores e os homens ímpios com furor. Os restantes, para salvar-se, refugiaram-se junto aos gentios.
  35. Matatias e seus amigos percorreram o país, destruíram os altares e circuncidaram à força os meninos incircuncisos que encontraram no território de Israel.
  36. Deram caça aos soberbos, e por seu mérito a empresa foi bem-sucedida.
  37. Defenderam a lei contra a prepotência das nações e dos reis e não permitiram que prevalecessem os pecadores.
  38. Contudo, aproximavam-se de seu fim os dias de Matatias. Ele disse a seus filhos: “Agora triunfam a soberba e a injustiça, é o tempo da destruição e da explosão da cólera.”
  39. “Pois bem, caros filhos, mostrai zelo pela Lei e dai vossas vidas pela aliança de nossos pais.”
  40. “Lembrai-vos dos grandes feitos de nossos pais em seus tempos e ganhareis uma grande glória e um renome eterno.”
  41. “Porventura Abraão não foi achado fiel na prova e isto não lhe foi imputado como justiça?”
  42. “José, no tempo de sua angústia, observou o preceito e tornou-se senhor do Egito.”
  43. “Fineias, nosso pai, pelo zelo demonstrado, obteve a aliança de um sacerdócio eterno.”
  44. “Josué, por ter cumprido a palavra divina, tornou-se juiz em Israel.”
  45. “Caleb, por haver testemunhado diante da assembleia, recebeu uma herança no país.
  46. “Davi, por sua piedade, obteve o trono do reino para sempre.”
  47. “Elias foi elevado ao céu porque demonstrara um zelo ardente pela lei.”
  48. “Ananias, Azarias, Misael, por sua fé, foram salvos das chamas.”
  49. “Daniel, por sua retidão, foi libertado da boca dos leões.”
  50. “Compreendam assim que, de geração em geração, todos aqueles que esperam nele não sucumbem.”
  51. “Não tenham medo das palavras do homem pecador, pois sua glória acabará em esterco e em vermes.”
  52. “Hoje é exaltado, mas amanhã terá desaparecido, porque voltará a seu pó, e seus projetos serão aniquilados.”
  53. “Filhos, sejam valorosos e fiquem firmes na lei, porque por ela sereis glorificados.”
  54. “Aí tenham o seu irmão Simão. Sei que é homem sábio; ouçam-no sempre; ele será o seu pai.”
  55. “Judas Macabeu, valente guerreiro desde a juventude, será para vocês o comandante do exército e conduzirá a batalha contra os povos.
  56. “Reúnam em torno de vocês todos os cumpridores da Lei e vinguem vosso povo.”
  57. “Retribuam aos gentios o que merecem e estejam sempre atentos às prescrições da Lei”.
  58. “Depois os abençoou e foi reunido a seus pais.
  59. “Morreu no ano cento e quarenta e seis e foi sepultado no sepulcro de seus pais em Modin. Todo o Israel o chorou com grande luto.”

Fonte: Macabeus 2

Capítulo 37 – Judas Macabeu

  1. Em seu lugar surgiu seu filho Judas, chamado Macabeu.
  2. Todos os seus irmãos e todos os que haviam aderido a seu pai lhe deram apoio e combateram com entusiasmo a guerra por Israel.
  3. Ele dilatou a glória de seu povo, revestiu-se com a couraça como um gigante, cingiu-se com a armadura de guerra; travou batalhas e protegeu o acampamento com a espada.
  4. Foi semelhante a um leão em suas empresas, a um leãozinho que ruge sobre a presa.
  5. Perseguiu os ímpios, caçando-os, e entregou às chamas os que perturbavam seu povo.
  6. Esmoreceram os ímpios por medo dele, e os malfeitores foram confundidos. Causou amarguras a muitos reis e alegrou Jacó com seus feitos.
  7. Percorreu as cidades de Judá e exterminou delas os ímpios e apartou de Israel a ira divina.Tornou-se famoso até os confins da terra e reuniu os dispersos.
  8. Apolônio havia reunido, além dos gentios, um grande exército da Samaria para guerrear contra Israel.
  9. Judas, sabendo disso, marchou a seu encontro, derrotou-o e o matou; muitos caíram feridos de morte e os restantes fugiram.
  10. Tomaram seus despojos. Judas apoderou-se da espada de Apolônio e com ela combateu durante todos os seus dias.
  11. Seron, comandante do exército da Síria, soube que Judas havia reunido ao redor de si um grupo de fiéis e de homens prontos a sair para a guerra.
  12. Ele disse: “Vou ganhar fama e alcançar glória no reino; combaterei Judas e seus adeptos que desprezam as ordens do rei”.
  13. Partiu, pois, e junto com ele subiu um forte exército de ímpios para ajudá-lo a tomar vingança dos israelitas.
  14. Quando chegou à subida de Bet-Horon, Judas saiu contra ele com pouca gente.
  15. Ao verem o exército que marchava contra eles, disseram a Judas: “Como poderemos nós, sendo tão poucos, combater contra uma multidão tão grande e forte? Estamos esgotados porque hoje ainda estamos em jejum”.
  16. Mas Judas respondeu: “É bem fácil que muitos caiam nas mãos de poucos, e para o Céu é indiferente salvar por meio de muitos ou de poucos; na guerra o triunfo não depende da grandeza do exército, mas é do Céu que vem a força.
  17. “Eles marcham contra nós, cheios de insolência e de impiedade, para eliminar-nos com nossas mulheres e nossos filhos e para nos saquear; mas nós combatemos por nossas vidas e por nossas leis.”
  18. “Ele os aniquilará diante de nós; portanto, não os temais”.  Logo que acabou de falar, caiu sobre eles de improviso.
  19. Seron e seu exército saíram derrotados diante dele. Eles os perseguiram pela descida de Bet-Horon até à planície.
  20. Caíram cerca de oitocentos homens, e os restantes fugiram para a região dos filisteus.
  21. Assim, Judas e seus irmãos começaram a ser temidos, e o terror se apoderou das nações ao redor.
  22. A fama dele chegou ao conhecimento do rei, e as nações falavam das batalhas de Judas.
  23. Ao ouvir essas notícias, o rei Antíoco inflamou-se de cólera e mandou reunir todas as tropas de seu reino, um exército poderosíssimo.
  24. Abriu seu erário, pagou às tropas o soldo de um ano e ordenou-lhes que estivessem prontas para qualquer eventualidade.
  25. Viu, porém, que faltava dinheiro em seus cofres e que os tributos do país eram escassos por causa da revolta e da ruína que ele mesmo havia provocado na região, por ter abolido as tradições que estavam em vigor desde os tempos antigos.
  26. Teve receio, então, de não poder dispor, como lhe acontecera uma ou duas vezes, de recursos para as despesas e os donativos que fazia com mão pródiga, superando os reis precedentes.
  27. A ansiedade apoderou-se de sua alma e então resolveu ir à Pérsia recolher os tributos das províncias e juntar muito dinheiro.
  28. Deixou Lísias, homem ilustre de estirpe régia, na direção dos negócios do reino desde o rio Eufrates até à fronteira do Egito, incumbindo-o também de educar seu filho Antíoco, até seu regresso.
  29. Confiou-lhe a metade de seu exército com os elefantes e deu-lhe instruções a respeito de tudo o que desejava, também com referência aos habitantes da Judeia e de Jerusalém.
  30. Devia enviar contra eles um exército para abater e destruir o poder de Israel e o resto de Jerusalém, cancelar até mesmo sua lembrança daquele lugar e instalar estrangeiros em todos os seus territórios, distribuindo-lhes as terras.
  31. O rei tomou a outra metade do exército e partiu de Antioquia, capital de seu reino, no ano cento e quarenta e sete. Atravessou o rio Eufrates e pôs-se a percorrer as províncias setentrionais.
  32. Lísias escolheu Ptolomeu, filho de Dorímenes, Nicanor e Górgias, homens valorosos entre os amigos do rei.
  33. Enviou com eles quarenta mil homens e sete mil cavaleiros para invadir a terra de Judá e devastá-la conforme a ordem do rei.
  34. Partiram com todas as suas tropas e foram acampar na planície, perto de Emaús.
  35. Quando os comerciantes do país ouviram falar deles, vieram ao acampamento trazendo grande quantidade de prata e de ouro, como também correntes, para comprar os israelitas como escravos. A eles se juntaram tropas da Síria e de países estrangeiros.
  36. Judas e seus irmãos viram que os males se agravavam e que aquelas tropas acampavam em seu território; souberam o que o rei havia mandado fazer para a ruína e o extermínio do povo.
  37. Por isso disseram uns aos outros: “Façamos o povo reerguer-se de seu abatimento e combatamos por nosso povo e pelo santuário”.
  38. Então foi convocada a assembleia geral em preparação para a guerra e para rezar e implorar piedade e misericórdia.
  39. Jerusalém estava desabitada como um deserto: não havia entre seus filhos quem entrasse ou saísse; o santuário era calcado aos pés.
  40. Filhos de estrangeiros ocupavam a cidadela, transformada em abrigo de gentios; a alegria fora banida de Jacó, não se ouvia mais a flauta nem a cítara.
  41. Reuniram-se, pois, e foram para Masfa, defronte de Jerusalém, porque antigamente havia em Masfa um lugar de oração para Israel.
  42. Naquele dia jejuaram, vestiram-se de pano de saco, puseram cinza na cabeça e rasgaram as vestes.
  43. Desenrolaram o livro da Lei, buscando nele as coisas que os gentios perguntavam aos ídolos de seus deuses.
  44. Trouxeram também as vestes sacerdotais, as primícias e os dízimos e mandaram vir os nazireus que tinham cumprido o tempo de seu voto.
  45. Elevaram a voz para o Céu, dizendo: “Que faremos destes e para onde os levaremos?”
  46. “Vosso santuário foi calcado aos pés e profanado, vossos sacerdotes estão de luto e humilhados.”
  47. “As nações se reuniram contra nós para nos aniquilar; vós sabeis o que tramam contra nós. Como poderemos resistir diante deles, se não nos socorreis?” Então tocaram as trombetas e gritaram em voz alta.
  48. Depois, Judas nomeou os comandantes do povo: chefes de mil, de cem, de cinquenta e de dez.
  49. Ordenou aos que estavam construindo sua casa, aos que tinham acabado de se casar ou de plantar uma vinha, como também aos medrosos, que cada qual voltasse para casa, conforme a Lei.
  50. Então o exército pôs-se em marcha e foi acampar ao sul de Emaús.
  51. Judas disse: “Cingi as armas, sede fortes e estai prontos para dar combate amanhã de manhã a estas nações que se aliaram contra nós para destruir a nós e nosso santuário. “
  52. “Porque para nós é melhor morrer combatendo do que ver a ruína de nossa gente e do santuário.”
  53. “O que for da vontade do Céu ele o fará!”

Fontes: Macabeus 3

Capítulo 38 – Rededicação

  1. Górgias tomou consigo cinco mil homens e mil cavaleiros escolhidos.
  2. Essa tropa saiu de noite para invadir o acampamento dos judeus e atacá-los de improviso. Os homens da cidadela lhe serviam de guia.
  3. Logo que o soube, Judas partiu com seus guerreiros para cair sobre o exército do rei que se achava em Emaús, enquanto as tropas ainda estavam dispersas fora do acampamento.
  4. Górgias chegou à noite ao acampamento de Judas e, não encontrando ninguém, pôs-se a procurá-los pelas montanhas, dizendo: “Fugiram de nós”.
  5. Ao despontar do dia, Judas surgiu na planície com três mil homens, os quais, porém, não tinham armaduras nem espadas como desejariam.
  6. Viram que o acampamento dos gentios era poderoso e fortificado, que a cavalaria o rodeava e que eram homens treinados para a guerra.
  7. Judas disse aos que estavam com ele: “Não temais seu número e não tenhais medo de seu assalto.”
  8. “Lembrai-vos como nossos pais foram salvos no mar Vermelho, quando o Faraó os perseguiu com um exército.”
  9. “Clamemos, pois, agora ao Céu, na esperança de que nos seja benigno, que se recorde da aliança com nossos pais e derrote hoje esse exército diante de nós.”
  10. “Assim todas as nações saberão que existe quem resgata e salva Israel”.
  11. Quando os estrangeiros levantaram os olhos e viram que os judeus marchavam contra eles, saíram do acampamento para travar batalha.
  12. Os que estavam com Judas tocaram então as trombetas e atacaram. Os gentios foram derrotados e fugiram para a planície.
  13. Os que ficaram para trás caíram todos a golpes de espada. Perseguiram-nos até Gazara e até as planícies da Idumeia, de Azoto e de Jâmnia, de modo que tombaram uns três mil homens.
  14. Quando Judas e suas tropas retornaram da perseguição, disse ele ao povo: “Deixai de lado a avidez dos despojos, porque um outro combate nos espera:”
  15. “Górgias com suas tropas está na montanha perto de nós; por isso resisti agora diante de nossos inimigos e combatei-os; depois recolhereis os despojos com segurança”.
  16. Judas estava acabando de falar, quando apareceu um esquadrão que espiava do alto do morro.
  17. Viram que os seus tinham sido postos em fuga e que o acampamento estava em chamas, pois a fumaça que ainda se via manifestava o acontecido.
  18. Ao verem isto, foram dominados pelo pânico e, vendo também que as tropas de Judas estavam na planície, prontas para o combate, fugiram todos para a região dos filisteus.
  19. Então Judas voltou para saquear o acampamento, onde encontraram muito ouro, prata, tecidos de púrpura violeta e de púrpura marinha e riquezas em quantidade.
  20. Ao voltar cantavam hinos e bendiziam o Céu: “Porque ele é bom e eterna é sua misericórdia”.
  21. Aquele foi um dia de grande libertação para Israel.Judas derrota Lísias.
  22. Os estrangeiros que escaparam foram referir a Lísias todo o acontecido.
  23. Ao ouvir isto, ficou consternado e abatido, porque as coisas em Israel não tinham acontecido como ele desejava, e o êxito não fora conforme as ordens do rei.
  24. Por isso, no ano seguinte reuniu sessenta mil homens escolhidos e cinco mil cavaleiros para combater os judeus.
  25. Entraram na Idumeia e acamparam em Betsur, e Judas saiu contra eles com dez mil homens.
  26. Ao ver tão forte exército, rezou, dizendo: “Bendito sois vós, ó Salvador de Israel, que quebrastes o ímpeto do gigante pela mão de vosso servo Davi e entregastes o exército dos filisteus nas mãos de Jônatas, filho de Saul, e de seu escudeiro.”
  27. “Do mesmo modo, fazei cair este exército nas mãos de Israel, vosso povo, de modo que sejam cobertos de ignomínia com suas forças e com sua cavalaria.”
  28. “Infundi neles o terror, quebrantai a audácia de sua força e sejam arrastados na própria derrota.”
  29. “Derrubai-os sob a espada dos que vos amam, a fim de que vos louvem com hinos todos os que conhecem vosso nome”.
  30. Lançaram-se uns contra os outros e caíram diante deles cerca de cinco mil homens do exército de Lísias.
  31. Vendo a retirada de suas tropas e a audácia demonstrada pelos soldados de Judas, como estavam prontos a viver ou morrer corajosamente, Lísias voltou para Antioquia, onde começou a recrutar mercenários estrangeiros em maior número, para depois voltar para a Judeia.
  32. Então Judas e seus irmãos disseram: “Nossos inimigos estão derrotados; vamos, pois, purificar o santuário e consagrá-lo de novo.”
  33. Reuniram todo o exército e subiram ao monte Sião.
  34. Viram o santuário deserto, o altar profanado, as portas incendiadas e o mato que crescia nos átrios como se fora num bosque ou num monte, e as salas destruídas.
  35. Rasgaram as vestes, fizeram uma grande lamentação, cobriram-se de cinzas, se prostraram com a face por terra, mandaram dar os sinais com as trombetas e elevaram clamores ao Céu.
  36. Judas incumbiu certo número de homens de combater os da cidadela, até que ele tivesse purificado o santuário.
  37. Escolheu sacerdotes sem mácula, observantes da lei, os quais purificaram o santuário e levaram para um lugar impuro as pedras contaminadas.
  38. Deliberaram o que deviam fazer do altar dos holocaustos, que tinha sido profanado.
  39. E ocorreu-lhes a boa ideia de demoli-lo, a fim de que não se tornasse para eles motivo de desonra, porque os gentios o haviam contaminado.
  40. Demoliram-no e colocaram as pedras no monte do templo, num lugar conveniente, à espera de que viesse algum profeta e se pronunciasse a seu respeito.
  41. Depois tomaram pedras intactas, segundo a prescrição da Lei, e construíram um altar novo, conforme o modelo do anterior.
  42. Restauraram o santuário e o interior do templo e consagraram os átrios.
  43. Mandaram fazer novos utensílios sagrados e introduziram no templo o candelabro, o altar dos perfumes e a mesa.
  44. Queimaram incenso sobre o altar, acenderam as lâmpadas do candelabro, que voltaram a brilhar no templo.
  45. Puseram os pães sobre a mesa, dependuraram as cortinas e terminaram todos os trabalhos empreendidos.
  46. No dia vinte e cinco do nono mês, ou seja, do mês de casleu, do ano cento e quarenta e oito, levantaram-se bem cedo.
  47. Ofereceram um sacrifício, conforme as prescrições da Lei, sobre o novo altar dos holocaustos que tinham construído.
  48. Exatamente no tempo e no dia em que os gentios o haviam profanado, foi inaugurado entre cânticos e ao som de cítaras, harpas e címbalos.
  49. Todo o povo se prostrou com o rosto por terra, adorando e bendizendo o Céu que os havia conduzido ao sucesso.
  50. Celebraram a dedicação do altar durante oito dias, oferecendo com alegria holocaustos e sacrifícios de comunhão e de ação de graças.
  51. Além disso, ornaram a fachada do templo com coroas de ouro e pequenos escudos. Refizeram os portões e os aposentos, nos quais colocaram portas.
  52. Foi imensa a alegria entre o povo, e assim foi cancelado o opróbrio infligido pelos gentios.
  53. Depois, Judas, seus irmãos e toda a assembleia de Israel estabeleceram que se celebrassem os dias da dedicação do altar em sua data própria, todos os anos, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de casleu, com grande júbilo e alegria.
  54. Nesse tempo construíram em torno do monte Sião muros altos e torres sólidas, para que os gentios não voltassem a calcá-lo aos pés como fizeram antes.
  55. Judas instalou ali forças militares para o defender e fortificou também Betsur, para que o povo tivesse um baluarte contra a Idumeia.

Fontes: Macabeus 4

Capítulo 39 – Eleazar

  1. Enquanto percorria as províncias setentrionais, o rei Antíoco ficou sabendo que existia na Pérsia a cidade de Elimaida, famosa por sua riqueza, sua prata e seu ouro;
  2. Que lá havia um templo riquíssimo, onde se achavam armaduras de ouro, couraças e armas, deixadas por Alexandre, filho de Filipe, o rei macedônio que havia reinado por primeiro sobre os gregos.
  3. Foi até lá e procurava apoderar-se da cidade e saqueá-la, mas não conseguiu, porque os habitantes souberam de seus planos.
  4. Levantaram-se contra ele armados, e ele fugiu, retirando-se com grande tristeza, para regressar a Babilônia.
  5. Estava ainda na Pérsia, quando alguém veio anunciar-lhe que as tropas enviadas à Judeia tinham sido derrotadas,
  6. Que Lísias fora para lá com um forte exército, mas que fora vencido pelos judeus, os quais se tinham reforçado com armas, instrumentos de guerra e a grande quantidade de despojos tomados aos exércitos destruídos;
  7. Que, além disso, haviam abatido a abominação por ele erguida sobre o altar em Jerusalém e tinham rodeado o santuário com altos muros, como era antes, e igualmente Betsur, cidade pertencente ao rei.
  8. Ao ouvir tais notícias, o rei ficou aturdido e fortemente agitado; lançou-se sobre o leito e adoeceu de tristeza, porque as coisas não aconteceram conforme seus desejos.
  9. Ficou assim muitos dias, porque se renovava nele uma forte depressão, e pensou que estava para morrer.
  10. Convocou todos os seus amigos e lhes disse: “Fugiu o sono de meus olhos e tenho o coração abatido pela inquietude.
  11. E digo a mim mesmo: ‘A que grau de aflição cheguei e em que terrível agitação caí, eu que era tão feliz e amado no tempo de meu poder!’
  12. Agora, porém, assalta-me a lembrança do mal que fiz em Jerusalém, saqueando todos os objetos de prata e ouro que ali se encontravam e mandando exterminar os habitantes da Judeia sem motivo.
  13. Reconheço que é por causa disso que estas desgraças me atingiram; e agora morro de tristeza numa terra estrangeira”.
  14. Então chamou Filipe, um de seus amigos, e nomeou-o regente de todo o seu reino.
  15. Deu-lhe o diadema, seu manto e o anel, encarregando-o de guiar seu filho Antíoco e educá-lo para reinar.
  16. E ali morreu o rei Antíoco, no ano cento e quarenta e nove.
  17. Ao saber da morte do rei, Lísias proclamou rei seu filho Antíoco, que ele educara desde pequenino, e deu-lhe o nome de Eupátor.
  18. Ora, os que ocupavam a cidadela impediam a passagem dos israelitas ao redor do templo, procurando importuná-los continuamente e ajudar os gentios.
  19. Judas resolveu exterminá-los e convocou todo o povo para sitiá-los.
  20. Reuniram-se, pois, e puseram o cerco em torno da cidadela no ano cento e cinquenta, e construíram plataformas e máquinas.
  21. Alguns dos sitiados, porém, escaparam do cerco, e a eles se uniram alguns israelitas renegados.
  22. Foram ter com o rei e lhe disseram: “Até quando esperarás para fazer justiça e vingar nossos irmãos?”
  23. “Nós aceitamos de boa vontade servir a teu pai, seguir suas ordens e cumprir seus decretos.”
  24. Por essa razão, os filhos de nosso povo sitiaram a cidadela e se apartaram de nós; antes, matam todos os nossos que caem em suas mãos e saqueiam nossos bens.
  25. E não apenas contra nós estendem as mãos, mas também contra todos os territórios vizinhos.
  26. Hoje estão acampados em torno da cidadela de Jerusalém, para se apoderarem dela, e fortificaram o santuário e Betsur.
  27. Se não te apressas em precedê-los, farão coisas ainda piores e não mais poderás detê-los”.
  28. Ao ouvir isso, o rei se encheu de cólera e reuniu todos os seus amigos, comandantes do exército e da cavalaria.
  29. Vieram a ele também tropas mercenárias de outros reinos e das ilhas marítimas, de sorte que o número de suas tropas era de cem mil infantes, vinte mil cavalos e trinta e dois elefantes adestrados para a guerra.
  30. Passaram pela Idumeia e acamparam junto a Betsur; atacaram-na durante muitos dias utilizando máquinas, mas os sitiados saíram, incendiaram-nas numa investida e contra-atacavam valorosamente.
  31. Então Judas saiu da cidadela e foi acampar em Bet-Zacarias, defronte do acampamento do rei.
  32. Mas o rei levantou-se bem cedo, moveu o acampamento, lançando impetuosamente suas tropas em direção de Bet-Zacarias, onde as tropas se dispuseram para o combate e soaram as trombetas.
  33. Para instigar os elefantes ao combate, mostraram-lhes suco de uvas e de amoras.
  34. Repartiram esses animais por entre as falanges, colocando nos dois lados de cada elefante mil homens, protegidos com couraça de malhas de ferro e com elmos de bronze na cabeça, e quinhentos cavaleiros escolhidos estavam dispostos em torno de cada animal.
  35. Esses ficavam sempre ao lado do animal, onde quer que estivesse, e o acompanhavam aonde quer que fosse, sem jamais afastar-se dele.
  36. Sobre cada elefante havia sólidas torres de madeira, protegidas dos ataques, firmadas a ele por meio de cilhas, e em cada torre estavam quatro soldados que combatiam lá de cima, e mais seu condutor indiano.
  37. O rei repartiu o restante da cavalaria pelas duas alas do exército, para incutir terror e dar cobertura às falanges.
  38. Quando o sol brilhava sobre os escudos de ouro e de bronze, as montanhas resplandeciam e brilhavam como tochas acesas.
  39. Parte do exército do rei se dispôs no alto dos montes, uma outra parte na planície, e começaram a avançar com passo firme e em ordem.
  40. Todos tremiam ao ouvir o clamor daquela multidão, o marchar de tanta gente e o retinir de suas armas, pois era de fato um exército imenso e forte.
  41. Judas com suas tropas avançou para o ataque, e no exército do rei caíram seiscentos homens.
  42. Eleazar, chamado Auarã, vendo um dos elefantes protegido com couraças régias, que superava em altura todos os animais, julgou que fosse o rei que o montava.
  43. Sacrificou-se então para a salvação de seu povo e para conquistar um nome eterno.
  44. Correu até ele com ousadia através da falange, golpeando à direita e à esquerda, de modo que os inimigos se repartiam diante dele para um lado e para o outro.
  45. Meteu-se debaixo do elefante, golpeou-o por baixo e o matou; o animal tombou ao solo por cima dele, e ali morreu Eleazar.
  46. Os judeus, vendo o poderio do exército do rei e o ímpeto das tropas, retiraram-se diante deles.

Fonte: Macabeus 6

Capítulo 40 – Roma

  1. Então o exército do rei subiu para atacá-los em Jerusalém, e o rei acampou contra a Judeia e contra o monte Sião.
  2. Fez a paz com os habitantes de Betsur, os quais saíram da cidade, não tendo mais provisões para resistir ao cerco, visto que a terra estava no repouso do ano sabático.
  3. O rei apoderou-se de Betsur e pôs ali uma guarnição para defendê-la.
  4. Sitiou o santuário durante muito tempo, empregando plataformas, máquinas de atirar, lança-chamas, catapultas, escorpiões para lançar flechas e fundas.
  5. Também os judeus prepararam máquinas contra as máquinas dele e lutaram por muito tempo.
  6. Mas não havia mais víveres nos depósitos, porque aquele era o ano sabático e porque os que se tinham refugiado na Judeia, fugindo dos gentios, haviam consumido o resto das provisões.
  7. Foram deixados poucos homens no santuário porque a fome os afligia; os outros se dispersaram, indo cada qual para sua terra.
  8. Entretanto Lísias ficou sabendo que Filipe, encarregado pelo rei Antíoco, quando ainda vivo, de educar seu filho Antíoco para que pudesse reinar, tinha voltado da Pérsia e da Média com as tropas que haviam acompanhado o rei e procurava tomar as rédeas do governo.
  9. Então, apressadamente, resolveu partir e disse ao rei, aos comandantes do exército e aos soldados: “Nós estamos ficando cada dia mais fracos, o alimento é pouco e o lugar que sitiamos está bem fortificado, e temos de cuidar dos negócios do reino.”
  10. “Estendamos, pois, a mão direita a esses homens e façamos as pazes com eles e com toda a sua nação.”
  11. “Vamos permitir que vivam segundo suas leis, como antes, pois é por causa dessas leis, abolidas por nós, que eles se irritaram e fizeram tudo isso”.
  12. A proposta agradou ao rei e aos comandantes; mandou negociar a paz com eles, e eles aceitaram.
  13. O rei e os comandantes juraram diante deles e, sob essas condições, eles saíram da fortaleza.
  14. Mas quando o rei subiu ao monte Sião e viu as fortificações do lugar, violou o juramento prestado e mandou demolir os muros a seu redor.
  15. Depois partiu às pressas e voltou para Antioquia, onde encontrou Filipe, que se tinha apoderado da cidade; combateu contra ele e tomou a cidade à força.
  16. Judas ficou sabendo da fama dos romanos: que eram muito poderosos e benévolos com todos os seus aliados, que concediam sua amizade aos que se dirigiam a eles e que eram fortes e poderosos.
  17. Narraram-lhe suas guerras e as gloriosas façanhas realizadas entre os gauleses, como os tinham vencido e submetido a tributo.
  18. Tudo quanto fizeram na região da Espanha para se apoderarem das minas de prata e de ouro ali existentes;
  19. Que tinham vencido na guerra e submetido Filipe e Perseu, rei dos ceteus, e os que se haviam rebelado contra eles.
  20. Também Antíoco, o Grande, rei da Ásia, que marchou contra eles com cento e vinte elefantes, cavalaria, carros e um exército imenso, foi por eles derrotado e capturado vivo;
  21. Impuseram a ele e a seus sucessores que pagassem um pesado tributo, entregassem reféns e cedessem territórios: a região da Índia, a Média, a Lídia, com algumas de suas mais belas províncias, que tomaram dele para dá-las ao rei Eumenes.
  22. Os gregos decidiram enfrentá-los e destruí-los, mas quando estes souberam desse plano, mandaram contra eles um único general;
  23. Combateram contra eles e muitos caíram mortos; levaram cativos suas mulheres e filhos, saquearam seus bens, conquistaram o país, demoliram suas fortalezas e reduziram-nos à servidão até o dia de hoje.
  24. Quanto aos outros reinos e ilhas que se opuseram a eles, foram destruídos e submetidos.
  25. Com seus amigos, porém, e com os que se fiavam em seu apoio, mantiveram amizade; estenderam seu poder sobre os reis, quer vizinhos quer distantes, e todos os que ouviam pronunciar seu nome sentiam temor.
  26. Os que eles querem ajudar e instalar no trono reinam; mas depõem quem eles querem. Atingiram um poder considerável.
  27. Apesar de tudo, nenhum deles cingiu o diadema, nem se vestiu de púrpura para se engrandecer; mas constituíram um conselho e, diariamente, trezentos e vinte conselheiros deliberam continuamente sobre os negócios públicos para seu bom andamento.
  28. Confiam cada ano a um só homem o encargo de os governar e o domínio sobre todo o império, e a ele todos obedecem, sem que haja entre eles inveja ou rivalidade.
  29. Então Judas escolheu Eupólemo, filho de João, filho de Acos, e Jasão, filho de Eleazar, e mandou-os a Roma para fazer amizade e aliança com eles e para libertar-se do jugo, porque viam que a dominação dos gregos reduzia Israel à escravidão.
  30. Chegaram a Roma depois de uma viagem muito longa, entraram no Senado e falaram nestes termos:
  31. “Judas, chamado Macabeu, seus irmãos e o povo dos judeus nos enviaram a vós para concluir convosco um tratado de aliança e de paz e para sermos inscritos entre vossos aliados e amigos”. A proposta agradou-lhes.
  32. Esta é a cópia da carta que gravaram em tábuas de bronze e que enviaram a Jerusalém, para que lá ficasse como documento de paz e de aliança:
  33. “Prosperidade aos romanos e à nação dos judeus, no mar e na terra, para sempre! Estejam longe deles a espada e o inimigo.”
  34. “Mas se uma guerra ameaça Roma primeiramente ou algum de seus aliados em todos os seus domínios, a nação dos judeus combaterá a seu lado como as circunstâncias o permitirem, de coração sincero.” Não darão aos inimigos nem lhes fornecerão trigo, armas, dinheiro, navios, conforme a decisão de Roma, e cumprirão seus compromissos sem pretender nada.”
  35. “Do mesmo modo, se sobrevier uma guerra aos judeus primeiramente, os romanos combaterão a seu lado de coração sincero, conforme o permitirem as circunstâncias.”
  36. “Aos inimigos não será dado trigo, nem armas, nem dinheiro, nem navios, segundo a decisão de Roma, mas cumprirão essas obrigações lealmente.”
  37. Foi nestes termos que os romanos fizeram aliança com o povo dos judeus.
  38. Se depois disso, estes ou aqueles quiserem acrescentar ou tirar algo, poderão fazê-lo à vontade, e aquilo que tiverem acrescentado ou tirado será obrigatório.

Fontes: Macabeus 6 e 8

Capítulo 41 – Malaquias: Mensageiro

  1. Uma advertência: a palavra do SENHOR contra Israel, por meio de Malaquias.
  2. “Vejam, eu enviarei o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim. E então, de repente, o SENHOR que vocês buscam virá para o seu templo.”
  3. “O mensageiro da aliança, aquele que vocês desejam, virá”, diz o SENHOR dos Exércitos.
  4. “Mas quem suportará o dia da sua vinda? Quem ficará de pé quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão do lavandeiro.”
  5. “Ele se sentará como um refinador e purificador de prata; purificará os levitas e os refinará como ouro e prata. Assim trarão ao SENHOR ofertas com justiça.”
  6. “Então as ofertas de Judá e de Jerusalém serão agradáveis ao SENHOR, como nos dias passados, como nos tempos antigos.”
  7. “Eu virei a vocês trazendo juízo. Sem demora vou testemunhar contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente e contra aqueles que exploram os trabalhadores em seus salários, que oprimem os órfãos e as viúvas e privam os estrangeiros dos seus direitos, e não têm respeito por mim”, diz o SENHOR dos Exércitos.
  8. “De fato, eu, o SENHOR, não mudo. Por isso vocês, descendentes de Jacó, não foram destruídos.”
  9. “Desde o tempo dos seus antepassados vocês se desviaram dos meus decretos e não os obedeceram. Voltem para mim e eu voltarei para vocês”, diz o SENHOR dos Exércitos. “Mas vocês perguntam: ‘Como voltaremos? ’
  10. “Pode um homem roubar de Deus? Contudo vocês estão me roubando. E ainda perguntam: ‘Como é que te roubamos?’ Nos dízimos e nas ofertas.”
  11. Vocês estão debaixo de grande maldição porque estão me roubando; a nação toda está me roubando.
  12. Tragam o dízimo todo ao depósito do templo, para que haja alimento em minha casa. Ponham-me à prova”, diz o SENHOR dos Exércitos, “e vejam se não vou abrir as comportas dos céus e derramar sobre vocês tantas bênçãos que nem terão onde guardá-las.”
  13. “Impedirei que pragas devorem suas colheitas, e as videiras nos campos não perderão o seu fruto”, diz o SENHOR dos Exércitos.”
  14. “Então todas as nações os chamarão felizes, porque a terra de vocês será maravilhosa”, diz o SENHOR dos Exércitos.”
  15. “Vocês têm dito palavras duras contra mim”, diz o SENHOR. “Ainda assim perguntam: O que temos falado contra ti?”
  16. “Vocês dizem: É inútil servir a Deus. O que ganhamos quando obedecemos aos seus preceitos e andamos lamentando diante do SENHOR dos Exércitos?”
  17. “Por isso, agora consideramos felizes os arrogantes, pois tanto prospera o que pratica o mal como escapam ilesos os que desafiam a Deus!”
  18. Depois aqueles que temiam ao SENHOR conversaram uns com os outros, e o SENHOR os ouviu com atenção. Foi escrito um livro como memorial na sua presença acerca dos que temiam ao SENHOR e honravam o seu nome.
  19. “No dia em que eu agir”, diz o SENHOR dos Exércitos, “Eles serão o meu tesouro pessoal. Eu terei compaixão deles como um pai tem compaixão do filho que lhe obedece.”
  20. “Então vocês verão novamente a diferença entre o justo e o ímpio, entre os que servem a Deus e os que não o servem.”
  21. “Pois certamente vem o dia, ardente como uma fornalha. Todos os arrogantes e todos os malfeitores serão como palha, e aquele dia, que está chegando, ateará fogo neles”, diz o SENHOR dos Exércitos. “Nem raiz nem galho algum sobrará.”
  22. “Mas para vocês que reverenciam o meu nome, o sol da justiça se levantará trazendo cura em suas asas. E vocês sairão e saltarão como bezerros soltos do curral.”
  23. “Depois esmagarão os ímpios, que serão como pó sob as solas dos seus pés no dia em que eu agir”, diz o SENHOR dos Exércitos.
  24. “Lembrem-se da lei do meu servo Moisés, dos decretos e das ordenanças que lhe dei em Horebe para todo o povo de Israel.”
  25. “Vejam, eu enviarei a vocês o profeta Elias antes do grande e terrível dia do SENHOR.”
  26. “Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais; do contrário eu virei e castigarei a terra com maldição.”

Fonte: Malaquias 3 e 4.

Capítulo 42 – Batista

  1. Princípio do evangelho de Jesus o Messias, o Filho de Deus.
  2. Conforme está escrito no profeta Isaías: “Enviarei à tua frente o meu mensageiro; ele preparará o teu caminho.”
  3. “A voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o SENHOR, façam veredas retas para ele’”. (Is 40).
  4. Assim surgiu João, batizando no deserto e pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados.
  5. A ele vinha toda a região da Judéia e todo o povo de Jerusalém. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão.
  6. João vestia roupas feitas de pelos de camelo, usava um cinto de couro e comia gafanhotos e mel silvestre.
  7. E esta era a sua mensagem: “Depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de curvar-me e desamarrar as correias das suas sandálias.
  8. Eu os batizo com água, mas ele os batizará com o Espírito Santo”.
  9. Naquela ocasião Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no Jordão.
  10. Assim que saiu da água, Jesus viu os céus se abrindo, e o Espírito descendo como pomba sobre ele.
  11. Então veio dos céus uma voz: “Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado”.
  12. Logo após, o Espírito o impeliu para o deserto.
  13. Ali esteve quarenta dias, sendo tentado por Satanás. Estava com os animais selvagens, e os anjos o serviam.
  14. Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.
  15. O tentador aproximou-se dele e disse: “Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras se transformem em pães”.
  16. Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’”.
  17. Então o diabo o levou à cidade santa, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse:
  18. “Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui para baixo. Pois está escrito: ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra’”.
  19. Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não ponha à prova o SENHOR, o seu Deus’”.
  20. Depois, o diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor.
  21. E lhe disse: “Tudo isto lhe darei, se você se prostrar e me adorar”.
  22. Jesus lhe disse: “Retire-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o SENHOR, o seu Deus e só a ele preste culto’”.
  23. Então o diabo o deixou, e anjos vieram e o serviram.
  24. Quando Jesus ouviu que João tinha sido preso, voltou para a Galiléia.
  25. Saindo de Nazaré, foi viver em Cafarnaum, que ficava junto ao mar, na região de Zebulom e Naftali,
  26. para cumprir o que fora dito pelo profeta Isaías:
  27. “Terra de Zebulom e terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios;
  28. o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz”.

Fontes: Marco 1 e Mateus 4

Capítulo 43 – Bem-Aventurados

  1. Depois que João foi preso, Jesus foi para a Galiléia, proclamando as boas novas de Deus.
  2. “O tempo é chegado”, dizia ele. “O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas! “
  3. Andando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu Simão e seu irmão André lançando redes ao mar, pois eram pescadores.
  4. E disse Jesus: “Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens”.
  5. No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram.
  6. Indo um pouco mais adiante, viu num barco Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, preparando as suas redes.
  7. Logo os chamou, e eles o seguiram, deixando Zebedeu, seu pai, com os empregados no barco.
  8. Eles foram para Cafarnaum e, assim que chegou o sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar.
  9. Todos ficavam maravilhados com o seu ensino, porque lhes ensinava como alguém que tem autoridade e não como os mestres da lei.
  10. Justamente naquela hora, na sinagoga, um homem possesso de um espírito imundo gritou:
  11. “O que queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Sei quem tu és: o Santo de Deus! “
  12. “Cale-se e saia dele! “, repreendeu-o Jesus.
  13. O espírito imundo sacudiu o homem violentamente e saiu dele gritando.
  14. Todos ficaram tão admirados que perguntavam uns aos outros: “O que é isto? Um novo ensino — e com autoridade! Até aos espíritos imundos ele dá ordens, e eles lhe obedecem!”
  15. As notícias a seu respeito se espalharam rapidamente por toda a região da Galiléia.
  16. Logo que saíram da sinagoga, foram com Tiago e João à casa de Simão e André.
  17. A sogra de Simão estava de cama, com febre, e falaram a respeito dela a Jesus.
  18. Então ele se aproximou dela, tomou-a pela mão e ajudou-a a levantar-se. A febre a deixou, e ela começou a servi-los.
  19. Ao anoitecer, depois do pôr-do-sol, o povo levou a Jesus todos os doentes e os endemoninhados.
  20. Toda a cidade se reuniu à porta da casa,
  21. e Jesus curou muitos que sofriam de várias doenças. Também expulsou muitos demônios; não permitia, porém, que estes falassem, porque sabiam quem ele era.
  22. De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando.
  23. Simão e seus companheiros foram procurá-lo
  24. e, ao encontrá-lo, disseram: “Todos estão te procurando!”
  25. Jesus respondeu: “Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim”.
  26. Então ele percorreu toda a Galiléia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios.
  27. Um leproso aproximou-se dele e suplicou-lhe de joelhos: “Se quiseres, podes purificar-me!”
  28. Cheio de compaixão, Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Quero. Seja purificado! “
  29. Imediatamente a lepra o deixou, e ele foi purificado.
  30. Em seguida Jesus o despediu, com uma severa advertência:
  31. “Olhe, não conte isso a ninguém. Mas vá mostrar-se ao sacerdote e ofereça pela sua purificação os sacrifícios que Moisés ordenou, para que sirva de testemunho”.
  32. Ele, porém, saiu e começou a tornar público o fato, espalhando a notícia. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente em nenhuma cidade, mas ficava fora, em lugares solitários. Todavia, assim mesmo vinha a ele gente de todas as partes.
  33. Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los, dizendo:
  34. “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus.”
  35. “Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.”
  36. “Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança.”
  37. “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.”
  38. “Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia.
  39. “Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.”
  40. “Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.”
  41. “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus.”
  42. “Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.”
  43. “Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês”.
  44. “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus”.

Fonte: Marco 1 e Mateus 5

Capítulo 44 – A Lei 

  1. Poucos dias depois, tendo Jesus entrado novamente em Cafarnaum, o povo ouviu falar que ele estava em casa.
  2. Então muita gente se reuniu ali, de forma que não havia lugar nem junto à porta; e ele lhes pregava a palavra.
  3. Vieram alguns homens, trazendo-lhe um paralítico, carregado por quatro deles.
  4. Não podendo levá-lo até Jesus, por causa da multidão, removeram parte da cobertura do lugar onde Jesus estava e, através de uma abertura no teto, baixaram a maca em que estava deitado o paralítico.
  5. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os seus pecados estão perdoados”.
  6. Estavam sentados ali alguns mestres da lei, raciocinando em seu íntimo:
  7. “Por que esse homem fala assim? Está blasfemando! Quem pode perdoar pecados, a não ser somente Deus? “
  8. Jesus percebeu logo em seu espírito que era isso que eles estavam pensando e lhes disse: “Por que vocês estão remoendo essas coisas em seus corações?
  9. Que é mais fácil dizer ao paralítico: ‘Os seus pecados estão perdoados’, ou: ‘Levante-se, pegue a sua maca e ande’?
  10. Mas, para que vocês saibam que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados — disse ao paralítico —
  11. eu lhe digo: Levante-se, pegue a sua maca e vá para casa”.
  12. Ele se levantou, pegou a maca e saiu à vista de todos. Estes ficaram atônitos e glorificaram a Deus, dizendo: “Nunca vimos nada igual! “
  13. Jesus saiu outra vez para beira-mar. Uma grande multidão aproximou-se, e ele começou a ensiná-los.
  14. Passando por ali, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: “Siga-me”. Levi levantou-se e o seguiu.
  15. Durante uma refeição na casa de Levi, muitos publicanos e “pecadores” estavam comendo com Jesus e seus discípulos, pois havia muitos que o seguiam.
  16. Quando os mestres da lei que eram fariseus o viram comendo com “pecadores” e publicanos, perguntaram aos discípulos de Jesus: “Por que ele come com publicanos e ‘pecadores’? “
  17. Ouvindo isso, Jesus lhes disse: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores”.
  18. Os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Algumas pessoas vieram a Jesus e lhe perguntaram: “Por que os discípulos de João e os dos fariseus jejuam, mas os teus não? “
  19. Jesus respondeu: “Como podem os convidados do noivo jejuar enquanto este está com eles? Não podem, enquanto o têm consigo.
  20. Mas virão dias quando o noivo lhes será tirado; e nesse tempo jejuarão.
  21. “Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha, pois o remendo forçará a roupa, tornando pior o rasgo.
  22. E ninguém põe vinho novo em vasilhas de couro velhas; se o fizer, o vinho rebentará as vasilhas, e tanto o vinho quanto as vasilhas se estragarão. Pelo contrário, põe-se vinho novo em vasilhas de couro novas”.
  23. Certo sábado Jesus estava passando pelas lavouras de cereal. Enquanto caminhavam, seus discípulos começaram a colher espigas.
  24. Os fariseus lhe perguntaram: “Olha, por que eles estão fazendo o que não é permitido no sábado? “
  25. Ele respondeu: “Vocês nunca leram o que fez Davi quando ele e seus companheiros estavam necessitados e com fome?
  26. Nos dias de Abiatar, o sumo sacerdote, ele entrou na casa de Deus e comeu os pães da Presença, que apenas aos sacerdotes era permitido comer, e os deu também aos seus companheiros”.
  27. E então lhes disse: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.”
  28. “Assim, pois, o Filho do homem é SENHOR até mesmo do sábado”.
  29. Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los, dizendo:
  30. “Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir.
  31. “Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra.”
  32. “Todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus; mas todo aquele que praticar e ensinar estes mandamentos será chamado grande no Reino dos céus.”
  33. “Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus”.”
  34. “Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’.”
  35. “Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco! ’, corre o risco de ir para o fogo do inferno.”
  36. “Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você,”
  37. “deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta.”
  38. “Entre em acordo depressa com seu adversário que pretende levá-lo ao tribunal. Faça isso enquanto ainda estiver com ele a caminho, pois, caso contrário, ele poderá entregá-lo ao juiz, e o juiz ao guarda, e você poderá ser jogado na prisão.”
  39. “Eu lhe garanto que você não sairá de lá enquanto não pagar o último centavo”.”
  40. “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’.”
  41. “Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração.”
  42. “Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno.”
  43. “E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno”.
  44. “Foi dito: ‘Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio’.
  45. “Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério”.
  46. “Vocês também ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não jure falsamente, mas cumpra os juramentos que você fez diante do SENHOR’.”
  47. “Mas eu lhes digo: Não jurem de forma alguma: nem pelo céu, porque é o trono de Deus;”
  48. “nem pela terra, porque é o estrado de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei.”
  49. “E não jure pela sua cabeça, pois você não pode tornar branco ou preto nem um fio de cabelo.”
  50. “Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno”.”
  51. “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’.
  52. “Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra.”
  53. “E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa.”
  54. “Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas.”
  55. “Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado”.
  56. “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’.”
  57. “Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem,”
  58. “para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos.”
  59. “Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso!”
  60. “E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso!”
  61. “Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês”.

Fontes: Marcos 2 e Mateus 5

Capítulo 45 – Perdão

  1. Noutra ocasião ele entrou na sinagoga, e estava ali um homem com uma das mãos atrofiada.
  2. Alguns deles estavam procurando um motivo para acusar Jesus; por isso o observavam atentamente, para ver se ele iria curá-lo no sábado.
  3. Jesus disse ao homem da mão atrofiada: “Levante-se e venha para o meio”.
  4. Depois Jesus lhes perguntou: “O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar a vida ou matar? ” Mas eles permaneceram em silêncio.
  5. Irado, olhou para os que estavam à sua volta e, profundamente entristecido por causa dos seus corações endurecidos, disse ao homem: “Estenda a mão”. Ele a estendeu, e ela foi restaurada.
  6. Então os fariseus saíram e começaram a conspirar com os herodianos contra Jesus, sobre como poderiam matá-lo.
  7. Jesus retirou-se com os seus discípulos para o mar, e uma grande multidão vinda da Galiléia o seguia.
  8. Quando ouviram a respeito de tudo o que ele estava fazendo, muitas pessoas procedentes da Judéia, de Jerusalém, da Iduméia e das regiões do outro lado do Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidom foram atrás dele.
  9. Por causa da multidão, ele disse aos discípulos que lhe preparassem um pequeno barco, para evitar que o comprimissem.
  10. Pois ele havia curado a muitos, de modo que os que sofriam de doenças ficavam se empurrando para conseguir tocar nele.
  11. Sempre que os espíritos imundos o viam, prostravam-se diante dele e gritavam: “Tu és o Filho de Deus”.
  12. Mas ele lhes dava ordens severas para que não dissessem quem ele era.
  13. Jesus subiu a um monte e chamou a si aqueles que ele quis, os quais vieram para junto dele.
  14. Escolheu doze, designando-os como apóstolos, para que estivessem com ele, os enviasse a pregar
  15. e tivessem autoridade para expulsar demônios.
  16. Estes são os doze que ele escolheu: Simão, a quem deu o nome de Pedro;
  17. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, que significa filhos do trovão;
  18. André; Filipe; Bartolomeu; Mateus; Tomé; Tiago, filho de Alfeu; Tadeu; Simão, o zelote,
  19. e Judas Iscariotes, que o traiu.
  20. Então Jesus entrou numa casa, e novamente reuniu-se ali uma multidão, de modo que ele e os seus discípulos não conseguiam nem comer.
  21. Quando seus familiares ouviram falar disso, saíram para apoderar-se dele, pois diziam: “Ele está fora de si”.
  22. E os mestres da lei que haviam descido de Jerusalém diziam: “Ele está com Belzebu! Pelo príncipe dos demônios é que ele expulsa demônios”.
  23. Então Jesus os chamou e lhes falou por parábolas: “Como pode Satanás expulsar Satanás?
  24. Se um reino estiver dividido contra si mesmo, não poderá subsistir.
  25. Se uma casa estiver dividida contra si mesma, também não poderá subsistir.
  26. E se Satanás se opuser a si mesmo e estiver dividido, não poderá subsistir; chegou o seu fim.
  27. De fato, ninguém pode entrar na casa do homem forte e levar dali os seus bens, sem que antes o amarre. Só então poderá roubar a casa dele.
  28. Eu lhes asseguro que todos os pecados e blasfêmias dos homens lhes serão perdoados,
  29. mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: é culpado de pecado eterno”.
  30. Jesus falou isso porque eles estavam dizendo: “Ele está com um espírito imundo”.
  31. Então chegaram a mãe e os irmãos de Jesus. Ficando do lado de fora, mandaram alguém chamá-lo.
  32. Havia muita gente assentada ao seu redor; e lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram”.
  33. “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos? “, perguntou ele.
  34. Então olhou para os que estavam assentados ao seu redor e disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos!
  35. Quem faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.
  36. Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los, dizendo:
  37. “Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial.”
  38. “Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa.”
  39. “Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita,”
  40. “de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará”.
  41. “E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa.”
  42. “Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará.”
  43. “E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos.”
  44. “Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem.”
  45. “Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome.”
  46. “Venha a nós o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.”
  47. “Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.”
  48. “Perdoa as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tem ofendido.”
  49. “E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém’.”
  50. “Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará.”
  51. “Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas”.

Fonte: Marcos 3 e Mateus 6

Capítulo 46 – Semeador

  1. Novamente Jesus começou a ensinar à beira-mar. Reuniu-se ao seu redor uma multidão tão grande que ele teve que entrar num barco e assentar-se nele. O barco estava no mar, enquanto todo o povo ficava na beira da praia.
  2. Ele lhes ensinava muitas coisas por parábolas, dizendo em seu ensino:
  3. “Ouçam! O semeador saiu a semear.
  4. Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho, e as aves vieram e a comeram.
  5. Parte dela caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; e logo brotou, porque a terra não era profunda.
  6. Mas quando saiu o sol, as plantas se queimaram e secaram, porque não tinham raiz.
  7. Outra parte caiu entre espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas, de forma que ela não deu fruto.
  8. Outra ainda caiu em boa terra, germinou, cresceu e deu boa colheita, a trinta, sessenta e até cem por um”.
  9. A seguir Jesus acrescentou: “Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça! “
  10. Quando ele ficou sozinho, os Doze e os outros que estavam ao seu redor lhe fizeram perguntas acerca das parábolas.
  11. Ele lhes disse: “A vocês foi dado o mistério do Reino de Deus, mas aos que estão fora tudo é dito por parábolas,
  12. a fim de que, ‘ainda que vejam, não percebam, ainda que ouçam, não entendam; de outro modo, poderiam converter-se e ser perdoados! ’”
  13. Então Jesus lhes perguntou: “Vocês não entendem esta parábola? Como, então, compreenderão todas as outras parábolas?
  14. O semeador semeia a palavra.
  15. Algumas pessoas são como a semente à beira do caminho, onde a palavra é semeada. Logo que a ouvem, Satanás vem e retira a palavra nelas semeada.
  16. Outras, como a semente lançada em terreno pedregoso, ouvem a palavra e logo a recebem com alegria.
  17. Todavia, visto que não têm raiz em si mesmas, permanecem por pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandonam.
  18. Outras ainda, como a semente lançada entre espinhos, ouvem a palavra;
  19. mas quando chegam as preocupações desta vida, o engano das riquezas e os anseios por outras coisas, sufocam a palavra, tornando-a infrutífera.
  20. Outras pessoas são como a semente lançada em boa terra: ouvem a palavra, aceitam-na e dão uma colheita de trinta, sessenta e até cem por um”.
  21. Ele lhes disse: “Quem traz uma candeia para ser colocada debaixo de uma vasilha ou de uma cama? Acaso não a coloca num lugar apropriado?
  22. Porque não há nada oculto, senão para ser revelado, e nada escondido senão para ser trazido à luz.
  23. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça!
  24. “Considerem atentamente o que vocês estão ouvindo”, continuou ele. “Com a medida com que medirem, vocês serão medidos; e ainda mais lhes acrescentarão.
  25. A quem tiver, mais lhe será dado; de quem não tiver, até o que tem lhe será tirado”.
  26. Ele prosseguiu dizendo: “O Reino de Deus é semelhante a um homem que lança a semente sobre a terra.
  27. Noite e dia, quer ele durma quer se levante, a semente germina e cresce, embora ele não saiba como.
  28. A terra por si própria produz o grão: primeiro o talo, depois a espiga e, então, o grão cheio na espiga.
  29. Logo que o grão fica maduro, o homem lhe passa a foice, porque chegou a colheita”.
  30. Novamente ele disse: “Com que compararemos o Reino de Deus? Que parábola usaremos para descrevê-lo?
  31. É como um grão de mostarda, que, quando plantada, é a menor semente de todas.
  32. No entanto, plantada, ela cresce e se torna a maior de todas as hortaliças, com ramos tão grandes que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra”.
  33. Com muitas parábolas semelhantes Jesus lhes anunciava a palavra, tanto quanto podiam receber.
  34. Não lhes dizia nada sem usar alguma parábola. Quando, porém, estava a sós com os seus discípulos, explicava-lhes tudo.
  35. Naquele dia, ao anoitecer, disse ele aos seus discípulos: “Vamos atravessar para o outro lado”.
  36. Deixando a multidão, eles o levaram no barco, assim como estava. Outros barcos também o acompanhavam.
  37. Levantou-se um forte vendaval, e as ondas se lançavam sobre o barco, de forma que este foi se enchendo de água.
  38. Jesus estava na popa, dormindo com a cabeça sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e clamaram: “Mestre, não te importas que morramos? “
  39. Ele se levantou, repreendeu o vento e disse ao mar: “Aquiete-se! Acalme-se! ” O vento se aquietou, e fez-se completa bonança.
  40. Então perguntou aos seus discípulos: “Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?”
  41. Eles estavam apavorados e perguntavam uns aos outros: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?”
  42. Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los, dizendo:
  43. “Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os homens vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa.”
  44. “Ao jejuar, ponha óleo sobre a cabeça e lave o rosto, para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê no secreto. E seu Pai, que vê no secreto, o recompensará”.
  45. “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam.”
  46. “Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam.”
  47. “Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.”
  48. “Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz.”
  49. “Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!”
  50. “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.
  51. “Portanto eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa?”
  52. “Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas?”
  53. “Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?”
  54. “Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem.”
  55. “Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles.”
  56. “Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé?”
  57. “Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer? ’ ou ‘que vamos beber? ’ ou ‘que vamos vestir?'”
  58. “Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas.”
  59. “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.”
  60. “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal”.

Fonte: Marcos 4 e Marcos 6

Capítulo 47 – Salvação

  1. Eles atravessaram o mar e foram para a região dos gerasenos.
  2. Quando Jesus desembarcou, um homem com um espírito imundo veio dos sepulcros ao seu encontro.
  3. Esse homem vivia nos sepulcros, e ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com correntes;
  4. pois muitas vezes lhe haviam sido acorrentados pés e mãos, mas ele arrebentara as correntes e quebrara os ferros de seus pés. Ninguém era suficientemente forte para dominá-lo.
  5. Noite e dia ele andava gritando e cortando-se com pedras entre os sepulcros e nas colinas.
  6. Quando ele viu Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele,
  7. e gritou em alta voz: “Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te por Deus que não me atormentes! “
  8. Pois Jesus lhe tinha dito: “Saia deste homem, espírito imundo! “
  9. Então Jesus lhe perguntou: “Qual é o seu nome? ” “Meu nome é Legião”, respondeu ele, “porque somos muitos”.
  10. E implorava a Jesus, com insistência, que não os mandasse sair daquela região.
  11. Uma grande manada de porcos estava pastando numa colina próxima.
  12. Os demônios imploraram a Jesus: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”.
  13. Ele lhes deu permissão, e os espíritos imundos saíram e entraram nos porcos. A manada de cerca de dois mil porcos atirou-se precipício abaixo, em direção ao mar, e nele se afogou.
  14. Os que cuidavam dos porcos fugiram e contaram esses fatos na cidade e nos campos, e o povo foi ver o que havia acontecido.
  15. Quando se aproximaram de Jesus, viram ali o homem que fora possesso da legião de demônios, assentado, vestido e em perfeito juízo; e ficaram com medo.
  16. Os que o tinham visto contaram ao povo o que acontecera ao endemoninhado, e falaram também sobre os porcos.
  17. Então o povo começou a suplicar a Jesus que saísse do território deles.
  18. Quando Jesus estava entrando no barco, o homem que estivera endemoninhado suplicava-lhe que o deixasse ir com ele.
  19. Jesus não o permitiu, mas disse: “Vá para casa, para a sua família e anuncie-lhes quanto o SENHOR fez por você e como teve misericórdia de você”.
  20. Então, aquele homem se foi e começou a anunciar em Decápolis quanto Jesus tinha feito por ele. Todos ficavam admirados.
  21. Tendo Jesus voltado de barco para a outra margem, uma grande multidão se reuniu ao seu redor, enquanto ele estava à beira do mar.
  22. Então chegou ali um dos dirigentes da sinagoga, chamado Jairo. Vendo Jesus, prostrou-se aos seus pés
  23. e lhe implorou insistentemente: “Minha filhinha está morrendo! Vem, por favor, e impõe as mãos sobre ela, para que seja curada e viva”.
  24. Jesus foi com ele. Uma grande multidão o seguia e o comprimia.
  25. E estava ali certa mulher que havia doze anos vinha sofrendo de uma hemorragia.
  26. Ela padecera muito sob o cuidado de vários médicos e gastara tudo o que tinha, mas, em vez de melhorar, piorava.
  27. Quando ouviu falar de Jesus, chegou-se por trás dele, no meio da multidão, e tocou em seu manto,
  28. porque pensava: “Se eu tão-somente tocar em seu manto, ficarei curada”.
  29. Imediatamente cessou sua hemorragia e ela sentiu em seu corpo que estava livre do seu sofrimento.
  30. No mesmo instante, Jesus percebeu que dele havia saído poder, virou-se para a multidão e perguntou: “Quem tocou em meu manto? “
  31. Responderam os seus discípulos: “Vês a multidão aglomerada ao teu redor e ainda perguntas: ‘Quem tocou em mim? ’ “
  32. Mas Jesus continuou olhando ao seu redor para ver quem tinha feito aquilo.
  33. Então a mulher, sabendo o que lhe tinha acontecido, aproximou-se, prostrou-se aos seus pés e, tremendo de medo, contou-lhe toda a verdade.
  34. Então ele lhe disse: “Filha, a sua fé a curou! Vá em paz e fique livre do seu sofrimento”.
  35. Enquanto Jesus ainda estava falando, chegaram algumas pessoas da casa de Jairo, o dirigente da sinagoga. “Sua filha morreu”, disseram eles. “Não precisa mais incomodar o mestre! “
  36. Não fazendo caso do que eles disseram, Jesus disse ao dirigente da sinagoga: “Não tenha medo; tão-somente creia”.
  37. E não deixou ninguém segui-lo, senão Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago.
  38. Quando chegaram à casa do dirigente da sinagoga, Jesus viu um alvoroço, com gente chorando e se lamentando em alta voz.
  39. Então entrou e lhes disse: “Por que todo este alvoroço e lamento? A criança não está morta, mas dorme”.
  40. Mas todos começaram a rir de Jesus. Ele, porém, ordenou que eles saíssem, tomou consigo o pai e a mãe da criança e os discípulos que estavam com ele, e entrou onde se encontrava a criança.
  41. Tomou-a pela mão e lhe disse: “Talita cumi! “, que significa: “Menina, eu lhe ordeno, levante-se! “.
  42. Imediatamente a menina, que tinha doze anos de idade, levantou-se e começou a andar. Isso os deixou atônitos.
  43. Ele deu ordens expressas para que não dissessem nada a ninguém e mandou que dessem a ela alguma coisa para comer.
  44. Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los, dizendo:
  45. “Não julguem, para que vocês não sejam julgados.”
  46. “Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.”
  47. “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?”
  48. “Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu?”
  49. “Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.”
  50. “Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão”.
  51. “Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta.
  52. “Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta.”
  53. “Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra?”
  54. “Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra?”
  55. “Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!”

Fonte: Marcos 5 e Mateus 7

Capítulo 48 – Multidões

  1. Jesus saiu dali e foi para a sua cidade, acompanhado dos seus discípulos.
  2. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga, e muitos dos que o ouviam ficavam admirados. “De onde lhe vêm estas coisas? “, perguntavam eles. “Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E estes milagres que ele faz?
  3. Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, José, Judas e Simão? Não estão aqui conosco as suas irmãs? ” E ficavam escandalizados por causa dele.
  4. Jesus lhes disse: “Só em sua própria terra, entre seus parentes e em sua própria casa, é que um profeta não tem honra”.
  5. E não pôde fazer ali nenhum milagre, exceto impor as mãos sobre alguns doentes e curá-los.
  6. E ficou admirado com a incredulidade deles. Então Jesus passou a percorrer os povoados, ensinando.
  7. Chamando os Doze para junto de si, enviou-os de dois em dois e deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos.
  8. Estas foram as suas instruções: “Não levem nada pelo caminho, a não ser um bordão. Não levem pão, nem saco de viagem, nem dinheiro em seus cintos;
  9. calcem sandálias, mas não levem túnica extra;
  10. sempre que entrarem numa casa, fiquem ali até partirem;
  11. e, se algum povoado não os receber nem os ouvir, sacudam a poeira dos seus pés quando saírem de lá, como testemunho contra eles”.
  12. Eles saíram e pregaram ao povo que se arrependesse.
  13. Expulsavam muitos demônios, ungiam muitos doentes com óleo e os curavam.
  14. O rei Herodes ouviu falar dessas coisas, pois o nome de Jesus havia se tornado bem conhecido. Algumas pessoas estavam dizendo: “João Batista ressuscitou dos mortos! Por isso estão operando nele poderes miraculosos”.
  15. Outros diziam: “Ele é Elias”. E ainda outros afirmavam: “Ele é um profeta, como um dos antigos profetas”.
  16. Mas quando Herodes ouviu essas coisas, disse: “João, o homem a quem decapitei, ressuscitou dos mortos! “
  17. Pois o próprio Herodes tinha dado ordens para que prendessem João, o amarrassem e o colocassem na prisão, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão, com a qual se casara.
  18. Porquanto João dizia a Herodes: “Não te é permitido viver com a mulher do teu irmão”.
  19. Assim, Herodias o odiava e queria matá-lo. Mas não podia fazê-lo,
  20. porque Herodes temia a João e o protegia, sabendo que ele era um homem justo e santo; e quando o ouvia, ficava perplexo. Mesmo assim gostava de ouvi-lo.
  21. Finalmente chegou uma ocasião oportuna. No seu aniversário, Herodes ofereceu um banquete aos seus líderes mais importantes, aos comandantes militares e às principais personalidades da Galileia.
  22. Quando a filha de Herodias entrou e dançou, agradou a Herodes e aos convidados. O rei disse à jovem: “Peça-me qualquer coisa que você quiser, e eu lhe darei”.
  23. E prometeu-lhe sob juramento: “Seja o que for que me pedir, eu lhe darei, até a metade do meu reino”.
  24. Ela saiu e disse à sua mãe: “Que pedirei? ” “A cabeça de João Batista”, respondeu ela.
  25. Imediatamente a jovem apressou-se em apresentar-se ao rei com o pedido: “Desejo que me dês agora mesmo a cabeça de João Batista num prato”.
  26. O rei ficou muito aflito, mas por causa do seu juramento e dos convidados, não quis negar o pedido à jovem.
  27. Assim enviou imediatamente um carrasco com ordens para trazer a cabeça de João. O homem foi, decapitou João na prisão
  28. e trouxe sua cabeça num prato. Ele a entregou à jovem, e esta a deu à sua mãe.
  29. Tendo ouvido isso, os discípulos de João vieram, levaram o seu corpo e o colocaram num túmulo.
  30. Os apóstolos reuniram-se a Jesus e lhe relataram tudo o que tinham feito e ensinado.
  31. Havia muita gente indo e vindo, a ponto de eles não terem tempo para comer. Jesus lhes disse: “Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco”.
  32. Assim, eles se afastaram num barco para um lugar deserto.
  33. Mas muitos dos que os viram retirar-se, tendo-os reconhecido, correram a pé de todas as cidades e chegaram lá antes deles.
  34. Quando Jesus saiu do barco e viu uma grande multidão, teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar-lhes muitas coisas.
  35. Já era tarde e, por isso, os seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Este é um lugar deserto, e já é tarde.
  36. Manda embora o povo para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar algo para comer”.
  37. Ele, porém, respondeu: “Deem-lhes vocês algo para comer”. Eles lhe disseram: “Isto exigiria duzentos denários! Devemos gastar tanto dinheiro em pão e dar-lhes de comer? “
  38. Perguntou ele: “Quantos pães vocês têm? Verifiquem”. Quando ficaram sabendo, disseram: “Cinco pães e dois peixes”.
  39. Então Jesus ordenou que fizessem todo o povo assentar-se em grupos na grama verde.
  40. Assim, eles se assentaram em grupos de cem e de cinquenta.
  41. Tomando os cinco pães e os dois peixes e, olhando para o céu, deu graças e partiu os pães. Em seguida, entregou-os aos seus discípulos para que os servissem ao povo. E também dividiu os dois peixes entre todos eles.
  42. Todos comeram e ficaram satisfeitos,
  43. e os discípulos recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe.
  44. Os que comeram foram cinco mil homens.
  45. Logo em seguida, Jesus insistiu com os discípulos para que entrassem no barco e fossem adiante dele para Betsaida, enquanto ele despedia a multidão.
  46. Tendo-a despedido, subiu a um monte para orar.
  47. Ao anoitecer, o barco estava no meio do mar, e Jesus se achava sozinho em terra.
  48. Ele viu os discípulos remando com dificuldade, porque o vento soprava contra eles. Alta madrugada, Jesus dirigiu-se a eles, andando sobre o mar; e estava já a ponto de passar por eles.
  49. Quando o viram andando sobre o mar, pensaram que fosse um fantasma. Então gritaram,
  50. pois todos o tinham visto e ficam aterrorizados. Mas Jesus imediatamente lhes disse: “Coragem! Sou eu! Não tenham medo! “
  51. Então subiu no barco para junto deles, e o vento se acalmou; e eles ficaram atônitos,
  52. pois não tinham entendido o milagre dos pães. Seus corações estavam endurecidos.
  53. Depois de atravessarem o mar, chegaram a Genesaré e ali amarraram o barco.
  54. Logo que desembarcaram, o povo reconheceu Jesus.
  55. Eles percorriam toda aquela região e levavam os doentes em macas, para onde ouviam que ele estava.
  56. E aonde quer que ele fosse, povoados, cidades ou campos, levavam os doentes para as praças. Suplicavam-lhe que pudessem pelo menos tocar na borda do seu manto; e todos os que nele tocavam eram curados.

Fonte: Marcos 6

Capítulo 49 – Fariseus

  1. Os fariseus e alguns dos mestres da lei, vindos de Jerusalém, reuniram-se a Jesus e
  2. viram alguns dos seus discípulos comerem com as mãos “impuras”, isto é, por lavar.
  3. ( Os fariseus e todos os judeus não comem sem lavar as mãos cerimonialmente, apegando-se, assim, à tradição dos líderes religiosos.
  4. Quando chegam da rua, não comem sem antes se lavarem. E observam muitas outras tradições, tais como o lavar de copos, jarros e vasilhas de metal. )
  5. Então os fariseus e os mestres da lei perguntaram a Jesus: “Por que os seus discípulos não vivem de acordo com a tradição dos líderes religiosos, em vez de comerem o alimento com as mãos ‘impuras’? “
  6. Ele respondeu: “Bem profetizou Isaías acerca de vocês, hipócritas; como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
  7. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens’.
  8. Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens”.
  9. E disse-lhes: “Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira para pôr de lado os mandamentos de Deus, a fim de obedecer às suas tradições!
  10. Pois Moisés disse: ‘Honra teu pai e tua mãe’, e ‘quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe terá que ser executado’.
  11. Mas vocês afirmam que se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: ‘Qualquer ajuda que vocês poderiam receber de mim é Corbã’, isto é, uma oferta dedicada a Deus,
  12. vocês o desobrigam de qualquer dever para com seu pai ou sua mãe.
  13. Assim vocês anulam a palavra de Deus, por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. E fazem muitas coisas como essa”.
  14. Jesus chamou novamente a multidão para junto de si e disse: “Ouçam-me todos e entendam isto:”
  15. “não há nada fora do homem que, nele entrando, possa torná-lo ‘impuro’. Pelo contrário, o que sai do homem é que o torna ‘impuro’.
  16. “Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça!”
  17. “Depois de deixar a multidão e entrar em casa, os discípulos lhe pediram explicação da parábola.”
  18. “Será que vocês também não conseguem entender? “, perguntou-lhes Jesus. “Não percebem que nada que entre no homem pode torná-lo ‘impuro’?”
  19. “Porque não entra em seu coração, mas em seu estômago, sendo depois eliminado”. Ao dizer isto, Jesus declarou “puros” todos os alimentos.”
  20. “E continuou: “O que sai do homem é que o torna ‘impuro’.”
  21. “Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios,”
  22. “as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez.”
  23. “Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem ‘impuro’ “.
  24. Jesus saiu daquele lugar e foi para os arredores de Tiro e de Sidom. Entrou numa casa e não queria que ninguém o soubesse; contudo, não conseguiu manter em segredo a sua presença.
  25. De fato, logo que ouviu falar dele, certa mulher, cuja filha estava com um espírito imundo, veio e lançou-se aos seus pés.
  26. A mulher era grega, siro-fenícia de origem, e rogava a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio.
  27. Ele lhe disse: “Deixe que primeiro os filhos comam até se fartar; pois não é correto tirar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos”.
  28. Ela respondeu: “Sim, SENHOR, mas até os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças”.
  29. Então ele lhe disse: “Por causa desta resposta, você pode ir; o demônio já saiu da sua filha”.
  30. Ela foi para casa e encontrou sua filha deitada na cama, e o demônio já a tinha deixado.
  31. A seguir Jesus saiu dos arredores de Tiro e atravessou Sidom, até o mar da Galiléia e a região de Decápolis.
  32. Ali algumas pessoas lhe trouxeram um homem que era surdo e mal podia falar, suplicando que lhe impusesse as mãos.
  33. Depois de levá-lo à parte, longe da multidão, Jesus colocou os dedos nos ouvidos dele. Em seguida, cuspiu e tocou na língua do homem.
  34. Então voltou os olhos para os céus e, com um profundo suspiro, disse-lhe: “Efatá! “, que significa: Abra-se.
  35. Com isso, os ouvidos do homem se abriram, sua língua ficou livre e ele começou a falar corretamente.
  36. Jesus ordenou-lhes que não o contassem a ninguém. Contudo, quanto mais ele os proibia, mais eles falavam.
  37. O povo ficava simplesmente maravilhado e dizia: “Ele faz tudo muito bem. Faz até o surdo ouvir e o mudo falar”.
  38. Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los, dizendo:
  39. “Em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas”.
  40. “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela.”
  41. “Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram”.
  42. “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.”
  43. “Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas?”
  44. Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins.”
  45. “A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons.”
  46. “Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo.”
  47. “Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!”
  48. “Nem todo aquele que me diz: ‘SENHOR, SENHOR’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.”
  49. “Muitos me dirão naquele dia: ‘SENHOR, SENHOR, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’”
  50. “Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! ’”
  51. “Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.”
  52. “Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha.”
  53. “Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia.”
  54. “Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda”.
  55. Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da

Fonte: Marcos 7 e Mateus 7

Capítulo 50 – Martírio

  1. Naqueles dias, outra vez reuniu-se uma grande multidão. Visto que não tinham nada para comer, Jesus chamou os seus discípulos e disse-lhes:
  2. “Tenho compaixão desta multidão; já faz três dias que eles estão comigo e nada têm para comer.”
  3. “Se eu os mandar para casa com fome, vão desfalecer no caminho, porque alguns deles vieram de longe”.
  4. Os seus discípulos responderam: “Onde, neste lugar deserto, poderia alguém conseguir pão suficiente para alimentá-los? “
  5. “Quantos pães vocês têm? “, perguntou Jesus. “Sete”, responderam eles.
  6. Ele ordenou à multidão que se assentasse no chão. Depois de tomar os sete pães e dar graças, partiu-os e os entregou aos seus discípulos, para que os servissem à multidão; e eles o fizeram.
  7. Tinham também alguns peixes pequenos; ele deu graças igualmente por eles e disse aos discípulos que os distribuíssem.
  8. O povo comeu até se fartar. E ajuntaram sete cestos cheios de pedaços que sobraram.
  9. Cerca de quatro mil homens estavam presentes. E, tendo-os despedido,
  10. entrou no barco com seus discípulos e foi para a região de Dalmanuta.
  11. Os fariseus vieram e começaram a interrogar Jesus. Para pô-lo à prova, pediram-lhe um sinal do céu.
  12. Ele suspirou profundamente e disse: “Por que esta geração pede um sinal miraculoso? Eu lhes afirmo que nenhum sinal lhe será dado”.
  13. Então se afastou deles, voltou para o barco e atravessou para o outro lado.
  14. Os discípulos haviam se esquecido de levar pão, a não ser um pão que tinham consigo no barco.
  15. Advertiu-os Jesus: “Estejam atentos e tenham cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes”.
  16. E eles discutiam entre si, dizendo: “É porque não temos pão”.
  17. Percebendo a discussão, Jesus lhes perguntou: “Por que vocês estão discutindo sobre não terem pão? Ainda não compreendem nem percebem? Seus corações estão endurecidos?
  18. Vocês têm olhos, mas não veem? Têm ouvidos, mas não ouvem? Não se lembram?
  19. Quando eu parti os cinco pães para os cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços vocês recolheram? ” “Doze”, responderam eles.
  20. “E quando eu parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de pedaços vocês recolheram? ” “Sete”, responderam eles.
  21. Ele lhes disse: “Vocês ainda não entendem? “
  22. Eles foram para Betsaida, e algumas pessoas trouxeram um cego a Jesus, suplicando-lhe que tocasse nele.
  23. Ele tomou o cego pela mão e o levou para fora do povoado. Depois de cuspir nos olhos do homem e impor-lhe as mãos, Jesus perguntou: “Você está vendo alguma coisa? “
  24. Ele levantou os olhos e disse: “Vejo pessoas; elas parecem árvores andando”.
  25. Mais uma vez, Jesus colocou as mãos sobre os olhos do homem. Então seus olhos foram abertos, e sua vista lhe foi restaurada, e ele via tudo claramente.
  26. Jesus mandou-o para casa, dizendo: “Não entre no povoado! “
  27. Jesus e os seus discípulos dirigiram-se para os povoados nas proximidades de Cesareia de Filipe. No caminho, ele lhes perguntou: “Quem o povo diz que eu sou? “
  28. Eles responderam: “Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, um dos profetas”.
  29. “E vocês? “, perguntou ele. “Quem vocês dizem que eu sou? ” Pedro respondeu: “Tu és o Messias”.
  30. Jesus os advertiu que não falassem a ninguém a seu respeito.
  31. Então ele começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas e fosse rejeitado pelos líderes religiosos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos mestres da lei, fosse morto e três dias depois ressuscitasse.
  32. Ele falou claramente a esse respeito. Então Pedro, chamando-o à parte, começou a repreendê-lo.
  33. Jesus, porém, voltou-se, olhou para os seus discípulos e repreendeu Pedro, dizendo: “Para trás de mim, Satanás! Você não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens”.
  34. Então ele chamou a multidão e os discípulos e disse: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”
  35. “Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa e pelo evangelho, a salvará.”
  36. “Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
  37. “Ou, o que o homem poderia dar em troca de sua alma?”
  38. “Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, o Filho do homem se envergonhará dele quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos”.
  39. “Portanto, não tenham medo deles. Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a se tornar conhecido.
  40. “O que eu lhes digo na escuridão, falem à luz do dia; o que é sussurrado em seus ouvidos, proclamem dos telhados.”
  41. “Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno.”
  42. “Não se vendem dois pardais por uma moedinha? Contudo, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do Pai de vocês.”
  43. “Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados.”
  44. “Portanto, não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais!”
  45. “Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também o confessarei diante do meu Pai que está nos céus.”
  46. “Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus.”
  47. “Não pensem que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.
  48. “Pois vim para fazer que ‘o homem fique contra seu pai, a filha contra sua mãe, a nora contra sua sogra.”
  49. “Os inimigos do homem serão os da sua própria família’.
  50. “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim;
  51. “E quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim.”
  52. “Quem acha a sua vida a perderá, e quem perde a sua vida por minha causa a encontrará.”

Fonte: Marcos 8 e Mateus 10

Capítulo 51 – Transfiguração

  1. E lhes disse: “Garanto-lhes que alguns dos que aqui estão de modo nenhum experimentarão a morte, antes de verem o Reino de Deus vindo com poder”.
  2. Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e os levou a um alto monte, onde ficaram a sós. Ali ele foi transfigurado diante deles.
  3. Suas roupas se tornaram brancas, de um branco resplandecente, como nenhum lavandeiro no mundo seria capaz de branqueá-las.
  4. E apareceram diante deles Elias e Moisés, os quais conversavam com Jesus.
  5. Então Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias”.
  6. Ele não sabia o que dizer, pois estavam apavorados.
  7. A seguir apareceu uma nuvem e os envolveu, e dela saiu uma voz, que disse: “Este é o meu Filho amado. Ouçam-no! “
  8. Repentinamente, quando olharam ao redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus.
  9. Enquanto desciam do monte, Jesus lhes ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do homem tivesse ressuscitado dos mortos.
  10. Eles guardaram o assunto apenas entre si, discutindo o que significaria “ressuscitar dos mortos”.
  11. E lhe perguntaram: “Por que os mestres da lei dizem que é necessário que Elias venha primeiro? “
  12. Jesus respondeu: “De fato, Elias vem primeiro e restaura todas as coisas. Então, por que está escrito que é necessário que o Filho do homem sofra muito e seja rejeitado com desprezo?
  13. Mas eu lhes digo: Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, como está escrito a seu respeito”.
  14. Quando chegaram onde estavam os outros discípulos, viram uma grande multidão ao redor deles e os mestres da lei discutindo com eles.
  15. Logo que todo o povo viu Jesus, ficou muito surpreso e correu para saudá-lo.
  16. Perguntou Jesus: “O que vocês estão discutindo? “
  17. Um homem, no meio da multidão, respondeu: “Mestre, eu te trouxe o meu filho, que está com um espírito que o impede de falar.
  18. Onde quer que o apanhe, joga-o no chão. Ele espuma pela boca, range os dentes e fica rígido. Pedi aos teus discípulos que expulsassem o espírito, mas eles não conseguiram”.
  19. Respondeu Jesus: “Ó geração incrédula, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino”.
  20. Então, eles o trouxeram. Quando o espírito viu Jesus, imediatamente causou uma convulsão no menino. Este caiu no chão e começou a rolar, espumando pela boca.
  21. Jesus perguntou ao pai do menino: “Há quanto tempo ele está assim? ” “Desde a infância”, respondeu ele.
  22. “Muitas vezes o tem lançado no fogo e na água para matá-lo. Mas, se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos. “
  23. “Se podes? “, disse Jesus. “Tudo é possível àquele que crê. “
  24. Imediatamente o pai do menino exclamou: “Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade! “
  25. Quando Jesus viu que uma multidão estava se ajuntando, repreendeu o espírito imundo, dizendo: “Espírito mudo e surdo, eu ordeno que o deixe e nunca mais entre nele”.
  26. O espírito gritou, agitou-o violentamente e saiu. O menino ficou como morto, a ponto de muitos dizerem: “Ele morreu”.
  27. Mas Jesus tomou-o pela mão e o levantou, e ele ficou em pé.
  28. Depois de Jesus ter entrado em casa, seus discípulos lhe perguntaram em particular: “Por que não conseguimos expulsá-lo? “
  29. Ele respondeu: “Essa espécie só sai pela oração e pelo jejum”.
  30. Eles saíram daquele lugar e atravessaram a Galileia. Jesus não queria que ninguém soubesse onde eles estavam,
  31. porque estava ensinando os seus discípulos. E lhes dizia: “O Filho do homem está para ser entregue nas mãos dos homens. Eles o matarão, e três dias depois ele ressuscitará”.
  32. Mas eles não entendiam o que ele queria dizer e tinham receio de perguntar-lhe.
  33. E chegaram a Cafarnaum. Quando ele estava em casa, perguntou-lhes: “O que vocês estavam discutindo no caminho? “
  34. Mas eles guardaram silêncio, porque no caminho haviam discutido sobre quem era o maior.
  35. Assentando-se, Jesus chamou os Doze e disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, será o último, e servo de todos”.
  36. E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles. Pegando-a nos braços, disse-lhes:
  37. “Quem recebe uma destas crianças em meu nome, está me recebendo; e quem me recebe, não está apenas me recebendo, mas também àquele que me enviou”.
  38. “Mestre”, disse João, “vimos um homem expulsando demônios em teu nome e procuramos impedi-lo, porque ele não era um dos nossos. “
  39. “Não o impeçam”, disse Jesus. “Ninguém que faça um milagre em meu nome, pode falar mal de mim logo em seguida,
  40. pois quem não é contra nós está a nosso favor.
  41. Eu lhes digo a verdade: Quem lhes der um copo de água em meu nome, por vocês pertencerem a Messias, de modo nenhum perderá a sua recompensa. “
  42. “Se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, seria melhor que fosse lançado no mar com uma grande pedra amarrada no pescoço.
  43. Se a sua mão o fizer tropeçar, corte-a. É melhor entrar na vida mutilado do que, tendo as duas mãos, ir para o inferno, onde o fogo nunca se apaga,
  44. onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.
  45. E se o seu pé o fizer tropeçar, corte-o. É melhor entrar na vida aleijado do que, tendo os dois pés, ser lançado no inferno.
  46. onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.
  47. E se o seu olho o fizer tropeçar, arranque-o. É melhor entrar no Reino de Deus com um só olho do que, tendo os dois olhos, ser lançado no inferno,
  48. onde ‘o seu verme não morre, e o fogo não se apaga’.
  49. Cada um será salgado com fogo.
  50. “O sal é bom, mas se deixar de ser salgado, como restaurar o seu sabor? Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros”.
  51. Enquanto saíam os discípulos de João, Jesus começou a falar à multidão a respeito de João: “O que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?
  52. Ou, o que foram ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que usam roupas finas estão nos palácios reais.
  53. Afinal, o que foram ver? Um profeta? Sim, eu lhes digo, e mais que profeta.
  54. Este é aquele a respeito de quem está escrito: ‘Enviarei o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti’.
  55. Digo-lhes a verdade: Entre os nascidos de mulher não surgiu ninguém maior do que João Batista; todavia, o menor no Reino dos céus é maior do que ele.
  56. Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos céus é tomado à força, e os que usam de força se apoderam dele.
  57. Pois todos os Profetas e a Lei profetizaram até João.
  58. E se vocês quiserem aceitar, este é o Elias que havia de vir.
  59. Aquele que tem ouvidos, ouça!

Fonte: Marcos 9 e Mateus 11

Capítulo 52 – Judeia

  1. Então Jesus saiu dali e foi para a região da Judéia e para o outro lado do Jordão. Novamente uma multidão veio a ele e, segundo o seu costume, ele a ensinava.
  2. Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova, perguntando: “É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher? “
  3. “O que Moisés lhes ordenou? “, perguntou ele.
  4. Eles disseram: “Moisés permitiu que o homem desse uma certidão de divórcio e a mandasse embora”.
  5. Respondeu Jesus: “Moisés escreveu essa lei por causa da dureza de coração de vocês.
  6. Mas não foi assim princípio da criação quando Deus ‘os fez homem e mulher’.
  7. ‘Por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher,
  8. e os dois se tornarão uma só carne’. Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne.
  9. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe”.
  10. Quando estava em casa novamente, os discípulos interrogaram Jesus sobre o mesmo assunto.
  11. Ele respondeu: “Todo aquele que se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério contra ela.
  12. E se ela se divorciar de seu marido e se casar com outro homem, estará cometendo adultério”.
  13. Alguns traziam crianças a Jesus para que ele tocasse nelas, mas os discípulos os repreendiam.
  14. Quando Jesus viu isso, ficou indignado e lhes disse: “Deixem vir a mim as crianças, não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas.
  15. Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele”.
  16. Em seguida, tomou as crianças nos braços, impôs-lhes as mãos e as abençoou.
  17. Quando Jesus ia saindo, um homem correu em sua direção, pôs-se de joelhos diante dele e lhe perguntou: “Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna? “
  18. Respondeu-lhe Jesus: “Por que você me chama bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus.
  19. Você conhece os mandamentos: ‘não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não enganarás ninguém, honra teu pai e tua mãe’”.
  20. E ele declarou: “Mestre, a tudo isso tenho obedecido desde a minha adolescência”.
  21. Jesus olhou para ele e o amou. “Falta-lhe uma coisa”, disse ele. “Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me”.
  22. Diante disso ele ficou abatido e afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas.
  23. Jesus olhou ao redor e disse aos seus discípulos: “Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus! “
  24. Os discípulos ficaram admirados com essas palavras. Mas Jesus repetiu: “Filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus!
  25. É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”.
  26. Os discípulos ficaram perplexos, e perguntavam uns aos outros: “Neste caso, quem pode ser salvo? “
  27. Jesus olhou para eles e respondeu: “Para o homem é impossível, mas para Deus não; todas as coisas são possíveis para Deus”.
  28. Então Pedro começou a dizer-lhe: “Nós deixamos tudo para seguir-te”.
  29. Respondeu Jesus: “Digo-lhes a verdade: Ninguém que tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, ou campos, por causa de mim e do evangelho,
  30. deixará de receber cem vezes mais já no tempo presente casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, e com eles perseguição; e, na era futura, a vida eterna.
  31. Contudo, muitos primeiros serão últimos, e os últimos serão primeiros”.
  32. Eles estavam subindo para Jerusalém, e Jesus ia à frente. Os discípulos estavam admirados, enquanto os que o seguiam estavam com medo. Novamente ele chamou à parte os Doze e lhes disse o que haveria de lhe acontecer:
  33. “Estamos subindo para Jerusalém e o Filho do homem será entregue aos chefes dos sacerdotes e aos mestres da lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos gentios,
  34. que zombarão dele, cuspirão nele, o açoitarão e o matarão. Três dias depois ele ressuscitará”.
  35. Nisso Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se dele e disseram: “Mestre, queremos que nos faças o que vamos te pedir”.
  36. “O que vocês querem que eu lhes faça? “, perguntou ele.
  37. Eles responderam: “Permite que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda”.
  38. Disse-lhes Jesus: “Vocês não sabem o que estão pedindo. Podem vocês beber o cálice que eu estou bebendo ou ser batizados com o batismo com que estou sendo batizado? “
  39. “Podemos”, responderam eles. Jesus lhes disse: “Vocês beberão o cálice que estou bebendo e serão batizados com o batismo com que estou sendo batizado;
  40. mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não cabe a mim conceder. Esses lugares pertencem àqueles para quem foram preparados”.
  41. Quando os outros dez ouviram essas coisas, ficaram indignados com Tiago e João.
  42. Jesus os chamou e disse: “Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas.
  43. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo;
  44. e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos.
  45. Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”.
  46. Então chegaram a Jericó. Quando Jesus e seus discípulos, juntamente com uma grande multidão, estavam saindo da cidade, o filho de Timeu, Bartimeu, que era cego, estava sentado à beira do caminho pedindo esmolas.
  47. Quando ouviu que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim! “
  48. Muitos o repreendiam para que ficasse quieto, mas ele gritava ainda mais: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim! “
  49. Jesus parou e disse: “Chamem-no”. E chamaram o cego: “Ânimo! Levante-se! Ele o está chamando”.
  50. Lançando sua capa para o lado, de um salto, pôs-se de pé e dirigiu-se a Jesus.
  51. “O que você quer que eu lhe faça? “, perguntou-lhe Jesus. O cego respondeu: “Mestre, eu quero ver! “
  52. “Vá”, disse Jesus, “a sua fé o curou”. Imediatamente ele recuperou a visão e seguia a Jesus pelo caminho.

Fonte: Marcos 10

Capítulo 53 – Jerusalém

  1. Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé e Betânia, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos,
  2. dizendo-lhes: “Vão ao povoado que está adiante de vocês; logo que entrarem, encontrarão um jumentinho amarrado, no qual ninguém jamais montou. Desamarrem-no e tragam-no aqui.
  3. Se alguém lhes perguntar: ‘Por que vocês estão fazendo isso? ’ digam-lhe: ‘O SENHOR precisa dele e logo o devolverá’ “.
  4. Eles foram e encontraram um jumentinho, na rua, amarrado a um portão. Enquanto o desamarravam,
  5. alguns dos que ali estavam lhes perguntaram: “O que vocês estão fazendo, desamarrando esse jumentinho?”
  6. Os discípulos responderam como Jesus lhes tinha dito, e eles os deixaram ir.
  7. Trouxeram o jumentinho a Jesus, puseram sobre ele os seus mantos; e Jesus montou.
  8. Muitos estenderam seus mantos pelo caminho, outros espalharam ramos que haviam cortado nos campos.
  9. Os que iam adiante dele e os que o seguiam gritavam: “Hosana! ” “Bendito é o que vem em nome do SENHOR! “
  10. “Bendito é o Reino vindouro de nosso pai Davi! ” “Hosana nas alturas! “
  11. Jesus entrou em Jerusalém e dirigiu-se ao templo. Observou tudo à sua volta e, como já era tarde, foi para Betânia com os Doze.
  12. No dia seguinte, quando estavam saindo de Betânia, Jesus teve fome.
  13. Vendo à distância uma figueira com folhas, foi ver se encontraria nela algum fruto. Aproximando-se dela, nada encontrou, a não ser folhas, porque não era tempo de figos.
  14. Então lhe disse: “Ninguém mais coma de seu fruto”. E os seus discípulos ouviram-no dizer isso.
  15. Chegando a Jerusalém, Jesus entrou no templo e ali começou a expulsar os que estavam comprando e vendendo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas
  16. e não permitia que ninguém carregasse mercadorias pelo templo.
  17. E os ensinava, dizendo: “Não está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’? Mas vocês fizeram dela um covil de ladrões”.
  18. Os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei ouviram essas palavras e começaram a procurar uma forma de matá-lo, pois o temiam, visto que toda a multidão estava maravilhada com o seu ensino.
  19. Ao cair da tarde, eles saíram da cidade.
  20. De manhã, ao passarem, viram a figueira seca desde as raízes.
  21. Lembrando-se Pedro, disse a Jesus: “Mestre! Vê! A figueira que amaldiçoaste secou! “
  22. Respondeu Jesus: “Tenham fé em Deus.
  23. Eu lhes asseguro que se alguém disser a este monte: ‘Levante-se e atire-se no mar’, e não duvidar em seu coração, mas crer que acontecerá o que diz, assim lhe será feito.
  24. Portanto, eu lhes digo: tudo o que vocês pedirem em oração, creiam que já o receberam, e assim lhes sucederá.
  25. E quando estiverem orando, se tiverem alguma coisa contra alguém, perdoem-no, para que também o Pai celestial lhes perdoe os seus pecados”.
  26. Mas se vocês não perdoarem, também o seu Pai que está no céu não perdoará os seus pecados.
  27. Chegaram novamente a Jerusalém e, quando Jesus estava passando pelo templo, aproximaram-se dele os chefes dos sacerdotes, os mestres da lei e os líderes religiosos e perguntaram.
  28. “Com que autoridade estás fazendo estas coisas? Quem te deu autoridade para fazê-las? “
  29. Respondeu Jesus: “Eu lhes farei uma pergunta. Respondam-me, e eu lhes direi com que autoridade estou fazendo estas coisas.
  30. O batismo de João era do céu ou dos homens? Digam-me! “
  31. Eles discutiam entre si, dizendo: “Se dissermos: ‘do céu’, ele perguntará: ‘Então por que vocês não creram nele? ’
  32. Mas se dissermos: ‘dos homens’… ” Eles temiam o povo, pois todos realmente consideravam João um profeta.
  33. Eles responderam a Jesus: “Não sabemos”. Disse então Jesus: “Tampouco lhes direi com que autoridade estou fazendo estas coisas”.
  34. Enquanto saíam Jesus começou a falar à multidão.
  35. “A que posso comparar esta geração? São como crianças que ficam sentadas nas praças e gritam umas às outras:
  36. ‘Nós lhes tocamos flauta, mas vocês não dançaram; cantamos um lamento, mas vocês não se entristeceram’.
  37. Pois veio João, que jejua e não bebe vinho, e dizem: ‘Ele tem demônio’.
  38. Veio o Filho do homem comendo e bebendo, e dizem: ‘Aí está um comilão e beberrão, amigo de publicanos e “pecadores” ’. Mas a sabedoria é comprovada pelas obras que a acompanham”.
  39. Então Jesus começou a denunciar as cidades em que havia sido realizada a maioria dos seus milagres, porque não se arrependeram.
  40. “Ai de você, Corazim! Ai de você, Betsaida! Porque se os milagres que foram realizados entre vocês tivessem sido realizados em Tiro e Sidom, há muito tempo elas se teriam arrependido, vestindo roupas de saco e cobrindo-se de cinzas.
  41. Mas eu lhes afirmo que no dia do juízo haverá menor rigor para Tiro e Sidom do que para vocês.
  42. E você, Cafarnaum: será elevada até o céu? Não, você descerá até ao Hades! Se os milagres que em você foram realizados tivessem sido realizados em Sodoma, ela teria permanecido até hoje.
  43. Mas eu lhes afirmo que no dia do juízo haverá menor rigor para Sodoma do que para você”.
  44. Naquela ocasião Jesus disse: “Eu te louvo, Pai, SENHOR dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos.
  45. Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado.
  46. “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar.
  47. “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.
  48. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas.
  49. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

Fonte: Marcos 11 e Mateus 11

Capítulo 54 – Ensinamentos

  1. Então Jesus começou a lhes falar por parábolas: “Certo homem plantou uma vinha, colocou uma cerca ao redor dela, cavou um tanque para prensar as uvas e construiu uma torre. Depois arrendou a vinha a alguns lavradores e foi fazer uma viagem.
  2. Na época da colheita, enviou um servo aos lavradores, para receber deles parte do fruto da vinha.
  3. Mas eles o agarraram e espancaram, e o mandaram embora de mãos vazias.
  4. Então enviou-lhes outro servo; e lhe bateram na cabeça e o humilharam.
  5. E enviou ainda outro, o qual mataram. Enviou muitos outros; em alguns bateram, a outros mataram.
  6. “Faltava-lhe ainda um para enviar: seu filho amado. Por fim o enviou, dizendo: ‘A meu filho respeitarão’.
  7. “Mas os lavradores disseram uns aos outros: ‘Este é o herdeiro. Venham, vamos matá-lo, e a herança será nossa’.
  8. Assim eles o agarraram, e o mataram, e o lançaram para fora da vinha.
  9. “O que fará então o dono da vinha? Virá e matará aqueles lavradores e dará a vinha a outros.
  10. Vocês nunca leram esta passagem das Escrituras? ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular;
  11. isso vem do SENHOR, e é algo maravilhoso para nós’ “.
  12. Então começaram a procurar um meio de prendê-lo, pois perceberam que era contra eles que ele havia contado aquela parábola. Mas tinham medo da multidão; por isso o deixaram e foram embora.
  13. Mais tarde enviaram a Jesus alguns dos fariseus e herodianos para o apanharem em alguma coisa que ele dissesse.
  14. Estes se aproximaram dele e disseram: “Mestre, sabemos que és íntegro e que não te deixas influenciar por ninguém, porque não te prendes à aparência dos homens, mas ensinas o caminho de Deus conforme a verdade. É certo pagar imposto a César ou não?
  15. Devemos pagar ou não? ” Mas Jesus, percebendo a hipocrisia deles, perguntou: “Por que vocês estão me pondo à prova? Tragam-me um denário para que eu o veja”.
  16. Eles lhe trouxeram a moeda, e ele lhes perguntou: “De quem é esta imagem e esta inscrição? ” “De César”, responderam eles.
  17. Então Jesus lhes disse: “Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. E ficaram admirados com ele.
  18. Depois os saduceus, que dizem que não há ressurreição, aproximaram-se dele com a seguinte questão:
  19. “Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se o irmão de um homem morrer e deixar mulher sem filhos, este deverá casar-se com a viúva e ter filhos para seu irmão.
  20. Havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem deixar filhos.
  21. O segundo casou-se com a viúva, mas também morreu sem deixar filhos. O mesmo aconteceu com o terceiro.
  22. Nenhum dos sete deixou filhos. Finalmente, morreu também a mulher.
  23. Na ressurreição, de quem ela será esposa, visto que os sete foram casados com ela? “
  24. Jesus respondeu: “Vocês estão enganados! Pois não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!
  25. Quando os mortos ressuscitam, não se casam nem são dados em casamento, mas são como os anjos nos céus.
  26. Quanto à ressurreição dos mortos, vocês não leram no livro de Moisés, no relato da sarça, como Deus lhe disse: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’?
  27. Ele não é Deus de mortos, mas de vivos. Vocês estão muito enganados! “
  28. Um dos mestres da lei aproximou-se e os ouviu discutindo. Notando que Jesus lhes dera uma boa resposta, perguntou-lhe: “De todos os mandamentos, qual é o mais importante? “
  29. Respondeu Jesus: “O mais importante é este: ‘Ouve, ó Israel, o SENHOR, o nosso Deus, o SENHOR é o único SENHOR.
  30. Ame o SENHOR, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças’.
  31. O segundo é este: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Não existe mandamento maior do que estes”.
  32. “Muito bem, mestre”, disse o homem. “Estás certo ao dizeres que Deus é único e que não existe outro além dele.
  33. Amá-lo de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as forças, e amar ao próximo como a si mesmo é mais importante do que todos os sacrifícios e ofertas”.
  34. Vendo que ele tinha respondido sabiamente, Jesus lhe disse: “Você não está longe do Reino de Deus”. Daí por diante ninguém mais ousava lhe fazer perguntas.
  35. Ensinando no templo, Jesus perguntou: “Como os mestres da lei dizem que o Messias é filho de Davi?
  36. O próprio Davi, falando pelo Espírito Santo, disse: ‘O SENHOR disse ao meu SENHOR: Senta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos debaixo de teus pés’.
  37. O próprio Davi o chama ‘SENHOR’. Como pode, então, ser ele seu filho? ” E a grande multidão o ouvia com prazer.
  38. Ao ensinar, Jesus dizia: “Cuidado com os mestres da lei. Eles fazem questão de andar com roupas especiais, de receber saudações nas praças”
  39. “e de ocupar os lugares mais importantes nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes.”
  40. “Eles devoram as casas das viúvas, e, para disfarçar, fazem longas orações. Esses receberão condenação mais severa!”
  41. Jesus sentou-se em frente do lugar onde eram colocadas as contribuições, e observava a multidão colocando o dinheiro nas caixas de ofertas. Muitos ricos lançavam ali grandes quantias.
  42. Então, uma viúva pobre chegou-se e colocou duas pequeninas moedas de cobre, de muito pouco valor.
  43. Chamando a si os seus discípulos, Jesus declarou: “Afirmo-lhes que esta viúva pobre colocou na caixa de ofertas mais do que todos os outros.”
  44. “Todos deram do que lhes sobrava; mas ela, da sua pobreza, deu tudo o que possuía para viver”.

Fonte: Marcos 12

Capítulo 55 – Revelações

  1. Quando ele estava saindo do templo, um de seus discípulos lhe disse: “Olha, Mestre! Que pedras enormes! Que construções magníficas! “
  2. “Você está vendo todas estas grandes construções? “, perguntou Jesus. “Aqui não ficará pedra sobre pedra; serão todas derrubadas”.
  3. Tendo Jesus se assentado no monte das Oliveiras, de frente para o templo, Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular:
  4. “Dize-nos, quando acontecerão essas coisas? E qual será o sinal de que tudo isso está prestes a cumprir-se? “
  5. Jesus lhes disse: “Cuidado, que ninguém os engane.
  6. Muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu! ’ e enganarão a muitos.
  7. Quando ouvirem falar de guerras e rumores de guerras, não tenham medo. É necessário que tais coisas aconteçam, mas ainda não é o fim.
  8. Nação se levantará contra nação, e reino contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fomes. Essas coisas são o início das dores.
  9. “Fiquem atentos, pois vocês serão entregues aos tribunais e serão açoitados nas sinagogas. Por minha causa vocês serão levados à presença de governadores e reis, como testemunho a eles.
  10. E é necessário que antes o evangelho seja pregado a todas as nações.
  11. Sempre que forem presos e levados a julgamento, não fiquem preocupados com o que vão dizer. Digam tão-somente o que lhes for dado naquela hora, pois não serão vocês que estarão falando, mas o Espírito Santo.
  12. “O irmão trairá seu próprio irmão, entregando-o à morte, e o mesmo fará o pai a seu filho. Filhos se rebelarão contra seus pais e os matarão.
  13. Todos odiarão vocês por minha causa; mas aquele que perseverar até o fim será salvo.
  14. “Quando vocês virem ‘o sacrilégio terrível’ no lugar onde não deve estar — quem lê, entenda — então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes.
  15. Quem estiver no telhado de sua casa não desça nem entre em casa para tirar dela coisa alguma.
  16. Quem estiver no campo não volte para pegar seu manto.
  17. Como serão terríveis aqueles dias para as grávidas e para as que estiverem amamentando!
  18. Orem para que essas coisas não aconteçam no inverno.
  19. Porque aqueles serão dias de tribulação como nunca houve desde que Deus criou o mundo até agora, nem jamais haverá.
  20. Se o SENHOR não tivesse abreviado tais dias, ninguém sobreviveria. Mas, por causa dos eleitos por ele escolhidos, ele os abreviou.
  21. Se, então, alguém lhes disser: ‘Vejam, aqui está o Messias! ’ ou: ‘Vejam, ali está ele! ’, não acreditem.
  22. Pois aparecerão falsos Messiass e falsos profetas que realizarão sinais e maravilhas para, se possível, enganar os eleitos.
  23. Por isso, fiquem atentos: avisei-os de tudo antecipadamente.
  24. “Mas naqueles dias, após aquela tribulação, ‘o sol escurecerá e a lua não dará a sua luz;
  25. as estrelas cairão do céu e os poderes celestes serão abalados’.
  26. “Então se verá o Filho do homem vindo nas nuvens com grande poder e glória.
  27. E ele enviará os seus anjos e reunirá os seus eleitos dos quatro ventos, dos confins da terra até os confins do céu.
  28. “Aprendam a lição da figueira: quando seus ramos se renovam e suas folhas começam a brotar, vocês sabem que o verão está próximo.
  29. Assim também, quando virem estas coisas acontecendo, saibam que ele está próximo, às portas.
  30. Eu lhes asseguro que não passará esta geração até que todas essas coisas aconteçam.
  31. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão”.
  32. “Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão somente o Pai.”
  33. “Fiquem atentos! Vigiem! Vocês não sabem quando virá esse tempo.”
  34. “É como um homem que sai de viagem. Ele deixa sua casa, encarrega de tarefas cada um dos seus servos e ordena ao porteiro que vigie.”
  35. “Portanto, vigiem, porque vocês não sabem quando o dono da casa voltará: se à tarde, à meia-noite, ao cantar do galo ou ao amanhecer.”
  36. “Se ele vier de repente, que não os encontre dormindo!”
  37. “O que lhes digo, digo a todos: Vigiem!”
  38. “Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial.”
  39. “Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes.”
  40. “E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.”
  41. “Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo.”
  42. “Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram;”
  43. “necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram.”
  44. “Então os justos lhe responderão: SENHOR, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber?”
  45. “Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos?”
  46. “Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?”
  47. “O Rei responderá: Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram.”
  48. “Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos.”
  49. “Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber;”
  50. “fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram.”
  51. “Eles também responderão: ‘SENHOR, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos?”
  52. “Ele responderá: Digo-lhes a verdade: o que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo.”
  53. “E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna”.

Fonte: Marcos 13 e Mateus 25.

Capítulo 56 – Ceia

  1. Faltavam apenas dois dias para a Páscoa e para a festa dos pães sem fermento. Os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei estavam procurando um meio de flagrar Jesus em algum erro e matá-lo.
  2. Mas diziam: “Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo”.
  3. Estando Jesus em Betânia, reclinado à mesa na casa de um homem conhecido como Simão, o leproso, aproximou-se dele certa mulher com um frasco de alabastro contendo um perfume muito caro, feito de nardo puro. Ela quebrou o frasco e derramou o perfume sobre a cabeça de Jesus.
  4. Alguns dos presentes começaram a dizer uns aos outros, indignados: “Por que este desperdício de perfume?
  5. Ele poderia ser vendido por trezentos denários, e o dinheiro dado aos pobres”. E a repreendiam severamente.
  6. “Deixem-na em paz”, disse Jesus. “Por que a estão perturbando? Ela praticou uma boa ação para comigo.
  7. Pois os pobres vocês sempre terão consigo, e poderão ajudá-los sempre que o desejarem. Mas a mim vocês nem sempre terão.
  8. Ela fez o que pôde. Derramou o perfume em meu corpo antecipadamente, preparando-o para o sepultamento.
  9. Eu lhes asseguro que onde quer que o evangelho for anunciado, em todo o mundo, também o que ela fez será contado em sua memória”.
  10. Então Judas Iscariotes, um dos Doze, dirigiu-se aos chefes dos sacerdotes a fim de lhes entregar Jesus.
  11. A proposta muito os alegrou, e lhe prometeram dinheiro. Assim, ele procurava uma oportunidade para entregá-lo.
  12. No primeiro dia da festa dos pães sem fermento, quando se costumava sacrificar o cordeiro pascal, os discípulos de Jesus lhe perguntaram: “Aonde queres que vamos e te preparemos a refeição da Páscoa? “
  13. Então ele enviou dois de seus discípulos, dizendo-lhes: “Entrem na cidade, e um homem carregando um pote de água virá ao encontro de vocês. Sigam-no
  14. e digam ao dono da casa em que ele entrar: ‘O Mestre pergunta: Onde é o meu salão de hóspedes, no qual poderei comer a Páscoa com meus discípulos? ’
  15. Ele lhes mostrará uma ampla sala no andar superior, mobiliada e pronta. Façam ali os preparativos para nós”.
  16. Os discípulos se retiraram, entraram na cidade e encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito. E prepararam a Páscoa.
  17. Ao anoitecer, Jesus chegou com os Doze.
  18. Quando estavam comendo, reclinados à mesa, Jesus disse: “Digo-lhes que certamente um de vocês me trairá, alguém que está comendo comigo”.
  19. Eles ficaram tristes e, um por um, lhe disseram: “Com certeza não sou eu! “
  20. Afirmou Jesus: “É um dos Doze, alguém que come comigo do mesmo prato.
  21. O Filho do homem vai, como está escrito a seu respeito. Mas ai daquele que trai o Filho do homem! Melhor lhe seria não haver nascido”.
  22. Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o, e o deu aos discípulos, dizendo: “Tomem; este é o meu corpo”.
  23. Em seguida tomou o cálice, deu graças, ofereceu-o aos discípulos, e todos beberam.
  24. E lhes disse: “Este é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos.
  25. Eu lhes afirmo que não beberei outra vez do fruto da videira, até aquele dia em que beberei o vinho novo no Reino de Deus”.
  26. Depois de terem cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.
  27. Disse-lhes Jesus: “Vocês todos me abandonarão. Pois está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas serão dispersas’.
  28. Mas, depois de ressuscitar, irei adiante de vocês para a Galiléia”.
  29. Pedro declarou: “Ainda que todos te abandonem, eu não te abandonarei! “
  30. Respondeu Jesus: “Asseguro-lhe que ainda hoje, esta noite, antes que duas vezes cante o galo, três vezes você me negará”.
  31. Mas Pedro insistia ainda mais: “Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei”. E todos os outros disseram o mesmo.
  32. Então foram para um lugar chamado Getsêmani, e Jesus disse aos seus discípulos: “Sentem-se aqui enquanto vou orar”.
  33. Levou consigo Pedro, Tiago e João, e começou a ficar aflito e angustiado.
  34. E lhes disse: “A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem”.
  35. Indo um pouco mais adiante, prostrou-se e orava para que, se possível, fosse afastada dele aquela hora.
  36. E dizia: “Aba, Pai, tudo te é possível. Afasta de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, mas sim o que tu queres”.
  37. Então, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. “Simão”, disse ele a Pedro, “você está dormindo? Não pôde vigiar nem por uma hora?
  38. Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. “
  39. Mais uma vez ele se afastou e orou, repetindo as mesmas palavras.
  40. Quando voltou, de novo os encontrou dormindo, porque seus olhos estavam pesados. Eles não sabiam o que lhe dizer.
  41. Voltando pela terceira vez, ele lhes disse: “Vocês ainda dormem e descansam? Basta! Chegou a hora! Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores.
  42. Levantem-se e vamos! Aí vem aquele que me trai! “
  43. Enquanto ele ainda falava, apareceu Judas, um dos Doze. Com ele estava uma multidão armada de espadas e varas, enviada pelos chefes dos sacerdotes, mestres da lei e líderes religiosos.
  44. O traidor havia combinado um sinal com eles: “Aquele a quem eu saudar com um beijo, é ele: prendam-no e levem-no em segurança”.
  45. Dirigindo-se imediatamente a Jesus, Judas disse: “Mestre! “, e o beijou.
  46. Os homens agarraram Jesus e o prenderam.
  47. Então, um dos que estavam por perto puxou a espada e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha.
  48. Disse Jesus: “Estou eu chefiando alguma rebelião, para que vocês venham me prender com espadas e varas?
  49. Todos os dias eu estava com vocês, ensinando no templo, e vocês não me prenderam. Mas as Escrituras precisam ser cumpridas”.
  50. Então todos o abandonaram e fugiram.
  51. Um jovem, vestindo apenas um lençol de linho, estava seguindo a Jesus. Quando tentaram prendê-lo,
  52. ele fugiu nu, deixando o lençol para trás.
  53. Levaram Jesus ao sumo sacerdote; e então se reuniram todos os chefes dos sacerdotes, os líderes religiosos e os mestres da lei.
  54. Pedro o seguiu de longe até o pátio do sumo sacerdote. Sentando-se ali com os guardas, esquentava-se junto ao fogo.
  55. Os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio estavam procurando depoimentos contra Jesus, para que pudessem condená-lo à morte, mas não encontravam nenhum.
  56. Muitos testemunharam falsamente contra ele, mas as declarações deles não eram coerentes.
  57. Então se levantaram alguns e declararam falsamente contra ele:
  58. “Nós o ouvimos dizer: ‘Destruirei este templo feito por mãos humanas e em três dias construirei outro, não feito por mãos de homens’ “.
  59. Mas, nem mesmo assim, o depoimento deles era coerente.
  60. Depois o sumo sacerdote levantou-se diante deles e perguntou a Jesus: “Você não vai responder à acusação que estes lhe fazem? “
  61. Mas Jesus permaneceu em silêncio e nada respondeu. Outra vez o sumo sacerdote lhe perguntou: “Você é o Messias, o Filho do Deus Bendito? “
  62. “Sou”, disse Jesus. “E vereis o Filho do homem assentado à direita do Poderoso vindo com as nuvens do céu”.
  63. O sumo sacerdote, rasgando as próprias vestes, perguntou: “Por que precisamos de mais testemunhas?
  64. Vocês ouviram a blasfêmia. Que acham? ” Todos o julgaram digno de morte.
  65. Então alguns começaram a cuspir nele; vendaram-lhe os olhos e, dando-lhe murros, diziam: “Profetize! ” E os guardas o levaram, dando-lhe tapas.
  66. Estando Pedro em baixo, no pátio, uma das criadas do sumo sacerdote passou por ali.
  67. Vendo Pedro a aquecer-se, olhou bem para ele e disse: “Você também estava com Jesus, o Nazareno”.
  68. Contudo ele o negou, dizendo: “Não o conheço, nem sei do que você está falando”. E saiu para o alpendre.
  69. Quando a criada o viu lá, disse novamente aos que estavam por perto: “Esse aí é um deles”.
  70. De novo ele negou. Pouco tempo depois, os que estavam sentados ali perto disseram a Pedro: “Certamente você é um deles. Você é galileu! “
  71. Ele começou a se amaldiçoar e a jurar: “Não conheço o homem de quem vocês estão falando! “
  72. E logo o galo cantou pela segunda vez. Então Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe tinha dito: “Antes que duas vezes cante o galo, você me negará três vezes”. E se pôs a chorar.

Fonte: Marcos 14

Capítulo 57 – Crucificação

  1. De manhã bem cedo, os chefes dos sacerdotes com os líderes religiosos, os mestres da lei e todo o Sinédrio chegaram a uma decisão. Amarrando Jesus, levaram-no e o entregaram a Pilatos.
  2. “Você é o rei dos judeus? “, perguntou Pilatos. “Tu o dizes”, respondeu Jesus.
  3. Os chefes dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas.
  4. Então Pilatos lhe perguntou novamente: “Você não vai responder? Veja de quantas coisas o estão acusando”.
  5. Mas Jesus não respondeu nada, e Pilatos ficou impressionado.
  6. Por ocasião da festa, era costume soltar um prisioneiro que o povo pedisse.
  7. Um homem chamado Barrabás estava na prisão com os rebeldes que haviam cometido assassinato durante uma rebelião.
  8. A multidão chegou e pediu a Pilatos que lhe fizesse o que costumava fazer.
  9. “Vocês querem que eu lhes solte o rei dos judeus? “, perguntou Pilatos,
  10. sabendo que fora por inveja que os chefes dos sacerdotes lhe haviam entregado Jesus.
  11. Mas os chefes dos sacerdotes incitaram a multidão a pedir que Pilatos, ao contrário, soltasse Barrabás.
  12. “Então, que farei com aquele a quem vocês chamam rei dos judeus? “, perguntou-lhes Pilatos.
  13. “Crucifica-o”, gritaram eles.
  14. “Por quê? Que crime ele cometeu? “, perguntou Pilatos. Mas eles gritavam ainda mais: “Crucifica-o! “
  15. Desejando agradar a multidão, Pilatos soltou-lhes Barrabás, mandou açoitar Jesus e o entregou para ser crucificado.
  16. Os soldados levaram Jesus para dentro do palácio, isto é, ao Pretório e reuniram toda a tropa.
  17. Vestiram-no com um manto de púrpura, depois fizeram uma coroa de espinhos e a colocaram nele.
  18. E começaram a saudá-lo: “Salve, rei dos judeus! “
  19. Batiam-lhe na cabeça com uma vara e cuspiam nele. Ajoelhavam-se e lhe prestavam adoração.
  20. Depois de terem zombado dele, tiraram-lhe o manto de púrpura e vestiram-lhe suas próprias roupas. Então o levaram para fora, a fim de crucificá-lo.
  21. Certo homem de Cirene, chamado Simão, pai de Alexandre e de Rufo, passava por ali, chegando do campo. Eles o forçaram a carregar a cruz.
  22. Levaram Jesus ao lugar chamado Gólgota, que quer dizer Lugar da Caveira.
  23. Então lhe deram vinho misturado com mirra, mas ele não o bebeu.
  24. E o crucificaram. Dividindo as roupas dele, tiraram sortes para saber com o que cada um iria ficar.
  25. Eram nove horas da manhã quando o crucificaram.
  26. E assim estava escrito na acusação contra ele: O REI DOS JUDEUS.
  27. Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda,
  28. e cumpriu-se a Escritura que diz: “Ele foi contado entre os transgressores”.
  29. Os que passavam lançavam-lhe insultos, balançando a cabeça e dizendo: “Ora, você que destrói o templo e o reedifica em três dias,
  30. desça da cruz e salve-se a si mesmo! “
  31. Da mesma forma, os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei zombavam dele entre si, dizendo: “Salvou os outros, mas não é capaz de salvar a si mesmo.
  32. O Messias, o Rei de Israel… Desça da cruz, para que o vejamos e creiamos! ” Os que foram crucificados com ele também o insultavam.
  33. E houve trevas sobre toda a terra, do meio dia às três horas da tarde.
  34. Por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni? ” que significa: “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? “
  35. Quando alguns dos que estavam presentes ouviram isso, disseram: “Ouçam! Ele está chamando Elias”.
  36. Um deles correu, embebeu uma esponja em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e deu-a a Jesus para beber. E disse: “Deixem-no. Vejamos se Elias vem tirá-lo daí”.
  37. Mas Jesus, com um alto brado, expirou.
  38. E o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo.
  39. Quando o centurião que estava em frente de Jesus ouviu o seu brado e viu como ele morreu, disse: “Realmente este homem era o Filho de Deus! “
  40. Algumas mulheres estavam observando de longe. Entre elas estavam Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago, o mais jovem, e de José.
  41. Na Galiléia elas tinham seguido e servido a Jesus. Muitas outras mulheres que tinham subido com ele para Jerusalém também estavam ali.
  42. Era o Dia da Preparação, isto é, a véspera do sábado. Ao cair da tarde,
  43. José de Arimatéia, membro de destaque do Sinédrio, que também esperava o Reino de Deus, dirigiu-se corajosamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus.
  44. Pilatos ficou surpreso ao ouvir que ele já tinha morrido. Chamando o centurião, perguntou-lhe se Jesus já tinha morrido.
  45. Sendo informado pelo centurião, entregou o corpo a José.
  46. Então José comprou um lençol de linho, baixou o corpo da cruz, envolveu-o no lençol e o colocou num sepulcro cavado na rocha. Depois, fez rolar uma pedra sobre a entrada do sepulcro.
  47. Maria Madalena e Maria, mãe de José, viram onde ele fora colocado.
  48. Quando terminou o sábado, Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago, compraram especiarias aromáticas para ungir o corpo de Jesus.
  49. No primeiro dia da semana, bem cedo, ao nascer do sol, elas se dirigiram ao sepulcro,
  50. perguntando umas às outras: “Quem removerá para nós a pedra da entrada do sepulcro? “
  51. Mas, quando foram verificar, viram que a pedra, que era muito grande, havia sido removida.
  52. Entrando no sepulcro, viram um jovem vestido de roupas brancas assentado à direita, e ficaram amedrontadas.
  53. “Não tenham medo”, disse ele. “Vocês estão procurando Jesus, o Nazareno, que foi crucificado. Ele ressuscitou! Não está aqui. Vejam o lugar onde o haviam posto.
  54. Vão e digam aos discípulos dele e a Pedro: Ele está indo adiante de vocês para a Galileia. Lá vocês o verão, como ele lhes disse”.
  55. Tremendo e assustadas, as mulheres saíram e fugiram do sepulcro. E não disseram nada a ninguém, porque estavam amedrontadas.

Fonte: Marcos 15 e 16

Capítulo 58 – Conclusão

  1. Depois do seu sofrimento, Jesus apresentou-se a eles e deu-lhes muitas provas indiscutíveis de que estava vivo. Apareceu-lhes por um período de quarenta dias falando-lhes acerca do Reino de Deus.
  2. Certa ocasião, enquanto comia com eles, deu-lhes esta ordem: “Não saiam de Jerusalém, mas esperem pela promessa de meu Pai, da qual lhes falei.
  3. Pois João batizou com água, mas dentro de poucos dias vocês serão batizados com o Espírito Santo”.
  4. Então os que estavam reunidos lhe perguntaram: “SENHOR, é neste tempo que vais restaurar o reino a Israel?”
  5. Ele lhes respondeu: “Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade.
  6. Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”.
  7. Tendo dito isso, foi elevado às alturas enquanto eles olhavam, e uma nuvem o encobriu da vista deles.
  8. E eles ficaram com os olhos fixos no céu enquanto ele subia. De repente surgiram diante deles dois homens vestidos de branco,
  9. que lhes disseram: “Galileus, por que vocês estão olhando para o céu? Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado ao céu, voltará da mesma forma como o viram subir”.
  10. Então eles voltaram para Jerusalém, vindo do monte chamado das Oliveiras, que fica perto da cidade, cerca de um quilômetro.
  11. Quando chegaram, subiram ao aposento onde estavam hospedados. Achavam-se presentes Pedro, João, Tiago e André; Filipe, Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão, o zelote, e Judas, filho de Tiago.
  12. Todos eles se reuniam sempre em oração, com as mulheres, inclusive Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus.
  13. Chegando o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar.
  14. De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados.
  15. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles.
  16. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava.
  17. Havia em Jerusalém judeus, tementes a Deus, vindos de todas as nações do mundo.
  18. Ouvindo-se este som, ajuntou-se uma multidão que ficou perplexa, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua.
  19. Atônitos e maravilhados, eles perguntavam: “Acaso não são galileus todos estes homens que estão falando?
  20. Então, como os ouvimos, cada um de nós, em nossa própria língua materna?
  21. Partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, Judéia e Capadócia, Ponto e da província da Ásia,
  22. Frígia e Panfília, Egito e das partes da Líbia próximas a Cirene; visitantes vindos de Roma,
  23. tanto judeus como convertidos ao judaísmo; cretenses e árabes. Nós os ouvimos declarar as maravilhas de Deus em nossa própria língua! “
  24. Atônitos e perplexos, todos perguntavam uns aos outros: “Que significa isto? “
  25. Alguns, todavia, zombavam deles e diziam: “Eles beberam vinho demais”.
  26. Então Pedro levantou-se com os Onze e, em alta voz, dirigiu-se à multidão: “Homens da Judéia e todos os que vivem em Jerusalém, deixem-me explicar-lhes isto! Ouçam com atenção:
  27. estes homens não estão bêbados, como vocês supõem. Ainda são nove horas da manhã!
  28. Pelo contrário, isto é o que foi predito pelo profeta Joel:
  29. ‘Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos.
  30. Sobre os meus servos e as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão.
  31. Mostrarei maravilhas em cima no céu e sinais em baixo, na terra, sangue, fogo e nuvens de fumaça.
  32. O sol se tornará em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do SENHOR.
  33. E todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo! ’
  34. “Israelitas, ouçam estas palavras: Jesus de Nazaré foi aprovado por Deus diante de vocês por meio de milagres, maravilhas e sinais, que Deus fez entre vocês por intermédio dele, como vocês mesmos sabem.
  35. Este homem lhes foi entregue por propósito determinado e pré-conhecimento de Deus; e vocês, com a ajuda de homens perversos, o mataram, pregando-o na cruz.
  36. Mas Deus o ressuscitou dos mortos, rompendo os laços da morte, porque era impossível que a morte o retivesse.
  37. A respeito dele, disse Davi: ‘Eu sempre via o SENHOR diante de mim. Porque ele está à minha direita, não serei abalado.
  38. Por isso o meu coração está alegre e a minha língua exulta; o meu corpo também repousará em esperança,
  39. porque tu não me abandonarás no sepulcro, nem permitirás que o teu Santo sofra decomposição.
  40. Tu me fizeste conhecer os caminhos da vida e me encherás de alegria na tua presença’.
  41. “Irmãos, posso dizer-lhes com franqueza que o patriarca Davi morreu e foi sepultado, e o seu túmulo está entre nós até o dia de hoje.
  42. Mas ele era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que colocaria um dos seus descendentes em seu trono.
  43. Prevendo isso, falou da ressurreição do Messias, que não foi abandonado no sepulcro e cujo corpo não sofreu decomposição.
  44. Deus ressuscitou este Jesus, e todos nós somos testemunhas desse fato.
  45. Exaltado à direita de Deus, ele recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e derramou o que vocês agora vêem e ouvem.
  46. Pois Davi não subiu ao céu, mas ele mesmo declarou: ‘O SENHOR disse ao meu SENHOR: Senta-te à minha direita
  47. até que eu ponha os teus inimigos como estrado para os teus pés’.
  48. “Portanto, que todo Israel fique certo disto: Este Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus o fez SENHOR e Messias”.
  49. Quando ouviram isso, os seus corações ficaram aflitos, e eles perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, que faremos? “
  50. Pedro respondeu: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus o Messias, para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo.”
  51. “Pois a promessa é para vocês, para os seus filhos e para todos os que estão longe, para todos quantos o SENHOR, o nosso Deus chamar”.
  52. Com muitas outras palavras os advertia e insistia com eles: “Salvem-se desta geração corrompida! “
  53. Os que aceitaram a mensagem foram batizados, e naquele dia houve um acréscimo de cerca de três mil pessoas.
  54. Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações.
  55. Todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos.
  56. Todos os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum.
  57. Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade.
  58. Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração,
  59. louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o SENHOR lhes acrescentava todos os dias os que iam sendo salvos.

Fonte: Atos 1 e 2

Capítulo 59 – Juízo

  1. Desde o decreto que mandou restaurar e reconstruir Jerusalém até a vinda do Messias, como revelado ao profeta Daniel, houve sete semanas e mais sessenta e duas semanas para a cidade ser reconstruída com ruas e muros, mesmo em tempos difíceis.
  2. Depois das sessenta e duas semanas, o Ungido será morto, e já não houve lugar para ele. A cidade e o lugar santo serão destruídos pelo povo do governante que virá. O fim virá como uma inundação: Guerras continuarão até o fim, e desolações foram decretadas.
  3. Com muitos o Messias fez uma aliança que durou uma semana. No meio da semana ele deu fim ao sacrifício e à oferta. [Daniel 9:24-26]
  4. O Templo de Jerusalém já não mais cumpriu a sua função. A luz central se apagava sozinha, a fita vermelha permanecia vermelha, e o sorteio para o SENHOR sempre aparecia na mão esquerda. Suas portas eram fechadas à noite e pela manhã eram encontradas bem abertas. [Talmude]
  5. Os sacerdotes do templo se perguntaram: ‘Ó Templo, por que você nos assusta?’, pois sentiram que o templo acabaria destruído. [Talmude].
  6. O templo se tornou uma figueira que se via a distância com suas belas folhas, mas não produzia frutos; por isso, foi amaldiçoada pelo Messias para que suas raízes secassem. [Marcos 11:13-14]
  7. Roma expulsou todos os judeus, que continuamente causavam distúrbios por instigação do nome do Messias. [Suetônio 6.25]
  8. Veio então a sexta cabeça, o Nero César, que foi a pior de todas elas.
  9. Nero César preparava banquetes nas praças públicas e usava toda a cidade como sua casa particular. Destes entretenimentos, os mais famosos por sua notória libertinagem foram os fornecidos por Tigelino. [Tácito 37]
  10. Nero, que se poluía com todas as indulgências legais ou ilegais, não omitiu uma única abominação que pudesse aumentar sua depravação. [Tácito 37]
  11. Alguns dias depois ele se rebaixou para se casar com um homem do seu tipo imundo com todas as formas de um casamento regular. [Tácito 37]
  12. O véu de noiva foi colocado sobre o imperador; as pessoas viram as testemunhas da cerimônia, o dote de casamento, o sofá e as tochas nupciais. [Tácito 37]
  13. Seguiu-se um desastre, se foi acidental ou planejado pelo imperador, é incerto, pois os autores deram ambos os relatos. [Tácito 38]
  14. Foi o pior e o mais terrível que já aconteceu a esta cidade pela violência do fogo. [Tácito 38]
  15. Teve seu início no circo que ficava ao lado das colinas Palatino e Célio. [Tácito 38]
  16. Em meio às lojas de mercadorias inflamáveis, o incêndio irrompeu. [Tácito 38]
  17. O fogo se tornou tão violento e tão rápido com o vento que agarrou toda a extensão do circo, [Tácito 38]
  18. Pois não havia casas cercadas por alvenaria ou templos murados, ou qualquer outro obstáculo para interpor as chamas. [Tácito 38]
  19. O incêndio em sua fúria percorreu primeiro as partes planas da cidade, depois subiu para as colinas enquanto devastava todos os lugares abaixo delas. [Tácito 38]
  20. Ultrapassou todas as medidas preventivas; tão rápido foi o desastre e tão completamente à sua mercê ficou a cidade com as passagens estreitas e sinuosas e ruas irregulares que caracterizavam a velha Roma. [Tácito 38]
  21. Espalhou por toda parte um boato. [Tácito 39]
  22. No momento em que a cidade estava em chamas, o imperador se apresentou em um palco privado e cantou antigos poemas comparando o infortúnio com as calamidades da antiguidade. [Tácito 39]
  23. Só depois de cinco dias, foi posto fim ao incêndio ao pé do morro Esquilino. [Tácito 40]
  24. Mas antes que as pessoas deixassem de lado seus medos, as chamas voltaram com não menos fúria. [Tácito 40]
  25. Esta segunda vez acometeu especialmente os bairros espaçosos da cidade. [Tácito 40]
  26. Embora houvesse menos perda de vidas, os templos dos deuses e os pórticos que eram dedicados à diversão caíram em uma ruína ainda mais generalizada. [Tácito 40]
  27. Roma, de fato, estava dividida em quatorze distritos, quatro dos quais permaneceram ilesos, três foram nivelados ao solo; e os outros sete restaram apenas algumas relíquias de casas despedaçadas e meio queimadas. [Tácito 40]
  28. Nero César aproveitou a desolação de seu país e ergueu uma mansão sobre os bairros destruídos que foi erguido com joias, ouro e objetos vulgarizados pela extravagância. [Tácito 42]
  29. Havia banquetes sagrados e vigílias noturnas celebradas por mulheres casadas, mas todos os seus esforços e propiciações aos seus deuses não baniram a crença de que a conflagração fora o resultado de sua ordem. [Tácito 44]
  30. A Besta então colocou a culpa do desastre nos Santos do Altíssimo. Infligiu as mais requintadas torturas aos seguidores do Messias. [Tácito 44]
  31. O Messias tentou preparar os seus discípulos para esse momento de martírio. Falou sobre este tempo em que a espada de seus inimigos cairia sobre eles.
  32. Ele disse antes de os enviar a pregar: Não pensem que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. [Mateus 10-34]
  33. Vim para fazer que o homem fique contra seu pai, a filha contra sua mãe, a nora contra sua sogra. [Mateus 10:35]
  34. Os inimigos do homem serão os da sua própria família. [Mateus 10:36]
  35. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; [Mateus 10:37]
  36. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; [Mateus 10:38]
  37. E quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. [Mateus 10:39]
  38. Quem encontra a sua vida a perderá, e quem perde a sua vida por minha causa a encontrará. [Mateus 10:40]
  39. Ele disse mais sobre o monte das Oliveiras quando seus discípulos dirigiram-se a ele em particular e perguntaram: SENHOR, quando acontecerão essas coisas? [Mateus 24: 4]
  40. Ele respondeu: Tudo isso será o início das dores. [Mateus 24:8]
  41. Vocês serão entregues para serem perseguidos e condenados à morte. Vocês serão odiados por todas as nações por minha causa. [Mateus 24:9]
  42. Neste tempo muitos ficarão escandalizados, trairão e odiarão uns aos outros. [Mateus 24:10]
  43. E numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. [Mateus 24:11]
  44. Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará, mas aquele que perseverar até o fim será salvo. [Mateus 24:12-13]
  45. E o evangelho do Reino dos Céus será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações. Só então virá o fim. [Mateus 24:14]

Fontes: Daniel 9, Talmude, Suetônio 6.25, Tácito 37-44, Mateus 10 e Mateus 24.

Capítulo 60 – Testemunhas

  1. O Messias, que sofreu a pena extrema durante o reinado de Tibério César nas mãos do procurador Pôncio Pilato, teve seu evangelho espalhado pelo mundo. [Tácito 44]
  2. E este evangelho irrompeu não apenas na Judeia, mas também por toda a Roma. [Tácito 44]
  3. Primeiro, Nero César ordenou a prisão de todos os que se declararam seguidores do Messias. [Tácito 44]
  4. Então, após sua mentira, uma imensa multidão foi condenada, não tanto pelo crime que lhes fora falsamente imputado, mas por ódio à sua crença. [Tácito 44]
  5. Uma multidão de seguidores foi castigada. Zombarias de todo tipo foram adicionada às suas mortes. [Tácito 44]
  6. Cobertos com peles de feras, eles foram rasgados por cães e pereceram, ou foram pregados em cruzes. [Tácito 44]
  7. Outros foram condenados às chamas e queimados para servir como parte da iluminação noturna da cidade. [Tácito 44]
  8. Até mesmo naqueles que acreditaram na mentira de Nero César, surgiu um sentimento de compaixão; pois eram penas extremas. [Tácito 44]
  9. Ao que parecia, não eram para o bem público, mas era para saciar a crueldade de um homem que os seguidores de Messias estavam sendo destruídos. [Tácito 44]
  10. Estavam na cidade duas testemunhas, vestidas em pano de saco, que profetizaram durante os mil duzentos e sessenta dias desses quarenta e dois meses de perseguição. [Apocalipse 11:3]
  11. Os seus nomes eram: Paulo, o pregador aos gentios, e Pedro, o pregador aos judeus.
  12. Estas duas testemunhas eram como as duas oliveiras e os dois candelabros que permaneciam diante do SENHOR da terra. [Apocalipse 11:4]
  13. Se alguém quisesse lhes causar dano, da boca deles sairia o fogo que devoraria os seus inimigos.[Apocalipse 11:5]
  14. Estes homens tinham o poder para fechar o céu, de modo que não choveu durante o tempo em que estiveram profetizando, e tinham poder para transformar a água em sangue e ferir a terra com toda sorte de pragas, quantas vezes desejassem. [Apocalipse 11:6]
  15. Quando eles terminaram o seu testemunho, a Besta do Abismo os atacou. Ela os venceu e os matou. [Apocalipse 11:7]
  16. O primeiro foi decapitado por ser cidadão romano e o outro crucificado de cabeça para baixo por não se considerar digno de morrer como o seu senhor. [Eusébio 2.25].
  17. Os seus cadáveres ficarão expostos na rua principal da grande cidade que era como a Sodoma e o Egito, onde também foi crucificado o seu SENHOR. [Apocalipse 11:8]
  18. Durante três dias e meio, homens de todos os povos, tribos, línguas e nações contemplaram os seus cadáveres e não permitiram que fossem sepultados. [Apocalipse 11:9]
  19. Os habitantes da terra se alegraram por causa deles e festejaram, enviando presentes uns aos outros, pois esses dois profetas haviam atormentado os que habitavam na terra. [Apocalipse 11:10]
  20. Mas, depois dos três dias e meio, entrou neles um sopro de vida da parte de Deus, e eles ficaram de pé, e um grande terror tomou conta daqueles que os viram. [Apocalipse 11:11]
  21. Então eles ouviram uma forte voz do céu que lhes disse: Subam para cá. E eles subiram para o céu numa nuvem, enquanto os seus inimigos olhavam. [Apocalipse 11:12]
  22. O ressentimento contra o Nero César se intensificou até entre os seus próprios súditos porque ele também ficou conhecido por lucrar com o alto custo dos grãos. [Suetônio 6.45]
  1. Quando as pessoas estavam com falta de comida, chegaram notícias de um navio de Alexandria que em vez de uma carga de milho trouxe areia para sua arena de luta livre. [Suetônio 6.45]
  2. Nero César despertou tanto ódio universal que não foi poupado de nenhuma forma de insulto pelo seu próprio povo. [Suetônio 6.45]
  3. Eles escreveram ofensas nas colunas das construções e à noite gritavam que a vingança estava chegando. [Suetônio 6.45]
  4. Ele se tornou aterrorizado por presságios manifestos, tanto antigos como novos, implícitos em sonhos, auspícios e visões. [Suetônio 6.46]
  5. Ele sonhava com a mãe e a esposa, que ele próprio assassinou, o deixando a deriva em navios ou o puxando para as sombras. [Suetônio 6.46]
  6. As portas do seu palácio se abriam espontaneamente e ele escutava uma voz chamando seu nome. Também as estátuas dos seus deuses caíam no chão enquanto estava recebendo os auspícios. [Suetônio 6.46]
  7. Enfim, chegou os despachos com notícias de que os seus militares também estavam em rebelião. [Suetônio 6.47]
  8. As mensagens foram entregues enquanto Nero César estava jantando, ele as rasgou e virou a mesa, fazendo voar tudo o que estava sobre ela. [Suetônio 6.47]
  9. Ele considerou várias opções, por exemplo, se entregar à misericórdia dos seus inimigos e até discursar no fórum vestido pateticamente de preto e implorar ao povo que perdoasse os seus pecados. [Suetônio 6.47]
  10. Certo dia, ele acordou à meia-noite e descobrindo que os guardas o haviam abandonado, ele pulou da cama e chamou seus amigos. Não recebendo resposta, foi aos quartos dos criados e encontrou as portas trancadas. [Suetônio 6.47]
  11. Não obtendo resposta, voltou para seu próprio quarto e descobriu que os zeladores também haviam fugido levando até a roupa de cama. [Suetônio 6.47]
  12. Ele montou um cavalo, descalço e com sua túnica coberta por um manto desbotado. [Suetônio 6.48]
  13. Segurando um lenço para cobrir no rosto, partiu com apenas quatro assistentes, mas foi reconhecido por um soldado antigo que o saudou pois desconhecia sua situação. [Suetônio 6.48]
  14. Em certo momento, ele escutou as vozes se aproximando com ordens de capturá-lo com vida. [Suetônio 6.49]
  15. Soube que queriam matá-lo a maneira antiga, com a cabeça presa por garfos e espancado até a morte. [Suetônio 6.49]
  16. Quando ele os ouviu chegando, falou com uma voz trêmula: – Ouço agora o som de cavalos galopando. [Suetônio 6.49]
  17. Nero César implorou a alguém que se suicidasse em sua frente para lhe mostrar o caminho e se esmurrou por sua covardia, dizendo: Viver é vergonha e desgraça.  [Suetônio 6.49]
  18. Então, com a ajuda do seu secretário particular, ele mergulhou uma adaga em sua garganta. [Suetônio 6.49]
  19. Morreu com os olhos vidrados e saltando das órbitas, para horror de todos que os viram. [Suetônio 6.49]

Fontes: Tácito 44, Apocalipse 11 e Suetônio 6.45-49

Capítulo 61 – Rebelião

  1. Neste tempo, por causa das profecias sobre a vinda do Messias, cresceu em todo o oriente a convicção de que o império do mundo deveria partir da Judeia. [Suetônio 10.4]
  2. Os judeus para tornar a profecia verdadeira irromperam em rebelião contra os romanos. [Suetônio 10.4]
  3. A rebelião primeiro atacou uma certa fortaleza chamada Massada. [Josefo 2.17]
  4. Eles a tomaram por traição e mataram os romanos que estavam lá, e colocaram outros de seu próprio grupo para mantê-la. [Josefo 2.17]
  5. Ao mesmo tempo, Eleazar, filho do sumo-sacerdote Ananias, um jovem muito ousado, que na época era governador do templo, persuadiu os outros sacerdotes a não receberem presentes ou sacrifícios dos gentios; [Josefo 2.17]
  6. E assim os sacrifícios a César foram rejeitados. [Josefo 2.17]
  7. Os soldados do governador da Judeia se esforçaram para ganhar o templo e expulsar os sacerdotes sediciosos que, com Eleazar, trabalharam para ganhar a cidade alta; [Josefo 2.17]
  8. E assim ocorreram massacres perpétuos de ambos os lados. [Josefo 2.17]
  9. A casa do sumo-sacerdote Ananias e os palácios de Agripa e Berenice foram incendiados. [Josefo 2.17]
  10. Também se apressaram em queimar os contratos pertencentes a seus credores e acabar com as obrigações sobre o pagamento de dívidas. [Josefo 2.17]
  11. Desejavam ganhar a multidão dos devedores e persuadir os mais pobres a se juntarem à insurreição contra os mais ricos. [Josefo 2.17]
  12. Os homens de poder e os sumos sacerdotes entraram nos cofres subterrâneos e se esconderam. [Josefo 2.17]
  13. Outros fugiram com os soldados de Agripa para o palácio superior e fecharam os portões imediatamente; entre os quais estavam Ananias, o sumo sacerdote, e os embaixadores que haviam sido enviados a Agripa. [Josefo 2.17]
  14. Os judeus insurretos atacaram a Torre Antônia e cercaram sua guarnição por dois dias. Então, a tomaram e mataram todos nela. Colocaram a cidadela em chamas. [Josefo 2.17]
  15. Depois disso, marcharam para o palácio, para onde os soldados do rei haviam fugido e acabaram capitulando após cercados. [Josefo 2.17]
  16. O sumo-sacerdote Ananias foi pego onde havia se escondido em um aqueduto; e foi morto, junto com Ezequias, seu irmão, pelo grupo liderado por Manaém, filho de Judas Galileu. [Josefo 2.17]
  17. Eleazar e seu grupo caíram violentamente sobre Manaém, como também o resto do povo; e, pegando pedras, eles os apedrejaram. [Josefo 2.17]
  18. Alguns do grupo de Manaém escaparam em particular para Massada, entre os quais Eleazar, filho de Jairo, que era parente de Manaém. [Josefo 2.17]
  19. Quanto ao próprio Manaém, que havia fugido para Ophla, foi capturado vivo e o arrastado diante de todos. [Josefo 2.17]
  20. Eles o torturaram e depois de tudo o mataram junto com os capitães sob seu comando. [Josefo 2.17]
  21. O general de Roma chamado Metílio, para poupar apenas suas vidas e dos seus soldados, concordou em entregar suas armas e o que mais eles tinham com eles. [Josefo 2.17]
  22. Mas, assim que entregaram seus escudos e suas espadas, estando sem suspeita de causar qualquer dano, os homens de Eleazar os atacaram de maneira violenta e os mataram. [Josefo 2.17]
  23. Foram assim todos assassinados barbaramente, exceto Metílio, que implorou por misericórdia e prometeu se tornar judeu e ser circuncidado. [Josefo 2.17]
  24. No mesmo dia em que os soldados de Roma foram mortos em Jerusalém, o povo de Cesareia matou os judeus que estavam entre eles; de modo que no período de uma hora mais de vinte mil judeus foram mortos. [Josefo 2.18]
  25. Toda a Cesareia foi esvaziada de seus habitantes judeus. [Josefo 2.18]
  26. Os que fugiram, o governador romano Floro os capturava e os enviava amarrados às galés. [Josefo 2.18]
  27. Com o golpe que os judeus receberam em Cesareia, toda a nação ficou muito enfurecida; [Josefo 2.18]
  28. Assim, eles se dividiram em vários grupos e devastaram as aldeias dos sírios e suas cidades vizinhas: Filadélfia, Sebonitis, Gerasa, Pella, e Citópolis. [Josefo 2.18]
  29. Depois deles Gadara e Hipopótamos; e caindo sobre Gaulonitis, algumas cidades eles destruíram e algumas incendiaram. [Josefo 2.18]
  30. Então foram para Kedasa, pertencente aos tírios, para Ptolemais, para Gaba, e para Cesareia. [Josefo 2.18]
  31. Nem a Samaria ou Asquelon foi capaz de se opor à violência com a qual foram atacados. Queimaram tudo. [Josefo 2.18]
  32. Demoliram inteiramente Anthedon e Gaza. [Josefo 2.18]
  33. Muitas das aldeias que estavam ao redor também foram saqueadas e uma imensa matança foi feita dos homens que foram apanhados nelas. [Josefo 2.18]
  34. Os sírios estavam na multidão dos homens que os Judeus mataram; pois mataram aqueles que capturaram em suas cidades; [Josefo 2.18]
  35. Não apenas pelo ódio que os nutriram, mas para evitar o perigo; de maneira que as desordens em toda a Síria foram terríveis. [Josefo 2.18]
  36. Cada cidade foi dividida em dois exércitos, acampados um contra o outro, e a preservação de uma parte consistia na destruição da outra. [Josefo 2.18]
  37. Assim, o dia era gasto em derramamento de sangue e a noite em medo. [Josefo 2.18]
  38. A ganância era provocação o bastante para matar a parte oposta, mesmo para aqueles que antigamente pareciam muito brandos e gentis. [Josefo 2.18]
  39. Pois sem medo pilharam dos mortos e levaram os despojos daqueles que matavam para suas próprias casas, como se tivessem sido ganhos em uma batalha armada. [Josefo 2.18]
  40. Era então comum ver cidades cheias de cadáveres, ainda não enterrados, com os de velhos misturados com de crianças, todos mortos e espalhados juntos. [Josefo 2.18]
  41. Mulheres também se deitaram mortas entre eles, sem qualquer cobertura para sua nudez. [Josefo 2.18]
  42. Era possível ver toda a província cheia de calamidades inexprimíveis. [Josefo 2.18]
  43. O pavor de práticas ainda mais bárbaras era cada vez maior do que o que já havia sido perpetrado. [Josefo 2.18]
  44. Em Citópolis, os judeus lutaram contra seus próprios compatriotas. [Josefo 2.18]
  45. Eles receberam os insurretos por dois dias para tentá-los a ficarem seguros; mas na terceira noite eles observaram a oportunidade e cortaram todas as suas gargantas. [Josefo 2.18]
  46. Alguns foram mortos enquanto estavam desprotegidos e outros enquanto dormiam; então eles saquearam tudo o que eles possuíam. [Josefo 2.18]
  47. Nesse momento, diante do trono celestial, o Cordeiro abriu o quinto selo. Debaixo do altar, estavam as almas daqueles que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram. [Apocalipse 6:9]
  48. Eles clamaram em alta voz: Até quando, ó Soberano santo e verdadeiro, esperarás para julgar os habitantes da terra e vingar o nosso sangue? [Apocalipse 6:10]
  49. Então cada um dos santos recebeu uma veste branca, e foi-lhes dito que esperassem um pouco mais, até que se completasse o número dos seus conservos e irmãos, que deveriam ser mortos como eles. [Apocalipse 6:11]
  50. A abertura do sexto selo foi um grande abalo. O sol ficou escuro como tecido de crina negra, toda a lua tornou-se vermelha como sangue, [Apocalipse 6:12]
  51. E as estrelas do céu caíram sobre a terra como figos verdes caem da figueira quando sacudidos por um vento forte. [Apocalipse 6:13]
  52. O céu foi se recolhendo como se enrola um pergaminho, e todas as montanhas e ilhas foram removidas de seus lugares. [Apocalipse 6:14]
  53. Os reis da terra, os príncipes, os generais, os ricos, os poderosos — todos os homens, quer escravos, quer livres, estavam escondidos em cavernas e entre as rochas das montanhas. [Apocalipse 6:15]
  54. Eles gritavam às montanhas e às rochas: Caiam sobre nós e escondam-nos da face daquele que está assentado no trono e da ira do Cordeiro! [Apocalipse 6:16]
  55. Chegou o grande dia da ira do SENHOR; e quem poderá suportar? [Apocalipse 6:17]

Fontes: Suetônio 10.4; Josefo 2.17-18 e Apocalipse 6:9-17

Capítulo 62 – Escolhidos

  1. Os seguidores do Messias lembraram-se das palavras do seu senhor, antes de sua morte, quando estavam sobre o monte das Oliveiras.
  2. Assim, quando vocês virem ‘o sacrilégio terrível’, do qual falou o profeta Daniel, no lugar santo, então os que estiverem na Judeia fujam para os montes. [Mateus 24:15-16]
  3. Quem estiver no telhado de sua casa não desça para tirar dela coisa alguma. [Mateus 24:17]
  4. Quem estiver no campo não volte para pegar seu manto. [Mateus 24:18]
  5. Como serão terríveis aqueles dias para as grávidas e para as que estiverem amamentando! [Mateus 24:19]
  6. Orem para que a fuga de vocês não aconteça no inverno nem no sábado, [Mateus 24:20]
  7. Porque haverá então grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá. [Mateus 24:21]
  8. Os seguidores do Messias em Jerusalém lembraram-se dessas palavras ditas quarenta anos antes. [Eusébio 3.5.3]
  9. Eles se ordenaram por essa revelação, concedida a homens aprovados lá antes da guerra, para deixar a Jerusalém e morar em uma certa cidade da Pereia chamada Pella, [Eusébio 3.5.3]
  10. Então, como se a cidade real dos judeus e toda a terra da Judeia estivessem totalmente destituídas de homens santos, o julgamento de Deus finalmente alcançou a todos aqueles que haviam cometido tais ultrajes contra o Messias e seus apóstolos. [Eusébio 3.5.3]
  11. O julgamento destruiria totalmente aquela geração de homens ímpios. [Eusébio 3.5.3]
  12. Afinal, os romanos não ficaram quietos com a revolta. O comandante Céstio dos exércitos da Síria convocou da Antioquia a décima-segunda legião inteira. [Josefo 2.18.9]
  13. Também, das outras legiões, selecionou dois mil soldados, com seis coortes de infantaria e quatro tropas de cavaleiros. [Josefo 2.18.9]
  14. Tropas auxiliares foram enviadas pelos reis da região. [Josefo 2.18.9]
  15. O rei Antíoco enviou dois mil cavaleiros e três mil homens de infantaria, com outros arqueiros. [Josefo 2.18.9]
  16. O rei Agripa enviou o mesmo número de infantaria e mil cavaleiros. [Josefo 2.18.9]
  17. E o rei Sohemus enviou quatro mil, uma terça parte dos quais eram cavaleiros, mas a maioria eram arqueiros. [Josefo 2.18.9]
  18. Outro grande número de auxiliares foram reunidos das cidades livres, que de fato não tinham a mesma habilidade nas questões marciais, mas compensavam com sua vivacidade e seu ódio aos judeus. [Josefo 2.18.9]
  19. O comandante da décima-segunda legião marchou com tantas de suas forças quanto ele supôs serem suficientes para subjugar aquela nação. [Josefo 2.18.11]
  20. Ele foi recebido pela cidade mais forte da Galileia, chamada Séforis, com aclamações de alegria; cuja conduta sábia daquela cidade ocasionou que o resto das cidades ficasse em silêncio. [Josefo 2.18.11]
  21. A parte dos rebeldes e dos ladrões fugiram para aquela montanha que fica bem no meio da Galileia, e está situada em frente a Séforis; é chamado de Asamon. [Josefo 2.18.11]
  22. Quando os romanos se aproximaram, eles mataram cerca de duzentos dos revoltosos, [Josefo 2.18.11]
  23. E quando os romanos contornaram as montanhas e chegaram às regiões acima de seus inimigos, os derrotaram. [Josefo 2.18.11]
  24. Alguns poucos rebeldes se esconderam em certos lugares difíceis de serem alcançados enquanto o resto, mais de dois mil em número, foram mortos. [Josefo 2.18.11]
  25. Com todas as suas forças, o comandante Céstio marchou até a cidade de Antipatris encontrando a torre de Aphek abandonada e o acampamento deserto. [Josefo 2.19.1]
  26. Ele queimou tudo, bem como as aldeias vizinhas. [Josefo 2.19.1]
  27. Depois, encontrou a cidade da Lida vazia, pois toda a multidão havia subido a Jerusalém para a festa dos tabernáculos. [Josefo 2.19.1]
  28. Quando os judeus viram a guerra se aproximando de Jerusalém, deixaram a festa e se lançaram às armas. [Josefo 2.19.2]
  29. Essa fúria os fez esquecer a observação religiosa do sábado. [Josefo 2.19.2]
  30. Tornou-os muito duros para seus inimigos na luta; e com tal violência, portanto, caíram sobre os romanos. [Josefo 2.19.2]
  31. Os judeus invadiram suas fileiras e marcharam no meio deles; fazendo uma grande matança nos romanos enquanto avançavam. [Josefo 2.19.2]
  32. Simão, o filho de Giora, caiu sobre as costas dos romanos enquanto eles subiam Bethoron. [Josefo 2.19.2]
  33. Eles desorganizaram o último do exército romano, e levaram embora muitos dos animais e das armas de guerra que os romanos possuíam. [Josefo 2.19.2]
  34. Quando o governador Agripa percebeu que mesmo os romanos estavam em perigo, enviou Borceu e Febo, às pessoas de seu povo em sedição. [Josefo 2.19.3]
  35. Prometeu-lhes que Céstio asseguraria um perdão total se desistissem. [Josefo 2.19.3]
  36. Mas os rebeldes mataram Febo antes que ele dissesse uma só palavra enquanto Borceu, embora ferido, evitou o mesmo destino fugindo. [Josefo 2.19.3]
  37. Quando a sexta cabeça da Besta, o Nero César, antes de morrer, foi informado do fracasso dos romanos na Judeia, uma consternação e terror ocultos, como é comum em tais casos, caíram sobre ele. [Josefo 3.1.1]
  38. Embora abertamente, parecesse muito grande e zangado, ele disse que o acontecido era mais devido à negligência do comandante do que a qualquer valor do inimigo. [Josefo 3.1.2]
  39. Ele deliberou: quem poderia ser mais capaz de punir os judeus por sua rebelião? E quem poderia impedir que a mesma praga se apoderasse das nações vizinhas? [Josefo 3.1.2]
  40. Ele não encontrou ninguém além de Vespasiano Flávio à altura da tarefa. [Josefo 3.1.2]
  41. Este logo assumiria o lugar como a sétima cabeça da Besta. Ele logo seria usado como a taça de ouro que Deus derramaria sobre os judeus o seu julgamento final.

Fonte: Mateus 24:15-21; Eusébio 3.5.3; Josefo 2.18.9-11, 2.19.1-3 e 3.1.1

Capítulo 63 – Flávio César

  1. Vespasiano Flávio atravessou por terra o Helesponto até a Síria, onde reuniu as forças romanas e auxiliares dos reis daquela vizinhança. [Josefo 3.1.3]
  2. Ele levou consigo seu exército até a Antioquia, onde encontrou o rei Agripa, com todas as suas forças. Juntos, marcharam para Ptolemais. [Josefo 3.2.4]
  3. Nesta cidade também os habitantes de Séforis da Galileia o receberam com alegria, pois eram pela paz com os romanos. [Josefo 3.2.4]
  4. Vespasiano César enviou seu filho Tito até a cidade de Alexandria. Este tomaria o papel do anjo do Abismo, cujo nome, em hebraico, é Abadom, e, em grego, Apolião.
  5. O filho da Besta navegou da Acaia até Alexandria mais cedo do que o inverno permitia; [Josefo 3.4.2]
  6. Ele onde levou consigo duas legiões de soldados, e marchando com grande expedição, encontrou o seu pai na cidade de Ptolemais. [Josefo 3.4.2]
  7. Junto, com as duas legiões sob seu comando, que eram quinta e a décima, as legiões mais eminentes de todas, o Anjo do Abismo se juntou à décima-quinta legião que estava com seu pai. [Josefo 3.4.2]
  8. Dezoito coortes seguiram essas legiões; vieram também cinco coortes de Cesareia, com uma tropa de cavaleiros e cinco outras tropas de cavaleiros da Síria. [Josefo 3.4.2]
  9. Houve também um número considerável de auxiliares reunidos, vindos dos reis Antíoco, Agripa e Sohemus, cada um deles contribuindo com mil soldados rasos que eram arqueiros e mil cavaleiros. [Josefo 3.4.2]
  10. Malchus também, o rei da Arábia, enviou mil cavaleiros, além de cinco mil homens de infantaria, a maior parte dos quais eram arqueiros. [Josefo 3.4.2]
  11. Desta maneira, todo o exército, incluindo os auxiliares enviados pelos reis, tanto cavaleiros como soldados rasos somava sessenta mil. [Josefo 3.4.2]
  12. A Besta estava pronta para marchar para fora de Ptolemais. [Josefo 3.6.2]
  13. Os auxiliares marcharam primeiro para que pudessem evitar quaisquer insultos do inimigo e pudessem vasculhar a floresta. [Josefo 3.6.2]
  14. Próximo a eles, seguiram a parte dos romanos armados. [Josefo 3.6.2]
  15. Atrás deles, foram colocadas as carruagens do exército com um número considerável de seus cavaleiros para sua segurança.[Josefo 3.6.2]
  16. Depois, o próprio Vespasiano César marchou, levando consigo um grupo seleto de soldados. [Josefo 3.6.2]
  17. Depois, vinha a cavalaria peculiar de sua própria legião com as mulas que carregavam as máquinas de cerco.
  18. Depois, vieram os comandantes das coortes e tribunos. [Josefo 3.6.2]
  19. Então vieram as insígnias envolvendo a águia, que ficavam à frente de cada legião romana. Essas bandeiras sagradas foram seguidas pelos trompetistas. [Josefo 3.6.2]
  20. Em seguida, vinha o exército principal em seus esquadrões e batalhões, com seis homens de profundidade, aos quais, finalmente, vinha um centurião que observava o resto. [Josefo 3.6.2]
  21. Os servos de cada legião conduziram a bagagem dos soldados, que era carregada pelas mulas e outros animais de carga. [Josefo 3.6.2]
  22. Por trás de todas as legiões vinha toda a multidão de mercenários; e os que fechavam a retaguarda vieram por último para a segurança de todo o exército. [Josefo 3.6.2]
  23. A Besta marchou para a cidade de Gadara onde a encontrou desprovida de número considerável de homens adultos e prontos para a guerra; [Josefo 3.7.1]
  24. E matou todos os jovens, não tendo misericórdia por qualquer idade. [Josefo 3.7.1]
  25. Em seguida marchou para a cidade de Jotapata, pois havia obtido informações de que a maior parte do inimigo havia se retirado para lá. [Josefo 3.7.3]
  26. A Besta acionou então as suas maquinas de cerco para atirar pedras e dardos pela cidade. O número de máquinas eram ao todo cento e sessenta. [Josefo 3.7.9]
  27. Nesse momento, o primeiro anjo celestial tocou a sua trombeta. Granizo e fogo misturado com sangue foram lançados sobre a terra. Foi queimado um terço da terra, um terço das árvores e toda a planta verde. [Apocalipse 8:7]
  28. Eram pesadas rochas que caíam sobre os defensores de Jotapata com grande barulho, junto com fogo e vasta quantidade de flechas. [Josefo 3.7.9]
  29. A muralha se tornou tão perigosa, que os judeus não se atreviam a ficar sobre ela e também não se atreviam a entrar nas suas partes internas; [Josefo 3.7.9]
  30. Pois a multidão de arqueiros árabes, bem como todos aqueles que atiravam dardos e pedras, começaram a trabalhar junto com as máquinas. [Josefo 3.7.9]
  31. Quarenta e sete dias depois, os poucos que restaram na cidade estavam tão esgotados com a vigilância e a luta perpétua que ficaram incapazes de se opor a qualquer força que viesse contra eles. [Josefo 3.7.33]
  32. Os soldados romanos marcharam sem barulho até a muralha; e foi o próprio Anjo do Abismo quem primeiro a abordou, com um de seus tribunos e alguns membros da décima-quinta legião com ele. [Josefo 3.7.34]
  33. Eles cortaram a garganta do vigia e entraram na cidade muito silenciosamente.  [Josefo 3.7.34]
  34. A Besta não poupou ninguém, nem teve pena de ninguém. [Josefo 3.7.34]
  35. As suas legiões empurraram o povo para o precipício da cidadela e derrubaram todos para a morte. [Josefo 3.7.34]
  36. Toda uma multidão que aparecia abertamente foi morta; e nos dias seguintes vasculharam os esconderijos. [Josefo 3.7.36]
  37. Caíram sobre aqueles que estavam debaixo da terra e nas cavernas. [Josefo 3.7.36]
  38. Mataram todos, exceto as crianças e as mulheres; e destas, mil e duzentas foram feitas escravas. [Josefo 3.7.36]
  39. Os que foram mortos na tomada da cidade e nas primeiras lutas foram contados em quarenta mil. [Josefo 3.7.36]
  40. Isso provocou um grande número dos judeus combatentes a se matarem por suas as próprias mãos quando viram que não podiam fazer mais dano. [Josefo 3.7.34]
  41. Eles resolveram evitar serem mortos pelos romanos, por isso, se reuniram em grande número nos confins da cidade para se matarem. [Josefo 3.7.34]
  42. Eles disseram entre si: visto que a morte é certa, vamos cometer nossas mortes mutuamente por sorteio. [Josefo 3.8.7]
  43. Aquele a quem a sorte cair primeiro, será morto por aquele que tem a segunda sorte, e assim a fortuna fará o seu progresso através de todos nós; e nenhum morrerá por sua própria mão. [Josefo 3.8.7]
  44. Só restou um sobrevivente, chamado Josefo, que no fim se entregou à Vespasiano César, clamando que ele era a nova cabeça de Roma e também era o Messias das profecias. [Josefo 3.8.7]

Capítulo 64 – Trombetas

  1. Aqueles que escaparam sediciosamente da guerra e os que fugiram das cidades demolidas eram em grande número. [Josefo 3.9.3]
  2. Eles reconstruíram a fortaleza de Jaffa, que antes ficara desolada por Céstio, para que pudesse servir-lhes de lugar de refúgio. [Josefo 3.9.3]
  3. Os rebeldes decidiram partir para o mar, construindo para si muitos navios piratas e tornando assim os mares  da Síria, Fenícia e Egito inacessíveis a todos os homens. [Josefo 3.9.3]
  4. Mas Jaffa não era um refúgio natural, pois terminava em uma costa acidentada, onde todo o resto era reto, mas as duas extremidades se dobravam uma em direção à outra, onde existiam profundos precipícios e grandes pedras que se projetavam ao mar. [Josefo 3.9.3]
  5. O segundo anjo tocou a sua trombeta. Algo como um grande monte em chamas foi lançado ao mar. [Apocalipse 8:8]
  6. Um terço do mar se transformaria em sangue, morreria um terço das criaturas vivas do mar e seria destruído um terço das embarcações. [Apocalipse 8:9]
  7. Quando os rebeldes de Jaffa estavam flutuando neste mar, pela manhã caiu uma ventania violenta sobre eles. Era a rajada chamada por seus habitantes de “o vento negro do norte”. [Josefo 3.9.3]
  8. O vento carregou muitos deles à força enquanto lutavam contra as ondas opostas em direção ao mar adentro, pois a praia era tão rochosa e tinha tantos inimigos que eles tiveram medo de desembarcar. [Josefo 3.9.3]
  9. As ondas subiram tão alto que os afogaram; nem havia qualquer lugar para onde pudessem fugir, nem qualquer maneira de se salvarem. [Josefo 3.9.3]
  10. Houve muita lamentação quando os navios se chocaram uns com os outros, e um barulho terrível quando foram despedaçados. [Josefo 3.9.3]
  11. Muitos da multidão nos barcos foram encobertos pelas ondas e assim pereceram. [Josefo 3.9.3]
  12. Alguns deles pensaram que morrer pelas próprias espadas era mais leve do que pelo mar e então se mataram antes de se afogarem; [Josefo 3.9.3]
  13. Mas a maior parte deles fosse carregada pelas ondas e se espatifasse contra as partes abruptas das rochas, de modo que o mar estava muito sangrento e as águas cheias de cadáveres. [Josefo 3.9.3]
  14. O número dos corpos que foram assim lançados fora do mar foi de quatro mil e duzentos. A Besta então tomou a cidade sem oposição e a demoliu totalmente. [Josefo 3.9.3]
  15. Em seguida, a Besta soube que outro grupo de sediciosos estava na cidade de Tiberíades, mas ao marchar até lá os seus cidadãos abriram seus portões [Josefo 3.9.10]
  16. Receberam as legiões com aclamações de alegria e veneraram Vespasiano César como seu salvador e benfeitor. [Josefo 3.9.10]
  17. Os sediciosos haviam deixado a cidade e continuaram a ser perseguidos até a cidade de de Taricheae, que fica às margens do Lago da Galileia, onde eles chegaram até os seus navios. [Josefo 3.10.1]
  18. Então, recolheram as âncora e trouxeram os seus navios para mais próximo como em uma linha de batalha, e dali lutaram contra as legiões da Besta que estavam em terra. [Josefo 3.10.1]
  19. Mas Vespasiano César, sabendo que uma grande multidão deles estava reunida na planície diante da cidade, enviou seu filho com seiscentos cavaleiros escolhidos para dispersá-los. [Josefo 3.10.1]
  20. A Besta veio pessoalmente à cidade e colocou homens para guardá-la. [Josefo 3.10.6]
  21. No dia seguinte ele desceu ao lago, e ordenou que fossem montados navios, a fim de perseguir os que haviam escapado nas embarcações. [Josefo 3.10.6]
  22. Esses navios foram rapidamente preparados de acordo, porque havia uma grande abundância de materiais e também um grande número de artífices. [Josefo 3.10.6]
  23. Quando suas embarcações ficaram prontas, a Besta colocou a bordo delas todas as forças que julgou suficientes. [Josefo 3.10.9]
  24. Os sediciosos no lago não puderam fugir para a terra, pois estava nas mãos de seus inimigos; [Josefo 3.10.9]
  25. Nem podiam lutar ao nível do mar, pois seus navios eram pequenos e preparados apenas para a pirataria. [Josefo 3.10.9]
  26. Eles atiravam pedras nos romanos ou se aproximavam para lutar contra eles; no entanto, eles próprios recebiam o maior dano. [Josefo 3.10.9]
  27. As pedras que atiravam só faziam barulho nas armaduras enquanto os dardos da Besta os alcançavam. [Josefo 3.10.9]
  28. Àqueles que se esforçaram para lutar de verdade, os soldados os atravessaram com longas varas ou saltavam em seus navios com espadas nas mãos e os matavam. [Josefo 3.10.9]
  29. Os navios das legiões os pegaram pelo meio e destruíram imediatamente suas embarcações; [Josefo 3.10.9]
  30. Os que se afogavam no mar, se levantassem a cabeça acima da água, eram mortos por dardos e se nadassem até os barcos, tinham cortadas suas cabeças e mãos. [Josefo 3.10.9]
  31. De fato, eles foram destruídos de várias maneiras em todos os lugares, até que o resto foi posto em fuga. [Josefo 3.10.9]
  32. Podia-se então ver o lago todo ensanguentado e cheio de cadáveres, pois nenhum deles escapou. [Josefo 3.10.9]
  33. Os judeus miseráveis eram assim continuamente persuadidos por enganadores a desmentir o próprio Deus e não dar crédito aos sinais que eram tão evidentes e previam claramente sua desolação futura. [Josefo 6.5.3]
  34. Como homens apaixonados, sem olhos para ver ou mentes para considerar, não levaram em consideração os avisos que Deus fez a eles. [Josefo 6.5.4]
  35. O terceiro anjo tocou a sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela, queimando como tocha, sobre um terço dos rios e das fontes de águas; o nome da estrela era Absinto. [Apocalipse 8:10-11]
  36. Era uma estrela semelhante a uma espada, que pairava sobre a cidade de Jerusalém. [Josefo 6.5.3]
  37. O fedor era terrível e a visão era muito triste sobre a Terra Gloriosa. As margens estavam cheias de naufrágios e de cadáveres, todos inchados. [Josefo 3.10.9]
  38. E como os cadáveres eram inflamados pelo sol, apodreciam e corrompiam o ar. [Josefo 3.10.9]
  39. Tornou-se amargo um terço das águas, e muitos morreram pela ação das águas que se tornaram amargas. [Apocalipse 8:10-11]
  40. A miséria não era apenas objeto de comiseração para os judeus, mas para aqueles que os odiavam e que haviam sido os autores dessa miséria. Este foi o resultado da luta marítima. [Josefo 3.10.9]
  41. O número dos mortos, incluindo aqueles que foram mortos na cidade antes foi de seis mil e quinhentos. [Josefo 3.10.9]
  42. O quarto anjo tocou a sua trombeta, e foi ferido um terço do sol, um terço da lua e um terço das estrelas, de forma que um terço deles escureceu. Um terço do dia ficou sem luz, e também um terço da noite. [Apocalipse 8:12]
  43. Foi numa certa noite que irrompeu uma tempestade prodigiosa com a maior violência e ventos muito fortes, com as maiores chuvas, com relâmpagos contínuos, trovões terríveis e concussões, e com gritos surpreendentes da terra, que estava em um terremoto. [Josefo 4.4.5]
  44. Essas coisas eram indicação manifesta de que alguma destruição viria sobre os homens, quando o sistema do mundo fosse posto nesta desordem; [Josefo 4.4.5]
  45. E qualquer um poderia imaginar que esses prodígios prenunciavam grandes calamidades que estavam por vir. [Josefo 4.4.5].
  46. Uma águia que voava pelo meio do céu dizia em alta voz: Ai, ai, ai dos que habitam na terra, por causa do toque das trombetas que está prestes a ser dado pelos três outros anjos! [Apocalipse 8:13]

Capítulo 65 – Cerco

  1. Os discípulos continuaram a lembrar das palavras do Messias em frente ao Grande Templo quando dirigiram-se a ele em particular e perguntaram: Dize-nos, senhor, quando acontecerão essas coisas? Qual será o sinal da tua vinda e do fim dos tempos? [Mateus 24: 4]
  2. Ele respondeu: Assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra no Ocidente, assim será a vinda do Filho do homem. [Mateus 24:27]
  3. Onde houver um cadáver, aí se ajuntarão os abutres. [Mateus 24:28]
  4. Imediatamente após a tribulação daqueles dias ‘o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu, e os poderes celestes serão abalados’. [Mateus 24:29]
  5. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as nações da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória. [Mateus 24:30]
  6. E ele enviará os seus anjos com grande som de trombeta, e estes reunirão os seus eleitos dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus. [Mateus 24:31]
  7. Aprendam a lição da figueira: quando seus ramos se renovam e suas folhas começam a brotar, vocês sabem que o verão está próximo. [Mateus 24:32]
  8. Assim também, quando virem todas estas coisas, saibam que ele está próximo, às portas. [Mateus 24:33]
  9. Eu lhes asseguro que não passará esta geração até que todas essas coisas aconteçam. [Mateus 24:34]
  10. O céu e a terra passarão, mas a minha palavra jamais passará. [Mateus 24:35]
  11. Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai. [Mateus 24:36]
  12. Como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem. [Mateus 24:37]
  13. Pois nos dias anteriores ao dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca; [Mateus 24:38]
  14. E eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim acontecerá na vinda do Filho do homem. [Mateus 24:39]
  15. Dois homens estarão no campo: um será levado e o outro deixado. [Mateus 24:40]
  16. Duas mulheres estarão trabalhando num moinho: uma será levada e a outra deixada. [Mateus 24:41]
  17. Portanto, vigiem, porque vocês não sabem em que dia virá o seu SENHOR. [Mateus 24:42]
  18. Assim falou o Messias quarenta anos antes; e os sinais dessa desolação começaram a se tornar mais frequentes quanto mais se aproximava o seu dia.
  19. Na festa dos pães ázimos que antecedeu a tudo isso, na nona hora da noite, uma luz tão grande brilhou ao redor do altar e da casa sagrada que parecia ser um dia brilhante e durou meia hora. [Josefo 6.5.3]
  20. Esta luz parecia ser um bom sinal para os inábeis. [Josefo 6.5.3]
  21. Na mesma festa também, uma novilha, conduzida pelo sumo sacerdote para ser sacrificada, deu à luz um cordeiro no meio do templo. [Josefo 6.5.3]
  22. Depois, a porta oriental do pátio interno do templo, que era de latão muito pesado e repousava sobre uma base armada com ferro com parafusos trancados bem fundo no chão firme, [Josefo 6.5.3]
  23. Mesmo sendo fechado com dificuldade por vinte homens por ser feito de uma pedra inteira, foi vista se abrindo por conta própria por volta da sexta hora da noite. [Josefo 6.5.3]
  24. Isso também parecia aos mesmos um prodígio muito feliz, como se Deus assim os abrisse o portão da felicidade. [Josefo 6.5.3]
  25. Mas os homens de conhecimento compreenderam que a segurança de sua casa sagrada foi dissolvida por si mesma e que o portão foi aberto para vantagem de seus inimigos. [Josefo 6.5.3]
  26. Eles portanto declararam publicamente que o sinal previa a desolação que estava por vir. [Josefo 6.5.3]
  27. Além desses, poucos dias depois daquela festa, um certo fenômeno prodigioso apareceu. [Josefo 6.5.3]
  28. O seu relato pareceria uma fábula, se não fosse relatado por aqueles que o viram: [Josefo 6.5.3]
  29. Antes do pôr-do-sol, carros e tropas de soldados em suas armaduras foram vistos correndo entre as nuvens e cercando cidades. [Josefo 6.5.3]
  30. Além disso, naquela festa que chamamos de Pentecostes, quando os sacerdotes foram à noite ao pátio do templo para suas sagradas ministrações, eles sentiram um tremor e ouviram um grande barulho. [Josefo 6.5.3]
  31. Depois disso, ouviram um som como de uma grande multidão, dizendo: Vamos embora daqui. [Josefo 6.5.3]
  32. Se alguém considerar essas coisas, descobrirá que Deus cuida da humanidade e, de todas as maneiras possíveis, mostra à nossa raça o que é para sua preservação. [Josefo 6.5.4]
  33. Mas que os homens perecem por aquelas misérias que eles, louca e voluntariamente, trazem sobre si. [Josefo 6.5.4]
  34. O quinto anjo tocou a sua trombeta, e uma estrela caiu do céu sobre a terra. À estrela foi dada a chave do poço do Abismo. [Apocalipse 9:1]
  35. Essa estrela cadente continuou por um ano inteiro no céu. [Josefo 6.5.3]
  36. Quando ela abriu o Abismo, subiu dele fumaça como a de uma gigantesca fornalha. O sol e o céu escureceram com a fumaça que saía do abismo. [Apocalipse 9:2]
  37. Tito, o filho da Besta, o Anjo do Abismo, que, em hebraico, é Abadom, e, em grego, Apolião, reuniu todas as forças ao seu redor.
  38. Ele ordenou que os demais o encontrassem em Jerusalém, e marchou para fora de Cesaréia. A quinta legião foi ao seu encontro, passando por Emaús. A décima legião subiu por Jericó. E o próprio Anjo do Abismo estava no comando da décima-quinta. [Josefo 5.1.6]
  39. Assim, ele tinha consigo as três legiões que acompanharam seu pai quando este devastou a Judéia, junto com a décima-segunda legião que havia sido anteriormente espancada com Céstio [Apocalipse 5.1.6]
  40. Esta era notável por seu valor e por marchar agora com maior entusiasmo para se vingar dos judeus pelo que sofreram anteriormente. [Apocalipse 5.1.6]
  41. As legiões marcharam juntas para um lugar chamado Seopus, pela parte norte de Jerusalém, de onde havia uma visão clara do Grande Templo. [Josefo 5.2.3]
  42. O lugar não estava a mais de sete estádios de distância dela. [Josefo 5.2.3]
  43. Elas surgiram diante da cidade como gafanhotos saídos da fumaça e que vinham sobre a terra, e lhes foi dado poder como o dos escorpiões da região. [Apocalipse 9:3]
  44. Eles receberam ordens para não causar dano nem à relva da terra nem a qualquer planta ou árvore, mas apenas àqueles que não tinham o selo de Deus na testa. [Apocalipse 9:4]
  45. Não lhes foi dado poder para matá-los, mas sim para causar-lhes tormento durante cinco meses. A agonia que eles sofreram seria como a da picada do escorpião; [Apocalipse 9:5]
  46. e assim os homens procurariam a morte, mas não a encontrariam; desejariam morrer, mas a morte fugiria deles. [Apocalipse 9:6]
  47. Os gafanhotos pareciam cavalos preparados para a batalha. [Apocalipse 9:7]
  48. Tinham sobre a cabeça algo como coroas de ouro, e o rosto deles parecia um rosto humano. Os seus cabelos eram como os de mulheres e os dentes como os de leão. [Apocalipse 9:8]
  49. Tinham armaduras como couraças de ferro, e o som das suas asas era como o barulho de muitos cavalos e carruagens correndo para a batalha. [Apocalipse 9:9]
  50. Tinham caudas e ferrões como de escorpiões, e na cauda tinham poder para causar tormento aos homens durante cinco meses. [Apocalipse 9:10]
  51. O sexto anjo tocou a sua trombeta, e se ouviu uma voz que vinha das pontas do altar de ouro que está diante de Deus. [Apocalipse 9:13]
  52. Ela disse ao sexto anjo que tinha a trombeta: Solte os quatro anjos que estão amarrados junto ao grande rio Eufrates. [Apocalipse 9:14]
  53. Era a marcha dos auxiliares que acompanhavam o Anjo do Abismo. Eram liderados por Agripa, Antíoco, Sohemus e Malchus. [Josefo 5.1.6]
  54. Agora, estavam em maior número do que antes, junto com um número considerável que veio em seu socorro da Síria. Seguiram também três mil retirados dos que guardavam o rio Eufrates. [Josefo 5.1.6]
  55. Esses anjos do abismo, que estavam preparados para aquela hora, dia, mês e ano, foram soltos para matar um terço da humanidade. [Apocalipse 9:15]
  56. Seriam mais de um milhão de morto no cerco de cinco meses. [Josefo 6.9.3]
  57. Era um terço da população da cidade, não só de Jerusalém, mas também dos que estavam para o festival dos pães ázimos; que morreriam pela guerra, pela pestilência e pela fome. [Josefo 6.9.3]
  58. O número dos cavaleiros que compunham os exércitos era de duas vezes miríades de miríades; como esse número foi ouvido. [Apocalipse 9:16]
  59. Os cavalos e os cavaleiros à vista tinham certo aspecto com as suas couraças vermelhas como o fogo, azul-escuras, e amarelas como o enxofre. A cabeça dos cavalos parecia a cabeça de um leão, e da boca lançavam fogo, fumaça e enxofre. [Apocalipse 9:17]
  60. E este um terço da humanidade seria morta pelas três pragas de fogo, fumaça e enxofre que saíam das suas bocas. [Apocalipse 9:18]
  61. O poder dos cavalos estava na boca e na cauda; pois as suas caudas eram como cobras; tinham cabeças com as quais feriam as pessoas. [Apocalipse 9:19]
  62. O Anjo do Abismo ordenou que um acampamento fosse fortificado pelas duas legiões que deveriam ficar juntas; [Josefo 5.2.3]
  63. Mas ordenou que outro acampamento fosse fortificado, três estádios mais longe, atrás deles, para a quinta legião. [Josefo 5.2.3]
  64. A décima legião, que passou por Jericó, chegou ao local para guardar a passagem até a cidade. [Josefo 5.2.3]
  65. Essas legiões tinham ordem de acampar a seis estádios de Jerusalém, no chamado Monte das Oliveiras. [Josefo 5.2.3]
  66. Até então, os vários partidos da cidade se enfrentavam perpetuamente, mas com vinda dessa guerra estrangeira que caía sobre eles tão de repente e de maneira tão violenta, eles puseram de lado as suas contendas. [Josefo 5.2.4]
  67. Começaram a pensar em uma espécie de aliança estranha contra os três acampamentos das legiões que estavam sendo construídos. [Josefo 5.2.4]
  68. Era o momento da cidade e do lugar santo serem destruídos pelo povo do novo governante. O fim viria como uma inundação: Guerras, que continuariam até o fim, e desolações que foram decretadas. [Daniel 9:26]

Capítulo 66 – Testemunhas

  1. Quarenta anos antes o Messias explicou o que era o sacrilégio terrível que levaria a destruição do templo.
  2. Ele disse: Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês edificam os túmulos dos profetas e adornam os monumentos dos justos. [Mateus 23:29]
  3. E dizem: Se tivéssemos vivido no tempo dos nossos antepassados, não teríamos tomado parte com eles no derramamento do sangue dos profetas. [Mateus 23:30]
  4. Assim, vocês testemunham contra si mesmos que são descendentes dos que assassinaram os profetas. [Mateus 23:31]
  5. Acabem, pois, de encher a medida do pecado dos seus antepassados! [Mateus 23:32]
  6. Serpentes! Raça de víboras! Como vocês escaparão da condenação ao inferno? [Mateus 23:33]
  7. Por isso, eu lhes estou enviando profetas, sábios e mestres. A uns vocês matarão e crucificarão; a outros açoitarão nas sinagogas de vocês e perseguirão de cidade em cidade. [Mateus 23:34]
  8. E, assim, sobre vocês recairá todo o sangue justo derramado na terra, desde o sangue do justo Abel, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem vocês assassinaram entre o santuário e o altar. [Mateus 23:35]
  9. Eu lhes asseguro que tudo isso sobrevirá a esta geração. [Mateus 23:36]
  10. Ó Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das asas, mas vocês não quiseram [Mateus 23:37]
  11. Eis que a casa de vocês ficará deserta. [Mateus 23:38]
  12. Pois eu lhes digo que vocês não me verão desde agora, até que digam: Bendito é o que vem em nome do SENHOR. [Mateus 23:39]
  13. Assim foi revelado pelo Messias à multidão.
  14. O profeta Daniel recebeu a revelação: Com muitos ele fará uma aliança que durará uma semana. No meio da semana ele dará fim ao sacrifício e à oferta. E numa ala do templo será colocado o sacrilégio terrível, até que chegue sobre ele o fim que lhe está decretado”. [Daniel 9:27]
  15. Essa última semana se encerrou com o sacrilégio terrível que foi a morte de Estevão.
  16. Ele foi apedrejado por relembrar essas mesmas palavras, pois, ouvindo-as, os sacerdotes do templo ficaram furiosos e rangeram os dentes contra ele. [Atos 7:54]
  17. Estêvão, cheio do Espírito Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, [Atos 7:55]
  18. E disse: Vejo o céu aberto e o Filho do homem de pé, à direita de Deus. [Atos 7:55-56]
  19. Os que estavam no Grande Templo taparam os ouvidos e, gritando bem alto, lançaram-se todos juntos contra ele, [Atos 7:57]
  20. Arrastaram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. [Atos 7:58]
  21. Este foi o primeiro Santo que morreu em nome do Messias.
  22. Com um caniço semelhante a uma vara de medir, foi dito: Vá e meça o templo de Deus e o altar, e conte os adoradores que lá estiverem. [Apocalipse 11:1]
  23. Exclua, porém, o pátio exterior; não o meça, pois ele foi dado aos gentios. Eles pisarão a cidade santa durante quarenta e dois meses. [Apocalipse 11:2]
  24. Darei poder às minhas duas testemunhas, e elas profetizarão durante mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco. [Apocalipse 11:3]
  25. Em Roma, essas duas testemunhas foram o apóstolo Pedro e o apóstolo Paulo, que foram mortos por Nero César. No entanto, em Jerusalém, houveram outras duas testemunhas.
  26. Juntas, todas essas testemunhas seriam as duas oliveiras e os dois candelabros que permanecem diante do SENHOR da terra. [Apocalipse 11:4]
  27. Aos que quiseram lhes causar dano, da boca deles saiu o fogo que devorou os seus inimigos, pois era assim que deveria morrer qualquer pessoa que quisesse lhes causar dano. [Apocalipse 11:5]
  28. Houve um plebeu e lavrador chamado Josué, filho de Ananus, [Josefo 6.5.3]
  29. Quatro anos antes do início da guerra, numa época em que a cidade estava em grande paz e prosperidade, ele veio à festa dos tabernáculos no Templo. [Josefo 6.5.3]
  30. Ele começou de repente a clamar em voz alta: Uma voz do leste, uma voz do oeste, uma voz dos quatro ventos, uma voz contra Jerusalém e a casa sagrada, uma voz contra os noivos e as noivas, e uma voz contra todo este povo. [Josefo 6.5.3]
  31. Este era o seu grito enquanto andava de dia e de noite por todas as ruas da cidade; e alguns dos mais eminentes entre a população ficaram muito indignados com este grito terrível [Josefo 6.5.3]
  32. Eles pegaram o homem e deram-lhe um grande número de açoites severos; contudo, ele não disse nada por si mesmo ou insultos àqueles que o castigaram. [Josefo 6.5.3]
  33. Ele só continuou com as mesmas palavras que antes clamou. [Josefo 6.5.3]
  34. Os governantes, supondo que se tratava de uma espécie de fúria divina no homem, o levaram ao procurador romano, onde foi açoitado até seus ossos ficarem expostos. [Josefo 6.5.3]
  35. No entanto, ele não suplicou por si mesmo, nem derramou nenhuma lágrima, mas, voltando sua voz para o tom mais lamentável possível, a cada golpe do chicote sua resposta foi: Ai, ai de Jerusalém! [Josefo 6.5.3]
  36. E quando o procurador Albino lhe perguntou: Quem era ele? De onde veio? E por que ele pronunciou tais palavras? [Josefo 6.5.3]
  37. Mas o homem nada respondeu e ainda assim não abandonou sua melancólica cantiga. [Josefo 6.5.3]
  38. O procurador o considerou um louco e o dispensou. [Josefo 6.5.3]
  39. Durante todo o tempo que passou antes do início da guerra, este homem não se aproximou de nenhum dos cidadãos, nem foi visto por eles enquanto falava essas palavras; [Josefo 6.5.3]
  40. Mas as pronunciava todos os dias como se fosse seu voto premeditado: Ai, ai de Jerusalém! [Josefo 6.5.3]
  41. Tampouco proferiu palavras más a quem o castigava todos os dias, nem palavras boas aos que lhe davam comida; [Josefo 6.5.3]
  42. Mas esta foi sua resposta a todos os homens, e na verdade nada mais era do que um presságio melancólico do que estava por vir. [Josefo 6.5.3]
  43. Este seu grito era mais alto nos festivais; e ele continuou estas palavras por sete anos e cinco meses, sem ficar rouco ou cansado com isso. [Josefo 6.5.3]
  44. Apenas no momento em que viu seu presságio seriamente cumprido com o início da guerra e o avanço da Besta, ele enfim cessou. [Josefo 6.5.3]
  45. Ao contornar o muro, clamou com toda a força: Ai, ai da cidade outra vez, e do povo, e da casa sagrada!, e acrescentou por fim: Ai, ai de mim também!
  46. Saiu uma pedra de uma das máquinas de cerco da Besta e o feriu, matando-o imediatamente; [Josefo 6.5.3]
  47. Como ele estava proferindo os mesmos presságios, ele assim entregou o seu espírito. [Josefo 6.5.3]
  48. A outra testemunha foi Tiago, o irmão do Messias, que sucedeu no governo dos seguidores junto com os apóstolos. [Eusébio 2.23]
  49. Ele foi chamado de Justo por todos, desde o tempo da pregação do Messias, seu irmão. [Eusébio 2.23]
  50. Ele era santo desde o ventre de sua mãe e não bebia vinho, nem bebida forte, nem comia carne. [Eusébio 2.23]
  51. Nenhuma navalha caiu sobre sua cabeça; ele não se ungiu com óleo e não usou o banho. [Eusébio 2.23]
  52. Somente a ele foi permitido entrar no lugar santo; pois ele não usava roupas de lã, mas de linho; e tinha o hábito de entrar sozinho no templo.
  53. Era frequentemente encontrado de joelhos implorando perdão pelo povo, de modo que seus joelhos se tornaram duros como os de um camelo, em consequência de constantemente os dobrar em sua adoração a Deus e de pedir perdão para o povo. [Eusébio 2.23]
  54. Tiago foi uma pessoa tão notável, tão universalmente estimado por sua retidão, que mesmo o judeu mais inteligente sentiu que a sua morte foi o início do cerco a Jerusalém.
  55. Muitos disseram que essas coisas aconteceram aos judeus em retribuição, pois embora Tiago fosse o mais justo dos homens, os judeus o condenaram à morte. [Eusébio 2.23]
  56. Pois, quando muitos dos governantes creram na verdade, houve uma comoção entre os judeus, escribas e fariseus, que disseram que havia o perigo do povo procurar o seu irmão como o Messias. [Eusébio 2.23]
  57. Chegando, portanto, em corpo a Tiago, eles disseram: Rogamos-te que contenha o povo; pois eles se perdem por causa do seu irmão, que consideram como o e Messias. [Eusébio 2.23]
  58. Na festa de páscoa, os fariseus e escribas pediram que Tiago se posicionasse no pináculo do templo, [Eusébio 2.23]
  59. Daquela posição elevada, poderia ser visto claramente e suas palavras poderiam ser prontamente ouvidas por todo o povo. [Eusébio 2.23]
  60. Então clamaram a ele dizendo: Tu és único, em quem todos devemos ter confiança, e o povo é conduzido a perdição por causa do seu irmão, o crucificado, por isso, declare qual é a porta que ele conduz? [Eusébio 2.23]
  61. E Tiago respondeu em alta voz: Por que me perguntas a respeito do meu irmão, o Salvador, o Filho do Homem? [Eusébio 2.23]
  62. Ele mesmo está sentado no céu à direita do grande Poder e está para vir sobre as nuvens do céu. [Eusébio 2.23]
  63. Muitos ficaram totalmente convencidos e glorificados no testemunho de Tiago, e disseram: Hosana ao Filho de Davi. [Eusébio 2.23]
  64. Mas os escribas e fariseus disseram uns aos outros: Agimos mal em fornecer tal testemunho a favor deste homem que clamam ser o Messias. [Eusébio 2.23]
  65. Por isso, gritaram ao povo: O justo também está errado. [Eusébio 2.23]
  66. Então subiram e o jogaram desde o alto do pináculo até o chão. [Eusébio 2.23]
  67. Depois começaram a apedrejá-lo, pois não foi morto pela queda; [Eusébio 2.23]
  68. Tiago se voltou, se ajoelhou e disse: Rogo-te, SENHOR Deus nosso Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. [Eusébio 2.23]
  69. Enquanto o apedrejavam, um dos sacerdotes pegou a clava com que batia nas roupas e feriu o justo homem na cabeça. [Eusébio 2.23]
  70. E assim Tiago sofreu o martírio. [Eusébio 2.23]

Capítulo 67 – Conquista

  1. O sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve altas vozes no céu que diziam: O reino do mundo se tornou de nosso SENHOR e do seu Messias, e ele reinará para todo o sempre. [Apocalipse 11:15]
  2. Os vinte e quatro anciãos que estavam assentados em seus tronos diante de Deus prostraram-se sobre seus rostos e adoraram a Deus, [Apocalipse 11:16]
  3. Dizendo: Graças te damos, SENHOR Deus todo-poderoso, que és e que eras, porque assumiste o teu grande poder e começaste a reinar. [Apocalipse 11:17]
  4. As nações se iraram; e chegou a tua ira. Chegou o tempo de julgares os mortos e de recompensares os teus servos, os profetas, os teus santos e os que temem o teu nome, tanto pequenos como grandes, e de destruir os que destroem a terra. [Apocalipse 11:18]
  5. Então foi aberto o santuário de Deus no céu, e ali foi vista a arca da sua aliança. Houve relâmpagos, vozes, trovões, um terremoto e um grande temporal de granizo. [Apocalipse 11:19]
  6. Os máquinas de guerra da Besta foram preparadas pelas legiões e admiravelmente concebidas. As mais extraordinárias pertenciam à décima legião, que atiravam dardos e pedras maiores que as demais. [Josefo 5.6.3]
  7. Os judeus observavam a chegada das pedras arremessadas, não só pelo grande barulho que faziam, mas também porque podiam ser vista ao longe. [Josefo 5.6.3]
  8. Os vigias nas torres avisavam quando a máquina era liberada e a pedra saía dela. [Josefo 5.6.3]
  9. Eles gritavam em voz alta ‘Lá vem a pedra’, para que aqueles que estivessem em seu caminho ficassem fora dele e se jogassem no chão. [Josefo 5.6.3]
  10. O Anjo do Abismo ajustou suas máquinas a distâncias adequadas, muito mais perto da parede, para que os judeus não fossem capazes de repeli-las e deu ordens para que atacassem. [Josefo 5.6.4]
  11. Quando então um barulho prodigioso ecoou em volta de três lugares; e os cidadãos fizeram grande tumulto. [Josefo 5.6.4]
  12. Não menos um terror caiu sobre os próprios sediciosos. [Josefo 5.6.4]
  13. A muralha não cedeu a esses golpes, mas pelo aríete da décima-quinta legião que deslocou a quina de uma torre. [Josefo 5.6.4]
  14. Embora a própria muralha permanecesse ilesa, abriu-se ali uma passagem ao seu interior. [Josefo 5.6.4]
  15. Então as legiões escalaram a brecha e os judeus recuaram para a segunda muralha. [Josefo 5.7.2]
  16. Assim, as legiões obtiveram a posse desta primeira muralha no décimo quinto dia do cerco e demoliram grande parte dela. [Josefo 5.7.2]
  17. Elas avançaram sobre a segunda muralha no quinto dia após ter tomado a primeira. O Anjo do Abismo nela com mil homens armados e aqueles de suas tropas escolhidas.
  18. Era um lugar onde estavam os mercadores de lã, os braseiros e o mercado de tecidos, e onde o ruas estreitas conduziam obliquamente à parede. [Josefo 5.8.2]
  19. Os judeus tinham ali vantagens sobre as legiões romanas pelo pleno conhecimento daquelas ruelas estreitas. [Josefo 5.8.2]
  20. Eles fizeram uma parede de seus próprios corpos sobre a parte da muralha que foi derrubada. [Josefo 5.8.2]
  21. Ali, eles se defenderam bravamente por três dias. [Josefo 5.8.2]
  22. No quarto dia, já não puderam mais se sustentar contra os veementes ataques da Besta; e foram compelidos à força a recuar para onde haviam fugido antes. [Josefo 5.8.2]
  23. Quando possuiu a segunda muralha, o Anjo do Abismo a demoliu inteiramente. [Josefo 5.8.2]
  24. Ele colocou uma guarnição nas torres que estavam na parte sul da cidade, planejando como poderia atacar a terceira muralha. [Josefo 5.8.2]
  25. Houveram alguns dos habitantes da cidade aos quais foram permitidos sobreviver pelo desejo de não participar de tamanha violência [Josefo 5.10.1]
  26. Estes venderam tudo o que tinham e até mesmo as coisas mais preciosas que haviam sido guardadas como tesouros; [Josefo 5.10.1]
  27. Então engoliram pedaços de ouro, para que não fossem descobertos pelos ladrões. [Josefo 5.10.1]
  28. Eles fugiram para as legiões e tiveram os recursos para prover abundantemente para eles; pois o Anjo do Abismo permitiu que um grande número deles fosse para onde quisessem. [Josefo 5.10.1]
  29. Eles se libertavam assim das misérias da cidade e não seriam escravos dos romanos; mas, se algum sedicioso oferecesse a mínima sombra de suspeita de tal intenção, suas gargantas eram cortada imediatamente. [Josefo 5.10.1]
  30. Quanto aos mais ricos eram destruídos independente da decisão; pois cada uma dessas pessoas foi condenada à morte sob o pretexto de que iriam desertar, mas na realidade os ladrões poderiam obter o que tinham. [Josefo 5.10.2]
  31. A loucura dos sediciosos na cidade também aumentou junto com sua fome, e ambas as misérias foram cada dia mais inflamadas. [Josefo 5.10.2]
  32. Já não havia comida, por isso, os ladrões entraram correndo e revistavam as casas particulares dos homens. [Josefo 5.10.2]
  33. Se eles encontravam alguma comida, eles atormentavam os que estavam na casa, porque eles negaram que a tinham; [Josefo 5.10.2]
  34. E se não encontrassem nenhuma, eles os atormentavam ainda mais, porque supunham que a haviam escondido com mais cuidado. [Josefo 5.10.2]
  35. Era lamentável a uma visão que justamente traria lágrimas aos nossos olhos de como os homens ficaram com relação à comida. [Josefo 5.10.3]
  36. Enquanto os mais poderosos tinham mais do que o suficiente, os mais fracos se lamentavam com a falta dela. [Josefo 5.10.3]
  37. A fome foi dura demais para todas as paixões e destrói mais do que tudo o orgulho; [Josefo 5.10.3]
  38. Pois o que era digno de reverência foi neste caso desprezado; de modo que as crianças tinham a comida arrancada da própria boca para os pais comerem. [Josefo 5.10.3]
  39. Era mais digno de pena que o mesmo fazia as mães com seus filhos; mesmo quando aqueles que lhe eram mais queridos estavam perecendo sob suas mãos. [Josefo 5.10.3]
  40. Eles não se envergonhavam de tirar das crianças as últimas gotas que poderiam preservar suas vidas. [Josefo 5.10.3]
  41. Ainda assim, os rebeldes em toda parte vieram sobre eles para roubar o que haviam obtido de outros; [Josefo 5.10.3]
  42. Pois, quando viam alguma casa fechada, era um sinal de que as pessoas lá dentro tinham um pouco de comida. [Josefo 5.10.3]
  43. Então eles arrombaram as portas, entraram correndo e tiraram à força os pedaços do que comiam quase pela garganta. [Josefo 5.10.3]
  44. Os velhos, que seguravam a comida, foram espancados e as mulheres que escondessem o que estava nas mãos, tinham seus cabelos rasgados [Josefo 5.10.3]
  45. .Nenhuma outra cidade jamais sofreu tais misérias, nem qualquer época gerou uma geração mais fecunda em maldade do que esta, desde o início do mundo. [Josefo 5.10.5]
  46. Os sediciosos desprezaram a nação hebraica, para que eles próprios parecessem comparativamente menos ímpios em relação aos estrangeiros. [Josefo 5.10.5]
  47. Eles confessaram o que era verdade: eles quem eram a própria escória. Eram a prole espúria e abortiva da nação hebraica, [Josefo 5.10.5]
  48. Eles próprios destruíam a cidade, pois forçavam as legiões, quer quisessem ou não, a ganhar uma reputação melancólica, por pensarem estar agindo gloriosamente contra eles. [Josefo 5.10.5]

Capítulo 68 – Templo

  1. A Besta decidiu construir um muro ao redor de toda a cidade; para se proteger contra a saída dos sediciosos e evitar o transporte de provisões para dentro a cidade. [ [Josefo 5.12.1]
  2. Quando ficou pronta, a fome aumentou seu progresso e devorou ​​o povo com casas e famílias inteiras. [Josefo 5.12.3]
  3. Os aposentos superiores estavam cheios de mulheres e crianças morrendo de fome. [Josefo 5.12.3]
  4. As ruas ficaram cheias de cadáveres de idosos e de crianças. [Josefo 5.12.3]
  5. Os rapazes vagavam pelas praças do mercado como sombras, todos inchados com a fome e caídos mortos, onde quer que sua miséria os apoderasse. [Josefo 5.12.3]
  6. Quanto a enterrá-los, os próprios enfermos não o puderam; [Josefo 5.12.3]
  7. e aqueles que eram vigorosos bem foram dissuadidos de não fazê-lo pela grande multidão daqueles cadáveres. [Josefo 5.12.3]
  8. Para cada um dos que morreram com os olhos fixos no templo, este deixou os rebeldes vivos para trás. [Josefo 5.12.3]
  9. Quando os sediciosos já não podiam pilhar o povo, eles se entregaram ao sacrilégio e derreteram muitos dos utensílios sagrados que haviam sido dados ao templo; [Josefo 5.13.6]
  10. Também muitos dos vasos que eram necessários para aqueles que ministravam sobre coisas sagradas: os caldeirões, os pratos e as mesas. [Josefo 5.13.6]
  11. O líder dos sediciosos anunciou que era apropriado para eles usarem as coisas divinas, enquanto lutavam por seu Deus, sem medo, e que aqueles cuja guerra era pelo templo que vivessem do templo. [Josefo 5.13.6]
  12. Por conta disso, ele esvaziou os vasos daquele vinho sagrado e óleo, que os sacerdotes mantinham para serem derramados sobre os holocaustos e que ficavam no pátio interno do templo; [Josefo 5.13.6]
  13. E os distribuiu entre a multidão. [Josefo 5.13.6]
  14. Se as legiões tivessem demorado mais em atacar os sediciosos, a cidade teria sido engolida pelo próprio solo sob ela, por alguma água que transbordasse ou por tal trovão como aquele sobre a qual o país de Sodoma pereceu. [Josefo 5.13.6]
  15. Muitos dos cidadãos que fugiram da cidade contaram ao Anjo do Abismo de todo o número de pobres que estavam mortos, e que nada menos que seiscentos mil foram jogados fora pelos portões. [Josefo 5.13.7]
  16. Disseram-lhe ainda que, quando não podiam mais carregar os cadáveres dos pobres, colocaram seus cadáveres empilhados nas casas muito grandes e os encerraram nelas. [Josefo 5.13.7]
  17. Quando as legiões ouviram tudo isso, lamentaram seu caso; enquanto os rebeldes, que também viram isso, não se arrependeram, mas permitiram que a mesma angústia viesse sobre eles. [Josefo 5.13.7]
  18. Estavam cegos por aquele destino que já se abatia sobre a cidade e também sobre eles próprios. [Josefo 5.13.7]
  19. As legiões trouxeram suas máquinas de guerra contra a torre Antônia, que defendia o Grande Templo, onde foram atacados por fogo e espada e por todos os tipos de dardos. [Josefo 6.1.3]
  20. Os soldados jogaram seus escudos sobre suas costas para com as mãos minarem os alicerces da sua muralha e com grande esforço removeram quatro de suas pedras. [Josefo 6.1.3]
  21. Naquela noite, a muralha foi tão abalada pelos aríetes naquele lugar e suas fundações foram tão minadas que o chão cedeu e a muralha caiu repentinamente. [Josefo 6.1.3]
  22. Alguns homens foram silenciosamente durante a noite através das ruínas, até a torre Antônia; [Josefo 6.1.7]
  23. E depois de terem cortado as gargantas dos primeiros guardas do lugar enquanto dormiam, apoderaram-se da muralha e ordenaram ao trompetista que tocasse a sua trombeta. [Josefo 6.1.7]
  24. Assim que a Besta ouviu o sinal, ordenou ao exército que colocassem a armadura imediatamente. [Josefo 6.1.7]
  25. Ele foi até lá com seus comandantes e primeiro a subiu, como fizeram os homens escolhidos que estavam com ele. [Josefo 6.1.7]
  26. Uma terrível batalha foi travada na entrada do templo, enquanto as legiões forçavam o caminho para obter a posse do templo e os judeus os conduziam de volta à torre de Antônia. [Josefo 6.1.7]
  27. Grande matança foi feita agora em ambos os lados, com os combatentes pisando nos corpos e nas armaduras dos que estavam mortos, e assim os despedaçando. [Josefo 6.1.7]
  28. O Anjo do Abismo deu ordens às suas legiões de demolir os alicerces da torre de Antônia para abrir passagem ao avanço do seu exército;
  29. Enquanto isso, ele mesmo enviava mensageiros para sem sucesso persuadir os sediciosos a desistir. [Josefo 6.2.1]
  30. As matança continuou até que o Anjo do Abismo percebeu que seus esforços para poupar um templo estrangeiro acabaram prejudicando seus soldados [Josefo 6.4.1]
  31. E depois de muitos mortos, ele deu ordem para incendiar os portões do templo. [Josefo 6.4.1]
  32. Os soldados atearam fogo aos portões, e a prata que estava sobre eles levou rapidamente as chamas para a madeira que estava dentro, de onde se espalhou de repente e se agarrou ao claustro. [Josefo 6.4.2]
  33. Quando os judeus viram este fogo à sua volta, seus espíritos afundaram junto com seus corpos. Eles ficaram tão surpresos que nenhum deles se apressou, seja para se defender ou apagar o fogo, mas eles permaneceram como espectadores mudos dele apenas. [Josefo 6.4.1]
  34. Eles sofreram muito com a perda do que agora estava queimando, como se a própria casa sagrada já estivesse em chamas; e assim aguçaram suas paixões contra as legiões. [Josefo 6.4.2]
  35. O Anjo do abismo ordenou que homens escolhidos abrissem caminho pelas ruínas e apagassem o fogo que consumia o Grande Templo. [Josefo 6.4.4]
  36. No entanto, Deus, com certeza, há muito condenou ao fogo a Sua Casa; e agora aquele dia fatal havia chegado, de acordo com a revolução dos tempos. [Josefo 6.4.4]
  37. Lamentou-se a destruição de uma obra como esta, já que foi a mais admirável, tanto por sua magnitude, como também pela vasta riqueza concedida a ela, bem como pela gloriosa reputação que tinha por sua santidade. [Josefo 6.4.4]
  38. No entanto, tal pessoa poderia se consolar com este pensamento, que este destino fora decretado e era inevitável, tanto para as criaturas vivas quanto para as obras e lugares também. [Josefo 6.4.4]

Capítulo 69 – Conclusão

  1. Enquanto a casa sagrada estava em chamas, foi saqueado tudo o que estava ao seu alcance, e dez mil dos que foram apanhados foram mortos. [Josefo 6.5.1]
  2. Não houve uma comiseração de qualquer idade ou qualquer reverência à gravidade, [Josefo 6.5.1]
  3. Crianças e velhos, e pessoas profanas e sacerdotes foram todos mortos da mesma maneira; de modo que esta guerra envolveu todos os tipos de homens, e os levou à destruição. [Josefo 6.5.1]
  4. A chama também foi carregada por um longo caminho e fez um eco, junto com os gemidos daqueles que foram mortos. [Josefo 6.5.1]
  5. Não se pode imaginar nada maior ou mais terrível do que este ruído; [Josefo 6.5.1]
  6. Houve ao mesmo tempo um grito das legiões da Besta, que marchavam juntas, e um clamor triste dos rebeldes, que agora estavam cercados entre o fogo e a espada. [Josefo 6.5.1]
  7. A própria colina em que ficava o templo estava fervendo de calor, mas o sangue era em maior quantidade do que o fogo; e solo já não era visível com tantos cadáveres que jaziam sobre ele. [Josefo 6.5.1]
  8. Um falso profeta fez uma proclamação pública na cidade naquele mesmo dia, que Deus ordenou ao povo que subisse ao templo, pois ali eles receberiam sinais miraculosos de sua libertação. [Josefo 6.5.2]
  9. Era um dos muitos falsos profetas que foram subornados pelos líderes do sediciosos para impor sua vontade ao povo. [Josefo 6.5.2]
  10. Uma grande multidão de todo tipo de pessoas, incluindo mulheres e crianças, fazendo cerca de seis mil, foram ao claustro do templo nessa ocasião. [Josefo 6.5.2]
  11. Morreram todos queimados ali mesmo. Nenhum deles escapou com vida. [Josefo 6.5.2]
  12. A Besta trouxe suas insígnias para as ruínas do templo e as colocaram do lado oriental portão; [Josefo 6.6.1]
  13. E ali lhes ofereceram sacrifícios pagãos e fizeram homenagens ao Anjo do Abismo com as maiores aclamações de alegria. [Josefo 6.6.1]
  14. Quando os sacerdotes que sofriam com a fome se renderem à Besta e imploraram por suas vidas, o Anjo do abismo respondeu que o tempo do perdão havia acabado. [Josefo 6.6.1]
  15. Deveria ser agradável para seu ofício como sacerdotes que morressem com a própria casa a que pertenciam. Então ordenou que todos fossem mortos. [Josefo 6.6.1]
  16. Aos sediciosos que ainda se escondiam pela cidade, a Besta fez a proposta: Ó criaturas miseráveis! Por que ainda resistir? [Josefo 6.6.2]
  17. Seu povo não está morto? A sua casa sagrada não se foi? Não está sua cidade em meu poder? E suas próprias vidas não estão em minhas mãos? E você ainda considera uma parte da coragem morrer? [Josefo 6.6.2]
  18. Mas não vou imitar sua loucura. Se vocês abaixarem seus braços e entregarem seus corpos a mim, eu lhes concederei as suas vidas; [Josefo 6.6.2]
  19. E agirei como um gentil senhor de família; o que não puder ser curado será punido, e o resto preservarei para meu próprio uso. [Josefo 6.6.2]
  20. A essa oferta de Tito eles responderam: Que não podiam aceitá-la, porque haviam jurado nunca aceitar; mas se tivessem permissão para deixar as muralhas, com suas esposas e filhos; eles iriam para o deserto e deixariam a cidade para ele. [Josefo 6.6.3]
  21. Diante disso, o Anjo do Abismo indignado, pois estava diante de homens já feitos cativos, então como fingiam negociar seus próprios termos como se tivessem sido vencedores. [Josefo 6.6.3]
  22. Ele proclamou que não mais aceitaria rendições e os trataria de acordo com as leis da guerra. Então, ordenou aos soldados para queimar e saquear a cidade. [Josefo 6.6.3]
  23. No dia seguinte, as legiões atearam fogo ao depósito e aos edifícios públicos. [Josefo 6.6.3]
  24. As ruas também foram queimadas, assim como as casas que estavam cheias de cadáveres, como os que foram destruídas pela fome. [Josefo 6.6.3]
  25. Os rebeldes se esconderam na cidadela real, na parte alta da cidade, que era muito defensável e mataram todos do povo que ali se escondiam aglomerados, que eram cerca de oito mil e quatrocentos, e lhes saquearam o que tinham. [Josefo 6.7.1]
  26. Em dezoito dias, as legiões trouxeram suas máquinas de cerco contra a muralha da cidadela. [Josefo 6.8.4]
  27. Quando esta muralha cedeu aos golpes dos aríetes, aqueles que se opunham fugiram e o terror caiu sobre os últimos sediciosos. [Josefo 6.8.4]
  28. Eles mataram todos os que alcançaram e incendiaram as casas para onde os judeus haviam fugido, e queimaram todas as almas nelas, e devastaram todo o resto. [Josefo 6.8.5]
  29. Eles se tornaram os senhores das muralhas e colocaram suas insígnias nas torres e fizeram alegres aclamações pela vitória ao terem alcançado o fim da guerra. [Josefo 6.8.5]
  30. Não foi por qualquer outro motivo que a cidade mereceu tanto esses infortúnios dolorosos, como por produzir tal geração de homens como foram estes na ocasião de sua queda. [Josefo 6.8.5]
  31. O Lugar Santo foi destruído. A cidade foi totalmente arrasada. Os povoados da Judeia e da Galileia foram devastados. O juízo do senhor caiu sobre eles como raio. [Eusébio 3.1]
  32. Mas tal era a condição da Terra Santa e dos Judeus que os santos apóstolos e os discípulos do Messias deixaram a região e foram dispersos pelo mundo. [Eusébio 3.1]
  33. As terras da Pártia foram atribuídas ao apóstolo Tomé como seu campo de trabalho. A Cítia foi atribuída a André. E a Ásia foi atribuída a João, que, depois de ter vivido ali algum tempo, morreu em Éfeso. [Eusébio 3.1]
  34. Pedro, que antes pregou no Ponto, na Galácia, na Bitínia, na Capadócia e na Ásia para os judeus da diáspora, finalmente tendo vindo a Roma de Nero, foi crucificado de cabeça para baixo. [Eusébio 3.1]
  35. O número e os nomes daqueles entre Pedro que se tornaram verdadeiros e zelosos seguidores dos apóstolos, e foram julgados dignos de cuidar das igrejas circundadas por eles, não é fácil dizer. [Eusébio 3.4]
  36. Paulo pregou o evangelho do Messias desde Jerusalém a Ilírico; até também sofrer martírio na Roma de Nero. [Eusébio 3.1]
  37. Após o martírio de Paulo e Pedro, o primeiro a obter o episcopado da igreja de Roma foi o seguidor do Messias chamado Lino.  [Eusébio 3.2]
  38. Depois do martírio de Tiago e da tomada de Jerusalém imediatamente em seguida, os apóstolos e discípulos do Senhor sobreviventes reuniram-se de todas as partes num mesmo lugar. [Eusébio 3.11]
  39. Junto com os que eram da família do Senhor segundo a carne, todos celebraram um conselho sobre quem seria considerado digno de suceder a Tiago. [Eusébio 3.11]
  40. Todos, por unanimidade, decidiram que Simeão, o filho de Clopas era digno do trono daquela igreja, por ser primo do Salvador. [Eusébio 3.11]
  41. Neste tempo, o apóstolo e evangelista João, que ainda vivia, foi condenado a habitar a ilha de Patmos por ter dado testemunho do Verbo de Deus. [Eusébio 3.18]
  42. Deve-se saber que de tal maneira brilhou por aqueles dias o ensinamento da fé no Messias, que até os escritores alheios à doutrina não vacilaram em transmitir em suas narrativas a perseguição e os martírios que então ocorreram. [Eusébio 3.18]

Fontes: Josefo 6.5, 6.6 e 6.8; e Eusébio 3.1, 3.2, 3.11 e 3.18.

 

FIM