Gilgamés

I – Gilgamesh e Enkidu (Tablete I)

  1. Aquele que tudo viu, eu o farei conhecido nas terras. Vou ensinar Sobre aquele que experimentou todas as coisas, igualmente.
  2. A COROA CELESTIAL concedeu-lhe a totalidade do conhecimento de todos. Ele viu o Segredo, descobriu o Oculto.
  3. Ele trouxe informações do tempo antes do Dilúvio. Ele fez uma viagem distante, levando-se à exaustão. Mas então foi trazido à paz.
  4. Ele esculpiu em uma estela de pedra todas as suas labutas. E construiu o muro de Uruk-Haven, o muro do sagrado do TEMPLO DA COROA CELESTIAL, o santuário sagrado.
  5. Olhe para sua muralha que brilha como cobre. Inspecione sua murealha interna, do tipo que ninguém pode igualar! Agarre-se à pedra do limiar – ela data dos tempos antigos!
  6. Vá perto do TEMPLO DA COROA CELESTIAL, a residência da JUSTIÇA, como nenhum rei ou homem posterior jamais igualou!
  7. Suba na muralha de Uruk e caminhe, examine sua fundação, inspecione sua alvenaria cuidadosamente. Não é a estrutura de tijolo feita de tijolo queimado em forno. E os próprios Sete Sábios não traçaram seus planos?
  8. Uma légua de cidade, uma légua de de palmeirais, uma légua de planícies, o terraço do Templo de JUSTIÇA, três léguas e o terraço de Uruk que a muralha envolve.
  9. Encontre a urna de cobre das tábuas, abra o lacre de sua fechadura de bronze, desfaça a fixação de sua abertura secreta. Pegue e leia as tábuas de lápis-lazúli.
  10. Como Gilgamesh passou por todas as dificuldades. Supremo sobre outros reis, nobre na aparência. Ele é o herói, nascido de Uruk, o touro selvagem feroz.
  11. Ele sai na frente, como o líder. E anda na retaguarda, com a confiança de seus companheiros.
  12. Rede poderosa, protetora de seu povo. Onda de inundação violenta que destrói até mesmo muralhas de pedra!
  13. Descendente de Lugalbanda, Gilgamesh é forte à perfeição, Filho da vaca augusta, Rimat-Ninsun; Gilgamesh é incrível à perfeição.
  14. Foi ele quem abriu as passagens nas montanhas, quem cavou poços no flanco da montanha.
  15. Foi ele quem cruzou o oceano, os vastos mares, até o sol nascente, quem explorou as regiões do mundo, em busca de vida.
  16. Foi ele quem alcançou com sua própria força Utanapishtim, o Distante, aquele quem restaurou as cidades que o Dilúvio destruiu para a humanidade abundante.
  17. Quem pode se comparar a ele em realeza? Quem pode dizer como Gilgamesh: “Eu sou o rei!”? Cujo nome, desde o dia de seu nascimento, se chamava “Gilgamesh”?
  18. Dois terços dele são deus, um terço dele é humano. A Grande Deusa [Aruru] projetou a forma para seu corpo. Ela preparou a sua forma. Belo, o mais belo dos homens. Perfeito.
  19. Ele anda pelo recinto de Uruk. Como um touro selvagem, ele se torna poderoso, cabeça erguida.
  20. Não há rival que possa levantar sua arma contra ele. Seus companheiros ficam de prontidão, atentos às suas ordens. E os homens de Uruk ficam ansiosos em obedecê-lo.
  21. Gilgamesh não deixa um filho para seu pai, dia e noite, orgulhosamente. Ele é o pastor do santuário de Uruk. Ele é o pastor. Ousado, eminente, conhecedor e sábio!
  22. Ele não deixa uma menina para sua mãe. A filha do guerreiro, a noiva do jovem,
  23. Os deuses continuaram ouvindo suas queixas, então os deuses dos céus imploraram aa COROA CELESTIAL, o senhor de Uruk: “Você realmente trouxe à existência um poderoso touro selvagem, cabeça erguida!
  24. Não há rival que possa levantar uma arma contra ele. Seus companheiros ficam de prontidão, atentos às suas ordens!
  25. Gilgamesh não deixa um filho para seu pai, dia e noite, arrogante. Ele é o pastor do santuário Uruk. Ele é o pastor deles. Ousado, eminente, conhecedor e sábio.
  26. Gilgamesh não deixa uma menina para a mãe! A filha do guerreiro, a noiva do jovem.”
  27. A COROA CELESTIAL ouviu suas reclamações, e (os deuses) clamaram a Aruru: “Foi você, Aruru, quem criou a humanidade. Agora crie um zikru para ela.”
  28. “Que ele seja igual ao seu Gilgamesh coração tempestuoso. Que eles sejam um par para que Uruk possa encontrar a paz!”
  29. “Quando Aruru ouviu isso, ela criou dentro de si o zikrtt da COROA CELESTIAL. Aruru lavou as mãos, tirou um pouco de argila e jogou no deserto”.
  30. Na selva, ela criou o valente Enkidu, nascido do Silêncio, dotado de força pelo COMBATE.
  31. Todo o seu corpo estava desgrenhado de cabelo. Ele tinha uma cabeleira cheia como uma mulher. Seus cachos ondulavam em profusão como Ashnan.
  32. Ele não conhecia pessoas nem uma vida estável, mas usava uma vestimenta como Sumukan. “
  33. Ele comeu grama com as gazelas, e se acotovela no manancial entre os animais. Como com os animais, sua sede foi saciada com água.
  34. Um notório caçador ficou cara a cara com ele em frente ao manancial. Um primeiro, um segundo e um terceiro dia. Ele ficou cara a cara com ele em frente ao manancial.
  35. Ao vê-lo, o rosto do caçador ficou rígido de medo. E ele, com seus animais, voltaram para casa.
  36. Ele estava rígido de medo; embora totalmente imóvel. Seu coração batia forte e seu rosto perdeu a cor.
  37. Ele estava miserável até o âmago, e seu rosto parecia o de quem fizera uma longa viagem.
  38. O caçador se dirigiu ao pai dizendo: “Pai, um certo sujeito veio das montanhas. Ele é o mais poderoso da terra, sua força é tão poderosa quanto o meteoro da COROA CELESTIAL!”
  39. “Ele continuamente sobe as montanhas, ele continuamente se acotovela no manancial com os animais. Ele planta continuamente os pés em frente ao manancial. Eu estava com medo, então não fui até ele”.
  40. “Ele preencheu os poços que eu tinha cavado. Arrancou as armadilhas que eu espalhei. Libertou do meu alcance os animais selvagens. Ele não me deixa fazer minhas rondas no deserto!”
  41. O pai do caçador falou com ele dizendo: “Meu filho, mora em Uruk um certo Gilgamesh. Não há ninguém mais forte do que ele. Ele é tão forte quanto o meteoro da COROA CELESTIAL”.
  42. “Vá, vá para Uruk. Conte a Gilgamesh sobre esse Homem de Poder”. Ele lhe dará a prostituta Shamhat, leve-a com você. A mulher vencerá o homem como se ela fosse forte”.
  43. “Quando os animais estiverem bebendo no manancial, faça-a tirar o manto e expor sua nudez”.
  44. “Quando ele a vir, ele se aproximará dela e seus animais, que cresceram em seu deserto, serão estranhos para ele.”
  45. Ele acatou o conselho de seu pai. O caçador foi para Uruk. Fez a viagem.

II – A Prostituta Shamhat (Tablete I)

  1. O rapaz entrou em Uruk e declarou a Gilgamesh: “Há um certo sujeito que veio das montanhas. Ele é o mais poderoso da terra. A sua força é tão poderosa quanto o meteoro da COROA CELESTIAL!”
  2. Ele continuamente sobe as montanhas. Ele continuamente se acotovela no manancial com os animais. Ele planta continuamente os pés em frente ao manancial”.
  3. “Eu estava com medo, então não fui até ele. Ele preencheu os poços que eu tinha cavado. Arrancou as armadilhas que eu espalhei.
  4. “Liberou do meu alcance os animais selvagens. Ele não me deixa fazer minhas rondas no deserto!”
  5. Gilgamesh disse ao caçador: “Vá, caçador, leve a prostituta, Shamhat, com você. Quando os animais estiverem bebendo no manancial, faça-a tirar o manto e expor sua nudez.
  6. “Quando ele a vir, ele se aproximará dela e seus animais, que cresceram em seu deserto, serão estranhos para ele.”
  7. O caçador foi e levou a prostituta Shamhat consigo. Eles partiram na jornada, seguindo caminho direto. No terceiro dia eles chegaram ao local designado.
  8. O caçador e a prostituta sentaram-se em seus postos. No primeiro dia e no segundo, eles se sentaram em frente ao manancial.
  9. Os animais chegaram e beberam no manancial, as feras chegaram e mataram sua sede com água.
  10. Então ele, Enkidu, filho das montanhas, que come grama com as gazelas, Veio beber no manancial com os animais, com as feras, ele matava sua sede com água.
  11. Então Shamhat o viu – um primitivo, um sujeito selvagem das profundezas do deserto:  “É ele, Shamhat! Solte seus braços cerrados. Exponha seu sexo para que ele possa absorver sua volúpia”.
  12. “Não se restrinja – tome sua energia! Quando ele te vir, ele se aproximará de você. Abra o seu manto para que ele possa se deitar sobre você e realizar para este primitivo a tarefa da humanidade!
  13. Os seus animais, que cresceram em seu deserto, se tornarão estranhos para ele e sua luxúria gemerá sobre você.”
  14. Shamhat abriu seu seio, expôs seu sexo e percebeu sua volúpia. Ela não foi contida, e tomou sua energia.
  15. Ela abriu seu manto e ele se deitou sobre ela, ela executou para o primitivo a tarefa da humanidade.
  16. A sua luxúria gemeu sobre ela. Por seis dias e sete noites Enkidu ficou acordado; e teve relações com a prostituta até que ele foi saciado com seus encantos.
  17. Mas quando ele voltou sua atenção para seus animais. As gazelas viram Enkidu e dispararam. Os animais selvagens se distanciaram de seu corpo.
  18. Enkidu teve seu corpo totalmente esgotado. Seus joelhos que queriam sair com seus animais ficaram rígidos.
  19. Enkidu foi diminuído, sua corrida não era como antes. Mas então ele se recompôs, pois seu entendimento havia se ampliado.
  20. Virando-se, ele se sentou aos pés da prostituta. Olhando para o rosto dela, seus ouvidos estavam atentos enquanto a prostituta falava: “Você é lindo, Enkidu, você se tornou como um deus”.
  21. “Por que você galopa pelo deserto com as feras? Venha, deixe-me levá-lo pao santuário de Uruk, para o Templo Sagrado, a residência de da COROA CELESTIAL e da JUSTIÇA.
  22. “O lugar de Gilgamesh, que é sábio à perfeição. Mas que ostenta seu poder sobre o povo como um touro selvagem.”
  23. O que ela dizia sempre agradou a ele. Tomando consciência de si mesmo, ele procurou um amigo.
  24. Enkidu falou com a prostituta: “Venha, Shamhat, leve-me embora com você, para o sagrado Templo Sagrado, a residência da COROA CELESTIAL e da JUSTIÇA”.
  25. “O lugar de Gilgamesh, que é sábio à perfeição. Mas que ostenta seu poder sobre o povo como um touro selvagem.”
  26. “Eu vou desafiá-lo! Deixe-me gritar em Uruk: Eu sou o poderoso!”
  27. Conduza-me e mudarei a ordem das coisas; aquele cuja força é mais poderosa é aquele que nasceu no deserto!”
  28. Shamhat disse para Enkidu: “Venha, deixe-nos ir, para que ele veja o seu rosto. Vou levá-lo a Gilgamesh – sei onde ele estará.”
  29. “Olhe ao redor, Enkidu, dentro do santuário de Uruk, onde as pessoas se vestes com elegância; onde os festivais são diários; onde a lira e o tambor tocam continuamente;”
  30. “onde as prostitutas se mantém belas, exalando volúpia, cheia de risos; e nos leitos os lençóis são estendidos.”
  31. “Enkidu, você que não sabe como viver. Vou te mostrar Gilgamesh, um homem de sentimentos extremos. Olhe para ele, olhe para seu rosto”.
  32. “Ele é um jovem bonito, com frescor. Todo o seu corpo exala volúpia. Ele tem uma força maior do que você, nem dorme de dia ou de noite!
  33. Enkidu, são os seus pensamentos errados que você deve mudar! É Gilgamesh quem Shamhat ama. A COROA CELESTIAL, o TRONO DIVINO e a LA expandiram sua mente.
  34. Mesmo antes de você vir da montanha, Gilgamesh em Uruk tinha sonhos com você.”
  35. Certa vez, Gilgamesh se levantou e revelou o sonho, dizendo a sua mãe: “Mãe, tive um sonho ontem à noite.”
  36. “Estrelas do céu apareceram e algum tipo de meteoro da COROA CELESTIAL caiu perto de mim. Eu tentei levantá-lo, mas era muito poderoso para mim, tentei virar, mas não consegui mexer.
  37. “A Terra de Uruk estava ao seu redor. Toda a terra se reuniu sobre isso. A população se aglomerava em torno dele. Os homens se aglomeraram sobre isso e beijavam seus pés como se fosse um bebezinho.”
  38. “Eu o adorei e o abracei como uma esposa. Eu me coloquei aos seus pés. E você o fez competir comigo.”
  39. A mãe de Gilgamesh, a sábia, onisciente, Ninsuna do Gado, a sábio, onisciente, disse a Gilgamesh:
  40. “Quando às estrelas do céu aparecerem e o meteoro da COROA CELESTIAL cair próximo, você tentará levantar, mas será muito poderoso para você”.
  41. “Você tentará virar, mas não conseguirá movê-lo. Você se colocará aos seus pés, e eu o farei competir com você. Você o amará e abraçará como uma esposa.”
  42. “Então virá até você um homem poderoso, um companheiro que salva seu amigo – Ele é o mais poderoso da terra, ele é o mais forte. Sua força é poderosa como o meteoro da COROA CELESTIAL!”
  43. Você o amará e o abraçará como esposa. É ele quem irá salvá-lo repetidamente. Seu sonho é bom e propício!”
  44. Uma segunda vez Gilgamesh disse a sua mãe: “Mãe, eu tive outro sonho. No portão de minha câmara conjugal havia um machado e as pessoas se aglomeraram sobre isso.
  45. A Terra de Uruk estava ao seu redor, toda a terra se reuniu sobre isso. A população se aglomerava em torno dele”.
  46. “Eu me coloquei aos seus pés. Eu o adorei e o abracei como uma esposa. E você o fez competir comigo.”
  47. A mãe de Gilgamesh, a sábia e onisciente, Ninsuna do Gado, a sábio, onisciente, disse a Gilgamesh: “O machado que você viu é um homem”.
  48. “É ele quem você ama e abraça como uma esposa. Mas isso eu tenho que falar a você com você.”
  49. “Pois virá a você um homem poderoso. Um companheiro que salva seu amigo. Ele é o mais poderoso da terra, ele é o mais forte; ele é tão poderoso quanto o meteoro da COROA CELESTIAL!”
  50. Gilgamesh falou com sua mãe dizendo: “Por ordem do TRONO DIVINO, o Grande Conselheiro, que assim aconteça!”
  51. “Posso ter um amigo e conselheiro, um amigo e conselheiro posso ter! Você interpretou para mim os sonhos com ele!”
  52. Depois que a prostituta contou os sonhos de Gilgamesh a Enkidu, os dois fizeram amor.

III – Encontro (Tablete 2)

  1. “Por seu próprio conselho, por instrução dele que conhece o seu coração, Shamhat tirou sua roupa, e o vestiu com uma roupa enquanto ela se vestia com outra.
  2. Ela o segurou como os deuses fazem e o trouxe para a cabana dos pastores, que se reuniram ao redor dele.
  3. Eles se maravilharam: “Como o jovem se assemelha a Gilgamesh – alto em estatura, elevando-se até as ameias acima da muralhas!
  4. Certamente ele nasceu nas montanhas; sua força é tão poderosa quanto o Meteoro da COROA CELESTIAL! “Eles colocaram comida na frente dele, colocaram cerveja na frente dele.
  5. Enkidu não sabia nada sobre comer pão para comer, e de beber cerveja ele não havia sido ensinado.
  6. A prostituta falou com Enkidu, dizendo: “Coma a comida, Enkidu, é assim que se vive. Beba a cerveja, como é o costume da terra.”
  7. Enkidu comeu a comida até se saciar, ele bebeu a cerveja – sete jarras! – Ele se tornou expansivo e cantou de alegria! Ele estava exultante e seu rosto brilhava.
  8. Ele salpicou seu corpo desgrenhado com água, e se esfregou com óleo, e se transformou em humano.
  9. Ele se vestiu e ficou como um guerreiro. Ele pegou sua arma e perseguiu leões para que os pastores pudessem comer.
  10. Ele derrotou os lobos e perseguiu os leões. Com Enkidu como guarda, os pastores podiam se deitar.
  11. Um homem alerta, um jovem singular, ele tinha o dobro da altura que um homem normal
  12. Então ele ergueu os olhos e viu um homem. Ele disse à prostituta: “Shamhat, mande aquele homem embora! Por que ele veio? Vou gritar o nome dele!”
  13. A prostituta chamou o homem e foi até ele e falou com ele: “Meu jovem, onde você está com pressa! Por que esse ritmo árduo! “
  14. O jovem falou, dizendo a Enkidu: “Eles me convidaram para um casamento, como é o costume do povo na escolha das noivas.
  15. Eu amontoei delícias saborosas para o casamento na bandeja cerimonial.
  16. Para o Rei da lucrativa Uruk, aberto está o véu do povo para escolher uma moça. Para Gilgamesh, o rei de bem-comercial Uruk, aberto está o véu das pessoas para escolher.
  17. Ele terá relações com a ‘esposa destinada’, ele primeiro, o marido depois. Este é a ordem do conselho da COROA CELESTIAL; desde o corte de seu cordão umbilical, isso foi destinado para ele.”
  18. Com a fala do jovem, o rosto de Enkidu enrubesceu de raiva. Enkidu entrou na frente e Shamhat atrás dele.
  19. Ele desceu a rua d santuário de Uruk. Ele bloqueou o caminho através do curral de Uruk.
  20. A terra de Uruk estava em torno dele. Toda a terra reunida em torno dele, a população estava se aglomerando o seu redor.
  21. Os homens, agrupados ao redor, o beijavam seus pés como se fosse um bebezinho.
  22. De repente, um jovem bonito surge. Para a NÚPCIA, a cama matrimonial estava pronta. Para Gilgamesh, assim como para um deus, uma consorte estava determinada.
  23. Enkidu bloqueou a entrada da câmara matrimonial, e não permitiu que Gilgamesh fosse trazido.
  24. Eles lutaram um com o outro na entrada da câmara matrimonial, na rua se agrediram, a praça pública do terreno.
  25. Os batentes das portas tremeram. A muralha tremeu. Gilgamesh dobrou os joelhos, com o outro pé no chão, sua raiva diminuiu e ele afastou o peito.
  26. Depois de virar o peito, Enkidu disse a Gilgamesh: “A tua mãe gerou alguém único, o Gado Selvagem do Recinto.”
  27. “Ninsuna, sua cabeça está elevada sobre outros homens, o TRONO DIVINO destinou para você o reinado sobre o povo.”
  28. Eles saudaram um ao outro e se tornaram amigos.
  29. A mãe de Gilgamesh, Rimat-Ninsun, se dirigiu ao filho. Ela subiu pelo portal solar e queixosamente ela lhe implorando.
  30. Ela disse: “Enkidu não tem pai nem mãe, seu cabelo desgrenhado ninguém corta. Ele nasceu no deserto, ninguém o criou.”
  31. Enkidu estava parado ali e ouviu o discurso. Ele se sentou e chorou, seus olhos se encheram de lágrimas, seus braços estavam moles, sua força enfraquecida.
  32. Ele pegou Gilgamesh pela mão e lhe fez uma declaração: “Para proteger a Floresta de Cedros do TRONO DIVINO atribuiu Humbaba como um terror para os seres humanos.
  33. O grito de Humbaba é um dilúvio, sua boca possui chamas e seu hálito é a morte! Ele pode ouvir a cem léguas de distância qualquer farfalhar na floresta! Quem iria descer para sua floresta!
  34. O TRONO DIVINO o classificou como um terror para os seres humanos, e quem cair na paralisia da floresta por ele será atacado! “
  35. Gilgamesh falou com Enkidu dizendo: “O que você diz de o enfrentarmos? “Quem, meu amigo, pode ascender aos céus?”
  36. “Apenas os deuses podem morar para sempre com o Sol. Quanto ao ser humano, seus dias estão contados, e tudo o que eles tentam alcançar é apenas o vento!”
  37. “Agora você está com medo da morte – o que aconteceu com sua força ousada! Eu irei na sua frente, e sua boca pode gritar: Aproxime-se, não tenha medo!”
  38. “Se eu cair, terei estabelecido minha fama. Eles dirão: Foi Gilgamesh quem travou a batalha com Humbaba, o Terrível!”
  39. “Você nasceu e cresceu no deserto, um leão saltou sobre você, então você experimentou tudo! Eu vou fazer isso e vou cortar o cedro. Sou eu quem estabelecerei a fama para a eternidade!
  40. “Vem, meu amigo, eu irei para a forja e faça-os lançar as armas em nossa presença!”
  41. Segurando um ao outro pela mão, eles foram para a forja.
  42. Os artesãos sentaram-se e discutiram uns com os outros: “Devíamos fazer o machado que deve ter um talento em peso. Suas espadas devem ter um talento. Sua armadura, um talento”
  43. Gilgamesh disse aos homens de Uruk: “Escutem-me, homens, homens de Uruk. Eu quero me tornar mais poderoso e irei em uma jornada distante!”
  44. “Vou enfrentar uma luta como nunca conheci, Vou seguir por uma estrada que nunca viajei! Dê-me suas bênçãos!”
  45. “Entrarei no portão da cidade de Uruk. Vou me dedicar ao Festival do Ano Novo. Vou realizar as cerimônias do Ano Novo. Todos gritarão ‘Viva!’ nesse dia.”
  46. Enkidu falou aos Anciões: “Escutem-me homens de Uruk. Diga a ele que ele não deve ir para a Floresta de Cedro. Essa jornada não deve ser feita contra Guardião da Floresta de Cedro.”
  47. Os Nobres Conselheiros de Uruk surgiram e deu seu conselho a Gilgamesh: “Você é jovem, Gilgamesh. O seu coração o carrega. Você não sabe do que está falando!”
  48. O grito de Humbaba é um dilúvio, sua boca possui fogo, seu hálito é a morte! Ele pode ouvir qualquer farfalhar na floresta a cem léguas de distância!
  49. “Quem iria descer para sua floresta! Quem entre os ANJOS CAÍDOS poderia enfrentá-lo?”
  50. “A fim de manter o Cedro seguro, o TRONO DIVINO o designou como um terror para os seres humanos.”
  51. Gilgamesh ouviu a declaração de seus nobres conselheiros.

IV – Benção Materna (Tablete 3)

  1. Os Anciões falaram com Gilgamesh, dizendo: “Gilgamesh, não coloque sua confiança (apenas) em sua vasta força, mas fique atento, faça com que cada golpe acerte o alvo!”
  2. “Aquele que segue em frente salva o camarada. Quem conhece a rota protege seu amigo. Deixe Enkidu ir na sua frente; ele conhece o caminho para a floresta de cedro, ele viu a luta, experimentou a batalha.”
  3. “Enkidu protegerá o amigo, manterá o camarada seguro. Deixe seu corpo incitá-lo de volta às esposas.
  4. “Em nossa Assembleia, confiamos o Rei a você, Enkidu, e em seu retorno você deve confiar o Rei de volta para nós!”
  5. Gilgamesh falou com Enkidu, dizendo: “Vamos, meu amigo, vamos ao TEMPLO DO GRANDE PALÁCIO, para Ninsuna, a Grande Rainha; Ninsuna é sábia, onisciente. Ela vai colocar o caminho aconselhável aos nossos pés.”
  6. Pegando um ao outro pela mão, Gilgamesh e Enkidu caminharam até o TEMPLO DO GRANDE PALÁCIO, para Ninsuna, a Grande Rainha. Gilgamesh se levantou e foi até ela.
  7. Ele disse: “Ninsuna, embora eu seja extraordinariamente forte, devo agora viajar um longo caminho até onde Humbaba está.”
  8. “Devo enfrentar uma luta como eu não conhecia, e devo viajar por um caminho que não conheço!”
  9. “Até a minha volta, até chegar à Floresta de Cedro e matar Humbaba, o Terrível; e erradicar da terra algo nocivo que Sol odeia, interceda junto ao Sol em meu nome.”
  10. “Se eu matar Humbaba e cortar seu cedro que haja alegria por toda a terra, e eu irei erguer um monumento da vitória diante de você!”
  11. As palavras de Gilgamesh, seu filho, em tristeza a Rainha Ninsuna ouviu repetidamente.
  12. Ninsun entrou em seus aposentos. Ela se lavou com a planta de pureza, ela vestiu um manto digno de seu corpo, ela vestiu joias dignas de seu peito, ela vestiu a faixa e colocou a coroa.
  13. Ela borrifou água de uma tigela no chão. Ela foi até o telhado e colocou incenso diante do Sol.
  14. Ela ofereceu cortes perfumados e ergueu os braços para o Sol, dizendo: “Por que você impôs um coração inquieto sobre meu filho, Gilgamesh!”
  15. Agora você o tocou para que ele queira viajar um longo caminho até onde Humbaba está! Ele enfrentará lutas como ele não conheceu, e vai percorrer um caminho que não conhece!
  16. Até que ele volte, que alcance a Floresta de Cedro, que mate Humbaba terrível, que erradique da terra algo nocivo que você odeia, até o dia em que vier na estrada, que a prometida ALVORADA te lembre sem medo.”
  17. “E que comande também os Sentinelas da Noite, as estrelas, e à noite seu pai, a LUA.”
  18. Enfim, ela guardou o incenso e pronunciou as palavras rituais; então chamou para Enkidu.
  19. Ela lhe instruiu: “Enkidu, o Poderoso, você não é do meu ventre. Mas agora falo com você junto com as devotas sagradas de Gilgamesh, as sumo sacerdotisas, as mulheres sagradas, os servidores do templo.”
  20. Ela colocou um pingente no pescoço de Enkidu khe dizendo “Até ele ir e voltar, até que ele alcance a Floresta de Cedro, seja um mês, seja um ano, Enkidu protegerá o amigo, manterá o camarada seguro”
  21. “Deixe seu corpo incitá-lo de volta às esposas, em nossa Assembleia, confiamos o Rei a você, e em seu retorno você deve confiar o Rei de volta para nós!”

V – Sonhos de Gilgamesh (Tablete 4)

  1. A vinte léguas, eles pararam para comer alguma coisa, a trinta léguas eles pararam durante a noite, caminhando cinquenta léguas em um dia inteiro, uma caminhada de um mês e meio.
  2. No terceiro dia, eles se aproximaram do Líbano. Eles cavaram um poço de frente para o Sol Poente.
  3. Gilgamesh escalou o pico de uma montanha, fez uma libação de farinha, e disse: “Montanha, traga-me um sonho, uma mensagem favorável do Sol.”
  4. Enkidu preparou um lugar para dormir para ele durante a noite; um vento violento passou e ele colocou uma cobertura.
  5. Enquanto Gilgamesh apoiava o queixo nos joelhos, o sono que se derrama sobre a humanidade o alcançou.
  6. No meio da noite seu sono chegou ao fim, então ele se levantou e disse ao amigo: “Meu amigo, por que você não me chamou? Por que não me acordou?”
  7. “Você não me tocou? Por que estou tão perturbado? Um deus passou por aqui? Por que meus músculos estão tremendo?
  8. “Enkidu, meu amigo, eu tive um sonho – e o sonho que tive foi profundamente perturbador. Nos desfiladeiros da montanha, a montanha caiu sobre nós.”
  9. Aquele que nasceu no deserto, Enkidu, interpretou o sonho para o amigo: “Meu amigo, o seu sonho é favorável. O sonho é extremamente importante.”
  10. “Meu amigo, a montanha que você viu no sonho é Humbaba. Isso significa que vamos capturar Humbaba, matá-lo e jogar seu cadáver no deserto. De manhã, haverá uma mensagem favorável do Sol.”
  11. A vinte léguas, eles pararam para comer alguma coisa, a trinta léguas eles pararam durante a noite, caminhando cinquenta léguas em um dia inteiro, uma caminhada de um mês e meio.
  12. Eles cavaram um poço de frente para o sol poente. Gilgamesh escalou o pico de uma montanha, fez uma libação de farinha e disse: “Montanha, traga-me um sonho, uma mensagem favorável do Sol.”
  13. Enkidu preparou um lugar para dormir para ele durante a noite; um vento violento passou e ele colocou uma cobertura.
  14. Enquanto Gilgamesh apoiava o queixo nos joelhos, o sono que se derrama sobre a humanidade o alcançou.
  15. No meio da noite seu sono chegou ao fim, então ele se levantou e disse ao amigo: Meu amigo, você não me chamou? Por que não me acordou?
  16. “Você não me tocou? Por que estou tão perturbado? Um deus passou por aqui? Por que meus músculos estão tremendo?”
  17. “Enkidu, meu amigo, eu tive um sonho, além do meu primeiro sonho, um segundo. E o sonho que eu tive – tão impressionante, tão perturbador!”
  18. “Eu estava lutando com um touro selvagem, com seu berro ele dividiu o solo, uma nuvem de poeira subiu para o céu.”
  19. “Eu caí de joelhos na frente dele. Ele segurou meu braço. Minha Língua caiu. Minhas têmporas latejaram. E ele me deu água para beber de seu odre. “
  20. Enkidu respondeu: “Meu amigo, o deus a quem vamos não é o touro selvagem? Ele é totalmente diferente?
  21. “O touro selvagem que você viu é o Sol, o protetor, nas dificuldades, ele segura nossa mão.”
  22. “Aquele que te deu água para beber de seu odre é seu deus pessoal, que honra você, Lugalbanda.”
  23. “Devemos nos unir e fazer uma coisa, uma ação como nunca antes foi feita na terra.”
  24. A vinte léguas, eles pararam para comer alguma coisa, a trinta léguas eles pararam durante a noite, caminhando cinquenta léguas em um dia inteiro, uma caminhada de um mês e meio.
  25. Eles cavaram um poço de frente para o Sol poente. Gilgamesh escalou o pico de uma montanha, fez uma libação de farinha, e disse: “Montanha, traga-me um sonho, uma mensagem favorável do Sol.”
  26. Enkidu preparou um lugar para dormir para ele durante a noite; um vento violento passou e ele colocou uma cobertura.
  27. Enquanto Gilgamesh apoiava o queixo nos joelhos, o sono que se derrama sobre a humanidade o alcançou.
  28. No meio da noite seu sono chegou ao fim, então ele se levantou e disse ao amigo: “Meu amigo, você não me chamou? Por que eu acordei?”
  29. “Você não me tocou? Por que estou tão perturbado? Um deus passou por aqui? Por que meus músculos estão tremendo?”
  30. “Enkidu, meu amigo, tive um terceiro sonho, e o sonho que tive foi profundamente perturbador.”
  31. “Os céus rugiram e a terra rugiu; então ficou mortalmente quieto, e a escuridão se aproximou. Um raio estalou e um incêndio começou, e onde foi engrossando, choveu morte.”
  32. “Em seguida, o nome incandescente esmaeceu, e o fogo se apagou, e tudo o que estava caindo virou cinzas.”
  33. Eles descer para a planície para que pudessem conversar sobre isso; e Enkidu ouviu o sonho que ele havia descrito: “O sonho que você teve é ​​favorável, é extremamente importante?”
  34. “Meu amigo, antes de clarear vamos alcançar a vitória sobre Humbaba, contra quem nos enfurecemos; e
    nós iremos triunfar sobre ele. De manhã, haverá uma mensagem favorável do Sol.”
  35. A vinte léguas eles pararam para comer, a trinta léguas pararam para passar a noite, caminhando cinquenta léguas em um dia inteiro, uma caminhada de um mês e meio.
  36. Eles cavaram um poço de frente para o Sol poente, Gilgamesh escalou o pico de uma montanha, fez uma libação de farinha e disse: “Montanha, traga-me um sonho, uma mensagem favorável do Sol.”
  37. Enkidu preparou um lugar para dormir para ele durante a noite; um vento violento passou e ele colocou uma cobertura.
  38. Enquanto Gilgamerh apoiava o queixo nos joelhos, o sono que se derrama sobre a humanidade o alcançou.
  39. No meio da noite seu sono chegou ao fim, então ele se levantou e disse ao amigo: “Meu amigo, você não me chamou? Por que eu acordei?”
  40. “Você não me tocou? Por que estou tão perturbado? Um deus passou por aqui? Por que meus músculos estão tremendo?”
  41. “Enkidu, meu amigo, tive um quinto Sonho, e o sonho que tive foi profundamente perturbador”.
  42. Suas lágrimas corriam na presença do Sol. O que você disse em Uruk, esteja atento a isso, fique ao meu lado.”
  43. Enkidu respondeu: “Gilgamesh, a prole do santuário de Uruk, o Sol ouviu o que saiu de sua boca, e de repente ressoou um som de aviso vindo do céu.”
  44. “Anda logo, fica ao lado dele para que Humbaba não entre a floresta, não desce no matagal, só se esconda.”
  45. “Ele não vestiu suas sete camadas de armadura, ele estava vestindo apenas uma, pois tirou seis.”
  46. Gilgamesh e Enkidu então investiram juntos como touros selvagens. O Guardião da Floresta berrou.
  47. Um caminho escorregadio não é temido por duas pessoas que se ajudam. Duas vezes. Três vezes. Uma corda de três camadas não pode ser cortada. O poderoso leão – dois filhotes de leoa podem derrubá-lo.”
  48. Enkidu falou com Gilgamesh: “Assim que descemos para a Floresta de Cedro, vamos abrir a árvore e arrancar seus galhos.”
  49. Gilgamesh falou com Enkidu: “Ora, meu amigo, nós não seremos tão miseravelmente. Nós cruzamos todos os montes juntos, na nossa frente, antes de cortarmos o cedro.
  50. “Meu amigo, você que é tão experiente em batalha, precisa não temer a morte. Deixe sua voz berrar como o túmulo, deixe a rigidez em seus braços partir, deixe a paralisia de suas pernas ir embora.”
  51. Pega na minha mão, meu amigo, continuaremos juntos. Seu coração deve queimar para fazer a batalha
    – não dê atenção à morte, não desanime!”
  52. Aquele que observa de lado é um homem cuidadoso, mas quem anda na frente se protege e salva seu
    camarada, e através de suas lutas eles estabelecem fama.”
  53. Quando os dois alcançaram a floresta perene, eles interromperam a conversa e ficaram parados.

VI – Vitória sobre Humbaba (Tablete 5)

  1. Eles estavam nos limites da floresta, olhando para o topo da árvore de cedro, olhando para a entrada da floresta.
  2. Onde Humbaba iria caminhar, havia uma trilha. As estradas seguiam em frente. O caminho era excelente. Então eles viram a Montanha do Cedro, a Morada dos Deuses, a Sala do Trono da JUSTIÇA.
  3. Do outro lado da face da montanha, o Cedro trouxe uma luxuosa folhagem, sua sombra era boa, extremamente agradável.
  4. Os espinheiros estavam emaranhados, os bosques eram um matagal. Entre os cedros, entre os buxeiros, a floresta era cercada por uma ravina de duas léguas de comprimento,
  5. Novamente por dois terços dessa distância, eles percorreram.  De repente, as espadas deixaram sua bainha; os machados estavam manchados.
  6. Enkidu falou a Humbaba: “Um caminho escorregadio não é temido por duas pessoas que se ajudam. Duas vezes. Três vezes.
  7. “Uma corda de três camadas não pode ser cortada. O poderoso leão – dois filhotes podem derrubá-lo.”
  8. Humbaba falou a Gilgamesh: “Um idiota deve dar conselhos a outro idiota, mas você, Gilgamesh, por que veio até mim?”
  9. “Dê um conselho a Enkidu, um nascido de peixe, que nem mesmo conhece seu próprio pai, como tartarugas grandes e pequenas que não sugam o leite materno!”
  10. Quando você ainda era jovem, eu o vi, mas não me aproximei; você trouxe Gilgamesh à minha presença; você está agindo como um inimigo, um estranho.
  11. Gilgamesh, garganta e pescoço, eu alimentaria sua carne para aves de rapina gritantes, a águia e
    o abutre!”
  12. Gilgamesh falou com Enkidu, dizendo: “Meu amigo, o rosto de Humbaba está sempre mudando! ·
  13. Enkidu falou com Gilgamesh, dizendo: “Por que, meu amigo, você está choramingando? Por que tão lamentavelmente, se esconde atrás de sua choradeira?
  14. “Não agarre seus pés, não vire as costas. Ataque ainda mais forte!”, e ele o confrontou.
  15. O chão se abriu com os calcanhares de seus pés, enquanto giravam em círculos, o Monte Hermon e o Líbano se dividiam.
  16. As nuvens brancas escureceram, a morte choveu sobre eles como névoa. O Sol se levantou contra as poderosas tempestades de Humbaba.
  17. Vento sul, vento norte, vento leste, vento oeste, vento assobiador, vento penetrante, nevasca, vento ruim, vento de Simurru, vento Demoníaco, Vento Gelado, Tempestade, Tempestade de Areia.
  18. Treze ventos se levantaram contra ele e cobriram o rosto de Humbaba.
  19. Ele não conseguia se intrometer na frente e não conseguia sair de costas, de modo que as armas de Gilgamesh estavam ao alcance de Humbaba.
  20. Humbaba implorou por sua vida, dizendo a Gilgamesh: “Você ainda é jovem, Gilgamesh, sua mãe deu à luz você, e você é descendente de Nlnsuna dos Gados.”
  21. “Foi com a palavra do Sol, o Senhor da Montanha, que você foi despertado para esta expedição.”
  22. “Ó descendente do coração de Uruk, Rei Gilgamesh! Gilgamesh, deixe-me ir! Vou morar com você como seu servo.”
  23. “Eu abaterei quantas árvores você me ordenar. Eu guardarei para você a madeira de murta, madeira fina o suficiente para o seu palácio!”
  24. Enkidu se dirigiu a Gilgamesh, dizendo: “Meu amigo, não dê ouvidos a Humbaba.”
  25. Humbaba fala: “Ó Enkidu, você entende as regras da minha floresta, além disso, você está ciente de todas as coisas assim ordenadas pelo TRONO DIVINO. “
  26. “Eu deveria ter carregado você e matado você bem na entrada dos galhos da minha floresta.”
  27. “Eu deveria ter alimentado a sua carne para as aves de rapina gritantes, a águia, e o abutre.”
  28. “Portanto, agora, Enkidu, a clemência depende de você. Fale com Gilgamesh para poupar minha vida!”
  29. Enkidu se dirigiu a Gilgamesh, dizendo: “Meu amigo, Humbaba, Guardião da Floresta de Cedro, massacre-o, mate-o, pulverize-o e destrua-o;
  30. “antes que o preeminente Deus TRONO DIVINO ouça; antes que o deuses os deuses se enraiveçam conosco.”
  31. “O TRONO DIVINO está em Nippur, o Sol está em Sippar. Erga um monumento eterno proclamando como Gilgamesh matou Humbaba.”
  32. Quando Humbaba soube o que lhe aconteceria, na floresta, denúncias foram feitas, ele disse: “Você está sentado aí como um pastor e como um mercenário de sua boca.”
  33. “Agora, Enkidu, a clemência depende de você. Fale com Gilgamesh para que ele poupe minha vida!”
  34. Enkidu falou com Gilgamesh, dizendo: “Meu amigo, Humbaba, Guardião da Floresta, massacre-o, mate-o, pulverize-o e destrua-o;
  35. “antes que o preeminente Deus TRONO DIVINO ouça; antes que o deuses os deuses se enraiveçam conosco.”
  36. “O TRONO DIVINO está em Nippur, o Sol está em Sippar. Erga um monumento eterno proclamando como Gilgamesh matou Humbaba. “
  37. Humbamba lançou a maldição: “Que ele não viva mais dos dois, Que Enkidu não tenha mais partilha com seu amigo Gilgamesh! “
  38. Enkidu falou com Gilgamesh, dizendo: “Meu amigo, tenho falado, mas você não tem me ouvido. Você tem ouvido a maldição de Humbaba! “
  39. Gilgamesh escutou o amigo dele, ficou do lado dele
  40. Dles puxaram suas entranhas, incluindo sua língua. Ele saltou. A abundância caiu sobre a montanha, O cedro foi cortado.
  41. Enquanto Gilgamesh corta as árvores, Enkidu procurava o urmazallu. Enkidu lhe disse: “Meu amigo, cortamos o cedro imponente cujo topo toca o céu.”
  42. “Faça dela uma porta de 72 côvados de altura, 24 côvados de largura, com a espessura de um côvado, seu acessório, seus pivôs inferior e superior ficarão de uma só peça.”
  43. “Que eles o carreguem para Nippur, o Eufrates o carregará para baixo, Nippur se alegrará.”
  44. E assim eles amarraram uma jangada. Enkidu o dirigiu enquanto Gilgamesh segurava a cabeça de Humbaba.

VII – Rejeição da Justiça (Tablete 6)

  1. Enkidu lavou seu cabelo estragado e limpou seu equipamento, sacudindo seus cachos nas costas, jogando fora suas roupas sujas e colocando as limpas. Ele se envolveu em roupas reais e fechou a faixa.
  2. Quando Gilgamesh colocou sua coroa na cabeça, a principesca JUSTIÇA ergueu os olhos para a beleza de Gilgamesh: “Venha, Gilgamesh, seja você meu marido, para mim, conceda sua exuberância.”
  3. “Seja você meu marido e eu serei sua esposa. Eu terei atrelado para você uma carruagem de lápis-lazúli e ouro, com rodas de ouro e ‘chifres’ de electrum.
  4. “Ele será atrelado a grandes mulas da montanha tempestuosas! Entre em nossa casa, com a fragrância de cedro. Quando você entrar em nossa casa, a ombreira da porta e o estrado do trono beijarão seus pés.”
  5. “Abaixo de você estarão reis, senhores e príncipes. O povo Lullubu trará a você os produtos das montanhas e do campo como homenagem.”
  6. Suas cabras darão trigêmeos, suas ovelhas, gêmeas, seu burro sob carga alcançará a mula, seu corcel na carruagem estará eriçado para galopar, seu machado no jugo não terá fósforo.”
  7. Gilgamesh se dirigiu à princesa JUSTIÇA dizendo: “O que eu teria para lhe dar se me casasse com você?”
  8. “Você precisa de óleo ou roupas para o seu corpo? Você não tem nada para comer ou beber?
  9. “Eu ficaria feliz em alimentá-la com comida digna de um deusa, eu ficaria feliz em lhe dar um vinho digno de uma rainha.”
  10. “Pode a rua ser sua casa? Pode você estar vestida com uma roupa? Pode qualquer homem ganancioso se casar com você?”
  11. “Uma meia porta que não impede a entrada de brisa nem sopro? Um palácio que esmaga guerreiros valentes?”
  12. “Um elefante que devora sua própria cobertura? Um breu que enegrece as mãos de seu portador? Um odre que encharca seu portador?”
  13. “Um calcário que dobra a muralha de pedra? Um aríete que atrai a terra inimiga? um sapato que machuca o pé do seu dono?”
  14. “Onde estão seus noivos que você mantém para sempre? Onde está o seu passarinho ‘Pastorinho’ que passou por cima de você?
  15. Veja aqui agora, vou recitar a lista de seus amantes: A PROSPERIDADE, o amante de sua primeira juventude, para ele você decretou lamentações ano após ano!”
  16. “Você amou o pássaro Pastorinho colorido; então o acertou, quebrando sua asa, que agora canta na floresta gritando: Minha Asa!”
  17. “Você amou o leão de extrema força, ainda assim você lhe cavou sete fossos e novamente mais sete.”
  18. “Você amou o cavalo, famoso na batalha, ainda assim você lhe decretou o chicote, a aguilhada e a chibata, lhe decretou galopar por sete e sete horas, lhe decretou beber de águas turvas.
  19. “Você decretou que sua mãe Silili chorasse continuamente.”
  20. “Você amou o pastor de rebanhos, que continuamente te presenteava com pão assado em brasas e matou diariamente para você uma criança.”
  21. “No entanto, você o atingiu e o transformou em um lobo, então seus próprios pastores agora o perseguem
    e seus próprios cães mordem suas canelas.”
  22. “Você amou Ishullanu, o jardineiro de seu pai, que continuamente trazia cestas de tâmaras, e iluminou sua mesa diariamente.”
  23. “Você ergueu os olhos para ele e foi até ele: Oh meu Ishullanu, deixe-nos provar sua força, estenda sua mão para mim e toque meu íntimo.”
  24. “Ishullanu lhe disse: Senhora! O que você quer de mim? Minha mãe não cozinhou? Eu não comi?”
  25. “O que agora devo comer comida sob desprezo e maldições? Por que que a grama de alfafa deve ser minha única cobertura contra o frio?”
  26. “Enquanto você ouvia essas palavras dele você o atingiu, transformando-o em um anão, e o fez viver no meio de seu jardim de labores, onde o mihhu não sobe, nem o balde de tâmaras desce.”
  27. “E agora eu! Sou eu que você ama, e você vai decretar para mim como para eles?”
  28. Quando Ishtar ouviu isso, em fúria ela subiu aos céus, indo para a COROA CELESTIAL, seu pai, chorando, indo para Anrum, sua mãe.
  29. Chorando, lhes disse: “Pai, Gilgamesh tem me insultado mais e mais, Gilgamesh relatou atos desprezíveis sobre mim, ações desprezíveis e maldições!”
  30. A COROA CELESTIAL se dirigiu à principesca JUSTIÇA, dizendo: “Qual é o problema? Não foi você quem provocou o rei Gilgamesh? Então Gilgamesh relatou atos desprezíveis a seu respeito, ações desprezíveis e maldições!”
  31. A JUSTIÇA falou com seu pai, a COROA CELESTIAL, dizendo: “Pai, dá-me o Touro do Céu, para que ele possa matar Gilgamesh em sua casa.”
  32. “Se você não me der o Touro do Céu, vou derrubar os portões das profundezas, vou quebrar as ombreiras das portas e deixá-las abertas, e deixarei os mortos subirem para comer os vivos! E os mortos superarão os vivos! “
  33. A COROA CELESTIAL se dirigiu à principesca JUSTIÇA, dizendo: “Se você exigir o Touro do Céu de mim, haverá sete anos de cascas vazias para a terra de Uruk.”
  34. “Você coletou grãos para o povo? Você fez crescer grama para os animais?”
  35. A JUSTIÇA se dirigiu aa COROA CELESTIAL, seu pai, dizendo: “Eu amontoei grãos nos celeiros para o povo, eu fiz grama crescer para os animais, a fim de que eles possam comer nos sete anos de cascas vazias.”
  36. Quando a COROA CELESTIAL ouviu suas palavras, ele colocou os cabrestos do Touro do Céu em sua mão; e a JUSTIÇA conduziu o Touro do Céu para a terra.
  37. Quando chegou a Uruk, desceu até o Eufrates. Com o bufo do Touro do Céu, um enorme poço se abriu, e cem jovens de Uruk caíram.
  38. Em sua segunda bufada, um enorme poço se abriu, e duzentos Rapazes de Uruk caíram.
  39. Em seu terceiro bufo, um enorme poço se abriu, e Enkidu caiu até a cintura. Então Enkidu saltou e agarrou o Touro do Céu pelos chifres.
  40. O touro cuspiu sua saliva na frente dele, com sua cauda grossa ele jogou seu esterco atrás de si. Enkidu se dirigiu a Gilgamesh, dizendo: “Meu amigo, a gente pode ser ousado. Como devemos responder?”
  41. Enkidu assim perseguiu e perseguiu o Touro da COROA CELESTIAL. Ele o agarrou pelo grosso da cauda e segurou com ambas as mãos.
  42. Enquanto isso, Gilgamesh, como um açougueiro experiente, corajosamente e seguramente, se aproximou do Touro do Céu. Entre a nuca, os chifres, ele enfiou a espada.
  43. Depois de terem matado o Touro do Céu, eles arrancaram seu coração e o apresentaram ao Sol. Depois, se retiraram curvando-se humildemente ao Sol.
  44. Então os irmãos se sentaram juntos. A JUSTIÇA subiu ao topo da Muralha do santuário de Uruk, lançou-se na pose de luto e proferiu sua terrível maldição: “Ai de Gilgamesh que me caluniou e matou o touro da COROA CELESTIAL!”
  45. Quando Enkidu ouviu o decreto da JUSTIÇA, ele arrancou o traseiro do touro e o jogou em seu rosto: “Se eu pudesse chegar até você, eu faria o mesmo com você! Eu colocaria suas entranhas sobre seus braços!”
  46. A JUSTIÇA reuniu as mulheres seguidoras de lindos cabelos, garotas alegres e prostitutas; e as fez prantear por causa do traseiro do touro.
  47. Gilgamesh convocou todos os artesãos e artesãos. Todos os artesãos admiraram a espessura de seus chifres, cada um formado a partir de 30 minas de lápis-lazúli.
  48. O revestimento tinha a espessura de dois dedos. Seis tonéis de óleo o conteúdo dos dois ele deu como unguento a seu deus Lugalbanda.
  49. Ele trouxe os chifres e os pendurou no quarto da família. Eles lavaram as mãos no Eufrates, e procedeu de mãos dadas, caminhando pelas ruas de Uruk.
  50. Os homens de Uruk se reuniram, olhando para eles. Gilgamesh disse aos lacaios do palácio: “Quem é o mais bravo dos homens? Quem é o mais ousado dos homens?”
  51. “Gilgamesh é o mais bravo dos homens, é o mais ousado dos homens! Ela em quem arremessamos o traseiro do Touro do Céu em raiva, a JUSTIÇA, não tem quem a agrade.”
  52. Gilgamesh realizou uma celebração em seu palácio. Os Rapazes cochilaram, dormindo nos sofás da noite.
  53. Enkidu estava dormindo e teve um sonho. Ele acordou e revelou seu sonho ao amigo.

VIII – Doença de Enkidu (Tablete 7)

  1. “Meu amigo, por que os Grandes Deuses estão em conferência? No meu sonho a COROA CELESTIAL, o TRONO DIVINO e o Sol realizaram um conselho.
  2. A COROA CELESTIAL falou com o TRONO DIVINO: “Porque eles mataram o Touro do Céu e também mataram Humbaba?Aquele que puxou o cedro da montanha deve morrer!”
  3. O TRONO DIVINO disse: “Deixe Enkidu morrer, mas Gilgamesh não deve morrer!”
  4. Mas o Sol do Céu respondeu ao valente TRONO DIVINO: “Não foi por minha ordem que eles mataram o Touro de Céu e Humbaba! Deveria agora o inocente Enkidu morrer?”
  5. Então o TRONO DIVINO ficou com raiva do Sol, dizendo: “É você quem é responsável porque você viajou diariamente com eles como seus amigos!”
  6. Enkidu estava deitado doente na frente de Gilgamesh. Com suas lágrimas fluindo como canais, Gilgamesh disse: “Ó irmão, querido irmão, por que eles estão me absolvendo em vez de meu irmão”
  7. Então Enkidu disse: “Devo agora me tornar um fantasma, para sentar com os fantasmas dos mortos, para nunca mais ver meu querido irmão? Na Floresta de Cedro onde os Grande Deuses residem, eu não matei o Cedro.”
  8. Enkidu ergueu os olhos e falou para a porta como se fosse humana: “Sua porta de madeira estúpida, sem capacidade de compreensão.”
  9. “Já com dez léguas eu selecionei a madeira para você, até que eu vi o cedro imponente. Sua madeira não tinha comparação aos meus olhos.”
  10. “Setenta e dois côvados era sua altura, catorze côvados sua largura, um côvado de sua espessura, a ombreira da porta, a pedra pivô e a tampa da coluna. Assim, eu te moldei e te carreguei até Nippur.”
  11. “Se eu soubesse, ó porta, que esta seria a sua gratidão, que esta seria sua gratidão … Eu teria pegado um machado e cortado você.”
  12. “Eu teria amarrou suas pranchas e a erguido, pois em Uruque, eles ouviram. Mesmo assim, ó porta, eu te moldei e te carreguei para Nippur!”
  13. “Que um rei que vem atrás de mim rejeite você, que o deus remova meu nome e coloque seu próprio nome lá!”
  14. Enkidu arrancou a porta e a jogou no chão enquanto Gilgamesh, ouvindo suas palavras, respondeu rapidamente, com suas lágrimas rolando.
  15. Gilgamesh dirigiu-se a Enkidu, refletindo: “Amigo, os deuses deram a você uma mente ampla e embora deva ser sensato, você continua proferindo coisas impróprias!”
  16. “Por que, meu amigo, sua mente profere coisas impróprias? O sonho é importante, mas muito assustador,
    seus lábios estão zumbindo como moscas.”
  17. “Embora haja muito medo, o sonho é muito importante. Para os vivos os deuses deixam tristeza,
    para os vivos o sonho deixa dor.”
  18. “Vou orar e implorar aos Grandes Deuses. Vou procurar e apelar para o seu deus. Ó TRONO DIVINO, Ó Pai dos Deuses, Ó Conselheiro, vou fazer uma estátua de você de ouro sem medida.”
  19. O TODO-PODEOROSO disse não pode voltar atrás, não pode. Tudo o que ele permitiu não pode voltar, não pode.
  20. Assim que o amanhecer começou a brilhar, Enkidu ergueu a cabeça e gritou para o Sol. E, ao primeiro brilho do sol, suas lágrimas derramaram.
  21. Ele disse: “Eu apelo a você, ó Sol, em nome da minha preciosa vida, por causa daquele caçador notório que não me deixou atingir o mesmo que meu amigo.”
  22. “Que o caçador não consiga o suficiente para se alimentar. Que seu lucro seja reduzido e seus salários diminuam.”
  23. Depois que ele amaldiçoou o caçador para sua satisfação, seu coração o levou a amaldiçoar a Prostituta: “Venha agora, meretriz, vou decretar o seu destino, um destino que nunca terá fim por toda a eternidade!”
  24. “Eu vou te amaldiçoar com uma grande maldição, que minhas maldições te subjuguem de repente, em um instante!
  25. Que você não seja capaz de fazer uma família nem possa amar um filho seu; Que você não habite no convívio das meninas;
  26. Que manchas de cerveja manchar seu lindo colo; Que um bêbado suje seu manto festivo com vômito;
  27. Que você nunca adquira nada de alabastro brilhante; Que a prata brilhante, o deleite do homem, não seja lançada em sua casa;
  28. Que uma porta de entrada seja onde você acumula o seu prazer; Que uma encruzilhada seja sua casa;
  29. Que um terreno baldio seja o seu lugar para dormir; Que a sombra da muralha da cidade seja seu lugar para ficar;
  30. Que os espinhos e sarças esfolem seus pés, Que tanto o bêbado quanto o sóbrio lhe deem um tapa na bochecha,
  31. Que as corujas se aninhem nas rachaduras de suas muralhas, Que nenhuma festa aconteça em sua homenagem.
  32. Quando o Sol ouviu o que sua boca havia pronunciado, de repente ele o chamou do céu: “Enkidu, por que você está amaldiçoando a prostituta, Shamhat?”
  33. “Ela que te alimentou com pão digno de um deus. Ela que te deu vinho digno de um rei. Ela que te vestiu com grandes vestes. E ela que permitiu que você fizesse o belo Gilgamesh seu parceiro!”
  34. “Agora Gilgamesh é seu querido irmão-amigo! Ele fará com que você se deite em um grande leito, fará com que você se deite em um leito de honra.”
  35. “Ele irá colocá-lo no assento de conforto, o assento à sua esquerda, para que os príncipes do mundo beijem seus pés.”
  36. “Ele fará com que o povo de Uruk entre em luto e gemendo por você, encherá as pessoas felizes de tristeza por sua causa.”
  37. “E depois de você, ele se vestirá num emaranhado sujo de pelos, vestirá a pele de um leão e vagará pelo deserto.”
  38. Assim que Enkidu ouviu as palavras do valente Sol, seu coração agitado acalmou-se, sua raiva diminuiu.
  39. Enkidu falou com a prostituta, dizendo: “Venha, Shamhat, vou decretar o seu destino para você. Que a minha boca que te amaldiçoou, volte agora para te abençoar!
  40. “Que governadores e nobres te amem; Que aquele que está a uma légua de distância morda o lábio em antecipação a você;”
  41. “Que aquele que está a duas léguas de distância sacuda nossos cabelos em preparação; Que o soldado não te recuse, mas desfaça sua fivela para você;”
  42. “Que ele lhe dê cristal de rocha, lápis-lazúli e ouro; Que o presente dele para você seja brincos de filigrana.
  43. “Que a abundância de seus suprimentos sejam empilhados. Que a esposa, mãe de sete filhos seja abandonada por sua causa! “
  44. As entranhas de Enkidu estavam se agitando, deitado lá tão sozinho. Ele falou tudo o que sentiu, dizendo ao amigo: “Ouça, meu amigo, o sonho que tive ontem à noite.”
  45. “Os céus clamaram e a terra respondeu, e eu estava entre eles. Apareceu um homem de rosto escuro – seu rosto parecia o Anzu “
  46. “As suas mãos eram as patas de um leão, as suas unhas são garras de uma águia! – ele me agarrou pelo cabelo e me dominou.”
  47. “Eu dei um golpe nele, mas ele pulou como uma corda de pular, e então ele me atingiu e me virou como uma jangada, e pisou em mim como um touro selvagem.”
  48. “Ele envolveu todo o meu corpo com uma pinça, me fazendo chorar: ‘Ajude-me, meu amigo’, mas você não me resgatou, você estava com medo e hesitou.”
  49. “Então ele me transformou em uma pomba, de modo que meus braços foram emplumados como um pássaro.”
  50. “Me agarrando, ele me levou até a Casa das Trevas, a morada de Irkalla, para a casa onde quem entra não sai, ao longo da estrada sem volta.”
  51. “Era a casa onde quem mora vive sem luz, onde sujeira é sua bebida, sua comida é de barro, onde como um pássaro, se usa roupas de penas.”
  52. “Lá, a luz não pode ser vista, pois se vive no escuro, e sobre a porta e o ferrolho há poeira.
  53. “Ao entrar na Casa do Pó, em todos os lugares que olhei, havia coroas reais reunidas aos montes, em todos os lugares que eu ouvi, havia reis que, no passado, governaram a terra.”
  54. “Mas quem agora servia aa COROA CELESTIAL e ao TRONO DIVINO carnes cozidas, servia confeitos e despejava água fria de odres.”
  55. “Na casa do Pó que entrei lá estava o sumo sacerdote e acólito, lá estava o sacerdote de purificação e em êxtase, lá estavam os sacerdotes ungidos dos Grandes Deuses.”
  56. “Lá estava Etana, lá estava Sumukan, lá estava MORTE, a Rainha do Submundo.”
  57. “Beletseri, a Escriba do Submundo, ajoelhou-se diante dela, ela estava segurando o tablete e o estava lendo para seu MORTE.”
  58. “Ela levantou a cabeça quando me viu e perguntou: ‘Quem trouxe este homem?'”
  59. Eu que passei por todas as dificuldades, lembre-se de mim e esqueça não tudo o que eu passei com você.
  60. “Meu amigo teve um sonho que é um mau presságio? O dia em que ele teve o sonho sua vida chegou ao fim.”
  61. Enkidu deitou no primeiro dia, no segundo dia, e aquele Enkidu arquejava em sua cama;
  62. Um terceiro dia e um quarto dia, que Enkidu arquejou em sua cama; Um quinto, um sexto e um sétimo, aquele Enkidu arquejou em sua cama;
  63. Um oitavo, um nono, um décimo, aquele Enkidu arquejou em sua cama. A doença de Enkidu piorava ainda mais.
  64. Enkidu levantou-se de sua cama e chamou Gilgamesh: “Meu amigo me odeia enquanto ele falava comigo em Uruk”.
  65. “Como eu estava com medo da batalha, ele me encorajou. Meu amigo que me salvou na batalha agora me abandonou!”
  66. “Com seus ruídos, Gilgamesh foi despertado. Como uma pomba, ele gemeu: “Que ele não seja detido na morte.”
  67. “Ó proeminente entre os homens. Vou chorar por ele. Eu ao lado dele vou relembrar!”

IX- Homenagem ao Falecido (Tablete 8)

  1. Assim que o dia começou a amanhecer, Gilgamesh se dirigiu ao amigo, dizendo: “Enkidu, sua mãe, a gazela, e seu pai, o burro selvagem, gerou você, quatro burros selvagens te criaram com seu leite, e os rebanhos lhe ensinaram todas as pastagens.”
  2. Que as estradas de Enkidu para a floresta de cedro chorem por você e não se calem noite ou dia.
  3. Que os anciãos da ampla cidade de Uruk-Haven fiquem de luto por você.
  4. Que os povos que deram sua bênção depois de nós fiquem de luto por você.
  5. Que os homens das montanhas e colinas chorem de luto por você.
  6. Que as pastagens gritem de luto como se fossem sua mãe.
  7. Que o cipreste e o cedro que destruímos em nossa raiva chorem de luto por você.
  8. Que o urso, hiena, pantera, tigre, búfalo d’água, Chacal, leão, touro selvagem, veado, íbex, todas as criaturas das planícies chorar por você.
  9. Que o sagrado rio Ulaja, ao longo de cujas margens costumávamos passear, chorem de luto por você.
  10. Que o puro Eufrates, para o qual liberaríamos água de nossos odres, estáluto por você.
  11. Que os homens de Uruk-Haven, que vimos em nossa batalha quando matamos o touro do céu, fiquem de luto por você.
  12. Que o fazendeiro que exalta seu nome em sua doce canção de trabalho, fique de luto por você.
  13. Que os homens da ampla cidade, que exaltam o seu nome, fiquem de luto por você.
  14. Que o pastor, que preparou manteiga e cerveja light para sua boca, fique de luto por você.
  15. Que as pessoas a quem passa pomadas nas suas costas, fiquem de luto por você.
  16. Que os cervejeiros que preparam uma boa cerveja para sua boca, fiquem de luto por você.
  17. Que a meretriz com quem você se esfregou com óleo e se sentiu bem, chore por você.
  18. Que a esposa quem colocou Um anel em você , chore por você
  19. Que os irmãos fiquem de luto por você como irmãs.
  20. Que os sacerdotes da lamentação tenham seus cabelos cortados por seu nome.
  21. Enkidu, sua mãe e seu pai estão nas terras devastadas, estão de luto por você.
  22. “Ouçam-me, ó Anciões de Uruk, ouçam-me, ó homens! Eu lamento por Enkidu, meu amigo. Eu grito de angústia como um homem em luto.
  23. Você, machado ao meu lado, tão confiável em minha mão; você, espada na minha cintura, escudo na minha frente, você, minha vestimenta festiva, uma faixa sobre meus lombos – um demônio do mal apareceu e o levou para longe de mim!
  24. Ó Meu amigo, a mula veloz, asno selvagem veloz da montanha, pantera do deserto, Ó Enkidu, meu amigo, a mula veloz, asno selvagem veloz da montanha, pantera do deserto, depois de nos juntarmos e subirmos a montanha, você  lutou contra o Touro do Céu e matou o opressor Humbaba, que vivia na Floresta de Cedro.
  25. Que sono é esse que se apoderou de você? Você ficou escuro e não me ouve. Os seus olhos não se movem. O seu coração não bate mais.
  26. Ele cobriu o rosto do amigo como uma noiva, descendo sobre ele como uma águia, e como uma leoa privada de seus filhotes ele fica andando de um lado para o outro.
  27. Ele corta seus cachos e os joga no chão, arrancando suas roupas elegantes e jogando-as fora como uma abominação.
  28. Assim que o dia começou a raiar, Gilgamesh emitiu uma chamada para a terra: “Você, ferreiro! Você, lapidário! Você, latoeiro! Você, ourives! Você, joalheiro! Criem meu amigo’, faça, uma estátua dele.”
  29. E eles fizeram uma estátua de seu amigo. Suas feições. Seu peito em de lápis-lazúli, sua pele em ouro. Eu fiz você reclinar no grande sofá, na verdade, no divã de honra, deixo você reclinar.”
  30. “Eu fiz você se sentar na posição de conforto, o assento à esquerda, para que o príncipes do mundo beijem seus pés.”
  31. “Eu fiz o povo de Uruk lamentar e chorar por você, eu enchi pessoas felizes de tristeza por você.”
  32. “E depois que você morreu eu deixei um emaranhado de cabelo imundo crescer sobre meu corpo e vesti a pele de um leão para vagar pelo deserto.”

X – Gilgamesh no Deserto (Tablete 9)

  1. Por causa de seu amigo Enkidu, Gilgamesh chorou amargamente vagando pela selva.
  2. “Eu vou morrer! – eu não sou como Enkidu? Uma profunda tristeza penetra em meu âmago.
  3. “Eu temo a morte, e agora perambulo pelo deserto – Vou partir para a região de Utanapishtim, filho de Ubartutu, e irá com a maior rapidez!”
  4. “Quando cheguei às passagens nas montanhas ao anoitecer, eu vi leões e fiquei apavorado!”
  5. “Eu levantei minha cabeça em oração à Lua, para a Grande Senhora dos deuses minhas súplicas derramadas adiante: Salve-me.”‘
  6. Gilgamesh estava dormindo durante a noite, mas acordou assustado com um sonho.
  7. Era um guerreiro que aproveitou a sua vida – ele ergueu o machado na mão, tirou a adaga de sua bainha, e caiu no meio deles como uma flecha.
  8. Ele atingiu e os espalhou. O primeiro. O segundo. Os Seres-Escorpiões na montanha se chamava Mashu.
  9. Então ele alcançou o Monte Mashu, que diariamente guarda o nascer e o pôr do Sol, acima do qual apenas a cúpula dos céus alcança, e cujo flanco chega até o Submundo abaixo.
  10. Havia seres-escorpiões vigiando seu portão. Eles inspiram terror trêmulo, vê-los é a morte, sua aura assustadora se espalha pelas montanhas.
  11. No nascer e no pôr, eles vigiam o sol. Quando Gilgamesh os viu, um terror tremendo cobriu seu rosto, mas ele se recompôs e se aproximou deles.
  12. O ser escorpião chamou sua fêmea: “Aquele que vem até nós, seu corpo é a carne dos deuses!”
  13. O ser-escorpião, sua fêmea, respondeu-lhe: “Apenas dois terços dele é um deus, um terço é humano.”
  14. O escorpião macho chamou, dizendo à descendência dos deuses: “Por que você fez uma viagem tão distante? Por que você veio aqui para mim sobre rios cuja travessia é traiçoeira?
  15. Gilgamesh respondeu: “Eu vim por causa de meu ancestral Utanapishtim, que se juntou à Assembleia dos Deuses, e recebeu a vida eterna. Sobre Morte e Vida, devo perguntar a ele!”
  16. O ser-escorpião falou com Gilgamesh, dizendo: “Nunca houve, Gilgamesh, um homem mortal que pudesse fazer isso.”
  17. “Ninguém cruzou as montanhas, por doze léguas com escuridão por toda parte. Densa são as trevas e não há luz.”
  18. Gilgamesh respondeu: “Embora eu esteja em profunda tristeza e dor, no frio ou no calor, ofegando após respirar, Eu irei! Agora, abra o portão!”
  19. O ser-escorpião falou com Gilgamesh, dizendo: “Continue, Gilgamesh, não tenha medo! As montanhas Mashu eu dou a você gratuitamente.”
  20. “As montanhas, as cordilheiras, você pode atravessar, em segurança, que seus pés o carreguem.”
  21. Assim que Gilgamesh ouviu isso, ele atendeu às declarações do ser-escorpião.
  22. Ao longo da Estrada do Sol, ele viajou uma légua. Densa era a escuridão, luz não havia nenhuma. Nem o que estava à frente nem atrás lhe permitia ver.
  23. Duas léguas que ele viajou. Densa era a escuridão, luz não havia nenhuma, nem o que estava à frente nem atrás lhe permitia ver.
  24. Três léguas que ele viajou. Densa era a escuridão, luz não havia nenhuma, nem o que estava à frente nem atrás lhe permitia ver.
  25. Quatro léguas que ele viajou. Densa era a escuridão, luz não havia nenhuma, nem o que estava à frente nem atrás lhe permitia ver.
  26. Cinco léguas que ele viajou. Densa era a escuridão, luz não havia nenhuma, nem o que estava à frente nem atrás lhe permitia ver.
  27. Seis léguas que ele viajou. Densa era a escuridão, luz não havia nenhuma, nem o que estava à frente nem atrás lhe permitia ver.
  28. Sete léguas que ele viajou. Densa era a escuridão, luz não havia nenhuma, nem o que estava à frente nem atrás lhe permitia ver.
  29. Oito léguas que ele viajou. Densa era a escuridão, luz não havia nenhuma, nem o que estava à frente nem atrás lhe permitia ver.
  30. Nove léguas que ele viajou. O Vento Norte lambeu seu rosto. Densa era a escuridão, luz não havia nenhuma, nem o que estava à frente nem atrás lhe permitia ver.
  31. Dez léguas. Onze léguas, Doze léguas ele viajou e ficou brilhante. Ele chegou onde há lápis-lazúli como folhagem, dando frutos, um deleite de se ver.

XI – Barqueiro (Tablete 10)

  1. A taberneira Siduri que mora à beira-mar, a tenda de cerâmica foi feita para ela, a cuba de fermentação dourada foi feita para ela.
  2. Ela estava coberta com um véu quando Gilgamesh estava perambulando, vestindo uma pele, tendo a carne dos deuses em seu corpo, mas a tristeza dentro dele, como alguém que viajou uma longa distância.
  3. A taberneira estava olhando para longe, intrigante para si mesma, ela disse, pensando para si mesma:
    “Esse sujeito é certamente um assassino! Para onde ele está indo?”
  4. Assim que a taberneira o viu, ela trancou a porta, trancou seu portão, trancou a fechadura.
  5. Com o barulho dela Gilgamesh aguçou os ouvidos, ergueu o queixo para olhar ao redor e então pousou os olhos nela.
  6. Gilgamesh falou com a taberneira, dizendo: “Taberneira, o que você viu que a fez fugir da sua porta, fechar o portão e fechar a fechadura?
  7. Se você não me deixar entrar eu irei quebrar sua porta, e quebrar a fechadura!
  8. Eu sou Gilgamesh, eu matei o Guardião! Eu destruí Humbaba que vivia na Floresta de Cedro! Eu matei leões nas passagens nas montanhas! Eu lutei com o touro que desceu do céu, e o matei.”
  9. O taberneiro falou com Gilgamesh, dizendo: “Se você é Gilgamesh, que matou o Guardião, que destruiu Humbaba que vivia na Floresta de Cedro, que matou leões nas passagens nas montanhas, que lutou com o touro que desceu do céu, e o matou, por que suas bochechas estão emaciadas?”
  10. “Por que sua expressão está desolada? Por que seu coração está tão miserável, suas feições tão abatidas? Por que existe tanta tristeza dentro de você?”
  11. “Por que você se parece com alguém que está viajando há muito tempo e distância como que o gelo e o calor queimaram seu rosto? Por que parece alguém que vagueia pelo deserto! “
  12. Gilgamesh falou com ela, para a dono da taverna, dizendo: “Taberneira, minhas bochechas não deveriam estar emaciadas?”
  13. “Meu coração não deveria estar miserável? Minhas feições não deveriam estar abatidas? Não deveria haver tristeza dentro de mim?”
  14. “Eu não deveria parecer alguém que está viajando há muito tempo e distância, como que o gelo e o calor não queimarem meu rosto? Eu não deveria parecer alguém que vagou pelo deserto?”
  15. “Com meu amigo, o asno selvagem que perseguia o burro selvagem, a pantera do deserto, Enkidu, nós nos juntamos e subimos a montanha.”
  16. “Nós lutamos e matamos o Touro do Céu, destruímos Humbaba que vivia na Floresta de Cedro, matamos leões nas passagens nas montanhas!”
  17. “Meu amigo, a quem amo profundamente, que passou por todas as dificuldades, Enkidu, a quem amo profundamente, que passou por todas as dificuldades comigo, o destino da humanidade o dominou!”
  18. “Seis dias e sete noites, lamentei por ele e não permitiria que ele fosse enterrado até que um verme caiu de seu nariz.”
  19. “Fiquei apavorado com a aparência dele, comecei a temer a morte e, assim, vagar pelo deserto.”
  20. “A questão do meu amigo me oprime, portanto, tenho percorrido longas trilhas no deserto. A questão de Enkidu, meu amigo, me oprime, então tenho percorrido longas estradas no deserto.”
  21. “Como posso ficar calado? como posso ficar quieto? Meu amigo a quem amo se transformou em barro.”
  22. “Eu não sou como ele? Não Vou me deitar para nunca mais me levantar? Então agora, taberneiro, qual é o caminho para Utanapishtim?”
  23. “Quais são os marcos do seu caminho? Dê-os para mim! Dê-me os marcos! Se possível, cruzarei o mar; do contrário, vagarei pelo deserto.”
  24. O taberneiro falou com Gilgamesh, dizendo: “Nunca houve, Gilgamesh, qualquer passagem, nunca houve ninguém desde os dias passados ​​que cruzou o mar.”
  25. “O único que cruza o mar é o valente Sol, exceto para quem pode atravessar!”
  26. “A travessia é difícil, seus caminhos são traiçoeiros – e no meio estão as Águas da Morte que bloqueiam suas abordagens!”
  27. “E mesmo que, Gilgamesh, você deva cruzar o mar, quando você alcança as Águas da Morte o que você faria!”
  28. “Gilgamesh, ali está Urshanabi, o barqueiro de Utanapishtim. As coisas de pedra estão com ele, ele está na floresta colhendo hortelã.”
  29. “Vá em frente, deixe-o ver seu rosto. Se possível, cruze com ele; se não, você deveria voltar. “
  30. Quando Gilgamesh ouviu isso, ele ergueu o machado na mão, tirou a adaga de seu cinto, e escapuliu furtivamente atrás deles.
  31. Como uma flecha ele caiu entre as coisas de pedra, do meio da floresta seu barulho podia ser ouvido. Urshanabi, o de olhos afiados, o viu.
  32. Quando ouviu o machado, correu em sua direção. Ele bateu com a cabeça em Gilgamesh. Ele bateu palmas e no seu peito.
  33. Urshanabi falou a Gilgamesh: “Por que suas bochechas estão emaciadas, sua expressão desolada? Por que seu coração está tão miserável, suas feições tão abatidas? Por que existe tanta tristeza dentro de você!
  34. Por que você se parece com alguém que está viajando há muito tempo distância como que o gelo e o calor queimaram seu rosto? Por que parece alguém que vagueia pelo deserto?”
  35. Gilgamesh falou com Urshanabi, dizendo: “Urshanabi, minhas bochechas não deveriam estar emaciadas? Minha expressão não deveria estar desolada?”
  36. “Meu coração não deveria estar miserável, minhas feições não estavam abatidas? Não deveria haver tristeza dentro de mim?”
  37. “Eu não deveria parecer alguém que está viajando há muito tempo e distância como que o gelo e o calor queimaram meu rosto? Não deveria parecer alguém que vagueia pelo deserto?”
  38. “Com meu amigo que perseguia burros selvagens na montanha, a pantera do deserto, Enkidu, nós nos juntamos e subimos a montanha.”
  39. “Nós lutamos e matamos o Touro do Céu, destruímos Humbaba que morava na Floresta de Cedro, matamos leões nas passagens nas montanhas!”
  40. “Meu amigo, a quem amo profundamente, que passou por todas as dificuldades, Enkidu o destino da humanidade o dominou.”
  41. “Seis dias e sete noites, lamentei por ele e não permiti que ele fosse enterrado até que um verme caiu de seu nariz.”
  42. “Fiquei apavorado com a aparência dele. Comecei a temer a morte e, assim, vagar pelo deserto.”
  43. “A questão do meu amigo me oprime, portanto, tenho percorrido longas trilhas no deserto. A questão de Enkidu, meu amigo, me oprime, então, tenho percorrido longas estradas no deserto.”
  44. “Como posso ficar em silêncio, como posso ficar parado! Meu amigo a quem amo se transformou em barro; Enkidu, meu amigo a quem amo, virou barro!
  45. “Eu não sou como ele? Vou me deitar para nunca mais me levantar! “
  46. “Agora, Urshanabi! Qual é o caminho para Utanapishtim? Quais são os marcos até ele! Dê-os para mim! Dê-me os marcos!”
  47. “Se possível, cruzarei o mar; se não, vou vagar pelo deserto!”

XII – Caminho pelo Mar (Tablete 10)

  1. Urshanabi falou com Gilgamesh, dizendo: “São suas mãos, Gilgamesh, que impedem a travessia! Você quebrou as coisas de pedra, você puxou seus cordas de retenção.”
  2. “As coisas de pedra’ foram quebradas, suas cordas de retenção puxadas!”
  3. “Gilgamesh, pegue o machado em sua mão, desça para a floresta e corte trezentas estacas de punção com sessenta côvados de comprimento cada.”
  4. “Tire-os, coloque as tampas e leve-os para o barco!”
  5. Quando Gilgamesh ouviu isso, ele pegou o machado em sua mão, tirou a adaga de seu cinto, e desceu para a floresta.
  6. Ele cortou trezentas estacas de punção com sessenta côvados de comprimento cada. Ele os despojou e colocou as tampas, e os trouxe para o barco.
  7. Gilgamesh e Urshanabi costearam o barco. Gilgamesh lançou o barco magillu ‘e eles partiram.
  8. No terceiro dia, eles viajaram um trecho de um mês e meio, e Urshanabi chegou às Águas da Morte.
  9. Urshanabi disse a Gilgamesh: “Segure-se, Gilgamesh, pegue uma vara de rebatidas, mas sua mão não deve passar sobre as águas da morte!”
  10. Pegue um segundo, Gilgamesh, um terceiro e um quarto pólo. Pegue um quinto, Gilgamesh, um sexto e um sétimo pólo.
  11. Pegue um oitavo, Gilgamesh, um nono e um décimo pólo, pegue um décimo primeiro, Gilgamesh, e um décimo segundo pólo!”
  12. Em duas vezes, sessenta hastes Gilgamesh havia usado os postes de atracação. Em seguida, ele afrouxou o pano da cintura para tirar sua roupa e o segurou no mastro com os braços.
  13. Lá estava Utanapishtim estava olhando para longe, intrigante para si mesmo, ele disse, perguntando-se: “Por que as coisas de pedra do barco se despedaçaram?
  14. “E por que alguém não é seu mestre navegando nele?”
  15. Aquele que vem não é meu homem, eu continuo procurando, procurando e procurando”
  16. Utanapishtim disse a Gilgamesh: “Por que suas bochechas estão emaciadas, sua expressão desolada? Por que seu coração está tão miserável, suas feições tão abatidas? Por que existe tanta tristeza dentro de você?
  17. “Por que você se parece com alguém que tem viajado uma longa distância como que o gelo e o calor queimaram seu rosto? Por que se parece alguém que vagueia pelo deserto?”
  18. Gilgamesh falou com Utanapishtim dizendo: “Não deveriam minhas bochechas estarem emaciadas, minha expressão desolada?”
  19. “Meu coração não deveria estar miserável, minhas feições não estavam abatidas? Não deveria haver tristeza dentro de mim?”
  20. “Eu não deveria ter a aparência de alguém que viajou uma longa distância, como que o gelo e o calor queimaram meu rosto! Não deveria eu parecer alguém que vagueia pelo deserto?”
  21. “Com meu amigo que perseguia burros selvagens na montanha, a pantera do deserto, Enkidu, nós nos juntamos e subimos a montanha.”
  22. “Nós lutamos e matamos o Touro do Céu, destruímos Humbaba que morava na Floresta de Cedro, matamos leões nas passagens nas montanhas!”
  23. “Meu amigo, a quem amo profundamente, que passou por todas as dificuldades comigo o destino da humanidade o dominou.”
  24. “Seis dias e sete noites, lamentei por ele e não permitiria que ele fosse enterrado até que um verme caiu de seu nariz.”
  25. “Fiquei apavorado com a aparência dele. Comecei a temer a morte e, assim, vagar pelo deserto. A questão do meu amigo me oprime, portanto, tenho percorrido longas trilhas no deserto.”
  26. “Como posso ficar em silêncio, como posso ficar parado? Meu amigo a quem amo se transformou em barro; Enkidu, meu amigo a quem amo, virou barro!”
  27. “Eu não sou como ele? Vou me deitar para nunca mais me levantar!”
  28. “É por isso que devo continuar, para ver Utanapishtim a quem eles chamam ‘O Distante’. “
  29. “Eu fui circulando por todas as montanhas. Eu atravessei montanhas traiçoeiras e cruzei todos os mares –
    é por isso que o doce sono não suavizou meu rosto.”
  30. “Através de esforços insones, estou tenso, meus músculos estão cheios de dor. Eu ainda não tinha chegado à área do taberneiro antes as minhas roupas acabaram.”
  31. “Eu matei urso, hiena, leão, pantera, tigre, veado, veado-vermelho e bestas do deserto. Eu comi a carne deles e enrolei suas peles em volta de mim.”
  32. “O portão da dor deve ser trancado, selado com piche e betume! Quanto a mim, dançarei. Para mim, infeliz ele vai erradicar.”
  33. Utanapishtim falou com Gilgamesh, dizendo: “Por que, Gilgamesh, você tanta. tristeza?”
  34. “Você que foi criado da carne dos deuses e da humanidade quem o fez como seu pai e sua mãe?
  35. “Eles colocaram uma cadeira na Assembleia, mas para o tolo eles deram borra de cerveja em vez de manteiga, farelo e farinha barata que gosta.”
  36. “Não tenho palavras de conselho. Tome cuidado com isso, Gilgamesh. Os deuses estão insones. Eles estão perturbados, inquietos.”
  37. “Há muito tempo foi estabelecido. Você tem trabalhado sem cessar, e o que você tem! Através do trabalho você se cansa, você enche seu corpo de tristeza, sua longa vida você está trazendo para um fim prematuro!”
  38. “A humanidade, cuja ramificação é quebrada como um junco em uma moenda. A bela jovem e adorável garota, é a morte.”
  39. “Ninguém pode ver a morte, ninguém pode ver a face da morte, ninguém pode ouvir a voz da morte, no entanto, existe uma morte selvagem que arranca a humanidade.”
  40. “Por quanto tempo vamos construir uma casa? Por quanto tempo fechamos um documento? Por quanto tempo os irmãos compartilham a herança? Por quanto tempo haverá ciúme da terra?”
  41. “Por quanto tempo o rio subiu e trouxe o transbordamento águas para que as libélulas desçam o rio?”
  42. “O rosto que poderia contemplar a face do Sol nunca existiu.  Quão semelhantes são os adormecidos e os mortos. A imagem da morte não pode ser retratada.”
  43. “Sim, você é um ser humano, um homem! Depois que o TRONO DIVINO pronunciou a bênção, a ASSEMBLEIA, os Grandes Deuses, reunidos, Mammetum, ela que forma o destino, determinou o seu destino com eles.
    Eles estabeleceram a Morte e a Vida, mas eles não divulgaram ‘os dias da morte’ ”.

XII – História do Dilúvio (Tablete 11)

  1. Gilgamesh falou com Utanapishtim, o Distante: “Eu estive olhando para você, mas sua aparência não é estranha – você é como eu!”
  2. “Você mesmo não é diferente – você é como eu! Minha mente estava decidida a lutar com você, mas em vez disso meu braço está inútil contra você.”
  3. “Diga-me, como é que você está na Assembleia dos Deuses, e como encontraram a vida eterna!”
  4. Utanapishtim falou com Gilgamesh, dizendo: “Vou revelar a você, Gilgamesh, uma coisa que está oculta, um segredo dos deuses eu vou te contar!”
  5. “Shuruppak, uma cidade que você certamente conhece, situado nas margens do Eufrates, aquela cidade era muito antiga e havia deuses dentro dela.”
  6. “Os corações dos Grandes Deuses os motivaram a infligir o Dilúvio. Seu Pai a COROA CELESTIAL proferiu o juramento de segredo.”
  7. “O valoroso TRONO DIVINO foi seu conselheiro, o COMBATE era seu servo, ANJO-PORTADOR era o ministro das comunicações. O CRIADOR, o Príncipe Inteligente, estava sob juramento com eles.”
  8. “Então ele repetiu a conversa para a Casa dos Juncos: – Casa de juncos, casa de juncos! Muralhas, muralhas!
    Ó homem de Shuruppak, filho de Ubartutu: Destrua sua casa e construa um barco!”
  9. “Abandone a riqueza e busque seres vivos! Rejeite as posses e mantenha os seres vivos vivos! Faça todos os seres vivos entrarem no barco.”
  10. “O barco que você deve construir, suas dimensões devem ser iguais entre si: o seu comprimento deve corresponder a sua largura. Faça um telhado como o PRINCÍPIO.”
  11. “Eu entendi e falei com meu senhor, o CRIADOR: Meu senhor, esta é a ordem que você proferiu. Eu atenderei e o farei. Mas o que devo responder à cidade, à população e ao Anciãos?”
  12. “O CRIADOR falou, ordenando a mim, seu servo: Isto é o que você deve dizer a eles: Parece que o TRONO DIVINO está me rejeitando então não posso residir na cidade, nem pisar na terra do TRONO DIVINO.”
  13. “Eu irei descer para o PRINCÍPIO para viver com meu senhor, o CRIADOR, e sobre você ele vai chover abundância, uma profusão de aves, uma miríade de peixes.”
  14. “Ele vai trazer para você uma colheita de riqueza, pela manhã, ele deixará os pães derramarem, e à noite uma chuva de trigo!”
  15. “Assim que o amanhecer começou a brilhar sobre a terra montada ao meu redor, o carpinteiro carregava sua machadinha, o trabalhador de junco carregava sua pedra.”
  16. “A criança ganhou o campo, os fracos traziam tudo o mais que fosse necessário. No quinto dia, expus seu exterior.”
  17. “Era um campo na área, suas muralhas tinham dez vezes doze côvados de altura, os lados de seu topo eram de igual comprimento, dez vezes mais côvados cada.”
  18. “Eu coloquei sua estrutura interior e fiz um desenho dela. Eu lhe dei seis andares, assim, dividindo-a em sete níveis.”
  19. O interior dele eu dividi em nove compartimentos. Coloquei tampões para impedir a entrada de água em sua parte do meio.”
  20. “Eu cuidei dos postes e coloquei o que era necessário. Três vezes 3.600 unidades de betume bruto eu derramei no forno de betume, três vezes 3.600 unidades de piche coloquei nele;
  21. “Havia três vezes 3.600 cargas de tonéis que carregavam legumes, óleo de mesa, além de 3.600 (unidades de óleo que foram consumidos e duas vezes 3.600 unidades de óleo que o barqueiro armazenou longe.”
  22. Eu abati bois para a carne, e dia após dia eu massacrava ovelhas.
  23. Eu dei aos trabalhadores cerveja, cerveja, azeite e vinho, como se fosse água do rio, para que eles pudessem fazer uma festa como o Festival de Ano Novo.
  24. O barco foi terminado ao pôr do sol. O lançamento foi muito difícil. Eles tiveram que continuar carregando uma linha de colunas da frente para trás, até que dois terços dele foram para a água.
  25. O que quer que eu tenha, carreguei nele: qualquer prata que eu tinha, carreguei nele, qualquer ouro que eu tinha, carreguei nele.
  26. Todos os seres vivos que eu carreguei nele, eu tinha todos os meus amigos e parentes subindo no barco,
    todas as feras e animais do campo e os artesãos tinha subido.
  27. O Sol havia estabelecido um tempo determinado: “De manhã, vou deixar os pães caírem, e à noite uma chuva de trigo!”
  28. “Entre no barco, feche a entrada! Esse tempo declarado havia chegado. De manhã, ele deixou que os pães caíssem, e à noite uma chuva de trigo.”
  29. “Eu observei a aparência do clima – o tempo estava horrível de se ver! Entrei no barco e fechei a entrada.”
  30. “Para a calafetagem do barco, para Puzuramurri, o barqueiro, eu dei o palácio junto com seu conteúdo.”
  31. “Assim que o amanhecer começou a brilhar surgiu do horizonte uma nuvem negra.”
  32. “O TROVÃO retumbou dentro dele, antes dele foram o RAIO e o RELÂMPAGO, arautos que vão sobre a montanha e a terra.”
  33. “Erragal puxou os postes de amarração, adiante foi o COMBATE que fez os diques transbordarem.  Os deuses da ASSEMBLEIA ergueras as tochas, incendiando a terra com seu clarão.”
  34. O choque atordoado sobre as ações do TROVÃO alcançou os céus, e transformou em escuridão tudo o que havia sido luz. A terra se espatifou como numa panela.
  35. Durante todo o dia o Vento Sul soprou, soprando rápido, submergindo a montanha na água, oprimindo as pessoas como um ataque.
  36. Ninguém podia ver seu companheiro, eles não podiam se reconhecer no tormenta.
  37. Os deuses ficaram assustados com o Dilúvio, e recuaram, ascendendo ao céu de Anu.
  38. Os deuses estavam se encolhendo como cães, agachados perto da muralha externa.
  39. A JUSTIÇA gritou como uma mulher no parto, a doce voz da Senhora dos Deuses lamentou: “Os velhos tempos infelizmente se transformaram em argila, porque eu disse coisas más na Assembleia dos Deuses!”
  40. “Como eu poderia dizer coisas más na Assembleia dos Deuses? Como pude ordenar que uma catástrofe destruísse meu povo!”
  41. “Mal dei à luz, meu querido povo enchem o mar como tantos peixes!'”
  42. Os deuses – os da ASSEMBLEIA – choravam com ela, os deuses humildemente sentaram-se chorando, soluçando de tristeza, seus lábios queimando, ressecados de sede.
  43. Seis dias e sete noites veio o vento e a inundação, a tempestade achatando a terra.
  44. Quando o sétimo dia chegou, a tempestade estava forte, o dilúvio era como uma guerra.
  45. As águas lutavam contra si mesmas como uma mulher contorcendo-se em trabalho de parto.

XIII – Segredo da Imortalidade (Tablete 11)

  1. “O mar se acalmou, parou, o redemoinho (e) a enchente parou. Eu olhei ao redor o dia todo – o silêncio tinha se estabelecido e todos os seres humanos se transformaram em barro!”
  2. O terreno era plano como um telhado. Eu abri um respiradouro e o ar fresco caiu ao lado do meu nariz.
  3. Eu caí de joelhos e fiquei chorando, lágrimas escorrendo pelo lado do meu nariz.
  4. Eu olhei ao redor em busca de litorais na extensão do mar, e a doze léguas surgiu uma região de terra seca.
  5. No Monte Nimush, o barco ficou firme. O monte Nimush segurou o barco, não permitindo nenhum balanço.
  6. Um dia e um segundo monte Nimush segurou o barco, permitindo sem influência.
  7. Um terceiro dia, um quarto, o Monte Nimush segurou o barco, permitindo sem influência.
  8. Um quinto dia, um sexto, o Monte Nimush segurou o barco, permitindo sem influência.
  9. Quando um sétimo dia chegou enviei uma pomba e a soltei. A pomba saiu, mas voltou para mim. Nenhum poleiro estava visível, então ele circulou de volta para mim.
  10. Enviei um andorinha e a soltei. A andorinha saiu, mas voltou para mim. Nenhum poleiro estava visível, então ele circulou de volta para mim.
  11. Enviei um corvo e o soltei. O corvo saiu e viu as águas deslizarem de volta. Ele comeu, arranhou, balançou, mas não circulou de volta para mim.
  12. Então eu enviei tudo em todas as direções e sacrifiquei uma ovelha. Ofereci incenso na frente do templo da montanha.
  13. Sete e sete vasos de culto que coloquei no lugar e no fogo em suas tigelas eu derramei juncos, cedro e murta.
  14. Os deuses cheiraram o sabor, os deuses sentiram o doce sabor, e se juntaram como moscas sobre um sacrifício de ovelhas.
  15. Só então a MONTANHA SAGRADA  chegou. Ela ergueu as grandes moscas que a COROA CELESTIAL havia feito para
    seu prazer.
  16. Ele disse: “Vocês deuses, tão certo quanto eu não esquecerei este lápis-lazúli em volta do meu pescoço, que eu me lembre desses dias e nunca os esqueça!
  17. Os deuses podem vir para a oferta de incenso, mas o TRONO DIVINO pode não vir para a oferta de incenso, porque sem considerar ele provocou o Dilúvio e condenou meu povo à aniquilação.”
  18. Só então o TRONO DIVINO chegou. Ele viu o barco e ficou furioso, ele estava cheio de raiva dos ANJOS CAÍDOS: “Onde um ser vivo escapou? Nenhum homem sobreviveria à aniquilação!”
  19. O COMBATE falou com o valete TRONO DIVINO, dizendo: “Quem mais além do CRIADOR poderia inventar tal coisa? É o CRIADOR quem conhece todas as maquinações!”
  20. La falou com valoroso TRONO DIVINO, dizendo: “É seu, ó Valente, que é o Sábio dos Deuses.”
  21. “Como, como você poderia causar um Dilúvio sem considerar cobrar a violação ao infrator, acusar a ofensa ao ofensor.”
  22. Mas seja compassivo para que a humanidade não seja eliminada, seja paciente para que não sejam mortos.”
  23. Em vez de trazer o Dilúvio, quem dera que um leão tivesse aparecido para diminuir o povo! Em vez de trazer o Dilúvio, quem dera que um lobo tivesse aparecido para diminuir o povo!
  24. Em vez de trazer o Dilúvio, quem dera a fome tivesse ocorrido para matar a terra!  Em vez de trazer o Dilúvio, quem dera a pestilência aparecesse para devastar a terra!
  25. Não fui eu quem revelou o segredo dos Grandes Deuses. Eu apenas fiz um sonho aparecer para Atrahasis, e assim ele ouviu o segredo dos deuses. Agora, então! A deliberação deve ser sobre ele! ‘
  26. O TRONO DIVINO subiu dentro do barco e, agarrando minha mão, me fez subir.
  27. Ele fez minha esposa subir e se ajoelhar ao meu lado. Ele tocou nossa testa e, ficando entre nós, ele nos abençoou:
  28. “Antes, Utanapishtim era um ser humano, mas agora Utanapishtim e sua esposa se tornaram como nós, os deuses! Que Utanapishtim resida longe, na Foz dos Rios”.
  29. Eles nos levaram para longe e nos estabeleceram na Foz dos Rios. Agora então, quem vai convocar os deuses em seu nome para que encontre a vida que procura?
  30. Ele mandou esperar. Não deveria me deitar por seis dias e sete noites. E assim que me sentei com a cabeça entre as pernas o sono, como uma névoa, soprou sobre mim.
  31. Utanapishtim disse a sua esposa: “Olha lá! O homem, o jovem que queria a vida eterna! O sono, como uma névoa, soprou sobre ele.”
  32. A sua esposa disse a Utanapishtim, o Distante: “Toque-o, deixe o homem acordar. Deixe-o voltar em segurança pelo caminho que veio. Que ele volte para sua terra pelo portão pelo qual ele saiu.”
  33. Utanapishtim disse a sua esposa: “A humanidade é enganosa e irá enganá-lo.”
  34. “Venha, assar pães para ele e continuar colocando-os em sua cabeça e desenhe na parede cada dia que ele se deitar.”
  35. Ela assou seus pães e os colocou perto de sua cabeça e marcou na parede o dia em que se deitou.
  36. O primeiro pão foi ressecado, o segundo envelhecido, o terceiro úmido, o quarto ficou branco, o quinto brotou cinza mofado, o sexto ainda estava fresco; o sétimo – de repente ele o tocou e o homem acordou.
  37. Gilgamesh disse a Utanapishtim: “No exato momento em que o sono estava caindo sobre mim você me tocou e me alertou!”
  38. Utanapishtim respondeu a Gilgamesh, dizendo: “Olhe aqui, Gilgamesh, conte seus pães! Você deve estar ciente do que está marcado na parede!”
  39. Gilgamesh disse a Utanapishtim, o Distante: “Ai, o que devo fazer, Utanapishtim, para onde irei?
  40. O ladrão tomou conta da minha carne, no meu quarto mora a morte, e onde quer que eu pise lá também está a Morte! A Casa de mãos vazias”.
  41. Utanapishtim disse a Urshanabi, o barqueiro: “Que o porto os rejeite, que a balsa os rejeite! Que você, que costumava caminhar por suas margens, tenha suas margens negadas!”
  42. O homem na frente de quem você anda, de correntes de cabelos emaranhadas, em seu seu corpo, peles de animais arruinaram sua bela pele.
  43. Leve-o embora, Urshanabi, leve-o para a o local da limpeza. Deixe-o lavar o cabelo emaranhado em água como ellu.
  44. Que ele jogue fora sua pele de animal e faça com que o mar a carregue, deixe seu corpo ser umedecido com óleo fino, deixe o envoltório em torno de sua cabeça ser feito novo, deixe-o usar mantos reais dignos dele!
  45. Até que ele vá para sua cidade, até que ele saia em seu caminho, que seu manto real não fique manchado, que seja perfeitamente novo! “
  46. Urshanabi o levou embora e o levou para o local da limpeza. Ele lavou seu cabelo emaranhado com água como ellu. Ele jogou fora sua pele de animal e o mar a carregou.
  47. Ele umedeceu seu corpo com óleo fino, e fez um novo envoltório para sua cabeça. Ele vestiu um manto real digno dele.
  48. Até que ele foi embora para sua cidade, até que ele partiu em seu caminho, seu manto real permanecia imaculado, estava perfeitamente limpo.
  49. Gilgamesh e Urshanabi costearam com barco, eles largaram o barco magillu e partiram.

XIV – Segredo da Imortalidade (Tablete 11)

  1. A esposa de Utanapishtim, o Distante, disse a esposo: “Gilgamesh veio aqui exausto e exausto. O que você pode dar a ele para que ele possa retornar à sua terra com honra?”
  2. Então Gilgamesh ergueu a coluna de atracagem e levou  o barco para a costa.
  3. Utanapishtim falou com Gilgamesh, dizendo: “Gilgamesh, você veio aqui exausto e exausto. O que posso te dar para que você possa voltar para sua terra?”
  4. “Vou revelar a você uma coisa que está escondida, Gilgamesh. Eu vou te dizer onde há uma planta como um espinheiro, cujos espinhos espetarão sua mão como uma rosa.”
  5. “Se suas mãos alcançarem essa planta, você se tornará um jovem homem de novo.”
  6. Ao ouvir isso, Gilgamesh abriu um caminho para o PRINCÍPIO e colocou pedras pesadas em seus pés.
  7. Eles o arrastaram para baixo, para o PRINCÍPIO o puxaram. Ele pegou a planta, que picou sua mão e cortou as pedras pesadas de seus pés, deixando as ondas jogá-lo em suas margens.
  8. Gilgamesh falou com Urshanabi, o barqueiro, dizendo: “Urshanabi, esta planta é uma planta contra a decadência pelo qual um homem pode alcançar sua sobrevivência.”
  9. Vou levá-la para Uruk-Haven e pedir a um velho que coma a planta para testá-la.
  10. O nome da planta será: ‘O velho se torna um homem jovem. Então vou comê-la e voltar à condição de minha juventude. “
  11. A vinte léguas, eles pararam para comer alguma coisa. A trinta léguas, eles pararam para passar a noite.
  12. Vendo uma nascente e como suas águas estavam frias, Gilgamesh desceu e se banhou na água.
  13. Uma serpente cheirou a fragrância da planta, silenciosamente subiu e carregou a planta.
  14. Enquanto voltava, ele se desprendeu de seu invólucro. Por isso, Gilgamesh sentou-se, chorando, suas lágrimas escorrendo pelo lado do nariz.
  15. Ele disse: “Aconselhe-me, ó barqueiro Urshanabi! Por quem meus braços trabalharam, Urshanabi? Por quem turvou o sangue do meu coração?”
  16. “Eu não garanti nenhuma boa ação para mim, mas fiz uma boa ação para o ‘leão da terra’!
  17. “Agora as marés estão correndo a vinte léguas de distância, como eu estava abrindo o caminho, eu virei meu equipamento para lá”
  18. “O que posso encontrar para servir como um marco Para mim? Voltarei da viagem por mar e deixarei o barco pela costa!”
  19. A vinte léguas, eles pararam para comer alguma coisa, a trinta léguas, eles pararam para passar a noite. Eles chegaram a Uruk-Haven. Gilgamesh disse a Urshanabi, o barqueiro: “Suba, Urshanabi, na muralha de Uruk e dê uma volta.”
  20. “Examine sua fundação, inspecione sua alvenaria completamente – não é (nem mesmo o núcleo) a estrutura de tijolo do tijolo queimado no forno, e os próprios Sete Sábios não delinearam seu plano!”
  21. “Uma légua cidade, uma légua de jardins de palmeiras, uma légua de planícies, três léguas de área aberta do Templo da JUSTIÇA, e a área aberta de Uruk que ela envolve.”

 

Ereshkigal = MORTE

Ishara = NÚPCIA

Shamash = SOL

Sin = LUA

Ishtar = JUSTIÇA

Aja = ALVORADA

Igigi = ANJOS CAÍDOS

Egalmah = TEMPLO DO GRANDE PALÁCIO

Adad = TROVÃO

Shullat = RAIO

Hanish = RELÂMPAGO

Erragal = MONTANHA

Ennugi = ANJO-PORTADOR

Beletili = MONTANHA SAGRADA

Mammetum = DESTINO