Cristãos Primeiro

Livro dos Cristãos I

I – Introdução

  1. As setenta semanas anunciadas pelo profeta Daniel se concretizaram. A cidade e o lugar santo foram destruídos pelo povo do novo governante. O fim veio como uma inundação: Guerras continuaram até o fim e desolações foram decretadas. [Daniel 9:26]
  2. A aliança feita pelo Messias se encerrou. Foi dado fim ao sacrifício e à oferta. E numa ala do templo o sacrilégio terrível foi colocado, até que chegou sobre ele o fim que lhe estava decretado. [Daniel 9:27]
  3. Mas deve-se saber que de tal maneira brilhou por aqueles dias o ensinamento da fé no Messias, que até os escritores alheios à sua doutrina não deixaram de transmitir em suas narrativas a perseguição e os martírios que então ocorreram. [Eusébio 3.18.4]
  4. O apóstolo João, irmão e companheiro no sofrimento, no Reino e na perseverança em Jesus, estava exilado na ilha de Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. [Apocalipse 1:9]
  5. Eram os tempos do imperador Tito, que participou do triunfo de seu pai Vespasiano César e foi censor com ele. Foi também seu colega no poder de tribunais e em sete consulados. [Suetônio 11.6.1]
  6. Ele assumiu o desempenho de quase todas as funções, ditou cartas pessoalmente e escreveu editais em nome de seu pai; e até mesmo leu seus discursos no Senado no lugar de um questor. [Suetônio 11.6.1]
  7. Ele também assumiu o comando da guarda pretoriana e neste cargo conduziu-se de maneira um tanto arrogante e tirânica. [Suetônio 11.6.1]
  8. Pois sempre que olhava para alguém com suspeita, enviava secretamente membros da Guarda aos vários teatros e campos para exigir sua punição [Suetônio 11.6.1]
  9. E assim ele os tirava do caminho sem demora. [Suetônio 11.6.1]
  10. Entre eles estava Aulo Cecina, um ex-cônsul, que ele convidou para jantar e ordenou que fosse esfaqueado quase antes de sair da sala de jantar; [Suetônio 11.6.1]
  11. Ele incorreu em tal ódio na época que dificilmente alguém subiu ao trono com uma reputação tão má ou tão contra os desejos de todos. [Suetônio 11.6.1]
  12. Além da crueldade, ele também era suspeito de uma vida turbulenta, já que prolongava suas festas pela noite com os mais pródigos de seus amigos; [Suetônio 11.7.1]
  13. Também era suspeito de luxúria por causa de suas tropas de catamitas e eunucos; e possuia uma paixão notória pela rainha judia Berenice, a quem se disse que ele prometeu casamento. [Suetônio 11.7.1]
  14. Ele também era suspeito de ganância; pois era bem sabido que colocou um preço em sua influência e aceitou subornos. [Suetônio 11.7.1]
  15. Em suma, todos pensavam e declaravam abertamente que ele seria um segundo Nero. [Suetônio 11.7.1]
  16. Mas essa fama resultou em sua vantagem e deu lugar ao mais alto elogio, pois nenhuma falha foi descoberta no seu reinado, mas, pelo contrário, encontrou-se altas virtudes. [Suetônio 11.7.1]
  17. Seus banquetes eram mais agradáveis ​​do que extravagantes. [Suetônio 11.7.2]
  18. Ele escolheu como assessores cujos imperadores seguintes também mantiveram como indispensáveis ​​para si próprios e para o Estado, e de cujos serviços fizeram uso especial. [Suetônio 11.7.2]
  19. Ele enviou Berenice para fora de Roma imediatamente contra a vontade dela e dele. [Suetônio 11.7.2]
  20. Alguns dos amantes mais queridos de Berenice, embora fossem dançarinos habilidosos que se tornaram favoritos do palco, ele não apenas deixou de estimar e até compareceu a suas apresentações. [Suetônio 11.7.2]
  21. Ele não tirou nada de nenhum cidadão, respeitando a propriedade alheia, se é que alguém o fez; [Suetônio 11.7.3]
  22. Na verdade, nem mesmo aceitou presentes adequados e habituais. [Suetônio 11.7.3]
  23. No entanto, houve muitos desastres terríveis durante seu reinado. [Suetônio 11.8.2]
  24. Houve a erupção do Monte Vesúvio na Campânia e um incêndio em Roma que continuou por três dias; e uma praga como dificilmente se conhecia antes. [Suetônio 11.8.2]
  25. Os acontecimentos notáveis e terríveis na Campânia aconteceram assim. [Cassio Dio 66.21.1]
  26. O monte Vesúvio está contra Neápolis perto do mar e possui fontes de fogo inesgotáveis. [Cassio Dio 66.21.1]
  27. Uma vez que era igualmente alto em todos os pontos e o fogo subia do centro dele; pois apenas aqui os incêndios eclodiam. [Cassio Dio 66.21.1]
  28. Todas as partes externas da montanha permaneciam até então intocadas pelo fogo. [Cassio Dio 66.21.1]
  29. Consequentemente, como o exterior nunca é queimado e a parte central está constantemente reduzida a cinzas quebradiças, os seus picos mantinham sua altura original. [Cassio Dio 66.21.2]
  30. E assim toda a parte em chamas, tendo sido consumida, ao longo do tempo se estabilizou e tornou-se côncava; assemelhando-se a um teatro de caça. [Cassio Dio 66.21.2]
  31. Suas alturas periféricas sustentavam árvores e vinhas em abundância, mas a cratera era entregue ao fogo que soltava fumaça durante o dia e uma chama à noite. [Cassio Dio 66.21.3]
  32. Na verdade, dava a impressão de que nele estavam sendo queimadas grandes quantidades de incenso de todos os tipos. [Cassio Dio 66.21.3]
  33. Isso, agora, acontecia o tempo todo, às vezes em maior proporção, às vezes em menor extensão. [Cassio Dio 66.21.3]
  34. Muitas vezes a montanha jogava cinzas sempre que havia assentamento extenso no interior e descarregava pedras sempre que era rasgada por uma violenta rajada de ar. [Cassio Dio 66.21.3]
  35. Também rugia por suas aberturas não estarem todas agrupadas, sendo estreitas e ocultas. [Cassio Dio 66.21.3]
  36. Assim é o Vesúvio, e esses fenômenos costumavam ocorrer ali todos os anos. [Cassio Dio 66.22.1]
  37. Mas todas as outras ocorrências que ali ocorreram ao longo do tempo, por mais notáveis ​​e incomuns que fossem, seriam consideradas triviais em comparação ao que por fim aconteceu. [Cassio Dio 66.22.1]

II – Vesúvio

  1. Depois de secas terríveis, terremotos repentinos e violentos ocorreram, de modo que toda a planície ao redor fervilhava e os cumes saltavam no ar. [Cássio Dio 66.22.3]
  2. Havia estrondos frequentes, alguns subterrâneos, que pareciam trovões, e alguns na superfície, que soavam como berros; o mar também se juntou ao rugido e o céu o ecoou novamente. [Cássio Dio 66.22.3]
  3. Então de repente um estrondo portentoso foi ouvido, como se as montanhas estivessem caindo em ruínas; [Cássio Dio 66.22.3]
  4. Primeiro grandes pedras foram atiradas para o alto, subindo até o cume, depois veio uma grande quantidade de fogo e fumaça sem fim, [Cássio Dio 66.22.4]
  5. Toda a atmosfera foi obscurecida e o sol totalmente escondido, como se eclipsado. [Cássio Dio 66.22.4]
  6. O grande tremor de terra já havia sido notado por muitos dias antes, o que não alarmava muito, pois esta era uma ocorrência bastante comum na Campânia. [Plínio LXVI]
  7. Mas foi tão violento naquela noite que não só sacudiu as casas, como derrubou tudo que havia nela sobre as pessoas. [Plínio LXVI]
  8. No dia seguinte, embora ainda fosse manhã, a luz ainda estava excessivamente fraca e duvidosa quando os edifícios ao redor cambalearam outra vez. [Plínio LXVI]
  9. Mesmo quem estava em terreno aberto, ou em lugar era estreito e confinado, não havia como permanecer sem perigo iminente: portanto, muitos decidiram deixar a cidade. [Plínio LXVI]
  10. Uma multidão em pânico seguiu e, como para uma mente perturbada pelo terror, toda sugestão parece mais prudente do que a sua, esta se pressionou em densa formação empurrando-se para frente para sair da cidade. [Plínio LXVI]
  11. Estando a uma distância conveniente das casas, ficaram todos parados em meio de uma cena mais perigosa e terrível. [Plínio LXVI]
  12. As carruagens, que eram puxadas, estavam tão agitadas para a frente e para trás que mesmo em terreno plano, não se mantinham firmes, mesmo que as sustentassem com grandes pedras. [Plínio LXVI]
  13. O mar parecia girar sobre si mesmo e ser expulso de suas margens pelo movimento convulsivo da terra; é certo que pelo menos a costa foi consideravelmente alargada, e vários animais marinhos foram deixados sobre ela. [Plínio LXVI]
  14. Do outro lado, uma nuvem negra e terrível, quebrada por clarões rápidos que iam e vinham, revelava atrás de si massas de chamas de formas variadas. [Plínio LXVI]
  15. Estas últimas eram como relâmpagos, mas muito maiores. Diante disso, muitos disseram: Quem deseja sobreviver, por que atrasar a fuga um só momento? Não voltem para buscar mais nada ou ninguém! [Plínio LXVI]
  16. A nuvem começou a descer e cobrir o mar. Já havia cercado e oculto a ilha de Capri e o promontório de Miseno. [Plínio LXVI]
  17. As mães imploravam e insistiam na fuga dos filhos, cuja juventude permitia que se movessem mais rápido, a ficar com elas que eram mais idosas e corpulentas, pois morreriam de bom grado se eles se salvassem. [Plínio LXVI]
  18. Os mais jovem se recusavam terminantemente a deixá-las; e segurando-as pela mão, as obrigavam a lhes acompanhar não sem a relutância e a censura delas. [Plínio LXVI]
  19. As cinzas começaram a cair sobre todos, inicialmente em pequena quantidade; mas aqueles que olhavam para trás enxergavam uma densa névoa escura que parecia os seguir, espalhando-se pelo país como as nuvens. [Plínio LXVI]
  20. Uns diziam: Vamos sair da estrada enquanto ainda podemos ver, por medo de que, se cairmos na estrada, seremos empurrados até a morte no escuro das multidões que lhes seguem. [Plínio LXVI]
  21. Mal tinham se sentado quando a escuridão caiu sobre eles, não como quando o céu está nublado ou quando não há lua, mas a de um quarto quando está fechado e todas as luzes apagadas. [Plínio LXVI]
  22. Era possível ouvir os gritos das mulheres, os gritos das crianças e os gritos dos homens; alguns chamando pelos filhos, outros pelos pais, outros pelos maridos. [Plínio LXVI]
  23. Procuravam se reconhecer pelas vozes que respondiam. Uns lamentavam seu próprio destino, outros o destino de sua família. [Plínio LXVI]
  24. Alguns desejavam morrer, pelo próprio medo de morrer. Outros levantavam as mãos para os seus deuses; mas a maior parte estava convencida de que agora estes deuses não mais existiam. [Plínio LXVI]
  25. Era noite interminável noite final da qual ouviram falar que havia chegado ao mundo. Entre estes havia alguns que aumentaram os terrores reais por outros imaginários ou inventados deliberadamente. [Plínio LXVI]
  26. Alguns declararam que uma parte de Míseno havia caído e que a outra estava em chamas; era falso, mas eles encontraram pessoas para acreditar neles. [Plínio LXVI]
  27. Agora ficava mais claro, que o novo clarão não era o retorno do dia como imaginavam ser. mas o precursor de uma explosão de chamas que se aproximava. [Plínio LXVI]
  28. O fogo caiu sobre os que fugiam. Em seguida os que sobreviviam novamente estavam imersos em escuridão densa e uma chuva pesada de cinzas choveu sobre eles. [Plínio LXVI]
  29. Estes eram obrigados a se levantar para se livrar das cinzas sobre o corpo, caso contrário, seriam esmagados e enterrados na pilha. [Plínio LXVI]
  30. O único consolo durante toda essa cena de horror para reter os suspiros ou as expressões de medo era a aparência de que toda a humanidade estava envolvida na mesma calamidade, e que estavam morrendo com o próprio mundo. [Plínio LXVI]
  31. A escuridão terrível foi dissipada aos poucos, como uma nuvem ou fumaça; o dia real voltou, e até o sol brilhou, embora com uma luz lúgubre, como quando se aproxima um eclipse. [Plínio LXVI]
  32. Cada objeto que se apresentava aos olhos fraquejados dos sobreviventes parecia mudado, coberto de cinzas como se fosse neve. [Plínio LXVI]
  33. O terremoto ainda continuou, enquanto muitas pessoas frenéticas corriam para cima e para baixo aumentando suas próprias calamidades e as de seus amigos por meio de previsões terríveis. [Plínio LXVI]
  34. Aqueles que a viram o fenômeno de longe descreveram como uma nuvem, de cuja montanha era incerta, a qualquer distância, mas se descobriu posteriormente que vinha do Monte Vesúvio. [Plínio LXV]
  35. Estava subindo, a aparência da qual não se pode dar uma descrição mais exata do que compará-la a um pinheiro. [Plínio LXV]
  36. Isso porque atingiu uma grande altura na forma de um tronco muito alto e se espalhava no topo em uma espécie de galhos. [Plínio LXV]
  37. Essa forma ocasionada pela súbita rajada de ar que a impeliu ter diminuído sua força a medida que avançou para cima, ou pela própria nuvem que foi pressionada de volta pelo seu próprio peso. [Plínio LXV]
  38. Aparentava cores ora claras e ora escuras com manchas conforme estava mais ou menos impregnado de terra e cinzas. [Plínio LXV]
  39. Sopros de enxofre dispersaram sobre a região e matou muitos que estavam próximo instantaneamente, sufocados por algum vapor grosseiro e nocivo, sobre as gargantas fracas, muitas vezes inflamadas. [Plínio LXV]
  40. Assim o dia se transformou em noite e a luz em trevas. [Cássio Dio 6.23.1]
  41. Alguns pensaram que os gigantes estavam se levantando novamente em revolta, [Cássio Dio 6.23.1]
  42. Pois nessa época também muitas de suas formas podiam ser discernidas na fumaça e  um som de trombeta foi ouvido. [Cássio Dio 6.23.1]
  43. Outros acreditavam que todo o universo estava sendo resolvido em caos ou fogo. [Cássio Dio 6.23.1]

III – Tito

  1. Quando o desastre do Vesúvio aconteceu, fugiram, uns das casas para as ruas, outros de fora para as casas, ora do mar à terra e ora da terra ao mar; [Cássio Dio 6.23.2]
  2. Pois em sua excitação eles consideravam qualquer lugar onde não estivessem mais seguros do que onde estavam. [Cássio Dio 6.23.2]
  3. Enquanto isso acontecia, uma quantidade inconcebível de cinzas foi soprada cobrindo o mar e a terra e enchendo todo o ar. [Cássio Dio 6.23.3]
  4. Ela causou muitos danos de vários tipos, conforme o acaso se abateu, para os homens, fazendas e gado, e em particular destruiu todos os peixes e pássaros. [Cássio Dio 6.23.3]
  5. Além disso, enterrou duas cidades inteiras, Herculano e Pompéia, esta última local enquanto sua população estava sentada no teatro. [Cássio Dio 6.23.3]
  6. De fato, a quantidade de poeira, tomadas todas juntas, foi tão grande que parte dela atingiu a África e a Síria e o Egito, e também atingiu Roma, enchendo o ar acima e escurecendo o sol. [Cássio Dio 6.23.3]
  7. Aí também se gerou não pouco medo, que durou vários dias, pois o povo não sabia e não podia imaginar o que tinha acontecido. [Cássio Dio 6.23.4]
  8. Mas, como os que estavam por perto, acreditaram que o mundo inteiro estava virando de cabeça para baixo, que o sol estava desaparecendo na terra e que a terra estava sendo elevada ao céu. [Cássio Dio 6.23.4]
  9. Essas cinzas, agora, não causaram grande dano aos romanos na época, embora mais tarde trouxessem uma terrível pestilência sobre eles. [Cássio Dio 6.23.4]
  10. No entanto, uma segunda conflagração, acima do solo, no ano seguinte espalhou-se por grandes áreas de Roma, [Cássio Dio 6.24.1]
  11. O imperador Tito estava ausente na Campânia para cuidar da catástrofe que se abatera sobre aquela região. [Cássio Dio 6.24.1]
  12. O desastre consumiu o templo de Serápis, o templo de Ísis, o Saepta, o templo de Netuno, as Termas de Agripa, o Panteão, o Diribitorium, o teatro de Balbo, o palco do teatro de Pompeu, os edifícios de Otaviano junto com seus livros, e o ​​templo de Júpiter Capitolino com seus templos circundantes. [Cássio Dio 6.24.2]
  13. Portanto, o desastre parecia não ser de origem humana, mas divina; [Cássio Dio 6.24.2]
  14. Qualquer um pode estimar, pela lista de edifícios citados, quantos outros devem ter sido destruídos. [Cássio Dio 6.24.3]
  15. Tito, consequentemente, enviou dois ex-cônsules aos Campanianos para supervisionar a restauração da região, [Cássio Dio 6.24.3]
  16. E concedeu aos habitantes não apenas presentes gerais em dinheiro, mas também a propriedade daqueles que perderam suas vidas e não deixaram herdeiros. [Cássio Dio 6.24.3]
  17. Quanto a si mesmo, ele não aceitou nada de nenhum cidadão, cidade ou rei, embora muitos continuassem oferecendo e prometendo grandes somas; [Cássio Dio 6.24.4]
  18. Ele restaurou todas as regiões danificadas de fundos já disponíveis. [Cássio Dio 6.24.4]
  19. A maior parte do que fez não se caracterizou por nada digno de nota, mas ao dedicar o teatro de caça e as termas que levam seu nome, ele produziu muitos espetáculos notáveis. [Cássio Dio 6.25.1]
  20. Ele encenou batalhas de infantaria; também entre grous e entre quatro elefantes. [Cássio Dio 6.25.1]
  21. Animais domesticados e selvagens foram mortos em número de nove mil. [Cássio Dio 6.25.1]
  22. Ele encheu este mesmo teatro com água; onde colocou cavalos, touros e outros animais domesticados que foram ensinados a se comportar na água. [Cássio Dio 6.25.2]
  23. Ele trouxe pessoas em navios, que travaram uma batalha naval. [Cássio Dio 6.25.3]
  24. Também houve exposição de gladiadores; caça aos animais selvagens; e corrida de cavalos. [Cássio Dio 6.25.4]
  25. Esses foram os jogos que foram oferecidos e continuaram por cem dias. [Cássio Dio 6.25.4]
  26. Ele jogava no teatro, do alto, pequenas bolas de madeira com inscrições variadas, que designavam algum artigo de comida, roupa, vasos de prata ou talvez de ouro; também cavalos, animais de carga, gado ou escravos. [Cássio Dio 6.25.5]
  27. Aqueles que os apreenderam deveriam levá-los aos distribuidores da generosidade de quem receberiam o artigo nomeado. [Cássio Dio 6.25.5]
  28. No dia seguinte, no consulado de Flávio e Pólio, após a dedicação dos edifícios mencionados, ele faleceu no mesmo bebedouro que fora palco da morte do pai. [Cássio Dio 6.26.1]
  29. O imperador não entendeu que os sofrimentos humanos não devem ser esquecidos por meio dos prazeres humanos. [Cássio Dio 6.26.1]
  30. O relato comum é que Tito foi posto fora do caminho por seu irmão Domiciano, que conspirou contra ele. [Cássio Dio 6.26.2]
  31. Alguns escritores afirmam que ele morreu de morte natural, mas a tradição é que, enquanto ainda respirava, tinha chance de recuperação. [Cássio Dio 6.26.2]
  32. Mas Domiciano, para apressar seu fim, colocou-o numa banheira lotada de quantidade de neve, fingindo que a doença exigia. [Cássio Dio 6.26.2]
  33. De qualquer forma, Domiciano cavalgou para Roma enquanto Tito ainda estava vivo, entrou no acampamento e recebeu o título e a autoridade de imperador. [Cássio Dio 6.26.3]
  34. Tito, ao morrer, disse: “Só cometi um erro.”, querendo dizer que seu erro foi que não matou seu irmão quando o encontrou conspirando abertamente contra ele. [Cássio Dio 6.26.4]
  35. Por isso, acabou sofrendo esse destino nas mãos de seu rival e entregou o império a um homem como Domiciano, cujo caráter ficaria claro nos anos seguintes. [Cássio Dio 6.26.4]
  36. Tito governou dois anos, dois meses e vinte dias. [Cássio Dio 6.26.4]

IV – Domiciano

  1. Os seguidores do Messias lembraram-se de suas palavras antes de sua morte iminente no lugar chamado Getsêmani onde prostrou-se com o rosto em terra e orou: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres”. [Mateus 26:39]
  2. Então, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. “Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora?” [Mateus 26:40]
  3. “Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”.  [Mateus 26:41]
  4. Ele retirou-se outra vez para orar: “Meu Pai, se não for possível afastar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade”.  [Mateus 26:42]
  5. Quando voltou, de novo os encontrou dormindo, porque seus olhos estavam pesados”. [Mateus 26:43]
  6. Então os deixou novamente e orou pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. [Mateus 26:44]
  7. Depois voltou aos discípulos e lhes disse: “Vocês ainda dormem e descansam? Chegou a hora! Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos de pecadores”. [Mateus 26:45]
  8. “Levantem-se e vamos! Aí vem aquele que me trai! [Mateus 26:46]
  9. Enquanto ele ainda falava, chegou Judas, um dos Doze. Com ele estava uma grande multidão armada de espadas e varas, enviada pelos chefes dos sacerdotes e líderes religiosos do povo. [Mateus 26:47]
  10. O traidor havia combinado um sinal com eles, dizendo-lhes: “Aquele a quem eu saudar com um beijo, é ele; prendam-no”. [Mateus 26:48]
  11. Dirigindo-se imediatamente a Jesus, Judas disse: “Salve, Mestre! “, e o beijou. [Mateus 26:49]
  12. Jesus perguntou: “Amigo, que é que o traz? ” Então os homens se aproximaram, agarraram Jesus e o prenderam.[Mateus 26:50]
  13. Um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou a espada e feriu o servo do sumo sacerdote, lhe decepando a orelha. [Mateus 26:51]
  14. Disse-lhe Jesus: “Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão. [Mateus 26:52]
  15. A devoção, o sacrifício e a misericórdia do Messias serviu de exemplo para os seus seguidores pelos anos de terrível perseguição que sofreriam com o novo imperador. [Eusébio 3.13]
  16. Pois, no segundo ano do reinado de Tito César, o bispo Lino, que ocupou a cadeira do apóstolo Pedro em Roma por doze anos, entregou seu ofício a Anencleto antes de Tito ser sucedido por seu irmão Domiciano. [Eusébio 3.13]
  17. No décimo segundo ano do reinado de Domiciano, Clemente sucedeu a Anencleto após este ter sido bispo da Igreja de Roma também por doze anos. [Eusébio 3.15]
  18. O apóstolo Paulo em sua epístola aos filipenses informa que Clemente era um dos seus companheiros de trabalho. [Eusébio 3.15]
  19. Existe uma epístola deste Clemente que é reconhecida como genuína e é de considerável extensão e de notável mérito. Ele a escreveu em nome da igreja de Roma para a igreja de Corinto. [Eusébio 3.16]
  20. Esta epístola também foi usada publicamente em muitas igrejas, tanto nos tempos antigos como nos atuais, onde uma revolta aconteceu na igreja de Corinto na época referida. [Eusébio 3.16]
  21. Durante seu reinado, o Domiciano César mostrou grande crueldade para com muitos e condenou injustamente à morte um grande número de homens bem-nascidos e notáveis de Roma. [Eusébio 3.17]
  22. Ele exilou sem causa e confiscou a propriedade de muitos outros homens ilustres, finalmente se tornando o sucessor de Nero no seu ódio e inimizade para com Deus. [Eusébio 3.17]

IV – Clemente

  1. Ele foi o segundo imperador que perseguiu os discípulos do Messias. Foi diferente do seu pai Vespasiano e seu irmão Tito que não fez nada que os prejudicasse. [Eusébio 3.17]
  2. Durante esta perseguição, o apóstolo e evangelista João, que ainda estava vivo, foi condenado a habitar na ilha de Patmos por causa de seu testemunho da palavra divina. [Eusébio 3.18]
  3. A tal ponto, de fato, o ensino da fé no Messias floresceu naquela época que mesmo os escritores que estavam longe dessa religião não hesitaram em mencionar a perseguição e os martírios que aconteceram nela. [Eusébio 3.18]
  4. No décimo quinto ano de Domiciano, Flávia Domitila, a sobrinha de um dos cônsules de Roma chamado Flávio Clemente, foi exilada com muitos outros para a ilha de Pôntica em consequência de testemunho prestado em nome do Messias. [Eusébio 3.18]
  5. Quando este mesmo Domiciano ordenou que os descendentes de Davi fossem mortos, os pagãos acusaram os descendentes do irmão do Messias chamado Judas, alegando que eram da linhagem de Davi e parentes do próprio Messias.  [Eusébio 3.19]
  6. Da família do Messias ainda viviam dois netos do seu  irmão Judas segundo a carne. Foi dada informação de que eles pertenciam à família de Davi, e foram levados ao Imperador Domiciano pelos Evocatos. [Eusébio 3.20]
  7. Domiciano temia a vinda de Cristo como Herodes também a temia; e perguntou-lhes se eram descendentes de Davi, e eles confessaram que eram. [Eusébio 3.20]
  8. Em seguida, perguntou-lhes quantos bens possuíam, ou quanto dinheiro eles possuíam. [Eusébio 3.20]
  9. Ambos responderam que tinham apenas nove mil denários, metade dos quais pertenciam a cada um deles. [Eusébio 3.20]
  10. E isto não consistia em prata, mas em um pedaço de terra que continha apenas trinta e nove acres, e de que eles aumentaram seus impostos e se sustentaram com seu próprio trabalho.” [Eusébio 3.20]
  11. Então, eles mostraram suas mãos, exibindo a dureza de seus corpos e a insensibilidade produzida em suas mãos pelo trabalho contínuo, como evidência de seu próprio trabalho. [Eusébio 3.20]
  12. Quando eles foram questionados sobre Cristo e seu reino, de que tipo era, onde e quando deveria aparecer, eles responderam que não era um reino temporal nem terreno. [Eusébio 3.20]
  13. Era um reino celestial e angelical, que apareceria no fim dos tempos, quando ele virá em glória para julgar os vivos e os mortos, e dar a cada um segundo as suas obras. [Eusébio 3.20]
  14. Ao ouvir isso, Domiciano não os julgou, mas, desprezando-os por nada, deixou-os ir e, por decreto, pôs fim à perseguição à Igreja. [Eusébio 3.20]
  15. Mas quando foram libertados, eles governaram as igrejas porque eram testemunhas e também parentes do Senhor. E a paz sendo estabelecida, eles viveram até a época do imperador Trajano. [Eusébio 3.20]
  16. Domiciano realmente possuía uma parte da crueldade de Nero, fazendo a mesma coisa que este fez, mas logo cessou, e até mesmo absolveu daqueles a quem ele havia banido. [Eusébio 3.20]
  17. As perseguições foram assim interrompidas por quinze anos enquanto durou o reinado de Domiciano, mas o imperador Nerva que o sucedeu votou que os benefícios de Domiciano fossem anulados. [Eusébio 3.20]
  18. Neste tempo de trégua, aqueles que haviam sido injustamente banidos deveriam retornar para suas casas e ter seus bens restaurados a eles. [Eusébio 3.20]
  19. Foi nessa época que o apóstolo João voltou de seu exílio na ilha de Patmos e passou a morar em Éfeso. [Eusébio 3.20]
  20. O retorno das perseguições, no entanto, levaram ao martírio do Bispo Clemente de Roma, que era o terceiro a suceder o apóstolo Pedro após os episcopado de Lino e Anencleto. [Tradição]
  21. O novo imperador Trajano ouviu falar de Clemente e ordenou que fosse apreendido e levado diante dele. Em seguida, ordenou que ele adorasse os ídolos e negasse o Senhor Cristo, mas Clemente recusou. [Tradição]
  22. Como o Imperador temia torturá-lo diante do povo da cidade e de sua família, ele o exilou aos trabalhos forçados nas minas de cobre de Galípoli. [Tradição]
  23. Clemente ainda converteu muitos presos com quem conviveu no exílio e por isso o governador da região amarrou seu pescoço a uma âncora e o lançou ao mar. [Tradição]
  24. Assim, o santo entregou seu espírito puro e recebeu a coroa do martírio. [Tradição]

V – Trajano

  1. No terceiro ano do reinado do imperador Trajano, antes de morrer, Clemente confiou o governo episcopal da igreja de Roma a Evaresto, e partiu desta vida após ter supervisionado o ensino da palavra divina por nove anos ao todo. [Eusébio 3.34]
  2. Ele ocupou o cargo por oito anos até ser sucedido por Alexandre que se tornou o quinto na linha de sucessão dos apóstolos Pedro e Paulo. [Eusébio 4.1]
  3. No entanto, as perseguições continuaram por todo o império Romano durante o governo de muitos dos césares que se seguiram. [Eusébio 4.1]
  4. Em correspondência, o governador Plínio da Bitínia trata da questão religiosa com o imperador Trajano. [Eusébio 4.1]
  5. Neste tempo, as religiões oficiais romanas estavam praticamente abandonadas em sua província por causa na crença do Messias que se expandira enormemente. [Eusébio 4.1]
  6. Ele escreveu ao imperador: “Senhor, tenho por praxe, submeter-te todos os assuntos sobre os quais tenho dúvidas, pois quem melhor poderia orientar-me em minhas incertezas ou me instruir na minha ignorância? [Plínio]
  7. Nunca participei de inquéritos contra os cristãos. Assim, ignoro, pois, as penalidades e instruções costumeiras, e em que medidas devem ser aplicadas penas ou investigações judiciárias. [Plínio]
  8. Estou diante de algumas questões, não sem perplexidade: deve-se considerar algo com relação à idade, ou as crianças devem ser tratada da mesma forma que os adultos? [Plínio]
  9. Cabe o mesmo tratamento aos enfermos e aos saudáveis? [Plínio]
  10. Deve-se perdoar o que se retrata ou, se um homem uma vez tenha sido Cristão, nada de bom faz ele para deixar de ser um? [Plínio]
  11. É punido simplesmente por ser um “cristão”, mesmo sem crimes, ou apenas os delitos associados ao nome devem ser punidos? [Plínio]
  12. Esta foi a regra que eu segui diante dos que me foram deferidos como cristãos: eu interroguei estes como se eles fossem Cristãos. [Plínio]
  13. Aqueles que confessaram eu interroguei uma segunda e uma terceira vez, ameaçando-os com o suplicio. [Plínio]
  14. Aqueles que persistiram eu ordenei executá-los pois eu não tinha dúvida de que, independentemente da natureza do seu credo, a teimosia e a obstinação inflexível deveriam ser punidas. [Plínio]
  15. Outros, possuídos da mesma loucura, mas sendo eles cidadãos romanos, eu assinei uma ordem para que fossem colocados no rol dos que devem ser enviados a Roma. [Plínio]
  16. Bem cedo, como geralmente acontece em casos semelhantes, espalharam-se acusações, de modo que meu tribunal está inundado com uma grande variedade de casos, por causa dos procedimentos em curso.
  17. Recebi uma denúncia anônima, contendo grande número de nomes. [Plínio]
  18. Aqueles que negaram que foram ou haviam sido Cristãos, se invocassem os deuses segundo a fórmula que havia estabelecido, se fizessem sacrifícios para a tua imagem e se amaldiçoassem ao Cristo, estes achei melhor libertá-los. [Plínio]
  19. Outros, cujos nomes haviam sido fornecidos por um denunciante, disseram ser cristãos e depois o negaram: haviam sido e depois deixaram de serem, alguns a cerca de três anos antes, outros tanto quanto vinte e cinco anos. [Plínio]
  20. Todos veneraram a tua imagem e as estátuas dos deuses, amaldiçoando a Cristo. [Plínio]
  21. Eles alegaram, contudo, que a soma e substância de seu crime não passava do costume de se encontrarem em um dia fixo antes do amanhecer. [Plínio]
  22. Eles cantavam um hino a Cristo como a um deus e se comprometiam por juramento a não perpetuar qualquer crime, roubos, latrocínios e adultérios; a não faltar com a palavra dada; e não negar um depósito exigido na justiça. [Plínio]
  23. Findos estes ritos, tinham o costume de se separarem e de se reunirem novamente para uma refeição. [Plínio]
  24. Este, aliás, era um alimento comum e inofensivo, sendo que tinham renunciado a esta prática após a publicação de um edito que promulguei, segundo as tuas ordens, que se proibia as associações secretas. [Plínio]
  25. Então achei necessário arrancar a verdade, por meio da tortura, de duas escravas que eram chamadas diaconisas.  [Plínio]
  26. Assim, julguei necessário para descobrir qual era a verdade sob tortura destas duas escravas que eram chamadas de diaconisas. Mas descobri nada mais que uma superstição irracional e sem medida. [Plínio]
  27. Por isso, suspendi o inquérito para recorrer ao teu conselho. O assunto pareceu-me digno de merecer tua opinião, especialmente por causa do grande número de acusados. [Plínio]
  28. Há uma multidão de todas as idades, de todas as condições e de ambos os sexos, que estão ou estarão em perigo, pois o contágio desta superstição se espalhou não só nas cidades mas também nas vilas e fazendas. [Plínio]
  29. Contudo creio ser possível contê-la e exterminá-la. [Plínio]
  30. “É bem claro que os templos, que estavam quase desertos, até a pouco, começam a ser novamente frequentados.” [Plínio]
  31. “Os ritos religiosos estabelecidos, que haviam sido interrompidos há muito tempo, estão sendo retomados.” [Plínio]
  32. “Os animais para o sacrifício voltam a serem vendidos e estão chegando de todos os lugares, que até então havia muitos poucos compradores.” [Plínio]
  33. “Por isso é fácil concluir que uma multidão de pessoas pode ser reformada se for aceito o arrependimento delas.” [Plínio]
  34. O imperador respondeu ao questionamento do governador da Bitínia da seguinte forma. [Plínio]
  35. Ele falou: “Você observou o procedimento adequado, meu querido Plínio, nos casos daqueles que lhe foram denunciados como Cristãos. Não cabe formular regra dura e inflexível, de aplicação universal. [Plínio]
  36. Eles não devem ser procurados; mas se são denunciados e provada a sua culpa, eles devem ser punidos, exceto se negarem sua religião e mediante a adoração dos deuses. [Plínio]
  37. Caso demonstre não o ser atualmente, ainda que esteve sob suspeita no passado, deve ser perdoado em recompensa de sua emenda. [Plínio]
  38. As acusações postas anonimamente não devem ter lugar em qualquer prossecução por ser um tipo perigoso de precedente e fora de sintonia com o espírito de nossos tempos.” [Plínio]

VI – Adriano e Bar Kokhbar

  1. Apesar da perseguição dos imperadores que se seguiu, a Igreja do Salvador floresceu e progrediu dia a dia.
  2. No entanto, as calamidades aos judeus aumentaram e eles sofreram uma sucessão constante de males. [Eusébio 4:2]
  3. No décimo oitavo ano do reinado de Trajano, houve outra perturbação dos judeus, através da qual uma grande multidão deles morreu. [Eusébio 4:2]
  4. Pois em Alexandria e no resto do Egito, e também em Cirene, como se incitados por algum espírito terrível e faccioso, precipitaram-se em medidas sediciosas contra seus conterrâneos gregos. [Eusébio 4:2]
  5. A insurreição aumentou muito e, no ano seguinte, enquanto Lúpus era governador de todo o Egito, evoluiu para uma guerra de magnitude não média. [Eusébio 4:2]
  6. No primeiro ataque, eles venceram os gregos, que fugiram para Alexandria. Aprisionaram e mataram os judeus que estavam na cidade. [Eusébio 4:2]
  7. Mas os judeus de Cirene, embora privados de sua ajuda, continuaram a saquear a terra do Egito e a devastar seus distritos, sob a liderança de Lucuas. [Eusébio 4:2]
  8. Contra eles, o imperador enviou Marcius Turbo com uma força de pé e naval e também com uma força de cavalaria. [Eusébio 4:2]
  9. Ele travou a guerra contra eles por muito tempo e travou muitas batalhas, e matou muitos milhares de judeus, não apenas dos de Cirene, mas também daqueles que moravam no Egito e tinham vindo em auxílio de seu rei Lucuas. [Eusébio 4:2]
  10. Mas o imperador, temendo que os judeus da Mesopotâmia também atacassem os habitantes daquele país, ordenou a Lúcio Quinto que limpasse a província deles. [Eusébio 4:2]
  11. E ele, tendo marchado contra eles, matou uma grande multidão dos que moravam ali; e em conseqüência de seu sucesso foi feito governador da Judéia pelo imperador. [Eusébio 4:2]
  12. Esses eventos são registrados também nessas mesmas palavras pelos historiadores gregos que escreveram relatos daquela época. [Eusébio 4:2]
  13. Outra guerra ainda pior ocorreu nos tempos do novo imperador Adriano César, que sucedeu o anterior que governou por dezoito anos.
  14. Aconteceu que, em Jerusalém, Adriano César fundou uma cidade no lugar daquela que havia sido arrasada, batizando-a de Aelia Capitolina, e no local do templo de Deus, ele ergueu um novo templo para Júpiter. [Cassius Dio 69.12.1]
  15. Isso trouxe uma guerra sem importância nem de curta duração. [Cassius Dio 69.12.1]
  16. Os judeus consideraram intolerável que raças estrangeiras se estabelecessem em sua cidade sagrada e rituais religiosos estrangeiros fossem plantados lá. [Cassius Dio 69.12.2]
  17. Assim, enquanto Adriano César esteve por perto no Egito e novamente na Síria, eles permaneceram quietos. [Cassius Dio 69.12.2]
  18. No entanto, eles propositadamente forjavam armas de baixa qualidade quando obrigados a fazê-lo, a fim de que os romanos pudessem rejeitá-las e eles próprios podem assim ter o uso deles. [Cassius Dio 69.12.2]
  19. Enfim, quando Adriano partiu para mais longe, eles se revoltaram abertamente. [Cassius Dio 69.12.2]
  20. Os judeus sediciosos não ousaram confrontar os romanos em campo aberto, mas ocuparam posições vantajosas no país e as fortaleceram com tuneis subterrâneos e muros. [Cassius Dio 69.12.3]
  21. Eles se refugiavam sempre nesses locais sempre que fortemente pressionados e se escondiam assim sob a terra; pois perfuraram essas passagens subterrâneas em intervalos para deixar entrar ar e luz. [Cassius Dio 69.12.3]
  22. No início, os romanos não os levaram em conta. Logo, porém, toda a Judeia foi agitada, e os judeus em todos os lugares estavam mostrando sinais de perturbação. [Cassius Dio 69.13.1]
  23. Eles se reuniam e davam provas de grande hostilidade aos romanos, em parte por meio de atos secretos e em parte por atos abertos. [Cassius Dio 69.13.1]
  24. Muitas nações de fora, também, estavam se juntando a eles pela ânsia de ganho, e toda a terra, quase se poderia dizer, estava sendo agitada sobre o assunto. [Cassius Dio 69.13.2]
  25. Então, de fato, Adriano enviou contra eles seus melhores generais. O primeiro deles foi Júlio Severo, que foi enviado da Grã-Bretanha, onde era governador, contra os judeus. [Cassius Dio 69.13.2]
  26. O general Severo não se aventurou a atacar seus oponentes abertamente em qualquer ponto, em vista de sua quantidade e seu desespero, mas interceptava pequenos grupos, graças ao número de seus soldados e seus suboficiais. [Cassius Dio 69.13.3]
  27. Privando-os de comida e fechando-os, ele foi capaz, de forma lenta, mas com relativo pouco perigo, de esmagá-los, exauri-los e exterminá-los. Muito poucos deles de fato sobreviveram. [Cassius Dio 69.13.3]
  28. Cinquenta de seus postos avançados mais importantes e novecentos e oitenta e cinco de suas aldeias mais famosas foram arrasados. [Cassius Dio 69.14.1]
  29. Quinhentos e oitenta mil homens foram mortos em vários ataques e batalhas, e o número daqueles que pereceram de fome, doença e fogo estava além de ser descoberto. [Cassius Dio 69.14.1]
  30. Assim, quase toda a Judeia ficou desolada, um resultado do qual o povo tinha prevenido antes da guerra.[Cassius Dio 69.14.2]
  31. O túmulo de Salomão, que os judeus consideram um objeto de veneração, caiu em pedaços e desabou, e muitos lobos e hienas precipitaram-se uivando para suas cidades. [Cassius Dio 69.14.2]
  32. Muitos romanos, além disso, pereceram nesta guerra. Portanto, Adriano, ao escrever ao Senado, não empregou a frase inicial comumente afetada pelos imperadores: “Se você e seus filhos estão com saúde, está bem; eu e as legiões estamos com saúde.” [Cassius Dio 69.14.3]

VII – Martírios

  1. Houveram evangelistas que eminentes nesta época.  Entre os que foram celebrados naquela época estava Quadrato. Era conhecido junto com as filhas de Filipe por seus dons proféticos. [Eusébio 3.37]
  2. Havia muitos outros além destes que eram conhecidos naqueles dias e que ocuparam o primeiro lugar entre os sucessores dos apóstolos. [Eusébio 3.37]
  3. Eles também, sendo discípulos ilustres de tais grandes homens, construíram os alicerces das igrejas que haviam sido lançadas pelos apóstolos em todos os lugares. [Eusébio 3.37]
  4. Pregaram o Evangelho cada vez mais amplamente e espalharam as sementes salvadoras do reino dos céus longe e perto em todo o mundo.
  5. A maior parte dos discípulos daquela época, animados pela palavra divina com um amor mais ardente pela filosofia, já haviam cumprido a ordem do Salvador e distribuído seus bens aos necessitados. [Eusébio 3.37]
  6. Depois, partindo para longas viagens, desempenhavam o papel de evangelistas, estando cheios do desejo de pregar Cristo aos que ainda não tinham ouvido a palavra da fé e de lhes entregar os Evangelhos divinos. [Eusébio 3.37]
  7. E quando eles apenas lançaram os fundamentos da fé em lugares estrangeiros, eles nomearam outros como pastores. [Eusébio 3.37]
  8. Confiaram-lhes o cuidado daqueles que haviam sido recentemente trazidos, enquanto eles próprios voltavam para outros países e nações, com o graça e a cooperação de Deus. [Eusébio 3.37]
  9. Muitas obras maravilhosas foram realizadas por meio deles, pelo poder do Espírito divino. [Eusébio 3.37]
  10. Ao ouvirem pela primeira vez, multidões inteiras de homens abraçaram avidamente a religião do Criador do universo. [Eusébio 3.37]
  11. Mas, uma vez que é impossível para enumerar os nomes de todos os que se tornaram pastores ou evangelistas nas igrejas em todo o mundo na era imediatamente posterior aos apóstolos.
  12. A perseguição contra a fé cristão continuou, mas todos seguiram os ensinamentos do Messias no que ficou para posteridade conhecido como o Sermão do Monte.
  13. O mestre disse: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. [Mateus 5:38-39]
  14. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. [Mateus 5:40]
  15. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. [Mateus 5:41]
  16. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado”. [Mateus 5:42]
  17. “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’, mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. [Mateus 5:43-44]
  18. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. [Mateus 5:45]
  19. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso! E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! [Mateus 5:46-47]
  20. Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês”.  [Mateus 5:48]
  21. Em Jerusalém, uma perseguição foi incitada contra os seguidores do Messias em certas cidades em consequência do levante popular entre os judeus. [Eusébio 3.32]
  22. Simão, segundo bispo de Jerusalém, que sucedeu Tiago, o irmão do Senhor, foi acusado por eles nessa época. Ele manteve os ensinamentos do Messias. [Eusébio 3.32]
  23. Uma vez que estava claro que ele era um cristão, ele foi torturado de várias maneiras por muitos dias e surpreendeu até o próprio juiz e seus assistentes no mais alto grau. [Eusébio 3.32]
  24. Simeão fora um daqueles que viram e ouviram o Senhor, a julgar pela extensão de sua vida e pelo fato de que o Evangelho faz menção a Maria, a esposa de Clopas, que era o pai de Simeão. [Eusébio 3.32]
  25. A igreja até então havia permanecido uma virgem pura e não corrompida, pois, se houvesse quem tentasse corromper a norma sã da pregação de salvação, eles permaneceriam até então escondida em trevas obscuras. [Eusébio 3.32]
  26. Mas quando o sagrado colégio dos apóstolos sofreu a morte de várias formas, e a geração daqueles que foram considerados dignos de ouvir a sabedoria inspirada com seus próprios ouvidos morreu. [Eusébio 3.32]
  27. Então o erro dos ímpios teve seu surgimento como resultado da loucura dos mestres heréticos, porque nenhum dos apóstolos ainda vivia, as heresias se propagaram. [Eusébio 3.32]
  28. Escreveu-se também a respeito dos mártires e do bem-aventurado Policarpo, que fez a perseguição cessar, selando-a com seu martírio. [Policarpo 1.1]
  29. Quase todos os acontecimentos se realizaram para que o Senhor nos mostrasse novamente um martírio segundo o Evangelho. [Policarpo 1.1]
  30. De fato, como o Senhor, ele esperou ser libertado, para que também nós nos tornássemos seus imitadores, não olhando só para nós, mas também para o próximo. [Policarpo 1.2]
  31. É próprio do amor verdadeiro e firme querer salvar não só a si mesmo, mas também a todos os irmãos. [Policarpo 1.2]
  32. Felizes e generosos todos os mártires que surgem segundo a vontade de Deus. De fato, é necessário que tenhamos fé, para atribuir a Deus o poder sobre todas as coisas. [Policarpo 2.1]
  33. Quem não admiraria a generosidade deles, a perseverança e o amor ao Senhor? [Policarpo 2.2]
  34. Dilacerados pelos flagelos a ponto de ser ver a constituição do corpo até as veias e artérias, permaneciam firmes, enquanto os presentes choravam de compaixão. [Policarpo 2.2]
  35. A sua coragem chegou a tal ponto que nenhum deles disse uma palavra ou emitiu um gemido. Eles mortravam em seus corpos, mas que o Senhor, aí presente, conservava com eles. [Policarpo 2.2]
  36. Atentos à graça de Cristo, eles desprezavam as torturas deste mundo e adquiriram, em uma hora, a vida eterna. O fogo dos torturadores desumanos era frio para eles. [Policarpo 2.3]
  37. De fato, tinham diante dos olhos escapar do fogo eterno, que jamais se extingue; com os olhos do coração olhavam os bens reservados à perseverança, [Policarpo 2.3]
  38. Era, bens que o ouvido não ouviu, nem o olho viu, nem o coração do homem sonhou, mostrados pelo Senhor àqueles que não que não eram mais homens, mas que já eram anjos. [Policarpo 2.3]
  39. Do mesmo modo, os que foram entregues às feras suportaram suplícios terríveis. [Policarpo 2.4]
  40. Estendidos sobre conchas, eram submetidos a todo tipo de tormentos, para que fossem induzidos a renegar, se possível, por meio do suplício contínuo. [Policarpo 2.4]

VIII – Prisão de Policarpo

  1. O diabo maquinava muitas coisas contra eles; graças a Deus, porém, não prevaleceu contra nenhum deles. [Policarpo 3.1]
  2. O generoso governador Germânico fortalecia a timidez deles através de sua perseverança. Ele foi admirável na luta contra as feras. O procônsul queria que ele cedesse e lhe dizia que tivesse piedade de sua própria juventude. [Policarpo 3.1]
  3. Ele, porém, atiçando a fera, a chamava para si, desejando estar quanto antes livre desta vida injusta e iníqua. [Policarpo 3.1]
  4. Então, a multidão toda, admirada diante da coragem da piedosa e crente geração dos cristãos, gritou: “Abaixo os ateus! Trazei Policarpo.” [Policarpo 3.2]
  5. Um dentre eles, chamado Quinto, frígio recentemente vindo da Frígia, ficou apavorado à vista das feras. Era ele que havia forçado a si mesmo e a outros e a comparecerem ao tribunal. [Policarpo 4.1]
  6. O procônsul, através de muita insistência, conseguiu persuadi-lo a jurar e sacrificar. Por isso, irmãos, não louvamos aqueles que se apresentam espontaneamente, pois não é isso que o Evangelho ensina. [Policarpo 4.1]
  7. Quanto a Policarpo, ele inicialmente não se perturbou ao ouvir isso, mas quis permanecer na cidade. A maioria, porém, o persuadiu a se afastar. [Policarpo 5.1]
  8. Então ele se refugiou numa propriedade pequena, não longe da cidade, e passou o tempo com poucos companheiros. [Policarpo 5.1]
  9. Noite e dia, ele não fazia senão rezar por todos e por todas as igrejas do mundo, como era seu costume. [Policarpo 5.1]
  10. Rezando, ele teve uma visão, três dias antes de o prenderem: viu seu travesseiro queimado pelo fogo. Voltando-se para os seus companheiros, disse: “Devo ser queimado vivo!” [Policarpo 5.2]
  11. Como persistiam em procurá-lo, transferiu-se para outra pequena propriedade, e logo chamaram os que o procuravam. [Policarpo 6.1]
  12. Não o encontrando, prenderam dois pequenos escravos, e um deles torturado confessou. Era-lhe, de fato, impossível permanecer escondido, porque até mesmo os de sua casa o traíram. [Policarpo 6.1]
  13. O chefe da polícia, que tinha recebido o nome de Herodes, tinha pressa em levá-lo para o estádio, a fim de que Policarpo realizasse o seu destino, entrando em comunhão com Cristo, enquanto aqueles que o tinham estregue recebessem o castigo do próprio Judas. [Policarpo 6.1]
  14. Numa sexta-feira, pela honra da ceia, guardas e cavaleiros, armados como de costume, tomaram consigo o escravo e partiram, como se estivessem perseguindo um bandido. [Policarpo 7.1]
  15. Chegando pela noite, encontraram-no deitado num pequeno quarto do piso superior. Ele podia ainda fugir daí para outro lugar, mas não quis, e disse: “Seja feita a vontade de Deus”. [Policarpo 7.1]
  16. Ouvindo que tinham chegado, Policarpo desceu e conversou com eles, que ficaram espantados com a sua idade venerada, com a sua calma, e com tanta preocupação por capturar um homem tão velho. [Policarpo 7.2]
  17. Ele imediatamente mandou que lhes dessem de comer e beber à vontade, e pediu que lhe concedessem uma hora para rezar tranquilamente. E lhe concederam. [Policarpo 7.2]
  18. Então ele, de pé, começou a rezar, tão repleto da graça de Deus, que por duas horas ninguém pôde interrompê-lo. Os que ouviam ficaram espantados, e muitos se arrependeram de ter vindo prender um velho tão santo. [Policarpo 7.3]
  19. Quando por fim terminou de rezar, lembrou-se de todos aqueles que tinha conhecido, pequenos e grandes, ilustres e obscuros, e de toda a Igreja Católica espalhada por toda a terra. [Policarpo 8.1]
  20. Chegando a hora de partir, fizeram-no montra sobre um jumento e o levaram para a cidade. Era o dia do grande sábado. [Policarpo 8.1]
  21. Herodes, o chefe da polícia, e seu pai Nicetas foram até ele. Fizeram-no subir ao seu carro e, sentando-se ao seu lado, procuravam persuadi-lo, dizendo: “Que mal há em dizer que César é o Senhor, oferecer sacrifícios e fazer tudo o mais para salvar-se?” [Policarpo 8.2]
  22. De início, ele nada respondeu. Como insistissem, ele falou: “Não farei o que vós estais me aconselhando.” [Policarpo 8.2]
  23. Não conseguindo persuadi-lo, lançaram-no todo tipo de injúrias, e o fizeram descer do carro tão apressadamente que ele se feriu na parta da frente da perna. [Policarpo 8.3]
  24. Sem se voltar, como se nada houvesse acontecido, ele caminhou alegremente em direção ao estádio. Aí o tumulto era tão grande que ninguém conseguia escutar ninguém. [Policarpo 8.3]
  25. Quando Policarpo entrou no estádio, veio do céu uma voz, dizendo: “Sê forte, Policarpo! Sê homem!” Ninguém viu quem tinha falado, mas alguns dos nossos que estavam presentes ouviram a voz. [Policarpo 9.1]
  26. Finalmente o fizeram entrar e, quando souberam que Policarpo fora preso, levantou-se grande tumulto. [Policarpo 9.1]
  27. Levado até o procônsul, este lhe perguntou se ele era Policarpo. Respondeu que sim. [Policarpo 9.2]
  28. O procônsul procurava fazê-lo renegar, dizendo: “Pensa na tua idade”, e tudo o mais que se costumava dizer, como: “Jura pela fortuna de César! Muda teu modo de pensar e dize: ‘Abaixo os ateus!’” [Policarpo 9.2]
  29. Policarpo, contudo, olhava severamente toda a multidão de pagãos cruéis no estádio, fez um gesto para ela com a mão suspirou, elevou os olhos e disse: “Abaixo os ateus!” [Policarpo 9.2]
  30. O chefe da polícia insistia: “Jura, e eu te liberto. Amaldiçoa o Cristo!”
  31. Policarpo respondeu: “Eu o sirvo há oitenta e seis anos, e ele não me fez nenhum mal. Como poderia blasfemar o meu rei que me salvou?” [Policarpo 9.3]
  32. Ele continuava a insistir, dizendo: “Jura pela fortuna de César!” [Policarpo 10.1]
  33. Policarpo respondeu: “Se tu pensas que vou jurar pela fortuna de César, como dizes, e finges ignorar quem sou eu, escuta claramente: eu sou cristão. Se queres aprender a doutrina doa cristianismo, concede-me um dia e escuta.” [Policarpo 10.1]
  34. O procônsul respondeu: “Convence o povo!”, mas Policarpo replicou: “A ti eu considero digno de escutar a explicação.” [Policarpo 10.2]
  35. “Com efeito, aprendemos a tratar as autoridades e os poderes estabelecidos por Deus com o respeito devido, contanto que isso não nos prejudique.” [Policarpo 10.2]
  36. Quanto a esses outros, eu não os considero dignos, para me defender diante deles. [Policarpo 10.2]
  37. O procônsul disse: “Eu tenho feras, e te entregarei a elas, se não mudares de ideia.” [Policarpo 11.1]
  38. Ele disse: “Pode chamá-las. Para nós, é impossível mudar de ideia, a fim de passar do melhor para o pior; mas é bom mudar, para passar do mal à justiça.” [Policarpo 11.1]
  39. O procônsul insistiu: “Já que desprezas as feras, eu te farei queimar no fogo, se não mudares de ideia.”  [Policarpo 11.2]
  40. Policarpo respondeu-lhe: “Tu me ameaças com um fogo que queima por um momento e pouco depois se apaga por que ignoras o fogo do julgamento futuro e do suplício eterno reservado para os ímpios.”
  41. “Mas por que tardar? Vai e faze o queres.” [Policarpo 11.2]
  42. Dizendo isso e tantas outras coisas, ele permanecia cheio de força e alegria, e seu rosto estava repleto de graça. [Policarpo 12.1]
  43. Ele não só não se deixou abater pelas ameaças que lhe eram dirigidas, mas o próprio procônsul ficou estupefato.[Policarpo 12.1]
  44. Ele mandou seu arauto ao meio do estádio, para anunciar três vezes: “Policarpo se declarou cristão!” [Policarpo 12.1]

IX – Morte de Policarpo

  1. Toda a multidão de pagão e judeus moradores de Esmirna, com furor incontido, começou a gritar: “Eis Policarpo, o mestre da Ásia, o pai dos cristãos, o destruidor de nosso deuses! É ele que ensina muita gente a não sacrificar e a não adorar.” [Policarpo 12.2]
  2. Dizendo isso, gritavam e pediam aos asiarca Filipe que lançasse um leão contra Policarpo. Este respondeu que não lhe era lícito, pois os combates de feras já haviam terminado. [Policarpo 12.2]
  3. Então unânimes se puseram a gritar que Policarpo fosse queimado vivo. Devia cumprir a visão que lhe fora mostrada: enquanto rezava, ele tinha visto o travesseiro pegando fogo. [Policarpo 13.1]
  4. Ele dissera profeticamente aos fiéis que estavam com ele: “Devo ser queimado vivo.” Então as coisas caminharam rapidamente, mais depressa do que dizê-las. [Policarpo 13.1]
  5. Imediatamente a multidão começou a recolher lenha e feixes tirados das oficinas e termas. Sobretudo os judeus se deram a isso com mais zelo, segundo o costume deles. [Policarpo 13.1]
  6. Quando a pira ficou pronta, o próprio Policarpo se despiu, desamarrou o cinto, e ele mesmo tirou o calçado. [Policarpo 13.2]
  7. Ele nunca fizera isso antes, porque sempre cada um dos fiéis se apressava a ser o primeiro a tocar-lhe o corpo; mesmo antes do martírio, ele já fora constantemente venerado pela sua santidade de vida. [Policarpo 13.2]
  8. Imediatamente colocaram em torno dele o material preparado para a pira. [Policarpo 13.3]
  9. Como queriam pregá-lo, ele disse: “Deixai-me assim. Aquele que me concede força para suportar o fogo, dar-me-á força para permanecer imóvel na fogueira, também sem proteção de vosso pregos.” [Policarpo 13.3]
  10. Então não pregaram Policarpo na pira, mas o amarraram com suas mãos amarradas atrás das costas, ele parecia um cordeiro escolhido de grande rebanho para o sacrifício, holocausto agradável preparado para Deus. [Policarpo 14.1]
  11. Erguendo os olhos ao céu, disse: “Senhor, Deus todo-poderoso, Pai de teu Filho amado e bendito, Jesus Cristo, pelo qual recebemos o conhecimento do teu nome, Deus dos anjos, dos poderes de toda criação, e de toda geração de justos que vivem na tua presença! [Policarpo 14.1]
  12. Eu te bendigo por me teres julgado digno deste dia e desta hora, de tomar parte entre os mártires, e do cálice de teu Cristo, para a ressurreição da vida eterna da alma e do corpo, na incorruptibilidade do Espírito Santo. [Policarpo 14.2]
  13. Com eles, possa eu hoje ser admitido à tua presença como sacrifício gordo e agradável, como tu preparaste e manifestaste de antemão, e como realizaste, ó Deus sem mentira e veraz. [Policarpo 14.2]
  14. Por isso e por todas as outras coisas, eu te louvo, te bendigo, te glorifico, pelo eterno e celestial sacerdote Jesus Cristo, teu Filho amado, pelo qual seja dada a glória a ti, como ele o Espírito, agora e pelos séculos futuros. Amém. [Policarpo 14.1]
  15. Quando ele ergueu o seu Amém e terminou sua oração, os homens da pira acenderam o fogo. [Policarpo 15.1]
  16. Grande chama brilhou e nós vimos o prodígio, nós a quem foi dado ver e que fomos preservados para anunciar estes acontecimentos a outros. [Policarpo 15.1]
  17. O fogo fez uma espécie de abóbada, como vela de navio inflada pelo vento, e envolveu como parede o corpo do mártir. [Policarpo 15.2]
  18. Ele estava no meio, não como carne que queima, mas como pão que assa, como ouro ou prata brilhando na fornalha. Sentimos então um perfume semelhante a baforada de incenso ou outro aroma parecido. [Policarpo 15.2]
  19. Por fim, vendo que o fogo não podia consumir o seu corpo, os ímpios ordenaram ao carrasco que fosse dar o golpe de misericórdia com o punhal. [Policarpo 16.1]
  20. Feito isso, jorrou tanto sangue que apagou o fogo. Toda a multidão admirou-se de ver tão grande diferença entre os incrédulos e os eleitos. [Policarpo 16.1]
  21. Entre estes, o admirável mártir Policarpo, que foi, em nosso dias, mestre apostólico e profético, o bispo da Igreja católica de Esmirna. Toda palavra que saiu de sua boca se cumpriu e se cumprirá. [Policarpo 16.2]
  22. Contudo, o invejoso, o perverso e o mau, o adversário da geração dos justos, vendo a grandeza do seu testemunho e de sua vida irrepreensível desde o início, [Policarpo 17.1]
  23. vendo-o ornado com a coroa da incorruptibilidade e conquistando uma recompensa incontestável, procurou impedir seus discípulos de levar o corpo, embora muitos de nós o desejassem fazer e possuir sua carne santa. [Policarpo 17.1]
  24. Ele sugeriu a Nicetas, pai de Herodes e irmão de Alce, que procurase o magistrado, a fim que ele não nos entregasse o corpo. [Policarpo 17.2]
  25. Ele disse: “Não aconteça que eles, abandonando o crucificado, passem a cultuar esse aí.” Dizia essas coisas por sugestão insistente dos judeus, que os tinham vigiado quando queriam retirar o corpo do fogo. [Policarpo 17.2]
  26. Ignoravam eles que eles não poderiam jamais abandonar Cristo, que sofreu pela salvação de todos aqueles que são salvos no mundo, como inocente em favor dos pecadores, nem prestarmos culto a outro. Seus discípulos o adoram porque é o Filho de Deus. [Policarpo 17.3]
  27. Quanto aos mártires, eles os amam justamente como discípulos e imitadores do Senhor, por causa da incomparável devoção que tinham para com o rei e mestre. [Policarpo 17.3]
  28. Vendo a rixa suscitada pelos judeus, o centurião colocou o corpo no meio e o fez queimar, como era de costume. [Policarpo 18.1]
  29. Desse modo, os discípulos puderam mais tarde recolher seus ossos, mais preciosos do que pedras preciosas e mais valiosos do que o ouro, para colocá-los em lugar conveniente. [Policarpo 18.2]
  30. Quando possível, é aí que o Senhor os permitirá se reunir, na alegria e contentamento, para celebrar o aniversário de seu martírio, em memória daqueles que combateram antes deles, e para exercitar e preparar aqueles que deverão combater no futuro. [Policarpo 18.3]
  31. Essa é a história do bem-aventurado Policarpo, que foi, juntamente com os irmãos da Filadélfia, o décimo segundo a sofrer o martírio em Esmirna. [Policarpo 19.1]
  32. Contudo, apenas dele se guarda a lembrança mais do que dos outros, a ponto de até os próprios pagãos falarem dele por toda parte. [Policarpo 19.1]
  33. Ele foi, não apenas mestre célebre, mas também mártir eminente, cujo martírio segundo o Evangelho de Cristo todos desejam imitar. [Policarpo 19.1]
  34. Por sua perseverança, ele triunfou sobre o iníquo magistrado, e assim foi cingido com a coroa da incorruptibilidade. [Policarpo 19.2]
  35. Juntamente com os apóstolos e todos os justos, na alegria, ele glorifica a Deus, Pai todo-poderoso, e bendiz nosso Senhor Jesus Cristo, o salvador de nossas almas, guia de nossos corpos, e pastor da Igreja católica no mundo inteiro. [Policarpo 19.2]

X – Condenação de Inácio

  1. Quando Trajano César não faz muito tempo, sucedeu ao império dos Romanos, Inácio, o discípulo do apóstolo João, que era um homem em todos os aspectos de caráter apostólico, governou a Igreja da Antioquia. [Ignatii 1]
  2. Ele a tinha com grande cuidado, tendo com dificuldade escapado primeiro das tempestades das muitas perseguições sob Domiciano César. [Ignatii 1]
  3. Assim o fez na medida em que, como um bom piloto, pelo comando da oração e jejum , pela seriedade de seu ensino, e por seu constante trabalho espiritual, ele resistiu à enchente que rolou contra ele. [Ignatii 1]
  4. Temeu apenas que não perdesse qualquer um dos seus discípulos que eram deficientes em coragem, ou apto a sofrer com sua simplicidade. [Ignatii 1]
  5. Ele se alegrou com o estado de tranquilidade da Igreja , quando a perseguição cessou por um pouco de tempo, mas se entristeceu por si mesmo, por ainda não ter alcançado um amor verdadeiro a Cristo , nem alcançado o grau perfeito de discípulo. [Ignatii 1]
  6. Ele interiormente refletiu que a confissão feita pelo martírio o levaria a uma relação ainda mais íntima com o Senhor. [Ignatii 1]
  7. Portanto, continuando mais alguns anos com a Igreja, e, como uma lâmpada divina, iluminando a compreensão de cada um por suas exposições das Escrituras, ele atingiu o objeto de seu desejo. [Ignatii 1]
  8. No nono ano do seu reinado, Trajano foi exaltado com orgulho, após a vitória que obteve sobre os citas e dácios, e muitas outras nações. [Ignatii 2]
  9. Ele pensou que o corpo religioso dos cristãos ainda estava querendo completar a subjugação de todas as coisas a si mesmo, e então os ameaçou com perseguição. [Ignatii 2]
  10. Desejava que concordassem em adorar divindades pagãs, como todas as outras nações, e assim compeliu todos os que viviam vidas piedosas a sacrificar aos ídolos ou morrer. [Ignatii 2]
  11. Como nobre soldado de Cristo, estando temeroso pela Igreja dos Antioquianos, Inácio foi, de acordo com seu próprio desejo, apresentado a Trajano. [Ignatii 2]
  12. O César estava hospedado em Antioquia , mas tinha pressa [para partir] contra a Armênia e os partos. [Ignatii 2]
  13. Na ocasião imperador perguntou-lhe: Quem é você, seu demônio mau, que tão zelosamente quebra nossos mandamentos e persuade os outros a fazerem o mesmo, para que morram miseravelmente? [Ignatii 2]
  14. Inácio respondeu: Ninguém deve chamar o Teóforo de maligno; pois todos os demônios se afastam dos seus servos. [Ignatii 2]
  15. Mas se me chama de perverso por eu ser inimigo desses demônios, concordo inteiramente com você; pois, visto que tenho o Cristo, o Rei dos céus, em mim destruo todos os artifícios desses demônios [Ignatii 2]
  16. Trajano respondeu: E quem é Teóforo? , e Inácio disse: Aquele que tem Cristo em seu peito. [Ignatii 2]
  17.  Trajano disse: Então parece que você fala dos deuses em nossa mente, de cuja assistência desfrutamos na luta contra os nossos inimigos? [Ignatii 2]
  18. Inácio respondeu: Você está errado quando chama de deuses os demônios das nações. Pois há um só Deus, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há; e um Jesus Cristo , o filho unigênito de Deus , cujo reino posso desfrutar. [Ignatii 2]
  19. Trajano disse: Você quer dizer Aquele que foi crucificado sob Pôncio Pilatos ? [Ignatii 2] 
  20.  Inácio respondeu: quero dizer Aquele que crucificou meu pecado , com aquele que foi o seu inventor, e que condenou [e derrubou] todo o engano e malícia do diabo sob os pés daqueles que O carregam em seus corações.  [Ignatii 2]
  21. Trajano disse: Você carrega então dentro de si Aquele que foi crucificado?  Inácio respondeu: Verdadeiramente; pois está escrito: ‘Neles habitarei e andarei neles’. [Ignatii 2]
  22. Então Trajano pronunciou a seguinte sentença: Ordenamos que Inácio , que afirma levar consigo Aquele que foi crucificado, seja amarrado por soldados e levado para a grande Roma, para ser devorado pelos animais, para a gratificação do povo. [Ignatii 2]
  23. Ao ouvir esta frase, o santo mártir gritou de alegremente: Agradeço-te, Senhor, por teres prometido honrar- me com um amor perfeito para contigo e me amarrar em correntes de ferro, como o teu apóstolo Paulo . [Ignatii 2]
  24. Assim falou, então, com prazer, agarrou as correntes ao seu redor. Ele primeiro orou pela Igreja e recomendou-a com lágrimas ao Senhor, ele foi levado embora apressado pela crueldade selvagem dos soldados. [Ignatii 2]
  25. Era como um notável carneiro, o líder de um bom rebanho, para que pudesse ser levado a Roma, para servir de comida às bestas sanguinárias. [Ignatii 2]
  26. Com entusiasmo e alegria , por seu desejo de sofrer, ele desceu de Antioquia para Selêucia, de onde partiu. E depois de muito sofrimento, ele chegou a Esmirna , onde desembarcou. [Ignatii 3]
  27. Ele se apressou para ver o santo Policarpo, seu companheiro discipulado e atual bispo de Esmirna.  Ambos haviam sido, nos velhos tempos, discípulos do apóstolo João. [Ignatii 3]
  28. Inácio comunicou ao amigo Policarpo alguns dons espirituais, e glorificando-se em seus laços, ele implorou que trabalhasse junto com ele para a realização de seu desejo. [Ignatii 3]
  29. Pediu isso sinceramente a toda a Igreja, mas acima de tudo, ao santo Policarpo, dizendo: Por meio das feras, logo desaparecerei deste mundo para poder se manifestar diante da face de Cristo. [Ignatii 3]
  30. Essas coisas ele assim falou, e assim testificou, estendendo seu amor a Cristo, tanto quanto aquele que estava prestes a garantir o céu por meio de sua boa confissão e da sinceridade daqueles que juntaram suas orações. [Ignatii 4]
  31. Para dar uma recompensa às Igrejas , que vieram ao seu encontro por meio de seus governantes, Inácio enviou cartas de ação de graças, que deixaram cair a graça espiritual  junto com oração e exortação. [Ignatii 4]
  32. Ele observou todos os homens tão bondosamente afetados por ele e temendo que o amor da fraternidade impedisse seu zelo para com o Senhor. [Ignatii 4]
  33. Pela bela porta de sofrimento que o martírio lhe abriu, Inácio escreveu à Igreja dos Romanos uma importante Epístola. [Ignatii 4]

XI -Morte de Inácio

  1. Por motivo da Epístola, os irmãos em Roma não estavam dispostos ao seu martírio; eles partiram de Esmirna pois Cristóforo foi pressionado pelos soldados a apressar os espetáculos públicos em Roma. [Ignatii 5]
  2. Esperava que, sendo entregue às feras diante dos olhos do povo romano, Inácio pudesse alcançar a coroa pelo qual ele lutou. [Ignatii 5]
  3. Inácio desembarcou em Trôade. Então, indo daquele lugar para Neápolis, ele foi a pé por Filipos, através da Macedônia, e para aquela parte do Épiro que fica perto de Epidamo. [Ignatii 5]
  4. Encontrando um navio em um dos portos, navegou sobre o Mar Adriático, e entrando nele até o Tirreno. [Ignatii 5]
  5. Ele passou pelas várias ilhas e cidades, até que, quando Puteoli apareceu, ele estava ansioso para desembarcar, tendo o desejo de seguir os passos do apóstolo Paulo. [Ignatii 5]
  6. Mas um forte vento que subia não o permitiu, pois o navio era empurrado rapidamente para a frente; e, simplesmente expressando seu deleite pelo amor dos irmãos naquele lugar, ele navegou. [Ignatii 5]
  7. Portanto, continuando a desfrutar de bons ventos, fomos relutantemente apressados ​​em um dia e uma noite, lamentando [como o fizemos] pela vinda de nossa partida deste homem justo.  [Ignatii 5]
  8. Mas com ele isso aconteceu como ele desejava, visto que estava com pressa o mais rápido possível de deixar este mundo, para que pudesse alcançar o Senhor que amava. [Ignatii 5]
  9. Navegando então para o porto romano, e os esportes profanos estando prestes a fechar, os soldados começaram a se irritar com nossa lentidão, mas o bispo alegremente cedeu à sua urgência. [Ignatii 5]
  10. Eles avançaram, portanto, do lugar que é chamado de Porto; e, com a fama de tudo relacionado ao santo mártir já se espalhando, nós encontramos os irmãos cheios de medo e alegria. [Ignatii 6]
  11. Regozijavam-se, de fato, por serem considerados dignos de se encontrar com Teóforo, mas aterrorizados porque um homem tão eminente estava sendo levado à morte. [Ignatii 6]
  12. Agora, ele ordenou a alguns que ficassem calados, os quais, em seu fervoroso zelo, diziam que apaziguariam o povo, para que não exigissem a destruição deste justo. [Ignatii 6]
  13. Ele estava imediatamente ciente disso por meio do Espírito e tinha saudado a todos. Implorava para mostrar uma verdadeira afeição para com ele.
  14. Ele demorou neste ponto mais longamente do que em sua epístola e os persuadiu a não invejá-lo em se apressar ao Senhor. [Ignatii 6]
  15. Depois de se ajoelhar ao lado de todos os irmãos e rogar ao Filho de Deus em nome das Igrejas para que parasse a perseguição e para que o amor mútuo continuasse entre os irmãos, Inácio foi conduzido com toda pressa ao anfiteatro. [Ignatii 6]
  16. Então, ele foi imediatamente jogado em seu interior de acordo com o comando de César dado há algum tempo, [Ignatii 6].
  17. Os espetáculos públicos estavam prestes a se encerrar, pois era então um dia solene, como eles o consideravam, chamado de décimo terceiro na língua romana, na qual o povo costumava se reunir em mais do que um número comum. [Ignatii 6]
  18. Ele foi assim lançado às feras perto do templo, para que assim por elas o desejo do santo mártir Inácio fosse cumprido, de acordo com o que é escrito. [Ignatii 6]
  19. O desejo dos justos é aceitável no sentido de que ele não poderia ser problemático para qualquer um dos irmãos pela coleta de seus restos mortais, assim como ele havia expressado em sua epístola um desejo de antemão de que assim fosse seu fim. [Ignatii 6]
  20. Apenas as porções mais duras de seus santos restos mortais foram deixados, que foram transportados para Antioquia e embrulhados em linho.
  21. Era um tesouro inestimável deixado à santa Igreja pela graça que estava no mártir. [Ignatii 6]
  22. Essas coisas aconteceram no décimo terceiro dia antes do Kalends de janeiro, ou seja, no dia 20 de dezembro, Sura e Senecio sendo então cônsules dos romanos pela segunda vez. [Ignatii 7]
  23. Tendo nós mesmos sido testemunhas oculares dessas coisas, e tendo passado a noite inteira em lágrimas dentro de casa, e suplicado ao Senhor, com os joelhos dobrados e muita oração, que Ele nos desse aos homens fracos plena segurança a respeito das coisas que foram feitas. [Ignatii 7]
  24. Aconteceu que, ao cairmos em um breve sono, alguns de nós vimos o abençoado Inácio de repente parado ao nosso lado e nos abraçando, enquanto outros o viram orando novamente por nós. [Ignatii 7]
  25. Outros ainda o viram pingando de suor, como se tivesse acabado de sair de seu grande trabalho e estando ao lado do Senhor. [Ignatii 7]
  26. Quando, portanto, com grande alegria testemunhamos essas coisas e comparamos nossas várias visões juntas, cantamos louvores a Deus , o doador de todas as coisas boas. [Ignatii 7]
  27. Expressamos nosso sentimento de felicidade pelo santo mártir; e agora temos feito conhecido a você tanto o dia e a hora quando essas coisas aconteceram. [Ignatii 7]
  28. Ao nos reunir de acordo com o tempo de sua martírio, podemos ter comunhão com o campeão e nobre mártir de Cristo, que pisou o diabo e aperfeiçoou a carreira. [Ignatii 7]
  29. Por amor a Cristo , ele havia desejado em Cristo Jesus nosso Senhor; por quem e com quem seja glória e poder ao Pai, com o Espírito Santo, para sempre! Amém . [Ignatii 7]

XII – Conversão de Justino

  1. Depois de Trajano ter reinado por dezenove anos e meio, Aélio Adriano se tornou seu sucessor no império. [Eusébio 4.3]
  2. O evangelista Quadrato lhe dirigiu um discurso contendo uma defesa da religião Cristã, porque certos homens ímpios haviam tentado perturbar os cristãos. [Eusébio 4.3]
  3. A obra ainda está nas mãos de muitos irmãos, como também nas nossas, e fornece provas claras da compreensão do homem e de sua ortodoxia apostólica. [Eusébio 4.3]
  4. Eles escreveu: “As obras do Salvador estão sempre presentes, pois são genuínas: – aqueles que foram curados, e aqueles que foram ressuscitados dos mortos, não foram vistos apenas quando foram curados e ressuscitados, mas também estão presentes até hoje. [Eusébio 4.3]
  5. Não apenas enquanto o Salvador estava na terra, mas também após sua morte, eles permaneceram vivos por um bom tempo, de modo que alguns deles viveram até o nosso dia.” Assim era então o Quadrato.  [Eusébio 4.3]
  6. Também Aristides, um crente fervorosamente devotado à religião, deixou, como Quadrato, uma defesa pela fé, dirigido a Adriano. Sua obra também foi preservada até os dias atuais por um grande número de pessoas.
  7. Enfim, uma Epístola de Adriano decretou que os seguidores do Messias não deveriam ser punidos sem um julgamento. [Eusébio 4.9]
  8. O imperador escreveu: “Para Minúcio Fundano. Recebi uma epístola, escrita para mim por Sereno Graniano, um homem muito ilustre, a quem você sucedeu. [Eusébio 4.9]
  9. Não me parece certo que o assunto seja passado sem exame, para que os homens não sejam perseguidos e a oportunidade seja dada aos informantes para praticar a vilania.
  10. Se, portanto, os habitantes da província podem sustentar claramente esta petição contra os cristãos para dar uma resposta em um tribunal de justiça, que eles sigam este caminho sozinhos, mas que não recorra a petições e clamores de homens. [Eusébio 4.9]
  11. Pois é muito mais adequado, se alguém quiser fazer uma acusação, que você examine. [Eusébio 4.9]
  12. Se alguém, portanto, acusá-lo e mostrar que está fazendo algo contrário às leis, faça você julga de acordo com a hediondez do crime. [Eusébio 4.9]
  13. Mas, por Hércules! se alguém fizer uma acusação por mera calúnia, decida quanto à sua criminalidade e providencie para que você inflija a punição”. Esse foi o conteúdo do escrito de Adriano. [Eusébio 4.9]
  14. Entre os escritores da Igreja desse tempo, Hegesipo era bem conhecido e relatou eventos que aconteceram no tempo dos apóstolos. [Eusébio 4.8]
  15. Ao mesmo tempo, também Justino, um verdadeiro amante da verdadeira filosofia, ainda continuava a se ocupar com a literatura grega. [Eusébio 4.8]
  16. Ele descreve que sua conversão da filosofia grega ao cristianismo não foi sem razão, mas que foi o resultado de deliberação de sua parte. Suas palavras são as seguintes: [Eusébio 4.8]
  17. “Eu mesmo, enquanto estava encantado com as doutrinas de Platão, ouvia os cristãos caluniados.
  18. Eu via que eles não temiam nem a morte nem qualquer outra coisa normalmente considerada terrível. Por isso, concluí que era impossível que eles pudessem viver na maldade e no prazer.
  19. Afinal, um homem amante do prazer ou intemperante, ou que homem que considera bom banquetear-se com carne humana, poderia aceitar a morte para que ele possa ser privado de seus prazeres. [Eusébio 4.8]
  20. Justino, o Filósofo, pregou a Palavra de Cristo em Roma. Depois de ter endereçado suas obras em favor das doutrinas cristãs, foi coroado com o martírio divino. [Eusébio 4.16]

XIII – Martírio de Justino

  1. Isso ocorreu em consequência de uma conspiração contra ele por Crescêncio, um filósofo que imitou a vida e as maneiras dos cínicos, cujo nome ele usava. [Eusébio 4.16]
  2. Depois que Justino o refutou frequentemente em discussões públicas, ele ganhou com seu martírio o prêmio da vitória, morrendo em nome da verdade que pregava. [Eusébio 4.16]
  3. Ele próprio, homem muito culto da verdade, na sua obra, previu claramente como isso lhe ia acontecer embora ainda não tivesse ocorrido. [Eusébio 4.16]
  4. Suas palavras são as seguintes: “Eu, também, portanto, espero ser tramado e posto no tronco por algum daqueles a quem nomeei, ou talvez por Crescêncio, aquele homem nada filosófico e vanglorioso. [Eusébio 4.16]
  5. Este homem não é digno ser chamado de filósofo que publicamente dá testemunho contra aqueles de quem nada sabe. [Eusébio 4.16]
  6. Faz declarações para cativar e agradar à multidão de que os cristãos são ateus e ímpios. Fazendo isso ele erra muito. [Eusébio 4.16]
  7. Ao atacar sem ter lido os ensinamentos de Cristo, ele é totalmente imoral. [Eusébio 4.16]
  8. É muito pior do que o analfabeto, pois estes evitam discutir sobre assuntos que não entendem. [Eusébio 4.16]
  9. E se ele os leu e não entendeu a majestade que há neles, ou, entendendo-o, faz essas coisas para que não seja suspeito de ser um adepto, ele é muito mais vil e totalmente indecente. [Eusébio 4.16]
  10. É um escravo de aplausos vulgares e medo irracional. [Eusébio 4.16]
  11. Pois, quando propus certas perguntas desse tipo e perguntei a respeito delas, aprendi e provei que ele na verdade nada sabe. [Eusébio 4.16]
  12. Para mostrar que fato a verdade, estou pronto, se essas disputas não foram relatadas a você, para discutir as questões novamente em sua presença. E isso de fato seria um ato digno de um imperador. [Eusébio 4.16]
  13. Mas se minhas perguntas e suas respostas foram informadas a ele, é óbvio que ele nada sabe sobre nossos negócios.
  14. Ou se ele sabe, mas não se atreve a falar por causa de quem o ouve, mostra-se, como já disse, não um filósofo, mas um homem vanglorioso, que na verdade nem mesmo dá atenção à mais admirável palavra de Sócrates. [Eusébio 4.16]
  15. Estas são as palavras de Justino. E que ele encontrou a morte como previra em consequência das maquinações de Crescêncio [Eusébio 4.16]
  16. É afirmado por Taciano, outro filósofo que aceitou o Cristo e que cedo na vida lecionou sobre as ciências dos gregos, ganhando muita fama, e que deixou muitos monumentos de si mesmo em seus escritos. [Eusébio 4.16]
  17. Ele registra esse fato ao escrever o seguinte: “E aquele admirável Justino declarou com verdade que o as pessoas supracitadas eram como ladrões. [Eusébio 4.16]
  18. Crescêncio, de fato, que fez seu ninho na grande cidade, superou a todos em sua luxúria anormal e foi totalmente devotado ao amor de dinheiro. [Eusébio 4.16]
  19. E aquele que ensinava que a morte deveria ser desprezada, tinha tanto medo dela que se esforçou por infligir a morte, como se fosse um grande mal, a Justino. [Eusébio 4.16]
  20. Porque este, ao pregar a verdade, havia provado que os filósofos eram glutões e impostores.
  21. E tal foi a causa do martírio de Justino, junto com seis companheiros da fé, que foi decapitado pelo governador Júnio Rústico. [Eusébio 4.16]

XIV – Gália (Antonino César)

  1. Adriano tendo morrido após um reinado de vinte e um anos, foi sucedido no governo dos romanos por Antonino, chamado o Piedoso. [Eusébio 4:10]
  2. No primeiro ano de seu reinado, Telesforo obteve uma morte gloriosa pelo martírio no décimo primeiro ano de seu episcopado, e Higino tornou-se bispo de Roma. [Eusébio 4:10]
  3. Higino foi o oitavo que ocupou a cadeira de Pedro. Depois dele, vieram Pio; depois Aniceto; depois Sorter, que morreu após um episcopado de oito anos. [Eusébio 5:1]
  4. Ele foi sucedido por Eleutero, o décimo segundo dos apóstolos em Roma. [Eusébio 5:1]
  5. No décimo sétimo ano do imperador Antonino Vero, a perseguição os seguidores do Messias reacendeu mais ferozmente em certos distritos por causa de uma insurreição das massas nas cidades. [Eusébio 5:1]
  6. E a julgar pelo número em uma única nação, miríades sofreram o martírio em todo o mundo. [Eusébio 5:1]
  7. Um registro disso foi escrito para a posteridade é digno de perpétua lembrança. [Eusébio 5:1]
  8. Um relato completo, contendo as informações mais confiáveis ​​sobre o assunto, é fornecido em nossa Coleção de martírios, que constitui uma narrativa instrutiva e também histórica. [Eusébio 5:1]
  9. Os escritores da história registram as vitórias da guerra e os troféus ganhos dos inimigos, a habilidade dos generais e a bravura viril dos soldados, contaminados com sangue e com incontáveis ​​massacres por causa das crianças e do país e outras posses. [Eusébio 5:1]
  10. Mas a narrativa do governo de Deus registrará em cartas indescritíveis as guerras mais pacíficas travadas em favor da paz da alma. [Eusébio 5:1]
  11. E contará sobre homens que realizaram bravos feitos pela verdade em vez do país, e pela piedade em vez de amigos queridos. [Eusébio 5:1]
  12. Transmitirá à lembrança imperecível a disciplina e a fortaleza muito experimentada dos campeões da religião, os troféus ganhos dos demônios, as vitórias sobre inimigos invisíveis e as coroas colocadas em todas as suas cabeças. [Eusébio 5:1]
  13. O país em que a arena foi preparada para eles foi a Gália, da qual Lyon e Vienne são as cidades principais e mais famosas. [Eusébio 5:1]
  14. O rio Rhone passa por ambos, fluindo em um amplo riacho por toda a região. [Eusébio 5:1]
  15. As igrejas mais célebres daquele país enviaram um relato das testemunhas às igrejas da Ásia e da Frígia, relatando da seguinte maneira o que foi feito entre elas. [Eusébio 5:1]
  16. A grandeza da tribulação nesta região, e a fúria dos gentios contra os santos, e os sofrimentos das testemunhas abençoadas não podem ser narradas com precisão, nem mesmo eles poderiam ser registrados. [Eusébio 5:1]
  17. Pois com toda a sua força o adversário caiu sobre nós, dando-nos um antegozo de sua atividade desenfreada em sua vinda futura. [Eusébio 5:1]
  18. Ele se esforçou de todas as maneiras para praticar e exercer seus servos contra os servos de Deus, não apenas os excluindo de casas e banhos e mercados, mas proibindo qualquer um deles de serem vistos em qualquer lugar. [Eusébio 5:1]
  19. Mas a graça de Deus conduziu o conflito contra ele, livrou os fracos e os colocou como pilares firmes, capazes de suportar com paciência toda a ira do Maligno. [Eusébio 5:1]
  20. Eles lutaram com ele, sofrendo todos os tipos de vergonha e injúria. [Eusébio 5:1]
  21. Considerando seus grandes sofrimentos como pequenos, eles se apressaram a Cristo, manifestando verdadeiramente que ‘os sofrimentos deste tempo presente não são dignos de serem comparados com a glória que lhes é revelada’. [Eusébio 5:1]
  22. Em primeiro lugar, eles suportaram nobremente os ferimentos amontoados sobre eles pela população; [Eusébio 5:1]
  23. Clamores e golpes e arrastões e roubos e apedrejamentos e prisões, e todas as coisas que uma turba enfurecida se deleita em infligir a inimigos e adversários.
  24. Em seguida, sendo conduzidos ao foro pelo chiliarca e pelas autoridades da cidade, foram interrogados na presença de toda a multidão [Eusébio 5:1]
  25. E, tendo confessado, foram presos até a chegada do governador.
  26. Quando, posteriormente, foram apresentados de frente a ele, eles foram tratados com a maior crueldade. [Eusébio 5:1]

XV – Vettius

  1. Mas Vettius Epagathus, um dos irmãos, e um homem cheio de amor por Deus e seu próximo, interferiu. [Eusébio 5:1]
  2. Sua vida foi tão consistente que, embora jovem, ele alcançou reputação igual à do ancião Zacarias: [Eusébio 5:1]
  3. Pois ele ‘andou em todos os mandamentos e ordenanças do Senhor irrepreensível’ e foi incansável em toda boa obra para o próximo, zeloso de Deus e fervoroso de espírito. [Eusébio 5:1]
  4. Sendo tal o seu caráter, ele não pôde suportar o julgamento irracional contra nós, mas ficou cheio de indignação. [Eusébio 5:1]
  5. Ele pediu permissão para testemunhar em favor de seus irmãos, que não há entre nós nada ímpio ou ímpio. [Eusébio 5:1]
  6. Mas os que estavam na cadeira de juiz clamaram contra ele, pois era um homem distinto; e o governador recusou-se a atender ao seu justo pedido e apenas perguntou se ele também era cristão. [Eusébio 5:1]
  7. E ele, confessando isso em alta voz, foi ele próprio incluído na ordem das testemunhas, sendo chamado o Advogado dos Cristãos, mas tendo em si o Advogado, o Espírito mais abundante que Zacarias. [Eusébio 5:1]
  8. Ele demonstrou isso pela plenitude de seu amor, ficando muito satisfeito até mesmo em dar sua vida em defesa dos irmãos. [Eusébio 5:1]
  9. Pois ele foi um verdadeiro discípulo de Cristo, ‘seguindo o Cordeiro por onde quer que vai’. [Eusébio 5:1]
  10. Então os outros foram divididos, e as testemunhas estavam manifestamente prontas, terminando sua confissão com toda a ansiedade. [Eusébio 5:1]
  11. Mas alguns pareciam despreparados e destreinados, ainda fracos e incapazes de suportar um conflito tão grande. [Eusébio 5:1]
  12. Cerca de dez dessas condenações, causaram grande dor e tristeza além da medida e prejudicaram o zelo dos outros que ainda não tinham sido apreendidos, [Eusébio 5:1]
  13. Mas, embora sofrendo todos os tipos de aflições, continuaram constantemente com as testemunhas e não as abandonaram. [Eusébio 5:1]
  14. Então todos nós tememos muito por causa da incerteza quanto à sua confissão, não porque temíamos os sofrimentos a serem suportados, mas porque olhamos para o fim e tememos que alguns deles possam cair. [Eusébio 5:1]
  15. Mas aqueles que eram dignos eram presos dia a dia, enchendo o número deles, de modo que todas as pessoas zelosas, e aqueles através dos quais especialmente nos negócios foram estabelecidos, foram reunidos nas duas igrejas. [Eusébio 5:1]
  16. E alguns de companheiros pagãos também foram presos, como o govenador ordenou que todos devessem ser examinados publicamente. [Eusébio 5:1]
  17. Estes, sendo enlaçados por Satanás e temendo por si próprios as torturas que viram os santos suportar, e sendo também instados pelos soldados, lhes acusaram falsamente de banquetes de Tiestes e relações edipodianas, [Eusébio 5:1]
  18. E de atos que não são apenas ilegais para nós falar ou pensar, mas que não podemos acreditar que tenham sido cometidos por homens. [Eusébio 5:1]
  19. Quando essas acusações foram relatadas, todas as pessoas se enfureceram como feras contra nós, de modo que mesmo que alguém tivesse sido moderado por causa da amizade, agora eles estavam extremamente furiosos e rangiam os dentes contra nós. [Eusébio 5:1]
  20. E aquilo que foi falado por nosso Senhor foi cumprido: ‘Chegará o tempo em que aquele que vos matar pensará que está fazendo o serviço de Deus. [Eusébio 5:1]

XVI – Sanctus e Blandina e Biblias

  1. Então, finalmente, as santas testemunhas suportaram sofrimentos indescritíveis, Satanás se esforçando seriamente para que algumas das calúnias também pudessem ser proferidas por elas? [Eusébio 5:1]
  2. Toda a ira da população, governador e soldados foi despertada excessivamente contra Sancto, o diácono de Vienne, e Maturo, um falecido convertido, mas um nobre combatente, e contra Attalo, um nativo de Pérgamo, onde ele sempre tinha estado coluna e alicerce, [Eusébio 5:1]
  3. E Blandina, por meio da qual Cristo mostrou que as coisas que parecem mesquinhas e obscuras e desprezíveis aos homens estão com Deus de grande glória, pelo amor para com ele manifestado em poder e não ostentação na aparência. [Eusébio 5:1]
  4. Pois enquanto todos nós tremíamos, e sua amante terrena, que também era uma das testemunhas, temia que, devido à fraqueza de seu corpo, ela fosse incapaz de fazer uma confissão ousada. [Eusébio 5:1]
  5. Blandina estava cheia de poder a ponto de ser libertada e elevada acima daqueles que foram torturando-a alternadamente de manhã à noite de todas as maneiras, para que eles reconhecessem que foram conquistados e não pudessem fazer mais nada por ela.[Eusébio 5:1]
  6. Eles ficaram surpresos com sua resistência, pois todo seu corpo estava mutilado e quebrado; [Eusébio 5:1]
  7. E testemunharam que uma dessas formas de tortura era suficiente para destruir a vida, para não falar de tantos e tão grandes sofrimentos. [Eusébio 5:1]
  8. Mas a mulher abençoada, como uma nobre atleta, renovou suas forças em sua confissão; e seu conforto, recreação e alívio da dor de seus sofrimentos consistia em exclamar: [Eusébio 5:1]
  9. ‘Eu sou uma cristã e não há nada de vil feito por NÓS.’ ” [Eusébio 5:1]
  10. Mas Sancto também suportou maravilhosa e sobre-humana todos os ultrajes que sofreu. [Eusébio 5:1]
  11. Os homens ímpios esperavam, pela continuação e severidade de suas torturas, arrancar dele algo que ele não deveria dize. [Eusébio 5:1]
  12. Ele se cingiu contra eles com tal firmeza que ele nem mesmo disse seu nome, ou a nação ou cidade a que pertencia, ou se ele era escravo ou livre.
  13. Ele respondeu na língua romana a todas as essas perguntas dizendo: ‘Eu sou um cristão’. [Eusébio 5:1]
  14. Ele confessou isso em vez de nome e cidade e raça e tudo mais, e o povo não ouviu dele nenhuma outra palavra. [Eusébio 5:1]
  15. Surgiu, portanto, por parte do governador e de seus algozes um grande desejo de conquistá-lo.
  16. Mas nada mais tendo que fazer a ele, eles finalmente prenderam placas de bronze em brasa nas partes mais tenras de seu corpo. [Eusébio 5:1]
  17. E estas realmente foram queimadas, mas ele continuou inflexível e inflexível, firme em sua confissão, e revigorado e fortalecido pela fonte celestial da água de vida, fluindo das entranhas de Cristo. [Eusébio 5:1]
  18. E seu corpo era uma testemunha de seus sofrimentos, sendo uma ferida e contusão completa, desenhada: fora de forma e totalmente diferente de uma forma humana. [Eusébio 5:1]
  19. Cristo, sofrendo nele, manifestou sua glória, libertando ele do seu adversário, e fazendo dele um exemplo para os outros. [Eusébio 5:1]
  20. Mostrando que nada é terrível onde está o amor do Pai, e nada doloroso onde está a glória de Cristo. [Eusébio 5:1]
  21. Os ímpios o torturaram uma segunda vez alguns dias depois, supondo que estaria seu corpo tão inchado e inflamado que ele não pudesse suportar o toque de uma mão. [Eusébio 5:1]
  22. Eles pensaram que se aplicassem novamente os mesmos instrumentos, eles o venceriam; ou pelo menos por sua morte sob seus sofrimentos outros ficariam com medo. [Eusébio 5:1]
  23. Não só isso não ocorreu, mas, ao contrário de todas as expectativas humanas, seu corpo se levantou e ficou ereto no meio dos tormentos subsequentes. [Eusébio 5:1]
  24. Ele retomou sua aparência original e o uso de seus membros para que, pela graça de Cristo, esses segundos sofrimentos se tornassem para ele, não tortura, mas cura. [Eusébio 5:1]
  25. “Mas o diabo, pensando que já havia consumido Biblias, que era um daqueles que negaram a Cristo, desejando aumentar sua condenação por meio de blasfêmia, trouxe-a novamente à tortura, para obrigá-la, como já débil e fraca, para relatar coisas ímpias a nosso respeito. [Eusébio 5:1]
  26. Mas ela se recuperou sob o sofrimento, e como se acordasse de um sono profundo, e lembrada pela angústia presente do castigo eterno no inferno, ela contradisse os blasfemadores. [Eusébio 5:1]
  27. Ela disse ‘Como poderíamos comer crianças se não achamos sequer lícito provar o sangue mesmo de animais irracionais?’ [Eusébio 5:1]
  28. E daí em diante ela se confessou cristã e recebeu um lugar na ordem das testemunhas.

XVII – Pontino

  1. Mas como as torturas tirânicas foram feitas por Cristo sem nenhum efeito por meio da paciência dos bem-aventurados, o diabo inventou outros artifícios. [Eusébio 5:1]
  2. Fez uso de confinamento no escuro e nas partes mais repugnantes da prisão, estendendo-se dos pés até o quinto buraco no tronco; e outros ultrajes que seus servos estão acostumados a infligir aos prisioneiros quando furiosos e cheios do demônio. [Eusébio 5:1]
  3. Muitos foram sufocados na prisão, sendo escolhidos pelo Senhor para esta forma de morte, para que pudesse manifestar neles sua glória. [Eusébio 5:1]
  4. Para alguns, embora tivessem sido torturados com tanta crueldade que parecia impossível que pudessem viver, mesmo com os maiores cuidados, ainda destituídos de atenção humana, permaneceram na prisão, sendo fortalecidos pelo Senhor, e revigorados tanto no corpo quanto alma. [Eusébio 5:1]
  5. Eles exortavam e encorajavam o resto. mas os que eram jovens e presos recentemente, de modo que seus corpos não se acostumaram à tortura, foram incapazes de suportar a severidade de seu confinamento e morreu na prisão. [Eusébio 5:1]
  6. O bem-aventurado Potino, a quem havia sido confiado o bispado de Lyon, foi arrastado para o tribunal. [Eusébio 5:1]
  7. Ele tinha mais de noventa anos de idade e estava muito enfermo, mal conseguia respirar devido à fraqueza física; mas foi fortalecido por zelo espiritual por meio de seu desejo sincero de martírio. [Eusébio 5:1]
  8. Embora seu corpo estivesse desgastado pela velhice e doenças, sua vida foi preservada para que Cristo triunfasse nela. [Eusébio 5:1] Quando foi trazido ao tribunal pelos soldados, acompanhado pelos magistrados civis e uma multidão que gritava contra ele de todas as maneiras, como se fosse o próprio Cristo, deu um nobre testemunho. [Eusébio 5:1]
  9. Ao ser questionado pelo governador, Quem era o Deus dos Cristãos, ele respondeu: ‘Se fores digno, saberás.’ [Eusébio 5:1]
  10. Então ele foi arrastado duramente e recebeu golpes de todo tipo. [Eusébio 5:1]
  11. Os que estavam perto dele o golpeavam com as mãos e os pés, independentemente de sua idade; e os que estavam distantes lançaram nele tudo o que puderam agarrar; [Eusébio 5:1]
  12. Todos eles pensando que seriam culpados de grande maldade e impiedade se qualquer possível abuso fosse omitido. [Eusébio 5:1]
  13. Pois assim eles pensaram em vingar suas próprias divindades. [Eusébio 5:1]
  14. Quase sem respirar, ele foi lançado na prisão e morreu depois de dois dias. [Eusébio 5:1]
  15. Então, uma certa grande dispensação de Deus ocorreu, e a compaixão de Jesus apareceu além da medida, de uma maneira raramente vista entre a irmandade, mas não além do poder de Cristo. [Eusébio 5:1]
  16. Pois aqueles que haviam se retratado em sua primeira prisão foram presos com os outros, e suportaram terríveis sofrimentos, de modo que sua negação não foi de proveito para eles. [Eusébio 5:1]
  17. Mas aqueles que confessaram como cristãos, nenhuma outra acusação foi feita contra eles. [Eusébio 5:1]
  18. Mas os primeiros foram tratados depois como assassinos e contaminados, e foram punidos duas vezes mais severamente que os outros. [Eusébio 5:1]
  19. Pela alegria do martírio e pela esperança das promessas, e pelo amor a Cristo, e o Espírito do Pai apoiou este último; [Eusébio 5:1]
  20. Mas suas consciências afligiram tanto os primeiros que eles estavam facilmente distinguível de todo o resto por seus próprios semblantes quando foram conduzidos. [Eusébio 5:1]
  21. Pois o primeiro saiu regozijando, glória e graça sendo mescladas em seus rostos, de modo que até mesmo seus laços pareceram como belos ornamentos, como aqueles de uma noiva adornada com franjas douradas variegadas; [Eusébio 5:1]
  22. E foram perfumados com o doce aroma de Cristo, de modo que alguns pensaram que haviam sido ungidos com unguento terreno. [Eusébio 5:1]
  23. Mas os outros estavam abatidos e humildes e abatidos e cheios de todo tipo de desgraça, e eles foram reprovados pelos pagãos como ignóbeis e fracos, carregando a acusação de assassinos, e tendo perdido o único Nome honroso e glorioso e que dá vida. [Eusébio 5:1]
  24. O resto, vendo isso, foi fortalecido, e quando apreendidos, eles confessaram sem hesitação, não prestando atenção às persuasões do diabo. [Eusébio 5:1]
  25. Depois dessas coisas, finalmente, seus martírios por trançar uma coroa de várias cores e de todos os tipos de flores, eles o apresentaram ao pai. [Eusébio 5:1]
  26. Era apropriado, portanto, que os nobres atletas, tendo suportado uma luta multifacetada e vencido grandiosamente, recebessem a coroa, grande e incorruptível. [Eusébio 5:1]

XVIII – Maturo

  1. “Maturo, portanto, e Sancto e Blandina e Atalo foram conduzidos ao anfiteatro para serem expostos às feras e dar ao público pagão um espetáculo de crueldade, [Eusébio 5:1]
  2. Um dia de luta com feras sendo especialmente designado por conta Tanto Maturo como Sancto passaram novamente por todos os tormentos do anfiteatro, como se nada tivessem sofrido antes. [Eusébio 5:1]
  3. Ou melhor, como se, já tendo vencido seu adversário em muitas lutas, estivessem agora lutando pela própria coroa. [Eusébio 5:1]
  4. Suportaram novamente a corrida costumeira da manopla e a violência dos animais selvagens, e tudo o que o povo furioso clamava ou desejava. [Eusébio 5:1]
  5. Por fim, a cadeira de ferro em que seus corpos estavam sendo assados, atormentou-os com os vapores. [Eusébio 5:1] E não com assim os perseguidores cessaram, mas ficaram ainda mais furiosos contra eles, determinados a vencer sua paciência, [Eusébio 5:1]
  6. Mas mesmo assim não ouviram uma palavra de Sancto, exceto a confissão que ele proferiu desde o início. [Eusébio 5:1]
  7. Estes, então, depois de sua vida ter continuado por muito tempo durante o grande conflito, foram finalmente sacrificados, fazendo ao longo daquele dia um espetáculo para o mundo, no lugar da usual variedade de combates. [Eusébio 5:1]
  8. Mas Blandina foi suspensa em uma estaca e exposta para ser devorada pelas feras que deveriam atacá-la. [Eusébio 5:1]
  9. E porque ela parecia como se estivesse pendurada em uma cruz e por causa de suas orações fervorosas, ela inspirou os combatentes com grande zelo. [Eusébio 5:1]
  10. Eles olharam para ela em seu conflito, e viram com seus olhos externos, na forma de sua irmã, aquele que foi crucificado por eles; [Eusébio 5:1]
  11. Para que seus olhos pudessem persuadir aqueles que creem nele de que todo aquele que sofre pela glória de Cristo tem comunhão sempre com o Deus vivo. [Eusébio 5:1]
  12. Como nenhuma das feras daquela época a tocou, ela foi tirada da fogueira e novamente lançada na prisão. [Eusébio 5:1]
  13. Foi preservada assim para outra disputa, que, sendo vitoriosa em mais conflitos, ela pode tornar irrevogável a punição da serpente torta; [Eusébio 5:1]
  14. E, embora pequena e fraca e desprezada, ainda vestida com Cristo, o poderoso e conquistador vencedor, ela pode despertar o zelo dos irmãos [Eusébio 5:1]
  15. E, tendo vencido o adversário muitas vezes, pode receber, através seu conflito, a coroa incorruptível. [Eusébio 5:1]
  16. Mas Atalo foi chamado em voz alta pelo povo, porque ele era uma pessoa distinta. [Eusébio 5:1]
  17. Ele entrou no concurso prontamente por causa de uma boa consciência e sua prática genuína na disciplina cristã que sempre foi uma testemunha da verdade entre todos. [Eusébio 5:1]
  18. Ele foi conduzido ao redor do anfiteatro, uma tábua sendo levada diante dele na qual estava escrito na língua romana “Este é o cristão Attalus” e o povo ficou indignado contra ele. [Eusébio 5:1]
  19. Mas quando o governador soube que ele era um romano, ordenou que fosse levado de volta com o resto dos que estavam na prisão a respeito dos quais ele havia escrito a César e cuja resposta ele esperava. [Eusébio 5:1]
  20. “Mas o tempo intermediário não foi perdido nem infrutífero para eles; pois por sua paciência se manifestou a incomensurável compaixão de Cristo. [Eusébio 5:1]
  21. Por meio de sua vida contínua, os mortos foram vivificados, e as testemunhas mostraram favor aos que haviam falhado. [Eusébio 5:1]
  22. A virgem mãe teve muita alegria em receber vivos aqueles a quem ela havia dado à luz como mortos, pois por sua influência muitos que haviam negado foram restaurados e readquiridos e reacendidos com vida, e aprenderam a confessar. [Eusébio 5:1]
  23. E sendo vivificados e fortalecidos, foram ao tribunal para serem novamente interrogados pelo governador. [Eusébio 5:1]
  24. Deus, que não deseja a morte do pecador, mas misericordiosamente convida ao arrependimento, tratando-os com bondade. [Eusébio 5:1]
  25. Pois César ordenou que fossem mortos, mas para que todo aquele que negasse fosse posto em liberdade. [Eusébio 5:1]
  26. Portanto, no início da festa pública que acontecia lá, e que era frequentada por multidões de homens de todas as nações, o governador trouxe os bem-aventurados ao julgamento, para fazer deles um espetáculo e um espetáculo para a multidão. [Eusébio 5:1]
  27. Portanto, ele também os examinou novamente e decapitou aqueles que pareciam possuir a cidadania romana, mas ele enviou os outros para as feras. [Eusébio 5:1]
  28. “E Cristo foi grandemente glorificado naqueles que anteriormente o haviam negado, pois, ao contrário da expectativa dos pagãos, eles confessaram. [Eusébio 5:1]
  29. Pois eles foram examinados por si mesmos, como prestes a ser libertados; mas confessando, foram acrescentados ao ordem das testemunhas.

XIX – Alexandre e Atalo

  1. Alguns continuaram sem, que nunca possuíram um traço de fé, nem qualquer apreensão das vestes nupciais, nem uma compreensão do temor de Deus; mas, como filhos da perdição, eles blasfemaram o Caminho através de sua apostasia. [Eusébio 5:1]
  2. Todos os outros foram acrescentados à Igreja. [Eusébio 5:1]
  3. Enquanto estes estavam sendo examinados, havia um certo Alexandre, um frígio de nascimento e médico de profissão, que havia residido na Gália por muitos anos e era bem conhecido de todos por causa de sua amor a Deus e ousadia de falar. [Eusébio 5:1]
  4. Estando diante do tribunal, e por sinais encorajando-os a confessar, parecia aos que estavam por perto como se estivesse ajudando-os nos trabalhos. [Eusébio 5:1]
  5. Mas o povo enfurecido porque aqueles que antes negavam agora confessaram, clamaram contra Alexandre como se ele fosse a causa disso. [Eusébio 5:1]
  6. Então o governador o chamou e perguntou quem ele era. [Eusébio 5:1]
  7. Quando ele respondeu que era um cristão, ficando muito zangado, ele o condenou às feras. [Eusébio 5:1]
  8. No dia seguinte ele entrou junto com Atalo, pois, para agradar ao povo, o governador ordenou que Atalo voltasse às feras. [Eusébio 5:1]
  9. Eles foram torturados no anfiteatro com todos os instrumentos planejados para esse propósito, e tendo suportado um conflito muito grande, foram finalmente sacrificados. [Eusébio 5:1]
  10. Alexandre não gemeu nem murmurou de forma alguma, mas comungou em seu coração com Deus. [Eusébio 5:1]
  11. Mas quando Attalo foi colocado na cadeira de ferro, e os vapores saíram de seu corpo em chamas, ele disse ao povo na língua romana: [Eusébio 5:1]
  12. ‘Olhai! isto que vós fazeis é devorar homens; mas não devoramos os homens; nem fazemos qualquer outra coisa perversa.’ [Eusébio 5:1]
  13. E sendo questionado sobre que nome Deus tem, ele respondeu: ‘Deus não tem um nome como o homem.’ [Eusébio 5:1]
  14. Depois de tudo isso, no último dia das competições, Blandina foi trazida novamente, com Pôntico, um menino de cerca de quinze anos. [Eusébio 5:1]
  15. Eles tinham sido trazidos todos os dias para testemunhar os sofrimentos dos outros, e foram pressionados a jurar por os ídolos. [Eusébio 5:1]
  16. Mas porque eles permaneceram firmes e os desprezaram, a multidão ficou furiosa, de modo que eles não tiveram compaixão pelo jovem do menino, nem respeito pelo sexo da mulher. [Eusébio 5:1]
  17. Portanto, eles os expuseram a todos os terríveis sofrimentos e os levaram durante toda a rodada de tortura, repetidamente incitando-os a jurar, mas sendo incapaz de efetuar isso; [Eusébio 5:1]
  18. Pois Pôntico, encorajado por sua irmã para que até o pagão pudesse ver que ela o estava confirmando e fortalecendo, tendo suportado nobremente todas as torturas, desistiu o fantasma.
  19. Mas a bem-aventurada Blandina, por fim, como nobre mãe, encorajou os seus filhos e os enviou antes dela vitoriosos ao Rei.
  20. Ela suportou todos os seus conflitos e apressou-se atrás deles, feliz e alegre por sua partida como se chamada a um ceia de casamento, em vez do leste para os animais selvagens. [Eusébio 5:1]
  21. E, depois da flagelação, depois das feras, depois do assento de assar, ela foi finalmente encerrada em uma rede e lançada diante de um touro. [Eusébio 5:1]
  22. E tendo sido sacudida pelo animal, mas não sentindo nada das coisas que estavam acontecendo com ela, por causa de sua esperança e firme apego ao que havia sido confiado a ela, e sua comunhão com Cristo, ela também foi sacrificada. [Eusébio 5:1]
  23. Os próprios pagãos confessaram que nunca entre eles uma mulher suportou tantas e tão terríveis torturas. [Eusébio 5:1]
  24. Mas nem mesmo assim sua loucura e crueldade para com os santos foram satisfeitas. [Eusébio 5:1]
  25. Para incitadas pela Besta Selvagem, tribos selvagens e bárbaras não foram facilmente apaziguadas, e sua violência encontrou outra oportunidade peculiar nos cadáveres. [Eusébio 5:1]
  26. Porque, através de sua falta de razão viril, o fato de terem sido conquistados não os envergonhou, pelo contrário, tanto mais acendeu sua ira como a de uma fera. [Eusébio 5:1]
  27. Despertou igualmente o ódio do governador e do povo por nos tratar injustamente; para que a Escritura pudesse ser cumprida: [Eusébio 5:1]
  28. ‘Aquele que é iníquo, ainda assim seja, e aquele que é justo, faça-o ainda ser justo.’ [Eusébio 5:1]

XX – Conclusão

  1. Os ímpios lançaram aos cães os que haviam morrido sufocados na prisão, guardando-os cuidadosamente de noite e de dia, para que ninguém fosse enterrado por nós. [Eusébio 5:1]
  2. Expuseram os restos deixados pelas feras e pelo fogo, mutilados e carbonizados. [Eusébio 5:1]
  3. Colocaram as cabeças dos outros perto de seus corpos, e os protegeram da mesma maneira contra o enterro por uma guarda de soldados por muitos dias.
  4. Alguns se enfureceram e rangeram os dentes contra eles, desejando executar vingança mais severa; mas outros riam e zombavam deles, magnificando seus próprios ídolos e imputando-lhes o castigo dos cristãos. [Eusébio 5:1]
  5. Mesmo os mais razoáveis, e aqueles que pareciam simpatizar um pouco, os reprovavam muitas vezes, dizendo: [Eusébio 5:1]
  6. ‘Onde está o seu Deus, e o que tem a religião deles, que eles escolheram em vez da vida, os beneficiou?’ [Eusébio 5:1]
  7. Muito variada foi sua conduta em relação aos Cristão, mas estes estavam em profunda aflição porque não podiam enterrar os corpos. [Eusébio 5:1]
  8. Pois nem a noite nos valeu para este propósito, nem o dinheiro persuadiu, nem a súplica moveu a compaixão; mas eles mantiveram vigilância em todos os sentidos , como se a prevenção do sepultamento fosse uma grande vantagem para eles. [Eusébio 5:1]
  9. Os corpos dos mártires, tendo assim sido exibidos e expostos de todas as maneiras por seis dias, foram posteriormente queimados e reduzidos a cinzas, e varridos para o Ródano pelos homens ímpios, de modo que não rastros deles podem aparecer na terra. [Eusébio 5:1]
  10. Isso eles fizeram, como se fossem capazes de conquistar a Deus e impedir seu novo nascimento; como os ímpios disseram, para eles não terem esperança de uma ressurreição. [Eusébio 5:1]
  11. Tinham o desejo de não mais trazerem essa religião estrangeira e nova, e desprezar as coisas terríveis. [Eusébio 5:1]
  12. “Agora vamos ver se eles se levantarão novamente, e se o seu Deus é capaz de ajudá-los e livrá-los de nossas mãos.” [Eusébio 5:1]
  13. Tais coisas aconteceram com as igrejas de Cristo sob o imperador Antonino, a partir do qual podemos razoavelmente conjeturar as ocorrências nas outras províncias. [Eusébio 5:2]
  14. A moderação e a compaixão dessas testemunhas registra que foram zelosos na imitação de Cristo que, estando em forma de Deus, o contaram não um prêmio para estar em igualdade com Deus.
  15. Embora eles tivessem alcançado tal honra, e tivessem dado testemunho, não uma ou duas vezes, mas muitas vezes, pois foram trazidos de volta para a prisão das feras, cobertos ‘com queimaduras e cicatrizes e feridas.
  16. Mas eles não se proclamaram testemunhas, nem nos permitiram chamá-los por este nome. [Eusébio 5:2]
  17. Se qualquer pessoa, em carta ou conversa, falou deles como testemunhas, eles o repreenderam severamente. [Eusébio 5:2]
  18. Pois eles aceitaram alegremente a denominação de Testemunha de Cristo ‘a fiel e verdadeira Testemunha’, e ‘primogênito dos mortos’ e príncipe da vida de Deus; [Eusébio 5:2]
  19. Eles lembraram das testemunhas que já haviam partido, e disseram: ‘Eles já são testemunhas a quem Cristo considerou digno de ser levado em sua confissão, tendo selado seu testemunho com sua partida; mas somos humildes e humildes confessores ‘. [Eusébio 5:2.4]
  20. E suplicaram aos irmãos com lágrimas que orações fervorosas fossem feitas para que eles pudessem ser aperfeiçoados. [Eusébio 5:2.4]
  21. Eles mostraram em seus atos o poder do ‘testemunho’, manifestando grande ousadia para com todos os irmãos. [Eusébio 5:2.4]
  22. Deixaram clara sua nobreza por meio da paciência, destemor e coragem, mas recusaram o título de Testemunhas como os distinguindo de seus irmãos, sendo cheios de o temor de Deus . [Eusébio 5:2.4]
  23. Eles se humilharam sob a mão poderosa, pela qual agora são grandemente exaltados. Eles defenderam tudo, mas não acusaram ninguém. [Eusébio 5:2.5]
  24. Eles absolveram tudo, mas não obrigaram a ninguém. [Eusébio 5:2.5]
  25. E oraram por aqueles que haviam infligido crueldades sobre eles, assim como Estêvão, a testemunha perfeita: ‘Senhor, não coloque este pecado sobre eles.’ [Eusébio 5:2.5]
  26. Afinal, se ele orou por aqueles que o apedrejaram, quanto mais pelos irmãos! [Eusébio 5:2.5]
  27. Pela genuinidade de seu amor, sua maior disputa com ele foi que a Besta, sendo sufocada, poderia expulsar vivos aqueles que ele supôs ter engolido. [Eusébio 5:2.6]
  28. Pois eles não se vangloriavam dos caídos, mas os ajudavam em suas necessidades com aquelas coisas em que eles próprios abundavam, tendo a compaixão de uma mãe e derramando muitas lágrimas por sua causa diante do Pai. [Eusébio 5:2.6]
  29. Eles pediram pela vida e ele deu a eles, e eles compartilharam com seus vizinhos. [Eusébio 5:2.6]
  30. Vitorioso; sobre tudo, eles partiram para Deus. [Eusébio 5.2.7]
  31. Tendo sempre amado a paz, e tendo-nos recomendado a paz, eles foram em paz a Deus, não deixando nenhuma tristeza para sua mãe, nem divisão ou contenda para os irmãos, mas alegria e paz e concórdia e amor. [Eusébio 5.2.7]
  32. O dito sobre o amor daqueles bem-aventurados para com os irmãos caídos poderá ser útil, por causa da atitude desumana e inclemente daqueles que, depois disto, tornaram-se implacáveis contra os membros de Cristo. [Eusébio 5.2.8]

XXI – Orígenes: Infância

  1. O imperador Severo suscitou uma perseguição contra as igrejas. Em todas as partes consumaram-se esplêndidos martírios dos defensores da religião, mas multiplicaram-se especialmente em Alexandria. [Eusébio 6.1.1]
  2. Os defensores de Deus foram enviados para lá, como ao maior estádio, desde o Egito e de toda a Tebaida.[Eusébio 6.1.1]
  3. E por sua firme paciência em diversos tormentos e gêneros de morte, cingiram-se com as coroas preparadas por Deus. [Eusébio 6.1.1]
  4. Entre eles achava-se também Leônidas, chamado o pai de Orígenes, que foi decapitado, e deixou seu filho ainda muito jovem. [Eusébio 6.1.1]
  5. Não seria demais descrever brevemente com que predileção pela palavra divina viveu o rapaz desde então, já que é muito abundante o que se conta sobre ele entre o povo. [Eusébio 6.1.1]
  6. Muitas coisas poderiam dizer, na verdade, quem tentasse colocar por escrito a seu gosto a vida deste homem. [Eusébio 6.2.1]
  7. Mas dispor ordenadamente o que a ele diz respeito exigiria inclusive uma obra especial. [Eusébio 6.2.1]
  8. Mesmo assim, nós resumiremos por enquanto com a brevidade possível a maior parte [Eusébio 6.2.1]
  9. E exporemos sobre ele somente algumas coisas tomando dos dados de algumas cartas e do relato dos discípulos que sobreviveram até nossos dias. [Eusébio 6.2.1]
  10. Sobre Orígenes, mesmo os fatos de quando usava fraldas, por assim dizer, parecem-me dignos de menção. [Eusébio 6.2.2]
  11. Seguia Severo pelo décimo ano de seu reinado, e Leto governava Alexandria e o resto do Egito. [Eusébio 6.2.2]
  12. O episcopado das igrejas dali acabara de passar a Demétrio, sucedendo a Juliano. [Eusébio 6.2.2]
  13. Ao acender-se pois, com a maior violência a fogueira da perseguição e sendo inumeráveis os que se cingiam com a coroa do martírio. [Eusébio 6.2.3]
  14. Tal foi a paixão do martírio que se apoderou da alma de Orígenes, ainda um menino, que ardia para lançar-se de encontro aos perigos e pular e jogar-se à luta. [Eusébio 6.2.3]
  15. Muito pouco faltou, na verdade, para que a morte se aproximasse; [Eusébio 6.2.4]
  16. Caso não fosse pela divina e celestial providência que, em proveito da grande maioria e por meio de sua mãe, se interpôs como obstáculo ao seu zelo. [Eusébio 6.2.4]
  17. Ela primeiramente rogou-lhe com palavras, exortando-o a ter consideração por suas disposições maternais para com ele; [Eusébio 6.2.5]
  18. Mas quando o viu terrivelmente excitado, todo ele preso pelo desejo do martírio ao saber que seu pai tinha sido preso e encarcerado, escondeu todas suas roupas; e assim obrigou-o a permanecer em casa. [Eusébio 6.2.5]
  19. Mas ele não podia fazer outra coisa e sendo-lhe impossível dar sossego a um zelo que excedia sua idade. [Eusébio 6.2.6]
  20. Ele enviou a seu pai uma carta muito estimulante sobre o martírio, na qual o animava. [Eusébio 6.2.6]
  21. Dizia textualmente: “Cuida-te, que não aconteça que por nossa causa tu mudes de decisão.” [Eusébio 6.2.6]
  22. Fique isto consignado por escrito como primeiro indício da agudeza de pensamento do menino Orígenes e de sua nobilíssima disposição para a religião. [Eusébio 6.2.6]
  23. E efetivamente, tendo-se exercitado já desde pequeno nas divinas Escrituras, tinha já lançados não pequenos fundamentos para as doutrinas da fé. [Eusébio 6.2.7]
  24. Também nestas tinha se ocupado sem medida, pois seu pai, antes do ciclo de estudos comum a todos, fez com que sua preocupação por elas não fosse secundária. [Eusébio 6.2.7]
  25. Em consequência, antes de ocupar-se das disciplinas helênicas, em toda ocasião o introduzia a exercitar-se nos estudos sagrados. [Eusébio 6.2.8]
  26. Exigia-lhe cada dia passagens de memória e relações escritas. [Eusébio 6.2.8]
  27. Estes exercícios não desagradavam o menino, antes até, empenhava-se neles com ardor excessivo; [Eusébio 6.2.9]
  28. Ao ponto de que, não se contentando com os sentidos simples e óbvios das Escrituras Sagradas, já desde então buscava algo mais e investigava visões mais profundas. [Eusébio 6.2.9]
  29. Desta forma, chegava a pôr em apuros seu pai perguntando-lhe o que queria significar o sentido da Escritura divinamente inspirada. [Eusébio 6.2.9]
  30. Este aparentava repreendê-lo abertamente, exortando-o a não indagar nada que excedesse sua
    idade nem mais adiante do sentido evidente. [Eusébio 6.2.10]
  31. Mas no seu íntimo regozijava-se enormemente e proclamava perante Deus, autor de todo bem, seu maior agradecimento por tê-lo feito digno de ser pai de tal filho. [Eusébio 6.2.10]
  32. E conta-se que muitas vezes, pondo-se junto ao menino que dormia, desnudava-lhe o peito
    como se dentro dele habitasse um espírito divino. [Eusébio 6.2.11]
  33. Beijava-o com referência e se considerava feliz por seu nobre rebento. [Eusébio 6.2.11]
  34. Estas coisas e outras do mesmo estilo recordam-se sobre a infância de Orígenes. [Eusébio 6.2.11]
  35. Quando seu pai morreu mártir, ele ficou só com sua mãe e seis irmãos menores, quando ainda não contava mais de dezessete anos. [Eusébio 6.2.12]

XXII – Orígenes: Estudos

  1. A herança paterna de Orígenes foi confiscada pelo tesouro imperial. [Eusébio 6.2.13]
  2. E ele com os seus encontrou-se em carência das coisas necessárias para a vida. [Eusébio 6.2.13]
  3. Mas foi considerado digno da providência divina e encontrou proteção além de tranquilidade em uma senhora riquíssima em meados da vida e muito distinta. [Eusébio 6.2.13]
  4. Ela rodeava de atenções um homem muito conhecido, um dos hereges que então havia em Alexandria, que era da Antioquia por origem. [Eusébio 6.2.13]
  5. A mencionada senhora tinha-o consigo como filho adotivo e rodeava-o das maiores honras. [Eusébio 6.2.14]
  6. Mas Orígenes, que por necessidade estava habitualmente com este homem, já desde aquela idade dava provas claras de sua ortodoxia na fé. [Eusébio 6.2.14]
  7. Pois ainda que uma multidão incontável, não apenas de hereges, mas também dos nossos, se reunia junto a ao homem que se chamava Paulo, porque lhes parecia eloquente. [Eusébio 6.2.14]
  8. Ele jamais se conseguiu que Orígenes o acompanhasse na oração aos seus deuses, guardando desde menino a regra de Igreja e abominando os ensinamentos das heresias. [Eusébio 6.2.14]
  9. Previamente iniciado por seu pai nas disciplinas dos gregos, depois da morte deste entregou-se por inteiro com maior zelo ao estudo das letras. [Eusébio 6.2.15]
  10. Desta forma que, não muito depois da morte do pai, tinha já uma preparação suficiente em
    conhecimentos gramaticais. [Eusébio 6.2.15]
  11. Com sua entrega a estes estudos procurava em abundância para sua idade o que era necessário. [Eusébio 6.2.14]
  12. Ele estava entregue ao ensino, segundo ele mesmo nos informa em algum de seus escritos, e não havia em Alexandria ninguém dedicado à instrução catequética. [Eusébio 6.3.1]
  13. Pois todos tinham sido expulsos pela ameaça de perseguição. [Eusébio 6.3.1]
  14. E assim alguns gentios acudiram a ele para escutar a palavra de Deus. [Eusébio 6.3.1]
  15. Dá a entender que o primeiro deles foi Plutarco, o qual, depois de uma vida honesta, foi adornado
    com o martírio divino. [Eusébio 6.3.2]
  16. O segundo foi Héraclas, irmão de Plutarco, que depois de dar ele mesmo numerosos exemplos de vida filosófica e disciplina, foi considerado digno do episcopado de Alexandria, depois de Demétrio. [Eusébio 6.3.2]
  17. Orígenes ia completar dezoito anos quando foi posto à frente da escola catequética. [Eusébio 6.3.3]
  18. Era o momento em que, sob a perseguição do governador de Alexandria Aquila, realizava grandes progressos. [Eusébio 6.3.3]
  19. Foi então também que seu nome se fez famoso entre todos a quem movia a fé, pela acolhida e
    solicitude que mostrava para com todos os santos mártires conhecidos e desconhecidos. [Eusébio 6.3.3]
  20. Com efeito, não somente os assistia quando estavam no cárcere e quando eram julgados, até a
    sentença final, [Eusébio 6.3.4]
  21. Mas também depois desta, quando os santos mártires eram conduzidos à morte, com extrema ousadia e expondo-se aos mesmos perigos. [Eusébio 6.3.4]
  22. Tanto é que muitas vezes aproximou-se resolutamente e atreveu-se a saudar os mártires com um beijo. [Eusébio 6.3.4]
  23. Faltou pouco para que a plebe de pagãos que estava em redor, enfurecida, o apedrejasse. [Eusébio 6.3.4]
  24. Mas a cada vez, com a ajuda da destra divina, escapou milagrosamente. [Eusébio 6.3.4]
  25. E esta mesma ajuda e celestial graça o guardou em outras ocasiões uma vez e sempre – impossível dizer
    quantas. [Eusébio 6.3.5]
  26. Mesmo quando se conspirava contra ele devido ao seu excesso de zelo e de ousadia em favor da doutrina de Cristo. [Eusébio 6.3.5]

XXIII – Orígenes: Vida Acadêmica

  1. A guerra que os infiéis faziam contra Orígenes era tal que se formaram esquadrões [Eusébio 6.3.5]
  2. E postavam soldados em torno da casa em que se achava, devido à multidão dos que dele recebiam a instrução da fé sagrada. [Eusébio 6.3.5]
  3. Dia a dia, a perseguição contra ele se acirrava tanto que em toda a cidade já não havia lugar para ele. [Eusébio 6.3.6]
  4. Mudou de casa em casa, de todos os lugares o expulsavam por causa do grande número dos que por ele se aproximavam do ensinamento divino. [Eusébio 6.3.6]
  5. E a sua própria conduta prática tinha traços admiráveis de virtude da mais genuína filosofia. [Eusébio 6.3.6]
  6. Demonstrava pois o ditado, “tal como sua palavra, assim seu caráter, e tal como seu caráter, assim sua palavra”. [Eusébio 6.3.7]
  7. Esta era sobretudo a causa de que, com a ajuda do poder divino, arrastasse milhares de pessoas a imitá-lo. [Eusébio 6.3.7]
  8. Viram que os discípulos acorriam ainda mais numerosos e que ele era o único encarregado pelo chefe da igreja, Demétrio, da escola catequética. [Eusébio 6.3.8]
  9. Considerando que o ensino da gramática era incompatível com o exercício das disciplinas divinas, rompeu sem vacilar com o estudo da gramática como inútil e contrário às ciências divinas. [Eusébio 6.3.8]
  10. Depois, com bom cálculo, para não precisar da ajuda de outros, desfez-se de todas as obras que até então tinha de literatura antiga, trabalhadas com muito gosto. [Eusébio 6.3.9]
  11. E se contentava com os quatro óbolos que diariamente lhe levava aquele que as comprou. [Eusébio 6.3.9]
  12. Durante muitos anos continuou levando este tipo de vida de filósofo, arrancando de si mesmo tudo que pudesse dar estímulo a suas paixões juvenis. [Eusébio 6.3.9]
  13. Suportou durante todo o dia consideráveis fadigas ascéticas e à noite consagrou a maior parte do tempo ao estudo das divinas Escrituras. [Eusébio 6.3.9]
  14. Assim perseverava numa vida a mais filosófica possível, seja em exercícios de jejum, seja reduzindo o tempo de sono, que de qualquer forma, nunca tomava sobre o leito, mas a toda custa sobre o chão. [Eusébio 6.3.9]
  15. Acima de tudo achava que era necessário guardar aquelas sentenças evangélicas do Salvador que exortava a não usar duas túnicas, nem sandálias, e a não consumir-se com as preocupações do amanhã. [Eusébio 6.3.10]
  16. E mais, com um ardor superior aos seus anos, manteve-se firme no frio e na nudez [Eusébio 6.3.11]
  17. E avançando em direção a uma pobreza extrema, enchia de admiração os que o rodeavam. [Eusébio 6.3.11]
  18. Também causava pena a muitos, que lhe suplicavam que compartilhasse de seus bens; [Eusébio 6.3.11]
  19. Pois viam as dificuldades que passava pelo ensinamento divino; mas ele em nada cedia a sua insistência. [Eusébio 6.3.11]
  20. Conta-se por exemplo que durante muitos anos pisou a terra sem usar calçado algum; [Eusébio 6.3.12]
  21. E mais, absteve-se por muitos anos do uso do vinho e de todo outro alimento não necessário, ao ponto de arriscar-se a arruinar e estropear seu peito. [Eusébio 6.3.12]
  22. Oferecendo tais exemplos de vida filosófica a quantos o contemplavam, era natural que incitasse a maioria de seus discípulos a um zelo semelhante ao seu; [Eusébio 6.3.13]
  23. Tanto que pessoas destacadas, inclusive entre os gentios infiéis e dos que procediam da ilustração e da filosofia, pouco a pouco se submetiam ao ensinamento que ele dava. [Eusébio 6.3.13]
  24. E tão sinceramente receberam dele no fundo de suas almas a fé na palavra divina, que também eles sobressaíram no momento de perseguição de então; [Eusébio 6.3.13]
  25. De forma que alguns inclusive foram detidos e acabaram no martírio. [Eusébio 6.3.13]

XXIV – Orígenes: Discípulos

  1. O primeiro destes, pois, foi Plutarco, mencionado pouco acima. [Eusébio 6.4.1]
  2. Quando este era conduzido à morte, novamente faltou pouco para que aquele de quem estamos falando e que o assistia até o último instante de sua vida fosse linchado ali mesmo pelos cidadãos, como culpado evidente daquela morte. [Eusébio 6.4.1]
  3. Mas também então a vontade de Deus continuava guardando-o. [Eusébio 6.4.1]
  4. Depois de Plutarco, o segundo dos discípulos de Orígenes a assinalar-se como mártir foi Sereno, que por meio do fogo deu prova da fé que havia recebido. [Eusébio 6.4.2]
  5. O terceiro mártir da mesma escola foi Heráclides, e depois dele, o quarto, Heron; aquele ainda era catecúmeno, este neófito; ambos foram decapitados. [Eusébio 6.4.3]
  6. Todavia, além destes, da mesma escola houve outro Sereno, distinto do primeiro, quinto a proclamar-se defensor da religião. [Eusébio 6.4.3]
  7. A tradição diz que, depois de suportar muitos tormentos, foi decapitado. [Eusébio 6.4.3]
  8. E entre as mulheres também Herais, ainda catecúmena, terminou a vida “após receber o batismo de fogo”. [Eusébio 6.4.3]
  9. Entre eles conta-se como sétimo Basílides, o que conduziu a famosíssima Potamiena a sua execução. [Eusébio 6.5.1]
  10. Muita coisa se conta ainda hoje sobre ela entre seus compatriotas. [Eusébio 6.5.1]
  11. Ela sustentou mil combates contra homens dissolutos em defesa da pureza de seu corpo e de sua virgindade que a distinguiam; [Eusébio 6.5.1]
  12. Pois assim como a força de sua alma, também a beleza de seu corpo estava em plena floração.
  13. E depois de suportar inúmeros tormentos, por fim, depois de torturas terríveis e que fazem estremecer só em nomeá-las, morreu ardendo viva juntamente com sua mãe, Marcela. [Eusébio 6.5.1]
  14. Conta-se que o juiz, cujo nome era Aquila, depois de fazê-la atormentar cruelmente por todo o corpo, finalmente ameaçou entregá-la aos gladiadores para ultraje de seu corpo. [Eusébio 6.5.2]
  15. Mas ela, depois de refletir pensativamente por breves instantes, ao ser questionada sobre o que decidia, deu tal resposta, que aos ouvidos daqueles parecia soar como algo ímpio. [Eusébio 6.5.2]
  16. Ela ainda falava quando recebeu os termos de sua sentença. [Eusébio 6.5.3]
  17. Basílides, um dos funcionários militares, tomou-a e a conduziu para sua execução. [Eusébio 6.5.3]
  18. Como a turba tentava molestá-la com palavras indecentes, ele rechaçava e afugentava os insolentes e mostrava para com ela a maior compaixão e humanidade. [Eusébio 6.5.3]
  19. Ela, por sua parte, aceitando a simpatia de que era alvo, exortava aquele homem a ter valor, pois ela pediria a seu próprio Senhor nada mais que partir [Eusébio 6.5.3]
  20. E em breve poderia corresponder ao que ele havia feito por ela. [Eusébio 6.5.3]
  21. Dito isto, enfrentou com nobreza seu fim enquanto derramavam o piche fervente sobre ela lenta e paulatinamente pelos diversos membros de seu corpo, desde a planta dos pés até o topo da cabeça. [Eusébio 6.5.4]
  22. E assim foi o combate travado por esta jovem digna de louvor. [Eusébio 6.5.4]
  23. Não muito depois, Basílides, tendo seus companheiros de milícia exigido juramento por algum motivo, afirmou que de modo algum poderia jurar, porque era cristão e o proclamava publicamente. [Eusébio 6.5.5]
  24. A princípio, durante algum tempo, pensavam que gracejava, mas como ele insistiu obstinadamente, conduziram-no ao juiz. [Eusébio 6.5.5]
  25. Ele, também perante este juiz, proclamou sua resistência e foi lançado à prisão. [Eusébio 6.5.5]
  26. Quando seus irmãos em Deus chegaram a ele, trataram de informá-lo sobre a causa desta repentina e maravilhosa decisão. [Eusébio 6.5.5]
  27. Conta-se que disse que Potamiena tinha lhe aparecido durante a noite, três dias depois de seu martírio. [Eusébio 6.5.6]
  28. Ela cingira-lhe a cabeça com uma coroa e lhe havia dito que pedira ao Senhor graça por ele, que havia obtido o pedido e que não tardando muito o tomaria consigo. [Eusébio 6.5.6]
  29. Ante isto os irmãos aplicaram-lhe o selo do Senhor, e no dia seguinte, depois de brilhar no testemunho do Senhor, foi decapitado. [Eusébio 6.5.5]
  30. Conta-se mesmo que, pelas datas mencionadas, muitos outros cidadãos de Alexandria se acercavam em massa à doutrina de Cristo, [Eusébio 6.5.7]
  31. porque em sonhos lhes aparecera Potamiena, segundo diziam, e os convidara a isto. [Eusébio 6.5.7]

XXV- Orígenes: Castração

  1. Tendo sucedido a Panteno, Clemente vinha regendo a catequese de Alexandria até aquele mesmo tempo, de maneira que também Orígenes foi um de seus discípulos. [Eusébio 6.6.1]
  2. Pelo menos Clemente, ao apresentar o material de seus Stromateis, no livro primeiro, expõe um quadro cronológico assinalando como limite a morte de Cômodo.  [Eusébio 6.6.1]
  3. com o que fica claro que compôs esta obra em tempos de Severo, cuja época se descreve na presente história. [Eusébio 6.6.1]
  4. Neste mesmo tempo, outro escritor, Judas, comentando por escrito as setenta semanas de Daniel, detêm também sua cronologia no décimo ano do Severo. [Eusébio 6.7.1]
  5. Também cria que a tão decantada aparição do anticristo estava já então se aproximando. [Eusébio 6.7.1]
  6. A tal ponto a violência daquela perseguição contra nós transtornava as mentes da maioria. [Eusébio 6.7.1]
  7. Neste tempo, estando ocupado no trabalho da catequese em Alexandria, Orígenes leva a cabo uma façanha que se demonstra um ânimo imaturo e juvenil, mas, ao mesmo tempo, oferece uma prova plena de fé e de continência. [Eusébio 6.8.1]
    2. Efetivamente, ele tomou muito ao pé da letra com ânimo bastante juvenil a frase: Há eunucos que se castraram a si mesmos pelo reino dos céus. [Eusébio 6.8.2]
  8. Ele pensou, por um lado, cumprir assim a palavra do Salvador, e por outro, evitar entre os infiéis toda suspeita e calúnia vergonhosa. [Eusébio 6.8.2]
  9. Pois, sendo tão jovem, tratava das coisas de Deus não apenas com homens, mas também com mulheres, decidiu-se a concretizar a palavra do Salvador, cuidando para que passasse despercebido para a maioria de seus discípulos. [Eusébio 6.8.2]
  10. Mas não lhe era possível, mesmo querendo-o, ocultar semelhante façanha, e assim mais tarde soube-o Demétrio, como presidente daquela igreja. [Eusébio 6.8.3]
  11. Muito se admirou por aquela façanha, e aceitando o zelo e a sinceridade de sua fé, exortava-o a ter ânimo e o estimulava a empenhar-se agora com mais força na obra da catequese; essa foi então a atitude de Demétrio. [Eusébio 6.8.3]
  12. Mas não muito tempo depois, vendo o êxito de Orígenes, sua grandeza, seu brilho e sua fama universal, foi vítima de paixão humana. [Eusébio 6.8.4]
  13. Demétrio tratou de descrever aos bispos de todo o mundo aquela façanha como sendo totalmente absurda. [Eusébio 6.8.4]
  14. No entanto, os bispos mais experientes e mais ilustres da Palestina, a saber, os de Cesareia e Jerusalém, consideraram Orígenes digno de privilégio e da mais alta honra e impuseram-lhe as mãos para ordená-lo presbítero. [Eusébio 6.8.4]
  15. Orígenes alcançou uma grande glória e conquistou em todas as partes e entre todos os homens considerável renome assim como fama de virtude e sabedoria. [Eusébio 6.8.5]
  16. Mas Demétrio, não tendo nenhum outro motivo de acusação, armou um escândalo tremendo por aquela ação que Orígenes havia cometido sendo um menino. [Eusébio 6.8.5]
  17. Ele se atreveu a envolver em suas acusações os que o haviam promovido aos presbiterato. Isto ocorreu, em realidade, pouco tempo depois. [Eusébio 6.8.5]
  18. Por este tempo, no entanto, Orígenes estava entregue em Alexandria ao ensino divino para todos os que acudiam a ele, sem reservas, à noite e inclusive de dia. [Eusébio 6.8.6]
  19. Ele dedicou sem vacilação todo seu tempo às ciências divinas e aos discípulos que o frequentavam. [Eusébio 6.8.6]

XXVI – Imperador Antonino

  1. Depois de exercer o império durante dezoito anos, Severo é sucedido por seu filho Antonino. [Eusébio 6.8.7]
  2. Neste tempo, um dos que se portaram virilmente na perseguição e, depois dos combates de sua confissão, foram preservados pela providência divina, foi um tal Alexandre[Eusébio 6.8.7]
  3. Ele foi mencionado a pouco como bispo da igreja de Jerusalém por ter-se distinguido em sua confissão por Cristo. [Eusébio 6.8.7]
  4. Ele foi considerado digno do mencionado episcopado, ainda que Narciso, seu predecessor, ainda estivesse vivo. [Eusébio 6.8.7]
  5. Muitos, pois, e diversos são os milagres que os cidadãos daquela igreja recordam de Narciso, transmitidos por tradição dos irmãos que se sucederam. [Eusébio 6.9.1]
  6. Dizem que uma vez, durante a grande vigília de Páscoa, faltou o azeite aos diáconos, devido a isso apoderou-se da multidão um grande desânimo. [Eusébio 6.9.2]
  7. Narciso mandou então aos que preparavam as luzes que pegassem água e a levassem a ele. [Eusébio 6.9.2]
  8. Feito isto, orou sobre a água e com toda a sinceridade de sua fé no Senhor ordenou que a derramassem nas lâmpadas. [Eusébio 6.9.3]
  9. Feito também isto, por um poder maravilhoso e divino e contra toda razão, a natureza da água mudou sua qualidade para a do azeite. [Eusébio 6.9.3]
  10. Muitos dos irmãos que ali estavam conservaram por longo tempo, desde então até nossos dias, um pouco daquele azeite como prova do milagre de então. [Eusébio 6.9.3]
  11. Muitas outras coisas dignas de menção contam-se sobre a vida deste homem, entre elas também a seguinte. [Eusébio 6.9.4]
  12. Havia uns pobres homens incapazes de suportar o vigor daquele e a constância de sua vida, temerosos de serem presos e submetidos a castigo. [Eusébio 6.9.4]
  13. Eram conscientes de seus inúmeros delitos, tomaram a dianteira e tramaram e espalharam uma calúnia terrível contra ele. [Eusébio 6.9.4]
  14. Assim, com o fim de assegurar-se da confiança dos ouvintes, confirmaram com juramento suas acusações: [Eusébio 6.9.5]
  15. Um jurava para que o fogo o destruísse; outro para que uma enfermidade funesta consumisse seu corpo, e um terceiro, para que seus olhos cegassem. [Eusébio 6.9.5]
  16. Mas nem assim, nem mesmo jurando, um só fiel prestou-lhes atenção, pela temperança de Narciso, que sempre brilhou ante todos e por sua conduta virtuosa em tudo. [Eusébio 6.9.5] 
  17. Ele, no entanto, não conseguiu relevar de forma alguma a maldade destas calúnias. [Eusébio 6.9.6]
  18. E por outro lado, estando há muito tempo em busca de uma vida filosófica, fugiu da multidão inteira da igreja e passou muitos anos oculto em regiões desertas e recônditas. [Eusébio 6.9.6]
  19. Mas o grande olho da justiça tampouco permaneceu quieto ante tais abusos. [Eusébio 6.9.7]
  20. Mas a toda pressa começou a perseguição daqueles ímpios com as mesmas desgraças com que se haviam ligado perjurando contra si mesmos. [Eusébio 6.9.7]
  21. O primeiro, sem nenhum motivo, simplesmente assim, tendo caído uma fagulha na casa em que morava, incendiando-a completamente à noite, morreu abrasado com toda a família. [Eusébio 6.9.8]
  22. O outro se viu de repente com o corpo, desde a planta dos pés até a cabeça, cheio daquela enfermidade com que ele mesmo se castigou de antemão. [Eusébio 6.9.8]
  23. O terceiro, assim que viu o fim dos primeiros, tremendo ante a inelutável justiça de Deus que tudo vê, fez confissão pública do que os três haviam tramado em comum. [Eusébio 6.9.8]
  24. Em seu arrependimento, consumia-se de tanto gemer e não cessava de chorar, tanto que chegou a perder os dois olhos. [Eusébio 6.9.8]
  25. Tais foram os castigos que sofreram estes por suas mentiras. [Eusébio 6.9.8]
  26. Tendo-se retirado Narciso e não sabendo ninguém onde poderia achar-se, os bispos que presidiam as igrejas limítrofes resolveram impor as mãos a um novo bispo. [Eusébio 6.10.1]
  27. Este se chamava Díos. Depois de presidir não muito tempo, sucedeu-o Germanion, e a este, Górdio, sob o qual reapareceu Narciso, de alguma parte, como um ressuscitado. [Eusébio 6.10.1]
  28. Os irmãos chamaram-no novamente para ocupar a presidência. [Eusébio 6.10.1]
  29. Todos se admiraram ainda mais, por causa de seu retiro, de sua filosofia, e sobretudo pela vingança que Deus tinha operado em seu favor. [Eusébio 6.10.1]
  30. Enfim, quando Narciso já não estava em condições de exercer o ministério por causa de sua extrema velhice. [Eusébio 6.11.1]

XXVII – Escritores da Fé

  1. A providência de Deus chamou o mencionado Alexandre, que era bispo de outra igreja, para exercer as funções episcopais. [Eusébio 6.11.1]
  2. Ambos Narciso e Alexandre exerceriam juntos conforme uma revelação que este teve em sonhos à noite. [Eusébio 6.11.1]
  3. Ocorreu pois que Alexandre, como obedecendo a um oráculo, empreendeu uma viagem. [Eusébio 6.11.2]
  4. Ele viajou desde a Capadócia, onde pela primeira vez foi investido do episcopado, a Jerusalém, por motivos de oração e de estudo dos lugares. [Eusébio 6.11.2]
  5. O povo dali o recebeu com os melhores sentimentos e já não lhe permitiram regressar a seu país. [Eusébio 6.11.2]
  6. Agiam conforme outra revelação que também eles haviam tido durante a noite e segundo uma voz que se fez ouvir claríssima aos mais zelosos dentre eles.
  7. A revelação lhes indicava que saíssem para fora das portas da cidade e recebessem o bispo que Deus lhes havia predestinado. [Eusébio 6.11.2]
  8. Depois de assim fazer, com o parecer comum dos bispos que regiam as igrejas circundantes, obrigaram Alexandre a permanecer ali forçosamente. [Eusébio 6.11.2]
  9. O próprio Alexandre, em carta privada aos antinoítas, que ainda se conserva entre nós, menciona o episcopado de Narciso, compartilhado com ele, quando escreve textualmente ao final da carta: [Eusébio 6.11.3]
  10. “Saúda-vos Narciso, o que regeu antes de mim a sede episcopal daqui, e agora, aos cento e dezesseis anos completos, ocupa seu lugar junto a mim nas orações e exorta-vos, assim como eu, a ter um mesmo sentimento.” [Eusébio 6.11.3]
  11. Assim ocorreram estas coisas. Na igreja de Antioquia, ao morrer Serapion, o episcopado passou em sucessão a Asclepíades, que também fora destacado por sua confissão no tempo da perseguição. [Eusébio 6.11.4]
  12. Alexandre menciona também a instituição deste quando escreve assim aos antioquenhos: “Alexandre, servo e prisioneiro de Jesus Cristo, à bem-aventurada igreja de Antioquia: saúde no Senhor”. [Eusébio 6.11.5]
  13. “O Senhor me fez suportáveis e leves as correntes quando no tempo de meu encarceramento soube que, por providência divina, se havia confiado o episcopado de vossa santa igreja de Antioquia a Asclepíades, o mais indicado por seu merecimento”. [Eusébio 6.11.3]
  14. Alexandre faz saber que esta carta foi enviada por meio de Clemente; ao final escreve como segue: [Eusébio 6.11.3]
  15. “Esta carta, queridos irmãos meus, envio-a pelo bem-aventurado presbítero Clemente, varão virtuoso e probo, a quem vós já conheceis e a quem também aprovareis. [Eusébio 6.11.3]
  16. Em sua estada aqui, conforme a providência e supervisão do Dono, consolidou e fortaleceu a Igreja do Senhor.” [Eusébio 6.11.3]
  17. Quanto ao fruto do afã literário de Serapion, é natural que se hajam conservado também outras obras entre outras pessoas, mas a nós não chegaram mais do que estas. [Eusébio 6.12.1]
  18. Eram as do seu discípulo Domno, um que no tempo da perseguição havia caído da fé de Cristo para dar na superstição judia; e ambos Poncio e Carico, varões eclesiásticos ambos; além de outras cartas a outras pessoas; [Eusébio 6.12.2]
  19. Serapion também escreveu como também outro tratado que compôs acerca do chamado Evangelho de Pedro; escreveu-o refutando as falsidades que neste se dizem, por causa de alguns da igreja de Rosos que, com o pretexto da dita Escritura, haviam-se desviado para ensinamentos heterodoxos. [Eusébio 6.12.2]
  20. Será bom oferecer deste livro algumas sentenças nas quais Serapion apresenta sua opinião: “Porque também nós, irmãos, aceitamos Pedro e os demais apóstolos como a Cristo, mas como homens de experiência que somos, rechaçamos os falsos escritos que levam seus nomes.” [Eusébio 6.12.3]
  21. Das obras de Clemente, por outro lado, conservaram-se entre nós os “Miscelâneas”, os oito livros inteiros, aos quais se dignou intitular: De Tito Flávio Clemente, “Miscelâneas das Memórias Gnósticas” segundo a verdadeira filosofia. [Eusébio 6.13.1]
  22. De igual número que estes são seus livros intitulados “Rascunhos”, nos quais menciona expressamente Panteno como seu mestre e expõe suas interpretações das Escrituras e suas tradições. [Eusébio 6.13.2]
  23. Há também de Clemente um Discurso aos gregos, O Protréptico, e três livros da obra intitulada O Pedagogo; outro tratado seu, o assim chamado Quem é o rico que se salva? [Eusébio 6.13.1]
  24. Também o tratado Sobre a Páscoa; e tratados Sobre o jejum e Sobre a maledicência, assim como a Exortação à paciência ou Aos recém-batizados, [Eusébio 6.13.2]
  25. Também o intitulado Cânon eclesiástico ou Contra os judaizantes, que ele dedicou ao mencionado bispo Alexandre. [Eusébio 6.13.3]
  26. Agora bem, nos “Miscelâneas” fabricou-se uma tapeçaria de citações não somente da divina Escritura, mas também das obras dos gregos, sempre que lhe parecia que também eles haviam dito algo aproveitável; menciona as opiniões do povo, enquanto explica as dos gregos e as dos bárbaros; [Eusébio 6.13.4]
  27. Além disso emenda as falsas opiniões dos heresiarcas, desdobra uma grande informação e nos proporciona a base de uma sábia e variada instrução. Com tudo isto mistura também as opiniões dos filósofos, de onde provavelmente se originou que inclusive o título dos Miscelânias se ajustasse ao tema. [Eusébio 6.13.5]
  28. Nos mesmos livros faz também uso de testemunhos tomados das Escrituras discutidas: das chamadas Sabedoria de Salomão e Sabedoria de Jesus (filho) de Sirac; da Carta aos Hebreus, das Cartas de Barnabé, de Clemente e de Judas. [Eusébio 6.13.6]
  29. Ele menciona o discurso de Taciano Contra os gregos e também a Cassiano por haver composto uma Cronografia, e também os escritores judeus Fílon, Aristóbulo, Josefo, Demétrio e Eupolemo que haviam demonstrado em seus escritos que Moisés e o povo judeu eram mais antigos do que as origens dos gregos. [Eusébio 6.13.7]
  30. De muitos outros ensinamentos úteis estão cheias as mencionadas obras deste homem. Na primeira delas declara sobre si mesmo que está muito próximo da sucessão dos apóstolos, e nela promete escrever também um comentário do Gênesis. [Eusébio 6.13.8]
  31. E em seu tratado Sobre a Páscoa confessa que foi compelido por seus companheiros a colocar por escrito, em proveito dos que viessem depois, as tradições que ele teve a sorte de ouvir da boca dos antigos presbíteros, e menciona Meliton, Irineu e alguns outros, dos quais inclusive cita passagens. [Eusébio 6.13.9]

XXVIII – Filosofia de Orígenes

  1. Orígenes viu que ele sozinho não se bastava para um estudo mais profundo dos mistérios divinos, para a investigação e interpretação das Sagradas Escrituras, e para a instrução catequética dos que dele se acercavam [Eusébio 6.15.1]
  2. Nem estes deixavam respirar, acorrendo à escola uns após outros desde a aurora até o anoitecer dividindo as multidões. [Eusébio 6.15.1]
  3. Por isso, escolheu entre seus discípulos Heraclas, varão zeloso nas coisas de Deus, também muito erudito e não desprovido de filosofia. [Eusébio 6.15.1]
  4. Ele o constituiu seu sócio na instrução catequética e o encarregou da primeira iniciação dos recém-admitidos, reservando para si a instrução dos já experientes. [Eusébio 6.15.1]
  5. E tão cuidadosa era a investigação que Orígenes fazia das palavras divinas, que até aprendeu a língua hebraica, comprou as Escrituras originais, conservadas entre os judeus com os próprios caracteres hebreus, e seguiu a pista das edições de outros tradutores das Sagradas Escrituras, além dos Setenta (Septuaginta). [Eusébio 6.16.1]
  6. Além das traduções trilhadas e alternantes421 de Aquila, de Simaco e de Teodocio, descobriu outras que, após seguir-lhes o rastro, tirou à luz, não sei de que esconderijos, onde se ocultavam desde antigamente. [Eusébio 6.16.1]
  7. A respeito destas, por sua obscuridade e por não saber de quem eram, indicou somente o seguinte: a saber, que uma foi encontrada em Nicópolis, perto de Accio, e a outra em outro lugar parecido. [Eusébio 6.16.2]
  8. Nas Hexaplas dos Salmos, ao menos, depois das quatro edições conhecidas, não somente pôs uma quinta tradução, mas também uma sexta e uma sétima; sobre uma delas está indicado que foi encontrada em Jericó, dentro de um jarro, em tempos de Antonino, o filho de Severo. [Eusébio 6.16.3]
  9. Todas estas traduções ele reuniu em um só corpo, dividiu-as em membros de frase e as colocou umas frente às outras, junto com o próprio texto hebreu, deixando assim a cópia das chamadas Hexaplas [Eusébio 6.16.4]
  10. Aparte, preparou a edição de Aquila, Simaco e Teodocio, junto com a dos Setenta, nas Tetraplas. [Eusébio 6.16.4]
  11. Pelo que toca a estes mesmos tradutores, deve-se saber que Simaco foi ebionita. [Eusébio 6.17.1]
  12. A heresia, assim chamada dos ebionitas, é a dos que afirmam que Cristo nasceu de José e de Maria, creem que foi puramente homem. [Eusébio 6.17.1]
  13. Eles insistem em que é necessário guardar a lei mais ao modo judeu, segundo o que já sabemos pelo referido anteriormente. [Eusébio 6.17.1] E ainda hoje se conservam Comentários de Simaco, nos quais parece querer confirmar a mencionada heresia, explicando-se longamente à custa do Evangelho de Mateus. [Eusébio 6.17.1]
  14. Orígenes declara que estes escritos, junto com outras interpretações de Simaco sobre as Escrituras, recebeu-os de uma tal Juliana, que por sua vez diz ter herdado os livros do próprio Simaco. [Eusébio 6.17.1]
  15. Por esta época também Ambrósio, que tinha as opiniões da heresia de Valentim, convencido pela verdade apresentada por Orígenes e como se uma luz tivesse iluminado sua mente, deu seu assentimento à doutrina da ortodoxia eclesiástica. [Eusébio 6.18.1]
  16. E muitas outras pessoas instruídas, quando se estendeu a fama de Orígenes por todas as partes, acudiam também a ele para experimentar a perícia deste homem nas doutrinas sagradas. [Eusébio 6.18.2]
  17. E milhares de hereges e não poucos filósofos dos mais ilustres aderiam a ele com afã, e ele os instruía não somente nas coisas divinas, mas inclusive na filosofia de fora. [Eusébio 6.18.2]
  18. De fato, àqueles que via naturalmente bem dotados iniciava nos conhecimentos filosóficos, dando-lhes geometria, aritmética e as outras disciplinas preliminares. [Eusébio 6.18.3]
  19. Guiava-os pelas seitas existentes entre os filósofos, explicando minuciosamente as obras destes e comentando e examinando cada uma. [Eusébio 6.18.3]
  20. Deste modo, inclusive entre os gregos, Orígenes era proclamado como grande filósofo. [Eusébio 6.18.3]
  21. E a muitos, inclusive entre os menos preparados, Orígenes iniciava nas disciplinas cíclicas, declarando que através delas conseguiriam capacitação para o exame e preparação das divinas Escrituras. [Eusébio 6.18.4]
  22. Por esse motivo, ele considerava necessário, sobretudo para si mesmo, o exercício nas disciplinas mundanas e nas filosóficas. [Eusébio 6.18.4]

XXIX – Filosofia de Orígenes

  1. Outras testemunhas do êxito de Orígenes nestes estudos são, dentre os próprios gregos, aqueles filósofos
    que floresceram em seu tempo [Eusébio 6.19.1]
  2. As obras deste filósofos contém mencionado o nome deste homem muitas vezes. [Eusébio 6.19.1]
  3. Umas, porque lhe dedicaram suas próprias obras. Outras, porque submetem-lhe o fruto de seus próprios trabalhos, como a um mestre, para que os julgasse. [Eusébio 6.19.1]
    2. Mas, que necessidade há de dizer isto quando o próprio Porfírio, nosso contemporâneo, estabelecido na Sicília, compôs umas obras contra os Cristãos, tentando com elas caluniar as Sagradas Escrituras [Eusébio 6.19.2]
  4. Ele não pode de forma alguma levantar a menor acusação por conta de nossas doutrinas e à falta de razões, volta-se contra os próprios intérpretes para injuriá-los e caluniá-los, e mais especialmente a Orígenes. [Eusébio 6.19.2]
    3. Sobre Orígenes, Porfírio diz que o conheceu na primeira juventude e logo trata de caluniá-lo. [Eusébio 6.19.3]
  5. No entanto, o que realmente faz é recomendá-lo sem saber, seja dizendo a verdade ali onde não lhe era possível dizer outra coisa, seja mentindo no que pensava que passaria despercebido. [Eusébio 6.19.2]
  6. Por isso, algumas vezes o acusa de cristão, e outras descreve sua entrega às ciências filosóficas. [Eusébio 6.19.3]
  7. Ele disse textualmente: “Alguns, em seu afã de encontrar, não o abandono, mas uma explicação da perversidade das Escrituras judaicas, entregaram-se a umas interpretações que são incompatíveis” [Eusébio 6.19.4]
  8. “Elas estão em desacordo com o escrito, pelo que oferecem, mais do que uma apologia em favor do estranho, a aceitação e louvor do mesmo.” [Eusébio 6.19.4]
  9. Efetivamente, as coisas que em Moisés estão ditas com claridade, eles alardeiam que são enigmas e lhes dão um ar divino, como de oráculos cheios de ocultos mistérios, [Eusébio 6.19.4]
  10. “E depois de enfeitiçar com o fumo de seu orgulho a faculdade crítica da alma, levam a cabo suas
    interpretações.” [Eusébio 6.19.4]
  11. Depois de mais algumas coisas, diz: “Mas este gênero de absurdo eles receberam daquele varão com quem eu também tratei sendo ainda muito jovem, que teve enorme reputação e que ainda a tem pelos escritos que deixou. [Eusébio 6.19.5]
  12. “Sobre Orígenes, digo, cuja glória se espalhou amplamente entre os mestres daquelas doutrinas.” [Eusébio 6.19.6]
  13. “Efetivamente, tendo sido ouvinte de Ammonio, que em nosso tempo foi o que mais progrediu em
    filosofia” [Eusébio 6.19.6]
  14. “Ele chegou a adquirir de seu mestre um grande aproveitamento para o domínio das ciência, mas no que tange à reta orientação da vida empreendeu um caminho contrário ao de Ammonio. [Eusébio 6.19.6]
  15. “De fato, Ammonio era cristão e seus pais o educaram nas doutrinas cristãs, mas quando entrou em
    contato com o pensar e a filosofia, imediatamente converteu-se a um gênero de vida conforme
    as leis.” [Eusébio 6.19.7]
  16. “Orígenes, por outro lado, grego e educado nas doutrinas gregas, veio a dar na temeridade própria dos bárbaros.” [Eusébio 6.19.7]
  17. “Entregando-se a ela corrompeu-se e corrompeu seu domínio das ciências.” [Eusébio 6.19.7]
  18. “Quanto a sua vida, vivia como cristão e contra as leis. Quanto a suas opiniões sobre as coisas e sobre a divindade, pensava como grego e introduzia o grego nas fábulas estrangeiras.” [Eusébio 6.19.8]
  19. “Porque ele vivia em trato contínuo com Platão e freqüentava as obras de Numenio, de Cronio, de
    Apolofanes, de Longino, de Moderato, de Nicomaco e dos outros autores mais conspícuos dos pitagóricos.” [Eusébio 6.19.8]
  20. “Também usava os livros do estóico Queremon e de Comuto. Por eles conheceu a interpretação alegórica dos mistérios dos gregos e a acomodou às Escrituras judias.” [Eusébio 6.19.8]
  21. Isto diz Porfírio no livro terceiro dos que escreveu Contra os cristãos. [Eusébio 6.19.9]
  22. Diz a verdade no que tange à educação e à múltipla sabedoria de Orígenes, mas mente claramente, por ser adversário dos cristãos, ao afirmar que este se converteu das doutrinas gregas, enquanto que Ammonio caiu num gênero de vida gentio a partir de uma vida conforme a religião. [Eusébio 6.19.9]
  23. Efetivamente, Orígenes conservou vivos os ensinamentos cristãos que vinham de seus pais, como é demonstrado pelas passagens precedentes desta história. [Eusébio 6.19.10]
  24. Ammonio manteve com firmeza puros e inatacáveis, inclusive até o fim de sua vida, os princípios da filosofia inspirada. [Eusébio 6.19.10]
  25. Isto é atestado de certa forma até hoje pelos trabalhos deste homem, famoso entre a maioria pelos escritos que deixou, como por exemplo o intitulado Da harmonia entre Moisés e Jesus, e todos os outros que se encontram em poder dos amantes do saber. [Eusébio 6.19.10]
  26. O que vimos dizendo fica pois como prova da calúnia deste mentiroso, e ao mesmo tempo dovmúltiplo saber de Orígenes nas ciências dos gregos. [Eusébio 6.19.11]
  27. Sabemos do que o próprio Orígenes escreve numa carta defendendo-se contra alguns que o acusavam de seu zelo por aquelas ciências: [Eusébio 6.19.11]
  28. “Como eu me entregava à doutrina e a fama de nossa capacidade ia-se espalhando, aproximavam de mim ora hereges, ora os que provinham das ciências gregas, sobretudo os filósofos.” [Eusébio 6.19.12]
  29. “Assim, eu determinei-me a examinar as opiniões dos hereges e o que proclamam os filósofos acerca da verdade.” [Eusébio 6.19.12]
  30. “Isto fizemos imitando Panteno, aquele varão que antes de nós ajudou a tantos e que possuía não pequena preparação naquelas ciências.” [Eusébio 6.19.13]
  31. Também a Heraclas, que agora ocupa um posto no presbitério de Alexandria e a quem encontrei junto ao mestre das disciplinas filosóficas, com o qual ele já tinha permanecido cinco anos, antes que eu começasse a ouvir suas lições. [Eusébio 6.19.13]
  32. “Por causa do mestre, despojou-se da roupa corrente que antes usava e adotou o uniforme dos filósofos, que ainda conserva até hoje, e não cessa de estudar nos livros dos gregos tudo o que pode.” [Eusébio 6.19.14]
  33. Isto é o que diz Orígenes em defesa de seu exercício na literatura grega. [Eusébio 6.19.14]

XXX – Orígenes: Comentários

  1. Neste tempo, vivendo ele em Alexandria, se apresentou a ele um soldado que entregou umas cartas a Demétrio, o bispo da comunidade, e ao governador do Egito de então. [Eusébio 6.19.15]
  2. Eram cartas da parte do governador da Arábia, com o fim de que a toda pressa enviassem Orígenes para que se entrevistasse com ele. E Orígenes chegou à Arábia. [Eusébio 6.19.15]
  3. Mas não muito depois, cumprido o objetivo de sua ida, regressou outra vez a Alexandria. [Eusébio 6.19.15]
  4. Entretanto deu-se novamente na cidade uma não pequena guerra, e Orígenes, saindo ocultamente de Alexandria, foi à Palestina e residiu em Cesaréia. [Eusébio 6.19.16]
  5. Aqui os bispos lhe pediram que desse conferências e interpretasse as divinas Escrituras publicamente na igreja, apesar de que ainda não havia recebido a ordenação de presbítero. [Eusébio 6.19.16]
  6. Assim declaram as palavras de Alexandre, o bispo de Jerusalém, e Teoctisto, o de Cesaréia, os quais, escrevendo sobre Demétrio, defendem-se como segue: [Eusébio 6.19.17]
  7. “Acrescenta em sua carta que isto jamais se ouviu, nem agora se faz, que preguem leigos estando presentes os bispos.” [Eusébio 6.19.17]
  8. Eu não sei como diz o que evidentemente não é verdade, porque onde quer que se encontrem homens com capacidade para trazer proveito aos irmãos, os santos bispos os convidam a pregar ao povo. [Eusébio 6.19.18]
  9. Como convidaram nossos bem-aventurados irmãos: Néon e Evelpis em Laranda, Celso e Paulino em Iconio e Ático e Teodoro em Sinade. [Eusébio 6.19.18]
  10. É provável que também em outros lugares ocorra o mesmo, sem que nós o saibamos.” [Eusébio 6.19.18]
  11. Assim é que o mencionado varão, ainda que jovem, era honrado não somente pelos compatriotas, mas também pelos bispos do estrangeiro. [Eusébio 6.19.18]
  12. Pois bem, quando Demétrio o chamou novamente por carta e exigiu por meio de diáconos de sua igreja que regressasse a Alexandria, depois de chegar, continuou cumprindo as tarefas costumeiras. [Eusébio 6.19.19]
  13. Floresciam nesta época muitos varões eloqüentes e eclesiásticos, cujas cartas, que mutuamente se
    escreviam, ainda hoje se conservam e são fáceis de encontrar. [Eusébio 6.20.1]
  14. Também foram preservadas até nossos dias na biblioteca de Elia, formada por Alexandre, que então regia a igreja dali, e na qual nós também pudemos reunir pessoalmente o material para a presente obra. [Eusébio 6.20.1]
  15. Entre eles, Berilo deixou também, junto com as cartas, diversos e belos escritos; era bispo dos árabes em Bostra. E o mesmo de Hipólito, que provavelmente presidia também outra igreja. [Eusébio 6.20.2]
  16. Também chegou até nós de Caio, varão sapientíssimo, um Diálogo composto em Roma, em tempos de Zeferino, contra Proclo, defensor da heresia catafriga. [Eusébio 6.20.3]
  17. Neste Diálogo, ao pôr freio aos contrários em sua propensão e atrevimento a compor novas escrituras, somente faz menção às treze Cartas do santo Apóstolo e não enumera com as demais a Carta aos Hebreus, pois até hoje alguns romanos pensam que não é do Apóstolo. [Eusébio 6.20.3]
  18. Mas tendo Antonino reinado sete anos e seis meses, sucedeu-o Macrino, este manteve-se por um ano, e novamente recebeu o principado dos romanos outro Antonino. [Eusébio 6.21.1]
  19. Em seu primeiro ano morreu Zeferino, bispo dos romanos, depois de ter exercido o ministério pelo espaço de dezoito anos completos. [Eusébio 6.21.1]
  20. Depois dele se confiou o episcopado a Calixto, que viveu ainda cinco anos e deixou o ministério a Urbano. [Eusébio 6.21.1]
  21. Depois disto, não tendo Antonino se mantido mais do que quatro anos, sucedeu-o como imperador Alexandre no principado dos romanos. [Eusébio 6.21.2]
  22. Também neste tempo Fileto sucede a Asclepíades na igreja de Antioquia. [Eusébio 6.21.2]
  23. Pois bem, a mãe do imperador, chamada Mamea, mulher piedosa como nenhuma outra, ressoou por todas as partes a fama de Orígenes ao ponto de chegar a seus ouvidos. [Eusébio 6.21.3]
  24. Ela pôs todo seu empenho em ser considerada digna de contemplar este homem e experimentar sua inteligência nas coisas de Deus, por todos admirada. [Eusébio 6.21.3]
  25. Assim pois, estando ela em Antioquia, mandou-o comparecer escoltado por soldados. [Eusébio 6.21.4]
  26. Passou junto a ela algum tempo e, depois de expor o maior número de coisas possível, para glória do Senhor e da virtude do ensinamento divino, apressou-se a retomar suas tarefas habituais. [Eusébio 6.21.4]
  27. Foi precisamente então que Hipólito compôs também, junto com muitos outros comentários, a obra Sobre a Páscoa, na qual expõe uma relação dos tempos. [Eusébio 6.22.1]
  28. Ele propõe certa regra de um ciclo de dezesseis anos para a Páscoa e fixa como limite dos tempos o primeiro ano do imperador Alexandre. [Eusébio 6.22.1]
  29. Das suas outras obras, as que chegaram até nós são as seguintes: Sobre o Hexameron, Sobre o que segue ao Hexameron, Contra Márcion, Sobre o Cantar, Sobre partes de Ezequiel, Sobre a Páscoa, Contra todas as heresias e muitíssimas outras que poderias encontrar conservadas em muitos lugares. [Eusébio 6.22.1]

XXXI – Orígenes: Vida na Cesareia

  1. A partir de então Orígenes começou também seus Comentários às divinas Escrituras. [Eusébio 6.23.1]
  2. Foi Ambrósio quem o instigou, e não somente com quanto ânimo e exortações podia pela palavra, mas também com abundantes subvenções para todo o necessário. [Eusébio 6.23.1]
  3. Efetivamente, quando ditava tinha à mão mais de sete taquígrafos, que se revezavam a certos tempos fixos, um número não menor de copistas e também algumas jovens treinadas na caligrafia. [Eusébio 6.23.2]
  4. O necessário para todos eles era proporcionado por Ambrósio em grande abundância. [Eusébio 6.23.2]
  5. Mais ainda, contribuiu com indizível zelo no estudo detalhado dos divinos oráculos e com isto impulsionava Orígenes a compor os Comentários. [Eusébio 6.23.2]
  6. Enquanto isto ocorria assim, Ponciano sucedia a Urbano, que havia sido bispo da igreja de Roma durante oito anos, e Zebeno a Fileto, na de Antioquia. [Eusébio 6.23.3]
  7. Por este tempo, Orígenes, indo para a Grécia pela Palestina, devido a alguns assuntos eclesiásticos de urgente necessidade, recebe em Cesaréia dos bispos da região a ordenação do presbiterato. [Eusébio 6.23.4]
  8. A agitação que sobre ele se levantou por este motivo e as decisões tomadas pelos prelados das igrejas sobre estas agitações. [Eusébio 6.23.4]
  9. Assim como também tudo o mais com que Orígenes em sua plena maturidade contribuiu no que toca à doutrina divina, como necessita de uma obra especial, [Eusébio 6.23.4]
  10. nós o descrevemos em sua justa medida no livro segundo da Apologia que compusemos em sua defesa. [Eusébio 6.23.4]
  11. Orígenes escreveu vários comentários em Alexandria sobre aos livros sagrados como mencionou as escrituras sagradas [Eusébio 6.24.1-3] [Eusébio 6.25.1-14]
  12. Corria o décimo ano do mencionado reinado de Alexandre Severo quando Orígenes emigrou de Alexandria a Cesaréia, deixando a Heraclas a escola catequética dali. [Eusébio 6.26.1]
  13. Mas pouco tempo depois morreu também Demétrio, o bispo da igreja de Alexandria, depois de manter-se no ministério pelo espaço de quarenta e três anos completos. Sucedeu-o Heraclas. [Eusébio 6.26.1]
  14. Por este tempo destacava-se Firmiliano, bispo de Cesaréia da Capadócia. [Eusébio 6.27.1]
  15. Tão grande era seu interesse por Orígenes, que uma vez o chamou a sua própria região para proveito das igrejas, e outra vez ele foi à Judéia, à casa de Orígenes. [Eusébio 6.27.1]
  16. Lá conviveu algum tempo com ele para seu melhoramento nas coisas divinas. [Eusébio 6.27.1]
  17. Não só ele, mas também Alexandre, o bispo de Jerusalém, e Teoctisto, o de Cesaréia, estavam ligados a ele a todo tempo como ao único mestre. [Eusébio 6.27.1]
  18. Eles recomendaram-lhe que se ocupasse da interpretação da Sagrada Escritura e do resto do ensinamento eclesiástico. [Eusébio 6.27.1]
  19. Quando o imperador dos romanos Alexandre deu fim a seus treze anos de império, sucedeu-o Maximino César. [Eusébio 6.28.1]
  20. Este, por ressentimento contra a família de Alexandre, que era composta de muitos fiéis, suscitou uma perseguição ordenando que somente fossem eliminados os chefes das igrejas, como culpados pelo ensino do Evangelho. [Eusébio 6.28.1]
  21. Foi então que Orígenes compôs sua obra Sobre o martírio, que dedicou a Ambrósio e a Protocteto, presbítero este da comunidade de Cesaréia, porque na perseguição ambos tinham sido presas de dificuldades nada comuns. [Eusébio 6.28.1]
  22. Nelas estes dois varões distinguiram-se por sua confissão, segundo é tradição, e Maximino não durou mais do que três anos. [Eusébio 6.28.1]
  23. Orígenes explicou este tempo da perseguição no livro XXII de seus Comentários ao Evangelho de João e em diversas cartas. [Eusébio 6.28.1]
  24. Depois de Maximino, Gordiano recebeu em sucessão o principado dos romanos. [Eusébio 6.29.1]
  25. E a Ponciano, que havia exercido o episcopado da igreja de Roma por seis anos, sucedeu Antero, que depois de servir no cargo durante um mês, teve como sucessor Fabiano. [Eusébio 6.29.1]
  26. Conta-se que Fabiano, junto com outros, depois da morte de Antero, veio do campo e se estabeleceu em Roma. [Eusébio 6.29.2]
  27. Ali, por graça divina e celestial chegou ao cargo episcopal da maneira mais extraordinária. [Eusébio 6.29.2]
  28. Efetivamente, estando todos os irmãos reunidos para eleger o que haveria de receber em sucessão o episcopado e sendo numerosíssimos os varões ilustres e célebres que estavam na mente de muitos, a ninguém ocorreu pensar em Fabiano, ali presente. [Eusébio 6.29.3]
  29. Ainda assim, prontamente, segundo contam, uma pomba vinda do alto pousou sobre sua cabeça, imitando manifestamente a descida do Espírito Santo em forma de pomba sobre o Salvador. [Eusébio 6.29.3]
  30. Ante este fato, todo o povo, como que movido por um único espírito divino, pôs-se a gritar com todo entusiasmo e unanimemente que este era digno [Eusébio 6.29.4]
  31. E sem mais tardar tomaram-no e o colocaram sobre o trono do episcopado. [Eusébio 6.29.4]
  32. Por este tempo também, morto Zebeno, bispo de Antioquia, sucedeu-o no cargo Babilas. [Eusébio 6.29.4]
  33. E em Alexandria, assim como depois de Demétrio Heraclas havia recebido o ministério episcopal, a este sucedeu na escola de catequese Dionísio, outro discípulo de Orígenes. [Eusébio 6.29.4]

XXXII – Orígenes: Discípulos

  1. Muitos eram os que acudiam a Orígenes, enquanto este se entregava em Cesaréia a suas tarefas
    habituais, e não somente nativos, mas também inúmeros discípulos do estrangeiro que haviam
    deixado sua pátria. [Eusébio 6.30.1]
  2. Destes os mais ilustres de que sabemos foram Teodoro – que é a mesma pessoa que o famoso bispo contemporâneo nosso Gregório – e seu irmão Atenodoro. [Eusébio 6.30.1]
  3. Ainda que os dois estivessem como embebidos pelos estudos gregos e romanos, Orígenes foi-lhes inoculando o amor da filosofia e os impeliu a trocar pela ascese divina aquele seu primeiro ardor. [Eusébio 6.30.1]
  4. Cinco anos inteiros conviveram com ele e tão grande foi seu melhoramento nas coisas divinas que, sendo ambos ainda jovens, foram considerados dignos do episcopado das igrejas do ponto. [Eusébio 6.30.1]
  5. Também neste tempo era conhecido Africanus, o autor dos escritos intitulados Kestoi, que dele se conserva- uma Carta escrita a Orígenes. [Eusébio 6.31.1]
  6. A carta se mostra em dúvida sobre se a história de Susana no livro de Daniel é espúria e inventada. Orígenes deu-lhe uma resposta completíssima. [Eusébio 6.31.1]
  7. Do mesmo Africanus chegaram a nós outros trabalhos, cinco livros de Cronografias executados com exatidão, onde diz que pôs-se a caminho de Alexandria devido à grande fama de Heraclas. [Eusébio 6.31.2]
  8. Pois Heraclas, depois de ter-se distinguido muitíssimo em filosofia e outras ciências dos gregos, havia sido confiado o episcopado daquela igreja. [Eusébio 6.31.2]
  9. Conserva-se também uma segunda Carta do mesmo Africanus dirigida a Aristides, acerca da grande discordância das genealogias de Cristo em Mateus e Lucas. [Eusébio 6.31.3] 
  10. Nela estabelece clarissimamente a concordância de ambos evangelistas. [Eusébio 6.31.3]
  11. Orígenes, por este tempo, compunha os Comentários a Isaías, como também, pelas mesmas datas, os Comentários a Ezequiel. [Eusébio 6.32.1]
  12. Deles chegaram a nós trinta tomos do comentário à terceira parte de Isaías e dos Comentários a Ezequiel, vinte e cinco tomos, que são os únicos que já foram feitos sobre o profeta inteiro. [Eusébio 6.32.1]
  13. Estando por esta época em Atenas, dá o arremate aos Comentários a Ezequiel e começa os do Cantar dos Cantares, continuando-os ali mesmo até o livro quinto. [Eusébio 6.32.2]
  14. Regressou logo a Cesaréia e os terminou; dez no total. [Eusébio 6.32.2]
  15. E para que fazer aqui um catálogo das obras deste homem, que necessitaria um estudo especial? [Eusébio 6.32.3]
  16. Nós já o incluímos na relação da vida do santo mártir de nossos dias Panfilo; ao demonstrar nela como era grande o zelo de Panfilo pelas coisas divinas. [Eusébio 6.32.3]
  17. Foram citadas as listas da biblioteca por ele reunida com base nas obras de Orígenes que chegaram até nós. Mas agora devemos seguir com o fio de nossa história. [Eusébio 6.32.3]
  18. Nessa época, Berilo, o bispo de Bostra, mencionado pouco acima, pervertia a regra eclesiástica e tratava de introduzir ensinamentos estranhos à fé; [Eusébio 6.33.1]
  19. Ele se atreveu a dizer que nosso Salvador e Senhor não preexistia com individualidade própria antes de residir entre os homens. [Eusébio 6.33.1]
  20. Dizia que tampouco possuía divindade própria, mas unicamente a do Pai, que habita nele. [Eusébio 6.33.1]
  21. Ante isto, muitos bispos foram interrogar Berilo e dialogar com ele; Orígenes foi chamado e lá foi. [Eusébio 6.33.2]
  22. Começou conversando com Berilo para saber o quê pensava, e quando também soube o que dizia, comprovou que não opinava corretamente. [Eusébio 6.33.2]
  23. Persuadindo-o com a razão, colocou-o na verdade acerca da doutrina e o restabeleceu em sua primeira e sã opinião. [Eusébio 6.33.2]
  24. E até hoje subsistem escritos de Berilo e do sínodo que houve por sua causa, escritos que contêm, junto com as perguntas que Orígenes lhe fez e os diálogos havidos em sua própria comunidade,  tudo de que se tratou naquela ocasião. [Eusébio 6.33.3]
  25. Sobre Orígenes, por fim, os mais velhos de nossa geração transmitiram a memória de outros inumeráveis casos que haveremos de omitir, parece-me, por não caber à presente obra. [Eusébio 6.33.4]
  26. Mas tudo o que era necessário conhecer do que a ele se refere pode-se consultar na Apologia que elaboramos em sua defesa o santo mártir de nosso tempo Panfilo e nós. [Eusébio 6.33.4]
  27. Era uma obra que após penoso esforço realizamos juntos com grande diligencia, por causa dos insistentes. [Eusébio 6.33.4]

XXXIII – Heresia dos Helcesaítas

  1. Ao terminar Gordiano seu reinado de seis anos completos sobre os romanos, sucedeu-o no principado Felipe, junto com seu filho Felipe. [Eusébio 6.34.1]
  2. Dele conta uma tradição que, como era cristão, quis tomar parte com a multidão nas orações que se faziam na Igreja no dia da última vigília da Páscoa, mas a pessoa que presidia naquela ocasião não permitiu que entrasse. [Eusébio 6.34.1]
  3. Antes, deveria fazer a confissão e inscrever-se com os que se classificava como pecadores e ocupavam o lugar da penitência, porque se não fizesse isto nunca o receberia de outra maneira, por causa das muitas tarefas que tinha. [Eusébio 6.34.1]
  4. E diz-se que ao menos obedeceu com bom ânimo e demonstrou com obras a sinceridade e piedade de sua disposição a respeito do temor a Deus. [Eusébio 6.34.1]
  5. Era o terceiro ano deste Felipe, quando morreu Heraclas, depois de presidir durante uns dezesseis
    anos as igrejas de Alexandria, recebeu o episcopado Dionísio. [Eusébio 6.35.1]
  6. Foi então, como também era natural, enquanto a fé se multiplicava e nossa doutrina se expressava
    com liberdade por todas as partes, quando Orígenes, segundo dizem, tendo passado dos sessenta
    anos de idade [Eusébio 6.36.1]
  7. Tendo já reunido uma grande experiência com sua longa preparação, permitiu aos taquígrafos transcrever as conferências tidas por ele em público, sendo que nunca antes tinha consentido que isto se fizesse. [Eusébio 6.36.1]
  8. Também compôs neste tempo os oito livros contra a obra do epicúreo Celso contra nós, intitulada Doutrina verdadeira. [Eusébio 6.36.2]
  9. Também compôs os vinte e cinco tomos Sobre o Evangelho de Mateus e os tomos Sobre os doze profetas, dos quais encontramos apenas vinte e cinco. [Eusébio 6.36.2]
  10. Conserva-se dele ainda uma carta ao próprio imperador Felipe e outra a sua mulher Severa, assim como muitas outras a diferentes pessoas. [Eusébio 6.36.3]
  11. Delas temos recolhido em volumes próprios, para que não andem mais espalhadas, todas que pudemos reunir, conservadas aqui e acolá entre diferentes pessoas. Ultrapassam o número de cem. [Eusébio 6.36.3]
  12. Escreveu também a Fabiano, o bispo de Roma, e a muitos outros chefes de igrejas, sobre sua
    própria ortodoxia. [Eusébio 6.36.4]
  13. Tens provas disso no livro sexto da Apologia que escrevemos sobre este homem. [Eusébio 6.36.4]
  14. Pela mesma época de que falamos surgiram novamente na Arábia outros introdutores de uma
    doutrina alheia à verdade. [Eusébio 6.37.1]
  15. Eles diziam que a alma humana, enquanto durar o tempo presente, morre no transe derradeiro juntamente com os corpos e com eles se corrompe. [Eusébio 6.37.1] Mas que um dia reviverá novamente com eles no momento da ressurreição. [Eusébio 6.37.1]
  16. Pois bem, também então reuniu-se um concilio de bom tamanho e novamente chamou-se a Orígenes, que teve alguns discursos em público sobre o assunto debatido, [Eusébio 6.37.1]
  17. De tal forma se conduziu que aqueles que primeiro haviam sido enganados mudaram suas opiniões. [Eusébio 6.37.1]
  18. Também então deu início a uma nova perversão a heresia chamada dos helcesaítas, que se
    extinguiu logo depois de nascida. [Eusébio 6.38.1]
  19. Ela foi mencionada por Orígenes em uma homilia sobre o salmo 82, que pronunciou em público, e diz assim: [Eusébio 6.38.1]
  20. “Veio recentemente um que se gloria de poder ser embaixador de uma doutrina ateia e ímpia por demais, chamada dos helcesaítas, que se levantou recentemente contra as igrejas.” [Eusébio 6.38.1]
  21. “Quais são as maldades que profere esta doutrina, vou expô-las, para que não vos capture.” [Eusébio 6.38.1]
  22. “Rechaça algumas coisas de toda a Escritura; utiliza no entanto passagens tomadas de todo o Antigo Testamento e dos Evangelhos; rechaça por inteiro o Apóstolo.” [Eusébio 6.38.1]
  23. “Diz que renegar a fé é coisa indiferente, e que o homem atento, em caso de necessidade, renegará com a boca, ainda que não com o coração.” [Eusébio 6.38.1]
  24. “E possuem um livro do qual dizem que caiu do céu e que quem o ouça e tenha fé receberá perdão de seus pecados, um perdão diferente do que Cristo Jesus deu.” [Eusébio 6.38.1]

XXXIV – Orígenes: Tortura e Morte por Décio

  1. Agora pois, a Felipe, que havia imperado por sete anos, sucede Décio, que por ódio a Felipe suscitou uma perseguição contra as igrejas. [Eusébio 6.39.1]
  2. Nela Fabiano consumou seu martírio em Roma e Cornélio o sucedeu no episcopado. [Eusébio 6.39.1]
  3. E na Palestina, Alexandre, bispo da igreja de Jerusalém, novamente comparece por Cristo ante os tribunais do governador em Cesaréia. [Eusébio 6.39.2]
  4. Depois de distinguir-se nesta segunda confissão de fé, experimenta o cárcere apesar de estar já coroado com os veneráveis cabelos brancos de sua esplêndida velhice. [Eusébio 6.39.2]
  5. Morto na prisão, depois de dar brilhante e claríssimo testemunho ante os tribunais do governador, proclama-se Mazabanes seu sucessor no episcopado de Jerusalém. [Eusébio 6.39.3]
  6. De modo semelhante a Alexandre morreu Babilas na prisão em Antioquia depois de sua confissão de fé, e Fábio pôs-se à frente daquela igreja. [Eusébio 6.39.4]
  7. Quanto a Orígenes, quantas e quais coisas lhe aconteceram na perseguição e o fim que tiveram. [Eusébio 6.39.5]
  8. O malvado demônio se pôs contra ele todo seu exército e lutava contra ele com todos seus meios e todo seu poder [Eusébio 6.39.5]
  9. Abatia-se sobre ele de modo distinto do que sobre os demais a quem fazia então a guerra. [Eusébio 6.39.5]
  10. Muitos e variados sofrimentos teve que suportar aquele homem pela doutrina de Cristo: correntes e torturas, os suplícios físicos, os suplícios pelo ferro e os suplícios na escuridão do cárcere. [Eusébio 6.39.5]
  11. Os seus pés durante muitos dias foram estendidos no cepo até o quarto furo e depois de ser ameaçado com o fogo, suportou ainda com integridade muitos outros tormentos que seus inimigos lhe infligiam. [Eusébio 6.39.5]
  12. Tudo suportou enquanto o juiz se esforçava com todas suas forças para que não se lhe tirassem a vida. [Eusébio 6.39.5]
  13. Depois de tudo isto, que classe de sentenças deixou atrás de si, cheias também elas de proveito para os que necessitam recuperar-se. [Eusébio 6.39.5]
  14. Tudo isto está contido nas numerosas cartas deste homem, com tanta verdade quanto exatidão.
  15. Igualmente, aconteceu com Dionísio como apresentado em sua Carta contra Germano, onde, falando de si mesmo. [Eusébio 6.40.1]
  16. Ele conta o que segue: “Eu, de minha parte, também estou falando diante de Deus e ele sabe se estou mentindo.” [Eusébio 6.40.1]
  17. “Não empreendi a fuga baseado em mim mesmo e sem ajuda de Deus, mas antes, declarada a perseguição de Décio, na mesma hora o prefeito do Egito chamado Sabino enviou um frumentário em busca de mim.” [Eusébio 6.40.2]
  18. “Eu permaneci quatro dias em minha casa esperando a chegada do frumentário, mas ele andou dando voltas esquadrinhando tudo, os caminhos, os rios, os campos, onde ele suspeitava que eu me ocultava ou andava.” [Eusébio 6.40.2]
  19. “Pois estava afetado por tal cegueira de não encontrar a casa, pois não acreditava que eu, sendo perseguido, permanecesse em casa.” [Eusébio 6.40.2]
  20. “E somente depois do quarto dia, porque Deus me ordenava trasladar-me e milagrosamente nos abria caminho, saímos juntos eu e meus filhos e muitos irmãos.” [Eusébio 6.40.3]
  21. E que isto foi obra da providência de Deus é provado pelos acontecimentos exteriores em que por acaso fomos de proveito para alguns”. [Eusébio 6.40.3]
  22. Logo, depois de interpor alguma outra coisa, manifesta o que lhe aconteceu depois de sua fuga, acrescentando o que segue:” [Eusébio 6.40.4]
  23. “Eu, de minha parte, até o pôr-do-sol, caí efetivamente nas mãos dos soldados, junto com meus
    acompanhante.” [Eusébio 6.40.4]
  24. “Eu fui conduzido a Taposiris, enquanto que Timóteo, pela providência de Deus, por acaso não se achava presente e não foi detido.” [Eusébio 6.40.4]
  25. “Quando regressou mais tarde, encontrou a casa deserta e alguns servidores guardando-a, e quanto a nós, soube que nos tinham capturado.” [Eusébio 6.40.5]
    5. “E qual foi a forma de sua admirável disposição providencial? Porque há que se dizer a verdade.” [Eusébio 6.40.5]
  26. “Um camponês saiu ao encontro de Timóteo, que fugia perturbado, e perguntou-lhe a causa daquela precipitação.” [Eusébio 6.40.5]
  27. “Este lhe disse a verdade, e aquele, quando o ouviu, não fez mais que entrar e contá-lo aos que estavam à mesa.” [Eusébio 6.40.6]
  28. “Todos eles, como a um sinal convencionado e por impulso unânime, puseram-se em pé e a toda pressa logo chegaram.” [Eusébio 6.40.6]
  29. “Caíram sobre nós com grande gritaria e, tendo fugido os soldados que nos guardavam, acercaram-se de nós como estávamos, largados sobre uns estrados sem cobertores.” [Eusébio 6.40.7]
  30. “Eu então – sabe Deus que na hora os tomei por salteadores vindos para roubar e pilhar – permaneci no leito, desnudo como estava, com a simples camisa de linho, e as demais roupas que estavam junto de mim eu lhe oferecia. [Eusébio 6.40.7]
  31. “Mas eles nos ordenaram levantar-nos e sair a toda pressa.” [Eusébio 6.40.7]
  32. “Então compreendi por que estavam ali e comecei a gritar pedindo-lhes e suplicando-lhes que fossem e nos deixassem. [Eusébio 6.40.8],
  33. “Se queriam fazer algo proveitoso, eu lhes rogava que se antecipassem aos que me conduziam e que eles mesmos me cortassem a cabeça. [Eusébio 6.40.8]
  34. “E enquanto eu dizia isto a gritos, como sabem meus companheiros e coparticipes de toda esta peripécia, levantaram-nos à força. [Eusébio 6.40.8]
  35. “Eu então me joguei de costas ao chão, mas eles, agarrando-me pelas mãos e pelos pés tiraram-me arrastado.” [Eusébio 6.40.8]
  36. “Seguiam-me as testemunhas de tudo isto: Caio, Fausto, Pedro, Paulo, os quais puxando-me às pressas, tiraram-me do povoado, e fazendo-me montar em pelo sobre um asno, levaram-me.” [Eusébio 6.40.9]
  37. Assim descreveu Dionísio sobre si mesmo. [Eusébio 6.40.9]

XXXV – Imperador Décio

  1.  Dionísio, em sua carta a Fábio, bispo de Antioquia, narra como segue os combates dos que
    sofreram martírio em Alexandria sob Décio: [Eusébio 6.41.1]
  2. “Entre nós a perseguição não começou pelo edito imperial, mas antecipou-se um ano inteiro.” [Eusébio 6.41.1]
  3. Tomando a dianteira nesta cidade o adivinho e autor de males, quem quer este fosse, agitou e excitou contra nós as turbas de pagãos reavivando seu zelo pela superstição do país. [Eusébio 6.41.1]
  4. Excitados por ele e tomando toda liberdade para sua ímpia obra, começaram a pensar que somente era religião este ato de culto demoníaco: assassinar-nos. [Eusébio 6.41.2]
  5. O primeiro a quem lançaram mão foi um velho chamado Metras; intimaram-no a dizer palavras ímpias, e como ele não obedecia, bateram-no por todo o corpo e espetaram seu rosto e seus olhos com varas pontiagudas; levaram-no ao arraial e ali o apedrejaram. [Eusébio 6.41.3]
  6. Depois foi uma mulher crente, chamada Quinta; conduziram-na ao templo dos ídolos e queriam
    forçá-la a adorar. [Eusébio 6.41.4]
  7. Mas como ela se virou horrorizada, ataram-lhe os pés e a arrastaram por toda a cidade sobre o áspero calçamento, batendo contra as lajes enquanto a açoitavam, e voltando ao mesmo lugar, apedrejaram-na. [Eusébio 6.41.4]
  8. Em seguida todos de uma vez lançaram-se contra as casas dos fiéis, e caindo sobre os que cada um conhecia, seus vizinhos, levavam-nos e se entregavam ao saque e à pilhagem. [Eusébio 6.41.5]
  9. Separando para si os objetos mais valiosos e jogando os mais vulgares e feitos de madeira para queimá-los nas ruas, ofereciam o espetáculo de uma cidade tomada por inimigos. [Eusébio 6.41.5]
  10. Quanto aos irmãos, deixavam-nos fazer, retiravam-se às escondidas e aceitavam com alegria o roubo de seus bens, assim como aqueles de quem Paulo deu testemunho. [Eusébio 6.41.6]
  11. E não sei de nenhum até agora que tenha renegado o Senhor, a não ser, talvez, um que caiu em suas mãos. [Eusébio 6.41.6]
  12. Mas ainda há mais; prenderam também então a anciã Apolonia, virgem admirável. [Eusébio 6.41.7]
  13. Ao golpeá-la nas faces fizeram saltar-lhe todos os dentes, e erguendo uma fogueira diante da cidade, ameaçaram queimá-la viva se não proferisse, junto com eles, os votos da impiedade. [Eusébio 6.41.7]
  14. Ela então pediu um pequeno espaço e, uma vez solta, lançou-se de um forte salto ao fogo e ficou completamente queimada. [Eusébio 6.41.7]
  15. Serapion foi preso em casa, e depois de maltratá-lo com duros tormentos e torcer-lhe todos os membros, lançaram-no de cabeça do andar superior. [Eusébio 6.41.8]
  16. Nem por caminhos, nem por trilhas, nem pelas ruas podíamos transitar, nem de noite nem de dia, sem que a toda hora e em toda parte gritassem que quem não cantasse as palavras blasfemas devia ser arrastado e queimado. [Eusébio 6.41.8]
  17. Este estado de coisa se manteve assim por muito tempo, mas depois a revolta se apoderou dos próprios ímpios. [Eusébio 6.41.9]
  18. Uma guerra civil entre Felipe e Décio voltou contra eles mesmos a crueldade que antes empregavam contra os Cristãos. [Eusébio 6.41.9]
  19. Estes puderam por fim respirar um pouco aproveitando sua falta de tempo para se irritarem contra nós. [Eusébio 6.41.9]
  20. Mas em seguida anunciou-se a troca daquele reinado, tão favorável para nós, e espalhou-se um grande temor pelo que nos ameaçava. [Eusébio 6.41.9]
  21. E assim é que ali estava o edito, quase idêntico ao previsto por nosso Senhor, o mais terrível ou pouco menos, tanto que, sendo possível, até os próprios eleitos tropeçariam. [Eusébio 6.41.10]
  22. Certo é que estavam todos aterrados, e muitos dos mais conspícuos, uns compareciam logo, mortos de medo. [Eusébio 6.41.11]
  23. Outros, com cargos públicos, viam-se levados por suas próprias funções, e outros eram arrastados pelos amigos. [Eusébio 6.41.11]
  24. Chamados pelo nome, aproximavam-se dos impuros e profanos sacrifícios, pálidos e trêmulos, como se não fossem sacrificar, mas serem eles mesmos sacrifícios e vítimas para os ídolos. [Eusébio 6.41.11]
  25. O numeroso público ao redor zombava deles, pois era evidente que para tudo eram uns covardes, para morrer e para sacrificar. [Eusébio 6.41.11]
  26. Alguns outros, por outro lado, corriam mais resolutos aos altares e levavam sua audácia ao ponto de sustentar que jamais anteriormente tinham sido cristãos. [Eusébio 6.41.12]
  27. A eles se refere a muito verdadeira pregação do Senhor: que dificilmente se salvarão. [Eusébio 6.41.12]
  28. Dos restantes, uns seguiam a um ou outro dos grupos mencionados, e os outros fugiam. [Eusébio 6.41.12]
  29. Quanto aos que foram presos, alguns, depois de terem chegado até as correntes e ao cárcere – alguns inclusive estiveram encerrados vários dias -, logo renegaram, ainda antes de chegar ao tribunal. [Eusébio 6.41.13]
  30. Outros, depois de se manterem firmes algum tempo nos tormentos, negaram-se a seguir adiante. [Eusébio 6.41.13]
  31. Mas os sólidos e abençoados pilares do Senhor, fortalecidos por ele com uma força e constância adequadas e dignas de sua fé robusta, converteram-se em testemunhos admiráveis de seu reino. [Eusébio 6.41.14]

XXXVI – Martírios

  1. O primeiro deles, Juliano era um homem sofrendo de gota, incapaz de ficar em pé ou de caminhar,
    que foi conduzido junto com outros dois que o levavam. [Eusébio 6.41.15]
  2. Um destes renegou em seguida, enquanto que o outro, chamado Cronion e apelidado Eunus, assim como o próprio ancião Juliano, confessaram o Senhor. [Eusébio 6.41.15]
  3. Eles foram levados sobre camelos por toda a cidade, que eram enorme, como sabeis, enquanto os açoitavam lá em cima, por último, com todo o povo acotovelando-se em torno, queimaram-nos com cal viva. [Eusébio 6.41.15]
  4. E um soldado que os escoltava quando eram conduzidos ao suplício enfrentou-se com os que lançavam seus insultos, mas eles se puseram a gritar.  [Eusébio 6.41.16]
  5. O valentíssimo campeão de Deus, Besas, foi conduzido ao tribunal, de depois de sobressair no grande combate pela religião, foi decapitado. [Eusébio 6.41.16]
  6. E outro ainda, de nacionalidade líbia, e verdadeiro Mácar por seu nome e por bênção divina, como o juiz insistisse em exortá-lo a renegar, não se deixou seduzir, e o queimaram vivo. [Eusébio 6.41.17]
  7. Depois destes, Epímaco e Alexandre, que depois de ficarem presos longo tempo sofrendo incontáveis sofrimentos de ganchos e açoites, foram também metidos em cal viva. [Eusébio 6.41.17]
  8. E com estes, quatro mulheres. A Ammonaria, uma santa virgem, o juiz mandou torturá-la com toda sanha e força.
  9. Ela constatou de antemão que não diria uma só palavra que ele ordenasse e ela cumpriu a promessa quando a conduziram ao suplício. [Eusébio 6.41.18]
  10. Quanto às outras, a venerável anciã Mercuria, e Dionisia, mãe de muitos filhos, aos quais, no entanto, não amou mais do que ao Senhor. [Eusébio 6.41.18]
  11. O juiz sentiu-se envergonhado ante a ineficácia de suas torturas, e para não ser vencido por umas mulheres, fez com que morressem pela espada e não provassem mais tormentos. [Eusébio 6.41.18]
  12. De fato Ammonaria os tinha suportado por todas elas, como um paladino seu. [Eusébio 6.41.18]
  13. Foram entregues também os egípcios Heron, Ater e Isidoro, e com eles um rapaz de uns quinze
    anos chamado Dióscoro. [Eusébio 6.41.19]
  14. Primeiramente o juiz tentou seduzir o rapaz com palavras, pensando ser fácil de enganar, e forçá-lo com tormentos pensando ser fácil de ceder, mas Dióscoro nem se deixou persuadir nem cedeu. [Eusébio 6.41.19]
  15. Aos outros dilacerou ferozmente, e como seguiram firmes, também os entregou ao fogo. [Eusébio 6.41.20]
  16. A Dióscoro, por outro lado, deixou seguir livre, admirado de como havia-se coberto de glória ante o público e que sábias respostas dera em seu próprio interrogatório, [Eusébio 6.41.20]
  17. Ele disse que lhe dava aquela prorrogação para que se arrependesse. E agora, o divino Dióscoro está conosco, reservado para um combate mais longo e trabalhos mais duradouros. [Eusébio 6.41.20]
  18. E um tal Nemesion, também egípcio, foi injustamente acusado de viver com ladrões. [Eusébio 6.41.21]
  19. Quando conseguiu desfazer tão absurda calúnia ante o Centurião, foi denunciado como cristão e veio acorrentado ante o governador. [Eusébio 6.41.21]
  20. Este, muito injusto, maltratou-o com tormentos e açoites em quantidade dobrada da dos bandidos, e entre bandidos fez queimar o bem-aventurado, que assim via-se honrado com o exemplo de Cristo. [Eusébio 6.41.21]
  21. Todo um piquete de soldados: Ammon, Zenon, Ptolomeu e Ingenes, e com eles um ancião, Teófilo, achava-se de pé diante do tribunal. [Eusébio 6.41.22]
  22. Estava-se julgando um homem por ser cristão, e quando ele ia se inclinando para a apostasia, aqueles, que estavam presentes começaram a rilhar os dentes e faziam sinais com a cabeça, estendiam as mãos e gesticulavam com todo o corpo. [Eusébio 6.41.22]
  23. Todos se viraram para eles, e então, antes que os prendessem por outros motivos, eles mesmos se adiantaram correndo para o estrado dizendo que eram cristãos. [Eusébio 6.41.23]
  24. Com isto tanto o governador como seus assessores, encheram-se de medo e parecia que, enquanto os réus se mostravam animadíssimos com o que iam padecer, os juízes se acovardavam. [Eusébio 6.41.23]
  25. E assim aqueles soldados saíram em triunfo do tribunal transbordantes de alegria por seu testemunho: Deus os fazia triunfar gloriosamente. [Eusébio 6.41.23]

XXXVII – Mais Martírios

  1. E muitos outros foram despedaçados pelos pagãos nas cidades e aldeias, desses recordarei somente um para fim de exemplo. [Eusébio 6.42.1]
  2. Isquirion era intendente a soldo de um dos magistrados. [Eusébio 6.42.1]
  3. Seu amo o mandou sacrificar, e como ele não obedeceu, começou a injuriá-lo, persistiu em sua negativa, e o amo o maltratava. [Eusébio 6.42.1]
  4. Como suportava tudo, este agarrou uma enorme estaca e, atravessando-lhe intestinos e entranhas, matou-o. [Eusébio 6.42.1]
    2. E o que dizer da multidão dos que andaram errantes por desertos e montes e morreram de fome, de
    sede, de frio e de enfermidades, ou presa de ladrões e de feras? [Eusébio 6.42.2]
  5. De sua eleição e sua vitória são testemunhas os que dentre eles sobreviveram. Como prova de todos, citarei também um só caso. [Eusébio 6.42.2]
  6. Queremon era já muito velho e era bispo da cidade chamada Nilópolis. [Eusébio 6.42.3]
  7. Tendo fugido com sua mulher à montanha de Arábia, não regressou mais, e os irmãos, apesar de esquadrinhar bem por muitas partes, não puderam encontrá-los nem seus cadáveres. [Eusébio 6.42.3]
  8. Muitos são os que nessa mesma montanha de Arábia foram reduzidos à escravidão pelos bárbaros sarracenos. [Eusébio 6.42.4]
  9. Deles, alguns foram resgatados com grande dificuldade e em troca de muito dinheiro; e outros não, até hoje. [Eusébio 6.42.4]
  10. E se te expliquei isto, irmão, não é sem motivo, mas para que saibas quantas e que terríveis provas nos atingiram, e mais poderiam contar aqueles que mais experimentaram.” [Eusébio 6.42.4]
    5. “Portanto, os mesmos divinos mártires entre nós, que agora são assessores de Cristo e partícipes de seu reino e de seu juízo, e que junto a ele ditam sentenças, receberam alguns irmãos caídos que se tinham feito culpados de ter sacrificado. [Eusébio 6.42.5]
  11. Quando viram sua conversão e arrependimento e julgaram que podia ser aceitável para o que não quer em absoluto a morte do pecador. [Eusébio 6.42.5]
  12. Mas seu arrependimento, receberam-nos, congregaram com eles, reuniram-nos e lhes deram parte em suas orações e comidas. [Eusébio 6.42.5]
    6. O que nos aconselhais, pois, vós sobre isto, irmãos? Que devemos fazer? [Eusébio 6.42.6]
  13. Nos colocaremos ao lado da sua decisão e de seu sentimento e guardaremos seu juízo e sua graça. [Eusébio 6.42.6]
  14. Seremos bons para aqueles com quem compadeceram. [Eusébio 6.42.6]
  15. Ou teremos por injusta sua decisão e nos imporemos como juízes de sua opinião, deplorando sua bondade e questionando a ordem estabelecida?” [Eusébio 6.42.6]
  16. Isto é o que Dionísio, de bom acordo, nos expõe ao remover o tema dos que haviam desfalecido na temporada de perseguição. [Eusébio 6.42.6]
  17. Foi precisamente então que Novato, presbítero da igreja de Roma, ensoberbecido contra estes que negaram a fé perante os tribunais pagãs, pregou que para eles não havia a esperança de salvação. [Eusébio 6.43.1]
  18. Ele negou que voltassem a igreja arrependidos mesmo com uma conversão sincera e com uma confissão pura. [Eusébio 6.43.1]
  19. Ele constituiu-se assim em fundador de uma heresia particular, a daqueles que, por orgulho de sua razão, declaravam a si mesmos puros. [Eusébio 6.43.1]
  20. Por este motivo reuniu-se em Roma um numerosíssimo concilio, com sessenta bispos e um número ainda maior de presbíteros e diáconos. [Eusébio 6.43.2]
  21. Também nas demais províncias os pastores locais examinavam particularmente a fundo o que se haveria de fazer. [Eusébio 6.43.2]
  22. Todos tomaram uma decisão: que Novato, junto com os que se haviam levantado com ele, assim como os que haviam preferido aprovar o parecer antifraterno e sumamente desumano deste homem, seriam
    considerados como alheios à Igreja. [Eusébio 6.43.2]
  23. Ao contrário de Novato, ficou decidido que os irmãos caídos naquela calamidade deveriam ser curados e cuidados com os remédios da penitência. [Eusébio 6.43.2]

XXXVIII – Carta Papal

  1. Preservou-se  a carta do bispo de Roma Cornélio, escrita para a igreja de Antioquia, Fábio, que declara os fatos relativos ao concilio de Roma e às decisões dos da Itália, da África e das regiões daqueles lugares. [Eusébio 6.43.3]
  2. Também se preservou outras, compostas em língua latina, de Cipriano e de seus colegas da África, através das quais manifestavam que também eles achavam que era necessário socorrer os que haviam caído na prova. [Eusébio 6.43.3]
  3. Manifestavam também com boa razão era necessário declarar expulso da Igreja católica o fundador da heresia, assim como os que se haviam deixado extraviar por ele. [Eusébio 6.43.3]
  4. Junto com essas cartas vinha outra de Cornélio sobre as decisões do concilio, e ainda outra sobre os
    atos de Novato. Nada nos impede de citar um parágrafo desta para quem leia este livro saiba sobre
    ele. [Eusébio 6.43.4]
  5. Explicando a Fábio que tipo de homem era Novato, Cornélio escreve o seguinte “para que este saiba que estranho indivíduo vinha há muito tempo desejando o episcopado”. [Eusébio 6.43.5]
  6. “Ele ocultava em si mesmo esta sua violenta paixão utilizando como cobertura de sua loucura o fato de ter consigo no início os confessores”.
  7. Ele escreve: “Máximo, um dos nossos presbíteros, e Urbano, tinham ambos colhido por duas vezes a melhor
    das glórias por sua confissão.” [Eusébio 6.43.5]
  8. Logo Sidonio e também Celerino, varão que, pela misericórdia de Deus, havia suportado com a maior integridade todos os tormentos.”
  9. “Fortalecendo a fraqueza de sua carne com o vigor de sua fé, tinha vencido a viva força o adversário.” [Eusébio 6.43.6]
  10. “Estes homens conheceram Novato, e depois que descobriram a malícia que havia nele, sua falsidade, seus perjúrios, seus enganos, sua insociabilidade e sua amizade lupina, retornaram à santa Igreja” [Eusébio 6.43.6]
  11. “Eles revelaram todas suas maquinações e ações malvadas, que já possuía desde há muito tempo, mas
    que ocultava em si mesmo.” [Eusébio 6.43.6]
  12. “Achando-se presentes muitos bispos e grande número de presbíteros e laicos, eles se lamentavam e se arrependiam de ter abandonado por breve tempo a Igreja, persuadidos por aquela besta pérfida e malvada.” [Eusébio 6.43.6]
  13. “É extraordinário, querido irmão, a mudança e transformação que em pouco tempo contemplamos nele!” [Eusébio 6.43.7]
  14. “Porque sendo uma pessoa brilhantíssima e que fazia crer com tremendos juramentos que de modo algum desejava o episcopado, de repente aparece já como bispo, como que lançado ao meio por arte de encantamento. [Eusébio 6.43.7]
  15. “Efetivamente, este expositor de doutrinas, este campeão da ciência eclesiástica, quando se empenhou em tomar para si e arrebatar o episcopado, que não lhe fora dado do alto, escolheu dois partidários seus. [Eusébio 6.43.8]
  16. “Desesperados da própria salvação, eles foram enviados a certa parte da Itália, pequena e insignificante, para ali enganar com elaborada argumentação a três bispos, homens rústicos e muito simples. [Eusébio 6.43.8]
  17. “Eles afirmaram energicamente e sustentando com força que era preciso que se apresentassem rapidamente em Roma, para que com sua mediação e com a ajuda de outros bispos, se pusesse fim a toda dissensão que havia surgido. [Eusébio 6.43.8]
  18. “Assim que chegaram – pessoas, como já dissemos, demasiado simples para as maquinações e falta
    de escrúpulos destes malvados. [Eusébio 6.43.9]
  19. “Eles foram encerrados por alguns homens semelhantes a ele e por ele transtornados. [Eusébio 6.43.9]
  20. “Durante a hora décima, quando se encontravam ébrios e tomados pelo vinho, obrigou-os à força a que, mediante uma imposição de mãos simulada e vã, lhe conferissem o episcopado, o mesmo que agora reivindica com fraude e malícia, pois não lhe cabe. [Eusébio 6.43.9]
  21. “Não muito depois, um deles voltou à Igreja, lamentando-se e confessando seu pecado, e nós o
    admitimos à comunhão como laico, pois todo o povo ali presente intercedia por ele. [Eusébio 6.43.10]
  22. “Quanto aos outros bispos, ordenamos sucessores para eles e os enviamos aos lugares onde eles estavam. [Eusébio 6.43.10]
  23. “Assim pois, este vingador do Evangelho não sabia que deve haver um só bispo em uma igreja católica em que não ignora que há quarenta e seis presbíteros, sete diáconos, sete subdiáconos, quarenta e dois acólitos, cinqüenta e dois entre exorcistas, leitores e ostiários; [Eusébio 6.43.11]
  24. “Assim como mais de mil e quinhentas viúvas e necessitados, todos os quais são alimentados pela graça e o amor do Senhor para com os homens.” [Eusébio 6.43.12]
  25. “Uma multidão tão grande e tão necessária na Igreja, e um número tão rico e em contínuo aumento pela providência divina, com um povo imenso e inumerável, não conseguiu afastá-lo de tamanho desespero e desmoronamento para retorná-lo à Igreja. [Eusébio 6.43.12]
  26. “Pois bem, digamos na mesma carreira com que obras e com que gênero de vida atrevia-se a reivindicar o episcopado.” [Eusébio 6.43.13]
  27. “Seria por acaso, ao menos porque desde o princípio vivia habitualmente na igreja? Ou porque por ela travou numerosos combates e, por causa da religião, viu-se envolto em muitos e grandes perigos?” [Eusébio 6.43.13]
  28. “Nada disso houve. Ao menos para ele, o ponto de partida de sua crença foi Satanás, que tinha
    vindo a ele e nele havia morado bastante tempo.” [Eusébio 6.43.14]
  29. “Os exorcistas o ajudaram quando caiu numa grande enfermidade, e como pensava que morreria logo, no próprio leito em que jazia recebeu o batismo por aspersão, se é que se pode dizer este o recebeu.” [Eusébio 6.43.14]
  30. “Mas tendo escapado à enfermidade, não recebeu nenhuma das outras coisas que se deve receber depois, segundo a regra da Igreja, nem sequer o ser selado pelo bispo. [Eusébio 6.43.15]
  31. “E não tendo recebido isto, como poderia ter recebido o Espírito Santo?” [Eusébio 6.43.15]
  32. “Ele, que por covardia e apego à vida, em tempos de perseguição negou que fosse presbítero. [Eusébio 6.43.16]
  33. “Efetivamente, os diáconos lhe pediam e exortavam a que saísse do casebre em que havia se encerrado e socorresse aos irmãos em tudo o que fosse lei e segundo a possibilidade de um presbítero para socorrer a uns irmãos em perigo e necessitados de socorro.” [Eusébio 6.43.16]
  34. “Mas ele estava tão longe de obedecer às exortações dos diáconos que partiu enfurecido e se afastou, porque dizia que já não queria ser presbítero por estar enamorado de outra filosofia”. [Eusébio 6.43.16]
  35. “Este ilustre personagem abandonou efetivamente a igreja, na qual havia obtido a fé e na qual havia sido considerado digno do presbiteriado, pela graça do bispo que lhe impôs sua mão para a ordem do presbiteriado.” [Eusébio 6.43.17]
  36. “Este Novato, de fato, realizada a oferenda, ao distribuir a cada um sua parte na comunhão e entregá-la, obriga as pobres pessoas a jurar, em vez de bendizer.” [Eusébio 6.43.18]
  37. “Com ambas as mãos agarra as de quem vai receber a comunhão e não as solta até que tenha jurado proferindo as palavras: ‘Jura-me pelo sangue e o corpo de nosso Senhor Jesus Cristo não me abandonar jamais para voltar-te a Cornélio’. [Eusébio 6.43.19]
  38. “E o pobre desgraçado não toma a comunhão se antes não faz imprecações contra si mesmo. E em vez de pronunciar ‘Amém’, ao tomar aquele pão, diz: ‘Não voltarei a Cornélio’.” [Eusébio 6.43.19]
  39. “Mas deves saber que agora ele se encontra desnudado e ficou isolado, pois cada dia o abandonam os irmãos e voltam à Igreja. [Eusébio 6.43.20]
  40. “O próprio Moisés, o que recentemente deu entre nós um formoso e admirável testemunho, achando-se ainda no mundo, como vendo a ousadia e a loucura daquele, o excomungou junto com os cinco presbíteros que com ele haviam-se separado da Igreja.” [Eusébio 6.43.20]

XXXIX -Conclusão

  1. Fábio, Bispo de Antioquia, que se inclinava um pouco ao cisma, também manteve correspondência epistolar Dionísio, o bispo de Alexandria. [Eusébio 6.44.1]
  2. Ele explicou muitos e diferentes pontos, entre eles o da penitência, nas cartas que lhe dirigiu, ao referir detalhadamente os combates dos que então acabavam de padecer martírio em Antioquia. [Eusébio 6.44.1]
  3. No curso do relato narra também um fato, muito admirável, que será necessário transmitir nesta obra e que diz assim: “Vou porém expor-te este único exemplo, ocorrido entre nós.” [Eusébio 6.44.2]
  4. “Havia entre nós um tal Serapion, já ancião e crente. Durante muito tempo havia vivido de forma irrepreensível, mas logo, na prova, caiu. [Eusébio 6.44.2]
  5. “Ele pediu muitas vezes (o perdão), mas ninguém fez caso dele, porque inclusive havia
    sacrificado. Tendo adoecido, passou três dias seguidos sem poder falar e inconsciente.
  6. “Quando ao quarto dia se recuperou um pouco, chamou seu neto e disse: ‘Até quando, filho, reter-me-ão? Dá-te pressa, rogo-te, e soltai-me logo. Chama-me algum dos presbíteros’. E dito isto, ficou novamente sem voz. [Eusébio 6.44.3]
  7. “O rapaz correu à casa do presbítero, mas era de noite e este achava-se enfermo; não podia ir, mas como eu havia mandado que aos que iam partir desta vida, se pedissem perdão, e principalmente se antes já o tivessem suplicado, eu os concedia. [Eusébio 6.44.4]
  8. “Assim o fazia para que partissem com boa esperança, por isso ele deu ao rapaz uma porção da Eucaristia, e mandou que a colocasse em algum líquido e a fizesse cair em gotas na boca do ancião. [Eusébio 6.44.4]
  9. “O rapaz regressou com ela e, quando se aproximava, antes que entrasse, novamente Serapion voltou a si e disse: ‘Já chegaste, filho? O presbítero não pôde vir, mas tu faze rápido o que te foi ordenado e deixa-me partir’. [Eusébio 6.44.5]
  10. “O rapaz pôs em um líquido, que era a porção da Eucaristia, e no momento em que a vertia na boca do ancião, este tomou um pouquinho e imediatamente entregou seu espírito. [Eusébio 6.44.5]
  11. “Agora bem, não está claro que foi preservado e se manteve até que fosse absolvido e, apagado seu pecado, pudesse ser reconhecido pelas muitas obras boas que havia feito? Isto questionou Dionísio. [Eusébio 6.44.6]
  12. Mas vejamos como escreveu ele mesmo a Novato, que então andava perturbando a comunidade dos irmãos em Roma. [Eusébio 6.45.1]
  13. Ocorre pois que este andava fazendo de alguns irmãos pretexto para sua apostasia e seu cisma, como se de fato eles o tivessem forçado a chegar a esta situação, veja de que modo lhe escreve: [Eusébio 6.45.1]
  14. “Dionísio a Novaciano, seu irmão, saúde: Se, como dizes, fostes levado contra a vontade, terás que prová-lo regressando voluntariamente, porque há que sofrer o que fosse para não partir em duas a Igreja de Deus. [Eusébio 6.45.1]
  15. O testemunho dado para evitar o cisma não seria menos glorioso do que o que se dá por não adorar os ídolos. [Eusébio 6.45.1]
  16. Para mim inclusive seria maior, porque neste dá-se testemunho apenas pela própria alma, enquanto que no outro se dá por toda a Igreja. [Eusébio 6.45.1]
  17. Mas ainda agora, se consegues persuadir ou forçar teus irmãos a retornar à concórdia, tua recuperação será maior do que tua queda. [Eusébio 6.45.1]
  18. Esta não será posta em tua conta, enquanto que a outra te será louvada. [Eusébio 6.45.1]
  19. E se não podes, porque não te obedecem, salva pelo menos tua própria alma. Rogo que tenhas saúde, e também a paz no Senhor.” [Eusébio 6.45.1]
  20. Isto Dionísio escreveu a Novato, mas além disso escreveu aos irmãos do Egito uma carta Sobre a penitência, na qual expõe suas opiniões acerca dos caídos distinguindo graus de faltas. [Eusébio 6.46.1]
  21. Também se conserva uma carta privada sua Sobre a penitência, dirigida a Cólon, que era bispo da igreja de Hermópolis, e outra de repreensão dirigida a sua grei de Alexandria. [Eusébio 6.46.2]
  22. Entre estas encontra-se também a que escreveu a Orígenes Sobre o martírio. Também aos irmãos de Laodicéia, aos quais presidia o bispo Telimidro, e aos da Armênia, cujo bispo era Meruzanes. [Eusébio 6.46.3]
  23. E além de todos estes, escreve também a Cornélio, o de Roma, depois de receber sua carta contra Novato.
  24. Indica-lhe claramente que ele foi convidado por Heleno, bispo de Tarso de Cilicia, e pelos outros bispos que o acompanham: Firmiliano, o da Capadócia, e Teoctisto, o da Palestina, para assistir ao concilio de Antioquia, onde alguns tentavam consolidar o cisma de Novato. [Eusébio 6.46.3]
  25. Além disto escreve que lhe fora anunciado que Fábio tinha morrido e que haviam estabelecido Demetriano como seu sucessor no episcopado de Antioquia. [Eusébio 6.46.4]
  26. Escreve também sobre o bispo de Jerusalém, falando neste termos: “Porque Alexandre, aquele homem admirável, estando no cárcere, teve uma morte feliz. [Eusébio 6.46.4]
  27. Em continuação a esta conserva-se também de Dionísio outra Carta diaconal por meio de Hipólito, dirigida aos de Roma, aos quais escreve ainda outra Sobre a paz, e igualmente Sobre a penitência. [Eusébio 6.46.5]
  28. Assim como também outra Aos confessores dali que ainda estavam comprometidos com a opinião de Novato.
  29. A estes mesmo, depois que voltaram à Igreja, escreveu outras duas cartas. [Eusébio 6.46.5]
  30. Manteve igualmente correspondência epistolar com muitas outras pessoas e deixou à posteridade um rico proveito aos que ainda hoje se interessam por seus escritos. [Eusébio 6.46.5]

 

FIM

 

Eusebio_de_Cesareia