Será que a dinastia que desapareceu do Egito em 1650 a.C. era o povo do Êxodo Bíblico?

James Tissot 1836-1902)

Os historiadores descrevem que a quantidade de pessoas no Êxodo é imensa. É descrito que eram seiscentos mil homens em idade produtiva (ou seja, um total pelo menos dois milhões de pessoas se incluirmos mulheres, crianças e idosos). Os críticos assim dizem: “Se um êxodo com tão grande número de pessoas tivesse realmente acontecido, isso causaria um colapso no Egito!”.  E continuam com certa razão: “É impossível que tenha acontecido durante o reino de Ramsés, na décima-nona dinastia, que foi o auge do império egípcio!”

Hoje, eu tenho uma resposta. E se eu dissesse que: Se posicionarmos o Êxodo outro período histórico, longe de Ramsés, um colapso assim é exatamente o que encontramos na história egípcia! Afinal, uma população semelhante desapareceu das terras do Egito em 1650 a.C. em razão de pragas e fome na região levando ao colapso egípcio do segundo período intermediário (numa cadeia de eventos que lembra muito a história do Êxodo).

Essa população seria exatamente aquela que viveu sob a décima-quarta dinastia do Egito na terra de Gosén, o atual Delta do Nilo, governando sobre um território que correspondeu a dois terços das terras egípcias. É incrível como os documentos históricos e o atual consenso acadêmico para esse período se encaixam perfeitamente com a história do Êxodo. Veja as evidências abaixo sobre essa dinastia sabendo que todas assertivas são fatos historicamente aceitos.

Evidências Atualmente Não-Contestadas 

A 14ª dinastia é comprovadamente uma mistura semítica que incluía povos canaanitas e proto-israelitas, o que é comprovado pelos nomes de seus faraós, como Yaqub (Jacó) e Yakbim (Jabim), e que surgiu enquanto a tradicional 13ª dinastia Tebana estava no poder (semelhante à história descrita em Gênesis 47:1).

A mistura semítica da 14ª dinastia entrou pacificamente no Egito e viveu ao longo do delta na terra também conhecida como Terra de Gósen (semelhante à história descrita em Gênesis 47:5).

A mistura semítica da 14ª dinastia foi capaz de manter alguma independência da 13ª dinastia na Terra de Gósen com seus próprios reis (semelhante à história descrita em Gênesis 47:27)

A mistura semítica da 14ª dinastia teve 76 reis em um período de 75 anos, o que significa que eles eram um grupo descentralizado com reis paralelos como se estivessem divididos em tribos (semelhante à história descrita em Gênesis 50:28-19).

A 14ª dinastia semítica tinha pessoas de seu grupo étnico escravizadas por um faraó da 13ª dinastia, como evidenciado pela Lista de Escravos do faraó Sobekhotep. (semelhante à história descrita em Êxodo 1: 8-10, até mesmo com um nome correspondente “Sifrá” com o Êxodo 1:15).

A mescla semítica da 14ª dinastia foi quem deu início à construção dos Estratos G e F da cidade de Avaris. Esta cidade é uma retroprojeção para a localização do futura cidade de Per-Ramsés. (semelhante à história descrita em Êxodo 1:11).

A mistura semítica da 14ª dinastia viveu no Egito por cerca de 75 anos, o que pode ser compreendido em um período de três a quatro gerações. (semelhante à história descrita em Êxodo 6:18-25, sobre a genealogia de Moisés e Arão).

A mistura semítica da 14ª dinastia tem o consenso acadêmico dizendo que eles sofreram uma série contínua de pragas e fome até seu desaparecimento (semelhante à história descrita em Êxodo 8-10, sobre as primeiras oito pragas).

A mistura semítica da 14ª dinastia experimentou cinzas em suas terras, encontradas na Camada de Púmice Vulcânica na escavação de Tel El-Daba. (semelhante à história descrita em Êxodo 10:22-23, sobre a nona praga).

A mistura semítica da 14ª dinastia deixa de existir por causa das pragas e da fome e alguma escala de população em fuga deve ser considerada. (semelhante à história descrita em Êxodo 10-11).

A mistura semítica da 14ª dinastia eram de servos vassalos da 13ª dinastia durante a rebelião de servos em fuga descrita no Papiro Ipuwer da linha 1.1 até o fim. (semelhante à história descrita em Êxodo 11: 28-29)

A linha 3.2 Ipuwer Papyrus descreve como o ouro e as joias da nobreza egípcia foram roubados pelos servos em fuga. (semelhante à história descrita em Êxodo 11:12).

As linhas 4.3 e 5.6 do Papiro Ipuwer descrevem a nobreza egípcia perdendo seus filhos ao ser “jogada contra a parede” e “colocada em altares funerários”. (semelhante à história descrita em Êxodo 12:29-30, sobre a décima praga)

O Papiro Ipuwer capítulos 7.2 e 7.4 descreve a queda ou morte de um faraó por um grupo de pessoas que a fonte egípcia chama de “ralé” e “homens sem lei”. (semelhante à história descrita em Êxodo 13:28)

Minhas Especulações Lógicas

Pragas, fome e revoltas foram a causa da queda tanto da mistura  semítica da 14ª dinastia quanto dos governantes tebanos da 13ª dinastia, como é o consenso dos estudiosos hoje. Este seria realmente o momento perfeito para uma agenda política de “terra prometida” por um líder carismático.

A 14ª dinastia se espalhou por todo o delta do Nilo e poderia muito bem ter controlado uma população com mais dois milhões de pessoas antes que a calamidade os atingisse como descrito no livros do Êxodo e Números.

Os críticos também gostam de dizer: “Dois milhões do Egito seria equivalente a um quatro da população do Egito na época. Se eram tantos, por que simplesmente invadiram o palácio do faraó e não tomaram o poder”. Essa teoria leva em consideração que a terra não era boa nesse período pelas calamidades descritas. O povo da décima-quarta dinastia só queria sair e encontrar um lugar melhor para morar.

Finalmente…

Eu humildemente concluo que devemos sim considerar esta 14ª dinastia como o grupo que partiu no Êxodo. Mais uma vez, com uma diferente sincronia entre a Bíblia e a historiografia atual faz os relatos bíblicos saltarem aos nossos olhos. E se seguirmos a cronologia de David Rohl essa data de 1650 a.C é imediatamente corrigida para 1450 a.C. que está em total conformidade com as datas descritas no relato Bíblico.

Deixe uma resposta