Nova Cronologia Da Antiguidade (Teoria de Rohl)

Os historiadores descrevem um período na antiguidade conhecido como “Idade das Trevas Antiga”. Ele durou trezentos anos entre os anos 1200 e 900 a.C. Tudo o que aconteceu antes de 1200 a.C é muito bem documentado pelos egípcios se encerrando no confronto com os “Povos do Mar”. Tudo o que aconteceu após 900 d.C. é muito bem documentado pelos gregos e pela bíblia que descrevem a fundação de Roma e Cartago; assim como um ataque egípcio contra a cidade de Jerusalém. No entanto, não há praticamente nada documentado entre essas datas por qualquer povo conhecido. É um buraco negro da história.

A narrativa histórica atual descreve que esse período obscuro foi uma consequência do confronto contra os Povos do Mar. Esse povo destruiu a civilização hitita e alijou os egípcios. Houve um consequente colapso da economia e queda na elite letrada da época. Pelo menos, essa é a explicação para a interrupção abrupta nos registros históricos. No entanto, vem crescendo uma teoria do famoso egiptólogo David Rohl, que tenta explicar esse período período obscuro de forma bem inusitada. O egiptólogo questiona:

E se os trezentos anos de Idade das Trevas Antiga forem uma ilusão criada por um erro de datação?

David Rohl elimina esses trezentos anos da chamada Idade das Trevas, advogando que os eventos de 1200 a.C. ocorreram imediatamente antes aos eventos de 900 a.C.. Ou seja os Povos do Mar levam diretamente à fundação de Roma e Cartago.

O erro de datação decorreu da confusão política em que diferentes faraós entre a 20ªe a 25ª dinastias do Egito governaram diferentes regiões do Rio Nilo ao mesmo tempo (em certos momentos, houveram quatro faraós ao mesmo tempo). O egiptólogo David Rohl diminui esse período de confusão política de quinhentos anos para apenas duzentos anos ao reorganizar a sequência de faraós. É essa redução de trezentos anos que traz ataque dos Povos do Mar para os anos de 900 a.C, sendo esta a nova data para o fim da era de Bronze.

Desta forma, o faraó que atacou Jerusalém por volta do ano 930 a.C., que a bíblia chama de Sisaque, não foi Shoshenk I como o nome deixa transparecer, mas o mais famoso faraó Ramsés II, o Grande, visto que ambos possuem relatos históricos de invasão às terras de Israel em suas tumbas.

Caso a teoria de Davi Rohl seja verdadeira, a alteração da cronologia egípcia traz consequências que surgem aos olhos dos historiadores e dos amantes da mitologia. Essas consequências são:

  1. A Guerra de Troia realmente iniciou a fundação de Roma (como contado nos épicos greco-romanos)
  2. O Rei David ganha comprovação histórica (como contado na Bíblia)
  3. O Êxodo de Moisés ganha uma narrativa egípcia confirmatória (como contado na Bíblia)

A Guerra de Troia realmente iniciou a fundação de Roma!

As canções épicas sobre a fundação de Roma contam como os sobreviventes da Guerra de Troia foram liderados pelo famoso príncipe Enéias, que lutou ao lado dos troianos, até as terras da Itália. Ele teve um romance com a rainha Dido de Cartago, filha do rei Mattan, e foi recebido por Tirreno dos Etruscos, filho de Ônfale, na região que onde Roma seria fundada.

Sabe-se que há uma relação direta entre esse Povo do Mar e a Guerra de Troia. Muitas teorias identificam os Povos do Mar com a confederação liderada pelos troianos que provocaram a mítica guerra, com os próprios gregos micênicos que a venceram ou com os refugiados da destruição causada por ela. No entanto, as viagens de Eneias antes eram totalmente descartadas visto que a guerra de Troia ficava estabelecida no ano de 1180 a.C enquanto os Etruscos só chegaram na Itália após o ano 850 a.C e a rainha Dido era filha do rei Mattan que governou a Fenícia no ano de 840 a.C.

Por outro lado, a nova cronologia coloca a guerra de troia em 880 a.C. O príncipe sobrevivente Enéias assim fica mais próximo dessas duas figuras históricas.

O Rei David ganha comprovação histórica.

A nova cronologia traz todos os faraós do Egito anteriores ao Povos do Mar para trezentos anos mais cedo. Não apenas o Ramsés estaria governando no ano de 930 a.C como também o famoso faraó Aquenáton, que quis estabelecer uma religião monoteísta no Egito, vem para a data mais próxima de 1052 a.C a 1036 a.C (antes era 1352 a 1336 a.C.).  Isso o coloca o faraó monoteísta exatamente contemporâneo do conflito entre Saul e David descrito na bíblia.

Para a surpresa de todos o nome de Davi aparece na famosa correspondência de trezentos-oitenta cartas (“As Cartas de Amarna”) do faraó Aquenáton com outros reis do mundo. Essa descrição ocorre na carta #256 que o faraó recebeu de Mutbaaal (traduzido como “Filho de Baal” em canaanita) cujo nome é exatamente igual ao filho de Saul chamado Isobaal (traduzido como “Filho de Baal” em hebraico).

“Como pode-se dizer em sua presença que Mut-Baal fugiu. Ele escondeu Ayyab? Como pode o rei de Pihilu fugir do comissário Sukini do rei, seu senhor? Ó faraó, senhor dele, viva. Ó faraó, senhor meu, viva. Ó faraó, senhor meu, isso se tornará uma vergonha. Eu juro que Ayyab não está em Phihilu. Na verdade, ele está em campo há dois meses. Só pergunte a Ben-Elima. Só pergunte a Dadva. Só pergunte a Yishya se após roubar Sulum-Marduk, eu fui ajudar Astartu quando as cidades de Garu se tornaram hostis.” – EA #256.

Não só o nome de Davi (como Dadva) aparece, mas também os nomes do seu general Joabe (Ayyab) e do seu pai Jessé (Yishya) podem também estar descritos na mesma carta.

Além disso, o faraó recebeu as cartas do pai de Mutbaal chamado Labaya que tem um história muito semelhante ao Saul da bíblia. Assim como Saul, esse Labaya desejava se tornar o líder das terras israelenses ao impor sua força contra os reis locais e teve de se justificar ao faraó por isso. Na carta #254, assim como Saul da bíblia tinha um filho Jônatas que se relacionava com o seu inimigo Davi, o Labaya tem um filho não-nomeado que se relacionava com seus inimigos chamados de Habiru (praticamente igual aos “Hebreus”).

“Eu sou um servo leal do faraó! Não sou um rebelde e não sou delinquente em meu dever. Não retive meu pagamento de tributos; Não retive nada solicitado pelo meu comissário. Ele me denuncia injustamente, mas o rei, meu senhor, não examina meu suposto ato de rebelião. Meu ato de rebelião é este: quando entrei em Gazru, continuei dizendo: Tudo o que é meu o faraó leva, mas onde está o que pertence a Milkilu? Eu conheço as ações do Milkilu contra mim! Além disso, o faraó escreveu para meu filho. Eu não sabia que meu filho estava se relacionando com os Habiru. Eu, portanto, o entrego a Addaya.” EA #254.

A coincidência de nomes é simplesmente demais para não se admirar.

O Êxodo de Moisés ganha uma narrativa egípcia confirmatória

Outra consequência da mudança de datas é a confirmação do Êxodo liderado por Moisés por fontes egípcias. O Papiro de Ipuur é um lamento pela grande revolta de servos e escravos nas terras do Egito. Ele descreve como a nobreza foi subjugada, como as construções foram interrompidas, como os recursos ficaram escassos e como o faraó foi deposto. Este da décima-terceira ou da décima-quarta dinastia que precedeu a invasão dos Hicsos já que no fim há um protesto contra “os que informaram asiáticos da situação da terra”.

O texto é sempre comparado com o livro do Êxodo, não só por causa da rebelião de escravos que é o mesmo tema do livro bíblico, mas também por causa do trecho sobre o rio Nilo se tornar sangue como na primeiríssima praga lançada por Moisés:“De fato, o rio é sangue, mas os homens bebem dele. Os homens evitam os seres humanos e têm sede de água.” (Papiro de Ipuwer, capítulo 2).

No entanto, sempre houve um problema em relacionar o texto com o Êxodo por causa do seu tempo histórico. Afinal, a décima-quarta geração ocorreu por volta de ano de 1700 a.C. e nem as datas mais antigas propostas para o Êxodo se atrevem a ir sob o risco de desmontar a cronologia semita. Por outro lado, se anteciparmos a cronologia egípcia em trezentos anos, a décima-quarta dinastia ficaria por volta no ano de 1400 a.C. exatamente no tempo proposto pela Bíblia.

Além disso, o trecho bíblico: “Assim os israelitas construíram para o faraó as cidades-celeiros de Pitom e Ra­messés”  se torna mais verdadeiro. Afinal, foi exatamente na décima-quarta dinastia que a cidade de Avaris foi construída. E hoje é fato bem conhecido que a cidade de Avaris era o antigo nome da cidade de Ramsés antes o faraó com este mesmo nome construir a sua capital sobre as ruínas da anterior.  

Conclusão

Eu descrevi os argumentos de David Rohl e posso concluir que o egiptólogo ganhou mais um adepto a sua teoria. Hoje, eu acredito verdadeiramente que essa “Nova Cronologia” é a cronologia correta.

Obrigado, Pedro Cavalcanti.

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