Guerra entre os Heróis Gregos e os Juízes de Israel que começou em 1175 a.C.

HAMILTON, Gavin, (1723 - 1798)

Gavin, Hamilton (1723 – 1798)

A Guerra de Troia se encerrou. A cidade foi pilhada e a princesa Helena foi resgatada. Os gregos pelasgos, incluindo Odisseu, Agamenon, Menelau e tantos outros, enfim embarcam em suas embarcações para retornar às suas terras natais após dez anos de batalhas excruciantes e sangrentas. Os deuses, no entanto, não estão felizes com o desfecho da guerra e enviam uma tempestade contra a frota Pelasga.

Muitos líderes Pelasgos tem seus navios espalhados por todo o mediterrâneo. Odisseu é jogado na costa da Itália. Menelau é lançado na costa do Egito. Outros tem destinos piores. E aqueles que conseguem chegar em sua terra natal enfrentam conspirações locais que se criaram nesses dez anos em que seus líderes ficaram guerreando contra os troianos. Esse é o caso do rei Idomeneu de Creta, que ao chegar na sua terra natal, encontrou um usurpador sentado em seu trono e e deitado na cama com sua esposa.

Idomeneu tentou reconquistar seu reino, mas não conseguiu. O usurpador o expulsou de suas próprias terras. Ele teve que abandonar Creta com alguns dos poucos homens leais que levou consigo para Troia em quarenta navios. Ele teve que buscar um novo lar.

“Nauplio navegou ao longo das terras gregas e descobriu que as esposas dos gregos tramaram contra seus maridos: Clitemnestra com Egisto; Egiália com Cometes; e Meda, esposa de Idomeneus, com Leuco. Mas Leuco matou a Meda, junto com sua filha Clisitira, que tomou refúgio no templo; e tendo se aliado com dez cidades de Creta, ele se fez tirano delas. Assim,  ao fim da guerra de Troia, quando Idomeneus desembarcou em Creta, Leuco o expulsou.” – Apolodoro, Biblioteca – Livro Epítome 6:9-10.

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Vaso semelhante ao micênico IIIc em cidade Filisteia (Gath) nas terras de Canaã.

Chegada de Idomeneu em Canaã

O líder Idomeneu vagou pelo Mediterrâneo sem que o mito dissesse o seu destino final, mas a resposta pode estar na Bíblia que fala da origem dos seus inimigos Philisteus vindos da ilha de Caftor, que dentre os historiadores há um consenso que é Creta.

As terras de Canaã eram um destino bem possível para Idomeneu, afinal, o líder Menelau e sua esposa Helena, já estavam por essas regiões costeiras que pertenciam ao Egito, pois foram levados até lá pela tempestade que acometeu os navios gregos peslagos. Assim, não é algo fora da realidade pensar que o líder Idomeneu possa ter ido atrás dele nesta mesma região,

“Não me sois, vós, ó filhos de Israel, como os filhos dos etíopes? diz o Senhor: Não fiz eu subir a Israel da terra do Egito, e aos filisteus de Caftor, e aos sírios de Quir?” – Livro de Amós 9:7

“Por causa do dia que vem, para destruir a todos os filisteus, para cortar de Tiro e de Sidom todo o restante que os socorra; porque o Senhor destruirá os filisteus, os sobreviventes da ilha de Caftor.” – Livro de Jeremias 47:4

Derrota de Idomeneu na Batalha de Djhai

Outra fonte histórica, que pode atestar a chegada dos cretenses na região de Canaã, são os hieroglifos na tumba do faraó Ramsés III (não confundir com Ramsés, o Grande) em Medinet Hadu. Na câmara mortuárias que descreve seus feitos há o relato de uma batalha contra os infames Povos do Mar no oitavo ano de seu governo. Em especial, está descrita a batalha de Djhai, que é a região de Canaã.

As forças do rei Idomeneu, que os egípcios chamam de Peleset, foram derrotadas nesta batalha pelas forças egípcias, como o próprio Ramsés III enaltece em sua câmara mortuária. Note que a escrita silábica, que vigorava tanto no Egito quanto em Israel e na Grécia, não leva em consideração as vogais. Assim, ambas palavras Filisteia (Pleshet, em hebraico original), Peleset (Pw’l’-s’-t, em egípcio original) são considerados idênticas por todos os especialistas em linguística e semelhante o bastante do grego Pelasgos para serem considerados todos o mesmo povo.

“O Senhor pôs grande terror de mim no coração de seus chefes; o medo e terror de mim estava diante deles; para que eu possa carregar seus guerreiros, amarrados em minhas mãos, e conduzi-los à tua alma, ó meu augusto pai. Venha, para pegá-los, sendo eles os Peleset (Pw-l’-s’-t), Denyen (D’-y-n-yw-n’), Shekelesh” (S’-k-rw-s)”. 

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Reprodução da paredes da câmara mortuária de Ramsés III no templo de Medinet Habu.

O juiz Sangar de Israel participou da derrota de Idomeneu

Levando-se em consideração que os Philisteus e os Peslagos são o mesmo povo, o que é corroborado por evidências arqueológicas (como veremos a seguir) e pela própria Bíblia (como vimos anteriormente) a primeira batalha deste exército recém-chegado em Canaã contra os Israel também encontra nas escrituras.

O povo de Israel também era recém-chegado na região de Canaã, pois foram trazidos por Moisés no Êxodo. No entanto, eles foram surpreendidos por esse estranho povo vindo do mar e tiveram que enfrentar esse invasor. Foi o juiz Sangar quem liderou o povo israelense nessa batalha, conforme as escrituras bíblicas. No relato, ele empunha um ferrão de gado na mão e vence os inimigos cretenses, assim libertando a terra de Israel

Depois dele foi Sangar, filho de Anate, que feriu a seiscentos homens dos filisteus com um ferrão de bois, também libertou a Israel. – Livro dos Juízes 3:31

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Altar minoico em cidade Filisteia (Gath)

Idomeneu se torna vassalo do Faraó

Outro documento egípcio encontrado também na tumba de Ramsés nos revela o destino de Idomeneu após sua derrota na batalha de Dhjai. É um manuscrito de 1,500 linhas de texto, encontrado em Medinet Habu e chamado de Papiro Harris I.

Era uma prática comum no Egito integrar prisioneiros aos seus domínios, pois eles não tinham interesses em escravos. Foi exatamente isso que o faraó Ramsés II fez com as forças invasoras lideradas por Idomeneu. Para muitos historiadores, essa é a origem das cinco cidades dos Philisteus descritas na Bíblia: Ascalão, Asdode, Ecrom, Gath e Gaza.

“Eu os assentei em locais fortificados que estão em meu nome. Numerosas eram suas classes, com centenas de milhares fortes. Eu cobrei tributo, em roupas e grãos, de seus mercados e silos todos os anos” – Papiro Harris I. 

Cidades Cretenses em Canaã

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Vasos cretense e enterro tipicamente minoico em cidade Filisteia (Gath).

A Bíblia mostra claramente que os Philisteus acabam por ser tornar os maiores arqui-inimigos do povo de Israel após esses eventos. Entre outros feitos e múltiplas batalhas, eles dominaram o povo de Israel por um determinado período, chegaram a roubar a Arca da Aliança e foram os responsáveis pela morte do famoso herói Sansão.

A maior prova de que os Filisteu possuem origem cretense está nas próprias escavações das cidades Philisteias. A cidade de Gath, atual Tell es-Safi, em especial, mostra a presença de traços marcantes da cultura minoica entre os seus habitantes.

1) Altares de duplo chifre, que raramente são encontrados em outros lugares além de Creta.

2) Objetos fálicos que simbolizam o deusa-mãe da fertilidade, que era a líder do panteão minoico.

3) Cerâmicas são típicas da ilha de Creta e Micênica; sendo bem diferente dos padrões cananitas e israelenses do mesmo período.

4) Rituais funerários típicos dos habitantes do mar Egeu, que diferem daqueles praticados pelos cananitas e israelenses.

Esses achados arqueológicos não deixam qualquer dúvida que os Philisteus possuem origem da ilha de Creta. A própria Bíblia corrobora com isso em suas escrituras. A única dúvida que se coloca é sobre quem foi o colonizador da região. Teria sido o Idomeneu, líder cretense que lutou na guerra de Troia e que é eu teorizo neste post? Ou teria sido outro grupo de pessoas? Desconhecidos? Imigrantes? Fugitivos? Qualquer um?

Como amante da Era dos Heróis gregos e adorador das narrativas da Guerra de Troia, não posso deixar de tomar partido em Idomeneu, principalmente, quando a arqueologia está do meu lado nessa afirmação.

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