ÓRION: veja a biografia completa

Marcantonio Franceschini (1648–1729)

Órion é considerado o melhor caçador da mitologia grega e o único mortal por quem a deusa Ártemis já se apaixonou, chegando até a cogitar perder sua virgindade para ele. O seu nome Ωριων pode ser traduzido como referência ao seu tamanho “montanha” (oros) ou ao seu nascimento “urina” (ourios).

Pai

  • Hirieu, o homem mais rico da Beócia.
  • Zeus, deus do Céu e da Terra.
  • Poseidon, deus dos mares e oceanos.
  • Hermes, deus dos viajantes e trapaceiros.

Mãe

  • Clônia, ninfa, esposa de Hirieu.
  • Gaia, a Mãe-Terra.

Filhos

Por Side, cuja beleza rivalizava com Hera, ele teve:

  • Metioque, sacrificada para salvar a Beócia de uma epidemia.
  • Menipe, sacrificada para salvar a Beócia de uma epidemia

Paolo Veronese (1528-1588)

Nascimento

Não há dúvidas de que Órion cresceu e foi criado na casa de Hirieu, o homem mais rico da Beócia, mas a questão de Órion ser seu filho biológico ou de criação sempre foi algo incerto. Na época, Hirieu e sua esposa Clônia amargavam a perda de seus dois filhos Nicteu e Lico, que chegaram a ser reis de Tebas, mas morreram em consequência da guerra que fizeram contra a cidade de Sicião. O angustiado e velho Hirieu orou aos deuses por um novo filho e três deuses atenderam sua súplica. Zeus, Poseidon e Hermes colocaram seus fluidos corporais (urina, sêmen ou sangue) numa bolsa de couro de touro e a enterraram no solo. A ação fecundou a Mãe Terra e um bebê brotou no local.

Paixão por Merope

O bebê cresceu na casa de Hirieu com a determinação de Zeus, a força de Poseidon e a velocidade de Hermes. Ele também cresceu muito em tamanho. Era muito maior do que as crianças de sua idade e, na idade adulta, muitos o consideravam um gigante. Órion já tinha fama de bom guerreiro e excelente caçador quando conheceu a princesa Merope na ilha de Quios, cuja beleza o deixou perplexo. Ele então pediu a mão da moça em casamento, mas seu pai, o rei Enopião, negou o pedido do caçador. Ele nunca quis ter um genro aventureiro.

Perda da Visão

Carl Bloch (1834–1890)

Órion sempre teve tudo o que desejou. Sempre capturou todas as presas que caçou. Ele assim foi incapaz de aceitar a rejeição de seu pedido de casamento. Por isso, levou a moça para a cama contra a vontade paterna. Muitos dizem que até contra a vontade da moça também, forçando a si mesmo sobre ela. O rei Enopião ficou furioso com o desrespeito contra sua honra e, indignado, contratou um grupo de mercenários para desdenhosamente se aproximarem de Órion e o embebedarem. Quando incapaz de se defender de tão bêbado, o rei Enopião o levou à beira-mar e perfurou seus dois olhos com metal fervente. Depois, o arremessou num barco para nunca mais voltar.

Caçador Cego

Inconsciente e cego, o caçador foi levado pelo barco até ilha de Lemnos, onde ficava a oficina do deus Hefesto. Com muita dificuldade, ele buscou o deus da forja e questionou se havia alguma forma deste deus ajudá-lo com sua recém-adquirida cegueira, mas tudo o que recebeu foi o servente da oficina, chamado Cedalião, para lhe servir de guia e ajudante. No entanto, a deficiência que deveria ser sua punição acabou se tornando uma benção, pois o caçador foi capaz de desenvolver seus outros sentidos graças à orientação de Cedalião. Órion agora era capaz de caçar apenas com o tato, paladar, olfato e audição. Era algo realmente surpreendente de se ver.

Cleveland Museum of Art

Amor na Alvorada

A titã Eos, a deusa da alvorada, sempre foi conhecida por buscar amantes humanos e fazer amor com eles nas nuvens. Foi assim com vários heróis da mitologia grega que excediam nas habilidades de caça e combate. O primeiro dos seus amantes humanos foi exatamente o grande caçador Órion. Na época, o caçador já havia superado sua deficiência e estava casado com uma bela mulher chamada Side com quem teve as gêmeas Metioque e Menipe. No entanto, a deusa observou maravilhada a habilidade de um caçador, que mesmo cego, conseguia capturar suas presas nas densas florestas de sua terra-natal. Cheia de luxúria, a deusa da alvorada levou Órion até as nuvens onde ambos fizeram amor.

Cura pelo Sol

Mesmo que as limitações de sua deficiência visual já estivessem superadas, a deusa da alvorada revelou a Órion que o titã Hélio, o deus-sol, detinha os poderes necessários para curar sua cegueira. O caçador então colocou seu ajudante Cedalião sobre seus largos ombros e pediu que ele o guiasse rumo ao nascer do sol. Juntos, ambos Órion e Cedalião seguiram para as terras do leste onde viveram grandes aventuras até encontrar o titã Hélio. E, como Órion tinha ambos os deuses Hefesto e Eos para interceder em se favor, o deus-sol aceitou lhe curar. Os raios solares do novo amanhecer então banharam os olhos de Órion e restauraram a sua visão.

Paixão de Ártemis

Guillaume Seignac (1870–1924)

Com a visão restaurada e os sentidos aguçados pelo tempo que passou cego, o caçador se tornou imbatível. Nada escapava de sua audição e olfato. A visão voltou a ser tão aguçada quanto antes. Era, sem sombra de dúvida, o melhor caçador que já pisou sobre a terra, não importando o tempo e o lugar. Era tão magnífico em sua profissão que a própria deusa da caça Ártemis se apaixonou por ele. Ambos viveram um romance e ela estava preparada para entregar sua virgindade a Órion.  Estava disposta a quebrar o voto de castidade que realizara quando ascendeu ao panteão sagrado por puro amor a um mortal.

Escorpião Perseguidor

No fim, Órion morreu de uma flechada disparada pela própria deusa Ártemis, mas os motivos deste disparo variam enormemente. Uns dizem que a deusa não aceitava que Órion fosse mais habilidoso na caça que ela. Outra versão diz que a deusa estava tomada de ódio por seu amado a trair com uma mulher chamada Ópis, que era uma das caçadores do seu bando divino. A verdade, no entanto, é mais trágica. A flechada que o matou decorreu de uma armadilha criada pelo irmão gêmeo da deusa. Apolo era incapaz de concordar que Ártemis quebrasse seu voto de castidade. Por isso, enviou um escorpião gigante para perseguir e matar o caçador.

Jean François de Troy (1679–1752)

Armadilha de Apolo

Enquanto o escorpião perseguia Órion, o deus Apolo estava com sua irmã Ártemis na praia quando a desafiou a acertar uma flechada num ponto negro no meio do oceano. Desejosa de mostrar que era melhor arqueira que o irmão, a deusa disparou sua flecha. Para sua surpresa, o oceano se tingiu de vermelho, pois o ponto negro era na verdade o próprio Órion, que fora levado até aquele local específico pelo escorpião gigante. Era uma armadilha de Apolo. Assim, quando o corpo moribundo do caçador foi trazido pelo mar até a arrebentação, a deusa Ártemis percebeu o que havia feito. Ela chorou copiosamente, pedindo perdão ao amado, mas o ferimento era irremediável. Não demorou para Órion morrer nos braços de sua amada ainda com a mortal flecha lhe atravessando o corpo.

Morte

Mural no Palazzo Farnese

A deusa Ártemis rogou a seu pai Zeus para que elevasse Órion às estrelas e o caçador ascendeu aos céus na constelação que recebe o seu nome. Desde esse dia, Ártemis desenvolveu uma aversão a todos os homens, em especial, ao seu irmão Apolo. Ela também jurou eterno amor ao caçador, prometendo nunca se apaixonar outra vez. A sua virgindade seria mantida não por causa dos deuses, mas em homenagem a um mortal. Até hoje, as duas constelações de Órion e de Escorpião podem ser vistas no firmamento. Quando uma só surge no horizonte, a outra desaparece no lado oposto, estando o caçador sempre fora do alcance de seu perseguidor.

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