Quem governou Israel em 1230 a.C. no auge da Era dos Heróis: Débora?

Providence Lithograph Company

Traçar paralelos entre as evidências arqueológicas comprovadas e as histórias da Bíblia para definir datas precisas tem sido um desafio. A maior frustração dos historiadores foi começar esse processo pelo Êxodo. Afinal, é impossível não admitir que há exageros e furos historicamente insustentáveis ao pé da letra. Por exemplo:

1) O trabalho escravo como descrito na narrativa era praticamente inexistente no Egito da época;

2) A população hebraica de 600 mil pessoa significava um quarto da população do Egito e teria significado o fim do império;

3) Por todo o percurso do mar Vermelho até Canaã que teria durado quarenta anos aos hebreus não foi encontrada qualquer evidência povoamento na região;

4) A Terra Prometida era parte do Império Egípcio por toda a Idade de Bronze de forma que Moisés, na verdade, nunca deixou as terras dos seus captores.

Essas inconsistências não significam que o evento não ocorreu, mas sim que a tradição oral da época não é confiável pela narrativa ter sofrido alterações ao longo dos séculos. Assim, se a história do Êxodo não possui evidências arqueológicas que a suporte, temos que mudar a estratégia. No lugar de buscar comprovações para sua mais notável e famosa história, vamos buscar a evidência a partir das provas mais indiscutíveis e irrefutáveis. E essa prova está descrita nos templos de Karnak em Tebas.

Lista de cidades conquistadas por Shoshenq I no templo de Karnak

Guerra entre Israel e o Egito

O quarto rei de Israel foi Roboão que governou após os mais famosos Saul, Davi e Salomão. A Bíblia conta que no quinto ano do seu governo o império egípcio sob o comando do faraó Sisaque invadiu Israel com uma força de 60.000 cavaleiros e 1.200 carruagens (Livro dos Reis 14:25 e Livro Segundo das Crônicas 12:1-12) . Esse evento é comprovado por textos encontrados no templo de Karnak em Tebas. As paredes desse templo fazem uma longa narrativa com os principais feitos dos faraós do Egito desde que ele foi erguido. E a narrativa de Karnak descreve que um faraó chamado Shoshenk conquistou as terras Israel no ano de 925 a.C.

Sisaque e Shoshenk são graficamente idênticos, pois na linguagem silábica que vigorava em ambos o Egito e em Israel, não se levava em consideração as vogais, apenas as consoantes. Além disso, história é corroborada por uma rocha documental (“estela”) encontrada na cidade de Megido com o nome desse mesmo faraó, comprovando assim sua presença no local como conquistador. Mais além, o templo de Karnak enumera uma longa lista de cidades israelenses conquistadas que vão desde Neguev até a Galiléia, incluindo a Megido da rocha Estela. No entanto, a cidade de Jerusalém não está na lista de cidades invadidas, o que corrobora com a Bíblia que descreve Roboão pagou um resgate para não ter sua cidade atacada por esse inimigo (Livro Segundo das Crônicas 12:7).

Datação por Contagem Regressiva

Como temos a evidência histórica da invasão do Egito contra as terras de Israel, podemos acompanhar a cronologia da Bíblia para encontrar quem eram seus personagens que viveram na época da mitologia grega. A lista abaixo descreve os principais Juízes e Reis, que antecederam Roboão e lideraram as tribos hebraicas na conquista de Canaã.


  • Data desconhecida – Moisés, da tribo de Levi, liderou até sua morte aos 120 anos de idade 
  • 1400’s a.C – Josué, da tribo de Efraim, liderou até sua morte aos 110 anos de idade (Opressor: Rei Jabim de Hazor)
  • 1383 a.C – Otniel, da tribo de Judá, liderou por 40 anos (Opressor: Rei Cusã-Risataim da Mesopotâmia)
  • 1343 a.C – Eúde, da tribo de Benjamin, liderou por 80 anos (Opressor: Rei Eglom de Moabe por 18 anos.
  • 1263 a.C – Débora, da tribo de Efraim, liderou por 40 anos (Opressor: Rei Jabim de Hazor por 20 anos).
  • 1223 a.C – Gideão, da tribo de Manasses, liderou por 40 anos (Opressor: Tribos Midianitas por 7 anos).
  • 1183 a.C – Abimeleque, da tribo Manasses, liderou por 3 anos.
  • 1180 a.C – Tola, da tribo de Issacar, liderou por 23 anos.
  • 1157 a.C – Jair, da tribo de Manasses, liderou por 22 anos (Opressor: Amonitas por 18 anos).
  • 1135 a.C – Jefté, da tribo de Manasses, liderou por 6 anos.
  • 1129 a.C – Ibsã, da tribo de Judá, liderou por 7 anos.
  • 1122 a.C – Elom, da tribo de Zebulom, liderou por 10 anos.
  • 1112 a.C – Abdão, da tribo de Efraim, liderou por 8 anos.
  • 1104 a.C – Sansão, da tribo de Dã, liderou por 20 anos (Opressor: Filisteus por 40 anos).
  • 1084 a.C – Eli, da tribo de Levi, liderou por 40 anos.
  • 1044 a.C – Samuel, da tribo de Levi, liderou por 12 anos.


  • 1032 a.C – Rei Saul, governou por 22 anos.
  • 1010 a.C – Rei David, governou por 40 anos.
  •   970 a.C – Rei Salomão, governou por 40 anos.
  •   930 a.C – Rei Roboão, invadido pelo Egito no quinto ano do seu governo.

Luca Giordano (1634–1705)

Considero que o período mais importante da mitologia está situada entre os anos de 1250 a.C (quando surgiu o maior herói grego Hércules) e o ano de 1180 a.C (quando se encerrou a guerra de Troia). Conforme a lista descrita anteriormente, entre os os principais personagens estão Débora e Gideão.

Considerações da Cronologia

Infelizmente, a cronologia descrita anteriormente pode não ser totalmente comprovada. Afinal, para se chegar a esse número, muitas considerações do texto tiveram que ser feitas. Em especial, duas considerações podem mudar totalmente  esse cálculo se forem interpretadas de forma diferente. São elas:

1) Os juízes eram líderes surgidos do povo que lutaram contra seus opressores ou impediram o povo de adorar outros deuses. É impossível saber se esses os juízes foram sucedidos de forma linear. Pode ter havido mais de um juiz num determinado espaço de tempo e que agiam em diferentes tribos. Da mesma forma, pode ter havido períodos sem nenhum juiz.

2) Os tempos de opressão inimiga foram consideradas dentro do governo dos juízes específicos. No entanto, uma grande parte dos historiadores consideram que nesses períodos de opressão o governante israelense foi substituto por adversários. Assim, os anos de opressão devem ser somados à cronologia e não incluídos nos governos daqueles que combateram o inimigo.

Quem foi Débora?

Jacopo Amigoni (1682–1752)

Débora, cujo nome significa “abelha”, foi profetiza e a quarta juíza de Israel. Sua história está descrita no Livro dos Juízes, capítulos 4 e 5. Ela, juntamente com o líder guerreiro Baraque, liderou os israelitas contra a invasão do rei Jabim de Hazor (principal cidade de Canaã) que dominou as tribos de Israel por vinte anos e as oprimiu violentamente com uma frota de bigas de ferros sob o comando do  general Sísera.

Débora vivia na região montanhosa de Efraim ,entre Ramá e Betel. Ela sentava-se debaixo de uma palmeira e o povo de Israel vinha até ela a fim de que ela os ajudasse a resolver as questões que traziam. Certo dia Débora mandou chamar Baraque e lhe disse que Deus havia ordenado que ele escolhesse dez mil homens das tribos de Naftali e Zebulom para enfrentar Sísera.

Apesar de confiar na palavra da profetisa, Baraque solicitou que Débora o acompanhasse no dia da batalha para inspirar a confiança dos seus homens. Ao ouvir dizer que os israelitas estavam alinhados para a guerra, Sísera convocou todo os seus carros, novecentos carros de ferro e todo o povo que estava com ele. Enfim, a batalha começou, havendo uma grande confusão entre o exercito de Canaã e eles foram derrotados.

Sísera fugiu a pé da batalha para a tenda de Jael, esposa de seu aliado Héber. Ela deu abrigo ao general opressor, mas quando ele adormeceu Jael pegou uma estaca e a cravou com um martelo na testa de Sísera.

Sítio Arqueológico de Harzor

Conclusão

A tecnologia para carros de ferro só terem surgido na Palestina após o ano de 1200 a.C., o que é uma evidência contra a o juizado de Débora ter ocorrido nessa época, o que significa que temos que buscar algum juiz anterior (Josué, Otniel ou Eúde). No entanto, muitos autores defendem que é possível aceitar que eram carros de madeira armados e fortificados com ferro.

Também há evidências a favor do governo de Débora ter ocorrido nos tempos da mitologia. Escavações no sítio arqueológico da cidade de Hazor indicam que  houve uma destruição na cidade por volta de 1230 a.C. É uma destruição condizente com a batalha entre Sísera e Baraque. Assim, a perseguição do rei Jabim de Harzor durou de 1250 a.C. a 1230 a.C. e a paz de 40 anos que sucedeu essa libertação durou de 1230 a.C a 1190 a.C.

No entanto, não acredito que esta assunto esteja finalizado. Temos que avaliar outro forte candidato para líder dos Hebreus em 1230 a.C.. O fundador do estado de Israel chamado Josué. Clique aqui para fazermos essa análise!

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