Helena causou o colapso da Era de Bronze em 1177 a.C.?

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Frederic Leighton, 1st Baron Leighton (1830–1896)

Conforme evidências arqueológicas, as ruínas de Troia revelam que a cidade foi destruída no ano de 1180 a.C. pelos gregos micênicos, que chamavam a si mesmos de Aqueus (598 vezes na Ilíada de Homero), de Danaãs (138 vezes) ou de Argivas (182 vezes). Eles não apenas destruíram Troia, mas todos os seus aliados que viviam próximos. Só o herói Aquiles liderou pilhagens  em quase vinte cidade que iam do norte palaico ao sul liciano da Anatólia (ver a lista abaixo).

Vale lembrar que Aquiles comandava menos de 5% do exército grego (50 barcos de um total de 1,186 conforme a Ilíada). Então, imagine a destruição causada se somarmos com as dezenas de outros líderes descritos na Ilíada que comandavam os outros 95% do exército grego. É de se esperar que uma destruição tão gigantesca se encontraria registrada em provas arqueológicas, não é verdade? E a resposta é: ela está sim! Eles eram os “Povos do Mar”, que levaram o mundo antigo à um colapso. Pelo menos essa é uma teoria que desejo explorar.

Evidência em Chipre

O último rei de Ugarite, nos limites da Anatólia, cuja cidade foi destruída no mesmo ano de 1.180 a.C. enviou uma pedido de socorro ao seu pai, que era rei do Chipre [Alásia].  Esta carta mostra o estado de desespero do rei ao ver seu reino atacado por um “Povo do Mar”. Ele escreve: “Meu pai, eis que os navios do inimigo vieram, minhas cidades foram queimadas e fizeram coisas más em meu país. Meu pai não sabe que todas as minhas tropas e carros estão na Terra de Hatti e todos os meus navios estão na Terra de Lukka? … Assim, o país está abandonado a si mesmo. Que meu pai o saiba: os sete navios do inimigo que vieram aqui infligiram muito dano sobre nós”.

Evidência no Egito

Na tumba de Ramsés III (não confundir com Ramsés, o Grande), foram encontradas inscrições sobre um terrível “Povo do Mar” que causou tamanha destruição na Anatólia: “As terras foram removidas e dispersas para a batalha. Nenhuma terra poderia estar diante de seus braços, de Hatti, Kode, Carquemis, Arzawa, Alásia sendo todas cortadas”. A violência alcançou o Egito, pois as inscrições nessa tumba descrevem que Ramsés III enfrentou esses Povos do Mar na Batalha do Delta (Nilo) e na Batalha da Fenícia (Dhjay) entre os anos 1.178 a.C e 1.175 a.C.

Povos do mar

Povos do Mar (n3 ḫ3s.wt n p3 ym) em Hieróglifo

Discussão

A Odisseia de Homero narra os eventos posteriores a destruição de Troia e, especificamente, no seu livro 4, o rei Menelau conta ao ser questionado como os navios gregos foram atingidos e dispersos por uma tempestade, que os fez se perder no mar. As ondas levaram Menelau, junto com sua esposa recapturada Helena, até o Egito onde ele desembarcou e confrontou o deus Nereu, também chamado de Proteu. Este deus contou como ele poderia voltar para casa depois de oito anos vagando no mar.

Note que o desembarque de Menelau e Helena no Egito contado na mitologia coincide com as batalhas histórias combatidas por Ramsés III no Delta e na Fenícia, tendo ocorrido de dois a cinco anos após a destruição da cidade de Troia em 1.180 a.C. No entanto, o mais surpreendente nas inscrições da tumba, é o nome do principal grupo que compunha esse Povo do Mar. Eram os Denyens. Ou seria melhor chamá-los de Danaãs?

Outros grupos faziam parte do Povo do Mar. Eram os Peleset, Sheklesh, Sherden, Teresh e Tjeker. Todos esses possuem paralelos com outros povos de origem grega e tradição marinha, como os Pelasgos, Sicilianos, Sardínios, Tirrênios e Teucros.  Mesmo em invasões anteriores em que o grupo principal era chamados de Eqwesh, a designação Aqueu também cabe perfeitamente.

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Reprodução da paredes da câmara mortuária de Ramsés III no templo de Medinet Habu sobre a Batalha do Delta contra os “Povos do Mar”.

Conclusão

Estou realmente convencido que os Povos do Mar são os gregos micênicos. Eles quem aterrorizaram a região da Anatólia e da Fenícia durante a guerra de Troia e depois que foram dispersos ao mundo pelas tempestades levando sua destruição. Acredito que Ramsés III combateu o rei Menelau ao lado de sua esposa Helena no Egito e que sua história contra o deus Nereu/Proteu, é uma alegoria para as batalhas contra exército egípcio que acabou o derrotando.

Assim como os Povos Bárbaros derrubaram o império Romano séculos depois, os Povos do Mar derrubaram as civilizações da Era de Bronze. Esse colapso na Idade de Bronze deu início a uma Idade das Trevas que durou trezentos anos (1100 a.C – 800 a.C), quando nenhuma literatura ou história foi gravada. A civilização só voltou a se restabelecer com a volta da escrita na geração de Homero e a volta dos grandes impérios com a Pérsia.

Certamente, Helena não esperava que seu caso de amor fora do casamento fosse alcançar tamanha destruição, não é verdade?

Linha do Tempo de Helena

c. 1220 a.C. – Nascimento de Helena

c. 1210 a.C. (10 anos de idade) – Helena é estuprada pelo herói Teseu, levando seu pai a decidir pelos jogos entre os pretendentes para disputar o casamento (junto com o trono de Esparta).

c. 1205 a.C. (15 anos de idade) – Helena casa-se com Menelau e o nascimento da filha do casal, Hermíone, pouco tempo depois.

c. 1195 a.C. (25 anos de idade) – Helena é levada por Páris de Troia. É bem estabelecido que sua filha Hermíone tinha nove anos de idade quando sua mãe deixou Esparta.

c. 1190 a.C. (30 anos de idade) – Início da Guerra de Troia.

c. 1180 a.C. (40 anos de idade) – Destruição de Troia (Evidência: Corpos, flechas e incêndios no Sítio Arqueológico Troia VIIa).

c. 1175 a.C. (45 anos de idade) – Desembarque ao Egito (Evidência: Batalhas do Delta e de Dhjay escritos no templo mortuário de Ramsés III.

c. 1170 a.C. (50 anos de idade) – Retorno a Esparta, onde Helena viveu o resto da vida ao lado do esposo Menelau. Felizes para sempre?

NOTA: Muita coisa ainda aconteceu depois do seu retorno, principalmente,  na disputa pelo casamento  de sua filha Hermíone entre Orestes e Neptolemo, respectivamente filhos de Agamenon e Aquiles, mas essa é uma que história para outro dia.

 

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Teto de Vila Veneziana por Autor desconhecido do Seculo 18.

 

NOTA 1: Lista de cidades destruídas por Aquiles, conforme o terceiro livro de Apolodoro: Lesbos, Focéia, Colofón, Esmirna, Clazômenas, Cimes, Egiálos, Tenos, Adramiítio, Sida, Endímio, Lineum, Colone Lirmesso, Tebas Hipoplaciana, Antandro e ele ainda completa com “e muitas outras”.

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